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RESPOSTA À ACUSAÇÃO

INTRODUÇÃO

A resposta à acusação é o procedimento a ser adotado após o recebimento da denúncia ou da queixa, onde o

acusado deve, no prazo de 10 dias, arguir, se for o caso, matéria preliminar, ou seja, toda e qualquer falha de natureza processual apresentada na peça acusatória, objetivando induzir a uma possível absolvição sumária ou motivar exceções. Além disso, na resposta à acusação o réu deverá alegar tudo o que interesse a sua defesa, oferecer documentos e justificações, especificar as provas pretendidas e arrolar testemunhas, qualificando-as e requerendo sua intimação, quando necessário. Ou seja, procuram-se três elementos para haver a resposta à acusação: ter havido denúncia ou queixa, esta ter sido recebida e o réu ter sido citado. Vale lembrar que a resposta à acusação é uma peça OBRIGATÓRIA, ou seja, se ela não for feita o processo será nulo por afronta ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Tamanha é a importância da resposta à acusação que caso ela não seja apresentada no prazo legal, ou se o acusado, citado, não constituir defensor, o próprio juiz nomeará um defensor para oferecê-la, concedendo-lhe vista dos autos por 10 dias, nos termos do art. 396-A, § 2º, do CPP. Caso a resposta à acusação seja feita pela defensoria pública o prazo DOBRA, pois a lei que instituiu a defensoria pública previu este benefício, nos termos da Lei Complementar nº 80/94, art. 44, I, art. 89, I e art. 128, I (conforme estudado na aula anterior). Lembre-se, no processo penal, contam-se os prazos da data da citação/intimação, e não da juntada, conforme estabelece a Súmula 710 do STF.

MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

O momento de apresentação da resposta à acusação ocorre com a citação válida do réu, após o recebimento da

peça acusatória.

PRAZO

O prazo para a apresentação da resposta à acusação é de 10 dias, a partir da citação, valendo salientar que é um

prazo contado de forma processual. Este prazo é aplicado para os ritos: ordinário, sumário, sumaríssimo (JECRIM), Tribunal do Júri, crimes previstos na lei de licitação e crime eleitorais.

FUNDAMENTAÇÃO Regra geral: A Resposta à Acusação tem seu fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal. Aplica-se aos ritos ordinário, sumário e sumaríssimo. Exceções:

Tribunal do Júri: art. 406, CPP. Crimes previstos na lei de licitação: art. 104 da Lei 8.666/93 (Lei de Licitação). Crimes previstos no Código Eleitoral: art. 359, parágrafo único, do Código Eleitoral.

DEMAIS INFORMAÇÕES SOBRE RESPOSTA À ACUSAÇÃO 1ª) Oferecimento de documentos e requerimento de produção de provas: Deve haver uma solicitação formal de juntada de documentos como certidões, alvarás e atestados, bem como de produção de provas que a defesa julgue necessário (exame de corpo de delito, acareações, busca e apreensões, entre outros). 2ª) Oferecimento de justificações: Estas justificações nada mais são do que a arguição de possíveis excludentes de ilicitude, previstos no artigo 23 do CP que acarretarão a absolvição sumária nos termos do art. 397, I, do CPP. Ex:

Se a defesa entender que no caso analisado existe um estado de necessidade, causa de exclusão de ilicitude e consequentemente, do crime, deve arguir já na resposta à acusação, como forma de tentar forçar a absolvição sumária. 3ª) Arrolar testemunhas e qualificá-las: Devem ser listadas todas as testemunhas e obrigatoriamente qualificadas, mediante indicação de todos os elementos de identificação possíveis destas. Não se admite arrolamento de teste- munhas sem a devida qualificação.

OBSERVAÇÃO O requerimento de intimação das testemunhas não é obrigatório, podendo estas serem arroladas independente- mente de intimação. Todavia, recomenda-se fazer o pedido de expedição de intimação. Caso não tenham sido intimadas e não com- pareçam para serem ouvidas, as testemunhas não poderão ser conduzidas coercitivamente, nem substituídas por outras, o que pode prejudicar substancialmente a defesa.

A resposta à acusação, sempre que possível, deve tentar levar a uma absolvição sumária, devendo este pedido ser

explícito na peça.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL

Nos Juizados Especiais Criminais (art. 81 da Lei 9.099/95), a resposta à acusação é feita oralmente, nada impedindo que haja a sua feitura por meio escrito. Novamente, vale lembrar que a resposta à acusação é obrigatória, se ela não for feita o processo não anda havendo nulidade por afronta ao princípio da ampla defesa. A antiga defesa prévia era antes um ato meramente formal, mas com as mudanças ocorridas em 2008, regra geral, a resposta à acusação

e a única oportunidade de apresentar a tese de defesa por escrito, pois as alegações finais, via de regra, são realizadas de forma oral, e a exceção é que ela seja realizada por escrito.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO PARA OS CRIMES PREVISTOS NA LEI DE LICITAÇÃO

A resposta à acusação, é possível ainda, na Lei 8.666/93 que institui normas para a licitação e contratos. O art. 104

da referida lei prevê o cabimento da Resposta à acusação, no prazo de 10 dias, contados do interrogatório do acusado.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO PARA OS CRIMES PREVISTOS NO CÓDIGO ELEITORAL

O Código Eleitoral traz, em seu artigo 359, parágrafo único, a possibilidade de apresentação da Resposta à Acusa-

ção para os crimes previstos no Código Eleitoral Lei nº 4.737/65, e deverá ser apresentada em 10 dias. Destaca-se que, o mencionado dispositivo traz a expressão “alegações escritas”. Assim, caso o tema seja abordado na peça prático-profissional, recomenda-se escrever RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fundamento no artigo 359, parágrafo único do Código Eleitoral. Todavia, se for cobrado em uma questão discursiva, recomenda-se a utilização do termo descrito no Código Eleitoral, qual seja, ALEGAÇÕES ESCRITAS.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO NO RITO DO TRIBUNAL DO JÚRI

A resposta à acusação no rito do Tribunal do júri segue a mesma lógica da resposta à acusação no rito ordinário e

sumário, devendo ser realizada no prazo de 10 dias a contar da citação do acusado ou do momento que este ou seu defensor constituído, comparecer em juízo, em casos de citação inválida ou feita por edital. Não sendo proce- dida esta resposta, o juiz nomeará defensor para oferece-la, no prazo de 10 dias, concedendo-lhe vista aos autos. Os artigos que fundamentam a resposta à acusação no rito do júri são 406 a 408 do Código de Processo Penal. Um ponto de suma importância no rito do Tribunal do Júri diz respeito ao pedido que poderá ser feito neste rito, tendo em vista que, além das matérias tratadas na resposta à acusação do rito comum ordinário e sumário que poderá ser objeto de pedido também no rito do tribunal do júri, quando se pretender tratar do mérito já na resposta à acu- sação no rito do tribunal do júri, o pedido poderá ser de:

Absolvição Sumária Neste caso utiliza-se por analogia as hipóteses de absolvição sumária constantes no art. 397

do CPP, tendo em vista que NÃO existe um artigo específico que trate destas hipóteses de absolvição no rito do tribunal do júri. Ou seja, embora não exista previsão em lei a manifestação da absolvição sumária, no rito do júri, atualmente muitos doutrinadores defendem a tese de que a defesa deve adentrar, em alguns casos, no mérito da questão, já na resposta à acusação, objetivando a decretação da absolvição sumária. A hipótese prevista no art. 415 do CPP, apesar de conter o mesmo nome, trata-se de absolvição sumária diversa da tratada em sede de resposta à acusação. Sobre esse artigo falaremos nos memoriais.

RESPOSTA À ACUSAÇÃO X DEFESA PRÉVIA (OU PRELIMINAR) RESPOSTA À ACUSAÇÃO = é o nome da peça no Rito comum ordinário, rito comum sumário e no rito do tribunal

do júri. Ela ocorre com o processo penal já em curso, ela ocorre após o início do processo, este começa com o RECEBIMENTO da peça acusatória. Ela é considerada de natureza PROCESSUAL e tem como objetivo promover

a absolvição sumária do réu. Ela é considerada obrigatória e caso NÃO seja apresentada deverá ser nomeado um

defensor público para a sua realização, sob pena de nulidade absoluta do processo pelo cerceamento de defesa.

DEFESA PRELIMINAR = é feita ANTES do recebimento da peça acusatória, sendo de natureza PRÉ-PROCES- SUAL, não é considerada obrigatória e tem como objetivo que a ação penal não se inicie.

ENDEREÇAMENTO EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (Regra Geral)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA (Crimes da Competência da Justiça Federal)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA

DE

(Crimes de competência do Tribunal do Júri)

EXECELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO (Crimes de competência do JECrim)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (crimes eleitorais)

VARA CRIMINAL DA COMARCA DE

VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE

VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA

JUIZADO ESPECIAL DA COMARCA DE

ZONA ELEITORAL DA COMARCA DE

APRESENTAÇÃO DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO Nome, já qualificado nos autos do processo às folhas ( ), por seu advogado e bastante procurador que a esta subscreve, conforme procuração em anexo, vem, muito respeitosamente a presença de Vossa Excelência, apresentar com fundamento nos artigos 396 e 396A do Código de Processo Penal ou artigo 406 do Código de Processo Penal (Tribunal do Júri) ou artigo 104 da Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações) ou artigo 359, parágrafo único do Código Eleitoral (Crimes eleitorais) RESPOSTA À ACUSAÇÃO

pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos:

DOS FATOS

DAS PRELIMINARES

e de direito a seguir aduzidos: DOS FATOS DAS PRELIMINARES OBSERVAÇÃO A sequência das preliminares é

OBSERVAÇÃO A sequência das preliminares é uma sugestão para facilitar na hora da prova.

ARGUIÇÃO DAS PRELIMINARES

Nas preliminares, deve-se fazer o levantamento de todas as falhas técnicas, de natureza processual, que possam existir na peça de acusação, como a ausência de justa causa, a inépcia da peça acusatória, falta de interesse processual da ação, crime prescrito, fato atípico, dentre outros. Lembrando que não se deve entrar no mérito propriamente dito da defesa, mas apenas discutir questões formais ou técnicas. Existe uma sequência a ser seguida para a alegação das preliminares, vejamos:

1. ART. 107 CP CAUSAS EXTINTIVAS DE PUNIBILIDADE No caso de existir uma causa de extinção da punibilidade não era para sequer ter havido ação penal, razão pela qual elas devem ser arguidas preliminarmente.

OBSERVAÇÃO Se o caso for de queixa-crime deve-se verificar se houve decadência ou perempção (art. 60 do Código de Pro- cesso Penal), pois se alegará em preliminar da resposta à acusação a ocorrência destes institutos. Normalmente em queixa-crime, é muito comum haver a existência de uma preliminar desta natureza, como a renúncia ao direito de queixa, o perdão, perempção, etc.

Vale lembrar que temos causas específicas de extinção de punibilidade, dentre elas, destacamos:

Art. 168-A, §2º do CP;de extinção de punibilidade, dentre elas, destacamos: Art. 312, §§2º e 3º do CP; Art. 337-A,

Art. 312, §§2º e 3º do CP;dentre elas, destacamos: Art. 168-A, §2º do CP; Art. 337-A, §1º, do CP; Art. 342, §2º,

Art. 337-A, §1º, do CP;Art. 168-A, §2º do CP; Art. 312, §§2º e 3º do CP; Art. 342, §2º, do

Art. 342, §2º, do CP;CP; Art. 312, §§2º e 3º do CP; Art. 337-A, §1º, do CP; Art. 397, IV

Art. 397, IV do CPP;3º do CP; Art. 337-A, §1º, do CP; Art. 342, §2º, do CP; Art. 89, §5º,

Art. 89, §5º, da Lei 9.099/95;§1º, do CP; Art. 342, §2º, do CP; Art. 397, IV do CPP; Art. 83, §4º

Art. 83, §4º da Lei 9.430/96;do CP; Art. 397, IV do CPP; Art. 89, §5º, da Lei 9.099/95; Art. 9º, §2º

Art. 9º, §2º da Lei 10.684/03;89, §5º, da Lei 9.099/95; Art. 83, §4º da Lei 9.430/96; Art. 5º, da Lei 13.254/16;

Art. 5º, da Lei 13.254/16;83, §4º da Lei 9.430/96; Art. 9º, §2º da Lei 10.684/03; Súmula 554 do STF. Observação

Súmula 554 do STF.9º, §2º da Lei 10.684/03; Art. 5º, da Lei 13.254/16; Observação É importante destacar que a

Observação É importante destacar que a revogação de um crime não necessariamente caracteriza o instituto da abolitio criminis, causa extintiva de punibilidade prevista no artigo 107, III do Código Penal. Por exemplo: Crime de estupro (artigo 213, do Código Penal) e o antigo crime de atentado violento ao pudor (crime antes previsto no artigo 214 do Código Penal, revogado pela Lei nº 12.015/09). Perceba que o artigo 214 do Código Penal foi revogado, mas o tipo penal foi incorporado a redação do artigo 213 do Código Penal, em atenção ao princípio da continuidade normativa, passando, portanto, o agente a res- ponder por crime único.

Neste sentido, temos os julgados do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça indicados abaixo:

“[

que o atentado violento ao pudor, antes figura criminal autônoma, passou a integrar o crime de estupro (art.

213). [

embora a Lei nº 12.015/09 tenha revogado o art. 214 do Código Penal, não houve abolito criminis, uma vez

]

]”

(STF, Ext 1402, Rel. Min. Dias Toffoli, Segunda Turma, julgado em 24/11/2015, DJe 15/12/2015).

“[

ao delito do art. 214 do Código Penal, após a edição da Lei n. 12.015/2009. Os crimes de estupro e de atentado

violento ao pudor foram reunidos em um único dispositivo. [

(STJ, REsp 1320924/MG, Rel. Ministro Rogerio

Schietti Cruz, Sexta Turma, julgado em 16/08/2016, DJe 29/08/2016).

4. Em respeito ao princípio da continuidade normativa, não há que se falar em abolitio criminis em relação

]

]”

Lembrando que esse tema já caiu na segunda fase da OAB, mais especificamente no XVIII Exame de Ordem, sendo tese principal do mérito do recurso de Apelação. Fiquem ligados!

2. ART. 109 CP PRESCRIÇÃO

Deve-se ficar atento para verificar se já houve a prescrição do crime que foi supostamente praticado pelo réu, pois a prescrição é outra causa extintiva da punibilidade prevista no art. 107, IV e 109 do Código Penal. São cinco tipos de prescrição: Prescrição da Pretensão Punitiva (PPP), Prescrição Intercorrente (PI), Prescrição Retroativa (PR), Prescrição Superveniente (PS) e Prescrição da Pretensão Executória (PPE).

OBSERVAÇÃO PPP = prescrição da pretensão punitiva (pela pena em abstrato) PI = prescrição intercorrente ou processual, que ocorre durante o curso do processo (pela pena em abstrato) PPE = prescrição da pretensão executória (após o trânsito em julgado, pela pena em concreto)

Ainda em relação à prescrição, deve-se ter cuidado com as hipóteses em que o prazo prescricional é reduzido pela metade, nos termos do art. 115 do Código Penal. Como no caso de o réu ser menor de 21 anos a data do crime ou maior de 70 anos de idade na data da sentença. Lembrando que, segundo atual posicionamento jurisprudencial, o Estatuto do Idoso NÃO alterou o prazo prescrici- onal previsto no art. 115 do CP, razão pela qual ainda prevalece que o réu deverá ter 70 anos de idade na data da sentença para poder se beneficiar da redução do prazo prescricional.

OBSERVAÇÃO

A prescrição, via de regra, tem sua contagem iniciada na data do fato (data da consumação do crime), contudo,

devemos estar atentos às seguintes hipóteses:

Tentativa: do dia em que cessou a tentativa, ou seja, da data do último ato de execução.

Crimes permanentes: do dia em que cessou a permanência. Se cessar após o recebimento da denúncia ou

após a data da prisão do agente, o dies a quo será a data do recebimento da inicial ou da prisão, respectiva-

mente.

Crimes continuados: trata-se de ficção jurídica de crime único, não havendo termo inicial de contagem do

prazo para cada crime, o que interessa é o último ato.

Crimes qualificados pelo resultado: do dia em que se produziu o resultado mais grave.

Crimes de bigamia e falsificação do registro civil: do dia em que o fato se tornou conhecido pela autoridade.

Crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes: da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta ação penal, aos crimes cometidos após a entrada da Lei nº 12.650/12.

3. ART. 564 CPP NULIDADES

O art. 564 do Código de Processo Penal lista todas as nulidades, só que na resposta à acusação e memoriais elas são essenciais, valendo lembrar as seguintes nulidades de suma importância contidas neste artigo:

I Incompetência, suspeição e suborno: A alegação deste tipo de nulidade está intimamente ligada ao assunto “Exceções”, previsto no art. 95 do CPP. Ela é uma peça processual a ser usada quando a peça acusatória deveria ter sido rejeitada, mas foi recebida. Vamos supor que existia uma falha técnica da ação, porém mesmo sendo caso de rejeição liminar, o juiz acaba recebendo a denúncia ou queixa. Neste caso, será cabível a exceção prevista no art. 95 CPP, pois houve falha no recebimento da peça acusatória.

OBSERVAÇÃO

A regra é que as matérias das exceções sejam apresentadas de forma apartada e ANTES da resposta à acusação

ou SIMULTANEAMENTE a esta. Entretanto, como a peça de exceções dificilmente será cobrada de forma isolada em uma questão prática da OAB, vem se admitindo a alegação de toda a matéria das exceções na própria resposta à acusação e em sede de preliminar.

Vale lembrar que o rol das exceções é TAXATIVO. Regra geral, existindo uma das hipóteses do art. 95 será cabível a exceção, porém se não for qualquer das hipóteses do art. 95 não caberão exceções.

Estas exceções subdividem-se em duas espécies:

• Dilatórias – quando não buscam o encerramento do processo, mas apenas a sua regularização;

• Peremptórias – quando buscam o encerramento do processo sem apreciação do mérito;

As principais exceções são as seguintes:

• Suspeição – dilatória

• Impedimento – dilatória

• Incompetência – dilatória

• Litispendência – peremptória

• Coisa Julgada – peremptória

• Ilegitimidade da parte – peremptória

a) Suspeição e impedimento: O STF já se manifestou no sentido de que o tratamento processual do reconheci-

mento das suspeições será o mesmo na hora que identificar o impedimento. Isso não está previsto na lei, é juris- prudencial. A suspeição vai se manifestar quando, no caso concreto, tiver alguma circunstância que irá abalar, principalmente, a imparcialidade do magistrado. O impedimento é notório, taxativo. Além disso, a exceção de sus- peição ou impedimento pode ser alegada contra os demais serventuários da justiça. Ex. Juiz e MP ambos casados com parceiros diferentes, foram pegos na praia tomando uma cerveja juntos, mesmo que nada exista entre eles é colocada em suspeição a imparcialidade do julgamento.

b) Incompetência do juízo: Importante destacar que na hipótese de incompetência do juízo, muitas vezes, as

questões trazem as competências da justiça federal, art. 109, incisos IV, V, V-A, VI, VII, IX, X, XI da Constituição Federal.

I os crimes políticos, previstos na Lei nº 7170\83;

II as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da

Justiça Eleitoral; Ex. Estelionato previdenciário praticado contra o INSS, ele está no art. 171, parágrafo 3º, do CP, havendo o aumento

de pena de 1/3. Neste sentido temos a Súmula 24 do STJ.

Ex.2: Falsificação de moeda é crime sujeito à justiça federal, pois toda emissão de papel moeda é de competência

da justiça federal.

Ex.3: Crimes contra o sistema financeiro.

III os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado

tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; Tem os crimes transnacionais que são aqueles que começam a execução em um país e termina em outro, ele se inicia dentro ou fora do Brasil e deve terminar fora ou dentro do Brasil.

Ex. Tráfico internacional de seres humanos.

IV as causas relativas a direitos humanos (EC 45\2004)

Nas hipóteses de grave violação de direitos humanos, o Procurador-Geral da República, com a finalidade de asse- gurar o cumprimento de obrigações decorrentes de tratados internacionais de direitos humanos dos quais o Brasil seja parte, poderá suscitar, perante o Superior Tribunal de Justiça, em qualquer fase do inquérito ou processo, incidente de deslocamento de competência para a Justiça Federal.

V os crimes contra a organização do trabalho; Nos crimes contra a organização do trabalho, ou seja, os crimes que ofendam interesse coletivo da organização do trabalho ou o interesse coletivo e geral dos trabalhadores. NA REGRA GERAL os crimes contra a organização do trabalho são de competência da Justiça Estadual, salvo se tiver interesse coletivo envolvido, que a competência será da justiça federal, como o art. 204 e art. 206 do Código Penal.

VI crimes contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira, nos casos previstos na Lei nº 7492\86;

Todos os crimes contra o sistema financeiro nacional (Lei 7.492/86) são de competência da justiça federal, por expressa disposição do art. 26 da referida lei, sendo a ação penal pública incondicionada intentada pelo Ministério Público federal perante a justiça federal. Nos crimes contra a Ordem Tributária a competência somente será da justiça federal se houver ofensa à compe- tência de tributo da UNIÃO, nos demais casos, se o tributo for estadual ou municipal a competência será da justiça COMUM, como bem prevê o art. 1 a 3º da Lei nº 8.137/1990.

VII – os “habeas-corpus”, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autori-

dade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição;

VIII

os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar;

Deve-se levar em consideração apenas navios ou aeronaves de carga e passageiro de grande porte, capazes de fazer viagens internacionais se necessário. Logo, não é todo e qualquer crime cometido a bordo de navios ou aero-

naves que será de competência da justiça federal.

IX os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro;

X cumprimento de cartas rogatórias, após exame e expedição do STJ;

XI aplicação de sentença estrangeira, após homologação do STJ;

XII crimes contra comunidades e direitos coletivos dos indígenas;

NÃO é todo crime contra indígena que é da competência da justiça federal, apenas os crimes que ofendam interes-

ses coletivos ou difusos dos índios é que são da competência da justiça federal, se houver interesse individual de

indígena envolvido, neste caso a competência será da justiça estadual, conforme súmula 140 do STJ.

OBSERVAÇÃO

Justiça Federal cabe processar e julgar crimes cometidos contra funcionários públicos federais, no exercício

de suas funções (Súmula 145 do STJ)

Justiça Estadual na regra geral, cabe processar e julgar crimes praticados por funcionários públicos fede-

rais, ainda que no exercício da função, caso estes crimes sejam da alçada estadual;

Crimes contra a fauna a competência dependerá do local em que foi praticado o crime; sendo área de

proteção ambiental da união, a competência será da Justiça Federal (Súmula 91 do STJ foi revogada).

Tráfico de Drogas regra geral será a competência da Justiça Estadual (Súmula 522 do STF)

Crimes contra ou praticados por indígenas regra geral será competente a Justiça Estadual (Súmula 140 do

STJ):

Falsificação e uso de documento relativo à autarquia federal competência será da justiça federal, ainda que

o

documento seja utilizado em empresa ou instituição privada.

No caso de crimes políticos (Lei de Segurança Nacional Lei nº 7170/1983), a competência será da Justiça Federal e o 2º Grau de jurisdição será o STF, em recurso ordinário (CF, art. 102, II, b).

OBSERVAÇÃO

Competência do Tribunal do Júri - Compete julgar os crimes dolosos contra a vida, tentados ou consumados.

Cuidado com as cascas de banana:

A competência por prerrogativa da função, desde que estabelecida na Constituição Federal, prevalece sobre a

competência do júri (STF, HC 83.543/PE, 2ª T, Rel. Ellen Gracie, 2004). Ex. Presidente da república em infra- ções penais comuns tem prerrogativa de foro no STF, se ele vem a matar uma pessoa não será julgado pelo Tribunal do Júri e sim pelo STF.

CUIDADO! Quando a prerrogativa de função for estabelecida EXCLUSIVAMENTE na Constituição Estadual, será competência do Tribunal do Júri e NÃO prevalecerá o foro por prerrogativa de função, nos termos da súmula 721 do STF.

OBSERVAÇÃO

Prefeito pode ser julgado pelo TJ ou TRF a depender de o crime ser da alçada estadual ou federal, além disso,

o prefeito é julgado pelo Tribunal a que ele tiver o mandato, mesmo que o crime tenha sido cometido fora do

município a que ele tem mandato, nos termos da Súmula 702 do STF. Ex. Prefeito PE que comete homicídio contra fiscal do ministério do trabalho quando este estava fazendo investigação do crime de redução à condição análoga de escravo, sendo julgado na justiça comum. Neste caso, entra-se com exceção de incompetência, pois o crime foi contra funcionário público federal em detrimento das razões que ele exerce e a competência é da Justiça Federal.

OBSERVAÇÃO A história do assalto ao Banco do Brasil e o processo está na Justiça Federal, caberá exceção de incompetência, pois o Banco do Brasil é SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA e a competência é da JUSTIÇA ESTADUAL (Sú- mula 42 do STJ). OBS.: Se o crime for cometido contra a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL a competência será da JUSTIÇA FEDE- RAL.

c) Exceção de coisa julgada: Importante saber duas coisas:

1ª) Da sentença que decreta a extinção da punibilidade com base em certidão de óbito falsa não caberá exceção de coisa julgada, pois a sentença não fará coisa julgada. Só caberá a alegação da exceção caso o juiz, quando da certidão de óbito acostada aos autos, não realizar o procedimento necessário para a averiguação da veracidade da informação. 2º) Não pode arguir exceção de coisa julgada em inquérito policial, pois este é mero procedimento administrativo.

d) Exceção de ilegitimidade da parte: Ocorre quando a ação penal é mal feita, pois era para ter havido rejeição liminar da denúncia em face da ilegitimidade da parte, mas a denúncia acabou sendo recebida, mesmo não tendo

a parte legitimidade para ingressar com a ação penal pública ou privada.

II Ilegitimidade da parte

É outra nulidade que poderá ser arguida em sede de preliminar, sendo ela esclarecida no item anterior, quando da

abordagem do assunto exceção de ilegitimidade da parte.

III Por falta das fórmulas ou dos termos seguintes

É bastante comum a ocorrência das seguintes nulidades referentes a este ponto:

Ausência do exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios. Deve ser observado o art. 158 do CPP, tendo em vista que nos crimes que deixam vestígios o exame de corpo de delito é obrigatório, sob pena da alegação da nulidade ora mencionada. Cuidado com a Jurisprudência do STJ referente ao estupro! Segundo o STJ, nos crimes que deixam vestígios

é

indispensável o exame de corpo de delito, salvo o de estupro, pois este pode ser demonstrado de outros meios.

O

Tribunal leva em consideração que o exame de corpo de delito no estupro é altamente invasivo e não é razoável

obrigar a realização do exame de corpo de delito. Logo, no caso especifico do estupro não se deve arguir a nulidade referida. Ausência de intervenção do MP nos casos em que for necessário. Esta hipótese ocorre muito na ação penal privada subsidiária da pública. Quando o juiz recebe este tipo de ação o processo é baixado e deve o MP se habilitar no processo. Neste caso o MP poderá aditar a queixa em 3 dias ou oferecer denúncia substitutiva, se ele não o fizer no prazo de 3 dias o juiz irá presumir que não há o que ser editado. No caso acima ou o MP se habilita ou irá haver nulidade, ou seja, deve haver a intervenção do MP sob pena de nulidade. Essas são as hipóteses mais frequentes em prova. Mas, deve ser feita a leitura do artigo 564 do Código de Processo Penal para conhecer as demais hipóteses.

4. ART. 23 CP CAUSAS DE JUSTIFICAÇÃO (EXCLUDENTES DE ILICITUDE DO FATO)

Na Resposta à Acusação, o art. 396-A do CPP fala de justificações nada mais são do que as hipóteses de exclusão de ilicitude do Art. 23 CP, que devem ser alegadas em preliminar. Se não há crime em decorrência de uma exclu- dente de ilicitude NÃO era para ter havido sequer processo.

5. TODO E QUALQUER OUTRO DEFEITO QUE LEVARIA A OCORRÊNCIA DE REJEIÇÃO LIMINAR NA PEÇA

ACUSATÓRIA. Nesse caso, argui-se não só o art. 395 do Código de Processo Penal já abordado anteriormente, como toda e qualquer falha processual que venha a ocorrer durante o processo que deveria ter ocasionado a rejeição liminar da inicial acusatória.

DICAS IMPORTANTES

Da rejeição liminar da denúncia ou da queixa cabe recurso em sentido estrito RESE (recurso este que será abor- dado em um capítulo específico), nos termos do art. 581, I, do CPP. Quando intenta com o RESE e o recurso for provido deve-se ter cuidado para não haver supressão de instância. Neste caso o órgão recursal pede para que o processo volte para o primeiro grau e que a denúncia ou queixa seja recebida, o tribunal devolverá o feito para o juiz singular receber a ação. O efeito do RESE neste caso é devolutivo, pois o órgão recursal cabe a reanálise da matéria. Haverá supressão de instância quando o órgão recursal superior analisa o mérito sem que o órgão de primeiro grau tenha se manifestado, o órgão de 2º grau não pode analisar o que era para ser analisado pelo órgão de 1ª instancia. Resumidamente: caso o magistrado rejeite liminarmente a denúncia ou a queixa, com base no art. 395 do CPP, esta não poderá ser recebida pelo Tribunal, no lugar do Juiz, pois estaria configurada supressão de instância. Ex: O juiz rejeita liminarmente a queixa por entender ser ela inepta caso o Tribunal dê provimento ao recurso, devem os autos retornar a origem, para que o magistrado proceda ao recebimento, sob pena de ocorrer supressão de instância. Caso o juiz rejeite a denúncia ou a queixa com base em qualquer outro fundamento que não os listados no art. 395 do CPP, poderá o Tribunal receber a peça acusatória, nos exatos termos da súmula 709 do STF.

ATENÇÃO! Esta sequência indicada pelos professores para a arguição das preliminares (check list) é apenas para facilitar, durante a prova, a localização das principais possibilidades de preliminares possíveis de serem cobradas em sua prova. Assim sendo, caso o aluno escreva em ordem diversa da indicada, não estará incorreto.

DOS PEDIDOS Pedido Principal de Absolvição Sumária, nos termos do art. 397 do Código de Processo Penal. Pedido Subsidiário de, por exemplo, anulação do recebimento da peça acusatória.

Arrolamento e intimação das testemunhas.

Nestes termos,

Pede deferimento.

ROL DE TESTEMUNHAS

1.

2.

3.

Comarca, data.

Advogado/OAB.

CUIDADO!!! Rito Comum (Ordinário, Sumário e Sumaríssimo), Rito especial (Crimes previstos na lei de Licitação - Lei 8.666/93 e crimes previstos no Código Eleitoral) Fundamento: arts. 396 e 396-A do CPP Pedido Principal: art. 397 do CPP

Rito Especial (Tribunal do Júri) Fundamento: art. 406 do CPP Pedido Principal: art. 397 do CPP

art. 397 do CPP Rito Especial (Tribunal do Júri) Fundamento: art. 406 do CPP Pedido Principal:

ESTRUTURA DA RESPOSTA À ACUSAÇÃO

Endereçamento:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA (Regra Geral)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA (Crimes da Competência da Justiça Federal)

VARA CRIMINAL DA COMARCA DE

VARA CRIMINAL DA SEÇÃO JUDICIÁRIA DE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA

DE

VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA COMARCA

(Competência do Tribunal do Júri regra geral)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DA

CIÁRIA DE

VARA DO TRIBUNAL DO JÚRI DA SEÇÃO JUDI-

(Crimes da Competência da Justiça Federal)

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA mes eleitorais regra geral)

ZONA ELEITORAL DA COMARCA DE

(cri-

Porém, se a comarca for a CAPITAL do Estado coloque:

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA CAPITAL DO ESTADO DE

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO (Endereçamento no Juizado Especial:)

Processo número:

VARA CRIMINAL DA COMARCA DE

JUIZADO ESPECIAL CRIMINAL DA COMARCA

Coloque 4 dedos ou 3 dedos de espaçamento após o processo número para começar a qualificação, desde

que quando for colocar o rol de testemunhas colocar o mesmo espaçamento, também de 4 ou 3 dedos. Este dado já facilitará a qualificação, pois ela será de forma mais resumida, uma vez que se foi indicado o processo

e pode-se fazer referência as folhas do processo.

Qualificação:

(Fazer parágrafo) Nome, já qualificado nos autos do processo às folhas (), por seu advogado e bastante procurador que a esta subscreve, conforme procuração em anexo, vem, muito respeitosamente a presença de Vossa Excelência, apresentar com fundamento nos artigos 396 e 396A (OU artigo 406 No caso de Tribunal do Júri) do Código de Processo Penal (não colocar abreviatura) a sua (sem saltar linhas) RESPOSTA À ACUSAÇÃO

pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos. (Pula-se uma linha)

1. Dos Fatos

O candidato deve externar os fatos de forma sucinta. Não copie igual aos fatos, se a questão deu 20 linhas para

os fatos devem-se usar menos linhas, umas 10, por exemplo. Deve-se fazer uma síntese, trazer os fatos de forma resumida. Os períodos devem ser sempre curtos, 5 ou 6 linhas. Recomenda-se primeiro narrar os fatos e depois arguir as preliminares no próximo ponto, tendo em vista que é melhor primeiro mencionar os fatos para depois se arguir

eventuais defeitos decorrentes dos fatos.

2. Das Preliminares Buscam-se falhas, defeitos que possam inviabilizar a defesa. NÃO se deve entrar no MÉRITO. Nas alegações das preliminares basta fazer um parágrafo apontando a preliminar, esta é uma indicação inicial de um erro, de um equívoco existente no processo. Ela é uma indicação de ordem técnica, devendo mencionar o fundamento legal.

DICA! Indique as preliminares na sequência a seguir:

Como já foi explicado existe uma sequência a ser seguida. Abra os artigos na seguinte ordem:

1º) Art. 107 CP Causas extintivas de punibilidade. 2º) Art. 109 CP Prescrição 3º) Art. 564 CPP Nulidades 4º) Art. 23 CP Causas de exclusão de ilicitude. 5º) Deve-se buscar todo e qualquer outro defeito que levaria a ocorrência rejeição liminar da peça acusatória.

OBS.: Com já foi dito, as preliminares são apenas mencionadas, no mérito é que se poderá aprofundar alguma

tese das preliminares, como no caso da preliminar de exclusão da ilicitude.

3. Do Mérito Deve-se alegar o que mais salta aos olhos, devendo demonstrar conhecimento. Se nas preliminares citou-se o instituto jurídico, como, por exemplo, legitima defesa, deve discorrer sobre os requisitos da legitima defesa. Deve-se discorrer sobre os institutos demonstrando os requisitos do instituto. Toda vez que falar de uma preli- minar deve-se falar no mérito sobre ela em um parágrafo. Deve-se mencionar de forma geral, segundo a melhor doutrina, ou segundo o entendimento da doutrina domi- nante, ou conforme o entendimento dos tribunais superiores.

OBS.: Ao elaborar sua tese de defesa tente sempre demonstrar a necessidade de absolvição sumária do réu.

DICAS!

• Sempre quando for discutir o mérito deve-se discorrer sobre o instituto de direito penal já demonstrando que em cada elemento do instituto há o enquadramento deste no caso concreto. Faça períodos sempre curtos, no máximo de 5 ou 6 linhas.

• Deve-se explorar bem a tese principal.

• Entretanto vale ressaltar que no mérito também se deve mencionar as preliminares que já foram suscitadas, comen-

tando-as de forma mais resumida do que a tese principal. 4. Dos Pedidos • PEDIDO PRINCIPAL = ABSOLVIÇÃO SUMÁRIA. (Fazer parágrafo regra dos dois dedos) Diante de todo exposto, requer-se a Vossa Excelência que decrete a absol- vição sumária do acusado, nos termos do art. 397 do Código de Processo Penal indicar o inciso correspondente (Rito do Júri peça também a absolvição sumária, mencionando também o art. 397 do CPP) como medida de preser- vação da mais lídima justiça. Vale transcrever o art. 397 do CPP:

Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz devera absolver sumariamente o acusado quando verificar:

I a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;

II a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabili- dade;

O caso foi de isenção de pena do cliente em decorrência da exclusão da culpabilidade. Ex. Sujeito estava submetido à coação moral irresistível art. 22 do CP. Ex. Estrito cumprimento de superior hierárquico a ordem não manifestamente ilegal. Ex. Inexigibilidade de conduta diversa.

OBS.: Salvo a hipótese de inimputabilidade, neste caso o sujeito é “louco”, nos termos do art. 26 do CP, o sujeito era inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de comportar-se de acordo com este entendimento. Neste caso NÃO se pode fundamentar a inimputabilidade no pedido de absolvição sumária, pois ele é doente mental, devendo receber medida de segurança. III que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou Ex. Contaram a história de algum que cometeu crime de dano contra o próprio patrimônio Ex. Pessoa é acusada de invadir o próprio domicilio. IV extinta a punibilidade do agente.

DICAS!

• Absolvição Sumaria do art. 397 CPP – é para os crimes do Rito Ordinário. Esta absolvição sumária ocorre após o

recebimento da denúncia e antes da instrução probatória.

• Absolvição Sumaria do rito do tribunal do júri – se a resposta à acusação for no rito do tribunal do júri peça a absol- vição sumária e INDIQUE por ANALOGIA o ARTIGO 397 do CPP. O Código de Processo Penal não prevê a resposta

à acusação com pedido de absolvição sumária para o rito do Tribunal do Júri, pois a absolvição sumária do art. 415

CPP é um instituto completamente diferente do art. 397 CPP. Não se deve confundir a absolvição sumária da resposta

à acusação com a absolvição sumária do art. 415 CPP, este artigo fala de absolvição sumária, o nome é o mesmo,

mas os institutos jurídicos são distintos, pois a absolvição sumária do art. 415 ocorre no FINAL DA INSTRUÇÃO

PROBATÓRIA e é alegada em sede de MEMORIAIS. Por conta disso, como não existe artigo de lei que fundamente

a absolvição sumária no Rito do Júri para a resposta à acusação, deve-se alegar por analogia o art. 397 do CPP.

• PEDIDO SUBSIDIÁRIO (Fazer parágrafo regra dos dois dedos) Apenas por cautela, no caso de não ser acolhida a tese de absolvição sumária, requer que seja decretada a anulação do recebimento da peça acusatória em razão da visível nulidade (alegar

a nulidade ou outra tese subsidiária) Ex. se for nulidade pede-se a anulação do recebimento da peça acusatória

Arrolamento e intimação das testemunhas. No final dos pedidos deve-se fazer parágrafo pedindo o arrolamento e intimação das testemunhas ao final arroladas. Não se esqueça de pedir intimação. Após terminar os pedidos pula 1 linha e coloca

Nestes termos, (no canto da página) Pede deferimento. (em outra linha sem saltar) Após salte 2 ou três linhas, vá para o meio da página e coloque Comarca, data (centralizado). Advogado, OAB Este espaço é o mesmo do início da peça, espaço deixado antes de realizar a qualificação.

Rol de testemunhas.

1.

2.

3.

DICA! Para evitar que o corretor não vire para outra página o ideal é que se termine na mesma página.

CASO PRÁTICO 01

Henrique, brasileiro, estudante da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, residente e domiciliado na cidade de Natal, foi denunciado pelo Ministério Público, nos seguintes termos: “No dia 12 de agosto de 2014, por volta das 22h00min, na Cidade de Natal, situada no Estado do Rio Grande do Norte, o réu Henrique, subtraiu para si, sem o emprego de violência ou grave ameaça o automóvel de Amadeu, jornalista, quando o veículo se encontrava estaci- onado na referida Universidade, conforme informação constante no Inquérito Policial que embasa esta peça acusa- tória, sendo denunciado pelo crime tipificado no art. 155, § 1º do Código Penal.”

A investigação do delito foi bastante complicada A investigação do delito foi bastante complicada, pois as testemu-

nhas ouvidas em sede policial não sabiam da existência do crime, tão pouco quem teria cometido o delito. Após

demasiada busca da autoria criminosa, Henrique foi encontrado, sendo interrogado em sede policial e informando que de fato tinha praticado a conduta, mas porque precisava do carro para levar Adriano, estudante da mesma Universidade, ao hospital, pois este estava tendo um infarto no momento, situação confirmada por Adriano, que também foi encontrado e relatou que só conseguiu sobreviver em virtude da rapidez do socorro.

O representante do Ministério Público ofereceu a denúncia, tendo o juiz da 3º Vara Criminal da Comarca de Natal,

capital do Estado do Rio Grande do Norte, recebido a exordial acusatória no dia 10 de setembro de 2014, acolhendo

a imputação em todos os seus termos.

Perícias no local e no veículo foram realizadas e acostadas aos autos, bem como laudo médico atestando a inter- corrência cardíaca de Adriano, sendo Henrique citado no dia 07 de outubro de 2014 (terça-feira). Contratado por Henrique, redija a peça processual cabível ao caso, desenvolvendo as teses defensivas que podem ser extraídas do enunciado com indicação dos respectivos dispositivos legais. Apresente a peça no último dia do prazo para protocolo.

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 3ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE NATAL CA- PITAL DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE Processo número:

Henrique, já qualificado nos autos do processo às folhas ( ), por seu advogado e bastante procurador que a esta subscreve, conforme procuração em anexo, vem, muito respeitosamente a presença de Vossa Excelência, com fun- damento nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal apresentar a sua RESPOSTA À ACUSAÇÃO pelos motivos de fato e de direito a seguir aduzidos.

1. Dos Fatos

O agente foi denunciado pela prática do crime capitulado no artigo 155, parágrafo 1º do Código Penal, pois teria

subtraído, sem emprego de violência ou grave ameaça o veículo de Amadeu, que se encontrava estacionado na Universidade. Localizado e interrogado em sede policial, Henrique confirmou a prática da conduta, realizando-a porque o seu colega de Universidade, no momento, estava tendo um infarto, informação confirmada pelo estudante que também foi ouvido na fase inquisitorial e pelo laudo médico juntado ao processo.

O representante do Ministério Público ofereceu a denúncia, tendo o juiz da 3º Vara Criminal da Comarca de

Natal, capital do Estado do Rio Grande do Norte, recebido a exordial acusatória em todos os seus termos.

Perícias no local e no veículo foram realizadas e acostadas aos autos, bem como laudo médico atestando a intercorrência cardíaca de Adriano, sendo Henrique citado para oferecimento da resposta à acusação.

2. Das Preliminares

Preliminarmente cumpre esclarecer a ocorrência manifesta do estado de necessidade, causa de exclusão da ilicitude do fato, nos termos do artigo 23, I em combinação com o artigo 24, ambos do Código Penal.

imperioso destacar, ainda, em sede de preliminar, que não existe interesse de agir, faltando uma condição

para o exercício da ação penal, nos termos do artigo 395, II, do Código de Processo Penal.

3. Do Mérito

Cumpre esclarecer que, no caso concreto, resta configurada a excludente de ilicitude de estado de necessidade, pela simples leitura das provas produzidas no decorrer do processo, razão pela qual o requerente deveria ter sido absolvido sumariamente. Consta dos autos que o agente, no intuito socorrer um colega de Universidade, subtrai um veículo estacionado na localidade, para levá-lo ao hospital, salvando, assim, a sua vida. Conforme ensina a melhor doutrina, percebe-se que todos os requisitos do estado de necessidade estão pre- sentes no caso concreto, nos exatos termos dos artigos 23, I e 24 do Código Penal. O agente estava diante de um perigo atual (é o perigo que está ocorrendo, é o perigo presente, concreto), pois Adriano, estudante da Universidade, estava tendo um infarto. Houve ameaça a direito alheio já que a vida de outrem estava em jogo. A situação de perigo não foi causada voluntariamente pelo requerente, tendo em vista que não criou a situação pela qual decorreu. Não havia outra forma de proteger a vida do estudante, ou seja, não tinha alternativa senão a subtração do veículo no intuito de garantir a vida de Adriano. E, por fim, o sacrifício do direito ameaçado do requerente, nas circuns- tâncias, não era razoável exigir-se, ou seja, a situação de perigo atual pela qual passou o agente não exigia que ele sacrificasse o direito à vida de outrem em virtude do patrimônio de Amadeu. Desta forma, estão presentes todos os requisitos do estado de necessidade, razão pela qual a absolvição su- mária se impõe a Henrique. Apenas por cautela, cumpre esclarecer a falta de uma condição para o exercício da ação penal, qual seja, o interesse de agir. Ora, como o agente está amparado pela excludente da ilicitude do fato de estado de necessidade, artigo 23, I e artigo 24, ambos do Código Penal, haverá a exclusão do crime, razão pela qual o processo penal não terá um fim útil, já que não será aplicada uma pena privativa de liberdade ao final do processo, restando configurada a falta de interesse de agir.

4. Dos Pedidos

Diante de todo exposto, requer-se a Vossa Excelência a absolvição sumária do réu, com fundamento no artigo 397, inciso I do Código de Processo Penal, em virtude da existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato, qual seja, estado de necessidade. Apenas por cautela, não sendo acolhido o pedido de absolvição sumária, o que não se espera, requer-se ao douto julgador seja decretada a anulação do recebimento da peça acusatória em virtude da ocorrência manifesta de falta de pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal, nos termos do artigo 395, II, do Código de Processo Penal. Por fim, requer, desde logo, que sejam intimadas e inquiridas as testemunhas ao final arroladas.

É

Termos em que, Pede deferimento.

Natal, Rio Grande do Norte, 17 de outubro de 2014. Advogado, OAB.

Rol de testemunhas:

1.

2.

3.

CASO PRÁTICO 02

Gabriela, no dia 10 de julho de 2015, em seu aniversário de 22 anos, depois de ter ingerido bebida alcoólica de forma voluntária, começa a discutir com Catarina, da mesma idade, em virtude desta ter aberto um dos presentes que Gabriela tinha ganho. Face à discussão, as duas iniciaram agressões mútuas, ocasião em que Catarina, munida de um canivete, começa a agredir Gabriela, com a intenção de lesionar a amiga. Gabriela, revida a agressão com socos e pontapés em Catarina, pegando o canivete da amiga, no intuito de cessar a agressão, sendo a briga apar- tada pelos amigos da festa.

Em virtude das lesões sofridas, Catarina foi levada ao hospital e, por estar muito nervosa com o ocorrido, começou

a ter um sangramento muito forte, o que acarretou na perda do seu bebê, pois estava grávida de 07 semanas e, no

dia do aniversário de Gabriela, também foi comemorar pela sua gravidez com os amigos, sendo estado gestacional do conhecimento de todos os convivas. Assim que deixou o estabelecimento de saúde, foi a Delegacia competente informar os fatos e, após prestar os seus esclarecimentos, foi encaminhada ao Instituto Médico Legal para a reali- zação da perícia traumatológica, mas não fez o exame porque no dia tinha muita gente, esquecendo-se, todavia, de realizar a perícia posteriormente. Gabriela foi chamada em sede policial, mas não compareceu, pois estava viajando para um Congresso. Duas tes- temunhas presenciais também depuseram em sede policial, confirmando a prática da lesão de Gabriela em Cata- rina, informando ser de conhecimento das pessoas da festa o estado gestacional da vítima. Ainda em sede policial, Juliana, amiga de Gabriela e de Catarina, ao prestar o seu depoimento, informou que Ga- briela só lesionou a agente porque Catarina se encontrava munida de um canivete, tentando agredi-la, mas sem

sucesso em virtude da péssima pontaria. Além disso, informou também que acusada e vítima são muito amigas e que a discussão se iniciou porque as duas estavam sob efeito de substância alcoólica.

Com base nas informações colhidas na fase inquisitorial, o representante do Ministério Público ofereceu denúncia pela prática do delito de lesão corporal gravíssima, com fundamento no art. 129, § 2º, V do Código Penal.

A exordial acusatória foi recebida pelo Juiz da 12ª Vara Criminal da Comarca de Alfa, capital do Estado Beta, amigo

íntimo e professor de Catarina, entendendo o magistrado que a inicial cumpriu todos os requisitos previstos no art. 41 do Código de Processo Penal. A citação de Gabriela ocorreu em 14 de julho de 2015, terça-feira. Em face

da situação hipotética apresentada, na condição de advogado constituído por Gabriela, redija a peça processual adequada à defesa de sua cliente, alegando AS TESES DEFENSIVAS pertinentes. Date o documento no último dia do prazo para protocolo.

RESPOSTA: Peça : RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código

RESPOSTA:

Peça: RESPOSTA À ACUSAÇÃO, com fundamento nos artigos 396 e 396-A do Código de Processo Penal.

Competência: EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA 12ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE ALFA CAPITAL DO ESTADO DE BETA.

Teses:

Indicação da preliminar de nulidade em virtude de suspeição do Juiz, por ser amigo íntimo da vítima, nos termos do art. 564, I em combinação com o art. 254, I, ambos do Código de Processo Penal.

Indicação da preliminar de ausência do exame de corpo de delito com fundamento no art. 564, III, “b” em combinação com o artigo 158, todos do Código de Processo Penal.

Indicação da preliminar de legítima defesa, causa de excludente de ilicitude ao teor do disposto no artigo 23, II em combinação com o artigo 25, ambos do Código Penal.

Indicação da preliminar de ausência de justa causa e necessidade/interesse para o exercício da ação, nos termos do art. 395, II e III do Código de Processo Penal.

Desenvolvimento fundamentado acerca do instituto da legítima defesa, nos termos dos artigos 23, II e 25, todos do Código Penal.

Desenvolvimento fundamentado da nulidade do processo pela suspeição do magistrado, bem como da falta do exame de corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, conforme previsão nos artigos 564, I e III, “b”, além dos artigos 158 e 254, I, todos do Código de Processo Penal.

Desenvolvimento fundamentado acerca da ausência de justa causa para o exercício da ação e interesse/ne- cessidade de agir, já que não há prova da materialidade do crime, com fundamento no artigo 395, II e III do Código de Processo Penal.

Pedidos:

Pedido de absolvição sumária, com indicação do art. 397, inciso I, do Código de Processo Penal, em virtude da existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato.

Pedido de anulação do recebimento da peça inicial em virtude da nulidade pela suspeição do magistrado, bem como pela falta de exame de corpo de delito, nos termos do artigo 564, I e III, “b” em combinação com o artigo 158 e artigo 254, I, todos do Código de Processo Penal.

Pedido de anulação do recebimento da peça acusatória em virtude da ocorrência manifesta de falta de pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal, bem como ausência de justa causa, com fundamento no artigo 395, II e III do Código de Processo Penal.

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Pedido de intimação e inquirição das testemunhas