MAPEAMENTO DOS PERSONAGENS

LUCINDA, A MUCAMA

Lucinda – “Lucinda era aos doze aos de idade uma crioula quase mulher,
tendo tomado as formas que se modificam ao chegar a puberdade: um pouco
magra, de estatura regular, ligeira de movimentos, afetada sem excesso
condenável no andar, muito viva e alegre, gárrula e com pretensões a bom
gosto no vestir, com aparência de compostura decente nos modos, diligente e
satisfeita no trabalho, perspicaz, paciente, e mostrando-se desde o primeiro dia
amante de sua senhora, e ufanosa no seu mister de mucama, costurando
perfeitamente bem toa e qualquer roupa de senhora” (p. 161) “Lucinda a
mulher escrava e pervertida, sem educação zeladora dos costumes, e cuja
natureza, ainda mesmo que excelente pudesse ter sido, se acha desde muito
depravada pela ignomínia e pelas torpezas da escravidão. (p. 233)

Cândida – “Cândida era loura: seus finos cabelos caíam em anéis; tinha os
olhos azuis e belos e o olhar de suavidade cativadora; o rosto oval da cor da
magnólia com duas rosas a insinuarem-se nas faces, – um céu alvo com duas
auroras a romper; – a boca, ninho de mil graças, era pequena, os lábios quase
imperceptivelmente arqueados, lindíssimos, os dentes iguais, de justa
proporção e de esmalte puríssimo, o pescoço e o corpo com a gentileza própria
da sua idade, as mãos e os pés de perfeição e delicadeza maravilhosas.” (p.
87) “Ditosa, alegre, meiga, expansiva, Cândida nem uma só vez mesmo de
relance suspeitara ainda da ignorância que a conservava anjo;” (p. 91)

Joana, primeira ama-de-leite de Cândida - uma boa senhora, mulher pobre,
mas livre e de sãos costumes, que fora sua ama-de-leite e a idolatrava como
seus pais. (p.90)

Florêncio da Silva (Pai de Cândida) “Florêncio da Silva era um honrado,
inteligente e rico negociante da pequena cidade de...., da província do Rio de
Janeiro, e também um pouco agricultor por

distração e gosto. nos brincos de infância.. e com a herança futura que lhe caberia por morte de seus pais. o mais opulento fazendeiro e capitalista do lugar.esposa de Florêncio da Silva.]em toda parte tinham morado juntos. . e. porque cada um deles completava o outro. não haveria triunfo possível contra eles em lides eleitorais. tinham ambos fraternizado no leite materno. possuindo a meia légua da cidade. uma chácara esmeradamente tratada. mãe extremosa de Cândida e Liberato. no colégio de instrução secundária e no bacharelamento.. 86) Plácido Rodrigues – amigo íntimo do pai de Cândida e padrinho da mesma. Florêncio da Silva era ainda por isso mesmo poderosa e legítima influência eleitoral e política na sua comarca.” (p. onde comerciava. explorava o infeliz amor da pobre moça. e imoral e infame. (p 86) Leonídia . e ainda na Europa nas escolas agrícolas [. Bom. sendo o primeiro apenas alguns dias mais velho que o outro: amavam-se como os irmãos que se amam. explorava com o maior proveito a cultura do algodão. e entretendo numerosas relações no seu e nos vizinhos municípios. 187) ALFREDO SOUVANEL – Não amava Cândida. filho de Plácido Rodrigues – Liberato e Frederico tinham a mesma idade. e aí. irmão mais velho de Cândida E FREDERICO. LIBERATO. e era justo e útil que assim procedessem. e vivido inseparáveis. no berço. não esperava que Florêncio da Silva e Leonídia lhe desse de boa vontade a filha em casamento. afável e generoso. desde o princípio da guerra civil dos Estados Unidos da América do Norte. nenhum dos dois prescindia do outro. como sempre se observa e é força que assim seja. ou falsificados comícios da nação. porque sendo irmãos de criação e pela amizade mais estreita. se no Brasil não houvesse o poder mágico e despótico da polícia que faz da voz do povo eco obrigado e mísero da ordem ditada pelo governo aos falsos. comprara nas vizinhanças dela extensa situação. (p. cada um deles com os defeitos correspondentes às suas nobres qualidades. repartindo as sobras da riqueza que acumulava com os pobres que não eram vadios. Frederico era a razão. ambicionando enriquecer com o seu dote. Liberato era o entusiasmo. nos estudos da escola primária.

e generosidade.” (p.] No fundo do coração daquele pobre rapaz devia . e da esquerda deixava pender uma delgada corda de linho. louca porque lhe arrancaram dos braços dois filhos. largas espáduas. e descarnado. que ao muito parecia contar vinte e cinco anos.“O homem que assim falava era um pobre rapaz. Joana – uma mísera escrava. minha senhora.. que brandia. brutalmente. O rosto negro. suposto seu juvenil aspecto aljofarado de copioso suor. (p. e anelados. menores. seus olhos rasgados [.. 252) Feitor Antônio – um homem de cor parda. eu já me havia constituído então membro da sociedade abolicionista da nossa província. mais ainda assim persegui por seus implacáveis algozes. (p. uma escrava moribunda. 247) Senhor Tavares – senhor de escravos. 241) “Como não devem ignorar. porque era escravo.” (p. (p. (p. devia haver rasgos de amor. 244) A ESCRAVA Uma senhora – “pessoa distinta e bem colocada na sociedade. na mão direita um azorrague repugnante. 244) Aquele homem é um tigre. e os venderam para o sul.] E o mísero sofria. 259) ÚRSULA Túlio ..planejava impor-se marido por triste necessidade de reabilitação de uma vítima. seus membros alquebrados de cansaço. o mísero ligava-se à odiosa cadeia da escravidão [. e da do Rio de Janeiro. estatura elevada. (p. e que na franca expressão de sua fisionomia deixava adivinhar toda a nobreza de um coração bem formado. e agradável.. O sangue africano refervia-lhe nas veias. e a escravidão não lhe embrutecera a . Fisionomia sinistra era a desse homem. 248) Gabriel – sua fisionomia era franca. é uma fera. cabelos negros.

o capelão de Fernando P. Fosse pelo que fosse.” (p. 177.” (p. que era odiado. e cujo maior defeito era a afeição que tinha a todas as bebidas alcoolizadas. e temido de quantos o praticavam ou conheciam de nome.] minha mãe era uma santa e humilde mulher” (p. pungentes. e o amor. talvez mais por ostentação que por sentimentos religiosos. porque os sentimentos generosos. mas boa. A morte era-lhe suave. tinha em sua casa um capelão. permaneciam intactos. e puros como sua alma. 111) [. (p. 22 e 23) MÃE SUSANA – Mulher escrava. 225) Pai Antero . e negra como ele . e suas palavras refalsadas como o seu coração. que lhe torturavam de contínuo fizeram-no uma fera – um scelerato. e desesperado com essa luta terrível do coração com o orgulho: e esses desgostos íntimos. que ele próprio forjava. Ele tornara-se odioso e temido aos seus escravos: nunca fora benigno e generoso para com eles.. que era voz pública ser-lhe muito dedicado em consequência de altos favores feitos pelos pais de Fernando e sua família. que na mente abrasada de desesperação figurava-se-me sorrindo para mim com insultuoso escárnio..] “Sorria-se à borda da sepultura. porque o comendador era um homem detestável e rancoroso. 60)“mulher cheia de bondade e de virtude..” (p. 96) . porém o ódio. dizia-se muito amigo deste. que suas lágrimas eram encadeadas aleivosias.“Antero é um escravo velho. e o sacerdote parecia ser um santo varão. porque quebrava- lhe o martírio e as cadeias da masmorra infecta e horrenda.alma. 78) ADELAIDE – (prima da mãe de Tancredo) “só agora sei que essa mulher mentia. e isso causava a todos admiração. triste vítima.” (p.” (p.178) MÃE DE TANCREDO – “Meu pai era o tirano de sua mulher.. que Deus lhe implantou no coração. que lhe serviu de mãe enquanto lhe sorriu essa idade lisonjeira e feliz (p. porque tinha a consciência de que era inocente e bem aventurada do céu.69) “era um demônio de traições. 143) Padre Capelão de Fernando P – “O comendador. – “Fernando tinha vivido solitário.. o tinham embrutecido. que guardava a casa. e compassiva.” (p. chorava em silêncio e resignava-se com sublime brandura. 205) Comendador Fernando P. 88) LUISA B – (mãe de Úrsula) “porque em seu rosto estavam estampados os sofrimentos profundos.” (p. e tanto lhe afearam o moral.. e ela. e inexprimíveis da sua alma. [.” (p.

. Cumulou-me de desgostos e de aflições domésticas.” (p. e sacrificou minha fortuna em favor de suas loucas paixões. não soube compreender a grandeza de meu amor.. 102) LUGAR DE REBELIÃO: OS ESPAÇOS FICCIONAIS A VENDA A COZINHA A SENZALA . desrespeitou seus deveres conjugais.PAULO B – (pai de Úrsula) “Paulo B.

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