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Gilberto Jose Correa da Costa Bee |e lna liars eral 8 Economica Calculaoe Avaliacao CMC eC Cet me TTS interessados na ciéncia da iluminagao. Nesta Clore oR TH elm ate 0) Mor cho CMe 1 eae ALU UCL) LCC a CTO CUS Lar- CAM) neces eRe Aral sic) Sistema. Fito co MOLL} MEER CSC MeceRen user COM eU caret MMe Maciel e-0) CoemeTMiC Comm celts it) PTC CM Met OMe Cuts My Cum Cate CMa 1 et CC OM HBO} TOM =r UO CeO PS} Coole eee Mor De MV e[e) 1-1) eMC ec coe nels e Lec atender os projetistas de iuminagao para um Novo mercado em formagao: No capitulo primeiro so abordados os assuntos referentes a engenharia de PLT ASC ke uCHC Ce} EN ero Oa Ome oe eel) Posse ec R licen mele CED humana. Estes aspectos sdo de forma eT TPA UTU Eee SO AUT capitulos da obra. No capitulo segundo é dada uma énfase PT eco) ue eae energia, ou mais precisamente, de como o Eee Cmte M secs Se REMI rte Poe Melee a aN EEO Peers crises Enea) Be CoPMNNNCLAu=T6 oS MACs ole (eee Pelee mms rm cree) Tou Tom Fema Mee en Mrs l) ey oer TMC nee Ee y RNS CRS CC Mma ECT Se RCM remy Cee eC ee IT Tu ele mel aU Se MT OTe) Creal lle ORCI Re secur 6 oMl tc) fr) mer Mama eR) reproducao decor tambem ¢ inéditono pais. Finalmente, o capitulo quarto apresenta de forma paulatina e exaustiva o tratamento das ROCs SMT Heol Ko} eee Me ORC UCM) ILUMINAGAO ECONOMICA CALCULO E AVALIACAO This One 00 C-E4EZ PUCRS Pontificia Universidade Catélica do Rio Grande do Sul Chanceler Dom Dadeus Grings Reitor Joaquim Clotet Vice-Reitor Evilazio Teixeira Conselho Editorial Ana Maria Tramunt Ibanos Beatriz Regina Tavares Franciosi Dalcidio M. Claudio Draiton Gonzaga de Souza Elvo Clemente Ivan Antonio Izquierdo Jacques A. Wainberg Jerénimo Carlos Santos Braga Jorge Campos da Costa Jorge Luis Nicolas Audy (Presidente) Juremir Machado da Silva Lauro Kopper Filho Luiz Antonio de Assis Brasil Magda Lahorgue Nunes Maria Helena Menna Barreto Abrahao Marilia Gerhardt de Oliveira Mirian Oliveira Urbano Zilles Vera Lucia Strube de Lima EDIPUCRS Jerénimo Carlos Santos Braga (Diretor) Jorge Campos da Costa (Editor-chefe) Gilberto José Corréa da Costa ILUMINAGAO ECONOMICA CALCULO E AVALIACAO Colegado Engenharia 5 4° EDIGAO € EDIPUCRS Porto Alegre 2006 © EDIPUCRS, 2006 1° edigao: 1998; 2% edigao: 2000; 3° edigao: 2005 Capa: Ronaldo Pegoraro Preparagéo de originais: Eurico Saldanha de Lemos Revisao: do Autor Revisco técnica: Liziane Zanotto Staevie Composigdo e arte: Supernova Impressao e acabamento: Grética Epecé Colegéo Engenharia 5 Dados Internacionais de Catalogagéo na Publicagéo (CIP) C837i Costa, Gilberto José Corréa da Numinacao econémica: cdlculo e avaliagao / Gilberto José Corréa da Costa. - 4. ed. - Porto Alegre: EDIPUCRS, 2006. 562p. - (Coleco Engenharia; 5) ISBN 85-7430-598-7 1. Engenharia Elétrica. 2. ISO 9000. 3. Iuminagao Elétrica. 4. Iluminagdo - Aspectos Econémicos. 5. Foto- metric. 6. Luz. 7. Energia Elétrica - Aspectos Econé- micos. I. Titulo. Il. Série. CDD 621,321 Ficha Catalogrisfica elaborada pelo Setor de Processamento Técnico da BC-PUCRS © cprvers Av, Ipiranga, 6681 — Prédio 33 Caixa Postal 1423 CEP 90619-900 Porto Alegre, RS - BRASIL Fone/Fox: (51) 3320-3523 E-mail: edipucts@pucrs.br ‘www.pucrs.br/edipucrs Proibida a reprodugéo total ou parcial desta obra sem a cutorizagto expressa da Editore. A minha esposa, mae e amante, Magda, que pacientemente aceitou, durante todo o pe- tiodo de realizagao deste trabalho, os livros, artigos e anotagées esparramados por toda a@ casa e sempre incentivou-me pelo desafio proposto. Aos meus filhos Fernando, Roberto e Claudio que, com o seu amor, carinho e afeigdo demonstram uma supervalorizagdo pela minha figura de pai e o que este trabalho lhes repre- senta. AGRADECIMENTOS A QUARTA EDICAO Tal como referenciado na terceira edicao este livro, desde a sua génese, nasceu a partir de motivagées de colegas uni- versitarios, de colegas profissionais e de estudantes que ao comentarem, criticarem, questionarem fizeram uma legitima contribuigao motivacional, Desejo de uma forma muito simples agradecer 4 comuni- dade cientifica do pais e a internacional pelas inimeras sugest6es que sao empregadas em minhas aulas e que, de forma ampla, ultrapassam o seu contetido. Assim, existem empresas que sempre me apoiaram nesse mister. Tal é a Pontificia Universidade Catélica do Rio Grande do Sul do qual sou professor hd 37 anos e que encaro como uma grande familia n@o apenas nas unidades académicas as quais atuo, mas no Gmbito de toda a Universidade. Sempre recebi de forma direta ou indireta o seu apoio e incentivo. O mesmo é vdlido para a ELETROBRAS cujo apoio res- paldou parte da primeira edigao e, agora, contribui de forma pré-ativa nesta que esté sendo apresentada ao mercado edi- torial brasileiro. Seu papel, atuante via PROCEL, tem se mos- trado como um auxiliar indispensavel na criagao de uma cul- tura voltada & economia da energia elétrica, contra o desper- dicio e a favor da formagao de mao de obra especializada para o setor. Granjeei, também neste interregno, amigos de outros Es- tados da Federacéo e apreciaria comentar em particular o engenheiro Isac Roizenblatt pelas palavras carinhosas que sempre me tem deferido. A nivel estadual desejo agradecer & professora Dra. Atelene Kampf, biéloga e dedicada ao estudo de substrato que, a partir de 2000 me iniciou em um novo ramo da iluminagdao, desconhecido no pais, mas cada vez mais crescente, voltado a iluminagéo artificial para a produgao horticula. Resulta dai que nao poderia deixar de mencionar meu parceiro Dr. Joel Cuello, professor universitério do Departa- mento de Agricultura e de Biosistemas de Engenharia, da Uni- versidade do Arizona, localizada em Tucson, nos Estados Uni- dos. Por essas andangas da vida nossa aproximagao no cam- po cientifico se deu de maneira absolutamente informal em um congresso realizado na cidade de Québec, no Canad, tratando sobre a iluminagéo artificial para horticultura. Sem o sabermos desenvolvemos uma atividade multidisciplinar de engenharia elétrica e de agronomia, e propomos o Sistema Fitométrico para unidades de iluminagao, com a certeza de que sera empregado na iluminagao dos vegetais superiores. Esta parceria, no transcurso de cinco anos, ja se transformou em uma amizade que, apesar da distancia, se torna muito prdé- xima devido a intemet e principalmente ao carater ético, cien- tifico e profissional de seus parceiros. O sistema de unidades para a iluminagéo na produgao de plantas, que denomina- mos de "Sistema Fitométrico”, vai paulatinamente tendo seu reconhecimento na comunidade cientifica internacional, mas compreendemos que ainda esté muito longe de cumprirmos totalmente a nossa missao. E um sonho e quem nao vive sem eles? Nao desejando me alongar nos agradecimentos e pedin- do desculpas antecipadamente aos amigos que pessoalmen- te nao citei, mas que tém raizes profundas em meu corac¢ao, extemno a todos o meu: Muito obrigado. Gilberto José Corréa da Costa SUMARIO APRESENTACAO .. 1 PREFACIO ctssstsnusstsisttutunususissususnusisusunise 5 INTRODUGAO A PRIMEIRA E SEGUNDA EDIGOES........ iy INTRODUGAO A TERCEIRA E QUARTA EDIGOES vases ll CapiTuLo 1° ~ ENGENHARIA DE ILUMINAGAO onveinseen 15 Origens... 16 Legislacéo . 22 Percepgao visual . 29 Radiagao 34 Visao ....... 42 LUZ. © COP. ssesssse 7 63 Impacto sobre a conservagdo de energid oes 79 CAPITULO 2° - CONSERVACAO DE ENERGIA oss 81 Por que conservar? 83 A equagao fundamental. 91 O levantamento dos dado ...sutsssiesncsnaesessnne 99 A tarifagéo elétrica brasileira 104 Algumas andlises econémicas .... 133 Adimenséo tempo nos estudos econémicos_ 158 Impacto sobre a conservagéo de energic . 184 CAPITULO 3° - GRANDEZAS E UNIDADES ... . 187 Bingo 8Gh do ssssisarenrsmmonrcieasirvinanniescecsaiecn ania Pluxo luminGre ta mcsunpasemnememnaoe: DOG Intensidade luminosc..... 204 Densidade superti ial de fluxo h u minoso Luminéncia Eficacia luminosa Impacto sobre a conservagGo de energia «ss Capiruto 4° — A FOTOMETRIA E SUAS LEIS... k / Leis. fotométricas .. saan cane __ 295, Lei dos difusores perfeitos . Fontes na@o-puntifomies . Relagées entre grande: iS Medic6es fotométricas Representagées da distribuicao luminosa Diagramas iso-ilumin&ncias .. ane impaciosobre a conserva¢gao ey energia . Anexo 1 ~ A ILUMINAGAO ARTIFICIAL PARA PRODU- GAO DE PLANTAS E O SISTEMA FITOMETRICO .....ueue. 467, Axo 2 - UM ENFOQUE PARA A ILUMINACAO RESI- _ ANEXO 3 - VISAO, ILUMINAGAO E IDOSOS 513 ApéNDICE - ILUMINACAO ENERGETICAMENTE EFI- _CIENTE NO BRASIL: Evolugao do mercado, economias de energia e politicas publicas ... 533 EINDDICE oases sesssccssseessscesssessssusssessssusesunesssssssunsseussesunese 587 Material com direitos autorais, Numinagéio econémica ~ célculo e avaliagao APRESENTAGAO A energia, sob a forma de luz, é vital para a sobrevivén- cia dos seres humanos, sem ela nao existe vida. Até alguns séculos atras o periodo produtivo era limitado ao periodo em que o Sol estava brilhando, quando o Sol se punha, todos se retiravam as suas dependéncias para dormir. Depois da cria- ¢ao da lampada elétrica esse ciclo se alterou, tornou-se possi- vel estender os trabalhos e o entretenimento até o horario de- sejado, o que possibilitou o desenvolvimento da economia, da cultura, do conhecimento cientifico e, até mesmo, do tempo disponivel para o lazer. Hoje em dia, mais do que colaborar com o desenvolvimen- to, uma iluminagao bem planejada é fundamental para a se- guranga da populagao. Varias pesquisas demonstram clara- mente que os indices de violéncia diminuem quando se au- menta a iluminagao. O correto dimensionamento dos sistemas de iluminagao, bem como 0 uso dos equipamentos adequados, toma-se cada vez mais importante, uma vez que o segmento de iluminagao, em geral, corresponde a aproximadamente 17% do consu- mo de total de energia elétrica do pais (aproximadamente 54.519 GWh, em 2004), sendo somente a Iluminagao Publica responsavel por cerca de 4% desse consumo total. A ilumina- ¢dao apresenta, portanto, um dos maiores potenciais de con- servagao de energia e, também, é o setor que pode oferecer as respostas mais rdpidas as necessidades de redugao de consumo com os menores investimentos e os mais rapidos re- tomos. Tais caracteristicas foram amplamente comprovadas Colegdo Engenharia § 1 COSTA, GJ.C. da durante a recente crise de energia em 2001, quando a ilumi- nagao, principalmente através da substituigao de lampadas incandescentes por lampadas fluorescentes compactas nos setores residencial e comercial, e de lampadas a vapor de mercurio, mistas ou incandescentes, por lampadas a vapor de sédio na Iluminagao Publica, deram uma resposta surpreen- dente, permitindo atingir-se as rigorosas metas de raciona- mento impostas. O sistema de Iluminagao Publica é um servico essencial para a qualidade de vida nos centros urbanos, por se cons- tituir em um dos vetores para a seguranga e para o desen- volvimento sociceconémico dos municipios. Nesse contexto, buscando uma significativa melhoria na eficiéncia energética desses sistemas, e de modo a ampliar os beneficios dos pro- jetos nessa area a toda popula¢gao urbana, a ELETROBRAS instituiu o Programa Nacional de Iluminagao Publica Eficiente - ReLuz, com o apoio do Ministério de Minas e Energia. Um fato extremamente importante para a conservagao de energia no pais foi a promulgagdo, em outubro de 2001, da Lei 10.295, também conhecida como Lei da Eficiéncia Energética. Essa Lei dispoe sobre a Politica Nacional de Con- servagao e Uso Racional de Energia. Segundo a Lei, o Poder Executivo estabelecera niveis maximos de consumo especifico de energia ou minimos de eficiéncia energética, de maqui- nas e aparelhos consumidores de energia, fabricados ou comercializados no pais, com base em indicadores técnicos pertinentes e, também, desenvolvera mecanismos que promo- vam a eficiéncia energética nas edificagdes construidas no Brasil. Assim sendo, como vimos, considerando o peso da ilumi- nacdo na matriz de consumo de energia elétrica do pais, esse uso final sera priorizado na aplicagdo da Lei e, conseqiiente- mente, nada melhor do que dispormos de literatura técnica de alto nivel para orientar os engenheiros e outros técnicos en- carregados de regulamentar e aplicar a Lei. © autor, Gilberto José Corréa da Costa, engenheiro eletri- cista, com vasta experiéncia no setor elétrico, tendo trabalha- 2 Colegao Engenharia § Tuminagtio econdmica ~ célculo e avaliagao do cerca de trinta anos na Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul e, professor, com comprovado éxito no meio académico, lecionando na PUCRS, reuniu com grande competéncia o grande espectro de matérias envolven- do a iluminagG&o como tema central, descrevendo os temas com uma abordagem criteriosa, linguagem clara e inteligivel e profundo conhecimento técnico-cientifico. As primeiras edigoes do livro ILUMINAGAO ECONOMICA foram um grande sucesso de critica e publico. A 3% edigao, com a inclusdo dos 3 anexos abordando temas cada vez mais atuais: "A ILUMINACAO ARTIFICIAL PARA PRODUCAO DE PLANTAS E O SISTEMA FITOMETRICO”, "UM ENFOQUE PARA A ILUMINACAO RESIDENCIAL’ e “VISAO, ILUMINAGAO EIDOSOS", tonou a obra mais completa e rica. Hoje, trata-se de um dos livros mais solicitados ao PROCEL e, também, um dos mais consultados na biblioteca do PROCEL. O tema do livro encontra-se em consondncia com o obje- tivo do PROCEL que é promover o uso racional e eficiente da energia elétrica. A ELETROBRAS/PROCEL sente-se grati- ficada em refazer a parceria e apoiar a 4% edigdo deste traba- lho, que ja se consolidou como uma das mais importantes obras de capacitagdo e formagao de profissionais na area de iluminagéo e na disseminagao do conceito de conservagao de energia no pais. Presidente da ELETROBRAS Colegéo Engenharia 5 3 Iluminagao econémica — céleulo e avaliagao PREFACIO Esta é a 4% edigao do livro “Iluminagao Econémica” do professor e especialista na area de Iluminagao, Gilberto José Cortéa da Costa. As edigées anteriores tiveram grande éxito e repercussdao, principalmente a 3% edicdo, revisada e amplia- da com temas de grande relevancia na area de iluminagao na atualidade. Hoje é um dos livros mais vendidos da Editora de nossa Universidade. O Professor Gilberto Costa desenvolveu ao longo de sua carreira uma grande experiéncia prdtica, por meio de sua atuaga&o como engenheiro da Companhia Estadual de Ener- gia Elétrica do Estado do Rio Grande do Sul (CEEE) e como consultor de diversas empresas de grande porte, aliada a uma consistente experiéncia nas atividades de ensino, com mais de 37 anos de atuagado como professor da Faculdade de Engenharia da PUCRS. Como resultado desta experiéncia tedrico-prdtica, seu livro sobre Iluminagdo aborda, simulta- neamente, de forma consistente do ponto de vista tedrico, e de forma objetiva e prdtica, temas relevantes para estudantes e profissionais da drea de iluminagao. Esta caracteristica deste livro pode ser verificada pela demanda e apoio na edigao por parte da Eletrobras, via Procel. O livro apresenta o tema da iluminagao sob uma pers- pectiva de como utilizar de forma racional e eficiente a ener- gia elétrica, envolvendo capitulos especificos sobre a Enge- nharia de Iluminagdo, abordando os aspectos ligados com as origens da teoria da iluminagao, bem como aspectos de legis- lagao, normas, processo visual e radiagao. O capitulo sobre a Colegéio Engenharia 5 5 COSTA, G.J.C. da Conservagao de Energia apresenta aspectos relevantes para a execugao de diagnésticos de sistemas de iluminacao. No capitulo de Grandezas e Unidades se apresenta os conceitos fundamentais sobre as grandezas e unidades utilizadas em iluminagado, com exemplos praticos ilustrativos. Finalmente, no capitulo relativo & Fotometria e suas Leis, apresenta as leis fundamentais que regem os fenédmenos da area de ilu- minagdo. Completando a obra, o professor Gilberto Costa apresen- ta trés anexos abordando temas atuais na area, tais como: "A iluminagao artificial para produgao de plantas e o sistema fitométrico”, Um enfoque para a iluminagao residencial” e "Vi- sao, iluminagdo e idosos”. Podem-se destacar os atuais estu- dos que o autor tem desenvolvido na Grea de iluminagéao para produgao de plantas, area onde o tem atuado como consultor de grandes empresas e detém, em parceria com o Professor Joel Cuello, da Universidade do Arizona, patente internacio- nal de um novo Sistema Fotométrico. Em resumo, o livro Iluminagao Econémica reflete o co- nhecimento teérico e prdatico do autor, com novas contribuigées de relevancia e impacto intemacional na area de iluminagao e, em particular, na drea de iluminagéo para produgao de plantas. Sem divida, é um livro técnico que merece ser lido, tanto por estudantes como por profissionais da area de iluminagao. t S L/ es Torge Audy Pr6-Reitor de Pesquisa da PUCRS e Professor Titular da Faculdade de Informatica da PUCRS 6 Colegéo Engenharia 5 Tluminagao econémica - calculo e avaliagao INTRODUCAO A PRIMEIRA E SEGUNDA EDIGOES Este livro destina-se a estudantes de engenharia, de ar- quitetura e de pés-graduagao desejosos por aventurar-se no apaixonante mundo da iluminagao. Destina-se, também, a profissionais sequiosos em adquirir mais conhecimentos da sua arte. Escrevé-lo foi para mim um desafio a que me impus, na qualidade de professor ha quase trinta anos da Escola Po- litécnica da Pontificia Universidade Catélica do Rio Grande do Sul. Meu prazer por iluminagdo é decorréncia de parte de mi- nha atividade profissional, como engenheiro e como profes- sor universitdrio. Comegou no momento em que fui chamado a contribuir com projetos de iluminagao para o camaval de mua de Porto Alegre (e assim o fiz durante cinco anos). Naque- la oportunidade, minha convivéncia com o cliente — Prefeitura de Porto Alegre - e com o fabricante do material de ilumina- do utilizado — Philips do Brasil Ltda.- envolveu-me de forma tal que, para a realizagao de um trabalho sério, era necessa- tio que me aprofundasse sobre varios temas em iluminagao. Oenvolvimento com o cliente possibilitava-me o conhecimen- to dos aspectos decorativos e o relacionamento com o fabri- cante o estudo do material mais adequado a ser empregado. Odesafio era constante, pois a decoragao do carnaval muda- va a cada novo projeto, vale dizer a cada ano, tornando-se necessdrio, nao apenas reexaminar os projetos ja executados em anos anteriores, como também inteirar-se da literatura existente em iluminagéo, que é abundante no exterior, mas escassa no Brasil. Colegdéo Engenharia 5 7 COSTA, G.J.C. da Desde o nascimento, o milagre da vida constantemente impée desafios a nossa existéncia e cabe ao ser humano transpé-los. Esses desafios sao gerados pela natureza de nossa existéncia, o que obriga a uma constante reflexdo so- bre a nossa passagem. No todo, o conhecimento é um soma- tério de informagées que vao sendo acumuladas desde que a humanidade aprendeu a nado somente registrd-las, como também a fazer um bom uso destes registros, de modo que a vida se torne mais facil. A decorréncia disso 6 um paradoxo aparente, pois a cada desafio superado, outros desafios sur- gem e, assim, a humanidade caminha em diregao a um ponto definido, segundo TEILHARD DE CHARDIN, por Omega, quando entdo o conhecimento serd total. Cabe a cada ser humano dar a sua contribuiga&o para esse conhecimento. Partindo dessa filosofia de vida visei buscar a transmis- sao do conhecimento adquirido. Mania de professor. Um pais s6 sera grande quando, cada um na sua individualidade, al- mejar o bem estar coletivo e a educa¢do. Com isso em mente, parti para a execugdo deste livro e, para tanto, realizei, na qualidade de professor, varios cursos de extensdo em ilumi- nagdo empregando apontamentos pessoais, catalogos de fa- bricantes e a propria convivéncia com alunos que, com suas observagées, perguntas e vivéncias, em muito adicionam e enriquecem o conhecimento do mestre. Tenho plena convic- gao de que o aluno deve constantemente questionar o profes- sor para a busca da verdade e o professor deve encarar o alu- no como um ente avido de saber. Assim trabalhando o cresci- mento é mittuo. Claro esta que entre professor e aluno existe aquilo que é imponderavel, ou seja, a prépria limitagao do ser humano e, assim, superados estes aspectos e sem ressenti- mentos de ambas as partes, a grande catedral do conheci- mento vai se formando, tijolinho a tijolinho. Escrito assim tudo sGo rosas, mas nem sempre o aluno vé o professor como um ser limitado e nem sempre o professor entende as razées dos porqués dos alunos. Pensar em voz alta, questionar sem te- mor foi o que aprendi nas diferentes reuniées de projeto das 8 Colegéo Engenharia § Iuminggaio econdmica - célculo e avaliagao quais participei fazendo com especialistas no exterior, princi- palmente como engenheiro de planejamento e projetos da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul. O interesse na transmissdo do conhecimento, a unido da engenharia com o ensino, levou-me a esta obra que, iniciada de forma modesta, foi tomando volume. Cada item introduzia novas e novas perguntas e a resposta de cada pergunta mais paginas. Resulta dai que a idéia original serd distribuida em trés volumes, dos quais este é 0 primeiro. Como autor estou fazendo aquilo que sempre busquei nos livros de engenharia e que nem sempre encontrei. O conhecimento teérico aliado com a questdo prdtica, com o exemplo resolvido e comenta- do. O conhecimento retirado da gaveta e posto em cima da mesa. Partindo do tema: Iluminagdo Econémica — Cdlculo e Ava- liagao, este livro aborda a base para que o estudante possa ingressar de forma cientifica nos projetos de iluminagao. Ele tem por objetivo apresentar os fundamentos necessarios a condugdo dos projetos de iluminagdo. Escrito de forma sim- ples e com deducées paulatinas, busca atender ao mercado do estudioso de iluminagao. Com excegao do capitulo primei- ro os trés restantes apresentam exemplos resolvidos que bus- cam sedimentar a parte teérica desenvolvida. O capitulo primeiro trata fundamentalmente da questao da engenharia de iluminagdo e sua conexdo com o que é mais importante no inicio de um projeto, qual seja o de identi- ficar no que a iluminacdo foge dos padrées normais da enge- nharia, no que ela se aproxima, e quanto, da questao arqui- tet6nica e do efeito subjetivo do individuo com o ato de ver. O capitulo segundo trata de como aliar a iluminagao com a questdo energética, como analisar economicamente a ques- tao da conservagao da energia. Mediante teoria e exemplos, paulatinamente, sGo comentadas as tarifas de energia elétri- ca existentes no Brasil, principalmente aquelas que sao em- pregadas nas residéncias, no comércio e na indistria. Por fim, Colegéio Engenharia § g COSTA, GJ.C. da a questao do fluxo financeiro do investimento e sua aplicagao nas questées de iluminagao. O capitulo terceiro propée-se a trabalhar com as grande- zas utilizadas em iluminagao e mostrar qual a sua importaén- cia no projeto. Como examinar os catdlogos dos fabricantes e como se enriquecer com as informagées ali contidas, ou de outra forma, até que ponto pode-se corretamente empregar o conhecimento do fabricante demonstrado pelo contetido de seu catdlogo. Torna-se evidente, que isto sé pode ser obtido se houver um sélido embasamento das grandezas, unidades, suds origens a interconexdes. Finalmente, no capitulo quarto sao apresentadas as leis fotométricas conectadas com as diferentes formas de repre- sentagao. Como cresce no mundo o interesse em trabalhar com a lumindncia, um destaque maior é dado para o conhe- cimento desta grandeza, de como pode ser melhor compreen- dida, analisada e operada. No momento, ao langar no mercado este livro, esta- mos colhendo sugestées, criticas e opinides via internet (gjcosta@pucrs.br, gjcosta.prof@uol.com.br). Estas informa- des serdo de extrema utilidade para a continuidade do tra- balho proposto. A todos os leitores e a todos que dirigirem seus comentarios os meus agradecimentos, na esperanga de que as suas motivagées sejam tao gratificantes quanto as minhas o foram, ao redigir esta obra. 10 Colegéo Engenharia § Iuminagtio econémica - célculo e avaliagco INTRODUCAO A TERCEIRA E QUARTA EDICOES Como ja descrito na Introdu¢do da primeira edicao (parte integrante desta), este livro mantém o mesmo espirito e ideal com 0 qual foi escrito: possibilitar ao profissional de ilumina- gao as bases de um conhecimento cientifico na ciéncia da fotometria, sem a qual se toma impossivel fazer um projeto eficiente e eficaz. Desta forma mantive praticamente o mesmo texto realiza- do na primeira edigao, que se manteve o mesmo na segunda, visto se ter esgotado os trés mil exemplares da primeira em menos de dois anos. Entretanto, ao longo do periodo de 1998 até agora o Brasil apresentou grandes mudangas em termos de energia elétrica, com a série de privatizagées do setor, de conhecimento de todos. Isto levou a uma alteragao do capi- tulo 2° que, a pedido da prépria ELETROBRAS/PROCEL, foi atualizado nos pontos mais significativos. Interessante também foi constatar que, a adogao de uma politica para tarifas de energia elétrica mais realista, provo- cou uma série de transformagées no meio empresarial. Desta- ca-se o advento de uma estabilidade econémica permitindo que a gesta@o examine, com extrema cautela, o seu nicho de mercado; nicho este que agora se insere no panorama da globalizagao. Particularmente, no segmento da energia elétri- ca, o PROCEL esta paulatinamente atingindo as suas metas de eficientizagao. Os empresarios, nao estando sés, se envol- vem cada vez mais com os diagnésticos energéticos e a sua implementagéo. Desta forma, os agentes governamentais tais como o Ministério de Minas e Energia, assistidos pela ANEEL Colegao Engenharia § ll e ELETROBRAS nao representam apenas vozes pregando no deserto, mas sim, pautam os seus objetivos de racionaliza¢ao. Os concessiondrios, por sua vez, participam ativamente nos programas de Governo e assistem aos seus clientes na busca da economicidade energética. Neste contexto se insere felizmente a iluminagao, tao esquecida no passado. A década de 90 foi extremamente proficua neste sentido. Os cinco anos anteriores ao novo sécu- lo sao determinantes para uma busca nacional pelo conhe- cimento deste ramo da ciéncia. Conscientes de sua importaén- cia, como aglutinadores para o processo de aprendizagem, os Conselhos Regionais de Engenharia e Arquitetura, os fabricantes, as areas de ensino de iluminagado se empenham em atualizar seus conhecimentos, propiciando aos seus asso- ciados, empregados, colaboradores e alunos com ferramen- tas técnicas cada vez mais exigentes e proprias. O mesmo ocorre no seio das escolas técnicas e universidades que comegam a inserir nos seus cursos os fundamentos da luminotécnica. O curso de arquitetura e urbanismo da PUCRS é um exemplo vivo desia afirmagéo, visto que inclui no seu curriculo uma disciplina especifica, obrigatéria, voltada ao conforto luminico. A primeira edigao, entao redigida nos ultimos anos do século XX, participa ativamente de um novo mercado em for- macdo, mais cientifico e tecnolégico. A terceira edigao, reflete, também, de forma indireta o pensamento do Govermmo, com vis- tas a dotar o pais com as imprescindiveis certificacées de pro- dutos emanadas pelo INMETRO, mas delegadas a laboraté- rios acreditados dentre os quais se destaca o LABELO da PUC do Rio Grande do Sul, com expressiva participagao no merca- do nacional e externo. Acompanhando todo esse renascimento novos fabrican- tes de produtos de iluminagao se instalam no pais e aqueles que ja existem comecam a compreender a importdncia de da- dos fotométricos que permitam projetos que atinjam a tarefa visual, o primeiro passo para um trabalho bem fundamenta- do. Neste particular, o Brasil ja dispde de goniofotémetros 12 Colegao Engenharia § Tuminagao econdmica ~ cdlculo e avaliagcio capazes de levar avante a importantissima tarefa em formecer e certificar os dados numéricos e as curvas de distribuigdo lu- minosas das luminarias, Assim, mais uma vez, este livro se enquadra dentro de um panorama nacional, visto que a teoria e os exemplos, mencionados ao longo do texto, como nao poderia deixar de o ser, s&4o embasados em dados fotométricos. O estudo da fotometria cientifica, proposto por Johannes Heinrich Lambert em 1760, se toma uma realidade permanen- temente presente. E bem verdade que existem varios progra- mas computacionais que permitem acesso aos profissionais com solugées alternativas de forma extremamente rdpida e precisa. Entretanto, nos varios congressos que tenho partici- pado pela Illuminating Engineering Society dos Estados Uni- dos, varios sao os projetistas de iluminagao que afirmam a necessidade de que um projeto deste tipo se inicia na pran- cheta, com lapis, papel e calculadora, e que o computador se destina & otimizagao do resultado final. Esta assertiva, do qual estou plenamente convicto, me conduz a comentar aos dife- rentes estudantes e profissionais, com os quais tenho a felici- dade de conviver e transmitir meus conhecimentos, de que um projeto de iluminagéo tem um cardter racional e outro subjeti- vo. O racional é aquele fruto do cdlculo e geralmente exige uma dose elevada de transpiragdo, de trabalho bragal. O sub- jetivo é muito mais complexo, visto que envolve o todo e o ho- mem inserido no ambiente, isto é, exige inspiragao. E, assim, extremamente importante que o projetista conhega muito bem o seu cliente para que possa, respeitando as suas caracteristi- cas particulares, informar-lhe do uso adequado da tecnologia luminica. Isto somente se consegue com muito denodo e esfor- go. Creio, sinceramente, que se considerarmos num projeto 40% relativo a tecnologia, compete aos restantes 60% a criatividade e a inspiragao. Este livro, apesar de nao conter tudo em iluminagao como o desejaria, oferece uma boa parcela do cdlculo e da raciona- lizaga@o. Por outro, na medida do possivel, tenta articular as caracteristicas préprias do homem com as suas questées sub- Colegao Engenharia § 13 COSTA, G.J.C. da jetivas, ligadas a sua maneira de ser. Subjetividade que faz o deleite e o fascinio dos projetistas e que me levou a escrevé-lo. Aracionalidade esta, portanto, conectada com a luz certa, no ponto certo, de forma a ser a mais econémica possivel. O sub- jetivo, bem mais complexo, exige do projetista o despertar da emogao. Neste particular hé projetos com muita ou pouca emogdo que aparecem como o desafio de todo o projetista ou artista que existe dentro de nés. Espero sinceramente que os leitores brasileiros, e porque ndo também os portugueses, assim como outros que tenham familiaridade com a nossa lingua patria, encontrem na sua leitura uma profunda gratificagao. Porto Alegre, 7 de setembro de 2006. Gilberto José Corréa da Costa 14 Colegao Engenharia § Huminagtio econdmica ~ célculo e avaliagao CAPITULO 1° ENGENHARIA DE ILUMINACAO Sao abordados os aspectos ligados com as origens da teoria da iluminagao, juntamente com o efeito psicofisiolégico da visao, esclarecendo-se que a Luminotécnica foge do enfoque usual empre- gado nos ramos de engenharia. Apresenta a versGo ergonémica da legislagao trabalhista e no que con- corre com a concepcado das normas da ABNT. Co- menta a exigéncia da qualidade para enfrentar a glo- balizagao. Comenta, também, quais os pontos princi- pais a observar na anilise da tarefa visual e como pode ser conciliada com conservagéo de energia. Ana- lisa aspectos relacionados com a fisiologia da visao e sua inter-relacdo em um sistema de iluminagao. Encer- ra comentando as questées ligadas & luz e cor e sua subjetividade para a visao humana. SUMULA: Origens. Legislagao. Processo Visual. Radiagao, Viséo. Luz e Cor. Impacto sobre a Con- servagdo de Energia. Ahistéria da humanidade permite concluir que as profis- s6es surgiram ao longo do tempo para solucionar os proble- mas que 0 préprio homem criou ao longo de sua existéncia. Aos poucos foram se caracterizando como se denominam hoje: medicina, direito, engenharia, etc. Segundo Jacques Attali, no seu interessante 1492, a primeira maquina no senti- do modemo da palavra, aparece no século XIII através do re- Colegdo Engenharia 5 15 COSTA, GJ.C. da légio, sendo um mecanismo completo que armazena energia sob a forma de uma mola, para devolvé-la mais tarde. A par- tir de entao surgem os sistemas mecttnicos, nos quais trés ti- pos de indiustrias utilizam sobretudo estas maquinas: a téxtil, a de mineragao e a de armamentos. No século XV sobres- sai-se a figura do engenheiro, artista curioso sobre o real, que tem em mira todas as energias, todas as ciéncias, sonhando com mdaquinas que liberem o homem. Leonardo da Vinci éseu representante maximo como homem criador de engenhos. A engenharia comega a diferenciar-se como civil ou militar e com o passar dos tempos cria ramos mais especificos como: a mec@nica, a elétrica, a quimica, etc. Surge assim, por forga de contingéncias, a especializagao. ORIGENS O papel da iluminagdo para o homem A Revolugao Industrial, iniciada segundo os historiado- res na Inglaterra no século XVIII, caracteriza os oficios, crian- do os ambientes fabris. Em ambientes inadequados, a ilumi- nagdo passa a representar para a humanidade nao apenas protegdo e seguranga, como também a adaptagao ao traba- lho em recintos escuros. A necessidade de melhor iluminagao para o homem cria um novo ramo especializado de conheci- mento, definido posteriormente como Engenharia de Ilumina- ¢do. A substituigdo da fadiga dos miisculos pela maquina, acarreia a fadiga dos olhos e o homem comega a sistemati- zar de forma cientifica o estudo da iluminagao. Contribui para tanto, de forma expressiva, o advento da eletricidade com o posterior desenvolvimento das lampadas incandescentes. A iluminagdao artificial passa a ter um crescimento continuo pelo fato de ser o homem um ser essencialmente visual. E, se no inicio dos tempos a civilizagao preocupava-se com o fogo, hoje preocupa-se com a obtengdo de mais luz com menor dis- péndio de energia. 16 Colegéo Engenharia § Tuminagao econémica — célculo e avaliagao A partir de entao, as universidades, os centros de pesqui- sa, os fabricantes, preocupam-se com os objetivos essenciais de um sistema de iluminagao, tais como: reprodugao de co- res, intensidade luminosa, diregdo e distribuigGo das luzes, economicidade energética, efeitos decorativos e outros. A ne- cessidade esta voltada para um todo, ou seja, interessa o con- junto lampada-lumindria e sua harmonizagao com o ambien- te, como: teto, paredes, piso, mobilidrio, efeitos... O objetivo é evidenciar que uma boa iluminagado depende de fatores que se harmonizam entre si, sob pena de ocorrerem distorgées e fadigas visuais. O usudrio tem o direito de ter um sistema de iluminagdo adequado a sua necessidade e orientado para uma conserva¢ao energeética, Verifica-se, entao, que a Engenharia de Iluminagao acrescenta fatores que ndo sGo comuns no ramo da engenha- ria convencional, como a subjetividade em decoragdo e a sua influéncia psicolégica no convivio didrio com os individuos. Os aspectos arquiteténicos de hoje devem focar a questdo da tendéncia crescente do custo da energia e dentre elas a ener- gia elétrica, por ser de natureza nobre e ndo poluente. Para a decoragdo o mercado internacional apresenta novas la4mpa- das que exigem lumindrias e acessérios adequados ao seu funcionamento, ou seja, deve aliar arte com economicidade, © que sé é obtido com o conhecimento adequado de todos os fatores que influem num projeto de iluminagao. Na busca de uma estética ambiental, as vezes orientada por sistemas tra- dicionais e nem sempre atualizados, adotam-se solugées ca- ras e ineficientes. Outras vezes o custo do sistema inicial as- susta o usudrio, competindo entdo ao projetista demonstrar- lhe o custo total, isto 6, 0 custo do investimento inicial com o do operacional. Uma ciéncia multidisciplinar Num sistema de iluminagao convivem dois ramos da ci- éncia que se completam: o primeiro esta ligado com a produ- Colegdo Engenharia § 17 COSTA, GJ.C. da ¢ao da luz e o segundo com a utilizagdo da luz. O primeiro, para o projetista é mais simples e esté diretamente associado com os artefatos luminosos produzidos pelo mercado (la4mpa- das, lumindrias e acessérios); o segundo, bem mais comple- xo, envolve o todo, ou seja, o homem e sua visualizagdo no ambiente que o cerca. A técnica da produgao da luz iniciou nos tempos remo- tos, quando o homem foi capaz de produzir 0 fogo, mediante o atrito entre madeiras secas e continua até hoje com as lam- padas atuais. Este ramo do conhecimento envolve a matem4- tica, a fisica, a quimica, sendo puramente técnico e empre- gando as ciéncias ditas exatas. Sua tecnologia esta ligada com os fabricantes, que dispdem de um instrumental, equipa- mentos caros e uma documentagao histérica de acertos e er- tos. Jé a utilizagao da luz (figura 1) envolve nado sé o campo das ciéncias exatas aplicadas, como também o das ciéncias humanas como a fisiologia, a psicologia, a seguranga, a arte... Desta forma, o estudioso em iluminagao deverd dedi- car-se nao sé ao formulismo matematico, mas também aos efeitos comportamentais do individuo frente a um sistema de iluminagdo, ou seja, dos efeitos sobre o individuo e o ato de ver. A Engenharia de Iluminagao se insere dentro da con- cepgao atual de que n@o é uma unica disciplina, mas sim multidisciplinar onde interagem ciéncias deterministicas e ciéncias humanas, visando melhor utilizar as aplicagées da luz. Espera-se, neste aspecto, sacudir o pensamento tradicio- nal, herdado de Newton, de que as ciéncias da natureza ti- nham um comportamento bem definido de causa e efeito. Em sistemas de iluminagdo, a relagao entre causa e efeito esta além de uma simples definigao de formulas, pois ela atende uma necessidade que é imposta pelo olho humano e que, por ndo ser uma mdquina newtoniana, varia de individuo a indi- viduo. 18 Colecéo Engenharia 5 Iuminagaio econémica ~ célculo e avaliagao ECONOMIA (Farovoetn) APLICACAO DA LUZ Quimica PRODUCAO DA LUZ Fig. 1 -A iluminagéo 6 ciéncia multidisciplinar. A produgdo da luz Entretanto, a base do desenvolvimento da Engenharia de Tluminagado somente foi possivel apés o aprimoramento das fontes luminosas. Ha 500.000 anos a.C. 0 homo erectus em- pregava fogueiras e o uso do fogo alterou a sua vida, dando luz ds trevas e calor a todo o momento. O seu dominio intro- duziu, segundo ASIMOV, a humanidade no primeiro estagio de uma tecnologia de ponta, sendo empregado como luz, calor, protegao e cozimento, comprovadamente em 200.000 a.C., com o homem de Neanderthal e apés na fundigao dos me- tais. Neste contexto, a produgdo da luz passa historicamente por quatro fases ou geragées técnicas. Em uma primeira, a preocupagdo do homem foi em manter uma chama acesa constantemente, tarefa que despontando na Idade da Pedra, culminou com o desenvolvimento da vela e da lampada a éleo, j& em pleno Império Romano. O préximo passo deve-se Colegdo Engenharia 5 19 COSTA, G. a Amié Argand que, na busca por sistemas energeticamente mais econémicos e mais luminosos, desenvolveu o tradicio- nal lampido com camisa, em 1874. O terceiro estagio come- gou hé apenas um século, quando Thomas Edison, em 1879, obteve sucesso na produgao de uma lampada incandescente, usando filamento de carbono. Finalmente, nos dias atuais, sGo desenvolvidos sistemas de iluminagGo que integram as fontes luminosas com os respectivos sistemas dpticos, alian- do rendimentos luminosos elevados para 0 conjunto, com boa reprodugao de cores. Do exposto conclui-se que a iluminagdo artificial abran- ge dois ramos da ciéncia ja mencionados: produgao e aplica- Gao da luz. Falar do seu desenvolvimento significa dizer que até quase a metade do século XIX as melhorias se fizeram so- bretudo nas técnicas de produgéo da luz, ou seja, lampadas a dleo, velas, gas natural, gas de acetilénio. Esta iluminaga&o era débil para que permitisse sua utilizagao como meio cor- rente, substituto da luz natural. A propria lampada, desenvol- vida por Edison, apresentava uma poténcia luminosa extre- mamente baixa, préxima a de uma vela de espermacete. O verdadeiro impulso processou-se quando Coolidge conseguiu trefilar o tungsténio, cujas propriedades fisico-quimicas eram conhecidas como adequadas na utilizagado das lampadas incandescentes, mas cuja tecnologia exigiu um longo cami- nho a ser percorrido. As lampadas baseadas na descarga em gases, das quais a fluorescente 6 um exemplo, foram desen- volvidas somente a partir de 1933. No entanto a tendéncia é que sero as substitutas das lampadas incandescentes até nos lares, seu mercado tradicional. Contribui para isto, a melhoria no tocante a eficacia luminosa, a reprodugao das cores, & facilidade de sua substituigao, a economicidade energética. Restara as lampadas incandescentes as aplica- g6es especiais. Este caminho, entretanto, ndo para ai, pois constantemente os fabricantes estao buscando fontes lumino- sas mais eficientes. 20 Colegdo Engenharia § Tuminacéio econémica ~ célculo @ avaliagao QUADRO 1 Etapas evolutivas da produgdo da luz e seus desafios [ano] FONTE LUMINOSA DESAFIO TECNOLOGICO Descoberta do fogo .| Fogueira .| Tocha Lémpada @ deo animal Vela do cora Vela do espermacete Lampiéo Argand Lampiao a gs de carao ‘Arco volldico Vela _paratinica Lampiée de éleo paratinico Lampada incandescente de carvéo Arco. voltéico controlado Lamplao com camisa reo. veliéico encepsulade Lampada vapor mercirio baira presséio Lémpada incandescent de ésmio Lampada incandescente de téntalo Lampada incandescente de tungsténio Lampada vapor de mereirio alta pressao Lampada incandescenle tungsténio espiral Lampada vapor de sédio baira pressao Lampada fluorescente Lampada inecmdescenlo espiral dupla Lampada vapor de sédio baira pressao Lampada incandescente espiral tripla Lampada vapor de meririo alta pressao Lampada de hue nista Lampada vapor de sédio alta presséo Lampada incandescento haldgena Lémpada vapor a iodetos metélicos Lampada vapor de sédio alta presséo fuorescente de pés emissivos fluorescente compacta incandescente econémica intogrados de indugao fluorescente eleténica_ compacta de enxotre inicion? controlar? manter? Jaciliar transporte? tor em quantidade? popularizar? usar em via publica? qumentar intensidade? Como manter constante o arco? saa: one Como cumentar a luz? Como aumentar a vida util? Como qumentar a seguranga? --- tim fim alimentar em CA? baratear © filamento? evitar a quebra do filamento? gumentar o filamento? evitar a alta radiagéo UV? aumentar a eficiéncia? alimentar em CA? melhorar a reproducao de cor? gumentar mais a oficiéncia? melhorar a reprodugao de cor? economizar energia? melhorar reprodugao de cor? monlar em qualquer posigéo? sinterizar 0 aluminio? direcionar 0 calor imadiado? acender rapidamente? melhorar a reprodugéo de cor? melhorar sua eficécia? qumentar o desempenho? conscientizar o usudrio? Como popularizar? Como tomar competitiva com os outros sistemas? Como reduzir custos para vender em massa? Como criar variedade de poténcias para uso? Como Colegéo Engenharia § 21 COSTA, G1.C. da Exigéncia da visao Poder-se-ia supor que a industrializagao automatizada simplificaria as tarefas visuais. Na verdade, tal nao acontece. Em que pese a existéncia dos robés, a vida moderna cada vez mais sobrecarrega os olhos, fazendo-os controladores cons- tantes no discernimento de detalhes, no julgamento de dife- rengas, na leitura de telas de video. Pela vista humana pas- sam oitenta por cento das informagées concernentes ao mun- do extemo. Conceber, portanto, um sistema de iluminagao adequado a tarefa visual nado é apenas uma questdo estética, mas uma necessidade. O desatio dos especialistas em ilu- mina¢do é adotar sistemas corretos sob o ponto de vista psicofisiolégicos e ao mesmo tempo econémicos. A ilumina- ¢do é uma necessidade permanente da atividade humanaea busca de sistemas energéticos econédmicos deve ser, por con- seqliéncia, uma eterna preocupag¢ao. LEGISLAGAO A Comissdo Internacional de Duminagao Em 1900, em decorréncia de trabalhos desenvolvidos so- bretudo na Europa, surgia a Comissdo Internacional de Iu- minagdo (Comission International de Eclairage ~ CIE), ten- do por objetivo o estudo dos grandes problemas técnicos e ci- entificos da iluminagao. Atualmente esta Comissdo esta repre- sentada por trinta paises membros. Os paises membros inte- ressados indicam os especialistas que irao trabalhar na pre- paragao de relatérios técnicos ou nas recomendagées. Além desta associag&e, que tem cardter internacional, cada pais possui sociedades como: M/uminating Engineering Society of North America, nos Estados Unidos; British Illuminating Engineering Society, na Inglaterra; Association Francaise de 1Eclairage, na Franca e assim por diante. No Brasil, o repre- sentante 6 a Associagdo Brasileira de Normas Técnicas (AENT), mas existe, também, a Associagao Brasileira das In- 22 Colegéo Engenharia 5 Tuminagao econémica - célculo e avaliagao dustrias de Iluminagao (ABILUX). Em resumo, cada pais con- tribui com estudos sobre os problemas relativos a iluminagdao, conforme sua estrutura intema e sua capacidade de investi- mento em pesquisa. As normas de iluminagao estado, em geral, intimamente ligadas com os produtos executados pelos fabricantes. E, as- sim, dificil estabelecerem-se normas especificas, pois os pro- dutos de iluminagdo, como as lumindrias por exemplo, sao préprios de cada fabricante. Portanto, é extremamente impor- tante que o fabricante forneca as caracteristicas fotométricas de seus modelos, base para qualquer estudo de iluminagao. Os dados fotométricos, por sua vez, exigem medigées e testes em laboratérios de iluminagdo, cujo investimento para sua implantagao é vultoso. Verifica-se, ainda, que a aplicagao das normas e recomendacées existentes é funcao dos dados fotométricos informados, pois grande parte do resultado quantitativo e qualitativo do projeto se baseia nestes dados. Isto significa que é extremamente dificil estabelecer um projeto de iluminagao com o conceito amplamente utilizado de material “similar”. Como todo 0 projeto se baseia em pro- duto especifico, associado a uma norma ou recomendacao de cardter geral, é de fundamental importancia que o projeto tome por base um determinado produto e o estenda para os demais. Para contornar esta dificuldade técnica duas alterna- tivas sao possiveis: a primeira é de que sejam executados vd- trios projetos, sendo cada um especifico para cada modelo produzido por fabricantes (estudo de altemativas); ou entao, apresentar dados definidos para a execugdo do projeto, to- mando por base uma recomendagéo técnica para o cdlculo, e o resultado final sera definido pelo melhor desempenho do sistema de iluminagao. O julgamento da concorréncia neste aspecto tem cardter fundamental, pois estarad condicionado nao sé ao produto, prego e despesas operacionais, como tam- bém aos dados técnicos fornecidos pelo fabricante juntamen- te com o laudo de conformidade respectivo. O certificado de conformidade é muito importante, devendo ser fornecido por Colegao Engenharia 5 23 COSTA, GJ.C. da laboratério idéneo, sendo de uso comum nos paises desen- volvidos, pois permite, de um lado que o fabricante ateste a qualidade de seus predutos e, de outro, que o projetista tra- balhe com seguranga. Organismos brasileiros No Brasil as normas ou recomendagées relativas ao pro- jeto de um sistema de iluminagdo sao muito escassas. De ca- rater fundamental a NBR 5413, referente aos Miveis Minimos de Iluminag¢do, é 0 ponto de partida para os projetos. Uma vez executado o projeto, segundo concepgao apresentada em memorial técnico, a medigdo deverd ser realizada com o em- prego da NBR 5382 - Verificagdo de Mumindncia de Interiores. E util, ainda, mencionar que a NBR 5461 trata da Terminolo- gia para Iluminagao como forma de definig&o das grandezas e unidades empregadas. Entretanto, néo ha uma recomenda- gao para o calculo de projetos de iluminagao, quer sejam em recintos fechados ou abertos. Verifica-se que os fabricantes ficam condicionados aos sistemas de projeto empregados por sua matriz, localizada na maior parte das vezes no exterior. As universidades brasileiras e os escritérios de engenha- ria apresentam problema similar, pois suas fontes de consul- ta estado localizadas no exterior (segundo convénios com ou- tras universidades ou escritérios de consultoria), sendo co- mum a afirmagao que o método por eles empregado é o ade- quado. Todos os métodos se assemelham, uma vez que suas bases teéricas sGo as mesmas, variando apenas quanto ao enfoque aplicativo. A diferenga 6 que as vezes alguns sao mais prdticos que outros, mas é necessdrio saber selecionar o método adequado. Falta uma maior definigao por parte da prépria ABNT que, como luta com a necessidade de estudar uma variedade de normas, formula as suas prioridades na tentativa de atender as exigéncias do mercado técnico brasi- leiro, em permanente expansdo. Assim, nao ha recomenda- gdo sobre o método a empregar para o calculo especifico de 24 Colegao Engenharia 5 Tuminagtio econémica ~ célculo e avaliagao projeto, como também nao ha recomendagao para ilumina- ¢do esportiva. A norma de iluminagao publica, por sua vez, necessita ser reformulada frente ds novas concepgées de pro- jeto introduzidas pela Comisséo Internacional de Iluminagéo. Ao especialista resta adotar valores e métodos preconizados em outros paises, cujo desenvovimento em sistemas de ilumi- nagdao seja mais avangado, em virtude dos gastos realizados em pesquisa aplicada. A Consolidagdo das Leis do Trabalho, também conheci- da como CLT, no Capitulo V relativo 4 Seguranga e Medicina do Trabalho, Segdo VII, art. 175, menciona que “em todos os locais de trabalho deverd haver iluminagado adequada, natu- ral ou artificial, apropriada a natureza da atividade"’. Na mes- ma segao os §§ 1° e 2° referem-se & quantidade e qualidade da iluminagdo, mencionando que o Ministério do Trabalho estabelecerd os valores minimos a serem observados. Até bem pouco tempo atrds estes valores minimos entra- vam em contradi¢ao com a prépria ABNT, visto que havia uma duplicidade de niveis: um estabelecido pela CLT e o outro pela NBR 5413. O problema era mais ou menos grave, pois os valores preconizados pela CLT eram mais elevados que os da ABNT. A razdo para o fato é que esta ultima, com base na ex- periéncia de outros paises mais avangados, comegou a ado- tar niveis compativeis com o rumo de novos tempos eco- nomizadores de energia. Esta questdo foi sanada com a subs- tituicao do Anexo IV da Norma Regulamentadora n° 15, da Portaria 3124 de 8 de junho de 1978 pela Norma Regula- mentadora n° 17, item 17.5.3. Esta nova Portaria, de n° 375] de 23 de novembro de 1990, manda obedecer a ja menciona- da anteriormente Norma Brasileira 5413, que trata dos niveis minimos de ilumindncia a serem observados. No que diz res- peito as condigédes de iluminamento, destaca-se a queda do pagamento de insalubridade, isto é, devem ser atendidas as condigées de conforto visual. A medigao da ilumindncia deve ser feita no campo de trabalho onde se realiza a tarefa vi- sual, utilizando-se, para tanto, de luximetro com fotocélula, Colegao Engenharia § 25 COSTA, GJ.C. da corrigido para a sensibilidade do olho humano e em fungao do dngulo de incidéncia. Os valores minimos, mencionados pela Norma, devem le- var em conta 0 cardter psicofisiolégico da visao e indicam a iluminancia minima necessdria para se perceber um detalhe de dimensées dadas e bem contrastadas, sem intervir na no- gao de objetos no campo visual. Existem situagoes para as quais, além da iluminagdo geral minima recomendada, é ne- cessdrio recorrer-se a uma iluminagao particularizada para o plano de trabalho (0 ato de costurar & maquina, por exem- plo). Valores superiores ao minimo poderao ser considerados, devendo-se evitar iluminancias excessivas, prejudiciais a vi- sao. Um parecer pericial exige que sejam levados em conta nao somente os fatores previstos em Norma, como também os aspectos relativos ao processo visual no contexto do ambien- te. Fig. 2-A diversidade de soquetes devido uma auséncia de padronizagéo. Océdigo de defesa do consumidor Importante comentar, ainda que muito brevemente, a Lei 8078 de 11 de setembro de 1990, conhecida como Cédigo de Detesa do Consumidor. O surgimento do direito do consumi- dor ja aparecia na Roma antiga. O imperador Justiniano de- terminava que o vendedor tinha de ressarcir o comprador de prejuizos derivados da coisa vendida, ainda que os desconhe- 26 Colecdo Engenharia 5 Muminagao econémica — calculo e avaliagao cesse. Com o advento da Revolugao Industrial, as relagées comerciais ganharam maior diversidade e complexidade, exi- gindo uma regulamentagdo especifica. As nagées passaram a criar cédigos que permitissem aos consumidores defende- rem-se nas suas relagées de consumo. O art. 14 do Cédigo de nosso pais afirma que o fomecedor de servi¢os responde, in- dependentemente da existéncia de culpa, pela repara¢do dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos a prestagdo dos servicos, bem como por informacées insufi- cientes ou inadequadas sobre sua fruigao e riscos. Isto vem confirmar a necessidade do especialista em iluminagdo em- pregar produtos de qualidade, cujos dados fomecidos pelo fa- bricante possam ser usados em sua defesa. Mais adiante, no art. 23, é informado que a ignordncia do fornecedor sobre os vicios de qualidade por inadequa¢do dos produtos e servicos ndo exime a responsabilidade do t>rnecimento. Este artigo reforga, mais uma vez, que o especialista em iluminagéo nao pode alegar desconhecimento dos dados do produto. Compe- te a ele, durante a execugdo de seu trabalho, munir-se de to- das as informagées pertinentes para a execugao do sistema de iluminag¢ao, visto ser ele o especialista. Neste aspecto, os laudos laboratoriais, os certificados de qualidade do produ- to, os certificados de conformidade desempenham um papel importante. Seria muito dificil, num texto curto como este, colocar-se tudo aquilo que exige atencdo quanto ao Cédigo de Defesa do Consumidor. Chama-se a atengdo para o art. 8°, onde menciona que os produtos © servigos colocados no mercado de consumo nao devem acarretar riscos a satide ou seguran- ¢a dos consumidores, exceto os considerados nommais e pre- visiveis em decorréncia de sua natireza e fruigao, obrigando- se os fornecedores, em qualquer hipétese, a dar as informa- ¢des necessdrias e adequadas a seu respeito. Dai se conclui que compete ao especialista seja na qualidade de projetista, consultor ou instalador, esclarecer de forma inequivoca sobre o sistema de iluminagdo que esta sendo entregue ao consu- Colegao Engenharic: 5 27 COSTA, G.J.C. da midor, advertindo-o quanto ao uso incorreto do produto, como por exemplo, a substituicao de lampadas diferentes das especificadas para o sistema. Em sendo 0 fomecedor omisso, no que tange a estas informagées ou se as mesmas forem in- completas, ele tera de responder pelos danos que vier a pro- vocar. Deve-se entender, neste caso, que seguranga se enten- de pelo estado, qualidade ou condigdo de seguro; e saiide, pelo estado, cujas fungdes orgdnicas, fisicas e mentais se acham em situagao normal. Exigéncia de qualidade Para atender aos desafios da globalizagdo os gestores brasileiros verificaram que o cumprimento ds normas nacio- nais e na auséncia destas as intemacionais deve ser estuda- do e aplicado. Tal condicao permite o enfrentamento comer- cial com competividade e qualidade. O Governo Brasileiro e os empresdrios, entendendo que a sua participagéo nesse mercado exige produtos que venham ao encontro das reco- mendagées das normas internacionais, estabelece pouco a pouco as normas brasileiras alicergadas nas primeiras. Tal é o caso, para citar apenas um exemplo, da NBR 5410, relativa as Instalagoes Elétricas de Baixa Tensao que buscando atin- gir as especificidades brasileiras, recomenda a metodologia intemacional estabelecida pela IEC. O seu emprego permite mais facilmente a concorréncia em projetos e obras de carater intemacional, onde o Brasil tem se demonstrado como alta- mente competitivo, gragas a qualidade de seus projetistas e de sua mao de obra qualificada. Nao pode também ser esquecido o esforgo na certificagao de produtos que permite uma garantia escrita de conformida- de com os requisitos especificos de uma série de normas, se- jam nacionais, sejam intemacionais. Mediante a existéncia de um Certificado de Conformidade o profissional tem em suas mdaos um documento que lhe permite garantir nao sé 0 projeto quanto ao especificado como produto. Assim, mediante uma série de ensaios realizados por laboratérios credenciados pelo INMETRO o fornecedor brasileiro tem em m4os instru- mentos habeis, capazes de permitir o desenvolvimento indus- 28 Colegdo Engenharia § COSTA, G.J.C. da trial, com a qualidade requerida e satisfazer as exigéncias do consumidor que, felizmente, se toma cada vez mais exigente. Nao é sem razao que O Cédigo de Defesa do Consumidor e as normas de gestao da qualidade mostram claramente que © pais esta aos poucos adquirindo a experiéncia dos paises mais avangados, ou seja, esta exigindo que as atividades hu- manas que envolvem relagées de consumo sejam cada vez mais alicergadas sobre produtos ou servigos que exigem qua- lidade nao é simples. Produzir com qualidade nao é facil, mas as normas e leis existentes, bem como as que advirao, aos poucos, criarao e formardo esta mentalidade. Importante é que elas existem e o especialista em iluminagGo nado poderd alegar desconhecimento, sob pena de que venha a sentir seus efeitos. Uma das formas de atingir a qualidade é realizar 0 tra- balho com conhecimento de causa e com boa documentagaéo. Felizmente uma solucdo ja é apontada em pafses avancgados com a associagdo entre centros de pesquisa, casas de ensino e prestadores de de servigo, permitindo a instalagao de siste- mas de iluminagdo econémicos adequados ¢ tarefa visual. a de prejete, expectticacio © pesquisa avolimento de pradute ready, Disposiclo apés o uso Aquisige des materttis Planejamento e desenvolvimento Assleifndia tecnica SERVIGoS | 4¢ Proceso ¢ manutengde CLIENTE ‘nspecto, ensalo Embelagem e simazenamento Vendas e dietribuicke Fig. 3 - Um ciclo da qualidade. PERCEPCAO VISUAL Um aparente paradoxo Experiéncias do dia a dia permitem observar que a luz pode ser misturada, refletida, colorida, reduzida, focalizada, Colegéo Engenharia § 29 COSTA, G. direcionada, concentradq; entretanto, a radia¢do Juminosa 6, em si, invisivel. Exemplifica-se: no teatro, quando os atores es- tao representando e o ambiente esta limpo, isto 6, isento de fumaga, vapores ou poeira, é impossivel perceber-se a traje- téria dos raios luminosos dos projetores, o que se percebe ¢ 0 efeito do raio luminoso dirigido pelo projetor para o palco e refletido no corpo, nas roupas do ator e no cenario; os astro- nautas, quando estado no espago, percebem a luz que incide diretamente nas suas vistas, seja pela reflexGo dos objetos, seja pelo brilho das estrelas, mas o espago em si é “vazio" e escuro. Imagine-se agora o efeito oposto, que se pudesse ver a totalidade da luz. Seria impossivel enxergar. A luz ocuparia todos os lugares do espago, tal como a visdo de um ambiente repleto de nevoeiro. Assim, este paradoxo é aparente; a invisibilidade de um lado e a visibilidade de outro sao essen- ciais ao processo da visdo. O especialista de iluminagdo deve analisar a TAREFA VI- SUAL por inteiro, verificando que a iluminagao nao depende apenas dos aparelhos que serdo implantados, mas também do ambiente circundante e ai se incluem as cortinas, os mé- veis, as cores do teto, das paredes e do piso. Em iluminagao tudo influi. Um projeto deve atentar néto apenas para o proce- dimento de célculo, mas também para fatores humanos de maneira que se obtenha condi¢ées funcionais, agraddveis e seguras. A escuridao traz inseguranga ao homem, dotado de visao. Nenhum ser vivo, além do ser humano, fez uso do fogo, mesmo da maneira mais primitiva. O fogo trazia a luz e com a luz vinha a seguranca e esta assertiva é valida ao longo de todos os tempos, incluindo o atual. O advento da eletricidade Ja se comentou que a eletricidade foi e ainda é hoje o principal impulsionador na consquista de fontes luminosas antificiais. Edison, quando apresentou a sua la4mpada incan- descente de fins praticos, vaticinou que a luz produzida por 30 Colegdo Engenharia $ Tuminagao econémica - calculo e avaliagao estas lampadas seria tao barata que somente os ricos quei- mariam velas. Mas, se por um lado esta frase materializou- se, sabe-se hoje que a época da energia barata passou e que a eletricidade, como produto nobre, atingiré valores compati- veis com os pregos internacionais. Por outro, a manutengao de um prego baixo para a energia elétrica sé é possivel se 0 Governo investir macigamente em obras de geragao, trans- missdo e distribuigdo ou, ainda, se a sua produgdo for subsi- diada. Esta, entretanto, nado é meta do Governo, resultando que o prego do quilovate-hora brasileiro deverd aumentar, se- guindo uma tendéncia mundial. Além do mais, o desperdicio so sera eliminado caso existam regras que tornem os custos inseridos dentro de um contexto mundial, como é o caso apli- cado para o petréleo. Diante destes fatos, que sGo de cunho internacional, os fabricantes de produtos de iluminag&o passaram a concen- trar-se na busca de fontes de maior eficacia, seja melhoran- do as existentes, seja criando novas. Paralelamente foram re- vistos outros aspectos de vital importancia para a obtengao de uma maior economia energética em iluminagdo, mediante a revisdo de normas, conceitos, procedimentos para projetos, incluindo a educagao do consumidor sob a forma de progra- mas populares de conservagdo energética. Uma nova orien- tagdo estabelece que, enquanto nao existirem fontes lumino- sas capazes de reproduzir as cores adequadamente, mas de alta eficiéncia energética, deva ser dada prioridade ao seu uso, desde que a tarefa visual ndo seja comprometida. Eo caso, por exemplo, dos sistemas de iluminagdo publica, no qual a seguranga da pessoa contra assaltos e acidentes tem prioridade sobre uma melhor reprodugdo de cores. A fungdo visual Observou-se, também, que economia em iluminagdo nado significa nao ter iluminagéo ou iluminagao deficiente. Na Bél- gica, um estudo sobre a adogéo da diminuigéo da luz nas es- Colegao Engenharia 5 31 COSTA, GJ.C. da tradas durante a noite, com o fim de conservar energia, na fase inicial da crise do petréleo, aumentou a incidéncia de acidentes de forma que a economia pretendida resultou ser ineficaz, visto que aumentaram os custos relativos em danos pessoais e materiais. Assim, parece que 0 feitigo virou contra o feiticeiro, como se diz vulgarmente. O estudo de um sistema de iluminagao exige que seja realizada uma andlise pormenorizada quanto ds necessida- des da tarefa visual, podendo néo significar maior consumo energético. Lampadas fluorescentes, por exemplo, produzem mais luz sob determinadas condigées de temperatura e posicionamento; ambientes com ar condicionado permitem que se faga uma adequagao entre luz e climatizagao. Em ou- tras situagées sao empregadas la4mpadas de luz mista na ho- rizontal o que resulta numa deficiéncia luminosa, com o mes- mo consumo energético. Sao aspectos como estes que trouxe- ram uma revalorizagao nos projetos de iluminagao. Exige, en- tretanto, que exista uma atualizagao permanente com as fon- tes existentes no mercado nacional e internacional (ja que vi- vemos numa aldeia global). PROJETISTA CLIENTE FABRICANTE. Fig. 4- A luminotécnica é uma ciéncia multidisciplinar. O préprio conceito de tarefa visual é, hoje, muito mais abrangente que no passado. E necessario avaliar uma série de fatores, que sGo definidores no processo visual, para obter-se sistemas econémicos, mediante um trabalho multi- disciplinar entre projetista, fabricante e cliente (figura 4). O rendimento do individuo influi na medida em que o projeto de iluminagao visou atender nao s6 os aspectos técnicos, como 32 Colegdo Engenharia 5 luminagao econémica ~ cdlculo e avaliagao os também denominados fatores comportamentais. O profis- sional de iluminagao deve educar seus usudrios sobre os sis- temas existentes e convencé-los sobre a importdncia destes aspectos subjetivos, que fazem parte do todo do sistema e que tornam a luminotécnica uma ciéncia tao apaixonante. O homem tem visdo integral, ligada a arte e a técnica; visto ndo apenas dependente da luz, mas da totalidade do espaco percebido pelo individuo. O sistema visual, em si, ope- ra com informacées limitadas; onde hd lacunas ele as preen- che mediante informagées armazenadas no cérebro. Um de- senhista profissional ao tragar algumas linhas no papel per- mite que um observador tenha nogao do rosto completo (a si- lhueta é um exemplo). Isto quer significar que o homem vé al- guns elementos do conjunto e tem idéia do final, ou seja, é capaz de presumir a existéncia de todos eles. O cérebro pre- enche os espagos nao vistos e o homem vé de forma continua © mundo que o cerca (figura 5). Em outras situagées, desenhos tridimensionais, impossiveis de serem concebidos em um es- pago de trés dimensoes, sao aceitos pelo cérebro inicialmen- te como possiveis; somente um exame mais detalhado e de- morado vai permitir corrigir esta aparéncia irreal (figura 6). Dai se depreende que a visdo humana exige integralidade. vem Fig. 5-Océrebroéo Fig. 6- Um caso de integrador da visdo. impossibilidade de execugao. Colegao Engenharia 5 33 COSTA, GJ.C. da Desta forma, a visao nado depende apenas da luz. Ao atin- gir o cérebro, o estimulo visual passa préximo ao hipotalamo, que por sua vez transmite informagées a hipéfise, esta perten- cente ao sistema endécrino, influi no humor da pessoa e por conseqtiéncia direta no seu rendimento no trabalho. De for- ma indireta, portanto, a visao também passa a ser responsd- vel por parte do estado emocional do individuo (uma cena de violéncia deixa o individuo momentaneamente perturbado). Prover iluminagado adequada nao é um luxo, mas é sobretudo satisfazer as necessidades do individuo a todo o momento, por meio de uma andlise adequada da tarefa visual. Quanto melhor e mais detidamente for examinada esta tarefa, melhor sera o resultado da iluminagao. . Agora é importante conceituar: LUMINOTECNICA é a ciéncia de utilizar a luz natural, bem como de produzir e utili- zar @ luz artificial, otimizando quantidade, qualidade, econo- mia e adequagdo a finalidade da VISAO, Assim conceituada, deve-se conhecer o que é luz e como se enxerga. O sistema de iluminagéao deve atender ao aspecto psicofisiolégico do ato de ver. RADIACAO Ocomportamento dual da luz O estudo da luz sempre foi objeto dos naturalistas. A vi- sao depende da luz. Na mecdnica newtoniana todos os fend- menos fisicos estavam reduzidos ao movimento de particulas materiais ¢ isto explicava varios fendémenos luminosos como a reflexdo e a refragao. Pouco depois Huygens formulou a te- oria de que os raios luminosos seriam ondas, provando que teflexdo, refragao e dupla refragao podiam ser explicadas pela teoria ondulatéria. Entretanto havia dificuldade para ex- plicar como a luz atravessava 0 espago através de um “éter”, que deveria ser extremamente rigido para permitir a elevadu velocidade da luz e ao mesmo tempo nao opor resisténcia ao 34 Colegao Engenharia 5 Tuminagaio econémica ~ célculo e avaliagao movimento dos planetas. Dois séculos apés, Mawell propunha a teoria eletromagnética segundo a qual a luz seria entaéo constituida por ondas eletromagnéticas muito curtas. As on- das eletromagnéticas podiam ser refletidas, refratadas, pola- rizadas tal como a luz. Isto até o advento de Einstein. Este pes- quisador, ao explicar o efeito fotoelétrico, retorna ao conceito anterior de que a luz deveria ser de origem corpuscular. Apés discussédes nos meios cientificos hoje é aceito o fato de que no nivel atémico a matéria apresenta um aspecto dual, depen- dente da situagao. A luz, neste caso, é emitida e absorvida na forma de quanta ou fétons; contudo quando estas particulas de luz se deslocam através do espago, aparecem como cam- pos magnéticos e elétricos vibratérios que se comportam como ondas. Esta concepgao encontrou obstaculos para ser aceita nos meios cientificos, ou seja, de que a matéria se ma- nifesta sob formas que parecem ser mutuamente exclusivas: as particulas sao ondas e as ondas sGo igualmente particu- las (a luz talvez seja como o deus mitolégico Janos que apre- senta duas faces, conforme a situagao). A dificuldade para a sua compreensdo é de que a teoria qudntica nunca lida com “coisas definidas” e sim com as “probabilidades das coisas”, isto 6, das suas interconexées. A luz é, ainda, um fenémeno eletromagnético, ou seja, é decorrente de uma perturbagao nos campos elétrico e mag- nético no espago. Isto é facilmente visualizavel na experién- cia da formacéo do arco elétrico. Quando em um atomo ocor- re a passagem de um elétron da tltima capa eletrénica para um nivel energético superior, devido um ganho em energia, sua permanéncia nesta nova situagao é instavel. Ao retornar & capa eletrénica primitiva, libera a energia adquirida sob a forma de fétons, isto é, sob a forma de particulas luminosas. Este fenémeno da radiagdo luminosa foi explicado por Einstein e permite considerar a éptica como dividida em duas partes que se completam: a dptica geométrica e a dptica fisi- ca. Um corpo sé deixa de emitir luz quando detém o movimen- to de suas particulas, isto é, quando atinge o zero absoluto. Colegao Engenharia 5 35 COSTA, GJ.C. da De Broglie e Heisenberg propuseram, entdo, a unificagao das teorias qudntica e eletromagnética, que é a tese aceita atual- mente. O espectro eletromagnético Aciéncia caracterizou e dividiu os fenémenos eletromag- néticos denominando ao conjunto: espectro eletromagnético (figura 7). Este espectro pode ser dividido em duas grandes faixas: a primeira denomina-se de ondas, sendo subdividida em industriais (freqiiéncias baixas) e hertzianas (freqiéncias elevadas), onde se encontram as comunicagées, radar, etc.;o término da faixa das ondas origina a das radia¢ées, que ini- cia com as infravermelhas, percebidas sob a forma de calor, passando pelas radiagées ditas visiveis e continuando com as ultravioletas, raios X, raios gama e raios césmicos. rane RAIOS JAAIOS|RAIOS | RADIACAO] LUZ ]RADIACAO] COSMICOS| GAMA w VISIVEL] Iv ULTRA INFRA- 380 nm 780 nm Fig. 7 - O espectro eletromagnético. Esta divisao nao apresenta fronteiras absolutamente ri- gidas visto que hd uma transigao gradual de uma regiao para a outra. Na faixa compreendida pela radiagao luminosa a uni- dade empregada para comprimento de onda é usualmente o nanometro, que corresponde a 10° metros, mas ainda encon- 36 Colegao Engenharia 5 Tuminagio econémica - célculo e avaliagao tra-se na literatura o Angstrom, (1 A = 10°") e o micrometro (1 tm = 10* m). De importancia em iluminagao existem trés regides, ou faixas, do espectro que devem ser consideradas: a regido ultravioleta, a regido visivel e a regiGo infravermelha. Entre os raios infravermelhos e os ultravioletas encontra-se a faixa do espectro eletromagnético com comprimentos de onda entre 380 nm e 780 nm, capazes de sensibilizar a vista huma- na. Denomina-se este conjunto de Juz visfvel, faixa que 6 va- ridvel segundo as caracteristicas individuais da vista huma- na.Tal fato de per si caracteriza que ct visa&o depende de pes- sod a pessoa e que para fins de estudos de iluminagao ha um olho padrao que se situa dentro dos limites supra citados. A radiagdao visivel tradicionalmente tem os seguintes li- mites: —violeta 380 a 435 nm; -azul 486 a 495 nm; -verde 496 a 565 nm; -amarela 5664589 nm; ~-laranja 5904627 nm; ~-vermelha 628 a 780 nm. A radiagao ultravioleta ¢ aquela que sucede ao violeta no espectro eletromagnético. Divide-se em trés faixas: UV-A, UV-B e UV-C. A primeira atravessa a maioria dos vidros e pro- voca a fluorescéncia (empregada em processos industriais); asegunda tem agao terapéutica sobre a pele, criando o efeito eritémico (bronzeamento) e formando vitamina D (agao anti- raquitica); a ultima apresenta efeito germicida e atua sobre bactérias, fungos e micro-organismos. Como fontes de radia- ¢ao artificial empregam-se as /dmpadas actinicas, de luz ne- gra, solares, germicidas e de ozénio. A Comissao Internacio- nal de Iluminagao define as seguintes faixas para a radiagao ultravioleta: UV-C 1004 280 nm; UV-B 2804315 nm; UV-A 3154 400 nm. Colegao Engenharia § 37 COSTA, GJ.C. da A radiagao infravermelha é aquela que antecede ao ver- melho no espectro eletromagnético. Divide-se igualmente em trés faixas: IR-A, IR-B e IR-C. E percebida sob a forma de calor sendo utilizada na industria, agricultura e medicina. Para a produgdo de infravermelho empregam-se /dmpadas de onda curta, média e longa, cuja definigao é fungao do tempo de res- posta, variando da ordem de um segundo a dez minutos, res- pectivamente. A Comissdo Internacional de Iluminagao divi- de, também, em trés regides a radiagao infravermelha: TRA 780a 1.400 nm; IR-B 1.400 a 3.000 nm; IR-C 3.000 nmal mm. Caracteristicas da matéria E evidente que, para cada comprimento de onda corresponde uma cor especifica e que a quantidade de cores é, portanto, infinita. O fendmeno de coloragao, percebido so- bre os corpos, é o resultado da reagdo de particulas eletrica- mente carregadas frente a agao da onda eletromagnética in- cidente. Os objetos nao tém cor; o que tém é certa capacida- de de absorver, refratar ou refletir determinada radiagao lu- minosa, que sobre eles incidem. Quando a luz se propaga num corpo, como num prisma de vidro, a velocidade depende do comprimento de onda de seus componentes, causando sua decomposigao em faixas coloridas. As cores aparecem devi- do a decomposigéo da luz branca, que esta associada com a diferenga de velocidade de propagagao dos raios luminosos. Dentre as caracteristicas épticas di matéria destacam-se a reflexao, a refragdo, a transmissao e a polarizagao. Enten- de-se por reflexdo (figura 8) a devolugdo do raio incidente lu- minoso, por uma superficie, sem alteragao dos componentes monocromaticos que o compée. A reflexao sera especular quando ocorrer numa superficie lisa e polida (chapa de ago inoxidavel, vidro prateado, por exemplo); sera difusa quando a superficie for 4spera (papel branco fosco, neve e outros) e 38 Colegéo Engenharia Tuminagéio econémica - célculo e avaliagao mista quando for uma mistura das anteriores, como ocorre no caso de uma chapa cromada revestida com um verniz transhicido. No momento em que ocorre a reflexGo uma per- centagem de luz é perdida por absorcao. Chama-se de refletdncia a razGo entre a luz refletida e a luz incidente, tam- bém conhecida por fator de reflexao. REFLEXAO REFLEXAO REFLEXAO ESPECULAR DIFUSA MISTA Fig. 8 - Os diversos casos de refletancia. J& a refragdo resulta da mudanga de diregao do raio de luz quando atravessa a superficie que separa dois meios de densidades diferentes (vidro e ar, por exemplo). Este desvio de diregao é provocado pela alteragao da velocidade de pro- pagagao do raio luminoso (a velocidade sera reduzida se o meio for mais denso e maior na situagao contrdria). A refra- gdo (figura 9) obedece a Lei de Snell: n sen i=n,sen r onde: 7, indice de refragao do primeiro meio n, indice de refragao do segundo meio i Gngulo de incidéncia do raio luminoso r Gngulo do raio refratado er ; REFLEXEO REFRACAO TOTAL DISPERSAO Fig. 9- Os vérios casos da refragéo. Colegdo Engenharia 5 39 COSTA, G.J.C. da Sh BS a2 oe Fig. 10 - Diversos estudos de refratores. Quando a luz branca passa por um prisma, o raio lumi- noso se decompée em suas cores componentes, ocorrendo a dispersdo; quando o dngulo de incidéncia do raio luminoso ultrapassa um valor critico, o fenémeno denomina-se de refle- xdo total. Em iluminagao é amplamente utilizado o efeito da refragao em prismas, lentes, materiais reflexivos e vidros com a finalidade de direcionar 0 raio luminoso, constituindo uma parte do sistema dptico da Jumindria (figura 10). A transmis- sdo é a passagem do raio luminoso através de um meio sem alteragao de seu espectro, sendo este fenémeno caracteristi- co do vidro, cristal, plasticos, agua e outros liquidos. Ao pas- sar através do material, o raio luminoso sofre uma perda por absorgao. Denomina-se de transmiténcia a razdo entre o flu- xo luminoso transmitido e o incidente. O mecanismo da refra- gdo permite a execugdo de refratores, com diversas formas, onde se destaca, por exemplo, a lente de Fresnel (figura 11). Fig. 11 - A lente de Fresnel e o trajeto da radiagdo. 40 Colegéo Engenharia 5 Tuminagio econéinica - calculo e avaliagaio Finalmente, a po/ariza¢gdo, que consiste na vibra¢do das ondas do raio luminoso num tnico plano (figura 12). A polari- zagao é empregada na redugdo do ofuscamento, como é o caso dos monitores de video empregados em sistemas de computacéo ou na reducao da luminosidade. LUZ NORMAL Fig. 12 -A polarizagao da luz. Usualmente a produgdo da radiagao luminosa é feita de duas formas. A primeira é devido & incandescéncia, que con- siste em elevar a temperatura dos corpos a valores superiores a 600°C, momento em que se comega a perceber a luz ema- nada, devido ao calor transmitido pelo material. A segunda, através da luminescéncia, que é a emissdo de radiagao sob o efeito de uma excitagao. Caso o fenémeno comece e acabe juntamente com essa excitagdo, tem-se a fluorescéncia; quan- do perdura, apés o estimulo, tem-se a fosforescéncia. A van- tagem do processo de produgdo luminosa por meio da luminescéncia é a de que a producdo de calor é muito mais reduzida, o que auxilia no condicionamento de ar, originando aparelhos de menor poténcia térmica e conseqtiente conser- vagdo energética. No processo fluorescente a excitagao é ob- tida por meio da descarga elétrica através dos gases. Estes dois processos originam as duas grandes familias de lampa- das existentes no mercado: as lampadas incandescentes e as lampadas de descarga. Modernamente chegaram ao merca- Colegao Engenharia 5 4] COSTA, GJ.C. da do dois tipos de lampadas que operam por processos diferen- tes. Primeiramente a la4mpada de indugao, que como o pré- prio nome indica, funciona pelo principio de indugéo eletro- magnética e a segunda, a lampada de enxofre, que atua se- gundo excitagdo dos dtomos de enxofre por meio de um cam- po de microondas. Esta ultima, nao contendo mercutrio, pode muito bem ser visualizada como uma l4mpada que atende as exigéncias, impostas hoje, ao cuidado com o meio ambiente. VISAO O carater psicofisiolégico da visao O sistema de iluminagdo exige que o especialista anali- se o comportamento humano quanto aos aspectos fisicos, fi- siolégicos e psiquicos frente as condigées de iluminagaéo do ambiente. Nesta busca, de melhor atender as exigéncias hu- manas, dois profissionais estao interrelacionados: os oftalmo- logistas e os especialistas em iluminagado. Cabe aos primei- ros maximizar as capacidades do homem quanto a sua visualizagao e aos segundos otimizar o ambiente visual con- siderando custo, energia, desempenho, conforto e aparéncia. Esta cooperagdo biunivoca permite constituir dados suficien- tes que devem ser considerados quando da execugao ou and- lise de um sistema de iluminagdo, mas, mesmo assim, a bus- ca é incessante face ds constantes descobertas que sdo agre- gadas. Isto reforga a idéia de que o especialista em ilumina- gao desenvolva algo mais do que a técnica usual, complexa ou nao, empregada em engenharia. O conhecimento da visao humana é extremamente importante para o estudo, nao ape- nas do processo visual, como também da adequagao do sis- tema de iluminagao, visto que ele existe para atender ao ato de ver. O olho humano é um érgao sensorial complexo que man- tém relagées espaciais e temporais dos objetos no espago vi- sual e que converte energia luminosa em sinais elétricos, que 42 Colegdo Engenharia 5 Tluminagao econémica ~ célculo e avaliagtio sGo processados no cérebro. No seu trajeto, o raio luminoso passa inicialmente por um sistema dptico (olho), que ao esti- mular um érgao sensor (retina), encaminha impulsos via uma rede elétrica (nervo optico), ao érgao formador da imagem (cérebro). A imagem visual nao é facil de ser explicada, mas tudo indica que a percepgao visual do homem comega pelo tato. Este lhe da a idéia da forma e o ser humano cria a ima- gem por meio da mentalizagdo espacial (figura 13). O olho também dispée de drgdos acessdrios que lhe dao protegdo e movimento. NERVO OPTICO CEREBRO camara de video ——> impulsos clétricos —— imagem espacial Fig. 13-- O processo visual. A visdo, entao, ndo se processa diretamente. O homem tende a pensar que uma imagem do mundo penetra no olho e que ele a vé. Mas isto ¢ apenas uma parte do processo visual. As coisas que ele enxerga preservam a identidade e sao reconheciveis porque o homem sempre as viu deste modo. O sistema visual nado é simplesmente uma camara, um receptor e um registrador de informagées. O olho e o cérebro, juntos, constituem um sistema informacional que analisa e processa as grandes quantidades de dados que vém do mundo exte- rior. O olho 6 neste caso, um receptor seletivo de energia ra- diante, desempenhando o cérebro um papel importante de integragao, WILLIAM JAMES, filésofo e psicédlogo americano considera, com muita propriedade: “minha experiéncia é aquilo que me convém prestar atengao”. O sistema de ilumi- na¢do deve levar em conta aquilo que convém prestar aten- ¢do, ou seja, a TAREFA VISUAL. Colegdo Engenharia $ 43 COSTA, GJ.C. da Aandlise da visdo apresenta duas caracteristicas distin- tas e simultaneas, que sera4o denominadas de sentido e enquadramento e que constituem o cardter psicofisiolégico da visdo. O sentido da visao reconhece os objetos por sua mobi- lidade, forma, tamanho, cor e brilho; percebe distancias en- tre observador e objeto; e posiciona-se no espago dando ao homem o equilibrio postural. A visao também tende a ver as coisas de maneira que se enquadrem no conjunto de expe- riéncias, expectativas e conhecimentos do homem. Um siste- ma de iluminagao deve atender a ambos. Em muitos casos ha- vera o conflito, pois nem sempre um sistema puramente deco- rativo sera econémico e vice-versa. Caberd entao ao especia- lista buscar 0 meio termo e, para isto, deverd estar permanen- temente a par das novidades técnicas introduzidas, de um lado, pelos fabricantes, e, de outro, pelos arquitetos e deco- radores, se for o caso de iluminagdo interna. No caso da ilu- minagao externa deverd verificar até que ponto a seguranga ndo serd afetada. Mas, qualquer que seja a situagdo, este de- safio é um conflito que devera ser bem equacionado. Em ilu- minagdo nado existem regras rigidas para a subjetividade, apenas recomendagées que devem ser harmonizadas com o espago circundante. Ooclho humano Anatomicamente o globo ocular, ou simplesmente, olho, éum érgdo de forma esférica, composto por varios invélucros membranosos e de meios transparentes, através dos quais passam os raios luminosos (figura 14). Destacam-se no meca- nismo da visdo a cémea, que é uma membrana transparente, esférica. Fixa na comea e envolvendo o globo ocular, encon- tra-se a esclerética, que 6 uma membrana branca e espes- sa, formando o “branco” do olho e, justaposta a esta, a cordéide, cuja face interna é recoberta de pigmento preto, des- tinado a absorver os raios luminosos intteis 4 visa&o (pigmen- to que nao existe nos individuos albinos). Finalmente, fixada 44 Colegao Engenharia 5 Tuminagte econdmica ~ calculo e avaliagao a cordide, encontra-se a retina, destinada a receber a impres- sGo da luz, que é uma membrana essencialmente nervosa, de estrutura muito complexa e que se expande em direcdo ao cé- rebro, formando o nervo éptico. Este, ao ligar-se nas termina- g6es nervosas da retina, forma o ponto cego, isto é, a regido que, por ser desprovida de orgaos sensores aos raios lumino- sos, ndo permite que se enxergue. Fig. 14 -O olho humano e seus componentes. Os meios transparentes do olho sGo: o humor aquoso, 0 cristalino e o humor vitreo. O humor aquoso é um liquido in- color e esta situado entre a cérnea e o cristalino. Imediata- mente a frente do cristalino, encontra-se a iris (definindo a cor dos olhos), que ao se contrair ou dilatar, forma uma abertura central circular, denominada de pupila. O cristalino é, por sua vez, uma lente biconvexa, transparente e ajustavel. O humor vitreo é uma massa gelatinosa e didfana que preenche a ca- vidade interna do olho. Colegdo Engenharia 5 45 COSTA, GJ.C. da Devido a excelente transmitancia dos meios transparen- tes para as radiacées infravermelhas e sendo a retina muito sensivel a elas o pigmento preto, que se encontra 4 frente dela, reduz os efeitos nocivos destas radiagées, mas mesmo assim olhar diretamente para fontes luminosas muito produ- toras de raios infravermelhos é desaconselhavel. E, por esta razdo, que ndo se deve olhar diretamente para o sol, ou por- que os soldadores devem usar sempre déculos de protecdo. A radiagao infravermelha poderd causar queimaduras irrepa- raveis na retina, caso nao sejam usadas medidas protetoras. Merece mengao o uso do sextante pelos navegadores que os obrigava a focalizarem o sol, tornando-os cegos com o pas- sar do tempo e obrigando-os a usar tapa-olhos em uma das vistas, na tradicional imagem do pirata. Caracteristicas do processo visual Do ponto de vista fisiolégico, as principais caracteristicas do olho humano, durante o processo de visdo, estado ligadas a: acomoda¢do, adaptagdo, campo de visdo, acuidade, per- sisténcia visual e visdo de cores. Cada uma delas influi em maior ou menor grau no projeto dos sistemas de iluminagao e devem ser consideradas no momento da andlise da tarefa vi- sual. Na formagao da imagem, o olho pode ser entendido co- mo uma cémara de video. Os raios luminosos penetram pela pupila; a cérnea e o cristalino representam uma lente que for- ma a imagem; a retina, o érgao sensor da radiagGo que en- via estimulos nervosos ao cérebro. Sendo a imagem dos ob- jetos invertida na retina, cabe ao cérebro a sua reinversdo. Acomodagéo A ACOMODAGAO esta ligada ao foco e permite a visdo nitida de objetos situados a diferentes distancias. Para tanto a cérnea refrata os raios luminosos e o cristalino ajusta-se para que haja uma perfeita focalizagao. Além da cérmea e do cristalino, a acomodagao depende dos musculos do olho que, 46 Colegio Engenharia 5 Tuminagéo econémica ~ calculo e avaliagéio em numero de trés, o movimenta de forma que a visGo seja direcionada para o alvo. A acomodagao diminui rapidamen- te com a idade e a partir dos 60 anos haé uma pequena fungao acomodativa remanescente, que é compensada com uma di- minuigdo anormal da pupila. Menores pupilas, entretanto, exi- gem que exista uma maior iluminagéo sobre a tarefa visual, a fim de que a retina receba a mesma iluminagao. Interessa, ao especialista em iluminagdo, o fato de que na medida em que as pessoas avangam em idade necessitam de mais luz para adequar a fungao de acomodagao. Adaptagdo A ADAPTACAO este ligada principalmente com a abertu- ra da pupila, que se altera conforme os diferentes niveis de iluminagdo. Quando existe muita luz, a pupila se contrai e a focalizagdo dos objetos se processa principalmente na zona central da retina, préxima do nervo éptico; quando esta escu- ro, a pupila se dilata, permitindo que a imagem se forme ao longo da sua periferia, nao havendo focalizagao para um ponto especifico. Um exame mais minucioso, a nivel celular da retina, revela que ela é constituida por dois tipos de sensores nervosos: os cones e os bastonetes (figura 15). wefitas, —__plamento ffatatcs nervos. | L@—e— Vee singlice cones bastonetes REGIAO PERIFERICA REGIAO DA FOVEA bastonetes @ENMD vise escotépica cones BBB vicho fotipica Fig. 15 - Uma imagem simplificada da retina. Colegdo Engenharia 5 47 COSTA, G.J.C. da Os cones, sao muito menos sensiveis a luz do que os bastonetes, permitindo a visado para grandes luminosidades (visao detalhada da luz do dia); sua densidade é maior no centro da retina, regido conhecida como févea, originando a chamada visdo central, responsavel pela visao das cores ou fotépica (os cones reagem quimicamente a trés tipos de esti- mulos que sao ligados com a radiagdao verde, azul ou verme- lha). Ja os bastonetes, cuja raz@o em relaga&o aos cones é de 120 para 6 milhées (sendo 1 milhdo localizados na févea), sao adaptados para baixas luminosidades, ou seja, atuam na vi- sdo dos claros e escuros ou escotépica, apresentando uma maior densidade na zona periférica da retina. Este aspecto, ligado aos cones e bastonetes (visGo fotépica e escotépica), permite associar que no escuro distingue-se principalmente o preto e o branco, visto que as cores tornam-se indistintas. Existem ainda, nas camadas celulares da retina, células pigmentares que, sem reagirem eletricamente as radiagdes diminuem os efeitos relativos das grandes luminosidades, so- bretudo nas radiagées infravermelhas e vermelhas, conforme comentado anteriormente. O exame do processo de adaptagao em diferentes indivi- duos permitiu verificar que a sensibilidade da retina nao sé varia com diferengas de luminosidade, como também é varia- vel para os diferentes comprimentos de onda da radiagao. Isto quer significar que a sensibilidade da retina varia, segun- do as cores e grau de luminosidade. Como nao se enxerga as radiagées ultravioleta e infravermelha, a observagao das co- res nao pode ser instantanea, nem se processa de um salto. Em primeiro lugar, FRAUNHOFER, realizando medigées nos in- dividuos, verificou que a sensibilidade da vista segue uma curva em forma de sino em relagao aos comprimentos de onda da radiagao, ou seja, que durante a visdo de cores (fotépica) o maximo ocorre com 554 nm (area verde-amarelo); posteriormente, PURKINIE, realizando outras medigées, consta- tou que para baixas luminosidades havia um deslocamento desta curva (figura 16) e que o maximo ocorria com compri- mento de onda de 507 nm (area azul-verde). 48 Colegéo Engenharia 5 Tluminagaio econémica - calculo e avaliagéo EFICACIA LUMINOSA ESPECTRAL Sa7am © §54nm CURVA ESCOTOPICA, VIL 00 au 440 60 0 oEREEGSS SS NBO pe nanometras Fig. 16 - Curva da Eficacia Luminosa Espectral. Ha, assim, dois extremos de curvas de visibilidade, que no linguajar técnico sGo conhecidas como Curvas de Eficacia Luminosa Espectral Relativa. Na radiagao dos 554 nm os co- nes apresentam o valor maximo de sensibilidade (curva Fotépica — V(A) - figura 16) que corresponde a aproximada- mente 10 por cento do valor relativo de sensibilidade dos bastonetes aos 507 nm (curva Escotépica — V'‘(A) - figura 16). O deslocamento das curvas de visibilidade foi denominado de efeito Purkinje, muito importante em luminotécnica, visto que zonas claras e escuras provocam o deslocamento da vi- sao dos cones para os bastonetes e vice-versa, originando fa- diga visual. O Quadro 2 apresenta os valores relativos da Efi- ciéncia Luminosa Espectral, cujo maximo é a unidade, con- forme aprovados pela Comissdo Internacional de Iluminagao para o observador padrao 1931. A adaptagdo da vista humana, ao passar de um lugar muito iluminado (dia de sol claro intenso) para uma drea de escuriddo, 6 um processo demorado que atinge a sua plenitu- de apés um tempo médio de trinta minutos (por esta razG@o nao é recomendavel assistir televisa4o em um ambiente totalmente escuro); j4 a passagem de uma zona escura, para uma zona Colegéo Engenharia 5 49 COSTA, GJ.C. da QUADRO 2 Eficacia luminosa espectral relativa para o observador fotométrico Padrao CIE Comprimento Visdo Visao de Onda Fotépica Escotépica nm valorrelativo | valor relativo 0.000589) 0.03484 0.0966 0.1998 0.9281 640 0,175 fo,001487 650 0.107 fo,000677 660 0.067 o,0003 128 670. 0,032 fo.000148 680 0,017 fo.0000715. 690 0.0082 fo.00003533 700 (0,041 0.000178 710 0,0021 000000914 720 (0.00105, }o,00000478 730 (0.00052 fo,000002546 740 fo.00025 fo.000001378 750 (0,00012 fo.00000076 760 0.00006. fo,000000425, 770 [0.00003 o.000002413 780 0.000015) o.o00000139 50 Colegéto Engenharia 5 Tuminagaio econdmica - célculo e avaliagao iluminada é mais rapida, mas em certa ocasiées leva-se a mao aos olhos para protegdo da luz. Digitadores de video, por exemplo, que constantemente léem documentos em ambien- tes com luminosidade diferente (0 video tem uma, o documen- to outra e o ambiente outra), sentem necessidade de descan- sar e involuntariamente dao um passeio para espairecer. Um outro exemplo é a iluminagdo na entrada de tuneis, com lon- go comprimento ou em curva, que cria uma espécie de véu em frente da vista, devido a diferenga de luminosidades entre a Grea externa e tinel (existem situagdes no momento da condu- gdo de um veiculo em que este problema é claramente sentido). Campo visual O campo de visdo é outro aspecto que nado pode ser ne- gligenciado, sobretudo em se tratando da iluminagdo de pai- néis, vitrines, mesas de trabalho, estradas, etc. O CAMPO VI- SUAL estd relacionado com a visao do olho esquerdo, do olho direito e com a regido espacial binocular. Na horizontal o campo de visdo binocular é de aproximadamente 120° e na vertical, considerando um plano paralelo & superficie e na al- tura dos olhos, 60° para cima e 70° para baixo (os olhos ea cabega permanecem iméveis, nesta condigao). Isto é apresen- tado num grafico (figuras 17 e 18) em que a regido clara é vista pelos dois olhos; as sobrancelhas, nariz e magas do ros- vis3o binocular CAMPO VERTICAL CAMPO HORIZONTAL Fig. 17- O campo visual do olho humano. Colegdo Engenharia 5 Sl COSTA, GJ.C. da to sao representadas por duas areas cheias, escuras; e a zona pontilhada esquerda ou direita é a coberta pelo olho esquer- do ou direito, respectivamente. Como a imagem de um objeto nao é exatamente igual nos pontos correspondentes de ambas as retinas, o cérebro constitui elementos para julgamento, ne- cessdrios para apreciar a profundidade ou terceira dimensao. olho esquert Ito pelo na maas do teste Fig. 18- O campo visual do olho humano. Dentro do campo visual ha um ponto cego, que nado tem cones, nem bastonetes e que corresponde a saida do nervo é6ptico da retina ao cérebro. Na visao normal o ponto cego qua- se nunca é notado. A observagdao da existéncia do ponto cego pode ser observada pela experiéncia realizada com a figura 19. Fig. 19- Localizando o ponto cego. Para verificar a existéncia do ponto cego, cubra o olho esquerdo e focalize com o direito a maga. Aproxime e afaste lentamente o livro @ sua vista, fazendo a Jaranja desaparecer. No momento que a Jaranja desaparecer a sua visdo coincidiu com o ponto cego. 52 Colegdo Engenharia 5 Tuminagaio econdmica - célculo e avaliagao Acuidade visual A ACUIDADE VISUAL estd ligada com a visdo dos deta- lhes, Num sentido qualitativo, é a capacidade de ver distinta- mente detalhes finos que tem uma separagao angular muito pequena (esta voliado com a capacidade de resolugao da vis- ta, isto é, qual é a menor espessura de um trago que pode ser vista sem dificuldade); num sentido quantitativo é uma qual- quer, dentre as varias medidas de discriminagao espacial (esta ligada com a capacidade de discernimento, ou seja, como nao confundir a letra C com a letra G, por exemplo). Em termos técnicos diz-se que existem dois critérios de medi¢do da acuidade visual: um ligado ao minimo visivel (acuidade de resolu¢do) e o outro ao minimo separdvel (acuidade de reconhecimento). A acuidade visual é estudada através de letras de Snellen, graficos e anéis de Landolt e se encontram, principalmente, nos consultérios dos oftalmologis- tas e em centros de pesquisa de iluminagdo (figura 20). we Na Cll Ey Atk Fig. 20 - Figuras usadas na verificagdo da acuidade visual (anel de Landolt, grdficos e letra de Snellen). Um fato muito importante é que a acuidade visual nao depende sé de uma boa iluminagao, mas que diminui na me- dida em que a idade avanga, sobretudo apés os 50 anos. Este aspecto, que ja foi comentado antes, se deve a dois fatores: contragao do didmetro pupilar e o amarelecimento do crista- lino. O grafico da figura 21 mostra que esta necessidade de maior iluminagao nado segue uma lei puramente exponencial Coleco Engenharia § 53 COSTA, GJ.C. da (indicada pela linha continua), mas que pessoas na faixa etdria apés os SO anos tem muito mais dificuldade para en- xergar detalhes, com a mesma iluminagdao de antes, ou seja, énecessdrio mais luz para enxergar com a mesma qualidade de antes. Entretanto a necessidade é praticamente linear en- tre os 10 e 50 anos. 15: LUZ 10 {vezes} ; 10 20 30 40 50 60 IDADE {anos} Fig. 2] — A necessidade de iluminagao em fungdo da idade. A acuidade visual varia também com 0 tempo de expo- sigao da vista ao objeto e com a lumindncia do fundo. Con- clui-se que, locais que tenham a presenga de pessoas idosas, devem apresentar um bom sistema de iluminagao. Entretan- to, isto em geral ndo se verifica nas clinicas geridtricas, onde normalmente a iluminag&o é muito deficiente, como se pes- soa idosa nGo tivesse interesse em bordar, ler... O problema é que as clinicas geriatricas, na tentativa de economizar os custos de energia elétrica (e nao somente estes), nado atuam na questdo bdsica que significa adotar sistemas de ilumina- gao econémicos, propiciando boa iluminagao e, muito prova- velmente, pagando menos pela energia consumida mensal- mente. E oportuno que se mencione, também, que esta neces- sidade de maior iluminagao a partir dos 50 anos podera ser teduzida, visto que a experiéncia de vida acumulada e arma- zenada no cérebro muito contribui para o processo de visua- lizagao. 54 Colegao Engenharia 5 Huminagdo econémica ~ calculo e avaliagao Persisténcia visual A. PERSISTENCIA VISUAL 6 fungéo do processo sen- sibilizador do olho ser de natureza quimica e, portanto, man- ter durante algum tempo a imagem na retina. A persisténcia visual pode ser de grande valia como € o caso da visua- lizaga&o das imagens na televisao ou no movimento de ima- gens no cinema; mas, também, pode ser indesejavel e deve ser evitada. A persisténcia visual esta ligada com o tempo de exposi¢do do objeto e de sua luminosidade. Quanto mais ilu- minado estiver o objeto e quanto maior for o seu tempo de ex- posigdo, maior serdé a sua fixagao na retina. No caso de volantes em movimento poderd ocorrer 0 efei- to estroboscdpico, dando a impressdo de estarem parados, ou com menor rotagdo, criando a possibilidade de acidentes do trabalho. O efeito estroboscépico é devido ao fato de que se houver uma fonte luminosa piscante (representada pelo disco ana figura 22) e um volante (representado pelo disco b, na figura 22), o asterisco do disco parecerd estar parado, se o movimento angular do disco 5, for igual ou multiplo de a (fon- te luminosa). Quandos as velocidades angulares forem proxi- mas 0 disco b parecerd estar num movimento lento no sentido horario ou anti-hordrio. Faga a seguinte experiéncia: coloque um ventilador a frente do video de um televisor ligado; estan- do o ambiente escuro, olhe através do ventilador para o video e ligue-o; 4 medida que 0 ventilador adquirir velocidade, sua rotagdo parecerd estar variando e alternando a diregdo. Para evitar este inconveniente, que pode ocorrer com lampadas flu- orescentes usando reatores convencionais, empregam-se la4m- padas ligadas aos pares. \by {2} (b} Fig. 22 - O efeito estroboscépico. Colecdo Engenharia § 55 COSTA, G.J.C. da Com o surgimento no mercado dos reatores eletrénicos, que operam com altas freqtiéncias, este efeito esta totalmente superado, mas é importante mencionar que reatores eletréni- cos exigem alta confiabilidade, pois as altas freqiiéncias po- derdo introduzir perturbagées nos sistemas computacionais, entre outros (trata-se da poluigao eletromagnética na rede de energia). O projeto e o material empregado nos reatores ele- trénicos exige alta qualidade. Além da vantagem de eliminar 0 efeito estroboscépico, os reatores eletrénicos aumentam a vida util das lampadas e reduzem as perdas energéticas, ou sejam, conservam energia elétrica, mas apresentam custo mais elevado que os convencionais. Como se vé a perfeigao é& uma busca permanente. A VISAO DE CORES 6 realizada através dos cones e dos bastonetes e sera comentada em item especifico. Contraste Junto a adaptagao e 4 acuidade visual, encontra-se o CONTRASTE que é fun¢do da relagdo entre as luminosidades do objeto e do fundo. O maior contraste existe entre fundo bran- co e letras pretas, ao passo que um baixo contraste existe en- tre letras verdes e fundo azul. Isto deve-se ao fato de que a vista se adapta a um valor de luminosidade (luminancia) médio. Fig. 23— O problema do contraste na tarefa visual. A leitura do texto da figura 23 permite, de forma imedia- ta, verificar a dificuldade de leitura na medida em que varia 56 Colegdo Engenharicr § Tluminagao econémica — calculo e avaliagao a luminosidade do fundo, ou seja, quando ha uma variacéo nos contrastes. Desta forma é imprescindivel que se aumente a iluminagao quando os contrastes forem baixos, sob pena de que haja necessidade de aumentar o tempo de visualizacao que, neste caso, poderd ndo introduzir grandes beneficios para a leitura. A maquina de costura fornece um exemplo bas- tante comum. Em geral a linha de costura tem uma cor prati- camente igual a cor do tecido, isto é, esta tarefa visual tem baixo contraste. Para sanar este inconveniente, sob o enfoque da tarefa visual, as maquinas de costura apresentam uma pe- quena l4mpada incandescente que ilumina o campo de tra- balho (regiéo da agulha). Com isto, aumenta-se o nivel de ilu- minagao, com economia, evitando que todo o ambiente seja profusamente iluminado, acarretando uma iluminagdo inade- quada no ambiente geral e que poderia acarretar em ofus- camentos. Experiéncias levadas a efeito em centros de pesquisa, perimitiram verificar que existe um valor minimo de ilumina- gdo que deve ser levado em consideragao no projeto de um sistema. Estes valores esto apresentados no quadro 3 e sao oriundos da Franga, podendo servir como uma primeira orien- tagao ao projeto. QUADRO 3 Valores minimos de iluminancia [lux] DETALHE. Did CONTRASTE faixar BAIXO | MEDIO | ALTO. |MINUSCULO- 3200 - 4200 20.000) 5.000) 2.000 IMUITO PEQUENO | 2450-3200 10.000} 3.000) 1.000] IPEQUENO 1900-2450 5.000} 500 500 IQUASE PEQUENO | 1500-1900 2.000} 700) 200 [MEDIO 1150-1500 1.000) 300) 100] GRANDE 850 - 1150 $00) 150) 50 ID = distancia do objeto ao olho (distancia habitual da viséo). ld = tamanho do detalhe do objeto IExemplo: distémcia do olho ao objeto =30. cm = 300mm tamanho do detalhe do objeto =0,3 mm Relagio= 1000 Contraste:médio MuminGncia minima = 150 lux Colegéo Engenharia 5 57 COSTA, GJ.C. da Ofuscamento O OFUSCAMENTO esta ligado com a sensagdo de clari- dade ou brilho, podendo ser direto ou refletido. Por ofusca- mento direto entende-se aquele em que a fonte luminosa incide diretamente na retina, como por exemplo quando se olha diretamente para o sol ou fonte luminosa; por ofus- camento refletido, quando o fundo da tarefa visual dirige os raios luminosos 4 retina, reproduzindo uma imagem por re- flexao. Neste mesmo processo ainda se encontra o ofusca- mento perturbador, que dé uma sensagao de claridade na re- tina, sem enfraquecer a visGo dos objetos, como por exemplo quando se olha para uma superficie branca, profusamente iluminada pelo sol. Na mesma linha de raciocinio encontram- se as reflexdes velantes, que mascaram parcial ou totalmente a tarefa visual, impedindo a visdo correta dos objetos, como é o caso de livro confeccionado com papel brilhante e que nao permite uma leitura adequada. Ha ainda o ofuscamento des- confortavel que causa incémodo ou dor, como € o caso de olhar diretamente para o sol, sem protegao. O ofuscamento pode ser verificado experimentalmente quando tem-se a reflexao de uma fonte luminosa sobre a ima- gem da televisGo ou nos monitores de video. Em fotografias a tomada 4 contra-luz exige que sejam feitas precaugées no uso do fotémetro, sob pena de que este fctga a leitura média, isto @, a leitura entre dois valores de lumindncia (objeto e fundo), ficando o objeto principal escuro. Nas situagées descritas aci- ma, cuja diferenca entre um caso e outro é sobretudo de nuances, destaca-se o fato de que o ofuscamento depende da posi¢do do observador em rela¢ao ao eixo de visdo. Tecnica- mente, o ofuscamento nem sempre consegue ser totalmente evitado, mas sim atenuado. Para o caso de ofuscamento dire- to, as lumindrias podem apresentar medidas anti-ofuscantes que permitem definir a sua qualidade, em fun¢gado de um nivel de iluminacdo determinado. Como nem sempre é possivel sa- ber de anteméo a posicéo do observador, em relacao & tarefa 58 Colegdo Engenharia § Iuminagao econémica - calculo e avaliagao visual, o ofuscamento indireto nem sempre é possivel de ser evitado, mas a mudanga da posigdo do observador em rela- ¢do & fonte luminosa é uma alternativa em geral factivel e ba- rata. Ao especialista em iluminagao convém saber que, inde- pendentemente dos tipos de ofuscamento existentes, o enquadramento se faz nos dois casos mencionados, direto e refletido e que a visao poderd ser prejudicada pela formagao de um véu sobre o objeto. A solugao sempre 6 examinar com cuidado a tarefa visual e adotar um modelo de lumindria com qualidade de luz, definidas por meio de normas internacio- nais. Sombras As SOMBRAS estado ligadas com a percep¢do dos obje- tos. Poderdo ser desejadas ou nao. Serao desejadas quando ha necessidade de salientar os relevos, como em esculturas, fachadas e em certos casos de inspegdo de qualidade de su- perficies. Na atividade normal, como por exemplo no traba- lho em escritérios, poderd ser inconveniente e até impedirda a visdo correta para a execucdo da tarefa visual. Coloque-se uma fonte luminosa intensa, a direita de uma pessoa destra e se tera a sombra da sua mao sobre a tarefa, dificultando o ato de escrita ou desenho. Trés casos sGo possiveis: sombras nitidas, quando 0 ob- jeto esta iluminado por uma tinica fonte; sombras miiltiplas, quando existem varias fontes luminosas, cada uma produzin- do uma sombra nitida, em diregées diferentes; sombras sua- ves, quando a iluminagdo é distribuida de tal forma que ne- nhuma fonte luminosa é predominante (figura 24). As sombras também sac utilizadas em efeitos cénicos, como por exemplo, quando uma lanterna acesa é colocada embaixo do queixo e a fisionomia da pessoa fica com um aspecto fantasmagorico. Esta impressdo se deve a um aspecto de natureza subjetiva. O sol encontra-se no firmamento, querendo-se dizer que des- Colegdo Engenharia § 59 COSTA, GJ.C. da de o inicio dos tempos que o homem vé a luz dirigida de cima para baixo, desta forma qualquer outra situagdo evidenciara os aspectos subjetivos da visdo. Portanto, nos projetos de ilu- minagao, que no requeiram condigées especiais a serem obedecidas com relagdo a tarefa visual, a luz sempre devera& ser dirigida de cima para baixo. Outras vezes as sombras miltiplas poderao ocorrer sem prejudicar muito a visao, como é 0 caso de jogos de futebol no qual os jogadores aparecem com sombras miltiplas, devido a iluminagéo concentrada dos projetores. Fig. 24—- Sombras nitidas, miiltiplas e difusas. Quando existe uma lumindncia de fundo extremamente elevada, em contraste com uma luminosidade muito baixa do objeto, surge 0 efeito de silhueta, que 6 um caso particular no estudo das sombras. As sillhuetas poderéo introduzir um caso de dubiedade no processo visual relativo a subjetividade e, outras vezes, caracterizardo perfeitamente o objeto, como é o caso de perfis de personalidades marcantes e que estado se- guidamente aparecendo na midia. A figura 25 é um caso clas- sico da subjetividade da visao. A primeira vista, vé-se uma taga ou duas pessoas conversando? 60 Colecdo Engenharia 5 Tuminacto econémica ~ célculo e avaliagao Fig. 25 - Um estudo classico de identificagao. Subjetividade da visado No aspecto subjetivo, o olho e o cérebro analisam cons- tantemente as informagées recebidas e comparam-nas coma experiéncia passada. A subjetividade da vis&4o depende do individuo. Tome-se o exemplo do caricaturista que, ao olhar para uma pessoa, cria um desenho que salienta os aspectos fisicos e algumas vezes psicolégicos do modelo. Sé ele apre- senta esta visdo, pois ela varia segundo a integragado que é formada pelo cérebro deste artista. Esta situagGo aparece em maior ou menor grau nos individuos. Um sé estimulo que atin- ge oolho ésuficiente para que, por interagdo de indicios, seja eliminada uma suposigdo errénea. Assim, por exemplo, mes- mo que existam lampadas que nao reproduzem a luz solar, o olho corrige esta distorgao de maneira que as cores possam ser identificadas com certa fidelidade. Isto permite que o ho- mem possa empregar lampadas com mda qualidade de repro- ducao de cor, desde que esta nao seja de importancia capital e que contribua para uma economicidade energética. Grande parte do esforgo de visualizagao compete ao cé- tebro altamente desenvolvido do homem, que o distingue das outras espécies. Ele é capaz de separar grande nimero de in- formagées, de selecionar a que é necessdria, de usar as de- mais por comparacdo ou experiéncia, de tomar decisdo e de conseguir uma visdo estavel, coerente e significativa do mun- do que o cerca. O especialista em iluminagao deve, portanto, Colegdo Engenharia 5 61 COSTA, G. ter consciéncia deste fato e conhecer os aspectos e nuances que estGo presentes na percepgdo visual e que em geral sao considerados como secundarios, quando na verdade sao ex- tremamente importantes. A i/uminagdo deve atender a tarefa visual, ponto de partida capital para qualquer andlise, sendo o sistema de iluminagao escolhido apenas uma consequén- cia decorrente. Na figura 26 a variagao da luminosidade en- tre o fundo cinza e a moldura preta ou branca, permite supor que o quadrado cinza da direita é mais escuro que o da es- querda, quando na verdade sGo iguais. Da mesma forma o desenho da figura 27 mostra duas linhas que sao absoluta- mente paralelas, como sendo distorcidas. Figuras deste tipo evi- denciam que o cérebro na verdade compée o todo e que nem sempre o que se vé corresponde a uma realidade fidedigna. Mais uma vez demonstra-se a subjetividade da visdo, a qual sofre outra influéncia importante quando é introduzida a cor. Fig. 26 - Qual 0 quadrado intemo cinza que 6 mais escuro? Fig. 27- Uma das varias ilusées de éptica. 62 Colecao Engenharia 5 Numinagto econdmica - célculo e avaliagao LUZ E COR Influéncia da cor No entender de ISRAEL PEDROSA, em sua obra Da Cor a Cor Inexistente,'"o homem inicia a conquista da cor ao iniciar a propria conquista da condigao humana”. Em outras pala- vras, o homem sempre esteve rodeado de cores desde os tem- pos pré-historicos, mas foi a partir de um certo momento que percebe-se, por testemunhos encontrados em cavernas no Paleolitico Final, que a condigéo do artista se faz presente ao ensaiar os primeiros passos no dominio da cor, através de pinturas, como o Bisdo Ferido encontrado na localidade de Altamira, na Espanha, e produzido entre 15000 e 10000 a.C. A partir de entado as cores passaram a fazer parte do cons- ciente do individuo e o seu desenvolvimento estd registrado nos livros de arte. Entretanto a popularizacdo da cor tem seu grande desenvolvimento no século XX, gragas ao desenvolvi- mento tecnolégico dos pigmentos, o que origina, como conse- qliéncia, outros estudos de origem comportamental que pro- curam analisar as influéncias da cor no quotidiano humano. Este movimento de mudanga comega no final do século ante- rior, com o movimento artistico denominado Impressionismo, cujos quadros fixam em determinado instante as nuances su- tis de luz e cor; a agdo da luz impedindo o contorno rigido dos objetos; as sombras impregnadas de reflexos coloridos, dentro de um processo de multiplas gradagées. Como dizia Van Gogh: eu quero a luz que vem de dentro, quero que as cores expressem as emocées. Diante disto, o homem atual vive um mundo de cores mui- to maior do que no passado, seja sob o ponto de vista artisti- co, como no profissional. Se por um lado as imagens das te- levisdes e dos monitores de video sGo coloridas, de outro o uso da cor passa a ser consagrado em normas ligadas 4 se- guranca. As sinaleiras tém cores pad:ées internacionais: ver- melho, amarelo e verde. O uso da cor é, entéo, uma necessi- dade hodierna. Entretanto o uso inadequado da cor pode Colegao Engenharia 5 63 COSTA, GJ.C. da transformar totalmente o ambiente. A cor desperta reagdes emocionais altamente subjetivas que influem no estado de Gnimo do individuo e, embora haja tendéncias, estilos e moda para o uso da cor, essas tendéncias podem ter uma pequena relagao com qualquer estudo racional quanto ao seu uso. A Sociedade de Engenharia de Iluminagao Americana reco- menda que o uso estético da cor para produzir um interior agradavel requer uma coordenagao entre o decorador de in- teriores e o especialista em iluminagdo. Continua recomen- dando que arquitetos, engenheiros, projetistas industriais, ur- banistas, estilistas de cor e projetistas de iluminagdo tem a absoluta necessidade de conhecer o mecanismo da cor. Sendo a cor, para o homem, um estimulo importante é natural que se desenvolvessem estudos psicolégicos do com- portamento do homem frente a cor. Dentre os estudos realiza- dos e que estado sendo continuamente pesquisados, desta- cam-se os de Rorschach (1920) e de Max Pfister (1948). Ve- rifica-se que: o vermelho desperta os instintos; o azul, a inte- lectualidade; o amarelo, os afetos; o laranja, a agdao; o verde, a adaptagao; o violeta, o equilibrio; o preto, o branco e o cin- za a neutralidade. A medicina admite que chegam 4 hipofise numerosas fibras nervosas, provenientes dos nticleos do hipotdlamo e em especial do ntcleo supra-éptico. Este siste- ma supra-dptico governa a secregGo da neurohipéfise que, pertencendo ao sistema endécrino, atua sobre o metabolismo. Por esta razdo é natural que as cores exergam uma influéncia sobre o individuo. O fenémeno cor Explicar 0 reconhecimento das cores nao é tarefa facil. Estudos médicos consideram que, apesar do recém-nascido ter uma capacidade de diferengar radiagées, o bebé vai aos poucos reconhecendo claros e escuros; mais tarde o movi- mento, a figura e a forma; por ultimo o reconhecimento das cores como tal. Isto se deve ao fato de que a cor ndo tem exis- 64 Colegao Engenharie § Tuminagée econdmica — céleulo @ avaliagéio téncia material, sendo o resultado da sensagdo produzida nos orgdos sensores da retina, sob o efeito das radiagées. Para ver as cores é necessdrio que sejam estimulados os cones, ou seja, é necessdrio uma certa sensagdo de luz, pois com baixa luminosidade as cores “desaparecem” dos objetos, restando apenas o preto eo branco (visdo realizada pelos bastonetes). Ao diminuir a iluminagao constata-se que os objetos “perdem” cor na seguinte ordem: vermelho, amarelo, verde e azul. A palavra cor é muitas vezes associada a trés significa- dos: cor percebida, cor psicofisicae cor objeto. Por cor perce- bida entende-se a percep¢do instantdnea que se tem de um objeto ou fonte luminosa. A cor percebida é 0 resultado da interaga&o de muitos fatores complexos, como as caracteristi- cas do objeto ou fonte luminosa, a luz incidente no objeto, o meio-ambiente, o eixo da visao, as caracteristicas e a adap- tagao do observador. Por cor psicofisica entende-se a capaci- dade de um observador em distinguir conjuntos de luz de mesmo tamanho, forma e estrutura, 0 que reduz a andlise para a descrigao da luz em termos de quantidade de potén- cia da radiagao. Cores idénticas podem ser produzidas nao somente por distribuigées idénticas de espectros energéticos, mas também por muitas composicées espectrais energéticas diferentes, denominadas de metdmeros (t&ém os mesmos valo- res tristimulos). Por cor objeto entende-se a cor refletida ou transmitida por um objeto quando iluminado por uma fonte de luz padrao. O que vem a ser cor? Existem perguntas que sGo muito simples, mas cuja res- posta exige muita pesquisa. A explicagdo para a cor é uma delas, pois enxergar a cor é de natureza muito subjetiva. A primeira explicagado da visdo de cores foi estabelecida por Young (1801), considerando a existéncia de trés tipos diferen- tes de receptores reagentes ds cores primarias. A explicagao final da teoria Young coube ao pesquisador alemado Hermann Colegao Engenharicr § 65 COSTA, G.J.C. da von Helmoltz, alicergado na teoria eletromagnética de Maxwell. Segundo Young-Helmholtz a fovea retiniana é com- posta por trés fotoreceptores nervosos (cones). O primeiro gru- po é sensivel prioritariamente & agao das ondas luminosas longas (vermelho); o segundo ds ondas de comprimento mé- dio (verde) e o terceiro 4s ondas de comprimento curto (azul). Esta teoria recebe a oposigdo de Hering, para o qual cada fotoreceptor é um cone unico capaz de ser estimulado pela radiagao especifica e de decodificd-la, enviando impulsos ao cérebro. Para ambos pesquisadores o fendmeno opera por adigdo e, conforme o estimulo recebido, obtém-se a cor cor- respondente. Este principio de adigao de cores é empregado na televisdo colorida, sendo o branco o resultado da soma das trés cores-luz e o preto a auséncia de luz. Estes aspectos sGo utilizados pelos fabricantes para produzir a cor da luz das lampadas fluorescentes mediante o uso de pds, misturados com terras raras, cuja base é 0 fésforo. Na pintura o fenédmeno é inverso, operando pela subtra- gdo de trés cores-pigmento, sendo as badsicas o vermelho, o amarelo e o azul. O preto é produzido pela mistura destas trés cores bdsicas, que absorvem toda a luz incidente. Os pinto- res sabem que a obtengdo do preto pode ser conseguida me- diante a mistura da cor bdsica com a cor complementar, ou seja, 0 escurecimento em pintura ndo se obtém acrescentan- do preto visto que, neste caso, ter-se-ia a cor bdsica com tons acinzentados. O processo de reconhecimento da cor comple- mentar é muito simples. Faga um pequeno desenho, um circu- lo vermelho sobre um fundo de papel branco e coloque-o sob uma luz muito forte (poderd ser a luz solar). Olhe durante um certo tempo, 30 segundos, fixamente e depois tape um dos olhos. O desenho aparecerd na retina com a cor complemen- tar. Isto se deve ao fato de que, devido a persisténcia visual, uma imagem similar ficou gravada na retina com cor comple- mentar da cor bdsica. A intensidade muito forte representou uma agressdo e a reting compensou este fato produzindo a cor complementar que, junto com a cor basica, produziu a cor 66 Colegdo Engenharia 5 Numinagao econdmica - calculo e avaliagao preta. Deve ser lembrado o fato de que para dormir e repou- sar a vista é necessdrio fechar os olhos, isto é, escurecé-los completamente para que se possa descansar da tarefa visual realizada. Como se vé, a iluminagdo resulta da combinagado da ciéncia e da arte, mas o tratamento da cor é sobretudo arte. Existem aspectos emocionais e estéticos que influem no com- portamento do individuo, como por exemplo a sensagao das cores quentes e frias, de cores excitcintes e deprimentes... A radiagao apresenta uma energia associada a cada cor que, via retina, estimula o cérebro originando a sensagdo croméaiti- ca. A cor também pode ser pensada como o aspecio da per- cep¢ao visual pelo qual um observador pode distinguir entre duas radiagées de comprimentos de onda diferentes. Duminagao natural ou artificial? No inicio dos tempos a forma de haz utilizada pela natu- reza humana foi de origem solar, compreendendo ai todos os tons sucessivos da radiagao, comegando com tons averme- lhados na aurora, que sucessivamente vdo passando por tons laranjas, amarelos e azuis, até atingir a luz branca durante o dia; no entardecer o fendmeno se inverte, atingindo no cre- ptsculo o tom avermelhado até a escuridao. O homem entao usava 0 fogo, como forma de iluminagao artificial. Assim, du- rante o dia o homem adapta-se a esta variagao cromatica e, durante a noite, com uma iluminagao intensamente amarelo- alaranjada. Isto significa que, durante séculos, o homem en- xerga com base na iluminagdo incandescente, seja de dia, seja de noite. Reproduzir as cores significa entado procurar fa- zer com que se enxergue os objetos com base nesta variagao da radiagao que, ao longo de sua existéncia, esta inculcada em sua heranga genética. Na busca de fontes artificiais mais econémicas, os fabri- cantes das fontes luminosas pesquisaram outras formas de sua producdo que ndo fossem apenas de origem incandes- Colegdo Engenherrier § 67 COSTA, GJ.C. da cente. Surgiram entao as lampadas de descarga, baseadas na conducdo da corrente elétrica através dos gases. O pro- blema é que a luz produzida por essas fontes é de natureza ultravioleta, que estimula a retina numa pequena porgéo. A solugdo foi a descoberta de pés fluorescentes que transfor- mam a radiagao ultravioleta em radiagao visivel e que, me- diante a combinagdo de compostos quimicos, corrigem a luz para tonalidades mais agradaveis. Foram produzidas lampa- das fluorescentes de varios modelos, associados com a varia- gao cromdtica da luz solar e recebendo denominagées espe- ciais como: luz do dia, branca morna, branea fria, luz do dia especial... A vantagem residia sobretudo na eficdcia ener gética: 12 lumens por watt nas lampadas incandescentes, con- tra 60 lumens por watt nas fluorescentes. No entanto persistia uma dificuldade: as lampadas fluorescentes nado conseguiam reproduzir adequadamente as cores produzidas pelas lampa- das incandescentes, restando seu uso limitado a ambientes comerciais e industriais. Associando a teoria tricromatica de Young-Helmholtz de visdo de cores, com a descoberta de novos pés, ditos tricoma- ticos, os fabricantes conseguiram obter uma nova série de lampadas de descarga, que aos poucos esta substituindo as antigas. Usando uma combinagéo de fésforo com terras ra- Tas, estes novos pds ndo apenas corrigem a cor, mas emitem luz colorida, isto é, mediante uma combinagaéo adequada de pos obtém-se, hoje, lampadas de descarga muito mais efica- zes, seja no tocante & produgao de luz, seja no tocante a re- produgao de cores. Mas como tudo tem um prego, seu custo é maior a nivel de investimento, mas como sGo mais eficazes, a despesa operacional é menor. Em outras palavras, perde-se no inicio para ganhar-se durante todo o tempo de funciona- mento do sistema de iluminagdao, conservando energia. Alem do mais, o desenvolvimento desta tecnologia permite que sejam produzidas lampadas fluorescentes de cor mais agra- davel, préximas das lampadas incandescentes. A relagdo que antes era de 12 lumens, agora passa a ser de 100 lumens por 68 Colegao Engenharia 5 Tuminagao econdmica - calculo e avaliagao watt, isto é, empregam-se menos l4mpadas para produzir a mesma poténcia luminosa, Ha, ainda, mais uma forte raza@o para que sejam utilizadas estas novas fontes luminosas. Por nao ser a ilumina¢do de origem incandescente, a sua produ- ¢ao de calor é menor, sobretudo se forem empregados reato- res eletrénicos, resultando em sistemas de condicionamento de ar mais econémicos. Nesta mesma linha de agao, a substi- tuigao de lampadas incandescentes por lampadas fluorescen- tes nas residéncias é apenas uma questao de tempo. As lam- padas fluorescentes compactas atualmente vém com reator eletrénico incorporado, que aumenta a sua vida util e a sua substituigao ¢ exatamente igual a de uma l&mpada incan- descente, com a diferenga de que sua eficiéncia luminosa é muito maior o que significa que o consumo energético é bem menor. Tristimulos de Referéncia CIE 1931 Vermetha (x) Verde (7) —— Anil, 0 bens peer 380 400 500 600 700° [amy 780 Fig. 28 - Os tristimulos de referéncia apresentam igual drea entre as curvas eo eixo das abcissas. Colegao Engenharia 5 69 COSTA, GJ.C. da Sistemas de referéncia de cores Em 1931, baseada na Teoria Tricomatica, a Comissao In- ternacional de Iluminagao definiu, a nivel colorimétrico, o Sis- tema Colorimétrico de Referéncia CIE 1931 (X, Y, Z) e poste- riormente o Sistema Colorimétrico de Referéncia Suplemen- tar 1964 (Xio Yio, Z,,). A diferenca entre os dois sistemas esta ligada em uma extensdo angular de visGo entre 1° e 4°, e para o segundo acima de 4°, De acordo com este sistema o olho pa- drao apresenta trés estimulos de referéncia que, por sua vez, originam tristimulos monocromdticos de igual poténcia irra- diante e que sdo representados por: x correspondendo ao ver- melho, y correspondendo ao verde e z correspondendo ao azul (figura 28). Tem-se entdo, segundo a simbologia citada acima: Sistema 1931: ¥(A), F(A), F(A) Sistema 1964: ¥ (A), ¥o(A) .%o(A) O uso dos trés tristimulos padrées permite representar o Diagrama de Cromaticidade (figura 29), contendo apenas a informagao xe y, realizando-se para tanto o seguinte cdlculo: & y z re veo eaS 22 xXt+y+zel] X+y+z X+yr2Z X+y+z 9.8 7520 mm O8 O7 06 Tos y 04 oa 780 am 0.2 + Ot a5 ~ 0 02 a4 66 oo * Fig. 29 O diagrama de cromaticidade CIE 1931. 70 Colegéo Engenharia § Tuminagtio econémica ~ calculo e avaliagao Por meio deste sistema cada cor, seja de um objeto, seja aquela produzida por uma lampada, pode ser apresentada sob a forma destas coordenadas. Em 1960 a CIE adotou uma variante do sistema, conhecida como Escala Uniforme de Cromaticidade, baseada nos estudos efetuades pelo ameri- cano Mac Adam e, posteriormente ao ser reanalisada, origi- nou o sistema UCS-CIE 1976 (figura 30). A conversao de um sistema de coordenadas CIE 1931(x, y) para o sistema revi- sado UCS-CIE 1976 (u’, v’) 6a seguinte: ' 4x ! oy u! = ———_— v= ——__ ~2x4+12y+3 -2x+12y+3 Desta forma a cor verde com comprimento de onda de 500 nm, tem os seguintes valores: para x = 00082, y = 0,5384, z = 0.4532 no diagrama CIE 1931 e no diagrama CIE 1976: , 4-0,0082 = 0,003 —2-0,0082 + 12-0,538443 , 9-0,5384 =0,5131 ve —2-0,0082 + 12-0,5384+3 O Quadro 4 apresenta os valores x, y, 2; xX, %; 2; u,v. 05 780 nm tal v 0,2. o1 bean om oof 682 6003 4 OS OB us Fig. 30 - O diagrama CIE-UCS 1976 (Mac ADAM). Colegdo Engenharia 5 71 COSTA, GJ.C. da QUADRO 4 Coordenadas dos diferentes sistemas de representagdo de cores Tigiade | Compr TRISTIMULOS DIAGRAMA CiE-1931 | CIE-UCS.1076 cor__|endatnm |x. ¥ z x y z u’ v vicleta_| 380 [0.0014 | 0.0000 [0.0065 | 0.1741 | 0.0050 | 0.8209 | o.zs68 | 0.0166 390 | 0,0042 | 0,0001 | 0,0201 | 0.1738 | 0,0049 | 0.8213 | 0.2564 | 0.0163 400 90,0143 | 0,0004 | 0,0679 | 0.1733 | 0,0048 | 0.8219 | 0.2557 | 0,0161 Al0 0,0435 | 0,0012 | 0,2074 | 0,1726 | 0,0048 | 0,8226 | 0,2545 | 0,01S9 420 | 0, 1944 | 0,040 | 0.6456 | 0.1714 | 0.0081 | 06235 | 0.2522 | 0.0189 490__| 0,2839 | 0.0116 | 1,856 | 0.1689 | 0,0069 | 0.8242 | 0.2461 | 0,0226, azul 440 0,3483 | 0,0230 | 1.7471 | 0,1644 | 0,0109 | 0.8247 | 0.2347 [0.0350 C 450, 0,332 | 0.0380 [1.7721 | 06,1566 | 0.0177] 0.8257 | 0.2161 | 0.0880 460__| 0.2808 | 0.0600 | 1.6692 | 0,1440 | 0.0297 | 0.663 | 0.1877 | 0.0871 470__| 0.1954 | 0.9910 | 1,2876 | 0.1241 | 0,0578 | ogiai | 0.1441 | 0.1510 480] 0,0856 | 0.1380 | 0,8190 | 0.0513 | 0,1327 | 0760 | 0.082 | 0.2708 480 10,0320 | 02080 | 0,4652 | 0.0454 | 0.2950 | 0.6596 | 0.0282 | 0.4116 verde ‘500__| 0,048 [0.3230 | 0,2720 | 0.0082 | 0.5384 | 04534 | 0.0035 | 0.5131 510__| 0,083 | 0.5030 [0.1882 | 0.0199 | 0,7502 | 0.2358 | 0.0046 | 0.5638 520 0,0633 | 0,7100 | 0.0782 | 0.0743 | 0,8338 | 0.0918 | 0.0231 | 0,5837 530__[ 0.1655 | 0.8620 | 0.0422 | 0.1847 | 0.8089 | 0.0394 | 0.0501 | 0.5868 S40__| 0.2804 | 0.5540 | 0.0203 | 0.2296 | 0.7543 | 0.0161 | 0.0792 | 0.5856 550 __| 0.4334 | 0.9950 | 0.0087 [0.3016 0,0061 | 0.1127 | 0.5821 360 0,5845 | 0.3950 | 0,0039 | 0.3731 09,0024 [ 0,153! | 0,5756 amarelo | _$70__| 0.7621 [0.9520 | 0,0021 | 04441 | 0: 0.0072 | 0,2026 | 0.5694 $60__ | 0.9163 | 0.8700 | 0,0017 | 0.5125 | 0.4866 | 0,010 | 0.2629 | 0.5604 Taranja | 890 | 1.0263 | 0.7570 | 0.0011 | 0,5752 | 0,4242 | 0,006 | 0.0315 | 0.5501 600] 1.0622 | 0.6310 | 0.0008 | 0.6270 7.0005 | 0.4095 | 0.5393 610 1.0026 | 0,5030 | 0.0003 | 0.6658 0,0002 | 0.4691 | 0,5296 620__| 0.8544 | 0.3810 | 0,0002 | 0.6915 0.0002 | 0.5202 | 0.5219 vermelho 630 0.6424 [0.2650 | 0.0000 | 0.7079 O,5565 | 0.5165 540 0,4479 | 0.1759 | 0,0000 | 0.7190 0.5830 | 0.5125. 650 {0.2635 0.1070 | 0.0000 | 0.7260 10.6005 | 0.5099 660 0.1643 | 0,610 [ 0.0000 | 0.7300 0,0000 | 0.6108 | 0,084 670 0,0874 | 0,0320 [0.0000 | 0.7320 0,0000 | 0.6162 | 0,5076 680 0,0468 | 0.0170 | 0,0000 | 0.7334 | 0,2666 | 0,0000 | 0.6199 | 0,5070 690 | 0.0227 | 0,082 | 0.0000 | 0.7344 | 0.2856 | 0.0000 | 0.6226 | 0.5066 700 0000 [-0,2659 | 0,000 | 0.6294 | 0.5065 710 | 0,0058 0000 0,2553 | 0,000 | 0.6234 | 0,5065 720__| 0.0028 10,0000 0.2553 | 0,0000 | 0.6234 | 5.5065 730_| 0.0014 0.0000 0.2653 | 0,000 | 0.6234 6S. 740 0.0007 0.0000 02653 | 0,0000 | 0,6234 S 750 90,0003 10,0000 0,2653 | 0,0000 | 0,6234 | 0,5065 70 | 0.0002 0.0000 0.2653 | 0,000 | 0.6234 | 0,5065 70] 90,0001 10,0000 SEs ee {0.6234 |0,S065 780 [0,000 0,000. 0.2659 { 0,000 | 0,6234 | 0,5065 O trabalho com o diagrama da cromaticidade é muito util para o estudo das cores e da sua reprodugao, pois permite a nivel tedrico, com o levantamento espectroradiométrico das fontes luminosas e das refletancias relativas das superficies, 72 Colegdo Engenharia 5 Tluminagio econémica ~ célculo e avaliagao efetuar os estudos de qualidade de reprodugao de cores fren- te a um objeto por elas iluminado. Mesmo assim o método apresenta restrig6es, como sera amplamente abordado no Capitulo 3°, sob 0 titulo de Grandezas Colorimétricas. A questdo da reprodugdo de cor O uso da cor em iluminagdo, aliado com a reprodugao de cores das fontes luminosas, desempenha um papel pre- ponderante para o individuo. Quando a iluminagao era de ori- gem incandescente a reproducdo de cores era igual em qual- quer ambiente, mas a introdugao de novas fontes luminosas, baseadas em outro principio que nao o incandescente, trouxe problemas para os projetistas. A solucdo foi adotar um indice baseado numa iluminagao incandescente padrao. Este indi- ce, conhecido internacionalmente por JAC - indice de Repro- dugdo de Coré obtido mediante o emprego da norma CIE 13.2 — 1974, que se aplica as lampadas incandescentes, fluores- centes e de descarga de alta intensidade, exceto para as monocromaticas (como é o caso da lampada vapor de sdédio de baixa pressao), cujo indice é zero. Para sua obtengao um iluminante de referéncia deve apresentar uma temperatura de cor muito préxima ou igual a da amostra em exame. Um nu- mero de cores de referncia 6 comparado sob a luz da amos- tra e do iluminante de referéncia, sendo calculados seus des- vios relativos. Quanto menor o desvio, mais préximo de 100 estard a amostra em relagdo ao iluminante de referéncia, A quantidade de cores de referéncia a ser adotada dependera da preciso requerida para a medida, podendo ser 8 ou 14. Um indice 100 corresponde a uma reprodugao de cor similar a@ que seria produzida por uma lampada incandescente; um indice 65, corresponde a 65% da reprodugao de cores de uma lampada incandescente, e assim por diante. Para lampadas incandescentes o iluminante padrdo é 0 corpo negro (radia- dor integral de Planck), para lampadas de descarga o ilu- minante de referéncia é teérico, considerando-se como uma Colegao Engenharia 5 73 COSTA, G.J.C. da extensdo do corpo negro (a lampada fluorescente nao funcio- na pelo principio da incandescéncia). Como a temperatura esta correlacionada com um corpo negro ideal, recebe o nome de temperatura de cor correlata ou TCC. Como regra geral admite-se que: IRC entre 50 e 80 reproduz moderamente a cor; IRC entre 80 e 90 reproduz bem a cor; IRC entre 90 e 100 reproduz muito bem a cor. Entretanto o método IRC-CIE apresenta restricées. O in- dice representa 0 valor médio de reprodugao de cores de re- feréncia. Isto significa que o indice representa o valor médio de uma quantidade de valores, entre 8 ou 14 conforme foi co- mentado antes. Vejamos o caso para uma lampada fluores- cente, cujo IRC é 60: COR IDEIA DA COR IRC % — Munsell x Y Y RI ‘vermelho cinza claro Ss 7SRb4 0375 O331 299 1 R2 amarelo cinza oscuro 2 73 SY6A 0,985 0,995 28,9 R3_—amareloesverdeadoforte 3 86 SGY6/4 0,373 0,464 304 R4 verde amarelado médio: 4 56 25G6/6 0.287 0.400 29,2 RS verde azulado claro S 46 10BG6/4 0,255 0,306 30,7 RG azul claro 6 62 SPRER 0,241 0.243 297 R? violeta claro 7 74 25P68 0,284 0241 295 R8 = piirpuraavermelhadaciara 8 32 10P 68 0,325 0,262 315 VALOR MEDIO 60 Depreende-se entéo que existem cores cujo indice chega atingir um valor 86 e em outro caso 32. Além desta questao deve ser relembrado o fato, j4 mencionado, de que a norma nao leva em consideragao a capacidade de adaptagao cro- mdtica da vista, bem como a corregao que é realizada pelo cérebro em fungdo de experiéncias passadas. A luz incandescente torna o olho menos sensivel ao vermelho, mas a luz do dia menos sensivel ao azul. Esta correcao automati- ca faz com que se tenha a impressdo de uma boa reprodugao de cor para objetos de nosso conhecimento, mesmo se forem 74 Colegdo Engenharia 5 Tuminagao econdémica ~ cdlculo e avaliagao iluminados diumamente e 4 noite, com fontes luminosas dife- rentes (como 6 0 caso do sol e da iluminagao incandescente), visto que, em geral, o observador encontra os objetos ilumi- nados por uma tnica fonte. Somente quando se isola am- bientes é que as fontes luminosas podem ser comparadas e entdo notam-se as diferengas (como é o caso & noite quando se avista a iluminagdo publica de forma panordmica, ou quando se compara a iluminagao de janelas de edificios). No mais a vista se adapta 4 situaca@o, mesmo no caso extremo, tem-se a a idéia das cores, apesar de que o filme seja em pre- to e branco ou que a televisdo nao seja colorida, pela gra- dagao dos cinzas. Sistema Munsell de especificagao de cores Além do sistema CIE de especificagao de cores, em 1915 oamericano Munsell criou um método de identificagdao de co- res que ficou conhecido como Cédigo Munsell ou Sistema de Cores Munsell. Por meio deste sistema, qualquer fabricante de tintas pode produzir a cor desejada, bastando para tanto que a cor seja identificada pelo cédigo correspondente e que ele, fabricante, conhega como operar com o sistema Munsell. Neste cédigo uma cor é identificada por trés dimensées: ma- tiz, valor e croma. O matiz esta ligado ao comprimento de onda predominante da cor, sendo especificado por meio de uma ou duas letras (existem cinco matizes: vermelho R, ama- telo Y, verde G, azul B e purpura P bem como cinco valores intermedidrios; YR, GY, BG, PB e RP). O valor refere-se a luminosidade do matiz, estendendo-se do branco ao preto, passando por uma gama de cinzas, sendo especificado por um numero inteiro de 0 a 10. O croma refere-se a pureza ou gtau de saturagdo da cor, sendo especificado por um nime- ro inteiro (existem 16 gradagées para o croma). Uma cor entdo é especificada na seguinte ordem: matiz, valor e croma (figura 31). Colegao Engenharia § 75 COSTA, GJ.C. da matiz, valor, croma 5R 3714 Fig. 31 - O Sistema Munsell de especificagao de cores. A reproducdo de cores é fun¢do da distribui¢do espectral da luz, A distribuigao espectral da luz é obtida por meio de medicdo em laboratério, empregando-se os espectroradié- metros. Esta distribuiga&o poderd ser fornmecida em valores energéticos, por exemplo, mW/nm ou entéo arbitraéria, toman- do por base um valor de referéncia. Neste ultimo caso deno- mina-se de distribuigao espectral relativa. As lampadas, por exemplo, apresentam uma distribuigao espectral em fungao dos compostos que produzem a radiagdo luminosa. Duas fontes luminosas que emitem um mesmo espectro e que apresentem a mesma temperatura de cor terao a mesma reprodugdo de cores. Entretanto, duas fontes luminosas que tenham a mesma temperatura de cor, mas distribuigdes espectrais diferentes, apresentarGo diferencas na reprodugdo de cores. E bom que se tenha em mente que a reprodu¢do de cor ndo depende sé dos diferentes comprimentos de onda produzidos pela fonte luminosa, como também da sintese to- tal do espectro. Em outras palavras, a reprodugdo de cor ndo 76 Colegdo Engenharia 5 Iuminagae econémica - calculo e avaliagao depende apenas das caracteristicas da fonte luminosa, como também das cores refletidas pelo ambiente e que irdo alterar as cores originais dos objetos. Pode-se ter uma iluminagao incandescente em um ambiente com péssima reprodugdo de cores, bastando para isto que o ambiente seja pintado com cores fortes que, refletindo a iluminagao incandescente, pro- duzam uma outra cor sobre o objeto. A cor resultante sempre sera fungdo da cor produzida pela lampada com a cor refleti- da pelo ambiente. Vé-se, pois, que a reprodugéo de cores é importante, mas nao é indispensdvel. Quem definira a sua necessidade é mais uma vez a tarefa visual. Em ruas de pouco movimento, onde a seguranga do cidaddo vem em primeiro lugar, a reprodugao de cor é fator secundario, sendo importante o nivel de ilumi- nagdo, associado com a economicidade energética. Para tan- to, torna-se necessdrio conscientizar 0 usuario, esclarecendo- lhe sobre os porqués de um sistema de iluminagao escolhido. Na verdade as respostas nem sempre sao simples. As mulhe- res sabem que existe uma maquiagem prépria para o dia, sob a luz do sol, e outra para a noite, sob a luz de fontes lumino- sas artificiais, mas o que nem todas sabem é que isto é devi- do & temperatura de cor, que durante o dia é elevada e 4 noi- te, com o crespusculo, aproxima-se da incandescéncia. Efeitos psicolégicos da cor O efeito das cores atua psicologicamente nos individuos quanto ao tamanho das superficies, visto que objetos verdes e azuis parecem maiores que os vermelhos e amarelos. Su- perficies verdes e azuis parecem mais afastadas, ao passo que vermelhas e amarelas parecem mais préximas, por uma questdo do foco do cristalino. Vermelho, laranja e amarelo sdo consideradas cores quentes, pois desenvolvem dinamis- mo, vitalidade, excitagao e movimento; ja o verde, o azuleo violeta sGo cores frias, dando uma sensagdo de frescor, des- canso, paz. Pessoas nervosas e as que apresentam um tem- Colegdo Engenharia 5 77 COSTA, G.J.C. da peramento instavel ou sujeitas a tenséo emocional tendem a piorar em presenga de cores quentes, por outro estas mesmas cores sGo adequadas para os deprimidos, angustiados e tris- tes por natureza. Os valores claros des cores quentes sdo as- sociados 4 feminilidade (rosa), delicadeza e amabilidade; os escuros sugerem riqueza e poder. Os valores escuros das co- res frias criam a sensagdo de tristeza, mistério e melancolia. Os objetos ficam mais reduzidos e distanciados com cores de tadiagao curta (frias); ao passo que as impressées de relevo e de proximidade sao acentuadas com as radiacées longas (quentes). Dois objetos iguais numa distancia de seis metros, sendo um vermelho e 0 outro azul, parecerad mais préximo em cerca de trinta centimetros o objeto vermelho. Da mesma for- ma, objetos pintados com cores frias ou claras parecerado mais leves do que os pintados com cores quentes ou escuras. Os pintores, por exemplo, sabem que um quadro deve ter uma combinagao de cores quentes e frias, colocadas de tal forma que déem a impressdo de dinamismo ou placidez, de euforia ou tristeza. Ao profissional de iluminagao compete, entao, escolher a cor da luz de tal forma que se enquadre com a finalidade do ambiente. As cores frias est@o situadas numa temperatura de cor da ordem de 5000 K, ao passo que as cores quentes na ordem de 3000 K. Como orientagdo de cardter geral pode ser considerado: IRC TCC —Aplicagao: % K 90 650047400 Salas de observacao de cores 30 4000 Salas de tratamento médico, museus 80 4000 Escritérios, lojas, oficinas 80 3000 Lojas de alimentos, salas de conferéncias 60 Locais onde a reprodugdo de cor é secundaria ' = Ambientes industriais como: laminagem, fundi- Gao, etc. 78 Colegdo Engenharia § Tuminagao econdmica - calculo e avaliagao IMPACTO SOBRE A CONSERVAGAO DE ENERGIA Este capitulo tratou fundamentalmente dos aspectos ba- sicos que influem no projeto de um sistema de iluminacao, es- pecialmente aqueles que devem ser considerados na avalia- ¢do da tarefa visual. Procurou-se mostrar, através de exem- plos, alguns inclusive considerando situagdes extremas, a as- sociagado da teoria disseminada no texto, com observagées praticas simples. Infelizmente a tendéncia normal de um pro- jeto de iluminagdo consiste apenas em observar quando mui- to a norma NBR 5413, sem se preocupar com o restante que deve ser considerado num estudo de iluminagao, tais como, a questao do ofuscamento, das sombras, das cores do ambien- te, dos efeitos psicolégicos, da necessidade ou nao de uma reprodugao de cores adequada. Sem duvida que a NBR 5413 fornece uma base importante, mas ela trata apenas dos ni- veis de iluminagao, ou seja, do aspecto puramente quantita- tivo. Insiste-se pois que a tarefa visual nado represente apenas um valor que, expresso em lux, vai permitir um projeto de ilu- minagéo adequado ds necessidades do cliente. £ muito im- portante que sejam examinados os aspectos qualitativos como 0 contraste entre a luminosidade do objeto e o fundo; o tamanho do objeto e seus componentes; a forma e a textura do objeto; o tempo de observagao, a qualidade da luminaria. Vale lembrar que o projeto de iluminagdo interna, por exem- plo, nado para na quantidade de lumindrias, mas sim na sua distribuigao (estarao com o afastamento adequado?). Estes e outros pontos nao devem ser esquecidos, para que o sistema de iluminagao escolhido possa ser moderno e econémico. O mercado brasileiro de iluminagao est4 em constante mutagao, visto que os pregos da energia elétrica vao seguir o contexto mundial e é neste momento que a conservagdo de energia deverd ser constantemente repensada. Certamente que parte deste trabalho cabe a uma conscientizagao nacio- nal para o problema, mas esta conscientizagéo sera ainda re- Colegao Engenharia 5 73 COSTA, GJ.C. da forgada no instante em que atingir o bolso do consumidor. Assim foi nos outros paises e o Brasil certamente segue esta orientagao. Além do mais, alguns paises j4 adotam critérios de facilidades de financiamento, quando sao adotados méto- dos visando conservagao de energia, o que incita a adogado de medidas deste género. Enfim, muitas sdo as formas de conscientizar a sociedade. Finalmente é importante mencionar que outras regula- mentagées paralelas, como 0 Cédigo de Defesa do Consumi- dor e os aspectos voltados com a qualidade impéem condi- g6es de que o exame da tarefa visual seja considerado como fator importante, nado sé na definigdo do sistema de ilumina- gdo como no aspecto de esclarecimento do usudrio sobre as razées que levaram a condugdo das medidas adotadas no sistema. Em resumo, analise cuidadosamente a tarefa visual, pois além de ser o ponto de partida e base para a qualidade do sistema de iluminagdao, tem grande implicagao com a econo- iia de energia. 80 Colegao Engenharia 5 Tuminagao econdmica ~ célculo e avaliagao CAPITULO 2° CONSERVAGAO DE ENERGIA Apresenta a equagdo basica da conservagéo da energia e alerta para os dados que devem ser levantados quando da execugdo de um diagnésti- co do sistema de iluminagdo existente. Chama a atengao para os aspectos ligados com a tarifagao e modelos econémico-financeiros visando caracte- rizar que em um sistema de iluminagao interessam nao apenas os custos de investimento, como tam- bém os de operagdo. O texto apresenta exemplos ligados ao tema, evitando mencionar uma termino- logia especifica de iluminagdo, visto que este as- sunto sera tema do capitulo seguinte. SUMULA: Por que conservar? A equagdo funda- mental. O levantamento dos dados. Tarifagdo elé- trica brasileira. Algumas andlises econdmicas. A dimensdo tempo nos estudos econémicos. Impacto sobre a conservagao de energia. O ano; 1971; o més; agosto; o dia: 15; a decisaGo; Wa- shington anuncia que o Governo Americano nao mais garan- te a venda de ouro aos bancos, as agéncias internacionais de cambio e aos governos que venham a solicitd-lo. Esta agao resulta da precariedade da balanga de pagamentos dos Es- tados Unidos e da queda do valor real do délar. Comega a surgir uma nova regra a nivel mundial, cujos jogadores ainda Colegéio Engenharia § 81 COSTA, GJ.C. da nao sabiam e nado sabem até hoje o resultado final. A verda- de é que os sistemas econémicos estao mudando e que a grande empresa esta se transformando em um conglomera- do de pequenas empresas, onde se destaca 0 papel do jovem empreendedor. Como uma espécie de reagdo, em 16 de outubro de 1973 outros jogadores entram em cena. Sao os paises exportado- res de petréleo que, em 1960, haviam criado, por iniciativa da Venezuela, a OPEP (Organizagdo dos Paises Exportadores de Petréleo) com o objetivo de coordenar as politicas petrolife- ras dos paises membros e articular uma atuaga&o comum para a defesa de seus interesses no mercado do petréleo. Nesse objetivo comum a Venezuela foi acompanhada pelo Ira, Arabia Saudita, Kuweit e Iraque. Compreendendo que "as na- ¢6es industrializadas sdo monoculturas dependentes dos combustiveis fosseis", como comenta TOFFLER, chamam a sio poder sobre a fixagao dos pregos do petréleo. Historicamen- te, a denominada crise do petrd/eo decorreu, entdo, de acon- tecimentos anteriores, mas que culminam com a decisdo da OPEP de que a partir de 1973 serao os paises exportadores, e ndo mais as companhias distribuidoras, que fixardo os seus pregos. Porém, em que pese este movimento, hoje o pre- go do barril do petréleo é praticamente o mesmo de antes de 1973. A bem da verdade, apesar da agao ter sido exclusiva da OPEP por tras dos bastidores estavam as companhias dis- tribuidoras, as denominadas “Sete Irmas”. Mas nao sao estes aspectos que interessam aqui. Interessa, isto sim, que nunca em toda a histéria do sistema monetdrio internacional um tinico grupo de nagées conseguiu capturar tao rapida- mente e com precisdo, tao grandes capitais internacionais. Com o passar do tempo tornou-se claro que a crise nGo era apenas um simples acidente conjuntural, passageiro, mas que a sociedade deveria rever ndo sé a sua matriz ener- gética como também a fragilidade do modelo existente até entdo. 82 Colegao Engenharia 5 Tuminagae econémica - calculo e avaliagao POR QUE CONSERVAR? Acrise Conservar energia é preservar o meic ambiente. Esta fra- se diz tudo, mas é necessdrio que a humanidade, como um todo e em bloco, adote esta idéia. Nao é facil. Para GILPIN, “meio ambiente 6 todo o meio externo ao biotipo que afeta seu desenvolvimento integral’. Neste conceito existem trés pa- lavras chaves: em primeiro, meio externo, caracterizado por tudo aquilo que envolve um sistema, seja vivo, fisico, social ou psiquico; em segundo biotipo, isto é¢, todo o organismo vivo, tais como os animais e as plantas; em terceiro, desenvolvi- mento integral, ou seja, as condigdes dos meios fisico, social e psiquico necessdrias para que o organismo vivo possa se desenvolver na sua plenitude. Para que agées concorram para este objetivo final e de cunho eminentemente social é neces- sdrio conscientizar os individuos para as repercussées da cri- se do petréleo, agora ja fazendo parte do dia a dia de todo o cidaddo. Existem fatos com os quais se convive a todo o momento: em primeiro lugar uma inflagao presente em maior ou menor grau em todos os paises; em segundo, o nivel de desempre- go em escala mundial; em terceiro, a intensificagao do uso do petrdéleo em fase de esgotamento; em quarto, a questao da alimentagGo frente a uma populacdo crescente; em quinto... Para-se por ai, pois 0 objetivo nao é tratar das grandes ques- t6ées mundiais, mas depreende-se disso que é extremamente dificil tratar de questées bdsicas e de natureza extremamente complexa. Veja-se, por exemplo, pode-se empregar sistemas de iluminagdo mais eficientes e eficazes, seja nas instalagées existentes, seja nos projetos futuros e far-se-a uma contribui- ¢do para a preservacdo do meio ambiente, mas apesar deste problema ser simples, como é dificil de ser mentalizado em qualquer situagdo. A verdade é que a partir de 1973, a cada novo prego para o petidleo, sucede uma ampliagao de agées que inclui, entre outras, a propria reabertura de pocgos consi- Colegéo Engennaria § 83 COSTA, GJ.C. da derados subcomerciais e, agora, rentaveis. Uma intensifica- gdo na procura de fontes alternativas, que possam substituir os derivados do petréleo. Programas nacionais de conserva- Gado energética sGo estimulados em maior ou menor grau em todos os paises. Como ainda hd tempo a pergunta que se faz @: quais as implicagées para o Brasil? Acrise do petrdleo afetou o Brasil em pleno auge da fase denominada de “milagre brasileiro”. Durante os anos ante- riores o produto interno bruto esteve em permanente ascen- sao. Os novos pregos para o petréleo afetaram sensivelmente a retomada do crescimento fazendo com que o Pats levasse algum tempo para tomar medidas de curto, médio e longo prazos. Conseqiiente a crise do petréleo, o endividamento ex- terno brasileiro, que havia duplicado entre os anos de 68 a 72, é multiplicado por nove em 1973. No entender de KANITZ 0 Brasil nao estava aparelhado para administrar o volume de dinheiro que entrou na década de 70, embora tecnicamente a economia tivesse condicées de absorver aquele montante. Houve, em continuagdo, programas setoriais mas poucas agées foram empreendidas para atacar a demanda e com- bater o desperdicio. Dentre as politicas energéticas desta- cam-se os programas de: aumento da produgdo nacional de petréleo, aumento dos pregos dos seus derivados, substitui- gdo do uso da gasolina por alcool, construgao de hidrelétri- cas, construgao de usinas nucleares. Mas uma das questées chaves, que é a conscientizacgdo da participagdo da socieda- de nos usos finais da energia, foi postergada. E imperativo combater o desperdicio Em 30 de dezembro de 1985, por meio da Portaria Inter- ministerial n° 1877, os Ministérios das Minas e Energia e da Industria e do Comercio, consideram que “levando em conta o elevado potencial de conservagado de energia elétrica no Pais; a necessidade do uso racional de energia e o peso da energia elétrica no balango energético nacional” (um tergo do 84 Colegao Engenharia 5 Tuminaguo econémica ‘4lculo @ avaliagao consumo total da energia), “resolvem instituir o Programa Na- cional de Conservagdo de Energia Elétrica - PROCEL, com a finalidade de integrar as a¢gées visando a conservacgdo da energia elétrica no Pais, dentro de uma visGo abrangente e coordenada, maximizando seus resultados e promovendo um amplo espectro de novas iniciativas, avaliadas 4 luz de um tigoroso teste de oportunidade, prioridade e economicidade”. Dentre os objetivos deste programa destacam-se a eliminagao dos desperdicios, a reducdo global de custos e de investimen- tos em novas instalagées no sistema elétrico e em um dos pon- tos de suas diretrizes, a iluminagao. Sendo a eletricidade um dos recursos empregados para a iluminagdo, torna-se necessdario examinar, ainda que muito rapidamente, as fontes energéticas atuais utilizadas na sua producdo. Isto permitiraé que se tome consciéncia da impor- tancia de conservar energia. O termo conservar energia, nes- te caso, nado é exatamente o conceito cldssico contido na pri- meira lei da termodindmica estabelecido por Lavoisier, de que na natureza nada se perde, nada se cria e tudo se transfor- ma. Estaé mais associado ao conceito de economia, querendo significar que o desperdicio deve ser eliminado. Amplia-se entdo a idéia inicial: conservar energia significa economizar, eliminando o desperdicio. E por qué? Porque sempre que ocorre uma transformagao de ener- gia em outra, alguma porcao se perde no processo; porque uma das transformacées finais mais simples de ser utilizada é a energia elétrica; porque energia elétrica nao pode ser ar- mazenada para grandes poténcias, devendo ser produzida no instante em que é consumida (caracteristica nica e prépria da industria da eletricidade, para grandes poténcias); porque as matérias-primas utilizadas para produzir energia elétrica podem ser enquadradas em trés grandes categorias: féssil, solare nuclear, porque a sua ocorréncia no mundo é varidvel e, além disso, em que pese o desenvolvimento tecnoldgico, nem todos os processos foram inteiramente desenvolvidos. Veja-se, entao, num panorama rapido quais os problemas en- Colegéo Engenharia 5 85 COSTA, GJ.C. da contrados na geragao de hidro e termoeletricidade, que sao os meios usualmente utilizados e, por isso mesmo, denomina- dos convencionais. Energia féssil Os combustiveis fosseis empregados sao: carvao, petré- leo, xisto e gas natural. O carvao existe no Brasil na regido sul e é explorado des- de os ultimos anos do Império. O problema da queima do car- vao esta ligado com o meio ambiente, no qual se inclui, em maior ou menor grau, os custos de mineragao, a restauragao dos locais das jazidas e a poluigao do ar. E um combustivel que, em virtude do alerta sobre o consumo do petréleo, teve um renascimento mundial, tornando-se vidvel economicamente. O petréleo é um combustivel limpo, mas o Brasil em que pese a sua tecnologia extrativa e aumento de sua produgao (tal como as demais nagées do mundo), apresenta uma cau- tela quanto ao seu uso e acompanha a tendéncia do desen- volvimento de fontes alternativas, que possam vir a substi- tui-lo, tal como o xisto. O xisto é uma rocha sedimentar finamente laminada que contém um complexo orgénico de composigao indefinida (querogénio), que lhe confere um potencial energético para o futuro. No Brasil existem ocorréncias de xisto em varios Esta- dos que estao sendo objeto de pesquisas geolégicas e de pro- cessos de tratamento. O gas natural se caracteriza por ser a fonte mais limpa existente na atualidade. As pesquisas geolégicas indicam que as reservas de gas natural no territério brasileiro estao locali- zadas na bacia de Campos e em regiées do norte e nordeste, por outro existem possibilidades concretas de sua importagao a partir da Bolivia e da Argentina. Neste ultimo caso os estu- dos devem ser cautelosos para nao criar uma dependéncia externa excessiva, condicionado-o a um aumento de pregos internacional, indesejavel. 86 Colegéo Engenharia 5 Iluminagio econémica - calculo @ avaliagao Energia solar No tocante & energia solar, podem ser estudadas cinco possibilidades: fotovoltaica, térmica, edlica, hidrdulica e bio- massa, A fotovoltaica é no momento muito promissora, mas exis- tem alguns débices que devem ser pesquisados com maior pro- fundidade tais como: eficiéncia do sistema, tamanho da area necessdria para sua instalagdo e a ocorréncia de sol para produgdo energética. O nordeste brasileiro é uma regiGo ex- tremamente propicia para a geracdo de energia fotovoltaica, devido a freqiiéncia de dias ensolarados. A conversao térmica ainda nao comprovou ser econémi- ca na produgao de grandes poténcias e as possibilidades de uso geotérmico sé existem em determinadas regides do glo- bo, ao que se saiba inexistentes no Brasil. A energia edlica, empregada desde a antiguidade, tem se mostrado promissora para a geragao de energia elétrica, sendo que alguns inconvenientes estao sendo exaustivamen- te pequisados como interferéncias eletromagnéticas na recep- gdao de radio e televisGo. Claro esta que a energia edlica exi- ge que existam regides com predomin4ncia de ventos, em ge- ral localizadas na faixa litoranea. A energia hidrdulica é, também, utilizada desde os tem- pos mais antigos, pela aplicagao da roda d’‘a&gua. A hidrele- tricidade é uma forma de produgdo bastante econémica se bem que, na medida em que os aproveitamentos vao sendo implantados, os futuros aproveitamentos sao em geral de in- vestimentos elevados. Os paises desenvolvidos apresentam recursos hidraulicos praticamente esgotados, visto ser a prin- cipal fonte empregada no passado. Mas, no caso de grandes aproveitamentos, existe a questao do custo do uso da terra cultivavel versus o custo de area alagada, para regularizagao da vazao hidrolégica. Apesar de que o Brasil tem uma produ- gao de energia elétrica fortemente baseada em hidrelétricas, o plano 2015 da ELETROBRAS prevé uma redugéo na intensi- Colegéo Engenharia 5 87 COSTA, GJ.C. da dade da implantagGo dos novos aproveitamentos com a con- seqtiente ampliagao da termeletricidade. Entretanto, ha atra- tivos na adogao de modernas tecnologias que melhoram o desempenho de antigas unidades hidrelétricas, tal como a melhoria no rendimento das turbinas. Em contrapartida, a produgdao de eletricidade em mini e microcentrais hidrelétri- cas para fornecimento localizado é uma possibilidade viavel, sobretudo quando empregados recursos de automagao. Ob- serve-se que a automacdo tem, hoje, emprego rotineiro nos processos industriais. Finalmente a biomassa, fundamentada na fotossintese, onde uma das aplicagdes realizadas no pais foi o programa nacional do alcool, do conhecimento de todos. Energia nuclear Ao final da segunda grande guerra as nagées desenvol- vidas passaram a usar a energia nuclear para fins pacificos mas a questao é extremamente controversa. Duas tecnologias podem ser estudadas: a primeira tomando por base a bomba atémica, conhecida como processo de fissdo, isto é, pela divi- sao do dtomo de urdnio devido ao bombardeamento de néu- trons; e a segunda, baseada na bomba de hidrogénio, usan- do o processo inverso denominado de fusao, mas que ao se tratar de processo controlavel esta ainda em fase de pesqui- sa e sé 6 encontrado no momento a nivel laboratorial. Se de um lado a energia nuclear do tipo fissil pode ser considerada como um processo limpo na produgao de ener- gia elétrica, o residuo deste processo, conhecido como “lixo atémico”, nado é ainda um problema resolvido, mas sim pos- tergado. Decorrente do processo de fissdo, existem atualmen- te tras modelos de reatores: os primeiros de urGnio natural, os que vieram em seguida, de urdnio enriquecido, e os contro- vertidos, de reprocessamento, uma vez que teoricamente o pais que contar com este tipo de reator pode desenvolver a energia nuclear para fins bélicos. 88 Colegao Engenharia 5 Tuminagéio econémica - célculo e avaliagao Quanto ao processo de fusdo, em que pese a vantagem de apresentar um lixo limpo, os estudos para o seu controle estdo em fase de laboratdrio. A verdade é que os paises in- dustrializados usam em abundancia a energia elétrica de ori- gem térmica, seja na base de combustiveis fésseis, seja na base de combustiveis fisseis. Cite-se a Franga que desenvol- veu um bem sucedido programa tecnolégico embasado em usinas nucleares (75% da sua energia elétrica produzida é de origem nuclear). Quanto ao Brasil, as reservas de urdnio detetadas sGo de pequena monta e a experiéncia nuclear bra- sileira é muito controvertida, nao significando que o tema nao deva ser retomado e o assunto revisto. Para o Brasil, a produ- gdo de energia por meio da fusdo revela-se promissora, tor- nando este processo como sendo vidvel para o préximo sé- culo. Tendéncia Depreende-se da breve exposigdo que nao hd propria- mente uma crise energética de longo prazo, uma vez que o futuro reserva possibilidades de aproveitamentos com outras tecnologias. Entretanto a curto prazo a base mundial esta vol- tada para os combustiveis fésseis, com o petréleo como cha- ve do sucesso e em fase de esgotamento acelerado. Para FREDERICO MAGALHAES do CEPEL: "a energia elétri- ca é uma forma nobre e cara de energia;nobre pela flexibili- dade, limpeza e seguran¢a; cara porque exige grandes inves- timentos na instalagao de centrais de geracdo, nas linhas de transmissao e nas redes de distribuigado". Em termodindmica estudam-se trés principios da energética. Os dois primeiros sao conhecidos como da conservagéo da energia e da entropia. O terceiro, estabelecido por LOTKA em 1922, 6 0 de imdxima poténcia, que prediz que sistemas, paises, econo- mias e empreendimentos que maximizarem a extra¢do da energia e acelerarem ao mdximo o processo, sao os que so- brevivem. Isto é, aqueles paises que maximizam o uso da po- Colegdo Engenharia 5 89 COSTA, G.J.C. da téncia tém melhores meios de suprir todas as necessidades e superar dificuldades. Como os sistemas de iluminagdo sao ex- tremamente importantes na vida contempordnea, o seu uso deve ser econémico e racional sob pena de que se tenham sistemas caros, onerosos e energivoros. Como se nao bastasse a razdo relativa & sobrevivéncia e bem estar da coletividade, existe ainda um forte parametro econémico. Em termos gerais: sdo necessdrios da ordem de US$ 3.000,00 para instalar 1 kW; ao passo que uma revisdo dos sistemas existentes, adotando-se modernas tecnologias, resulta em uma despesa de US$ 300,00 para 1 kW conserva- do. Em sendo o uso das novas tecnologias destinado as pré- ximas décadas, é extremamente importante efetuar a conser- vagdo de energia desde agora, pois ela representa uma des- pesa dez vezes menor para produzir o mesmo insumo. Verifi- ca-se, ainda, que existem tecnologias para a produgao de grandes poténcias, que apesar de promissoras estado com pro- blemas nao totalmente resolvidos de natureza ambiental. SYLVIO FREITAS, ex-Diretor da ELETROBRAS, declarava: “dese- jo salientar que, diante da crise energética que hoje assola todo o mundo e da crescente preocupa¢gdo com a preserva- gao do meio ambiente, tormam-se cada vez mais estreitos os caminhos a percorrer para encontrar solugées capazes de, a curto e médio prazos, conciliar as crescentes exigéncias sd- cio-econémicas da humanidade com os problemas que vém surgindo para satisfazer com oportunidade estas exigéncias; esta conciliagao merece o esforcgo de todos nés e seguramen- te serd grandemente facilitada pela crescente educagao dos povos sobre os problemas energéticos que o mundo e o nosso Pais enfrentam”. Respondendo agora. Por que conservar? Porque, por uma razdo de sobrevivéncia, conservar significa eliminar o desper- dicio e preservar o meio ambiente; porque, por uma razdo eco- némica, conservar significa reduzir em um décimo os custos de implantagao de energia elétrica; porque, como decorrén- cia, significa reduzir e competir no sistema de vida existente. 90 Colegio Engenharia 5 Iuminagdo econémica - calculo e avaliagao AEQUAGAO FUNDAMENTAL Tema secular A energia 6 origindria do grego eve'pysia (enérgeia = forga em agao) e se entende por qualquer capacidade ou for- ga capaz de produzir trabalho, uma vez que ergon é equiva- lente a trabalho. Do grego também buscou-se a célebre fabu- la da cigarra e da formiga, de autoria de ESOPUS que ao re- dor de 600 a.C. chamava a atencdo para a necessidade de conservar hoje para consumir amanha. Assim, a idéia de con- servagdo e desperdicio nao é nova, caso contrdrio, por que o famoso contador de fabulas grego chamava a atencdo para a sociedade da época? Ha alguns anos o levantamento do consumo de energia elétrica, quanto ao seu uso final por setor, no Brasil, era ca- racterizado conforme o Quadro 5. Por esse quadro verifica-se que existem dois segmentos principais onde deve ser realiza- do um esforgo muito grande de conscientizagao quanto a eco- nomia de energia elétrica em iluminagdo: o comercial e o residencial. Isto também nao quer significar que a industria nao deva estudar alternativas para iluminagéo. Os anos de es- tabilidade do real, pelos quais passa o pats, evidenciam que o desperdicio de energia elétrica nas industrias atinge niveis bem elevados (superiores a 10% em alguns casos) e somente agora os industriais brasileiros est@o se conscientizando des- te aspecto. Infelizmente o longo periodo inflaciondrio permi- tiu que os exames tarifdrios, até entéo realizados, tivessem um caréter superficial. Hoje, mais do que nunca, existe uma competitividade mundial, uma vez que nao se vive s6, com as fronteiras fecha- das. A globalizagao da economia exige menores custos e, apesar do custo da energia elétrica no produto final indus- trial nao ser elevado, é justamente nos centavos que se toma factivel a competigao nos mercados nacional e internacional. Estes mercados, a cada instante, mostram criatividade, geram custos cada vez menores e pregos mais competitivos. Colegio Engenhana 5 91 COSTA, G.J.C. da QUADRO 5 Consumo de energia - Uso final DESTINO COMERCIAL | INDUSTRIAL | RESIDENCIAL [ Aquecimento 15% 24% 28% Refrigeragao 22% 4% 31% Forga-motriz | 15% | 55% 18% Numinagao__| 8% | 7% 25% Outros | | 10% TOTAL | 100% | 100% 100% A equagdo fundamental A equagao fundamental da economia de energia é simples, como formulismo matematico, mas de aplicagao complexa. O Instituto dos Engenheiros Eletricistas e Eletré- nicos, dos Estados Unidos (/EEE — Institute of Electrical and Electronics Engineers) na sua obra Recommended Practice for Energy Conservation and Cost-Effective Planning in Industrial Facilities apresenta a figura do engenheiro energé- tico. Este profissional tem uma atividade mullidisciplinar, pois ao tratar da questao basica da conservagéo de energia, trata também das suas formas de transformagdo e com a maneira de interagi-las da forma mais econémica possivel, de manei- ra que os sistemas sejam eficientes e eficazes, termos que sao muitas vezes confundidos como sinénimos. Para MACLEAN, professor assistente de Sistemas de Informagéo na Universi- dade da California: “eficiéncia significa fazer certo as coisas, ao passo que eficdcia significa fazer as coisas certas". Eficiéncia (fazer certo as coisas) tem o sentido amplo, que vai além do conceito fisico, mas cujo principio é tomado em- prestado da Fisica que é de converter as entradas em saidas com as menores perdas para a organizagao. Ja a eficacia (fa- zer as coisas certas) depende da organizagao e do que ela quer. Como muito bem apregoa STEINER em Top Management Planning: “o problema basico de planejar nao é o que deve 92 Colegao Engenharia 5