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TÍTULO: PROJETO DE EXTENSÃO RURAL A PRODUTORES FAMILIARES DO


MUNICÍPIO DE UBERLÂNDIA EM MINAS GERAIS
AUTORES: Adriano Pirtousheg, Júlio Marcos Ribeiro Riso, Murilo M. O. de Souza, Kelly
Cristina Silva Guimarães, Breno Pierani Severino, Marco Vinícius Silva, Breno Moscheta
Welter, Marialda de A. Santos, Cíntia A. Moraes Aquino, Sérgio C. Nunes, Cristiano
Ribeiro, Vinício Araújo Nascimento, Gustavo Ribeiro Destro
e-mail: adrianop@triang.com.br , murilosouza@hotmail.com , cocve@ufu.br
INSTITUIÇÃO: Universidade Federal de Uberlândia
ÁREA TEMÁTICA: Trabalho

INTRODUÇÃO

Durante a segunda metade do século XX, o Brasil presenciou profundas mudanças


em sua estrutura agrária. Nesse período, o setor agropecuário experimentou enormes
avanços tecnológicos, passando de um modelo de auto-subsistência para uma agricultura de
mercado. Esse processo, porém, não ocorreu de maneira uniforme, deixando em sua
trajetória muitos problemas e desajustamentos, tanto de caráter econômico quanto social.

Em um extremo, encontra-se uma agropecuária empresarial, especializada, de caráter


moderno, com alta composição orgânica do capital e alcançando elevados níveis de
produtividade. Sua produção, primordialmente, é destinada ao mercado externo, garantindo
maior remuneração ao capital investido.

Em pólo oposto, encontra-se uma agricultura tradicional, composta de pequenos e


médios produtores e com possibilidades limitadas de acesso aos modernos instrumentos de
produção. Apresenta como característica marcante uma produção diversificada no âmbito
das unidades de produção e o fato de que a organização e a divisão do trabalho restringe-se
ao círculo familiar, pois emprega pouca mão de obra assalariada.

Entretanto, este segmento do setor agropecuário, até hoje, tem grande importância na
sustentação da economia brasileira, pois é responsável pela produção de um volume
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considerável de alimentos básicos que são consumidos pela população do país.

Diante da diferenciação que se evidencia entre essas duas grandes categorias de


unidades de produção agropecuária, torna-se importante para o projeto político pedagógico
dos cursos de graduação na área de ciências agrárias, a contextualização dos acadêmicos
nessas duas realidades. Dessa maneira, espera-se formar profissionais com maior aptidão de
atuação na sociedade e mais capacitados à disseminação de tecnologias apropriadas aos
diferentes segmentos que compõem a produção agropecuária brasileira.

Em Uberlândia, os pequenos proprietários rurais constituem a maior parcela da


população rural. Informações do Censo Agropecuário 1995/96 mostram que de um total de
2.319 propriedades rurais existentes no município, 1407 propriedades possuem área de até
80 hectares, representando 60,67% do total.

Apesar das dificuldades enfrentadas por esses produtores, muitos ainda são capazes
de permanecer no campo e oferecer importante contribuição na produção de alimentos.
Entretanto, num mercado, a cada dia, mais competitivo e exigente, não basta a esses
produtores manterem apenas sua produção, tornando-se crucial a utilização de métodos
adequados de produção e de mecanismos de organização que lhes permitam alcançar maior
produtividade e qualidade do produto, ampliando sua inserção no mercado e, com isso,
elevando sua renda líquida.

Para tal, é importante a participação do poder público na constituição de processos de


ajuda que tenham por finalidade incrementar o nível de informações, aumentar o nível de
conhecimento e melhorar as habilidades desses produtores. Com isso, espera-se orienta-los
à tomada de melhores decisões sobre os métodos de produção e sobre as estratégias de
comercialização e de consumo adotadas no âmbito de suas unidades de produção.

OBJETIVOS

Este trabalho de extensão tem como objetivo geral a promoção de trabalho de


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extensão rural em Medicina Veterinária, tendo por propósito principal: o aumento da renda
e a melhoria da qualidade de vida dos produtores rurais e de suas famílias, a partir da
implantação de técnicas adaptadas à realidade de cada produtor.

Seguindo esta linha de trabalho o projeto de extensão rural para produtores familiares
de Uberlândia tem como objetivos, especificamente:

- Aprimorar a formação dos alunos para o exercício profissional através da criação de


oportunidades para aplicação prática dos conhecimentos adquiridos no curso;

- Concentrar esforços na implementação de ações que visem a análise do desempenho


econômico das unidades de produção, o que permitirá a avaliação do estágio de
desenvolvimento técnico - econômico das explorações, o diagnóstico dos gargalos
existentes nos processos de produção e o oferecimento de subsídios à recomendação
de tecnologias que proporcionem maior lucratividade;

- Estabelecer formas de cooperação com o poder público municipal, visando o


desenvolvimento de ações integradas e o estímulo à construção de uma sociedade
mais democrática e justa.

METODOLOGIA

O projeto está sendo desenvolvido no Município de Uberlândia, em parceria com


técnicos da EMATER-MG e da Secretaria Municipal de Agropecuária de Uberlândia, em
unidades de produção do tipo empresa familiar dedicadas à produção animal.

Inicialmente, foram realizadas reuniões com as comunidades a serem assistidas pelo


projeto, visto que o envolvimento de conselhos comunitários e de órgãos públicos e
privados atuantes nas comunidades a serem trabalhadas torna-se importante para o melhor
desenvolvimento dos trabalhos e implementação das ações. Nesse sentido pretende-se que a
atuação da Faculdade de Medicina Veterinária seja de caráter complementar e de apoio à de
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outros órgãos que operam no meio rural.

No total participam do projeto 12 alunos, sendo que as ações do projeto são


desenvolvidas por grupos de três alunos, sendo que dois membros devem estar cursando, no
mínimo, o 70 período. Os alunos prestam plantões quinzenais no projeto, quando se
deslocam (aos sábados) ao campo para o desenvolvimento de atividades do projeto.
Seguindo esta forma de trabalho, no primeiro ano de execução do projeto, o número total
de unidades de produção assistidas será de 36.

Além dos trabalhos a serem executados no âmbito das unidades de produção, também
são promovidos eventos grupais de cunho técnico e educativo nas comunidades, de modo a
reforçar o trabalho e criar maior aproximação com as famílias rurais.

Os exames laboratoriais necessários à instituição de diagnósticos são realizados pela


Faculdade de Medicina Veterinária, enquanto os exames de interesse dos produtores
participantes do projeto, efetuados em laboratórios da FAMEV, contam com 50% de
desconto no preço de tabela.

O transporte dos acadêmicos e professores participantes do projeto, do Campus


Umuarama até às comunidades ou unidades de produção trabalhadas, é de responsabilidade
da Prefeitura de Uberlândia, através da Secretaria de Agropecuária e Abastecimento. Foram
adquiridos e mantidos pela Secretaria de Agropecuária e Abastecimento, quatro conjuntos
de materiais a serem utilizados em procedimentos de emergência, em pequenas
intervenções cirúrgicas e em diagnósticos de gestação, além de anestésicos e medicamentos
de uso profilático e terapêutico.

Serão aplicados questionários destinados à coleta de informações para formular


diagnóstico sócio - econômico das famílias rurais participantes do projeto e obter dados que
permitirão avaliar resultados alcançados.
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RESULTADOS

Os resultados iniciais do projeto têm sido avaliados através da realização de reuniões


quinzenais com a participação dos acadêmicos e professores integrantes do projeto, com
objetivo de solucionar problemas, traçar metas e avaliar o andamento das atividades. E,
também, através de reuniões que são realizadas trimestralmente com técnicos da Prefeitura
com a finalidade de avaliar as atividades executadas e estabelecer estratégias de atuação.

As ações desenvolvidas pelo programa de extensão estão sendo dirigidas à aplicação


dos conhecimentos dos acadêmicos de Medicina Veterinária na identificação e solução de
problemas presentes nas unidades de produção. Para tal, os esforços estão sendo
concentrados nas seguintes áreas de atuação:

1. Orientação na aplicação de técnicas de criação, manejo, alimentação, melhoramento


genético, saúde e produção animal;

2. Orientação na adoção de programa de administração rural, visando o melhor


gerenciamento das explorações;

3. Instituir diagnóstico, prognóstico, tratamento e medidas profiláticas, em nível individual


e de rebanho;

4. Desenvolvimento de ações educativas que visem à defesa do meio ambiente, da saúde e


bem-estar animal, da saúde pública e do bem-estar social.

Os resultados obtidos até agora mostram que os produtores já começam a aceitar as


idéias trazidas pelos extensionistas, e começa-se a fortalecer o relacionamento entre
técnicos de outras instituições e os alunos extensionistas.

Os resultados mais imediatos podem ser equacionados com maior facilidade. Os


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acadêmicos participaram de processos de vacinação organizadas por diversos órgãos,


iniciando o processo de construção de uma confiança mútua entre estes e os produtores.

Entendemos o processo de extensão como sendo um processo lento de educação de


ambas as partes envolvidas no programa. No entanto, o desenvolvimento de procedimentos
de resultados que podem ser visualizados com maior rapidez são importantes para o
fortalecimento da relação entre produtores e extensionistas.

Neste caso, este projeto tem desenvolvido um trabalho de ações técnicas imediatas,
onde são realizadas pequenas cirurgias e, talvez a ação mais importante, tem-se tentado
implantar a consciência administrativa junto aos produtores envolvidos. O controle
proposto é, inicialmente, a simples anotação em cadernos, das atividades da propriedade.
Assim, já é possível notar as mudanças na produção e produtividade dos produtores que
procuram se organizar um pouco melhor administrativamente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

ALENCAR, Edgar; MOURA FILHO, Jovino A. Unidades de produção agrícola e


administração rural. Informe Agropecuário, Belo Horizonte, 14(157).

ALMEIDA, Joaquim Anecio. Pesquisa em extensão rural. Brasília: ABEAS, 1989, p. 9 a


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SOUZA, GUIMARÃES, VIEIRA et al. A administração da fazenda. 3. ed. São Paulo:


Globo, 1990. (Coleção do agricultor), p. 19-22.