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Nico NORONHA E DAVID COIMBRA

A HISTÓRIA DOS GRENAIS

PORTO ALEGRE-RS
© de António Augusto Noronha Pinto, 1994 © de David Coimbra, 1994

Criação de Desenho de Capa de Tatiana Sperhacke
Fotos de Capa do Arquivo de Zero Hora
Supervisão Editorial de Eleonora Joris
Fotos de Arquivo Zero Hora, Museu Eurico Lara,

Arquivo pessoal Carlitos e Arquivo Nico Noronha.
Reproduções Fotográficas de Zero Hora e Eleonora Joris
Composição de Artes e Ofícios

Impressão de Pallotti

Reservados todos os direitos de publicação, total ou parcial, pela
ARTES E OFÍCIOS EDITORA LTDA
Rua Henrique Dias. 201- Fone/Fax (051)221-0732

90035-100 PORTO ALEGRE-RS

IMPRESSO NO BRASIL PRINTED IN BRAZ1L ISBN
85-85418-31-1
Índice

Apresentação/5

Os primeiros tempos/7

O Rolo Compressor/43

Doze anos em treze/78

AEraBeira-Rio/118

Tempos modernos/179

Tabela dos Grenais/213
Apresentação
N os anos 60, o então presidente do Grémio, Rudy Armin Petry, cunhou uma sentença que fez
estremecer o Estado desde as margens da Lagoa dos Patos até os últimos cantões da fronteira com o
Uruguai:
— O Grémio é grande devido à grandeza do Internacional.
O que para um isento analista do início do século soaria apenas como uma
pareceu escandaloso aos ouvidos dos torcedores gremistas e encheu de
jibilo o peito dos colorados. Naquela época, quando o máximo da ambição de
- — - era colecionar campeonatos gaúchos, os dirigentes da dupla grenal sequer
atavam o nome do adversário: era só "o co-irmão". Mas Petry, um homem afável e
: _____ _: estava, mesmo, sendo somente cordial, aquilo não era nenhuma capitu
lação. E não dizia nada mais do que a plena verdade.
Já escreveu Luis Fernando Veríssimo:
— Não somos bons porque somos mais europeus ou mais fortes, somos bons
- •; „;- : Internacional precisa ser melhor que o Grémio que precisa ser melhor que
o Internacional que morre se não for melhor do que o Grémio.
Assim transcorre a história desses dois. O Grémio tinha a Baixada, que, ape-•_: ;e ser pouco mais
do que um campo com pavilhão, era melhor que o do Inter. ; Chácara dos Eucaliptos. Aí o Inter
construiu o estádio dos Eucaliptos, sediou jogos da Copa do Mundo de 1950 e, finalmente, montou um
time melhor do que o do Grémio. Mas o Grémio não podia ficar para trás e, em 1954, fundou o
Olímpico, na época o maior estádio particular do planeta. Com o Olímpico, voltaram os títulos. Até que
o Inter levantou o Beira-Rio do aterro do Guaíba. em 1969. e conquistou o Brasil com um supertime.
Mas o Grémio aumentou e reformou o Olímpico e tornou-se campeão da América e do Mundo.

A história dos Grenais

A birrenta história desta rivalidade foi dividida em cinco capítulos, neste livro. O repórter
David Coimbra é autor de "Os Primeiros Tempos", "Doze Anos em Treze" e "A Era Beira-Rio". O
repórter Nico Noronha é autor de "O Rolo Compressor" e "Tempos Modernos". Foram
entrevistadas cerca de cem pessoas, entre jogadores, dirigentes, técnicos, jornalistas, torcedores,
empresários e historiadores. Mais de mil exemplares de jornais e revistas foram consultados. Os
principais: Correio do Povo, Folha da Tarde, Folha da Manhã, Folha Esportiva, Zero Hora, Última
Hora, Jornal Hoje e Diário de Notícias. Para tornar esta pequisa possível foi indispensável a presteza
e a atenção dos funcionários do Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa.

Os livros mais consultados foram: Campeonato Gaúcho: 68 anos de história, de Cláudio
Dienstmann, História de um Clássico, de José Ney; História do Grémio, de Edison Pires; O Gigante da
Beira-Rio, de Carlos Lopes dos Santos; O Gigante da Beira-Rio entra na Literatura Brasileira, de
vários autores; Figueroa, de Marco Aurélio, António de Oliveira e Mauro Toralles; e Crónicas da
Minha Cidade, de Ary Veiga Sanhudo. Importante, também, foi o apoio do diretor de esportes da
Rádio Gaúcha, Flávio Dutra, e do jornalista Kléber Grabausca, que cedeu as tabelas dos grenais.

Os primeiros tempos
A quele grupo de rapazes elegantes parecia não se impressionar de estar refestelado numa das
maravilhosas invenções do início do século, no frio entardecer de 21 de junho de 1909. Viajavam em
um Chope Duplo, apelido do bonde elétrico de dois andares, novidade implantada havia pouco mais
de 15 meses em Porto Alegre. Fosse antes de março do ano anterior, fariam o mesmo trajeto num
bonde puxado por burros sobre obsoletos trilhos de madeira. Nenhum dos quatro discorria acerca das
facilidades da vida moderna porque estavam mais preocupados com o encontro que teriam horas depois, na
sede da Sociedade Leopoldina, no bairro Moinhos de Vento. Os diretores do recém-fundado Sport Club
Internacional preparavam-se para desafiar o veterano Grémio Foot-Ball Porto Alegrense para seu jogo de
estreia no novo e já empolgante esporte bretão, ofoot-ball.

No centro da cidade, desembarcaram do Chope Duplo, que fazia a pioneira linha Menino Deus, e
tomaram um bonde simples da linha Auxiliadora. Passaram pela velha Igreja Nossa Senhora da Conceição
e pelo Hospital da Beneficência Portuguesa, pelos casarões dos magnatas da avenida
Independência, entre eles os das famílias Torelly, Godoy e Theo Mõeller. e bem perto do célebre Fortim da
Baixada, onde pretendiam disputar seu primeiro match.

O mais tranquilo do grupo era também o mais velho, o capitão Graciliano Ortiz, promovido, depois,
a coronel. Tinha pretensões políticas e por isso aceitara o pomposo cargo de presidente honorário do
clube nascido há apenas

A história dos Grenais

dois meses no porão da casa de João Leopoldo Seferin. no número 141 da avenida Redenção, mais tarde
João Pessoa. Quando alguém perguntava ao capitão que história era aquela de team de foot-ball, ele
desdenhava, sorrindo:

— É só uma brincadeira desses simpáticos meninos.

Meninos mesmo. Os três irmãos Poppe. Henrique. José e Luis, que deram a ideia de formar um
club de foot-ball, tinham menos de 20 anos. Eram paulistas. Estavam no estado desde 1908. quando
montaram uma próspera loja de roupas. Como praticavam o foot-ball em São Paulo, ao chegarem a Porto
Alegre tentaram ingressar numa sociedade dedicada a esse esporte. Escolheram o detentor do melhor team
da Capital, o Grémio Porto-Alegrense. Que os rechaçou. A alegação: eram recém-chegados, não tinham
nenhuma indicação nem conhecidos ilustres na cidade. A única saída, portanto, era fazer um club de foot-ball
deles e para eles.

Assim nasceu o Internacional.

O primeiro presidente não era nenhum dos entusiastas Poppe. Era o filho do proprietário da sede
improvisada do clube, João Leopoldo Seferin, então com 18 anos de idade. Seferin não concordara com
aquela loucura de bater-se contra o poderoso Grémio Porto-Alegrense. Achava a partida uma temeridade e
nem integrava o grupo que agora dava as últimas chacoalhadas no bonde Auxiliadora. Mas fora
derrotado pelo vibrante Antenor Lemos, pelotense que ingressara no Internacional pouco depois da
fundação para moldar à sua feição a história do clube nas décadas seguintes.

Numa tarde do "mês dos lindos poentes", como os cronistas da época gostavam de referir-se a maio.
Antenor Lemos entrou na Alfaiataria Estilo Americana, na rua Marechal Floriano. Procurou pelo
proprietário, o major Augusto Koch, então presidente do Grémio, e pediu que o veterano club aceitasse
receber uma comissão da novel associação. A reunião foi marcada para o mês seguinte.
Foi Antenor Lemos quem introduziu a comissão, formada por ele, Ortiz, o goleiro e redator do jornal O
Estado de São Paulo. Tomaz Madeira Poppe, e o capitão do time, Juvenalino César, na sala em que os esperavam os
próceres do Grémio. A saber: Koch e os diretores Álvaro Brochado. Guilherme Kallfelz e Júlio Griinewald.

A história dos Grenais

Feitas as apresentações, o capitão Ortiz tomou a iniciativa. Tendo o cuidado de ressaltar o handicap
do Grémio — "um clube mais antigo, de mais prestígio e grande conceito"— disse que o Internacional o
convidava para ser seu primeiro adversário "a fim de divulgar o esporte bretão". Koch aceitou o repto:

— Nosso segundo quadro está à disposição.

Lemos quase pulou da cadeira. Agradeceu a oferta do presidente do Grémio, mas rejeitou-a.
Exigia o primeiro time. E queria jogar no domingo seguinte. Os dirigentes do Grémio surpreenderam-se
com a ousadia. Lemos, no entanto, armou-se com um instrumento que foi, sempre, a maior marca da sua
personalidade: a determinação. Tanto insistiu que, como invariavelmente acontecia, conseguiu. O Grémio
colocaria em campo o seu primeiro time, mas só em 18 de julho, pois a agenda do clube estava lotada para os
demais fins de semana.

Naquele tempo, não se cobrava ingressos. Além do mais, os dirigentes de ambas as agremiações
pretendiam promover um jantar e um baile para depois do jogo. Havia despesas a pagar, portanto. Os
colorados anunciaram que a conta era deles. Os gremistas se ofenderam. De jeito nenhum, bradou Koch, o
Grémio paga. Os colorados insistiram e os gremistas ameaçaram cancelar a partida. Só assim os dirigentes do
Inter cederam e as despesas ficaram a cargo do Grémio.

A reunião terminou fraternalmente. Os dirigentes permaneceram na Sociedade Leopoldina até
altas horas, brindando com o vinho Esperança, comprado da Casa Comercial de José Pilla, na rua
Mostardeiro, 10, por 4 mil réis, preço especial para comerciantes.

Os jogadores do Inter tinham menos de um mês para acertar o time. Com sua influência de Diretor da
Limpeza Pública da Prefeitura, o capitão Ortiz arranjara um campinho para a equipe treinar. Ficava na rua
Adindo, perto de uma curva do riacho, no bairro Azenha, a alguns metros do local onde o Grémio construiria,
45 anos depois, o Estádio Olímpico.

Os próprios jogadores limparam o terreno com pás, enxadas e picaretas. O clube possuía uma bola,
um apito e goleiras móveis, que. após cada training, eram retiradas para evitar que os vagabundos as usassem
como lenha. Uns abnegados, os primeiros jogadores do Inter. Exerciam suas atividades esportivas nas

A história dos Grenais

horas de folga, depois do trabalho. Quase todos eram estudantes ou empregados do comércio. O capitão
Juvenalino César, por exemplo, ganhava o pão como funcionário da Casa ao Preço Fixo, na Rua da Praia,
especializada em artigos importados, tais como castiçais, velocípedes, martelos, anéis e papel higiénico.

O dia do jogo se aproximava e o nervosismo dos colorados aumentava. As rodas esportivas da
Capital debatiam a respeito do desafio com entusiasmo. Afinal, um match de foot-ball era coisa rara
naqueles tempos. O Grémio, em seus seis anos de vida, jogara um total de 16 partidas. 15 delas contra o
Fuss-Ball Porto Alegre, seu irmão gémeo, nascido no mesmo 15 de setembro de 1903, e uma contra o
Sport Club Rio Grande, o clube de futebol mais velho do Brasil.

O foot-ball, porém, ainda não se consistia exatamente num esporte de massas. Havia mais com o que
se ocupar no Rio Grande do Sul de 1909. No primeiro dia de julho, o coronel Álvaro de Moraes, sub-chefe de
polícia da 1a região, só queria saber de deslindar o caso de defloramento de uma menor em São João do
Montenegro. Neste mesmo dia, 179 russos chegaram à colónia de Guarany e 130 alemães à de Ijuhy. Sete
pessoas haviam deixado a vida em Porto Alegre em 24 horas - uma devido a uma hemorragia cerebral, uma
por angina de peito, um nascido morto, dois tuberculosos, um pelo mal de Bright e um por "amolecimento
cerebral".

Na sexta-feira. 16 de julho, os jogadores do Inter saíram mais cedo do trabalho para fazer os
treinamentos finais no campo da rua Adindo. Ainda não haviam desferido o primeiro schout quando deram
pela inusitada presença de ninguém menos do que o center-foward Booth. captain do Grémio. Após assistir
ao treino, o experiente e temido atacante vaticinou:

— Eles recém iniciam e nós temos seis anos. Vamos passá-los por uma dura prova, mas se não
desanimarem vão para frente, pois nunca vi tanto entusiasmo e tantos planos nesse assunto de futebol.

Seria, realmente, uma dura prova.

No dia seguinte, foram distribuídos panfletos pela cidade anunciando o grande match. Algum dos
panfletos talvez tivesse passado pelas mãos do vago-mestre do 2° Batalhão de Infantaria da Brigada Militar,
Luiz Vieira, de 30 anos.

A história dos Grenais

Mas ele não assistiria ao jogo. Às 9h30 de sábado. Vieira esteve no armazém de Ponciano Salazar, na rua
Baronesa do Gravataí, como de costume. Era um homem de génio alegre e folgazão. Gracejou com todos no
armazém e saiu. não demonstrando qualquer preocupação. Às lOh, tomou o trem do arrabalde Tristeza
para ir ao Hospital da Brigada, situado em uma colina do Crystall. Lá, conversou com subalternos sobre
assuntos militares. Às 15h despediu-se e tomou a estrada que ia para a linha férrea da Tristeza. No meio do
caminho, sacou o revólver do coldre, na cintura, levou-o à têmpora direita e puxou o gatilho. O projétil
varou-lhe a cabeça de lado a lado. O corpo de Vieira, vestido com o uniforme preto da Brigada, ficou caído na
estrada até ser encontrado por passantes.

O suicídio do vago-mestre comoveu a comunidade. Mas não causou mais espanto do que a
chegada ao Estado de "Abomah, a mulher gigante". Egressa dos Estados Unidos, imensa em seus
2m35cm de altura, seu rosto negro como azeviche contrastava com o rosa do vestido de seda cortado e
enfeitado por ela mesma. Para sustentar o corpanzil de 200 quilos, Abomah sugava dois ou três litros de
leite no café da manhã e devorava comida o suficiente para alimentar oito pessoas em cada almoço e
jantar. Suas apresentações na terra natal lhe permitiram amealhar 50 mil dólares, com os quais pretendia
obsequiar o indivíduo que casasse com ela. Abomah, pois, percorria o mundo em busca de marido e com
este objetivo apresentou-se, sábado à noite, no Theatro Carlos Gomes, em Uruguaiana. A parada anterior
fora em Montevidéu. Apareceram cinco pretendentes uruguaios, mas somente um deles atendeu às
condições impostas pela mulher gigante: ser de estatura baixa, abster-se de álcool e recolher-se às 19h. O
enlace não se realizou por oposição da família do noivo.

Enquanto Abomah não encontrava o baixinho de sua vida em Uruguaiana, as representantes
do bello sexo da Capital aprontavam suas toi-Ifítes adaptadas para jogos ao ar livre e fofocavam a respeito
dos sportsman que estariam logo à tarde no Fortim da Baixada. Muitas mulheres iam aos jogos nos
albores do futebol no estado. Gritavam, torciam e coloriam os grvunds. Ao ponto de, em 1915, o
cavalheiro Ivan Ney. do Olympic Foot-

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A história dos Grenais

Bali Club, tecer estes versos para as apreciadoras do esporte bretão:

"E elegante e é chie é distincto, é de escol rir
nervosa, ter chilique por causa do foot-ball

Vermelhinha, como encanta ouvir-lhe palmas a bater
é nossa alegria tanta que brilhamos sem querer

Fazemos passes certeiros jogamos com mais ardor
quando seus olhos brejeiros torcem por nós com
fervor

Em meio à pugna, que bello! Como o delírio é sem
par! Vê-la, rouquinha, um apello fazer-nos para
ganhar!

E todo o team animado Capricha por merecer Um
torcer apaixonado D'uns olhinhos de mulher

Há corações pendulándo gritinhos mil. aflições
enquanto vão uns driblando e vão outros aos
trambolhões

E elegante e é chie é distincto, é de escol morder
os lábios por tic num match de foot-ball"

Exatamente por causa dessas delicadas presenças que as páginas róseas do Correio do Povo de
domingo, 18 de julho de 1909. advertiram, abaixo do texto de apresentação do jogo:

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A história dos Grenais

"Somos obrigados, afim de evitar factos desagradáveis, a aconselhar aos espectadores a que não se
pronunciem, por ocasião do jogo. em favor de um ou de outro team. Ainda domingo ultimo, durante o torneio,
deu-se, entre um dos juizes e um grupo de assistentes, lamentável incidente, tendo os espectadores
imprudentes ouvido phrases pouco gentis.

Achamos justo que se formem partidos sympathicos aos teams combatentes, porém que o
enthusiasmo seja sempre moderado, para honra dos jogadores. Como se sabe, em todos os matches
numerosa é a assistência nos grounds, notando-se, entre ella, grande numero de senhoras e senhoritas, às
quaes não se deve dar o desgosto de testemunhar discussões inconvenientes. Si fazemos esta pequena
observação é porque desejamos ver o progresso do sport bretão, que está caindo no agrado da mocidade
porto-alegrense".

Às 14h, os foot ballers rubros saíram em bonde expresso da sede do club, na avenida Redenção,
em direção ao Moinhos de Vento. Uma hora e dez minutos depois as duas equipes cruzaram lado a lado
a roleta à margem do campo e entraram no gramado, precedidas pelos respectivos presidentes e pela
banda da Brigada Militar. As duas mil pessoas da assistência aplaudiram com entusiasmo. Os jogadores
do Grémio ostentavam fardamento estilo inglês, com camisas metade azul, metade branca, e calções
pretos, os colorados camisas listradas de vermelho e branco e calções brancos, à moda italiana. O árbitro
foi Waldemar Bromberg, auxiliado por Castro Silva e Sommes (juizes de linha) e Theobaldo Foernges
e Theodoro Bugs (juizes de gol). Os juizes de gol ficavam sentadinhos num banquinho ao lado das
goleiras. Eram muito necessários por uma razão bem simples: as goleiras ainda não estavam equipadas
com redes. Aí, qualquer chute que pass_ próximo às traves originava a maior discussão: foi gol, não foi.
Aos juizes de gol competia deliberar acerca destas angustiantes polémicas.

Às 15h25 "foi dado o signal de kick-off", batendo na bola o center-foward Booth, do Grémio. Nos
primeiros minutos, indecisão. O Grémio estudava a força do adversário. Mas logo os "porto-alegrenses",
como eram chamados os gremistas, tomaram conta da partida. Aos 10 minutos. Booth marcou o primeiro
gol do jogo e da história do clássico Grenal. O goleiro do Inter. Poppe II.

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A história dos Grenais

até então bem na partida, começou a dar sinais de nervosismo. Aos 20 ele tomou o segundo gol. O Grémio
faria um terceiro, anulado por off-side (impedimento). O primeiro tempo terminou em 2 x 0.

Naquela época, cada tempo durava 40 minutos, às vezes só meia hora, com um intervalo de dez
minutos. O primeiro Grenal teve dois tempos de 40 minutos. O Grémio voltou para o segundo período ainda
mais empenhado em provar a sua superioridade. O Inter tentou dois ataques, mas, em ambas as vezes, a
bola parou nas poças de lama do campo de defesa do Grémio. Aos 10, quando os gremistas ampliaram para 3
x O, os colorados mostravam-se cansados. Só osforwards Mendonça, Carvalho e Poppe I continuavam
correndo. Foi uma tranquilidade para os bem treinados e experientes jogadores do Grémio. Em 30
minutos, assinalaram sete gois. O jogo transcorreu todo no lado do campo do Internacional. Estava tão
fácil que o goleiro Kallfez e os beques Deppermann e Becker passaram vários minutos conversando com os
torcedores, à beira do gramado. No dia seguinte, o juiz Bromberg confessaria ter se cansado de dar a saída de
jogo tantas vezes. Quando ele encerrou a partida, o placar estava em 10x0 para o Grémio.

O campo foi invadido pela torcida, que carregou os jogadores do Grémio sobre os ombros. Às 18h.
juizes, jogadores e dirigentes foram até a sede dos Atiradores Alemães, ao lado da Baixada, e lá beberam
cerveja e bailaram até a madrugada. Os colorados brindaram e homenagearam os vencedores, como rezava
a boa educação, e aproveitaram a festa.

Alguns, contudo, se deixaram abater pela humilhação do primeiro Grenal. Caso do presidente João
Leopoldo Seterin. Aos poucos, desanimado, ele foi se afastando do clube, dedicando-se mais ao seu trabalho
na Pharmacia Fischer. No final do ano, entregaria a presidência em definitivo para Henrique Poppe. O time
passou três meses sem jogar, bem próximo do fechamento. O que não ocorreu devido à fibra de alguns
bravos. Com destaque para dois. dentre eles: o maragato gritão Antenor Lemos e o primeiro ídolo da torcida,
Carlos Kluwe.

Médico e pecuarista. Kluwe apaixonou-se pelo futebol e pelo Internacional. Alto, com
Im9()cm. forte, veloz, era um ferrenho defensor da máxima pregada por uma quadrinha repetida pelos
torcedores da época:

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A história dos Grenais

"Jogador do Internacional Chuta a goal de qualquer jeito
Pé esquerdo ou pé direito"
De fato, quando percebia que um companheiro de time só batia em gol com um pé,
obrigava-o a subsitituir a chuteira por uma alpargata e treinar o pé esquecido.

Um sentimento especial alimentava Kluwe e Antenor e dava-lhes forças para levar o
Internacional adiante: a vingança. Um dia, o Grémio teria que levar o troco daqueles 10x0.

Grémio que sequer tomava conhecimento do despeito dos colorados. Seu grande rival era o
Fuss-Ball Porto Alegre, com quem disputava o chamado Wanderpreis. Mas os gremistas logo
superaram o adversário. De 15 partidas disputadas com o Porto Alegre, até o dia do Grenal, o
Grémio venceu dez, empatou duas e perdeu três.

Em busca de maiores glórias, o Grémio bolou, em 1910, uma proposta que daria ao futebol
da capital e do estado velocidade comparável aos potentes automóveis Hudson, que chegavam a
inconcebíveis 90 quilómetros por hora. Em 12 de março, o diretor de campo do Grémio, Osvaldo
Siebel, apresentou a ideia de realizar um torneio entre todos os clubes da cidade, com premiação
para o vencedor. Aprovada a proposta, o próprio Siebel encarregou-se de convidar as demais
associações: o Fuss-Ball Porto Alegre, o Internacional, o Militar, o Esporte Clube Nacional, o 7 de
Setembro e o Fuss-Ball Manschaft Frisch Auf. Este último, evidentemente, fundado pela colónia
alemã. Os clubes organizaram 2 Liga Porto Alegrense de Foot-Ball, da qual Siebel foi o primeiro
presidente.

Nasceu, desta forma, o vibrante Campeonato da Cidade, propulsor da nvalidade Grenal.
Rivalidade cabalmente demonstrada já no segundo jogo entre os dois times. O Grémio chegou ao
clássico como favorito. Vinha amassando os adversários. Suas duas últimas partidas, contra o 7 de
Setembro, foram goleadas de 8 x O e 7 x l . Mas o Internacional se preparara para o jogo. Kluwe
estava no time e era o maior incentivador dos seus companheiros. E Antenor Lemos, apesar de ser
um jogador medíocre, ia para a Cervejaria Bopp. na Praça da

A história dos G renais

Alfândega, e de lá propalava com seu vozeirão que chegara a hora da vingança.

Na fria e ventosa tarde de 17 de julho de 1910, um domingo, os dois times se encontraram pela
segunda vez. Jogo realizado no campo do Militar, na Várzea. E o Grémio enfiou 5x0. Dois destaques na
partida: nas goleiras, uma engenhosa novidade — redes que evitavam o bate-boca sobre se a bola entrara ou
não entrara. E o grande Edgar Booth. que por duas vezes estufou a rede flamante do Internacional. Booth foi o
pivô da primeira briga em Grenais. Depois de apanhar a bola no meio e aplicar dribles em toda a defesa
colorada, ele acabou barrado por um violento pontapé do irritado zagueiro Volksmarm. que não aguentava
mais aquela falta de respeito. Fechou o tempo. Jogadores das duas equipes trocaram tapas e por pouco o
jogo não foi encerrado ali mesmo.

A vendeta do Inter foi adiada.

O Grémio ainda enfiou 15 x O no Nacional, venceu todos os outros jogos com facilidade, mas foi
derrotado pelo Militar por 4 x 1. O título ficou com o Militar, que fechou naquela mesma temporada. O ano
seguinte, 1911, trouxe um Grémio ainda mais forte. Diretamente da Alemanha chegaram Bruno Schuback c
Gustavo Mohrdieck. A dupla foi acoplada de imediato na zaga gremista e fechou o gol de Teichmann. Na
frente entrou o carioca Edwin Cox, ex-jogador do Fluminense, driblador infernal, que chegou não só para
fazer companhia a Booth, mas também para ensinar aos novos colegas sutilezas do futebol até então
desconhecidas no Sul. Foi Cox, por exemplo, quem convenceu os dirigentes gremistas que o time deveria ser
escalado pelos jogadores, nos treinos, e não nas reuniões de diretoria. Eleito capitão, era Cox, agora, quem
divulgava as escalações.

Foi Cox também o autor de um assombroso gol de "charles" no Internacional, em 18 de junho. Era
o terceiro Grenal, jogo muito esperado por torcedores e pela imprensa. O juiz Teobaldo Foernges chegou a
importar uma refulgente jaqueta da Alemanha especialmente confeccionada para jogos de futebol. O
Internacional vinha se apresentando bem e muita gente garantia que, desta vez. a história seria diferente.

Não foi. Terminou sendo até pior. Abaixo de muita chuva, o Grémio venceu por 10 x 1. Pelo menos
o Inter marcou o seu gol de honra, autoria do

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A história dos Grenais

ponta-esquerda Vinholes. Nada que servisse de consolo para o amargurado Carlos Kluwe, que decretou:

— Só posso deixar essa coisa de futebol depois de uma vitória sobre o tal de Grémio. E das grandes!

Enquanto Kluwe, Lemos e seus companheiros juntavam os cacos, o Grémio passava sobre os
adversários como uma locomotiva. Sagrou-se campeão da cidade de forma invicta. Imprensa e torcida
despetalavam-se em elogios à dupla Schuback e Mohrdieck. Eram zagueiros tão bons que, quando Viana,
do 7 de Setembro, assinalou um gol no Grémio, foi carregado nos ombros dos torcedores ladeira acima.
Isso que o Grémio venceu o 7 de Setembro por 1 0 x 1 !

Não seria o solitário gol de Vinholes no Grenal, porém, a contentar Antenor Lemos. Não
suportando ver o Grémio campeão, ele, pela primeira vez na história do futebol gaúcho, recorreu ao
Tapetão, a Justiça Desportiva. Alegando que o meia Moreira viera de Pelotas depois de iniciado o
campeonato, Lemos contestou o título gremista na Liga, mas foi derrotado. Outra novidade do campeonato
de 1911 foi a cobrança de ingressos. A entrada para o Grenal valeu 500 réis, gerando revolta entre os
torcedores. A direção do Grémio explicou que só tomara a medida por estar gastando muito na construção do
novo pavilhão da Baixada. Nos anos posteriores, entretanto, a cobrança de ingressos foi institucionalizada.

O futebol, portanto, deixou de ser a distração de alguns rapazes da elite e transformou-se em
espetáculo. Com mais de 130 mil habitantes, Porto Alegre era uma capital repleta de boas opções. A
sensação eram os cinematographos. Em 23 de junho de 1912, dia do Grenal número quatro, o Cinema Odeon
exibiu uma programação dividida em quatro partes, a começar pelo Gaumont Jornal. com notícias do mundo,
principalmente de Paris. Em seguida, Dor de Chopin — "sentimental film dramático, phantastico, com 460
metros de extensão". Na sequência, Sonoras... Bofetadas — "hilariante film cómico, com Procópio (o
gordo)" e, por fim. Amor de Sereira — "mimosa scena mythologica de interessante enredo e impecável
desempenho".

Inúmeros porto-alegrenses saíram de casa para ir à matinée daquele

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A história dos Grenais
domingo, às 15h, ou para assistir ao Grenal, na Baixada, meia hora depois. É que, apesar de junho estar nos
seus últimos dias, os gaúchos foram brindados por um agradável veranico fora de época, com a temperatura
oscilando languidamente entre os 19 e 20°C.

Alguns preferiram o recôndito do lar: os mais abastados, proprietários de gramophones da acreditada
Casa Faulhaber, do Rio de Janeiro, correram à Casa Eléctrica de Saverio Leonetti, na Rua da Praia. 302, perto
da Rua de Bragança, que havia recebido uma série de discos nacionais. Coisa fina mesmo, como as polkas
Zezé e Quiproquó, as valsas Perigosa. Flor de Maio, Oracélia, Beliza e Implorando, os schonisch Não me
olhes assim. Maninha, Lúcia, Martyr do Amor e Mysterios do Coração, os tangos Chica Chie e Morena e
a mazurka Flora da Madrugada.

Mais de mil pessoas preferiram não ficar em casa ouvindo essas belezas, tomaram os bondes da linha
Auxiliadora e foram ao Fortim da Baixada, assistir ao match Grémio versus Internacional. O jogo prometia.
Os colorados ansiavam por uma vitória contra o campeão. No início da partida, ninguém poderia prever quem
seria o vencedor. Os dois times estavam nervosos e jogavam muito mal. Até que. aos 15 minutos, o atacante
Galvão sofreu uma luxação num dos braços e foi retirado de campo. Não eram permitidas substituições. Se
um jogador se lesionasse, ficava em campo machucado mesmo ou deixava seu time com dez. O Inter ficou
com dez. E ficou desnorteado. O Grémio passou a dominar e os colorados reagiram com violência. Os
jogadores "mimosearam-se com pontapés à inglesa", na expressão do cronista do Correio do Povo da
terça-feira seguinte (não havia edições às segundas). A pena irónica do redator do Correio mostrou quanto o
jogo o desagradou: "Si não fosse, no segundo tempo, o estridente trilar do apito do referée, de momento a
momento, punindo corner, hands, full, etc, as centenas de espectadores que cochilavam ao redor do ground
teriam dormido a somno solto".

Exagero do jornalista. Ou talvez ele torcesse para o Inter. Foram marcados seis gois no Grenal
número quatro. Os seis do Grémio.

O Tricolor estava irresistível no campeonato de 1912. Schuback e Mohrdieck rebatiam todas
atrás com os seus famosos "shoots à hamburguesa".

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A história dos Grenais

Cox e Booth, na frente, enlouqueciam os zagueiros inimigos. Em 25 de agosto, o desventurado Sport Club
Nacional atravessou-se no caminho do Grémio e foi triturado: 23 x 0.

Em 15 de setembro, dia do aniversário do Tricolor, foi a vez do Internacional defrontar-se de
novo com este terrível inimigo. O jogo foi disputado na Baixada em obras. O novo pavilhão deveria ter
capacidade para 500 pessoas e um custo final de 10 contos de réis. O Inter não respeitou as credenciais do
adversário nem o dia de festa. Começou ganhando, com um gol de Galvão logo no primeiro minuto. Kluwe
pulou de alegria. Poderia ser aquele o dia em que, finalmente, derrotaria o tal de Grémio. Mas não foi.
Booth, novamente, converteu-se no carrasco do Internacional. Marcou dois gois, o último com uma cocada
— ou cabeçada, como se diz hoje —, e virou o jogo. O Grémio conquistou o bicampeonato invicto.

Apesar da derrota, os colorados não ficaram tão abalados desta vez. Dois a um não era cinco, seis ou
dez. Quem sabe no próximo Grenal Kluwe alcançaria a sua vingança e poderia deixar, satisfeito, "essa
coisa de futebol"?

O Grenal seguinte ocorreu em 8 de julho de 1913, na primeira rodada do Campeonato da Cidade. Uma
genuína tarde gaúcha de julho, fria-e cinzenta. Pareceu ficar ainda mais fria para os jogadores por um
motivo prosaico: o juiz escalado para a partida não compareceu. O nome do árbitro gazeteiro perdeu-se na
história, bem como o de seu substituto, arregimentado da assistência da Chácara dos Eucaliptos meia hora
depois de os atletas entrarem em campo. Sabe-se apenas que foi um sócio do E.C. Colombo. O Grémio
venceu de novo: 2 x 1. A vitória deu a impressão de que o clube do Moinhos de Vento arrancava para mais
um título. Mas depois de derrotar o Frisch Auf por 4 x 0. em 29 de junho, no seu segundo jogo pelo certame,
o Tricolor desentendeu-se com a Liga e simplesmente abandonou o campeonato.

Instaurou-se a maior confusão. O Inter continou jogando e se proclamou campeão. O Grémio liderou a formação
de uma nova Liga e também proclamou-se campei». Em 1913, portanto, Porto Alegre teve dois campões ao mesmo
tempo. A situação não mudou nos anos seguintes. Grémio e Internacional ficaram quase três anos sem se enfrentar.
declarando-se campeões de suas ligas e menosprezando o título do adversário.

19

A história dos Grenais

Os torcedores trocavam provocações nas ruas e nos cafés. Os gremistas diziam que o Inter só
conquistara seus títulos porque não enfrentara o Grémio, de quem os colorados jamais haviam arrancado
um empate. Os colorados respondiam que a situação mudara, que o Internacional estava mais forte e que
venceria o Grémio, se os dois se defrontassem.

Os times não precisavam entrar em campo para a rivalidade se aguçar. Romantismo e desorganização
na infância do futebol gaúcho.

Romantismo que pairava como um halo sobre Porto Alegre, cidade cheia de damas e cavalheiros no
footing da Rua da Praia, à tardinha, mas com seu lado lascivo emergindo, ofegante, suarento e debochado,
quando a lua surgia sobre o Guaíba. O jornal O Independente registrou, já em 1901, sua preocupação com
a faceta boémia da capital gaúcha num esclarecedor artigo intitulado A Noite:

"Porto Alegre, à noite, não resta dúvida, já tem foros de uma grande capital, movimentada e perdida. A
mocidade libertina, de bordel em bordel, atravessa uma noite inteira, levantando brindes obscenos, mostrando
no dia seguinte apenas o sulco fundo das olheiras roxas, attestado fatal de uma orgia onde embriagou-se e
cavou com suas próprias mãos mais uma cova onde serão enterradas as ilusões de sua vida inútil e rápida.

Ao lado das prostitutas, gosando beijos e affagos mercenários, sem a ref-flexão precisa para evitar
tamanho mal, encontra-se o moço e o velho libertino, trocando phrases indecorosas, tresandando a cachaça,
vinho e cerveja barata, no mais completo bem estar deste mundo.

Numa verdadeira romaria de perdição vê-se mulheres moças, perdidas, famintas, de tasca em tasca,
que, em troca de instantes de prazeres, exigem, para matar a fome que as devoram, bifes com batatas regados
a vinho entragavel.

E, para reter a freguezia. o tavemeiro destas casas infamantes que a policia devia prohibir, tem lá dentro dois ou
trez typos que. assastando a língua, gritam e berram a 'pallida madona' e quejandas, ao som desafinado de um violão de
pinho ordinário. Após cada cantiga, do meio delles, surge uma horizontal indecente, cheirando a remédios, de pires em
punho, esmolando dos convivas uma moeda de 100 reis. E, deste modo, vae vivendo a canalha vagabunda, explorando
a bolsa alheia e inexperiente".
A história dos Grenais

Durante o dia, antes de levantar brindes obscenos de bordel em bordel, a mocidade reunia-se nas
pharmacias para conversar. Uma dessas "rodas de palestra", frequentada tanto por boémios como por
próceres da comunidade, terminou sendo fatal para um dos mais ilustres líderes do estado, o senhor
Francisco António Caldas Júnior, proprietário do Correio de Povo. Estava ele. numa tarde do início de março
de 1913, na Pharmacia Fischer, do seu amigo Cristiano Fischer. Apareceu, então o doutor Bulcão, outro
amigo, com a última descoberta da medicina: uma injeção de 606, preparado à base de arsénico, elaborado
de acordo com o eficiente método alemão de purificação do sangue. Os amigos se entusiasmaram.
Decidiram, todos, experimentar a tal injeção. Menos Caldas Jr. Não gostava dessas coisas. Os outros
insistiram, insistiram, insistiram e ele cedeu. Tomaria a tal injeção. O doutor Bulcão advertiu:

— É possível que você tenha febre ou uma reação qualquer. Se você tiver essa reação, vai para casa,
deita, bota uma botija nos pés que amanhã está bom.

Caldas Jr. telefonou para a esposa, Dolores Alcaraz Caldas, e pediu que ela preparasse uma botija e a
cama. Mas não sentiu nada. No dia seguinte, avisou ao doutor Bulcão que a injeção não funcionara, seu
sangue devia estar tão smpuro quanto antes. O médico decidiu dar-lhe uma nova dose. Reforçou o
preparado e aplicou. Caldas Jr. não só teve a reação como entrou em coma. Passou 40 dias delirando e
morreu a 9 de abril de 1913, aos 44 anos.

Tempos de medicina precária, quase curandeirismo. A Cerveja Negrita. de Bopp Irmãos, para se ter
ideia, era "especialmente recomendada aos que sofrem do estômago, aos convalescentes e às
excelentíssimas senhoras no período de amamentação". Anúncios de panaceias milagrosas não faltavam nas
páginas cor-de-rosa do Correio: "Um bom e útil conselho aos que soffrem de qualquer dysenteria ou diarhea
sanguínea recente ou antiga: toma o Antidysenterico Martel que vos curará em poucos dias". Galactogenio
era a salvação das mães que queriam amamentar seus filhos e não tinham leite. As moças usavam água da
Sultana nas cores rosa ou branca para tirar sardas, pannos. darthros. espinhas e todas as manchas da pelle.
"Contra bichas", no entanto, "só óleo de Santa Maria". Eram comuns anúncios como "A gonorrhéa de um
marcineiro". tendo

21

A história dos Granais

abaixo um texto em tom aliviado: "Agradeço a vossa senhoria o benefício que me fez o vosso precioso
preparado Serum Gonno. Sofrendo há quatro annos de uma terrível gonorrhéa, só consegui allívio e uma
cura radical depois que usei esse famoso preparado". Não havia antibióticos ou anestesia, gonorréias
duravam quatro anos e moma-se de peste bubônica. obrigando os fiscais da Saúde a sair de casa em casa.
distribuindo veneno para ratos.

Mas na Europa ocorria um conflito que forçaria o mundo a mudar. A 1a Guerra Mundial podaria a
vida de milhares de pessoas nas trincheiras geladas do Velho Mundo, deslocaria o eixo do planeta de Paris
para Nova Iorque e impulsionaria invenções e transformações sociais. Em 24 de maio de 1925, o articulista
João Grave, do Correio, escreveria, com certo parnasianismo e nostalgia, sobre A Timidfz na Sociedade
Actual: "Observadores subtis, commenta-dores da vida que sem repouso passa, levando na corrente
mysteriosa o tempo e as folhas de rosa e transformando a cada momento os seus scenarios, afirmam já que.
sobretudo nos grandes e confusos centros de população, a timidez — que foi outrora um dos maiores
encarto* femininos — está em perigo".

O futebol também estava mudando, tomando conta do gosto da maioria da população e. aos poucos,
se profissionalizando. Grémio e Internacional não eram mais só de seus associados. Havia torcedores a se dar
satisfações. Por isso. eles não podiam mais adiar o duelo, apesar de prosseguirem teimando com o
rompimento. Ainda em meio à Guerra, em 31 de outubro de 1915, foi realizado o amistoso de tira-teima.

Eram times diferentes. O Grémio não tinha mais Booth, Cox ou Schuback. Mohrdieck
continuava firme na defesa. No Inter. Kluvve. tristemente, pendurara as chuteiras sem cumprir a promessa
de derrotar o rival. Outros craques despontavam no Colorado: o centroavante Hedionda e o
ponteiro-esquerdo Vares. O Internacional, sobretudo, estava mais confiante, depois dos títulos conquistados
na ausência do arquiimmigo

O jogo foi disputado na Baixada. Adultos pagaram dois mil réis, crianças, mil. Durante toda a
semana ficou exposta, na Joalheria Diehl, uma plaqueta que seria dada ao vencedor. A entrada dos jogadores
em campo, as mulheres — gremistas com vestidos azuis, coloradas com vestidos vermelhos —

22

A história dos Grenais

acenaram graciosamente com lenços brancos. Os atletas foram cobertos de con-fctes e serpentinas. O juiz,
tenente Aristides Prado, deu a saída de bola. Aí terminou a cortesia.

Jogo violentíssimo. O Inter atacando sempre, Mohrdieck limpando a área i.:- Grémio. Faltando dois
minutos para terminar o primeiro tempo, o ponteiro-dÉreito colorado, Túlio, cobrou escanteio e colocou a
bola na área do Grémio. Os zagueiros tentaram tirar com cocadas, mas não foram bem-sucedidos. A -via
sobrou para Miiller, que marcou l x O para o Inter.

No intervalo, os colorados foram cobertos de flores e confetes atirados pelas mulheres, enquanto os
homens carregavam Miiller em triunfo. Ainda havia, porém, todo o segundo tempo e o Grémio teria o
vento e a tradição ao seu favor. Talvez ninguém tenha avisado Bedionda de nada disso. Aos quatro minutos,
ele desrespeitou o velho inimigo e, com uma violenta cocada, ampliou para 2 x 0. O Grémio se perturbou. Os
colorados continuaram dominando. Aos ?0. Túlio avançou pela direita, chutou, a bola bateu na trave e entrou.
Antenor Lemos gritava, Kluwe sorria e fechava os punhos fortemente. Aos 38, o Grémio rregou-lhes um
susto. Sisson decontou. Logo em seguida, no entanto, aos 42, Bedionda marcou o último: 4 x l para o
Internacional.

— Está quebrado o lacre! Está quebrado o lacre! Demorou seis anos! — Berrava Antenor Lemos,
emocionado.

Carlos Kluwe abraçava os jogadores, alguns cobertos de flores pela torcida, outros carregados nos
ombros. Kluwe só lamentava não ter sido um deles naquela partida histórica.

O Inter manteve a superioridade no ano seguinte. Os dois voltaram a disputar o Campeonato da Cidade
e o Colorado foi campeão. Os Grenais? Bem. no primeiro, em 30 de julho, o Internacional venceu por 6 x 1.
O ponteiro Vares logou como se estivesse possuído e marcou seis gois. Scalco descontou para o Grémio. No
segundo, em 29 de outubro, o Inter venceu por 3x2. Em 1917. o Grémio rompeu mais uma vez com a Liga,
passou o ano fazendo amistosos e o Inter foi campeão.

O ano de 1918 chegou trazendo amplas mudanças para o futebol gaúcho. Em maio, foi fundada a
Federação Rio Grandense de Desportos, que reuniu

23

A história cios G renais

Grémio, Inter e os demais clubes para organizar um campeonato estadual. O campeonato não chegou a ser
disputado por uma razão que hoje soaria no mínimo curiosa: por causa de uma gripe.

Não uma gripe qualquer. Era a aterradora gripe espanhola. Na Europa, dizia-se, a espanhola causara
mais mortes do que a Guerra. No Brasil, uma das vítimas fora o próprio presidente da República. Rodrigues
Alves, morto a 16 de janeiro de 1919. antes de tomar posse.

Naquele ano atípico, o campeão da cidade não foi o Grémio nem o Inter. Foi o Cruzeiro. Aconteceram
dois Grenais. A 19 de maio, o Inter venceu por 5 x 3. Era a quarta vitória consecutiva dos colorados. O
Grémio não ganhava desde 1913. Era demais para os orgulhosos tricolores. Algo devia ser feito com urgên-
cia. Algo que os colorados, claro, tentariam evitar. Com a rivalidade acirrada, cortante como o vento
luánuano. os dois entraram no gramado da Baixada em 4 de agosto para diitpWar uma guerra que
horrorizaria o Kaiser Guilherme II, na conflagrada Alemanha, se de a houvesse assistido.

O jogo começou violento, como sempre. O Grémio um pouco melhor. O zagueiro uruguaio Gariboni
mjurmi o primeiro gol para os tricolores. E o último. Estava l x O quando a bola saia pela lateral. Os
jogadores passaram a discutir quem teria direito â reposição. Não havia fosso separando a torcida do gra-
mado, nem cães pobciais a repelir invasões. De repente, estourou uma briga entre jogadores doiakTe
torcedores do Grémio. Foi o início de um tumulto que resultou em cerca de 100 feridos e um preso.
Torcedores, jogadores c dirigentes se agrediram a socos, punupés c bengaladas.

Até que o senhor Manoel Gosta, empregado da Empresa Telefónica Rio-Grandense, sacou de uma
faca e com da riscou o ar, ameaçador, prometendo ferir quem se aproximasse. O meia Ribas, do
Internacional, tentou contê-lo. Seria o último Grenal de Ribas. Manod Costa enfiou 15 centímetros da
lâmina na região ilíaca do jogador. Assustado, o jovem Octávio Telles de Freitas pulou para desarmar o
funcionário da Telefónica e também foi ferido na perna esquerda. Soldados da Brigada acorreram e não
conseguiram deter o valentão. Ele só entregou a faca ao presidente da Federação, o gremista Aurélio Py. O
chefe de Polícia Ariosto Pinto, finalmente, colocou Manoel numa viatura para levá-lo

A história dos Grenais

rreso. Os torcedores não deixaram o carro sair. Queriam linchar Manoel Costa. Após muitas negociações,
os policiais conseguiram levar o detido. Mas, na saída do estádio, populares apedrejaram a viatura, ferindo
Ariosto na cabeça e Manoel na perna esquerda. Enquanto isso,-Ribas dava entrada na Casa de Saúde. Em
seguida, foi cloroformizado e operado pelos médicos Moisés de Menezes e Bernardo Velho.

O Grenal não terminou. Restou o l x O para o Grémio e muito rancor de parte a parte.

Na Europa, terminava a Guerra. Iniciava-se a era das melindrosas, do charleston e do foxtrote.
Iniciava-se a era do Campeonato Gaúcho. Seria impossível realizar um campeonato extenso, penteado de
viagens, como ocorreria décadas depois. Havia muitas dificuldades de transporte. Alguns anos antes, os
Automóveis Humber foram testados nas estradas gaúchas e aprovados com excelentes resultados: a
distância entre Porto Alegre e Santo António da Patrulha foi percorrida em quatro horas, de Porto
Alegre a Itapuã em duas horas, de Pedras Brancas a Pelotas em 16 horas.

A fim de evitar os intermináveis e desgastantes deslocamentos, a Federação montou um
campeonato dividido por regiões. O campeão de Porto Alegre, portanto, disputaria com os de outras regiões.

Naquele ano de 1919 o Grémio começaria a construir uma equipe memorável, um time que não
perderia nem empataria Grenais durante cinco anos. Antes que esta saga começasse, porém, havia uma
injustiça do destino a ser corrigida. Carlos Kluwe, há quatro anos afastado dos gramados e atual diretor de
futebol do Colorado, ainda não conseguira vencer um Grenal como jogador.

Em 20 de julho, ele teria sua chance. O centroavantc titular, Bedionda. estava lesionado. Kluwe
nem centroavante era. Jogava na linha média. Associados e torcedores, contudo, fizeram
abaixo-assinados pedindo que ele entrasse no time. Tanto insistiram que Kluwe aceitou. Afinal, tinha
apenas 27 anos e não se sentia fora de forma. Pois Kluwe jogou, marcou um gol e o Inter venceu por 2x0. Foi
a consagração de um emblema do Internacional do passado.

Depois dos 2 x O da vingança de Kluwe. o Inter ingressou no purgatório.

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A história dos G renais

do qual só sairia em 1927. Pudera: o Tricolor montou urna seleção. Logo no segundo Grenal de 1919
entraram no time três titãs: o back Jorge Tavares Py (filho do presidente Aurélio Py). o half-direito
Assumpçao e o center-forward Lagarto. Assumpçao jamais perdeu um Grenal. Lagarto era um artilheiro
predestinado. Jogou na Seleção Brasileira num tempo em que só cariocas e paulistas eram convocados.
Lagarto fez um dos gois na vitória de 3 x 2 do Grémio no Grenal que deu ao clube o título de campeão da
cidade de 1919.

Py, Lagarto e Assumpçao eram muito bons. Só que os melhores ainda estavam por vir. Os anos 20
cederam três lendas ao Grémio: o centroavante Luiz Carvalho, conhecido como O Rei da Virada, o meia
esquerda Osvaldo Rolla, o Foguinho. que entrou no time mais tarde, a partir de 1928, sendo, depois, juiz.
comentarista e um revolucionário técnico de futebol. E, principalmente, o goleiro Eurico Lara.

No final dos anos 20. o jornalista Ivo dos Santos Martins, do Correio do Povo. fez uma extensa
entrevista com Lara. O goleiro narrou a singular história de sua contratação pelo Grémio c de como
começou a jogar no gol. A matéria nunca foi publicada, l o abandonou o jornalismo, tornou-se promotor,
mas jamais esqueceu a conversa com o legendário goleiro do Grémio.

Lara contou a Ivo que. aos 22 anos de idade, em 1920, aluava na ponta-esquerda de um tinte da soa
terra. Uruguaiana. Um dia. o goleiro titular se machucou. Não havia reserva disponível Como ele tinha
quase dois metros de altura, seus companheiros pediram que fizesse um sacrifício e fosse para o gol.
Prestativo. Lara aceitou. A equipe adversária era muito forte e amassou o seu time. Mas não venceu. Lara
não deixou. Passou o jogo inteiro rebatendo "shouts" e cocadas aparentemente indefensáveis. Na
assistência, boquiaberto e de olhos arregalados, estava Máximo Laviaguerre. centroavante do Grémio.
Profundamente impressionado. Máximo voltou correndo a Porto Alegre e declarou aos dirigentes
gremistas:

— Em Uruguaiana há um goleiro que. quando joga, o seu time não perde!
Os dirigentes chamaram Luiz Assumpçao e o incumbiram de contratar aquele fenómeno.
Assumpçao foi a Uruguaiana certo de que iria fazer um

A história dos Grenais

jovem atleta muito feliz. Enganou-se. Lara não queria sair da sua cidade. Assumpção fez mil propostas
e não adiantou. Lara continuava irredutível. Os dirigentes do Grémio resolveram apelar para o prestígio
político do clube. Como Lara estava servindo ao Exército, os dirigentes deram um jeito de arranjar a sua
transferência para Porto Alegre. Desesperado, o goleiro chegou a simular uma doença e baixar à enfermaria
para anular a transferência. Não teve jeito.

Ao chegar a Porto Alegre. Lara foi recebido por uma multidão, na Estação Ferroviária. Aí mesmo é que
se assustou. Percebeu a responsabilidade que lhe era jogada nas mãos. Mãos, por sinal, que permaneciam
fechadas quando ele jogava. Inexperiente, diamante bruto, Lara rebatia a bola a socos. Vendo outros goleiros
jogar, na Capital, é que aprendeu: — Ah, a gente tem que agarrar a bola!

Ninguém agarraria a bola como ele. No início do século, o futebol era muito mais violento. Os
atacantes chutavam a bola mesmo quando ela estava em poder do goleiro, tentando colocá-la nas redes com
adversário e tudo. Pois Lara, após encaixá-la, não largava mais, mesmo sendo chutado e empurrado. Era
magérrimo, mãos enormes, braços longos. Em 1923, os torcedores paulistas riram ao ver entrar no gramado
do Parque Antártica aquele goleiro esquisito de caminhar lerdo e desconjuntado. Então era com aquele
mongolão que a Seleção Gaúcha queria parar o arrasador ataque da Seleção de São Paulo? Um ataque com
Formiga, Neco, Tatu, Rodrigues e, sobretudo, com Friedenreich, El Tigre!

Depois de iniciado o jogo, os risos cessaram. Logo no primeiro minuto, o juiz marcou um pênalti para
os paulistas. Fried ajeitou a bola. El Tigre jamais perdera um pênalti. Correu e bateu com a força costumeira,
no canto esquerdo. Lara voou, os braços esticados, e. como uma pantera, enroscou-se na bola. Estupor no
campo e nas arquibancadas.

Minutos depois, Fried invadiu a área sozinho, levantou o pé e, quando ia desferir a bomba, viu a bola
sumir como se fosse feitiço. Olhou adiante e lá estava ela, entre as grandes mãos do bruxo Lara. O meia
Neco. sorrindo, estendeu a mão direita a Fried:

— Meus pêsames.

No segundo tempo, porém, foi a vez de Neco entrar livre na área. Mais

27

A história dos Grenais

uma vez, Lara roubou a bola e os aplausos da torcida. Fried deu o troco. Cumprimentou Neco, sardónico:

— Meus pêsames.

Lara defendeu nada menos do que 20 chutes, mas os paulistas eram muito superiores e venceram
por 4 x 2. No final do jogo, contudo, foi o goleiro do Grémio quem saiu carregado nos ombros e ovacionado
pela torcida.

Além de ser um goleiro inigualável. Lara impressionava pelo seu caráter. Era tão correto e honesto que
quando duas equipes iam disputar um jogo muito importante, para o qual se previam dificuldades de
arbitragem, ele era convidado para ser juiz. Os adversários e os companheiros o respeitavam. Se tomasse
um gol feito de forma ilegal, provocava a interrupção da partida, conversava com o atacante e o obrigava a
confessar a falta ao juiz.

Jogou 16 anos no Grémio, foi 11 vezes campeão da cidade, cinco vezes campeão estadual e quatro
vezes vice. Morreu jogando no Grémio, aos 37 anos de idade. Tomou-se um mito. Dizia-se pelo estado que
Lara morrera ao defender um pênalu batido peio próprio irmão — o chute, violentíssimo, teria lhe
arrebentado o coração gicmista.

Na década de 20. ninguém, no país. falava de "Lara, o goleiro do Grémio". Falava-se, srai. de
'Grémio, o clube de Lara". O goleiro foi imortalizado por Lupicínio Rodrigues na letra do próprio Hino do
Grémio. Uma estrofe

canta:

"Lara. o craque imortal

Soube o teu nome elevar

Hoje com o mesmo ideal

Nós saberemos te honrar"

No museu do Grémio, no Estádio Olímpico, estão expostos um relógio que o clube ofereceu ao
goleiro, a bola da sua última partida e a máscara mortuária do seu atleta-símbolo.

Com Lara, Luiz Carvalho. Lagarto. Py e Assumpção, o Grémio foi pen-tacampeão da cidade, de
1919 a 1923. Perdeu o título em 1924 para o Americano e reconquistou em 25 e 26. Anos medonhos para
o Internacional. De setembro de 1919 ao final de 1926 foram disputados 11 Grenais — o Grémio venceu oito,
o Inter apenas um.

A história dos Grenais

O Colorado penava há nove anos. Pior: o Grémio chegara às finais de iodos os campeonatos
gaúchos e agora jactava-se de glórias estaduais. O r-jolor foi bicampeão do Estado em 1921 e 22 e
campeão em 1926. De agosto _; '.420 a setembro de 1923 ocorreu outro hiato. Grémio e Internacional
tsnperam de novo e passaram três anos sem se enfrentar. Para aumentar a con-fu>lo. em 1923 e 1924 não
houve campeonato estadual. Houve uma revolução. ,

Os maragatos liderados por Joaquim Francisco de Assis Brasil, candidato a presidente do estado pela
Aliança Libertadora, contestaram a vitória do candidato da situação, António Augusto Borges de
Medeiros. Afirmavam que Borges de Medeiros elegera-se pela quarta vez consecutiva mediante a fraudes.
Montaram em seus cavalos, carregaram seus fuzis e partiram para a luta.

Não foi uma revolução cruenta como a de 1893, quando os combatentes não faziam prisioneiros —
degolavam-nos. Em 1893 foram mortas mais de dez mil pessoas, em 1923 cerca de mil. Mas os lenços
brancos e vermelhos estavam em luta novamente e ninguém se arriscaria a sair por estradas conflagradas por
causa de um jogo de futebol. Por isso, nem depois de assinado o Pacto de Pedras Altas, pondo fim à
revolução a 15 de dezembro de 1923, o campeonato restabelecido. Os dirigentes da Federação temiam que
chimangos e mara-:>s ainda estivessem a dar os últimos tiros pelas coxilhas e preferiram suspender também
o certame de 1924.
No retorno, em 1925, o campeão foi o Bagé. O primeiro campeão gaúcho havia sido o Brasil de
Pelotas, em 1919, e depois dele Guarani de Bagé, clube dirigido por Oswaldo Aranha, futuro ministro da
fazenda e presidente da Assembleia Geral da ONU — Organização das Nações Unidas.

Os times do interior continuariam a ser páreo duro para os da Capital até que o Inter se apercebesse da
fonte de força destas equipes: nelas, qualquer um jogava, fosse branco, preto, amarelo, pobre, rico ou
remediado. O Guarani de Bagé foi o primeiro clube de futebol do Brasil a ter jogadores negros. Antes
mesmo do Vasco da Gama, considerado oficialmente como o primeiro a desafiar o preconceito de cor, em
1923.

Nos times do interior aluavam jogadores de todas as raças e classes sociais. Aluavam, inclusive,
jogadores do Uruguai, país com um futebol bem mais

29

A história dos Grenais

desenvolvido, que seria campeão olímpico em 1928 e o primeiro campeão mundial, em 1930. A força
dos uruguaios fora sentida amargamente pelo Internacional em 1916. Julian Bertola. centromédio da
seleção uruguaia, "enamorou-se" pelo Grémio após enfrentar a equipe porto-alegrensc. Mudou-se para o Rio
Grande, ingressou no clube e ainda trouxe outros três craques com ele: Eduardo Behegaray, também da
Seleção. Eduardo Garibotti, autor do gol do Grenal que não acabou, em 1918, e Nicanor Rodrigues. Os
quatro faziam do Grémio um time de quilate muito mais alto. O Internacional protestou contra a inclusão dos
quatro na equipe do Grémio e por isso o Tricolor rompeu com a Liga em 1917.

Pois nos times do interior aluavam muitos uruguaios, negros e pobres, enquanto que nos da capital só
moços das boas famílias de Porto Alegre. Até mesmo a chegada de Lara ao Grémio provocou certa
desconfiança por ser o goleiro de origem humilde. Os negros jogavam em sua própria associação, a chamada
Liga da Canela Preta.

Nos anos 30, o Internacional passou a buscar os jogadores que se destacavam na Liga da Canela Preta
e assim montou o seu supertime, o Rolo Compressor.

Em 1926, porém, o Colorado mal rompera com o preconceito. Não passava de uma equipe de
branquelos enfrentando dificuldades sobre-humanas nos Grenais. Na frente, o Inter parava em Lara.
Atrás, tinha que parar Luiz Carvalho. Habilidoso, veloz, artilheiro de nascença, Luiz Carvalho chutava a
bola como ela viesse, quadrada ou redondínha. rasteira ou aérea. Nos Grenais o Inter designava um jogador
especialmente para marcá-lo, estratégia absolutamente nova nos anos 20. A tática de jogo ainda era a
inventada em 1880 pelo clube inglês Nottinghan Forest — dois zagueiros, três médios e cinco atacantes. Só
depois de 1930 que o inglês Herbert Chapman criaria o WM. pai dos modernos esquemas de jogo. Estabelecer
um sistema de marcação só para anular um jogador parecia, portanto, inconcebível.

Não para os colorados. A cada Grenal. Luiz Carvalho lembrava-lhes a humilhação que sofrera no início da
carreira. O jovem Luiz fora fazer um teste na Chácara dos Eucaliptos, sede alugada pelo Internacional em 1912. e
acabou reprovado.

30

A história dos Grenais
- Vai embora que tu maltrata a bola, guri — teriam lhe dito os diri-.:".es do Inter.

Um gremista, no entanto, observava o treino e o enxergou com outros :;.'no>. O centroavante Lagarto
correu à Baixada e recomendou:

-— Busquem o rapaz que ele é bom.

Mais do que bom, Luiz Carvalho era ótimo. A ponto de, em 1923. ganhar i posição de Lagarto.

Luiz Carvalho só pendurou as chuteiras aos 35 anos de idade, em 1938. ipós perder um Grenal
amistoso por 6 x O, o Inter já querendo armar o Rolo Compressor.

Uma carreira como aquela não poderia terminar em derrota. O destino se encarregaria de reescrever o
final. Em janeiro de 1940, o Independiente, bicam-7>eão de Buenos Aires, fez uma excursão pelo Brasil.
Tratava-se de um timaço. Seus jogadores ficaram conhecidos como maestros. Começaram a excursão por Rio
e São Paulo e venceram todo mundo por lá. Invictos, desceram ao Rio Grande do Sul para enfrentar o
Grémio. No início do jogo, fizeram l x O e prosseguiram em vantagem no marcador até que, para surpresa e
júbilo da torcida, Luiz Carvalho entrou em campo com a camisa Tricolor. Resultado: 2 x l para o Grémio,
com um gol de Luiz Carvalho. No dia seguinte, o Correio do Povo mancheteou: "Só se viu um maestro em
campo e era Luiz Carvalho". A rartir de então, ele passou a ser conhecido como El Maestro.

No embalo, El Maestro decidiu continuar jogando só para terminar com uma vitória sobre o Inter. Foi
o que fez: atuou no Grenal de 13 de fevereiro de 1940. ajudou o Grémio a vencer por 4 x 2 e a conquistar o
Campeonato da Cidade de 1939. E encerrou a carreira. Mas Luiz Carvalho não abandonou o futebol nem o
seu clube do coração. Em 1974 e 1975 ele chegaria à presidência do Grémio. Passou a vida dentro do clube e
em nenhum momento, mesmo após instalado o profissionalismo, aceitou dinheiro para jogar futebol.

Com Luiz Carvalho no auge da carreira, o Internacional tinha muito a :emer naquele Grenal de 27 de
junho de 1926. Já estava decidido: o centromé-dio Lampinha ficaria encarregado de anular o centroavante
do Grémio, de persegui-lo por todo o campo da Chácara dos Eucaliptos.

31

A história dos Grenais

Um empate vinha bem. O Inter somava sete pontos, o Grémio seis. Na Chácara dos Eucaliptos havia
treino quase todos os dias e o retrospecto recente parecia indicar que a situação talvez estivesse mudando.
Os dois últimos Grenais, em 1925, terminaram empatados. Num deles, a 11 de outubro, o Inter foi
nitidamente melhor. Passou o jogo inteiro atacando e chutando a gol. Lara pegou todas. O meia Geny. do
Inter. cansou a perna de tanto bater a gol e os olhos de tanto ver Lara defender. Os torcedores colorados se
desesperavam.

— Como é. Geny1 Como é? E o gol. Geny? — Berravam, impotentes,
das arquibancadas. Geny virou-se. aflito, estendeu os dois braços para Lara e
gemeu:
— Ele não deixa!
No final, empate em 2 x i com um gol de Luiz Carvalho.

Agora, no primeiro Grenal de 1926. o empate era bem-vindo. A cidade se mobilizava para o jogo. Na
sexta-feira à noite, ante-véspera da partida, o repórter Ivo dos Santos Martins, o mesmo da entrevista com
Lara, ruminava um problema. Sentado à mesa do Café Colombo com os gremistas Armando Siaglia e Luiz
DaudL Martins lamentava-se da sorte por um motivo um tanto prosaico. Redator de esportes do Correio, ele
se cansava de escrever, sempre, "Grémio Foot-Ball Porto AlcgiiuBe" e "Sport Club Internacional" cada vez
que os dois se enfrentavam.

- reclamava. — Estava pensando um jeito de encurtar isso. de criar uma
expressão que definisse o jogo.

Inicialmente. Martins propôs Inter-Gre. mas. como bom gremista, não queria colocar o
Internacional na frente. Decidiu-se, então, por Gre-Nal. Escreveu a palavra várias vezes na mesa de
mármore do café e pediu aos amigos que ajudassem a divulgá-la. Não publicou a nova expressão no Correio
por temer que um secretário de redação colorado a proibisse. Mas ele e os amigos saíram pelas ruas a chamar
o clássico de Grenal. Aos poucos, a população foi usando o termo. Até que um dia. em 1933. quando Martins
já abandonara o jornalismo, viu a palavra Grenal impressa na página de esporte do Correio do Povo.
Pronto, tornara-se oficial.

Pode-se afirmar, pois. qoe o primeiro Grenal a ser conhecido como tal foi

-

A história dos Grenais

o de 27 de junho de 1926. Um Grenal com recorde de público: sete mil pessoas deixaram de ver o filmaço
"Peccador Divino", com o Rudolph Valentino e Helen D'Algy, exibido pelo Cine Central, e tomaram os
bondes linhas G. T e A para a Chácara dos Eucaliptos. Todos esperavam presenciar um espetáculo. Um, TJ.IÍS
letrado e empolgado, chegou a compor uma quadrinha brincando com os

nomes do meia do Grémio, Esperança, e o centromédio do Inter, Lampinha: "Lampinha projecta a luz
Esperança luz projecta Por isso conduzirão a flux de forma muito correcta"

Os jogadores até que iam conduzindo a. flux de forma relativamente correcta. O problema foi a
interferência intempestiva de um torcedor do Inter. descrita assim pelo redator do Correio do Povo:

"O match corria na melhor ordem, embora sem lances empolgantes ou technica impecável, quando
um ardoroso torcedor do pavilhão alvi-rubro, numa má compreensão das normas de educação sportiva e do
papel de torcedor, invadiu o campo de bengala em punho, aggredindo o juiz do match, vibrando-lhe "epetidas
pancadas". Após condenar a covarde agressão, o róseo acrescentou:

"Não encontramos qualquer attenuante ou evasiva que justifique tal atti-tude".

As repetidas bengaladas vibradas no desditoso árbitro, Manoelito Ruiz, do Americano, foram fortes
mesmo. Ele teve que ser subsituído por um cidadão conhecido como Senhor Zapp. Que também não conteve
os ânimos dos torcedores. Um grupo de soldados da Brigada, fardados e armados, aprontou a maior confusão
no estádio. Brigaram com outros torcedores, a luta estendeu-se ao campo e o jogo foi encerrado a dez
minutos do final do tempo regulamentar. No placar, 4 x l para o Grémio, gois de Luiz Carvalho, Esperança e
dois de Coro. descontando Barros para o Inter.

A decisão do campeonato foi disputada a 14 de novembro. O Grémio venceu o Grenal por 4 x 3 e tornou-se
bicampeão. Os melhores do jogo? Luiz Carvalho e Lara. Luiz Carvalho marcou dois gois e Lara transformou-se
num muro atrás da defesa gremista. Finalizada a partida, o ponteiro-esquerdo Barros, do Inter. abestalhado com
aquela atuação monstruosa do goleiro, atravessou a área e cumprimentou-o.

33
A história dos Grenais

— Parabéns — disse, apertando a enorme mão do goleiro. — Estou muito impressionado.

Como ca mpeão da cidade, o Grémio habilitou-se a disputar o Campeonato Gaúcho. Chegou
à final a 5 de dezembro contra o Guarani de Bagé, na Chácara das Camélias. Até então não existia a figura
do técnico profissional. Quem treinava e escalava o time era o capitão. No Grémio, curiosamente, o capitão
terminou sendo reconhecido mais como técnico do que como jogador. Chamava-se Telêmaco Frasão de
Lima e atuava na importante posição de centromédio. No antigo esquema 2-3-5. o centromédio tinha a
incumbência de distribuir o jogo. de ser o irradiador de jogadas do time. Machucado, Telêmaco não pôde
participar da final contra o Guarani. Luiz Carvalho ofereceu-se para substituí-lo, passando Pitoco para o
ataque. Foi um desastre. Em poucos minutos, o Guarani marcou dois gois. Ainda no primeiro tempo, Luiz
Carvalho voltou ao ataque. Pitoco foi deslocado para a ala e Adão passou para centromédio. Desta vez deu
certo: o Grémio conseguiu empatar em 3 x 3 no primeiro tempo e virou o jogo no segundo: 4x3.

Grémio campeão gaúcho pela terceira vez. Os colorados se descabelavam. Nenhum deles mais do
que Antenor Lemos, com seu ódio figadal ao clube do Moinhos de Vento. Fora do gramado, como dirigente
do Inter ou da Federação, Lemos importunava mais ao Grémio do que como jogador. Se fosse preciso,
brigava a socos, mesmo quando presidente do Colorado. Valia-se de todos os métodos, lícitos ou não. para
beneficiar seu clube.

Certa feita, exercia a presidência da Federação e percebeu que, na pen-denga de um tema qualquer, o
Grémio contava com a maioria. Convocou a reunião de votação para moa. sala fechada e distribuiu imensos
charutos a todos. Quando chegou o rrprra Hmtt do Cruzeiro, um senhor asmático favorável à tese
gremista. o ambiente estava enfumaçado como um saloon de pôquer. Bastou o dirigente encher uma vez
os pulmões com aquele ar pestilento e a asma lhe estrangulou os brônquios. Arquejando e tossindo, o
cruzeirista teve de ser levado para casa, enquanto a votação empatava. Aí, Antenor Lemos, como presidente,
deu o voto de minerva em favor da tese do Internacional.

A Antenor Lemos o Inter deve a quebra do preconceito racial, em 1925,

34

A história dos Grenais

com a entrada no clube do primeiro negro, o ponteiro-direito Dirceu Alves. O ingresso de Dirceu. no
entanto, serviu mais como marco do que de abolição da discriminação. O Inter continuaria a desprezar
discretamente os negros até os anos 30, pelo menos. Ainda em 1927, o Internacional finalmente venceu o
Grémio. Mas só com jogadores brancos. O ídolo do time era o ala Ribeiro, proprietário de um pontente chute
de perna direita. No ataque, o capitão Banos se encarregava de marcar os gois. Com dois deles no goleiro
Lara, em 12 de junho de 1927, mais um de Nené, o Inter venceu o Grenal por 3 x l e levou o Campeonato
da Cidade. Eufórico por ter superado o rival, o Colorado passou por cima dos demais adversários e venceu
o primeiro Campeonato Gaúcho de sua história.

Os colorados festejaram muito o título, mas ele seria apenas o interregno entre uma fase ruim e outra
péssima. A dor voltou aos corações vermelhos por mais seis anos. De 1928 a 1934 foram disputados 16
Grenais. O Inter venceu três. O Grémio venceu onze. Pior: por muito pouco o Internacional não fechou as
portas. Isso, cruel ironia, devido a um erro de raciocínio do seu maior dirigente, Antenor Lemos.
Aconteceu em 1928. Os gestores do Asilo da Providência procuraram um dos diretores do Inter, o
jornalista Arquimedes Fortini, e comunicaram-lhe que iriam vender o terreno da entidade no bairro Azenha.
Sobre aquele terreno estava construída a Chácara dos Eucaliptos, o estádio do Colorado. Arquimedes se
assustou. Mas os dirigentes logo o tranquilizaram: a preferência de compra era do Internacional. Por 40 mil
contos de réis.

Tratava-se de uma fortuna. O Inter não tinha esse dinheiro. Arquimedes e outros dirigentes, então,
decidiram apelar para uma abastada família colorada. os Chaves Barcellos. Afinal, dois deles, Plínio Chaves
de Figueiredo e Pedro Chaves Figueiredo, jogavam no Inter. Os Chaves Barcellos não esconderam a carteira.
Dispuseram-se a emprestar a quantia ao Internacional sem prazo fixo de pagamento. Chegaram a insinuar
até que aquilo poderia ser contabilizado como uma doação ao clube.

Tudo parecia resolvido. Parecia. Na hora de consolidar o negócio. Antenor Lemos se opôs.
Considerava 40 mil contos um absurdo.

A história dos Grenais

— Além disso, — bradava, inflamado como de costume — o Internacional tem que viver de
conquistas esportivas, não de glórias materiais.

Realizada a votação. Antenor Lemos, evidentemente, venceu. Arquimedes Fortini e seu grupo
ficaram tão irritados que abandonaram o clube.

Sem sede, sem campo, o Internacional foi arrefecendo até tornar-se moribundo. Foi então que surgiu a
mão do salvador. O jovem engenheiro lido Meneghetti suprimiu horas de trabalho da Dahne. Conceição &
Cia, da qual era funcionário, e liderou uma vigorosa campanha de arrecadação de fundos a fim de construir
um novo estádio para o Colorado. Com a venda de bónus no valor de 500 mil réis. Meneghetti levantou a
importância suficiente para construir o Estádio dos Eucaliptos, na rua Silveiio. em 1931.

Enquanto o Inter debatia-se pela vida como um afogado, o Grémio reforçava o time com um dos
maiores esportistas da história do futebol gaúcho: Oswaldo Azzarini Rolla. Os cabelos vermelhos
valeram-lhe o apelido de Foguinho e a prática do pólo aquático um fôlego cavalar. Como um guerreiro
viking. como um nuno servagem. ele jamais desistia da luta. Combatia o adversário em todos os quadrantes
do campo. Pasmados de admiração, os torcedores, não raro. nem bem haviam cessado os aplausos a algum
petardo desferido por Foguinho na anca inimiga c já viam-no roubando a bola no campo de defesa do Grémio.

De personalidade Ião forte quanto o seu chute de canhota, Foguinho sustentava a compleição robusta
e a disposição infindável às custas de muito treinamento. Alfaiate por profissão, nunca aceitou um conto de
réis do Grémio enquanto atuou como jogador. Mas o clube o apoiou como pôde. Em 1931, a fim de
permitir que Foguinho treinasse à noite, depois do serviço na Camisaria Aliança, o Grémio instalou na
Baixada o conjunto de luminárias pioneiro em estádios do Rio Grande do Sul. O jogo de inauguração dos
refletores, dia 28 de julho, é óbvio, foi um Grenal. Vencido pelo Grémio por 2x0, gois deles: Luiz Carvalho
e Foguinho.

Antes desta partida houve um outro amistoso: o Grenal de inauguração dos Eucaliptos, em 15 de
março. O meia Javel desconheceu a crise do Inter, o super-time do Grémio e. como um prenúncio de que o
Colorado se tornaria cada

A história dos Grenais

vez mais perigoso em inaugurações de estádios, marcou três gois em Lara -Inter 3x0.
A goleada foi uma das raras alegrias do Internacional desde a perda da Chácara dos Eucaliptos. Em
1928. nem Grémio nem Inter conquistaram o Campeonato da Cidade. O vencedor foi o Americano, graças
a um zagueiro imponente que seria titular da Seleção Brasileira na Copa de 1934. na Itália, e se consagraria no
Grémio a partir de 1935 - Luiz Luz, o Fantasma da área. No ano >eguinte, foi a vez do Cruzeiro alcançar sua
maior glória: campeão da cidade e do estado.

Mas depois de 1930 o Grémio empilhou títulos. Foi tetracampeão da cidade — 1930, 31, 32 e 33 —
e bicampeão do Estado — 31 e 32. A sequência do Grémio só foi barrada quando o Inter, finalmente, teve
em sua equipe um -egro de destaque, o meia Tupã. Alto, magro, goleador, Tupã deu ao Colorado o título da
cidade e o do estado em 1934. No ano seguinte, ele ganhou um companheiro de respeito, o atacante Darci
Encarnação.

Darci Encarnação era o pesadelo do Grémio. Em 1933, ele formava dupla com o centroavante
Cardeal no São Paulo de Rio Grande. Poucos centroa-vantes foram tão habilidosos quanto Cardeal. Não
chutava forte. Nem precisava. Colocava a bola onde queria, sempre fora do alcance do goleiro, com uma
suavidade maliciosa, com a segurança de um neurocirurgião. No final da carreira, corroído pela tuberculose.
Cardeal teve um pulmão inutilizado. E mesmo assim jogou algumas partidas. Ficava parado nas
proximidades da área, tendo à cabeça o boné vermelho que lhe rendeu o codinome. De repente, a bola caía em
seus pés. Era só o que precisava. Cardeal já sabia como o goleiro estava posicionado e, com maciez, atirava
a bola exatamente onde ele não a acharia.

Quem municiava os pés infalíveis de Cardeal no São Paulo de Rio Grande era Darci Encarnação.
Emérito driblador, Darci ziguezagueava entre os zagueiros até alçar a bola ao seu companheiro, no meio da
área. Assim eles derrotaram o Grémio em 1933. Darci fez um gol de falta em Lara no primeiro :empo e, no
final do jogo, com o placar em l x 1. ele deixou quatro gremistas sentados a drible e passou a bola para
Cardeal, livre, desempatar. Com esta credencial Darci veio para o Inter em 34. Completando a equipe, na
defesa o

37

A história dos Grenais

Colorado possuía o zagueirão Risada, insuperável nas bolas altas. O time estava pronto para ser bicampeão em
1935.

O certame de 1935 foi o mais importante desde a criação do Campeonato da Cidade, em 1910. Foi o
Campeonato Farroupilha, em comemoração ao centenário da Guerra dos Farrapos. A Redenção, ou Parque
Farroupilha, sofreu mudanças radicais por causa do festival do centenário. Porto Alegre passou o ano
vivendo o festival, embelezando-se para as comemorações. Foram insituí-dos trofeus para torneios de remo.
basquete, ténis, atletismo, natação, pólo e futebol. Em setembro, na semana farroupilha, chegou à capital do
estado o presidente da República. Getúlio Vargas, para prestigiar as festividades.

Em 28 de julho foi disputado o primeiro Grenal do Campeonato Farroupilha. O Inter. campeão
da cidade e do estado, era o favorito. O Grémio estava sem Luiz Carvalho, que se transferira
temporariamente para o Rio de Janeiro, onde defendia o Vasco da Gama. Mais grave era o caso de Lara. Dois
meses antes, numa partida contra o Santos, ele se chocara com o atacante Mário Seixas e sofrera uma
concussão no peito. Seu problema, então, veio à superfície: Lara era cardíaco. Mesmo contra as
recomendações médicas, Lara continuou jogando. E no Grenal do final de julho foi, de novo, um dos
destaques.
Mas o herói de fato terminou sendo o ponteiro-esquerdo Castilho, autor do célebre Gol do Avião.
Ocorreu que Castilho estava com a bola em frente a área do Inter no momento em que um avião passou a
fazer piruetas sobre o campo dos Eucaliptos. Acrobacias do género eram inéditas na Porto Alegre da década
de 30. O que levou o goleiro Penha e os zagueiros Natal e Risada, do Colorado, a se distraírem do jogo e
levantarem as cabeças para o céu, entre temerosos e surpresos. Castilho, por outro lado, não se descuidou da
bola e a mandou para as redes do Internacional. Graças ao Gol do Avião, o Grémio empatou o jogo em l x 1.
Depois do Grenal, estranhamente, Castilho sumiu, desapareceu. Diziam que os colorados, furiosos com o tal
gol, haviam-no raptado e que ele estava bem escondido numa casa do bairro Belém Novo. Castilho só
ressurgiu em 1936, jogando com a camisa vermelha.

Quando da decisão do Campeonato Farroupilha, em 22 de setembro, Castilho já estava
devidamente evaporado. O Inter faria de tudo para ganhar

38

A história dos Granais

jquele campeonato. Seus torcedores mostravam-se confiantes de que isso acon-ttceria.
Principalmente devido ao inesperado fracasso do Grémio, uma semana mtes, contra o Força e Luz.
O Tricolor atrapalhou-se todo. perdeu por 2 x O e deixou o Colorado com um ponto de vantagem.
Bastava um empate para o bi. Além do mais, o grande Lara não devia jogar. Sua doença se
agravara e os médicos o proibiram de entrar em campo.

No domingo, com a certeza da vitória colorada, um dos torcedores do Inter deu-se ao trabalho de
caçar 11 cachorros pelas ruas de Porto Alegre, pintá--. todos, de vermelho c amontoá-los dentro
de uma camionete. Conduziu o 1 para a frente da Baixada e foi para as arquibancadas. Seu plano
era de. encerrado o jogo, com a provável vitória do Inter, soltar a cachorrada no gramado, só de farra.

Não desconfiava o torcedor que naquele instante Lara comunicava aos dirigentes do Grémio
c aos seus companheiros de time que ele ia jogar de qualquer jeito. E que não tentassem demovê-lo.
Pouco minutos antes. Foguinho chegava à Baixada no bonde Auxiliadora. Passara a viagem
pensando em como derrotar aquele poderoso time do Internacional. Sequer reparara na paisagem ou
nos reclames pregados às paredes do carro, como os famosos versos construídos

sob encomenda pelo poeta Bastos Tigre:
"Veja, ilustre passageiro o belo tipo faceiro que o
senhor tem a seu lado. No entanto, acredite, quase
morreu de broquite: salvou-o o Rhum Creosotado"

Haveria Rhum Creosotado capaz de salvar o Grémio naquela tarde?

Dois terços do Fortim da Baixada estavam pintados de vermelho. O jogo nem começara e a
torcida do Inter pulava nas arquibancadas. Os gremistas só se animaram quando viram a figura
esguia de Lara entrando em campo.

Lara não decepcionou. O Inter dominou todo o primeiro tempo, rondou a área do Grémio,
atacou com perigosa insistência. Mas a zaga gremista tinha Dário e Luiz Luz, o Fantasma da área.
Por fim, a bola que passasse por eles acomodava-se nos longos braços de Lara. O primeiro tempo
terminou em O x 0.
39

A história dos Grenais

O problema era que 0 x 0 significava a morte para o Grémio. A torcida colorada passou o intervalo
comemorando, barulhenta. Na volta dos jogadores ao gramado, a festa vermelha aumentou. Lara. não
suportando as dores no peito, saiu, entrando Chico em seu lugar.

Estimulados pelo desfalque do adversário, os jogadores do Inter atiraram-se à frente. Os ataques se
sucederam cada vez com maior frequência. Dário e o Fantasma da área cansaram de tirar bolas de cabeça, de
bico de chuteira, de canela, de peito, de nariz. Colocavam o rosto na frente dos chutes colorados, tudo para
impedir a derrota. Na frente, seus companheiros não encontravam nenhum atalho para o gol.

A partida terminava aos 80 minutos — dois tempos de 40. Aos 37 do segundo tempo, o placar ainda
em O x 0. o torcedor colorado que guardara os cachorros vermelhos na camionete saiu correndo do estádio,
faceiro e saltitante como uma camponesa num piquenique. Abriu a porta de trás do carro e preparou-se
para levar os cães ao gramado da Baixada.

Faltando dois minutos para o final do jogo, o Grémio teve a seu favor uma falta na intermediária do
Inter. quase no grande círculo do meio de campo. O juiz Francisco Azevedo aproveitou para olhar no relógio
e conferir quanto faltava para encerrar a partida. Os torcedores colorados prosseguiam com a festa nas
arquibancadas.

Foguinho pegou a bola com as mãos. aproximou-se do centromédio Mascarenhas e cochichou no
seu ouvido direito:

- Levanta no meio da área que o Risada vai tirar e eu vou pegar o rebote.

Foguinho confiou a bola ao companheiro e caminhou rápido para a área colorada. Mascarenhas
cumpriu o combinado. Com o pé direito, alçou a bola à marca do pênalti. Lá estava Risada. O zagueiro do
Inter pulou mais do que todos os adversários e testou a bola para a frente. Ela descreveu um arco e caiu na
meia-lua da área. Bem onde a esperava a perna esquerda de Foguinho. O meia do Grémio não permitiu que
a bola tocasse o chão. Encheu os pulmões de ar, rilhou os dentes, jogou o peso do corpo na perna direita e
bateu. Ela saiu incandescente de seu pé esquerdo e foi incinerar as redes do goleiro Penha.

-

A história dos Grenais

Num átimo, as duas torcidas ficaram em silêncio, incrédulas. Décimos de segundo depois, o lado a/.ul
projetou-se das arquibancadas num grito só: gol!

Os jogadores do Internacional não acreditavam. Tontos, encaminharam-se ao meio de campo para dar
nova saída de jogo. O juiz apitou, a bola rolou, Foguinho deu o bote e recuperou-a mais uma vez. Saiu
correndo como um touro enfurecido, espalhando defensores, com os colorados que restavam de pé deses-
perados no seu encalço. Assim continuou Foguinho até a área do Internacional. Penha, vendo que ele ia gol
adentro, saiu para tentar a defesa. Quando o goleiro chegou perto, Foguinho encostou a bola mansamente
para o lado. onde estava seu companheiro Laci. O ponteiro só precisou empurrá-la para dentro do gol.

O juiz apitou o final do jogo. A torcida só podia gritar uma palavra: — Foguinho! Foguinho!
Foguinho!
No lado de fora do campo, um colorado não entendia nada. O mal-aven-turado proprietário dos
cachorros vermelhos tentara sair com eles da camionete quando Foguinho tez o primeiro gol. O foguetório
gremista assustou a cachorrada, contida com dificuldades pelo torcedor. Um minuto depois, no entanto,
estourou o segundo gol. Ninguém seguraria os cachorros enlouquecidos com as bombas, certamente irritados
por passar a tarde encerrados numa camionete, suando, latindo uns para os outros. A matilha avançou no
dono, que foi parar no hospital. Salvou-se das mordidas, mas quase sofreu um ataque cardíaco ao saber do
resultado do jogo.

Na Baixada, a festa não parava. Alguns jogadores e dirigentes continuaram comemorando noite
adentro. Entre um chope e outro, o técnico Sardinha I, emocionado, sugeriu que o título do Centenário
Farroupilha fosse comemorado por mais um século. Proposta aceita, desde 1935, em 22 de setembro, o
Grémio realiza o Jantar Farroupilha em homenagem àquela conquista heróica.

O goleiro Lara não participou do segundo Jantar Farroupilha. Terminada a partida, feliz com a
vitória mas contorcendo-se de dor, ele foi levado ao Hospital da Beneficência Portuguesa. Morreu dois
meses depois, comovendo colorados e gremistas. Porto Alegre parou e chorou ao assistir seu enterro.

A morte de Lara simbolizou, de certa forma, o fim de uma era do futebol

41

A história dos Grenais

gaúcho. O fim do amadorismo. Sem Lara, o Grémio perdeu o campeonato estadual de 1935 para o 9°
Regimento de Pelotas, que, depois desta conquista, passou a se chamar Farroupilha, exatamente por causa
do título. Em 1936, o Inter foi campeão da cidade, mas perdeu o Gauchão para o Sport Club Rio Grande, o
clube mais velho do Brasil. Aquele seria o último campeonato vencido por um time do interior em confronto
direto com a dupla Grenal. Em 1937, 38 e 39 Grémio e Internacional, em outra cisão do futebol gaúcho,
não disputaram o estadual. A dupla empenhava-se na implantação do profissionalismo no estado. Fundaram,
assim, sua própria Liga, profissional, enquanto a antiga FRGD patrocionou o campeonato estadual, ainda cm
caráter amador, com os demais clubes.

A despeito de toda a confusão, o campeonato metropolitano prosseguiu, e o Grémio, com a volta de
Luiz Carvalho, sagrou-se tricampeão.

Mas o Inter engendrava uma reação que transformaria aqueles 30 anos de hegemonia intermitente do
Grémio em um vulto no passado longínquo. Os chamados "negrinhos do Internacional" estavam sendo
reunidos aos poucos nos Eucaliptos, Eles formariam um time com futebol veloz e de beleza plástica que
mereceria o codinome com o qual passou para a história: O Rolo Compressor.
42

A história dos Grenais

"O Rolo Compressor"

arlinhos ficou até as 6 horas da manha no baile do Clube Tristezense. Dançou pouco. Preferiu,

C como sempre, limitar-se a circular pelo salão com seus ansiosos olhos de adolescente. Não tinha
mesmo nada o que fazer naquele domingo de junho de 1938, dia 6. O único plano, ainda assim
sujeito a cancelamento, era assistir à corrida de carreteras no circuito da Pedra Redonda, da qual
participariam João Pinto, Norberto Jung, Abelard Jacques Noronha e outros respeitáveis e arrojados jovens
da sociedade porto-alegrense.

Ao chegar em casa no amanhecer, Carlinhos acordou o pai e pediu que o chamasse em duas horas.
Entre um gole de café e uma mordida no pão com manteiga decidiria o que fazer. E estava neste dilema
quando, pouco antes do meio-dia, chegou um emissário do Internacional convocando-o para o Grenal que
seria realizado à tarde no campo da Timbaúva. Espanto. Sua ligação com o Inter não era nem um pouco
íntima. Apresentara-se ao clube dez dias antes para fazer teste nos aspirantes e três dias depois fora testado
num amistoso contra o Força e Luz. Fizera sucesso aquele dia, está certo, mas não chegara ao desatino de
acreditar que aos 16 anos ganharia uma vaga no time principal. Era um garoto sonhador, alegre, extrovertido,
mas não era louco.

E por ser assim tão consciente das coisas, chegou na Timbaúva às 13 horas, pouco depois de ter sido
convocado, pensando em disputar o clássico dos aspirantes, a preliminar. Mas desta vez sua consciência
estava equivocada. Máximo Bassegio, técnico dos aspirantes, e Bouças, o do time de cima. haviam

43

A história dos Grenais

sido loucos o suficiente para, em conjunto, decidirem que Carlinhos jogaria entre os titulares. A notícia
entrou pelos seus ouvidos, percorreu a espinha e gelou-o por completo. Pela surpresa, pela
responsabilidade, pela emoção do desafio. Mas adorava desafios. E entrou em campo sem conhecer a
metade dos seus companheiros. Nunca os vira nem mesmo das arquibancadas de um estádio. Sabia, por
ouvir falar, que havia um zagueiro de respeito, Risada, que o ataque tinha dois étimos jogadores, Acácio e
Castilho, e sabia, principalmente, que o meia-direita era o seu velho companheiro do Tristezense, Rui.
Do Grémio, ao contrário, sabia a escalação de cor e salteada. Edmundo; Dário c Luiz Luz; Jorge, Noronha
e Russo; Mesquita, Vanário, Luiz Carvalho, Foguinho e Casaca. Há dois anos o Inter apanhava daquele
Grémio. Luiz Carvalho e Foguinho eram mais do que jogadores, já eram tratados como lendas nas rodas de
futebol.
Por tudo isso, o empate de 4 x 4 naquele clássico de Timbaúva lotado teve gosto de vitória para os
sofridos torcedores colorados. E de descoberta. Na ponta-esquerda aparecera, para alegria dos vermelhos, um
ponteiro desaforado, ofensivo, com fome de gol. Um menino que criara a jogada de dois e marcara outro, o
terceiro do time, um golaço. Vanário fizera falta, Zezé cobrara à meia altura, da direita, e Carlinhos emendara
de primeira, certeiro. Pirilo marcou outros dois e Acácio completou o placar. Para os azuis, dois gois de
Casaca, um de Vanário e um dele, do legendário Luiz Carvalho. Descoberta ainda mais surpreendente do
que aquela feita pelos torcedores foi a do próprio Carlinhos no dia seguinte, no escritório da diretoria do
Inter, quando o apressado funcionário do clube, a mando do presidente lido Meneghetti, datilografava o seu
primeiro contrato com o Inter.

- Por quê Carlinhos? — perguntou o funcionário.

— Porque meu nome é Carlos Alberto Azolim Filho — explicou o jogador.

- Só se tu tiveres outra certidão de nascimento, porque nesta aqui teu
nome é só Alberto Azolim Filho.

O boquiaberto Carlinhos descobria, às vésperas de seu 17° aniversário, que de Carlos e Carlinhos não
tinha nada. Em novembro de 1921. o escrivão do

A história dos Grenais

cartório da Tristeza não prestara atenção quando o pai dissera o nome que queria para o filho e o Carlos que
deveria ser registrado ficou só na intenção daquele senhor que saiu apressado e tomou o rumo de casa, sem
conferir o documento.

A surpresa não entristeceu o menino. Era mesmo época de recomeço para o promissor craque e aquela
confusão de nomes só serviu para reforçar sua desconfiança de que o destino estava lhe aprontando
alguma. Alberto Azolim não nascera para ser Alberto. Carlos ou Carlinhos. Era para ser, e foi, Carlitos. E
Carlitos ficou no Inter até completar 30 anos, em 1951. Disputou 61 Grenais. um recorde, e marcou 485
gois.

A chegada daquele jovem goleador, com peito suficiente para roubar a festa que há anos era
comandada por maduros e competentes tricolores como Foguinho e Luiz Carvalho, marcou o surgimento
de um novo Inter. Melhor, mais veloz, ímpeto de ataque, e que só ficaria pronto alguns anos depois, pre-
cisamente em 1942. E pronto receberia a denominação de rolo compressor, uma máquina que passaria por
cima dos adversários, esmagando-os sem nenhuma piedade durante toda a década de 40.

Mas ninguém imaginava que surgiria um time como aquele na manhã em que Carlitos apareceu nos
Eucaliptos pela primeira vez. Fora convidado no começo do mês de maio para demonstrar suas habilidades
de zagueiro no São José. O pai, Alberto, não gostou da ideia. Moravam na zona sul da cidade e o campo do
São José ficava lá na zona norte.

— Procura um time mais perto, o Inter por exemplo, ali na Silveiro.

E o filho, que já tinha mesmo simpatia por aquele time que vestia cores idênticas às do seu Tristezense
— o vermelho, o branco e até o cinza das meias — não vacilou. Apresentou-se, fardou-se, sentou no banco
de reservas e na metade do treino, quando o técnico Bouças virou-se para eles e gritou "entra Carlitos", o
menino achou que era com ele e correu para o meio de campo como uma flecha. Na verdade Bouças chamara
Carlitos Baldo, um reserva já experiente do grupo, mas para um guri que acreditava chamar-se Carlos ou
Carlinhos. o grito soou familiar.
— Deixa o guri jogar — abriu mão o Carlitos mais velho, pouco disposto

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A história dos Grenais

a participar do trabalho.

E o Carlitos mais jovem arrasou. Nas semanas seguintes o armazém onde ele trabalhava como
balconista ganhou um funcionário bem mais disposto, orgulhoso e brincalhão. Ao atender conhecidos
gremistas, perguntava se não estavam assustados com sua presença no ataque colorado.

— Tu não é Boris Karloff nem nada — respondeu um azul com o deste-
mor de quem ainda era, oficialmente, campeão da cidade, um ser convicto de
que o Grémio continuaria mandando no futebol gaúcho.

Era um frio mês de junho. O cinema Rex passava Às Portas de Changai, um filme no qual Karloff
encarnava o assustador general Wu Yen Fang, "um homem que arrazava cidades, massacrava homens e
roubava as mulheres", como dizia — com um gritante erro de português na palavra arrasa — o cartaz.

No final daquele 1938 Grémio e Inter se encontrariam em mais um Grenal amistoso e nele os
colorados sentiriam que novos e melhores tempos estavam chegando. A certeza veio num dia de Finados.
"Choque sensacional entre a technica tricolor e o tradicional "sangue colorado", dizia o Correio do Povo.
Seria o clássico de despedida de Luiz Carvalho, "o crack n" l do Rio Grande do Sul, que terá por esse
motivo oportunidade de receber carinhosas demonstrações de affecto e sympathia". Mas não por parte do
Inter. Os colorados, ou diabos rubros como preferiu dizer o mesmo Correio no dia seguinte, ganharam por
6x0, vantagem nunca antes conseguida num clássico, e o árbitro Álvaro Silveira ainda anulou cinco gois,
alegando que dois haviam sido feitos com a mão e nos outros três os atacantes estavam impedidos.

— Porque anulaste tantos gois? — Perguntou ao árbitro, após o jogo. o
indignado presidente do Inter, lido Meneghelli.
— Era muito gol para um Grenal — respondeu, sem cerimónias. Álvaro
Silveira.
Assim o Inter não conseguiu retribuir os 1 0 x 0 que levara do Grémio no primeiro Grenal da história,
mas de qualquer forma o que antes era impensável, transformava-se na mais pura realidade. Já era possível
golear os poderosos. Foi um final de ano glorioso para os colorados, que transformaram-se nos mais alegres
personagens dos bailes sociais da cidade. Eram minoria nos clubes mais

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A história dos Grenais

ricos como o Leopoldina e o Náutico União, mas maiorais na algazarra e na bebedeira.

No Areal da Baroneza, ao contrário dos grandes clubes, as festas não tinham smokings ou
champanhes. Pés negros e descalços, embalados por cachaça, levantavam poeira nas esquinas da Barão e
da Baroneza do Gravataí. Quase todos pés colorados, afinal, raríssimos eram os negros que torciam para o
Grémio, pois o clube rejeitava-os como sócios ou como atletas.
— Era negro? Era bom? Era nosso! — lembra Abelard Jacques Noronha, dirigente que presidiu o Intcr
em 1943 e 1944.

E o melhor de todos os negros surgidos ali no Areal foi Osmar Fortes Barcellos, o Tesourinha. Uma
distinção que o próprio rejeitava. Dizia que o irmão era melhor, mas Ademar, o Tesoura, nunca chegou a
jogar num dos grandes clubes pobre e desassistido, morreu cedo, tuberculoso. O apelido de ambos vinha do
bloco carnavalesco do qual os homens da família Barcellos participavam, Os Tesouras.

Tesourinha, o mais jovem e franzino deles, chegou ao Inter em 1939. Tão franzino que não
acreditava em seu aproveitamento no clube, apesar das promessas do presidente Willy Teichmann.
Desconfiado, o negrinho de 18 anos assinou ficha nos Eucaliptos, mas continuou a participar dos treinos no
seu ex-time, o Ferroviário, dupla vida de jogador que durou até o dia em que Ferroviário (que viria a se
chamar Nacional posteriormente) e Inter se encontraram no campo do primeiro, na José de Alencar, onde
hoje existe um enorme supermercado. Escalado nos dois lados, o ponteiro ingressou, na marra, no time de
vermelho.

Naquele final de ano Tesourinha assinou seu primeiro contrato. Passaria a ganhar 200 mil réis, uma
exorbitância se comparada com o minguado salário que recebia como armeiro da Brigada Militar. Para
ganhar corpo e acabar com aquela imagem física doentia, ainda foi autorizado pelo médico do clube. Gildo
Russowsky, a pegar dois litros de leite e meio quilo de carne todos os dias num armazém da Silveiro,
próximo ao estádio. O agradecimento ao clube viria através de dribles longos, cruzamentos certeiros e
muitos gois. Para os gremis-tas, a tortura estava começando.

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A história dos Grenais

Seu primeiro Grenal, em 4 de janeiro de 1940, foi uma mostra clara do que estava por vir. Inter 6 x 1 .
Tesourinha, que sempre fora ponteiro-esquerdo, deslocado pela direita porque, na sua, já havia um dono
incontestável: Carlitos. Acácio fez três gois, Carlitos dois e Tesourinha um. Salvador, o gol de honra de um
Grémio que se desmanchava diante daquela força jovem que se impunha, diante de dois ponteiros
endiabrados. "Não havia nomes a destacar no onze colorado. Eram, todos, dignos um do outro, actuando com
indiscutível superioridade sobre o seu mais encarniçado rival de lutas", simplificou o jornal do dia seguinte.
Só no primeiro tempo o Inter fizera 5x0. Nas arquibancadas do estádio um jovem de 20 anos, filho do
português José de Oliveira Reis, se encantaria com o time, contrariaria o pai que era gremista, e passaria a
torcer para os vermelhos. O nome do jovem era Abílio, o Abílio dos Reis que décadas mais tarde se dedicaria
a formar para o Inter craques como Falcão, Carpeggiani e Dunga, entre tantos outros.

A 2a Grande Guerra corria solta na Europa, os franceses mandavam tropas e armamentos para
ajudar os finlandeses que apanhavam dos nazistas e Unity Mitford, moça inglesa filha do Lord Resdalfi,
amiga de Hitler, voltava para Londres com uma bala no pescoço após uma frustrada tentativa de ajudar a pôr
fim à guerra. No sul do Brasil, em Porto Alegre, os colorados não davam a mínima para tudo isso. O Rolo
estava prestes a ganhar seu primeiro título estadual. Ele se confirmaria em novembro, com duas vitórias sobre
o Grémio Bagé. O técnico era Orlando Cavedini e do lime ideal, aquele que ficaria para sempre gravado na
memória dos torcedores e na história dos Grenais — Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha,
Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos — seis já estavam nos Eucaliptos.

Eram eles Alfeu, que já jogara no Inter, andara pelo Santos, fora campeão estadual pelo Grémio
Santanense em 1937 e estava de volta ao clube; Assis, o Parobé, nascido em Uruguaiana, chute potente,
lateral que superava com facilidade qualquer ponteiro que aparecesse em sua frente e que tinha como único
ponto fraco a incontrolável paixão pela cerveja (algo que o fazia engordar c volta e meia o afastava do time
por excesso de peso. Parobé. seu apelido, vinha do bar onde costumava sentar e estufar sua proeminente
barriga); Russinho, o

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A história dos Grenais

"doutor" David Russowsky, tirado do Grémio pela lábia convincente do irmão Gildo, meia-direita que virou
exemplo maior de amor ao Inter (Pertencente à família abastada, poderia perfeitamente ter dispensado o
dinheiro que o futebol pagava a seus personagens na época, mas não o te/); Rui, baixinho do Alegrete,
irrequieto, incansável, e que por isso era conhecido pelo sugestivo apelido de Motorzinho; E finalmente os
dois ponteiros que ninguém segurava. Tesounnha e Carlitos.

Naquele 1940 o medo dos tricolores da Baixada sumiu por completo. Na temporada haviam sido
disputados cinco Grenais, os vermelhos ganharam quatro e mantiveram a média de quatro gois em cada um
deles. Nos cafés da rua da Praia, os gremístas mudavam de assunto, faziam de conta que desconheciam o
poderio crescente do Inter e gastavam saliva a falar da guerra. Na verdade poucos se importavam com os
tiroteios de além-mar e 'a maioria não tinha sequer uma ideia exata de quem era mocinho ou bandido na
história. Se o próprio mandatário do país, o são-borjense Gctúlio Dornelles Vargas, mantinha-se neutro e
silencioso a respeito do conflito, quem eram eles, simples trabalhadores, torcedores de futebol, simpáticos
a um clube de origem germânica, para bater boca em defesa de alguma das partes?

E assim como a guerra foi crescendo e acumulando vítimas nos campos de batalha da Europa, foi
crescendo também o poderio do Inter nos campos de futebol do Rio Grande do Sul. Em 1941
incorporavam-se ao time o centromédio Ávila e o centroavante argentino Vilalba. Ávila, um craque de bola
buscado em Pelotas. Um craque que quase perdeu seu lugar na história pela escassez de recursos da
medicina de então. Chegou a Porto Alegre sifilítico,um homem praticamente acabado para o esporte, uma
vítima a caminho do céu. O Hospital da Brigada recuperou sua saúde, o Inter a sua vontade de viver, e
ambos lhe deram o alvará de soltura para atirar-se outra vez ao trago, à noite, e às mulheres. Ávila, o King
Kong, o futuro rei do Cabaré do Galo, na Cabo Rocha.

Vilalba, um baixinho de Im66cm, bem ao contrário de Ávila, não se adaptou tão facilmente aos
vícios da urbanidade. Vindo de Santo Tomé, fronteira com São Borja, apegado a vícios interioranos. volta
e meia ameaçaria abandonar o clube para voltar à vida tranquila na divisa entre Brasil e

A história dos Grenais

Argentina, às margens do rio Uruguai, ou para esconder-se em qualquer outro lugar sossegado onde
houvesse carne farta, grandes extensões de terra verde para meter os olhos e sombra à vontade para tirar
uma soneca.

Com eles o Inter pela primeira vez repetiu consecutivamente a conquista do título gaúcho. Façanha
diante de um Grémio que tentava reagrupar forças e sugava as últimas energias de Foguinho. Esforço em vão.
O Rolo Compressor estava recém embalando e nem os próprios torcedores colorados sonhavam, mesmo
nos mais delirantes devaneios, que pela primeira vez na história um clube chegaria a repetir o título maior
do estado por impensáveis seis anos seguidos.

Em 1942 chegaram os rolamentos e as correias que faltavam e complc-tou-se o Rolo. As peças
encaixavam-se harmoniosamente. Pelas redações dos jornais da Capital, Vicente Rao, torcedor símbolo da
paixão colorada que se alastrava pelas ruas da cidade, espalhava cartazes onde uma patrola abarrotada de
jogadores do Inter amassava jogadores tricolores que mais pareciam répteis se arrastando pelo chão.
Décadas depois, mesmo com o clube do coração já tendo conquistado o Brasil, velhos torcedores ainda
dariam suspiros de sincera saudade ao ouvir a escalação que se completara naquele 1942 com Ivo Winck,
revelação do torneio metropolitano do ano anterior atuando pelo São José, goleiro que desprezava firulas
e acrobacias; Nena, zagueiro buscado na várzea, no time do Paraná do Caminho do Meio, apelidado de
cabeça de aço porque bolas aéreas tiradas por ele representavam perigosos contra-ataques; e o
lateral-esquerdo Abigail, o magrela, o fiapo, o seco, o velho (este último um apelido resultante da péssima
experiência de ingerir água contaminada e ficar com aparência envelhecida, cabelos caindo). Abigail jogava
no Força e Luz e trabalhava como lustrador na fábrica Miguel Stanckiewics. Um emprego que deixou ao
ingressar no Inter.

Máquina pronta, ajustada, e o tricampeonato veio de forma fácil, O Inter não perdeu nenhum jogo e
marcou 108 gois. No último Grenal da temporada a torcida comemorou antes. Os gremistas tiveram que
engolir a. flauta durante toda a semana que antecedeu o jogo. De tal forma que no domingo os jornais
circularam com recomendações para que a euforia vermelha fosse contida. Eles

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A história dos Grenais

estavam tão unidos e barulhentos que o delegado Câmara Canto foi aos meios de comunicação anunciar que
estavam proibidos abusos e que soltar ou portar foguetes e rojões, mesmo nas imediações dos Eucaliptos,
resultaria em cadeia.

— Os infratores serão conduzidos à repartição central de polícia e. em
seguida, processados — anunciou, ameaçador.

Carlitos fez dois, Tesourinha um, Vilalba outro, e o Inter meteu 4x2. Contrariando a ordem do
delegado, foguetes espoucaram insistentemente pela cidade, especialmente no bairro Menino Deus.

Diante de tamanha humilhação, o Grémio obrigou-se a fazer mudanças radicais em seu grupo de
jogadores. A defesa parecia ser o ponto mais fraco. Júlio, bom goleiro que sobrara nos Eucaliptos com a
chegada de Ivo, foi contratado, Clarel seria o novo homem forte da defesa, no meio entraria o esforçado e
lutador Badanha, e no ataque chegaria a vez de Touguinha. O primeiro clássico do campeonato daquele ano,
empate em 3x3, fez a diretoria do clube concluir que estava no caminho certo. No mês seguinte, julho, um
segundo jogo, 3 x 0 para o Inter, deixou o presidente gremista Waldemar Fonte com uma pulga atrás da
orelha. Mas haveria um terceiro e decisivo Grenal, ele seria disputado na Baixada, e em casa o povo
gremista seria vingado.

Tudo foi cuidadosamente preparado para que a série de títulos do Inter fosse interrompida naquele
domingo. Promessa de prémio gordo para os jogadores, espaço limitadíssimo para a torcida adversária e
orientação para que, de maneira alguma, os seguranças deixassem entrar no estádio a tal Chica, a cabrita de
propriedade de um certo Lothar, que o futuro rei Momo da cidade. Vicente Rao, garantia ser o símbolo da
sorte e da força colorada. Os supersticiosos torcedores acreditavam nisso e a notícia de que Chica não
entraria na Baixada os deixou de cabelo em pé.

— Chegamos ao estádio, entramos pela ruazinha dos Alemães e nos revistaram como se fôssemos
ladrões, como se pudéssemos esconder uma cabrita dentro de uma sacola — lembra Abigail, que ao lado de
Carlitos é o único dos integrantes do Rolo que ainda está em Porto Alegre para contar tais histórias.
Vicente Rao não se deu por vencido. Escolheu alguns dos mais fortes

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A história dos G renais

torcedores, pessoal da estiva, do porto, arrebentou algumas tábuas que cercavam o estádio e Chica, triunfante,
ingressou na Baixada. Foi um foguetório só.

— A torcida parece que vibrou mais com a entrada do bicho do que com o nosso time — conta
Abigail.

O jogo foi disputadíssimo. Chances se alternando de ambos os lados, os goleiros Ivo e Júlio tirando
tudo, os laterais Vinícius e André conseguindo com esforço sobre-humano segurar Tesourinha e Carlitos,
enquanto Touguinha dava trabalho como nunca aos imbatíveis Alfeu e Nena. Mas quando faltavam oito
minutos para o final do jogo, brilhou a estrela da cabrita Chica. Ela iluminou Rui, e na cobrança de falta a
bola que tomava o rumo da linha de fundo fez uma leve curva e entrou na forquilha esquerda. Estava,
outra vez, liquidado o Grémio. Desde 1932 um Grenal não se limitava a um único gol. Chica foi carregada
nos ombros, da rua Dona Laura até a Silveiro. Na avenida Independência os gremistas mais raivosos jogavam
baldes de água pela janela, agressão que servia apenas para aliviar o suor de colorados que pulavam
enlouquecidos.

As glórias que se acumulavam dentro de campo elevavam os jogadores colorados à condição de
semideuses da capital dos pampas. A fama já chegava a Rio e São Paulo, fazendo com que no encerramento do
ano de J 943 pelo menos três jogadores do Rolo fossem assediados por grandes clubes do País. O Diário de
Notícias informava que o Corinthians oferecia Cr$ 160 mil para levar Tesourinha e Ávila. Que Alfeu
estava nos planos do São Paulo. E que o Botafogo, só por Tesourinha, a meaçava pagar exorbitantes
Cr$ 200 mil cruzeiros.

Os colorados viviam uma fase de sonhos. Tesourinha e Abigail criaram coragem e foram falar com o
patrono do clube, lido Meneghetti, para que os ajudasse a comprar a sonhada casa. Ganharam mais do que
ajuda. Ganharam dinheiro suficiente para comprar o que queriam sem precisar mexer em suas economias.
Abigail comprou a sua na rua Dom João VI. Tesourinha um terreno próximo ao estádio, na própria Silveiro,
ficando ainda com a promessa de que o clube construiria a casa para ele.

— O seu lido prometeu, o seu lido prometeu — repetia todo santo dia.

Uma tarde, em meio ao treino, Tesourinha cochícou a Abigail que um

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A história dos Grenais

torcedor acabara de dizer a ele que estavam largando algumas pedras no terreno.

- Vai lá conferir — sugeriu o lateral.

Tesourinha saiu correndo e minutos depois reingressou no campo de treinamentos, esbaforido,
comunicando a Abigail:
— Botaram um monte de pedras lá. Um montão de pedras.

Ávila curtia a fama e o bom momento de outra forma. Ao contrário dos demais, preocupava-se mais
com a hora do sol se pôr, para poder ir até o bar Dalila, na esquina da Azenha com a Marcílio Dias, e tomar
descansadamente sua cerveja favorita, a Continental. Ficava na sala dos fundos, onde havia duas mesas de
bilhar e uma de snooker, local separado do ambiente onde era servido o elogiado bife a pé do Dalila. O
garçom. Banha, sabia bem como tratar o ilustre freguês: jamais deixava que as garrafas se acumulassem à
mostra, pondo-as cuidadosamente debaixo da mesa. Um gesto de precaução caso os dirigentes do Inter
aparecessem de surpresa.

E isso acontecia com alguma frequência. Gildo Russowsky desperdiçou muitas horas de suas noites
atrás do jogador. Pegava seu Chevrolet 39, preto, e ia bater na porta da casa onde morava a sogra de Ávila,
dona Sofia. Lá era informado por ela (diante do balançar de cabeça afirmativo da filha Francisca) que o
genro saíra de chinelo e pijama para ir até a esquina. E era assim mesmo que Gildo o encontrava no Dalila.
Não estivesse lá, o dirigente já sabia o local do segundo esconderijo: o cabaré do Galo. na Cabo Rocha,
hoje Freitas e Castro. Ali Ávila era rei.

O cabaré do Galo era o cinco estrelas naquele pequeno amontoado de prostíbulos. Só o Salão Casique
(assim mesmo, com S) conseguia fazer frente e roubar um pouco da melhor freguesia. Ávila recebia tratamento
VIP e reclamava apenas que ali não serviam cerveja Continental, só a Oriente. A ralé que compunha seu grupo de
amigos no Dalila, sem dinheiro para pagar a companhia de profissionais tão formosas — e muitas vezes sem ter
sequer a consumação de CrS 1.50 por um trago — tinha de se contentar com a casa de Dona Estimada. Ali. a
trepada custava só 5 mil réis. Walter Lydio Couto, hoje um comportado engenheiro aposentado, amigo de
Ávila, lembra com detalhes aquelas noitadas inesquecíveis:

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A história dos Grenais

- Enquanto o Ávila curtia as mordomias do Galo, nós entrávamos numa fila para trepar na casa da
Dona Estimada. Uma mulata de boca torta organizava a fila. Após muito esperar entrávamos sem saber quem
encontraríamos lá dentro. O quarto tinha uma cama, uma bacia e dois baldes. A prostituta limpava a vagina
com a água de um balde, acocorada sobre a bacia, e depois despejava a água suja no outro balde.

Apesar desta imagem tão anti-higiênica, a fase do Rolo compressor naqueles anos 40 deve ser
descrita como "romântica". Os jogadores — tanto os vitoriosos colorados como os derrotados gremistas —
vestiam a camisa de seus clubes com amor e respeito. O exemplo de dedicação dado por tricolores e colorados
no campeonato de 1944 tornou aquela competição uma das mais dis putadas e bonitas de todos os tempos.

O Inter ganhou o primeiro Grenal do campeonato em abril, com um 4 x 2 no estádio dos Eucaliptos. Em
maio, antes do segundo clássico oficial, num amistoso que serviu de inauguração da nova bandeira Tricolor
— e durante o qual foi prestada uma homenagem aos pracinhas da Força Expedicionária Brasileira que
partiam para a Europa para ajudar a liquidar o já morimbundo movimento nazista — outra vitória colorada,
por arrasadores 7x3. Por este retrospecto no ano, todo o Rio Grande apostava que no segundo clássico para
valer, dia 13 de agosto, o Inter venceria com facilidade e liquidaria o campeona to citadino. Uma charge da
Folha da Tarde que circulou no dia do encontro mostrava uma senhora gorda, gremista, apontando para uma
folha do calendário e mostrando que era 13 de agosto. O senhor, colorado, respondia: "Ora, deixe disso
vizinha, esse negócio de azar não pega. No Grenal ganha quem j oga melhor, o resto é conversa mole".
A convicção da vitória colorada aumentou ainda mais ao encerramento do primeiro tempo do jogo
que se realizava no Fortim da Baixada, pois com gois de Elizeu (que substituía Carlitos, machucado), Rui e
Adãozinho, os colorados largavam com 3x0. "Mais um, mais um", gritavam os torcedores enquan to os
jogadores caminhavam para o vestiário.

Nas sociais do estádio, grupos de gremistas reuniam-se e tratavam de dar início a um abaixo-assinado
para derrubar a diretoria. Ao mes mo tempo, encer-

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A história dos Grenais

rado com seus jogadores, o técnico Telêmaco Frazão de Lima procurava superar aquele ambiente desolador:

- Um gol no começo do segundo tempo e teremos alento psicológico para equilibrar o jogo.

O gol veio logo no 3° minuto, através do uruguaio Ramón Castro. Bentevi fez o segundo. Agora
era a torcida gremista que gritava "mais um. mais um", já acreditando no empate que viria antes do 30°
minuto, outra vez com Ramón Castro. Era fantástico o que estava acontecendo naquele estádio superlotado
(renda recorde de Cr$ 38 mil cruzeiros), era quase inacreditável. E aos 38 minutos, para deixar os colorados
ainda mais incrédulos, o meia-esquerda Ivo Aguiar buscaria a bola em seu campo, atravessaria toda a zona
intermediária, passaria ao ponteiro-esquerdo Mário, que invadiria a área acossado por Alfeu e daria um chute
certeiro, sem chances para o goleiro Ivo Winck.

Aquele final de tarde causou especial surpresa nos torcedores do Inter que assistiam a sessão das
quatro do Cine Guarani, entre eles o futuro cartunista da Revista O Globo, Zeca Sampaio, um colorado
fanático que estava acompanhado da namorada. Como era Grenal, a cada gol que saía o projetista botava na
tela a informação. Inter l x 0. 2 x O, 3 x 0. O cinema já estava virado em salão de carnaval. Aí uma pequena
fumaça começou a sair da sala de projeção e alguém berrou: "Fogo". A correria tomou conta do ambiente. O
lanterninha tentava parar as pessoas e dizia que o problema seria solucionado. Zeca e a namorada ficaram
encostados na parede, esperaram, esperaram, até que desistiram e resolveram ir embora. Na saída, ele
dirigiu-se ao pipoqueiro, pediu um saquinho e aproveitou para perguntar:

— Quanto foi o Grenal? — Foi 4x3 pró Grémio.

Zeca Sampaio só foi acreditar no dia sequinte quando as manchetes do dia botavam o Grémio nas
alturas. "O quadro gremista reviveu ontem a sua tradição gloriosa", dizia o Diário de Notícias, logo abaixo
de uma manchete enorme que garantia ter sido aquela, "A mais impressionante vitória do Grémio".

Para os colorados foi difícil deglutir aquela derrota. Até hoje fala-se em

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A história dos Grenais

sucos que teriam, ainda na concentração do time na Vila Elza, recebido misturas, dopado e deixado tontos
os craques do Rolo durante o intervalo. Os dirigentes colorados diziam saber inclusive o nome dos espiões
gremistas que teriam feito o trabalho, mas, curiosamente, negaram-se, sempre, a revelá-los.

De qualquer forma eles teriam sua vingança dois meses depois, no terceiro e decisivo encontro, em
campo neutro, na Timbaúva. Um jogo dominical que o Inter começou a vencer na quinta-feira. Carlitos, que
operara os meniscos do joelho direito 23 dias antes, no hospital São Francisco da Santa Casa, repousava
em casa quando lá chegaram seus companheiros de time. Iniciou-se então uma conversa boba sobre o tempo
e sobre o progresso da cidade, repentinamente interrompida pelo acamado:

— Afinal, o que vocês estão fazendo aqui? Não deviam estar concentra
dos para o Grenal?

Em nome do grupo. Tesourinha respondeu:

— Bem... Acontece que...
— Entra logo no assunto — incentivou Nena.
— Tá bom... Olha, Carlitos, nós decidimos que tu vais jogar.
— Não precisa nem jogar, é só vestir a camisa — complementou Assis.
A resistência de Carlitos não durou muito. No mesmo dia intensificou

seus exercícios de fisioterapia e no domingo entrou em campo para enfrentar um Grémio que só precisava
do empate para matar a saudade de um título. Seria "O Grenal mais sensacional de todos os tempos",
anunciava a Folha da Tarde. As edições jornalísticas despejavam, naquele dia, notas curiosíssimas sobre o
clássico. Estava lá. na página de esportes do Diário de Notícias: a Casa Soares, da rua dos Andradas, oferecia
uma deslumbrante camisa no valor de Cr$ 60,00 para ser sorteada entre os jogadores do clube vencedor. E a
empresa Lipio & Ludwig, fabricante da caninha Grenal, oferecia "uma dúzia de garrafas do precioso
líquido" para ser entregue ao jogador que fizesse o gol da vitória, mimo que fez o redator da Folha redigir
uma pérola: "Pode-se facilmente concluir que a façanha será festejada de maneira bastante espiritual". Tinha
mais. Um grupo de torcedores do Inter adquiriu 11 apólices de seguro contra acidentes de trânsito, na
Companhia Equitativa, para ser entregue aos jogadores caso vencessem.

A história dos Grenais

"Assim o triunfo facultará aos defensores rubros arrojarem-se de joelhos até mesmo debaixo de um bonde",
dizia o mesmo jornal. E um outro torcedor colorado enviou duas dú/.ias de lápis para ser entregue àquele
que fizesse o primeiro gol no clássico, iniciativa que resultou no seguinte comentário: "A dianteira rubra
está na obrigação de fazer gois lapidares".

O bom humor destilado pelos editores de esportes se completou com a reprodução, no Diário, de um
bate-boca que havia ocorrido na sexta-feira, entre o torcedor símbolo do Inter, Vicente Rao, e Noventa e
Nove. um jovem de 20 anos, gremista dos quatro costados, que levava o apelido porque 99cm era
exatamente a sua altura. Noventa e Nove, ou Jorge Batista de Oliveira, foca até o Banco do Comércio, onde
trabalhava Rao, para provocá-lo.

— Não julgues, Rao, que venho aqui te jogar contetes e fazer rapapés nesta manhã nublosa e
molhada. Sei que vives a fazer promessas a São Judas, o santo milagroso da época e para Santa Clara, a dona
das chuvas, para que continue a cair água a fim de vocês, colorados, poderem preparar melhor o quadro.
— Ora, tira o petiço da chuva, baixinho petulante. Então pensas que energia, resistência,
sangue, combatividade, coragem e vontade de vencer estão racionados pelo Caergs? Temos um título de
tetra e vamos promovê-lo a penta no Grenal.
— Qual penta, qual nada. Vocês não têm competência nem pinta para pularem na ponta. Isso é
mera balaca. Aliás, neste particular não te respeito. Sou pequenino mas sei vibrar com a voz. Não te iludas
pois sou, com meu tamanho. folião incorrigível. Se você vir provocar, saia já para fora.
Ato contínuo, Vicente Rao enveredou pela porta interna do estabelecimento bancário e saiu pelas
escadarias onde Noventa e Nove já o aguardava, ao lado do repórter que já estava preocupado com o rumo
que as coisas tomavam. Mas, conhecendo o espíriív brincalhão de Rao, este manteve-se frio até mesmo
quando o grandalhão colorado segurou o baixinho, e mantendo-o preso em seus braços disse:

— Vamos arrasar o time de Telêmaco c acabar com estes devaneios. Se tu soubesses um pouco da
geografia saberia que duas probabilidades contra uma sempre demonstraram através dos corpos opacos que a
coisa está para os colorados.

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A história dos Granais

Noventa e Nove não entendeu nada, ergueu o braçinho e apontando quatro dedos para o céu exclamou:

— Há um Deus lá em cima que me saberá vingar.

— Não vai chover, o Grenal vai sair e o Inter não perderá o penta.
— Não adianta Rao, sangue colorado é sangue ruim. O sangue bom é
azul.
E, dita a última frase, o picurrucho gremista desvencilhou-se e saiu zunindo pela rua 7 de
Setembro, rumo à sede tricolor.

Na tarde sem chuvas de domingo, Noventa e Nove decepcionou-se com seu Deus bem cedo. O árbitro
Henrique Maia Faillace, conhecido como Rei do Apito, autorizou o início do jogo. Os gremistas deram o
primeiro toque, Adãozinho roubou a bola, deu um drible rápido em Touguinha, fez o passe para Tesourinha e
este então lançou Carlitos que, enfiando-se área adentro deixou bola bater em seu peito e emendou de
primeira, no ângulo. A bola não correra mais do que 20 segundos e o Inter já estava na frente.

Aos oito minutos do segundo tempo, já capcngando em consequência de um pontapé recebido na
perna operada, Carlitos bateu um escanteio, o goleiro Júlio soqueou a bola e o uruguaio Vòlpi, de voleio,
fez 2 x 0. O Grémio, que dois meses antes conseguira aquela grande virada na Baixada, não se entregou e aos
23 minutos o lateral-esquerdo Sanguinetti — outro uruguaio — deslocado pela direita, fez um lançamento
para Bentevi. Este cruzou alto, no segundo poste da pequena área colorada, e o terceiro uruguaio do jogo,
Ramón Castro cabeceou descontando. A partir de então, o Inter defendeu-se como pôde. Carlitos mal
caminhava. Assis, com torção no tornozelo, não podia mais dividir bolas e Tesourinha recuou para fazer a
função dele na lateral. Não era possível fazer substituições naquela época, é bom lembrar, e com inferioridade
numérica, os colorados se multiplicavam para garantir a vitória. Volpi, que fizera o segundo gol do Inter — e
mais tarde levaria 12 garrafas de canha Grenal para casa — era o único que não pegava junto, não punha o
coração em jogo, despertanto por isso a ira do negrão Ávila, que gritava:

— Luta, castelhano covarde.

O castelhano se encolheu ainda mais. Alfeu também se machucou e o

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A história dos Grenais

Inter ficou reduzido a sete jogadores inteiros. Mas resistia de forma brava. No último minuto, confusão total
na área, a bola sobrou para o gremista Ivo Aguiar, sozinho, e os torcedores do Inter juntaram as mãos em sinal
de prece, para que algum defensor invisível surgisse de repente e impedisse a tragédia. Mas não foi preciso
ajuda do sobrenatural: Alfeu, que estava longe do lance, ignorou o problema muscular, correu arrastando a
perna e jogou-se a tempo de salvar o time. Ficou ali mesmo, estirado, urrando de dor, enquanto o povo
colorado urrava de felicidade. "Alfeu, Alfeu, Alfcu..." O nome do ídolo ecoaria durante toda aquela noite por
uma Porto Alegre vermelha, cor de sangue.

A vitória naquele Grenal inesquecível e a conquista dos pentacampeo-natos citadino e estadual (este
contra o Bagé) eram feitos suficientes para que o clube do povo se desse por satisfeito no ano. Mas teria
mais. O time. ou quase todo ele, foi representar o Estado no campeonato brasileiro de seleçõcs. Do Grémio,
só o goleiro Júlio, o que causou revolta entre os tricolores. Que. peto menos, levassem um atacante. Ivo
Aguiar, ou Touguinha, afinal era imcom-preensível que a camisa de centroavante titular fosse dada àquele
negrinho de baixa estatura, muito jovem, que só entrara no time principal do Inter porque Vilalba trocara o
clube do Sul pelo Palmeiras.

Pura dor de cotovelo. Adãozinho, o negrinho baixinho, jogava demais e. graças a ele, o Rio Grande do
Sul conseguiu pela primeira vez derrotar a temida seleção de São Paulo que tinha, como centroavante, o
experiente Leônidas da Silva, o Homem Borracha, ou Diamante. Negro (como o haviam apelidado na Copa
de 1938, quando fez oito gois e foi o artilheiro da competição). Nas semifinais, partida disputada no Rio de
Janeiro, o Inter, ou melhor, o Rio Grande do Sul, fez 2 x l em São Paulo e o pretinho, toco de gente, fez os
dois gois. além de ter sido considerado o melhor jogador em campo. Na segunda partida, ofendidos e, ao
natural, melhores, os paulistas fariam 5 x O e iriam à final contra os cariocas, mas independente do rumo que
o campeonato tomou. Adãozinho já fizera seu nome. Ele, Alfeu (que anulou Leônidas no primeiro jogo».
Ávila. Abigail e Tesourinha, encantaram a crónica do centro do País. Os jogadores do Rolo, com a camisa da
seleção gaúcha, ganhavam o reconhecimento definitivo. Na edição do Jornal do Brasil de 24 de novembro
daquele 1944. Ary Barroso.

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A história dos Grenais

cronista, letrista, anti-getulista, apresentador de televisão, narrador de futebol, autor da música/hino
Aquarela do Brasil (e ele odiava que o lembrassem invariavelmente como autor da Aquarela pois
considerava outras composições de seu vasto repertório melhores), faria o mais enobrecedor dos textos a
respeito do grande Inter da década de 40. O título de sua crónica era O Macumbeiro'.

"Rio, 23.

Nos áureos tempos do amadorismo puro, o jogador escolhia livremente o clube dos seus afetos e
envergava a sua camiseta com orgulho e entusiasmo. Os voos eram raros e, quase sempre, provocavam
escândalo. Quando um atleta qualquer trocava de clube, era cognominado sarcasticamcnte de borboleta. Os
borboletas podem ser os precursores da "insensibilidade clubística" que contaminou o nosso
profissionalismo. O regime da remuneração organizada (ou desorganizada?) veio acabar definitivamente
com o lado emocional do futebol. Hoje em dia o jogador não tem mais preferência. Vai para o grémio que
melhor lhe pagar. Não joga por causa do clube, se não pelo contrato a prazo fixo. Tanto se lhe faz vestir uma
camisa branca ou preta, azul ou vermelha, aqui ou em São Paulo, no Norte ou no Sul. Todo fim de ano é este
corre-corre tremendo em busca de craques, com operações mais ou menos escusas e expedientes geralmente
inferiores.

No panorama do profissionalismo brasileiro, porém, há um grupo de jogadores sui-generis. As
abarrotadas arcas de dinheiro dos clubes milionários do Rio e de São Paulo absolutamente não seduzem o
jogador deste grupo. São profissionais com mentalidade amadorista. Sentem-se bem onde estão e ouvem com
singular desinteresse as ternas e embaladoras canções das sereias astutas que os pretendem abraçar.
Refiro-me ao notável grupo de profissionais do Internacional de Porto Alegre!...

O estribilho destas canções de amor é o mesmo com pequeninas adaptações:

— Que é que vocês pretendem da vida, perdidos lá pelas lonjuras dos pampas? A felicidade está por
aqui. Há dinheiro, fama, popularidade, cartaz, enfim... Vamos pensar no dia de amanhã.

E eles continuam firmes no Internacional. Sai jogador do Pará, de

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Pernambuco, da Bahia, de Minas Gerais, do Paraná. Do Internacional não sai. Os emissários vão ao Sul e
voltam desnorteados com o livro de cheques intacto. Que será isso? Não é por falta das sereias cantar para
eles o chorinho buliçoso e metálico das cifras. Há qualquer segredo no apego destes profissionais do
Internacional ao próprio clube. Alguém dirá:

— São muito burros.
Responderei:

— De burro não têm nada. São divinamente sagazes e inteligentes. Querem saber o que um deles
me disse?
— Não me interessam as propostas formidáveis que constantemente nos fazem representantes de
clubes cariocas e paulistas. Não deixo o Internacional. Vivo bem por lá, rodeado de amigos sinceros,
protegido por meus diretores e amparado pela minha torcida. Porque hei de abandonar o agradável
ambiente em que vivo, pela ambição de mais alguns cruzeiros. .Nem tudo neste mundo se pode comprar com
dinheiro. Não, estou satisfeito no Internacional e já que comecei neste clube, nele hei de terminar minha
carreira. Se o futebol brasileiro precisar de meus modestos recursos, estarei a sua disposição com prazer
e honra. Agora, clube, só o meu.
Quando o craque terminou eu ainda continuei olhando para ele, meio tonto, meio abobalhado, sem
capacidade para articular uma palavra. Percebendo minha atitude sublinhou as suas expressões com este
período definitivo:

— É isso mesmo, "seu" Ary.

Uma espécie de tiro de misericórdia.

Sacudi a cabeça como quem espanta o sono e rapidamente dei um pulaço na cadeira e fui cair no
gabinete de trabalho do senhor Abelardo Noronha, na capital gaúcha, para perguntar-lhe com a sofreguidão
dos curiosos impenitentes:

— Presidente, o senhor que é macumbeiro do profissionalismo indígena, o senhor que faz
despachos terríveis e os coloca na porta da casa de seus jogadores a ponto de inocular-lhes a mística
internacionalista. o senhor que não tem medo de tenores e muito menos de sereias, o senhor feiticeiro dos
pampas, quer me revelar a sua reza milagrosa? Olhe, quem sabe não é isso que está fal-

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A história dos Grenais
tando ao futebol brasileiro e nós seremos capazes de fazer uma revolução no profissionalismo fazendo de
todos os jogadores gente da marca dos seus jogadores. Ah, pai de santo invencível, me dá um pouco de
seu marafo.

Porque, meus senhores a obra do presidente do Internacional tem sido tão útil, tão grande e tem
produzido tão admiráveis frutos que ele pode ser apontado como único em sua terra, pondo amor no coração
dos seus contratados e retendo no seu clube astros de invulgar brilho, como este gigantesco Ávila, este
satânico Àdãozinho, este incansável Abigail e esta maravilha que é Tesourinha. Eta macumbeiro brabo e
perigoso".

O jogador com o qual Ary Barroso falara era Àdãozinho e é difícil acreditar que, com toda sua
simplicidade, o centroavante colorado tenha travado diálogo tão fluente com um dos mais criativos e
eloquentes comunicadores do país. Àdãozinho deve ter se limitado a um "gosto do Inter e não quero sair", o
que, no final das contas, vinha a ser o mesmo. A indissolubilidade do lime colorado, tão elogiada por Ary,
também não era um fato tão concreto. Um dos heróis do Rolo, Russinho, já deixara o clube um ano antes, e
era substituído, ora por Cacho Perez, ora por Volpi, ambos castelhanos. Assis, que definitivamente perdia a
briga para a cerveja, gordo, sairia da equipe alguns meses depois. E o próprio Àdãozinho ocupava o lugar
do goleador Vilalba. Esta última, uma troca que não resultou em nenhuma desvantagem. O baixinho, como
escrevera Ary Barroso, era satânico.

Àdãozinho foi descoberto pelo próprio macumbeiro Abelard, batendo bola num campinho na
esquina da Ipiranga com a Ramiro Barcelos. Não foi preciso analisar de forma muito aprofundada o
desempenho do guri na pelada para ver que ele tinha qualidades técnicas incomuns. Estava na cara. Mas o
promissor atacante possuía outra qualidade incomum: a preguiça. Logo que ingressou no Inter, para jogar
nos aspirantes, não apareceu para um treino que seria realizado pela manhã. O presidente do clube foi
então buscá-lo em sua casa, e o faria mesmo que na porrada.

— Ele não está — disse a mãe de Àdãozinho. com ar sonolento.
— Não sei quem é mais sem-vergonha, se a senhora ou o seu filho —
retrucou Abelard.

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A história dos Grenais

E dito isso arrombou a porta do quarto do barraco e arrastou o centroa-vante. Adãozinho passou a
morar numa luxuosa casa de três andares na avenida Independência, a ter comida farta e boas roupas. A mãe,
lá no barraco, ergueu as mãos para o céu e deu graças a Deus.

Adãozinho ganhou urn quarto só para ele e.fazia as refeições com os funcionários da casa.

— Um dia você ainda vai me dar água na mesa do patrão — avisava à
empregada.

Um ano depois, após a grande campanha no campeonato de seleções de 1944, todo o grupo de
jogadores que representou o Rio Grande foi jantar na casa de Abelard. Quando a empregada entrou na sala
para servir. Adãozinho. orgulhoso, da cabeceira da mesa, exclamou:

— Não te disse? Não te disse?
Muito dinheiro entrou nos bolsos dos jogadores colorados na temporada. O clube abriu uma
caderneta de poupança na Caixa Económica Federal, para cada um dos seus titulares, no valor de Cr$ 3 mil
cruzeiros. Carlitos. fama de pão-duro, pegou mais Cr$ 1.500 que tinha economizado e comprou outro ter-
reno na Tristeza. O património aumentava. Nena e Tesourinha foram atrás e compraram terrenos ali perto.
Tesourinha vivia sua fase áurea. Casara no início do ano com a jovem Conceição Menezes, numa festa que
mereceu fartos registros nas páginas sociais. Ganhara presentes que totalizavam CrS 15 mil e sua casa na
Silveiro. pronta há horas, ficou abarrotada. "A popularidade é coisa séria e "não há quem a tenha mais que
ele no futebol gaúcho", registrou a Folha da Tarde.

A popularidade cresceu em 1945. Tesourinha foi eleito o melhor ponteiro do Continente durante o
campeonato sul-americano de seleções e jogou como nunca no campeonato estadual. O Inter ganhou os
três Grenais oficiais e. de lambuja, mais um amistoso, dando ao Grémio apenas o gostinho de um empole.
Tesourinha fez gois em todos os clássicos que valiam pontos. Inter. hexacam-peão gaúcho invicto no fim
da fase áurea do Rolo Compressor. De 1940 a 1945,o time jogara 28 vezes contra o Grémio, ganhara
19. empatara cinco perdera apenas quatro. Em gois, uma goleada total de 87 x 49.

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A história dos Grenais

Cansado de apanhar o Grémio apelou para todos os santos possíveis e imagináveis em 1946. Um
aglutinar de forças de dar inveja. Demonstrações de paixão doída. O presidente, doutor José Gerbasc, foi
longe buscar reforços. Trouxe do Vasco da Gama três aspirantes promissores, o lateral-direito Jorge, o
ponteiro-direito Cordeiro e o meia-esquerda Hélio, pondo-os à disposição de um estudioso do futebol, o
técnico Oto Pedro Bumbel. O vice-presidente Severino Nunes Filho achou que a presença de um patrono
daria maior dignididade ao clube, maior grandeza, e após uma alteração nos estatutos, foi criado o artigo
161, conferindo a Aurélio de Lima Py, "em homenagem aos serviços excepcionais prestados", o primeiro
título. Alguns conselheiros mais supersticiosos foram atrás do Homem dos Cachos, um pai de sant o
que morava na Mo s tardei ro, proximidades do campo da Baixada e que, uma década depois, ainda era
citado regularmente como responsável pela heróica e histórica vitória sobre os vermelhos no Grenal
Farroupilha de 1935. Prometeram grana preta para Dos Cachos, que só vestia branco. O chefe de torcidas,
Salim Nigri, idealizou e o diretor Flávio Obino institucionalizou, uma frase que passaria a ser levada em
faixas para o estádio a fim de dar incentivo e moral aos atletas: "Com o Grémio onde estiver o Grémio". E
completando o movimento de mobilização, Carlos Engelke Filho criaria uma publicação chamada
"Mosqueteiro", cujo símbolo, bota e espada a tiracolo passaria a identificar o próprio clube. A figura do
mosqueteiro, desenhada pelo chargista da Folha da Tarde, Pompeu, seria representada nos estádios por um
boneco de dois metros de altura.

O Inter, sabiam os gremistas, continuava melhor. Apesar de algumas mudanças ainda era o Rolo.
Um time que se dava até ao luxo de ter como técnico um uruguaio simpático, brincalhão, amigo de todos (na
concentração preferia um bom jogo de cartas à palestras táticas) mas que na verdade não tinha tantos
conhecimentos assim para comandar o grupo. Felix Magno era seu nome. Fora volante do próprio Inter no
final dos anos 30, início dos 40, e os mais velhos conselheiros do clube lembram como feito marcante dele a
desastrada participação durante um amistoso contra o América do Rio, nos Eucaliptos. Naquela época, em
jogos festivos, era comum um teco-teco passar por sobre o estádio e lá do alto, 100 metros acima, largar uma
bola que cairia bem no meio do grama-

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A história dos Grenais

do, uma espécie de pontapé-inicial com efeitos especiais. Pois a bola foi largada do avião, pegou velocidade,
força, aumentou consideravelmente de peso. mas Felix Magno, desconhecendo leis elementares da física
posicionou-se bem e. conscientemente, cabeceou a peronha. Foi à nocaute, é claro. Os torcedores não sabiam
se ficavam preocupados ou se riam do acontecido. Assim que acordou. Magno virou-se para o jovem Carlitos
e, ainda tonto, disse:

— Tche, gurizito, estoy mareado.

O primeiro dos Grenais oficiais daquele ano ficou só no 1 x 0 para a equipe colorada, gol daquele
ponteiro que há quase uma década os incomodava. Carlitos. Mas o time do Grémio, na base da gana e de uma
aplicação tática que o técnico Bumbel cobrava a todo segundo, fizera um jogo equilibrado. Perdera porque o
adversário soube usar bem sua experiência e malandragem. E corno a usava. Carlitos, sempre moleque, tinha
a mania de abaixar-se pouco antes das cobranças de escanteio, encher a mão de terra (uma vasta extensão
próxima às traves inimigas) e quando a bola era cruzada jogava nos olhos do goleiro sem que o juiz visse,
cegando-o momentaneamente para que o centroavante fi/.esse o gol. Ri, lembrando da sacanagem:

— Havia uma outra tática também eficiente. Quando a bola era levantada
para a área, eu metia o dedo no eu do zagueiro e ele ficava estático enquanto um
companheiro meu subia sozinho e metia a cabeça. É impressionante a capaci
dade que um dedo tem de paralisar um adversário.

Mas com os batuques de Dos Cachos e o desrespeito de Cordeiro, um atacante que chegara do Rio
pouco sabendo sobre um tal de Rolo Compressor, o Grémio venceu por 2 x l o segundo Grenal do citadino,
o decisivo. Gois de quem? De quem? Ambos de Cordeiro, o jovem de 20 anos que perguntara
ingenuamente ao técnico Bumbel, quando este tentava explicar o poderio do maior rival:

— Rolo o quê?

Os gremistas comemoraram tanto aquele título que não vinha há 14 anos — "o delirante corso festivo
tinha duas centenas de automóveis" -— que os conselheiros que haviam prometido dinheiro ao pai de santo
Homem dos Cachos esqueceram do pagamento pelo ótimo trabalho.

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A história dos Granais

— Isso vai sair caro para vocês, uma derrota para cada jogador —
agourou Dos Cachos, aos berros, para o grupo de conselheiros e torcedores que
circulavam pelo Fortim da Baixada no dia seguinte.
— E o que até hoje me impressiona, é que o Grémio ficou exatos onze
jogos sem ganhar de ninguém — lembra um daqueles conselheiros que ouviu a
ameaça, Salim Nigri.
Grenal, o Grémio só voltaria a ganhar 17 clássicos e três anos depois, em 1949. Em 47 e 48, outra vez
predomínio do clube dos Eucaliptos, outra vez com o comando dos dois ponteiros indestrutíveis, Tesourinha e
Carlitos. Tesourinha, em 1948, chegou ao cúmulo de ter ganho a eleição nacional do Craque Melhorai.
Uma caixa inteira do comprimido para dor de cabeça que estava sendo lançado no país representava 100
votos. Os cabos eleitorais de Tesourinha surgiam aos borbotões pelo Rio Grande. Até gremistas votavam
nele. E assim não deu outra. Deu Tesourinha, e ele e dona Conceição ganharam um apartamento na praia de
Copacabana, no Rio. A Cidade Maravilhosa parecia que os chamava.

Osmar Fortes Barcellos atendeu ao chamado em 1949, após ganhar oito campeonatos estaduais em
dez anos de Inter. Mas despediu-se do clube com derrota. Em 30 de outubro, ao lado de velhos resistentes
como o goleiro Ivo, o zagueiro Nena e o ponteiro Carlitos, não impediu que o campeonato terminasse em
festa Tricolor. 1 x 0 para o Grémio em pleno estádio dos Eucaliptos, gol do grandalhão Geada, em dia de
renda recorde: Cr$ 260.887. Uma vitória surpreendente, embora justa, e que repercutiu nos mais distantes
cantos onde houvesse simpatizantes do clube colorado. No interior carioca, em Nova Friburgo, Larry Pinto
de Farias, um jovem de 17 anos que dava ao seu adorado time de botões o nome de Inter, arregalou os olhos,
incrédulo, quando leu na revista O Cruzeiro que no campeonato gaúcho daquele ano a vitória fora do
Grémio. Mesmo à distância, não compreendia como Nena, Tesourinha e Adãozinho podiam ter perdido
para o Grémio, gol de um tal Geada. Larry sequer imaginava que cinco anos depois acabaria vestindo a
camisa do Inter, realizaria atuações memoráveis em Grenais e teria como adversário o seu maior ídolo,
Tesourinha.

Aquele 1949 representou a primeira gestão de Saturnino Vanzelotti como

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A história dos Grenais

presidente do Grémio. Era o início de um doloroso processo, comandado por ele mesmo, cujo objetivo
principal era acabar com a norma dos estatutos que impedia o clube de incluir em sua equipe de futebol
atletas de cor. Uma norma que resultava vantajosa para os rivais, pois o universo de jogadores à disposição
deles era muito maior e, além disso, uma norma que Vanzelotti considerava vergonhosa. Mas o bem
intencionado presidente sabia que não conseguiria derrubá-la com um chute de primeira porque parte do
conselho ainda mantinha fortemente enraizado o preconceito racial. Optou pela tática do "tanto bate até que
fura" e aos poucos foi amorenando o time. O meio-campista Hermes, por exemplo, campeão naquele 49, era
negro e, por isso, vivia uma situação constrangedora. Os colorados que cruzavam por ele nas ruas
perguntavam:

— O que você está fazendo no Grémio, traidor da raça?

Hermes aguentava calado. Precisava do dinheiro para sobreviver e além disso gostava muito do clube.
Sua atitude, inicialmente criticada e considerada submissa, na verdade foi decisiva para que Saturnino
Vanzelotti pudesse aos poucos dobrar os mais preconceituosos de seus conselheiros. Estes, diante do fato
inegável que era a presença de Hermes como ponta-de-lança titular, diziam que o jogador tomava muito sol e
era, isto sim, bronzeado.

Vanzelotti gostava de Hermes, mas sonhava com Tesourinha. Não tinha em caixa dinheiro para
contratar o ponteiro que, na época, era titular da seleção brasileira, mas armazenou o sonho e deixou-o lá, no
fundo de seu baú de desejos. O futuro, a quem pertencia?

Enquanto Vanzelotti sonhava, Tesourinha engolia sua humildade, criava coragem e mandava-se para o
Rio, onde seria campeão estadual com a camisa do Vasco e campeão brasileiro de seleções pela equipe carioca.
O amigo Abigail. que em anos anteriores chegara a ser sondado para tomar o mesmo rumo, agora sentia-se
entusiasmado a acompanhar o ponteiro, mas uma incurável distensão na virilha impedia qualquer tipo de
negociação. Abigail gostava do Rio. Tinha parentes por lá, inclusive tia Perciliana, a autora de seu curioso
nome. Quando, em 1926, nascera o menino, a mãe ligara para a irmã que morava na capital da nação — ela
certamente teria uma ideia brilhante — pedindo uma sugestão de nome. Perciliana, que acreditava ter nascido
uma menina, pensou, pensou, e lascou:

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A história dos Grenais

— Abigail.

Como o nome se prestava a homens e mulheres...

Abigail reencontraria Tesourinha mais tarde e este revelaria que a expe riência as pés dos Cristo
Redentor não fora das melhores. Machucou cor seriedade o joelho, ficou fora da Copa de 1950 — se lá
estivesse quem sab não teríamos vencido os uruguaios naquela trágica final — e voltou ao Sul en dezembro
de 1951, logo após completar 30 anos, pouco disposto a abandonar o campos de futebol. Sabia que sua
condição física nunca mais seria a mesma ma, não pensava em desistir.

Porto Alegre mudara muito naqueles seus três anos de ausência. O Inte continuava ganhando, chegara
ao bicampeonato estadual c era conhecido come o Rolinho (evidentemente uma referência ao inesquecível
time dos anos 40) mas não havia mais nenhum de seus companheiros na equipe. Até Carlitof abandonara o
clube naquela temporada. Carlitos, ou Carlos, ou Carlinhos, finalmente abrira a mão, comprara um Ford
inglês da marca Anglia e em novembrc de 1951 se dera como presente do 30° aniversário, juntamente com a
aposentadoria. Aposentou-se às vésperas do último Grenal oficial da temporada, quando o título já havia
sido ganho, o 10° desde ele que chegara ao clube no distante 1938.

O novo Inter encontrado por Tesourinha tinha uma zaga elogiadíssima, formada pela dupla Florindo
e Oreco. Os laterais, alas modernos, de apoio, eram Paulinho e Odorico. O centroavante sensação do
Estado era um pernambucano que cabeceava como ninguém (daí seu apelido), Bodinho, e na ponta-direita, a
sua ponta-direita de tantos anos, um novo ídolo dos colorados: Luizinho. Um timaço. Não havia mais
lugar para ele nos Eucaliptos.

Foi quando Saturnino Vanzelotti remexeu em seu baú de sonhos e convidou o ponteiro, mesmo com o
joelho estourado, para vestir a camisa Tricolor. Deixou bem claro: a contratação teria um valor bem maior que
o estipulado em cruzeiros, e uma importância superior à presença do jogador na ponta-direita do time. A
contratação representaria oficialmente o fim do preconceito no clube da Baixada. Para Tesourinha não foi
nada fácil tomar a decisão. Sempre fora colorado, inimigo dos azuis e temia que a consciência o
incriminasse por dupla

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A história dos Grenais

traição. Aos colorados e aos negros. Passou noites sem conseguir dormir, enquanto o Grémio pressionava
para que aceitasse a proposta. Queria continuar jogando bola e precisava de dinheiro, pois o que guardara não
dana para mante-lo por muito tempo. Após uma destas noites inquietas, deixou o sol nascer, tomou um cate
e foi atrás do amigo Abigail para se aconselhar.

— Tenho medo de me arrepender Bigual (era assim que chamava Abigail). Os torcedores
colorados, que sempre me deram força, não vão me perdoar. Chego a andar com dor de cabeça de tanto pensar
nisso. O que faço? Pego os pilas e ajudo eles (os gremistas)'?
Abigail deu-lhe o empurrão que faltava:

— Tesourinha, tu não é mais guri, não está em condições de estar escolhendo time, é profissional,
e além disso não podemos negar que o Grémio, nosso inimigo, é um grande clube.

E então, em fevereiro de 1952, tudo acertado, Saturnino Vanzelotti assinou a nota histórica: "A
Diretoria do Grémio Futebol Porto-Alegrense vem trazer ao conhecimento de seus associados e
simpatizantes, por decisão unânime, que resolveu tornar insubsistente a norma que vinha sendo seguida,
de não incluir atletas de cor em sua representação de futebol. A decisão tomada com convicção, após
cuidadoso exame da situação, ausculta, acima de tudo, não só as determinações de nossa Carta Magna,
como a imposição expressa de nossos próprios estatutos".

O mundo velho dava suas voltas e trazia Tesourinha de volta a sua casa da Silveiro. Porto Alegre crescia,
paupérrimas vilas espalhavam-se pela periferia (contavam-se dez), e Saturnino Vanzelolti, cumprida a missão de
abrir as portas do clube para os negros, mirava seus olhos para outro grande objetivo: a construção do estádio
Olímpico. Era uma época de pensar grande. Getúlio Vargas, após seis anos. voltara à presidência do Brasil eleito
pelo Partido Trabalhista Brasileiro com 3.849.000 votos (dando um vareio cm Eduardo Gomes, da UDN, e
Cristiano Machado, do PSD) e seus planos como a implantação do monopólio estatal do petróleo, criação da
Petrobrás e a nacionalização da energia elétrica por meio da Eletrobrás. davam a clara impressão de que uma fase de
crescimento tinha início. O otimismo impregnava a todos naquele início de anos 50. Inclusive o Grémio de
Tesourinha.

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A história dos Grenais

O primeiro Grenal disputado pelo ponteiro com a camisa nas cores azul, preto e branco, um amistoso
em 13 de julho de 1952, terminou com a vitória gremista por 2 x 1. Os companheiros de Tesourinha eram
Sérgio; Ciarei e Xisto; Hugo, Aldeia e Bentevi (depois substituído por Joni); Gita (Ferraz), Camacho,
Pedrinho e Robinson. Gita e Camacho fizeram os gois. descontando Camargo para os colorados. Seria a
simples presença do craque negro capaz de mudar a indiscutível realidade de que o Inter era melhor? Não.
Não este Tesourinha de meniscos e ligamentos do joelho estourados, já sem velocidade, martirizado pelas
ofensas de milhares que antes eram seus fãs. Este. disputaria mais oito clássicos e não ganharia nenhum, não
marcaria gol algum.

O último Grenal do campeonato de 1952, apitado por Osvaldo Rolla, o Foguinho, foi humilhante.
Num estádio dos Eucaliptos lotado, o Inter fez 5 x l e o ponteiro foi completamente anulado por Odorico. Os
colorados exultavam. Nenhum torcedor queria perder a chance de assistir os shows do filho pródigo do
Rolo, o Rolinho. Na tarde daquele 5 x 1. os irmãos Renato e Roberto Faillace convidaram o amigo Paulo
Brasil Gomes de Sampaio, o Sampaulo, para irem juntos para o estádio. Lá aplicavam com frequência um
golpe infalível para ver o jogo sem pagar. Filhos de sócios podiam entrar com a carteira do pai e os filhos de
Jandir Faillace — um dos primeiros e mais respeitáveis sócios do tnter — pegavam a carteirinha dele,
entrando todos, um após o outro, com ela. O primeiro subia até as sociais, jogava-a para o lado de fora do
muro onde o segundo estava esperando, e assim por diante. Só que naquele dia tão importante Sampaulo
deu azar. Quando chegou a sua vez. o documento ficou preso nos galhos de um eucalipto. Mais que depressa
o futuro chargista se atracou a subir no tronco da árvore, mas foi pego em flagrante pelo guarda que
circulava a cavalo: "Desce daí pilantra!" Sampaulo tinha 20 anos, era estudante, sem dinheiro, e além de
não poder entrar no estádio ainda foi obrigado a ficar os 90 minutos embaixo do eucalipto cuidando para
a carteirinha não cair e se extraviar. E assim teve de contentar-se em ouvir o relato da goleada de pé, no
bonde, quando retornavam para casa. "O Odorico enterrou o Tesourinha", contou Renato.
Os gremistas, ao invés de fugirem dos estádios e mostrarem decepção

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A história dos Granais

com o clube, apegavam-se e faziam crescer sua paixão. Uniam-se, consolavam-se e davam alento a
dirigentes e jogadores sempre carregando a apaixonada frase "com o Grémio onde estiver o Grémio". Foi
neste período de dor que o compositor Lupicfnio Rodrigues conseguiu resumir em quatro frases a devoção
da torcida Tricolor para com o seu time. Mestre em composições no estilo dor-de-cotovelo, e já cansado de
discussões nos bares da Cidade Baixa onde se via obrigado a contra-atacar as provocações coloradas, Lupi
tez a letra e a música que esclareceriam de vez aos adversários que, independente do que já acontecera e do
que viesse a acontecer nos campos de futebol, ele e os demais azuis estariam sempre, orgulhosamente, ao
lado do seu Grémio Foot-Ball Porto-Alegrense. E cantou "até a pé nós iremos/para o que der e vier/mas o
certo é que nós estaremos/com o Grémio onde o Grémio estiver". Virou hino do clube. Mas não impediu mais
um campeonato do Inter, que alcançava assim, em 1953, seu segundo tetracampeonato.

A decisão do citadino, dia 1° de novembro, no estádio da Baixada, acabou em 2 x O para os
colorados, gois de Jerônimo e Canhotinho. Não foi nenhum deles, entretanto, a enlouquecer a zaga grcmista
no jogo e sim o supersticioso, impressionável e impressionante pernambucano Bodinho. Na véspera do
jogo do tetra, informado por um amigo que os gremistas haviam feito um trabalho para prejudicá-lo,
procurou, apavorado, o técnico Teté:

— Fizeram despacho pra mim, me amarraram, acho melhor nem me
escalar para o jogo de amanhã.

Teté, que entre outras várias especialidades era mestre graduado em assuntos de macumba, mandou
Bodinho ficar na sala, quieto, que ele resolveria o problema. Chamou então a mãe Geralda, uma negra
batuqueira que morava na Glória e era conhecida no clube. Trancou-se com ela na cozinha dos Eucaliptos. Lá
dentro não fez nada além de jogar conversa fora e comer linguiça com farinha, mas após duas horas
comunicaram a Nilton Coelho da Costa, o Bodinho. que ele estava desamarrado e podia entrar em campo
tranquilo:

— Ainda bem que tu me avisou, porque não foi fácil desfazer o trabalho — revelou Teté com ar de
alívio, missão cumprida.

E após um ufa, Bodinho foi embora, dormiu sossegado e no dia seguinte

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A história dos Grenais

infernizou a vida dos zagueiros gremistas. Aos derrotados restou, como consolo, saber que as obras do novo e
grandioso estádio estavam quase prontas naquele final de ano. João Goulart, que fora coordenador da
campanha presidencial de Getúlio e ocupava agora o cargo de Ministro do Trabalho, foi visitar, em 20 de
dezembro, as obras do monumental estádio que surgia na avenida Carlos Barbosa, local onde
anteriormente se agrupavam famílias miseráveis, centenas de casas sob o sugestivo nome de Vila Caiu do
Céu (porque as improvisadas residências surgiam do dia para a noite sem que ninguém se desse conta).
Em 1954, enquanto o Grémio fazia os preparativos para a inaguração deste novo estádio que
substituiria o da Baixada,o folcórico Bodinho ganhava a companhia de um outro centroavante com o qual
formaria a dupla de ataque mais famosa do Inter: Larry. O carioca de Nova Friburgo já abandonara seu
time de botões preferido, o Inter, com o qual goleava os amigos do Colégio Modelo, Roberto e Reginaldo
Farias; já passara dois anos vestindo a camisa do Fluminense, onde substituíra Telê (ele mesmo, o Santana); e
deixara o clube das Laranjeiras por dois motivos: primeiro porque o técnico Zezé Moreira insistia em
fazê-lo executar uma função que detestava, a do centroavante que fica estático na área, em meio aos
zagueiros, e segundo, porque o médico do clube, Paes Barreto, já detectara a taquicardia que vez ou outra, em
momentos de muita tensão, atacava o jogador e tirava-o de ação.

Larry Pinto de Farias chegou a Porto Alegre no dia 9 de maio de 1954, uma quarta-feira chuvosa, e
foi direto para a concentração do estádio dos Eucaliptos. O mau tempo e o precário estado do local onde
passaria seus primeiros dias deram-lhe uma péssima impressão do clube e da cidade. Um sentimento que se
tornava mais forte quando batia a saudade da namorada, Maria Luiza, ou quando lembrava-se da estrutura
exemplar do Fluminense na época.

— Fui dividir um quarto com o Bodinho e o Breno (um reserva do clube). A concentração não
tinha nada, nenhum conforto, e apesar de estranhar o frio fui obrigado a tomar banho gelado.

Dia 18 de julho, dois meses após a chegada, Larry teria a primeira oportunidade de ver que, mais
indigesta que o frio seria a marcação que os gremistas imporiam a ele nos clássicos Grenais. Já ouvira falar
em rivalidades regionais,

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A história dos Grenais

mas concluirá que, como aqui, não poderia haver igual. O jogo. que sequer era válido pelo campeonato,
acabou em vitória por 3 x 1 . Bodinho tez dois gois. Itamar (um ex-aspírante do Flamengo que conhecia do
Rio de Janeiro) descontou para o Grémio, e quando ele, Larry, fez o terceiro, o violento lateral Xisto perdeu a
cabeça. A bola fora lançada na ponta-esquerda, Larry correra para tentar alcançá-la, mas ao ver que não
conseguiria virou-se para retornar ao centro do gramado. Ficou de frente para o crime. O adversário
continuava correndo em sua direção. Era Xisto, que lhe aplicou então um direto no queixo que jamais seria
esquecido. O golpe veio acompanhado de uma frase carregada de ódio e preconceito:

- Toma, carioca filho da puta.

Larry ficou zonzo, já não sabia mais para que lado era o centro do campo, mas o que lhe restava de
consciência pós-golpe possibilitou ouvir uma frase solidária, pronunciada pelo goleiro grcmista, Sérgio
(Moacir Torres): — Xisto, deixa o carioca jogar a bola dele, não faz uma coisa dessas.

Xisto — que mais tarde teria a perna quebrada pelo colorado Salvador — era naturalmente agressivo.
Em Grenal do ano anterior sua vítima fora Luizinho. o pontciro-direito do Inter que de 1952 a 1957 foi
responsável por noites e noites de insónia dos laterais-esquerdos grcinistas. Não satisfeito em jogar o
baixinho fora do gramado com um pontapé, avançou até ele, apoiou a mão direita sobre a nuca do jogador
caído e esfregou seu rosto no chão. O árbitro, Hans Lutzkat, educadamente repreendeu o agressor e pediu
que não repetisse o gesto.

Xisto fazia em campo o que os mais raivosos dos torcedores do time. os "xiitas" tricolores, tinham
vontade de fazer tamanhas eram as surras que andavam levando. No mesmo mês de julho, uma semana
após os 3 x 1. um novo encontro resultaria em 4 x O para os colorados, aumentando o contingente dos azuis
propensos a transformarem-se em Xistos. E em setembro, bem... em 26 de setembro, ocorreu o Grcnal
amistoso que, na lembrança do povo vermelho, tem mais valor que muitos títulos.

O Grémio inaugurava o Olímpico, um estádio de dar inveja. Após guerrear por exatos 50 anos no
Fortim da Baixada, de 1904 a 1954. era chegada a

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A história dos Grenais

hora do salto de grandeza. O processo para deslocar para outras áreas da cidade aquele povaréu que
habitava a Caiu do Céu fora complicado, demorado. Durante todo o ano de 1951 o prefeito colorado,
lido Meneghetti, usara de sua habilidade política para fazer as transferências sem traumas, sem prejuízos
para sua imagem e para seu projeto grandioso de vir a ser governador do estado. E Meneghetti foi eficiente,
garantindo a desocupação em dezembro daquele ano. As obras propriamente ditas só começaram a ser
notadas em 1953, depois que haviam sido movimentados 80.000m3 de terra e depois de ter sido feito o
desvio, a dragagem e a retificação do arroio Cascatinha, que serpenteava o terreno.

A partir daí o processo acelerou-se e naquele ensolarado setembro lá estava o Olímpico, majestoso,
pavilhão social completo, 2.000 cadeiras cativas sob a marquise de 90 metros, arquibancadas populares,
além da tribuna de honra e demais dependências para capacidade inicial de 38.000 pessoas bem
acomodadas. Surgia na capital dos Pampas o maior estádio particular do Brasil,

As 15 horas do dia 19. a banda da Brigada Militar ingressou no estádio para o desfile inaugural.
Atrás da faixa que dizia "O Grémio de Ontem", três porta-bandeiras, entre eles o doutor Augusto Maria
Sisson, jogador emérito dos primeiros tempos do clube. Logo atrás, outros nomes brilhantes do futebol
gremista: Luiz Carvalho. Túlio de Rose, Telêmaco Frazão de Lima. Depois, acompanhando a faixa "O
Grémio de Hoje", destacava-se o presidente Saturnino Vanzelotti no último ano de sua longa e
inesquecível gestão de seis anos.-

O Grémio ganhou por 2 x O o primeiro jogo daquele festival de inauguração, contra o Nacional do
Uruguai. Os gois foram de Vitor — centroavante que substituíra o titular Camacho no intervalo — ambos
no segundo tempo, aos 20 segundos e aos 37 minutos. Três dias depois, outra vitória, agora sobre o
Liverpool, também uruguaio, por 4 x O, gois de Tesourinha, Zunino, Vitor e Delem. E então chegou o dia
26, o do primeiro Grenal no Olímpico. Um desastre. O Grémio só conseguiu manter um certo equilíbrio no
jogo no primeiro tempo. Jerônimo e Larry marcaram para o Inter, Sarará para o Grémio. 2 x 1 . No
segundo tempo, um baile comandado pelos vermelhos.

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A história dos Grenais

Logo após o recomeço do jogo, Larry arrancou de seu campo driblando todo mundo. Ênio Rodrigues
no seu encalço. Ao chegar à área adversária o cen-troavante do Inter ameaçou bater em gol, Ênio se atirou para
salvar, mas Larry puxou a bola deixando-o deitado. Aí, deu um toquezinho para dentro da goleira de Sérgio,
que já estava com dificuldades para conter sua revolta. Mal o jogo recomeçou e o ponteiro Luizinho pegou a
bola na ponta, saiu correndo em diagonal, atravessou o gramado da direita para a esquerda, outra vez com
o esforçado Ênio Rodrigues no encalço e ao cruzar em frente a área deixou a bola e seguiu em disparada
com suas perninhas curtas, em direção à linha lateral. Ênio, mais preocupado com o jogador do que com a
bola, seguiu atrás do colorado. Canhotinho veio de trás e bateu, sem marcação, fazendo o quarto gol.

Sérgio, então, perdeu de vez a paciência com seus jogadores e, sem maiores explicações, deixou o
gramado e saiu caminhando de cabeça baixa para o vestiário. Ninguém entendeu nada. Alguns jogadores do
Inter correram até ele e ouviu-se a voz de Bodinho dizendo:

— Volta, covarde, para tomar mais quatro.

Larry, que no seu Grenal de estreia recebera a solidariedade de Sérgio quando agredido por Xisto,
evitou provocações. Apenas aproximou-se, incrédulo, curioso. Sérgio, ofendido, remexeu seus brios e
resolveu retornar ao campo. Acabou sofrendo mais dois gois, ambos de Larry, mas nesta altura já não tinha
estrutura emocional sequer para articular uma frase de reclamação para seus desnorteados zagueiros,
Zunino faria mais um gol para os azuis e o resultado final seria 6x2.

Este Grenal recebeu no fascículo n° 4 da "História Ilustrada do Grémio" exalas três linhas e meia num
minúsculo corpo de letra n° 5. O pequeno texto não registrava sequer o placar do jogo. Limitava-se a isso:

"Na terceira partida inaugural, foi realizado o Grenal n° 135, no dia 26 de setembro. Equipe do Grémio:
Sérgio; Ênio Rodrigues e Orli; Roberto. Sarará e Itamar; Tesourinha, Milton. Camacho (Vitor), Zunino e
Torres (Delem)."

E foi só.

Apesar da flagrante superioridade sobre o Grémio, o título gaúcho naquele 1954 acabou não com
o Inter, mas com o Renner. Estaria finalmente

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A história dos Grenais

ocorrendo uma revolução na ordem futebolística? Por que não? O planeta estava revolto. Na música, por
exemplo, começava a se instalar a saudável balbúrdia do rock'n roll, Elvis Presley batia na porta da
gravadora Sun Records para mostrar sua interpretação de That's Ali Right (Mama) e Bill Halley & The
Comeis emplacavam o primeiro sucesso, RockAround the Clock.

É, mas nos campos de futebol do sul do Brasil a revolução dos industriados da Sertório não passou de
fogo de palha e restou ao Renner um lugar na história por ter sido o último clube a conseguir superar a dupla.
A rotina de conquistas, ora dos vermelhos, ora dos azuis, recomeçaria em 1955, numa temporada tensa. O
Grémio, agora treinado por Osvaldo Rolla, vinha com um estilo de força e aplicação tática jamais visto no
Sul. Nos dois primeiros clássicos do ano, uma vitória do Inter. outra do Grémio, ambas por 2 x l. A tensão
chegava ao limite máximo na tarde de 6 de novembro, a ponto de Larry, pela primeira vez desde que chegara
a Porto Alegre ser acometido pela taquicardia.

Aos cinco minutos de jogo ele foi obrigado a sair de campo e receber massagem. Os minutos
passavam. Um, dois, três. A torcida colorada se desesperou. Sem Larry o time não era o mesmo. Sem
Larry, Bodinho não era o mesmo. Mas Larry voltou, a torcida delirou e o Grémio se abalou. 13 minutos, lá
foi Larry pela ponta. Ele driblou Aírton e fez o passe para Jerônimo. l x 0. Agora Larry estava calmo.
Luizinho nem tanto. Ele sofreu uma pancada forte na perna, mancou, mas não queria desfalcar o time. Então,
quando o juiz Fortunato Tonelli não estava olhando, deu um soco em Hercílio, que revidou e ambos
engalfinharam-se. Era o que Luizinho queria: ambos foram expulsos. No segundo tempo, cada time teve dez
homens e o Inter ampliou através de Bodinho (após tabela com Larry). O título estava quase nas mãos.
Lindoberto, como que para matar os seus do coração, fez contra aos 18 e deu alento ao Grémio. E então,
aos 30, outra tabela Larry/Bodinho, concluída com um chute do pernambucano, decretou o 3 x l final. O 3 x l
do título. O Inter ainda mandava no Rio Grande. Era o 12° título gaúcho em 16 anos.

- Apesar da vitória sentíamos que era o fim de uma era — lembra Larry, revelando o sentimento
geral do grupo.

O clube desleixava. Após quase duas décadas de conquistas, os dirigentes

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A história dos Grenais

agiam como se estivessem enfastiados de títulos. Pensavam: acaba um time. surge outro. E seguindo esta
linha de raciocínio vendiam os jogadores ao primeiro clube que chegasse. Paulinho, Salvador, Oreco.
Chinezinho. um a um os craques colorados iam abandonando os Eucaliptos. Não havia mais macumbeiro
nenhum que os segurasse. A estrutura do clube ruía. Um procedimento tão suicida quanto o tiro na cabeça que
Getúlio Vargas se dera um ano antes. Ali perto, na Carlos Barbosa, ao contrário, os inimigos, bem
acomodados em seu novo e invejado forte, faziam planos diabólicos e mantinham bem pagos os seus
melhores guerreiros.

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A história dos Grenais

"Doze anos em treze"

azul do fardamento da guarda civil tomou conta da pequena rua Cabo Rocha no início da noite,

O pouco antes das 20 horas daquela segunda-feira, 3 de dezembro de 1956. Em pouco tempo, os
guardas, auxiliados por brigadianos, bloquearam a rua pelos dois lados. A um comando do delegado
Werther Maranghelli, titular da Delegacia de Costumes, grupos de policiais invadiram bares e
prostíbulos, enquanto outros paravam os passantes, pediam documentos, prendiam quem não se
identificasse. Os proprietários de cada bar ouviram, assustados, a intimação para fechá-los à meia-noite. As
portas dos bordéis foram cerradas. Homens saíam dos quartos abotoando camisas, mulheres pulavam
cercas e janelas.
Era o saneamento da rua Cabo Rocha, providência historicamente solicitada pelas famílias do bairro
Azenha. Era o epílogo de uma época. Os porto-ale-grenses estavam acostumados a ver a Cabo Rocha como
um símbolo da prostituição. No dia seguinte, a cidade tinha 300 meretrizes sem teto. Cento e cinquenta
delas foram para São Leopoldo. Outras, carregando trouxas de roupas na cabeça ou a bordo de carroças
contratadas para fazer suas mudanças, transferiram-se para o Centro. A maioria estabeleceu-se na
Voluntários da Pátria. Algumas ficaram nas imediações — Alberto Bins, Otávio Rocha, Vigário José Inácio e
Doutor Flores. O delegado Maranghelli prometeu resolver em breve o novo problema das ruas centrais de
Porto Alegre.

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A história dos Grenais

O futebol gaúcho também mudaria para sempre em 1956. Uma mudança que começou três anos antes
com o senhor Oswaldo Rolla. o Foguinho. Depois de uma carreira de sucesso como jogador e como árbitro.
Foguinho largou o apito e aceitou o cargo de técnico do Cruzeiro de Porto Alegre. Com o time da Montanha
Melancólica, ele participou de uma empolgante aventura em 1953: a primeira excursão de um clube do Rio
Grande do Sul pela Europa.

O Cruzeiro teve boas atuações no Primeiro Mundo, mas nenhuma vitória do estrelado, como gostavam
de dizer os cronistas, foi mais importante do que uma coisa que Foguinho viu durante a excursão. A coisa
vestia camisa vermelha e chamava-se Seleção Húngara. Baseada no poderoso time do Hon~.: _ Seleção da
Hungria possuía craques como Ferenc Puskas. o Major Galopame. além de Kocsis, Hidegkuti, Czibor e
Bozsik. Esta equipe foi a primeira a vencer a Seleção Inglesa em Londres, exatamente em 1953, por 6x3.

Nos seus tempos de jogador, Foguinho sempre destacou-se por soa força e por sua intensa
movimentação. Pois força e movimentação foi o que ele viu na Europa. Os húngaros não paravam em
campo, não deixavam o adversário sequer piscar. Era o futebol total com o qual ele sempre sonhara.

O futebol da Hungria encantou o mundo e só foi decair a partir do ano seguinte, na Copa da Suíça. De
goleada em goleada, os húngaros atropelaram todos os adversários. O Brasil levou 4 x 2 e foi
desclassificado. A Alemanha tomou 8 x 3 . Mas não foi desclassificada. Com muita garra, superou as
adversi-dades e chegou à final contra a própria Hungria. Para surpresa de todo o plane-la, os alemães
venceram por 3 x 2 e conquistaram a Copa. abatendo mortalmente os húngaros.

A esta altura, Foguinho já havia aprendido tudo sobre os húngaros e o futebol europeu. Em 1955, ele
e suas ideias voltaram ao Grémio pelas mãos do seu antigo companheiro de ataque, Luiz Carvalho. O
Grémio inaugurara o Olímpico um ano antes, mas continuava perdedor. Agora, o presidente gremista. Ary
Delgado, queria contratar o técnico do Renner, Selviro Rodrigues, para retomar a hegemonia do futebol
gaúcho. O diretor de futebol Luiz Carvalho posicionou-se a favor da contratação de Foguinho. Venceu Luiz
Carvalho. "Para a sorte do Grémio", admitiria depois Ary Delgado.

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A história dos Grenais

Luiz Carvalho e Foguinho juntos outra vez, como no campo da Baixada. Os dois se completavam,
formavam uma dupla. Quarenta anos depois, Luiz Carvalho já morto, Foguinho comentaria sobre o seu
grande amigo:
— Todos os dias eu penso no Luiz Carvalho.

Luiz Carvalho deu condições para Foguinho fazer um novo molde do futebol do Estado. Os
jogadores do Grémio passaram a ser exigidos em algo inusitado: condicionamento físico. Os clubes ainda
não contavam com fisicul-tores. Na Seleção Brasileira, o primeiro preparador físico, Paulo Amaral, só
apareceria em 1958. No Grémio, Foguinho se encarregou desta função. Mandava os jogadores
carregarem os outros nas costas e subirem, correndo, as escadarias do Olímpico. Um exercício horrendo.
Mas quem pensasse em reclamar logo desistia ao olhar para o lado e ver o treinador fazendo o mesmo, ele
também com um assombrado jogador empoleirado nos ombros, galgando impávido as arquibancadas do
estádio.

Foguinho cuidava até da alimentação dos atletas. Dizia aos dirigentes: - Podem dar bastante comida
para eles que eu tiro tudo nos treinos.

Em campo, o técnico queria movimentação. O adversário não poderia jogar, tinha que sentir o seu
espaço ficar cada vez menor, engolido pelos vorazes gremistas. O biótipo dos jogadores, da mesma forma,
mudou. "Jogador tem que ter perna e pulmão", receitava Foguinho. Os pulmões eram escalados na
meia-cancha, mas corriam o todo o tempo pelo campo inteiro. Na defesa, só grandões. No ataque,
rompedores velozes e destemidos.

A fórmula começou a dar resultado em 1955 mesmo. O Grémio só perdeu o campeonato no último
Grenal, quando estava um ponto na frente. Isso graças à esperteza do capitão Teté, o técnico do Inter. O
atacante Hercílio vinha se constituindo na principal arma dos gremistas. Eslava desequilibrando o
Grenal, até que Teté chamou o seu ponteiro Luizinho e mandou: - Bate no Hercílio.

Luizinho bateu, Hercílio revidou, ambos foram expulsos, o Grémio se perturbou e o Colorado venceu
por 3 x 1 .

Mas 1956 chegou.

O time de Foguinho se aperfeiçoou. No início, era uma correria só. Era

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A história dos Grenais

tirar a bola do adversário, jogá-la para frente e ver o que é que dava. Algumas partidas e treinos depois, a
equipe já estava bem mais organizada. A defesa foi estruturada em torno de um jogador forte, de Im86 de
altura e história um tanto pitoresca. Chamava-sc Aírton Ferreira da Silva e é, na opinião de muita gente de
respeito, o mais perfeito zagueiro-central que já amarrou uma chuteira no Rio Grande do Sul.

Aírton nasceu na rua São Manoel, pertinho da Timbaúva, o campo do Força e Luz, time onde foi
jogar aos 13 anos de idade. Torcia pelo Internacional por duas razões. Venerava o ponteiro-direito Tesourinha
e obedecia ao pai, seu Argemiro, que vivia repetindo:

—Tu és descendente de negro, e descendente de negro tem que ser colo
rado.

Até que um dia o Força e Luz, com o jovem Aírton na ponta-direita, foi enfrentar o Intcr nos
Eucaliptos. Placar final: 1 0 x 0 para o Rolo Compressor. Aírton saiu de campo cabisbaixo, resmungando:

—Desgraçados! Juro que ainda vou ganhar desse time!
A chance chegou em 1954. Aírton já estava convencido de que era muito alto e muito pesado para jogar
na ponta-direita, renunciara a seguir os passos de Tesourinha e passara a atuar como centromédio. E
centromédio era o que faltava ao Grémio Porto-Alegrense — o titular, Xisto, havia quebrado a perna
durante um Grenal. O clube do Olímpico manifestou interesse por Aírton. O pai, Argemiro, não vetou a
transferência porque Tesourinha, dois anos antes, ajudara a quebrar o preconceito racial no Grémio. O Força
e Luz concordou em fazer o negócio. Com uma condição: queria Cr$ 50 mil mais o antigo pavilhão de
madeira do Fortim da Baixada. O Grémio topou e trocou as arquibancadas de seu velho estádio pelo jogador,
que dali em diante passou a ser conhecido pelo apelido de Pavilhão.

Como centromédio, Aírton Pavilhão não era exatamente um vinuose. Mas Foguinho, certa tarde,
puxou-o pelo braço até a grande-área.

— O senhor vai jogar de beque — comunicou.

Obediente, Aírton foi para a zaga. Seu desempenho melhorou muito. Algumas arestas, no entanto,
ainda não estavam bem aparadas. Foguinho notou

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A história dos Grenais

que lhe faltava um fundamento do esporte: Aírton não sabia correr. Arrastava os pés, todo duro, desajeitado
como uma avestruz. Chamou-o mais uma vez.

- O senhor vai estragar esta grama bonita do Olímpico — brincou o
treinador. E ensinou-o a correr, a se movimentar em campo e a utilizar o corpo.

Aírton aprendeu direitinho. Tornou-se simplesmente o melhor zagueiro do País. Não perdia uma
disputa de bola pelo alto. No chão, era impossível suplantá-lo. Muito depois de abandonar o futebol, perto
dos 60 anos de idade, recordaria, com candura:

- Nunca acreditei que um cara me driblasse nem que me ganhasse de
cabeça.

Era um zagueiro extremamente técnico. Fazia loucuras que nenhum zagueiro sonharia cometer:
dava tempo para o atacante dominar a bola e tentar o drible, desarmava-o e saía jogando. Somava-se aos
atacantes e aos meio-cam-pistas, participava do jogo em todo o campo e não só nas duas áreas, como a
maioria dos zagueiros. Tinha duas marcas registradas, duas jogadas. Uma fazia antes do jogo começar, com o
time entrando em campo. Os jogadores em fila indiana, troteando para fora do túnel. Aírton com uma bola
embaixo do braço. Quando chegava à pista em volta do campo, o zagueiro jogava a bola para cima. No exato
instante em que ela tocava o chão, o bico da chuteira direita de Aírton a encontrava. E lá ia a bola, 20 metros
acima, para descer de novo nas mãos do zagueirão. que sorria ao ouvir a vibração da torcida. Um
malabarismo difícil para um jogador normal.

A segunda marca registrada de Aírton era tão extraordinária que parece ficção. Ao vencer a jogada do
atacante, ele levava a bola cm direção à bandei-rinha do escanteio. O adversário, evidentemente, saía atrás.
Aírton continuava correndo até o vértice do campo. O atacante cercava-o, certo de que o havia encurralado.
Aí acontecia o inacreditável: ao ser assediado pelo centroavante, Aírton virava o corpo e dava de charles nas
mãos do goleiro. Esta jogada ele repetiu inúmeras vezes, uma delas durante um coletivo da Seleção Brasileira.
A vítima: o Rei Pele. Aquele lance de treino, tomado por uma brincadeira, uma molecagem, foi, na opinião de
muitos cronistas da época, a razão do afastamento de Aírton da Seleção. Quando Grémio e Santos se
enfrentavam, Aírton trava-

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A história dos Grenais

vá duelos gigantescos com Pele. E não raro vencia. Talvez por isso, no final dos anos 60, ao saber que Aírton
abandonara o futebol, Pele tenha comentado: — Agora ninguém mais me marca sozinho.

Aírton fazia parte de uma defesa forte, de jogadores de estatura elevada. Em certos casos, a altura
correspondia à categoria. Aírton fez dupla com ninguém menos do que Calvet. um quarto-zagueiro de
técnica tão refinada quanto à dele. Calvet jogava por prazer. Tinha dinheiro de sobra. Por isso, pôde voltar a
Bagé em 1957, irritado porque Foguinho só o escalava de centromédio. Voltaria ao Grémio depois e, mais
tarde, transferiria-se para o Santos, onde seria bicampeão mundial.

Foguinho só colocava Calvet de centromédio porque o dono da quarta-zaga era o capitão Ênio
Rodrigues. Ènio funcionava como a extensão de Foguinho durante o jogo. Aírton era o burlesco, Ênio a
seriedade. Fazia o time jogar. Não admitia corpo-mole. "Todos nós respeitávamos o Ênio, ele era o nosso
líder", lembra o laleral-esquerdo Ortunho. A liderança de Ênio Rodrigues pode ser medida por um incidente
ocorrido num jogo contra o Juventude, em Caxias, em 1956. O Grémio perdia por l x O e o meia Gessy não
corria. Ênio Rodrigues saiu da área e aproximou-se do companheiro.

— Se tu não começar a te mexer eu vou te tirar do time.

Gessy não atendeu. E o capitão cumpriu a promessa. Tirou-o de campo. Uma decisão ousada num
tempo em que não se permitiam substituições. No intervalo, Foguinho quis saber a razão da saída de seu
meia-direita.

- O Gessy não está querendo jogar — informou-o, seco, Ênio Rodrigues. — Eu assumo a
responsabilidade pela saída dele e, se ele voltar, eu saio.

Gessy continuou de fora e o Grémio, com um jogador a menos, venceu por 3x2.

Gessy. Um mistério no Grémio. Morreu de câncer, anos após parar de jogar. A maioria de seus
ex-colegas e dos antigos dirigentes do clube garante que ele não gostava de futebol. Jogava apenas por
dinheiro, para pagar a faculdade de odontologia. Retraído, não suportava brincadeiras, quase não falava e
sequer comemorava os muitos gois que marcava. Como não queria saber de

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A história dos Grenais

abraços depois dos gois, os jogadores, brincalhões, festejavam dando-lhe tapas na cabeça.

Gessy apreciava sobremaneira três coisas na vida: cigarro, bebida e mulheres. Alguns jogadores ainda
lembram de um dos raros momentos em que viam os olhos do ponta-de-lança brilharem: quando estava atrás
de um pilar de bolachas de chope na Churrasquita, no Centro. Comia pouco. O diretor Hermínio
Bittencourt, preocupado, chegou a dar uma ordem ao arrendatário do restaurante do Olímpico:

— Para o Gessy pode servir o que ele quiser, a hora que quiser, que o clube paga.
Fumava muito. Os jogadores diziam que, nas viagens, Gessy levava na bolsa um par de cuecas, a
escova de dentes e dois pacotes de cigarro. Seu apelido era Relâmpago por causa do brilho das dezenas de
fósforos riscados à noite, no escuro da concentração. Quando todos estavam deitados, Gessy acordava para
fumar. Antes dos treinos, enquanto os jogadores batiam bola no gramado, Gessy permanecia no túnel,
fumando solitário. Só entrava em campo depois que Foguinho soprava o seu apito e chamava para o trabalho.
Odiava os exercícios físicos. Asmático, muitas vezes entrava em campo carregado pelos companheiros de
meio-de-campo, Élton e Milton.

As mulheres o adoravam e ele adorava as mulheres. Entre as tantas apaixonadas, destacava-se uma
baixinha da Vila IAPI que constantemente podia ser divisada nas arquibancadas do Olímpico, assistindo aos
treinos. Chamava-se Elis Regina. Contam muitos de seus contemporâneos, entre eles o treinador Oswaldo
Rolla, que Gessy finalmente perdeu a capacidade física devido aos ardores de uma namorada insaciável.
Teria sido esta morena de pernas de cetim e seios de granito que lhe sugou a saúde até o último suspiro de
prazer.

Gessy era o jogador que menos se movimentava no time do Grémio. Mas quando a bola caía em seus
pés era como se estivesse enfeitiçada. Dava dribles sobre um ladrilho, colocava a bola onde sua vontade
determinasse. Quando saía tabelando ou costurando em dircção ao gol não havia cotovelada, agarrão ou
bolinada que o detivesse.

Em janeiro de 1959 o Grémio precisava demais de Gessy. O time ia par-

A história dos Grenais

ticipar de dois jogos no Cone Sul contra temíveis adversários: a Seleção Uruguaia e o Boca Juniors,
tricampeão de Buenos Aires. No primeiro jogo. no dia 21, empate em l x l com os uruguaios em Montevidéu.
Para o segundo, na Bombonera, Gessy pediu dispensa. Chegara o dia do seu exame no vestibular para
odontologia e ele não podia faltar às provas de jeito nenhum. O presidente Ary Delgado e o técnico Foguinho
foram sensíveis e liberaram o rapaz. Mas ele teria que voltar no dia do jogo. Gessy foi a Porto Alegre, prestou
exames, passou e retornou a Buenos Aires. Ary Delgado foi esperá-lo no aeroporto- O presidente teve ganas
de arrancar o bigodinho de raiva ao ver Gessy desembarcar do avião. O jogador cambaleava de bêbado.
Pensando na importância de Gessy para o time, Ary Delgado conteve-se. Sorriu amarelo para o meia e
conduziu-o até o táxi. Dentro do carro, perguntou:

- E aí, Gessy, como foi o vestibular?

O jogador abriu um sorriso e começou a falar, empesteando o ar do cano com cheiro de cerveja
adormecida.

- Olha, seu Ary, eu vou ser sincero. Passei. Aí eu e meus amigos fizemos a maior farra. Tomei uma
borracheira e não dormi ainda. Agora diz pra mim, presidente, diz pra mim: o senhor não faria o mesmo?

Ary Delgado suspirou, tentando desviar o nariz da golfada de ar viciado que saiu da boca do jogador.
Resolveu ser diplomático:

— Faria o mesmo, Gessy.

- Pois é. Mas e como é que eu fico com o homem? — Indagou Gessy. referindo-se a Foguinho.

— Vamos fazer o seguinte: deixa o seu Rolla comigo. Tu chegas no hotel, come algo, dorme e me
promete uma coisa.
- O quê?

— Que tu vais jogar todo o teu futebol. — Prometo.

Gessy cumpriu o trato. À noite, 35 mil estarrecidos argentinos testemunharam o Grémio enfiar 4 x
l no grande Boca Juniors. Gessy foi marcado por um dos maiores meiocampistas da Argentina, Ratin. E fez
os quatro gois. Trinta e cinco anos depois Foguinho ainda ri ao lembrar de um portenho senta-

85

A história dos Grenais

do próximo ao banco do Grémio que implorava:

— Tira este loco que ele vai acabar com o Boca! Tira este loco!

O Grémio saiu de campo aplaudido e Gessy ovacionado.

Um time desta excelência só poderia despedaçar seus oponentes, come ocorreu em 1956. O Grémio
corria o tempo todo. Vencia a maioria das partidas no segundo tempo, quando os adversários estavam
esfalfados de lutar pela posse da bola. Chegou ao Grenal decisivo do primeiro turno, em 2 de setembro, como
favorito, apesar de o Internacional possuir, ainda, uma equipe de respeito. O Inter tinha Oreco, Odorico, Ivo
Diogo, Bodinho, Larry, Chinesinho, Florindo. Jogadores de primeira água, como se dizia então. Por isso o
Grenal despertou tanto interesse. Público recorde no Olímpico: 36.059 pessoas.

Muitas delas comentavam uma estranha e revolucionária operação realizada dias antes no Chile. René
Ceron Pardo, de 50 anos, condenado à prisão perpétua por três assassinatos, foi sedado e colocado sobre uma
mesa de cirurgia. A seguir, o neurologista Hector Valladares efetuou a dissecação do lóbulo temporal e do
úncus do presidiário. A esperança dos médicos era de eliminar, desta forma, a agressividade homicida de
René c inaugurar um método moderno e eficiente de prevenção ao crime.

Outros torcedores debatiam acerca do movimento dos taxistas de Porto Alegre contra a implantação
obrigatória de um novo aparelho nos veículos: o taxímetro. Alguns poucos elogiavam um filme com William
Holden e Jennifer Jones que estava sendo exibido pelo cine Castelo, Suplício de uma Saudade. A maioria
preferia A Janela Indiscreta, de Alfred Hitchcock, apresentado pelo Rex.

A atuação de James Stewart como fotógrafo com a perna quebrada e a beleza de Grace Kelly no filme
de Hitchcock foram esquecidas em definitivo quando Grémio e Internacional entraram em campo. O Grémio
tinha mais torcida e esperanças. Mas também tinha medo. A Capela do Olímpico permaneceu cheia durante
todo aquele domingo, desde muito cedo. Fiéis vestidos de azul ajoelhavam-se nos genuflexórios e invocavam
ajuda superior.

No gramado, ficou provado que o time nem precisava da interferência divina. O Grémio sufocou o
Inter desde o início. Aos 9 minutos, Hercílio

A história dos Grenais

chutou cruzado. O goleiro La Paz, pressionado por Gcssy e Juarez. atrapalhou-se todo e mandou a bola para
dentro do próprio gol. l x O, O Grémio continuou dominando. E assim prosseguiu durante toda a partida. Mas,
por ironia, foi um lance protagonizado por um colorado e, mais irónico ainda, lance que evitou um gol, a razão
daquele Grenal ter se imortalizado. A jogada passou à história como a mais bonita de todos os Grenais. Deu-se
aos 26 minutos. Gessy, com a categoria costumeira, lançou o centroavante Juarez. La Paz saiu para tentar a
defesa e o atacante o encobriu. A bola encaminhou-sc em dircção ao gol c a torcida do Grémio levantou-se nas
arquibancadas, comemorando o 2 x 0. Foi então que surgiu, não se sabe de que setor do gramado, o zagueiro
Florindo. Negro, alto. magro e veloz. Florindo era chamado de O Gigante de Ébano. Travou duelos míticos
com o centroavante Juarez. Um dos mais refulgentes capítulos do duelo foi a jogada do Grenal de 2 de
setembro de 56. Os torcedores do Grémio comemorando, a bola já na risca do gol, quando Florindo
empreendeu um salto acrobático. De puxeta, meteu o bico da chuteira na bola e atirou-a pela linha-dc-fundo.
num desafio às leis da física. A jogada emudeceu os torcedores do Grémio, mas, passado o espanto, eles
juntaram-se aos colorados nos aplausos ao lance de Florindo.

O primeiro tempo terminou em l x O para o Grémio. O time de Foguinho voltou com a mesma
disposição para o segundo tempo. Nem o gol de empate do Internacional, assinalado por Larry numa jogada
isolada de ataque aos 28 minutos, abateu os gremistas. Dois minutos depois, Calvet escorou de cabeça uma
rebatida de Lindoberto e passou para Milton. Da entrada da área. Milton, também de cabeça, encostou para
Vieira. Que, de cabeça, tocou para Juarez. O centroavante completou para o gol. De cabeça, evidentemente.
Um gol marcado através de uma tabela com quatro cabeceadas. O Grémio venceu e o presidente Ary Delgado
entrou em campo chorando para abraçar-se aos jogadores. Sabia que ninguém mais se atravessaria no
caminho do seu time, que o Grémio, após sete anos negros, seria, afinal, campeão.

Como foi. No final do ano, com a faixa no peito, Ary Delgado deu a Foguinho o prémio prometido
pela conquista: um DKW Vemag novinho.

O Inter se desesperou e começou a vender seus jogadores. O maior

A história dos Grenuis

craque do time, Oreco, saiu em 1957 para alegrar a torcida do Corinthians, E a do Grémio, que azeitava ainda
mais suas peças. Um goleiro da segunda divisão da Argentina chegou desacreditado e virou ídolo —
Germinaro. Com sua inde-fectível camisa amarela, ele deu ainda mais segurança a uma defesa viril. No
meio, Foguinho escalou um loiro alto de Roca Sales, Élton, que no inicia da carreira jogava de
ponta-de-lança.

— O senhor tem tudo para ser centromédio — disse-lhe Foguinho. Como invariavelmente acontecia, o
técnico estava certo. Élton juntou-se

a Milton, o Formiguinha, dono deste apelido porque se movimentava pelo campo todo, incansável. Élton
e Milton tiravam bolas de cabeça na área do Grémio, ajudavam Aírton e Ênio Rodrigues a desarmar os
adversários, armavam o jogo no meio e apareciam na frente da área, chutando e tabelando, marcando gois.
Vieira também se movimentava intensamente. Com Zagalo e Telê Santana, foi dos primeiros pontas a
jogar recuado, auxiliar o meio-de-campo e a acompanhar o lateral. Era um jogador solidário e prestativo,
um abnegado. Mas não admitia que companheiro algum fosse autoritário com ele, nem mesmo Ênio
Rodrigues. Os jogadores do Grémio já sabiam: se gritassem com Vieira, não-conseguiam nada dele. Além
de marcar e fechar no meio, Vieira somava-se com qualidade ao ataque. Cruzava com perfeição, abria
espaços e tabelava com Juarez.

Um centroavante especial, este Juarez Teixeira. Até os 27 anos de idade atuçu em clubes do interior de
Santa Catarina. Por indicação de Foguinho, o Grémio foi buscá-lo no Caxias de Joinville em 1955.
Atarracado, forte, Juarez era apelidado de O Tanque. De fato, ele patrolava as defesas adversárias. Pedia para
Gessy:
— Bota a bola mais ou menos ali no meio dos zagueiros que eu me viro. Bater em Juarez era como
bater na porta de um cofre. O negrão parecia

blindado. Veloz, indestrutível, rasgava ao meio qualquer estrutura de defesa. Mesmo assim, em 1958, o
Grémio lutando pelo tricampeonato, Juarez foi deslocado para a ponta-esquerda. Vieira passou para a direita e
Rudimar para o centro do ataque.

Esta foi a formação que Foguinho anunciou para o Grémio no Grenal

A história dos Grenais

decisivo do primeiro turno do campeonato de 58, em 1 7 de agosto, nos Eucaliptos. O Colorado tinha
um ponto a mais e o empate lhe serviria para ganhar o turno. Manchete do Diário de Notícias daquele
domingo: "Grenal -Tremem Céus e Terras". Na mesma edição, a vidente Madame Mafalda previu a vitória
do Inter por 3x2.

Os leitores que se encantaram com as previsàes de Madame Mafalda divertiram-se com histórias em
quadrinhos famosas como A Família Fedegoso e O Outro Eu do Comendador Ventura, ambas de Divito;
Doutor Fulgência, o homem que não teve infância, de Lino Palácios; e Rodolfo, o veadinho de nariz
vermelho, de Robert L. May. Era uma época de inocência. Na ilustração de um anúncio de jornal, uma moça
queixava-se para a amiga:

— Com cabelos lisos não irei ao aeroporto!
— Ora, leda! — retrucava a amiga — E o estojo-çonjunto Toni que lhe
mandei? Vou ajudá-la a fazer um permanente.
Salva pelo estojo-çonjunto Toni, leda foi, feliz e encaracolada, esperar a chegada do avião.

O Grémio daquela época cultuava duas superstições. Uma envolvendo Ary Delgado, outra com
Foguinho. Nas vésperas de Grenal, Ary Delgado tinha que dormir na concentração e nas viagens era obrigado
a acompanhar a equipe. Foguinho, por sua vez, não podia deixar de usar um pulôver preto durante o jogo,
mesmo nos dias mais quentes. No túnel, antes de entrar em campo, se os jogadores o vissem sem o pulôver,
logo perguntavam, ansiosos:

— E o pulôver? E o pulôver?
— Já vou botar — apressava-se a responder o técnico.
Um dia, Foguinho esqueceu o pulôver em casa. Ia para o banco só de camisa. Os jogadores se
exaltaram. Sem pulôver não dava, eles iam acabar perdendo a partida. Como Foguinho podia ter esquecido o
pulôver? Foi a maior crise. Os dirigentes viram-se obrigados a apelar para um sócio, Luiz Peixoto, que foi
buscar o pulôver do treinador em seu apartamento, na Coronel Vicente. Só assim o time jogou e venceu
descansado.

Os jogadores sorriram ao ver o técnico de pé no banco de reservas, ereto como sempre, com seu
pulôver a lhe proteger do frio da tarde sombria de 17 de

89

A história dos Grenais

agosto de 1958. Eles haviam se preparado com muito empenho para a partida. O lateral-direito Orlando
chegou a deixar de fumar durante os treinos a fim de estar tinindo no Grenal. O lateral-esquerdo Mourão,
que fora contratado do Santos, prometeu:
— Se o Grémio ganhar, vou me jogar nos braços da torcida.

Mas os colorados também não podiam reclamar da dedicação de seus atletas. O pai de um deles, o
meia Verardi, morrera dois dias antes e o jogador estava lá, pronto para entrar em campo.

Trinta mil pessoas se espremiam nas arquibancadas dos Eucaliptos. Umas seis ou sete mil eram
gremistas. O árbitro Miguel Comesana trilou o apito para o início da partida c o Inter mostrou que não estava
para brincadeira. O meia Joaquinzinho, deslocado pela ponta-direita, envolvia com facilidade ao la-
teral-esquerdo Mourão. Enio Rodrigues saía na cobertura e criava-se uma brecha no meio, por onde
penetrava o perigoso Bodinho. Tensão no banco de reservas gremista. Na torcida, ninguém respirava. O gol do
Internacional só não acontecia porque Aírton tirava todas as bolas da área. Conta a lenda que Aírton cabeceou
mais de 40 bolas naquele dia, saindo de campo com a cabeça inchada.

Próximo aos 20 minutos de jogo, Mourão, um jogador que, se não primava por uma técnica exemplar,
era bastante exuberante fisicamente, acertou a canela de Joaquinzinho. O jogador do Inter rolou no gramado,
gemeu de dor e Mourão ficou a encará-lo significativamente. Dado o recado, o ímpeto de Joaquinzinho
arrefeceu. Jogando só no seu setor, Enio Rodrigues pôde controlar Bodinho com maior eficiência e o Grémio
cresceu. Ainda no primeiro tempo, Juarez, deslocado pela ponta, marcou um gol, mas o juiz assinalou
impedimento de Gessy e o anulou. O primeiro tempo ficou no O x 0.

No segundo tempo, o Colorado voltou mais agressivo. Verardi adonara-se da meia-cancha, distribuía
o jogo e cadenciava o time. Aos nove minutos, o goleiro La Paz mandou um balão para o meio do campo.
Milton rebateu mal e a bola caiu ao lado da área do Grémio, nos pés de Ivo Diogo. Ele centrou e Bodinho
apanhou, de sem-pulo, para fazer l x O para o Internacional. Festa nos Eucaliptos. Em meio aos abraços,
Verardi lembrou do pai e explodiu num choro convulsivo. Os torcedores emocionaram-se nas arquibancadas.

90

A história dos Grenais

O Grémio parecia liquidado. Quando os olhares se desviaram de Verardi para a bola. uma surpresa.
Quem estava com ela entre os pés, no meio do campo, cabeça baixa, olhar grave, mãos na cintura, era
Juarez. Na ponta-direita, Rudimar. Na esquerda, Vieira. Rudimar se lesionara e Foguinho decidiu mexer em
todas as posições de seu ataque. Na saída de jogo a bola caiu na área do Inter. Juarez cabeceou e La Paz
espalmou. Na cobrança do escanteio, Juarez chutou e La Paz defendeu. O Inter tentou sair jogando, mas
Juarez recuperou a bola e partiu para cima dos zagueiros como se quisesse assassiná-los. Foi derrubando um
a um com os ombros até quase a linha de gol, onde um pé salvador conseguir tirar a bola no último milésimo
de segundo. O Colorado fez menção de se rearticular mais uma vez. mas Milton roubou a bola, passou a
Vieira, que cruzou. Na marca do pênalti, Juarez pedalou uma bicicleta e a bola tirou tinta do travessão. A
torcida gremista se levantou.

— Grémio! Grémio! Grémio! — Gritaram os torcedores, sem parar. No banco, Foguinho
gesticulava e berrava:
— Joguem a bola para o Juarez!
Não precisava mandar. Juarez tomara conta do jogo. A raça do centroa-vante contaminou os outros
jogadores. O Grémio todo passou a atacar, menos Rudimar, lesionado, que só fazia número na ponta-direita. A
área do Inter virou um inferno. Bola alta na meia-lua, Florindo partiu para cabeceá-la, mas Juarez chegou
antes, derrubou-o com o ombro, cabeceou, entrou no meio de três colorados, espalhando-os pela área, e
cabeceou a bola mais adiante. Os colorados tremeram. Ninguém conseguia parar o Tanque. Faltando 16
minutos para o final, Juarez dominou a bola pela direita, aplicou dois dribles em Barradas. trombou com
Florindo, chegou à linha de fundo e bateu para a área. Vieira só precisou encostar para o gol. Era o empate. A
torcida do Grémio, enlouquecida, arrancava as cadeiras do estádio e as jogava para dentro do campo, gritanto:

— Juarez! Juarez!

O chefe de torcida Camelinho, lembrando aquele jogo. comentaria a cena, mais tarde:

— Lá vinha Juarez, levantando polvadeira, espalhando retratista!

Aos 83 minutos. Vieira cruzou novamente para a área do Inter. Confusão.

91

A história dos Grenais

Juarez dominou, girou o corpo e soltou a bomba. Que explodiu no poste esquerdo de La Paz. Lá estava Gessy,
que completou para a rede. Era a virada. Os gremistas deliravam nas arquibancadas. Uma senhora e dois
homens desmaiaram de emoção e foram levados às pressas para o Pronto-Socorro. Terminado o jogo,
Mourão cumpriu a promessa, escalou o alambrado e atirou-se no meio dos gremistas. Não conseguindo
suportar o peso do possante lateral, os torcedores gritavam, uns para os outros:

— Pega o Mourão, pega o Mourão!

A partir de então, o jogador passou a ser agraciado exatamente com esta alcunha: Pega Mourão.

Ao mesmo tempo em que os torcedores tinham dificuldades para sustentar no ar o corpo do
lateral-esquerdo, um bolo de jogadores abraçou Juarez.

— Que monstro! Que monstro! Quem ganhou fué Juarez! Fué Juarez! — Berrava Germinaro, em
portunhol.

Rudimar chorava de dor e foi carregado aos vestiários por Gessy e Milton. Gessy sorria largamente,
algo raro de se ver, e Milton não cansava de repetir:

- Mas como jogou esse Juarez!

Foguinho chorava:

— Que time! Que camisa! Que jogador! Foi a maior atuação de um ata
cante em Grenal!

Em meio às comemorações, jogadores, técnico e dirigentes, de repente, perceberam que estava faltando
alguém: Juarez. Procura daqui, procura dali, foram encontrá-lo de banho já tomado, esperando o resto da
equipe no ônibus do clube. Foguinho, ainda rubicundo de tanta emoção, foi abraçá-lo: — Que atuação, senhor
Juarez! Que atuação!

Juarez encolheu-se todo no banco e sorriu, tímido:

— Que é isso, seu Rolla, não foi tanto assim.

A reação comandada por Juarez, pode-se dizer, deu o tricampeonato metropolitano ao Grémio. No
estadual, o Guarani de Bagé, a exemplo do que vinha ocorrendo com as equipes do interior nos últimos 18
anos, não resistiu e perdeu a decisão até com certa facilidade. No último Grenal do ano, em 21 de dezem-
92

A história dos Grenais

bro, o Grémio, já com a taça na estante, foi derrotado por l x 0. gol contra de Orlando. Repetia-se a história
de 56 e 57 — o Grémio perdia quando podia perder. Mesmo assim, os colorados gozavam. "O Papai Noel
é vermelho", di/.iam.

Em 1959, o time de Foguinho consolidou-se de vez, atingiu a maturidade. Os atletas assimilaram
bem a nova filosofia de jogo e a equipe ganhou reforços. Calvet voltou e chegaram o goleiro Henrique c os
atacantes Giovani. Volnei, Alfredinho e Higino. Giovani era chamado de John Wayne. Bom de bola,
esperava-se que fosse o sucessor de Gessy. O problema era que, como Gessy, ele não podia ver um barril de
chope sem querer secá-lo. A fama de bom copo espalhou-se pela cidade. Giovani reclamava:

- Não posso beber um copo d'água que já telefonam pró seu Rolla dizendo que estou bebendo
chope.

O melhor reforço do ano foi um negro alto de corpo desproporcional. As pernas eram responsáveis
pela maior parte de seus Im85cm de altura, deixando para o tronco só um pequeno retângulo musculoso.
Chamava-se Jorge Carlos Carneiro mas tornou-se conhecido pelo apelido, tomado emprestado do nome de um
jogador uruguaio que aluava no Penharol e tinha o corpo parecido com o íLele. O uruguaio era Ortufio e o
brasileiro ficou sendo Ortunho, com nh.

Ortunho nasceu na rua Baronesa do Gravataí, em frente à casa de Tcsourinha. Sendo negro e
com aquela vizinhança, só poderia ser colorado. Tentou jogar no Inter, mas foi dispensado em 1953. Como
não queria ir para o Grémio, treinou no Força e Luz, passou para o Nacional e seu amigo Tesourinha o
indicou para p Vasco da Gama. Finalmente, após dois anos no Rio, acabou no Grémio. O pernambucano
Mourão era o titular e não largava a posição de jeito algum. A saudade da família batia, mas ele não ia a
Recife, com medo de perder o lugar no time. Os companheiros brincavam:

— Tu estás com medo do Ortunho, por isso não viajas.

Para mostrar que não tinha medo, Mourão viajou. E perdeu a posição. Ortunho só sairia do time dez
anos anos depois, no fim da carreira, para dar passagem a um juvenil chamado Everaldo. Mil novecentos e
cinquenta e nove foi um ano e tanto para Ortunho e para o Grémio, que não perdeu nenhum Grenal.

93

A história dos Grenais

Foi um ano de renovação política. Um herdeiro do trabalhismo de Getúlio Vargas, Leonel Brizola,
assumiu o governo do Estado em 31 de janeiro. Entrou no lugar do colorado lido Meneghetti.

Na tarde da posse, a futura primeira-dama, Neuza Brizola, chegou ao Palácio Piratini, conduzindo
os filhos pelas mãos, às I5h25. Vestia um leve vestido de gaze branca com petit-pois pretos em tamanho
grande, luvas a meio braço pretas, bolsa e sapatos também pretos, colar e brincos de pérolas. Estava
impaciente.

- Quando é que vem o Leonel? — perguntou Heloísa Ribeiro, mulher do deputado Daniel Ribeiro.
Não esperou resposta para acrescentar, nervosa:
— Há quatro anos que espero por este dia. Quero assistir à posse.
Um repórter quis saber se ela moraria no Palácio.

— Meu marido é quem vai decidir — disse. -- Vou para onde for o
Leonel.

Meia hora depois, o marido irrompeu no Palácio, rodeado de políticos e populares. Neuza não
esperava aquela chusma. Mal conseguia divisar Brizola em meio ao magote de correligionários.
Resignada, terminou cedendo o seu lugar à mesa para os amigos do governador e retirou-se sem assistir à
posse.

Dois dias depois, Grémio e Inter empataram em 2x2 num Grenal válido pelo campeonato de 58, mas
que não decidia nada — o Grémio já era campeão. Em abril, na comemoração do cinquentenário do
Internacional. Gessy matou o dono da festa ao fazer os dois gois da vitória do Grémio por 2 x 1. O Grémio
ganhava por l x O quando Cacaio empatou e foi comemorar o gol na frente da torcida tricolor. No segundo gol
de Gessy os jogadores do Grémio revidaram e foram comemorar diante da torcida colorada. Foi o
suficiente para fechar o tempo. Torcedores invadiram o campo e foram barrados pela Guarda Civil.
Reagiram. Começou a pancadaria generalizada. Ary Delgado, já eleito deputado estadual, correu para tentar
serenar os ânimos e acabou apanhando da torcida. A baderna só acabou com o ex-govemador lido Meneghetti
entrando em campo e clamando pela paz. No dia seguinte, diversos deputados bradaram da tribuna contra a
sova levada pelo colega Ary Delgado.

O Grenal seguinte foi realizado em 17 de agosto e aí foi a vez de Juarez

94

.4 história dos Grcnais

marcar os dois gois da vitória de 2 x l do Tricolor. Naquele dia. antes do jogo, a torcida só falava numa coisa,
nos Eucaliptos: a chegada da televisão ao Rio Grande do Sul. A TV Piratini estava se preparando para
apresentar cinco horas de programação, a partir do final da tarde, e algumas lojas já vendiam aparelhos como
o TV Emerson, com o seu sistema sonoro sem estática, fixação da imagem independente das variações de
força c maior seleção sem interferência. O Televisor Mundial foi o pioneiro no estado, vendido por Arno
Decker & Cia na Doutor Flores. 116.

O Grenal de agosto não foi televisionado. Se fosse, os telespectadores teriam a chance de ver uma
cena inédita: uma jogada violenta de Aírton. Conta-se que aquela foi a única vez que Aírton deu um pontapé.
Mas deu a mando do presidente do clube e por incentivo dos colegas. Há anos que Aírton travava um duelo
com o centroavante do Internacional, cognominado de O cerebral Larry. Era mesmo um jogador inteligente,
repleto de jogadas sutis. Tinha o costume de, após fazer um bom lance, levar o dedo indicador à cabeça e
olhar, irónico, para o zagueiro, a fim de irritá-lo. Aírton também tentava provocar o adversário. Sempre que
driblava Larry saía rindo com a bola, às vezes às gargaJhadas,

Larry incomodava muito nos Grenais e estava em boa fase. Aírton andava preocupado. Milton
apareceu com a solução:

— Dá uma nele, Aírton.

O zagueiro se escandalizou:

—Eu não faço isso! Eu só jogo na técnica!
—Só uma rapaz!
— Nunca!

Na véspera do jogo, Aírton estava sentado, solitário, nas arquibancadas do Olímpico. O presidente
Arv Delgado aproximou-se:

— Que foi, rapaz?
— O Larry. Andam dizendo que ele vai acabar com o jogo.
— Dá uma porrada nele, Aírton. Só uma, no início do jogo.
— Até o senhor, presidente?
Aírton estava revoltado. Para piorar seu estado de espírito. Milton e Enio Rodrigues passaram o dia
insistindo:

95

A história dos Grenais

- Tu tens que dar uma nele, Aírton!

Continuaram soprando a ordem para o zagueiro até entrarem em campo.

Muito a contragosto, suspirando de pesar, aos 15 minutos de jogo, Aírton seguiu as recomendações.
Larry dominou uma bola e tentou um corte para a esquerda e o Pavilhão caiu sobre ele. O pontapé tez um
estupefato Larry voar e se estatelar no gramado, gritando de dor e surpresa. Foi o fim dos dribles cerebrais do
centroavante naquela partida.

O último Grenal do ano foi disputado em 29 de novembro. Para a surpresa dos 35 mil torcedores que
estavam no Olímpico, o Inter saiu na frente, com um gol de Deraldo aos três minutos. O Grémio, no entanto,
logo se impôs. Aos 27 minutos, Milton empatou o jogo. Três minutos após, Élton virou o placar, aos 20 do
segundo tempo, Gessy ampliou para 3 x 1 . Tudo ia bem e a partida corria relativamente fácil para o Tricolor.
Quem poderia prever o que aconteceu a seguir?

Numa jogada pelo flanco esquerdo do Grémio, a bola saiu pelo lado e Ortunho correu para cobrar o
lateral. Neste momento, uma garrafa voou das arquibancas e foi espatifar-se, certeira, contra a cabeça do
jogador. Ortunho caiu e o jogo foi paralisado. Abriram-se dois lábios vermelhos na testa do lateral do
Grémio. Furioso, o árbitro Ricardo Alberto Silva informou que o jogo só prosseguiria se Ortunho voltasse
a campo. Os médicos o atenderam, frenéticos. Costuraram-lhe a testa. Enquanto isso, o torcedor Clair Geraldo
da Silva, identificado como o autor do atentado, foi preso e levado à delegacia.

Ortunho melhorou e retornou ao gramado com uma escandalosa banda branca na cabeça, sob os
aplausos da torcida. O Grémio ainda fez o quarto gol, através de Élton aos 43. Ortunho ficou até o final. Entre
um lance e outro, contudo, o ferimento abriu novamente e o sangue começou a jorrar. Em pouco tempo, a
camisa, os calções e até as meias do jogador estavam empapados de sangue quente. Parecia que Ortunho
estava com o uniforme colorado. Terminou como um dos melhores em campo e foi carregado pela torcida, no
final.

No vestiário, Ortunho foi para o banho e, ao sentir a água escorrendo pelo corpo, limpando-o de todo
o sangue, passou a ouvir as vozes dos companheiros cada vez mais distantes. As vozes iam diminuindo,
ficavam lá longe,

96
A história dos Grenais

longe, longe. Um sono pesado e gostoso foi tomando conta dele. Como se estivesse num sonho, Ortunho
viu quando os companheiros se aproximaram, falando palavras desconexas, e carregaram-no para o
Pronto-Socorro. No caminho, o pneu da ambulância furou e puseram-no no carro de um torcedor.
Ortunho ficou quatro horas inconsciente. No dia seguinte, visitou o seu agressor, que até era vizinho da
Baronesa do Gravataí. Aos 58 anos de idade, com alguns tufos de cabelo esbranquiçado a lhe decorarem
a cabeça, Ortunho seguidamente lembra daquele Grenal: é que, vez por outra, um caco de vidro
remanescente emerge da fronte do ex-lateral gremista, e ele o espreme, como uma espinha adolescente.

O Grémio ganhou o tetra e alcançou o penta com maior tranquilidade. Qualquer criancinha, na rua,
sabia de cor a escalação do time: Henrique; Orlando, Aírton, Ênio Rodrigues ou Calvet e Ortunho; Élton e
Milton; Marino, Gessy, Juarez e Vieira. No Estadual de 1960, o Grémio enfrentou o 14 de Julho de
Livramento, o Nacional de Cruz Alta e o Pelotas. Em seis jogos, marcou 27 gois, uma média de 4,5 por
partida. Só o Pelotas conseguiu empatar o primeiro jogo em 2x2, mas, em compensação, levou 7 x O na
segunda partida. Tal facilidade convenceu a Federação a mudar a fórmula do campeonato. O certame de 1960
foi o último dividido por regiões.

Antes do campeonato houve um amistoso em 21 de abril, dia da inauguração de Brasília. Os jornais de
todo o mundo derramaram-se em encómios à Capital de Juscelino Kubitscheck. O Parisien Libaré, de Paris,
chamou Brasília de A Capital do Espaço, o Século, de Lisboa, considerou Brasília "uma vitória do mundo
moderno"; e o Yomiuri, um dos jornais de maior circulação do Japão, publicou uma série de reportagens
sobre JK. Na agora ex-capital. Rio de Janeiro, preparava-se a disputa do Clássico Rebolado, entre as vedetas
do teatro de revista do Rio contra as de São Paulo. Participariam beldades como Conchita Mascarenhas, Nélia
Paula e Wilza Carla. Provocava muito debate, também, a ação da polícia contra o jogo do bicho. Tudo
indicava que, daquela vez. os coo-traventores sofreriam um golpe de morte.

No Grenal dos Eucaliptos, o Grémio mostrou sua superioridade novamente e enfiou 3 x 0 , com
dois gois de Milton e um de Élton. O Grenal

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A história dos Grenais

seguinte, válido pelo campeonato, carimbaria em definitivo a primazia gremista. No mesmo dia do jogo, o
jornal Última Hora, de Samuel Wainer, lançou uma edição especial exclusiva sobre o clássico. Manchete:
"Gre 5 - Nal l". Juarez enfileirou três gois. Gessy e Vieira marcaram os outros e Ivo Diogo descontou para o
Inter. No dia seguinte, na rua da Praia, cercado de amigos, Foguinho, brincava com o técnico do Colorado, o
Capitão Teté:

— Promovi o homem a general cinco estrelas — flauteava o treinador gremista.

Mal desconfiava Osvaldo Rolla que se iniciava, em 1961, um ano dramático e. ao mesmo tempo,
consagrador para ele.

Em abril, maio e junho. Foguinho e o Grémio excursionaram pela Europa. O time voltou ao estado
cansado e sem Juarez. o Tanque, vendido ao Newell's Old Boys. da Argentina. Em seu lugar foi colocado o
sergipano Paulo de Souza, mais conhecido como Paulo Lumumba devido à sua semelhança com Patrice
Lumumba, presidente do Congo Belga, futuro Zaire.
Lumumba era um bom jogador, mas Juarez fazia falta. Pior era que o Inter arranjara um atacante
perigoso, Sapiranga, contratado do Floriano, de Novo Hamburgo. Não se pode dizer que Sapiranga tinha
muita técnica, mas velocidade, ah, isso ele tinha, e de sobra. Infernizava de tal forma as defesas adversárias
que ganhou a alcunha de O Diabo Loiro. Sapiranga converteu-se no vértice da única jogada de ataque do
Internacional de 1961. O meiocampista Sérgio Lopes (o Fita Métrica, tal a precisão de seus passes) ou o
lateral-direito Zangão apanhavam a bola e lançavam-no. A ideia era jogar a bola na frente do ponteiro e do seu
marcador para que eles apostassem corrida. Sapiranga ganhava sempre. De posse da bola, entrava na área em
diagonal para tentar o chute ou cruzava para os avantes Alfeu e Flávio Minuano. O Diabo Loiro terminou o
campeonato de 196i como artilheiro, com 17 gois. Travou duelos inesquecíveis com Ortunho. Para enfrentar
toda aquela velocidade, o lateral do Grémio valia-se de qualquer arma, inclusive a violência. Ao morrer,
cm 1994, Sapiranga ainda apresentava, nas canelas, as marcas das batalhas contra Ortunho. Depois de um
Grenal da época, o humorista Carlos Nobre contou uma história que definia bem o que era a guerra entre
Sapiranga e o seu marcador:

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A história dos Grcnais

— Quando o Sapiranga entrou cm campo para ser marcado pelo Ortunho, aquele rádio-repórter
o entrevistou c depois disse em voz grave para os ouvintes: "Ouvimos, assim, as últimas palavras de
Sapiranga".

Fora de campo, no entanto, os dois cultivaram uma amizade que vicejou até a morte do Diabo Loiro.

Em 1961 Sapiranga estava bem vivo c era ele quem matava os adversários do Inter. O primeiro
Grenal do ano devia ser realizado em 27 de agosto. Não foi por um bom motivo: o Rio Grande do Sul pegara
em armas para garantir a posse de João Goulart na presidência da República. Era a Campanha da Legalidade,
desencadeada pelo governador Brizola através de uma rede de rádios, depois da renúncia do presidente
Jânio Quadros. Ao fim de muita tensão, as armas não foram disparadas, os militares aceitaram Jango e Jango
aceitou a emenda parlamentarista. O golpe estava adiado.

O Grenai adiado foi finalmente jogado em 10 de setembro de 1961. O Colorado venceu por 2 x 1 , gois
de Gilberto Andrade e Alfeu. com Lumumba descontando. Perdido o turno, o Grémio tomou uma rápida
providência. Pagou Cr$ 1,5 milhão ao Newell's e trouxe Juarez de volta antes do final do mês. Diziam os
gremistas que o Tanque havia retornado só para jogar Grenal.

No meio do caminho, porém, surgiu urna pedra. O diretor de futebol, João Leitão de Abreu, passou
a dar opiniões cada vez mais frequentes sobre como ele achava que o Grémio devia jogar. Daí para tentar
escalar o time foi um chute. Leitão de Abreu não admitia que Foguinho tirasse Gessy da equipe titular e o
técnico argumentava que o jogador não estava na sua melhor condição física. Como não aceitava
interferências em seu trabalho, Foguinho pediu demissão numa quarta-feira, 8 de novembro. Ao saber da
saída do treinador, o patrono do Grémio, Fernando Kroeff, declarou:

— Embora seja uma página gloriosa, Foguinho é uma página virada na história do Grémio.

Foi esta frase do patrono do Grémio que fez Foguinho aceitar o convite do presidente Pinheiro Machado
para ser técnico do Cruzeiro. Dois dias após sair do Olímpico, Foguinho subiu a Colina Melancólica. Sua missão
principal: preparar o Cruzeiro, que vinha de duas derrotas, para enfrentar o Grémio no dia 15 de novembro.

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A história dos Grenais

Aquele Gre-Cruz era decisivo para o Grémio. Se perdesse, praticamente entregaria o campeonato ao
Inter. Pois o Grémio perdeu. Conhecendo bem os seus ex-jogadores. Foguinho armou um esquema para
anular as melhores jogadas do Tricolor. Determinou marcação especial ao ponteiro Vieira, que
atravessava uma fase esplendorosa. Perseguido por todo o campo, sem conseguir nem mesmo tocar na bola.
Vieira saía do ataque, desesperado, e gritava para Ortunho:

— Segura este cara que ele não sai detrás de mim!

De fato, lá estava o aplicado meiocampista Carazinho grudado em Vieira, cuidando para que a bola não
chegasse por perto. O Grémio atacou, pressionou, mas perdeu para o time de Foguinho. Gol de um jogador
baixinho, gorducho, chamado de Mauro Barrilzinho de Pólvora.

Foguinho. que dera o pentacampeonato ao Grémio, lhe tirou o hexa. Alegria dos colorados, que
passaram o ano garantindo:

— Hexa. essa não!

Hexacampeão era o maior título do Inter, conquistado pelo Rolo Compressor nos anos 40.
Parecia mesmo uma façanha impossível de ser repetida. Mas ainda havia o último Grenal do ano, o Grenal
do Natal, o Grenal do Papai Noel.

Como o Internacional conquistara o campeonato, a lógica dizia que o Grémio ganharia o último
Grenal. Pelo menos esta foi a lógica que motivou um fanático torcedor gremista, o vendedor de massas
Adria Paulo Sant'Ana, a tomar emprestado de um comerciante uma fantasia de Papai Noel. Uma fantasia de
Papai Noel azul. Sant'Ana e seu amigo, o também gremista e também fanático Camelinho, passaram a
semana planejando a forma como o Papai Noel irromperia no gramado dos Eucaliptos após a vitória
Tricolor. Faltava apenas o Grémio vencer.

A sorte, no entanto, parecia ter se evadido do Olímpico naqueles dias. O meia Gessy, machucado,
estava fora do clássico. Logo no primeiro minuto de jogo, o centromédio Élton se lesionou e foi substituído
por Nadir. Algum raio de sol, alguma luz especial deve ter brilhado sobre a fronte de Nadir no instante em que
ele entrou em campo, pois ele teve. naquele dia, o jogo de sua vida. Juarez,

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A história dos Grenais

afinal, marcou um gol, mas o árbitro Ornar Rodrigues anulou sem que ninguém entendesse a razão. O primeiro
tempo terminou em O x O e o presidente do Inter, Fagundes de Mello, aproveitou para anunciar o carnaval
preparado para o final da partida. O horizonte ficaria ainda mais vermelho com a expulsão do lateral Altemir.
O Grémio seguiu com dez em campo.

Logo no início do segundo tempo. Alfeu abriu o escore com uma bomba da entrada da área. Os
torcedores nos Eucaliptos, 80% colorados, começaram a festejar. Paulo Sant'Ana sentiu que teria de devolver
a fantasia intacta. Aos 65 minutos, aproveitando um choque entre Ortunho e o goleiro Irno, Alfeu marcou de
novo: 2x0. Faltando 25 minutos para terminar a partida, ninguém mais poderia segurar o carnaval
colorado.

A não ser o Grémio.
Aos 69, Nadir chutou uma falta no meio da barreira, a bola passou e entrou. O gol do Grémio
serviu para quebrar um pouco da firmeza do Internacional. Os gremistas se recompuseram e tomaram o
controle do jogo. A pressão foi aumentando. Fazia muito calor. De tempos em tempos, um jogador se
aproximava da linha lateral e pedia um cubo de gelo para o seu massagista. Quando faltavam cinco minutos
para o final, Nadir cruzou e Marino locou a cabeça na bola para empatar a partida e calar os colorados que
promoviam um ruidoso carnaval nas arquibancadas.

Os colorados passaram a ter a aguda e desagradável sensação de que algo de muito ruim ocorreria até o
final do jogo. Como ocorreu: no último minuto. Juarez trombou com o goleiro Silveira, botou-o a nocaute,
empurrou a bola para a rede e ganhou o jogo para o Grémio. Uma virada para a posteridade. Silveira saiu
desmaiado de campo quase ao mesmo tempo que um alucinado Paulo Sant'Ana forçava a sua entrada no
acanhado corredor de acesso ao gramado dos Eucaliptos. Sob as cacetadas da guarda civil, já sem o
pom-pom do gorro. Sant'Ana entrou, triunfante, assim que o jogo terminou. O Papai Noel era azul. A
torcida do Grémio saiu do estádio cantando:

— Juarez virou e o Silveira desmaiou.

O carnaval do Papai Noel Azul saiu dos Eucaliptos e desceu em direção ao Centro. Na Borges de
Medeiros, os álacres gremistas. SantAna Noel à

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A história dos Grenais

frente, divisaram, lá longe, uma turba vermelha. Era o carnaval colorado, que vinha em direção oposta. A
rota de colisão era evidente, inevitável e preocu-pante. SanfAna buscou uma saída de emergência. Achou-a
num bonde salvador que descia pela avenida. Embarcou no bonde e foi recepcionado por furiosos e violentos
passageiros trajados de vermelho. Devidamente chacinado, o gremista só sobreviveu por ter a esperança de
ver maiores vitórias de seu time nos anos a-seguir.

E viu.

Uma virada de tal contundência não ocorre impunemente. Dez dias após a derrota no Grenal, o Inter
trocou o técnico campeão. Sérgio Moacir Torres Nunes, pelo capitão Carlos Froner. O Grémio continuou
com Ênio Rodrigues e com ele foi disputar a final do Torneio da Legalidade. Contra o Internacional, é claro.
Empatou o primeiro Grenal em l x l e venceu o segundo por 2 x 1 , conquistando a taça e revelando um novo
valor. Joãozinho, um meia de Im64cm de altura, rápido, inteligente, apelidado de O Pequeno Polegar. O
Grémio havia encontrado o sucessor de Gessy.

As derrotas em Grenais eram peçonhentas para o Inter. Froner mal esquentou o lugar no túnel e
foi dispensado, substituindo-o o treinador das divisões inferiores, Pedro Figueiró. Pois Figueiró deu-se
bem, a princípio. O Grémio saiu para fazer outra excursão à Europa e o Internacional concentrou-se no
Gauchão. Foi vencendo, vencendo e amealhando pontos de vantagem sobre o Tricolor. De repente, faltando
cinco jogos para o fim do campeonato, o Inter viu-se lá na frente na tabela, com cinco pontos a mais do que
o arquiinimigo. A 11 de novembro, o Grémio perdeu mais um ponto ao empatar em 2 x 2 com o Cruzeiro, na
Montanha. A diferença a favor do Inter poderia ficar em seis pontos, a três jogos do Grenal. Mas o Colorado
surpreendeu seus torcedores e foi derrotado no mesmo dia pelo Guarani, em Bagé, por 2x0.

Grémio e Internacional venceram as suas duas partidas seguintes. Ou seja, havia mais uma e o
Grenal. E o Inter contava com quatro pontos de vantagem. Um empatezinho e o Colorado seria bicampeão.
Na noite de 9 de dezembro, o Grémio jogaria fora de casa contra o Pelotas. O Internacional
enfrentaria o Aimoré nos Eucaliptos. Confiantes na

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A história dos Grenais

vitória, os colorados traçaram um plano cruel para humilhar o adversário. Antes dos jogos, levaram um caixão
de defunto para a saída da Ponte do Guaíba. A ideia era bloquear a ponte quando o ônibus do Grémio chegasse
e obrigar o time a acompanhar o próprio enterro. O ônibus, lotado de jogadores mal -humorados e
resmungantes, teria de seguir por intermináveis quilómetros um féretro azul. lento e debochado.

O técnico do Grémio não era mais Ênio Rodrigues e sim o treinador campeão de 61, Sérgio Moacir.
No momento do embarque da delegação, ele reuniu os jogadores e jurou:

— Se vocês me derem a vitória em Pelotas eu lhes darei o campeonato.
Contava, talvez, com o cumprimento de outra promessa, es ta feita pelo

atacante Paulo Lumumba, emprestado pelo Grémio ao Aimoré no início do ano.

— Garanto que vou fazer a minha parte para dar o título ao Grémio - disse o jogador.

Um terceiro voto magnetizava o ar naquele final de 1962, o do técnico do Aimoré, Carlos Froner.
Magoado pela rejeição sofrida nos Eucaliptos, meses atrás, ele jurara vingança.

Todos estes foram personagens centrais da inesperada e eletrizante decisão do Campeonato
Gaúcho.

O Aimoré jantou o Internacional nos Eucaliptos. Ganhou por 3 x l e deu olé. Destaque da partida: Paulo
Lumumba, autor de dois gois. Finalizado o jogo, o goleiro do Inter, Gainete, atravessou o gramado em silêncio
e cumprimentou Carlos Froner. Ao mesmo tempo, em Pelotas, os gremislas faziam a sua parte vencendo o
Pelotas por 4x0.

Restava, agora, apenas o Grenal. Se o Grémio vencesse, a dupla terminaria o campeonato empatada
em pontos e teria que decidir em partida extra, um supercampeonato. Se o Inter vencesse ou empatasse,
conquistaria o bi. Quer dizer, o Colorado continuava precisando só de um ponto, enquanto o Grémio
dependia de quatro.

Mas o Grémio vinha embalado, confiante, entusiasmado. No Internacional, tudo era medo. A lembrança da
virada no último Grenal de 61. a tradição de vitórias do adversário, os últimos fracassos, cada detalhe servia para
abalar a fé dos colorados.

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A história dos Grenais

O Grémio venceu o Grenal de 16 de dezembro. Só podia vencer. Dois a zero, com dois figurantes
roubando a cena e transformando-se em personagens principais: o ponta-direita Marino, autor dos gois, e
o ponta-esquerda Ivo Diogo, ex-jogador do Inter, um dos melhores em campo. Ivo Diogo conquistaria
outras glórias pelo Grémio e Marino, então, nem se fala. Marino era um ponteiro veloz e objetivo, muito
parecido com um outro ponta que faria sucesso no Internacional, oito anos depois: Valdomiro. Jogava no
Grémio desde 1960, mas os dois gois marcados no último Grenal de 62 é que lhe enrijeceram o pé. Em 63,
Marino seria o goleador do campeonato com 17 gois e, em um ano e meio, assinalaria nada menos do que dez
gois em Grenais.

O Grémio saiu dos Eucaliptos, em 16 de dezembro de 62, certo de que reconquistaria o título. O
garoto Luiz Carlos Machado, de 12 anos de idade, também tinha esta certeza. Tanto que deixou o estádio aos
prantos. Era colorado fanático e não aguentava mais ver seu time perder. Morava na Ilhota desde que nasceu
de um parto difícil, puxado a fórceps das entranhas maternas, a operação deixando-lhe um estigma na fronte
e fazendo a mãe correr à urna casa de umbanda para lhe fechar o corpo e iluminar a alma. Na Ilhota, o
negrinho aprendeu a jogar bola e a ser colorado. Agora, chorando de frustração, ele alisava instintivamente
com o dedo a marca de nascença na cabeça e fazia uma promessa:

— Ainda vou jogar no Internacional e vou ganhar todas do Grémio.

Naquele mesmo ano de 1962 Luiz Carlos ganhou o apelido que lhe faria conhecido em todo o Brasil na
década de 70: Escurinho.

Até alcançar a celebridade, no entanto, Luiz Carlos teria muito a sofrer. Veria o seu Inter levar 4 x 2 ao
natural do Grémio de Marino em 7 de fevereiro de 1963, com dois gois de Ivo Diogo, um de Joãozinho e um
de Vieira, descontando Flávio c Soligo para o Colorado. O Grémio era supercampeão.

O Inter estava desmoralizado e o Grémio renovava o seu time. Joãozinho adonara-se do
meio-de-campo. Acostumava-se, agora, a ser chamado pelo nome e o sobrenome: João Severiano. Nome com
o qual a torcida gremista o elegeria deputado estadual, no futuro.

Na zaga, ao lado de Aírton, substituindo Ênio e Calvet, jogavam Áureo

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A história dos Grenais

ou Altemir. No meio, depois da saída de Élton para o Botafogo, entrou Cléo. Na frente, Lumumba estava de
volta e Marino empilhava gois. O Inter venceu um Grenal amistoso em 14 de abril de 63, por 2 x 1 , com
Flávio Minuano marcando um gol-pintura, na definição da crónica esportiva: Flávio, Darlan e Gaspar
tabelaram oito vezes até Flávio empurrar para o gol. Em 1° de maio, o Grémio deu o troco. Dominou o jogo
todo e aplicou 4 x l no Colorado, com quatro gois de Marino.

O mesmo Marino fez o único gol da vitória de l x O no primeiro Grenal do campeonato, em 29 de
setembro, nos Eucaliptos. Apanhou a bola na intermediária ao 76 minutos de jogo e desandou rumo ao gol,
com o zagueiro Osmar nos calcanhares. Durante todo o trajeto, uns 30 metros, Osmar tentou derrubar o
atacante do Grémio, mas ele só parou quando Beno saiu do gol para, de perna esquerda, atirar para o fundo da
rede. O Grémio chegou ao bicampeonato com facilidade, duas rodadas antes do final, e até ganhou o Grenal
do Papai Noel por 1 x O em 14 de dezembro, desestabilizando de vez o treinador do Inter, professor Mendes
Ribeiro, irmão de Jorge Alberto Mendes Ribeiro jornalista que mais tarde se elegeria deputado federal.

Mil novecentos e sessenta e quatro seria um ano mais difícil para o Tricolor. O capitão Carlos
Froner foi contratado como técnico e trouxe com ele uma novidade: Mário Doernt, um major da cavalaria que
passou a atuar como preparador físico. De início, os dirigentes estranharam.

— Então vamos ter dois técnicos? — perguntavam.
Logo em seguida, se acostumaram. Os jogadores gostaram da inovação. Só não apreciaram muito as
comidas que o professor Mário mandava servir na concentração, principalmente aquele arroz escuro que
ele chamava de arroz integral.

Naquele ano foi revelado Alcindo Martha de Freitas, um centroavante refugado anos antes de forma
humilhante pelo Internacional. O episódio da dispensa fez crescer no peito de Alcindo uma raiva do Colorado
só aplacada com gois em Grenais. No início dos anos 60, indicado pelos irmãos Kim e Alfeu. ele foi jogar no
Inter. No campeonato dos juvenis, marcou nove gois em duas partidas contra o Grémio. Como morava em
Sapucaia e precisava tomar dois

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A história dos Grenais

ônibus para chegar aos Eucaliptos, o jovem atacante aproveitou para pedir um aumentinho de salário. O
técnico Abílio dos Reis apresentou a reivindicação ao presidente Fagundes de Mello. Que ficou fulo.

— Deixa que eu falo como rapaz — foi a única resposta do presidente. À tarde, Fagundes de
Mello apareceu no campo suplementar do Colorado, interrompendo o treino dos juvenis. Os jogadores
cochicaram entre si, surpresos e um pouco assustados. Era muito difícil o presidente comparecer a um trabalho
das divisões inferiores.

— Quem é o tal Alcindo? — perguntou o presidente a um jogador na lateral do gramado. O rapaz
apontou para a outra ponta do campo. Fagundes de Mello foi perguntando e os jogadores apontando.
Viravam-se todos para Alcindo, que viu o presidente do clube, rosto crispado, olhar homicida,
aproxmar-se a passos decididos em sua direção. Fagundes de Mello era baixinho.Mas Alcindo teve a
impressão de que o homem crescia à medida que chegava mais perto. Continuou se aproximando e
crescendo até parecer medir uns três
metros de altura.
— Então tu és o Alcindo? — A pergunta não pedia confirmação, mas Alcindo bem que cogitou a
possibilidade de negar.

—Sou — ciciou, afinal.
—Quem tu pensas que és. guri? Tu tens dois irmãos jogando aqui, dois jogadores que sempre foram
humildes e dedicados! E agora vens pedir aumento?!
Alcindo não conseguiu responder. Cabeça baixa, só ouvia, envergonhado. E ouviu quando Fagundes de
Mello encerrou a conversa.

— Tu estás vendo aquele portão ali? - disse o presidente, apontando para a saída do estádio. —
Podes sair por ali e não volta mais!

Alcindo só voltou a cruzar o portão dos Eucaliptos para marcar gois no Inter. Dias depois, o Grémio soube da sua
saída. A direção encarregou o chefe de torcida Camelinho de buscá-lo em Sapucaia. Camelinho chegou na casa da
família do jogador e falou com a mãe dele, Oiívia. Perguntou por um filho centroavante. Dona Olívia sabia que era
Alcindo. Andava mais preocupada, porém, com o futuro de Alcino, seu outro filho, jogador de várzea e não
exatamente um exemplo cie requinte técnico. Chamou Alcino:

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A história dos Grenais
— Meu filho, o Grémio quer te contratar. Vai agora mesmo para o Olímpico.

O rapaz quase desmaiou de contentamento. Correu ao Olímpico, recebeu chuteiras, meias, calção e
camiseta. Entrou em campo para participar do treino. Na frente dele, Aírton Ferreira da Silva, com nome,
sobrenome e Im86cm de altura. Alguns minutos e poucas jogadas depois, o dirigente do Grémio Clébel
Furtado pediu que Alcino o acompanhasse à pista atlética.

— Diz uma coisa, meu filho, tu não tens um irmão com um nome pareci do com o teu? — Sondou-o
Furtado.
— Tenho. E o Alcindo.
— Ele joga também, não joga?
— Joga.

— E centroavante?
-É.
— Era do Internacional?
— Era.
— Ah, então faz o seguinte: sai assim como tu estás, com chuteira, meia, calção, camiseta, com todo o
fardamento, vai de volta a Sapucaia, entrega tudo para o teu irmão e manda ele vir aqui.

Alcino foi e Alcindo voltou em seu lugar. Depois de ser emprestado ao São Paulo de Rio Grande,
Alcindo finalmente passou a atuar no Grémio. Contudo, ainda não como titular. Revezava-se com Paulo
Lumumba. O dia 22 de março de 1964 mudaria esta situação. O Grémio perdia para o Coritiba, em Curitiba,
por l x O e o técnico Carlos Froner decidiu experimentar Alcindo no comando de ataque. Pois ele liquidou
com a defesa do Coritiba e o Grémio venceu por 4 x 1 . Não saiu mais do time.

Alcindo marcou seu primeiro gol em Grenal em abril de 1964. Um mês confuso. No dia 1°, os militares
deram o golpe de Estado. As reuniões foram proibidas, inclusive as esportivas. Logo, nenhum jogo poderia
ser realizado. No dia 2, mais de cinco mil pessoas correram à rodoviária e seguiram em ônibus para o interior.
Queriam fugir da conturbada Porto Alegre. Os ônibus que saíam do estado, porém, foram barrados na divisa
com Santa Catarina e mandados de volta.

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A história dos Grenais

O Grenal do dia 19, um amistoso, foi realizado na calma de Santa Cruz do Sul. O Inter venceu por l
x O e açulou o desejo de vingança dos gremistas para o segundo encontro, dia 23, no Olímpico. Nesta noite.
Alcindo provocou pânico na defesa colorada. Fez todos os gois da vitória de 3 x 0. Carlos Froner não assistiu
a nenhum dos dois jogos. Como capitão do Exército, ele permaneceu recolhido no QG da Rua da Praia, a
espera de ordens superiores. Não pôde sequer orientar os treinos do Grémio. O time foi dirigido por
Aparício Viana e Silva durante quase todo o mês de abril.

O Grémio ganhou o primeiro turno do campeonato ao empatar em zero com o Inter a 26 de julho.
Atrás da zaga. um novo goleiro, Alberto. Trajava uma camisa azul-celeste que se tornou tão famosa quanto à
amarela de Germinaro. Seria titular nos próximos anos, só se revezando com Arlindo em 1966. O Grémio
prosseguiu na dianteira até o final do campeonato. Em 11 de outubro, sofreu uma derrota inesperada, l x O
para o Brasil. O Inter, que estava três pontos atrás, ressuscitou. Foi para o Grenal com apenas um ponto de
diferença, ansiando em repetir a proe/a do Grémio de 1962.
A imprensa se impacientava com o técnico Carlos Froner, chamava-o de retranqueiro. Froner não
respondia às provocações. Pelo contrário, as incentivava. Uma emissora de rádio colocou os dois
treinadores, Froner e Sérgio, na mesma linha, para falarem sobre o Grenal.

— Tu vais jogar na defesa? — quis saber o técnico do Inter.

- Claro — disse Froner. — Posso empatar o jogo. Não vou abrir mão desta vantagem.

Enquanto prometia um Grémio defensivo, Froner pensava em resolver um problema de escalação da
equipe, na lateral-direita. Não estava satisfeito com Valério nem com Renato, os dois jogadores da posição. Pensava
em tirá-los do time, mas não queria melindrar ninguém. Dias antes do jogo, surgiu, no Olímpico, o boato de que
Renato fora visto com uma mulher acompanhada por um dirigente colorado. Valério, da mesma forma, teria sido
flagrado conversando com um prócer do Internacional em frente ao estádio. Era a chance do técnico.
Alegando querer preservar os jogadores, escalou o vigoroso quarto-zagueiro Altemir na lateral-direita. Altemir e
os outros dez titulares ouviram a instrução do treinador, pouco antes da partida:

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A história dos Grenais

— Vamos atacar desde o início que eles estão esperando um adversário cauteloso.

O Grenal decisivo foi disputado no Olímpico no domingo. 1° de novembro. Sobre a data, a coluna de
Hilário Honório, com a indefectível marca do perdigueiro, na Folha da Tarde, comentou: "Dizem por aí que
o Internacional jamais perdeu em 1° de novembro..."

As TVs queriam transmitir a partida. Os clubes não aceitavam. Ainda não havia acerto entre clubes
e emissoras. A direção do Grémio proibiu a entrada das equipes de televisão no estádio e o narrador
Geraldo José de Almeida teve que fazer a transmissão da sacada de uma casa em frente ao Olímpico.

As emoções assistidas ao vivo pelos telespectadores gaúchos começaram cedo, aos dois minutos de
jogo. Sérgio Lopes, o Fita Métrica, agora no Grémio, deu um de seus lançamentos milimetrados para
Alcindo. O zagueiro Scala foi na bola e falhou. O centroavante entrou na área e encobriu o goleiro Silveira: l x
O para o Grémio. O tricampeonato estava próximo. Pode-se dizer que chegou em definitivo aos 46 minutos,
quando Marino correu pela direita e centrou para Alcindo completar para o gol. A bola bateu na rede e o
torcedor Alfredo Prates, de 56 anos, funcionário do Banco do Estado, caiu nas sociais do Olímpico, ful-
minado de emoção. Morreu no estádio, sem ver o terceiro gol do Grémio, assinalado por Joãozinho depois
de uma cobrança de escanteio de Marino, aos 27 do segundo tempo. A frieza militar do capitão Carlos
Froner acabou ali. Finda a partida, ele abraçou-se aos jogadores e chorou sem culpa.

Grémio tricampeão. Mesmo assim, o Papai Noel foi vermelho mais uma vez. A 10 de dezembro, o
Inter venceu um Grenal amistoso por 2 x 1 . Aírton acabou expulso pelo árbitro Yolando Rodrigues. A torcida
tentou derrubar o alam-brado dos Olímpico para linchar o juiz, o que só não ocorreu devido à vi-gorosa
distribuição de borrachadas por parte da polícia. O jogo terminou com uma batalha entre a polícia e a torcida.
Três guardas e dois torcedores foram hospitalizados. O nervosismo contagiou os jogadores. Ortunho, irritado,
aplicou uma cabeçada no repórter Lupi Martins, da Rádio Gaúcha. Caído no chão. sangrando pela boca e pelo
nariz, o jornalista só não foi mais agredido graças à intervenção de Carlos Froner. Lupi Martins registrou
queixa na polícia contra Ortunho no mesmo dia.

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A história dos Grenais

Não seria o derradeiro envolvimento de Ortunho com a polícia. No intervalo do último Grenal de 1965,
em 12 de dezembro, ele passou pelo bar do estádio dos Eucaliptos e ouviu insultos de um colorado.
Identificou um cidadão como autor dos impropérios e não teve dúvidas. Sentou-lhe um pontapé na cabeça.
Parou na 2a DP. Sentadinho diante do delegado, já mais calmo, Ortunho explicou a razão de tamanha fúria:

— Ele me cuspiu na cara e ainda por cima disse que eu não era homem.

Depois de provar ao torcedor colorado que era homem, sim, Ortunho voltou a campo para marcar,
com igual disposição, o ponteiro Carlos Castro. O Grémio venceu este Grenal por l x O, gol de Alcindo aos 43
do segundo tempo. Como vencera o anterior do campeonato, 2 x 1 , gois de Alcindo, de novo, e Joãozinho.

Foi, talvez, o campeonato mais tranquilo da história do Grémio. Apenas empatou um Grenal amistoso
em zero, no início do ano, e venceu os outros dois. Nem carecia. O título chegou de forma invicta, com dois
mirrados pontos perdidos, ambos para o Floriano. No final do certame, o Tricolor apareceu em primeiro na
tabela de classificação, com quilométricos 17 pontos a frente do Internacional. O Colorado não conseguiu
sequer chegar em segundo. O Juventude ficou com o vice-campeonato, com 16 pontos perdidos. Em
terceiro chegou o Floriano, com 18 pontos perdidos. Ao Internacional coube o humilhante quarto lugar, e
ainda assim dividido com o Brasil de Pelotas, os dois com 19 pontos perdidos.

O Inter chegara ao que os gregos chamavam de nadir, o ponto mais baixo, o oposto do zénite. No início do
ano, desesperados com as derrotas de 62, 63 e 64, os dirigentes colorados tentaram implantar um apressado
processo de juvenilização no time. A equipe dos juvenis era muito boa. A torcida ia aos Eucaliptos mais para se
deliciar com os jogos dos chamados juvenis Bossa Nova do que para ver aqueles profissionais desgastados pelas
derrotas. Os garotos prometiam. Sobretudo a habilidosa dupla de meio-campo, Bráulio e Chorinho. Os dois eram
as estrelas, os artistas da bola, os génios do futuro. Quase todo o grupo de juvenis foi promovido aos
profissionais. Só Bráulio continuou nas divisões interiores, para seu supremo desespero. Saiu chorando dos
Eucaliptos direto para as barras da saia da mãe.

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A história dos Grenais

— Que decepção na minha vida, mãe. Nunca mais volto lá — resfolegava. No dia seguinte, porém, o
técnico dos juvenis, Abílio dos Reis. e um dirigente do clube. Braga Gastai, foram à casa do jogador.

— Que é isso, rapa/,, tu tens só 15 anos. Vamos voltar já para os Eucaliptos — ordenou Braga
Gastai.

Bráulio voltou. Não se arrependeu. Seus ex-colegas de juvenis acabaram queimados devido às
derrotas e ele prosseguiu no Inter para cumprir uma tra-jetória gloriosa e polémica.

O Internacional desmoronava e o Grémio tornava-se ainda mais sólido. O ex-jogador colorado Sérgio
Lopes encaixou na meia-cancha gremista como se lá tivesse nascido. Com Cléo, formou um meio-campo que
nada devia a Élton e Milton. Na frente, não havia mais Juarez, o Tanque. Mas ninguém dava pela falta.
Alcindo, o Bugre Xucro, era a reencarnação do velho centroavante rompe-dor. forte, pleno de arrancadas
fatais para a zaga adversária. Alguém sofria de saudades das tabelas entre Juarez e Gessy? Bastava olhar para
o campo, salivar com as combinações entre Alcindo e Joãozinho, que a nostalgia logo passava. Atrás,
Alberto fechava o gol tal qual Genninaro, Altemir mostrava-se ainda mais vigoroso que Figueiró e
Orlando, e Áureo esforçava-se para merecer o lugar que fora de Calvet e Ênio Rodrigues.

Mil novecentos e sessenta e cinco trouxe, também, um reforço para o Grémio. De Lajeado chegou
Volmir. o Maçaroca, um ponteiro driblador e artilheiro. No Grenal de 12 de dezembro foi ele quem enfiou a bola
entre as pernas de Scala e chutou cruzado para Alcindo empurrar para a rede quase sobre a risca do gol. Mas
aquela não foi sua melhor partida pelo Grémio. Aliás, ele nem jogou bem. Sua consagração ocorrera um mês e
meio antes, num compromisso pela Taça Brasil. O Grémio enfrentava o Palmeiras, a temida Academia do
Futebol. Um timaço: Dona: Djalma Santos, Djalma Dias. Procópio e Ferrari; Dudu e Ademir da Guia; Julinho,
Servílio, Ademar e Rinaldo. Na semama anterior, o Grémio havia perdido por 4 x l em São Paulo, num jogo que,
segundo todas as testemunhas gaúchas, o juiz Eunápio de Queirós só faltara entrar em campo para ajudar o
Palmeiras. Pelo menos dois gois, juravam todos, tinham sido irregulares. O Rio Grande estava em pé de guerra.
Até os colorados estavam revoltados com a injustiça.

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A história dos Grenais

O árbitro escalado para a partida em Porto Alegre foi Armando Marques. O juiz, os bandeirinhas, os
jogadores do Palmeiras, ninguém de fora do Estado poderia esperar ver o que se viu na noite de 27 de
outubro de 1965 no gramado do Olímpico. Que Academia, que nada. O Grémio desmontou o
Palmeiras. Volmir, que em São Paulo ficara na reserva, encarou o melhor lateral-direito do Brasil, o
bicampeão do Mundo Djalma Santos, como se ele fosse um juvenil do Força e Luz.

O Maçaroca pegava a bola, partia para cima de Djalma Santos, cortava o lateral para um lado, para
outro, voltava ao mesmo lugar. Quando Djalma queria enquadrar o corpo, Volmir arrancava rumo à linha
de fundo ou investia sobre a área do Palmeiras. As vezes Djalma Santos se interpunha em seu caminho e
o Maçaroca derrubava-o com o ombro, protegia a bola com o lado do pé e tornava a afunilar em direção
ao gol paulista.

A defesa palmeirense virou um inferno. Aos 34 minutos, Alcindo marcou o primeiro gol do Grémio.
Faltando um minuto para terminar o primeiro tempo, Volmir enfiou uma bola goela adentro de Djalma
Santos, entrou na área e foi derrubado por Djalma Dias. Alcindo cobrou o pênalti e fez 2 x 0. Logo aos três
minutos do segundo tempo, Volmir driblou quase toda a defesa do Palmeiras e ampliou o marcador. Aos
16 minutos, Joãozinho assinalou o quarto gol, o Palmeiras descontou com Zequinha aos 27 e o Grémio
fechou a goleada aos 40, com Alcindo: 5 x 1 .

Esta atuação de Volmir foi uma marca registrada em sua carreira. Anos depois, mesmo quando
ele não estava em boa fase. os adversários o respeitavam. "E se ele resolve fazer aquilo que fez
contra o Palmeiras?", perguntavam-se os seus marcadores.

No ano seguinte, 1966, o Grémio trouxe o técnico Luiz Engelke, obedecendo à fórmula de trocar o
treinador a cada dois anos, mesmo sendo ele um vencedor. O clube se traumatizara com a saída de
Foguinho em 61, e a derrota subsequente. Os dirigentes, agora, acreditavam que a permanência de um
técnico por longo tempo se tornava prejudicial ao time.

O Brasil pós-golpe fervia. No futebol, a meta era a conquista do tricam-peonato mundial, na Copa
da Inglaterra. No terreno cultural, no entanto, germi-

112
A história dos Grenais

nava a excitação maior. No final de 65, o novo jornal de Porto Alegre, o matutino Zero Hora, com seus dois
anos incompletos, trazia uma matéria analítica em seu Caderno 2: "Beatles - o que são? Comunistas,
cristãos ou terroristas?" No texto, o repórter destacou uma alarmante tese apresentada pelo reverendo
David Noebel, chefe da Cruzada Cristã Anticomunista de Wisconsin, nos Estados Unidos.

- Os Beatles estão preparando os jovens para a Revolução e a revolta contra a República Cristã
—jurava o reverendo. — Os comunistas desenvolveram um sistema engenhoso de hipnose musical
baseado na sincronização do ritmo às batidas do coração dos jovens. Um dia, quando a Revolução
estiver madura, os Beatles virão para a TV e hipnotizarão a juventude da América inteira.

Em outubro de 66, pouco depois do primeiro Grenal do campeonato, chegou a Porto Alegre um
típico produto da revolução iniciada pelos Beatles. O cantor Ronnie Von desembarcou sua tez pálida e seus
olhos verdes no aeroporto Salgado Filho e por pouco não foi trucidado pelas fãs adolescentes. Alguns
jovens mais inflamados arrancavam tufos dos cabelos do artista. Cada fio de cabelo foi vendido às
meninas a Cr$ 500 na saída do aeroporto. Ronnie Von acenou às admiradoras e deixou o Salgado Filho
num enorme Impala cor-de-rosa em direção à boate Paraphernália, onde cantou, à noite. Outro cantor de
sucesso da época era Wanderlei Cardoso, que estrearia meses depois numa fotonovela publicada por
Zero Hora.

Três conhecidos estudiosos de fenómenos paranormais fizeram previsões para este clássico de
outubro de 66. O famoso Homem dos Cachos, que vaticinou a vitória do Grémio no Grenal Farroupilha,
em 1935. tranquilizou as duas torcidas: vai dar 2x2, garantiu. O professor Ornar Kahn discordou.
Assegurou que o Inter venceria por l x 0. E a madame Alba ficou com o Grémio: 2 x 1 .

Sem saber qual deles estava certo, os jogadores do Grémio repetiram um ritual realizado antes de todas as
partidas importantes. Empoleiraram-se no DKW de Aírton e passaram, solenes e respeitosos, pela frente da Igreja
Santa Terezinha. no Bom Fim. Os jogadores tinham tanta fé na santa que, antes de cada viagem, obrigavam o
motorista do ônibus da delegação a fazer um desvio só para desfilar diante da igreja.

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A história dos Grenais

Como todo o grupo que permanece muito tempo junto, eles criaram hábitos em comum e
formularam regras. O jogador novo, contratação recente, tinha que pagar um churrasco para todo o time
no dia da assinatura do contrato. Apenas o pão-duro Ortunho escapou desta obrigação. A cada ano, ele
prometia que pagaria dois churrascos em vez de um e assim ia levando os colegas.

No refeitório, havia três mesas: a dos magros, a dos gordos e a dos super-gordos. A dos magros
ficava para quem estava dentro do seu peso ideal, a dos gordos para os que estivessem um ou dois quilos
acima e a dos supergordos para os que pesassem muito além do normal. O goleiro Alberto era um contu-
maz frequentador da mesa dos super-gordos. Alcindo, com sua paixão por doces e massas, batia ponto na
dos gordos. A mesa dos magros tinha de tudo. Um lauto banquete. Cremes, molhos, filés grossos como
bíblias, batatas douradas, omeletes suntuosas, sobremesas faiscantes. Na dos gordos, a paisagem era
verde. Saladinhas, um ovo cozido, um bifinho sumidouro e aquela repugnante água mineral. A dos
super-gordos era espartana. O suspiro de Alcindo ainda é dolorido e comovente quando ele fala de uma
vez em que lhe foi servido nada mais do que um copo d'água e a metade de uma maçã como almoço. Os
gordos e os supergordos sofriam ao ver os magros comendo com parcimônia, quase com indiferença,
todas aquelas delícias que eles tanto amavam e desejavam. Mas a pior tortura era a do sonho-bocha. O
sonho-bocha feito pela cozinha do Grémio era famoso. Redondo, recoberto por uma casquinha crocante e
açucarada, encorpado pela massa sequinha e macia, o sonho fazia os jogadores deli-rarem quando os
dentes alcançavam o recheio cremoso e adocicado. A pena mais temida por gordos e super-gordos era a
proibição de comer sonho-bocha.

Devido à fama de comilão, Alcindo, vez em quando, era condenado à concentração forçada. Tinha
que ficar a semana inteira no Olímpico, recolhido, vigiado pelo massagista Banha, definitivamente longe de
guloseimas e acepipes. Alcindo concentrava antes e o Grémio ganhava. Com o tempo, aquilo tornou-se
mais uma das superstições do time. Os jogadores exigiam que Alcindo concentrasse no início da semana,
mesmo quando ele estava dentro do peso normal. Assim, não havia jeito. Era só chegar na semana do
Grenal que Alcindo ficava na obrigação de dormir no Olímpico.

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A história dos Grenaís

Sua companhia, o massagista Banha, fazia de tudo para alegrá-lo. Às vezes até lhe fornecia um
sonho-bocha clandestino. À noite, quando Alcindo dormia, Banha levantava-se em silêncio e apanhava
uma garrafa de vinho que escondia no armário. Bebia, solitário e satisfeito. Na semana do Grcnal de 2 de
outubro de 66, Alcindo estava especialmente revoltado com a concentração. Há dois dias do jogo,
resolveu protestar. Esperou Banha dormir e foi fazer uma visita ao armário do massagista. Roubou uma
garrafa de vinho e a entornou. Alcindo não estava acostumado a beber. O primeiro gole veio-lhe amargo.
O segundo menos. O terceiro parecia docinho. Bebeu meia garrafa. Enjoou. Banha acordou quando ele
eslava vomitando o vinho, o sonho-bocha, a alma.

- To doente, Banha — gemeu o jogador.

Banha correu para socorrê-lo c viu, ao lado da cama, a garrafa de vinho pela metade. Ficou
apavorado. Tratou de Alcindo a noite inteira e fez-lhe jurar que não contaria nada a ninguém. No dia
seguinte, Alcindo treinou tropega-mente. Mas, no Grenal, não teve para o Intér. Aos 13 do segundo
tempo, Alcindo fez o gol da vitória do Tricolor.

Naquele clássico iniciou-se uma das mais célebres rivalidades entre jogadores do futebol
gaúcho. Aos 40 minutos do primeiro tempo, Alcindo chocou-se com o goleiro Gainete com violência. O
goleiro permaneceu caído, gritando de dor, enquanto o lateral-direito Laurício advertiu o cenlroavante:

— Tu não enxerga, guri bobo? Depois reclama que estão te batendo. Agora é que tu vai ver!

Alcindo passou o resto da partida apanhando da zaga colorada. E revidando. Ele e Gainete
tornaram-se, mais do que adversários, inimigos. Xingavam-se, chutavam-se, cuspiam-se.

- Vou te quebrar, seu fresco! — insultava-o Gainete.

— Vem que eu te parto a cara e ainda te faço um gol. corno! — retrucava Alcindo.

Ao contrário de Sapiranga e Ortunho, Gainete e Alcindo não conseguiram cultivar amizade fora
de campo nem depois de terem abandonado o futebol.

O Grémio faturou o pentacampeonato por antecipação e, mais uma vez,
115

A história dos Grenais

perdeu o último Grenal por l x 0. gol de Dorinho, em 17 de dezembro. Chegara, então, o grande desafio, a
chance pela qual os gremistas esperavam desde a década de 40: o hexacampeonato. Há muito que os
colorados garantiam: "Hexa, essa não". O hexa, diziam, era exclusivo do Internacional, conquistado pelo
glorioso Rolo Compressor.

Junto com a oportunidade de ganhar o hexa, chegou para o Grémio (e para o Inter) a de se
consagrar nacionalmente. A dupla, afinal, participaria do Robertão, o Torneio Roberto Gomes Pedrosa,
antes restrito aos clubes de Rio e São Paulo. O Robertão foi o pai do campeonato brasileiro. Como só o
Olímpico tinha condições de sediar partidas tão importantes, os dois clubes jogavam no estádio do
Grémio, com esquema de caixa único. O sistema foi um sucesso: o Grémio terminou em terceiro lugar e o
Inter em segundo.

O primeiro Grenal de 67 valeu pelo Robertão, Os dois clubes queriam fazer bonito na competição.
Ansiavam em mostrar ao País como o Rio Grande do Sul era civilizado. Para evidenciar ainda mais o
elevado padrão moral do Estado, a Federação proibiu até os palavrões no estádio. Quem pronunciasse
qualquer gracinha para uma moça ou dissesse palavras desairosas em voz alta seria de imediato recolhido
ao xadrez.

Foi um soberbo jogo de futebol. O Internacional venceu por 2x0. Bráulio estourou como o
astro do time. O narrador Mendes Ribeiro passaria a chamá-lo de O Garoto de Ouro. Bráulio foi autor de
uma jogada histórica neste Grenal. No segundo tempo, o Inter vencendo por l x O, aplicou um balãozinho
no zagueiro-central Aírton que quase provocou um desmaio coletivo na torcida colorada. O lençol de
Bráulio foi o marco final da carreira de Aírton no Grémio. O jogo seguinte Aírton assistiu sentado no
banco de reservas. Uma semana depois, pediria para sair do clube.

Aírton nunca mais jogou um Grenal. Sem o seu maior craque, mas ainda com a velha estrutura
vitoriosa, o Grémio conquistou o hexa. O treinador, mais uma vez, foi Carlos Froner. Como o hexa era
prioridade, ele escalava uma equipe mista nas partidas do Robertão. O título gaúcho foi alcançado por
antecipação, fazendo com que Froner colocasse os reservas também no último Grenal do ano, em 17 de
dezembro.

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A historiados Grenais

A atitude do treinador, respaldado pela direção. ofendeu os colorados. O Inter venceu por1 x 0, gol
de Dorinho. mas não foi o suficiente. Terminada a partida, o vice-presidente do Internacional, Rafael
Strougo. agrediu um juvenil do Grémio, Beto, que comemorava o título da categoria. Foi o que bastou
para começar a pancadaria geral. Ortunho bateu cm Gainete, Gainete tentou revidar e outros jogadores
entraram na briga, seguidos de dirigentes, massagistas, médicos, torcedores e policiais. Na confusão,
Rafael Strougo procurou o presidente do Grémio, Rudy Armim Petry, encontrou-o e, de punhos cerrados,
bradou:

— Era tu mesmo que eu queria!
Antes de Petry tentar encetar uma reação, Strougo o agrediu brutalmente com diversos murros e
pontapés.

Toda a fúria colorada seria inútil. O Grémio ainda venceria mais um campeonato e chegaria ao
hepta. Ironicamente, auxiliado por Aírton. O velho zagueiro, jogando no Cruzeiro em 1968, fez um gol no
Internacional, de perna esquerda, e isolou o Grémio na liderança. Mas o hepta seria, também, o último
título da série do Grémio. Com o Beira-Rio concluído, o Colorado passou a imitar o rival e a montar times de
competição, transformando-se em mestre de um estilo de jogo que conquistaria o País. Ficaria, no time do
Inter, só um representante do futebol requintado do Rolo Compressor, o jovem meia Bráulio, o
Garoto de Ouro, pivô do grande debate futebolístico do início dos anos 70 no Rio Grande do Sul.

117

A história dos Grenais

A Era Beira-Rio

A s lágrimas turvaram a visão do meia Bráulio e ele quase deixou escapulir a bola que lhe
fora rolada com doçura por Dorinho. Ante a pressão do voluntarioso gremista Jadir, livrou-se dela com
um passe lateral para Sadi. Continuou caminhando e soluçando pela intermediária, sem prestar
atenção no jogo. Um assustado João Severiano aproximou-se e sussurrou:

— Pó, mas o que é isso? Pára de chorar, garoto. Tá todo mundo te olhando! Bráulio o chicoteou com
um olhar furioso.

— Não fala comigo! — Rosnou. — To com raiva de vocês e daquele treinador gremista!

João Severiano se afastou, balançando a cabeça em resignação. Esqueceu-se logo do
inconformado adversário. O árbitro João Carlos Ferrari apitou o final do jogo, levantando os braços.
Décimos de segundo depois, foi a vez de João Severiano e toda a torcida do Grémio levantarem os
braços num urro de alegria. Bráulio não viu a festa. Abandonou o campo ainda chorando. E o choro
prosseguiu, resfolegante, enquanto ele tirou as chuteiras e o uniforme, entrou no banho, vestiu-se de
novo e embarcou no Aero Willys do capitão do Inter, Sadi. Recuperou-se quando o carro o deixou na casa
da noiva Nina Rosa, na Barão do Amazonas. Abriu a porta e o futuro sogro, seu Teimo, tentou um consolo
bem-humorado:
— Torci pra que tu jogasse bem, mas queria que o Grémio ganhasse.

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A história dos Grenais

Para quê! Bráulio arregalou os olhos injetados, as narinas se dilataram em busca de todo o ar
da sala, o rosto ficou rubro como a camiseta do Internacional.

— O que que eu to fazendo aqui. numa casa de gremistas?! — Indignou-se.

Saiu batendo a porta, jogando a aliança longe, gritando que o noivado

estava desmanchado.

Mais tarde, claro, reataria com Nina Rosa, casaria com ela e com ela teria filhos. Mas naquele 2 de
junho de 1968 sua ira parecia-lhe justificada. O Inter perdera mais um campeonato. Não um campeonato
qualquer: o Grémio sagrara-se heptacampeão. Pior: o Grémio enfiara 4x0.

— Tudo por causa daquele treinador gremista! — Não cansava de repetir Bráulio entre os dentes,
ao se distanciar a passos militares da casa da noiva.

O treinador gremista a que se referia era o técnico do Internacional. Osvaldo Rolla, o Foguinho,
fora contratado pela direção colorada num lance de desespero, a fim de impedir a angustiante
sequência de campeonatos do Grémio. Sequência da qual Foguinho era o símbolo vivo. Havia sido
exata-mente ele o introdutor desta nova maneira de jogar futebol no Rio Grande do Sul. Homens fortes,
vigorosos, que tivessem talento para tocar a bola com a sutileza de um pianista, mas que principalmente
reunissem disposição para correr o campo todo e marcar o adversário com a determinação de um
muçulmano. O Inter, ao contrário, seguia praticando o futebol "bonitinho mas ordinário", como se dizia
então, numa alusão à peça de Nelson Rodrigues. Virtuoses da bola passavam os 90 minutos enchendo
os olhos da torcida com balõezinhos e toques de trivela, para, no final do campeonato, entregar a taça ao
Grémio.

Foguinho foi o emblema do desejo de mudança do Internacional. Chegou a tentar impor suas
ideias, mas não obteve sucesso. No final do campeonato, pouco antes do Grenal decisivo, declarou,
para a surpresa do Rio Grande inteiro:

— Será a luta da arte contra a força.

Uma luta desigual, O Grémio tinha dois pontos de vantagem na tabela e uma superioridade
flagrante no campo. A defesa não tinha mais Aírton. o Pavilhão, mas nela se destacava um competente
sucessor de Ortunho chamado

119

A história dos Grenais

Everaldo. O meio-de-campo com os laboriosos Cléo e Jadir. Nas pontas, o lépido Babá e o driblador
Volmir Maçaroca. A velocidade inteligente de João Severiano na ponta-de-lança e, no centro do
ataque, fincado entre os zagueiros como um búfalo inquieto, o matador Alando, o Bugre Chucro.
Não bastasse a força do adversário, o Internacional debatia-se em dis-senções intestinas. "Os
jogadores não suportavam o Foguinho", conta Bráulio. "Hoje isso pode parecer bobagem, e é mesmo,
mas nós achávamos que ele era gremista e por esse motivo a maioria dos jogadores não o aturava".

Quem mais implicou com o apregoado gremismo de Foguinho foi o goleiro Gainete. Brigou
com o treinador dias antes do Grenal e acabou cortado do jogo. Foguinho chamou o goleiro Schneider e
lhe atirou no peito a camisa número um.

— O senhor será o titular na decisão — anunciou.

Schneider fitou a camiseta de mangas compridas com o olhar devoto de quem contempla um
ídolo sagrado. Era um goleiro jovem. Tão jovem que jamais havia participado de um Grenal, clássico
que Gainete disputava desde 1962. Vendo a cena, os demais jogadores tremeram. Mas Schneider entrou
em campo. À sua frente. Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi. No meio, o ex-gremista Élton, um dos
jogadores preferidos de Foguinho, o futebol clássico de Dorinho e a habilidade de Bráulio. No ataque, um
ponteiro-direito aplicado que passou o ano sendo vaiado pela torcida, Valdomiro, vindo do Comerciário
de Criciúma. Na outra ponta, Othon, e entre eles um centroavante de incomum explosão muscular,
Claudiomiro.

Logo aos dois minutos, Foguinho mandou o massagista Antenor Moura dizer a Othon para vir
buscar o jogo no meio. Othon não obedeceu. Aos 15, Foguinho gritou, carregando nos erres, como de
costume1.

— Seu Othon, procure o jogo, não tique parado na ponta!
Othon não obedeceu.

Do outro lado, o técnico do Grémio, Sérgio Moacir Torres Nunes, estava calmo. Via seu time
jogando melhor, dominando a partida aos poucos e inexoravelmente.

Aos 30 minutos, Claudiomiro foi lançado e não correu. Foguinho se irritou;

A história dos Grenais

— O que há, seu Claudiomiro? O senhor tem que disputar o jogo!

Aos 40, Alcindo caiu dentro da área. A torcida do Grémio pediu pênalti. Sérgio Moacir também. O
juiz marcou escanteio. Depois de esbravejar, Sérgio se conformou:

- Tudo bem. Deus é grande — disse para ele mesmo. — Pode ser que o gol saia agora.

Não saiu.

Se, como Mendes Ribeiro dizia. Deus não joga, mas fiscaliza. Seu dedo de fogo só iria fazer justiça
no segundo tempo.

Já no intervalo, no entanto, a espada vingadora do arcanjo Gabriel parecia pender sobre as
cabeças coloradas. No vestiário, o zagueiro Scala procurou o treinador, reclamou de dores no joelho
direito e avisou que não tinha condições de continuar. Foguinho não conteve a indignação.

— O homem está tremendo — ironizou. E virando-se para o zagueiro
reserva ordenou; — Entra, seu Nitota.
Nitota teria que enfrentar o Bugre Chucro. Atrás dele, Schneider, inexperiente como um
seminarista. O Inter voltou a campo ainda mais apreensivo.

Tinha motivos. Os jogadores do Grémio saíram do vestiário rilhando os dentes, com olhares
esfomeados para a bola. Oito minutos depois do reinicio da partida, Babá foi derrubado na área do Inter.
Ferrari não marcou nada. Mal passaram três minutos e Alcindo cobrou com perfeição maliciosa uma
falta perto da área. Gol. Os colorados ainda não haviam se recuperado quando Joãozinho fez o segundo,
aos 13. O Inter estava liquidado. Mas o Grémio não parou. O técnico Sérgio Moacir gritou do túnel:

- Tem muito jogo ainda.

E tinha. Aos 22, Volmir ampliou para 3 x 0 . Aos 28, Nitota derrubou Alcindo dentro da área. O
próprio Alcindo cobrou o pênalti, finalmente assinalado por Ferrari. Encerrou a goleada e a carreira de
Nitota, que. depois daquele jogo, submergiu para sempre na obscuridade.

No dia seguinte, os gremistas cruzavam com os colorados na rua da Praia e mostravam-lhes os
quatro dedos da mão. Durante a sessão da Assembleia Legislativa, o deputado Ary Delgado,
ex-presidente do Grémio, circulou pelo

121

A história dos Grenais

plenário com o que dizia ser o projeto de lei 15/68. O projeto dispunha "sobre o baile no futebol'". O
principal artigo considerava crime "qualquer baile realizado sem o atendimento dos sentimentos de
compaixão e piedade cristã". Os deputados gremistas riram muito e assinaram o projeto. O colorado Pedro
Simon lamentava-se, atrás do bigode. Reclamava que o Inter, um clube popular, tinha lido Meneghetti, um
arenista, como patrono, e José Alexandre Zachia, outro integrante da Arena, na presidência, além de
Osvaldo Rolla. um gremista, como técnico.

- Não pode ter melhor sorte mesmo — suspirava o deputado.

Se os parlamentares colorados sofriam, o que não dizer dos eleitores. No afastado e pacato bairro
Sarandi. na Zona Norte de Porto Alegre, Dinarte Oliveira Santos e Ademir da Silva, o Niqueta.
precisaram de muito fôlego e bom humor para pagar a aposta perdida para os gremistas Lauro Schmidt e
Vilmar Gonçalves, o Fogareiro. Sob os apupos de toda a vizinhança, os colorados formaram uma parelha e
puxaram tropegamente uma carroça pelos paralelepípedos do bairro.

Os colorados chegavam ao auge do sofrimento. O Grémio era heptacam-peão, tinha um time
melhor e um estádio maior. Perto do Olímpico, os Eucaliptos não passavam de uma sede de associação
de bairro. Está certo, os gremistas não perderiam por esperar. Não longe do Olímpico, o Gigante da
Beira-Rio emergia lentamente do Guaíba, como um Netuno redentor, de tridente em punho.

Desde 1957 os colorados suspiravam pelo Gigante. Na ensolarada manhã de domingo de 24 de
novembro daquele ano, centenas de barulhentos torcedores saltaram de ônibus e carros particulares às
margens escuras do Guaíba. Como se fosse uma decisão de campeonato, com suas bandeiras vermelhas e
gritos de guerra, assistiram alegres ao trabalho da draga Ster I, do DNOS, que veio diretamcnte do Rio de
Janeiro para aterrar os 13 hectares doados ao Internacional pela prefeitura de Porto Alegre para a
construção do novo estádio.
Os colorados festejavam. Os gremistas riam. Olhavam para a área onde os adversários diziam ser o
berço do Gigante c só viam água. Quando o Inter anunciou a venda de cadeiras-cativas, os gremistas
espalharam pela cidade que

122

A história dos Grenais

o título, na verdade, seria de bóias-cativas.

O pior era que a coisa não andava. A direção do clube tentava angariar fundos e a comunidade
não se sensibilizava. Até que um velho comerciante português chamado José Pinheiro Borda perdeu a
eleição para a presidência do Jockey Club. Fora Pinheiro Borda o idealizador e realizador da construção
do Hipódromo do Cristal durante seu período na presidência do Jockey Club. Ao perder a reeleição, em
1961, voltou-se para sua outra paixão: o Internacional. Era um colorado tão alucinado que negava-se a
pronunciar o nome do Grémio. Dizia apenas "eles". E jamais entrara no Estádio Olímpico. Assistia aos
Grenais do alto do cemitério São Miguel e Almas, apertando os olhos e sofrendo como uma alma penada
a cada vitória do Grémio. Prometeu que só transporia os portões do Olímpico quando o Inter tivesse um
estádio maior.

Com a angustiada intenção de um dia cumprir a promessa. Pinheiro Borda foi eleito presidente
da comissão de obras do Beira-Rio em 1962 e, de imediato, saiu pelo Rio Grande em busca de ajuda.
Encontrou-a. Seu entusiasmo eletrizou a torcida do Inter e todos contribuíram. Todos. Nem que fosse com
um saco de cimento, uma pá, um tijolo. Para fazer com que os compradores das cadeiras cativas
acreditassem que daquele banhado sairia um estádio, Borda mandou construir uma marquise em frente
à avenida Padre Cacique. Era a aba das arquibancadas, dizia.

Mas Pinheiro Borda não veria o estádio concluído nem entraria com o peito inflado de orgulho no
Olímpico. Qual um Moisés morto ao avistar a Terra Santa, o condutor dos colorados rumo ao Gigante
sentiu o coração falhar em 26 de abril de 1965. Morreu aos 67 anos de idade e virou nome de rua no
bairro Cristal.

Seu sucessor, o engenheiro Ruy Almirante Tedesco, não esmoreceu. Deu sequência ao trabalho com
a mesma disposição de Borda. Os contornos do Gigante se delineavam lentamente, como os de uma
moça que tira a roupa na penumbra. E este vulto na escuridão era a única alegria da torcida naqueles anos
azuis. Depois de algumas derrotas para o Grémio, um grupo de dirigentes saía do campo e ia em silêncio
para o canteiro de obras, suspirar em frente à construção do estádio sonhado.

123

A história dos Grenais

Nos últimos anos, a obra aproximando-se do final, os dirigentes não aguentavam mais. Com
sofreguidão, o colorado prefeito Teimo Thompson Flores sugeriu que não se fechasse o anel do estádio.
Que o inaugurassem assim mesmo, com capacidade para 25 ou 30 mil torcedores. Insistiu tanto que, num
dia de vento, os integrantes da comissão de obras levaram-no para o local da construção. A ventania era
tal que, se um jogo de futebol fosse realizado no terreno, o gandula teria que buscar a bola na Ilha da
Pintada à primeira cobrança de tiro-de-meta. Thompson Flores se convenceu. Mas não muito. Propôs que
se deixasse o Beira-Rio em forma de ferradura. Só uma tarde em que o vento soprou do lado oposto ao
rio fez o prefeito desistir da ideia.

Com o Gigante da Beira-Rio erguendo-se musculoso diante dos olhos gratos da torcida e o time
sendo amassado pelo Grémio dentro de campo, o carinho dos colorados derramou-se, como um bálsamo,
sobre os integrantes da comissão de obras. Ungidos pelos torcedores, eles passaram a se articular para
chegar ao poder efetivo.

Na noite de 21 de outubro de 1968, o presidente da comissão de obras, Ruy Tedesco, o vice Aldo
Dias Rosa, o coordenador da comissão de finanças, Carlos Stechmann, e o da comissão de compras e
relações públicas, Eraldo Hermann. se reuniram no restaurante Sherazade, na avenida Protásio Alves, a
fim de traçar um plano para alçar o grupo à direção do Internacional. Ali eles decidiram colocar Stechmann
na presidência e Aldo na vice de futebol. A composição da chapa foi rabiscada num guardanapo de papel
que hoje, como uma borboleta de coleção. jaz crucificado num fundo vermelho de uma moldura
dourada, um orgulhoso quadrinho a enfeitar a parede do escritório contábil de Aldo Dias Rosa.

Empossada a diretoria. a 2 de janeiro, o secretário geral da comissão de obras, Luís Guimarães
Falcão, levou a Aldo um grupo de amigos seus, todos com cerca de 30 anos de idade e cheios de ideias,
para fazer do Internacional um clube vencedor. Além de Falcão, o grupo era formado por Paulo
Portanova, Otávio Pellegrini, Cláudio Cabral, Ibsen Pinheiro, Hugo Amorim e Ivo Correia Pires, este de
mais idade. Meses depois seriam batizados de Os Mandarins, tidos como os principais responsáveis pela
mudança de filosofia no Inter.

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A história dos Grenais

Uma mudança efetuada com base numa surpreendente demonstração teórica e científica.
Depois de apresentados a Aldo Dias Rosa. os Mandarins pediram para ter com ele uma reunião
reservada. Intrigado, o dirigente aceitou. Certa noite, encontraram-se no escritório de engenharia de Ruy
Tedesco. na esquina formada pela Farrapos com a Barros Cassai.

- Estamos aqui para mostrar-lhe um estudo e propor um plano de ação — falou Ibsen Pinheiro,
espécie de porta-voz do grupo.

O estudo era ilustrado por um mapa de três metros de largura especificando os jogos do Inter nos
últimos anos. O mapa provava que o problema do time não era o confronto direto com o Grémio. O
colorado perdia pontos e campeonatos no interior do estado.

— Nossa conclusão — emendou Ibsen, depois de limpar a garganta — é que perdemos no interior
porque nosso time é muito leve. Temos que ter jogadores fortes, raçudos, de boa estatura. Nossos
jogadores devem ter, cada um, pelo menos duas dessas características: habilidade, força e velocidade.
Precisamos vencer no interior.

Aldo, que até então observava o mapa em silêncio, coçou o queixo, olhou para cada um dos
rapazes e sentenciou:

— Vocês me convenceram.
Todos estes estratagemas eram bolados pelos Mandarins geralmente após o pôr-do-sol. A cada
noitada, entre um gole de chope e uma mordiscada num bolinho de bacalhau, eles gastavam neurônios e
saliva em táticas infalíveis para derrotar o terrível adversário do bairro da Azenha.

Alguns deles podiam ser vistos devorando o hereford criado embaixo do ubre da La Cabana, na
Coronel Bordini, ou trinchando as costelas e picanhas servidas pela Pinchitos. a Montaditos ou a Mouro e
Cristão, churrascarias da Avenida Farrapos. O happy-hour podia ser feito desde as 17h, quando abria o
Amarelinho, a boate da "penumbrinha precoce" e da "luz que pisca e pula" na rua Santo António. Mais
tarde, muitos davam uma passadinha na Uísque a Gogó ou pela Encouraçado Butikin, ambas na
Independência.

Naquela época, Porto Alegre era uma capital provinciana desenvolvendo-se celeremente.
Viadutos espichavam-se do asfalto, edifícios surgiam, impo-

125

A história dos Grenais

nentes, de uma semana para outra, no Centro, no Moinhos de Vento, na 24 de Outubro. O comércio
espalhava-se na Assis Brasil, onde antes só havia banhados e descampados. Às margens da avenida
Protásio Alves começava a surgir um dos maiores hospitais do estado, o Hospital de Clínicas, da Ufrgs.
Para 1969. a prefeitura anunciava a proibição do estacionamento no Centro como a única maneira de
solucionar o estrangulamento do tráfego na cidade.

Porto Alegre crescia, mas ainda era segura. Nas noites iluminadas de véspera de Natal, as
famílias paravam extasiadas diante das vitrines. As bocas-de-lobo não vomitavam meninos sujos e
podia-se passear pela formigante rua da Praia sem temor de mãos alienígenas a cortar as bolsas das
mulheres ou a puxar dinheiro do bolso dos velhos. Naquela época. Porto Alegre podia dormir tarde.

Os jornalistas, advogados, profissionais liberais e playboys caboclos se reuniam à tardinha na
Confeitaria Central. Depois de uma ou duas horas a observar gulosamente as moças enfeitadas que
desfilavam pelo Largo dos Medeiros, bandos alegres e sedentos se deslocavam em ondas em direção ao
chope do Treviso, no Mercado Público. A um estalar de dedos, o garçom baixava na mesa um cardume
frito de peixes reizinho ou uma colorida tainha recheada.

Atendidas as necessidades do estômago, era a vez das demandas da luxúria. Então, o endereço
certo era o American Boite. na Voluntários da Pátria, ou o Marabá, na Siqueira Campos, em frente à
Paineira. O grupo subia as escadarias do Marabá e dava para o grande salão, com suas mesas e suas
mulheres. Um dos príncipes da noite era o piloto de corridas Ismael Chaves Barcellos. Ele e seu
Mustang amarelo e preto, importado dos Estados Unidos, faziam tanto sucesso quanto a escada rolante
das Lojas Americanas.

Coloradíssimo, Ismael fora vice-presidente do Inter em 1961 e era muito amigo do técnico Daltro
Menezes, que substituiu Foguinho em 1968. Daltro era o técnico preferido pelos Mandarins. Por dois
motivos: conhecia o interior, pois fora considerado o melhor técnico do campeonato de 68 ao dirigir o
Juventude de Caxias, e conhecia a estrutura do Internacional. Daltro treinara as divisões interiores do
Inter de 63 a 65. Descobriu e formou inúmeros jogadores.

Um deles foi-lhe indicado por Aurélio Ghiloso, proprietário do restau-
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A história dos Grenais

rante do aeroporto Salgado Filho. Numa manhã de 64, Daltro conversava com o amigo no aeroporto. O
assunto? Futebol. A bola rolava veloz no papo dos amigos quando Ghiloso chutou:

— Garanto que tu não conheces aquele homem ali.

Daltro olhou para um senhor que jogava areia nas escarradeiras do saguão.

- Nunca vi mais gordo.

— Ele mora em Canoas e tem um filho que é centroavante. Um gurizote. mas com corpo de
homem. Precisa ver. Ninguém consegue para-lo em campo.

Daltro refletiu alguns segundos e, em seguida, perguntou:

— Qual é o nome desse senhor?

— Seu Elpídio.
— Vamos lá, então.
Caminharam até o homem. Ghiloso apresentou o técnico dos juvenis do Tnter. Daltro apertou a
mão de seu Elpídio e quis saber se era verdade que ele tinha um filho jogador de futebol.

—É verdade, sim senhor.
—Um menino forte, centroavante?

— Isso mesmo. Tem só 13 anos, mas é parrudo como um adulto.
— Como é o nome dele?
— Claudiomiro.
Velho conhecido de Daltro era também o meio-campista Tovar. Numa tarde do final de 68. o
técnico chegava ao clube e cruzou com o jogador, que saía.

— Onde tu vais? — quis saber o técnico.

— Embora — respondeu Tovar. — Fui trocado pelo Bebeto, do Gaúcho.
— Não foi, não — disse Daltro, pegando Tovar pelo braço e levando-o de volta ao estádio. — Tu
vais é jogar no meu time.
Outra providência do treinador foi pedir à direção a contratação de uma psicóloga. Cada jogador
foi submetido a três testes: liderança, atenção e Q.I. Não era uma medida inédita. Nem prestigiada: na
preparação para a Copa de 1958, a CBD contratou o psicólogo João Carvalhaes que, depois de analisar os

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A história dos Grenais

jogadores, recomendou a desconvocação de Garrincha, considerado "mentalmente irresponsável".

Fosse como fosse. Daltro levou a sério o trabalho da psicóloga. Com os resultados dos testes na
mão, chamou o lateral-esquerdo Sadi. único gaúcho convocado por João Saldanha para a Seleção
Brasileira e apelidado pela imprensa de "o grande capitão colorado".
— Sadi, quero te informar que a partir de agora o capitão é o Gainete — comunicou Daltro, seco.

O jogador revoltou-se:

- Mas como é que um técnico vindo do interior chega aqui e me tira a faixa de capitão, eu que
sou o grande capitão colorado9

— Há quanto tempo tu és capitão?

— Desde 64.

- Pois é. Na tua gestão o Grémio foi campeão todos os anos. O capitão
é o Gainete.

A partir daí. o lateral-esquerdo Jorge Andrade, contratado do Cruzeiro de Porto Alegre, foi sendo
experimentado no time titular. Na zaga-central, entrou outro ex-juvenil, Valmir Louruz. Na lateral-direita,
uma indicação de Foguinho: Edson Madureira, egresso do Metropol de Criciúma. Para completar a defesa,
o Inter buscou, num time amador de General Câmara, o legítimo representante de uma temida estirpe de
zagueirões do interior. Bibiano Pontes chegou com o aval de ser irmão de João Pontes e Daison Pontes, a
feroz dupla de zaga do Gaúcho de Passo Fundo. Os Irmãos Pontes fizeram história no futebol do Estado.
Até disputar coletivo contra eles era temerário. A bola, o atacante ou um naco de sua canela, um dos
três parava no bico das chuteiras dos Irmãos Pontes. Limpando as unhas com a ponta de seu facão três
listras, Daison Pontes costumava advertir aos centroavantes que a dupla Grenal contratava de fora do
Estado:

— Pra ganhar o Gauchão tem que entrar na área em Passo Fundo.

Nada pessoal. Coisa de família.

Com Bibiano, a defesa estava montada. No meio, havia Tovar e Bráulio. Dorinho fora deslocado
para o ataque, onde fazia companhia a Claudiomiro e ao

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A história dos Grenais

ainda contestado Valdomiro.

Faltava um centromédio.

Com a mudança dos Eucaliptos para o Beira-Rio. em abril de 69. a direção do Inter resolveu
pensar grande. O presidente Carlos Stechmann chamou Daltro à flamante sala da diretoria para uma
reunião. Cercado dos outros dirigentes, proclamou, orgulhoso:

- Trocamos uma casinha por uma mansão e queremos um time digno dela. Pode pedir o
centromédio que tu quiser. Qualquer um, em qualquer parte do Brasil. Dinheiro não é problema.

Stechmann colocou um acento de satisfação na última frase. Pronunciou-a sorridentemente. Os
demais diretores também estavam sorridentes. Todos preparados para ver o espanto e a admiração
iluminarem o rosto agradecido do treinador. O pedido de Daltro, porém, fez os sorrisos dos dirigentes se
desmancharem como o de uma boneca de plástico atirada ao fogo:

- Eu quero o Carbone.
Um breve silêncio. Os dirigentes se entreolharam, apalermados. Stechmann falou:

—Carbone? Quem é o Carbone?

- É um cara que era o quarto reserva no São Paulo. Está emprestado ao
Metropol de Criciúma.

Os dirigentes continuavam se olhando, mudos. Mais uma vez, foi Stechmann quem falou.
Aliás, balbuciou:

- Nós estávamos pensando no Wilson Piazza, do Cruzeiro de Minas...

—O Carbone é melhor — Daltro parecia decidido.

Os dirigentes ficaram ainda mais confusos. Piazza era uma das estrelas do Cruzeiro. Junto com Zé
Carlos, Dirceu Lopes e Tostão formava um meio de campo de futebol refinado e académico.

- Vamos fazer o seguinte: — Te damos os dois, o Carbone e o Piazza—
contra-argumentou Stechmann.
- Aí eu não vou ter tranquilidade para botar o Carbone no time. Olha,
eu não gosto da forma como o Piazza se movimenta ali no meio. Prefiro o
Carbone.

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A história dos Grenais

Carbone acabou sendo contratado. No final do ano, foi considerado o melhor jogador do
Campeonato Gaúcho. Não chegou, contudo, a participar de um dos grandes Grenais de 69 e da década.
Curiosamente, um amistoso. Se bem que, como já disse alguém, não existe Grenal amistoso. E aquele,
então, era um amistoso todo especial. Foi o Grenal de inauguração do Beira-Rio.

O jogo foi realizado em 20 de abril. O estádio já havia sido inaugurado oficialmente dia 4 e desde
então Grémio e Inter enfrentavam outros adversários num festival comemorativo. Mas. claro, o batismo
só se daria mesmo com o primeiro Grenal.

Os gremistas esperavam por esta partida como um presidiário anseia pelo indulto de Natal. Queriam
vingança por uma humilhação de 15 anos de idade. Lembravam com amargura daqueles 6 x 2 enfiados
pelo Internacional na inauguração do Olímpico em 1954.

A revanche tornava-se ainda mais colorida devido a um detalhe trepidante: o goleiro do Grémio,
nos 6 x 2, o goleiro que chorara e que ameaçara abandonar o campo, era Sérgio Moacir Torres Nunes. O
mesmo Sérgio Moacir Torres Nunes que agora, 15 anos mais velho, treinava o Grémio. O jogo, portanto,
assumia proporções de vendeta pessoal. Caso perdesse mais uma vez, Sérgio passaria à posteridade como
o pé-frio das inaugurações.

Durante a semana, gremistas e colorados só lembravam o episódio da ameaça de fuga de campo
nos 6x2. Dizia-se que, no quarto gol do Inter, Sérgio tentara desertar, sendo contido a tempo pelos
companheiros. Angustiado, o técnico negava. Contava que, antes do jogo, queixara-se ao treinador de uma
lesão nos cotovelos. Mesmo assim, fora obrigado a entrar em campo. Após o quarto gol, garantia Sérgio,
ele apenas caminhara até a lateral para mostrar ao técnico o lamentável estado dos cotovelos. Sérgio
explicava-se, mas não adiantava. Cada vez mais, nas rodas da rua da Praia, a história da fuga era repetida
e aumentada.

Para completar, os gremistas mostravam-se visivelmente despeitados com a inauguração do
Beira-Rio. No dia 4, antes da cerimónia de abertura do estádio, a direção do Grémio anunciou que
começaria, logo, logo, os trabalhos de ampliação do Olímpico. O estádio passaria a ter capacidade para
cem mil espectadores, prometiam os diretores.

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A história dos Grenais

Dias depois, no final do torneio de inauguração, espocou uma briga entre os dirigentes da dupla. O
Grémio não concordava com os critérios de divisão das rendas dos jogos e ameaçou não disputar o
Grenal. Diretores dos dois clubes passaram a semana do jogo trocando ofícios polidos, porém duros.
Três dias antes da partida, o Inter insinuou que poderia jogar com o time reserva.

No domingo, os mais fervorosos torcedores acomodaram-se nas refulgentes arquibancadas do
Beira-Rio às 10 horas da manhã. Refulgentes e molhadas. Com a chuva insistente que caía sobre Porto
Alegre, a espera pelo início do Grenal tornou-se ainda mais incómoda.

Daltro Menezes sentiu que o clima estava mais para batalha do que para festa. Por via das
dúvidas, determinou que todos os jogadores do plantei se fardassem. Ao todo, 37, entre eles até os que
seriam emprestados a outros clubes. Os repórteres olhavam aquela abundância e não entendiam.
Queriam saber a razão de tantos jogadores prontos para entrar em campo.

- É uma cerimónia especial, uma data histórica. Todos merecem participar — explicava Daltro.

Às 15h30, finalmente, o árbitro Orion Satter de Mello soprou o apito e decretou o início do jogo.

O Inter começou melhor. Pontes e Valmir, atrás, controlavam bem as investidas impetuosas de
Alcindo e Volmir. No meio, Bráulio tocava a bola com maciez e fazia a torcida colorada suspirar numa voz
só. O Grémio reagiu com dureza. O Inter replicou jogando ainda mais duro. A tréplica do Grémio veio no
bico da chuteira. Até que o ponteiro Hélio Pires foi expulso aos sete minutos do segundo tempo. Chuteira
contra canela, cotovelo contra nariz, o jogo prosseguiu sem que se desse muita atenção à bola. Objeto,
aliás, definitivamente esquecido aos 83 minutos. O goleiro Alberto estava com a dita cuja nas mãos. O
lateral Espinosa à sua frente. Urruzmendi, ponteiro do Inter, correu do risco da grande área em direção
aos dois, numa evidente e perigosa rota de colisão. Espinosa deu-lhe as costas para proteger o goleiro.
Urruzmendi não quis nem saber. Atropelou Espinosa como se fosse um ônibus da Carris desgovernado.
Espinosa caiu. Assustado com o abalroamento, Alberto atirou a bola pela linha lateral para que ele
fosse atendido. A bola não foi mais vista em campo desde então.

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A história dos Grenais

Tupãzinho desembestou do meio de campo e só parou quando atingiu Urruzmendi. Que revidou.
Lá do meio também vinha, desabalado, o Bugre Xucro, bufando e urrando, louco para entrar na briga,
justificando plenamente o apelido. Percebendo suas intenções belicosas, Sadi correu atrás dele,
agredindo-o pelo caminho. Alcindo não ligou para o ataque do lateral do Inter. Continuou a carreira e só
parou ao encontrar Urruzmendi e pespegar-lhe um rotundo soco no rosto. Urruzmendi não se fez de
rogado e retribuiu a agressão. Apesar de lutar como um espartano, estava em desvantagem
numérica e apanhava comoventemente dos gremistas. A sétima cavalaria, entretanto, não tardou. O
goleiro Gainete atravessou o gramado em linha reta, veloz, demonstrando invejável preparo físico, e
saltou feito um leopardo sobre o bolo de jogadores, as pernas e os braços abertos. Mas errou o bote e
caiu no meio dos gremistas. Levou porrada de todos, democraticamente. A esta altura, os integrantes
dos dois bancos de reservas já estavam em campo, distribuindo e recebendo, igualmente, jabs, diretos e
pés-na-orelha. Um dos mais nervosos era o médico do Grémio, Jairo Cruz, por quem o técnico do Inter,
Daltro Menezes, cultivava incomum antipatia. Jairo Cruz era um dos gremistas mais briosos e, no seu
orgulho clubístico, irritava o treinador. Ainda durante o jogo, no banco de reservas, percebendo que os
ânimos dos jogadores se acirravam, Daltro recomendou: - Se houver briga, tudo bem, não vamos fugir
do pau. Agora, pelo amor de Deus. não me deixem escapar aquele Jairo Cruz. Quero ver esse camarada
levar uma bela porrada.

Viu, para sua inefável alegria. Daltro riu muito, e ainda ri, ao lembrar o médico, de pequena
estatura, sendo atingido na ponta do queixo por um inclemente cruzado. O técnico recorda com
especial deleite a imagem dos pés do médico saindo do solo com a violência do impacto, levando-o ao
nocaute.

Encerrada a confusão, o Grémio desceu aos vestiários. O Internacional ainda tentou retornar a
campo para continuar o jogo. Só então os colorados descobriram que apenas o meio-campista Dorinho
não havia sido expulso. No Grémio, o único a não levar cartão vermelho fora o goleiro Alberto.

Na saída de campo, os repórteres correram para um dos jogadores que mais brigou, o goleiro
Gainete. Rosto ensanguentado, ainda bufando de ódio

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A história dos Grenais

dos gremistas, ele proferiu apenas uma frase. Profética, por sinal:

-— Aqui nós é que vamos cantar de galo!

O combate do Grenal de inauguração do Beira-Rio coalhou de vez as relações já azedas entre os
dois clubes. Como um casalzinho emburrado, eles passariam mais de um ano sem fazer as pazes. O
Grémio, com um pessimamente disfarçado ciúme da badalação que se fazia em torno do Beira-Rio. Os
colorados enchiam a boca para dizer: "Gigante da Beira-Rio, o maior estádio particular do Mundo".

Estádio novo, time novo, torcida assanhadíssima, o Inter estava muito mais motivado para
ganhar o título de 1969. Do outro lado, a equipe do Grémio dava claros sinais de caduquice. Ao contrário
de anos anteriores, o Grémio derrapou no interior do estado, deixando o Internacional chegar ao Grenal
decisivo com vantagem. Nem tanta, contudo, a ponto de o Grenal se transformar em amistoso. Pelo
contrário, bastava o Grémio vencer a partida para chegar ao octa.

O jogo foi disputado em 17 de dezembro, uma quarta-feira, no Beira-Rio. Naquela tarde, às 16hlO,
o ex-presidente da República, general Arthur da Costa e Silva, morreu, no Rio de Janeiro. O fato não
chegou a surpreender o país porque Costa e Silva estava doente desde 31 de agosto, quando uma junta
militar assumiu o Governo.
Quase ao mesmo tempo em que, no centro do país, o general morria, um acidente agitava a
concentração do Grémio, na serra gaúcha. O time estava concentrado no Hotel Samuara. Os jogadores
pareciam tranquilos. Ninguém falava na decisão que ocorreria horas depois. Alguns, indolentes à beira da
piscina, observavam o atacante Babá cortando a água verde com braçadas ritmadas, gabando-se de ser um
excelente nadador por ter vindo de Torres. Adiante, o ponteiro-direito Flecha resolveu dar uma cavalgada.
Montou e saiu num trote ligeiro. De repente, num repelão, o cavalo disparou. Os jogadores e o técnico Sérgio
Moacir se assustaram com a cena. Levantaram-se da piscina. Flecha não conseguia controlar o cavalo.
Apavorado, ele perdeu as rédeas e ficou solto como um boneco de pano sobre a cela. O drama não durou
mais do que alguns segundos. Flecha atirou-se de cima do cavalo feito caubói baleado. Jogadores, técnico,
massagista, todos correram para socorrê-lo. Nada de grave. Flecha machucou-se apenas nos cotovelos.

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A história dos Grenais

À noite, Flecha entrou em campo, completando, com Alcindo e Volmir, o bom ataque do Grémio.
Ataque que precisaria ser mais do que bom: o empate só interessava ao Inter.

Partida nervosa, truncada, ruim de se ver. Os dois times na defensiva.

Estádio lotado, três quartos dele ocupados por colorados. Colorados ansiosos, angustiados.
Sofriam há 13 anos. Mas agora era diferente, diziam. Tinha que ser diferente. Mas o jogo não andava. E a
culpa parecia ser do árbitro, no entender de torcedores e dirigentes do Internacional. Zeno Escobar
Barbosa esmerava-se em marcar faltas. A partida parava a todo instante. A torcida vaiava.

No intervalo, o mandarim e supervisor do Inter. Ivo Correia Pires, saiu do banco de reservas e correu
até Zeno. Como de praxe, o juiz esperou seus auxiliares no meio do campo e, de lá. caminhou para o
vestiário. Enquanto fazia este trajeto, Ivo gritava-lhe nos ouvidos:

— Gato! Ladrão! Gremista! Pode me expulsar, se quiser, seu ladrão!

Do outro lado do gramado, na entrada do vestiário do Inter, o goleiro Gainete dava uma
entrevista à Rádio Gaúcha. Logo à primeira pergunta do repórter, saiu criticando acidamente o juiz. O
quarto-zagueiro Pontes, que passava por perto, ouviu as reclamações do goleiro, deu-lhe um cascudo na
cabeça e mandou:

— Cala a boca!

O jogo reiniciou ainda mais tenso, se é que isso era possível. O Inter ligeiramente melhor.

Foi então que aconteceu.

Aos 16 minutos, o criticado ponteiro-direito Valdomiro fez 1 x 0 para o Colorado. Uma onda
vermelha se levantou no Beira-Rio. Era o gol do título. Zeno Escobar Barbosa, no entanto, marcou falta do
atacante no lateral-esquerdo Everaldo e anulou o gol. Revolta nas arquibancadas, no banco de reservas
do Inter e em campo. Os colorados pressionando o juiz. No meio da confusão, o mandarim Ibsen Pinheiro
saiu do túnel e cruzou a linha lateral do gramado. Ibsen não correu, não gesticulou, não agitou-se. Andou
em direção a Zeno com calma e decisão, senhor de si. dono da situação, ereto como um príncipe etíope.
Ibsen caminhava como se estivesse atravessando o corredor de sua casa. O poli-

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A história dos Grenais

ciamento ficou confuso. Aquilo não era uma invasão de campo. Pelo menos não das previstas nos manuais.
Ao chegar a um palmo do árbitro. Ibsen advertiu, olhando-o nos olhos, serenamente, peremptoriamente:

- Isso aqui está muito louco. Nós vamos morrer todos aqui dentro. O povo vai pular os portões
da coreia e vai ser um massacre.

Pasmo, o juiz apenas balbuciou:

— Deixa comigo, deixa comigo, deixa comigo.

E pasmo ficou a observar o mandarim girar nos calcanhares e sair de campo com a mesma
tranquilidade com que entrara.. Das costas de Ibsen. o olhar do juiz correu para a coreia, codinome do
primeiro lance de arquibancadas do Beira-Rio, onde os ingressos são mais baratos c se assiste ao jogo em
pé. Os torcedores brandiam punhos fechados em direção ao árbitro e gritavam enraivecidos.

O Grenal continuou. O Grémio jogou-se nervosamente ao ataque. O Inter, encolhido,
conseguia suportar bem a pressão e até causar algum perigo nos contra-golpes. No final da partida, o
Grémio estava somente com nove jogadores em campo. Volmir fora expulso e Alcindo saíra por lesão
depois que as duas substituições permitidas haviam sido queimadas. Nas arquibancadas, a torcida sentia
que o jogo estava favorável ao Internacional. Os colorados cantavam:

— Olê, olá, o Colorado tá botando pra quebrar!

O Grémio se desesperava. O time estava desorganizado, todos na frente, tentando o gol salvador.
Faltando poucos minutos para terminar o jogo, o zagueiro Áureo chutou de longe. A bola
encaminhou-se ao gol de Gainete perigosamente. Os colorados prenderam a respiração, os gremistas
se levantaram, também em silêncio expectante. Gainete não conseguia reagir. Estava batido. Ela ia a gol,
irremediavelmente.

Dias depois, o árbitro Zeno Escobar Barbosa confessou ao cronista Guilherme Sibemberg que,
naquele momento, lembrando-se da ameaça de Ibsen, rezou para que a bola não entrasse.

Suas preces foram atendidas. A bola raspou a trave e saiu. Os colorados suspiraram e os gremistas
botaram as mãos na cabeça. Zeno apenas deixou que

135

A história dos Grenais

a bola rolasse até o meio do campo e encerrou a partida. O Beira-Rio assistia à sua primeira conquista.
Duas rodadas depois, o Inter era campeão.

O Grémio teve que se contentar com o irónico título de vice invicto. Devido a essa
invencibilidade, talvez, ou quem sabe por achar que a derrota de 1969 seria bissexta como a de 1961.
apenas um acidente no seu longo e predestinado percurso de títulos, o Grémio não percebeu o que
ocorria no Beira-Rio. A preparação física se protlssionalízava. O chamado futebol-força chegava ao seu
apogeu.
Em nome dele. cometiam-se até alguns exageros. O meio-campista Bráulio foi escolhido, sem
ser consultado, como o símbolo do antigo futebol do Inter. Bráulio tinha um estilo de jogo clássico.
Tocava na bola como quem faz um carinho na namorada. Posicionava-se, invariavelmente, entre as
intermediárias. Não dava combate lá atrás, não fazia gois lá na frente. E, no meio, não marcava
ninguém. Mas deixava a torcida de olhos marejados a cada lance. Os Mandarins preferiam ver o Saci
Pererê. com sua única perna, a Bráulio no meio-campo do Inter. Em 1970, Ibsen Pinheiro chegou a
espalhar que havia proposto a Rudi Ármin Petry a troca de Bráulio por Volmir. A resposta do dirigente
gremista, segundo Ibsen:

- Não aceito. Bráulio é mais útil ao Grémio jogando no Inter.

Eram os braulistas versus não braulistas. Houve tanta briga que, certa noite, os dois grupos se
reuniram na Churrascaria La Cabana para um jantar pacificador. Lá estavam próceres dos dois grupos.
Ibsen, Ivo Correia Pires, Cid Pinheiro Cabral, Ruy Carlos Ostermann, Luís Fernando Veríssimo. Passaram a
noite discutindo o futebol de Bráulio.

Que não estava nem aí. Bráulio sequer reclamava quando dava o seu lugar no time para Sérgio
Galocha, um voluntarioso meia-direita saído dos juvenis. Mas foi ele o motivo, primeiro, de uma deserção no
grupo dos Mandarins. O delegado Hugo Amorim, arraigado braulista, abandonou o grupo por não concordar
com as críticas ao seu ídolo. Bráulio, por fim, foi a causa da dissolução dos próprios Mandarins. Entre o
jogador talentoso e aquele grupo de jovens açodados, o presidente Carlos Stechmann ficou com quem
fazia a bola rolar. No ano seguinte, Bráulio retribuiria o apoio com um gol que valeu a reeleição de
Stechmann.

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A história dos Grenais

A senda de vitórias do Inter. entretanto, não foi pavimentada somente pelo futebol-força. Fosse
assim, bastava colocar em campo a seleção da estiva. Paulatinamente, uma geração de craques emergia,
burilada pelo treinador das divisões inferiores, Abílio dos Reis. O desperdício dos conhecimentos de
Abílio, aliás, pode ser contabilizado entre os erros do Grémio nos anos 70. Após pular vários anos de um
clube para outro, o treinador declarou sua preferência pelo Grémio em 72. Foi parar no Beira-Rio.

Um dos filhotes de Abílio pendeu um bom tempo entre Grémio e Internacional. O jovem
Paulo César Carpegianni, na flor de seus 17 anos, destacou-se como um diamante verdadeiro em meio às
bijuterias do Meca, time de futebol de salão de Erechim. Chamou a atenção da dupla, que passou a
cortejá-lo. O rapaz era filho de Borja e irmão de Borjão, dois famosos jogadores da região. Em
novembro de 1966, Chiquinho, treinador das divisões inferiores do Grémio, convocou-o ao Olímpico.
Paulo César, seu Hermínio, o Borja, o outro filho, Celso, e a mãe, dona Leda, embarcaram no Aero Willys
da família e partiram para a capital, prontos para uma noite de viagem. Chiquinho foi esperá-los de
manhã cedinho na entrada da cidade, sob a contemplativa estátua do Laçador. Não sabia que a
meio do caminho o carro dos Carpegianni quebrou. Depois de horas de espera, o técnico voltou irritado ao
Olímpico rogando pragas à família Carpegianni. Abílio dos Reis o recebeu de braços abertos no Beira-Rio.
Mais tarde, seria apontado pelos próprios companheiros como o maior meio-campista do estado.

Carpegianni estreou no Grenal de 20 de setembro de 70, um jogo tumultuado que decidiu não só o
campeonato gaúcho como o futuro pessoal de alguns profissionais do futebol. Antes disso, a 9 de maio, no
Grenal de inauguração dos novos refletores do Olímpico, o Inter tentou dar o troco do combate de 69. A
partida só não acabou em briga porque o árbitro José Luiz Barreto expulsou Sérgio e Tovar. O placar
ficou em 0x0.

Ao chegarem à decisão de 70, portanto, Grémio e Internacional continuavam rompidos. A estratégia
dos Mandarins parecia estar dando certo mais uma vez. O Inter não tomara um gol sequer. Mesmo os dois
Grenais anteriores haviam terminado empatados em zero.

137

A história dos Grenais

O Grémio vivia a euforia de ter cedido o lateral-esquerdo Everaldo à Seleção Brasileira tricampeã
no México. De volta a Porto Alegre, recebido como herói, Everaldo foi deslocado para o meio-campo. Não
adiantou. O rendimento do time não melhorava e as vitórias no Gauchão eram tísicas.

As mazelas gremistas entraram em erupção uma rodada antes do Grenal. O time enfrentou o Novo
Hamburgo no Estádio Santa Rosa. empatou em 0x0, perdeu um ponto valioso e a tranquilidade. Terminado
o jogo, no vestiário, o técnico Carlos Froner enfureceu-se. Olhou para os jogadores como se quisesse
arrasar com eles e suas famílias, até a última geração, jogou no chão a toalha que levava aos ombros e
berrou:

— E agora, gostaram?!
Não falou mais nada.

A ira de Froner parecia absolutamente justificada. O Grémio tinha um ponto a mais do que o Inter.
Só que o Inter tinha um jogo a menos. Em miúdos: o empate, como em 69. servia ao Internacional.

Carlos Froner anunciou que seu time jogaria todo o Grenal no ataque. Daltro Menezes reagiu com
galhardia:

— Isso é bafo! Estão tentando nos assustar, mas aqui ninguém tem medo.
Podem atacar, mas, se atacarem, vão levar.

Daltro vinha passando as noites em claro e os dias a mastigar uma preocupação bem maior do que as
ameaças do adversário. Certa manhã, no início da semana, dois homens taciturnos entraram na sala da
direção, passaram alguns minutos conversando com os dirigentes e saíram, deixando no Beira-Rio o
medo e a desconfiança. De acordo com Daltro. eram dois agentes do temido Serviço Nacional de
Informações, o SNI. Diziam-se colorados e informaram que dois jogadores do Inter estavam comprados.
Deram detalhes do suborno e prometeram voltar nos dias seguintes com provas materiais. Os engavetados
eram o zagueiro-central Valrhir Louruz e o lateral-direito Edson Madureira, justamente dois dos mais bravos
jogadores da equipe.

Os dirigentes passaram a semana pressionando o técnico para tirá-los do time. Daltro resistia.
Dias depois, os dois sombrios agentes retornaram. Revelaram que Madureira ia ganhar um carro e
Valmir dinheiro. A pressão
138

A história dos Grenals

sobre o técnico aumentou. Na quinta-feira, os homens vieram com mais detalhes: a quantia exata que
seria paga a Valmir e o carro que caberia a Madureira, uma Variant verde. Os diretores enlouqueceram.
Daltro, frio.

Na concentração, o técnico tentava esquecer o caso. À noitinha, ligou a TV no Canal 12 para
assistir ao drama do feirante pobre vivido por Sérgio Cardoso, contrastando com a viúva rica encenada
por Tônia Carrero na novela Pigmalião 70, a "novela ternura". Horas depois, a ternura foi banida da
programação. Era a vez do Tigre Paraguaio lutar com El Cordobez no Ringue Doze.

Enquanto o treinador tentava se distrair com a televisão e os dirigentes se escabelavam, outros
colorados procuravam ajuda superior para o time. Um grupo de abnegados torcedores foi até a
Sociedade de Quimbanda Fé, Esperança e Caridade, no bairro Mont'Serrat. para encomendar um
"trabalho secreto" que, asseguraram os quimbandistas, pararia o ataque do Grémio e clarearia a visão
dos jogadores do Inter.

Carlos Froner buscou meios terrenos para auxiliar o Grémio. Realizou um treino secreto e,
sabendo-se espionado, botou no time o armador Sérgio Lopes como despiste. No sábado de manhã, os
dirigentes do Inter mostraram a Daltro uma cópia do extraio bancário de Valmir com o registro de um
depósito no mesmo valor do predito pelos agentes do SNI. Daltro continuou firme:

— Confio nos meus jogadores. Isso é armação. Não vou contar nada a
eles nem botá-los na reserva.

À tarde, Edson Madureira foi falar com o treinador.

— Chefe, minha mulher está grávida e eu queria dar um pulinho lá em
casa pra ver se está tudo bem — pediu.

- Sem problemas — concordou Daltro. — Mas volta na hora do recreativo.

Na hora do recreativo, Madureira chegou. Com uma Variant verde, sem placas.

O Grenal mobilizou até o mais alto escalão da República. O presidente Emílio Garrastazu Mediei era
um gremista ortodoxo. Reservou uma tarde para deliberar acerca de assuntos culturais. Em sessão
especial no Palácio da Alvorada, acompanhado dos ministros militares, alguns parlamentares e do

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A história dos Grenais

chefe do departamento de Polícia Federal, Valter Pires, assistiu ao filme Z, do grego Costa Gavras.
Identificando referências subversivas na fita, informou que ela continuaria proibida.

— Não sei quando o filme será liberado, mas vai demorar. Afinal, z é a última letra do alfabeto, há
muitos outros na frente — disse Valter Pires, sardónico.
Decidido o futuro próximo do filme, o presidente tomou outra medida. Determinou à TV Nacional,
de Brasília, que transmitisse o Grenal ao vivo, no domingo. Sua ordem foi cumprida, como
invariavelmente acontecia naquela época.

Refestelado no Palácio, Mediei viu, com alegria, o Grémio começar melhor na tarde nublada de
Porto Alegre. Logo aos 4 minutos, porém, o estreante Carpegianni mostrou por que fora tão disputado
pela dupla. Driblou quatro gremistas, levantando a torcida no Olímpico, e passou para Claudiomiro. O
zagueiro Beto Bacamarte conseguiu interceptar a jogada e atrasar para o goleiro Breno. um jovem alto e
promissor que seria o principal protagonista de uma história dramática, uma hora depois. O melhor em
campo era o meia Jadir. Ganhava todas na intermediária e partia para cima da defesa colorada com a
bola dominada. Valmir e Pontes, atrás, não se entendiam. Madureira complicava-se com as investidas de
Volmir e Loivo pelo seu setor. Everaldo, o tricam-peão do Mundo, jogava deslocado no meio-de-campo.
Foi ele quem penetrou pela direita aos 12 minutos e esticou um passe para o centroavante Alcindo.
Valmir chegou junto. mas. para pavor de Daltro e revolta dos dirigentes colorados, simplesmente pisou na
bola. Alcindo aproveitou e encostou para Loívo, que colocou a bola fora do alcance de Gainete e fez 1 x 0
para o Grémio.

O gol não fez diminuir a pressão gremista. Ao contrário, o Inter é que se perturbou. O Grémio
continuou melhor. Aos 48, pouco antes de Agomar Martins apitar o final do primeiro tempo. Jadir
acertou uma bomba no travessão. No intervalo, alguns dirigentes se aproximaram de Daltro. Eles
babavam: — O que tu vais fazer? O que tu vais fazer? - Vou tirar o lateral.

— Finalmente!

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A história dos Grenais

- Mas não o Madureira. Vou tirar o outro, o Jorge Andrade, e colocar o
Sadi. Quero aproveitar o espaço que o Joãozinho está deixando.

Naquele momento Daltro sabia que, se perdesse o jogo. terminaria acusado, ele também, de ter
sido subornado. No vestiário, não falou com os jogadores. Gritou com eles até as veias de seu
pescoço saltarem, azuis e late-jantes:

- O que é isso?! O que é isso?! Vocês não estão jogando nada! Eu vou
acabar com a carreira de vocês! Vocês vão vender livro na rua! Voltem Já e ga
nhem este jogo!

A torcida do Grémio sorria nas arquibancadas quando os dois times voltaram a campo.

Os sorrisos não duraram muito. O Inter jogava com gana, quase com desespero. Foi um
bombardeio. Os gremistas não entendiam o que estava acontecendo. Aos oito minutos, Paulo César
sofreu uma falta na intermediária. Valdomiro ajeitou a bola. Chutou forte, alto. A bola subiu, passou por
Breno, adiantado, que a acompanhou com o olhar, certo de que iria para fora. De repente,
traiçoeira, ela caiu bruscamente. Breno levou alguns segundos para compreender. Era o gol do Inter.

Foi a vez do Grémio se descontrolar e o Internacional apertar o torniquete. Aos 12 minutos, o
ataque colorado teve a seu favor três escanteios consecutivos. No ultimo deles. Dorinho cruzou,
Valdomiro se passou e a bola sobrou para Madureira bater com precisão: 2 x 1 . Daltro aproveitou a
comemoração, aproximou-se dos jogadores e gritou;
— Não tem mais jogo! Não tem mais jogo! Vamos segurar o resultado!

Foi o que os colorados fizeram. O Inter recuou e suportou a pressão gremista com todos os
chutões e faltas a que tinham e não tinham direito. Aos 43, Claudiomiro passou por Ari, que lhe deu um
pontapé no joelho. Agomar o expulsou sem hesitar. No final do jogo, o árbitro ia para os vestiários
quando um torcedor invadiu o campo para agredi-lo. Um brigadiano o impediu e o presidente do Grémio.
Flávio Obino, protestou. Irritado, o dirigente passou a discutir com os policiais. Depois de muito
bate-boca, Obino foi empurrado e não pensou duas vezes: aplicou uma bofetada no rosto do
subcomandante do

141

A história dos Grenais

Primeiro Batalhão de Polícia Militar, capitão Luiz Peretti, que lhe deu imediata voz de prisão. Por sorte, o
secretário de Segurança Pública, coronel Jaime Mariath, assistia ao jogo e determinou que Obino fosse
ao seu gabinete para dar explicações e prestar depoimento. Enquanto a torcida do Inter festejava, Obino
acertou-se com o policial e escapou de indesejáveis incomodações com os militares.

Ao mesmo tempo, Daltro contava aos boquiabertos Madureira e Valmir tudo o que ocorrera
durante a semana, não sem antes perguntar ao lateral de onde viera a Variant verde.

- Daquela revenda na Azenha, ora! — Respondeu Madureira.

A nuvem negra da suspeita flutuou do Beira-Rio até a Azenha para ensom-brecer o Olímpico. Breno
ficou indelevelmente marcado pelo gol de Valdomiro. Na rodada posterior, ele tomou um gol do 14 de Julho,
no Vermelhão da Serra, em Passo Fundo. O Grémio virou a partida e venceu por 2 x 1 , mas a Zero Hora do
dia seguinte não deixou de perguntar em um título: "Breno, este gol tem explicação?" Mesmo sendo
considerado um bom e futuroso goleiro, ele não aguentou a pressão. Aquela foi sua última temporada como
titular do Grémio e de qualquer time grande do país. O Grenal 195 sepultou Breno para o futebol.

Com a banição de Breno, o velho goleiro Arlindo foi escalado no Grenal seguinte, em outubro, um
0 x 0 válido pelo Robertão. Depois, durante todo 1971. o camisa número l do Grémio foi Jair. Era ágil
como um jaguar, mas considerado baixo para goleiro, com os seus pouco mais de Im70cm de altura. No
Olímpico, porém, ele se superava. Voava atrás da bola e a alcançava no vértice dos ângulos da goleira.
Uma das razões do sucesso de Jair em seu estádio foi descoberta cinco anos depois pelo experiente e
alto Cejas: numa deferência especial à estatura do goleiro, o Grémio rebaixou em 20cm as traves do
Olímpico.

O tamanho do goleiro não foi problema para o Grémio nos Grenais de 71. Sempre com a atenta
torcida do presidente Mediei, o time venceu o primeiro clássico do ano, em 5 de março, por 2 x 0. na
decisão de um torneio com o Rapid da Roménia e o CSKA da Bulgária. A euforia da torcida gremista
aumentou ainda mais quando o vice de futebol. Luiz Carvalho, voltou da Argentina

142

A história dos Grenais

com Scotta e Chamaco, jogadores contratados do River Plate de Buenos Aires. E chegou quase ao
paroxismo com a queda de Aldo Dias Rosa e todo o departamento de futebol do Inter, incluindo os
Mandarins. Para completar, em 6 de abril, o técnico dos Mandarins, o gordo e provocador Daltro
Menezes, foi substituído pelo discreto Dino Sani.

A lógica indicava que o Grémio passaria sobre o inimigo como se fosse a Divisão Panzer. A lógica
funcionou. Em termos: os dois primeiros Grenais do campeonato terminaram empatados e, no último, o
Grémio enfiou 3 x l. O Inter, no entanto, aplicou diligentemente a fórmula de não perder no interior e
terminou o campeonato com três pontos na frente, mais uma vez. O Grenal de 3 x l já não valia mais
nada. Claro, não deixou de ser um reconfortante consolo para o Grémio. O time vencia o Inter pela
segunda vez no ano, as duas no Beira-Rio. Justamente as duas primeiras vezes que o Grémio ganhou do
Inter no Beira-Rio. E os gremistas marcaram todos os gois. O baixinho Caio fez o primeiro de cabeça,
Everaldo empatou com um gol contra, Nestor Scotta, de pênalti, marcou 2 x l, e Caio, de novo, fechou o
placar.

Havia só três pedras na chuteira Tricolor: 69, 70 e 71. Internacional tri-campeão. Os homens do
Grémio chegaram à inteligente conclusão de que as coisas não estavam acontecendo por acaso no
Beira-Rio. Decidiram reagir. Em 71 mesmo, em 26 de outubro, chegou ao Olímpico um zagueiro-central
alto, magro e sorridente. Foi uma das mais estrepitosas contratações de um clube brasileiro naquele
ano. O uruguaio Atílio Genaro Ancheta, ex-Nacional de Montevideo, fora escolhido pela imprensa
internacional como o melhor zagueiro da Copa de 70.

Como não podia deixar de acontecer, a festa em torno de Ancheta causou um amargo ciúme no
Internacional. O que levou os dirigentes colorados a pensar em dar uma resposta, nem que não fosse
exatamente no mesmo tom. Começaram a procurar, também eles, um zagueiro. Acharam numa
quinta-feira. 13 de novembro. O presidente Carlos Stechmann e o vice Gildo Russowski estavam no Rio
de Janeiro para participar de um programa de TV sobre o Beira-Rio. Ao chegarem ao hotel, na Praia do
Flamengo, receberam o recado de que David Schneider, cônsul do Inter no Uruguai, havia ligado. De
madrugada.

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A história dos Grenais

Schneider voltou a telefonar. O negócio era o seguinte: o Penharol estava endividado e queria vender o seu
zagueiro-central, o chileno Elias Figueroa, para o empresário Samuel Ratinoff.

- Por quanto? — Quis saber Stechmann.

- Trezentos e cinquenta mil cruzeiros. Ratinoff vai repassá-lo a um
clube de Portugal ou da França.

Figueroa não era tão famoso quanto Ancheta. mas Stechmann o conhecia dos jogos de inauguração
do Beira-Rio, quando o zagueiro atuou pelo Penharol.

- Quero esse zagueiro — disse o presidente. — Segura o cara aí que
segunda-feira te levamos o dinheiro.

Sem perda de tempo, Stechmann localizou o presidente da comissão de obras, Heraldo Hermann, e
pediu que ele fosse a Montevidéu para fechar o negócio com o Penharol. Hermann embarcou para o
Uruguai e Stechmann e Russowski voltaram a Porto Alegre. Passaram a sexta-feira batendo nas largas
portas de todos os bancos do estado. Ninguém queria ceder dinheiro ao Internacional. O clube só foi
conseguir os CrS 350 mil nos bancos Mineiro do Oeste e Mercantil de Minas Gerais.
Esta quantia toda teria que ser enviada para fora do país, em espécie, sem passar pela alfândega.
De que jeito? Naqueles tempos de caça a terroristas, a vigilância nos aeroportos era canina. Valeu, então,
o apoio do dono da agência Continental Turismo. Moacir Zandonai. Ele fez com que o tesoureiro do Inter,
Olavo Pires, entrasse no avião pela Sala Vip do Salgado Filho. E lá se foi Olavo Pires para o Uruguai,
agarrado a uma mala cheia de dinheiro. Em seguida, Heraldo Hermann retornou a Porto Alegre com o
zagueiro chileno.

De quem não se falava boa coisa. Diziam que Figueroa era baixinho e que. se alguém encostava,
saltava pouco, às vezes sequer alcançando a bola. Quando ele chegou, no sábado. 15 de novembro,
pôde-se constatar que, pelo menos em relação à altura, os boatos estavam errados. Nada disso diminuiu a
desconfiança, só dirimida depois das primeiras apresentações do zagueiro. A prova de fogo, porém,
tinha que ser um Grenal. Um Grenal no qual seriam vistos frente a frente, pela primeira vez. os dois
zagueirões vindos do Uruguai: Figueroa e Ancheta.

144
A história dos Grenais

O encontro só se daria quatro meses depois. No interregno. Figueroa começou a imprimir sua
marca no time do Inter. Logo nas primeiras partidas diagnosticou um problema: os jogadores não
gritavam em campo.

- Precisamos falar um com o outro, alertar os companheiros e até xingar, quando necessário.
Não se deve ficar irritado com isso. O que acontece dentro de campo morre ali, é esquecido
quando se vai embora para casa -repetia ele aos seus novos colegas.

Com Figueroa no time, o Inter foi melhorando o seu desempenho no campeonato brasileiro. O
chileno entrava duro quando preciso, era uma cascavel ao dar o bote para tirar a bola do atacante e
sempre saía jogando com elegância, para frente, cabeça levantada, olhar altivo como o do príncipe de
Gales. construindo um novo lance de ataque. E ninguém saltava mais do que ele. Parecia alçar voo em
direção aos refletores do Beira-Rio. Anos depois, uma foto célebre mostraria Figueroa com a camisa três
da Seleção Gaúcha, saltando com um jogador da Seleção Uruguaia, na disputa pela bola. O uruguaio está
todo esticado, apoiado no pé direito, os braços abertos, de frente para o gol. Figueroa, do seu lado
direito, decola em direção à bola. Decola mesmo: os joelhos do zagueiro estão acima do nível dos ombros
do adversário.

Figueroa sustentava fora de campo a pose que demonstrava dentro. Era ponderado, seguro e
sempre tinha o que falar nas entrevistas. Logo ao chegar na cidade, foi convidado, junto com Carpegianni
e Bráulio, para um jantar na casa do cronista Luis Fernando Veríssimo. Cortês, bem falante, conquistou
rapidamente a admiração dos convivas. Na saída, ao olhar para o céu azul escuro dos altos do bairro
Petrópolis, não resistiu a uma estrela mais coruscante e. ame à assistência extasiada, declamou uma
poesia de Pablo Neruda. Dias depo cronista Ruy Carlos Ostermann relatou o episódio em sua coluna na
Folha da Manhã. Coube a Figueroa, então, a fama de craque intelectual. Desmentida sistematicamente
pelos gremistas, que insistiam em propalar pela cidade que aquela era a única poesia do repertório do
zagueiro colorado.

Definitivamente, o Inter acertara na sua resposta ao Grémio.

Que não parara na contratação de Ancheta. Da Argentina, em dezembro de 71, o Grémio trouxe o
habilidoso Oberti, que. pelos planos dos dirigentes.

145

A história dos Grenais

deveria formar um invejável meio de campo com Gaspar e Torino. Para arrematá-lo, o Grémio
também teve que despachar uma mala de dinheiro para o exterior. Os encarregados da tarefa foram o
empresário Jorge Tomaz e o vice de finanças Paulo Marsiaj Oliveira. Foram até o aeroporto,
embarcaram e chegaram à Argentina. Até aí, tudo bem. Estavam a pé no centro de Buenos Aires
quando os problemas começaram. Caminhavam sem pressa por uma rua movimentada que, em um
minuto, ficou muito mais movimentada. Sirenes, correria, confusão. Um banco fora assaltado. Paulo e
Tomaz assistiram apavoradís-simos ao fechamento da rua por dezenas de policiais armados. Revólveres e
escopetas nas mãos crispadas, os soldados procuravam os assaltantes. E eles ali, estrangeiros, com uma
mala cheia de dólares embaixo do braço.

- Vão nos prender! Vão pensar que somos os assaltantes! — alarmou-se Tomaz.

Resolveram se esconder. Entraram num edifício residencial e se agacharam sob a escada.
Ficaram lá. encolhidos, abraçados ao dinheiro, até que a confusão se dissipasse. Só não contaram o
que iriam fazer se fossem descobertos ali embaixo.

Oberti foi contratado, afinal, e estreou em Grenais junto com Ancheta e Figueroa. Por ironia, todos
os três foram atrações secundárias naquela partida, realizada em março de 72. A primeira, aliás, de duas
partidas. Dois Grenais históricos que marcaram a venda de Vblmir. do Grémio, para o Inter. A transfe-
rência de Volmir foi a primeira feita diretamente de um clube para o outro. O negócio foi fechado entre
Gildo Russowski e o presidente gremista Oly Fachim. O chamado "Grenal de Volmir" foi marcado para o
primeiro dia de março.

Aquela quarta-feíra nasceu cinzenta e logo tornou-se chuvosa. O aguaceiro continuou durante boa
parte da manhã. Os dirigentes da dupla olharam para o céu preocupados. Com aquele tempo, a renda
seria péssima e o Grenal fora marcado exatamente por causa da arrecadação. Resolveram adiar o jogo
para o dia seguinte.

Como que a caçoar dos cartolas, o sol apareceu depois do meio-dia e brilhou, quente e amarelo,
durante toda a tarde. Na noite seguinte houve jogo. Volmir participou do lance de gol do Inter e o
amistoso terminou em 1 x 1 .

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A história dos Grenais

Figueroa e Ancheta saíram-se bem. Ancheta. claro, era a grande vedete. Mas o duelo entre os dois já
começara. O ex-vendedor e agora cronista Paulo Sant" Ana, de Zero Hora, comentou, contente:
— Viram o Ancheta? Bah, eu falei que cedo vai se chegar à conclusão de que é melhor que Aírton.
Ontem, com Figueroa em campo, deu pra ver definitivamente quem é o melhor.

O segundo Grenal de Volmir ocorreu domingo, no Olímpico. Outro 1 x 1 . Um jogo muito fraco, os times sem
motivação. O Inter saiu ganhando com um gol de Claudiomiro e Ancheta empatou no último minuto.
Figueroa e Ancheta foram os melhores em campo. Pela análise da Zero Hora, a atuação de Figueroa
"esteve bem perto de Ancheta, o melhor de todos". O jornal destacou também a humildade do novo
zagueiro colorado. O repórter relatou um lance para ilustrar este predicado do chileno: numa falta perto
da área, o quarto-zagueiro Pontes, ao ver Figueroa parado, mandou-o marcar o gremista Caio, numa
ponta da área. Como o zagueiro não se mexesse, Pontes gritou: - Vai lá e não reclama!

Figueroa, então, baixou a cabeça e foi marcar Caio. Na sequência, a bola realmente sobrou para o
atacante do Grémio. Figueroa o desarmou e. no retruque, saiu com a bola dominada.

"Obediente", comentou o jornal.

Obediência não seria a qualidade mais festejada de Figueroa nos anos que se seguiram. Ele
tornou-se líder de um time repleto de jogadores com personalidade marcante. Um time que ia se
moldando, se definindo aos poucos, como uma pintura que vai tomando cores mais fortes a cada
pincelada. Paulo César Carpegianni já se consolidara como o maestro do meio-campo, com seus toques
curtos e futebol de extrema movimentação. Carpegianni tinha um domínio de bola perfeito. Ele a
protegia com o corpo e a escondia do adversário, que nunca sabia para que lado o meio-campista
colorado sairia jogando. Atrás, surgia um lateral-direito combativo e decidido chamado Cláudio Duarte.
apelidado, nos treinos, de Gaguinho, obviamente devido à sua gagueira teve. Na frente, aparecia um
cabeceador incomparável: Escurinho. Na direção técnica, o paulista Dino Sani ganhava afirmação com um
estilo sóbrio, de raras palavras.

147

A história dos Grenais

diametralmente oposto ao do seu antecessor Daltro Menezes. Vitorioso ex-volante do Corinthians e da
Seleção Brasileira, Dino era solenemente respeitado pelos jogadores.

No Grémio, o treinador era Oto Glória, de muito prestígio em Portugal. Dois treinadores de fora. Os
técnicos gaúchos ficaram enciumados. Na noite de 28 de dezembro de 71, uma terça-feira. 12 deles
participaram de um churrasco com a imprensa. Queixaram-se bastante da intromissão dos forasteiros,
fizeram beicinho e perguntaram: o que eles têm que nós não temos? O único a não comparecer foi Osvaldo
Rolla, que. reconciliado com Bráulio. comparecia ao casamento do jogador com Nina Rosa.

Bráulio casava feliz, apesar de continuar sendo o jogador mais discutido do Inter. É que, 23 dias
antes, ele fizera um gol que esculpiu a fogo sua passagem pelo Internacional. Foi a 5 de dezembro. Inter
versus Santos, em São Paulo, pelo campeonato nacional. A segunda apresentação de Figueroa no
Colorado. Antes do jogo começar, o zagueiro foi até o meio de campo e cumprimentou Pele. Depois do apito
do juiz. Figueroa teve que enfrentá-lo. Pele aplicou-lhe quatro ou cinco dribles, mas aos poucos o zagueiro
se acalmou e conseguiu dominar o atacante do Santos.

Figueroa não participaria do grande lance do jogo, inciado por Edson Scott. Ele recebeu a bola na
ponta esquerda, bem adiantado, e cruzou para a área. O zagueiro Oberdan pulou para a cabeceada e
ela sobrou para Bráulio na entrada da área. Daquela posição. Bráulio deu um corte rápido no zagueiro
Paulo, entrou na área e. com o pé esquerdo, chutou à meia altura, no canto esquerdo de Cejas. Um
golaço.

O Inter venceu por l x O em São Paulo e o braulista Carlos Stechmann, em Porto Alegre, derrotou o
até então favorito anti-braulista Aldo Dias Rosa na eleição para a presidência do Inter. Placar: 154 votos a
152.

Nenhum gol, nenhum drible, nenhum lançamento de Bráulio impediria que os depostos
Mandarins o criticassem. A maioria deles, agora, estava na imprensa. Com Bráulio entrando e saindo do
time. o Inter, pela primeira vez, venceu um campeonato com facilidade, em 1972. A campanha foi
arrasadora: 34 pontos ganhos em 36 disputados. Tetracampeão invicto.

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-4 história dos Grenais

O Grémio se escangalhava no interior. Ou até nem tanto no interior. Despediu-se do campeonato
na Grande Porto Alegre, em derrotas para o São José, do Passo d'Areia; para o Cruzeiro, da Montanha;
e para o Novo Hamburgo. A torcida e a imprensa culpavam o técnico Oto Glória, que. diziam, dava pouca
atenção ao clube, mais preocupado com suas constantes viagens ao Rio de Janeiro. No final do Gauchão,
Oto, com currículo e tudo. foi devidamente expurgado.

Naquele ano foram disputados nada menos do que oito Grenais. Os quatro primeiros terminaram
empatados. Em seguida, o Inter ganhou três. O mais trepidante foi o oitavo, válido pelo campeonato
nacional.

Foi o último Grenal de Bráulio. Sentindo a pressão de parte da imprensa e de alguns diretores do
Inter, ele previu que não conseguiria renovar contrato com o clube. Tinha se tornado grande amigo de
Figueroa. Os dois se reuniam de 15 em 15 dias com outros jogadores, geralmente na casa de Bráulio.
Deliciavam-se com strogonoff com vinho. As mulheres iam lavar a louça c os homens ficavam discutindo
futebol. Figueroa, incentivando o profissionalismo e a dedicação nos treinos e jogos, costumava
recomendar:

— Temos que ser como o Django: primeiro matamos, depois pegamos o dólar furado.

Antes do Grenal de 20 de setembro de 72, Figueroa foi até o quano de Bráulio, na concentração.

- Notei que tu estás chateado. O que te incomoda?
chileno, da porta.
- To mesmo, Elias. É que estou pra renovar contrato e a situação não é
das melhores. Acho que este vai ser meu último Grenai.
Figueroa baixou a cabeça. Entrou, fechou a porta, pensativo, e sentou na cama. Aí falou:

— Então eu vou fazer um gol pra ti.

Bráulio sorriu. Os dois ficaram conversando até as 6h da manhã. Dormiram até o meio-dia
daquela quarta-feira de muita chuva. O jornal Zero Hora anunciava que o melhor jogador em campo
seria brindado com um moderno fogão Visoramic, da Wallig. Antes da partida, o presidente do Grémio.

149
A história dos Grenais

Oly Fachim. passeou pelo Beira-Rio abanando, sorridente, para as duas torcidas.

O Grémio contratara um centroavante do Esportivo de Bento Gonçalves, Laírton, que alimentava
uma rixa recente com Figueroa. Quando ainda jogava pelo Esportivo, Laírton bateu-se de tal forma contra
o zagueiro que, ao final da partida, Figueroa desceu ao vestiário todo arranhado, rosnando, irritado:

— Ele deve estar pior do que eu.

Logo no início do Grenal de 20 de setembro, Figueroa deu o troco. Aos 12 minutos, Laírton
correu para receber um lançamento longo, em direção à área do Inter. Figueroa correu ao seu lado.
Apresentou, então, uma das suas mais célebres armas: o cotovelo. No final da partida, Laírton, de olho
roxo, confessaria:

— Não sei bem o que me atingiu.

Durante o jogo, tentou revidar. Aos 20. deu um bico no tornozelo direito de Figueroa. Tornozelo
que, dias antes, tirara o zagueiro do time por lesão. O chileno atirou-se ao solo, rolando presumivelmente
de dor. Aos 39, o centroavante acertou-lhe mais uma vez no tornozelo e o zagueiro outra vez jogou-se ao
chão. Mas só ficou na grama até o árbitro Agomar Martins advertir Laírton. Protegido por resistentes
tornozeleiras plásticas, o zagueiro nem estava sentindo a agressão. Aos 27 minutos do primeiro tempo,
Figueroa esqueceu Laírton. Depois de uma cobrança de escanteio, a bola raspou na cabeça de Escurinho
e sobrou, redonda e dócil, para o camisa 3 do Inter. Que emendou um chutaço cruzado, sem chances
para Jair. Era o gol para o amigo Bráulio.

Figueroa ganhou o fogão da Wallig e o técnico do Grémio percebeu que seu emprego estava
irremediavelmente ameaçado.

O técnico era ninguém menos do que Daltro Menezes, sucessor de Oto Glória, recebido pela
torcida gremista como herói, em julho, no aeroporto. O cronista Paulo Sant'Ana bradava:

— É o salvador! E o salvador!

Não foi. Daltro conta que sua maior dificuldade, no Grémio, foi o próprio Grémio. Ou alguns
jogadores do Grémio. Diz ter sido boicotado por eles. Quem o alertou foi um outro jogador, o
centromédio Carlos Alberto, que viera do

150

A história dos Grenais

Santos. Após uma derrota para o Fluminense. Carlos Alberto chamou o treinador a um canto do
vestiário e revelou:

— Chefe, tu não merece o que estão fazendo contigo. Eles querem te derrubar. Vão perder tudo, já
está arranjado. Pelo menos oito estão na história.

Os líderes da sabotagem, segundo Daltro. eram os meias Negreiros e Oberti.

Daltro perdeu todos os Grenais que disputou pelo Grémio. Bem que agitou para tentar vencer ao
menos um deles. No sétimo Grenal do ano, 2x0. gois de Escurinho e Volmir para o Inter, no Beira-Rio, o
ponteiro-esquerdo Loivo trocou de camisa com o lateral-direito Cláudio Duarte. Este gesto trivial,
comum em qualquer jogo que não seja um Grenal, encheu as duas torcidas de desconfiança. Daltro
Menezes aproveitou e saiu pela cidade dizendo que mandaria fazer uma macumba das mais encardidas
com a camisa do lateral colorado. O vice de futebol do Inter, Gildo Russowski, chegou a advertir Cláudio
pela temeridade de ceder um objeto tão pessoal para o inimigo. Procupado, Cláudio, que na época
ostentava um encarapinhado cabelo black-power, procurou Loivo, que mostrou-lhe a camisa
vermelha em sua casa.

— Se tu quiseres, Cláudio, te devolvo a camiseta.
— Não tem problema, não. Isso tudo que estão falando é só onda — garantiu o lateral.
Cláudio jogou o Grenal. E jogou machucado. Adonou-se de vez da posição. O antigo titular,
Edson Madureira saía melancolicamente do time. Ainda aluaria em dois Grenais, mas ficou abalado
devido à maldosa interferência de um personagem sinistro do futebol gaúcho e do catarinense.

Tudo começou em 1968. Foguinho foi a Criciúma para assistir ao clássico local, Comerciário x
Metropol. Queria observar o ponteiro Valdomiro. Mas naquele dia Valdomiro não jogou nada. Foi
anulado pelo seu marcador, o lateral-esquerdo Edson Madureira, que inclusive fez um dos gois da vitória
de 2 x l do Metropol. No final da partida, Foguinho apanhou Madureira e o levou para o pátio do Colégio
Marista, no centro de Criciúma. Mandou que o lateral caminhasse. No segundo passo de Madureira, o
técnico o aprovou.

- Está certo, o senhor vai ser contratado, mas vai jogar na lateral-direi-

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A história dos Grenais

ta, porque na esquerda nós temos o Sadi — sentenciou Foguinho.

O empresário de Madureira era um indivíduo chamado Joaquim Piedade. Ele acompanhou o teste e
esfregou as mãos ao ouvir a aprovação de Foguinho, certo de que ganharia um bom dinheiro com o
negócio. Madureira foi contratado por Cr$ 23 mil. mas deu só Cr$ 50 ao empresário. Que jurou vingança.

Sua oportunidade chegou quatro anos depois. Piedade era um conhecido subornador de
jogadores, mal-afamado em todo o Estado. Na véspera do Grenal, antes de Madureira ir para a
concentração. Piedade foi visitá-lo com a desculpa de pedir-lhe Cr$ 20 emprestados. O subornador já tinha
tudo combinado com um cúmplice que era amigo de Gildo Russowski. Na hora acertada, este amigo pediu
uma carona a Russowski e deu um endereço nas proximidades da casa de Madureira. Quando Russowski
passou com seu Gálaxie bordo pela frente da casa do jogador, viu. com pavor, o lateral-direito
conversando com o subornador. Seu horror aumentou ao ver. nas mãos do sorridente Piedade, um maço
de cruzeiros. No dia seguinte. Madureira foi retirado do time.

Falta de jogadores não era o problema do Inter em 73. O clube os possuía até em excesso. Fornadas
de craques saíam dos juvenis. Outros, que até então não haviam se destacado, começavam a mostrar
trabalho. Cláudio colocara Madureira na reserva e se transformara num dos líderes do time. Na
esquerda, Vacaria, comprado do 14 de Julho de Passo Fundo em 70 e considerado dispensável em 72.
firmava-se como substituto do veterano Jorge Andrade. Pontes disputava posição com o fone Hermínio
na quarta-zaga. A defesa se completava com a autoridade de Figueroa.

— A área é minha casa — dizia o chileno. — Nela só entra quem eu
quiser.
Um dia. durante a Copa de 74. na Alemanha, ele contou um de seus segredos para o então
colunista de Zero Hora. Ibsen Pinheiro:

— Juiz nenhum dá cartão vermelho nos dez primeiros minutos de jogo - raciocinou o zagueiro.
— É neste período que eu me imponho aos atacantes adversários. Dou na cara deles.

- Em todos? — Quis saber Ibsen.

— Menos em dois: no Dario. porque ele não se importa, e no Pele,

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A história dos Grenais

porque ele bate de volta.

Figueroa tornara-se a maior personalidade esportiva do Estado. Constantemente, era
flagrado em jantares no Floresta Negra com sua mulher Marcela e o casal Lúcia e Luis Fernando Verissimo.

— Todos achavam que só falávamos de literatura e poesia, mas nosso assunto era mesmo
futebol, conta Verissimo.

No interior, o sonho dos centroavantes era vencer os duelos com o famoso chileno. Em certo
jogo, Figueroa notou que, mal tocava na bola, o atacante adversário tentava levantá-la para lhe aplicar um
balãozinho. Terminada a partida, ficou sabendo que um dirigente do clube havia prometido Cr$ 500 ao
centroavante para dar um lençol no zagueiro colorado.

— Se ele tivesse me falado eu até abaixava a cabeça para facilitar, depois
a gente rachava o prémio, brincou Figueroa.

Se para arrumar a zaga o Inter teve que importar um zagueiro, na meia-cancha contava
exclusivamente com a fabricação caseira. A especialidade do Colorado parecia ser de forjar
meio-campistas. Neste setor jogava, por exemplo, o promissor Sabonete. Morava na Chácara Barreto,
em Canoas. Chegou a treinar no Grémio, mas desistiu do clube do Olímpico.

— Aquela camisa não me caiu bem — explicou ao pai, seu Bento, dono do caminhão que
conduzia o rapaz e seus amigos para as partidas do Fragata, time no qual jogava em Canoas, nos
domingos da sua infância. Depois, para pagar as passagens do ônibus que o levava todas as tardes
para os treinos do Inter, na Chácara das Camélias, Sabonete vendia garrafas velhas. Assim o menino foi se
afirmando no Colorado, até se tornar um esplendoroso camisa 5.

Em 72, com 18 anos, Sabonete se impunha como o futuro do meio de campo do Internacional.
Era alto, magro, loiro, cabelos crespos, parecia um dinamarquês. Seu futebol elegante, de toques
suaves e, ao mesmo tempo, força e movimentação, não combinava com o apelido. Talvez por isso tenha
ficado conhecido em todo o mundo do futebol pelo nome e o sobrenome: Paulo Roberto Falcão.

Muito ele teve que brigar pela camisa 5 do Colorado. Venceu nadasse e no grito. Em 73, Pontes,
amigo do meio-campista Tovar. fazia de tudo para ver

153
A história dos Grenais

Falcão longe do time principal. Numa partida pelo Gauchão, Falcão tentou sair jogando com elegância e
perdeu a bola em frente à área. Pontes não deixou passar.

— Ô, guri, vai dar tuas mancadas longe daqui! — xingou-o o zagueiro.

Há muito irritado com as costumeiras reclamações de Pontes, Falcão não se conteve:

— Vai pra puta que te pariu!

Alarmado com a crise iminente na sua área, Figueroa tentou apartar.

-*• Que é isso, rapaz?!

Falcão não se intimidou:

- Tu também, gringo, vai pra puta que te pariu!

A concorrência era tanta que, no final de 72, Falcão falava em abandonar o Internacional. Até que
Dino Sani chamou Carlos Stechmann e avisou:

- Temos que vender o Carbone.
- Por quê? — Surpreendeu-se o presidente. — Algum problema?
- Nenhum. Mas é que só assim poderemos colocar o Falcão no time. E vai ser bom ter o Falcão
no time.
Sábias palavras de Dino Sani, aquele que um dia disse também que Grenal "se perde, se ganha e
se empata".

Em 73 os Grenais acabaram todos empatados, mas o Inter venceu o campeonato no interior. De
novo. O fato mais importante daquele ano acabou sendo um episódio bizarro envolvendo as nádegas
desnudas de Figueroa. Nádegas brancas, expostas em toda a sua redonda extensão em fotos de Hipólito
Pereira, publicadas em abril na coluna do chargista Marco Aurélio, de Zero Hora. Na foto principal
Figueroa estava no vestiário do Inter, pesando-se. Noutra ele passeava de toalha em punho, cobrindo
o sexo estrategicamente, rindo. Fotos clandestinas, tiradas da janelinha da concentração e, por isso
mesmo, um pouco desfocadas.

Foi um escândalo. A direção do Internacional divulgou uma nota oficial condenando tão
despudorada publicação e garantindo aos torcedores que o clube continuava vigilante em relação a
tudo que fosse seu património. O presidente da Federação Gaúcha de Futebol. Rubens Hoffmeister, foi
mais longe.

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A história dos Grenais

Muito mais longe. Simplesmente cancelou todas as rodadas dos certames promovidos pela FGF no final
de semana.

A atitude de Hoffmeister deu dimensão nacional à esta inquietante questão glútea, até
aquele momento reservada aos debates na Província de São Pedro. Na rodada cancelada deveria ser
realizado o jogo entre Internacional e Aimoré, incluído nos testes da Loteria Esportiva. Furiosos com o
adiamento, os responsáveis pela Loteria decidiram excluir os clubes gaúchos de futuros testes. alegando
falta de garantias. Jornais de todo o país deram espaço ao episódio, a revista Veja entrevistou o
chargista Marco Aurélio, as TVs divulgaram a polémica, tornando, com tudo isso, célebres e nacionais
as nádegas de Figueroa.

O técnico Dino Sani gostou da confusão. Confessou que a paralisação do campeonato ajudou o
Inter, dando tempo ao Departamento Médico de recuperar vários jogadores lesionados. Figueroa, a
princípio ofendido com a devassa de sua intimidade, terminou aceitando com simpatia toda aquela
promoção. Tornou-se um bom amigo de Marco Aurélio e presenteou sua mulher. Marcela. com um
póster autografado de uma das fotos. A mulher, orgulhosa, penda ou o póster na parede do quarto do
casal.

No ano seguinte, depois de um Grenal vitorioso, Figueroa tiraria o calção e a camiseta e os jogaria
à torcida, em comemoração. Sairia do estádio só de sunga, meias e chuteiras. E ninguém desmaiou de
vergonha.

O Inter teve muito o que comemorar em 74, com ou sem calção. foi vitorioso mais uma vez, com
uma campanha prodigiosa. Venceu iodos os jogos do Gauchão e tomou só dois gois. Sagrou -se
Bi-Hexacampeão. lias deparou-se com uma implacável resistência nos Grenais. Mais do qoe isso: o
Grémio jogou melhor nos Grenais do campeonato de 74 e vendeu a denota a um preço bastante
elevado.

Tratava-se de uma superação dos gremistas, do efeito da dose avais de adrenalina que irriga os
jogadores em um Grenal. O Inter tinha uma equipe superior, montada graças à tranquilidade das
vitórias. Em 69. o time era esforçado. Em 70 surgiu o diferenciado Carpegianni. Em 71 foi contratado
Figueroa. o toque de qualidade numa defesa viril. Em 72 apareceram Falcão e Escurínho. Na
ponta-direita havia o eficiente Valdomiro e no meio do ataque o forte

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A história dos Grenais

Claudiomiro, ambos no Inter desde o tempo dos Eucaliptos.

Em 74 esse time amadureceu graças à entrada em cena de três personagens fundamentais à trama
épica que se seguiria. Com os livros do psicólogo americano Darwin Cartwrigt embaixo de um braço e com a
gaiola do seu curió Mandrake debaixo do outro, chegou de São Paulo o técnico Rubens Francisco Minelli.
Prenhe de teorias, aplicou no Internacional a dinâmica de grupo de Cartwrigt. Buscou lideranças positivas,
como Cláudio Duarte, e afastou as que considerava negativas, como Pontes, Tovar e Edson Madureira. No
campo de jogo, elaborou a tática dos triângulos invertidos. Os jogadores o apelidaram de Professor
Aristóbolo — personagem de uma novela da época — porque passava as noites lendo, na concentração.

Chegaram também dois peculiares pernambucanos: o goleiro Manga e o ponteiro-esquerdo Lula.

O presidente Frederico Arnaldo Ballvé costumava dizer que Lula era um homem de mal com o
mundo. Certa vez, para resolver uma crise do grupo com o técnico Minelli, Ballvé reuniu os jogadores para
uma conversa franca.

- Muito bem, agora, quem tiver alguma coisa contra o Minelli pode falar — disse o presidente.

Lula ia levantando a mão quanto Ballvé o interrompeu:
- Tu não. Lula. Tu briga até com a mãe.

Se brigava até com a mãe. porque não com o melhor amigo. Paulo César Carpegianni? Estavam
sempre juntos, mas uma vez. no ônibus da delegação, Carpegianni inventou de fazer uma brincadeira que
ele não gostou. Lula xin-gou-o aos berros por 15 tensos minutos. Tensos para os outros. Carpegianne nem
se abalou. Conhecedor da personalidade difícil do amigo, ouviu a gritaria com a maior fleuma, olhando,
sereno, para a paisagem que passava pelo vidro dajanela.

Em outro jogo pelo Campeonato Gaúcho. Lula se atrasou para uma viagem ao interior. O
motorista do ônibus. vendo-o chegar de carro, saiu do estádio para esperá-lo no lado de fora. Lula achou que
partiam sem ele e voltou para casa. Irritado, o técnico Minelli queria tirá-lo do time. Ligou de manhã para
Ballvé, queixando-se do ponteiro.

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A história dos Grenais

- Vou cortá-lo do grupo! Ou ele sai ou me demito! — Ameaçava Minelli.

Ballvé bocejou.

—Minelli, isso é hora de pedir demissão? — Respondeu o dirigente, do outro lado da linha, para
espanto do treinador. — Por que tu não te demite durante o pôr-do-sol? Não é muito mais bonito? Eu
to dormindo ainda. Minelli.
—Mas o Lula...
Ballvé não o deixou completar a frase:

- O Lula tem que jogar, né? Não vai ser eu nem tu que vamos fazer os gois, lá no campo. Deixa
que eu levo o Lula de carro, hoje à tarde. Aí fica todo mundo, fica tu e fica o Lula.

Ballvé cunhou uma frase que dizia tudo sobre o mal -humorado e driblador ponteiro:

— Durante a semana ele nos incomoda e no domingo incomoda o adversário.

O goleiro Manga mostrou quem era logo ao desembarcar no aeroporto Salgado Filho. Malas na
mão, declarou à imprensa, solene, referindo-se a si mesmo:

— O Internacional acaba de fazer uma grande contratação.

O pior para os gremistas e o melhor para os colorados é que ele tinha toda a razão. Sua idade
era indefinida, situada entre a faixa dos 37 aos 45 anos. Certidão de nascimento era um papel do qual ele
jamais ouvira falar. Suas mãos eram garras. Os dedos, todos, tortos, quebrados, enormes. O rosto,
esburacado de antigas bexigas, seria assustador, se o goleiro não lhe desenhasse, constante-mente. um
sorriso cândido. Falava uma língua tão sinuosa quanto os seus dedos. algo próximo ao portunhol. Jogara
muito tempo no Uruguai, de onde trouxera o sotaque, a técnica de goleiro audaz e uma fama candente.
Quando entrava em um restaurante, em Montevidéu, as pessoas o reconheciam, interrompiam a
refeição, levantavam e o aplaudiam com fervor.

Manga gostava do Uruguai, mas não da água mineral do país. Nos seus tempos de jogador do
Nacional, quando tinha sede. pegava o carro e ia até o Chuí. Abastecia-se de litros de água mineral
brasileira e voltava a Montevidéu
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A história dos Grenais

reclamando do gosto da uruguaia. Em compensação, adorava os cassinos uruguaios. Era viciado em
jogo. Ele. Carpegianni e Lula formavam uma pesadíssima roda de caixeta na concentração. Jogavam a
dinheiro altíssimo. Muitas vezes Lula e Carpegianni se aliavam para tirar dinheiro do ingénuo goleiro. E
mesmo assim Manga frequentemente ganhava. No ônibus, se não tivessem um baralho por perto,
jogavam até pelo número das placas. Cada um escolhia três números, de um a nove. e anotavam os finais
das placas que iam se sucedendo na estrada. O número que aparecesse mais ganhava. E sempre a di-
nheiro.

Manga passou mais de mil horas do Gauchão de 74 sem tomar gois. Gritava aos atacantes
adversários, ansioso para fazer grandes defesas: — Chutem a gol! Chutem a gol!

Na reposição, Manga ajudava o ataque. Era rápido com as mãos, colocava a bola nos pés de
Carpegianni, que, de costas para o adversário, girava o corpo velozmente e limpava a jogada, na melhor
técnica de futebol de salão. O goleiro tinha um chute fortíssimo. Fora centroavante. no início da carreira.
Na saída de jogo, dava um balão e a bola caía perigosamente na área adversária. Certa feita, marcou um
gol de uma meta a outra. No Gauchão de 74 chegou a assinalar um. de pênalti.

Manga perdeu a invencibilidade a 27 de outubro. Donga. do Internacional de Santa Maria,
foi o autor da proeza. Naquela mesma noite, o la-teral-esquerdo Everaldo. ao voltar de um amistoso em
Cachoeira do Sul, colidiu a 160 quilómetros por hora com o seu Dodge Dart azul contra um caminhão que
saía de um posto de gasolina. Everaldo morreu em 1974 e transformou-se numa estrela dourada, firmada
para sempre no canto superior esquerdo da bandeira do Grémio.

Everaldo continuava sendo o único gaúcho campeão do Mundo.

Naquele mesmo ano. dois foram convocados para a Seleção Brasileira. Carpegianni e Valdomiro, e
Figueroa foi chamado para a Seleção Chilena. Os três tiveram boas participações. Figueroa parou o
artilheiro Gerd Miiller num jogo contra a poderosa Seleção Alemã. Carpegianni chegou à Alemanha como
reserva. Tinha que disputar posição com Paulo César Caju e Rivelino. Entrou no

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A história dos Grenais

segundo tempo do jogo contra a Escócia, arrumou o time e um lugar nele. de volante, posição na qual
atuou no início de carreira. Valdomiro. discreto a princípio, provou sua utilidade quando a equipe mais
precisava. Num chute cruzado, fez o gol contra o Zaire e classificou o Brasil.

A Seleção de 74 parou no Carrossel Holandês. Os brasileiros, acostumados ao futebol compassado
e à firula no meio-de-campo. ficaram atónitos. As camisas laranja, que homenageavam a cor preferida
do pintor Van Gogh. estavam em todo o lugar, Cruyff e seus companheiros movimentavam-se sem
parar, trocavam de posição, marcavam, tiravam os espaços, enlouqueciam os adversários. Enfiavam 2 x
O no Brasil. E maravilhavam Paulo César Car-pegianni. Aconteceu com ele o mesmo que com Foguinho
ao ver a Seleção Húngara em 1953. Era daquele jeito que Carpegianni sempre quisera jogar. Voltou ao
Internacional cheio de ideias.
Carpegianni encontrou os jogadores e o técnico do Internacional igual* mente cheios de ideias. A
Seleção da Holanda não derrotara aos disciplinados alemães, mas mostrara ao Mundo uma forma
diferente de jogar bola.

Em agosto, um mês após a Copa, o Inter já estava movimentando i rossel vermelho. Numa
partida contra o Esportivo de Bento Gonçalves. lorados marcavam sob pressão, não deixavam o
adversário pensar. Nunca um jogador do Esportivo conseguia sair livre com a bola. sem o combate de
um do Internacional. No segundo tempo, com 4 x 0 para o Inter, o centromédio Pulo Araújo apanhou
uma bola na intermediária c passou por um d Escurinho, que. inerte, o observou progredir ao
campo de ataque. Lá atrás. Carpegianni e Falcão irritaram-se com o companheiro:

- Pega, filho da puta! Pega! — Gritaram os dois. Escurinho. como que a despertar de um sono
preguiçoso, correu atrás de Paulo Araújo, acossando-centromédio do Esportivo, livrando -se da
bola. virou-se assustado para Escurinho e queixou-se, gesticulando muito:

- Vocês estão loucos? Vocês estão loucos? Tá 4 x O pra vocês, pó! Deixem a gente jogar em
paz!

Não adiantava reclamar. O Inter não deixava nenhum adversário jogar em paz.

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A história dos Grenais

O Grémio, porém, também não estava para brincadeira. Ganhou seus pontinhos no interior e não
permitiu que o Inter vencesse o primeiro turno por antecipação. A decisão ocorreu no Grenal de 29 de
setembro, no Olímpico.

Na véspera, no quarto dos fundos da concentração do Beira-Rio, os amigos Falcão e Escurinho,
conversaram até tarde da noite. Comentavam a vitória do peso-pesado Cassius Clay sobre Joe Prazer.
Escurinho estava encantado com a dança de Cassius Clay. Teve uma ideia:

— Amanhã eu vou fazer um gol e aí vou dançar que nem o Cassius Clay.

Falcão riu.

Os jogadores tranquilos e os dirigentes nervosos. Enquanto Falcão e Escurinho falavam em fazer
gois no Grémio, o diretor de futebol Marcelo Feijó esgueirava-sc por entre os arbustos de uma pracinha
da Glória, apoiado por policiais disfarçados. Ao longe, atrás de outras folhagens, escondiam-se fotó-
grafos, com câmeras e flashes potentes em punho. Todos esperando por subor-nadores e jogadores
colorados venais, que se encontrariam naquela praça escura, segundo informação chegada horas antes
ao Beira-Rio. Voltaram todos frustrados para casa.

Ventava muito no dia do jogo. Foi pensando nisso que o capitão do Grémio. Ancheta. escolheu o
lado do campo, depois de vencer Figueroa no cara-ou-coroa. O Grémio começou a partida jogando a
favor do vento e aproveitou a vantagem. Dominou o Internacional, foi para o ataque, pressionou. A
defesa do Inter. no entanto, tinha Cláudio. Figueroa, Pontes e Vacaria. E, atrás deles, o goleiro estreante
em Grenais. Manga. ou. como ele mesmo preferia, Manguita Fenómeno.

Manga foi perfeito no primeiro tempo. O Grémio gastou suas energias atacando e voltou para a
segunda etapa tendo que jogar contra o vento. Aos 60 minutos, o Inter adonou-se do meio-campo. Aos
75. começou a assediar a defesa do Grémio. Faltando dois minutos para o fim do jogo. Vacaria recebeu a
bola na ponta-esquerda e cruzou para a área. Lá estava Escurinho, que subiu, de olhos bem abertos, e
testou a bola com violência no canto direito de Picasso. Gol. Antes de pousar na grama do Olímpico,
Escurinho já abrira seu sorriso branco, cheio de dentes. Saiu correndo, rindo, em direção aos 60 mil
torcedores

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A história dos Grenais

nas arquibancadas. Falcão correu atrás dele e gritou, também rindo muito:

— Faz, Escuro! Faz!

Escurinho lembrou-se de Cassius Clay, brecou a corrida e dançou como se tivesse nocauteado Joe
Prazer.

Em novembro, o Campeonato Gaúcho passou a ser assunto secundário em Porto Alegre. Todos só
falavam no assustador filme O Exorcista , que tanto pavor causou com suas cenas de possessão, pescoços
torcidos, vómitos de batidas de abacate. Osvaldo Oliveira, que há 12 anos trabalhava como lanterninha
do cine Rex, no Centro, assegurou que nunca vira coisa igual:

- Em certas cenas, tem gente que vira a cabeça para o outro lado e as moças escondem o rosto
nos ombros dos namorados — testemunhou, impressionado.

Nenhum padre velho tiraria o diabo do corpo do Internacional àquela altura do campeonato. No
primeiro dia de dezembro foi realizada a decisão. Uma decisão em Grenal, com os dois clubes iguais em
pontos. Minelli tinha um problema a resolver. O lateral-direito Cláudio Duarte sofrera uma entorse no
tornozelo direito na partida contra o Caxias, no domingo anterior. Os médicos olharam para o tornozelo
muito inchado e roxo do jogador e diagnosticaram que ele só poderia retirar o gesso em 15 dias. Jogar
futebol, nem pensar. Minelli anunciou à imprensa que Cláudio estava fora da decisão. Valdir jogaria em
seu lugar.

No Grémio, o técnico Sérgio Moacir passou a semana treinando os zagueiros Ancheta e Beto
Fuscão para evitar a tragédia do Grenal passado. Os zagueiros ficavam horas cabeceando cruzamentos na
área, rangendo os dentes e garantindo que Escurinho não meteria a cabeça na bola, daquela vez.

Cláudio Duarte, aborrecido, tornozelo gessado, foi conduzido à concentração dos Eucaliptos. Com
ele foi o massagista Edi, dos juvenis. Cláudio passou os dias deitado, com a perna levantada, lendo,
conversando com o massagista, levantando-se só para ir ao banheiro, ali ao lado. A partir de quarta-feira.
Edi tirou-lhe o gesso e começou a fazer tratamento de contraste de frio e calor no tornozelo inchado.
No sábado, Minelli e os médicos foram visitá-lo. Edi retirou o gesso e eles olharam para o tornozelo.
Feio. Roxo. Intumescido como

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A história dos Grenais

um seio de mulher. Os médicos decidiram fazer uma infiltração. Poucas coisas doem como uma
infiltração. Uma enorme agulha é enfiada na articulação da vítima, entre os ossos, e a substância é
injetada diretamente no local afetado. Para minimizar a dor, o remédio é misturado com xilocaína. Só
que, quando é feito exame antidoping, como na decisão do Gauchão de 74, a xilocaína não pode ser
usada porque aparece no teste.

Cinco homens seguraram os braços, as pernas e o tronco de Cláudio. O lateral colocou uma toalha
entre os dentes e esperou a picada. A dor entrou com o remédio, espalhou-se pela perna do jogador e
latejou-lhe na cabeça. Cláudio berrava, mordia a toalha e tentava livrar-se dos algozes, que o seguravam
fortemente. O gesso foi recolocado.

No dia seguinte, o domingo do jogo. Cláudio foi almoçar com os companheiros no Beira-Rio. Chegou
mancando, apoiado em muletas, o gesso branco cobrindo o pé direito. Depois do almoço, foi para o seu
quarto e dormiu. Às 15h30, foi para o vestiário, assistir à preleção de Minelli. Antes de começar a falar, o
técnico sussurrou em seu ouvido: - Vai dar?

— Pra começar, dá.

No meio da preleção. Minelli deu a escalação: "Manga no gol, Cláudio na lateral-direita..." Todos
os jogadores viraram-se para Cláudio. Mas como? Ele estava engessado?! Cláudio já se levantara,
mancando, e conversava com Edi. Pediu que o massagista lhe fizesse uma bolinha de esparadrapo. Sobre
a bolinha, calçou uma meia. pôs ataduras, uma caneleira e a meia do jogo. Cláudio calça 42. mas sua
chuteira não lhe serviu depois desla operação. Calçou a do goleiro reserva Schneider. número 43, e enlrou
em campo, para espanto dos repórteres e dos jogadores do Grémio.

Anlônio Carlos Verardi. o supervisor do Grémio, eslava há dez minutos na boca do túnel, esperando
para ver a entrada do time do Inter. Anolou mentalmente quem jogaria e desceu correndo para avisar ao
lécnico Sérgio Moacir. Ale então, o meia Torino eslava com a camisa 7 e fora anunciado pela imprensa
como lilular. Ao saber da escalação do adversário, Sérgio Moacir sacou-o do time e colocou o
centromédio Carlos Alberto. Com Carbone, que o Grémio con-

162

A história dos Grenais

tratara, Luís Carlos e Yura, eram quatro no meio-campo. Além do ponteiro-esquerdo Loivo, que recuava e
entrava pelo meio.

Chovia muito. A bola estava pesada, molhada e escorregadia. No primeiro lance de ataque do
Grémio, o ponteiro Loivo tentou cruzar para a área. Loivo era o cobrador oficial de faltas do time devido
à força de seu chute. Cruzou com a costumeira potência, naquele lance. Cláudio percebeu que a jogada
era perigosa, esticou a perna direita e interceptou a bola. Ela bateu no bico da chuteira e o tornozelo
repuxou. O lateral sentiu uma dor intensa, caiu. rolou um pouco, levantou-se e continuou correndo.

O Grémio jogava muito melhor. Dominava o meio-campo. Luís Carlos era o destaque. Aluava com
categoria, prendia a bola na hora certa e distribuía o jogo. De repente, aparecia na frente e chutava com
força. Manga espalmava. pegava quando podia. No final do primeiro tempo, o Grémio acumulava seis
oportunidades de gol. O Inter só se defendia e brigava. Falcão dera um soco em Yura, Figueroa acertara o
rotineiro cotovelaço no rosto de Tarciso. Num lance pela esquerda, Tabajara dividiu com Cláudio e o
lateral do Inter sentiu o tornozelo ferido torcer mais uma vez. A dor queimou-lhe a perna. No intervalo.
Cláudio ficou saltitanto para manter o músculo e os tendões quentes.

O segundo tempo foi uma guerra. O Grémio partiu enlouquecido pua o ataque, mas o Inter se
acalmara. Aos 69 minutos, Carpegianm matou a bofa na meia esquerda, levantou a cabeça, progrediu e
abriu para Lula na ponta-esquer-da. O ponteiro avançou alguns passos e cruzou para a área.
procurando Claudiomiro, que entrara em lugar de Sérgio Lima. Os zagueiros do Grémio haviam treinado
lances semelhantes e quem achou a bola foi Ancheta. O central subiu e cabeceou para o lado, tentando
colocar a bola no bico da grande área. Só que de lá vinha correndo Valdomiro. Ele não deixou a bola
tocar no chão. Emendou como ela veio, de perna direita, com violência. Picasso nem a viu entrar. Era o
gol do título.

Desorientados, os gremistas jogaram-se em bloco à frente. A defesa do Inter suportava. Depois de
um lance duro de Tabajara em Valdomiro. Cláudio jurou vingança. No lance seguinte, entrou no meio do
lateral do Grémio. Que respondeu no finalzinho do jogo, batendo, exatamente. no tornozelo machuca-

163

A história dos GrenaLi

do. Cláudio partiu para cima do adversário. Os dois trocaram tapas. Cláudio caiu, sentindo que não
aguentaria mais. Minelli mandou Valdir aquecer. Cláudio perguntou o tempo de jogo. Faltavam dois
minutos.

— Agora eu vou até o fim — resolveu o lateral.

Foi. O jogo terminou. A torcida do Inter festejava o hexa e os gremistas reclamavam, em coro, do
árbitro Agomar Martins. Tarciso entrou no vestiário gritando:

- Este Agomar é um desmoralizado! Os jogadores do Inter apitaram o jogo o tempo todo! Até
um soco ele me deu! Até um soco! Por que ele não veste logo a camisa do Internacional?!

Ancheta saiu do Beira-Rio chorando. Ficou arrasado por ter cabeceado no pé matador de
Valdomiro. Foi para casa e permaneceu trancafiado por uma semana, comendo pouco e sem falar com
ninguém.

Cláudio foi mancando para o vestiário. O pé estava tão inchado que, ao tentar tirar a chuteira. ele
urrava de dor. Os médicos tiveram que cortar a chuteira, a meia do jogo. a caneleira, as ataduras e a
última meia. Faltava a bo-tinha de esparadrapo. No exato momento em que ela foi rasgada, o tornozelo
de Cláudio explodiu num inchaço que o deixou do tamanho de um mamão papaia preto-azulado. O
lateral passou os 30 dias de férias engessado, com o pé para cima.

Os gremistas não se conformavam. Um deles. Sérgio Luís dos Santos, de 20 anos. não cansava de
falar que seu time jogara muito mais futebol no Grenal, xingava os colorados e dizia que o Inter atuara
como interiorano. Seu interlocutor, o colorado Edmundo Vecchi. não aguentava mais a arenga. Ambos
discutiam no bar do irmão de Edmundo, o Bar Vila Rica. num canto da Vila Jardim. Por volta das 22
horas. Edmundo sacou de um revólver e apontou para o gremista.
- Olha a ignorância! - Gritou Sérgio Luís. Foram suas últimas
palavras. Edmundo desferiu-lhe um tiro na boca e ele morreu na hora. Antes de fugir, Edmundo ainda
desabafou, guardando a arma:

— Não aguento discutir com gremista fanático.

O campeonato de 1975 é que tinha tudo para acabar em morte. O Inter

164

A história dos Grenais

disputava o hepta, o maior título da história do arquiinimigo. O Grémio decidiu contratar um técnico
conhecedor do Gauchão, Enio Andrade, do Esportivo de Bento. Cinco dias antes do Natal de 74, Ênio
entrou no Olímpico assobiando Felicidade, de Lupicínio Rodrigues. Indicou a contratação de dois
meio-campis-tas do Esportivo. O centromédio Cacau marcou sua passagem pelo Grémio por ser um
jogador de incansável movimentação. Perdia de dois a três quilos por jogo, de tanto que corria. O meia
Neca era um cabeceador tão mortal quanto Escurinho. Numa única temporada, Neca assinalou 40
gois, a maioria de cabeça. Em 76, seria convocado para a Seleção Brasileira e faria o seu golzinho num
jogo contra a Argentina.

A maior contratação do Grémio seria o ponteiro-direito Zequinha, egresso do Botafogo. O Grémio
pagou o que não tinha para contar com Zequinha. Mas valeu a pena. Naquele mesmo ano, o ponteiro
driblador, estilo Garrincha, daria à torcida gremista a sua maior alegria em muito, muito tempo.

O Inter manteve em 75 a formação do ano anterior. Teve até uma defecção. O centroavante
Claudiomiro, de quem se dizia que nascera para jogar Grenais, lutava contra um insidioso inimigo: a
gordura. Antes era chamado de Bigorna porque não sentia quando os atacantes adversários batiam.
Agora, o apelido valia pelo excesso de peso. Massas cobertas de molhos vermelhos e substanciosos,
churrascos gordos, cervejas geladas. Claudiomiro não resistia. Comia e bebia tudo com fome idêntica a
que tinha pelos gois que lhe valeram a fama de melhor centroavante do Brasil. O Inter contratou um
psiquiatra para saber porque Claudiomiro era tão voraz, um nutricionista para controlar sua alimentação,
os diretores deram-lhe atenções especiais porque, dizia-se, ele sofria de carência afetiva. Nada adiantou.
Claudiomiro tornava-se, a cada dia. mais parecido com a bola que um dia chutara com tanta precisão.

O técnico Minelli queixava-se à diretoria. Sem um bom centroavante seria muito difícil ganhar
o hepta, afirmava. Em julho, o vice de futebol Frederico Ballvé informou ao treinador que seus
problemas estavam resolvidos.

—Contratei o Flávio — comunicou o dirigente.
—Que Flávio?
- Flávio Bicudo, o Flávio Minuano, aquele que jogava no Inter em 61 e 62.

165
A história dos Grenais

Depois foi para o Fluminense. Agora estava em Portugal.

— Mas ele joga ainda? — Surpreendeu-se Minelli.

A reestréia de Flávio no Inter aconteceu num Grenal, em 13 de julho, no Olímpico. Entrou em campo
meio a contragosto, dizendo-se fora de forma. A primeira vez que sua chuteira vermelha tocou na bola,
aos quatro minutos do primeiro tempo, foi para metê-la no fundo do gol do Grémio.

O lance do gol de Flávio começara pela esquerda, com Lula cruzando para Valdomiro, que dividiu
com o goleiro Picasso, fazendo sobrar a bola para o velho atacante. O segundo gol não tardou. Foi aos 13.
Lula fechou para o meio, o lateral Cláudio Radar foi atrás dele e a bola parou nos pés de Vacaria, aberto
na esquerda. Cláudio correu para impedir o cruzamento e Vacaria lançou Carpegianni, que driblou
Beto Bacamarte e marcou.

O Grémio ainda descontou com um gol contra de Falcão, aos 18. A história, entretanto, foi a
mesma o jogo inteiro. Vacaria, Carpegianni e Lula passaram a tarde triangulando pela esquerda. Quando
Cláudio saía para dar o combate num. a bola ia para outro. O lateral ficou como o "bobinho" do Grenal.
Gritava por ajuda. O ponteiro Zequinha, lá em cima. não voltava. Os zagueiros Beto Bacamarte e Beto
Fuscão (Ancheta estava lesionado) tinham medo de sair da área e deixar Valdomiro, Flávio e Escurinho
sozinhos, esperando, gananciosos para fazer mais gois. Cacau, na frente da área, preocupava-se em não
permitir que Falcão apanhasse o rebote. Foi o inferno de Cláudio, que, no final da tarde, admitiria ter
ficado "tonto" com as triangulações do Colorado.

Terminado o jogo. o conselheiro do Grémio e governador do estado, Sinval Guazzelly. virou-se
para o presidente do Conselho Deliberativo do clube, Pajeú Macedo e Silva, nas cadeiras do Olímpico, e
recomendou:

— Precisamos urgente de um lateral-direito.

Notando que o diálogo estava sendo ouvido por outras pessoas, Macedo e Silva respondeu rápido e
aflito:

— Não vamos nos precipitar, governador, não vamos nos precipitar.

Era tarde. Aquela altura. Cláudio jazia como mais um dos jogadores queimados em Grenal. Na
partida seguinte, o técnico do Grémio pensaria até em testar Beto Fuscão na lateral-direita. Cláudio
Radar, um bom lateral, afinal

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A história dos Grenais

de contas, nunca mais jogou um Grenal.
Fuscão, lento, não aprovou na lateral. O substituto de Cláudio acabou sendo o juvenil Vilson
Cavalo. Cavalo por sua força e resistência equinas. Era sempre o primeiro nas maratonas do Grémio. Ia
ao ataque e voltava para defender com fôlego inesgotável. Exercia funções semelhantes às que os revolu-
cionários alas europeus exerceriam uma década e meia depois. Só era desgraçadamente precipitado.
Vilson ganhava dos marcadores na corrida, voava em direção à linha-de-fundo, levantava a torcida, e, na
cruzada, mandava uma melancia para a bandeirinha de escanteio, do outro lado do campo.

Vilson não foi a única surpresa do Grémio no segundo Grenal do ano, dia 23, uma noite fria e
chuvosa, como usualmente são as noites de julho. Os jogadores entraram no gramado listrado do
Beira-Rio com uma camisa azul celeste. Um azul bem fraquinho, suave como um suspiro. Para vencer
o primeiro turno, o time teria que vencer por três inverossímeis gois de diferença. Caso contrário, o Inter
decidiria com o Caxias, na Serra.

O Grémio estava nesta posição difícil justamente devido a uma derrota para o Caxias, no Estádio
Centenário. Um dia depois, ao lembrar do fracasso na Serra, o zagueiro Ancheta comoveu sua mulher.
Edite, ao irromper num desconsolado choro durante o almoço. Até o Grenal, contudo, o uruguaio já
recuperara a antiga confiança.

Logo no início do clássico os jogadores do Inter perceberam que havia alguma coisa errada. Numa
disputa de bola entre Figueroa e Tarciso, o centroa-vante do Grémio se adiantou e aplicou uma violenta
cotovelada no rosto do zagueiro colorado. Sobressaltado, Figueroa sentiu o gosto dolorido do próprio
veneno.

Aos sete minutos do segundo tempo, Tarciso venceu Figueroa mais uma vez. Justificando o
codinome de Flecha Negra, o atacante passou pelo chileno em velocidade e entregou a bola ao
pequeno ponteiro-esquerdo Nené. que entrou na área e lançou ao outro ponteiro, Zequinha, no lado
oposto. Zequinha chutou fraco, na saída de Manga, e tez l x 0.

Passados 20 minutos, Figueroa erraria novamente. Ao ser pressionado por Tarciso, atrasou para
Manga. A bola parou numa poça d"água. Tarciso a

167

A história dos Grenais

alcançou, chocou-se com o goleiro e ela sobrou para Zequinha marcar de novo: 2 x 0. A torcida do Grémio
não acreditava. Há 18 Grenais que o Inter estava invicto. A última vitória do Grémio fora no distante
1971. Parecia que nunca mais os gremistas sentiriam o prazer da vitória. E agora estava acontecendo. Era
verdade.

Os gremistas duvidaram da verdade e pararam abruptamente de fazer festa nos últimos cinco
minutos. Falcão descontou. Silêncio no lado azul das arquibancadas. Aconteceria tudo novamente? O
Colorado empataria? As dúvidas se evaporaram em direção ao céu escuro e chuvoso dois minutos depois.
Cabeça baixa, olhando a bola, encurvado como um bisonte, Zequinha driblou Vacaria e matou o
Internacional: 3 x 1 . Era verdade. O Grémio venceu.

Ancheta chorava. Saiu de campo só de sunga, o restante do uniforme atirado à torcida. Gritava,
emocionado:

— Foi a camisa celeste uruguaia que me deu sorte!
Puxava os demais jogadores pelo braço e repetia, chorando e rindo: - Viu? Viu?

Naquela noite, foi para a casa de tango Mano a Mano, tocou bandoneón e cantou boleros até o
amanhecer.

A vitória do Grémio acirrou a rivalidade. Os jogadores passaram a trocar provocações pela
imprensa. As provocações tornaram-se insultos. Dos insultos às ameaças foi uma vírgula. Os dois times
chegaram rigorosamente iguais em pontos na decisão do campeonato: '. 3 ganhos em 36 disputados. A
final seria disputada em duas partidas, a primeira no Olímpico, em 6 de agosto.

O Grémio prometia repetir os 3 x 1. O Inter parecia acreditar. Os colorados estavam nervosos no
Olímpico. O jovem Falcão esquecia da bola e partia para a violência. O experiente Carpegianni não agia
diferente. Entrava muitas vezes com maldade nos jogadores do Grémio. Que tinha o seu guerreiro: Yura, o
Passarinho, jogador que o Grémio descobrira no final de 72 no Itapeva, time amador da Zona Norte de
Porto Alegre. Descendente de russos, cabelos negros, lisos, franjados, magro, um espesso bigode a
ornamentar-lhe o rosto anguloso, ele viria a ganhar a torcida pela paixão incondicional à camiseta do
Grémio. Paixão que lhe faria recusar um punhado de cruzeiros, anos depois. Em

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A história dos Grenais

1981, Yura não estava mais no Grémio. Aí aconteceu o impensável: o Internacional o contratou. O
Passarinho pousou no Beira-Rio. assinou contrato e vestiu a camisa vermelha. Assim que o distintivo
colorado caiu-lhe em frente ao coração, o velho guerreiro gremista sentiu-se mal. Foi para casa. na
Vila Educandário, com uma dorzinha no fundo do peito, achando que algo estava errado. Gastou uma
noite pensando, recordando os antigos duelos de inesquecíveis Grenais. E tomou uma decisão: no
dia seguinte, voltou ao Beira-Rio, pediu desculpas ao dirigente do Inter, José Asmuz, e rescindiu o
contrato.

Mais do que jogador e torcedor, Yura tornou-se conselheiro do Grémio. Sentado nas
arquibancadas do Olímpico, assistindo a um Grenal do final dos anos 80, ele viu seu time ser derrotado.
Aceitaria normalmente a denota se. no fim da partida, não testemunhasse a cena chocante: atletas do
Grémio trocando de camisa com os colorados e saindo de campo vestidos com o uniforme do inimigo.
Aquilo não era possível. O Passarinho desceu aos vestiários e, imbuído de uma ira azul, xingou os
jogadores, que o ouviram num silêncio envergonhado:

— Vocês não têm vergonha?! Sair de campo com a camisa deles depois de uma derrota?! E a
torcida? Ninguém aí tem respeito pela torcida?!

Em seu tempo de jogador, Yura não dormia nas noites de véspera de Grenais. Permanecia
acordado na cama, olhando o teto da concentraçac do, planejando formas de marcar a dupla
Falcão-Carpegianni. Pegava no sono só ao amanhecer, com os tocos de quatro carteiras de cigarro no
cinzeiro sob a cama. Na hora do jogo, virava um leão.

Yura sempre entrava em carnpo com o pé direito. Na primeira partida da decisão do Campeonato
Gaúcho de 75, em 6 de agosto, ele se descuidou e entrou com o esquerdo. Apressado, voltou para a
pista e entrou de noi vez com o pé certo.
A correção parece que deu resultado. Yura estava bem no jogo. Aos quatro minutos, Carpegianní o
derrubou. Debochado, o gremista levantou-se, pegou a bola com as mãos e mostrou-a ao adversário. Em
seguida, jogou-a ao solo e caminhou alguns passos. Cobrada a falta, a bola veio exatamente para Yura.
E era exatamente Carpegianni quem o marcava. Yura passou por ele e pelo quarto-

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A história dos Granais

zagueiro Hermfnio. correu pela ponta-direita, driblou Vacaria e cruzou para a área, à meia altura. Quem
apareceu, lépido, foi Nené, que completou para o gol. l x O para o Grémio.

O gol roubou dos colorados o resto de paz que ainda tinham. Falcão fez três faltas consecutivas. Só
parou ao ser advertido pelo árbitro José Luiz Barreto. Aos 15, Carpegianni, encerrou seu duelo com Yura
acertando-lhe um pontapé abaixo do joelho direito. O meia do Grémio teve que ser substituído por Luís
Freire. Yura ficaria fora até do Grenal seguinte, a decisão no Beira-Rio. A agitação do Passarinho fez falta.
Falcão se acalmou. Carpegianni comandou o meio-campo e o Inter passou a dominar. Aos 15 do segundo
tempo, Figueroa aproveitou uma bola cruzada e acertou no ângulo de Picasso. O empate levava a decisão
para o Beira-Rio.

Uma outra empolgante decisão aconteceria no estado naquele domingo, 10 de agosto. Ao Norte,
próximo a Passo Fundo, a população de Não-Me-Toque, diria, num plebiscito, se o nome da cidade
continuaria a ser o mesmo ou se passaria a ser Campo Real. A polémica do nome da cidade virou notícia
nacional, transmitida pelo programa Fantástico, da Rede Globo. Os partidários de Campo Real
queixavam-se das gozações de moradores de outros municípios. Um deles contou, consternado, que. ao
voltar para o seu carro, emplacado em Não-Me-Toque, estacionado numa cidade da região, encontrou um
cartaz no pára-brisa: "Toco Sim".

No Beira-Rio e no Olímpico, a tensão era compreensivelmente maior do que em Não-Me-Toque.
Tarciso. centroavante de boas atuações e poucos gois, só falava que desta vez queria jogar mal e fazer um
gol. Ancheta confiava na sorte da camisa celeste olímpica. O Inter confiava na proteção do sobrenatural.

Há muito tempo uma mãe de santo do Partenon era a capita espiritual do clube. Na quinta-feira. ela
telefonou para o seu intermediário no Beira-Rio, o preparador físico Gilberto Tim. e mandou chamar
Figueroa e Falcão à sua casa. Tim os levou. Lá, fez o que definiu de 'um recarrego". No sábado, ela foi à con-
centração, como de hábito, deu passe em todos os jogadores e promoveu a limpeza do estádio. Quatro
anos depois, ela chamaria o meio-campista Falcão à sua casa, antes de uma partida contra o Palmeiras, em
São Paulo, e profetizaria:

170

A história dos Grenais

— Guri, tu vais fazer o maior jogo da tua vida.

Naquela noite. Falcão se consagraria como o maior armador do futebol brasileiro.
O massagista Moura também estava a postos com suas defesas espirituais. Em todas as
partidas do Internacional, sem exceção. os jogadores entravam em campo tresandando a alfazema,
um dos ingredientes do perfume com o qual Moura banhava as camisetas da equipe. Perfume,
evidentemente, adquirido nas boas casas de umbanda da Capital. Um dos mais benzidos por Moura era
o artilheiro Escurinho. Quando o atacante preparava-se para se levantar do banco de reservas, a fim de
entrar em campo, geralmente no final do segundo tempo, o massagista tirava o vidrinho com o líquido
verde da sacola e embebia generosamente o distintivo da sua camiseta. Num jogo do Gauchão, ao farejar o
perfume dos colorados, um adversário comentou, ao alcance dos ouvidos de Frederico Ballvé:

— Time bobo, esse. Eles jogam todos cheirosos.

Na concentração, jogadores, técnicos e funcionários dormiam nos mesmos quartos e sentavam nos
mesmos lugares à mesa. Tudo fazia parte do esquema e o esquema não podia ser alterado. Do outro lado,
Ancheta fez, no sábado, o que fazia em todos os sábados véspera de jogo: cortou meticulosamente as
unhas dos pés.

Estádio cheio, metade vermelho, metade azul. As duas torcidas disputavam um Grenal de gritos
de guerra:

- Colorado! Colorado! — ecoava o coro do Inter, compassado por assobios.

— Grêêêêêêêêêêmioooo! — respondiam os gremistas, à moda dos torcedores da Holanda.

No vestiário do Inter, os jogadores se reuniram em círculo, abraçaram-se. Subitamente, juntaram-se
num urro a plenos pulmões, comandado por Figueroa:

- Uaaah! Uaaaaaah! Uaaaaaaaaaaaah!

Figueroa foi para o centro do círculo e os jogadores o imitaram, sempre gritando com raiva,
emocionados, as cabeças quase se tocando.

- Vamos lá! Força! — Determinou o capitão colorado.

171

A história dos Grenais

E o Inter entrou em campo.

A decisão foi truncada. Um jogo feio. O Grémio recuado, defensivo. O Inter estudando o
adversário. Aos 14 minutos, o melhor lance: Tarciso chutou forte e Manga defendeu. Aos 30
minutos, Cláudio Duarte se lesionou. Tenso no banco de reservas, vendo que não dispunha de um
substituto para o seu lateral, Minelli mandou Borjão, o irmão de Carpegianni. para o aquecimento.
Foi então que alguém assoprou:

— O Batista já jogou de lateral!

Minelli olhou para o centromédio dos juniores, hesitou um pouco e decidiu:

- Vai, menino.
O técnico jamais descobriu quem lhe deu a sugestão, nem se era verdade a informação de
que, um dia, Batista fora lateral, mas aquela foi uma de suas mais acertadas deliberações. Batista
acabou como um dos melhores em campo e, a partir do Grenal, passou a ser encarado como o
sucessor de Carpegianni.

No final do segundo tempo. Tarciso escapou outra vez com a bola, ia entrar na área e
Figueroa. correndo ao lado. olhou para o rosto do atacante, fez pontaria e assestou-lhe um
cotovelaço no olho esquerdo.

A decisão foi para a prorrogação de meia hora.

O Inter jogava com personalidade. Segurava a bola no meio-campo e saía em velocidade para
o ataque. Faltando 30 segundos para o encerramento da primeira etapa da prorrogação. Batista
avançou decidido pela direita, na intermediária do Grémio. Tabajara saiu para marcá-lo e ele
levantou-a para o ponteiro Valdomiro. O lateral do Grémio ficou indeciso. Valdomiro aproveitou
para lhe dar uma meia-lua. correr até a linha-de-fundo e cruzar para o meio. Pavor na área do
Grémio. A bola veio forte, à meia-altura. Ancheta tentou rebater, mas ela voltou-se contra seu
próprio gol e encontrou o peito de Picasso. Voltou para a marca do pênalti, onde estava Flávio. O
velho centroavante estava de costas para o gol, olhando para a direita do campo. Girou o corpo e seu
pé encontrou a bola. Mandou-a para a rede. Inter heptacampeão.

Em meio à festa dos colorados e desespero dos gremistas, o lateral Tabajara foi o último
a deixar o campo. Caminhou lentamente até a boca do

172

A história dos Grenals

vestiário, com uma bola sob o braço direito. Na soleira da porta, fez uma embaixada e comentou,
com um sorriso que se diria de ironia: — Um a zero.

Estas sete letras foram suficientes para Tabajara ser quase que expulso do Grémio. Sua atitude de
desdém pela derrota foi interpretada como sinal de co-loradismo, corpo mole ou venalidade. Isso somado
ao drible que tomara de Valdomiro resultou numa revoltada desconfiança dos dirigentes. No meio da
semana, o passe de Tabajara seria colocado à venda.

O heptacampeonato embalou o Inter de tal forma que nem o restante do país lhe resistiu. No
Campeonato Brasileiro, os adversários tremiam ao ver a camisa cor de sangue, ao ouvir o assustador
grito de guerra dos colorados no Beira-Rio. O Internacional foi passando por cima de todos, até
encontrar-se, em 14 de dezembro, com o Cruzeiro de Minas. Era outro timão: Raul, Nelinho, Piazza, Zé
Carlos, Palhinha, Joãozinho. Apesar de ser dezembro, a tarde estava escura. O sol só apareceu uma vez
naquele dia. Foi aos 11 minutos do segundo tempo. Um esguicho de luz furou o bolo de nuvens cinzas e
iluminou a cabeça de Figueroa no exato momento em que ela se encontrou com a bola, lá em cima, mais
alto do que podiam alcançar os perplexos zagueiros do Cruzeiro. O único raio de sol do dia talvez tenha
ajudado a empurrar a bola para o fundo da rede e seja co-responsável pela primeira estrela de Campeão
do Brasil na camisa vermelha do Internacional.

No Olímpico, tudo era dor e ranger de dentes. A moderna taça de campeão brasileiro do Inter,
feita com 42 esferas de metal, caiu como um cofre na cabeça dos gremistas. Doía demais. Algo devia ser
feito com premência. Algo revolucionário e inesperado. Foi inesperado mesmo: ninguém menos que
Osvaldo Rolla, o legendário Foguinho, foi contratado como técnico.

Acostumado a uma época mais romântica do futebol, Foguinho não se adaptou ao novo
comportamento dos atletas. Os jogadores, da mesma maneira. estranharam as atitudes do treinador. De
manhã cedo. no início dos treinamentos, Foguinho exigia que todos se perfilassem e entoassem o hino
do clube. Repetindo um exercício que criara nos anos 60. mandava que eles subissem e descessem as
escadarias do Olímpico correndo. Não durou muito tempo. Ao

173

A história dos Grenais

sair, no entanto, elaborou um relatório que continha algumas instruções impressionantes.

Ele queria o centroavante Tarciso na ponta-direita e foi nesta posição que o Flecha Negra se destacou
no ano seguinte, terminando na Seleção Brasileira. O lateral-esquerdo Bolívar, sucessor do desterrado
Tabajara, deveria passar para a quarta-zaga, para onde o jogador realmente foi, anos depois, atuando em São
Paulo. Recomendou a contratação de um meia do Flamengo, Tadeu Ricci, que não veio naquele ano, mas
faria sucesso no Grémio em 77. Revelou o centromé-dio Jerônimo, apelidado pelo locutor Haroldo de Souza
de O Herói do Sertão.

Foguinho, com certeza lembrando de uma frase proferida pelo patrono Fernando Kroeff em 1961,
saiu afirmando ser "uma página virada no futebol". Em seu lugar entrou o técnico dos juniores, Paulo
Lumumba. Enquanto isso, os diretores reuniram todas as forças e reservas financeiras existentes e partiram
para formar um supertime. Para o gol, Cejas, o argentino que defendera o Santos de Pele. O Inter tinha um
gaguinho viril na lateral-direita? Pois o Grémio arranjou o seu, Eurico, vindo do Palmeiras. Para a
meia-esquerda, o rebelde Alexandre Tubarão. O ataque precisava ser arrasador. Havia Zequinha, o herói dos
3 x 1. A ele somaram-se um goleador do Remo. de Belém do Pará, que tinha dois metros de altura: o
assustador Alcino. E um ponteiro-esquerdo tão habilidoso quanto Lula, o pequenino Ortiz. que em 78 se
sagraria Campeão do Mundo pela Argentina.

- Tremei, colorados!, bradavam os sorridentes gremistas na rua da Praia.

Os primeiros 18 jogos indicaram que os gremistas estavam cobertos de razão. O Grémio venceu todos e
chegou à decisão do primeiro turno, contra o Inter, com dois pontos de vantagem. Que se foram no primeiro
Grenal, a 25 de julho, com 2 x 0 para o Colorado, gois de Figueroa e Carpegianni. Três dias depois, no
Olímpico, o Grémio deu a resposta. O ponteiro-esquerdo Ortiz re-cuou e deu espaço para Cláudio subir. Às suas
costas caiu Tarciso. usando sua velocidade sobre Figueroa, igual ao que fizera o ponteiro-esquerdo
Joãozinho, em março, num inesquecível 5 x 4 do Cruzeiro sobre o Inter no Mineirão. Foi Tarciso quem cruzou
para Ancheta marcar o segundo gol do Grémio no 2 x O que lhe deu um ponto extra.

174

A história dos Grenais

Como em 75, o Inter começara o ano sem o centroavante ideal. Possuía o pernambucano Ramón,
que, apesar de assinalar seus gois. não era o atacante adequado ao Gauchão, no entender dos
dirigentes. Ballvé. eleito presidente, resolveu arriscar num folclórico, Dario, o Peito de Aço. Meses antes,
o cronista gremista Paulo SanfAna escrevera uma coluna sob o título de Dario. O texto da coluna se
limitava a isso: Dario. A palavra Dario escrita de cima a baixo, da primeira à última linha. SanfAna pedia
comoventemente a contratação do centroavante do Sport Recife à direção do Grémio. E quem
buscou-o foi a do Internacional, trocado por Ramón mais Cr$ l milhão. Dario era um frasista
incomparável. "Com Dada em campo, não há placar em branco". "Só três coisas param no ar: o helicóptero,
o beija-flor e o Dada". "Se você tem a problemática. Dada é a solucionática". Ao desembarcar no
Salgado Filho, sabendo que estrearia contra o Esportivo de Bento Gonçalves, Dario prometeu:

— Vou fazer o gol ítalo-brasileiro.
E fez.

Excesso de modéstia também não era um defeito de Jair, ex-júnior do Internacional. Aceitara com
alegria o apelido de Príncipe Jajá. dado por Dario ("O Inter tem o Rei Dada e o Príncipe Jajá", propagava
o centroavante). E Jair era mesmo bom de bola. Vez em quando, perguntava a um amigo, após alguma
boa apresentação:

— E aí, o que tu achou do Jérrr? — Assim mesmo, com três erres.
- Quê Jérrr?

-Eu.

Gostava da pronúncia francesa.

O time do Inter era tão bom em 76 que Jair acabou na reserva. Ao seu lado, no banco, sentavam
outros dois craques que iluminariam qualquer meio de campo do planeta: Batista e Escurinho. É que, além
dos excepcionais Falcão e Carpegianni, a meia-cancha colorada contava, agora, com um centromédio
peso-pesado: Caçapava. Driblá-lo parecia impossível. Era um mastodonte enraivecido diante da área.
Um dia Figueroa declarou:

— Com o Caçapava na minha frente eu jogo até os 45 anos.

Sob o largo tórax de Caçapava pulsava um coração eminentemente co-

775

A história dos Grenais

lorado. Em 79, já aluando no Corinthians. ele visitou o vestiário do Inter, que jogaria contra o Palmeiras.
Contagiado com o antigo clima do clube, vestiu todo o uniforme vermelho, ouviu, atento, à preleção de
Ênio Andrade, participou de todo o duríssimo aquecimento comandado por Gilberto Tim e entrou em
campo espiritualmente.

Era esse homem que Figueroa tinha à frente, em 76. Ao lado, ele contava com ninguém menos do
que Marinho Perez. o melhor quarto-zagueiro do Brasil, que fez dupla com Luis Pereira na Copa de 74.

Mesmo assim, o Inter penava para ganhar o octa. O Grémio vencera o primeiro turno e, na
decisão do segundo, a 18 de agosto, uma noite de quarta-feira no Olímpico, o Colorado somava um
solitário pontinho de vantagem, o que lhe permitiria empatar o jogo. Mas tinha um problemão a
resolver: o goleiro Manga quebrara — de novo — um dedo.
Antes da partida, o patrono do Grémio. Fernando Kroeff, entrou no vestiário e prometeu:

- Se o Grémio ganhar, dou um Fiat novo, desses que vão ser lançados agora, para cada um de
vov. í

Os jogadores se entreolharam, contentes. Em campo, atiraram-se ao gol do Internacional.
Guarnecido por Manga e seu dedo fraturado. O goleiro não impediu que, aos 35. Tarciso abrisse o placar.
O Grémio prosseguiu atacando no primeiro tempo. No segundo, o Inter equilibrou as ações. Mas não
dava a impressão de ter forças para reagir.

A torcida gremista começou a cantar nas arquibancadas. A do Inter olhava para o banco de
reservas, ansiosa. Queria uma reação do técnico. Sentindo o desespero dos rivais, os gremistas ensaiaram
um coro debochado:

— Escurinho! Escurinho!

Do banco do Inter. como se estivesse atendendo ao pedido irónico dos adversários, saltou, mesmo.
Escurinho. Faltavam 15 minutos para o fim do jogo. A torcida do Inter bradou seu grito de guerra: —
Colorado! Colorado!

A do Grémio encolheu-se nas arquibancadas.

O Inter passou a dominar e a pressionar irresistivelmente, A defesa do

176

A história dos Grenais

Grémio se defendia como podia. Escurinho, correndo de um lado a outro do campo, falava com a bola:

— Vem pra mim. bola! Vem pra mim, bolinha!

No último minuto do segundo tempo, o Internacional conseguiu um escanteio. Jair, que entrara em
lugar de Valdomiro, correu para cobrar. O árbitro Luiz Torres avisou:

— Só vou deixar ele cobrar e termino o jogo.

Na área do Grémio, Yura gritou a Cejas:

— Marca o Escurinho!

Escurinho continuava a pedir, baixinho:

- Vem pra mim. bola! Vem pra mim!

Como uma amante fiel, ela obedeceu. Caiu na testa do atacante, que subiu sozinho na pequena área
do Grémio. Com o empate, o Inter levou o ponto extra do segundo turno.

No vestiário gremista, os jogadores só pensavam nos Fiats perdidos. O irascível Yura foi atrás do
goleiro Cejas. Encontrou-o no banho de imersão. Furibundo, o Passarinho ralhou:

- Tu ainda quer tomar banhozinho depois dessa, gringo?! Por que tu não
marcaste o Escurinho? Pra mim tu tá é vendido!
Cejas arregalou os olhos e levantou seus quase dois metros de altura da banheira, músculos retesados,
pronto para partir o magrinho Yura ao meio. Yura percebeu que falara bobagem. Por sorte sua, Cejas
escorregou na espuma e caiu, dando tempo aos demais jogadores para que lhe segurassem e impedissem o
massacre.

As coisas ficaram fáceis para o Internacional. Na decisão, no dia 22. fez 2 x O e podia ter goleado.
Lula e Dario marcaram. As caras contratações do Grémio eram contestadas. Os dois metros de altura de
Alcino, gozavam os colorados, só serviam para trocar as lâmpadas da concentração. O argentino Ortiz foi
tachado de ciscador. Técnico e dirigentes pediam que o baixinho ajudasse na marcação e ele se
insubordinava. Durante os Grenais. queixava-se para o próprio marcador, Cláudio Duarte:

— Tu vês, Cláudio, querem que eu te acompanhe!

177

A história dos Grenais

- Não dá bola — brincava Cláudio. — Fica por aí mesmo que eu só vou
lá dar uma cruzadinha e já volto.

No Grenal válido pelo campeonato brasileiro, a superioridade inclusive de personalidade do
Internacional ficou ainda mais flagrante. O Grémio saiu ganhando, com Alexandre Tubarão fazendo l x O
aos cinco do segundo tempo. Foi o que motivou a reação do poderoso time colorado. Alexandre estava
comemorando o gol, na lateral do campo, e correram no seu encalço o centroa-vante Dario. o meia
Carpegianni e o zagueiro Figueroa.

- É assim que vocês querem, é? Então vão levar pau. Vão apanhar!

O time do Grémio encolheu-se miseravelmente e o Inter fez 3 x l. A vantagem sobre o eterno rival
chegara ao ponto mais alto. O Inter saiu de Porto Alegre e seguiu patrolando os adversários, entre eles
a "super-máquina" do Fluminense de Rivelino e Paulo César Caju, e botou a faixa de bicampeão
brasileiro no peito.

O Inter alcançara o topo. E, do topo, o próximo caminho só podia ser lomba abaixo, como se veria
em 1977.

178

A história dos Grenais

Tempos modernos
C arlos André exibia-se para os turistas que circulavam nas areias da Ponta da Barra e da
Gamboa, dando cambalhotas perfeitas. O impulso, o giro do corpo no ar, o cair com os dois pés
juntos e firmes. Dona Rosália, a mãe, não gostava quando o guri ficava até o escurecer fazendo
tais palhaçadas naquelas praias sujas, próximas ao centro da cidade. Preocupava-se. Não que a
Salvador daquele início de anos 60 fosse violenta ou perigosa, mas... mãe é mãe. De qualquer forma Carlos
André ligava pouco para aquela fisionomia carrancuda e só retornava para casa, na Politerma, quando já
estava exausto de tantos mergulhos e tantas cambalhotas. Atirava -se no sofá. pernas cansadas
para cima, e no minuto seguinte já estava pensando nas brincadeiras do dia de amanhã, nas peladas na
areia. E como gostava de jogar bola.

Na tarde de 25 de setembro de 1977, quase duas décadas depois, a cambalhota de André falhou.
Não desaprendera, apenas fora invadido de tal forma pela emoção após marcar o gol no Inter, aos 42
minutos do primeiro tempo do Grenal decisivo do campeonato gaúcho, que descontrolou-se. As ordens
emitidas pelo cérebro foram desconexas, os membros inferiores vacilaram e ele esborrachou-se com a
cara no chão. A cara, a barriga e o saco. Arada hoje, circulando num dos cinco táxis de sua propriedade,
em Salvador, André lembra a dor no saco. Dor forte.

— Eu fiquei tão emocionado naquela tarde que não sabia como expres-

179

A história dos G renais

sar. Pensei em dar o salto mortal, desisti, mas já estava no ar quando voltei atrás. Era tarde. Me
machuquei todo.

O descontrole emocional de André justificava-se. Com aquele gol o Grémio derrotava o Inter e
acabava com a mais longa série de títulos de um clube gaúcho (oito anos consecutivos). Acabava
também com o sofrimento do povo Tricolor e exorcisava o fantasma vermelho que desde o final da
década de 60 atormentava os dias e as noites de todos os gremistas. O menino da Gamboa conquistava o
Sul. Carlos André, o filho rebelde da Dona Rosália, transformara-se no temível André Catimba. Apelido
perfeito, criado pelo narrador da Rádio Gaúcha, Haroldo de Souza, durante o Grenal de agosto daquele
ano (2 x l para os tricolores), no momento em que André enrolava a bola entre suas pernas próximo à
bandeira de escanteio, escondia, fazia o tempo passar, cercado por enlouquecidos colorados que
chutavam seus calcanhares sem conseguir roubá-la.

Naquele dia de glória em que foi vencido o campeonato de 77 (embora os colorados ainda
passassem dias falando em anular a conquista, pois antes do apito final do árbitro Luis Torres a torcida
invadiu o gramado e antecipou o fim da competição). André foi o último jogador a deixar o estádio. No
vestiário, entre centenas de cumprimentos e apertos de mão, ficara especialmente emocionado com o
abraço de um velho amigo de Salvador, parceiro do grupo carnavalesco Bloco dos Corujas. Gilberto Gil.
Cabelos encaracolados no estilo rastafari. camiseta multicolorida. alpargatas. olhos vermelhos de tanto
chorar acompanhando o desabafo do povo Tricolor. Gil falou alto, em meio a algazarra:

- Já estava na hora. não é? Tomara que agora o Grémio ganhe por dez anos consecutivos.

Os jogadores e torcedores não estavam nada preocupados com o futuro, ou com a possibildade de
acumular campeonatos. Nada era mais importante que o presente, que aquela noite de setembro na qual
expurgavam a dor de toda uma década. A dor de André, ao contrário, permanecia entranhada,
manifestando-se através de ferroadas na região do corpo que compreendia a parte superior da coxa
esquerda, a virilha e o saco. Momentaneamente rengo, dirigiu-se para seu

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A história dos Grenais

apartamento que ficava ali na Érico Veríssimo, em frente ao estádio, chamou os filhos (Andréa. Cláudio
André e Ana Paula), convocou a esposa Rita para ser a motorista e saiu a passear. Queria ver de perto a festa
que seu chute de pé direito no ângulo superior direito do goleiro Benitez, proporcionara a todos os azuis que
habitavam Porto Alegre. A Porto Alegre pela qual se apaixonara em menos de um ano de convivência.

Nos bares próximos à entrada do Largo dos Campeões, os alegres integrantes da torcida organizada
Coligay destacavam- se em meio a balbúrdia gremista. Vestiam largas batas, letras enormes na frente,
formando o nome do clube. Homossexuais assumidos. Na véspera do jogo haviam se reunido nas esquinas
da João Pessoa com Venâncio Aires e realizado o Pedágio da Vitória, arrecadando grana para o carnaval da
conquista. Estavam certos que a hora do título chegara. Ninguém agitara tanto as arquibancadas naquela
temporada como eles. Eram presididos por Volmar Santos, gerente da boite Coliseu, local onde os gays da
capital dos Pampas faziam as festas mais descontraídas da noite gaúcha. Mas não tinham a simpatia das
demais torcidas organizadas do clube, não tinham apoio financeiro da diretoria, e apesar de toda sua paixão
pelo clube, a Coligay teve vida curta, sucumbindo diante do deboche e do preconceito.

André foi o principal herói dos homos e heteros gremistas, mas haviam outros, claro que haviam. O
zagueiro Oberdan, o meia Tadeu Ricci, os laterais Eurico e Ladinho, todos jogadores experientes, escolhidos
a dedo pelo disci-plinador técnico Telê Santana.

Oberdan foi o maior achado de Telê. Ex-jogador do Santos e do Coritiba. já havia abandonado o
futebol e recolhido-se em Santa Catarina disposto a dedicar-se à fabricação de mel, quando o técnico
recomendou sua contratação. Na chegada a Porto Alegre, fez a primeira e talvez mais importante frase de
efeito do ano:

— O Escurinho nunca mais vai cabecear dentro da área gremista.

E não cabeceou mesmo. Oberdan Vilaim, um senhor aposentando. 32 anos, eliminava com aquela
frase e ombros, que usava como escudos, a mais perigosa jogada dos octacampeões gaúchos. Um líder nato.
Na fase inicial do campeonato daquele ano, o zagueiro marcou um gol contra, num jogo com o

181

A história dos Grenais

Ypiranga de Erechim, mas depois atirou-se ao ataque como um tanque e fez outros dois gois a favor,
virando o jogo. No dia 7 de setembro, às vésperas da série de Grenais decisivos, estava machucado mas
precisava jogar para levar o terceiro cartão amarelo e limpar sua ficha. Telê escalou-o então como
centroa-vante. Mais do que levar o cartão. Oberdan fez o gol da vitória contra o Pelotas antes de ser
substituído. E no clássico decisivo do segundo turno, bateu tanto nos atacantes colorados que o zagueiro
do Inter, Marinho Perez, dirigiu-se a ele irritado, dedo em riste, aos berros. Oberdan sorriu, esticou a mão,
pegou o dedo do adversário e balançou-o como num formal cumprimento. Era o capitão que os tricolores
sonhavam. Para muitos, o equivalente ao que Figueroa fora para o Inter. comparação que até hoje, com
bom humor, Oberdan rejeita: - Nunca cheguei aos pés do Figueroa.

Além de Figueroa, o Inter já perdera naquele ano outros craques que haviam feito a glória do
clube nos anos 70. Paulo César Carpeggiani, Lula e, às vésperas da decisão, o goleiro Manga.
Desmontara-se o melhor time vermelho de todos os tempos. O lateral Cláudio Duarte após muita
insistência, desistira de lutar contra a incurável lesão nos ligamentos do joelho e era mais um a aban-
donar a equipe. Transformaria-se em treinador e, no ano seguinte, estaria comandando o Inter na
busca da recuperação do título regional. Antes, porém, ainda em 77. o Grémio de Oberdan, Tadeu Ricci e
André, faria o grande rival passar por uma de suas maiores humilhações.

O clássico era válido pelo campeonato brasileiro, dia 6 de novembro, 30 mil torcedores no estádio.
O Inter estreava em Grenais um reluzente terno novo. Todo vermelho. Meias, calções, camisetas, tudo cor
de sangue. Belíssimo. Ao entrar no gramado, o meio-campo Yura olhou para o grupo de adversários que
saudava a torcida, virou-se para André Catimba e disse:

— Que coisa linda o uniforme deles.

Foi a primeira e última vez que os gremistas tiveram a oportunidade de ver aquela "lindeza". Após 90
minutos de um Grenal completamente desigual — 4 x 0 para o Tricolor que vestia o tradicional terno
azul, preto e branco — o novo uniforme colorado foi ensacado, lavado, e jogado em algum canto
do estádio que ninguém sabe explicar bem onde é.

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A história dos Grenais

— Depois daquela goleada, nunca mais se viu aquele uniforme. Nem se fala mais nele aqui
dentro — informa o roupeiro do Beira-Rio. Gentil dos Passos, 37 anos, 20 deles vividos dentro do clube.

Mas que era bonito, isso era. E foi o próprio Yura. que tanto se impressionara com ele, o principal
responsável pelo seu extermínio. Ele fez o primeiro gol daquela tarde dominical. Um gol construído ao
acaso...

— Eu havia dado uma porrada no Caçapava, bandido como sempre fui, e os jogadores do Inter
prometeram vingança no primeiro lance em que eu pegasse a bola. Aí o Tarciso dividiu com o
lateral deles, o Dionísio, e a bola sobrou para mim. Quando vi que quatro colorados correram para me
demolir, me livrei dela como pude, dei um balão em direção à área deles, para não me incomodar.

E a bola chutada lá do meio-campo subiu, subiu, fez a curva descendente já na grande área do Inter
e embora aparentemente de fácil defesa, passou entre as mãos do paraguaioBenitez e entrou. Um dos
gois mais esquisitos vistos em Grenais.

- O vento empurrou a bola para dentro — explicou depois José de La Cruz Benitez Santacruz, o
excelente goleiro do Inter, sem sensibilizar os dirigentes, que determinaram seu afastamento do time e
dois meses depois o emprestaram ao Palmeiras.

Yura fez outro gol. e Tadeu Ricci e Tarciso completaram o placar. Yura, físico esquelético, vivia
naquele final de ano, finalmente, uma fase de entrosa-mento com os torcedores gremistas. Jogador do
Grémio desde 1972, vítima por cinco temporadas da máquina colorada, em 1977 ele finalmente deixava
de ouvir vaias e passava a viver a estranha experiência de ser aplaudido. Sua redenção tem data e até
minuto bem definido: foi na tarde de 14 de agosto, aos 14 segundos do Grenal decisivo do segundo turno.

— O juiz apitou, o André passou para mim, atrasei para o Tadeu Ricci. este abriu para o Éder,
que cruzou para a área. O André abriu as pernas e eu. que vinha correndo desde o meio-campo entrei
na corrida e encobri o Manga. Eu, tão criticado pela minha torcida, entrava para a história por fazer o gol
mais rápido da história dos clássicos.

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A história dos Grenais

Yura não era nenhum exemplo de técnica apurada, mas tinha uma gana incomum. Para
ele, mais do que para qualquer outro, Grenal era sinónimo de guerra. O próprio credita tal
ímpeto ao sangue russo que corre em suas veias. Yura Titow, que era para ter sido registrado
como Yuri (o que não aconteceu porque o cartório de registros de Porto Alegre recusou-se a
fazê-lo), é filho do casal Simon e Anna, que na fuga da Segunda Guerra, atravessou meio-mundo,
parando num país ou noutro apenas o tempo suficiente para fazer filhos. Valentina nasceu
na Alemanha, Valerio na Itália, Yura e Vitor no Brasil.

Mas naquele 1977 a família Titow nem pensava mais na Guerra, nos campos de
concentração ou nas torturas nazistas das quais haviam escapado. Apenas festejavam o
sucesso do filho. Agora, a tortura sobre a qual ouviam falar era a da ditadura militar,
imposta a milhares de brasileiros. Naquele novembro, enquanto Yura curtia o sucesso
consequente de sua destacada atua-ção no Grenal dos 4 x O, o Supremo Tribunal Militar
mandava apurar, oficialmente, denúncias de maus tratos que chegavam de todos os lados. Nada
que resultasse em detenção ou penas aos culpados. A impunidade já campeava solta pelo s
tribunais naquela época.

A garra de Yura serviu de exemplo para o Inter, que retomaria o título gaúcho em 1978.
Como não havia mais um supertime e o equilíbrio predominava nos clássicos, era hora de inserir
uma boa dose de força à equipe. O resultado foi um campeonato estadual disputado com
heroísmo incomum e acentuada violência. Nada menos do que nove vezes gremistas e colorados
se enfrentaram. Na segunda delas o zagueiro do Inter, o uruguaio Salomon, saiu de campo ainda
no primeiro tempo, perna fraturada em consequência de uma solada recebida do centroavante
Everaldo. Um lance que acirrou os ânimos e deixou todos os personagens da eterna guerra
especialmente tensos naquele ano.

Nos dois Grenais decisivos, mesmo nos segundos que antecederam o apito final do
árbitro, era impossível precisar quem sairia vencedor. O primeiro foi no Beira-Rio. Que jogo. O
centroavante do Inter, Adilson, fez dois gois e impôs, nos minutos iniciais, a impresão de que o
título se confirmaria naquela noite de quarta-feira. Os vermelhos faziam festa no seu Beira-Rio.
Os azuis só não se entregavam porque viam, sozinho lá na frente, brigando de forma aluei -

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A história dos Grenais

nada com os zagueiros adversários. André Catimba. Ainda no primeiro tempo. Catimba fez o passe para
Yura descontar e reanimar os tricolores. Depois, numa dividida com o zagueiro Larry, o centroavante
gremista machucou-o e tirou-o de campo. Na sequência, já no segundo tempo, cavou um pênalti — os
colorados garantem que inexistente, mas assinalado pelo árbitro Rui Canedo — e Eder cobrou com
perfeição, empatando o jogo. E para completar seu desempenho naquela noite quente, já tendo recebido o
cartão amarelo que o afastava da decisão do domingo seguinte, André atracou-se a socos com o jovem
zagueiro André Luís, do Inter e ambos foram expulsos.

— O Telê Santana pediu que eu tirasse um zagueiro do Inter da final. Fiz
mais, tirei os dois — lembra o atacante.

O empate após ter largado com 2 x O no placar instalou o desânimo no Beira-Río. Ainda mais que o
time perdera seus dois titulares de defesa e na falta de opções o técnico Cláudio Duarte pediu ao seu
preparador físico. Reinaldo Salomão, que buscasse em casa Beliato, já afastado do grupo, malas
prontas para voltar ao Nordeste (após ter sido considerado dispensável).

Não bastasse tudo isso. o volante Caçapava torceu o tornozelo no sábado, véspera do Grenal e,
avesso a injeções, recusava-se a fazer a infiltração, única forma de recuperar-se a tempo.

— Negrão cagão! — cutucava o preparador Reinaldo Salomão, tentando mexer com os brios do
jogador. E nada.

Cláudio Duarte já estava em pânico. Durante a noite, na concentração, novas tentativas de
dobrar Caçapava, mas o volante sequer falava. Mudo. emburrado. Só na manhã de domingo, horas
antes do jogo, Caçapava resolveu abrir a boca:

— É o seguinte, Salomão: eu não vou fazer essa tal infiltração porque um repórter (Larte de
Francheschi) me disse ontem que o Claudião me chamou de pipoqueiro.

Salomão foi correndo até o treinador, falou sobre o desabafo de Caçapava, ambos voltaram
ao quarto do jogador. Cláudio jurou que era um maJ-entendido, que jamais diria uma mentira daquelas,
implorou, e convenceu. Caçapava tomou a infiltração e decidiu jogar.

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A história dos Grenais

O reforço do volante não chegou a reanimar por completo o grupo. Na hora do embarque no
ônibus que os levaria ao estádio Olímpico, os jogadores andavam cabisbaixos e silenciosos pelo pátio do
Beira-Rio.

— Tão tudo cagado — diagnosticou o vice-presidente de futebol, Gilberto Medeiros.

Salomão teve então a ideia de melhorar o astral. Buscou os instrumentos da charanga e a turma se
assanhou. André Luís, que nem jogaria, pegou a caxe-ta, Beliato gritou que era o "rei da surda" e começou
a batucar, o lateral Hermes cantava. E quando o ônibus dos colorados chegou ao estádio Olímpico, a
turma desceu fazendo enorme carnaval.
— Ih! Desse time aí nós não ganhamos — prognosticou o segurança do Grémio, Bororó, inspetor
de polícia e presidente do grupo carnavalesco Os Bororós.

E o Grémio não ganhou mesmo. Deu Inter, 2 x 1 . Valdomiro fez aos cinco minutos do segundo
tempo, Tarciso empatou aos 34 (quando Caçapava, gemendo de dor, já deixara o gramado substituído por
Roberto), e novamente Valdomiro, aos 41, fez o gol da vitória, de cabeça, aproveitando cruzamento de
Jair. No lance, o goleiro uruguaio Corbo chocou com o zagueiro Vicente e machucou-se com gravidade,
sendo obrigado a deixar o gramado naquele instante. Desceu o túnel, rumo ao vestiário, na maca e
ouvindo sua própria torcida chamando-o de "frangueiro". Nunca mais jogaria no Grémio. Seu substituto,
na temporada seguinte, seria o ex-herói do Inter, Manga.

E enquanto Corbo voltava para casa com a certeza de que sua vida no Olímpico, estava acabada, o
herói do dia. Valdomiro, ingressava em seu apartamento na avenida Ipiranga com a nona faixa de
campeão estadual em 11 anos. Era aguardado pela mulher Natália e o filho Valdomiro André, de três
anos. Após abraçar o pai. André pediu:

— Compra pra mim um caminhão cheio de moranguinho?

André Catimba. eleito o melhor jogador do campeonato — ao lado de Falcão — pelo jorna! Zero
Hora. despediu-se do clube naquele final de ano. A diretoria achava que enquanto ele limitara-se a
complicar dentro de campo, a situação era contornável, mas seus agitos na noite de Porto Alegre
começaram a

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A história dos Grenais

incomodar alguns dirigentes. Numa noite, após aplicar alguns sopapos na esposa Rita, acabou na 1a
Delegacia de Polícia, na avenida Azenha.

- Não fiquei preso porque o delegado, apesar de colorado, disse que
admirava meu futebol e me dispensou — conta o jogador.

Telê Santana também resolveu deixar o Grémio. Cumprira sua parte, quebrara a série de títulos do
Inter em 1977 e montara um time com capacidade suficiente para repetir a conquista em 1978.

— Infelizmente, nem sempre vence o melhor — comentou após a derrota.

Uma frase batida, velha e correia. Nem sempre vence o melhor. Em 1979, por exemplo, o Inter
chegaria ao título brasileiro invicto, comandado pelo técnico Enio Andrade, mas na disputa regional ficaria
num humilhante 3° lugar, dez pontos atrás do campeão, o Grémio, e atrás também do Esportivo de Bento
Gonçalves, clube interiorano que servia, naquele ano. como tubo de ensaio para um jovem que começava
a se lançar na carreira de treinador de futebol: Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa, ex-lateral gremista.

Mas o Esportivo, sem um estádio em condições para realizar jogos pelo campeonato brasileiro,
acabou abrindo mão de sua vaga para o Inter. que venceria a competição derrotando o Vasco nos dois
jogos finais. 2 x O no Rio de Janeiro, 2 x l em Porto Alegre. Para Enio Andrade, o primeiro dos jogos, o do
Maracanã, liquidou a competição:

- O curioso daquele jogo foi o desempenho do Chico Spina. Ele sequer iria jogar, mas como chovia
muito no Rio de Janeiro e o Valdomiro estava com dores musculares, resolvi escalá-lo. Ele fez os dois gois,
foi o melhor do jogo. E no outro dia os cariocas já estavam falando que se tratava de um craque fora de
série.

No Grenal do campeonato brasileiro, o Inter derrotou o Grémio por l x O. gol de Jair, numa cobrança
de falta ensaiada entre ele e Falcão, o craque dos cabelos encaracolados que chegava naquele 1979 ao
auge de sua forma técnica e física. O tricampeonato brasileiro foi sua última grande conquista pelo
clube do coração. Em 1980 ele ainda vestiria a camisa vermelha, mas seria derrotado na final da Taça
Libertadores da América pelo Nacional de Montevidéu. Iria embora em agosto, poupado de engolir a
segunda derrota consecutiva para o

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A história dos Grenais

Grémio na disputa estadual. Nos Grenais do Gauchão anterior, o da despedida, o melhor jogador do
Estado — e talvez do País — fora marcado de forma implacável e anulado por um baixinho cabelos
crespos e pernas cambotas, que o faziam parecer um anão. Um baixinho. Jurandir, que nem titular do time
chegava a ser. Fora reserva de Éder em 1979 e era reserva de Renato Sá em 80. Os titulares do Grémio
bicampeão foram Leão: Nelinho. Vantuir, Vicente e Dirceu; Vitor Hugo, Paulo Isidoro e Vilson Tadei:
Tarciso. Baltazar e Renato Sá. Nele, já via-se montada a espinha dorsal do time que mais tarde, em 1981,
conquistaria o Brasil.

Paulo Roberto Falcão não ficou para ver. Fora avaliado pelo presidente do Inter, José Asmuz, em
US$ 2.2 milhões e negociado com o Roma, da Itália. O craque dava os primeiros passos para se
transformar no oitavo rei de Roma e deixava para trás um Brasil que esforçava-se para voltar a respirar
com liberdade. João Figueiredo assumira o governo um ano antes, em substituição a Ernesto Geisel.
decretara a extinção do AI-5 (encerrando, teoricamente, um período de dez anos de arbítrio) e
regulamentara a Lei da Anistia. As maldades do período ditadorial. antes escondidas, escancaravam-se.
Em Porto Alegre, Zero Hora estampava na capa de sua edição de 13 de junho daquele 1980, uma
revoltante revelação do agente militar uruguaio Hugo Rivas: "Eu ajudei a sequestrar e torturar Lilian".
Lilian Celiberti e seu marido Universindo Diaz, haviam sido sequestrados dois anos antes na capital
gaúcha, numa ação conjunta das policiais do Uruguai e do Rio Grande do Sul (esta comandada pelo dele-
gado Pedro Seelig). O sequestro dera-se na rua Botafogo, poucas quadras distantes do estádio Beira-Rio
e contara com a ajuda de um ex-jogador do Inter, agora policial, conhecido de todos os colorados,
inclusive Falcão, como Didi Pedalada.

O contrário ao que ocorrera em 1979. deu-se em 1981. O Inter foi o melhor no campeonato da
aldeia gaúcha e o Grémio conquistou o Brasil. Em comum na conquista dos dois títulos nacionais da
dupla, a presença de Ênio Andrade como treinador. Naquele primeiro semestre de 81 o Cabeça (apelido
que refere-se não apenas a sua capacidade mental, mas também ao tamanho da parte superior de seu
corpo) armou um time certinho, embora as estrelas de

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A história dos Grenais
primeira grandeza não fossem vistas em abundância no estádio Olímpico. Podiam ser citados de forma
tão elogiosa o goleiro Leão, já com 32 anos e a experiência de três Copas do Mundo. O zagueiro uruguaio
De León. contratado em janeiro daquele 1981, ele que comandara a seleção de seu país na conquista do
Mundialito de Montevidéu um mês antes. O meia- direita Paulo Isidoro, que durante a temporada
serviria a Seleção Brasileira nas eliminatórias para o Mundial. E o centroavante Baltazar, o artilheiro
de Deus. precursor do movimento que invadiria o País na década de 80; o dos Atletas de Cristo. Na tarde
de 3 de maio, ao fazer o belíssimo gol (matada no peito, chute forte, de fora da área, no ângulo superior
do goleiro Waldir Perez) que garantiu a vitória sobre o São Paulo e o título nacional no Morumbi, o que
disse Baltazar Maria de Morais Júnior?

— Agradeço a Deus por me proporcionar momento tão feliz.

Em 1980 Baltazar já entrara para a história do futebol gaúcho, ao marcar 28 gois no campeonato
estadual, recorde até hoje não ultrapassado. Um fato que os colorados, é claro, contestam. Lembram que
em 1955 Bodinho fez 25 gois em 18 jogos (seu parceiro de ataque, Larry, fez 23 no mesmo campeonato),
enquanto Baltazar fez os seus 28 numa competição em que o Grémio disputou 40 jogos. Mas a história
não se presta a tantos detalhes, passa de geração para geração de forma cada vez mais resumida, e daí
que sempre que for consultada a relação de artilheiros do campeonato gaúcho de futebol, lá estará o
nome do goiano Baltazar ao lado da imbatível marca de 28 gois na competição.

No 1981 em que deu o título brasileiro ao Grémio, o artilheiro de Deus perdeu a disputa regional
para um legítimo representante do demónio, o centroavante Bira, o Bira Burro, um paraense que há dois
anos — desde o título brasileiro de 1979 — vestia a camisa do Inter. Dentro de campo. Bira era um jogador
esforçado, oportunista, incansável, tecnicamene limitado. Fora de campo era um festeiro incorrigível,
uma esponja de cerveja, um apaixonado pela noite. Na véspera do Grenal decisivo do Gauchão de 81.
madrugada de sexta para sábado, horário no qual Baltazar dormia o sono dos anjos após ter rezado para
todos os santos, Bira se encharcava no bar da moda. o Água na Boca, na praça Conde de Porto Alegre.
Ele. o lateral Rodrigues Neto e o ata-

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A história dos Grenais

cante Jaiminho. Os três estavam pagando a conta, apressados, pois martelava em suas cabeças a
ameaça do técnico Cláudio Duarte de empreender uma patrulha noturna nos locais onde eles
normalmente faziam festa, quando o treinador entrou no recinto. Entreolharam-se. E agora? Bira.
raciocínio rápido — considerando o estado etílico — virou-se para os outros dois e disse: — Bom, já que
estamos fodidos mesmo, o negócio é aproveitar.

Em seguida gritou para o garçom que providenciasse mais três cervejas. Antes do primeiro gole,
entretanto, dirigiu-se até Cláudio, que estava acompanhado da esposa, sentado numa mesa distante, e
jurou:

— Professor, depois de um flagrante desses não temos como negar. Estamos enchendo a cara.
Mas domingo vamos ganhar o jogo de qualquer jeito.

Apesar de Bira ter jogado demais e feito um gol no Grenal ocorrido no mês anterior (vitória
colorada por 2 x 1 ) , Cláudio tinha motivos de sobra para desconfiar da promessa. Seu time, que livrara
cinco pontos de vantagem sobre o Grémio até a primeira rodada do returno do campeonato, estava
agora apenas um ponto na frente, após uma incompreensível queda de produção e a perda de quatro
pontos em três jogos contra São Paulo. Novo Hamburgo e Inter de Santa Maria. Não haviam sido poucos
os dedo-duros a telefonar denunciando as farras noturnas como causas principais.

Mas o Inter conseguiu o ponto que faltava e tornou-se campeão gaúcho diante de um Grémio que
era, orgulhosamentente. campeão brasileiro. Bira não chegou a fazer uma grande partida. O destaque do
time foi o veloz ponteiro-esquerdo Silvinho, que aos 42 minutos do primeiro tempo pegou uma bola no
meio do campo, correu, correu, sempre acossado pelo lateral-direito Paulo Roberto, e da entrada da
grande área. lado esquerdo, deu um chutão cruzado, incomum, estranho, e acertou o ângulo superior
direito do goleiro Leão que, como todo o estádio, não acreditava no sucesso de tal tentativa. Baltazar, o
cen-troavante do Senhor, só entraria em campo no final do jogo, em substituição ao ponteiro-esquerdo
Odair. fazendo aos 35 do segundo tempo o gol do empate. Insuficiente para evitar o título colorado.

Deus e o Diabo não estavam sendo suficientemente eficientes como guardiões de seus pupilos,
e tanto Baltazar quanto Bira viram chegar ao fim

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A história dos Grenais

seus períodos de vivência no Sul. Baltazar, personagem diário nos bate-bocas dos cronistas gaúchos —
Lauro Quadros, pró-centroavante, Paulo Sant'Ana, contra, resumiam bem esta discussão — perdia
discípulos a cada dia e em 1982 iria pregar a palavra de Deus no Parque Antártica, do Palmeiras. Bira. El
Diablo em pessoa, iria tomar suas cervejadas em Belém do Pará, contratado que fora pelo Paysandu. Lá
contaria com orgulho suas travessuras a novos amigos, em novos bares. Aos mais íntimos contaria, por
exemplo, a inesquecível noitada de 1979, quando num apartamento do centroavante Washington, na
rua Múcio Teixeira, ele e meio time do Inter (Washington, Assis, Piter, Jaiminho e Barbieri) faziam
uma festa com a mulher do ponteiro-esquerdo gremista Jésum. O emocionante da história foi que Jésum,
companheiro de trago dos colorados, apareceu no apartamento da Múcio na hora da zoeira e, claro, foi
impedido de entrar. Mandaram-no esperar na churrascaria que ficava em frente ao prédio, a Aragana. O
encarregado de entreter Jésum foi Paulo Amorim, amigo de todos e proprietário da churrascaria:

— Tive de ficar mais de hora pagando cerveja para o Jésum, para dar tempo aos safados de se
livrarem da confusão.

Enquanto Amorim, o Português, bebia e enrolava o atacante gremista, Bira dava sequência a seu
plano macabro e deixava a mulher em casa para depois voltar à Aragana.

Tão ou mais chegado à noite e às mulheres, era um jovem boa pinta, natural de Guaporé, que a
partir de 1982 revolucionaria o ambiente sisudo imposto ao grupo de jogadores do Grémio pelo técnico
Ênio Andrade. Chegava aos profissionais, com 19 anos, Renato Portaluppi. Chegava desrespeitoso,
falando alto, exigindo lugar no time. Agia de forma inquieta, como se dentro dele se manifestasse um
vulcão prestes a explodir. Ênio, pai da disciplina e da aplicação tática, relutava em colocar entre seus
titulares alguém com perfil tão inconfiá-vel. Pronto, ali estava mais um prato cheio para as brigas entre os
gremistas da imprensa. O colunista de Zero Hora, Paulo SanfAna, sempre ao lado do talento. desprezando
o outro lado da balança, o peso da indisciplina, queria Renato e pedia a expulsão de Ênio. O Grémio
acabou vice-campeão brasileiro, podendo o título para o Flamengo, e o treinador perdeu mesmo o cargo.

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A história dos Grenais

Mas ainda não foi com a saída de Ênio Andrade que o potencial de Renato aflorou. Muito pelo
contrário, na decisão do campeonato gaúcho daquele ano ele seria apontado como o principal
responsável pela derrota gremista, após ter sido expulso ainda no primeiro tempo do Grenal decisivo da
temporada. O Inter, com três gois do centroavante Geraldão (o mesmo que vestira a camisa do Grémio
no ano anterior e fora mandado embora como um fracassado), já ganhara o primeiro clássico das finais.
3 x 1 . Ernesto Guedes, o técnico dos vermelhos, assistira este jogo das cabines de imprensa, mão
enfaixada. Durante a semana, sentado numa das mesas do bar Calçadão, na rua Botafogo, fora mostrar
seu revólver novo, calibre 38. para o ex-árbitro César Carrasco e enganchou o gatilho no cinto,
disparando acidentalmente contra sua própria mão.

Mas na tarde de 28 de novembro, dia do segundo e último Grenal das finais, Guedes já estava no
banco de reservas novamente. E Renato em campo, mas por pouco tempo. Ele foi expulso logo no 27°
minuto do jogo e o Inter acabou vencendo por 2x0. gois de Geraldão outra vez. totalizando cinco em
dois clássicos.

- O Renato é um moleque, um irresponsável — disse o preparador físico gremista. Júlio Espinosa.

E não disse nada de novo. Renato, um dos treze filhos do casal Francisco e Maria Portaluppi.
ex-auxiliar de padeiro em Bento Gonçalves era eleito o vilão do ano. Ernesto Guedes, o esperto do ano.
Após o apito final no Grenal, Guedes proibiu seus jogadores de cederem material para o exame
anti-doping, não deixou sequer que tomassem banho, e com a faixa de campeão no peito todos foram
para o Beira-Rio festejar o título ganho na casa dos adversários. Os gremistas reclamaram, sem dúvida,
mas confirmou-se a velha tese de que depois de a taça ir para o armário e a faixa cobrir o peito, não há
mais volta.

Era uma época curiosa aquela. O Grémio afirmava-se como um dos grandes times do cenário
nacional, ao lado do Flamengo, enquanto o Inter acumulava vitórias dentro dos limites regionais. De um
modo geral, os acontecimentos multiplicavam-se sem explicações que os tornassem convicentes. Como
podia o Brasil ter perdido a Copa do Mundo se tinha, de forma incontestável, o

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A história dos Grenais

melhor time? Como acreditar que o maior atleta da história recente da nação, João do Pulo, passaria a
andar de cadeira de rodas após perder uma perna num acidente automobilístico? Como admitir que,
para construir uma usina hidroelétrica, tivesse sido necessário cobrir com as águas de Itaipu uma das
grandes maravilhas da natureza do País e do mundo que eram as Sete Quedas? E dava mesmo para
acreditar que as eleições diretas estavam de volta, inicialmente para os governos estaduais?

Veio o ano de 1983 e Renato Portaluppi ganhou o parceiro ideal para ajudá-lo a pôr o universo
futebolístico gaúcho definitivamente de pernas pró ar: o treinador Valdir Espinosa. Ex-lateral do
próprio Grémio, ex-técnico do Esportivo (onde tomara conhecimento da força e rebeldia de Renato),
estilo bonachão, amigo dos boieiros, companheiro de trago, Espinosa deu corda e liberdade ao
ponteiro-direito na medida exata. E Renato, com todo o gás dos 20 anos, viveu seu período de ouro. Foi
uma típica jogada dele, daquelas que misturam imprevisibilidade e criatividade, que possibilitou a
vitória sobre o Penharol, na decisão da Taça Libertadores da América. Os torcedores que abarrotavam o
estádio Olímpico na noite fria de 28 de julho já estavam admitindo a possibilidade de um terceiro jogo
contra o time uruguaio, em campo neutro (Buenos Aires), pois o time que largara na frente, gol de Caio,
cedera o empate (Morena) no segundo tempo e o final da partida se aproximava. Foi quando Renato
arrancou pela ponta, parou próximo à linha lateral, e cercado pelos adversários fez o que só ele mesmo
conseguiria fazer: levantou a bola e num espaço minúsculo enganchou-a mandando-a em direção à
pequena área. O cen-troavante César, com a coragem que se apresenta aos jogadores nas grandes
decisões jogou-se junto à trave direita e cabeceou para dentro. O Grémio conseguia ali o que nem o
grande Inter dos anos 70 conseguira. Campeão da Libertadores. No dia seguinte, era como se os
colorados da cidade tivessem sumido, levados por algum força mágica. Sentiam-se deprimidos,
minúsculos, e desapareceram como ratos levados embora por um flautista de Hamelin reco-carnado. Os
jornais da Capital estampavam com destaque uma foto cm que o uruguaio Hugo De León, filete de
sangue escorrendo pela testa, esguia a laça sobre a cabeça. Isso fazia doer ainda mais o peito dos
secadores vermelhos: a

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A história dos Grenais

vitória do Grémio havia sido recheada de feitos heróicos. O fundo musical desta cena era ouvido por todos
os cantos do estado onde houvesse um gremista, mesmo que solitário. "Grémio, Grémio. Nós somos
campeões da América..."

Ao Inter restava confortar sua torcida, outra vez, buscando uma vitória na disputa regional.
Atracou-se com unhas e dentes atrás deste objetivo, de tal forma que em outubro, quando começou o
octogonal decisivo da competição, foi livrando pontos rodada atrás de rodada, até que o presidente do
Grémio, Fábio Koff. tomou uma decisão polémica e corajosa: já que era uma temporada desgastante. já
que o seu time disputaria em dezembro a mais importante partida de sua história (contra o Hamburgo,
da Alemanha, na decisão do Mundial Interclubes) e já que o Inter estava mesmo mais entusiasmado e
eficiente na disputa contra os clubes do interior gaúcho, decidiu tirar seus titulares do campeonato e
concentrá-los para o jogo de Tóquio. Que os reservas cumprissem o restante do carne estadual.

- Depois que vencemos o Mundial, no Japão, todos me cumprimentaram e deram tapinhas nas
costas, mas quando decidi abandonar o Gauchão, alguns conselheiros e uns poucos torcedores queriam a
minha cabeça — lembra, ar vitorioso tomando conta de seu rosto, o presidente gremista.

A revolta dos que não concordaram com a estratégia foi traduzida em pichações pelos muros da
cidade entre eles o do próprio Olímpico. Diziam: "Fora Koff!". O bom humor e a alegria generalizada que
tomou conta do povo gremista na madrugada de 11 de dezembro, após a vitória por 2 x l sobre os
alemães do Hamburgo, resultou em emenda naquela frase crítica. Ela passou a ser lida desta forma:
"Fora Koff! Vai pra Tóquio".

Inscrição maior, luminosa, ofensiva aos olhos colorados que passariam a cruzar nas imediações do
Olímpico, foi a colocada sobre a marquise do estádio. "Grémio, Campeão do Mundo". Nada poderia ser
maior, complementavam os mais fanáticos, não conseguindo conter seu orgulho.

Renato, o Louco, fez os dois gois, o último deles na prorrogação — o que deu mais emoção ao
feito — e para os gremistas a Terra adquiriu, confirmando o que dissera Yuri Gagarim. a cor azul. Em Porto
Alegre o azul brilhava mais forte. Quando o DC-10 da Varig aterrisou no aeroporto Salgado Filho, ao
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A história dos Grenais

meio-dia de 15 de dezembro, instalou- se na cidade um clima de loucura coleti-va jamais visto. O caminhão
do Corpo de Bombeiros que levou os jogadores até o estádio Olímpico demorou duas horas e meia para
fazer o trajeto. Os gremis-tas, nas calçadas, cantavam o hino do clube e brigavam por pedaços das
camisas que eram jogadas por seus ídolos. Os termómetros registravam 28 graus naquele meio de tarde e
30 mil pessoas aguardavam o time no estádio Olímpico. Num palanque oficial improvisado, o prefeito
gremista João Dib, dizia-se duplamente satisfeito:

— O Grémio, além de promover Porto Alegre, me deu uma grande alegria pessoal, pois sou
torcedor do clube.

E entregou a chave da cidade ao capitão do time, Hugo De León. Foi aplaudido. Em boa hora, pois
segundo o sarcástico e felino colunista de Zero Hora, Carlos Nobre, a popularidade do prefeito estava tão
baixa que "ele não tem o apoio nem mesmo de sua bengala".

E dê-lhe festa. O chope era consumido com voracidade incomum. Renato, o herói do Japão,
desceu do caminhão, abraçou a mãe e chorou. Os loucos também choram. E até o carnavalesco Carlos
Alberto Barcelos, o Roxo (colorado roxo), participou da festa. Fora convidado para animá-la, junto com
sua banda, e a cada grito de secador respondia, assustado:

— Calma pessoal. Estamos aqui como convidados, somos profissionais,
parabéns para vocês...

Roxo e os demais vermelhos tiveram de contentar-se mesmo com a vitória no campeonato
gaúcho. Tricampeonato. Ele fora ganho com antecedência, dia 23 de novembro, com um 2 x O sobre o São
Borja, no Beira-Rio, gois de Geraldão e Sílvio. Bem melhor do que nada, concluíram os 31.423 torcedores
que pagaram ingresso naquela noite de quarta-feira, entre eles o mais fanático de seus representantes,
o gordinho Xuxu (apelido de José António Silveira Martins, então com 21 anos), que pelou-se no meio do
gramado e só saiu de campo depois de levar algumas cassetadas dos brigadianos. pois ofendera a
moral e os bons costumes.

— Eles podem ser os campeões do mundo, mas aqui no Rio Grande mandamos nós — afrontou o
zagueiro do Inter. Mauro Galvão. destaque de um time

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A história dos Grenais

que vivia uma fase de orgulho ferido.

Galvão, o uruguaio Ruben Paz, o goleiro Benitez e o jovem Dunga, haviam sido os princiais
personagens do time na temporada. Em cima deles o clube montaria o novo grupo para tentar buscar o
tetra e confirmar a tese de seu zagueiro a respeito de que mandava no estado.
Foi o próprio Mauro Galvão, aos 14 minutos do segundo tempo do Grenal de 25 de novembro
de 1984, com uma virada sensacional, quase bicicleta, quem abriu o caminho do novo título colorado.
Nota 10 para ele, avaliou o jornal Zero Hora no dia seguinte. O jogo terminaria 2 x O (o segundo gol
através do centroavante Kita) e depois dele o Grémio se afundaria ainda mais nas partidas contra clubes
do interior, facilitando ao Inter ganhar mais uma vez o título de forma antecipada. Repetia-se a história:
todas as vezes que um clube chegava ao tri, alcançava também o tetra.

Ele foi comemorado de forma pouco entusiástica, num domingo à tarde em que o time perdeu
para o Brasil de Pelotas, no Beira-Rio, por l x O, resultado ainda assim suficiente porque o Grémio
também foi derrotado na rodada, pelo Novo Hamburgo, 3x0. Poucos foguetes estouraram no Beira-
Rio, a festa em Porto Alegre não durou mais do que uma hora, e o torcedor Xuxu voltou a apanhar da
Brigada. Desta vez, porque tentou entrar no gramado, nu, enrolado numa bandeira do Estado do Rio
Grande do Sul.

Apesar da relativa facilidade com que os colorados venceram aquele Grenal de novembro, o
último do ano, o Grémio tinha um ótimo grupo de jogadores. A defesa era a mesma da conquista do
Mundial em Tóquio, com De León e Baidek. Bonamigo seguia como volante e o ataque mantinha-se
intacto: Renato, Caio e Tarciso. Valdo. um jovem saído das categorias inferiores, entraria no segundo
tempo, a 13 minutos do final, mas mal tocaria na bola, recebendo, como consolo, uma nota 5 do
mesmo jornal que dera 10 para Galvão. Avaliação pior foi a de Renato Portaluppi. Totalmente anulado
pelo lateral André Luís, ele ganharia 4 e decepcionaria, naquela tarde, o cronista Paulo SantAna, que
publicamente dissera ser Renato um ponteiro-direito melhor do que Garrincha. Garrincha, o anjo das
pernas tortas, que dera dois títulos mundiais ao Brasil e morrera no ano anterior, pobre e doente.

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A história dos Grenais

Melhor ou pior que Garrincha, o certo é que para grande parte das mulheres da capital gaúcha,
Renato Portaluppi era o máximo. E sem o técnico e amigo Valdir Espinosa a orientá-lo (deixara o clube
e fora substituído por Francisco Neto naquele final de 1984), o ponteiro perdeu outra vez os limites e
entregou-se de corpo e alma aos prazeres que a fama lhe proporcionava. As noites passaram a ser
curtas, os envolvimentos amorosos cada vez mais numerosos, as confusões frequentes, os atrasos e
faltas a treinamentos constantes.

A imprensa não dava folga, sempre em cima, registrando seus atos, seus atritos com o técnico, e
até seu chute no peito do jornalista e presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Rio Grande
do Sul, Marco António Schuster, durante um treinamento no estádio Olímpico, imagem veiculada em
todo o Brasil, fazendo com que o país, aos poucos, passasse a conhecer o rei da noite porto-alegrense. No
amanhecer do dia 6 de dezembro de 84, após uma noitada em sua casa, Renato emprestou o carro a
seu melhor amigo, o lateral Paulo César Magalhães, que era também seu sócio no bar Arcabuz, na rua
Jerônimo de Ornellas (empreendimento que não deu certo por mau gerencia-mento).

Pois Paulo César, embriagado, demoliu o Voyage na esquina da avenida Ipiranga com a Santana e
quebrou um braço. O motorista do táxi envolvido no acidente, Osmar Vieira da Silva, foi para a UTI do
Pronto Socorro e Renato, à tarde, teve de ir à delegacia prestar depoimento.

O fotógrafo de Zero Hora, António Vargas, foi pautado para registrar o fato, o que conseguiu,
embora pagando um preço alto: o escrivão do Detran. Luiz António Neto, tomando as dores do jogador
que não queria publicidade, aplicou um direto no nariz de Vargas, fazendo-o deixar a delegacia jorrando
sangue.

— Me acertou em cheio — resumiu o repórter, com sua fala anasalada.

Após aquele incidente, Renato decidiu que era hora de deixar a cidade que considerava
provinciana e mandar-se para o centro do país ou. melhor ainda, para o exterior. Não fosse tão
competente dentro de campo e tão espalhafatoso fora dele, suas atividades passariam em branco,
afinal, com cautela.

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A história dos Granais

precaução, discrição, é possível esconder fatos, mesmo que de grande sig-nificância. Se não, como
explicar que ninguém tenha noticiado, em novembro de 1981, em meio às finais do campeonato gaúcho,
a morte da namorada do la-teral-esquerdo do Inter, Rodrigues Neto, ocorrida na cama dele? Foi após a
vitória no Grenal do primeiro turno do octogonal final. Feliz, Rodrigues mandou a namorada vir do Rio de
Janeiro e comemoraram o bom momento com uma churrascada no Barranco, na Protásio Alves. Após
muito comer e beber, o casal recolheu-se para o apartamento do jogador, na Vicente da Fontoura, onde
após muito namoro, ela morreu de congestão. Nunca ninguém noticiou o fato.

Mas Renato não era Rodrigues Neto. Jogava mais, aparecia mais, não conseguia se esconder. E
cansado da perseguição pensava em ir embora de Porto Alegre. Mante-lo no Grémio era tarefa cada vez
mais difícil, sabia o novo presidente do clube, Alberto Galia, substituto de Koff. Entretanto, Galia não se
entregou, pagou alto e conseguiu segurar o craque no Olímpico. Sabia que, mesmo contrariado,
Renato era insubstituível. Era mesmo.

O esforço do dirigente não foi em vão. Renato Portaluppi, antes de ir embora, daria ao clube
dois títulos estaduais, fazendo com que o Grémio acabasse com o último trunfo colorado, o de
"mandar no Rio Grande". Em 1985. os azuis ganhariam o campeonato na tarde de 8 de dezembro,
fazendo 2x1 nos vermelhos, gois de Bonamigo e Caio Júnior (descontando Titã para o Inter). E em 1986.
ano da volta de Valdir Espinosa ao comando do time, o bi viria em 20 de julho, num chute forte de
Osvaldo. 1x0. indefensável para o jovem e eficiente goleiro Taffarel.

Cláudio André Mergen Taffarel subira para os profissionais um ano antes, pelas mãos de Daltro
Menezes. Sua frieza, sua agilidade e sua simpatia, logo o tornaram o principal ídolo dos colorados.

— Quando surgiu o Taffarel. finalmente consegui vender meu estoque de camisas de goleiros —
conta o ex-lateral Jorge Andrade, proprietário da loja de artigos esportivos que funciona no Beira- Rio.

Taffarel era um fenómeno. Virou titular do Inter aos 19 anos, logo depois de ter, por sugestão do
amigo e treinador de goleiros do Inter, Luis Carlos Schneider, trocado de nome. Quando nos juniores
chamava-se Cláudio, mas

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A história dos Grenais
então, numa tarde em que disputou uma partida preliminar contra o Brasil de Pelotas, sofreu um
frangaço, chute lá do meio de campo e deixou o gramado aos prantos. No vestiário Schneider o abraçou
e sugeriu:

- Esse teu nome, Cláudio, é que não ajuda. Taffarel sim é nome de goleiro.

O menino de Santa Rosa virou Taffarel e assumiu a titularidade do Inter por cinco anos. Apesar de
suas qualidades incontestáveis, nunca conseguiu um título com a camisa colorada. A torcida Tricolor
encarregou-se de espalhar o boato de que o goleiro tremia diante do Grémio e que, no fundo de sua
alma. era gremista. A segunda parte da afirmação tinha um fundo de verdade. Por duas vezes, nos anos
de 1981 e 1983, Taffarel tentara ingressar no clube pelo qual simpatizava, mas ambas as vezes foi
rejeitado:

— Não culpo ninguém. Me apresentei mal preparado para os testes e rendi muito pouco.

No Inter o treinador dos juniores, Homero Cavalheiro, apaixonoo-se de cara pelo menino. E em
1984 o goleiro que queria vestir azul. vestiu vermelho. Na história dos Grenais este tipo de situação
apresentava-se com freqüência Jogadores que sonhavam em jogar num clube acabavam no outro. O
próprio Renato Portaluppi desejava vestir a camisa 7 do Inter, mas o clube do Bcna-Rio. embora
reconhecesse seu talento, informou a ele que não havia lugar na cooccn-tração e que tratasse de arrumar
onde morar em Porto Alegre. Só que pão lhe deram um mísero centavo para isso, e o jogador foi para o
Olímpico. A revolta pelo desprezo colorado nunca passou. Recentemente, perguntado se aceitaria jogar
no Inter, após tantos anos, declarou:

— Jogo em qualquer time, menos no Inter.

Renato deixou o Grémio após o bicampeonato de 1986 c foi para o Flamengo do Rio. A noite
de Porto Alegre perdia seu maior Don Juan e o bar-man da boite Água na Boca, o mais perdulário de
seus fregueses. Assumiria seu lugar, embora com desempenhos noturnos nem tão espalhafatosos, o
centroavante Lima, um mato-grossense de 23 anos. apaixonado pelo bem vestir e por carros de luxo.
Sua voz fina e seus trejeitos suaves, logo fizeram a torcida colorada passar a berrar das arquibancadas
uma ofensa comum em estádios

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A história dos Grenais

de futebol, a mesma que Renato Portaluppi acostumara-se a ouvir sempre que havia Grenal:

- Veado! Veado! Veado!

Tais ofensas não levavam em conta que o único relacionamento amoroso de Lima que tornou-se
público, foi com uma jovem chamada Edroci Camargo Manhones. Edroci, fez a cabeça do centroavante
com beijos carinhosos e promessas absurdas. Sabedora que Lima adorava o luxo e belos cavalos de raça,
ela convenceu-o a visitar uma fazenda em Uruguaiana, mostrou-lhe as vastas extensões de terra, um
puro-sangue preto que deixou-o boquiaberto, e após uma cavalgada disse a frase que o fez apaixonar-se
de vez:

- Um dia tudo isso será nosso.
O caso de amor com a. fazendeira passou a ser assunto na Capital. Edroci passeava com Lima (cada
dia com um carro diferente), mostrava mansões dizendo ser a proprietária e só pedia uma coisa ao
jogador: que não a apresentasse à imprensa. O pedido só fez aumentar ainda mais a curiosidade dos
repórteres, que passaram a vasculhar a cidade para descobrir que mistério escondia-se por trás
daquele romance.

E em dezembro de 1986 a verdade surgiu. Edroci não passava de uma fã tresloucada, que. não
vendo maneira melhor de aproximar-se de Lima, criou todo aquele universo fantasioso. A fazenda era de
parentes do interior, as casas não eram suas e os carros eram emprestados por amigos que
desconheciam o uso que ela fazia deles. Entre estes amigos, o repórter da Rádio Bandeirantes, Alfredo
Possas, um dos tantos que andava atrás da "fazendeira misteriosa" e só foi descobrir quem ela era
quando abriu o jornal Zero Hora e lá estava a foto e a verdadeira história. — Eu atrás da fazendeira tanto
tempo e ela era a minha pobre amiga Edroci. Jamais desconfiei...

A maluca perdeu seu emprego de secretária no Pólo Petroquímico e Possas nunca mais
emprestou seu Fiat para ninguém. Porto Alegre inteira deu gargalhadas com a pequena tragédia de Lima. e
no primeiro Grenal após ter sido desvendado o caso, lá estavam os vermelhos outra vez:

— Veado! Veado! Veado!

Os vermelhos xingavam os gremistas mas vaiavam seus pr óprios

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A história dos Grenais

jogadores. Uma fase terrível. Já estavam cansados de esperar a volta dos bons tempos, o ressurgimento
de um Inter ao menos parecido com o que conquistara o Brasil na década de 70. Mas que nada. O time
afundava. Neste período triste para os vermelhos, Luis Fernando Veríssimo fez uma crónica melancólica
que retratou bem o sentimento do povo colorado. Nela, o encontro de dois torcedores saudosos do
grande Inter. Chamava-se Exagero... "Tem gente, é verdade, que exagera.

— Esse seu timezinho, hein?
— Como, "meu" timezinho? Nosso timezinho.
— Eu nunca fui torcedor, torcedor.
— O que?!
— Simpatizante.
— Não vem com essa. Já vi você enrolado na bandeira.
— Era frio.
— Mirando bergamota em bandeirinha.
— -— Farra.

— Não vem. E aquela ida a São Borja? Fizemos os últimos dois quilómetros em carro de
boi depois que o ônibus quebrou. Assistimos ao jogo de cima de uma árvore. Na hora do gol você
pulou no meio da torcida deles.Apanhou rindo. Voltou de tipóia e feliz.
— Fui pelo pitoresco.
— Quer dizer que você não é colorado?
— Convicto, nunca fui.
— Farsante!
— Não, sério. Pensando bem, nem de futebol eu gosto muito. Esporte bonito é o vôlei.
— Pois eu sou e mantenho. Colorado nas boas e nas ruins. Quando vejo aquela cor vermelha...
— Meio espalhafatosa, né?
— Sinto um negócio aqui.
— Podem ser gases.
— Pense em 75. Pense em 76. Figueroa, Escurínbo. Falcão, Dano,

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A história dos Grenais

Claudiomiro, Chico Spina. Está bem, Chico Spina não, Paulo César. Valdomiro, Lula... O que foi?

— Nada.
— Você está chorando.
— É um cisco.
— E ainda diz que não é colorado!
— Foi uma recaída."
Veríssimo não foi ao estádio Olímpico no dia 19 de julho de 1987, domingo no qual decidia-se
mais um campeonato gaúcho. Sofreu pelo rádio. E sofreu muito. No primeiro minuto do jogo, Lima fez l x O
para o Grémio. Aos 15, o zagueiro Pinga entrou numa bola dividida com o ponteiro gremista Fernando e
este acertou-lhe, com a sola do pé, o joelho direito, rompendo todos os ligamentos. Pinga gritou de dor. A
maior dor que sentiu na vida.

O volante Norberto correu para acudi-lo, o árbitro Carlos Martins mandou seguir o jogo, o Grémio
avançou pela direita e no meio de colorados que estavam paralisados pela dor do companheiro, Lima
recebeu a bola e fez 2 x 0. Dois minutos depois, quando Pinga era carregado para fora do estádio, chorando,
Jorge Veras fez 3 x 0. O Inter estava estático. Começou a reagir aos 20, descontando com um gol de pênalti
cobrado pelo lateral Luís Carlos Winck. Pinga já estava na ambulância, a caminho do hospital. E aos 18 do
segundo tempo, quando o ponteiro Paulinho fez o segundo gol colorado, o último da partida decisiva. Pinga
já estava na mesa de operações, joelho aberto pelo médico Paulo Viana.

Foi um dos mais trágicos dias do Inter na década. Jorge Luís da Silva Brum, o Pinga, era um dos
melhores zagueiros surgidos no Beira- Rio, jogador que conquistara a simpatia de todos os torcedores do país
no ano de 1984, após atuar como quarto-zagueiro da Seleção Brasileira que conquistara a medalha de prata
nas Olimpíadas de Los Angeles (na verdade era o time do Inter, acrescido de dois jogadores, com a camisa da
Seleção). Perdê-lo, foi um golpe difícil de ser assimilado pelos colorados.

— Até hoje não perdoo o árbitro Carlos Martins, que sequer marcou falta
no lance criminoso do Fernando, que quase acabou com a carreira do Pinga.

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A história dos Grenais

Naquela tarde mesmo, com raiva, chutei o Fernando próximo ao escanteio, derrubei-o, ele caiu e quebrou
a bandeirinha. Um lance no qual eu merecia a expulsão, mas o Carlos Martins já não tinha moral para
expulsar ninguém — lembra o volante Norberto, ex-boxeador em Curitiba, jogador de estilo agressivo,
acostumado a jogar com virilidade, especialmente nos Grenais.

Pinga ficaria afastado do futebol até o ano de 1991 e Norberto continuaria jogando, para perder
mais três campeonatos regionais para o Grémio. Os heróis da praça eram gremistas. Lima, cada vez mais
elegante, centroavante que sonhava com gois, anunciava-os antecipadamante à imprensa e realmente
os fazia. Valdo, atacante veloz, imprevisível, que colocava em pânico os defensores do Inter cada vez que
pegava a bola. E Mazaropi, o colecionador de títulos.

Mazaropi jogou futebol até 1990 e em 16 anos de carreira colocou sobre o peito 16 faixas de
campeão, nove delas no Grémio. Foi campeão da América, do Mundo, da Copa do Brasil e seis vezes
campeão gaúcho. Natural da cidade de Além Paraíba, em Minas Gerais, Geraldo Pereira de Mattos Filho
conquistaria o amor da torcida do Grémio com um estilo que em nada lembraria os quietos e comportados
mineiros. Sempre foi falante, provocante, agitador. Nos Grenais incitava sua torcida durante os 90
minutos, dedicava suas melhores defesas para ela e, se vez que outra errava, tais falhas nunca eram nos
clássicos contra o Inter. E era isso que mais importava para seus fãs.

A torcida gaúcha se apaixonou por ele e ele pelos gaúchos. Decidiu ficar na cidade e em 1992
elegeu-se vereador.

— Iniciei minha carreira no Rio de Janeiro, no Vasco, e poderia voltar para lá e passar o resto dos
meus dias. Mas a cidade é muito violenta e não troco a paz de Porto Alegre por nada. Quando meu filho,
Marcos Vinícius, tinha três anos, fomos assaltados e a imagem daquele bandido com o revólver na
cabeça dele, ameaçador, jamais saiu de minha mente. Passei a detestar o Rio.

Mazaropi foi correio ao analisar a crescente violência carioca, mas exagerou ao apontar Porto
Alegre como um mar de paz e tranquilidade. A cidade Grenal já não era, nem de longe, a comunidade
harmónica de décadas atrás. A fome, o abandono, a ignorância, transformavam os habitantes da maior
cidade do estado, antes pacatos e ordeiros, em pessoas frias, muitas delas criminosas.

203

A história dos Grenais

Na segunda-feira, 13 de fevereiro de 1989, duas notícias dividiam as capas dos jornais da
capital, uma delas a respeito de futebol, a outra sobre um crime horrendo. O Inter ganhara, de virada,
aquele que foi denominado de Grenal do Século, e o cantor Luis Eugênio fora encontrado na Vila Nova,
assassinado, buracos de 20 facadas espalhados pelo corpo. O crime que mostrou com clareza o tamanho
da violência que tomara conta da cidade, não impediu os colorados de festejarem aquela vitória no
clássico com a euforia adequada.

O Grenal entrou para a história como o "do Século" porque pela primeira vez Grémio e Inter se
enfrentavam numa semifinal de campeonato brasileiro, sabedores que o vencedor garantiria uma vaga na
mais importante competição sul-americana, a Taça Libertadores da América, além de ganhar o direito de
brigar pelo título brasileiro. Mais de 80 mil pessoas foram ao Beira-Rio e 78.083 delas pagaram
ingresso. Aos 25 minutos o centroavante gremista Marcos Vinícius recebeu a bola do lateral Aírton,
driblou o zagueiro Nené e chutou no ângulo esquerdo de Taffarel. 1 x 0 . Aos 37 minutos o lateral
Casemiro, ex-Grêmio, agora no Inter, acertou com violência o zagueiro Trasante e foi expulso. O Inter
desceu para o vestiário, no intervalo, perdendo e com um jogador a menos. Abel Braga, o treinador,
reanimou o grupo aos berros, e como que renascidos do inferno, eles viraram o jogo de forma
emocionante. Nilson Esídio, centroavante que o Inter descobrira no interior de São Paulo, fez aos 16
minutos o gol de empate, de cabeça, aproveitando cruzamento do ponteiro Edu. E Nilson, outra vez. fez
2 x l aos 26. pé direito, aproveitando passe de Maurício.

Nilson vibrou de forma estranha, caminhando desengonçado, trémulo. Mais tarde explicaria que
estava imitando Sassá Mutema, o personagem que Lima Duarte interpretava na novela do momento,
"Salvador da Pátria", na Globo. Explicou também que a faixa em seu joelho direito era apenas uma
forma de enganar os rudes zagueiros adversários.

— O problema que eu tinha era no tornozelo esquerdo e eles deram porrada na minha perna direita
a tarde inteira.

Na semana seguinte o Inter, heróico no Grenal, iniciou a disputa do títuk; brasileiro contra o Bahia e
decepcionou, perdendo um jogo e empatando outro

204

A história dos Grenais

Na Libertadores, foi até as semifinais, mas acabou eliminado dentro do Beira-Rio, pelo Olímpia do
Paraguai, num jogo no qual até o empate servia. Nilson "Sassá Mutema" Esídio perdeu um pênalti e
teve de deixar o Beira-Rio na madrugada, às escondidas, como um criminoso, pois os mesmos
colorados que o haviam carregado nos ombros, agora queriam surrá-lo.

O Grémio, ao contrário, recuperou-se daquela derrota de fevereiro e em 1989 alcançaria o
pentacampeonato estadual e também o título da primeira Copa do Brasil. O penta confirmou-se no dia
18 de junho, nas cobranças de pênalti, após um empate em O x O no tempo regulamentar. Brilhou
Mazaropi, defendendo os chutes de Edu e Dacroce. A Copa do Brasil foi conquistada com um 2 x l sobre o
Sport Recife, no Olímpico, uma tarde de sábado na qual brilhou a estrela de um jovem de 18 anos,
Roberto de Assis Moreira, autor do primeiro gol do time (o segundo seria de Cuca).

Assis foi um daqueles jogadores que desde infantil mostrou com clareza ter raro e invejável
potencial técnico, mas que integrado ao grupo de profissionais jamais conseguiu mostrar seu jogo de
forma regular. Grémio c Inter viram, durante o século, muitos jovens promissores passarem pelo
mesmo. Assis, quando tinha apenas 16 anos, foi sequestrado pelo empresário italiano Giovani Sonda.
Deixou Porto Alegre numa quinta-feira ensolarada, 29 de novembro, e quando a viagem acabou estava
dentro de um dos grandes clubes italianos, o Torino. Para trazê-lo de volta, o Grémio teve de presentar
o pequeno craque com uma casa na zona sul de Porto Alegre. A casa tinha dois andares e piscina no
pátio. A piscina na qual, logo depois de receber o presente. afogado João, o pai do jogador.

Assis ganhou seu último título com a camisa gremista em 1990. no hexa-campeonato, o segundo
conquistado pelo clube (o primeiro fora na década de 60). Ele veio em julho, dia 27, na penúltima
rodada da competição. O próprio Assis marcou o primeiro gol dos azuis numa tarde humilhante para os
vermelhos. Resultado: 4 x 1 . Cuca e Paulo Egídio (duas vezes) completaram o placar, descontado para o
Inter o zagueiro paraguaio Zabala. Era fiasco demais. O htter caía de quatro, soma que não conseguia
impor ao rival desde o distante 1954. Norberto, o centromédio do time, além de aplaudir a torcida
gremista, desceu
205

A história dos Grenais

para o vestiário vestindo a camisa dos eternos inimigos. Trocara com Cuca, meia-direita que fizera o gol
mais bonito da tarde, após matar a bola no peito e chutá-la lá de fora da área no ângulo superior do
goleiro Maizena. É claro que Norberto não foi perdoado. Foi, isto sim, chamado de traidor pelo
presidente José Asmuz e mandado embora do clube.

O traidor voltaria a Porto Alegre sete meses depois para vestir, aí sim como jogador do clube, a
camiseta com as cores azul,preto e branco. Jogaria ao lado de outros três ex-colorados, o lateral
Chiquinho, o ponteiro Maurício e o centroavante Nilson, goleador do estadual de 1990 com 22 gois. Mas
era um mau momento para ser gremista.

No primeiro semestre daquele ano o clube fez a pior campanha de sua história em campeonatos
brasileiros. No mês de abril, quando a situação já era desesperadora, o pai-de-santo Fernando da Oxum
circulou pelas arquibancadas do estádio Olímpico, búzios a tiracolo, invocou forças ancestrais dos orixás e
concluiu que só com muita reza o clube evitaria o fracasso total. Apontou os ex-jogadores colorados como
responsáveis pela carga negativa levada para dentro do clube e admitiu que o olho-grande dos torcedores
do Inter também forçava a queda.

Nenhuma reza adiantou e a página mais triste da história do Grémio foi escrita em maio: o clube foi
mesmo para a segunda divisão, após ser derrotado pelo Botafogo na última rodada da fase inicial da
competição. Por ironia, o Botafogo era treinado por Valdir Espinosa, o mesmo profissional que levara o
clube ao maior título de sua história, o Mundial de 1983, cujo trofeu, Toyota Cup, está exposto no
Museu do clube, registrado sob o número 1364.

Rafael Bandeira dos Santos, o presidente, entrou em pânico. Em sua gestão o clube perdera a
vaga no grupo dos grandes clubes brasileiros e era preciso fazer algo para evitar que os torcedores do
clube marcassem seu nome na memória como o grande vilão da pátria Tricolor. Sua atitude em setembro
do mesmo ano foi típica dos desesperados: para ganhar pelo menos um dos dois títulos que a equipe
ainda disputaria até o final da temporada gastou o dinheiro que o clube não tinha — e nem teria tão
cedo — para contratar Renato Portaluppi. E ao meio-dia de 25 de setembro, contratado por três
meses, o ata-

206

A história dos Grenais

cante desembarcou no Salgado Filho sob o custo de US$ 350 mil, US$ 200 mil limpinhos para ele.

O gesto desesperado de Rafael Bandeira não resolveu os problemas do clube, que perdeu a final da
Copa do Brasil para o Criciúma e a hegemonia do futebol gaúcho para o Inter. E mais: endividou o clube de
tal forma que até hoje sofre com os juros bancários do empréstimo feito naquele fatídico 1991. Terá sido por
isso que sua foto jamais foi colocada na parede da sala da presidência do clube, lá onde estão os retratos de
todos os gremistas que ocuparam o mesmo cargo desde 1903?

O destaque na decisão do Gauchão, ao invés de Renato, foi um outro ponteiro-direito, Alex, um
jovem nascido em Cacequi que durante o campeonato não conseguira sequer firmar-se como titular do Inter.
No dia 1° de dezembro ele foi o autor do gol que deu a vitória à equipe, por l x O, no Olímpico, justificando
naquela tarde o apelido de Touro Indomável. Alex Rossi correu como nunca, passou por cima do bom
lateral-gremista Lira e no vestiário botou as tripas pra fora. Vomitou tanto que surgiu a desconfiança de que
teria jogado dopado e daí o seu mal-estar. Uma desconfiança que aumentou ainda mais quando a delegação
do Inter, a exemplo do que ocorrera na decisão de 1982, abandonou o Olímpico recusando-se a ceder material
para exame anti-doping. O caso foi para Tribunal, mais um pouco de lama foi jogada ao vento na briga
interminável entre gremistas e colorados, mas o resultado de campo foi confirmado.

No domingo seguinte, no segundo jogo, o Grémio venceria por 2 x O no Beira-Rio, gois de Lira e
Assis, e finalmente, na negra, um empate em O x O, outra vez no estádio do Inter, deu o título aos
colorados. Renato, o louco, e Alex, o touro, brigaram e acabaram expulsos no segundo tempo. Triste
despedida de Portaluppi, que — bem mais rico — voltaria para o Rio, para continuar aprontando das suas. Lá
sentia-se melhor. Dissera inclusive, dois anos antes, que era "carioca nascido no Leblon", uma bobagem
que muitos jornalistas tentaram desmentir telefonando para dona Maria, a mãe. E ela respondeu:

— A memória me falha. Não me lembro.

Renato foi, ficou a dívida, e era preciso encarar a dura realidade que apresentava-se naquele início
de 1992, a segunda divisão. Rafael Bandeira dos

207

A história dos Grenais

Santos esforçava-se, assim mesmo, para não perder a pose. No início do seu segundo e último ano de
gestão, declarou que a única forma do clube recuperar a grandeza seria montando um grande time e
antecipou que, apesar do déficit no caixa, seriam encontradas fórmulas de arrecadar dinheiro para trazer
grandes reforços. Não cumpriu a promessa. Não tinha como fazê-lo. E a torcida engoliu as contratações
de Vágner, Alaércio, Tico, Sinval, Tato, Carlinhos e Xará. Destes, só Carlinhos ficaria no clube ao final da
temporada.

A desastrada atuação do presidente grémista só não era cobrada de forma mais incisiva pelos
torcedores porque, primeiro, o desânimo era tamanho que temporariamente haviam abandonado o
clube. E segundo porque o Brasil vivia uma fase de agitação política tão intensa que era difícil pensar em
outra coisa. As denúncias de corrupção e desperdício de dinheiro no governo de Fernando Collor de
Mello eram concretas, assustadoras. O primeiro presidente da República eleito pelo voto direto após
três décadas de autoritarismo, transformara-se numa decepção completa. O povo mostrava-se mais
disposto a ir para o meio da rua xingar o governante, do que a um estádio de futebol.

Foi por isso que apenas 15.557 torcedores foram ao Olímpico, no dia 14 de junho, para assistir a
mais um Grenal, vencido pelo Grémio por 2 x 1. O encontro era amistoso, mas o comportamento de
gremistas e colorados, tanto no campo como nas arquibancadas, era de final de campeonato.
Encheram-se de porrada. O zagueiro Célio Silva e o volante Élson, do Inter, foram expulsos do gramado
pelo árbitro Olinto Preusler e dezenas de torcedores foram expulsos do estádio pela Brigada Militar.

— Segunda divisão! Segunda divisão! — gritavam os vermelhos.
— Flamengo! Flamengo! — respondiam os azuis, pois o clube carioca
eliminara o Inter do campeonato brasileiro, na semana anterior.
Sobravam também ofensas pessoais a jogadores e dois colorados eram os alvos preferenciais. O
goleiro Maizena ("frangueiro, frangueiro") e o centroa-vante Gérson ("aidético, aidético"). Maizena foi
tirado do time pelo técnico António Lopes, substituído pelo paraguaio Fernandez. E Gérson, portador do
vírus da Aids, como informara em abril o diretor de futebol do clube, continuou como titular do time até o
final da temporada.

208

A história dos Grenais

Na tarde do dia 7 de abril, quando veio a público a triste informação ligando o atacante ao vírus, o
fotógrafo Mauro Vieira e eu fomos até o apartamento do jogador, na rua Lucas de Oliveira, para abordar
o delicado assunto. Saímos do pátio do Beira-Rio, do meio de um burburinho de repórteres, com uma
frase martelando nossos ouvidos:

— O Gérson está transtornado, pensando em se suicidar.

Chegamos ao prédio, subimos pelo elevador e lá dentro do apartamento encontramos o jogador
tranquilo, ao lado da esposa Andreia, do irmão Alexandre e de uma das duas filhas, Tabatha.

— Não fui ao estádio porque estou com caxumba — explicou Gérson, apontando em seguida
para o mano, que teria transmitido a doença para ele. A pequena Tabatha não dava a mínima bola para
a conversa, olhos grudados na televisão, assistindo Arnold Schwarzeneger no filme O Exterminador do
Futuro U. Aquele ambiente harmónico manteve-se durante os 60 minutos de conversa, e depois,
enquanto voltávamos para a redação de Zero Hora concluímos que, portador ou não do vírus, Gérson
jamais admitiria o fato.

No restante do ano o paulista Gérson da Silva, 26 anos, jogaria suas melhores partidas pelo Inter,
faria gois belíssimos e seria jogador fundamental nas conquistas dos títulos da Copa do Brasil e do
bicampeonato gaúcho. Na campanha da Copa do Brasil, fez 9 dos 18 gois do time. Na primeira fase, até
como goleiro jogou, pois Fernandez foi expulso contra o Muniz Freire, do Espírito Santo. Na segunda
fase, fez dois gois no 4 x O que o time meteu no Corinthians, em São Paulo. Na terceira fase, dois empates
em 1 x 1 , contra o Grémio, nas duas oportunidades gois dele (diante de um público que totalizou 120
mil pessoas). E na semifinal após marcar o segundo gol da vitória por 2 x 0 sobre o Palmeiras, em São
Paulo, saiu correndo por trás da goleira, passou mal e vomitou. O Inter seria campeão diante do
Fluminense, dia 13 de dezembro, ao fazer l x O, gol do zagueiro Célio Silva, de pênalti, a dois minutos do
final.

Exatos dez dias depois, numa quarta-feira à noite, o clube empataria com o Grémio em O x O, no
Beira-Rio e comemoraria mais um título gaúcho. Conquistas que encheram de orgulho o povo
colorado e fizeram com que o maldito vírus da AIDS temporariamente caísse no esquecimento.
Gérson não

209

A história dos Grenais

fez gol em nenhum dos Grenais decisivos do Gauchão. Foi o seu substituto, Nando, quem viveu seu
momento de fama, fazendo dois dos três gois na vitória por 3 x l no primeiro dos dois jogos. Marquinhos fez o
outro e Alcindo descontou para os tricolores. A torcida azul saiu cabisbaixa, pouco confiante numa virada
na segunda partida (pessimismo que confirmaria-se), e especialmente triste pelo acidente ocorrido nas
sociais de seu estádio. Um torcedor, Marco António Bonzonato, embriagado, despencou das cadeiras do
andar superior e caiu sobre a torcedora Maria José de Mendonça, de 32 anos, filha do ex-técnico Aparício
Viana e Silva. Ela sofreu lesão na coluna vertebral e teve de abandonar os estádios, pois eles não são
preparados para receber torcedores em cadeiras de rodas.

Uma semana após a conquista do bicampeonato, o ano acabou. Como sempre, alegre para uma
metade do Rio Grande, triste para a outra. O mais feliz dos colorados era um são-borjense, ex-dirigente do
clube, ex-cronista, que na função de presidente da Câmara Federal comandara a votação que, em setembro,
afastara Fernando Collor do poder. Ibsen fora o técnico e seu time de deputados aplicara uma goleada por
441 a 38 no time do presidente. "A Câmara foi presidida de maneira impecável por Ibsen Pinheiro", disse a
revista Veja em sua edição extra de 20 de setembro. A mesma Veja que no final de 1993, sentindo-se, como
todos os brasileiros, traída e apunhalada, estamparia na capa uma foto do ex-mandarim colorado ao lado da
seguinte indagação: "Até tu, Ibsen?". O mesmo homem que de forma brilhante ajudara a expurgar o tumor
maligno que era Collor, passava a ocupar as manchetes como vilão na CPI do Orçamento, acusado de
enriquecimento ilícito. O estado das coisas se alterou de forma rápida. Os torcedores do Inter. que haviam
curtido um 1992 glorioso, viram de uma hora para outra tudo mudar para pior. Nem tanto pelo envolvimento
do colorado Ibsen nas roubalheiras de Brasília, mas pela onda destruidora que cobriu o departamento de
futebol do Beira-Rio. Na Taça Libertadores, a equipe foi eliminada logo na primeira fase. com um
desempenho pra lá de medíocre. Nenhuma vitória em seis jogos. E no dia 15 de abril, para piorar a situação,
o indestrutível bandido voltou, o vírus. Gérson foi internado em estado grave no Hospital Conceição, vítima
de edema cerebral, saiu de lá após um mês

210

A história dos Grenais

de internamento, mas nunca mais voltou a jogar.

A Aids impunha-se, cada vez mais, como assunto inevitável em todas as rodas. Assunto chato, triste,
sério, ameaçador. Mas Jô Soares, em seu programa das 23h30min, no SBT, conseguiu arrancar
gargalhadas de sua plateia ao abordá-lo. A frase do Gordo, ao mesmo tempo alegre e triste, foi esta:

— Que saudade da gonorréia.

O ano era de eliminatórias para a Copa do Mundo e Jô. mais do que em Aids, andava falando sobre
futebol. A principal tese que defendia, apoiado pelo poético cronista esportivo Armando Nogueira, era a
de que o franzino, rápido e criativo Dener deveria ser titular da Seleção. Dener Augusto de Souza que
naquele primeiro semestre de 1993 vestia a camisa 10 do Grémio. Ao natural, foi eleito o craque do
campeonato, o responsável direto pela conquista do título gaúcho, confirmado na fria noite de 14 de
julho, sobre o embarrado gramado da Boca do Lobo, em Pelotas.

Nenhum campo, por pior que estivesse, e nenhum adversário, por mais violento que fosse (e o
lateral Bruno, da equipe pelotense. foi exagaredamente agressivo com Dener na noite do título,
aplicando-lhe um soco e cortando-lhe a boca) seria suficiente para obstaculizar sua genialidade. Sobre um
campo bom e diante de adversários que tentassem enfrentá-lo no jogo limpo, aí então não tinha nem
graça. Jandir e Élson bem que tentaram, no Grenal de 27 de junho. único disputado por Dener em seu
curto período de Olímpico, mas o negrinho era esperto e rápido demais para que conseguissem para-lo.
O Grémio ganhou por l x O, gol de Gilson, e o melhor jogador em campo foi, claro. ele.
As disputas regionais sempre tiveram o seu herói e aquela fora a vez de Dener, um paulista de 22
anos, Im64cm, 67kg, chuteira n° 38. Gostou da idolatria. Os três meses em que viveu em Porto Alegre,
habitando a suíte do Alfred Hotel, foram, segundo ele mesmo, os mais felizes de sua vida. Seu futebol foi
tratado por torcedores e cronistas com a reverência merecida e Dener só não permaneceu no clube
porque a má situação financeira impossibilitou o investimento em craque tão caro, US$ 2 milhões.

E com a única faixa de campeão ganha em sua curta carreira. Dener voltou para o centro do
país. Dez meses depois, então jogador do Vasco, o

211

A história dos Grenais

pequeno génio morreu. Às 5h40min do dia 19 de abril de 1994, voltando de São Paulo onde fora visitar
mulher e filhos, seu Mitsubishi Eclipse GS, branco, dirigido pelo amigo Oto Miranda, chocou com uma
árvore na avenida Borges de Medeiros, Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, e a morte foi instantânea.
Estava dormindo no banco do caroneiro, reclinado, e com o choque o cinto de segurança o estrangulou.

Na mesma avenida, a poucos metros do local do acidente, ficava a residência daquele que era,
talvez, seu maior fã. o jornalista Armando Nogueira. Cinco dias depois, durante o programa Cartão Verde,
na TV Cultura, Nogueira comentou o fato, emocionado, e entre lágrimas sugeriu que uma placa, mesmo que
pequena, fosse colocada na árvore onde o Dener perdera a vida. Sugeriu também a frase a ser impressa nela:
"Aqui morreu um poeta do futebol".

Como Dener, outros poetas, hoje embriões, surgirão para dar continuidade à história dos Grenais.
A eles estão reservados papéis especiais. Mas esta história — iniciada na primeira década de um século que
está dando seus últimos suspiros — é tão grandiosa que serão necessários milhares de outros personagens
para compô-la. Pernas-de-pau. torcedores alucinados, dirigentes trapalhões, fãs intrometidos, zagueiros
violentos, jornalistas furungadores, treinadores surpreendentes e árbitros para serem chamados de ladrões.

A disputa entre tricolores e colorados é um emocionante e interminável seriado. Uns. achando-se
mocinhos, torcendo pelo fracasso dos outros, os bandidos. No fundo de sua emoção, entretanto, todos
cansados de saber que só são grandes e fortes porque os rivais também o são. Ou será que o futebol gaúcho
teria graça sem o Grenal?

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TABELA DE GRENAIS

1 -GrêmiolOxOInter
18.07.1909

Baixada - juiz: Waldemar Bromberg

Grémio: Calllelz; Deppermann e Becker, Caris; Black e

Mostardeiro; Brochado, Griinewald, Moreira, Booth; e Schroeder.

Inter: Poppe II; Portela e Simone; Vinholes, Pires e Wetternich,

Pope l, Horácio e César, Mendonça e Carvalho.

Gois: Booth (5), Griinewald (4) e Moreira.
2 - Grémio 5x0 Inter
17.07.1910

Baixada - Juiz: Theobaldo Foernges

Grémio: Teichmann; Deppermann e Marteu; Bento, Sommer e

Mostardeiro; Geyer, Moreira, Booth, Griinewald e Mostardeiro l.

Inter: Lindemayer; Mendonça e Volkmann; Vinholesll, Kluwe e

Lemos; Poppe, Galvão, Grafrée, Chaves e Vinholes l.

Gois: Mostardeiro, Booth (2). Geyer e Moreira.

3 - Grémio 10 x 11nter
18.06.1911

Escola de Guerra - juiz: Theobaldo Foernges

Grémio: Teichmann; Schuback e Mohrdieck; Griinewald, Sommer

e Mostardeiro; Mostardeiro II, Bento, Cox, Moreira e Booth

Inter: Ávila; Ygartua e Mediei; Volkmann Kluwe e Padilha; Túlio,

Galvão, Nilo, Simão e Vinholes

Gois: os do Grémio não foram revelados. Vinholes marcou para o

Inter

4-Grémio 6x0 Inter

Camp. Metropolitano - 23.06.1912

Baixada - juiz: Theobaldo Foernges

Grémio: Teichmann; Schuback e Mohrdieck; Alencastro. Ribeiro e

Mostardeiro; Mostardeiro II, Bçoth, Lino, Geyer e Sisson

Inter: Crosley; Rodagazio e Ávila; Kluwe, Pinto e Lay; Chaves,

Pedra, Ribas, Galvão e Túlio

Gois: não revelados

5 - Grémio 2 x 11nter
15.09.1912

Baixada - juiz: Theobaldo Foernges

Grémio: Teichmann; Schuback e Mohrdieck; Xiru, Sommer e

Ribeiro; Alencastro, Geyer, Booth, Haensel e Sisson

Inter: Russomano; Pery e Rada; Jacy, Kluwe e Cabellon; Túlio.

Galvão. Pedro, Ribas e Vares

Gois: Booth (2) e Galvão

6 - Grémio 2 x 11nter

Camp. Metropolitano - 08.06.1913

Chácara dos Eucaliptos - juiz: sócio do S.C. Colombo

Grémio: Ribeiro, Schuback e Mohrdieck; Bento, Hanssen e

Alencastro; Ashlin, Geyer, Voods, Booth e Soares

Inter: Russomano, Ari e Simão; Barbieri, Kluwe e Tom; Túlio,

Flores, Bedionda, Átila e Barão

Gois: Ashlin (2) e Túlio

7 - inter 4 x 1 Grémio
31.10.1915
Baixada - juiz: Aristides Prado

Inter: Baes; Simão e Dornelles; Bitu, Carlos e Lucídio; Túlio,

Osvaldo, Bedionda, Miiller e Vares

Grémio: Bruno; Diez e Mohrdieck; Hanssen, Alencastro e

Chiquinho; Dorival, Sisson, Gertum, Scalco e Assumpcâo

Gois: Bedionda (2), Túlio, Muller e Sisson

8 - Inter 6 x 1 Grémio
30.07.1916

Chác. Eucaliptos - juiz: não toi divulgado

Inter: Silva; Fidélis e Simão; Mário, Bito e Ribas; Túlio, Osvaldo,

Bedionda, Muller e Vares

Grémio: Schiel; Mordieck e Seibel; Py, Alencastro e Chiquinho;

Assumpção, Sisson, Gertum, Scalco e Teichmann

Gois: Vares (6) e Scalco

9 - Inter 3x2 Grémio
29.10.16

Baixada - juiz: Theobaldo Foernges

Inter: Silva, Simão e Raul; Mário, Lucídio e Bitu; Túlio, Osvaldo,

Bedionda, Muller e Vares

Grémio: Schiel, Mordieck e Seibel; Hanssen, Alencastro e

Chiquinho; Assumpção, Carlos, Sisson, Scalco e Teichmann

Gois: Túlio, Muller, Osvaldo, Sisson e Assumpção

10-Inter 5x3 Grémio

Metropolitano-.10.05.1918

Chác. Eucaliptos - juiz: não divulgado

Inter: Bicca; Simão e Belo; Martins, Santana e Crespo; Ribas,

Godinho, Mário Cunha, Bento e Guimarães

Grémio: Kunz; Garibotti e Masson; Pavani, Dorival e Chiquinho;

Jorge, Gertum, Rocha, Lagarto e Cossi

Gois: Mário Cunha (2), Ribas (2), Guimarães, Lagarto (2) e Pavani

11-Grémio 1 x 0 Inter

04.08.1918

Baixada - juiz: Oscar Fontoura

Grémio: Kunz; Garibotti e Py; Pavani, Dorival e Chiquinho; Zamela,

Franco, Gertum, Scalco e Bruno

Inter: Bicca; Belo e Dorival; Evodi. Mário e Bito; Crespo, Ribas,

Godinho, Bento e Guimarães

Gol: Garibotti

12-Inter 2x0 Grémio

20.07.1919

Chác. Eucaliptos - juiz: não divulgado

Inter: Banholas; Belo e Só; Gil. Léo e Rosário; Crespo, Geny,
Kluwe, Pedro e Mário

Grémio: Demétrio; Pinto e Py; Chiquinho, Dorival e Pavani;

Leonardo, Meneghini, Lagarto, Bruno e Gertum

Gois: Kluwe e Pedro

13 - Grémio 3x2 Inter

14.09.19

Baixada - juiz: não divulgado

Grémio: Papae; Pinto e Py; Assumpção, Dorival e Chiquinho;

Gertum, Bruno, Lagarto, Meneghini e Lewis

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Tabela dos Grenais

Inter: Bantiolas; Belo e Woebecke; Gil. Léo e Rosário; Crespo,

Bedionda, Kluwe, Bento e Maia

Gois: Dorival, Lagarto, Lewis, Gil e Bedionda

14 - Grémio 4 x 11nter

02.05.1920
Chácara dos Eucaliptos - Juiz.Tanho Graherguer

Grémio: Teixeira; Assumpção e Py; Meneghini, Dorival e Moreno;

Gertum. Máximo. Lagarto, Ramón e Bruno

Inter: Travi; Belo e BaixadaC.; Só, Bitu e Rosário; Gil, Geny. Kluwe,

Bento e Maia

Gois: Ramon (2), Gertum (2) e Geny

15-Grémio 2x1 Inter

22.08.1920

Baixada - juiz: Anacleto Contreiras

Grémio: Lara; Assumpção e Py; Mordieck. Dorival e Moreno;

Gertum, Máximo, Lagarto, Ramón e Bruno

Inter: Travi; Belo e Woebecke; Bito, Mello e Léo; Rosário. Samuel,

César, Bento e Maia

Gois: Gertum, Lagarto e Rosário

16-Grémio 3x2 Inter

23.09.1923

Baixada - juiz: Alfredo Avelino

Grémio: Lycério; Assumpção e França; Meneghini, Filhote e

Bissaco; Léo, Totte, Feio, Lagarto e Luiz Carvalho

Inter: Job; Meneghini e Só; Escoril, Bitu e Moreno; Heron, Barras.

Tatu, Eduardo e Gallego

Gois: Luiz Carvalho, Totte, Lagarto, Barras e Eduardo
17-Grémio 1 x 0 Inter

1M1.1923

Chác. Eucaliptos - juiz: Amistoso Petersen

Grémio: Lycério: Assumpção e Franca; Meneghini, Filhote e

Bissaco; Léo, Armando, Feio. Lagarto e Luiz Carvalho

Inter Baid; Honório e Só; Ribeiro, Bitu e Moreno: Barres Gery

Tatu, Bulcão l e Bulcão II

Gol: Armando

18-Grémio 4x3 Inter

27.04.1924

Baixada - juiz: Henrique Maia Faiiíace

Grémio: Lara; Py e Wilmar; Adroa;de. Fec e Veresf- IK.

Totte, Domingos, Luiz Carvalho e Mário

Inter: Jorge; Só e Meneghetti; Ribeiro 3"-! e My?rc; 3s~3

Geny, Dias l, Dias II e Dias III

Gois: Totte (3), Léo, Geny e Ribeiro (2)

19-lnter2x1 Grémio

12.11.1924

Chác. Eucaliptos - juiz: Henrique Maia Faillace

Inter: Marcelino; Honório e Gomes; Ribeiro. Bitu e M:-*-:

Rosário, Barras, Eduardo, Veiga e Guimarães

Grémio; Lara; Adroaldo e Py; Macarrão, Feio e Menegftiír: Lsc

Bruno, Totte, Luiz Carvalho e Carrapicho

Gois: Veiga, Eduardo e Bruno

20-GrêmioS x 3 Inter

24.05.1925

Baixada - juiz: Alfredo Avelino

Grémio: Lara; Adroaldo e Neco; Macarrão, Feio e Zeca; Perazzoni,

Cói, Oliveira, Luiz Carvalho e Coro

Inter: Bard. Meneghetti e Grani; Ribeiro, Lampinha e Moreno;

Rosário, Barros, Veiga, Clóvis e Guimarães

Gois: Nené, Coro, Meneghini (contra), Barros (2) e Veiga

21 - Inter 2x2 Grémio
11.10.25

Chác. Camélias -juiz: Pavani

Inter: Bard; Meneghetti e Grani; Ribeiro, Lampinha e Moreno;

Rosário, Geny, Veiga, Clóvis e Barros

Grémio: Lara; Adroaldo e Neco; Macarrão. Feio e Zeca; Meneghini,

Cói, Oliveira. Luiz Carvalho e Coro

Gois: Oliveira, Luiz Carvalho e Barros (2)

22 - Grémio 4 x 11nter
27.06.1926
Chác. Eucalipto - juiz: Manoel Reis

Grémio: Lara. Zeca e Sardinha; Adão, Telêmaco e Meneghini;

Domingos. Coro. Luiz Carvalho, Esperança e nené

Inter: Orestes; Carlitos e Grart; Ribeiro, Lamoinha e Paulo;

Vinhares e Veiga. Tatu. Barros e Clóvis.

Gois: Luiz Carvalho. Esperança. Coro (2) e Barros

23 - Grémio 4x3 Inter
14.11.1926

Babatfa - juiz: Miguel Fontes

Grémio: Lara: Adroaldo e Sardinha; Adão, Telêmaco e Carrilho;

Doninçcs. Coro. Luiz Carvalho, Esperança e Nené

àser Oestes. Meneghetti e Carlito; Ryff, Moreno e Paulo; Darci,

Rlberc. Ciòvis. Veiga e Barros

Gc-s: Lui Carvalho (2), Coro, Telêmaco, Ribeiro (2) e Barros

2< - irer 3 x 2 Grémio

Chác Eucaliptos - juiz: Henrique Maia Faillace

rter Uõelier; Grant e Gilberto; Ribeiro, Lampinha e Paulo; Barros,

ffené. Rcss, Veiga e Miro

S'Êrtó: Lara; Sardinha e Adroaldo; Adão, Telêmaco e Pitoco;

jcrtigos. Coro. Luiz Carvalho, Esperança e Nené

Gos: Ross. Miro, Ribeiro e Telêmaco (2)

'£ -:-íer3x1 Grémio

Uarcpcliano -12.06.1927

Bziada - juiz: Marques de Souza

TET: MõeHer Gilberto e Grant; Ribeiro, Lampinha e Paulo; Nené,

Veiga. Ross. Miro e Barros

Srênio: Lara; Adroaldo e Sardinha; Russo, Telêmaco e Pitoco;

Nené. Coro. Luiz Carvalho, Adeliw e Domingos

Gos: Nené, Barros (2) e Domingos

26-Grêmio3x2lnter

Metropolitano -10.06.1928

Chác. Eucaliptos - juiz: Carlos Froelinck

Grémio: Mõeller; Maysonave e Sardinha; Adão, Telêmaco e

Cariíx): Domingos. Luiz Carvalho, Odorico, Coro e Esperança

"ier: 3ard; Miro e Grant; Ribeiro, Lampinha e Moreno; Nené,

Veiga. Ross, Barros e Gatti

Gcls: Luiz Carvalho (2), Telêmaco, Ross e Ribeiro

214

Tabela dos Grenais
27 - Grémio 2 x 2 Inter
Metropolitano-26.08.1928
Baixada - |'uiz: Alfredo Melecchi

Grémio: Mõeller; Sardinha e Maysonave; Adão, Telêmaco e Carrilho; Domingos, Luiz Carvalho, Odorico, Coro e Esperança Inter: Bard; Pontes e Grant; Ribeiro, Lampinha e Moreno: Nené, Alves,
Ross, Miro e Ramón Gois: Telêmaco, Esperança, Ribeiro e Ramón

28 - Grémio 2x0 Inter
Amistoso -19.11.1928

Chác. Eucaliptos - juiz: Henrique Maia Faillace

Grémio: Arménio; Sardinha l e Sardinha II; Adão, Telêmaco e

Macarrão; Domingos, Pitoco, Foguinho. Esperança e Nené

Inter: Bagre, Pontes e Mabília; Marroni, Lampinha e Rylf; Dirceu,

Odorico, Miro, Lourival e Ramón

Gois: Telêmaco e Nené

29 - Grémio 2 x 11nter
Amistoso -26.05.1929
Baixada - juiz: Gomercindo

Grémio: Lara; Sardinha e Oario; Adão, Poroto e Macarrão; Mamio

Bicca, Bate-Bate, Pasqualito, Coro e Nené

Inter: Bagre; Pontes e Risada; Ribeiro, Magno e Moreno; Lourival,

Javel, Ross, Luiz e Marroni

Gois: Coro, Moreno (contra) e Magno

30 - Inter 4x2 Grémio
Metropolitano-14.07.1929

Chác. Eucaliptos - juiz: Celeste Aleixo

Grémio: Lara; Sardinha e Dario; Aldo, Telêmaco e Nené; Brenol,

Marcello, Décio, Coro e Esperança

Inter: Bagre, Miro e Risada; Rylf. Magno e Moreno; Nené, Javel,

Ribeiro l, Ribeiro II e Marroni

Gois: Nené, Ribeiro, Lourival (2), Telêmaco e Coro

31-Grêmio2x1 Inter

10.11.1929

Baixada - juiz: A. Manzolli e C. Aleixo

Grémio: Lara; Sardinha e Dario; Macarrão, Poroto e Russo; Nené,

amando, Luiz Carvalho, Coro e Osvaldo

Inter: Mõeller; Miro e Risada; Rylf, Magno e Moreno; Nené,

Ribeiro II, Ribeiro l, Javel e Lourival

Gois: Miro (contra), Amando e Dario (contra)

32 - Grémio 3 x 11nter
04.05.1930

Baixada - juiz: Balleta, do Bancário

Grémio: Lara; Sardinha e Dario; Macarrão, Poroto e Russo; Javel,

Coro, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Léo; Risada e Miro; Elpídio, Magno e Moreno; Jorge, Nené,

Ribeiro l, Marroni e Kessler

Gois: Luiz Carvalho, Javel, Foguinho e Risada
33 - Grémio 1 x 11nter
14.09.1930

Campo do Porto Alegre - juiz: Heitor Deste

Grémio: Lara, Dario e Sardinha; Macarrão, Poroto e Russo; Javel,

Coro, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penei, Carreiro e Risada; Ribeiro, Magno e Elpídio; Nené,

Marroni, Mancuso, Miro e Kessler Gois: Javel e Miro

34 - Inter 3x0 Grémio

15.03.1931

Inauguração do Estádio dos Eucaliptos - juiz: Heitor Oeste

Inter: Penha; Miro e Risada; Ribeiro, Magno e Moreno; Nené.

Javel. Ross, Honório e Ricardo

Grémio: Lara; Sardinha l e Sardinha II; Dario, Luiz Carvalho e

Russo; Domingos, Artigas, Foguinho, Coro e Nené

Gois: Javel (3)

35-Inter 1 x 0 Grémio

26.04.1931

Eucaliptos - juiz: Heitor Deste

Inter: Penha; Risada e Miro; Ribeiro. Marino e Moreno; Nené,

Javel, Ross, Honório e Marreco

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Mabília, Poroto e Russo; Artigas,

Amando, Foguinho, Luiz Carvalho e Nené

Gol: Ross

36-Grémio 2x0 Inter

28.07.1931

Amistoso de inauguração dos reflelores da Baixada - juiz: não foi

divulgado

Grémio: Lara; Dario e Sardinha; Mabília, Poroto e Russo; Laci,

Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Ribeiro e Miro; Risada, Alfredo e Magno; Moreno,

Javel, Marreco, Mancuso e Honório

Gois: Luiz Carvalho e Foguinho

37 - Grémio 2 x 1 Inter
18.10.1931

Baixada - juiz: Heitor Deste

Grémio: Lara; Dario e Sardinha; Mabília, Poroto e Russo; Laci,

Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Ribeiro e Miro; Risada (Alfredo). Magno e Moreno;

Javel, Marreco, Mancuso, Honório e índio

Gois: Artigas, Nené e Magno

38 - Grémio 2x0 Inter
10.07.1932

Baixada - juiz: Nestor Pereira
Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Heitor, Poroto e Sardinha II; Laci,

Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Miro e Grant; Alfredo, Risada e Garnizé; Javel,

Ribeiro, Pereira (Vanderlino), Honório e Bermudes

Gois: Artigas o Nené

39 - Grémio 1 x O Inter
30.10.1932

Eucaliptos - juiz: Valter Costa

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Heitor, Poroto e Sardinha II; Laci,

Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Álvaro e Risada; Alfredo, Miro e Garnizé; Javel,

Bermudes, Mancuso, Marroni e Marreco

Gol: Luiz Carvalho

40-Grémio 5x3 Inter 09.04.1933

215

Tabela dos Grenais

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Heitor, Poroto e Sardinha II; Laci,

Artigas, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Miro e Risada; Alfredo, Mabília e Garnizé; Venenoso,

Honório, Tupã, Marroni (Javel) e Marreco

Gois: Luiz Carvalho (2), Nené (2), Artigas, Venenoso, Marreco e

Tupã

41 - Grémio 3 x 11nter

13.08.1933

Baixada - juiz: Valter Costa

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Heitor, Poroto e Sardinha II; Laci,

Alemãozinho, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Inter: Penha; Vanderlino e Risada: Alfredo, Miro e Garnizé; Cavaco,

Venenoso, Tupã (Honório). Marroni e Javel

Gois: Foguinho, Heitor, Alemãozinho, Risada e Venenoso

42-Inter 4x3 Grémio

24.06.34

Eucaliptos - juiz: Joaquim Macedo

Inter: Penha; Poroto e Risada; Garnizé, Darci e Levi; Chato, Tupã,

Mancuso, Honório e Marreco

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Jamegão, Acosta e Sardinha II;

Alemãozinho, Russinho, Luiz Carvalho, Foguinho e Nené

Gois: Risada, Mancuso, Tupã, Honório, Sardinha II (2) e Luiz

Carvalho

43-lnter2x1 Gré mio
21.10.34

Baixada - juiz: Álvaro Silveira

Inter: Penha; Poroto e Risada; Levi, Darci e Garnizé; Chato, Tupã,

Mancuso, Cavaco e Marreco

Grémio: Lara; Dario e Sardinha l; Jorge, Sardinha II e Jamegão;

Laci, Russinho, Luiz Carvalho, Foguinho e Mário

Gois: Tupã, Cavaco e Laci

44 - Inter 1 x 1 Grémio
28.07.1935

Inter: Penha; Natal e Risada; Garnizé, Poroto e Levi; Floriano,

Tupã, Mancuso, Darci e Prestes

Grémio: Lara; Dario e Luiz Luz: Jorge, Mascarenhas e Sardinha II;

Laci, Russinho, Veronese. Foguinho e Castiíw

Gois: Castilho e Mancuso

45 - Grémio 2x0 Inter
22.09.1935

Baixada - juiz: Francisco Azevedo

Grémio: Lara (Chico); Dario e Luiz Luz; Jorge, Mascarenhas e

Sardinha II; Laci, Artigas, Russinho, Foguinho e Divino

Inter; Penha; Natal e Risada; Garnizé, Andrade e Levi: Tijolada.

Tupã, Mancuso, Darci e Honório.

Gois: Foguinho e Laci

46 - Grémio 1 x 11nter
15.03.1936

Timbaúva - juiz: Carlos Gomes

Grémio: Chico; Dario e Luiz Luz; Sardinha II, Mascarenhas

(Martins) e Russo; Laci, Russinho, Alemão (Ribas), Foguinho e

Casaca

Inter: Penha; Risada e Alleu; Artigas, Severo e Levi; Alves.

Salvador, Mancuso. Castilhos e Tom Mix

Gois: Casaca e Castilhos

47 - Inter 3x2 Grémio
30.08.1936

Eucaliptos - juiz: Dante Marroni

Inter: Penha; Alfeu e Natal; Garnizé, Risada e Levi; Salô(Sílvio),

Salvador (Artigas), Mancuso, Castilhos e Tom Mix

Grémio: Chico; Dario e Luiz Luz; Jorge, Mascarenhas e Russo;

Laci, Russinho, Torelli (Venenoso), Foguinho e Casaca

Gois: Risada, Mancuso. Artigas e Russinho (2)

48 - Inter 2x0 Grémio
1".11.1936

Baixada - juiz: Luiz Dolce

Inter: Penha; Alfeu e Natal; Garniz é, Risada e Levi; Silvio

(Marreco), Artigas, Salvador. Castilho e Tom Mix
Grémio: Chico; Mottin e Luiz Luz; Jorge, Mascarenhas e Russo;

Laci, Veronese, Torelli, Foguinho e Casaca

Gois: Salvador e Artigas

49 - Grémio 2 x 11nter
31.10.1937

Baixada - juiz: Ari Lund

Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; Renato, Noronha e Russo;

Laci, Vanário, Alemão, Torelli e Casaca

Inter: Risso; Berto e Risada; Zezé, Brandão e Levi; Negrito,

Salvador, Acácio, Souza e Castilho

Gois: Alemão e Acácio

50 - Grémio 2x0 Inter
21.11.37

Timbaúva - juiz: Álvaro Silveira

Grémio: Edmundo: Dario (Mário) e Luiz Luz; Renato, Noronha e

Russo; Laci. Vanário (Torelli), Alemão, Foguinho e Casaca

Inter: Penha; Berto e Risada; Artigas (Silveira), Brandão e Zezé;

Benjamim, souza. Silvio Pirillo, Levi (Acácio) e Castilho

Gois: Casaca e Torelli

51 - Grémio 4x3 Intef
12.12.37

Eucaliptos - juiz: Álvaro Silveira

Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; Renato, Noronha e Russo;

Lao. Vanário (Torelli). Alemão. Foguinho e Casaca

Inter: Risso; Berto e Graham Bell; Artigas (Zezé), Levi e Risada;

Negrito (Benjamim), Souza, Salvador, Acácio e Castilho

Gois: Vanário, Casaca, Alemão. Laci, Castilho, Acácio e Salvador

52-Grêmio3x1 Inter

08.05.38

Eucaliptos - juiz: Alfredo Melecchi

Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; Jorge, Noronha e Russo;

Mesquita. Vanário, Alemão (Luiz Carvalho), Foguinho e Casaca

Inter: Júlio; Pércio e Risada; Levi, Brandão e Giordani; Benjamim.

Rui, Silvio Pirillo, Miguel e Castilho

Gois: Luiz Carvalho (2), Vanário e Silvio Pirillo

53 - Grémio 4x4 Inter

06.06.38

Timbaúva - juiz: Luiz Dolce

Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; Jorge. Noronha e Russo;

216

Tabela dos Grenais
Mesquita, Vanário, Luiz Carvalho, Foguinho e Casaca Inter. Júlio; Pétcio (Símão) e Risada;; Zezé (Celso), Levi e Giordani; Acâcio, Rui (Castilho), Silvio Pirillo, Miguel« Carlitos Gois;
Luiz Carvalho, Casaca (2), Vanário, Silvio Pirillo (2), Carlilos e Acâcio
54-Grèmio4x31nler

02,10.38
Eucaliptos - juiz; Álvaro Silveira
Grémio. Edmundo; Oario (Ari Delgado) e Luiz Luz; Jorge, Noronha
e Russo; Mesquita, Vanário, Luiz Carvalho, Foguinho e Casaca
Inter: Júlio; Alteu e Sadu; Brandão, Levi e Silveira (Cardoso);
Acâcio, Castilho. Silvio Pirillo, Miguel e Filhinho
Gois: Luiz Carvalho. Foguinho, Mesquita, Casaca, Acâcio, Silvio
Pirillo e Miguel
55-Inter 6x0 Grémio
V .11.38

Timbaúva - juiz: Álvaro Silveira
Inter: Júlio; Viana e Risada; Brandão, Silenzi e Levi; Acâcio,
Castilho, Silvio Pirillo, Miguel e Filhinho
Grémio: Edmundo; Ari Delgado e Luiz Luz; Jorge, Noronha e
Russo. Mesquita, Vanário, Luiz Carvalho, Foguinho e Casaca
Gois: Acâcio (3), Silvio Pirillo, Filhinho e Miguel
56 - Grémio 1 x 11nter
02.04.39

Amistoso inauguração do gramado da Baixada- juiz: Henrique
Maia Faillace
Grémio: Edmundo; Ari Delgado e Luiz Luz; Jorge, Noronha e
Laxixa, Laci, Salvador, Alemão (Suelci), Pepita e Casaca
Inter; Júlio; Alleu e Risada; Brandão, Silenzi (Nené) e Levi; Rui
(Benjamim), Russinho, Silvio Pirillo, Castilho e Carlitos
Gols:PepitoeRussinho
57-Inter 3x2 Grémio
28.05.39

Timbaúva - juiz: Allredo Cesaro
Inter: Júlio, Alleu e Risada; Brandão, Magno e Levi; Acâcio,
Russinho, Silvio Pirillo, Castilho e Carlitos
Grémio: Edmundo, Ari Delgado e Luiz Luz; Walter, Noronha e
Laxixa; Mesquita, Vanârio (Salvador), César, Foguinho e Pepita
Gois: Silvio Pirillo (3), César e Mesquita
58 - Grémio 3x3 Inter
20.07.39

Baixada - juiz: João Chiavoni
Grémio: Edmundo, Ari Delgado e Luiz Luz; Jorge, Noronha e
Laxixa (Foguinho); Mesquita, Salvador, César, Pepita e Casaca
Inter: Júlio; Alteu e Risada; Brandão, Magno e Levi; Acâcio,
Russinho, Sílvio Pirillo, Castilho e Carlitos
Gois: Mesquita, Pepita, César, Brandão, Silvio Pirillo e Russinho
59-Inter 5x2 Grémio
13.08.39
Eucaliptos - juiz: Altredo Cesaro
Inler: Júlio, Mieu e Risada; Celso (Nené), Magno e Levi; Carlitos
(Acâcio), Russinho, Castilho, Silvio Pirillo, Rui (Filhinho)
Grémio: Edmundo, Dario e Luiz Luz (Mário); .Renato. Noronha e
Laxixa; Mesquita, Salvador (alemão), César, Pepita e Casaca
Gois: Filhinho (2), Castilho, Russinho, Silvio Pirillo, César e Salvador
60-Grémio 3x2 Inter
08.10.39

Eucaliptos - juiz: Allredo Cesaro
Grémio: Edmundo, Dario e Luiz Luz; Jorge, Noronha e Laxixa;
Mesquita, Vanário, César, Foguinho e Pepita
Inter: Júlio, Alieu e Risada; Levi, Magno e Brandão; Rui, Russinho,
Filhinho, Castilho e Carlitos
Gois: César, Alieu (contra), Vanário e Carlitos (2)
61 - Inter 2 x 1 Grémio
17.10.39

Timbaúva - juiz: Otávio Hipólito
Inter: Júlio; Alteu e Risada; Brandão (Nené), Magno e Levi; Acâcio,
Russinho, Carlitos, Rui (Moacir) e Filhinho
Grémio: Edmundo; Dario e Mottin; Jorge (André), Noronha e
Laxixa; Mesquita (Jesus), Vanário, César, Salvador (Foguinho) e
Pepita
Gois: Rui, Mottin (contra) e Pepita
62-Inter 6x1 Grémio
04.01.40

Baixada - juiz: Allredo Cesaro
Inter: Júlio; Alteu e Risada; Brandão (Celso), Magno e Levi;

Tesourinha, Rui, Acâcio, Castilho e Carlitos
Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; Jorge, Noronha e Laxixa,
Jesus, Vanário (Mesquita), Alemão (César). Salvador e Pepito
Gois: Acâcio (3), Tesourinha, Carlitos (2) e Salvador
63-Grémio 4x2 Inter
13.02.40

Eucaliptos - juiz: Altredo Cesaro
Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; André, Noronha e Laxixa;
Mesquita (Salvador), César, Luiz Carvalho, Foguinho e Malaquias
Inter: Júlio; Alleu e Risada; Celso (Nené), Magno e Levi;
Tesourinha, Russinho, Acâcio, Rui (Castilho) e Carlitos
Gois: Salvador, Foguinho (2), César, Acâcio e Tesourinha
64-Inter 3x2 Grémio
28.04.40

Baixada - juiz: Francisco Azevedo
Inter: Júlio; Alteu e Risada; Nené, Magno e Pedrinho; Tesourinha,
Russinho, Marques, Rui e Carlitos
Grémio: Edmundo (Enobar); Dario e Luiz Luz; André, Noronha e
Laxixa; Mesquita, Rubens, César, Foguinho e Malaquias
Gois: Rui, Russinho, Carlitos e César (2)
65 - Grémio 5x2 Inter
18.05.41
Eucaliptos - juiz: Vergílio Fedrichi
Grémio: Edmundo; Mário e Luiz Luz; André, Noronha e Laxixa;
Mesquita, Vanário, César, Foguinho e Malaquias
Inter: Júlio; Alteu e Risada; Assis, Magno e Pedrinho; Tesourinha,
Russinho, Marques, Rui e Cadilos
Gois: Foguinho (2), Malaquias, César (2) e Marques (2)
66 - Inter 4x3 Grémio
29.10.40

217

Tabela dos Grenais

Timbaúva - juiz: Alfredo Cesaro

Inter: Marcelo; Álvaro e Risada; Alfeu, Magno e Assis; Tesourinha.

Russinho, Carlitos. Rui e Castilho

Grémio: Edmundo; Dario e Luiz Luz; André, Noronha e Walter;

Mário, Alexandre, César, Foguinho e Malaquias

Gois: Tesourinha (2), Russinho (2), Mário (2) e César

67-Grémio 2x2 Inter

18.05.41

Timbaúva - juiz: Otto Pedro Bumbel

Grémio: Edmundo; Dario e Walter; Juvêncio. Noronha e Poroto

(andré): Sório, Ivo, César (Malaquias), Foguinho e Ochotorena

Inter: Rubens, Alfeu e Borges; Niquelagem, Assis e Ávila;

Tesourinha, Russinho, Brandão, Rui e Carlitos

Gois: Ivo, Malaquias, Carlitos e Rui

68-Inter 3x2 Grémio

25.05.41

Timbaúva - juiz: Teotônio Soares

Inter: Rubens; Alfeu e Borges; Niquelagem. Salsamendi (Assis) e

Ávila;; Tesourinha, Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos
Grémio: Edmundo; Dario e Walter; Juvêncio (Zeca). Noronha e

André; Mário, Ivo, César (Joeci), Foguinho e Ochotorena

(Malaquias)

Gois: Carlitos, Vilalba, Tesourinha e Foguinho (2)

69 - Inter 3x0 Grémio

17.08.41

Eucaliptos - juiz: Alfredo Cesaro

Inter: Júlio; Alfeu e Júlio Ramos; Brandão, Assis e Niquelagem;

Tesourinha. Russinho. Vilalba. Rui e Carlitos

Grémio: Edmundo: Dario e Walter; José. Noronha e André: Mário,

Ivo, César Basilio, Foguinho e Malaquias

Gois: Carlitos e Vilalba (2)

70-Grêmio2x1lrte

19.10.41

Baixada - juiz: Osvaldo Jung

Grémio: Edmundo; Dario e Water André. Moraria e Jutéroc:

Malaquias, Ivo. Basilio. Fogúrto e OU «mau

Inter: Júlio; Alfeu e Ari; Brandão. Assis e tatá: Tesaeirta.

Russinho, Vilalba, Rui e Carlitcs

Gois: Malaquias, Ochotorena e Vilães

71 - Grémio 1 x 11nter
11.01.42

Timbaúva - juiz: Alfredo Cesaro

Grémio: Enobar; Dario e Walter; Andr é. Tiníiii e Sanes

Malaquias, Mário, Ivo, Foguinho e Ochotorena

Inter: Júlio; Alfeu e Risada; Brand ão. Assis e ttsue&yoi.

Tesourinha. Russinho, Vilalba. Rui e Carlitos

Gois: Malaquias e Vilalba

72 - Grémio 1 x 11nter
19.04.42

Timbaúva - juiz: Álvaro Silveira

Grémio: Veliz; Miro e Rui; andré, Tonelli e Heitor; Wafter. Mane

Andrade, Malaquias, Ivo e Chico

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Dárcio e Abigail; Tesourinha. Rui

Vilalba, Moacir e Carlitos

Gois: Chico e Carlitos

73. Inter 4x2 Grémio
12.07.1942

Baixada - juiz: António Reginato

Inter: Júlio; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail: Tesourinha.

Russinho, Vilalba. Rui e Carlitos.

Grémio: Edmundo; Miro e Rui; Tonelli, Ralini e Heitor; Medina,

Malaquias, Basflio, Nichelli e Chico.
Gois: Russinho 2, Vilalba e Carlitos, Medina e Chico

74. Inter 4x2 Grémio
30.08.1942

Eucaliptos - juiz: António Reginato

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Assis. Ávila e Abigail; Tesourinha.

Russinho. Vilalba, Rui e Carlitos.

Grémio: Veliz; Miro e Valter; André, Heitor e José; Medina, Ivo,

Garcia, Tonelli e Malaquias.

Gois: Vilalba, Carlitos 2 e Tesourinha, Ivo e Malaquias

75. Inter 5 x 1 Grémio
28.02.1943

Baixada - juiz: Alfredo Cesaro

Inter: Aristeu; Nena e Alfeu; Assis. Aviai e Abigail; Tesourinha.

Russinho, Vilalba, Rui e Carlitos.

Grémio: Rubem; Luiz Luz e Valter; Vinícius, Badanha e Heitor;

Medina, Idelmar, Neco, Gringo e Edgar.

Gois: Carlitos 2. Rui, Vilalba e Tesourinha, Neco

76. Inter 5 x 1 Grémio
11.03.1943

Eucaliptos - juiz: Joaquim R. Almeida

Inter: Aristeu; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui,

Ènio (Ezequiei), Vilalba e Carlitos.

Grêfnio: Rubem; Luiz Luz e Valter; Vinícius, Badanha e Heitor;

Medira De Leon. Nicheli, Adams e Neco (Ochotorena).

Gois: Tesourinha, Carlitos, Rui 2 e Ezequiei, Neco

77. Grémio 3x3 Inter
06.06.1943

Estádk) São José - juiz: José G. de Oliveira

Grémio: Júlio; Ciarei e Rui; André, Badanha e Heitor: Galdino,

Soares. Vinícius. Nicheli e Mário.

ireer. Aristeu; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha,

Da. Vilalba. Rui e Carlitos.

Gois: Galdino 2 e Soares, Abigail, Carlitos e Vilalba

Ti WerSxOGrêmio

Cançj 11.07.1943

Boãptos - juiz: Henrique Maia Faillace

rEr «o: Atteu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Vilalba,

TC . Jcare e Carlitos.

Srsne: Júlio: Ciarei e Rui; André, Badanha e Heitor; Galdino, Ivo,

tt-itas. Michdi e Mário. _

tos: Jcane. Tesourinha e Ênio.

7í rer 1 x O Grémio

Canp.: 19.09.1943
•anzb - juiz Henrique Maia Failace

rar Ivo: Atteu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui,

218

Tabela dos Grenais

Vilalba, Joane e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Rui; André, Sanghinetti e Vinícius; Galdino,

IvoTouguinha, Nichelli e Mário.

Gois: Rui.

80. Inter 3x2 Grémio
Amistoso: 13.02.1944

Eucaliptos - juiz: Henrique Maia Failace

Inter. Ivo; Alfeu e Nena; Bahiano. Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui,

Vilalba, Perez (Tolo) e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Rui; André, Sanghinetti e Heitor (Vinícius);

Galdino, Ivo, Touguinha (Soares), Ramóm Castro (Mauro) e

Mário.

Gois: Perez 2 e Rui, Touguinha e Mário

81. Inter 4x2 Grémio
Camp: 30,04.1944

Eucaliptos - juiz; Aparício Viana e^Silva

Inter: Ivo; Alleu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui.

Danilo, Perez e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Rui; Sanghinetti, Touguinha e Vinícius,

Nidisberg, Soares, Gonzaga, Ivo e Mário.

Gois: Tesourinha. Carlitos, Rui e Assis, Ivo e Sanghinetti

82. Inter 7x3 Grémio

Amistoso de inauguração da bandeira do Grémio: 28.05.1944

Baixada - juiz: Aparício Viana e Silva

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui,

Volpi.PerezeBoris

Grémio: Júlio; Rui e Ciarei; Touguinha, Sanghimetti e Ivo II;

Passarito (Bentevi), Soares, Vinícius, Ivo e Ataide (Mário).

Gois: Volpi 3, Tesourinha e Assis, Bentevi. Vinícius e Ivo

83. Grémio 4x3 Inter
13.08.1944

Baixada - iuiz: Henrique Maia Faillace

Grémio: Júlio; Rui e Ciarei; Vinícius, Touguinha e Sanghinetti;

Bentevi. Bombachudo. Ramóm Castro, Ivo e Mário.

Inter: Ivo: Alleu e Nena; Assis. Ávila e Abigail; Tesourinha. Rui.

Adãozinho, Perez e Elizeu.

Gois: Ramóm Castro 2, Bentevi e Mário, Elizeu, Rui e Adãozinho
84. Inter 2 x 1 Grémio
08.10.1944

Timbaúva - juiz: Henrique Maia Faillace

Inter: Ivo; Alleu e Nena; Assis, Ávila e Abigail; Volpi, Tesourinha,

Adãozinho, Rui e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Rui; Vinícius, Touguinha e Sanghinetti;

Bentevi, Bombachudo, Ramóm Castro, Ivo e Mário.

Gois: Carlitos e Volpi (Inter) - Ramóm Castro (Grémio)

85. Inter 2x0 Grémio
09.02.1945

Montanha - iuiz: Alfredo Cesaro

Inter: Ivo; Alleu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Xinxim, Rui,

Adãozinho (Rebolo). Dorvalino e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Hugo; Mário, Touguinha e Sanghinetti;

Bentevi, Bombachudo (Soares), Ramóm Castro, Ivo (Silva) e Mário

Carioca.
Gois; Adãozinho e Xinxin

86. Grémio 1 x 11nter
23.02.1945

Montanha - iuiz: Alfredo Cesaro

Grémio: Júlio; Danton e Hugo; Mário. Touguinha e Sanghinetti;

Bantevi, Bombachudo, Ramóm Castro. Silva (Nadir) e Sadi.

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Xinxin, Adãozinho,

Volpi (Rebolo), Rui (Dorvalino) e Carlitos.

Gois: Bombachudo, Adãozinho

87. Inter 3x2 Grémio
08.04.1945

Eucaliptos - juiz: Alfredo Cesaro

Inter: Ivo; Castrinho e Nena; Viana. Ávila e Abigail; Tesourinha,

Elizeu, Adãozinho, Ivo Aguiar e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton; Mário, Touguinha e Braz; Bentevi,

Bombachudo, Ramóm Castro, Sanghinetti e Segura.

Gois: Carlitos. Elizeu e Tesourinha, Bentevi e Mário

88. Inter 4 x 1 Grémio
24.06.1945

Baixada - iuiz: Alfredo Cesaro

Inter: Ivo; Alteu e Nena; Viana. Ávila e Abigail; Tesourinha. Rui.

Adãozinho. Elizeu e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Hugo; Vinícius, Touguinha e Sanghinetti;

Bombachudo, Beresi, Segura, Ramóm Castro e Repolho.

Gois: Carlitos, Tesourinha e Adãozinho 2, Segura

89. Inter 4x2 Grémio
30.09.1945

Estádio São José - iuiz: João Valente Barros
Inter: Ivo; Nena e Alteu; Viana, Ávila e Abigail; Tesourinha. Ivo

Aguiar, Adãozinho, Rui e Carlitos.

Grémio: Júlio, Hugo e Ciarei; Vinícius, Toneli e Sanghinetti;

Bentevi. Beresi, Massinha, Silva e Repolho.

Gois: Ivo Aguiar, Hugo (contra), Tesourinha e Carlitos, Sanghinetti

e Massinha

90. Inter 1 x O Grémio
05.05.1946

Timbaúva - juiz: Olvaldo Rolla

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Tesourinha,

Adãozinho, Magnones, Rui e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Joni; Jorge, Touguinha e Sanghinetti;

Bentevi (Beresi), Massinha, Segura e Gaiteiro.

Gol: Carlitos

91. Grémio 4x3 Inter
23.06.1946

Timbaúva - juiz: Osvaldo Rolla Grémio: Júlio; Joni e Ciarei; Jorge, Touguinha, e Toneli; Cordeiro (Bentevi), Piveta, Hélio (Massinha), Bexiga, Bentevi (Segura).

Inter: Ivo; Alleu e Nena; limo, Viana e Abigail; Tesourinha, Adãozinho, Rebolo, Rui e Elizeu. Gois: Breresi. Jorge 2 e Bentevi, Adãozinho e Elizeu 2

92. Inter 1 x O Grémio
14.07.1946

Baixada - juiz: Dirceu Bezerra

Inter: Ivo; Alleu e Nena; Viana, Ávila e limo; Tesourinha, Rui,

219

Tabela dos Crenais

Adãozinho, Magnones e Carlitos.

Grémio; Júlio, Joni e Ciarei; Jorge, Sanghinetti e Toneli; Bentevi,

Beresi, Hélio, Massinha e limo.

Gol: Carlitos

93. Grémio 2 x 11nter
15.09.1946

Eucaliptos - juiz: Dirceu Bezerra

Grémio: Júlio; Ciarei e Joni; Jorge, Touguinha e Sanghinetti;

Bentevi, Hélio, Masinha, Segura e Cordeiro.

Inter: lvo;Alleu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Tesourinha, Rui,

Adãozinho, Elizeu e Carlitos.

Gois: Cordeiro 2, Carlitos

94. Inter 4x0 Grémio
01.05.1947

Timbaúva - juiz: Osvaldo Rolla

Inter: Ivo; Alfeu e Nena; Viana, Ávila e Abigail; Tesourinha, Vilalba,

Adãozinho, Fandinho, (Elizeu) e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Joni; Jorge (Danton), Touguinha e
Sanghinetti; Cordeiro, Beresi, Hélio (Santana), Massinha (Gaiteiro)

e Bentevi.

Gois: Joni (contra), Tesourinha, Vilalba e Adãozinho

95. Inter 3x0 Grémio
20.07.1947

Eucaliptos - iuiz: Osvaldo Rolla

Inter: Ivo; Nena e limo; Alfeu, Viana e Abigail; Tesourinha, Vilalba.

Adãozinho, Fandinho e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton; Mário, Adams e Sanghinetti:

Cordeiro, Beresi, Prego, Massinha e Hélio.

Gois: Sanghinetti (contra). Adãozinho e Vilalba.

96. Inter 2 x 1 Grémio
10.08.1947

Timbaúva - juiz: Aparicio Viana e silva

Inter: Ivo; Nena e limo; Alfeu, Viana e Abigail; Sóris. V. Ia -Da.

Adãozinho, Zizinho e Fandinho (Carlitos).

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton (Toneli); Jorge. Aáams e

Sanghinetti; Bentevi (Seroei). Massinha, Prego. Segura (Neteinhc)

e Gaiteiro.

Gois: Carlitos e Vilalba, Massinha

97. Inter 2 x 1 Grémio
05.10.1947

Baixada - juiz: José Carvalho

Inter: Ivo; Nena e limo; Alteu, Viana e Abigail; Bóris. Vilalba.

Adãozinho, Tesourinha e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton; Jorge, Touguinha e Sanghinetti:

Beroci, Hélio, Prego, Segura e Bentevi.

Gois: Vilalba e Carlitos. Nena contra

98. Inter 3x0 Grémio
26.10.1947

Timbaúva - iuiz; Romeu Viola

Inter: Ivo; Nena e limo; Alteu, Viana e Abigail; Tesourinha. Vilalba,

Adãozinho, Dominguinhos e Carlitos.

Grémio: Júlio; Ciarei e Joni (Danton); Rui, Touguinha e Jorge

(Adams); Bentevi, Hermes (Massinha), Prego, Segura e Hélio.

Gois. Carlitos 2 e Adãozinho

99.Grêmio 2x2 Inter
23.11.1947

Timbaúva - juiz: Miguel Salaberry

Grémio: Júlio; Ciarei e Joni; Mário Touguinha e Danton; Beroci,

Beresi, Prego, Segura e Cordeiro.

Inter: Ivo; Alleu e limo; Maravilha, Viana e Abigail; Tesourinha,
Fandinho, AdSozinho, Vilalba e Carlitos.

Gois: Beroci e Prego, Adãozinho e Fandinho

100. Grémio 0x0 Inter
30.05.1948

Timbaúva - juiz: Olvaldo Rolla

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton; Joni, Adams e Libório; Prego

(Beroci). Hermes, Geada, Marimba e Pelado.

Inter: Ivo; Nena e limo; Alleu (Maravilha), Viana e Abigail;

Tesourinha, Vilalba. Adãozinho, Calvet (Leônidas) e Carlitos.

101. Grémio 1x1 Inter
20.06.1948

Montanha - juiz: Artur Vilarinho

Grémio: Caneco; Ciarei e Danton; Joni, Touguinha e Libório;

Agapito. Pelado(Gita) (Ribero). Marimba e Teotônio.

Inter: Ivo; Nena e limo; Alleu, Viana e Abigail; Tesourinha, Ghizoni,

Adãozinho. Vilalba e Carlitos.

Gois: Teotônio. Adãozinho

102. Inter 6x2Grémio
18.07.1948

Montanha - juiz: José Carvalho

Inter Ivo: Nena e limo; Alteu, Viana e Abigail; Leônidas, Beresi,

ViiaSba. Tesourinha e Carlitos.

Grémio. Caneco; Ciarei e Danton; Joni. Touguinha e Adams;

Teotônio. agapito. Prego, Gita e Roni,

Gcís Olitos 3. Vilalba. Tesourinha e Rebolo, Teotônio e Prego

103 ,mer3x2Grémio

22.06.1948

Eutóipíos - juiz: José Carvalho

iníer. Ivo; Nena e limo; Alfeu, Viana e Abigail; Leônidas, Vilalba,

MSozinho. Tesourinha e Elizeu.

Grémio: Júlio; Ciarei e Danton; Joni. Touguinha e Adams; Fossali,

Geada. Prego, Hermes e Teotônio.

Gois: Elizeu. Leônidas e Adãozinho, Hermes e Nena contra

104. Inter 7 x O Grémio
17.09.1948

Baixada - juiz: João Valente Bastos

Inter: Ivo; Nena e limo; Alleu, Viana e Abigail; Tesourinha, Beresi,

Vilalba. Roberto e Carlitos.

Grémio. Sérgio; Castrinho e Toneli; Rui, Ribeiro e Ernesto; Beroci,

Gita, Vinícius, Fossati e Roni.

Gois: Vilalba 4, Carlitos 2 e Roberto

105. Inter 2x0 Grémio
14.12.1948

Eucaliptos - juiz: Mário Viana
Inter: Everton; Nena e limo (Maravilha); Alteu, Viana e Abigail; Tesourinha. Ghizoni, Adãozinho. Vilalba (Roberto) e Carlitos. Grémio: Júlio; Danton e Alegreti; Joni, Touguinha e
Adams; Teotônio, Hermes, Geada, Carbonilla e Ariovaldo.

220

Tabela dos Grenais

Gois; Ghizoni 2

106.Grêmio 2x2 Inter

01.05.1949

Montanha - juiz: Mário Viana

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Adams e Alegreti; Teotônio,

Hermes. Geada, Álvaro e Gita( Ariovaldo).

Inter: Ivo; Alieu e limo; Maravilha, Viana e Abigail; Malinho,

Ghizoni, Adãozinho, Vialba e Carlitos.

Gois: Geada e Ariovaldo, Adãozinho 2

107. Inter 4x2 Grémio
29.05.1949
Timbaúva - juiz: A. Rocha

Inter: Ivo; Nena e limo; Viana (Alleu), Diaz e Ruaro; Tesourinha

(Bóris), Adãozinho, Vilalba, Malinho e Carlitos.

Grémio: Sérgio; Hugo (Ciarei) e Joni; Danton. Adams e Alegreti;

Teotônio, Gita(Hermes), Geada, Álvaro e Ariovaldo.

Gois: Vilalba 2, Carlitos e Tesourinha, Ariovaldo e Geada

108. Grémio 1 x 11nter
28.08.1949

Baixada - juiz: Mr. Barrick

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Adams e Danton; Teotônio,

Hermes, Geada, Álvaro e Ariovaldo.

Inter: Ivo; Nena e limo; Maravilha, Viana e Ruaro; Tesourinha,

Nirinho, Adãozinho, Vilalba e Carlitos.

Gois: Teotônio e Carlitos

109.lnter 2x0 Grémio

07.09.1949

Montanha - juiz: Mr. Barrick

Inter: Ivo; Nena e limo; Maravilha, Viana e Ruaro; Tesourinha,

Malinho (Nirinho), Adãozinho, Vilalba e Carlitos.

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo (Ario), Danton e Sidnei;

Teotônio, Hermes(Álvaro), Geada, Gita e Ariovaldo.

Gois: Vilalba e Adãozinho

110. Grémio 1x0 Inter
30.101049

Eucaliptos - iuiz: Mr. Barrick

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Ario e Danton; Paulista, Clori,

Geada, Gita e Ariovaldo.

Inter: Ivo; Nena e limo; Maravilha, Viana e Ruaro; Tesourinha,
Herculano, Adãozinho, Vilalba e Carlitos.

Gois: Geada

111. Inter 2x0 Grémio
14.03.1950

Tiradentes - juiz: Mr. Barrick

Inter; Ivo; Dalegrave e Maravilha; Viana, Ruaro e Oreco; Alberi,

Solis, Herculano.Ghizoni e Huguinho (Carlitos)

Grémio: Fassina; Crespo e Sarará; Rui, Verardi (Orli) e Alegreti

(Mocotó); Paulista, Clori, Balejo, Álvaro(Sano) e Apis.

Gois: Alberi e Ghizoni

112. Grémio 3x0 Inter
23.03.1950

Tiradentes - juiz: Mr. Barrick

Grémio: Júlio; Orlando (Crespo) e Sarará; Rui, Verardi e Alegreti;

Paulista (José), Balejo, Clori Sano e Apis(Hormar)

Inter: Everton; Dalegrave (Oscar) e Maravilha; Viana, Ruaro e Oreco; Alberi, Herculano, Ghizoni (Ênio) e Huguinho. Gois: Sano 2 e Balejo

113. Grémio 1x1 Inter
01.04.1950

Timbaúva - juiz: Mr. Barrick

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo. Ario (Verardi) e Heitor; Clori

(Balejo), Hermes, Geada, Gita e Apis (Paulista)

Inter: Ivo; Oscar (Dalegrave), e limo; Viana, Ruaro e Oreco; Solis,

Ghizoni, Huguinho(Justino), Ênio Andrade (Carlitos).

Gois: Apis e Ghizoni

114. Grémio 1 x O Inter
25.06.1950

Eucaliptos - juiz: Mr. Barrick

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Verardi (Mocotó) e Heitor;

Balejo (Clori), Hermes, Geada (Apis), Gita e Ariovaldo.

Inter: Ivo; Dalegrave e Maravilha; Viana, Ruaro e Oreco; Herculano,

Ênio Andrade, Huguinho, Mujica e Carlitos.

Gol: Ariovaldo

115. Inter 1 x O Grémio
27.08.1950

Montanha - juiz: Mr. Barrick

Inter: Everton; Nena e limo; Viana, Ruaro (Salvador) e Oreco;

Herculano, Ênio Andrade, Adãozinho, Mujica e Carlitos.

Grémio: Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Sarará(Verardi) e Heitor; Clori

(Carioca), Balejo, Apis, Giita e Carazinho.

Gois: Herculano

116. Grémio 0x0 Inter
28.10,1950

Eucaliptos - juiz: Mr. Barrick

Grémio; Sérgio; Ciarei e Joni; Hugo, Sarará e Heitor; Clori, Giota,
Balejo, Pedrinho e Geada.

Inter: Ivo; Dalegrave e Maravilha; Viana, Salvador e Oreco; Alberi,

Ênio Andrade, Adãozinho, Mujica e Carlitos.

117. Grémio 0x0 Inter
Camp.: 30.12.1950
Local: Baixada

Juiz: Mr. Dykes

Grémio: Sérgio; Ciarei e Sarará; Hugo, Verardi e Heitor; Balejo,

Clori, Geada, Pedrinho e Apis.

Inter: Everton; Nena e limo; Oreco, Salvador e Ruaro; Solis, Ênio,

Huguinho, Mupca e Carlitos.

118. Inter 4x3 Grémio
27.12.1950

Montanha - iuiz: Mr. Dykes

Inter: Everton; Nena e limo; Oreco, Salvador e Ruaro; Adãozinho.

Solis, Muiica, nio Andrade e Carlitos.

Grémio: Sérgio; Ciarei e Sarará; Hugo, Verardi e Heitor; Apis,

Dirceu, Geada, Pedrinho e Ariovaldo.

Gois: Carlitos 2 e Solis 2, Ariovaldo, Dirceu e Apis

119. Inter 1x0 Grémio
30.12.1950

Montanha - iuiz: Artur Vilarinho

Inter: Everton; Nena e limo; Oreco, Salvador e Ruaro; Adãozinho.

221

Tabela dos Grenais

Solis, Mujica, Ênio Andrade e Carlitos.

Grémio: Sérgio; Orlando e Sarará; Hugo, Verardi e Heitor;

Dirceu.Clori, Balejo e Apis.

Gol: Adãozinho

120. Inter SxOGrêmio
03.01.1951

Montanha - juiz: Artur Vilarinho

Inter: Everton; Nena e limo; Oreco(Paulista), Salvador e

Paulinho(Odorico); Herculano, Solis, Mujica, Ênio Andrade e

Carlitos.

Grémio: Sérgio; Orlando e Sarará; Hugo, Verardi e Dirceu; Balejo,

Clori, Geada, Pedrinho e Apis(Ariovaldo).

Gois: Solis e Carlitos 2.

121. Grémio 0x0 Inter
27.05.1951

Baixada-juiz: Osvaldo Rolla

Grémio: Wilson; Crespo e Hugo; Bexiga, Sarará e Nilson; Dario,

Dirceu(Geada), Pedrinho, Robinson e Gorrion.

Inter: Everton, Nena e limo; Oreco, Salvador e Ruarinho; Paulinho,
Solis (Herculano), Huguinho, Ênio Andrade e Carlitos.

122. Grêmio2x1 Inter
20.06.1951

Eucaliptos - juiz: Osvaldo Rolla

Grémio: Sérgio; Joni e Paulistinha; Bexiga, Sarará e Danton; Balejo, Pedrinho, Geada, Apis (Dirceu) e Robinson(Gorrion). Inter: Everton; Nena e limo; Oreco, Salvador e Ruarinho
(Odorico); Herculano, nio Andrade, Huguinho, Mujica e Canhotinho. Gois: Geada e Apis e Canhotinho

123. Grémio 1 x 11nter
26.08.1951

Baixada - juiz: Osvaldo Rolla

G r é mio : S ér g io ; Cr e spo e S ara r á ; B e xig a . Ve ra rd i e

Nilson(Verardi); Dario, Vasconcelos. Ferraz. Pedrinho e Geada.

Inter: Everton; Nena e limo; Oreco, Salvador e Oòorico; Paulinho.

Solis, Huguinho, Mujica e Canhotinho.

Gois: Ferraz e Huguinho

124. Grêmio2x2 Inter
02.12.1951

Eucaliptos - juiz: Osvaldo Rolla

Grémio: Wilson; Danton e Orli; Bexiga, Bentevi e Verardi. Ferraz.

Vasconcelos, Geada, Pedrinho e Balejo.

Inter: Everton; Florindo e limo; Paulinho, Salvador e Odorico;

Solis, Jerônimo, Huguinho, Mujica e Nique.

Gois: Ferraz 2 e Solis e Huguinho

125. Grémio 1 x 11nter
08.02.1952

Eucaliptos - juiz: Osvaldo Rolla

Grémio: Sérgio; Gago e Danton; Hugo, Sarará e Bentevi;

Balejo(Dario), Ferraz, Camacho, Pedrinho e Robinson.

Inter: Periquito; Florindo e limo; Paulinho, Salvador e Odorico;

Luizinho, Solis, Huguinho (Alberi), Oreco e Canhotinho.

Gois: Camacho e Huguinho

126. Grêmio2x1 Inter

13.07.1952

Montanha - juiz: Osvaldo Rolla

Grémio: Sérgio; Ciarei e Xisto; Hugo, Aldeia e Bentevi(Joni);

Tesourinha. Gita(Ferraz), Camacho, Pedrinho e Robinson.

Inter: Ooia; Florindo e Oreco; Paulista, Salvador e Odorico;

Luizinho, Camargo (Solis), Bodinho, Mujica e Canhotinho.

Gois: Gita e Camacho e Camargo

127. Grémio 1 x1 Inter
17.081952

Estádio Tiradentes - juiz: Júlio Peíersen Grémio: Wilson; Ciarei e Pipoca; Hugo, Sarará e Xisto; Tesourinha, Gita, Camacho, Ferraz, Pedrinho(Robinson e Geada). Inter: Periquito;
Florindo e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico; Luizinho, Jerônimo, Bodinho, Mujica e Canhotinho(Nique). Gois: Pedrinho e Bodinho

128. Grémio 0x0 Inter
12.10.1952

Baixada - juiz: Osvaldo Rolla
Grémio: Sérgio; Pipoca e Xisto; Orli, Sarará e Orlando; Tesourinha,

Gita, Ferraz, Pedrinho e Valdir.

Inter: Milton; Florindo e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico;

Luizinho, Jerônimo. Bodinho e Camargo(Mujica).

129. Inter5x1 Grémio
07.12.1952

Eucaliptos - juiz: Osvaldo Rolla

Inter: Milton; Florindo e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico;

Luizinho, Jerônimo. Bodinho, Mujica e Canhotinho.

Grémio: Sérgio: Pipoca e Xisto; Orli, Sarará e Orlando; Tesourinha,

Dario. Huguinho. Gita e Valdir.

Gois: Jerônimo 2. Salvador, Bodinho e Luizinho e Sarará

130. Grémio 1 x 11nter
05.07.1953

Eucaliptos - juiz Fortunato Tonelli

Grênic: Sérgio; Pipoca e Noronha; Orli, Mirão e Joni; Camacho,

Sanar, Gringo, Mujica e Torres.

'rtísr Periquitoflorindo e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico;

LuizWw. Airton, Bodinho, Jerônimo e Canhotinho.

Gtfs: Tccres e Bodinho

131.iríef2«OGrêmio

01 111953

3ê;xada - juiz: Fortunato Tonelli

inttf: Milton; Lindoberto e Oreco, Paulinho. Salvador e Odorico;

Luizinho, Solis. Bodinho. Jerônimo e Canhotinho.

Grémio: Sérgio; Hugo, Noronha; Mir ão, Laerte e Zé Ivo;

Tesourinha, Bebeto, Camacho, Mujica e Torres.

Gois: Jerônimo e Canhotinho

132. Inter3x2 Grémio

11.02.1954

Montanha - juiz: Fortunato Tonelli

Inter: Milton; Lindoberto e Breno; Mossoró, Oreco e Odorico;

Luizinho(Solis), Bodinho, Airton, Jerônimo e Canhotinho.

Grémio: Sérgio; Pipoca e Altino; Roberto, Sarará e Mauro;

Camacho, Mujica, Votir, Alvim(Delém) e Itamar(Torres).

Gois: Airton 3, Vítor e Torres

222

Tabela dos Grenais

133. Inter 3x1 Grémio

18.07.1954

Eucaliptos - juiz: Hans Lutzkat
Inter: Milton; Oreco e Florindo; Lindoberto, Salvador e Odorico;

Luizinho, Bodinho, Larry, Afrton e Canhotinho.

Grémio: Sérgio; Camacho e Ênio Rodrigues(Míráo); Xisto, Orli e

Itamar; Tesourinha, Zunino, Vitor, Sarará(Delém) e Torres.

Gois: Bodinho 2 e Larri e Itamar

134.lnter 4x0 Grémio

25.07.1954

Montanha - juiz: Mário Viana

Inter; Milton; Oreco, Florindo e Lindoberto; Salvador e Odorico;

Luizinho, Bodinho, Larry, Airton e Canhotinho.

Grémio: Sérgio; Camacho (Mirão), Ênio Rodrigues e Sarará; Orli e

Itamar; Vitor, Zunino, Tesourinha, Milton e Detém (Torres).

Gois: Larry 2, Oreco e Luizinho

135. Inter 6 x 2 Grémio
26.09.1954

Amistoso de inauQuração do estádio Olímpico - juiz: Carlos

Alberto Vigorito

Inter: Milton; Florindo e Lindoberto: Oreco, Salvador e Odorico;

Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Canhotinho.

Grémio: Sérgio; Ênio Rodrigues e Orli; Roberto, Sarará e Itamar;

Tesourinha, Milton, Camacho(Vitor), Zunino e Torres(Delém)

Gois: Jerõnimo, Larri 4 e Canhotinho, Sarará e Zunino

136. Grémio 1 x 11nter
31.10.1954

Olímpico - juiz: Alfredo B. Torres

Grémio: Sérgio; Hugo e Ênio Rodrigues; Altíno, Mirão e Orli;

Tesourinha, Zunino, Camacho, Itamar e Vitor.

Inter: Milton; Mossoró e Florindo; Lindoberto, Salvador e

Odorrico; Luizinho, Bodinho, Larri, Jerônimo e Canhotinho.

Gois: Zunino e Bodinho

137. Inter 2x1 Grémio
09.01.1955

Eucaliptos -juiz: Horst Harden

Inter. Milton; Florindo e Oreco; Mossoró, Salvador e Odorico;

Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Assunção.

Grémio: Sérgio; Airton e Ênio Rodrigues; Roberto, Sarará e Altino;

Chico Preto, Zunino, Delem, Itamar e Torres.

Gois: Larri e Bodinho e Chico Preto

138. Grémio 2x1 Inter
24.07.1955

Olímpico - juiz: Romeu R. da Cruz

Grémio: Sérgio; Airton e Mauro; Figueró, Sarará e Ênio Rodrigues;

Zunino, Hercílio, Juarez, Milton e Vieira.
Inter: Lapaz; Florindo e Oreco; Mossoró, Emilson e Lula; Luizinho,

Bodinho, Larry, Jerõnimo e Chinesinho.

Gois: Zunino e Milton e Chinesínho

139. Inter3x1 Grémio
06.11.1955

Eucaliptos - juiz. Fortunato Tonelli

Interlapazflorindo e Oreco; Mossoró, Odorico e Lindoberto;

Luizinho, Bodinho, Larry, Jerônimo e Chinesinho.

Grémio: Sérgio; Airton e Mauro; Figueró, Sarará e Ênio Rodrigues;

Zunino, Hercílio, Jurez, Milton e Vieira.

Gois: Bodinho 2 e Jerônimo e Lindoberto contra

140. Grêmio2x1 Inter
02,09.1956

Olímpico - juiz: Hans Lutzkat

Grémio: Sérgio; Airton, e Melei; Figueró, Calvet e Ênio Rodrigues;

Hercílio, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Inter: Lapaz; Florindo e Oreco; Mossoró, Odorico e Lindoberto;

Luizinho, Ivo Diogo, Larry, Jerônimo e Chinesinho.

Gois: Hercílio e Juarez e Larry

141. Inter IxOGrêmio
12.12.1956

Eucaliptos - juiz: Flávio Cavediní

Inter: Lapaz; Mossoró, Florindo e Oreco; Odorico e Lindoberto;

Chinesinho, Bodinho, Larry, Itamar e Ivo Diogo.

Grémio: Sérgio; Figueró, Airton e Melei; Clavet e nio Rodrigues;

Hercílio, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Gol: Ivo Diogo

142. Inter 1x1 Grémio
28.07.1957

Eucaliptos - juiz: F. Lamolina

Grémio: Germinaro; Figueró, Airton e Bob; Elton e Ênio Rodrigues;

Vieira, Gessi, Juarez, Milton e Cabeça

Inter: Sérgio; Mossoró, Florindo e Paulistinha; Odorico e

Lindoberto; Luizinho, Bodinho, Larry, Chinesínho e Ivo Diogo.

Gois: Milton e Ivo Diogo

143. Grémio 5 x 3 Inter
01.12.1957

Olímpico - juiz: Lamilína

Grémio: Germinaro; Beiço, Airton e Bob; Elton e Ênio Rodrigues;

Osvaldo, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Inter: Sérgio; Mossoró, Florindo e Zangão; Odorico e Chinesinho;

Luizinho, Joaquinzinho, Bodinho, Larry e Ivo Diogo.

Gois: Vieira, Gessi 3 e Osvaldo e Airton contra, Luizinho e

Bodinho
144.lnter 2x1 Grémio

22.12.1957

Olímpico - juiz: Miguel Comesana

Inter: Lapaz; Mossoró, Florindo e Paulistinha; Zangão e Joel;

Bodinho, Joaquinzinho, Larry, Chinesinho e Ivo Diogo.

Grémio: Germinaro; Beiço, Airton e Dinha; Nadir e Elton; Osvaldo,

Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Gois: Larri e Ivo Diogo e Juarez

145. Grémio 2x1 Inter

17.08.1958

Eucaliptos - juiz: Miguel Comesana

Grémio: Germinaro; Orlando, Airton e Mourão; Elton e Ênio

Rodrigues; Vieira, Gessi, Rudimar, Milton e Juarez.

Inter: Lapaz; Zangão, Florindo e Barradas; Verardi e Joel;

Joaquinzinho, Bodinho, Larry, Tati e Ivo Diogo.

Gois: Vieira e Gessi e Bodinho

223

Tabela dos Grenais

146. Inter 1x0 Grémio
21.12.1958

Olímpico - juiz: Aparício Viana e Silva

Inter: Sérgio; Zangão, Florindo e Ezequiel; Verardi e Brito;

Joaquinzinho, Bodinho, Larry, Tati e Ivo Diogo.

Grémio: Germinaro; Orlando, Airton e Mourão; Elton, e Ênio

Rodrigues; Rudimar, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Gol: Orlando contra.

147. Grémio 2x2 Inter
05.02.1959

Olímpico - juiz: Miguel Comesaha

Grémio: Germinaro; Orlando, Airton e Ortunho; Elton e Ênio

Rodrigues; Allredinho, Giovane, Juarez, Milton e Vieira.

Inter: Lapaz; Zangão, Florindo e Ezequiel; Verardi e Brito; Cacaio,

Joaquinzinho, Bodinho, Larry, Tati e Canhotinho.

Gois: Giovani e Juarez e Tati e Canhotinho

148. Grémio 2x1 Inter
26.04.1959

Eucaliptos - juiz: Romeu R. da Cruz

Grémio: Henrique, Elton (Orlando), Airton e Ortunho; Sérgio e nio

Rodrigues; Rudimar (Giovane), Higino. Juarez, Gessi e Milton.

Inter: Benito; Zangão, Barradas e Dilson; Verardi e Bruno; Cacaio,

Joaquinzinho (Jandir), Tati (Osquinha) e Deraldo.
Gois: Gessi (2) e Cacaio

149. Grémio 2x1 Inter
17.08.1959

Eucaliptos - juiz: António Jaó.

Grémio: Henrique; Orlando. Airton e Ortunho: Bíon e Ove::

Giovane, Volnei. Juarez, Milton e Vwira

Inter: Silveira. Zangão. Bonzo e Ezeqiiiei; Verard; e Barradas:

Cacaio, Alfeu, Larri.Tati e Ivo Diogo.

Gois: Juarez (2) e Ivo Diogo

150. Grémio 4x1 Inter
29.11.1959

Olímpico - iuiz: Ricardo Alberto da Silva

Grémio: Henrique; Orlando. Airton e Ortunho. Eiton e Calvet;

Volnei, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Inter: Silbeira; Zangão, Luiz Luz e Ezequiel; Verardi e Danúbio:

Cacaio, Alfeu, Ivo Diogo, Tati e Deraldo.

Gois: Milton, Elton e Gessi e Deraldo

151. Inter 3x2 Grémio
05.01.1960

Olímpico -juiz: António Jaó

Inter: Cestari; Bruno, Zangão e Ezequiel; Kim e Barradas; Alleu. Ivo

Diogo, Larri, Osvaldinho e Deraldo.

Grémio: Henrique; Orlando, Airton e Ortunho; Elton e Calvet;

Cardoso, Gessi, Juarez, Milton e Rudimar.

Gois: Ivo Diogo e Alfeu (2) e Gessi e Juarez

152. Grémio 3x0 Inter
21.04.1960

Eucaliptos - juiz: Miguel Moreira Mattos

Grémio; Suli; Orlando, Airton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Elton e

Milton; Volnei. Gessi, Juarez e Jurandir.

Inter: Silveira; Zangão, Osmar, Barradas (Danúbio) e Louro; Gago

e Kim; Osvaldinho, Ivo, Larry (P.Vecchio) e Alfeu. Gois: Milton e Elton

153. Grémio 5x1 Inter

21.08.1960

Eucaliptos - juiz: Clinamulte V. França

Grémio: Suli; Figueró, Airton e Ortunho; Elton e Ênio Rodrigues;

Marino, Gessi, Juarez, Milton e Vieira.

Inter: Silveira; Zangão, Osmar, Louro e Ezequiel; Kim e Barradas;

Alfeu, Ivo Diogo. Paulo Vecchio. Vilmar e Deraldo.

Gois: Juarez (3), Gessi e Vieira e Ivo Diogo

154.Grêmio1x1 Inter

20.11.1960

Olímpico - juiz: Joaquim G. da Silva
Grémio: Suli; Figueró, Airton, nio Rodrigues e Ortunho; Elton e

Milton; Marino, Gessi, Juarez e Jurandir.

Inter: Cestari; Zangão, Ari, Barradas e Dilson; Cláudio e

Osvaldinho; Alfeu, Ivo Diogo, Larri e Deraldo.

Gois: Juarez e Deraldo

155. Inter2x1 Grémio
23.12.1960

Olímpico - juiz: Joaquim G. da Silva

Inter: Cestari; Ezequiel, Poleio, Ari Ercílio e Dilson; Cláudio e

Osvaldinho; Alfeu, Ivo Diogo, Larri e Deraldo.

Grémio: Suli; Sérgio, Airton. nio Rodrigues e Ortunho; Elton e

Milton; Marino (Cardoso), Gessi, Rudimar e Vieira.

Gois: Ivo Diogo e Alteu e Cardoso

156. Inter 2x1 Grémio
10.09.1961

Olímpico - juiz: Camilo Esteban Brusca

Inter: Silveira; Zangão, Ari Ercílio, Kim e Ezequiel; Sérgio Lopes e

Osvaldinho; Sapiranga, Alfeu, Teimo e Gilberto Andrade.

Grémio: Henrique; Sérgio, Airton, Elton e Ortunho; Gitinha e

Milton; Marino, Gessi, Paulo Lumumba e Vieira.

Gois: Gilberto Andrade e Alfeu e Paulo Lumumba

157. Grémio 3x2 Inter
10.12.1961

Eucaliptos - juiz: Ornar Rodrigues

Grémio: Irno; Altemir, Airton, Ortunho e Mourão; Elton (Nadir) e

Milton; Cardoso, Marino, Juarez e Vieira.

Inter: Silveira (Cestari); Ari Ercílio. Ezequiel. Zangão, Sérgio Lopes

e Kim; Sapiranga, Alleu, Paulo vecchio, Osvaldinho e Gilberto

Andrade.

Gois: Nadir, Marino e Juarez e Alfeu (2)

158. Grémio 1 x 11nter
13.02.1962

Taça Legalidade - Olímpico - juiz: Anacteto Pietrobon

Grémio: Irno; Sérgio, Airton, Ortunho e Mourão; Elton e Milton;

Marino, Joãozinho, Juarez e Vieira.

Inter: Gainete (Beno); Zangão, Ari Ercílio, Cláudio e Nilo; Sérgio

Lopes e Osvaldinho; Sapiranga. Alfeu, Flávio (Vevé) e Gilberto

Andrade.

Gois: Elton e Sérgio Lopes

224

Tabela dos Grenais
159. Grémio 2 x 11nter
11.03.1962

Taça Legalidade - Eucaliptos - juiz: Romualdo A. Filho

Grêmio:lrno; Sérgio, Airton, Ortunho e Mourão; Elton e Milton;

Adroaldo, Joãozinho, Gessi (Juarez) e Vieira.

Inter: Gainete; Zangão, Ari Ercílio, Cláudio e Nilo; Sérgio Lopes e

Osvaldinho; Sapitanga (Tite), Flávio, Larri (Vevé) e Gilberto

Andrade.

Gois: Joãozinho e Vieira e Sapiranga

160. Grémio O x Inter O
12.08.1962

Olímpico - juiz: Ricardo A. Silva

Grémio: Henrique; Valério, Airton, Ortunho (Altemir) e Mourão;

Elton e Milton; Marino, Joãozinho, Juarez e Vieira.

Inter: Gainete; Zangão, Ari Ercílio, Cláudio e Ezequiel; Sérgio

Lopes e Osvaldinho; Bedeuzinho, Alleu, Flávio e Gilberto Andrade.

161.Grêmio2x1 Inter

07.09.1962

Em Rio Grande - juiz: Mário Severo

Grémio: Henrique; Valério, Airton, Altemir e Ortunho; Elton e

Milton (Fernando); Adroaldo, Gessi, Marino e Volnei II.

Inter: Gainete;Zangão, Ari, Cláudio e Ezequiel; Osvaldinho e

Gilberto (S. Lopes); Sapiranga, Alfeu, Flávio e Bedeuzinho.

Gois: Elton e Marino e Flávio

162. Grémio 1x1 Inter
09.09.1962

Olímpico - juiz: Henrique Agra

Grémio: Henrique; Valério, Airton, Ortunho e Altemir; Élton e

Milton; Adroaldo, Gessi, Marino e Volnei II.

Inter; Gainete; Zangão, Ari Hercílio (Osmar), Cláudio e Ezequiel; S.

Lopes e Gilberto Andrade; Sapiranga, Alfeu, Osvaldinho e

Bedeuzinho,

Sois: Milton Zangão

163. Grémio 2x0 Inter
16.12.1962

Eucaliptos - juiz: Andrés W. Matteo

Grémio: Henrique; Renato, Airton, Altemir e Ortunho; Elton e

Milton; Marino, Joãozinho, Ivo Diogo (Juarez) e Vieira.

Inter; Gainete; Soligo, Ari Hercílio, Cláudio e Ezequiel; Zangão e

Osvaldínho; Sapiranga (Maura), Alleu, Flávio e Gilberto Andrade.

Gois: Marino (2)

164. Grémio 4 x 2 Inter
07.02.1963

Olímpico - Juiz: Eunápio de Queiroz
Grémio: Henrique; Renato. Airton, Altemir e Ortunho; Elton e

Milton; Marino, Joãozinho, Ivo Diogo e Vieira.

Inter: Gainete; Zangão, Ari Hercílio, Cláudio e Soligo; Bandeira

(Piloto) e Osvaldinho; Sapiranga, Flávio, Maura e Gilberto

Andrade.

Gois: Ivo Diogo (2), Joãozinho e Vieira, Fávio e Soligo

165. Inter2x1 Grémio
14.04.1963

Eucaliptos - juiz; Allredo B. Torres

Inter: Beno; Zangão, Ari Hercílio, Osmar, Soligo (Carlos Alberto);

Paulo Araújo e Gaspar; Sapiranga, Darlan, Flávio e Gilberto

Andrade.

Grémio: Hernique; Renato (Valério), Altemir, Áureo e Ortunho;

Cléo e Milton; Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba (Alcindo) e

Vieira.

Gois: Flávio (2) e Marino

166. Grémio 4x1 Inter
01.05.1963

Olímpico - juiz: Fortunato Tonelli

Grémio: Alberto; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Milton;

Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Inter: Beno; Zangão, Ari Hercílio (Carlos Alberto), Osmar e Soligo;

P. Araújo, Gaspar; Sapiranga, Cacildo, Flávio e Bedeuzinho.

Gois: Marino (4) e Paulo Araújo

167. Grémio 1 x0 Inter
Camp: 29.09.1963
Eucaliptos - juiz: Theodoro Nitti

Grémio: Alberto; Renato, Airton, Altemir e Ortunho; Cléo, e Milton;

Marino, Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.

Inter: Beno; Soligo, Osmar, Luiz Carlos e Sadi; Edmilson e Cará;

Parobé (Sapiranga), Osmar Augusto, Flávio e Gaspar.

Gol: Marino

168.Grêmio 1 x 0 Inter

14.12.1963

Olímpico - juiz: Mário Severo

Grémio: Alberto; Valério, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Milton

(Fernando); Marino, Madureira, Lumumba e Vieira.

Inter: Silveira; Carlos Alberto, Osmar, Luiz Carlos e Sadi;

Edmilson, Nelson Lopes; Cacildo, Osmar Augusto e Flávio.

Gol: Carlos Alberto contra.

169. Inter 1 x O Grémio
19.04.1964

Em Santa Cruz - juiz: Djalma Moura Inter: Gainete; Rui, Osmar, Luiz Carlos e Sadi; Edmilsom (P.Araújo) e Gaspar; Sapiranga, Nilzo, Vanderlei e Hélio. Grémio: Arlindo; Renato (Altemir),
Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Marino, Alcindo, Paulo Lumumba e Vieira. Gol: Vanderlei
170. Grémio 3x0 Inter
23.04.1964

Olímpico - juiz: Ricardo Alberto Silva

Grémio. Arlindo (Alberto); Renato, Airton, Áureo (Altemir) e

Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Marino, Joãozinho Alcindo e

Vieira.

Inter; Gainete (Silveira); Rui, Osmar, Luiz Carlos e Sadi: Edmilsom

e Gaspar (P.Araújo); Sapiranga, Nilzo, Vanderlei e Hélio.

Gois: Alcindo (3)

171. GrêmioOxO Inter
26.07.1964

Eucaliptos - juiz: Ricardo A. Silva

Grémio: Alberto; Renato, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio

Lopes; Paulo Lumumba, Joãozinho, Alcindo e Vieira.

Inter: Silveira; Rui, Sacala, Luiz Carlos e Gilberto Tim; Edmilson e

Gaspar; Sapiranga (Hélio), Nilzo, Vanderlei e Gilberto Andrade.

225

Tabela dos Grenais

172. lnter2xOGrêmio
20.08.1964

Olímpico - juiz: Domingo N. Capeletti

Inter: Gainete; Rui, Jorge, Sadi, Gilberto Tim; Aquiles e Dorinho;

Hélio, Liga, Paulo e Croaré.

Grémio: Arlindo; Viário, Altemir, Zequinha e Dilson; Everaldo e

Fernando; adãozinho, Alfeu, Valter (Paraguaio) e Humberto.

Gois: Croaré e Dorinho

173. Grémio 3x0 Inter
01.11.1964

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Grémio: Alberto; Altemir, Aírton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Lumumba (Marino); Joãozinho, Alcindo e Vieira. Inter: Silveira; Zangão, Scala, Luiz Carlos e Gilberto Tim; Edmilsom e
Gaspar; Sapiranga, Nilzo, Vanderlei e Parobé. Gois: Alcindo (2) e Joãozinho

174. Inter IxOGrêmio
21.11.1964

Eucaliptos - juiz: Ricardo A. Silva

Inter: Gainete; Rui, Osmar, Scala e Sadi; Iça e Dorinho; Sapiranga,

Nilzo, Vanderlei e Parobé.

Grémio: Alberto; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio

Lopes; Milton (Marino), Joãozinho (Alfeu), Alcindo e Vieira.

Gol: Sapiranga

175. Inter2x1 Grémio
10.12.1964

Olímpico - juiz: Yolando Rodrigues

Inter: Gainete; Rui, Osmar, Luiz Carlos e Sadi; Iça e Dorinho:
Edmilson, Nilzo, Sapiranga e Gaspar (Parobé)

Grémio: Alberto; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérg:o

Lopes (Milton); Ari (Marino), Joãozinho. Alfeu e Vieira (Voimi')

Gois: Edmilson e Dorinho e Áureo

176. Grémio 0x0 Inter
21.03.1965

Em Caxias do Sul - juiz: Ricardo A. Silva

Grémio: Alberto; Altemir, Airton, Áureo e Ortunhc: Cléo e Sérgio

Lopes; Marino, Joãozinho (Valter), Alcindo e Vieira

Inter: Célio; Carlos Alberto, Scala, Luiz Carlos e Sadi: loa e

Edmilson; Puccinelli, Darlan, Vanderlei e Gilberto Andrade.

177. Grêmio2x1 Inter
29.08.1965

Olímpico - juiz: Ricardo A. Silva

Grémio: Arlindo, Altemir, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes:

Odon, Joãozinho, Alcindo e Vieira.

Inter: Guaporé; Carlos Alberto, Scala, Luiz Carlos e Sadi; Edmilson

e Iça; Puccinelli, David, nio Souza e Dorinho.

Gois: Joãozinho e Alcindo e Davíd

178. Grémio 1 x 0 Inter

12.12.1965

Eucaliptos - juiz: Mário Severo

Grémio: Arlindo; Altemir, Airton, Paulo Souza e Ortunho; Cléo e

Sérgio Lopes; Volmir, Joãozinho, Alcindo e Vieira.

Inter: Guaporé; Carlos Alberto, Scala, Pontes e Sadi; Bráulío e

Edmilson; Carlos Castro, Darlan, David e Dorinho. Gol: Alcindo

179. Grémio 1 x 0 Inter
02.10.1966

Eucaliptos - juiz: Mário Severo

Grémio: Arlindo; Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio

Lopes; Vieira, Joãozinho, Alcindo e Volmir.

Inter: Gainete; Laurício. Pontes, Luiz Carlos e Sadi; EIton e

Dorinho; Carlinhos, Bráulio. Vanderlei e Miranda.

Gol: Alcindo

180. Inter 1 x O Grémio
17.12.1966

Olímpico - juiz: Estemir V. da Silva Inter: Gainete; Laurício. Scala. Pontes e Sadi; EIton e Bráulio; Carlos Castro (Carlinhos). David, Vanderlei e Dorinho. Grémio: Alberto; Altemir. Paulo Souza,
Áureo e Ortunho; Sérgio Lopes e Paica: laúca (Vieira), Joãozinho, Alcindo e Volmir. Gois: Dorinho (l)

181.lnter2xOGrêmio

05.03.1967

Olímpico - juiz: José Luis Barreto

Inter: Gainete: Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi; Lambari e EIton;

Carirtos. Bráulio (Vanderlei), David e Dorinho.
Grémio: Aioerto; Altemir, Airton, Áureo e Everaldo; Cléo e Sérgio

Lopes: 3acá (Paulo Lumumba), Joãzinho, Alcindo e Volmir.

Go:s: 3ráuiio e Carlinhos

182 G-êtrvc 1 x 11nter

24 S 1967

Oíirpico - juiz: Flávio Cavedini

G'êrvc: Alberto; Altemir, Ari Hercílio, Áureo e Everaldo; Cléo e

Sérgio Lopes (Paica); Babá, Beto (Joãozinho), Alcindo e Volmir.

--.ar Gainete; Laurício, Scala (Pontes), Luiz Carlos e Sadi;

LamOari e elton; Carlitos, Bráulio, Joaquim e Dorinho.

Go s: Cléo e Joaquim

133. Grémio0x0 Inter

04.06.1967

Olímpico - juiz: J.L. Barreto

Grémio: Arlindo (Alberto); Everaldo, Ari Hercílio, Paulo Souza,

Ortunho, Cléo, Áureo, Babá, Joãozinho, Alcindo (Beto) e Volmir.

Iníer: Gainete; Laurício, Scala (Pontes), Luiz Carlos, Sadi; EIton,

Lambari, Carlitos, Claudiomiro, Joaquim e Dorinho.

184. Inter 1 x O Grémio
17.09.1967

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Gainete; Laurício, Scala, Luiz Carlos, Sadi, EIton, Dorinho,

Vilsinho (Lambari), Bráulio, Claudiomiro e Sérgio.

Grémio: Arlindo; Altemir, Ari Hercílio, Áureo, Everaldo, Cléo,

Sérgio Lopes, Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir.

Gol: Claudiomiro

185. Inter IxOGrêmio
17.12.1967

Eucaliptos - juiz; Mário Severo

Inter: Gainete; Jorge Andrade, Pontes, Luiz Carlos, Sadi, EIton,

226

Tabela dos Grenais

Dorinho, Bráulio, Sérgio, Claudiomiro e Vilsinho (Lambari) Grémio: Alberto; Elói, Ari, Altemir e Ortunho, Mengálvio, Paíca e Caçapava, Adãozinho, Loivo e Vieira. Gol:

186. Grémio 1x1 Inter
12.05.1968

Eucaliptos - juiz: J.L. Barreto

Grémio: Alberto; Altemir, Paulo Souza, Áureo e Everaldo, Cléo, Sérgio Lopes (Jadir), Beto, Joãozinho (Oyarbide), Alcindo e Loivo. Inter: Gainete; Laurício, Scala, Luiz Carlos, Sadi, Tovar (Elton), Dorinho,
Valdomiro, Bráulio, Claudiomiro, Canhoto (Othon). Gois: Alcindo e Valdomiro

187. Grémio 4x0 Inter
02.06.1968

Olímpico - juiz: João C. Ferrari

Grémio: Alberto; Altemir, Paulo Souza e Everaldo, Cléo e Jadir,
Babá. Joãozinho, Alcindo e Volmir.

Inter: Schneider; Laurício, Scala, Luiz Carlos e Sadi; Elton e

Dorinho, Valdomiro, Claudiomiro, Bráulio, Othon (Cadinhos).

Gois: Alcindo, Joãozinho e Volmir

188. Grémio 0x0 Inter
24.11.1968

Olímpico - juiz: J.L. Barreto

Grémio: Alberto; Renato, Paulo Souza, Áureo e Everaldo, Jadir e Sérgio Lopes, Oyarbide, Joãozinho, Alcindo, Volmir (Flecha). Inter: Gainete; Laurício, Scala, Pontes e J. Andrade, Elton e Dorinho, Carlitos
(Valdomiro), Bráulio, Claudiomiro e Canhoto.

189. Grémio 0x0 Inter
20.04.1969

Inauguração do estádio Beira-Rio - juiz: Orion S. de Mello

Grémio: Alberto; Espinosa, Ari Hercílio, Áureo e Everaldo. Jadir e

Sérgio Lopes (Cléo), Hélio Pires, Joãozinho, Alcindo, Volmir

(Tupãzinho).

Inter: Gainete; Laurício, Pontes, Valmir e Sadi, Tovar e Dorinho,

Valdomiro, Bráulio, Sérgio, Gilson Porto (Urruzmendi).

190. Grémio 0x0 Inter
22.06.1969

Olímpico - juiz: Zeno Barbosa

Grémio; Arlindo; Renato, Ari Hercílio, Áureo e Everaldo, Jadir e

Júlio Amaral (S.Lopes), Hélio Pires (Babá), Joãozinho, Alcindo e

Tupãzinho.

Inter: Gainete; Edson Madureira, Scala, Pontes e Sadi, Lamas

(Bráulio) e Dorinho, Chiquinho (G.Porto), Tovar, Sérgio,

Urruzmendi.

191. Inter 1 x0 Grémio
21.09.1969

Beira-Rio - juiz: Armando Marques Inter: Gainete; Laurício, Scala, Pontes e J.Andrade, Tovar e Carbone, Valdomiro (Dorinho), Sérgio, Claudiomiro e Canhoto. Grémio; Arlindo; Renato, Ari Hercílio, Áureo e
Everaldo, Jadir e J.Amaral. Flecha (Joãozinho), Loivo. Alcindo e Volmir. Gol: Sérgio

192. GrêmioOxO Inter

17.12.1969

Beira-Rio - juiz: Zeno Barbosa

Grémio: Breno; Espinosa, Ari Hercílio, Áureo, Everaldo, Jadir,

Júlio Amaral(Joãozinho),Paíca, Flecha (Hélio Pires), Alcindo e

Volmir.

Inter: Gainete; Edson Madureira, Scala, Pontes. J. Andrade,

Carbone, Tovar, Valdomiro (Carlitos), Sérgio, Caudiomiro e

Dorinho.

193. Grémio O x O Inter
09.05.1970

Olímpico - juiz: J.L.Barreto

Grémio: Jair; Espinosa, Ari Hercílio, Beto e Jamir, Jadir e Sérgio

Lopes, Flecha (Paíca), Joãozinho, Volmir e Loivo.

Inter: Gainete; Edson Madureira, Scala, Pontes e Jorge Andrade,
Tovar e Carbone, Dorinho, Sérgio, Claudiomiro e Mosquito (Didi).

194. Grémio 0x0 Inter
09.08.1970

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Breno; Espinosa, Ari Hercílio, Beto e Jamir, Jadir e

Joãozinho, Everaldo, Flecha, Paíca, Volmir (Loivo).

Inter: Gainete; Edson Madureira, Pontes, Valmir e Jorge Andrade,

Tovar e Carbone, Dorinho(Valdomiro), Sérgio, Claudiomiro e Didi.

195. Inter 2x1 Grémio
20.09.1970

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Gainete; Edson Madureira, Pontes, Valmir e J.Andrade

(Sadi), Paulo César e Carbone, Valdomiro, Sérgio(Tovar),

Claudiomiro e Dorinho.

Grémio: Breno, Espinosa, Ari Hercílio, Beto e Jadir (Flecha).

Everaldo e Joãozinho, Alcindo, Volmir e Loivo.

Gois: Valdomiro, Edson Madureira e Loivo

196. Grémio 0x0 Inter
28.10.1970

Olímpico - juiz: Armando Marques

Grémio: Arlindo, Espinosa, Di, Beto e Everaldo, Jadir, Gaspar e

Caio; Joãozinho, Paraguaio e Loivo.

Inter: Gainete; Carbone, Pontes, Herminio e Jorge Andrade, Tovar,

Paulo César (Dorinho), Valdomiro,, Claudiomiro e Mosquito (Didi)

197. Grémio 2 x O Inter
24.03.1971

Beira-Rio - juiz: J.L.Barreto

Grémio: Jair, Domingos (Espinosa), Di, Beto, Everaldo, Jadir,

Gaspar, Flecha, Caio, Alcindo e Loivo.

Inter; Valdir, Edson Madureira, Pontes, Valmir, J.Andrade,

Carbone, Tovar(Paulo César), Jangada (Rubem), Sérgio.

Valdomiro e Dorinho.

Gois: Gaspar e Flecha

198. Grémio 1 x1 Inter
30.05.1971

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Jair, Chiquinho, Ari Hercílio, Beto e Cláudio, Chamara e

Gaspar, CaiofToninho). Flecha, Scotta a Loivo.

Inter: Gainete; Hermínio, Pontes, Valmir e J.Andrade, Tovar,

Dorinho e Bráulio (Sérgio), Valdomiro, Claudiomiro (Marciano) e

227

Tabela dos Grenais
Canhoto.

Gois: Loivo e Canhoto

199. GrêmioOxO Inter
27.06.1971

Olímpico - juiz: J.L.Barreto

Grémio: Jair, Chiquinho, Ari Hercílio, Beto e Everaldo, Gaspar e Torino, Flecha, Tião Quelé (Chamaco), Alcindo e Loivo. Inter: Gainete; Cláudio, Pontes, Hermínio e J.Andrade, Tovar e Dorinho,
Valdomiro, Sérgio(Carbone), Claudiomiro e Benê.

200. Grémio 3 x 11nter
04.08.1971

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Jair, Espinosa, Ari Hercílio, Beto e Everaldo, Torino,

Gaspar, Flecha(Volmir), Caio, Scotta (Chamaco) e Loivo.

Inter: Gainete; Edson Madureira, Pontes, Valmir (Hermínio) e

J.Andrade, Carbone e Tovar, Valdomiro, Bene, Claudiomiro e Land

(Brãulio).

Gois: Caio(2), Scotta(1) e Everaldo contra.

201. Inter 1 x O Grémio
17.10.1971

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Inter: Gainete; Edson Madureira, Pontes, Flávio e J.Andrade.

Carbone, Tovar e Paulo César, Valdomiro, Sérgio(Bráulio) e

Land(Arlém).

Grémio: Jair; Espinosa, Chiquinho, Beto e Everaldo. Jadir, Torino

e Gaspar, Flecha, Caio(Selmar) e Loivo(Volmir).

Gois: Sérgio

202. Grémio 1 x 11nter
02.03.1972

Beira-Rio - juiz: J.L.Barreto

Grémio: Jair: Espinosa. Ancheta. Beto e Everii: Jad'( Gasci'; e

Torino, Flecha, Oberti (Caio), Mazinho e Loivc.

Inter: Schneider; Edson Madureira. Figue-oa Pc~es e EJsc~

Scott, Carbone e Paulo César. Valdomiro. Srau io(Tovs'!.

Claudiomiro (Arlém) e Volmir.

Gois: Caio e Ancheta contra

203. Grémio 1 x 11nter
05.03.1972

Olímpico- juiz: Agomar Martins

Grémio: Jair; Espinosa, Ancheta, Beto e Everaldo. Tcrre (Jain e

Gaspar, Flecha, Oberti. Mazinho (Caio) e Loivo.

Inter: Schneider; Edson Madureira, Figueroa, Pomes e Edson

Scott, Tovar e Paulo César, Valdomiro (Arlem), Bráulio(Dor;nhc).

Claudiomiro e Volmir.

Gois: Acnheta e Claudiomiro

204. Grémio 0x0 Inter
26.03.1972
Beira-Rio - juiz: José C. de Moraes

Grémio: Jair; Renato, Côgo, Ancheta, Beto e Everaldo, Paíca (Ivo) e

Gaspar, Flecha, Caio(Bira), Mazinho, Loivo.

Inter: Schneider; Edson Madureira (Sadi), Figueroa, Pontes e

Edson Scott, Tovar e Paulo César, Valdomiro. Bráulio (Sérgio),

Claudiomiro e Volmir.

205. Grémio 2 x 2 Inter
21.05.1972

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Jair; Espinosa, Ancheta, Beto e Everaldo, Jadir e Torino,

Flecha (Mickey), Mazinho(Negreiros), Oberti e Loivo.

Inter: Schneider; Edson Madureira, Figueroa, Pontes e J.Andrade.

Carbone e Tovar(Bráulio), Valdomiro, Paulo César, Claudiomiro e

Volmir

Gois: Pontes contra, Mazinho e Pontes e Figueroa

206. Inter 1 x O Grémio
06.08.1972

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Schneider; Cláudio, Figueroa, Pontes e J.Andrade, Tovar

(Escurinho), Carbone e Paulo César, Valdomiro, Bráulio e

Claudiomiro.

Grémio: Jair; Espinosa. Beto, Renato, Côgo e Everaldo, Jadir

(Caio) e Negreiros. Torino. Flecha, Mickey e Loivo(Oberti).

Gol: Claudiomiro

207. Inter 1 x O Grémio
20.081972

Olímpio; - juiz. Roque José Gallas

inter: Rafaei: Cláudio. Flávio, Hermínio (J.Andrade) e Edson Scott,

Viior Hugc. Ga rcia e Arlém, Sérgio, Marciano (Carbone),

Eso/;-t,c

Grémio: Rogério; Cláudio, Renato, Côgo e Beto, Domingos, Paulo

Sér3'c e Ivo (Loivo), Flecha, Caio, Ivanir, Torino.

S: A.-ém

206. ;mer 2 x 0 Grémio

30 081972

5í ra-Rio - juiz: Agomar Martins

~sf: Fafael; J.Andrade, Pontes, Flávio e Edson Scott, Carbone e

Garcia. Valdomiro (Arlém), Sérgio (Vítor Hugo), Escurinho e

Vc.nir.

Grãnio: Rogério; Cláudio (Ancheta), Renato Côgo e Beto,

Dcningos, Paulo Sérgio(Jadir) e Gaspar, Flecha, Caio, Mazinho e

L:; vo.

Gcis: Escurinho e Volmir
209. Inter 1 x O Grémio

20.09.1972

3eira-Rio - juiz: Agomar Martins

inter: Schneider; Gáudio, Figueroa, Pontes e J.Andrade, Carbone e

Paulo César, Valdomiro.Bráulio, Claudiomiro(Volmir) e Escurinho.

Grémio: Jair; Espinosa, Ancheta, Beto e Everaldo, Jadir(loivo),

Carlos Alberto e Negreiros, Carlinhos, Oberti, Lairton.

Gol: Figueroa

210 Grémio 1 x1 Inler

20.05.1973

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Picasso; Cláudio, Ancheta, Beto e Tabajara, Paulo Sérgio

e Humberto Ramos(Bolivar), Tarciso, Mazinho, Oberti e Loivo

(Carlinhos).

Inter: Schneider; Edson Madureira. Figueroa, Hermínio e

J.Andrade, Carbone e Paulo César (Tovar), Valdomiro, Djair,

Manoel(Escurinho), Volmir.

Gois: Oberti e Djair

228

Tabela dos Grenais

211. Grémio O xOInter
05.08.1973

Olímpico - juiz: Jo'se C. de Morais

Grémio: Picasso; Cláudio, Ancheta, Beto e Tabajarta, Carlos

Alberto, Humberto Ramos(lvanir), Carimbos, Mazinho, Oberti e

Bolívar,

Inter: Schneider; Cláudio, Figueroa, Pontes e J.Andrade, Tovar

(Carbone) e Paulo César, Djair, Valdomiro, Claudiomiro e Manoel

(Escurinho).

212. Grémio 1x1 Inter
11.11.1973

Beira-Rio - juiz: Romualdo Arp Filho

Grémio: Picasso; Cláudio, Ancheta, Beto e Tabajara, Paulo Sérgio

(lura) e Carlos Alberto, Carlinhos (Humberto Ramos), Mazinho,

Tarciso e Loivo.

Inter: Schneider; Edson Madureira, Figueroa. Pontes e Vacaria,

Falcão e Paulo César, Valdomiro. Borjão(Volmir), Claudiomiro e

Djair (Escurinho).

Gois: Mazinho e Valdomiro

213. Inter 2 x 1 Grémio
24.03.1974
Beira-Rio - juiz: Romualdo Arp Filho

Inter: Schneider; Waldir, Figueroa, Pontes e Vacaria, Tovar e

Falcão(Escurinho), Dorinho(Djair), Valdomiro, Claudiomiro e Lula.

Grémio: Picasso; Everaldo, Ancheta. Beto Fuscão e Tabajara,

Carlos Alberto, Humberto Ramos e Torino, Carlinhos(Mazinno),

Tarciso e Bolívar.

Gois: Claudiomiro e Valdomiro e Bolívar

214. Inter 1 x0 Grémio
29.09.1974

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Pontes e Vacaria, Falcão e Paulo CésarfTovar), Escurinho, Vladomiro, Sérgio Lima e Lula. Grémio: Picasso; Cláudio, Ancheta, Beto Fuscão e Tabajara,
Carbone, Torino e lura. Zequinhâ(Dionísio), Tarciso e Lòivo. Gol: Escurinho

215. Inter 1 x O Grémio
01.12.1974

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Pontes e Vacaria, Falcão, Paulo

César e Escurinho, Valdomiro, Sérgio Lima(Claudiomiro) e Lula.

Grémio; Picasso; Cláudio, Ancheta, Beto Fuscão e Tabajara,

Carlos Alberto, Carbone e Luiz Carlos. Yura(Dionísio), Tarciso,

Loivo.

Gol. Valdomiro
216. Inter 2x0 Grémio
01.05.1975

Beira-Rio - juiz: Luiz Louruz

Inter: Manga; Waldir, Figueroa, Hermínio e Vacaria, Falcão.

Borjão(Escurinho), Paulo César, Jair; Tadeu(Claudiomiro), Lula.

Grémio: Picasso; Vilson, Ancheta, Beto e Cláudio, Cacau, Yura e

Neca, Zequinha, Tarciso e Nené.

Gois; Escurinho (2)

217. Inter 2x0Grémio
13.07.1975

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria, Falcão,

Escurinho(Borjão) e Paulo César, Valdomiro, Flávio e Lula.

Grémio: Picasso; Cláudio, Beto, Beto Fuscão e Tabajara, Cacau,

Yura(Loivo), Neca, Zequinha, Tarciso e Nené.

Gois: Flávio, Paulo César e Falcão contra

218. Grémio3x1 Inter
23.07.1975

Beira-Rio - juiz: J.L.Barreto

Grémio: Picasso; Wilson, Ancheta, Beto e Tabajara,

Cacau(Bolivar), Yura e Neca (Luiz Freire), Zequinha, Tarciso e

Nené.

Inter: Manga; Cláudio. Figueroa, Hermínio e Vacaria, Falcão,
Borjão e Paulo César, Valdomiro, Flávio(Claudiomiro) e Lula.

Gois: Zequinha (2); Vacaria contra e Falcão

219. Grémio 1x1 Inter
05.08.1975

Olímpico - juiz:J.L.Barreto

Grémio: Picasso; Fuscão, Ancheta, Beto e Tabajara, Cacau, Yura

(Luiz Freire) e Neca, Zequinha, Tarciso e Nené (Loivo).

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria, Falcão, Paulo

César e Escurinho, Valdomiro, Flávio e Lula.

Gois: Zequinha e Lula

220. Inter 1 x 0 Grémio
10.08.1975

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio(Pontes), Figueroa, Hermínio(Batista) e

Vacaria, Flávio, Falcão e Escurinho, Paulo César, Lula e

Valdomiro.
Grémio: Picasso; Wilson, Ancheta, Beto e Tabajara, Cacau, Bolívar

(Luiz Freire) e Neca, Zequinha, Tarciso e Nené.

Gol: Flávio aos 14 min. da prorrogação

221. Grémio 1x1 Inter
07.09.1975

Beira-Rio - juiz: José L. Barreto Grémio: Picasso; Wilson, Tadeu, Beto e Bolívar, Cacau, Yura e Neca, Zequinha (Luiz Carlos), Tarciso (Loivo) e Nené.

Inter: Manga; Waldir (Cláudio), Pontes. Hermínio e Vacaria, Falcão, Escurinho e Paulo César, Valdomiro. Flávio e Lula. Gois: Zequinha e Lula

222.lnter 1 x O Grémio

23.11.1975

Beira-Rio - juiz; Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio(Hermínio), Figueroa, Tião e Vacaria,

Caçapava, Falcão e Paulo César, Valdomiro, Flávio (Jair) e Lula.

Grémio: Picasso; Wilson, Ancheta, Fuscão e Bolívar, Osmar (Celso

Freitas), Luiz Carlos e Neca, Zequinha, Claudinho (Júlio César) e

Nené.

Gol: Fuscão contra

223. Inter 2x0 Grémio

25.07.1976

Beira- Rio - juiz: Luiz Torres

229

Tabela dos Grenais

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho e Vacaria, Falcão, Caçapavae Paulo César, Valdomiro, Dario e Lula. Grémio: Cejas; Eurico, Ancheta, Fuscão e Bolívar, Jerônimo, Alexandre (Tarciso) e Neca, Zequinha,
Alcino e Ortiz(Yura). Gois: Figueroa e Paulo César Recorde: Cr$ 2.117.201,00 com 73.219 pagantes.

224. Grémio 2 x O Inter
28.07.1976

Olímpico - juiz: Agomar Martins
Grémio: Cejas; Eurico, Ancheta, Fuscão (Tadeu) e Bolívar,

Jerônimo, Alexandre (Yura) e Neca, Zequinha, Tarciso e Ortiz.

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho e Vacaria,

Falcão(Escurinho), Caçapava e Paulo César, Valdomiro, Dario e

Lula.

Gois: Alexandre e Ancheta

225. Inter 1 x O Grémio
09.08.1976

Beira-Rio - juiz: José L. Barreto

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Hermínio e Vacaria, Caçapava. Falcão e Jair (Batista), Valdomiro, Dario e Lula (Zé Maria). Grémio: Cejas; Eurico, Ancheta, Fuscão e Bolívar, Jerônimo. Alexandre e Neca {Tarciso),
Zequinha (Yura). Alcino e Ortiz.

226. Grémio 1 x 11nter
18.08.1976

Olímpico - juiz: Luiz Torres

Grémio: Cejas; Eurico, Ancheta, Fuscão e Vilson, Jerônimo (Néia),

Tarciso e Vítor Hugo, Zequinha (Luiz Carlos), Alcino e Yura.

Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho e Vacaria,

Caçapava(Escurinho), Batista e Falcão, Valdomiro (Jair), Dario e

Lula.

Gois: Tarciso e Escurinho

227. Inter 2 x O Grémio
22.08.1976

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins Inter: Manga; Cláudio, Figueroa, Marinho e Vacaria. Caçapava, Falcão e Jair (Escurinho), Valdomiro, Dario e Lula. Grémio: Cejas; Eurico, Ancheta. Fuscão (Tadeu) e Bolívar,
Jerônimo (Vitor Hugo), Alexandre e Neca, Zequinha, Yura e Ortiz. Gois: Lula e Dario

228. Inter 3x0 Grémio
07.09.1976

Beira-Rio - juiz: Romualdo Arp Filho

Inter: Gasperin; Cláudio, Figueroa, Marinho e Chico Fraga, Falcão,

Jair (Escurinho) e Batista, Valdomiro, Dario e Lula.

Grémio: Cejas; Eurico. Tadeu, Fuscão, Bolívar, Vitor Hugo. Yura

(Néia) e Alexandre. Zequinha, Alcino e Ortiz.

Gois: Lula (2), Jair e Alexandre

229. Grémio 3x0 Inter
17.04.1977

Olímpico - juiz: Luiz Torres

Grémio: Remi; Eurico. Oberdan, Ancheta e Ladinho, Vitor Hugo,

Tadeu e Yura (Jerônimo), Tarciso, Alcindo (Zequinha) e Éder.

Inter: Manga; Cláudio, Marião, Hermínio e Chico Fraga, Caçapava

(Joãozinho Paulista), Falcão e Batista, Pedrinho (Jair), Escurinho e

Dario.
Gois: Tadeu (2) e Alcindo.

230. Inter 1 x O Grémio
08.05.1977

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Manga; Chico Fraga, Marinho, Gardel e Vacaria, Batista,
Falcão e Pedro(Pedrinho), Jair(Escurinho), Dario e Santos.

Grémio: Remi, Vilson, Tadeu, Ancheta e Ladinho, Valderez,

Jerônimo e Luiz Carlos, Zequinha (Tarciso), Claudinho (Alcindo) e

Gino.

Gol: Santos

231. Inter IxOGrêmio
29.05.1977

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Inter: Manga; Cláudio, Gardel, Marinho e Bereta, Batista, Jair e

Falcão, Valdomiro, Dario e Santos.

Grémio: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, Vitor Hugo,

Tadeu e Yura (Jerônimo), Tarciso, Claudinho e Éder (Zequinha).

Gol: Santos

232. Grémio 0 x 0 Inter
01.06.1977

Beira-Rio - juiz: Agomar Martins

Grémio: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, Vitor Hugo,

Tadeu e Jerônimo (Zequinha), Tarciso, Alcindo e Éder.

Inter: Manga; Cláudio, Marinho, Gardel e Bereta, Batista, Falcão e

Jair (Caçapava), Valdomiro, Dario e Santos.

233. Grémio 2 x 11nter
14.08.1977

Olímpico - juiz: Agomar Martins

Grémio: Corbo; Eurico, Ancheta, Oberdan e Ladinho, Yura

(Zequinha), Vitor Hugo e Tadeu Ricci, Tarciso, André (Alcindo) e

Éder.

Inter: Manga; Hermínio, Beliato, Gardel e Vacaria. Batista,

Caçapava (Escurinho) e Falcão. Valdomiro, Luisinho e Lula(Dario).

Gois: Yura e Tarciso e Hermínio

234. Grémio 2x0 Inter
18.09.1977

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Grémio: Corbo; Eurico, Cássia, Oberdan e Ladínho, Vitor Hugo,

Tadeu Ricci e Yura (Vilson), Tarciso, André (Alcindo) e Éder.

Inter: Manga; Bereta, Beliato, Marinho e Vacaria, Caçapava,

Luisinho (Escurinho) e Falcão, Valdomiro, Dario e Santos

(Benitez).

Gois: Tadeu Ricci e Tarciso

235. Grémio 1 x O Inter
25.09.1977

Olímpico-juiz: Luiz Torres

Grémio: Corbo; Eurico, Cássia, Oberdan e Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Yura (Vilson), Tarciso, André (Alcindo) e Éder. Inter: Benitez; Bereta(jair), Marinho. Gardel e Vacaria, Caçapava,

230
Tabela dos Grenais

Batista B Escurinho, Valdomiro, Luisinho e Santos (Dario). Gol: André

236. Grémio 4x0 Inter
06.11.1977

Beira-Rio - juiz: Dulcidio V. Boschilia

Grémio: Corbo; Eurico, Vilson, Oberdan e Ladinho. Vítor Hugo,

Tadeu Ricci e Yura (Leandro), Tarciso, André e Éder.

Inter. Benitez; Batista, Beliato, Gardel e Dionisio, Caçapava

(Vasconcelos), Jair e Falcão, Valdomiro, Luisinho s Edu

(Escurinho).

Gois: lura (2), Tadeu Ricci e Tarciso

237. Grémio 3x2 Inter
23.04.1978

Beira-Rio - juiz: José Assis Aragão Grémio: Corbo; Eurico, Oberdan, Vicente e Ladinho, Valderez, Tadeu e Yura (Vilson), Leandro, André (Everaldo) e Éder. Inter. Bagatini; Lúcio, Beliato,
Roberto e Wanderley, Caçapava, Falcão, Tonho e Jair, Bill(Alcione) e Anchieta (João Carlos). Gois: André, Ladinho, Éder, Lúcio e Falcão

238. Grémio 2 x 11nter
20.08.1978

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Corbo; Vilson, Cássia, Vicente e Ladinho, Vitor Hugo,

Yura, Renato Sá, Tarciso, André e Éder (Jurandir).

Inter: Gasperin; Bereta, Paulo Marcos (Tabajara), André e João

Carlos, Caçapava, Falcão e Jair, Valdomiro, Bill e Anchieta

(Tonho).

Gois: André, Éder e Anchieta

239. Inter 1 x O Grémio
07.09.1978

Beira-Rio - juiz: Luis Guaranha

Inter: Gasperin; Lúcio, Salomóm (Larry), Paulo Marcos (Santos) e

João Carlos, Falcão, Cléo e Tonho, Mica, Reinaldo e Anchieta.

Grémio: Remi; Valdoir, Cássia, Vilson e Serginho, Valderez,

Rubenval (Paulo), Leandro, Botelho (Francisco), Everaldo e

Jurandir.

Gol: Anchieta

240. Grémio 2x2 Inter
Olímpico - juiz: José Luis Barreto

Grémio: Corbo; Eurico (Vilson), Cássia, Vicente e Ladinho, Vitor Hugo, Yura e Renato Sá, Tarciso (Jurandir), André e Feter. Inter: Gasperin; Lúcio, Beliato, André e Tabajara, Batista, Caçapava
e Falcão, Jair, Valdomiro e Luis Fernando (Santos). Gois: Éder, Renato Sá, Valdomiro e Falcão

241. Inter IxOGrêmio
13.09.1978

Beira-Rio - juiz: Luis Torres

Inter: Gasperin; Lúcio, Larry, André e Tabajara, Falcão, Jair e

Tonho, Valdomiro, Luís Fernando e Anchieta.

Grémio: Corbo; Vilson, Cássia, Vicente e Ladinho, Vitor Hugo,

Renato Sá e Leandro, Tarciso, Everaldo (Jurandir) e Éder.
Gol: Tonho

242. Grémio 1 x 11nter
05.11.1978

Olímpico - juiz Carlos Martins

Grémio: Corbo; Vilson, Cássia, Vicente e Serginho, Vitor Hugo,

Valderez e Leandro, Renato Sá (Jurandir), Tarciso e Francisco

(André).

Inter: Gasperin; Lúcio, Larry, André (Paulo Marcos) e Tabajara,

Caçapava, FalcSo e Batista, Jair, Valdomiro e Peri (Chico Espina).

Gois: André e Caçapava

243. Inter 2 x 1 Grémio
08.11.1978

Beira-Rio - juiz: Luiz Torres

Inter: Gasperin; Lúcio, Larry, André e Jorge Tabajara, Caçapava,

Jair, Batista e Falcão, Valdomiro e Adilson.

Grémio: Corbo; Vilson, Cássia, Vicente e Serginho (Ladinho),

Vitor Hugo, Valderez e Leandro (André), Tarciso, Francisco e Éder.

Gois: Jair, Valdomiro e Éder

244. Grémio 0x0 Inter
26.11.1978

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Corbo; Eurico, Vilson, Vicente e Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu Ricci e Leandro (Yura), Tarciso, André (Francisco) e Eder. Inter: Gasperin; Hermes, Paulo Marcos (João Carlos), André e
Jorge Tabajara, Caçapava, Batista e Falcão, Tonho (Anchieta), Adilson e Santos.

245. Inter 2 x Grémio 2
13.12.1978

Beira-Rio - juiz: Rui Canedo

Inter: Gasperin; Hermes, Larry (João Carlos), André e Tabajara,

Batista, Falcão e Jair, Tonho, Valdomiro e Adilson.

Grémio: Corbo; Vilson, Eurico, Vicente e Ladinho, Vitor Hugo,

Tadeu (Valderez)e Yura (Renato Sá), Tarciso, André e Éder.

Gois: Adilson (2), Yura e Éder

246. Inter 2 x 1 Grémio
17.12.1978

Olímpico - juiz: José Roberto Wright Inter: Bagatini; Hermes, João Carlos, Beliato, Jorge Tabajara, Caçapava (Roberto), Batista, Falcão, Valdomiro, Adilson e Jair. Grémio: Corbo (Remi),
Eurico, Vilson, Vicente, Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu Ricci, Valderez, Tarciso, Francisco (Jurandir) e Éder. Gois: Valdomiro (2) e Tarciso(G)

247. Inter 0x0 Grémio
13.05.1979

Beira-Rio - juiz: Silvio Rodrigues Iníer: Benitez; Hermes, Larry, Beliato, Bereta (Chico Espina); Caçapava, Batista, Jair, Falcão; Valdomiro e Mário(Adilson). Grémio: Manga; Eurico, Vantuir,
Vicente, Dirceu; Vitor Hugo, Jurandir, Yura (Valderez); Tarciso, André e Éder(Vilson).

248. Grémio 1 x 11nter
22.07.1979

Olímpico - juiz: Roque José Gallas Grémio: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir, Dirceu; Vitor Hugo, Nardela (Baltazar), Paulo César; Tarciso (Jurandir), André e Éder. Inter: Benilez; João Carlos,
Mauro, Beliato, Cláudio Mineiro;

231

Tabela dos Grenais

Batista, Tonho, Borracha (Sílvio); Jair, Rogério (Toninho) e Chico
Espina.

Gois: Éder e Borracha

249. Grémio 2 x 11nter
26.08.1979

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins Grémio: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir, Dirceu; Vitor Hugo, Paulo César, Jurandir; Tarciso, Baltazar e Éder (Jesum). Inter: Benitez; Hermes, Mauro, Larry,
Bereta, Tonho; Adilson, (Washington), Batista; Jair, Mário (Borracha) e Chico Espina. Gois: Jurandir, Baltazar e Chico Espina

250. Grémio 1 x 11nter
20.09.1979

Olímpico - juiz: Airton Benardoni

Grémio: Manga; Vilson, Ancheta, Vantuir, Dirceu; Vitor Hugo,

Jurandir, Leandro (Yura); Tarciso, Baltazar e Éder.

Inter: Benitez; João Carlos, Mauro, Mauro Galvão, Cláudio

Mineiro; Batista, Jair, Falcão; Chico Espina. Washington (Mário) e

Mário Sérgio.

Gois: Leandro e Jair

251. Inter 1 x 0 Grémio
07.10.1979

Beira-Rio - juiz: José Faville Neto

Inter: Benitez; João Carlos, Mauro, Mauro Galvão, Cláudio

Mineiro; Toninho, Jair, Falcão; Chico Espina, Adilson e Mário

Sérgio.

Grémio: Manga; Eurico, Vantuir, Vicente; Dirceu, Vitor Hugo,

Jurandir; Leandro (Nardela), Tarciso, Baltazar e Éder.

Gol: Jair

252. Grémio 2x2 Intef
24.08.80

Olímpico - juiz: Luiz Guaranha

Grémio: Leão; Mauro, Newmaf. Vicente. Dirceu: Vítor Hugo. Paulc

Isidoro, Dejair; Tarciso. Baltazar. Odair (Renato Sá).

Inter: Gilmar; João Carlos, Bob. Paulo Marcos. Paulo Ornar.

Amauri, Leonel, Tonho. Popéia, Bira. Pedro Verdin (Renê)

Gois: Baltazar e Tarciso (G) - Popéia (2) (l)

253. Inter 1 x O Grémio
19.10.1980

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Benitez; Carlos Alberto, Mauro Pastor, André LLZ. SeçS.

Batista, Cléo, Jair, Valtinho (Toninho), Jones(Bira) e Mário Ségio

Grémio: Leão; Nelinho, Vicente, Vantuir, Dirceu, Vitor Hugo. Paulo

Isidoro, Renato Sá, Tarciso, Baltazar, Odair (Jurandir).

Gol: Jair

254. Grémio 0x0 Inter
05.11.1980

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Leão; Nelinho, Vantuir, Vicente, Dirceu, Vitor Hugo. Paulo

Isidoro, Renato Sá (Vilson Tadei), Jurandir (Tarciso), Baltazar e
Odair.

Inter: Benitez; Carlos Alberto. Mauro, Mauro Galvão, Bereta,

Batista, Jair, Cléo (Tonihno), Valtinho, Jones (Bira) e Mário

Sérgio.

255. Inter 0x0Grémio
23.11.1980

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Benitez; Carlos Alberto, Mauro Pastor, Mauro Galvão, Bereta,

Batista, Jair, Cléo (Toninho), Valtinho (Silvinho), Bira e Mário

Sérgio.

Grémio: Leão; Nelinho, Vantuir, Vicente, Dirceu, Vitor Hugo, Paulo

Isidoro, Vilson Tadei (Bonamigo), Tarciso, Baltazar e Renato Sá

(Jurandir).

256. Grémio O x O Inter
26.07.1981

Olímpico - Juiz: Carlos Martins

Grémio: Leão; Paulo Roberto, Newmar, Vantuir, Casemiro, China,

Paulo Isidoro. Vilson Tadei, Tarciso, Baltazar (Plein), e Odair

(Héber).

Inter: Benitez; Betão, Mauro Pastor, André Luiz, Rodrigues Neto,

Mauro Galvão. Ademir, Cléo. Jesum, Pedro Verdum (Paulo

Santos) e Mário Sérgio.

257. Inter 0x0 Grémio
07.10.1981

Beira-Rio - juiz: José R. Wright

Inter: Benitez; Betão, Mauro Pastor, André Luiz, Rodrigues Neto, Ademair. Cléo. Jaiminho. Sílvio (Piter), Bira e Jesum. Grémio: Leão: Udiôa, Newmar, De Leon, Dirceu, China, Paulo Isidoro.
Vilson Tadei, Tarciso. Baltazar e Héber.

258. Inter 2 x 1 Grémio
04.11.1981

5e!ra-FI!c - ju:z: José R Wright

inter Uenltez; 3«Se. Mauro Pastor, André, Rodrigues Neto,

Aden•'. Mauro Ga:vão. Cléo, Silvio (Jaiminho), Bira e Silvinho.

G'êrvc Leãc Pauio Roberto, Vantuir, De Leon, Dirceu, China.

Pa. c s i:r c Vilson Tadei, Tarciso, Geraldão, (Baltazar), Héber

(ftfer!

Sc s: Bifa. Ciéo e Geraldão

259. Grémio 1 x 11nter
29.11.1981

D inp'co - juiz: Carlos Martins G'ân;o: Leão; Paulo Roberto, Vantuir, De Leon, Paulo César, Q- -z. Paulo Isidoro, Tonho, Tarciso. Geraldão, Odair (Baltazar). --%': Benitez; Paulinho, Mauro
Pastor, André, Rodrigues Neto, Ademir. Mauro Galvão.Cléo. Silvio (Jesum), Bira e Silvinho. G; s; Silvinho e Baltazar

260 - Inter 0x2 Grémio
03.08.82

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Benitez; Edevaldo, Mauro GalvSo, Mauro Pastor e Andr é

Luiz: Ademir, Cléo e André; Paulo César (Muller), Geraldão e
Ruben Paz (Valdomiro).

Grémio: Leão; Paulo Roberto, Leandro, De Léon e Paulo César;

Batista, Paulo Isidoro e Bonamigo; Tarciso, Edmar (China) e Odair.

Gois: Edmar e Tarciso.

261 - Grémio 2x2 Inter
10.10.82

Olímpico - Juiz: Airton Bernardoni

232

Tabela dos Grenais

Grémio: Leão; Paulo Roberto, Leandro, De León e Paulo César;

China, Paulo Isidoro e Bonamigo; Renato, Edmar e Júlio César

(Odair).

Inter: Benitez; Edevaldo, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Luís

Carlos Winck; Ademir, Cléo e Ruben Paz (Muller); Silvio, Geraldão

e Silvinho.

Gois: Edmar e China (G); Mauro Pastor e Cléo (I).

262-Inter3x1 Grémio

07.11.82

Beira-Rio - juiz: Roque José Gallas

Inter: Benitez; Edevaldo, Silva, Mauro Galvão e Luís Carlos Winck

(André Luís); Ademir, Cléo e Ruben Paz; Silvio (Paulo César).

Geraldão e Silvinho.

Grémio: Leão; Paulo Roberto, Vantuir, Leandro e Casemiro; China

(Bonamigo), Batista e Paulo Isidoro; Renato, Edmar e Isa ías

(Tarciso).

Gois: Geraldão (3) e Leandro

263 - Grémio 0x2 Inter
28.11.82

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Leão; Paulo Roberto, Vantuir, De León e Casemiro;

Batista, Paulo Isidoro e Bonamigo (Jorge Leandro); Renato, Edmar

e Tonho (Tarciso).

Inter: Benitez; Edevaldo, Mauro Pastor, Mauro Galvão e André

Luís; Ademir, Cléo e Ruben Paz (Silva); Silvio, Geraldão e

Silvinho.

Gois: Geraldão(2)

264 - Grémio O x 11nter
30.07.83 - Olímpico
Juiz: Luís Torres

Grémio: Beto; Raul, Newmar, Leandro e Paulo César; Luís Carlos (Valdo), Robson e Bonamigo; Lambari, Caio Júnior e Tonho. Inter; Carlos Alberto; Bereta, Daio, Laércio e Paulo Ornar
(Paulo Roberto); Ricardinho, Muller e Gérson; Paulo Santos, Sabará e Borracha. Gol: Gerson

265 - Inter 1 x 1 Grémio
02.10.83
Beira-Rio - juiz: Roque José Gallas
Inter: Benitez; Luís Carlos Winck, Mauro Pastor, Mauro Galvão e

André Luís; Ademir, Dunga (Renê) e Ruben Paz; Silvio (Gerson),

Geraldão e Silvinho.

Grémio; Mazaropi; Paulo Roberto, Baidek, De León e Paulo César;

China, Osvaldo e Bonamigo; Renato, Caio Júnior (César) e

Tarciso.

Gois: Mauro Galvão, Osvaldo

266 - Grémio 0x0 Inter
02.11.83

Olímpico - juiz: Aírton Bernardoni

Grémio: Mazaropi; Casemiro, Baidek, De León e Paulo César; Luís

Carlos, Osvaldo e Paulo César Caju (Robson); Tarciso, César e

Mário Sérgio.

Inter: Benitez; Luís Carlos Winck, Mauro Pastor, Mauro Galvão e

André Luís; Ademir, Borracha e Ruben Paz; Sílvio (Renê), Geraldão

e Marquinhos (Milton Cruz).

267 - Inter 2 x 2 Grémio
27.11.83

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Gilmar; Bereta, Daio, Aloísio e Paulo Roberto; Ademir, Renê e Gérson; Paulo Santos (Sabará), Milton Cruz e Marquinhos. Grémio: Beto; Raul, Newmar, Leandro e Rogério; Luís
Carlos, Bonamigo e Cássio; Lambari, Robson e Tonho (Caio Júnior). Gois: Gerson, Milton Cruz, Raul (2)

268 - Grémio 4 x 2 Inter
26.01.84

Olímpico - juiz: Luis Torres

Grémio: João Marcos; Raul (Casemiro), Baidek, De León e Paulo

César; China, Osvaldo (Leandro) e Bonamigo; Renato, Júlio César

(Luís Carlos) e Caio (César).

Inter: Gilmar; Alves, Mauro Pastor, Mauro Galvão e Beto; Ademir,

Muller (Fernando) e Ruben Paz; Silvio (Milton Cruz), Geraldão

(Kita) e Silvinho.

Gois: Osvaldo, Renato, Caio e Paulo César, Bonamigo-contra e

Ruben Paz

269 - Inter 2x0 Grémio
23.09.84

Beira-Rio - juiz: Luiz Cunha Martins

Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Maura Galvão e André

Luís; Ademir, Milton Cruz e Ruben Paz; Jussiê (Fernando), Kita e

Silvinho.

Grémio: João Marcos; Raul. Baidek, De León e Paulo César;

China, Osvaldo e Luís Carlos; Tarciso (Garcia), Caio e Queiroz.

Gois: Jussiê e Ruben Paz

270 - Grémio 1 x 2 Inter
08.11.84

Olímpico - juiz: José Mocelin
Grémio: Beto; Soter, Leandro, Luís Eduardo e Raul; Mário, Luís Carlos e Gilson; Garcia, Valdo e Queiroz (Rogério). Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e André Luís;
Ademir, Milton Cruz e Ruben Paz; Sílvio (Fernando), Kita e Silvinho. Gois: Ruben Paz(2), Garcia

271 - Inter 2x0 Grémio
25.11.84

Beira-Rio - juiz: Airton Bernardoni

Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e André

Luís; Ademir, Luís Fernando e Ruben Paz; Paulo Santos (Luís

Freire), Kita e Silvinho.

Grémio: João Marcos; Soter, Baidek, De León e Casemiro;

Bonamigo, Luís Carlos e Gilson (Valdo); Renato, Caio e Tarciso.

Gois: Kita e Mauro Galvão.

272 - Grémio 1 x 11nter
13.12.84

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: João Marcos; Soter, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro; Bonamigo, Leandro e Mário; Valdo (Gilson), Tarciso e Queiroz. Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e
André Luís; Ademir, Luís Freire e Luís Fernando; Jussiê. Kita e Silvinho. Gois: Valdo e Kita

233

Tabela dos Grenais

273 - Grémio 2x0 Inter
10.02.85

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi; Ronaldo, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro;

China, Luís Fernando (Sérgio Perez) e Valdo; Renato, Roberto

César e Ademir {Tarciso).

Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e André

Luís; Ademir, Luís Freire e Ruben Paz; Jussiê, Kita e Sllvinho

(Paulo Santos).

Gois: Ademir e Renato.

274 - Inter O x 1 Grémio
24.03.85

Beira-Rio - juiz: Roque José Gallas

Inter: Gilmar; Luís Carlos Winck, Aloísio, Mauro Galvão e Paulo

Ornar; Ademir, Luís Freire (Muller) e Fernando; Jussiê, Marcelo

(Kita) e Silvinho.

Grémio: Mazaropi, Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro; China.

Osvaldo e Luís Fernando; Tarciso, Rached (Sabella) e Valdo.

Gol: Luís Fernando

275 - Inter 2x0 Grémio
20.10.85

Beira-Rio - juiz: Roque José Gallas

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck. Ademir Antes, Pinga e Marco

Aurélio; Marquinhos, Ademir Alcântara e Aírton; Silvio, Paulo

Santos {Kita) e Balaio.
Grémio: Beto; Giba, Rogério, Henrique e Mânica; João António,

China e Sabella; Fernando (Ortiz), Bira e Ademir (Odair).

Gois: Paulo Santos e Henrique(contra)

276 - Grémio 2 x 11nter
08.12.85

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi; Raul, Baidek (Rogério), Luís Eduardo e

Casemiro; China. Osvaldo e Bonamigo: Renato, Caio Júnior

(Sabella) e Valdo.

Inler: Taffarel; Luís Carlos Winck. Aloísio. Mauro Galvão e Pinga;

Ademir (Paulo Santos). Aírton e Ruben Paz; Tila. Kita e Silvinho.

Gois: Bonamigo, Caio Júnior e Titã

277-Inter 0x1 Grémio

23.09.86

Beira-Rio - juiz: Luís Cunha Martins

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck. Pinga. Aloísio e Marco Aurélio;

Marquinhos, Titã e Aírton; Silvio (Robertinho). Satará e Balata.

Grémio; Mazaropi; Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro:

Bonamigo. Osvaldo e Luís Carlos; Caio Júnior (China). AJbeneir e

Valdo.

Gol: China

278 - Grémio 1 x 3 Inter

11.05.86

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Mazaropi; Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro:

Bonamigo, Osvaldo e Luís Carlos; Renato, Albeneir e Caio Júnior

(Sabella).

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Pinga, Aloísio e Mauro Galvão;

Marquinhos, Aírton e Ademir Alcântara; Robertinho, Marcelo e

Balaio.
Gois: Balaio, Marcelo, Aírton e Renato

279 - Inter 2x2 Grémio
09.07.86

Beira-Rio - juiz: Luís Cunha Martins Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Pinga. Aloísio e Mauro Galvão; Marquinhos, Aírton e Ruben Paz; Robertinho, Marcelo e Balaio. Grémio: Mazaropi;
Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro; China, Bonamigo e Osvaldo (Luís Carlos); Renato, Caio Júnior e Valdo. Gois: China(contra), Marcelo. Valdo e Mauro Galvão(contra)

280 - Grémio 1 x O Inter
20.07.86

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi; Raul, Baidek, Luís Eduardo e Casemiro;

Bonamigo, China e Luís Carlos: Renato, Caio Júnior (Osvaldo) e

Valdo.

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck. Aloísio, Pinga e Mauro Galvão;

Marquinhos, Aírton e Ruben Paz; Robertinho. Marcelo e Balaio
(Titã).

Gol: Osvaldo

281-Inter 2x2 Grémio

18.03.87

Beira-Rio - juiz: Silvio Oliveira

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Laércio, Aloísio e Marco Aurélio;

Aírton, Dacroce e Luís Fernando; Marquinhos, Sabará (Norton) e

Amarildo.

Grémio: Mazaropi; Casemiro, Alexandre, Luís Eduardo e Adriano;

China, Luís Carlos (Giovani) e Bonamigo; Caio, Lima e Darci.

Gois: Luís Fernando, Sabará, Caio e China

282 - Grémio 2 x 11nter

29.03.87

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Mazaropi; Casemiro, Henrique, Luís Eduardo e João

António: China. Luís Carlos e Bonamigo; Caio, Lima e Jorge

Veras.
Inter: Taffarel: Luís Carlos Winck (Norton), Aloísio, Laércio e

Marco Aurélio: Aírton, Dacroce e Luís Fernando; Paulinho, Sabará

(Ama/iido) e Balaio.

Gois: Jorge Veras(2). Amarildo

283 - Inter O x 1 Grémio
05.04.87

Seãa-flio - juiz: Luís Cunha Martins

In»: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Laércio e Marco Aurélio

(Norton); Dacroce. Marquinhos (Bandeira) e Luís Fernando;

Paulinho. Amarildo e Balaio.

G'èmio: Mazaropi; Casemiro, Alexandre, Luís Eduardo e Adriano;

China. Luís Carlos e Bonamigo; Caio. Lima e Jorge Veras.

Gol: Caio

284 - Grémio O x 11nter
10.05.87

Olímpico - juiz: Jorge Schaeffer

Grémio: Mazaropi; Alfinete (Adriano), Astengo, Luís Eduardo e

Casemiro; China, Gilson (Darci) e Bonamigo; Valdo, Lima e Jorge

Veras.
Inter: Taffarel; Lu ís Carlos Winck, Aloísio, Laércio e Beto;

Norberto, Aírton e Luís Fernando; Heider (Paulinho), Amarildo e

234

Tabela dos Grenais

Balaio. Gol: Balaio
285 - Inter 1 x 1 Grémio
31.05.87

Beira-Rio - juiz; Cláudio Pinto

Inter: Taflarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Laércio e Beto; Aírton,

Norberto e Luís Fernando; Heider, Amarildo e Balaio.

Grémio: Mazaropi; Casemiro, Aslengo, Luís Eduardo e Adriano;

China, Cristóvão e Bonamigo; Caio, Lima e Jorge Veras.

Gois: Caio e Amarildo

286 - Grémio 3x0 Inter
14.06.87

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Astengo, Luís Eduardo e Casemiro;

João António, Cristóvão e Casemiro; Valdo, Lima e Jorge Veras.

Inter: Ademir Maria; Luís Carlos Winck, Aloísio, Laércio e Beto;

Aírton (Marquinhos), Norberto e Balaio; Heider, Amarildo e

Paulinho.

Gois: Cristóvão, Lima e Alfinete

287 - Grémio 0x0 Inter (2x3 nos pênaltis)
16.07.87

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Astengo, Luís Eduardo e Casemiro; João António, Cristóvão e Bonamigo; Valdo, Lima e Jorge Veras. Inter; Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Laércio e Beto; Alrton, Norberto e
Bandeira; Heider. Amarildo e Balaio.

288-Inter 0x0 Grémio

28.06.87
Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Pinga e Beto (Laércio);

Aírton, Norberto e Marquinhos; Paulinho, Amarildo e Balaio;

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Henrique, Luís Eduardo e Casemiro;

China, Cristóvão (Caio) e Bonamigo; Fernando, Lima e Jorge

Veras.

289-Grémio 3x2 Inter

19.07.87

Olímpico

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Astengo (Henrique), Luís Eduardo e

Casemiro; China, Valdo e Bonamigo; Fernando (Cristóvão), Lima e

Jorge Veras.

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio. Pinga (Norton) e

Laércio; Aírton, Norberto e Luís Fernando (Marinho Ra); Paulinho,

Amarildo e Balaio.

Gois: Lima(2), Jorge Veras, Luís Carlos Winck e Paulinho

290-Inter 0x1 Grémio

12.10.87

Beira-Rio - juiz: José Roberto Wright
Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Nené e Laércio;

Norberto, Luís Fernando (Manu) e Gilberto Costa; Heider,

Amarildo e Paulo Mattos.

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Henrique, Luís Eduardo e Casemiro;

Amaral, Bonamigo e Cuca; Valdo, Lima e Darci (Jorge

Veras/Cristóvão).

Gol: Jorge Veras

291 - Grémio 1 x O Inter

12.03.88

Olímpico - juiz: Luís Cunha Martins

Grémio: Mazaropi; Henrique (André), Amaral, Luís Eduardo e

Airton; Bonamigo, Cristóvão e Cuca (Cláudio Freitas); Valdo, Lima

e Jorge Veras.

Inter: Talfarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Nené e Casemiro;

Norberto, Aírton e Glauco (Paulinho); Heider (Zé Cláudio),

Amarildo e Balaio.

Gol; Luís Carlos Winck(contra)

292-Grémio 3x1lnter

26.04.88

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Mazaropi; João António, Stengo, Luís Eduardo e Aírton;

André (Cláudio Freitas), Cristóvão e Cuca; Valdo, Lima e Jorge

Veras.

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Nené e Laércio;

Norberto, Aírton e Glauco; Luís Fernando, Amarildo e Edu.

Gois: Lima(2), Valdoe Luís Fernando

293 - Inter 0x0 Grémio

22.05.88

Beira-Rio - juiz: Carlos Martins

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Aloísio, Norton e Casemiro;

Norberto, Luís Fernando e Luís Carlos; Heider, Amarildo e Edu

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Astengo, Amaral e Airton; João

António, Cristóvão e Cuca; Valdo, Lima e Jorge Veras.

294-Grémio 3x3 Inter

19.06.88

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Astengo, Luís Eduardo e Aírton;

Bonamigo. Cristóvão e Cuca; Valdo, Lima e Jorge Veras (Zé

Roberto).

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck, Nené, Aloísio e Casemiro;

Norberto, Luís Fernando e Luís Carlos (Paulo Afonso); Heider
(Maurício), Amarildo e Edu.

Gois: Lima(2), Zé Roberto, Heider, Amarildo e Luís Fernando

295 - Grémio 1 x O Inter
04.09.88

Olímpico - juiz: José Roberto Wright

Grémio: Mazaropi; Alfinete. Trasante. Luís Eduardo e Aírton;

Bonamigo, Cuca e Cristóvão; Jorginho, Marcos Vinícius e Jorge

Veras (Zé Roberto).

Inter: Ademir Maria; Casemiro, Nené, Aguirregaray e João Luiz;

Norberto, Luís Fernando (Miro Oliveira) e Luís Carlos; Heider,

Dadinho (Maurício) e Edu.

Gol: Zé Roberto

296 - Grémio 0x0 Inter
09.02.89

Olímpico - juiz: Romualdo Arpi Filho

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Trasante, Luís Eduardo e Aírton;

Bonamigo, Serginho e Cristóvão; Jorginho, Marcos Vinícius e

Roberto (Reinaldo Xavier).

Inter: Taffarel; Casemiro, Aguirregaray, Nené e João Luiz;

Norberto, Luís Fernando (Leomir) e Luís Carlos; Maurício, Nilson

e Edu.

235

Tabela dos Crenais

297 - Inter 2 x 1 Grémio
12.02.89

Beira-Rio - juiz: Arnaldo César Coelho

Inter: Taffarel; Luís Carlos Winck. Aguirregaray, Nené e Casemiro:

Norberto, Leomir e Luís Carlos; Maurício (Norton), Nilson e Edu.

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Trasante, Luís Eduardo e Aírton;

Bonamigo, Cuca e Cristóvão; Jorginho (Reinaldo Xavier), Marcos

Vinícius e Jorge Veras (Serginho).

Gois: Nílson(2) e Marcos Vinícius

298 - Inter 1 x 1 Grémio
19.03.89

Beira-Rio - juiz: Luís Cunha Martins

Inter: Ademir Maria; Júlio César, Aguirregaray, Maurício e Paulo

Afonso; Norberto, Nilson e Fraga (Marcelo Lima; Marquinhos,

Marcelo e Juarez (Ado).

Grémio: Gomes; Alfinete, Amaral, Luís Eduardo e Clausemir;

Bonamigo, Cuca e Cristóvão; Jorginho. Marcos Vinícius (Kita) e

Roberto (Zé Roberto).

Gois: Maurício e Jorginho
299 - Inter 1 x 3 Grémio
28.05.89

Beira-Rio - juiz: Renato Marsiglia

Inter: Taffarel; Norberto, Aguirregaray, Norton e Casemiro;

Bonamigo, Luís Carlos e Luís Fernando; Heider, Nilson e Ado

(Diego Aguirre).

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Vílson, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir,

Cristóvão e Cuca (Lino); Assis, Kita (Nando) e Paulo Egídio.

Gois: Jandir, Kita, Paulo Egídio e Luís Fernando

300 - Grémio 0x0 Inter (4x3 nos pênaltis)
18.08.89

Olímpico - juiz: Carlos Martins

Grémio: Mazaropi: Alfinete, Edinho, Luís eduardo e Hélcio (Fábio); Lino. Cuca e Adilson Heleno (Almir); Assis, Kita e Paulo Egídio. Inter: Ademir Maria; Casemiro, Norton, Aguirregaray
e Lula (Oacroce); Norberto. Leomir e Luís Carlos; Claudinho. Diego Aguirre (Marcelo) e Edu.

301 - Inter 2x0 Grémio
29.11.89

Beira-Rio - juiz: Silvio Oliveira

Inter: Taffarel; Chiquinho. Nené, AguÍTegaray e Casemiro:

Bonamigo, Luís Carlos e Marquinhos: Zé Cara. Ntíson ÍRobeno

Carlos) e Edu (João Carlos).

Grémio: Gomes; Jorge António, Luiz Fernando. Lús Eduado e

Fábio; André, Geverton e Cuca (Darci); Assis. Nanric iAn>) e

Paulo Egídio

Gois: Nelson(2)

302 - Grémio O x 1 Inter
22.03.90

Olímpico-juiz: José Mocelin

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Vilson, Luís Eduardo e Hélcio: Jandir.

Cuca e Adilson Heleno (Assis); Darci, Nilson e Paulo Egídio. Inter:

Taffarel; Chiquinho, Zaballa, Sandra, Eliseu e Daniel; Norberto.

Bernardo e Marcelo Prates (Bonamigo); Nelson e Edu (Marcelo

Henrique).

Gol: Nelson

303 - Inter 1 x O Grémio

03.06.90

Beira-Rio - juiz: Silvio Oliveira

Inter: Maizena: Chiquinho, Sandra, Zaballa e Daniel; Norberto,

Bonamigo e Luís Carlos; Sérgio China, Nelson e Edu (Marcelo

Henrique).

Grémio: Mazaropi; Fábio, João Marcelo, lon e Hélcio; Jandir, Cuca

e Adilson Heleno; Darci (Assis), Nilson e Paulo Egídio.

Gol: Edu

304-Inter 0x1 Grémio

15.07.90
Beira-Rio - juiz: Luís Cunha Martins

Inter: Taffarel; Chiquinho, Sandra, Maurício e Célio Lino (Rudinei);

Norberto, Luís Carlos e Luís Fernando; Marcelo Prates (Guga),

Nelson e Edu.

Grémio: Mazaropi; Alfinete, Vilson, Luís Eduardo e Hélcio; Jandir,

Cuca e Assis; Caio. Nilson e Paulo Egídio.

Gol: Nilson

305 - Grémio 4 x 1 Inter
29.07.90

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Mazaropi; Fábio. João Marcelo, Luís Eduardo e Hélcio;

Jandir, Cuca e Assis; Darci, Nilson e Paulo Egídio.

Inter: Maizena; Chiquinho. Sandro, Zaballa e Célio Lino (Daniel);

Norberto, Júlio e Luís Fernando (Rudinei); Marcelo Prates. Nelson

e Edu.

Gois: Paulo Egídio(2). Cuca. Assis e Zaballa

306 - inter O x 1 Grênio
26.08.90

Beira-Rio - juiz: José Mocelin

Inter: Maizena; Céiio Lino, Márcio Rossini. Zaballa e Ricardo;

Caçapava. Júiío (Alex) e Alberto; Marcelo Prates, Nilson Aragao

(Hamilton) e Edu.

Grémio: Gomes: China. João Marcelo, Vílson e Hélcio; Jandir,

Ca* (Vander) e Donizeti; Maurício (Darci), Nilson e Paulo Egídio.

Gcí:N ::son

3C T -3 r ênio 0x0 Inter

15.2.51

JinpiCc - juiz: Luís Cunha Martins

S'ên'3: Sidmar: Chiquinho, João Marcelo, Vílson e China

Jiter&inhos); João António, Donizeti e Darci; Maurício, Nilson e

.Assa

•TIHÍ : Maizena; Luís Carlos Winck, Célio Silva, Márcio Santos e

Rcã'do: Júlio, Simão e Cuca; Alex (Helcinho); Lima (Hamilton) e

Pa.;inho Criciúma.

303 - Grémio 2 x 1 Inter

2209.91

O ímpico - juiz: Sílvio Oliveira

Grémio: Sidmar; Polaco, João Marcelo, Vílson e Lira; Pino

(Jamir), Caio (Assis) e juninho; Alcindo, Bizu e Paulo Egídio.

inter: Fernandez; Luis Carlos Winck, Célio Silva, Márcio Santos e

Daniel; Bonamigo (Helcinho), Simão e Cuca; Marquinhos, Lima e

Luís Fernando (Alex).
Gois: Caio(2) e Marquinhos

236

Tabela dos Grenais

309-Grémio 0x1 Inter

01.12.91

Olímpico-juiz: José Mocelin

Grémio: Emerson; Chiquinho, João Marcelo, Vílson e Lira; Pino

(Grotto), Caio e Juninho; Renato, Alcindo e Assis (Baú).

Inter: Fernandez; Luís Carlos Winck, Célio Silva, Norton e Jairo

(Danei); Simão. Marquinhos e Cuca; Alex, Gerson (Luís Fernando)

e Edson.

Gol: Alex

310 -Inter 0x2 Grémio

08.12.91

Beira-Rio - juiz: Renato Marsiglia

Inier: Fernandez; Luís Carlos Winck, Célio Silva, Márcio Santos

(Norton) e Daniel; Simão, Cuca (Lima) e Marquinhos; Alex.

Gerson e Edson.

Grémio: Emerson; Chiquinho, João Marcelo, Vílson e Lira; Pino

(Júnior), Jandir, Caio e Juninho (Assis); Renato e Alcindo.

Gois: Lira e Assis

311-Inter 0x0 Grémio

15.12.91

Juiz: Carlos Martins

Inter: Fernandez; Luís Carlos Winck, Célio Silva, Norton e Daniel:

Simão, Júlio e Luís Fernando; Marquinhos (Cuca), Lima (Alex) e

Edson. Grémio: Emerson; Chiquinho, João Marcelo, Vílson e Lira:

Jandir (Nestor Marquez), Pino, Caio e Asis; Renato e Alcindo

(Júnior).

312-Grêmio2xO Inter

14.06.92

Olímpico - juiz: Olinto Preussler

Grémio: Emerson; Grotto (Carlos Miguel), Vagner, Luciano e Lira;

Jandir. Caio, Juninho e Cacapa: Alcindo e Marcos Severo

(Carlinhos).

Inter: Maizena; Célio Lino, Célio Silva, Pinga e Daniel; Élson,

Everton Luís (Simáo) e Marquinhos; Caíco, Gerson e Zinho

(Sandra Becker).

Gois: Jandir e Lira

313-inter 0x0 Grémio
18.06.92

Beira-Rio - juiz: Sílvio Oliveira

Inter: Fernandez (Maizena); Célio Lino. Sandro, Pinga e Daniel;

Simão, Everton Luís (Ricardo) e Marquinhos; Gelson, Gerson e

Zinho.

Grémio: Emerson; Grotto (Carlos Miguel), Vagner (Vilson),

Luciano e Lira; Jandir, Cacapa. Caio e Juninho; Alcindo e Marcos

Severo.

314-Grémio 0x0 Inter

21.06.92

Colosso da Lagoa (Erechim) - juiz; Sílvio Rodrigues

Grémio: Emerson; Grotto. Luciano, Vagner e Lira; Landir. Alaércio

e Carlos Miguel; Caio, Juninho e Alcindo (Mabília).

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva. Pinga e Daniel; Élson.

Everton Luís (Simão) e Marquinhos; Rudinei, Gérson e Zinho.

315-Inter 1x1 Grémio 13.09.92

Beira-Rio - juiz: José Mocelin

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva, Pinga e Daniel; Márcio, Élson e Marquinhos; Maurício, Gerson e Nando (Zinho). Grémio: Emerson; Leandro Silva, Paulão, João Marcelo e Xará;
Jandir (Cacapa), Alaércio e Caio; Alcindo, Lima e Jairo Lenzi. Gois: Maurício e Alcindo

316-Grêmio1x1 Inter

06.11.92

Olímpico - juiz: José Mocelin

Grémio: Emerson; Carlao, Paulão, João Marcelo e Xará; Jandir,

Alaércio (Cacapa) e Caio; Alcindo (Jairo Lenzi), Lima e Carlinhos.

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva. Pinga e Ricardo; Márcio,

Élson. Silas e Marquinhos: Maurício e Gerson.

Gois: Alcindo e Gerson

317 - Inter 1 x 1 Grémio (3x0 nos pênaltis)

17.11.92

Beira-Rio - juiz: Renato Marsiglia

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva, Pinga e Daniel; Márcio

(Simão), Élson e Marquinhos; Maurício, Gerson e Luciano (Silas).

Grémio: Emerson; Leandro Silva, Paulão, Vílson e Xará: Jandir,

Alaércio e Carlos Miguei; Alcindo, Lima e Carlinhos.

Gois: Gerson e Carlinhos

318-Grémio 1x3lnter

20.12.92

Olímpico -juiz: Sílvio Oliveira

Grémio: Emerson; Leandro Silva, Paulão. Vagner e Carlos Miguel;

Jandir, Juninho (Alaércio) e Caio; Alcindo, Marcos Severo e

Carlinhos (Mabília).

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva. Pinga (Norton) e Daniel;
Ricardo. Élson e Marquinhos (Silas); Maurício, Nando e Caíco.

Gois: Nando(2), Marquinhos e Alcindo

319-Inter OxOGrêmio

23.12.92

Beira-Rio - juiz: Renato Marsiglia

Inter: Fernandez; Célio Lino, Célio Silva, Pinga e Daniel: Ricardo,

Élson e Marquinhos; Maurício, Nando (Gerson) e Caíco (Silas).

Grémio: Emerson; Paulão, Vílson, Vagner e Xará; Jandír (Daniel),

Alaércio e Juninho; Caio, Mabília e Carlos Miguei.

320-lnterOx1 Grémio

27.06.93

Beira-Rio - juiz: Luís Cunha Martins

Inter: Fernandez; Simão, Júnior, Ricardo e Daniel; Jandir,

Marquinhos e Élson (Mazinho Loiola); Rudinei (Maurício),

Demétrios e Caíco.

Grémio: Eduardo Heuser; Jackson, Luciano, Grotto e Eduardo;

Pingo, Jamir e Dener; Caio (Fabinho), Gilson (Marco Aurélio) e

Carlos Miguel.

Gol: Gilson

321 -Grémio 0x0 Inter

18.07.93

Olímpico - juiz: Renato Marsiglia

Grémio: Ademir Maria; Luís Carlos Winck, Paulão, Grotto e Carlos

Miguel; Pingo, Jamir, Caio e Juninho (Mabília); Fabinho e Gilson.

Inter: André; Gil Baiano, Célio Silva, Argel e Daniel; Ricardo, Élson

e Caíco; Rudinei (Mazinho Loiola), Demétrios e Zinho.

237

TOTAL DE GRENAIS DISPUTADOS............ 321

Vitórias do Inter..................................121

Vitórias do Grémio .............................. 102

Empates ........................................... 98

Total de gois ..................................... 921

Gois do Inter ..................................... 475

Gois do Grémio .................................. 446

Tabela dos Grenais

238
Índice

Apresentação/5

Os primeiros tempos/7

O Rolo Compressor/43

Doze anos em treze/78

AEraBeira-Rio/118

Tempos modernos/179

Tabela dos Grenais/213

A história dos Grenais

239

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