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FPF_OPE_O4_O0aS SEXTA CARTA (*) DAS RELACOES ENTRE A EDUCADORA E OS EDUCANDOS Passo a me centrar na andlse das relacdes entre educadora e educandos. Elas incluem a questo do ensino, da aprendizagem, do processo de conhecer- ensinaraprender, da autoridade, da liberdade, da leitura, da escrita, das vitudes da educadore, da identidade cultural dos educandos e do respelto devido a ela, Todas essas questdes se acham envolvidas nas relacées educadora-educandos. Considero 0 testemunho como um “discurso" coerente e permanente da educadora_progressista. Tentarei pensar o testemunho como a melhor maneira de chamar a atencéo do educando para a validade do que se propée, para 0 acerto do que se valora, para a firmeza na luta, na busca da superacéo das Gificuldades. A prética educativa em que inexiste a relagéo coerente entre o que a educadora diz e 0 que ela faz é, enquanto pratica educativa, um desastre. (0 que se pode esperar para a formacao dos ‘educandos de uma professora que protesta contra as restrices sua liberdade por parte da direcdo da escola, mas a0 mesmo tempo, cerceia a liberdade dos educandos, afrontosamente? Felizmente, no plano humano, nenhuma explicagao mecanicista elucida nada. Nao se pode afir- + Ext marco/1991, p, 752 Paulo Freire mar que os educandos de tal educadora se tor-nem necessariamente apaticos ou vivam em per-manente rebeligo. Mas, muito melhor seria para eles se semelhante descompasso entre o que se diz € 0 que se faz nao Ihes fosse imposto. E entre o testemunho de dizer e 0 de fazer, 0 mais forte € 0 do fazer porque este tem ou pode ter efeitos imediatos. O pior, porém, para a formaco do educando é que, diante da contradicao entre 0 fazer e dizer, 0 educando tende a no acreditar no que a educadora diz, Se, agora, ela afirma algo, ele espera a proxima acdo para detectar a proxima contradicéo, E isso corréi 0 perfil da educadora que ela mesma vai fazendo de sie revelando aos educandos. ‘As criangas tém uma sensibilidade enorme para perceber que a professora faz exatamente 0 contrério do que diz, 0 "faca 0 que eu digo e no 0 que eu faco" 6 uma tentativa quase va de remediar a contradicao € a incoeréncia, "Quase va" porque nem sempre o gue se diz e est sendo contraditado pelo que se faz € completa-mente esmagado. O que se diz tem, as vezes, uma tal forga em si mesma, que o defende da hipocrisia de quem, dizendo-o, faz 0 contrario. Mas, ‘exatamente, porque esta apenas sendo dito {do livro: *Professora SM! Tia‘ O Cartas ct quem ousa euslaar, do mesmo autor, Editora Otho D'Agua, silo Pavio, €€ no vivido, perde muito de sua forca. Quem v8 a incoeréncia em processo, bem que pode dizer-se a si mesmo: "Se esta coisa que est sendo pro-clamada mas, a0 mesmo tempo, téo fortemente negada na prética, fosse realmente boa, ela no seria apenas dita mas vivide*. Uma das coisas mais negativas nisto tudo é a eterioracio das relages entre educadora. educandos, E que dizer da professora que testemunha constantemente fraqueza, dubiedade, inseguranca, nas suas relagdes com os educandos? Que nao se assume jamais com autoridade na classe? Me lembro de mim mesmo, adolescente, e do quanto me fazia mal presenciar 0 desrespeito que um de nossos professores revelava de si préprio ao ser objeto de chacotas de grande parte dos alunos sem nenhuma condicio para impor a ordem. Sua aula era a segunda da manhé e ele j6 entrava vencido na sala onde a matvadez de alguns adolescentes 0 esperava para fustigé-lo, para maltraté-lo. Ao terminar o seu aremedo de aula, ele no podia dar as costas aos alunos e marchar para a porta. A vaia estrondosa cairia sobre ele, pesada e arestosa, e isto devia gelé-lo. No canto da sala onde me sentava via-o palido, diminuido, recuando até a porta. Abrindo-a répido, sumia envotto na sua insustentavel fraqueza. Nas minhas memérias de adolescente guar-do a figura daquele homem fraco, indefeso, pélido, que Carregava consigo 0 medo daqueles meninos que faziam da fraqueza dole um brinquedo junto com 0 medo de perder 0 emprego, no medo dos, meninos gerado, ae Enquanto assistia & runa de sua autoridade eu, gue sonhava com tomar-me professor, pro-metia a mim mesmo que jamais me entregaria assim 8 negaco de mim proprio. Nem 0 todo- poderosismo do professor autoritério, arrogante, cuja palavra é sempre a itima, nem a insequranca e a falta completa de presenca e de poder que aquele professor exbia Outro testemunho que néo deve faltar em nossas relagdes com os alunos € 0 da permanente isposi¢ao em favor da justia, da liberdade, do direito de ser. A nossa entrega & defesa dos mais fracos, submetidos & exploracio dos mais fortes. € importante, também, neste empenho de todos os dias, mostrar a0s alunos como hé boniteza na luta ética. Etica e estética se do as maos. No se diga, porém, que em reas de pobreza imensa, de caréncia profunda, essas coisas nao podem ser feitas. AS experiéncias que a professora Madalena F. Wetfort viveu pessoalmente durante trés anos numa favela de So Paulo, em que ela, mais do que em qualquer outro contexto, se tornou plenamente educadora e pedagoga, foram experiéncias em que isto foi possivel. Em tomo de suas experincias em contexto faltoso de tudo que nossa apreciacio € 0 nosso saber de classe consideram indispensaveis, mas farto de muitos outros elementos que nosso saber de classe menospreza, ela prepara um liv, Nele, certamente, contard e analisaré @ histéria de Carlinha de que, tendo falado em um texto (*) meu, a reproduzo agora. "Rondando a escola, perambulando pelas ruas da vila, seminua, sujo na cara, que escondia sua beleza, alvo de zombaria das outras criancas e dos ‘adultos também, vagava perdida e, 0 pior, perdida de simesma, uma espécie de menina de ninguém." Um dia, disse-me Madalena, a avd da menina 2 procurou pedindo que recebesse a neta na escola, dizendo também que no pode- (+) “attabetizacso como elemento de formacSo da cidadania". Canferéncia pronunciada em Brssilis em reuniéo patrocina-da pel UNESCO e pelo Ministério da Educacao— 1987 ria pagar a quota quase simbdlica estabelecida pela direcéo popular da escola. “N30 creio que haja problema com relacdo ao pagamento, Tenho, porém, uma exigéncia para poder ‘aceitar Carlinha: que me chegue aqui limpa, banho tomado, com um minimo de roupa. E gue venha assim todos os dias e no sé ama-nha", disse Madalena, & avé aceitou e prometeu que cumpriria. No dia seguinte Carlinha chegou 8 sala completamente _mudada. Limpa, cara bonita, feicées descobertas, confiante. ‘A limpeza, a cara livre das marcas do sujo, ssublinhavam sua presenca na sala. Carlinha, comecou a confiar nela mesma. A avd comecou a acreditar também ndo sé em Carlinha, mas_nela igualmente. Carlinha se descobriu; a avé se redescobriu. Uma apreciacSo ingénua diria que a intervenc3o da educadora teria sido pequeno-burguesa, elitsta, alienada — afinal, como exigit de uma crianca favelada que venha & escola de banho tomado? Madalena, na verdade, cumpriu o seu dever de educadora progressista. Sua intervencao possibilitou & crianga e & sua avé a conquista de um espaco — 0 de sua dignidade, no respeito dos outros. Amanha seré mais facil a Carlinha se reconhecer também como membro de uma classe toda, a trabalhadora, em busca de melhores dias, ‘Sem intervengo democratica do educador ou da educadora, no ha educagao progressista. ‘Assim como foi possivel a professora inter-vir nas questies ligadas a higiene do corpo que, por sua vez, se estendem & boniteza do corpo © 8 boniteza do mundo, de que resultou a descoberta de Carlinha a redescoberta da av6, nfo ha por que nao se possa intervir nos problemas a que antes me referia, » Creio que a questo fundamental diante de que devemos estar, educadoras e educadores, bastante licidos € cada vez mais competentes, & que nossas relacdes com os educandos s80 um dos caminhos de que dispomos para exercer nossa intervencéo na realidade a curto e a longo prazo, Neste sentido e néo 6 neste, mas em outros também, nossas relacdes com 0s educandos, exigindo nosso respeito a eles, demandam igualmente 0 nosso conhecimento das condicdes concretas de seu contexto, 0 qual os condiciona. Procurar conhecer a realidade em que vive nossos alunos é um dever que a pratica educati- va nos impée: sem isso no temos acesso & maneira como pensam, dificilmente entdo pode-mos perceber o ‘que sabem e como sabem, Minha convicgdo é que no hé temas ou valores de que nao se possa falar nesta ou naquela rea. De tudo podemos falar e sobre tudo podemos testemunhar. A linguagem que usamos para falar disto ou daquilo e a forma como testernunhamos se acharn, porém, atravessadas pelas condicées socials, culturais fe histdricas do contexto onde falamos testemunhamos. Vale dizer, esto condicionados pela cultura de classe, pela concretude daqueles com quem a quem falamos e testemunhamos, Enfatizemios a importéncia do testemunho de seriedade de dlisciplina no fazer as coisas, de disciplina 10 estudo, Testemunho no cuidado com 0 corpo, com a satide, Testerunto na honradez com que 0 educador realiza sua tarefa, Na esperanca com que luta por seus direitos, na persisténcia com que briga contra 0 arbitrio, As educadoras e os educadores deste pais tem muito 0 que ensinar, a0 lado dos conteddos, 20s meninos e meninas, néo importa a que classe ertencam, Tém muito 0 que ensinar pelo exemplo de com-bate em favor das mudangas fundamentais de que precisamos, de combete contra o autoritarismo ‘em favor da democracia, Nada disso é facil, mas isso tudo constitui uma das frentes da luta maior de transformagio profunda da sociedade brasileira, Os educadores progressistas precisam convencer-se de que nfo so puros ensinantes — isso no existe — puros especialistas da docéncia. Nés somos militantes politicos porque somos professores € professoras. Nossa tarefa nfo se esgota no ensino da matematica, da geografia, da sintaxe, da historia, Implicando a seriedade ¢ a competéncia com que ensinemos esses conteiidos, nossa tarefa exige 0 nosso compromisso € engajamento em favor da superagao das injustigas sociais. E necessério desmascarar a ideologia de um certo discurso neo-liberal, chamado as vezes de modernizante que, falando do tempo histérico atual, tenta convencer-nos de que a vida é assim mesmo. Os mais capazes organizam 0 mundo, produzem; os menos, sobrevivem (®). E que "essa conversa de sonho, de utopia, de mudanga radical" 86 faz atrapalhar a lubuta incanscrvel dos que realmente produzem. Deixemo-los trabalhar em paz sem os transtornos que noses discursos sonhadores Ihes causam e um dia se teré uma grande sobra a ser distribuida. Esse inaceitavel discurso contra a esperan- ‘ga, a utopia e o sonho € 0 que defende a preser- vagiio de uma sociedade como a nossa, que fun- ciona para um tergo de sua populagao, como se fosse possivel aguentar por muito tempo tamanho descompasso. O que me parece que 0 novo tempo nos coloca € a morte do sectarismo, mas a vida da radicalidade (**). As posturas sectirias"nas quais nos pretendemos senhores da verdade, que nto pode ser contestada, estas sim que ainda so tomadas em nome da democracia — tém cada vez menos a ver com um tempo novo. Neste sentido, os partidos progressistas no tém muito a escolher. Ou se recriam € se reinventam na radicalidade em torno de seus sonhos ow, entregues aos sectarismos eastradores, fenecem com seu corpo sufocado no figurino stalinista. Voltam a ser, ou nao deixam de ser, velhos par- tidos de esquerda, sem alma, fadados a morrer de frio. E € uma listima que esse risco exista, Voltemos as relagdes entre educadoras ¢ educandos. A forga e a importincia do testemu- ho da educadora como fator de formagao dos educandos. Da radicalidade com que atua, com que decide, mas o testemunho que se da, sem dificuldade de que pode e deve rever a posigaio que assumiu em face de novos elementos que a fizeram mudar. E sera to mais efieaz 0 seu tes- temunho quanto mais lucidamente, de forma objetiva, ela deixar claro aos educandos: 1, que mudar de posigao é legitimo 2. as razdes que a fizeram mudar. Nao estou pensando que educadores € educadoras devam ser santos, perfeitos. E exata- mente como seres humanos, com seus valores € suas falhas, que devem testemunhar sua luta pela seriedade, pela liberdade, pela criagiio da indis- pensavel disciplina de estudo de cujo processo deve fazer parte como auxiliares, pois que é tarefa dos educandos geré-la em si mesmos. Tnaugurado © processo testemunhal pelo educador, a pouco € pouco 05 educandos 0 vao assumindo também. Esta participagao efetiva dos educandos 6 sinal de que 0 testemunho da edu- cadora esté operando. & possivel, porém, que alguns educandos pretendam testar a educadora para se certificar de que ela € ou nao coerente. Seria um desastre se, neste caso, a edueadora reagisse mal a0 desafio, No fundo, « maioria dos, ‘educandos que a testam 0 fazem ansiosos para (7) Aeste propésito, ver Paulo Freire. Pedagogia da esperanca — Paz e Terra — 1992. ("»)A ‘este propésto, ver Paulo Freire, Peéagogia do oprimido — Paz e Tera. ue ela nao os decepcione. 0 que eles querem & que ela confirme que é verdadeira, Ao testé-la, ndo estdo querendo seu fracasso. Mas ha também os que rovocam porque querem o fracas-so do educador. Um dos equivacos da educadora, gerado no seu ssentimento de auto-estima exorbitante que a faz pouco humilde, seria sentir-se ferida pela conduta dos educandos, por néo admitir que ninguém possa duvidar dela Humildemente, pelo contrario, € bom admitir {que somos todos seres humanos, por isso, inacabados, Nao somos perfeitos e infaliveis. Me lembro de experiéncia que tive, recém- cchegado do exilio, numa turma de estudantes de pis: ‘graduacdo da PUC de Séo Paulo. No primeiro dia de aula, falando de como via o proceso de nossos encontros, me referi a como gostaria de que fossem abertos, democraticos, livres. Encontros em que exercéssemos o direito & nossa curiosidade, o direito de perguntar, de discordar, de crticar. Uma estudante, em tom agressivo, disse: jostaria de seguir o curso atentamente, nao faltarei a enhum encontro, para ver se 0 didlogo de que o professor falava seré mesmo vivido." Quando ela terminou, fiz um breve comentério fem tomo do aireita que Ine assistia de duvidar de mim, bem como 0 de expressar publica-mente a sua divida. A mim me cabia 0 dever de provar, ao longo do semestre, que era coerente com o meu discurso. Na verdade, a jovem senhora jamais faltou a nenhum encontro. Participou de todos, revelou suas posicdes autoritérias que deviam embasar sua repulsa a meu passado e a meu presente *nti-governo militar. Nunca nos apraximamos, mas rnantivemos unl clima de 11161110 respeito até o fim No caso dela, 0 que realmente ihe movia 0 nimo é que eu me desdissesse no primeiro dia. E eu no me desdisse, € que no me ofendo se me poem & prova. No me sinto infalivel. Me sei inconcluso. O que me irrita é a deslealdade. E a critica infundada. € a falta de ética nas acusacbes. Em suma, as relacdes entre educadores e educandos so complexas, fundamentals, aifice's, sobre que devemos pensar constantemente, Que bom seria, alids, se tentdssemos criar 0 habito de avalié-las ou de nos avaliar nelas enquanto educadores & educandos também, Que bom seria, na verdade, se trabalhdssemos, metodicamente, com os educandos, a cada par de dias, durante algum tempo que dedicarfamos & andlise critica de nossa linguagern, de nossa pratica Aprenderiamos e ensinarfamos juntos um instrumento indispensével ao ato de estudar: 0 registro dos fatos e fo que 2 eles se prende. A prética de registrar nos leva 2 observar, comparar, selecionar, estabelecer relacies entre fatos © coisas. Educadora e educandos se obrigariam, diariamente, a anotar os momentos que mais os haviam desafiado positiva ou negativamente ‘durante o intervalo de um encontro ao outro. Estou convencido, aliés, de que tal experiéncia formadora poderia ser feita, com nivel de exigéncia adequado idade das criancas, entre aquelas que ainda ndo escrevem. Pedir-Ihes que falassem de como estéo sentindo 0 endamento de seus dias na escola thes possibilitaria engajar-se numa prética de educacdo dos sentidos. Exigiria delas a atencSo, a abservacio, a selecdo de fatos. Com isso desenvolveriamos também sua oralidade que, guardando em si 2 etapa seguinte, a da escrita, jamais dela se deve dicotomizar. A-crianca que, em condicées pessoais normais, jira € aquela que escreve, Sendo escreve, toma-se proibida de fazé-lo e, 56 em casos excepcio- 3 nais, impossibilitada. Quando Secretario Municipal de Educacio de So Paulo vivi uma experiéncia de que jamais esquecerei. Em duas escolas municipais, durante duas horas, conversei com cinquenta alunos de 5? série numa tarde e com quarenta no dia seguinte. A tematica central dos encontros era como os adolescentes viam sua escola e que escola eles e elas gostariam de ter. Como se viam e como viam as professoras, Assim que comecamos os trabalhos, no primeiro encontro, um dos adolescentes me indagou: "Paulo, 0 que vocé acha de uma professora que pde um aluno de é, "cheirando" a parede, mesmo que ele tivesse feito uma coisa errada, como reconheco que fez?". Respond: 'Acho que a professora errou" "Que é que vocé faria se encontrasse uma professora fazendo isso?" “Espero — disse eu — que vocé e seus colegas no suponham que eu devesse fazer 0 mesmo com a professora. isto seria um absurdo que jamais cometeria, Convidaria 2 professora para comparecer_no dia seguinte a meu gabinete, juntamente com a diretora da escola, com a coordenadora pedagégica e com alguém mais responsével pela formacéo permanente das pro: fessoras. Em minha conversa com ela Ihe pediria que me provasse que seu comportamento era correto, pedagogicamente, clentificamente, humanamente © politicamente. Caso ela no con- seguisse provar — 0 que seria 0 ébvio — fara entéo um apelo, ouvindo antes a diretora da escola sobre sua ‘piniao em torno da professora faltosa, no sentido de que nao repetisse seu erro." "Muito bem. Mas, e se ela repetisse o mesmo procedimento?", disse 0 garoto. "Neste caso pediria & assessoria juridica da Secretaria que estudasse o caminho legal para punir a professora, Aplicaria rigorosamente a lei", respond). © gtupo todo entendeu e eu percebi que aqueles adolescentes no pretendiam um clima licencioso, mas recusavam radicaimente 0 arbitri. Queriam relagdes democréticas, de respeito mituo. Se: recusavam & obediéncia cega, imposta pelo poder sem limites do autoritério, rejeitavam a irresponsabilidade do espontaneismo, Possivelmente alguns deles vieram as ruas, recentemente, com suas caras pintadas gritando que vale a pena sonhar. No dia seguinte, com 0 outro grupo, ouvi um comentario de uma adolescente inquieta e numa linguagem bem articulada: "Eu queria uma escola, Paulo, que no fosse parecida com minha mae. Uma escola que acreditasse mais nos mocos e que n3o pensasse que uma porgéo de gente anda a espera da gente s6 para fazer mal.” Foram quatro horas, com noventa adolescentes que reforcaram em mim a alegria de viver e o direito de sonhar, Nossos agradecimentos & Feira Olho d'agua pela concesséo cio artigo e especialmente ao educador Paulo Freire, pela devide autorizacao,

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