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ORTOEPIA E PROSÓDIA

_ Ortoepia trata da correta pronúncia das palavras.

Exemplo: "advogado", e não "adevogado" (o d é mudo).

_ Prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras.

Exemplo: "rubrica" (palavra paroxítona), e não "rúbrica" (palavra proparoxítona).

Dessa forma, segue abaixo uma lista das principais palavras que normalmente apresentam
dúvidas quanto à sua pronúncia e tonicidade corretas.

ACRÓBATA / ACROBATA: esta palavra, COMO MUITAS OUTRAS DE NOSSA lÍNGUA, admite
as duas pronúncias: acróbata, com ênfase na sílaba "cró", ou acrobata, com força na sílaba
"ba". Também é indiferente dizer Oceânia ou Oceania, transístor ou transistor (com força
na sílaba "tor", com o "ô" fechado).

ALGOZ (carrasco): palavra oxítona, cuja pronúncia do "o" deve ser fechada (algôz, =
arroz).

AUTÓPSIA / NECROPSIA: apesar de autópsia ter como vogal tônica o "ó", a forma
necropsia, que possui o mesmo significado, deve ser pronunciada com ênfase no "i".

AZÁLEA / AZALÉIA: segundo os melhores dicionários, estas duas formas são aceitáveis;

AVARO (indivíduo muito apegado ao dinheiro): deve ser pronunciada como paroxítona
(acento tônico na sílaba va), e por terminar em "o", não deve ser acentuada.

BOÊMIA: de origem francesa, relativa à cidade de Boéme, esta palavra tem sua sílaba forte
no "ê", e não no "mi".

CARÁTER: paroxítona que apresenta o plural caracteres, tendo o acréscimo da letra "c", e o
deslocamento do acento tônico da sílaba "ra" para a sílaba "te", sem o emprego de acento
gráfico.

CATETER, MISTER e URETER: Todas possuindo sua acentuação tônica na última sílaba
(tér), sendo assim oxítonas.

CHICLETE / CHOPE / CLIPE / DROPE: quando se referindo a uma só unidade de cada um


destes produtos, deve-se falar "um chiclete, um chope, um clipe, um drope", e não "um
chicletes, um chopes, um clipes, um dropes". Existe, ainda, a variante "chiclé" (um chiclé,
dois chiclés).

CUPIDO e CÚPIDO: a primeira forma (paroxítona e sem acento) significa o deus alado do
amor; a segunda (proparoxítona) tem o sentido de ávido de dinheiro, ambicioso, também
pode ser usada como possuído de desejos amorosos.

EXTINGUIR: a sílaba "guir" desta palavra deve ser pronunciada como nas palavras
"perseguir", "seguir", "conseguir". Isso também vale para "distinguir".
FLUIDO: pronuncia-se como a forma verbal "cuido", verbo cuidar (com força no u). Assim
também GRATUITO, CIRCUITO, INTUITO, fortuito. No entanto, o particípio do verbo fluir é
"fluído", acontecendo aqui um hiato, onde a vogal tônica agora passa a ser o "í".

IBERO: Pronuncia-se como paroxítona (ênfase na sílaba BE, IBÉRO).

INEXORÁVEL (= austero, rígido, inabalável...): esse "x" lê-se como os de exemplo, exame,
exato, exercício, isto é, com o som de "z".

LÁTEX: tendo seu acento tônico na penúltima sílaba e terminando com a letra x, é uma
palavra paroxítona, e como tal deve ser pronunciada e acentuada.

MAQUINARIA: o acento tônico deve recair na sílaba "ri", e não sobre a sílaba "na".

NÉON: muitos dicionários apresentam esta palavra como paroxítona, sendo acentuada por
terminar em "n"; no entanto, o dicionário Michaelis Melhoramentos, recentemente editado,
traz as duas grafias: néon (paroxítona) e neon (oxítona).

NOVEL e NOBEL: palavras oxítonas que não devem ser acentuadas.

OBESO: palavra paroxítona que deve ser pronunciada com o "e" aberto (obéso).
Também são abertos o "e" de outras paroxítonas como "coeso" (coéso),
"obsoleto" (obsoléto), o "o" de "dolo" (dólo), o "e" de "extra" (éxtra) e o "e" de
"blefe" (bléfe). Apresentam-se, porém, fechados o "e" de "nesga" (nêsga), o de
"destro" (dêstro), e o "o" "torpe" (tôrpe).

OPTAR: ao se conjugar este verbo na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo,


deve-se pronunciar "ópto", e não "opito". Assim também em relação às formas verbais
"capto, adapto, rapto" - todas com força na sílaba que vem antes do "p".

PROJÉTIL / PROJETIL: ambas as formas têm o mesmo significado, apesar de a primeira ser
paroxítona e a segunda oxítona. Plurais: PROJÉTEIS / PROJETIS.

PUDICO (aquele que tem pudor, envergonhado): palavra paroxítona (ênfase na sílaba
"di").

RECORDE: deve ser pronunciada como paroxítona (recórde).

RÉPTIL / REPTIL: mesmo caso da palavra PROJÉTIL. Plurais. RÉPTEIS / REPTIS.

RUBRICA: palavra paroxítona, e não proparoxítona como se costuma pensar (ênfase na


sílaba "bri").

RUIM: palavra oxítona (ruím).

RUPIA / RÚPIA: a primeira forma se refere à moeda utilizada na Indonésia (força no "i") e a
segunda é relativa a uma planta aquática (com ênfase no "ú").

SUBSÍDIOS: a pronúncia correta é com som de "ss", e não "z" (subssídios).


SUTIL e SÚTIL: a primeira forma, sendo oxítona, significa "tênue, delicado, hábil"; a
segunda, paroxítona, significa "tudo aquilo que é composto de pedaços costurados".

TÓXICO: pronuncia-se com o som de "cs" = tócsico.

Nota: Existe alguma discordância quanto ao som do "x" de "hexa-". O Dicionário Aurélio -
Século XXI, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - da Academia Brasileira de
Letras, e o dicionário de Caldas Aulete dizem que esse "x" deve ter o som de "cs", e deve
ser pronunciado como o "x" de "fixo", "táxi", "tóxico", etc. Já o "Houaiss" diz que esse "x"
corresponde a "z", portanto deve ser lido como o "x" de "exame", "exercício", "êxodo",
etc.. Na língua falada do Brasil, nota-se interessante ambigüidade: o "x" de "hexágono"
normalmente é lido como "z", mas o de "hexacampeão" costuma ser lido como "cs".
Ortoépia e Prosódia

Ortoépia

Ortoépia é a correta pronúncia dos grupos fônicos.

A ortoépia está relacionada com: a perfeita emissão das vogais, a


correta articulação das consoantes e a ligação de vocábulos dentro de
contextos.

Erros cometidos contra a ortoépia são chamados de cacoepia.

Alguns exemplos:

a- pronunciar erradamente vogais quanto ao timbre:

pronúncia correta, timbre fechado (ê, ô): omelete, alcova,


crosta...

pronúncia errada, timbre aberto (é, ó):omelete, alcova,crosta...

b- omitir fonemas: cantar/ canta, trabalhar/trabalha,


amor/amo, abóbora/abóbra,prostrar/ prostar,
reivindicar/revindicar...

c- acréscimo de fonemas: pneu/peneu, freada/


freiada,bandeja/ bandeija...

d- substituição de fonemas: cutia/cotia, cabeçalho/


cabeçário, bueiro/ boeiro

e- troca de posição de um ou mais fonemas: caderneta/


cardeneta, bicarbonato/ bicabornato, muçulmano/ mulçumano

f- nasalização de vogais: sobrancelha/ sombrancelha,


mendigo/ mendingo, bugiganga/ bungiganga ou buginganga

g- pronunciar a crase: A aula iria acabar às cinco horas./ A


aula iria acabar àas cinco horas

h- ligar as palavras na frase de forma incorreta:

correta: A aula/ iria acabar/ às cinco horas.


exemplo de ligação incorreta: A/ aula iria/ acabar/ às/ cinco
horas.

Prosódia

A prosódia está relacionada com a correta acentuação das


palavras tomando como padrão a língua considerada culta.

Abaixo estão relacionados alguns exemplos de vocábulos que


freqüentemente geram dúvidas quanto à prosódia:

1) oxítonas:

cateter, Cister, condor, hangar, mister, negus, Nobel, novel,


recém, refém, ruim, sutil, ureter.

2) paroxítonas:

avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia,ciclope, erudito,


ibero, gratuito, ônix, poliglota, pudico, rubrica, tulipa.

2) proparoxítonas:

aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago,antídoto, elétrodo, lêvedo,


protótipo, quadrúmano, vermífugo, zéfiro.

Há algumas palavras cujo acento prosódico é incerto, oscilante,


mesmo na língua culta. Exemplos:

acrobata e acróbata / crisântemo e crisantemo/


Oceânia e Oceania/ réptil e reptil/ xerox e xérox e
outras.

Outras assumem significados diferentes, de acordo a


acentuação:

Exemplo: valido/ válido

Vivido /Vívido
Metáfora é uma figura de estilo (ou tropo lingüístico), que consiste em uma
comparação entre dois elementos por meio de seus significados imagísticos,
causando o efeito de atribuição "inesperada" ou improvável de significados
de um termo a outro. Didaticamente, pode-se considerá-la como uma
comparação que não usa conectivo (por exemplo, "como"), mas que
apresenta de forma literal uma equivalência que é apenas figurada.

Meu coração é um balde despejado Fernando


Pessoa

Segundo o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, a palavra deriva do


latim metaphòra (metáfora), por sua vez trazido do grego metaphorá
("mudança, transposição"). O prefixo met(a)- tem sentido de "no meio de,
entre; atrás, em seguida, depois". O sufixo -fora (em grego phorá)
designaação de levar, de carregar à frente'.

Enquanto a metáfora trabalha com os traços semânticos comuns entre duas


idéias, a metonímia trabalha com a relação de contigüidade entre elas.

Pedindo auxílio à teoria dos conjuntos, como fez Othon Moacyr Garcia em
seu clássico "Comunicação em Prosa Moderna", perceberemos que os traços
de significados das duas idéias comparadas entram em interseção na
metáfora.

Por exemplo (e subjetivamente), um gato é um quadrúpede, mamífero,


felino, que mia e é considerado sensual. Um moço é bípede, mamífero,
humano, fala e pode ser sensual. Ao compararmos os dois com a metáfora
"Esse moço é um gato", o traço de significado que provavelmente
estaremos colocando em intersecção é apenas o traço sensual.
Já na metonímia, as duas idéias não se superpõe como na metáfora, e sim
estão relacionadas por contigüidade, proximidade.

Por exemplo, as expressões: 1- "sem-teto", 2- "Tomou o copo todo", 3-


"Adoro o Verissimo" são metonímias, respectivamente, porque:

1- O termo teto está em relação de contigüidade com o resto da habitação.


É uma das suas partes, e na expressão substitui o todo "habitação". (Um
sem-teto geralmente também não tem o restante da habitação - a porta, as
janelas, as paredes, o chão.)

2- O termo copo normalmente contém alguma bebida, e é usado no lugar da


bebida que contém. (Ninguém consegue beber o copo)

3- O termo Verissimo é usado no lugar dos livros e crônicas do autor. (A


pessoa gosta dos textos do autor, independentemente de conhecê-lo
pessoalmente e gostar dele).