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III-011 - APLICAÇÃO EM ESCALA PILOTO DE SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES

III-011 - APLICAÇÃO EM ESCALA PILOTO DE SISTEMA DE GESTÃO INTEGRADA DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES NO BAIRRO DE SANTA ROSA, CAMPINA GRANDE-PB

Monica Maria Pereira da Silva (1) Bióloga pela Universidade Estadual da Paraíba. Especialista em Educação Ambiental/UEPB. Mestra em Desenvolvimento e Meio Ambiente pelo PRODEMA/UFPB/UFCG. Doutora em Recursos Naturais/ UFCG. Professora da UEPB/CCBS/DFB-NEEA. Raylda Karla S. de Sousa Graduada em Licenciatura e Bacharelado em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). Mestranda em Desenvolvimento e Meio Ambiente/UFPB Liliana Maria Pereira Soares Graduada em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) Priscila Almeida e Silva Graduanda em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Valeria Veras Ribeiro Farmacêutica pela Universidade Estadual da Paraíba. Mestra e Doutora em Agronomia pela UFPB. Professora

da UEPB/CCBS/DFB-NEEA.

Endereço (1) : Rua. Maria Barbosa de Albuquerque, 690. Malvinas. Campina Grande-PB. CEP. 58 433.266. E- mail: monicaea@terra.com.br

RESUMO

A falta de gestão dos resíduos sólidos domiciliares compõe uma problemática proeminente que constitui no

cenário atual alvo de discussões e reivindicações de segmentos sociais distintos e contribui de forma efetiva para degradação dos sistemas brasileiros, com destaque aos sistemas ambiental e social. Objetivou-se avaliar a aplicação em escala piloto de Sistema de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Domiciliares no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB, visando contribuir para a sustentabilidade territorial. A pesquisa participante ocorreu de agosto de 2010 a outubro de 2011, com quatro grupos de atores sociais (SAB- Associação de Amigos de Bairro, Clube de mães, Agentes ambientais e ProJovem) que atuam na área da SAB de Santa Rosa.

A gestão integrada de resíduos sólidos implantada no bairro de Santa Rosa (GIRES/Santa Rosa) compreende

um conjunto de ações: coleta seletiva na fonte geradora (43 residências); disponibilização de resíduos recicláveis secos aos catadores de materiais recicláveis selecionados e higienizados (3.528 kg); tratamento da parcela orgânica contaminada por ovos de helmintos (1.326 kg), transformando-a em composto com características favoráveis ao uso em hortas domiciliares; contribuição para o aumento de renda e sensibilização, mobilização e envolvimento de diferentes segmentos sociais. Considerando os aspectos ambientais, sociais, econômicos e educacionais confirmou-se a viabilidade da implantação do GIRES/Santa Rosa. Transformar um problema em solução com a participação efetiva de diferentes segmentos sociais de um bairro com população que ultrapassa 11 mil habitantes é o principal impacto positivo deste trabalho.

PALAVRAS-CHAVE: Resíduos sólidos, Educação Ambiental, Gestão Integrada.

INTRODUÇÃO

A falta de gestão dos resíduos sólidos domiciliares compõe uma problemática proeminente que constitui no

cenário atual alvo de discussões e reivindicações de segmentos sociais distintos e contribui de forma efetiva para degradação dos sistemas brasileiros, com destaque aos sistemas ambiental e social.

A quantidade de resíduos sólidos produzida em decorrência da atividade antrópica, aliada a diminuição de

locais adequados para a disposição final, apresenta-se conforme Massukado e Zanta (2006) como um dos grandes desafios a serem enfrentados, não apenas pelas administrações municipais, como também, por toda a comunidade geradora de resíduos.

Até recentemente acreditava-se que os impactos negativos provenientes das atividades humanas tinham repercussão somente

Até recentemente acreditava-se que os impactos negativos provenientes das atividades humanas tinham repercussão somente no âmbito local, e em alguns casos, no regional, e que estes problemas poderiam ser facilmente resolvidos. Atualmente, caminha-se para a visão de que a ação antrópica pode ser tão extensa e complexa que é capaz de gerar uma série de eventos não planejados e, por conseguinte, difíceis de serem administrados (MASSUKADO; ZANTA, 2006), o que pressupõe a adoção de ações que tendam a evitar ou prevenir as possíveis pressões sob os diferentes sistemas ambientais, sociais e econômicos.

Embora todos os resíduos sólidos gerados pelas famílias brasileiras, a exemplo das demais famílias do mundo, apresentem potencial poluente e contaminante, na ausência de gerenciamento, os resíduos sólidos orgânicos domiciliares são os mais preocupantes, devido à alta concentração de matéria orgânica e de organismos patógenos. De um lado representam impactos negativos, do outro, quando tratados e destinados corretamente transformam-se em fonte de fertilização do solo, como também de renda. Há consenso entre diferentes pesquisadores da eficiência da tecnologia de compostagem para atenuar os impactos negativos e potencializar

os

positivos.

Os

resíduos sólidos orgânicos domiciliares, cujo percentual ultrapassa de acordo com Luna et al. (2009) a 50%

dos resíduos sólidos domiciliares gerados diariamente nos municípios brasileiros, quando não são tratados e destinados de forma apropriada provocam impactos negativos físicos, químicos e biológicos (FERREIRA; ANJOS, 2001) ou mesmo problemas de ordem ambiental e social (CALIJURI et al., 2007; ALMEIDA et al., 2009) e de saúde pública (MATOS et al.,2008), além de inviabilizar o processo de catação e reaproveitamento efetuado pelos catadores de materiais recicláveis; compreendendo entrave à sustentabilidade territorial, preconizada para o século XXI.

Os impactos negativos físicos descritos na literatura correspondem ao odor, mal estar, cefaléia e náuseas aos trabalhadores e as populações próximas. Os químicos referem-se aos metais pesados, tais como: chumbo, cádmio e mercúrio que podem se incorporar à cadeia alimentar com efeito acumulativo e provocar distúrbios no sistema nervoso (FERREIRA; ANJOS, 2001). Os biológicos relacionam-se às doenças transmitidas por vetores

ou pelo contato direto com os resíduos contaminados (MORAES, 2007).

Como nunca na história das cidades, os resíduos devem ser ponderados no estudo da estrutura epidemiológica, uma vez que, pela sua variada composição pode conter agentes biológicos patogênicos ou mesmo substâncias químicas capazes de afetar o ser humano, principalmente de maneira indireta, comprometendo, portanto, a sua saúde (SANTOS, 2009).

A disposição e acumulação de resíduos sólidos orgânicos em lixões ou aterros sanitários sem o devido

tratamento e monitoramento favorecem a ação de organismos anaeróbios, consequentemente, a geração de

chorume e gases, comumente, indesejáveis. Alguns desses exalam odores fétidos, outros fazem parte do grupo

de gases do efeito estufa, a exemplo do metano (CH 4 ), o qual apresenta potencial de aquecimento 21 vezes

maior, comparado ao dióxido de carbono (CO 2 ) de acordo com Pecora et al. (2008), contribuindo de forma

mais eminente para o avanço da problemática que envolve o aquecimento global e as mudanças climáticas.

O trabalho de Lange e Cussiol (2007) mostra que independente da origem, os resíduos sólidos orgânicos

domiciliares apresentam organismos indicadores de contaminação fecal e de interesse na saúde pública, em quantidade próxima aos resíduos sólidos de serviços de saúde, indicando qualidade sanitária deficiente.

Em resíduos sólidos orgânicos coletados na fonte geradora (residências) de três municípios situados no semiárido paraibano, Silva (2008) constatou a média de 13 ovos/gST, reafirmando a contaminação desses resíduos e a necessidade de tratá-los antes de qualquer procedimento de destinação final, impedindo que os

mesmos se tornem veículo de transmissão, sobretudo, ao considerar a baixa dose infectante e o longo período

de permanência no meio ambiente de ovos de helmintos, considerados os mais resistentes dentre os organismos

patógenos, conforme mencionam Who (2004), Gallizzi (2003) e Metcalf e Eddy (2003).

Compreendendo que em Campina Grande-PB, a problemática relacionada aos resíduos sólidos orgânicos domiciliares não difere do cenário enunciado, elaborou-se o projeto Sistema de Tratamento Descentralizado de Resíduos Sólidos Orgânicos Domiciliares para Campina Grande-PB; uma contribuição para sustentabilidade territorial (SILVA, 2009), tendo como referência o bairro de Santa Rosa. Dentre os resultados obtidos, destacam-se: 1) a produção per capita diária de resíduos sólidos domiciliares no bairro de Santa Rosa, Campina

Grande-PB, é em média de 0,50 kg, totalizando a produção diária de 5.739 kg; 2)

Grande-PB, é em média de 0,50 kg, totalizando a produção diária de 5.739 kg; 2) a maior parte dos resíduos produzida é passível de reutilização ou reciclagem (92,9%). Desses, 80% correspondem matéria orgânica; 3)

os resíduos sólidos orgânicos gerados no bairro, sem seleção ou tratamento prévio, são destinados ao lixão da

cidade. Essa ação pode provocar a contaminação do solo e da água, através da geração de chorume, e do ar, com a liberação de gases que contribuem para o efeito estufa, bem como a proliferação de macro e micro vetores de doenças; expressa o desperdício de matéria e energia e inviabiliza o exercício profissional de catadores de materiais recicláveis; 4) a quantidade elevada de resíduos orgânicos gerada por habitante (0,4 kg/hab.dia) adverte para a necessidade de tratamento desses resíduos, evitando o acúmulo no lixão de Campina Grande-PB, mitigando os impactos sociais, econômicos e ambientais decorrentes dessa prática; 5) a instalação do sistema tratamento descentralizado de resíduos sólidos orgânicos domiciliares no bairro de Santa Rosa, em Campina Grande-PB, baseado nos princípios da compostagem, somado ao processo contínuo e participativo de Educação Ambiental, possibilitou o início do processo de sensibilização e envolvimento da sociedade local no equacionamento dos problemas relacionados aos resíduos sólidos orgânicos domiciliares; 5) a tecnologia permitiu a transformação de resíduos sólidos orgânicos domiciliares com significativo potencial de contaminação e poluição (valores médios: teor de umidade: 77,8%; STV: 81,10%ST; pH: 4,4; ovos de helmintos: 0,60 ovos/gST; N: 2,5%ST; P: 0,4%ST:, K:0,8%ST) em composto que podem ser utilizados para diversos fins (valores médios: teor de umidade: 12%; STV: 23%ST; pH: 8,0; ovos de helmintos: 0,0 ovos/gST; N: 1,7%ST; P: 0,3%ST:, K: 0,10%ST); 6) a tecnologia compreende uma alternativa de tratamento eficiente, de baixo custo, fácil operação e compatível com as características apresentadas pelos resíduos orgânicos domiciliares coletados (SILVA et al., 2010).

No entanto, a instalação do sistema de tratamento de resíduos sólidos orgânicos domiciliares em área sem cobertura, expressou limite ao desempenho esperado para o sistema, devido à incidência direta dos raios solares sobre o substrato, requerendo a regulação periódica do teor de umidade, somada a destruição de organismos autóctones, que provocou o retardamento do processo de biodegradação e o alto percentual de rejeito (valor médio: 39%). Outros pontos que constituem desafios são: o uso do composto em hortaliças cultivadas em horta comunitária, visando avaliar a sua qualidade; seleção dos resíduos passíveis de reciclagem e reutilização na fonte geradora; formação e mobilização dos catadores de materiais recicláveis, com o propósito de propiciar a efetivação da coleta seletiva no bairro; implementação da gestão integrada de resíduos sólidos em escala piloto; definição de indicadores para mensurar a sustentabilidade do sistema de gestão integrada de resíduos sólidos orgânicos domiciliares; e por último, delineamento de estratégias em Educação Ambiental que proporcionem a consolidação da gestão integrada de resíduos sólidos domiciliares em escala piloto para o bairro de Santa Rosa.

Nesse contexto, o principal objetivo do presente trabalho constituiu avaliar a aplicação em escala piloto de Sistema de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Domiciliares no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB, visando contribuir para a sustentabilidade territorial.

MATERIAIS E MÉTODOS

Caracterização da pesquisa

A execução do presente trabalho teve por base os princípios da pesquisa participante (THIOLLENT; SILVA,

2007) realizada no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB, no período de março de julho de 2010 a julho

de 2011.

Caracterização da área de estudo

A cidade de Campina Grande está situada a 120 km da capital do Estado da Paraíba, João Pessoa (7°13’11”sul,

35°52’31” oeste, a 550m acima do nível do mar), na Serra da Borborema. Apresenta área urbana de 970 km 2 . Sua população corresponde a 383.941 habitantes (BRASIL, 2010) e oficialmente apresenta 53 bairros.

O bairro de Santa Rosa apresenta uma população de 11.478 habitantes sendo 5.421 homens e 6.057 mulheres.

83,5% dos moradores são alfabetizados e a renda média familiar constitui-se de dois salários mínimos nacionais.

A escolha desse bairro decorreu da aspiração e reivindicação dos líderes comunitários que participaram do

projeto “Formação de Agentes Multiplicadores em Educação Ambiental” (SILVA, 2008).

Diagnóstico socioambiental dos diversos atores sociais do bairro Santa Rosa, Campina Grande-PB. Para a realização

Diagnóstico socioambiental dos diversos atores sociais do bairro Santa Rosa, Campina Grande-PB.

Para a realização do diagnóstico socioambiental dos diferentes atores sociais que atuam no bairro Santa Rosa, em Campina Grande – PB, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, com as famílias de associados à SAB (Sociedade de Amigos de Bairro de Santa Rosa) e ao Clube de Mães do bairro, agentes de combate à endemias, e grupo de jovens participantes do ProJovem Urbano (Programa Nacional de Inclusão de Jovens).

Os Grupos estudados são aqueles que participam de atividades em área pertencente à SAB do bairro, local onde foi instalado o SITRADERO (Sistema de Tratamento Descentralizado de Resíduos Sólidos Orgânicos Domiciliares).

O ProJovem Urbano compreende um programa da Secretaria Nacional da Juventude, cujo objetivo é

promover a inclusão de jovens brasileiros de 18 a 29 anos, que apesar de alfabetizados, não concluíram o Ensino Fundamental, visando sua reinserção na escola e no mundo do trabalho, proporcionado-lhes oportunidades de desenvolvimento humano e de exercício da cidadania (BRASIL, 2011).

Caracterização gravimétrica de resíduos sólidos domiciliares produzidos na SAB (Sociedade de Amigos de Bairro) do bairro Santa Rosa, em Campina Grande-PB.

Neste trabalho foram caracterizados apenas os resíduos sólidos produzidos na SAB de Santa Rosa, haja vista que aqueles gerados nas residências foram analisados anteriormente. Verificando-se que a produção per capita diária de resíduos sólidos domiciliares no bairro de Santa Rosa, é em média de 0,50 kg, totalizando 5.739 kg/dia, os quais eram destinados ao lixão da cidade, sem nenhuma seleção ou tratamento. A maior parte dos resíduos produzida é passível de reutilização ou reciclagem (92,9%). Desses, 80% correspondem a matéria orgânica. A quantidade elevada de resíduos orgânicos gerada por habitante (0,4 kg/hab.dia) adverte para a necessidade de tratamento desses resíduos, evitando o acúmulo no lixão de Campina Grande-PB, mitigando os impactos sociais, econômicos e ambientais decorrentes dessa prática.

A metodologia aplicada correspondeu à coleta dos resíduos em três semanas consecutivas e dias alternados:

segunda, quarta e sexta-feira, seguindo-se a proposta metodológica de Silva et al. (2002). Em cada dia de coleta, os resíduos foram selecionados de acordo com a Resolução n° 275/2001 do CONAMA (BRASIL, 2001) e pesados separadamente. O peso médio dos resíduos coletados representou a quantidade de resíduos gerada diariamente por família que reside no bairro de Santa Rosa.

Avaliação de Sistema de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Domiciliares no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB.

Para a sensibilização, formação e mobilização dos líderes comunitários, das famílias já cadastradas e catadores

de materiais recicláveis, foram aplicadas as seguintes estratégias: 1) contato com os líderes comunitários; 2)

visitas às famílias; 3) seminário para apresentação dos resultados referentes à instalação do Sistema de Tratamento Descentralizado de Resíduos Sólidos Orgânicos Domiciliares-SITRADERO e exposição do projeto aos líderes comunitários; 4) elaboração e distribuição de folheto às famílias cadastradas e aos líderes comunitários contendo os resultados referentes ao tratamento de resíduos sólidos orgânicos domiciliares; 5) agendamento de encontros e reuniões; 6) seminário discutindo a implantação da coleta seletiva na Sociedade de Amigos de Bairro de Santa Rosa-SAB, no Clube de Mães, nas ruas situadas próximas e no entorno da SAB; 7) contato com os catadores de materiais recicláveis formais e informais, visando a coleta dos resíduos sólidos

nas residências das famílias que aderirem a coleta seletiva; 8) sensibilização e mobilização dos catadores de materiais recicláveis e das famílias para implantação da coleta seletiva; 9) implantação da coleta seletiva nas residências; 10) seminário: Meio Ambiente e Cidadania Ambiental, mostrando a importância do exercício profissional de catadores de materiais recicláveis e das ações sustentáveis das famílias para o alcance da sustentabilidade territorial; 11) tratamento dos resíduos sólidos orgânicos domiciliares; 12) aplicação do composto em culturas cultivadas em horta; 13) ciclo de oficinas: coleta seletiva; compostagem; reciclagem de papel; horta comunitária; alimentação alternativa; farmácia viva; 14) seminário: Meio Ambiente e Saúde; 15) agendamento de visitas da comunidade escolar ao SITRADERO; 16) apresentação e discussão dos resultados concernentes à coleta seletiva, ao tratamento de resíduos sólidos orgânicos domiciliares e ao uso do composto

na horta comunitária; 17) elaboração de material de divulgação; 18) realização da Semana de Meio Ambiente;

19) aplicação de entrevista semi-estruturada às famílias, à comunidade escolar, aos líderes comunitários e aos

catadores de materiais recicláveis, com a finalidade de avaliar os impactos obtidos a partir da

catadores de materiais recicláveis, com a finalidade de avaliar os impactos obtidos a partir da execução do projeto; 20) apresentação e discussão dos resultados decorrentes da aplicação da entrevista semiestruturada e encerramento do projeto.

Todo processo de sensibilização, formação e mobilização ocorreu a partir do Modelo Dinâmico de Construção

e Reconstrução do Conhecimento- MEDICC, proposto por Silva e Leite (2008). Este modelo de formação em

Educação Ambiental compreende um conjunto de estratégias metodológicas que permite o processo de sensibilização simultaneamente à coleta de dados. A realização do processo educativo transcorrerá de forma dinâmica, prazerosa, criativa e partir da realidade do grupo envolvido.

A coleta seletiva foi implantada nas residências situadas próximas e no entorno da SAB de Santa Rosa,

envolvendo-se inicialmente 43 famílias. Posteriormente, será implantada na Sociedade de Amigos de Bairro de Santa Rosa-SAB, Clube de Mães e na Escola Municipal Tiradentes.

Foram cadastrados e acompanhados oito catadores de materiais recicláveis que fazem parte de uma associação que atua na região, ARENSA- Associação de Catadores de Materiais Recicláveis da Comunidade Nossa Senhora Aparecida, os quais estão recolhendo os resíduos previamente selecionados nas residências das famílias conveniadas e em dias agendados. As residências receberam um adesivo, sinalizando a sua inserção no projeto.

Análise dos dados:

Os dados foram analisados de forma quantitativa e qualitativa e sistematizados em Figuras e/ou Tabelas e dispostos por frequência de respostas ou em categorias.

Para as questões fechadas, após o cálculo da média e desvio-padrão das respostas dadas, foram realizadas análises de correlação, utilizando-se o software Excel 2007.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Perfil socioambiental dos diferentes atores sociais que atuam no bairro Santa Rosa, Campina Grande-PB.

Entre os grupos estudados, observou-se a predominância de pessoas com nível de escolaridade correspondente

ao ensino fundamental incompleto (39%). Entre estes, destacam-se as mulheres participantes do clube de mães (56%) e os membros Programa ProJovem Urbano (68%) que se apresentam em idade escolar.

Os agentes ambientais são entre os quatro grupos estudados, aqueles que apresentam a maior escolaridade.

Estes, conforme exigência para a seleção do trabalho desempenhado. Apresentam ensino médio completo (66%), superior incompleto (17%), e superior completo (17%). Para os associados à SAB e ao Clube de mães,

as principais profissões apresentadas são de professores (22% e 13%, respectivamente), domésticas (45% e

49%, respectivamente), e trabalhadores autônomos (22% e 13%, respectivamente). Os membros do Programa

ProJovem Urbano (100%) não realizam outra atividade profissional.

A maioria das famílias estudada reside no bairro há mais cinco anos (85%). Prevalece entre essas famílias

àquelas com até quatro pessoas por domicílio (30%). Essa é uma característica da sociedade contemporânea que tende a constituir famílias menos numerosas. Para Carvalho e Almeida (2003) à redução das famílias é uma característica da sociedade contemporânea e associa entre outros aspectos a situação econômica e educacional.

A renda familiar mensal média apresentada é de até um salário mínimo (47%), prevalecendo entre os associados

à SAB e os agentes ambientais rendas superiores a um salário.

Quando questionados sobre o manejo dos resíduos sólidos produzidos em suas residências, 50% dos entrevistados afirmaram que não separam; 24% separam às vezes; e 26% sempre separam. Em 76% das residências estudadas, são utilizadas sacolas plásticas para o acondicionamento dos resíduos sólidos. As sacolas plásticas constituem um dos maiores problemas relacionados aos resíduos, devido à produção excessiva, ao tempo de degradação no solo e na água e a dificuldade de reciclagem. No nordeste brasileiro ainda não há mercado para reintrodução das sacolas plásticas usadas no acondicionamento dos resíduos na indústria, dificultando o processo de reutilização ou reciclagem. Verificou-se, porém, que as famílias, costumam reutilizar as sacolas plásticas, embora de maneira indiscriminada.

Quanto ao reaproveitamento dos resíduos sólidos orgânicos, 58% das famílias entrevistadas não reaproveitam esses

Quanto ao reaproveitamento dos resíduos sólidos orgânicos, 58% das famílias entrevistadas não reaproveitam esses materiais, destinando-os ao lixão da cidade. Em geral, as famílias que reaproveitam o fazem para alimentação animal. 97% das famílias não reutilizam as folhas de plantas, e destina-as ao carro coletor, junto aos demais resíduos. Associados à SAB (8%) e ao clube de mães (6%) utilizam as folhas para a produção de adubo, demonstrando o conhecimento sobre a compostagem, uma vez que um percentual significativo (40%) participou do projeto que deu origem ao presente trabalho (SILVA et al., 2010).

Em relação ao destino dos resíduos sólidos, 92% dos entrevistados disseram que é o lixão da cidade. 8% desconhecem o destino final, ou citam o aterro sanitário como o destino. Embora que a cidade de Campina Grande-PB, não disponha deste tipo de alternativa na época da pesquisa.

A existência de hortas familiares no bairro é pequena (13%). Nas residências das associadas ao clube de mãe foi registrado o maior número de hortas entre os quatro grupos estudados (29%). 53% das pessoas questionadas manifestaram interesse em ter horta em suas residências, alegam, porém, a falta de espaço (58%) na área externa das residências.

Caracterização gravimétrica de resíduos sólidos domiciliares produzidos na SAB de Santa Rosa, em Campina Grande-PB.

A Sociedade de Amigos de Bairro de Santa Rosa, Campina Grande–PB, é um espaço utilizado para o desenvolvimento de diversos serviços e atividades pela população do bairro. Na área de estudo funciona a diretoria da SAB, o clube de mães, atividades do posto de saúde, do ProJovem, capoeira, dança, judô, e confraternizações. Com isso, há a produção de resíduos sólidos em quantidades consideráveis.

Constatou-se que a geração diária de resíduos sólidos na SAB de Santa Rosa, Campina Grande-PB, é de aproximadamente 4,7 kg, resultando numa produção mensal de 141 kg. A maior parte dos resíduos sólidos gerada na SAB é passível de reutilização e/ou reciclagem (94%).

Averiguou-se que 36% dos resíduos originados na SAB correspondem aos orgânicos, os quais poderão ser destinados ao Sistema Descentralizado de Resíduos Sólidos Orgânicos Domiciliares (SITRADERO) (SILVA et al., 2010). Os demais resíduos, tais como: papel e papelão (32%), plástico (9%), metal (6%) e vidro (2%) (Figura 1), são materiais de interesse econômico que através do repasse aos catadores de materiais recicláveis, estes comercializarão, reduzindo a quantidade e o volume dos resíduos encaminhados ao lixão de Campina Grande-PB, gerando renda para esse grupo de profissionais.

Grande-PB, gerando renda para esse grupo de profissionais. Figura 1: Composição gravimétrica dos resíduos sólidos

Figura 1: Composição gravimétrica dos resíduos sólidos produzidos no SAB de Santa Rosa, Campina Grande- PB. Dezembro de 2010.

Garantir a reutilização e/ou reciclagem desses materiais, requer, entretanto, a implantação da coleta seletiva na fonte geradora, e a parceria com catadores de materiais recicláveis, para efetivar o encaminhamento desses materiais às indústrias de reciclagem.

Avaliação do Sistema de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos Domiciliares

A partir do contato com os líderes comunitários foi possível aplicar as estratégias em Educação Ambiental que sensibilizaram e mobilizaram os diferentes segmentos sociais, especialmente as famílias engajadas no projeto para a implantação da gestão integrada de resíduos sólidos no bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB.

O contato direto com a comunidade, através de visitas às residências possibilitou a participação dos

O contato direto com a comunidade, através de visitas às residências possibilitou a participação dos diferentes

segmentos sociais em todas as etapas desenvolvidas pelo presente trabalho.

A primeira etapa do projeto teve caráter introdutório à Educação Ambiental através da apresentação das

propostas sugeridas pelo trabalho a ser desenvolvido na comunidade.

Posteriormente, iniciou-se a fase de diagnóstico socioambiental dos segmentos participantes para que através deste fossem delineadas estratégias que favorecessem a implantação da gestão integrada de resíduos sólidos domiciliares no bairro.

A fase seguinte constituiu a intervenção, visando proporcionar mudanças de concepções, de atitudes e a

implantação da gestão integrada de resíduos sólidos.

Para a sensibilização e mobilização, além das visitas às famílias, participação nas reuniões dos diferentes segmentos (SAB e Clube de Mães) e realização de seminários, foram elaborados e distribuídos aos envolvidos, folders sobre a temática resíduos sólidos, os quais foram confeccionados, tomando por base o cotidiano dos mesmos. Estas estratégias favoreceram o empoderamento dos conhecimentos e das tecnologias relativos ao tema foco deste projeto e suscitou inquietude dos abrangidos, no sentido de mitigar os impactos socioambientais negativos, visualizados e debatidos ao longo do processo de sensibilização.

Todo processo de sensibilização foi centralizado nos princípios da Educação Ambiental, na perspectiva sóciocrítica (SAUVÉ, 2005), priorizando-se a criatividade, ludicidade e criticidade.

Considerando-se os aspectos ludicidade, criatividade e criticidade, foram motivados debates, a partir de imagens fotográficas referentes às condições ambientais identificadas no bairro de Santa Rosa e do lixão de Campina Grande e dos resultados relativos ao diagnóstico socioambiental da área em estudo. Com o intuito de ampliar a visão crítica dos grupos estudados foram exibidos vídeos que constavam da temática resíduos sólidos e apresentada a peça “Uma boneca no Lixo”. Esta relata, baseada em fato real, a história de uma menina que trabalhava no lixão de Campina Grande e ficou feliz ao encontrar uma boneca no lixo, uma vez que nunca tinha possuído uma boneca.

O filme “Tá Limpo” demonstrou a importância do princípio da corresponsabilidade com as questões ambientais,

evidenciando que a participação da comunidade é essencial ao alcance de mudanças, sobretudo, em relação aos resíduos sólidos e que no processo de gestão integrada de resíduos sólidos, os objetivos não são obtidos sem que os diferentes segmentos sociais se comprometam.

A Educação Ambiental aplicada à gestão de resíduos sólidos deve tratar da mudança de atitudes, de forma

qualitativa e continuada, mediante um processo educacional crítico e contextualizado (PENELUC; SILVA, 2008), que promova a sensibilização da população, o sentimento de corresponsabilidade e o empoderamento de atitudes e tecnologias que promovam a melhoria das condições socioambientais, subsidiando a sociedade de instrumentos transformadores que possibilitem sua sustentabilidade (SILVA; 2009).

A coleta seletiva foi implantada em 43 residências situadas nas ruas próximas e no entorno da SAB de Santa

Rosa, compreendendo uma das alternativas que constituiu a gestão integrada de resíduos sólidos domiciliares no Bairro de Santa Rosa (Figura 2).

sólidos domiciliares no Bairro de Santa Rosa (Figura 2). Figura 2: Logotipo referente à Gestão Integrada

Figura 2: Logotipo referente à Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (GIRES) no Bairro de Santa Rosa, Campina Grande-PB, 2011.

A aceitação das famílias em desenvolver a coleta seletiva, decorreu da aplicação das estratégias de

A aceitação das famílias em desenvolver a coleta seletiva, decorreu da aplicação das estratégias de

sensibilização e de mobilização. Estas passaram a selecionar os resíduos na fonte geradora (residências), em três grupos: recicláveis secos (papel, papelão, plásticos, vidro e metais), recicláveis molhados (resíduos orgânicos) e

não recicláveis (lixo).

Os resíduos recicláveis secos foram e continuam sendo entregues aos catadores de materiais recicláveis associados à ARENSA, todas as terças-feiras. Os resíduos recicláveis molhados foram conduzidos ao SITRADERO durante oito semanas consecutivas para o tratamento e avaliação do sistema em investigação e atualmente, são destinados ao aterro sanitário recém instalado no município de Puxinanã.

Destaca-se que para a separação e coleta dos resíduos sólidos orgânicos foram entregues às famílias, sacolas plásticas devidamente identificadas com a logomarca do projeto (Figura 2). Estas foram distribuídas, no dia que antecedia a realização da coleta, cuja agenda obedecia ao calendário da coleta municipal

Foram recolhidos e tratados por meio de compostagem 1.326 kg de resíduos sólidos orgânicos domiciliares coletados diretamente das residências das famílias durante oito semanas (Figura 3).

residências das famílias durante oito semanas (Figura 3). Figura 3: Quantidade de resíduos sólidos orgânicos

Figura 3: Quantidade de resíduos sólidos orgânicos recolhida na fonte geradora (residências) durante oito semanas (S), Campina Grande-PB, 2011

As

residências participantes foram identificadas através de adesivos para facilitar a coleta feita pelos catadores

de

materiais recicláveis associados à ARENSA.

Por meio da Tabela 1 apresentam-se os valores médios relativos aos resíduos sólidos recicláveis secos recolhidos em 43 residências participantes do projeto e a respectiva receita.

Tabela 1: Valores médios referentes aos resíduos sólidos recicláveis secos coletados em 43 residências participantes do projeto, a respectiva receita obtida e o total recolhido de março a setembro de 2011.

   

Valores Médios

   
   

Total

Quantidade

Preço

Receita

recolhido 1

Material

kg/Semana

kg/mês

R$/kg

R$/Semana

R$/mês

Papel

10

40

0,20

2,00

8,00

280

Papelão

29

116

0,25

7,25

29,00

812

Plástico

51

204

0,65

33,15

132,60

1428

Metal

16

64

1,90

30,40

121,60

448

Vidro

20

80

0,29

5,80

23,20

560

Total

126

504

 

78,6

314,4

3528

1. Total recolhido de março a setembro de 2011

Observando-se os dados enunciados na Tabela 1, constata-se, que a coleta seletiva na fonte geradora

Observando-se os dados enunciados na Tabela 1, constata-se, que a coleta seletiva na fonte geradora é viável e tem relação direta com a diminuição de impactos socioambientais negativos (redução de 3.528 kg de resíduos que não foram destinados ao lixão) e aumento de renda dos catadores de materiais recicláveis (receita obtida pela ARENSA de março a setembro de 2011: R$ 2.200,80), bem como propicia a mitigação de riscos inerentes ao exercício profissional, uma vez que os resíduos são recebidos de forma organizada. Sabe-se, porém, que o número de famílias que aderiu à coleta seletiva ainda é pequeno (43), considerando o total de residências que estão localizadas próximo ou no entorno da SAB de Santa Rosa, critério utilizado neste trabalho para promover o envolvimento das famílias, espera-se, porém, ampliar o processo de sensibilização e de mobilização e alcançar maior número de famílias.

Em síntese, a gestão integrada de resíduos sólidos implantada no bairro de Santa Rosa (GIRES/Santa Rosa), em Campina Grande-PB, estabelece um conjunto de ações que objetiva (Figura 4): selecionar na fonte geradora os resíduos sólidos (Coleta seletiva nas residências); encaminhar os resíduos recicláveis secos aos catadores de materiais recicláveis de modo organizado e higienizado; reduzir a quantidade de material que se transformaria em lixo; propiciar a reutilização e reciclagem; tratar a parcela orgânica (cascas de frutas, verduras, folhas e restos de comidas), transformando-a em composto com características favoráveis ao uso em jardins e hortas domiciliares; favorecer o destino adequado dos resíduos sólidos e do lixo; motivar o aumento de renda, a valorização profissional e a melhoria da qualidade de vida dos catadores e catadoras de materiais recicláveis; sensibilizar e mobilizar a comunidade local para o princípio da corresponsabilidade e cidadania ambiental e impulsionar o debate sobre a problemática de resíduos sólidos no âmbito da gestão pública municipal.

resíduos sólidos no âmbito da gestão pública municipal. Figura 4: Ações que constituem GIRES/ Santa Rosa,

Figura 4: Ações que constituem GIRES/ Santa Rosa, Campina Grande-PB, 2011

As principais ações que constituem o GIRES/Santa Rosa são: 1) Sensibilização, formação e mobilização de diferentes segmentos sociais locais por meio de diferentes estratégias em Educação Ambiental; 2) Implantação da coleta seletiva em 43 residências situadas próximo ou no entorno da SAB- Sociedade de Amigos de Bairro, com o recolhimento no período de fevereiro a julho de 2011 a média de 1 tonelada de resíduos recicláveis secos (papel, plástico, vidro e metal); 3) Sensibilização, formação e inserção dos catadores e catadoras de materiais recicláveis que recolhem os resíduos previamente selecionados e organizados em dias previamente agendados nas residências das famílias que aderiram ao projeto; 4) Seleção e recolhimento na fonte dos resíduos sólidos orgânicos domiciliares e encaminhamento ao sistema de tratamento descentralizado (SITRADERO) (1.326 kg de resíduos sólidos orgânicos domiciliares de março a abril de 2011); 5) Tratamento dos resíduos sólidos orgânicos por meio de compostagem, transformando-se material anteriormente contaminado por ovos de helmintos (0,8 ovos/gST) e com alto teor de umidade (80%) e de sólidos totais voláteis (70%/ST) em

composto com características agronômicas viáveis ao uso em jardins e hortas; 6) apresentação e discussão

composto com características agronômicas viáveis ao uso em jardins e hortas; 6) apresentação e discussão dos resultados referente a avaliação do sistema de gestão integrada de resíduos sólidos; 7) Divulgação na mídia na local; 8) participação das políticas públicas.

Destaca-se que o SITRADERO consiste de quatro composteiras de alvenaria, conferindo maior durabilidade e melhores condições de higienização, com configuração em retângulo, e seguintes dimensões: 1,0 m de largura, 3,0 m de comprimento e altura de 0,70 m (Figuras 1 e 2). Cada composteira é constituída por três compartimentos de 1 m 2 e capacidade volumétrica de 0,70 m 3 . Além das composteiras, o sistema conta com unidade de recepção, compostário e unidade teste. A unidade de recepção compreende o local onde os resíduos são armazenados para a posterior montagem da leira (2 m de largura, 3 m de comprimento e 0,70 m de altura);

o compostário corresponde ao local de armazenamento temporário do composto resultante (2 m de largura, 3

m de comprimento e 0,70 m de altura) e a unidade teste, o local destinado à aplicação do composto em culturas agrícolas (2 m de largura, 3 m de comprimento e 0,70 m de altura).

CONCLUSÕES

No início do processo de sensibilização, na maioria das residências investigada (50%), os resíduos eram destinados ao lixão da cidade pelo carro coletor sem a seleção prévia. Situação semelhante foi observada em relação aos resíduos gerados nas atividades realizadas no espaço da SAB (4,7 kg/ dia), colaborando para intensificar os problemas relacionados à destinação final de resíduos na cidade, a qual ainda não detém uma política municipal voltada para a gestão dos resíduos sólidos. Estes são encaminhados ao lixão, comumente, em carros coletores inapropriados, contrapondo a Lei 12305/2010 e o artigo 225 da Constituição Federal.

Verificou-se a expressiva participação das famílias no primeiro momento de instalação do sistema, selecionando

os resíduos na fonte e encaminhando os recicláveis secos para os catadores de materiais recicláveis e os

recicláveis molhados (orgânicos) para o sistema de tratamento. Os resultados apontam para a viabilidade do GIRES no que se refere à mitigação de impactos negativos que constituem o cenário ambiental de Campina Grande-PB e à mobilização social.

A realização de Educação Ambiental junto aos diferentes segmentos sociais tem motivado a participação desses

segmentos na resolução de um problema local, antes não percebido e suscitado o compromisso ambiental e o princípio da corresponsabilidade.

Transformar um problema em solução com a participação efetiva de diferentes segmentos sociais de um bairro com população que ultrapassa 11 mil habitantes é o principal impacto positivo deste trabalho.

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