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O polvo polvadeiro e os diplomas fajutos

Alceu A. Sperança

Deveríamos confiar no povo.


Para o Barão do Rio Branco, em
belíssima carta a Joaquim
Nabuco, “o nosso povo é muito
melhor do que os homens das
classes dirigentes”.

Para Milton Nascimento e Fernando Brandt, devemos ter “fé no nosso povo
que ele acorda” (Credo).
Se o povo é bom, que se torne melhor. Se vai acordar, que acorde esperto.
Pois se continuar a crer em moluscos vai quebrar a cara, como o pessoal que
põe todas as suas decisões nas mãos, diria melhor braços, do tal Polvo Paul,
aquele que acertou os resultados dos jogos da Copa.
Como também sou do povo e cometo meus enganos, fui consultar uma
versão online do Polvo Paul em alemão e perguntei: “Marx ou Greenspan?”
Não é que deu Marx?
Em outra versão, em Português, deu Greenspan, o grande e fracassado
larápio da atualidade. Vamos lá para uma terceira opinião. Um site em inglês
deu novamente Marx. Chega. Modismo também tem limites.
Hitler falsificou profecias de Nostradamus para invadir a França e as usou
como lema do nazismo (“o 3° Reich vai durar 1000 anos”).
As profecias de Nostradamus também têm forte relação com as batalhas de
Napoleão, que além delas também tinha um exclusivo oráculo manuscrito
egípcio de profecias. Um Polvo Paul particular. Nada disso previu Waterloo
ou o xilindró na ilha de Santa Helena.
Lutero (iniciador das atuais igrejas evangélicas) acreditava que o mundo
iria acabar por volta de 1550.
“A França, a Itália, a Alemanha e Inglaterra serão espectros fumegantes que
desaparecerão sob a avalanche das águas. Nenhum Estado europeu escapará à
hecatombe”, previu o Irmão X (pseudônimo do escritor Humberto de
Campos), na década de 50, referindo-se ao final do século XX.
Enganou-se de milênio: este parece o quadro da Europa hoje. Uma crise
fumegante e um tsunami financeiro.
Estudar, graduar, posar
Marx, aquele que para a versão brasileira do Polvo Paul vai perder para o
farsante Greenspan, não era muito dado a previsões, ao contrário das ilusões
de seus mais ingênuos seguidores, que o pretendem como um profeta de
sucesso em substituição a outros profetas já superados.
Jornalista, Marx apenas fez como todos nós, certamente com maior vontade
e talento: estudou a realidade mundial da época e extraiu desses estudos lições
que distribuiu em anotações incompletas. Friedrich Engels depois as
sistematizou para que as próximas gerações, e aqui estamos nós, consultassem
essas notas e tirassem suas próprias conclusões.
O genial filósofo alemão viu, com base nesses alentados estudos, que a
história avança por meio da luta de classes e que no capitalismo também havia
conflitos. Daí previu, como quem soma dois e dois, que emergiria uma
formação econômico-social transitória (o Socialismo) para preparar uma
sociedade sem classes e finalmente livre da exploração (o Comunismo, uma
espécie de Reino-dos-Céus da economia).
Coisas do progresso, portanto, e quem faz o progresso é o povo, não o
polvo. Como na educação, cumpre-se antes a graduação (o Socialismo) para
depois fazer a pós (o Comunismo). Mas o Capitalismo é o vencedor de hoje:
nele, candidatos à Presidência alegam ter diploma ou pós-graduação de cursos
que nunca fizeram.
Antes de chegar a qualquer graduação superior, moçada, é preciso se
aplicar fundo no bê-a-bá. Do contrário, continuaremos a ter “líderes” que se
orgulham de não ter estudado. Ou fingindo ter diplomas, graduações e “pós”
que jamais fizeram por merecer, enquanto você ou seu filho rala em sala e na
inadimplência do crédito educativo. Chega de moluscos!
alceusperanca@ig.com.br