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Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão Influência da pré ‐
Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão Influência da pré ‐

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão

Influência da présaturação

Luís Manuel Madeira Ferreira

Dissertação para obtenção do Grau de Mestre em

Engenharia Civil

Júri

Presidente: Prof. Dr. Francisco José Loforte Teixeira Ribeiro Orientador: Prof. Dr. Jorge Manuel Caliço Lopes de Brito

Vogais:

Dr. António Carlos Bettencourt Simões Ribeiro

Setembro, 2007

Agradecimentos

Chamado a apresentar a minha Dissertação de Mestrado, cabe me expressar o meu sentido agradecimento a todos aqueles que contribuíram para mais uma importante etapa da minha formação académica.

Ao Professor Jorge de Brito, meu orientador no Instituto Superior Técnico, pela incondicional disponibilidade, pela partilha do seu imenso saber, pela atenção e crítica sempre construtiva, pelo enriquecimento profissional e pessoal.

Aos meus orientadores na Universidade Politécnica da Catalunha, Professor Enric Vázquez e Professora Marilda Barra, por me terem recebido fazendo me sentir em casa, me terem acompanhado e proporcionado as ferramentas indispensáveis ao desenvolvimento do trabalho a que me propus.

Aos meus colegas investigadores na UPC, Eng.ª Desilvia Machado, Eng.ª Elaine Varela, , Eng.º Diego Aponte, Eng.º Mauro Barra, Veronica Royano, Josep Usach e Joan Hernández pelo companheirismo e apoio.

Aos técnicos do Laboratório de Materiais do Departamento de Engenharia da Construção da Universidade Politécnica da Catalunha, Eufronio Beyret, Sergio Luna e Francisco Ávila, pela pronta e prestimosa colaboração.

À Professora Miren Etxeberria da Universidade Politécnica da Catalunha pela disponibilização de preciosa literatura e ajuda na realização da campanha experimental.

À Doutora Marta Sanchez do Centro de Estudos e Experimentação de Obras públicas (CEDEX) pelos

elementos bibliográficos gentilmente cedidos.

À minha namorada, Rita, pela compreensão pelo tempo que não lhe dispensei e pelo apoio inquestionado.

Finalmente, o meu reconhecido agradecimento à minha Família, sem a qual teria sido impossível alcançar muito do que consegui. Pelo apoio incondicional, pelos conselhos sempre sábios, pelo incentivo e pelo carinho nas horas mais difíceis, fazendo me acreditar e, tantas vezes, exceder as minhas próprias expectativas.

Resumo

A necessidade de encontrar uma alternativa ao depósito em aterro do crescente volume de resíduos da construção e demolição produzidos anualmente associada à insustentabilidade do contínuo consumo de recursos naturais tornam imperioso o reaproveitamento destes resíduos. Uma das hipóteses com maior potencial de reaproveitamento é a utilização dos resíduos da construção e demolição, nomeadamente dos resíduos de betão, como agregados grossos na produção de betão estrutural. Contudo, a utilização de agregados grossos reciclados de betão na produção de novo betão enfrenta os problemas associados às diferenças de características entre estes agregados e os agregados naturais, com consequências no desempenho do betão. Uma dessas características é a absorção de água que é consideravelmente mais elevada no caso dos agregados grossos reciclados de betão, afectando de forma directa a trabalhabilidade e a relação água / cimento do betão. No entanto, algumas medidas podem ser tomadas no sentido de evitar que estas propriedades sejam afectadas. Estas medidas podem passar pela compensação da água de amassadura com uma quantidade de água correspondente à absorção de água dos agregados grossos reciclados de betão ou pela présaturação dos mesmos antes da amassadura do betão. Na investigação que culminou nesta dissertação, foram produzidos um betão convencional de referência, três betões com taxas de substituição de 20, 50 e 100% dos agregados grossos naturais pelos agregados grossos reciclados de betão segundo o processo de compensação da água de amassadura e outros três betões com as mesmas taxas de substituição segundo o processo de présaturação dos agregados grossos reciclados de betão. Nestes betões foram realizados diversos ensaios, a partir dos quais é possível avaliar os efeitos nas propriedades do betão da incorporação de agregados grossos reciclados de betão bem como analisar a influência da présaturação dos agregados grossos reciclados de betão. Os resultados obtidos confirmam o previsível pior desempenho destes betões face ao betão convencional e revelam que a pré saturação dos agregados grossos reciclados de betão tem uma influência negativa nas propriedades do betão, em especial na durabilidade, sendo preferível a produção de betões com incorporação de agregados grossos reciclados de betão segundo o processo de compensação da água de amassadura.

Palavras chave

Resíduos da construção e demolição; Agregados grossos reciclados de betão; Betão; Présaturação; Desempenho mecânico; Durabilidade.

Abstract

The necessity to find an alternative to the disposal in landfills of the increasing volume of construction and demolition waste produced annually, associated to the unsustainability of the continuous consumption of natural resources, makes imperious the reuse of this waste. One of the hypothesis with greater potential of reuse is the utilization of construction and demolition waste, namely of the concrete rubble, as coarse aggregates in the production of structural concrete. However, the use of recycled concrete coarse aggregates in the production of new concrete faces the problems associated to the differences in characteristics between these aggregates and the natural aggregates, with consequences on the performance of concrete. One of these characteristics is the water absorption which is considerably higher in the recycled concrete coarse aggregates, directly affecting the workability and the water / cement ratio of the concrete. However, some measures can be taken in order to prevent these properties from being affected. These measures may be the compensation of the mixing water with an amount of water corresponding to the water absorption of the recycled concrete coarse aggregates or their presaturation before concrete’s mixing. In the investigation that culminated in this dissertation the following mixes were produced: a conventional reference concrete, three concretes with substitution rates of 20, 50 and 100% of natural coarse aggregates by recycled concrete coarse aggregates resorting to compensation of the mixing water, and three other concretes with the same substitution rates resorting to presaturation of the recycled concrete coarse aggregates. Some tests have been carried through, from which is possible to evaluate the effect on the properties of concrete of the incorporation of recycled concrete coarse aggregates as well as analyze the influence of the presaturation of recycled concrete coarse aggregates. The results obtained confirm the predictable worse performance of this concrete when compared to the conventional concrete and revealed that the presaturation of recycled concrete coarse aggregates has a negative influence on the properties of concrete, especially on durability. Thus it is preferable the production of concrete with incorporation of recycled concrete coarse aggregates by the process of compensation of mixing water.

Keywords

Construction and demolition waste; Concrete; Recycled concrete coarse aggregates; Presaturation; Mechanical behaviour; Durability.

Siglas e abreviaturas

A/C – Água / cimento AGN – Agregados grossos naturais AGR Agregados grossos reciclados AGRB – Agregados grossos reciclados de betão BAGN – Betão com incorporação de agregados grossos naturais BAGRB – Betão com incorporação de agregados grossos reciclados de betão BR – Betão de referência IST Instituto Superior Técnico RCD Resíduos da construção e demolição SSS – Saturado com superfície seca UPC – Universidade Politécnica da Catalunha

Índice

Índice geral

Agradecimentos

I

Resumo

II

Abstract

III

Siglas e abreviaturas

IV

Índice

V

Índice geral

V

Índice de figuras

VII

Índice de tabelas

X

1. Apresentação

1.1

1.1. Considerações iniciais

1.1

1.2. Objectivos da dissertação

1.3

1.3. Metodologia, estrutura e organização da dissertação

1.4

2. O estado do conhecimento

2.1

2.1.

Introdução

2.1

2.3.

Propriedades dos agregados grossos reciclados de betão

2.1

2.3.1. Introdução

2.1

2.3.2. Argamassa aderida

2.1

2.3.3. Massa volúmica e baridade

2.2

2.3.4. Absorção de água

2.4

2.3.5. Forma das partículas

2.7

2.4.

Propriedades dos betões com incorporação de agregados grossos reciclados de betão

2.8

2.4.1. Introdução

2.8

2.4.2. Trabalhabilidade

2.8

2.4.3. Massa volúmica

2.9

2.4.4. Resistência à compressão

2.11

2.4.5. Módulo de elasticidade

2.13

2.4.6. Retracção

2.16

2.4.7. Absorção de água

2.17

2.5. Influência da condição de humidade dos agregados e das condições de produção do betão 2.20

2.5.1. Introdução

2.20

2.5.2. Compensação da água de amassadura

2.20

2.5.3. Présaturação

2.21

2.5.4. Condição de humidade dos agregados

2.21

2.5.5. Experiência ao nível da investigação

2.22

2.5.6. Influência nas propriedades do betão

2.22

3. Campanha experimental

3.1

3.1. Introdução

3.1

3.2. Ensaios de caracterização dos agregados

3.1

3.2.1. Introdução

3.1

3.2.2. Redução de amostras

3.2

3.2.3. Análise granulom étrica

3.4

3.2.4. Massa volúmica e da absorção de água

3.7

3.2.5. Massa volúmica e dos vazios

3.12

3.2.6. Teor de humidade por secagem em estufa ventilada

3.13

3.2.7. Forma das partículas Índice de achatamento

3.14

3.2.8. Absorção de água ao longo do tempo pelos AGRB

3.16

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão. Influência da présaturação

3.2.9.

Quantidade de argamassa aderida

3.17

3.3.

Dimensionamento dos betões

 

3.19

3.3.1. Introdução

 

3.19

3.3.2. Cálculo do betão de referência

3.20

3.3.3. Composição final do betão de referência

3.29

3.3.4. Composição dos betões com incorporação de AGRB

3.29

3.4.

Produção dos betões

 

3.30

3.4.1. Análise das variáveis

 

3.30

3.4.2. Présaturação dos AGRB

3.31

3.4.3. Amassadura

 

3.32

3.4.4. Produção de provetes

 

3.33

3.5.

Ensaios sobre o betão fresco

3.35

3.5.1. Introdução

 

3.35

3.5.2. Ensaio de abaixamento

 

3.35

3.5.3. Massa volúmica

 

3.36

3.6.

Ensaios sobre o betão endurecido

3.38

3.6.1. Introdução

 

3.38

3.6.2. Massa volúmica

 

3.38

3.6.3. Resistência à compressão

 

3.40

3.6.4. Módulo de elasticidade

3.42

3.6.5. Retracção

 

3.43

3.6.6. Absorção de água por imersão

3.46

3.6.7. Absorção

de

água por

capilaridade

3.46

3.6.8. Observação com lupa

3.49

4. Apresentação, análise e discussão dos resultados

4.1

4.1. Introdução

 

4.1

4.2. Ensaios em agregados

 

4.1

4.2.1. Análise granulom étrica

 

4.1

4.2.2. Massa volúmica e absorção de água

4.2

4.2.3. Massa volúmica e vazios

 

4.5

4.2.4. Teor de humidade por secagem em estufa ventilada

4.6

4.2.5. Índice de achatamento

 

4.6

4.2.6. Absorção de água ao longo do tempo pelos AGRB

4.7

4.2.7. Argamassa aderida

 

4.7

4.3.

Ensaios no betão fresco

 

4.8

4.3.1. Abaixamento

 

4.8

4.3.2. Massa volúmica

4.9

4.4.

Ensaios no betão endurecido

 

4.11

4.4.1. Massa volúmica

 

4.11

4.4.2. Resistência à compressão

 

4.13

4.4.3. Módulo de elasticidade

4.17

4.4.4. Retracção

 

4.19

4.4.5. Absorção de água por imersão

4.21

4.4.6. Absorção

de

água

por

capilaridade

4.23

4.4.7. Observação com lupa

4.26

5. Conclusões

 

5.1

5.1. Considerações finais

 

5.1

5.2. Conclusões gerais

5.1

5.3. Propostas de desenvolvimento futuro

5.4

6. Bibliografia

 

6.1

Índice

6.1. Livros, textos e dissertações

6.1

6.2. Normas

6.5

Anexo A – Análise granulométrica Anexo B – Massa volúmica e absorção de água Anexo C – Massa volúmica e vazios Anexo D – Teor de humidade por secagem em estufa ventilada Anexo E – Índice de achatamento Anexo F – Absorção de água ao longo do tempo pelos AGRB Anexo G – Argamassa aderida Anexo H – Massa volúmica do betão no estado fresco Anexo I – Massa volúmica do betão no estado endurecido Anexo J – Resistência à compressão

Anexo K – Módulo de elasticidade Anexo L – Retracção Anexo M – Absorção de água por imersão Anexo N – Absorção de água por capilaridade

Índice de figuras

Figura 1. 1 – Pedreira da Serra dos Candeeiros, Rio Maior, Portugal

1.1

Figura 1. 2 – Escombros da demolição das torres de um complexo turístico, Tróia,

1.1

Figura 2. 1 – Percentagem de argamassa aderida em função da dimensão média das partículas

2.2

Figura 2. 2 – Massa volúmica dos AGRB em função da dimensão média das partículas

2.3

Figura 2. 3 – Absorção de água dos AGRB em função da dimensão média das partículas

2.5

Figura 2. 4 – Absorção de água ao longo do tempo pelos AGRB (GOMES, 2007)

2.6

Figura 2. 5 – Relação entre a absorção de água dos AGRB após 10 minutos e após 24 horas (SANCHEZ,

2004)

2.7

Figura 2. 6 – Perda de trabalhabilidade ao longo do tempo (NEALEN & RUHL, 1997)

2.9

Figura 2. 7 – Relação entre a massa volúmica dos agregados e a massa volúmica do betão fresco

2.10

(ANGULO, 2005)

Figura 2. 8 – Massa volúmica do betão fresco em função da percentagem de substituição potencial

de AGN por AGRB (GOMES, 2007)

2.10

Figura 2. 9 – Diagrama tensão extensão de um BAGN e um BAGRB (SANTOS et al., 2002)

2.14

Figura 2. 10 – Módulo de elasticidade em função da relação A/C para diferentes taxas de substituição

2.14

Figura 2. 11 – Relação entre a retracção do betão convencional e a retracção do betão com

diferentes taxas de incorporação de AGRB (SANCHEZ, 2004)

2.16

Figura 2. 12 – Retracção ao longo do tempo de um betão convencional e betões com diferentes taxas

de AGN por AGRB (SANCHEZ, 2004)

de incorporação de AGRB (GOMES, 2007)

2.17

Figura 2. 13 – Tipos de poros no betão (SANTOS, 2003)

2.18

Figura 2. 14 – Absorção de água por imersão em função da taxa de substituição de AGN por AGRB

 

2.19

Figura 2. 15 – Abaixamento dos BAGRB ao longo do tempo (POON et al., 2004)

2.23

Figura 2. 16 – Resistência à compressão dos BAGRB para diferentes taxas de incorporação de AGRB,

teores de humidade e condições de produção (POON et al., 2004)

2.24

Figura 3. 1 – Ponte da Marina Seca, Barcelona, Espanha

3.2

Figura 3. 2 – Divisão em metades

3.2

Figura 3. 3 – Divisão em 3/4

3.2

Figura 3. 4 – Divisão em 5/8

3.3

Figura 3. 5 – Diagrama lógico de redução de amostras

3.3

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão. Influência da présaturação

Figura 3. 6 Quarteador

3.4

Figura 3. 7 – Pesagem do material quarteado

3.4

Figura 3. 8 – Lavagem do material

3.5

Figura 3. 9 – Material lavado

3.5

Figura 3. 10 – Secagem do material na estufa

3.6

Figura 3. 11 – Pesagem do material

3.6

Figura 3. 12 – Peneiração do material

3.6

Figura 3. 13 – Material separado por fracções granulométricas

3.6

Figura 3. 14 – Saturação das partículas

3.9

Figura 3. 15 – Suspensão das partículas no cesto de rede

3.9

Figura 3. 16 – Limpeza das partículas com o pano absorvente

3.9

Figura 3. 17 – Secagem na estufa

3.9

Figura 3. 18 – Pesagem do picnómetro vazio

3.11

Figura 3. 19 – Colocação das partículas, na condição de saturadas com superfície seca, dentro do

picnómetro

3.11

Figura 3. 20 – Obtenção da condição de saturação com superfície seca na areia

3.11

Figura 3. 21 – Pesagem do picnómetro com as partículas e preenchido com água

3.11

Figura 3. 22 – Calibração do volume do recipiente com água

3.12

Figura 3. 23 – Enchimento do recipiente

3.12

Figura 3. 24 – Regularização da superfície do recipiente

3.13

Figura 3. 25 – Pesagem do recipiente com o material

3.13

Figura 3. 26 – Pesagem das partículas secas

3.15

Figura 3. 27 – Separação nas fracções d i /D i

3.15

Figura 3. 28 – Peneiração em peneiro de barras

3.15

Figura 3. 29 – Partículas que passaram em peneiro de barras

3.15

Figura 3. 30 – Saturação das partículas

3.18

Figura 3. 31 – Colocação no forno

3.18

Figura 3. 32 – Derrame de água sobre as partículas logo após saírem do forno

3.19

Figura 3. 33 – Desintegração das partículas com a ajuda do martelo

3.19

Figura 3. 34 – Correlação entre resistência à compressão e relação A/C (NEPOMUCENO, 1999)

3.22

Figura 3. 35 – Determinação das percentagens de agregados a partir das curvas granulométricas dos

3.27

Figura 3. 36 – Curva granulométrica de referência, inicial e final após ajuste das percentagens de

agregados e da curva granulométrica de referência

incorporação de cada tipo de agregado

3.28

Figura 3. 37 – Peneiração dos AGRB

3.29

Figura 3. 38 – Fracções granulométricas utilizadas na montagem da mistura de AGRB

3.29

Figura 3. 39 – Colocação dos AGRB na betoneira

3.32

Figura 3. 40 – Présaturação por adição da quantidade total de água

3.32

Figura 3. 41 – Colocação das britas na betoneira

3.32

Figura 3. 42 – Adição do cimento

3.32

Figura 3. 43 – Adição da quantidade total de água

3.33

Figura 3. 44 – Adição da areia à mistura homogeneizada de britas, cimento e água

3.33

Figura 3. 45 – Enchimento e compactação dos moldes

3.34

Figura 3. 46 – Cura dos provetes em câmara húmida

3.34

Figura 3. 47 – Desmoldagem dos provetes

3.34

Figura 3. 48 – Identificação dos provetes

3.34

Figura 3. 49 – Enchimento do cone de Abrams

3.36

Figura 3. 50 – Compactação de uma camada

3.36

Figura 3. 51 – Elevação do cone de Abrams

3.36

Figura 3. 52 – Medição do abaixamento do betão

3.36

Índice

Figura 3. 53 – Batimento do recipiente com o martelo no fim da compactação

3.37

Figura 3. 54 – Alisamento da superfície com a espátula

3.37

Figura 3. 55 – Limpeza do recipiente com papel antes da pesagem

3.38

Figura 3. 56 – Pesagem do recipiente com betão fresco

3.38

Figura 3. 57 – Suspensão do estribo

3.40

Figura 3. 58 – Provete suspenso no estribo

3.40

Figura 3. 59 – Limpeza da superfície de um provete

3.40

Figura 3. 60 – Pesagem de um provete

3.40

Figura 3. 61 – Colocação e centragem de um provete na máquina de compressão

3.41

Figura 3. 62 – Compressão até rotura de um provete

3.41

Figura 3. 63 – Rotura à compressão satisfatória

3.41

Figura 3. 64 – Rotura à compressão não satisfatória com fissura de tracção

3.41

Figura 3. 65 – Provete para determinação do módulo de elasticidade

3.42

Figura 3. 66 – Colocação dos sensores de medição na posição correcta

3.42

Figura 3. 67 – Máquina utilizado no ensaio de determinação do módulo de elasticidade

3.43

Figura 3. 68 – Rotura à compressão de um provete

3.43

Figura 3. 69 – Hastes metálicas

3.45

Figura 3. 70 – Moldes com hastes colocadas

3.45

Figura 3. 71 – Calibração da máquina de medição de extensões

3.45

Figura 3. 72 – Medição da extensão de um provete

3.45

Figura 3. 73 – Provetes na câmara climática

3.45

Figura 3. 74 – Pesagem de um provete

3.45

Figura 3. 75 – Corte de um provete

3.48

Figura 3. 76 – Colocação na estufa a 40 ± 5 °C

3.48

Figura 3. 77 – Verificação da horizontalidade e ajuste do nível de água

3.48

Figura 3. 78 – Caixa plástica com tampa

3.48

Figura 3. 79 – Pesagem dos provetes

3.48

Figura 3. 80 – Medição da ascensão capilar

3.48

Figura 3. 81 – Corte transversal de um provete utilizado no ensaio de absorção por capilaridade

3.49

Figura 3. 82 – Obtenção do provete de ensaio

3.49

Figura 3. 83 – Colocação dos provetes na estufa

3.50

Figura 3. 84 – Observação com lupa de um provete

3.50

Figura 4. 1 – Curvas granulométricas dos agregados naturais

4.2

Figura 4. 2 – Massa volúmica dos agregados

4.3

Figura 4. 3 – Comparação dos valores obtidos para a massa volúmica dos AGRB com os valores

recolhidos da bibliografia em função da dimensão média das partículas

4.3

Figura 4. 4 – Absorção de água dos agregados

4.4

Figura 4. 5 Comparação dos valores obtidos para a absorção de água dos AGRB com os valores

recolhidos da bibliografia em função da dimensão média das partículas

4.4

Figura 4. 6 – Massa volúmica (baridade) dos agregados

4.5

Figura 4. 7 – Percentagem de vazios dos agregados

4.5

Figura 4. 8 – Absorção de água ao longo do tempo pelos AGRB

4.7

Figura 4. 9 – Comparação dos valores obtidos para a quantidade de argamassa aderida nos AGRB

com os valores recolhidos da bibliografia em função da dimensão média das partículas

4.8

Figura 4. 10 – Abaixamento do betão em função da taxa de substituição de AGN por AGRB

4.9

Figura 4. 11 – Massa volúmica do betão fresco em função da taxa de substituição de AGN por AGRB

para os dois tipos de betão de produzido

4.10

Figura 4. 12 – Massa volúmica do betão endurecido para os diferentes betões produzidos

4.12

Figura 4. 13 – Massa volúmica do betão endurecido em função da taxa de substituição de AGN por

4.12

AGRB para os dois tipos de betão produzido

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão. Influência da présaturação

Figura 4. 14 – Resistência à compressão aos 7 dias em função da taxa de substituição de AGN por

AGRB para os dois tipos de betão produzido

4.15

Figura 4. 15 – Resistência à compressão aos 28 dias em função da taxa de substituição de AGN por

AGRB para os dois tipos de betão produzido

4.15

Figura 4. 16 – Evolução da resistência à compressão com a idade do betão

4.16

Figura 4. 17 – Módulo de elasticidade em função da resistência à compressão aos 28 dias

4.17

Figura 4. 18 – Módulo de elasticidade em função da taxa de substituição de AGN por AGRB para os

4.18

Figura 4. 19 – Comparação dos resultados obtidos para o módulo de elasticidade com os valores calculados a partir de equações recolhidas da bibliografia, em função da taxa de substituição de AGN

dois tipos de betão produzido

por

4.18

Figura 4. 20 – Evolução da retracção nos betões conservados e curados em câmara climática

4.20

Figura 4. 21 – Evolução da retracção nos betões conservados e curados na condição ambiente de

laboratório

4.21

Figura 4. 22 – Evolução da retracção autogénea

4.21

Figura 4. 23 – Comparação dos valores obtidos para a absorção de água por imersão com os valores

recolhidos da bibliografia em função da taxa de substituição de AGN por AGRB

4.22

Figura 4. 24 – Absorção de água por imersão em função da taxa de substituição de AGN por AGRB

para os dois tipos de betão produzido

4.23

Figura 4. 25 – Evolução da absorção de água por capilaridade

4.24

Figura 4. 26 – Absorção de água por capilaridade após 72 horas em função da taxa de substituição de

AGN por AGRB para os dois tipos de betão produzido

4.24

Figura 4. 27 – Evolução da altura de ascensão capilar

4.25

Figura 4. 28 – Altura de ascensão capilar após 72 horas em função da taxa de substituição de AGN

por AGRB para os dois tipos de betão produzido

4.25

Figura 4. 29 – Fotografia com lupa do BR com ampliação 20x

4.26

Figura 4. 30 – Fotografia com lupa do BR com ampliação 20x

4.26

Figura 4. 31 – Fotografia com lupa do B50 com ampliação 20x

4.27

Figura 4. 32 – Fotografia com lupa do B50PS com ampliação 20x

4.27

Figura 4. 33 – Fotografia com lupa do B100 com ampliação 20x

4.27

Figura 4. 34 – Fotografia com lupa do B100PS com ampliação 20x

4.27

Índice de tabelas

Tabela 2. 1 – Percentagem de argamassa aderida para diferentes fracções granulométricas de AGRB

 

2.2

Tabela 2. 2 – Massa volúmica dos AGRB

2.3

Tabela 2. 3 – Absorção de água para diferentes fracções granulométricas de AGRB

2.4

Tabela 2. 4 – Coeficientes e factores correctivos das equações do módulo de elasticidade em função

da resistência à compressão média (SANCHEZ, 2004; GOMES, 2007)

2.16

Tabela 2. 5 – de água do betão por imersão e por capilaridade

2.19

Tabela 3. 1 – Massa mínima da AME segundo a norma EN 933 1

3.5

Tabela 3. 2 – Massa mínima da AME para o método do cesto de rede

3.8

Tabela 3. 3 – Massa mínima da AME para o método do picnómetro

3.10

Tabela 3. 4 – Tabela de correspondência de dimensões das aberturas nos peneiros de barra

3.14

Tabela 3. 5 – Características dos provetes disponíveis em laboratório

3.20

Tabela 3. 6 – Desvios padrão consoante o tipo de medição dos componentes e o grau de controlo da

produção (NEPOMUCENO, 1999)

3.21

Tabela 3. 7 – Valores máximos da relação A/C para a resistência à compressão desejada

3.22

Índice

Tabela 3. 8 – Volume de vazios em função da máxima dimensão dos agregados (NEPOMUCENO,

3.23

Tabela 3. 9 – Valores de K e K’ em função da trabalhabilidade do betão, meio de compactação e

3.24

Tabela 3. 10 – Valores de A e B em função da trabalhabilidade do betão, meio de compactação e

1999)

natureza dos agregados (NEPOMUCENO, 1999)

natureza dos agregados (NEPOMUCENO, 1999)

3.26

Tabela 3. 11 – Pontos da curva granulométrica de referência

3.27

Tabela 3. 12 – Ajuste das percentagens de agregados relativamente ao volume de agregados

3.28

Tabela 3. 13 – Cálculo do módulo de finura para a curva granulométrica de referência, inicial e final

após ajuste das percentagens de incorporação de cada tipo de agregado

3.28

Tabela 3. 14 – Dosagem final de agregados a incorporar no betão de referência

3.29

Tabela 3. 15 – Dosificação final de todos os componentes do betão de referência

3.29

Tabela 3. 16 – Composição granulométrica da mistura de AGRB a incorporar no betão

3.30

Tabela 3. 17 – Composições dos diferentes betões produzidos

3.30

Tabela 3. 18 – Designações atribuídas aos betões produzidos

3.33

Tabela 3. 19 – Necessidades de betão fresco para fabrico dos provetes de ensaio

3.33

Tabela 4. 1 – Resultados do ensaio de análise granulométrica

4.2

Tabela 4. 2 – Resultados do ensaio de determinação da massa volúmica e absorção de água em

agregados

4.3

Tabela 4. 3 – Resultados do ensaio de determinação da massa volúmica e dos vazios

4.5

Tabela 4. 4 – Resultados do ensaio de determinação do teor de humidade por secagem em estufa

ventilada

4.6

Tabela 4. 5 – Resultados do ensaio de determinação do índice de achatamento

4.6

Tabela 4. 6 – Resultado do ensaio de determinação da quantidade de argamassa aderida nos AGRB

 

4.8

Tabela 4. 7 – Resultados do ensaio de abaixamento

4.9

Tabela 4. 8 – Resultados do ensaio de determinação da massa volúmica do betão fresco

4.10

Tabela 4. 9 – Resultados do ensaio de determinação da massa volúmica do betão endurecido

4.11

Tabela 4. 10 – Resultado do ensaio comparativo de resistência à compressão

4.13

Tabela 4. 11 – Resultados do ensaio de determinação da resistência à compressão

4.13

Tabela 4. 12 – Resultados do ensaio de determinação do módulo de elasticidade

4.17

Tabela 4. 13 – Coeficientes e factores de correcção da equação de estimação do módulo de

elasticidade a partir da resistência à compressão prevista no REBAP

4.19

Tabela 4. 14 – Resultados da perda de massa por secagem após 89 dias

4.20

Tabela 4. 15 – Resultados do ensaio de absorção de água por imersão

4.22

Tabela 4. 16 – Resultados do ensaio de absorção de água por capilaridade

4.23

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão. Influência da présaturação

1. Apresentação

1.1. Considerações iniciais

A população mundial tem vindo a ganhar consciência das consequências do consumo desregrado e utilização abusiva dos recursos naturais disponíveis que, associados à despreocupação com os agentes agressores, conduzem à deterioração e alteração irreversível do meio ambiente. A obtenção de matérias primas para a produção do betão implica o consumo de recursos naturais não renováveis. Este consumo é efectivado pela extracção de rochas em pedreiras (Figura 1. 1) e pela extracção de pedras e areias dos leitos dos rios e costas marítimas, cujos impactes ambientais são sobejamente conhecidos. À medida que estes recursos naturais forem escasseando mais difícil será a sua obtenção e, consequentemente, maiores serão os custos directos e indirectos associados.

serão os custos directos e indirectos associados. Figura 1. 1 – Pedreira da Serra dos Candeeiros,

Figura 1. 1 – Pedreira da Serra dos Candeeiros, Rio Maior, Portugal

Por outro lado, a actividade do sector da construção gera todos os anos uma grande quantidade de resíduos com a construção de novas infra estruturas e, principalmente, com a demolição das existentes. Estima se que na Europa se produzam anualmente cerca de 500 milhões de toneladas de resíduos da construção e demolição (RCD), correspondendo a Espanha uma parcela de 22 milhões de toneladas e a Portugal uma parcela estimada entre 6 e 10 milhões de toneladas por ano (ainda que não existam dados estatísticos fiáveis em qualquer dos países). É previsível que estes valores sigam uma tendência de aumento nos próximos anos devido ao crescente número de demolições geradas pelo envelhecimento do grande volume de infra estruturas construídas na segunda metade do século XX (Figura 1. 2). Torna se, portanto, essencial encontrar uma solução alternativa ao depósito em aterro para estes resíduos (GONÇALVES, 2007).

em aterro para estes resíduos (GONÇALVES, 2007). Figura 1. 2 – Escombros da demolição das torres

Figura 1. 2 – Escombros da demolição das torres de um complexo turístico, Tróia, Portugal.

Betões estruturais com incorporação de agregados grossos reciclados de betão. Influência da présaturação

A utilização dos resíduos resultantes da construção e demolição (RCD) nas novas construções surge

assim como alternativa à deposição em aterro dos RCD e como resposta à crescente preocupação ao

nível mundial com o meio ambiente inserida num, mais do que necessário, processo de desenvolvimento sustentado.

O aproveitamento dos RCD remonta ao Império Romano e à Grécia Antiga onde se aproveitavam

restos de telhas, tijolos e peças cerâmicas como agregados grossos na produção de betão rudimentar ou, após moídos, como aglomerantes tirando partido das suas propriedades pozolânicas. No entanto,

foi devido à necessidade de reconstrução de cidades destruídas, na sequência das grandes catástrofes do século passado, como a Segunda Guerra Mundial, que a reciclagem e o aproveitamento dos RCD foram impulsionados.

O aproveitamento dos RCD apresenta como vantagens evidentes a redução do volume de resíduos

em aterro e a diminuição do consumo dos materiais naturais não renováveis. Para além das questões