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REDE NORDESTE DE BIOTECNOLOGIA ñ RENORBIO PROGRAMA DE P”S-GRADUA« O EM BIOTECNOLOGIA DOUTORADO EM BIOTECNOLOGIA

REDE NORDESTE DE BIOTECNOLOGIA ñ RENORBIO

PROGRAMA DE P”S-GRADUA« O EM BIOTECNOLOGIA

DOUTORADO EM BIOTECNOLOGIA

DESENVOLVIMENTO DE BIODETERGENTES UTILIZANDO

BIOSSURFACTANTES COMO MAT…RIA-PRIMA

Silvanito Alves Barbosa

S„o CristÛv„o-SE, 2011

Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia

Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia

SILVANITO ALVES BARBOSA

DESENVOLVIMENTO DE BIODETERGENTES UTILIZANDO

BIOSSURFACTANTES COMO MAT…RIA-PRIMA

Tese de Doutorado apresentada ‡ Rede Nordeste de

Biotecnologia,

na

·rea

de

concentraÁ„o

em

Biotecnologia

Industrial,

na

linha

de

pesquisa

de

Bioprocessos

no

Ponto

Focal

de

Sergipe

na

Universidade Federal de Sergipe como um dos prÈ-

requisitos para a

Biotecnologia.

obtenÁ„o do

grau de Doutor em

Orientador: Prof. Dr. Roberto Rodrigues de Souza/UFS

Coorientadora: Prof™ Dr™. Francine Padilha/UNIT

S„o CristÛv„o-SE, 2011

FICHA CATALOGR£FICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA CENTRAL UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE

B238d Barbosa, Silvanito Alves Desenvolvimento de biodetergentes utilizando biossurfactantes como matÈria-prima /
B238d
Barbosa, Silvanito Alves
Desenvolvimento de biodetergentes utilizando biossurfactantes
como matÈria-prima / Silvanito Alves Barbosa. ñ S„o CristÛv„o,
2011.
XXII, 128 f. : il.
Tese (Doutorado em Biotecnologia) ñ N˙cleo de PÛs-
GraduaÁ„o do RENORBIO, Programa de PÛs-GraduaÁ„o em
Biotecnologia, Universidade Federal de Sergipe, 2011.
Orientador: Prof. Dr. Roberto Rodrigues de Souza.
1.
Biotecnologia.
2.
Biodetergentes.
3.
Biossurfactantes.
4.Biodegrad·veis. I. TÌtulo.
CDU 606:62
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¿ memÛria de meus inesquecÌveis

pais ñ ANT‘NIO BARBOSA NETO e

MARIA DEUSA ALVES BARBOSA ñ

por terem me dado o mais importante de

todos os princÌpios para a formaÁ„o do

homem - A EDUCA« O. E ‡ memÛria de

meu

inesquecÌvel

tio

ñ

ADERBAL

CORREA

BARBOSA

ñ

que

na

simplicidade de um sertanejo s·bio, foi um

dos maiores estudiosos e escritores sobre a

vida

do

nosso

conterr‚neo

que

È

considerado

um

dos

maiores

juristas

e

romancistas

que

este

paÌs

teve

ñ

TOBIAS BARRETO DE MENEZES.

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AGRADECIMENTOS

AgradeÁo mais uma vez a DEUS que na sua misericÛrdia me presenteou com o dom

da vida e me concedeu sa˙de, forÁa de vontade e perspic·cia ao longo da minha existÍncia

para conseguir os meus objetivos.

A minha querida esposa Selma por ter-me mostrado nestes ˙ltimos anos que a

verdadeira essÍncia do amor est· presente tambÈm em sentimentos como o perd„o. Amo-te.

Aos meus filhos Silverman e Samilly por ser uma das razıes da minha incans·vel

batalha galgando sempre um futuro melhor para todos e pela oportunidade que Deus me deu

de servir de exemplo para eles naquilo que sempre defendi.

Aos meus irm„os Silvinho, SÈrgio, Silmar, Saulo, Toinho, K·tia e Edna por serem

testemunhas dos esforÁos realizados e por terem participado e me ajudado, seja atravÈs de

aÁıes ou de orientaÁıes, para um bom desempenho nas atividades e na vida.

Aos meus sogros Sr. ZÈ e Dona Maria que nos gestos e atitudes simples me ajudam a

refletir sobre a vida.

Aos demais parentes e aos verdadeiros amigos que sempre estiveram presentes e

contribuÌram na formaÁ„o do meu car·ter. Em especial ao amigo Macson Rodrigues que junto

aos seus familiares, me recebeu gentilmente em sua residÍncia durante a realizaÁ„o em Recife

da disciplina tÈcnicas fÌsico-quÌmicas aplicadas ‡ biotecnologia.

Ao Prof.

Dr. Roberto Rodrigues de Souza pela amizade e por ter me dado a

oportunidade de ser seu orientando. ¿ Prof™. Dr™ Francine pela coorientaÁ„o e presteza ao

substituir o Prof. Roberto durante sua ausÍncia por motivo de viagem.

¿ Prof™. Dr™. Maria Alice Zarur Coelho do Departamento de Engenharia QuÌmica da

Escola de QuÌmica da UFRJ por ter fornecido a cepa da Yarrowia lipolytica. ¿ Prof™ Dra. Rita

de C·ssia Trindade do Departamento de Biologia da UFS que nos forneceu a cepa da

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Pseudomonas aeruginosa. ¿ Prof™ Dr™ Montserrat Fortuny Heredia da UNIT e Prof™ Dr™

Cristina Quintela da UFBA pelo uso do tensiÙmetro. ¿ Prof™ Dr™ GisÈlia Cardoso pelo uso do

laboratÛrio de caracterizaÁ„o e desenvolvimento de materiais da UFS. Ao aluno de graduaÁ„o

Douglas pela presteza. ¿ empresa SerquÌmica pelo uso do laboratÛrio e do reÙmetro e ao

tÈcnico Rubens pela ajuda no uso do equipamento.

Ao Prof. Dr. Elias Basile Tambourgi da Universidade Estadual de Campinas / FEQ /

DESQ, Profa. Dr™. Cleide Mara Faria Soares da Universidade Tiradentes UNIT / ITP, ao

Prof. Dr. Adriano Antunes de Souza Ara˙jo da Universidade Federal de Sergipe UFS / DFS,

pela valiosa contribuiÁ„o prestada como membros da banca examinadora.

¿ Rede Nordeste de Biotecnologia - RENORBIO - por ter participado de um dos

maiores, e por que n„o dizer, melhores programas de Biotecnologia do Brasil, motivo de

orgulho e engrandecimento da nossa regi„o. Aos colegas e professores da Renorbio do Ponto

Focal de Sergipe, especialmente a todos que fizeram parte da primeira turma/2006 do

Programa. Aos colegas e professores da Renorbio de todos os outros Pontos Focais, onde

tivemos o prazer e oportunidade de aprender e trocar conhecimento, bem como pela amizade

construÌda ao longo do curso.

¿ Universidade Federal de Sergipe e ao Departamento de Engenharia QuÌmica por ter

me concedido hor·rio especial para estudos. A todos os colegas da UFS, em especial ao

amigo F·bio de Melo Resende (Billy the Kid), pela amizade e ajuda no desenvolvimento dos

trabalhos.

¿ direÁ„o e coordenaÁ„o das escolas estaduais onde leciono Prof. Hamilton Alves

Rocha e Prof™ Olga Barreto pela compreens„o, principalmente na ausÍncia devido ‡s viagens

para cursar disciplinas e participaÁ„o em eventos.

Para finalizar, meu muito obrigado a todos, pois sem o espÌrito de coletividade nunca

chegaremos a lugar algum.

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AdvertÍncia

Amigo! Deixa de lado a vaidade,

O pretenso saber, a fantasia,

N„o te iludas com v„ sabedoria,

Porque ficar·s longe da Verdade.

N„o deixes de amar a simplicidade,

Se sÛ existe aqui a hipocrisia

Busca na reflex„o de cada dia

Cobrir-te com o manto da humildade.

Quem grande saber tem, n„o faz alarde,

Transforma-te antes que seja mui tarde,

Vivas a Vida como um homem forte.

Nota bem: nossa origem n„o sabemos,

Nem o que somos e para onde iremos

Ao partirmos daqui depois da morte!

(Aderbal C. Barbosa - 1973)

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SUM£RIO

P·gina

LISTA DE TABELAS

xi

LISTA DE FIGURAS

xiii

LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

xvii

RESUMO

xx

ABSTRACT

xxi

RESUMEN

xxii

1 INTRODU« O

01

2 REVIS O DA LITERATURA

07

2.1

Surfactantes Versus Biossurfactantes

08

2.1.1 Conceito, Vantagens e ClassificaÁ„o

08

2.1.2 Propriedades e AplicaÁıes

19

2.2

ProduÁ„o de Biossurfactantes

25

2.2.1 ProduÁ„o de Biossurfactantes por Yarrowia lipolytica

30

2.2.2 ProduÁ„o de Biossurfactantes por Pseudomonas aeruginosa

33

2.3

Sab„o, Detergente e Biodetergente

41

3 MATERIAL E M…TODOS

54

3.1

ProduÁ„o de Biossurfactante por Yarrowia lipolytica

54

Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia

Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia

 

3.1.1

Preparo do InÛculo da Yarrowia lipolytica

55

3.2 ProduÁ„o de Biossurfactante por Pseudomonas aeruginosa

56

 

3.2.1

Preparo do InÛculo da Pseudomonas aeruginosa

56

3.3 DeterminaÁ„o de Glicose

57

3.4 DeterminaÁ„o do Biossurfactante Produzido ñ Liposan

58

3.5 DeterminaÁ„o de Glicerol

58

3.6 DeterminaÁ„o do Biossurfactante Produzido ñ RamnolipÌdeo

59

3.7 ConstruÁ„o das Curvas de Crescimento

60

3.8 ConstruÁ„o das Curvas de CalibraÁ„o

60

3.9 DeterminaÁ„o da Biomassa Seca

61

3.10 DeterminaÁ„o do Õndice de EmulsificaÁ„o (E 24 )

61

3.11 DeterminaÁ„o da Tens„o Superficial

62

3.12 DeterminaÁ„o da ConcentraÁ„o Micelar CrÌtica (CMC)

62

3.13 ExtraÁ„o dos Biossurfactantes

63

3.14 DeterminaÁ„o da Viscosidade ou Reometria

63

3.15 An·lise ExploratÛria

64

3.16 Preparo das Emulsıes £gua/”leo

65

3.17 An·lise TÈrmica

66

3.18 FormulaÁ„o dos Biodetergentes

66

3.19 DeterminaÁ„o do Poder Espumante

68

3.20 DeterminaÁ„o da AÁ„o de DetergÍncia

69

4 RESULTADOS E DISCUSS O

71

4.1

ProduÁ„o do Biossurfactante

72

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4.1.1 InfluÍncia da AeraÁ„o no Crescimento Celular

73

4.1.2 InfluÍncia da AeraÁ„o na ProduÁ„o do Biossurfactante

76

4.1.3 OtimizaÁ„o da ProduÁ„o do Biossurfactante

78

4.1.4 DeterminaÁ„o da ConcentraÁ„o Micelar CrÌtica (CMC)

90

4.2 FormulaÁ„o e ProduÁ„o dos Biodetergentes

92

4.2.1

An·lises dos Biodetergentes

94

5 CONCLUS’ES E SUGEST’ES

103

REFER

NCIAS BIBLIOGR£FICAS

108

AP

NDICES

125

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LISTA DE TABELAS

P·gina

Tabela 2.1 Principais grupos de surfactantes de origem natural e sintÈtica

 

13

Tabela 2.2 Classes de biossurfactantes e microrganismos envolvidos

15

Tabela 2.3 Levantamento de alguns estudos de produÁ„o de ramnolipÌdeos por

cepas de Pseudomonas aeruginosa

 

38

   

64

Tabela 3.1 Matriz exploratÛria para produÁ„o de biossurfactante Tabela 3.2 CaracterÌsticas fÌsicas do petrÛleo em estudo

65

Tabela

4.1

Resultados dos

Ìndices (E 24 ) usando

hexano

e

tolueno para

o

biossurfactante produzido por Yarrowia lipolytica

 

77

Tabela

4.2

Resultados dos

Ìndices (E 24 ) usando

hexano

e

tolueno para

o

biossurfactante produzido por Pseudomonas aeruginosa

 

77

Tabela 4.3 Resultados da tens„o superficial usando ·gua e meio base para o

biossurfactante produzido por Yarrowia lipolytica

 

77

Tabela 4.4 Resultados da tens„o superficial usando ·gua e meio base para o

biossurfactante produzido por Pseudomonas aeruginosa

 

77

Tabela 4.5 Resultados do consumo de glicose, da produÁ„o de biossurfactante, da

produÁ„o da biomassa, da tens„o superficial final e dos Ìndices de emulsificaÁ„o

em hexano e em tolueno obtidos apÛs 120 horas de cultivo de Yarrowia lipolytica

IMUFRJ 50682

 

80

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Tabela 4.6 Resultados do consumo de glicerol, da produÁ„o de biossurfactante, da

produÁ„o da biomassa, da tens„o superficial final e dos Ìndices de emulsificaÁ„o

em hexano e em tolueno obtidos apÛs 120 horas de cultivo de Pseudomonas

aeruginosa INCQS 0588092

81

Tabela 4.7 Resultados das an·lises realizadas no viscosÌmetro Fann modelo 35 A

95

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LISTA DE FIGURAS

P·gina

Figura 2.1 Estrutura quÌmica de alguns biossurfactantes

16

Figura 2.2 Estrutura quÌmica do liposan de fÛrmula molecular (FM): C 8 H 14 O 2 S 2

massa molecular (MM): 206,33 g/mol e nomenclatura IUPAC: 5-(dithiolan-3-il)

·cido pentanÛico

17

Figura 2.3 Estrutura quÌmica do ramnolipÌdeo de fÛrmula molecular (FM): C 32

H 58 O 13 massa molecular (MM): 650,80 g/mol e nomenclatura IUPAC: 3-[3-[4,5-

dihidroxi ñ 6 ñ metil ñ 3 - (3, 4, 5 ñ trihidroxi ñ 6 ñ metiloxan -2 - il)oxioxan ñ 2 -

il]oxydecanoiloxi] ·cido decanÛico

17

Figura 2.4 Estrutura quÌmica do estearato de sÛdio de fÛrmula molecular (FM):

C 18 H 35 NaO 2 e massa molecular (MM): 306,46 g/mol e nomenclatura IUPAC:

octadecanoato de sÛdio

42

Figura 2.5 ReaÁ„o de saponificaÁ„o onde os radicais R 1 , R 2 e R 3 representam

cadeias carbÙnicas longas, caracterÌsticas de ·cidos graxos

42

Figura 2.6 Estrutura do alquilbenzeno sulfonato de sÛdio de cadeia ramificada e a

estrutura do propeno

44

Figura 2.7 Estrutura do alquilbenzeno sulfonato de sÛdio de cadeia linear

45

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Figura 4.1 Curvas de crescimento da Yarrowia lipolytica IMUFRJ 50682 em

meio sintÈtico com as mesmas concentraÁıes de fonte de carbono e nutrientes, a

temperatura ambiente 28 C, pH 6,0, agitaÁ„o 100 rpm em meios sem e com

aeraÁ„o de 2 vvm

73

Figura 4.2 Curvas de crescimento da Pseudomonas aeruginosa INCQS 0588092

em meio sintÈtico com as mesmas concentraÁıes de fonte de carbono e nutrientes,

a temperatura ambiente 28 C, pH 7,0, agitaÁ„o 100 rpm em meios sem e com

aeraÁ„o de 2 vvm

75

Figura 4.3 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com tolueno (E 24 T) para

Yarrowia lipolytica do branco ao ensaio 4

83

Figura 4.4 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com tolueno (E 24 T) para

Yarrowia lipolytica do ensaio 5 ao 9

83

Figura 4.5 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com hexano (E 24 H) para

Yarrowia lipolytica do branco ao ensaio 5

84

Figura 4.6 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com hexano (E 24 H) para

Yarrowia lipolytica do ensaio 6 ao ensaio 10

84

Figura 4.7 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com tolueno (E 24 T) para

Pseudomonas aeruginosa do branco ao ensaio 4

85

Figura 4.8 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com tolueno (E 24 T) para

Pseudomonas aeruginosa do ensaio 5 ao 9

85

Figura 4.9 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com hexano (E 24 H) para

Pseudomonas aeruginosa do branco ao ensaio 5

86

Figura 4.10 Resultados dos Ìndices de emulsificaÁ„o com hexano (E 24 H) para

Pseudomonas aeruginosa do ensaio 6 ao ensaio 10

86

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Figura 4.11 Curva do consumo de glicose durante 120 horas de fermentaÁ„o para

a

Yarrowia lipolytica

 

88

Figura 4.12 Curva do consumo de glicerol durante 120 horas de fermentaÁ„o para

a

Pseudomonas aeruginosa

 

88

Figura 4.13 Curva de produÁ„o de liposan durante 120 horas de fermentaÁ„o para

a

Yarrowia lipolytica

 

89

Figura 4.14 Curva de produÁ„o de ramnolipÌdeo durante 120 horas de fermentaÁ„o para a Pseudomonas aeruginosa

89

Figura 4.15 DeterminaÁ„o da ConcentraÁ„o Micelar Critica (CMC) do liposan

produzido por Yarrowia lipolytica IMUFRJ 50682 por fermentaÁ„o submersa

utilizando como substrato a glicose, em funÁ„o da tens„o superficial, utilizando-se

diluiÁıes sucessivas do fermentado livre de cÈlulas

 

91

Figura

4.16

DeterminaÁ„o

da

ConcentraÁ„o

Micelar

Critica

(CMC)

do

ramnolipÌdeo

produzido

por

Pseudomonas

aeruginosa

INCQS

0588092

por

fermentaÁ„o submersa utilizando como substrato o glicerol, em funÁ„o da tens„o

 

superficial, utilizando-se diluiÁıes sucessivas do fermentado livre de cÈlulas

 

91

Figura 4.17 Aspecto visual do detergente sintÈtico comercial e dos biodetergentes

1 e 2. a) Detergente sintÈtico comercial; b) Biodetergente 1; c) Biodetergente 2

 

94

Figura 4.18 Curvas de aquecimento dos biodetergentes em ·gua produzida e em

·gua destilada

 

97

Figura 4.19 Curvas de resfriamento dos biodetergentes em ·gua produzida e em

·gua destilada

 

97

Figura 4.20. Resultado da produÁ„o da espuma formada utilizando ·gua destilada

·gua com dureza de 60 ppm comparando o detergente sintÈtico comercial com os dois biodetergentes produzidos

e

98

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Figura 4.21 AvaliaÁ„o visual do poder espumante dos biodetergentes e um

detergente sintÈtico, nas condiÁıes: a) £gua e corante; b) £gua, corante e 2 mL de

detergente sintÈtico comercial; c) £gua, corante e 2 mL do biodetergente 1; d)

£gua, corante e 2 mL do biodetergente 2

99

Figura 4.22. Resultado da lavagem do n˙mero de pratos efetivamente limpos comparando o detergente sintÈtico comercial com os dois biodetergentes produzidos Figura 4.23 Lavagem por agitaÁ„o dos tecidos: a) Tecidos + sujidades + 25 mL de

100

·gua destilada; b) Tecidos + sujidades + 25 mL de ·gua destilada + 2 mL de

detergente sintÈtico comercial; c) Tecidos + sujidades + 25 mL de ·gua destilada +

2 mL do biodetergente 1; d) Tecidos + sujidades + 25 mL de ·gua destilada + 2

mL do biodetergente 2

102

Figura 4.24 AvaliaÁ„o visual da capacidade de remoÁ„o das sujidades apÛs

lavagem por agitaÁ„o e secagem ‡ temperatura ambiente dos tecidos de algod„o

102

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LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

API - Instituto de PetrÛleo Americano

ASTM - Sociedade Americana para Testes e Materiais

BSA - Soro Albumina Bovina

BSW - Porcentagem de £gua e Sedimentos

CMC - ConcentraÁ„o Micelar CrÌtica

C/N - RelaÁ„o Carbono/NitrogÍnio

CSTR - Reator ContÌnuo do Tipo Tanque Bem Agitado

DNA - £cido DesoxirribonuclÈico

DQO - Demanda QuÌmica de OxigÍnio

DSC - Calorimetria ExploratÛria Diferencial

E 24 - Õndice de EmulsificaÁ„o Avaliado ApÛs 24 Horas

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E 24 H - Õndice de EmulsificaÁ„o no Hexano Avaliado ApÛs 24 Horas

E 24 T - Õndice de EmulsificaÁ„o no Tolueno Avaliado ApÛs 24 Horas

IUPAC - Uni„o Internacional de QuÌmica Pura e Aplicada

LASNa - Dodecilbenzenosulfonato de SÛdio

LESS - Lauril …ter Sulfato de SÛdio

LIP D - Liposan dissolvido em ·gua destilada

LIP P - Liposan dissolvido em ·gua produzida

MEOR - RecuperaÁ„o AvanÁada do PetrÛleo Microbiologicamente

NBR - Norma Brasileira

pH - potencial HidrogeniÙnico

ppm - parte por milh„o

PCR - ReaÁ„o em Cadeia da Polimerase

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Q P - Produtividade VolumÈtrica

RAM D - RamnolipÌdeo dissolvido em ·gua destilada

RAM P - RamnolipÌdeo dissolvido em ·gua produzida

rpm - rotaÁ„o por minuto

SDS - Dodecil Sulfato de SÛdio

Tg - TransiÁ„o VÌtrea

TSF - Tens„o Superficial Final

vvm - volume de ar por volume do meio

Y P/S - Coeficiente de Rendimento do Produto Formado em RelaÁ„o ao

Consumo de Substrato

YPD - Meio de Cultura Contendo Extrato de Levedura; Peptona

BacteriolÛgica e D-Glucose

YPDA - Meio de Cultura Contendo Extrato de Levedura; Peptona

BacteriolÛgica; D-Glucose e £gar

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RESUMO

A maioria dos surfactantes disponÌveis comercialmente È sintetizada a partir de derivados do petrÛleo, representando assim uma importante fonte de poluiÁ„o, causando efeitos biolÛgicos adversos a organismos aqu·ticos. Na ind˙stria de detergentes, apesar das v·rias marcas disponÌveis no mercado serem consideradas biodegrad·veis e amparadas pela legislaÁ„o em vigor, sabe-se que na verdade os componentes ativos s„o tensoativos obtidos por via quÌmica e n„o bioquÌmica, ou seja, o que houve foi apenas a mudanÁa do principal componente ativo alquilbenzeno sulfonato de sÛdio de cadeia ramificada pelo de cadeia linear, o que de fato facilitou a degradaÁ„o da molÈcula por microrganismos, mas n„o tanto quanto ao comparado com os surfactantes naturais. Com intuito de solucionar tais inconvenientes, neste trabalho apresentaremos um processo de desenvolvimento de dois biodetergentes, a partir de biossurfactantes que atendam ao apelo ambiental e que disponibilize no mercado novos produtos alternativos aos j· existentes, utilizando uma nova tecnologia que possa estar inserida na promessa de desenvolvimento industrial sustent·vel que prima, sobretudo, pelo uso de tecnologias limpas. A presente invenÁ„o conjuga as principais propriedades do sab„o e do detergente sintÈtico proporcionando uma alternativa ao uso destes ˙ltimos, pois, agrega do sab„o as caracterÌsticas de maior biodegradabilidade e do detergente sintÈtico a vantagem de agir de forma ainda eficiente mesmo quando utilizado em ·guas duras. Inicialmente produziram-se dois biossurfactantes denominados de liposan e ramnolipÌdeo obtidos a partir da fermentaÁ„o aerÛbia, utilizando-se uma cepa da levedura Yarrowia lipolytica IMUFRJ 50682 e outra cepa da bactÈria Pseudomonas aeruginosa INCQS 0588092, respectivamente. ApÛs a an·lise exploratÛria das diferentes condiÁıes experimentais, concluiu-se que o pH 7,0, a temperatura de 35 C e agitaÁ„o de 150 rpm, foram os fatores que mais influenciaram na produÁ„o dos dois biossurfactantes. As condiÁıes experimentais foram analisadas quanto tens„o superficial, o Ìndice E 24 , a produÁ„o de biomassa, a produÁ„o do biossurfactante e o consumo do substrato. ApÛs a separaÁ„o e extraÁ„o do liposan e do ramnolipÌdeo, realizou-se a modificaÁ„o das duas molÈculas atravÈs de uma reaÁ„o quÌmica e formulou-se os biodetergentes adicionando-se os agentes coadjuvantes e completando-se o volume final com ·gua destilada. A eficiÍncia dos biodetergentes foi avaliada comparando as viscosidades de uma amostra de Ûleo bruto com uma emuls„o ·gua produzida/Ûleo contendo os biodetergentes, onde se verificou uma reduÁ„o da viscosidade em torno de 8% para o biodetergente 1 derivado do liposan e 36% para o biodetergente 2 derivado do ramnolipÌdeo. Observou-se atravÈs da an·lise de DSC que os biodetergentes desenvolvidos n„o apresentaram transformaÁıes fÌsico-quÌmicas quando dissolvidos em amostras de ·gua destilada e comparadas com ·gua produzida, concluindo-se que ambos apresentaram boa estabilidade tÈrmica e que n„o foi detectada nenhuma interaÁ„o quÌmica, na faixa de temperatura estudada, entre os biodetergentes e os sais presentes em grande quantidade na ·gua produzida, mostrando assim tambÈm uma boa toler‚ncia ‡ forÁa iÙnica. Em relaÁ„o ‡ capacidade de produzir espuma e de remover sujidades em tecidos e em louÁas, os dois biodetergentes produzidos apresentaram poder espumante e aÁ„o detergente semelhante quando comparado ao sintÈtico comercial. Desta forma, pode-se concluir que os biodetergentes produzidos apresentaram boa capacidade tensoativa e de emulsificaÁ„o comparado aos surfactantes quÌmicos sintÈticos, podendo ser utilizados em substituiÁ„o aos mesmos pelas vantagens apresentadas.

PALAVRAS-CHAVE: Biodetergente; biossurfactante; biodegrad·vel; Yarrowia lipolytica e Pseudomonas aeruginosa.

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Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia

ABSTRACT

The majority of surfactants commercially available is synthesized from petroleum, thus representing an important source of pollution, causing adverse biological effects to the aquatics organisms. In the detergent industries, despite of many trades available in the market are called as biodegradable and under the legislation actual, it's known that in real the actives components are tensoactives obtained by chemical and not by biochemical route. In other words, what occurred was only a change of the main active component alkylbenzene sodium sulphonate branched chain for one of linear chain, what in fact facilitated the molecular degradation by microorganisms, but not as much as compared to the natural surfactants. Arming to salve those problems, in this work we will show a development process of two bio- detergents from biosurfactants that follow environmental appeal and available new alternatives products in the market, using a new technology which may be inserted promise of sustainable industrial development that give attention, specially, to the use of clean technologies. The purpose of this invention is to combine the main soap and synthetic detergentís features providing an alternative to using of the latter, therefore it adds from the soap its higher biodegradabilityís features and from the synthetic detergent its advantage on acting in a still efficient way, even when utilized in hard waters. Initially, were produced two biosurfactants called as liposan and rhamnolipid obtained from aerobic fermentation, using a Yarrowia lipolytica IMUFRJ 50682 yeast strain and another Pseudomonas aeruginosa INCQS 0588092 bacterium straim, respectively. After the analysis of the different experimental conditions, it was concluded that the pH 7.0, at temperature of 35 C with rotation of 150 rpm, were the main factor that influenced on the production of both biosurfactants. The response variables used were surface tension, the index E 24, the production of biomass, biosurfactant production and consumption of substrate. After the separation and extraction of the liposan and the rhamnolipid, it was held the modification of the two molecules by a chemical reaction and the biodetergents were formulated adding the adjuvant agents and completing the final volume with distilled water. The efficiency of the biodetergents was evaluated comparing the viscosities from a sample of crude oil with a produced water emulsion/oil containing the biodetergents, where it was verified a reduction on the viscosity, about 8% for the biodetergent 1 derived from the liposan and 36% for the biodetergent 2 derived from the rhamnolipid. It was observed from the analysis of the DSC that the developed biodetergents didnít show any physico-chemical change when dissolved in samples of distilled water and compared to the produced water, concluding that both show good thermal stability and it wasnít detected any chemical interaction, on the studied thermal range, between the biodetergents and the present salts in great quantity in the produced water, showing also a good tolerance to ionic strength. Regarding the capacity to produce foam and remove dirt in tissues and dishes both produced biodetergents showed foaming power and detergent action similar when compared to the synthetic detergent commercial. Therefore, itís concluded that the produced biodetergents show good surfactant and emulsification capacity compared to the chemical synthetic surfactants, maybe being used in substitution themselves for the presented advantages.

KEYWORDS:

Pseudomonas aeruginosa.

Biodetergent;

biosurfactant;

biodegradable;

Yarrowia

lipolytica

and

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RESUMEN

La mayorÌa de los surfactantes disponibles comercialmente es sintetizada a partir de derivados del petrÛleo, representando una importante fuente de contaminaciÛn, causando efectos biolÛgicos adversos a organismos acu·ticos. En la industria de detergentes, a pesar de que varias de las marcas disponibles en el mercado son consideradas biodegradables y est·n amparadas por la legislaciÛn en vigor, se sabe que en realidad los componentes activos son tensoactivos obtenidos por vÌa quÌmica y no bioquÌmica, o sea, lo que hubo fue apenas una sustituciÛn del principal componente activo alquilbenceno sulfonato de sodio de cadena ramificada por el de cadena lineal, lo que de hecho facilitÛ la degradaciÛn de la molÈcula por microorganismos, pero no tanto, en comparaciÛn con los surfactantes naturales. Con la intenciÛn de solucionar tales inconvenientes, en este trabajo presentaremos un proceso de desarrollo de dos biodetergentes, a partir de biosurfactantes que atiendan al apelo ambiental y que disponibilicen en el mercado nuevos productos alternativos a los ya existentes, utilizando una nueva tecnologÌa que pueda incluirse en la promesa de desarrollo industrial sustentable donde lo primordial es el uso de tecnologÌas limpias. La presente invenciÛn conjuga las principales propiedades del jabÛn y del detergente sintÈtico proporcionando una alternativa al uso de este ˙ltimo, pues re˙ne del jabÛn las caracterÌsticas de mayor biodegradabilidade y del detergente sintÈtico la ventaja de actuar de forma m·s eficiente incluso cuando utilizado en aguas duras. Inicialmente se produjeron dos biosurfactantes denominados liposan y ramnolÌpido obtenidos a partir de la fermentaciÛn aerobia, utilizando una cepa de la levadura Yarrowia lipolytica IMUFRJ 50682 y otra cepa de la bacteria Pseudomonas aeruginosa INCQS 0588092, respectivamente. DespuÈs del an·lisis exploratÛria de las diversas condiciones experimentales, se concluyÛ que el pH 7,0, a una temperatura de 35 C y agitaciÛn de 150 rpm, fueron los factores que m·s influyeron en la producciÛn de los dos biosurfactantes. Las condiciones experimentales fueron analizados por la tensiÛn superficial, el Ìndice de E 24 , la producciÛn de biomasa, la producciÛn de biosurfactante y el consumo de sustrato. DespuÈs de la separaciÛn y extracciÛn del liposan y del ramnolÌpido, se realizÛ la modificaciÛn de las dos molÈculas a travÈs de una reacciÛn quÌmica y se formularon los biodetergentes agreg·ndose los agentes secundarios y complet·ndose el volumen final con agua destilada. La eficiencia de los biodetergentes fue evaluada comparando las viscosidades de una muestra de petrÛleo bruto con una emulsiÛn agua producida/petrÛleo conteniendo los biodetergentes, donde se verificÛ una reducciÛn de la viscosidad en torno de 8% para el biodetergente 1 derivado del liposan y de 36% para el biodetergente 2 derivado del ramnolÌpido. Se observÛ a travÈs del an·lisis de DSC que los biodetergentes desarrollados no presentaron transformaciones fÌsico-quÌmicas cuando disueltos en muestras de agua destilada y comparadas con agua producida, concluyÈndose que ambos presentaron buena estabilidad tÈrmica y que no fue detectada ninguna interacciÛn quÌmica, en la franja de temperatura estudiada, entre los biodetergentes y las sales presentes en gran cantidad en el agua producida, mostrando asÌ tambiÈn una buena tolerancia a la fuerza iÛnica. En relaciÛn a la capacidad de producir espuma e de remover suciedades en tejidos y en vajilla, los dos biodetergentes producidos presentaron poder espumante y acciÛn detergente semejante, comparados con el sintÈtico comercial. De esta forma, se puede concluir que los biodetergentes producidos presentaron buena capacidad tensoactiva y de emulsificaciÛn comparados con los surfactantes quÌmicos sintÈticos, pudiendo ser utilizados en sustituciÛn de los mismos por las ventajas presentadas. PALABRAS-CLAVE: Biodetergente; biosurfactante; biodegradable; Yarrowia lipolytica y Pseudomonas aeruginosa.

CAPÕTULO 1

INTRODU« O

CAPÕTULO 1 INTRODU« O
CAPÕTULO 1 INTRODU« O
CAPÕTULO 1 INTRODU« O
CAPÕTULO 1 INTRODU« O
Programa de PÛs-GraduaÁ„o em Biotecnologia CapÌtulo 1 ñ IntroduÁ„o

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1. INTRODU« O

A

biotecnologia

È

baseada

na

busca

e

descoberta

de

recursos

biolÛgicos

industrialmente explor·veis. Uma abordagem cl·ssica das etapas do processo de busca e

descoberta desta tÈcnica passa resumidamente pela coleta de material biolÛgico adequado,

seguida da seleÁ„o e triagem de materiais com os atributos desejados, seleÁ„o final do melhor

candidato a partir de uma lista reduzida de opÁıes e culmina com o desenvolvimento de um

produto comercial ou processo industrial (Bull et al., 2000).

Segundo Tem Kate (1999), a biotecnologia È reconhecida como uma das tecnologias

capacitadoras para o sÈculo XXI, ente ‡s suas caracterÌsticas de inovaÁ„o radical, impacto

atual e potencial frente a problemas globais, tais como: doenÁas, desnutriÁ„o e poluiÁ„o

ambiental. Para Bull et al. (1998) È a promessa de desenvolvimento industrial sustent·vel,

seja na utilizaÁ„o de recursos renov·veis, tecnologias limpas ou na reduÁ„o do aquecimento

global.

Dentro deste contexto, nos ˙ltimos anos, novas pesquisas foram conduzidas levando

ao desenvolvimento dos chamados tensoativos biodegrad·veis, mas sabe-se ainda que a

grande maioria dos surfactantes disponÌveis comercialmente È sintetizada a partir de derivados

do petrÛleo e que estes representam uma importante fonte de poluiÁ„o, causando efeitos

biolÛgicos

adversos

a

organismos

aqu·ticos.

Estudos

tÍm

demonstrado

os

dist˙rbios

ecolÛgicos causados por altas concentraÁıes de surfactantes em corpos receptores e em

estaÁıes de tratamento de efluentes (Sandbacka et al., 2000). Em efluentes n„o tratados,

diferentes classes de surfactantes podem estar presentes em concentraÁıes suficientes para

causar problemas de toxicidade a estes organismos (Zagato & Goldstein, 1991).

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De acordo com Nitschke & Pastore (2002), cresceu bastante a preocupaÁ„o ambiental

entre os consumidores envolvendo essas questıes, que combinado com novas legislaÁıes de

controle do meio ambiente levaram a procura por surfactantes naturais ou biossurfactantes

que pudessem substituir os produtos existentes.

Na ind˙stria de detergentes, apesar das v·rias marcas disponÌveis no mercado serem

consideradas biodegrad·veis e amparadas pela legislaÁ„o em vigor, sabe-se que na verdade os

componentes ativos s„o tensoativos obtidos por via quÌmica e n„o bioquÌmica, ou seja, o que

houve foi apenas a mudanÁa do principal componente ativo alquilbenzeno sulfonato de sÛdio

de cadeia ramificada pelo de cadeia linear, o que de fato facilitou a degradaÁ„o da molÈcula

por microrganismos, mas n„o tanto quanto ao comparado com os surfactantes naturais.

Nos ˙ltimos anos tem-se

aumentado o interesse em identificar e isolar novos

microrganismos produtores de molÈculas tensoativas que apresentem boas caracterÌsticas

surfactantes como baixa concentraÁ„o micelar crÌtica (CMC), baixa toxicidade, alta atividade

de emulsificaÁ„o, dentre outras.

A maioria dos biossurfactantes microbianos relatados na literatura È de origem

bacteriana. As bactÈrias produtoras mais reportadas s„o dos gÍneros: Pseudomonas sp.,

Acinetobacter sp., Bacillus sp. e Arthrobacter sp. (Gouveia et al., 2003).

O principal uso dos biossurfactantes ainda È na ind˙stria do petrÛleo, mas s„o tambÈm

muito usados nas ind˙strias cosmÈticas, na limpeza industrial e em produtos quÌmicos

agrÌcolas, para diluir e dispersar fertilizantes e pesticidas, alÈm de elevar a penetraÁ„o dos

compostos ativos nas plantas (Banat et al., 2000).

Segundo

Banat

(1995),

a

composiÁ„o

e

as

caracterÌsticas

dos

biossurfactantes

produzidos por microrganismos s„o influenciadas pela natureza das fontes de carbono e

nitrogÍnio utilizadas, assim como pela presenÁa de outros nutrientes no meio de produÁ„o.

AlÈm disso, outros fatores como aeraÁ„o, pH, temperatura e agitaÁ„o s„o extremamente

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importantes na quantidade e na qualidade do biossurfactante produzido. Assim, para a

obtenÁ„o de grande quantidade de biossurfactante È importante o estudo das necessidades

nutricionais e das condiÁıes do processo.

Do ponto de vista econÙmico, os biossurfactantes ainda n„o s„o capazes de competir

com os surfactantes quÌmicos no mercado, principalmente devido ao seu alto custo. Para

aperfeiÁoar a produÁ„o microbiana de biossurfactantes È fundamental a obtenÁ„o de altos

rendimentos e produtividade nos processos, que podem ser atingidos atravÈs de uma

formulaÁ„o adequada do meio de cultivo, processos de produÁ„o mais eficientes, uso de

resÌduos agroindustriais como substratos e melhoramento genÈtico da cepa produtora (Banat

et al., 2000).

Ambientalmente

os

biossurfactantes

alÈm

de

serem

menos

tÛxicos

e

mais

biodegrad·veis, apresentam maior resistÍncia ‡s variaÁıes de temperatura, pH e a condiÁıes

de elevada salinidade quando comparados aos surfactantes sintÈticos (Bognolo, 1999). Outra

vantagem no uso dos biossurfactantes se deve ao fato de serem compostos que n„o s„o

derivados do petrÛleo, fator este importante ‡ medida que os preÁos do petrÛleo aumentam no

mercado (Nitschke & Pastore, 2002).

Neste trabalho estudou-se a biotecnologia aplicada ‡ ·rea industrial e seu objetivo

geral foi produzir biodetergentes a partir de biossurfactantes obtidos por via biolÛgica, atravÈs

da fermentaÁ„o submersa, para que possam ser utilizados nos diversos setores industriais e/ou

de serviÁos como alternativo ao uso dos tensoativos sintÈticos. Para tal, utilizou-se duas cepas

de microrganismos, a levedura Yarrowia lipolytica e a bactÈria Pseudomonas aeruginosa.

Desta forma, os objetivos especÌficos foram:

Produzir

biossurfactantes

Pseudomonas aeruginosa;

utilizando

cepas

de

Yarrowia

lipolytica

e

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Estudar a influÍncia da aeraÁ„o na produÁ„o de biossurfactantes;

Determinar as melhores condiÁıes operacionais de pH, temperatura e agitaÁ„o

para o processo de produÁ„o dos biossurfactantes;

Avaliar

as

caracterÌsticas

dos

biossurfactantes

produzidos

atravÈs

de

par‚metros como tens„o superficial, Ìndice de emulsificaÁ„o (E 24 ) e concentraÁ„o

micelar crÌtica (CMC);

Acompanhar o processo de produÁ„o dos biossurfactantes atravÈs da produÁ„o

de biomassa, do consumo de substrato e da concentraÁ„o de produtos;

Formular e produzir biodetergentes a partir de biossurfactantes modificados

por reaÁ„o quÌmica;

Aplicar os biodetergentes em emuls„o ·gua produzida/Ûleo para avaliar sua

eficiÍncia na reduÁ„o da viscosidade e sua resistÍncia ‡ forÁa iÙnica na ·gua

produzida;

Avaliar o poder espumante e a capacidade de remoÁ„o de sujidades dos

biodetergentes em tecidos e louÁas, comparando-os ao detergente quÌmico sintÈtico.

Assim, ser„o apresentadas neste trabalho as etapas de produÁ„o de biossurfactantes

modificados por reaÁ„o quÌmica e que foram usados como matÈria-prima na formulaÁ„o de

dois biodetergentes juntamente com outros componentes, partindo-se do pressuposto que eles

s„o t„o eficientes quanto os detergentes sintÈticos.

Para confirmar esta hipÛtese, testou-se a capacidade de reduÁ„o da viscosidade em

emulsıes ·gua produzida/Ûleo, sua toler‚ncia ‡ forÁa iÙnica, bem como ‡ sua capacidade de

produzir espuma e remover sujidades em tecidos e em louÁas mesmo em ·guas duras. Os

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resultados foram comparados e avaliados em relaÁ„o ao desempenho de um detergente

sintÈtico comercial.

Na sequÍncia ser„o apresentados os seguintes capÌtulos: o CapÌtulo 2, com a revis„o da

literatura envolvendo produÁ„o de biossurfactantes e suas diversas aplicaÁıes, citando

tambÈm as diferenÁas e semelhanÁas entre sab„o, detergente e biodetergente; o CapÌtulo 3

apresenta a metodologia utilizada no trabalho; no CapÌtulo 4 s„o apresentados os resultados

obtidos no trabalho e suas discussıes; e, finalmente o CapÌtulo 5 onde s„o apresentadas as

conclusıes finais e as sugestıes para trabalhos futuros.

CAPÕTULO 2

REVIS O DA LITERATURA

CAPÕTULO 2 REVIS O DA LITERATURA
CAPÕTULO 2 REVIS O DA LITERATURA
CAPÕTULO 2 REVIS O DA LITERATURA
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2. REVIS O DA LITERATURA

2.1 SURFACTANTES VERSUS BIOSSURFACTANTES

2.1.1 Conceito, Vantagens e ClassificaÁ„o

De acordo com Mulligan (2005), os surfactantes s„o compostos anfifÌlicos que

reduzem a energia livre do sistema pela substituiÁ„o das molÈculas de mais alta energia

situado na interface. Em outras palavras, um surfactante È um composto caracterizado pela

capacidade de alterar as propriedades superficiais e interfaciais de um lÌquido. O termo

interface denota o limite entre duas fases imiscÌveis, enquanto o termo superfÌcie indica que

uma das fases È gasosa. Outras propriedades fundamentais dos surfactantes È a tendÍncia de

formar agregados chamados micelas que, geralmente, formam-se a baixas concentraÁıes em

·gua, alÈm de ser respons·vel pela reduÁ„o da tens„o interfacial e superficial da mesma.

Para Nitschke & Pastore (2002), os surfactantes s„o molÈculas anfip·ticas constituÌdas

de uma porÁ„o hidrofÛbica e uma porÁ„o hidrofÌlica, onde sua porÁ„o apolar È frequentemente

uma cadeia de hidrocarbonetos enquanto a porÁ„o polar pode ser iÙnica (aniÙnica ou

catiÙnica), n„o-iÙnica ou anfotÈrica. Em funÁ„o da presenÁa de grupos hidrofÌlicos e

hidrofÛbicos na mesma molÈcula, os surfactantes tendem a se distribuir nas interfaces entre

fases fluidas com diferentes graus de polaridade (Ûleo/·gua e ·gua/Ûleo).

De acordo Mulligan (2005), estas propriedades tornam os surfactantes adequados para

uma

ampla

gama

de

aplicaÁıes

industriais

envolvendo:

detergÍncia,

emulsificaÁ„o,

lubrificaÁ„o, capacidade espumante, capacidade molhante, solubilizaÁ„o e dispers„o de fases.

Eles s„o usados para estas aplicaÁıes devido a sua capacidade de diminuir as tensıes

superficiais, aumentar a solubilidade e a molhabilidade alÈm de potencializar o poder

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detergente e espumante. Devido a presenÁa do surfactante, menor trabalho È requerido para

trazer uma molÈcula para a superfÌcie e a tens„o superficial È reduzida.

Tens„o superficial È a propriedade que um lÌquido possui de manter as molÈculas

unidas na sua superfÌcie, assemelhando-se a uma membrana elÈtrica. Esta propriedade È

consequÍncia das forÁas intermoleculares. No interior do lÌquido, cada molÈcula È atraÌda por

outras molÈculas em todas as direÁıes do espaÁo, enquanto que as molÈculas superficiais sÛ

est„o submetidas ‡ tens„o das molÈculas que tÍm por baixo. A tens„o superficial pode ser

definida como a forÁa que atua sobre a superfÌcie por unidade de comprimento da ·rea

perpendicular ‡ forÁa. A tens„o superficial da ·gua È muito forte, devido ‡s pontes de

hidrogÍnio intermoleculares, e È respons·vel pela formaÁ„o de gotas, borbulhas e meniscos

(curvaturas dos lÌquidos nas colunas que o suportam). A tens„o superficial nas interfaces

·gua/Ûleo e ar/·gua pode ser facilmente medida utilizando-se um tensiÙmetro. A tens„o da

·gua destilada È 72 mN/m, e a adiÁ„o do surfactante reduz esse valor para 30 mN/m. Quando

um surfactante È adicionado a um sistema ar/·gua e ·gua/Ûleo em concentraÁıes crescentes,

observa-se uma reduÁ„o na tens„o superficial atÈ um valor crÌtico, a partir do qual as

molÈculas de surfactantes se associam formando estruturas supra moleculares como micelas,

bicamadas e vesÌcula. Esse valor È conhecido como concentraÁ„o micelar crÌtica (CMC) e È

usado comumente para medir a eficiÍncia do surfactante (Desai & Banat, 1997).

Os biossurfactantes s„o um grupo heterogÍneo de molÈculas tensoativas produzidas

por microrganismos. Estas molÈculas tambÈm reduzem a tens„o superficial, concentraÁ„o

micelar crÌtica (CMC) e tens„o interfacial tanto de soluÁıes aquosas quanto de misturas de

hidrocarbonetos. Estas propriedades criam emulsıes nas quais a formaÁ„o de micelas ocorre

na regi„o onde hidrocarbonetos podem se solubilizar em ·gua, e a ·gua em hidrocarbonetos.

Eles apresentam v·rias vantagens sobre os surfactantes sintÈticos. Sua biodegradabilidade È

um de seus recursos mais importantes porque impede problemas de acumulaÁ„o e toxicidade

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nos ecosistemas naturais, uma vez que a habilidade dos biossurfactantes de emulsionar

misturas de ·gua e hidrocarboneto potencializa a degradaÁ„o destes no ambiente. TambÈm

possui maior estabilidade mesmo quando sujeito ‡s grandes variaÁıes de temperatura, pH e

forÁa iÙnica, podendo ser utilizado em ambientes com condiÁıes mais extremas. (Banat,

2000).

Os biossurfactantes tambÈm apresentam a vantagem de poderem ser sintetizados a

partir de substratos renov·veis e possuÌrem grande diversidade quÌmica, possibilitando

aplicaÁıes especÌficas para cada caso particular. Em termos de vantagem na eficiÍncia,

compostos

que

n„o

s„o

derivados

do

petrÛleo,

modificam

a

estrutura

quÌmica

e

as

propriedades

fÌsicas,

atravÈs

da

engenharia

genÈtica,

desenvolvendo

produtos

para

necessidades especÌficas (Cameotra & Makar, 1998).

De acordo com Banat (2000) as bactÈrias juntamente com as arqueobactÈrias s„o as

maiores respons·veis pela produÁ„o destes compostos. Estes microrganismos tÍm sido

isolados do solo, ·gua marinha, sedimentos do mar e ·reas contaminadas por Ûleos. Diversas

evidÍncias indicam que biossurfactantes s„o produzidos, em alguns casos, em grande

quantidade nestes ambientes. Uma delas È a presenÁa de espuma e emulsıes em ·reas de

derramamento de Ûleos em oceanos, bem como seu efeito positivo no aumento da recuperaÁ„o

terci·ria do petrÛleo.

Os primeiros relatos envolvendo a utilizaÁ„o de biossurfactantes datam de 1949

quando os cientistas Jarvis & Johnson detectaram as atividades antibiÛtica e hemolÌtica de um

ramnolipÌdeo, e quando Arima et al. (1968), descobriram a existÍncia de um novo composto

biologicamente ativo produzido por Bacillus subtilis, o qual foi denominado surfactina devido

a sua grande atividade superficial, tendo, posteriormente, sua estrutura elucidada. ApÛs um

prÌodo, foi registrada a produÁ„o de biossurfactante em meios hidrofÛbicos, o que levou a

estudos de sua aplicaÁ„o em tratamento de resÌduos de petrÛleo, recuperaÁ„o de petrÛleo,

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biorremediaÁ„o e dispers„o no derramamento de Ûleos. A capacidade do biossurfactante

emulsificar misturas de hidrocarboneto/·gua tem sido muito bem documentada, uma vez que

esta propriedade È demonstrada pelo aumento significativo de degradaÁ„o de hidrocarbonetos

e por isso È utilizado na biorremediaÁ„o de solos e mananciais contaminados (Crapez et al.,

2002).

De acordo com Cameotra & Makkar (1998) os biossurfactantes podem ser utilizados

in situ para emulsificar e aumentar a solubilidade de contaminantes hidrofÛbicos e desta

maneira, facilitam o acesso dos microrganismos naturalmente presentes no ambiente para que

ocorra a degradaÁ„o dos compostos hidrofÛbicos.

Segundo Martins (2001), o crescimento de microrganismos em uma interface de ·gua

e Ûleo favorece o aparecimento de um biofilme, cuja formaÁ„o envolve as seguintes etapas:

primeiramente os microrganismos aderem ‡ superfÌcie de grandes gotas de Ûleo devido ‡

hidrofobicidade das cÈlulas, em seguida as cÈlulas aderidas formam uma camada delgada na

interface Ûleo/·gua, extraindo os compostos insol˙veis em ·gua da fase oleosa e utilizando os

sais minerais da fase aquosa. Quando as cÈlulas revestem as gotas de Ûleo produzindo

biossurfactantes, a tens„o interfacial disponÌvel È reduzida para o crescimento microbiano.

ApÛs consumado o composto oleoso contido no sistema, as gotas desaparecem e os

microrganismos colonizam outras gotas.

Praticamente todos os surfactantes quÌmicos utilizados na ind˙stria s„o sintetizados a

partir do petrÛleo, o que os torna ecologicamente nocivos. Em primeiro lugar, por serem

originados a partir de uma fonte n„o renov·vel, e em segundo lugar, devido a fatores como

toxicidade do surfactante aos microrganismos presentes no ambiente, diminuindo assim as

taxas de biodegradaÁ„o de possÌveis contaminantes por estes microrganismos (Christofi &

Ivshna, 2002).

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O

grande

obst·culo

que

torna

os

biossurfactantes

incapazes

de

competir

comercialmente com os surfactantes quÌmicos È o seu alto custo de produÁ„o, o que estimula

o desenvolvimento de novas pesquisas para reduzir estes valores (Patel & Desai, 1997).

Os

surfactantes

sintÈticos

s„o

estruturas

relativamente

recentes,

apresentam

propriedades que proporcionaram avanÁos nos mais diversos ramos industriais, porÈm a sua

substituiÁ„o pelos surfactantes biolÛgicos apresenta vantagens por serem menos tÛxicos,

menos alergÍnicos, biodegrad·veis, o que reflete num menor impacto ambiental (Turkovskaya

et al., 1999).

Bognolo (1999) mostra algumas vantagens dos surfactantes naturais em relaÁ„o aos

sintÈticos:

Atividade de superfÌcie e interface: os biossurfactantes s„o mais efetivos e

eficientes que, por exemplo, sulfonatos aniÙnicos, j· que reduzem a tens„o superficial

mais rapidamente. Os biossurfactantes de alta massa molecular adsorvem na interface

Ûleo/·gua atravÈs de m˙ltiplos pontos de ancoragem, aumentando a estabilidade das

cadeias em uma ˙nica fase, o que produz uma efetiva estabilidade estÈrica. A grande

·rea interfacial coberta pela molÈcula adsorvida e a multiplicidade de pontos de

ancoragem asseguram que n„o ocorra dessorÁ„o durante a colis„o de partÌculas, e

aumentam grandemente a estabilidade das emulsıes;

Toler‚ncia ‡ temperatura: alguns biossurfactantes e sua atividade superficial

n„o s„o afetados, mesmo a altas temperaturas (90 C);

Toler‚ncia ‡ forÁa iÙnica: os biossurfactantes n„o precipitam em soluÁıes

salinas de atÈ 10%, enquanto que soluÁıes de 2-3% de sal s„o suficientes para

desativar os surfactantes quÌmicos;

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Biodegradabilidade: os biossurfactantes s„o facilmente degradados na ·gua ou

no solo; emulsıes feitas com biossurfactantes podem ser facilmente quebradas por

adiÁ„o de enzimas, como, por exemplo, a depolimerase, que pode quebrar a emuls„o

de hidrocarbonetos em Ûleo.

A Tabela 2.1 mostra que os biossurfactantes constituem uma das principais classes de

surfactantes naturais, sendo classificados de acordo com a sua composiÁ„o quÌmica e sua

origem microbiana, apresentando diferentes estruturas quÌmicas, principalmente aqueles

produzidos por microrganismos na presenÁa de hidrocarbonetos (Lang & Wullbrandt, 1999), e

propriedades surfactantes podendo ser produzidos total ou parcialmente extracelulares por

bactÈrias, bolores e leveduras (Bicca et al., 1999). Essas diferenÁas fazem com que um grupo

de surfactantes tenha vantagem em uma aplicaÁ„o especÌfica e outros sejam mais apropriados

em

outras

lipoproteÌnas,

aplicaÁıes.

As

fosfolipÌdios

principais

e

·cidos

classes

graxos,

particulados (Desai & Desai, 1993).

incluem

glicolipÌdios,

surfactantes

polimÈricos

lipopeptÌdios

e

e

surfactantes

Tabela 2.1. Principais grupos de surfactantes de origem natural e sintÈtica.

Naturais

SintÈticos

Alquil poliglicosÌdeos

Alcanolaminas

Biossurfactantes

Alquil e aril Èter carboxilatos

Amidas de ·cidos graxos

Alquil aril sulfatos

Aminas de ·cidos graxos

Alquil aril Èter sulfatos

Glucamidas

Alquil etoxilados

Lecitinas

Alquil sulfonatos

Derivados de proteÌnas

Alquil fenol etoxilados

Saponinas

AminoÛxidos

Sorbitol e Èsteres de sorbitan

BetaÌnas

…steres de sacarose

Co-polÌmeros de Ûxido de Etil/Propileno

Sulfatos de ·lcoois graxos naturais

£cidos graxos etoxilados

Fonte: NITSCHKE & PASTORE, 2002.

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De acordo com Nitschke & Pastore (2002) os biossurfactantes possuem uma estrutura

comum: uma porÁ„o lipofÌlica usualmente composta por cadeia hidrocarbÙnica de um ou mais

·cidos graxos, que podem ser saturados, insaturados, hidroxilados ou ramificados, ligados a

uma porÁ„o hidrofÌlica, que pode ser um Èster, um grupo hidrÛxi, fosfato, carboxilato ou

carboidrato.

A maioria dos biossurfactantes s„o neutros ou aniÙnicos, variando desde

pequenos ·cidos graxos atÈ grandes polÌmeros, conforme podem serem vistos na Tabela 2.2 e

na Figura 2.1.

Os lipossacarÌdeos s„o emulsificantes extracelulares hidrossol˙veis, de alto peso

molecular,

produzidos

por

bactÈrias

capazes

de

metabolizar

hidrocarbonetos

como

Acinetobacter calcoaceticus. Os lipopeptÌdeos s„o produzidos pelo microrganismo Bacillus

subtilis, sendo a surfactina o biossurfactante mais utilizado. Dentre os ·cidos graxos e lipÌdios

neutros, os principais s„o ·cido ustil·gico, ·cidos corinomicÛlicos, ·cidos lipoteicÛico e

proteÌnas hidrofÛbicas (Colla & Costa, 2003).

Os glicolipÌdeos dividem-se em trealoses, soforolipÌdeos e ramnolipÌdeos em geral

envolvidos na assimilaÁ„o de hidrocarbonetos de baixa polaridade por microrganismos (Colla

& Costa, 2003). Dentre os glicolipÌdeos, os mais estudados s„o os ramnolipÌdeos, produzidos

por Pseudomonas aeruginosa (Gouveia et al., 2003).

Os ramnolipÌdeos produzidos por Pseudomonas spp.

possuem a

capacidade de

diminuir a tens„o interfacial da ·gua contra n-hexadecano para 1 mN/m e a tens„o superficial

para 25 a 30 mN/m (Castro, 2005). AlÈm disso, estabilizam emulsıes e s„o geralmente

atÛxicos e biodegrad·veis (Banat, 2000; Gouveia et al., 2003).

Os

biossurfactantes

polimÈricos

s„o

constituÌdos

por

diversos

grupos

quÌmicos

diferentes como, por exemplo, o emulsan, no qual ·cidos graxos est„o ligados a um esqueleto

de heteropolissacarÌdeos, ou o liposan de Yarrowia lipolytica, constituÌdo por carboidratos e

proteÌnas (Nitschke & Pastore, 2002).

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Tabela 2.2 Classes de biossurfactantes e microrganismos envolvidos.

 

Tipo de Biossurfactante

 

Microrganismos

GlicolipÌdeos

   
 

RhamnolipÌdeos

 

Pseudomonas aeruginosa

SoforolipÌdeos

Torulopsis bombicola, T. apicola

TrehalolipÌdeos

Rhodococcus erythropolis, Mycobacterium

 

sp

LipopeptÌdeos e lipoproteÌnas

 
 

PeptÌdeo-lipÌdeo

Bacillus licheniformis

Viscosina

Pseudomonas fluorescens

Serrawetina

Serratia marcescens

Surfactina

Bacillus subtilis

Subtilisina

Bacillus subtilis

Gramicidina

Bacillus brevis

Polimixina

Bacillus polymyxa

£cidos

graxos,

lipÌdeos

neutros

e

fosfolipÌdeos

 
 

£cidos graxos

Corynebacterium lepus

LipÌdeos neutros

 

Nocardia erythropolis

FosfolipÌdeos

Thiobacillus thiooxidans

Surfactantes polimÈricos

 
 

Emulsan

Acinetobacter calcoaceticus

Biodispersan

Acinetobacter calcoaceticus

Liposan

Candida lipolytica

Carboidrato-lipideo-proteÌna

 

Pseudomonas fluorescens

Manana-lipÌdeo-proteÌna

 

Candida tropicalis

Surfactantes particulados

 

VesÌculas

Acinetobacter calcoaceticus

CÈlulas

Varias bactÈrias

Fonte: DESAI & BANAT, 1997 apud Nitschke, 2004.

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em Biotecnologia CapÌtulo 2 ñ Revis„o da Literatura Figura 2.1 Estrutura qu Ìmica de alguns biossurfactantes.

Figura 2.1 Estrutura quÌmica de alguns biossurfactantes.

Fonte: NITSCHKE & PASTORE, 2002.

Os surfactantes lipoprotÈicos s„o talvez os mais conhecidos por suas atividades

antibiÛticas, sendo melhor caracterizados aqueles produzidos por Bacillus sp, incluindo

surfactina,

iturina,

fengicina,

liquenisina,

micosubtilisina

e

bacilomicina.

Esse

tipo

de

composto se caracteriza pela existÍncia de peptÌdeos ligados a ·cidos graxos, sendo que a

porÁ„o

protÈica

da

molÈcula

pode

ser

neutra

ou

aniÙnica,

e

os

amino·cidos

est„o

frequentemente dispostos em uma estrutura cÌclica (Barros et al., 2007).

A surfactina È conhecida por ter excepcional atividade superficial, reduzindo a tens„o

superficial da ·gua (20 C) de 72 para 27 mN/m em concentraÁıes menores de 20 Ïmol/L,

alÈm de apresentar diversas funÁıes biolÛgicas e grande import‚ncia industrial, o que tem

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aumentado consideravelmente o interesse biotecnolÛgico em sua produÁ„o, alÈm de atrair

cada vez mais a atenÁ„o da ind˙stria farmacÍutica (Barros et al., 2007).

As

molÈculas

dos

dois

biossurfactantes

produzidos

neste

trabalho

podem

ser

visualizadas nas Figuras 2.2 e 2.3, que corresponde ‡ molÈcula de liposan produzida pela

Yarrowia lipolytica e a molÈcula de ramnolipÌdeo produzida pela Pseudomonas aeruginosa,

respectivamente.

produzida pela Pseudomonas aeruginosa , respectivamente. Figura 2.2. Estrutura qu Ìmica do liposan de FÛrmula

Figura 2.2. Estrutura quÌmica do liposan de FÛrmula Molecular (FM): C 8 H 14 O 2 S 2 Massa

Molecular (MM): 206,33 g/mol e nomenclatura IUPAC: 5-(dithiolan-3-il) ·cido pentanÛico.

nomenclatura IUPAC: 5-(dithiolan-3-il) ·cido pentanÛico. Figura 2.3. Estrutura qu Ìmica do ramnolipÌdeo de

Figura 2.3. Estrutura quÌmica do ramnolipÌdeo de FÛrmula Molecular (FM): C 32 H 58 O 13

Massa Molecular (MM): 650,80 g/mol e nomenclatura IUPAC: 3-[3-[4,5-dihidroxi-6-metil-3-

(3,4,5-trihidroxi-6-metiloxan-2-il)oxioxan-2-il]oxydecanoiloxi] ·cido decanÛico.

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Segundo Rosenberg & Ron (1999) os biossurfactantes podem ser classificados

conforme a sua massa molecular:

Alta Massa Molecular: Os glicolipÌdios que s„o mais conhecidos s„o formados

por carboidratos e ·cidos graxos alif·ticos cadeia longa e os lipopeptÌdeos.

Baixa

Massa

Molecular:

PolissacarÌdeos,

proteÌnas,

lipopolissacarÌdeos,

lipoproteÌnas ou mistura complexa desses biopolÌmeros.

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2.1.2 Propriedades e AplicaÁıes

O potencial de aplicaÁ„o de compostos de superfÌcie ativa, produzidos a partir de

microrganismos, È baseado nas propriedades de emulsificaÁ„o, separaÁ„o, umedecimento,

solubilizaÁ„o, inibiÁ„o de corros„o, reduÁ„o de viscosidade de lÌquidos e reduÁ„o da tens„o

superficial. Essas propriedades fornecem potencial de aplicaÁ„o nas ind˙strias de alimentos,

agrÌcola, construÁ„o, bebidas, papel, metal, tÍxtil, farmacÍutica, cosmÈtica e de petrÛleo.

(Nitschke & Pastore, 2002; Mulligan et al., 2001; Bognolo, 1999; Fiechter, 1992).

Uma propriedade de muitos biossurfactantes È a atividade antimicrobiana. Cameotra &

Makkar (2004) relatam que certos lipopeptÌdeos podem agir como subst‚ncias antivirais,

antibiÛticos,

agentes

antitumorais,

imunorreguladores,

toxinas

especÌficas

e

inibidores

enzim·ticos.

Outros

usos

mÈdicos

dos

biossurfactantes

incluem

o

papel

de

agentes

antiaderentes para patÛgenos, sendo ˙til para tratar muitas doenÁas, bem como uso terapÍutico

e prÛ-biÛtico (Singh & Cameotra, 2004).

Para Nitschke & Pastore (2002), o maior mercado para os biossurfactantes È a

ind˙stria petrolÌfera, onde s„o utilizados na produÁ„o de petrÛleo ou incorporados em

formulaÁıes de Ûleos lubrificantes. Outras aplicaÁıes incluem biorremediaÁ„o e dispers„o no

derramamento de Ûleos, remoÁ„o e mobilizaÁ„o de resÌduos de Ûleo em tanques de estocagem,

e a recuperaÁ„o melhorada de petrÛleo. PorÈm, atualmente, as aplicaÁıes se distribuem entre

os mais diversos setores industriais. A recuperaÁ„o melhorada do petrÛleo consiste em uma

tecnologia de recuperaÁ„o terci·ria do petrÛleo que utiliza microrganismos ou produtos de seu

metabolismo para a recuperaÁ„o de Ûleo residual.

O principal uso comercial dos biossurfactantes est· na biorremediaÁ„o, por causa de

sua capacidade em estabilizar emulsıes. Isto faz com que ocorra um aumento na solubilidade

e na

disponibilidade

de

contaminantes

hidrofÛbicos,

aumentando

o

potencial

para

biodegradaÁ„o. Um dos usos para os biossurfactantes que tem recebido constante atenÁ„o È

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conhecido

por

MEOR

(Microbial-Enhanced

Oil

Recovery),

cujo

processo

envolve

a

introduÁ„o de microrganismos em reservatÛrios de Ûleo cru para melhorar a extraÁ„o da borra

oleosa e recuperar fraÁıes de hidrocarbonetos. Este mÈtodo tambÈm est· sendo proposto e

testado em algumas partes do mundo, para combater a poluiÁ„o ambiental gerada por

derramamentos acidentais de Ûleo. Este processo previne a persistÍncia do Ûleo no ambiente,

sendo estes respons·veis pela depleÁ„o do oxigÍnio e intoxicaÁ„o da vida marinha. Acidentes

com petrÛleo tÍm sido muito frequentes, portanto tem-se nesta ·rea um vasto campo para a

aplicaÁ„o dos biossurfactantes (Dyke et al., 1991).

A ind˙stria petrolÌfera È o maior mercado para os biossurfactantes, onde s„o utilizados

diretamente na produÁ„o dos derivados do petrÛleo ou s„o incorporados nas formulaÁıes de

Ûleos lubrificantes (Dyke et al., 1991). Outro uso est· relacionado com o potencial de

recuperaÁ„o de derivados de petrÛleo na limpeza de tanques, preparo de misturas Ûleo-·lcool

para combustÌveis e dispers„o de Ûleos derramados em ecossistemas aqu·ticos (Lima, 1996).

Os biossurfactantes tambÈm podem ser empregados em uma sÈrie de aplicaÁıes

distintas, desde a estabilizaÁ„o de nanopartÌculas ao tratamento de queimaduras, como

exemplos Xie et al. (2006) mostraram como os ramnolipÌdeos podem ser utilizados para a

estabilizaÁ„o de nanopartÌculas de prata, evitando sua agregaÁ„o por interaÁıes eletrost·ticas.

Stipcevic et al. (2006) realizaram testes com ratos e as queimaduras foram tratadas com

soluÁ„o de ramnolipÌdeos a 0,1 % onde verificaram o fechamento dos ferimentos com 35 dias,

enquanto os que n„o foram tratados com os biossurfactantes ainda apresentavam ferimentos

abertos com mais de 35 dias.

Atualmente, muitas pesquisas est„o sendo desenvolvidas no sentido de aproveitar as

caracterÌsticas favor·veis dos agentes tensoativos de interagir com os fluidos, de maneira a

proporcionar melhores condiÁıes de deslocamento e, consequentemente, melhorar a produÁ„o

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de petrÛleo. Surfactantes quÌmicos ainda continuam sendo os compostos quÌmicos mais

usados nos processos de recuperaÁ„o avanÁada por injeÁ„o.

Liu et al. (2006) realizaram testes de emulsificaÁ„o, medidas de tens„o interfacial

Ûleo/·gua, e medidas de potencial zeta para estudar a sinergia entre ·lcalis e tensoativos a fim

de emulsionar Ûleo pesado em salmoura. Analisaram quatro tensoativos aniÙnicos ñ sulfato de

Èter alquila ñ (S1, S2, S3 e S4) e trÍs ·lcalis (Na 2 CO 3 , NaHCO 3 e NaOH) para o estudo de

emulsificaÁ„o do Ûleo na sal moura. O tensoativo S4 apresentou menor tens„o interfacial e o

·lcali Na 2 CO 3 apresentou melhor dispers„o na mistura. Eles concluÌram que o tensoativo

adicionado e produzido in situ da reaÁ„o de ·lcali e ·cidos do Ûleo resulta numa tens„o

interfacial din‚mica ultra-baixa e alto potencial zeta, possibilitando uma emulsificaÁ„o do

Ûleo sob perturbaÁıes interfaciais leves.

Somasundaran & Zhang (2006) estudaram a adsorÁ„o de tensoativos em minerais e o

efeito da molhabilidade. Utilizaram um tensoativo aniÙnico e alumina. ConcluÌram desse

trabalho que a composiÁ„o mineral da rocha-reservatÛrio, assim como a composiÁ„o dos

fluidos de reservatÛrio e condiÁıes do fluido injetado (salinidade, pH e temperatura), È de

fundamental import‚ncia na determinaÁ„o da interaÁ„o entre os minerais do reservatÛrio e os

reagentes externos adicionados e seus efeitos nas propriedades interfaciais sÛlido-lÌquido,

como carga de superfÌcie e molhabilidade. ConcluÌram tambÈm que algumas interaÁıes

podem causar precipitaÁ„o e mudanÁa na molhabilidade.

Curbelo (2006) estudou o comportamento da adsorÁ„o de tensoativos n„o-iÙnicos (B,

C, D e E) e iÙnicos (F, G e H) e seus efeitos na recuperaÁ„o avanÁada de petrÛleo. Foram

estudados alguns fatores, tais como: valor da CMC, concentraÁıes de tensoativos injetados,

eficiÍncia de varrido e de deslocamento, viscosidades das soluÁıes e temperatura de turbidez.

Os resultados mostraram que o tensoativo G, aniÙnico, obteve maior fraÁ„o de recuperaÁ„o,

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71%. J· o tensoativo H, catiÙnico, obteve o resultado menos satisfatÛrio, apresentando apenas

5,6% de ganho na recuperaÁ„o de petrÛleo.

Zhao et al. (2007) estudaram a tens„o interfacial din‚mica entre Ûleo cru e sistemas

tensoativos. Os sistemas tensoativos usados foram o Hex-MNS, Oct-MNS, Dec-MNS, Dodec-

MNS e o Tetradec-MNS, onde MNS representa o sulfato de hexil-metilnaftaleno. Com

exceÁ„o do Hex-MNS, os demais apresentaram diminuiÁ„o da interaÁ„o interfacial, e estas

soluÁıes

podem

reduzir

as

tensıes

interfaciais

a

valores

ultra-baixos

a

uma

vasta

concentraÁ„o de tensoativo e escalas de salinidade. Estes autores verificaram, tambÈm, que

existem sinergismo e antagonismo entre o tensoativo adicionado e o sal inorg‚nico. Para o

tensoativo com a parte lipofÌlica mais forte, predominou o sinergismo; enquanto que para o

tensoativo com parte lipofÌlica mais fraca, o status dominante era o antagonismo. Com o

aumento da salinidade, as concentraÁıes requeridas de tensoativo aumentam. Dentre os

tensoativos, o Tetradec-MNS mostrou-se mais eficaz na reduÁ„o da tens„o interfacial entre o

Ûleo e a ·gua sem ·lcali e os outros aditivos.

Paulino (2007) estudou a recuperaÁ„o avanÁada de petrÛleo utilizando um sistema

microemulsionado.

Pelos

par‚metros

analisados

determinou-se

microemulsıes

a

serem

submetidas ‡ etapa de recuperaÁ„o, com composiÁ„o: 25% de ·gua, 5% de querosene, 46,7%

de n-butanol como co-tensoativo e 23,3% de tensoativo BS ou SCO - tensoativos aniÙnicos.

Os plugs utilizados, arenitos das formaÁıes AÁu e Botucatu, foram avaliados em ensaios de

porosidade e permeabilidade, e posteriormente submetidos ‡s etapas de saturaÁ„o com ·gua

do mar e petrÛleo. Em seguida foi realizada uma recuperaÁ„o convencional, com ·gua do mar

e uma posterior recuperaÁ„o avanÁada, com as microemulsıes selecionadas. O arenito

Botucatu apresentou os melhores par‚metros fÌsicos para a recuperaÁ„o; a microemuls„o

composta pelo tensoativo BS foi a que obteve maior eficiÍncia de deslocamento 26,9%.

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Apesar dos surfactantes quÌmicos ainda serem mais aplicados e utilizados que os

biossurfactantes nas ind˙strias quÌmicas de forma geral, as pesquisas est„o caminhando para

uma invers„o do uso no futuro prÛximo pelas razıes j· discutidas neste trabalho.

Santa Anna et al. (2002) testaram a toxicidade do ramnolipÌdeo produzido por

Pseudomonas aeruginosa PA1 e compararam com a de um surfactante quimicamente

sintetizado. ConcluÌram que este surfactante quÌmico, com uma caracterÌstica aniÙnica

idÍntica a dos ramnolipÌdeos produzidos, apresentou toxicidade dez vezes maior que a do

biossurfactante produzido.

Noordman et al. (2002) determinaram a influÍncia de ramnolipÌdeos na degradaÁ„o de

hexadecano por uma cepa de Pseudomonas aeruginosa. ConcluÌram que a presenÁa do

biossurfactante aumentou

a assimilaÁ„o

deste substrato

pelas cÈlulas,

aumentando

sua

degradaÁ„o em um nÌvel superior quando comparado a qualquer outro surfactante sintetizado

quimicamente e utilizado neste trabalho nas mesmas concentraÁıes.

Investigando a remoÁ„o de petrÛleo de amostras de solo com o uso de ramnolipÌdeos e

de um surfactante sintÈtico (SDS ñ dodecil sulfato de sÛdio), Urum et al. (2004) observaram

que a remoÁ„o de petrÛleo das amostras usando os dois tipos de surfactantes foi considerada

dentro

da

mesma

faixa

de

reprodutibilidade

experimental.

Desta

forma,

os

autores

recomendaram o uso dos ramnolipÌdeos pelo fato de apresentarem maior biodegradabilidade e

menor toxicidade.

Nazina et al. (2007) estudaram o uso de processos biotecnolÛgicos atravÈs de ensaios

pilotos na recuperaÁ„o melhorada de petrÛleo em ·gua produzida no campo de petrÛleo de

Dagang na China. Injetaram no reservatÛrio de petrÛleo diferentes fontes de oxigÍnio numa

mistura de ·gua/ar contendo perÛxido de hidrogÍnio e sais de nitrogÍnio e fÛsforo resultando

no

aumento

de

bactÈrias

aerÛbicas

e

aneorÛbicas

acompanhado

da

produÁ„o

de

biossurfactantes e diminuiÁ„o da tens„o superficial da ·gua produzida.

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Wang et al. (2008) realizaram um experimento de campo para monitorar mudanÁas

nas bactÈrias exÛgenas e investigar a diversidade de bactÈrias nativas durante um teste de

campo de recuperaÁ„o melhorada de petrÛleo (MEOR). Em dois poÁos foram injetadas trÍs

linhagens exÛgenas e em seguida fechadas para permitir o crescimento microbiano e o seu

metabolismo. ApÛs um perÌodo de espera as bombas foram religadas e as amostras foram

coletadas. Analisando as populaÁıes destas amostras por desnaturaÁ„o de gradiente de gel de

eletroforese com PCR amplificado, os resultados mostraram que as cepas exÛgenas foram

recuperadas na ·gua produzida e cepas autÛctenes tambÈm puderam ser detectadas. ApÛs as

bombas serem religadas o rendimento mÈdio do petrÛleo aumentou de 1,58 para 4,52

toneladas por dia. Este trabalho apresentou uma estratÈgia bem sucedida para investigar que

as

mudanÁas

nos microrganismos

utilizados aumentaram

a

recuperaÁ„o

de

petrÛleo e

melhorou a viabilidade tÈcnica da tecnologia na recuperaÁ„o melhorada MEOR.

She et al. (2010) isolaram trÍs microrganismos bacterianos selvagens (XDS1, XDS2,

XDS3) a partir de um reservatÛrio de petrÛleo no campo petrolÌfero de Daqing (China) e

mostraram que os mesmos s„o capazes de produzir biossurfactantes e abaixar a tens„o

superficial e a viscosidade do Ûleo bruto, e ao mesmo tempo foram capazes de degradar

hidrocarbonetos em componentes mais leves melhorando suas caracterÌsticas de fluxo e

aumentando a recuperaÁ„o de Ûleo entre 4,89 a 6,96%.

Zhang et al. (2010) usaram uma tÈcnica de recuperaÁ„o terci·ria de petrÛleo (MEOR),

aplicado em um reservatÛrio de Ûleo no campo petrolÌfero de Daqing (China). O objetivo

deste estudo foi monitorar a sobrevivÍncia de injeÁ„o de bactÈrias e revelar a resposta das

comunidades microbianas em teste de campo para avaliar a aÁ„o microbiana atravÈs da

injeÁ„o de cepas selecionadas e diferentes nutrientes. Os resultados mostraram que o

reservatÛrio foi alvo f·cil de ativar as bactÈrias produtoras de biopolÌmero como se fosse um

ambiente de laboratÛrio.

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2.2 PRODU« O DE BIOSSURFACTANTES

Para Banat (1995) os processos de fermentaÁ„o, s„o, de forma geral e em sÌntese, uma

mistura de um selecionado microrganismo a um especÌfico substrato por certo tempo a uma

determinada temperatura e pH, para que o microrganismo em determinadas condiÁıes

degrade o substrato e se reproduza ‡ custa daquele, pelo uso das fontes de carbono e

nitrogÍnio em especial, chegando-se a um produto final ou a uma cultura iniciadora. A

convers„o microbiana pode ser uni ou multiest·gio e pode ser obtido um ou diversos produtos

finais, sendo o processo de separaÁ„o adotado o ponto chave.

Na produÁ„o de biossurfactantes a quantidade e a qualidade produzida pelas diversas

espÈcies de microrganismos s„o influenciadas tanto pela fonte de carbono quanto pelas

concentraÁıes de ferro, manganÍs e fÛsforo no meio, alÈm das condiÁıes de cultivo, como

pH, temperatura e agitaÁ„o.

Os par‚metros utilizados para medir a eficiÍncia dos biossurfactantes s„o: tens„o

superficial, tens„o interfacial, emulsificaÁ„o e concentraÁ„o micelar crÌtica (Desai & Banat,

1997).

Zhang & Miller (1995) apud Benincasa et al., (2004), relatam que a concentraÁ„o

necess·ria de biossurfactante para se atingir a CMC est· tipicamente entre 1 a 200 mg/L.

Estudos s„o realizados para definir a melhor relaÁ„o entre carbono, nitrogÍnio, fÛsforo e ferro

para se obter alta produÁ„o de ramnolipÌdeos.

ApÛs total consumo de nitrogÍnio no meio, o microrganismo dirige o seu metabolismo

celular para a produÁ„o de biossurfactantes que aumenta apÛs a fase exponencial de

crescimento (Benincasa et al., 2004).

Segundo

Fiechter (1992) para

serem competitivos no mercado,

a produÁ„o de