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PONTES I 2. Ações em pontes e viadutos

Matheus Marquesi

M.Sc., Eng. Civil - Prof. PUC-SP Sócio do NCEE e sócio da EGT Engenharia

2. Ações em pontes e viadutos

Ações são as causas que provocam o aparecimento de esforços e deformações nas estruturas. As ações são classificadas segundo a sua variabilidade no tempo em três categorias:

Permanentes (G);

Variáveis (Q);

Excepcionais (E).

2.1 Ações permanentes

Ações permanentes são aquelas cuja variação no tempo é desprezível em relação ao tempo médio de vida da estrutura, como por exemplo:

Peso próprio dos elementos estruturais;

Peso da pavimentação, revestimentos, guarda-rodas;

Lastro e trilhos (pontes ferroviárias);

Empuxos de solo;

Forças de protensão;

Fluência e retração do concreto

2.1.1 Peso próprio dos elementos estruturais

Peso próprio dos elementos estruturais:

Esboça-se um ante projeto da ponte fixando as dimensões com base na observação de estruturas anteriormente projetadas, calculando-se a carga permanente a partir do volume de cada peça.

A carga permanente assim obtida não deve apresentar discrepância

maior

dimensionamento definitivo.

relação ao peso próprio resultante do

que

5%

em

2.1.2 Pavimentação, revestimento e guarda-rodas

Pavimentação:

Deve ser adotado para o peso específico do material empregado o valor mínimo de 24 kN/m³, prevendo-se carga adicional de 2 kN/m² para atender a um eventual recapeamento.

Guarda-rodas:

O peso deve ser considerado de acordo com suas dimensões, calculando- se a carga permanente a partir do seu volume.

2.1.3 Lastro e trilhos (pontes ferroviárias)

Lastro Ferroviário:

Deve ser adotado para o peso específico do material empregado o valor de 18 kN/m³. Deve ser suposto que o lastro atinja o nível superior dos dormentes e preencha completamente o espaço limitado pelos guarda- lastros, até o seu bordo superior, mesmo se na seção transversal do projeto assim não for indicado.

Trilhos:

Na ausência de indicações precisas, a carga referente aos dormentes, trilhos e acessórios deve ser considerada, no mínimo, igual a 8 kN/m por via.

2.1.4 Empuxo de solo

Empuxo de solo:

O empuxo de terra nas estruturas é determinado de acordo com os princípios da mecânica dos solos (teorias de Rankine ou Coulomb). Como simplificação, pode ser suposto que o solo não tenha coesão e que não haja atrito entre o terreno e a estrutura.

e que não haja atrito entre o terreno e a estrutura.  K = tg ²
 K = tg ²  45 a  ∞  2   
K
= tg ²
 45
a
 ∞
2
 
K
= tg ²
  ∞ +
45
p
2
 

= ângulo de atrito interno do solo;

O peso específico do solo pode ser considerado igual a 18 kN/m³ e o ângulo de atrito interno, igual a 30°;

2.1.5 Protensão

Protensão:

Trata-se de uma força normal de compressão que provoca deformações na peça e, portanto, se essa deformação é impedida total ou parcialmente, aparecerão tensões adicionais.

2.1.6 Fluência e retração do concreto

Fluência e Retração do concreto:

Deve ser considerada conforme NBR 6118:2014.

Se as deformações produzidas pelos efeitos de fluência e retração forem impedidas, aparecerão esforços adicionais nas estruturas das pontes. É o caso das pontes com estrutura principal hiperestática.

Nas pontes com estrutura principal isostática essas deformações devem ser levadas em conta no projeto dos aparelhos de apoio.

2.2 Ações variáveis

Ações variáveis são aquelas de caráter transitório e compreendem entre outras:

Cargas móveis: (Pontes rodoviárias ou ferroviárias);

Cargas construtivas;

Variação de temperatura;

Carregamentos devido ao vento;

Empuxos de solo provocados por cargas variáveis;

Movimento de água.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Carga móvel em pontes rodoviárias (NBR7188:2013):

Sistema de cargas representativo dos valores característicos dos carregamentos provenientes do tráfego a que a estrutura está submetida.

provenientes do tráfego a que a estrutura está submetida. Q = P x CIV x CNF

Q = P x CIV x CNF x CIA

Classe

TB240

TB450

Un.

Peso total do veículo

240

450

kN

Peso por roda (P)

40

75

kN

Sobrecarga pista (p)

4

5

kN/m²

Sobrecarga passeio (p')¹

3

3

kN/m²

(¹) p’ = 5 kN/m² para o dimensionamento do elemento estrutural do passeio.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

O veículo-tipo, sempre orientado na direção do tráfego, é colocado na posição mais desfavorável para o cálculo de cada elemento;

Para

o

cálculo

de

cortinas e transversinas solidárias às lajes, o

o de um eixo isolado, acrescido ainda do

carregamento deve ser respectivo impacto;

A carga distribuída de intensidade p é aplicada em toda a pista de rolamento, nesta incluídas as faixas de tráfego, os acostamento e os afastamentos, sendo descontada a área ocupada pelo veículo e não se considera a porção do carregamento que provoque redução das solicitações;

Os passeios, independentemente de largura ou altura, são carregados com a carga distribuída de intensidade p’, não majorada de impacto.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Coeficiente de impacto vertical (CIV):

Pelo fato das cargas atuarem com certa velocidade, o efeito das mesmas é maior do que se fossem aplicadas estaticamente. Estes efeitos dinâmicos podem ser considerados multiplicando o valor da carga estática por um fator CIV, dado pela seguinte expressão:

CIV

CIV

=

=

1,35para

l

<

10,0m;

1

+

1,06

20

L

iv

+

50

para10,0m

l

200,0m

Com L iv é o vão teórico do elemento analisado, dado em metros:

L iv é o comprimento do próprio vão para estruturas isostáticas; L iv é a média aritmética dos vãos nos casos de estrutura contínua; L iv é o comprimento do próprio balanço para estruturas em balanço; L iv é o menor vão para lajes com vínculos os quatro bordos.

Coeficiente de Impacto Vertical

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Coeficiente de impacto vertical (NBR7187:2003 X NBR 7188:2013):

1,40

1,30

1,20

1,10

1,00

0,90

0,80

X NBR 7188:2013): 1,40 1,30 1,20 1,10 1,00 0,90 0,80 NBR7188:2013 CIV = 1,35, para l

NBR7188:2013

CIV = 1,35, para l < 10 m

CIV = 1 + 1,06 , para 10 ≤ l ≤ 200m

CIV = 1 + 1,06 , para 10 ≤ l ≤ 200m

NBR7187:2003

φ = 1,4 – 0,007 l

0,0

50,0

100,0

150,0

200,0

250,0

Vão da Ponte (m)

NBR7187:2003 φ = 1,4 – 0,007 l 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 Vão da Ponte

7187:2003

NBR7187:2003 φ = 1,4 – 0,007 l 0,0 50,0 100,0 150,0 200,0 250,0 Vão da Ponte

CIV - NBR-7188:2013

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Coeficiente de número de faixas (CNF):

As cargas móveis devem ser multiplicadas pelo coeficiente de número de faixas do tabuleiro, dados por:

CNF = 1 – 0,05(n-2) ≥ 0,9

do tabuleiro, dados por: CNF = 1 – 0,05(n-2) ≥ 0,9 onde: n: número (inteiro) da
onde: n: número (inteiro) da razão b/3,5; b: largura do tabuleiro rodoviário transversalmente contínuo em
onde:
n: número (inteiro) da razão b/3,5;
b: largura do tabuleiro rodoviário transversalmente contínuo em
metros, a ser carregado para uma determinada hipótese de carga.

Este coeficiente não se aplica ao dimensionamento de elementos estruturais transversais ao sentido do tráfego (lajes, transversinas, etc.).

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Coeficiente de impacto adicional (CIA):

As cargas móveis devem ser majoradas por CIA para o dimensionamento de lajes e transversinas em regiões com uma distância horizontal inferior a 5,0 m de juntas estruturais e extremidades da obra. Sendo este coeficiente dado por:

e extremidades da obra. Sendo este coeficiente dado por: CIA = 1,25, para obras em concreto

CIA = 1,25, para obras em concreto ou mistas; CIA = 1,15, para obras em aço.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Elementos estruturais adjacentes às juntas de dilatação:

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Elementos estruturais adjacentes às juntas de dilatação:
2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Elementos estruturais adjacentes às juntas de dilatação:
2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Elementos estruturais adjacentes às juntas de dilatação:

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Situações em que não se aplica o coeficiente de ponderação:

Empuxo de terra provocado por cargas móveis;

Cálculo das fundações;

Efeitos da frenação e da aceleração;

Passeios;

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Frenagem e aceleração (NBR7188:2013):

Forças horizontais ao longo do eixo da ponte calculadas como uma fração das cargas móveis verticais. É o maior entre 5% da multidão ou 30% do veículo de 450 kN:

H f = 0,05 x p x B x L x CNF

Onde

H f ≥ 135 kN;

p é a carga distribuída de 5 kN/m²;

B é a largura efetiva, em metros, da carga distribuída de 5 kN/m²;

L é o comprimento concomitante, em metros, da carga distribuída.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Força centrífuga (NBR7188:2013):

As cargas horizontais provenientes da força centrífuga nas obras em curva horizontal, aplicadas no nível da pista de rolamento, são um percentual da carga vertical do veículo tipo aplicado sobre o tabuleiro, na posição mais desfavorável, concomitante com a respectiva carga vertical.

H fc = 2,4 P, para curva com raio R ≤ 200 m; H fc = 480 P / R, para curva com raio 200 < R ≤ 1500 m; H fc = zero para raios superiores a 1500 m.

Onde:

R é o raio da curva horizontal no eixo da obra, em metros; P é a carga da roda do veículo tipo (75 kN para o TB450).

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Força centrífuga (NBR7187:2003 X NBR 7188:2013):

200 180 160 NBR7188:2013 140 = Se · Se 120 = 100 = , Se
200
180
160
NBR7188:2013
140
=
Se
·
Se
120
=
100
= ,
Se
80
60
NBR7187
40
33750
kN.m
Classe 45
112,5 kN
20
22500
kN.m
0
Classe 30
75
kN
0
500
1000
1500
2000
9000 kN.m
Classe 12
30
kN
R (m)
Força centrífuga (kN)
Classe 30 75 kN 0 500 1000 1500 2000 9000 kN.m Classe 12 30 kN R

NBR7187

Classe 30 75 kN 0 500 1000 1500 2000 9000 kN.m Classe 12 30 kN R

NBR7188

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Ações excepcionais (NBR7188:2013):

As ações excepcionais (colisões) sobre os diversos elementos estruturais e sobre a obra, de uma forma global, exigem verificações somente no estado limite último e de estabilidade global de forma isolada, concomitante apenas com as cargas verticais definidas no item 2.2.1 (Cargas móveis verticais).

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Ações excepcionais (NBR7188:2013):

Colisão em pilares:

Todos os pilares próximos a rodovias e ferrovias devem ser protegidos por apropriadas barreiras rígidas de concreto dimensionadas como dispositivos de contensão.

Como medida mitigadora de eventuais impactos, os pilares situados junto a faixas rodoviárias devem ser verificados para uma carga horizontal de colisão de 1000kN na direção do tráfego, e 500kN perpendicular ao tráfego, não concomitantes entre si, aplicadas a uma altura de 1,25m do terreno ou pavimento. Estes valores decrescem linearmente com a distância do pilar à pista, sendo zero a 10,0m.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Ações excepcionais (NBR7188:2013):

Dispositivo de contenção (ex. guarda-rodas)

O elemento deve ser dimensionado para uma carga horizontal perpendicular à direção do tráfego de 100kN e carga vertical concomitante de 100kN.

do tráfego de 100kN e carga vertical concomitante de 100kN. A ação é aplicada num comprimento

A ação é aplicada num comprimento de 50cm, no topo do elemento admitindo-se distribuição espacial a 45°.

Guarda-corpo:

O elemento deve ser dimensionado para uma força horizontal transversal distribuída de 2,0kN/m.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Ações em estruturas de garagem (NBR7188:2013):

Altura livre ≤ 2,5 m: q = 3 kN/m² (com alternância e sem impacto)

2,5 m < Altura livre ≤ 3,5 m: q = 3 kN/m² (com alternância e sem impacto) Ou passagem isolada do veículo da figura ao lado, sem impacto.

passagem isolada do veículo da figura ao lado, sem impacto. • 3,5 m < Altura livre:

3,5 m < Altura livre: q = 4 kN/m² (com alternância e sem impacto) Ou passagem isolada do veículo TB240, sem impacto.

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Tráfego atual:

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Tráfego atual:

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias

Tráfego atual:

2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Tráfego atual:
2.2.1 Cargas móveis: Pontes rodoviárias Tráfego atual:

2.2.3 Carregamentos devido ao vento

Ação do vento:

A norma NBR 7187:2003 estabelece que deve ser atendido o disposto na norma NBR6123. Usualmente para regiões com velocidade de vento moderada considera-se w = 1,5 kN/m² para região sul do Brasil e w = 1,0 kN/m² para as demais.

velocidade de vento moderada considera-se w = 1,5 kN/m² para região sul do Brasil e w

2.2.4 Empuxos de solo provocados por sobrecarga

Empuxo de solo:

2.2.4 Empuxos de solo provocados por sobrecarga Empuxo de solo:
2.2.4 Empuxos de solo provocados por sobrecarga Empuxo de solo:
2.2.4 Empuxos de solo provocados por sobrecarga Empuxo de solo:

2.2.4 Empuxos de solo provocados por sobrecarga

Empuxo de solo:

Empuxos de solo provocados por sobrecarga Empuxo de solo: q v = q = Peso veículo

q

v

=

q =

Peso veículo tipo

q

v

3,0 6,0

3,0

+

q

(

l

p

- 3,0

)

l

p

2.2.5 Movimento de água.

Pressão da água:

Segundo a NBR 7187, a pressão da água em movimento sobre os pilares e os elementos de fundação pode ser determinada por meio da expressão abaixo:

Q = K.V a ²

onde:

Q – pressão estática equivalente em kN/m 2 ; V a – velocidade da água em m/s; K – coeficiente adimensional:

- 0,34 para elementos de seção transversal circular;

- Para elementos com seção transversal retangular:

adimensional: - 0,34 para elementos de seção transversal circular; - Para elementos com seção transversal retangular:

Exercício 2.1: Calcular as cargas permanentes atuantes no tabuleiro e o momento fletor devido a elas nas vigas. Considere o peso específico do concreto armado igual 25 kN/m³, área do guarda rodas igual a 0,30 m², capeamentos com espessura máxima de 16 cm e recapeamento.

armado igual 25 kN/m³, área do guarda rodas igual a 0,30 m², capeamentos com espessura máxima
Distância entre transversinas igual a 8 m

Distância entre transversinas igual a 8 m