Psicologia: Teoria e Pesquisa

Out-Dez 2015, Vol. 31 n. 4, pp. 519-527 http://dx.doi.org/10.1590/0102-37722015042370519527

Valores do Terapeuta na Clínica Analítico-Comportamental1,2
João Paulo Watrin3
Silvia Canaan
Universidade Federal do Pará

RESUMO - Desde os anos 1950, tem se constatado que, em alguma medida, os valores do terapeuta se fazem presentes na
psicoterapia, podendo, inclusive, influenciar os valores dos clientes. Embora apresente uma concepção de valores diferente
das tradicionais, a terapia analítico-comportamental não é uma exceção. Este trabalho busca esclarecer como os valores do
terapeuta podem se manifestar na clínica analítico-comportamental, sejam esses valores pessoais ou compartilhados com
alguma cultura (e.g., sociedade em geral, Psicologia, Análise do Comportamento). Para tanto, mostra-se como o conceito de
valor tem sido abordado na Análise do Comportamento e o que possibilita a manifestação dos valores do terapeuta na clínica
analítico-comportamental. Por fim, discutem-se brevemente algumas implicações do tema para a prática clínica.

Palavras-chave: psicologia clínica, análise do comportamento, terapia analítico-comportamental, valores, ética

Therapists’ Values in Behavior-Analytic Therapy
ABSTRACT - Since the 1950s, it has been argued that, to some extent, therapists do not remain value-free in psychotherapy
and may even influence clients’ values. Behavior-analytic therapy is no exception to this rule, even though its concept of
values differs from traditional views. This work demonstrates how therapists can reveal their values during behavior-analytic
therapy, whether these values are personal or shared with a particular culture (e.g., society as a whole, psychology, behavior
analysis). To this purpose, it reviews how values have been conceptualized in behavior analysis and discusses what makes it
possible for therapists to disclose their values during behavior-analytic therapy. At the end, some implications of this issue
for clinical practice are briefly discussed.

Keywords: clinical psychology, behavior analysis, behavior-analytic therapy, values, ethics

Na Psicologia Clínica, o papel dos valores do terapeuta exige que o terapeuta se comporte, é perfeitamente possível
tem despertado grande interesse desde os anos 1950. Já que os valores do terapeuta analítico-comportamental se
naquela época, Rosenthal (1955) acreditava ser possível manifestem durante o processo psicoterápico. Tal como
que “o terapeuta comunique seus valores para o paciente qualquer outro indivíduo, o terapeuta age a partir de uma
de várias maneiras, sutilmente e sem intenção, ainda que história comportamental única, da qual fazem parte valores
tentando evitar fazer isso” (p. 436). Meehl (1959), por sua pessoais. Ao mesmo tempo, ele é parte de uma história
vez, considerava que os clientes “também têm um terceiro cultural, estando exposto aos valores de diferentes culturas.
ouvido” (p. 256), capaz de identificar quando o terapeuta Sendo assim, esse profissional pode vir a reproduzir na clínica
transmite valores pessoais. Desde então, diversos trabalhos tanto valores pessoais quanto valores culturais.
sobre esse tema têm concordado que o terapeuta manifesta Por outro lado, esse assunto ainda é pouco discutido na
valores no processo psicoterápico, podendo, inclusive, literatura analítico-comportamental. Mesmo nos trabalhos
influenciar os valores dos clientes (e.g., Kelly, 1990; Tjeltveit, que aludem ao tema, as discussões sobre os valores do
1986; Weisskopf-Joelson, 1980). cliente costumam sobrepujar as poucas menções aos valores
Nesse contexto, é bastante improvável que a clínica do terapeuta (ver, e.g., Bonow & Folette, 2009; Hayes et
analítico-comportamental seja uma exceção. De fato, al., 2012; Leigland, 2005; Plumb et al., 2009; Wilson &
a Análise do Comportamento diverge das concepções DuFrene, 2009; ver, porém, Vandenberghe, 2008). Além
tradicionais de valores, na medida em que ela os define disso, para usar as palavras de Marçal (2005), “não se sabe,
como um fenômeno estritamente comportamental (e.g., na prática, até que ponto os terapeutas têm o hábito de se
Abib, 2001; Baum, 2006; Bonow & Follette, 2009; Dittrich questionar acerca de onde querem chegar na terapia ou por
& Abib, 2004; Hayes, Strosahl, & Wilson, 2012; Leigland, que escolheram determinados caminhos” (p. 243). Com isso,
2005; Plumb, Stewart, Dahl, & Lundgren, 2009; Skinner, ficam em aberto questões sobre os interesses em jogo na
1953/1965, 1971, 1974; Tsai, Kohlenberg, Bolling, & Terry, terapia e sobre a própria função social da clínica da Análise
2009; Wilson & DuFrene, 2009). No entanto, se valores são do Comportamento (a esse respeito, ver também Bogo &
um fenômeno comportamental e se conduzir uma terapia Laurenti, 2012; Dittrich & Abib, 2004; Holland, 1978).
Esse quadro pode se dever à carência de trabalhos que
1 Este trabalho reproduz parte do Trabalho de Conclusão de Curso do
primeiro autor, orientado pela segunda autora e defendido na Univer-
sensibilizem os analistas do comportamento para a própria
sidade Federal do Pará em 2013. possibilidade de esses valores se manifestarem na clínica
2 Os autores agradecem as críticas e sugestões de Aécio Borba, Cézar e repercutirem sobre o processo psicoterápico. Em uma
Quaresma e Rosângela Darwich às primeiras versões deste trabalho tentativa de contribuir para esse debate, o presente artigo
3 Endereço para correspondência: Travessa Vileta, 688/409, Belém, PA, discute como é possível que os valores do terapeuta se
Brasil. CEP: 66.087-422. E-mail: jpwatrin@yahoo.com.br manifestem na clínica analítico-comportamental, sejam esses

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p. 2009.g. Como cada natureza comportamental (e. Ruiz & Roche. portanto. Hayes que é “bom” para um indivíduo pode não ser “bom” para et al. 1957). 1971. Skinner. valores fazem referência àquilo que é errado na medida em que ele é aversivo” (Skinner. 1981). 2012. um juízo de valor pode diferente da visão de muitos analistas do comportamento. a tradicional diferença ontológica entre fatos e valores estímulos consequentes que aumentam a probabilidade de o (Leigland. 1981). Plumb et al. em seguida. outro (Skinner. Com isso. 1974. 2001. o termo “valor” se refere. 2005. 1953/1965. isto é. o próprio comportamento do indivíduo pode prática clínica. Brasília. 2005. É nesses sentidos. o conceito de valor é Dessa forma. Com isso. porém..g. Embora indivíduo ou mesmo de um grupo e estabelece uma distinção tratando apenas de consequências imediatas. ver ainda definições” (Skinner. Por ideia skinneriana de sobrevivência das culturas como um fim. 1953/1965. 1974). comportamento que os produziu ocorrer de novo. seriam reforçadas pelo grupo. julgado como aceitável ou como inaceitável por um indivíduo p. Baum. Dizer que uma ação é “boa” ou “má” é.g. brevemente algumas implicações dessa questão para a Além disso. Essa classificação surge.. definidos pela diferença as ocorrências do comportamento considerado correto entre o desejável e o indesejável. essa do errado seriam punidas. Para tanto. Wilson & DuFrene. ela não é muito Assim. entre o “bom” e o “mau”. Na perspectiva skinneriana. que o juízo de valor em si é um comportamento verbal (e. portanto. o Bonow & Follette. esta seção aborda os 1998). 105). Skinner. 1974).. 1971. a que aspectos das relações comportamentais (Skinner.. 1974. 324. um estímulo na literatura da análise do comportamento. Catania. de “certo” ou de “errado”. 2009) para discutir o tema dos remoção reforça respostas de fuga e de esquiva (cf. portanto. São. valores do terapeuta. 1971. Tomada nesse sentido amplo. 1957. evitando as tradicionais referências a entidades como um estímulo antecedente verbal que indica as relações mentais ou à “essência” de um indivíduo. Rokeach. não está imune aos valores do terapeuta e se discutem 2004. isto é. Out-Dez 2015. ao passo que as ocorrências entre o “certo” e o “errado”. 1974. 2009. 324). Esses estímulos verbais constituem as regras. Nesse contexto.. Tsai et al. Do mesmo modo. se referir tanto ao comportamento quanto às consequências Não por acaso. Psicologia. podem ser tomadas como objetos de valor (ver. ver Baum. 1953/1965. lado. valores como mais um fato a ser explicado. 31 n. 2001. A 104). Nesse sentido. a divergência começa quando a análise do que pode ser mantida ou enfraquecida pelas consequências comportamento concebe os valores como um fenômeno de fornecidas pelos ouvintes (Skinner. Além disso. Baum (2006) reconhece que “os analistas desse comportamento. ver ainda Skinner. esses rótulos podem servir ao ouvinte seu ambiente. o que o indivíduo 1953/1965. abandonando “as coisas boas são reforçadores positivos” (p. de “certo” ou de “errado”. na medida em que as parecem divergir ao identificar os componentes do conceito “boas” ações são geralmente reforçadas e as “más”. É por envolver chamando alguma coisa de boa ou de ruim é classificá-la em comportamentos observáveis que essa perspectiva toma os termos de seus efeitos reforçadores” (p. indivíduo possui uma história de reforçamento diferente. ver também Baum. a concepção skinneriana enfatiza o papel geralmente associado às consequências do comportamento das consequências na determinação dos valores de um (e.g. 519-527 . e o comportamento governado por elas Valores na Perspectiva Skinneriana é geralmente associado à questão dos valores (a esse respeito. 2007). Dittrich & Abib. 1953/1965. 103). embora “as práticas correntes do concepção de valores tem sido adotada tanto no senso comum grupo possam não ser completamente consistentes com essas quanto na psicologia em geral (e. Skinner. pp. 4. indicar ao ouvinte as prováveis consequências do comportamento “bom” ou “ruim”. esta discussão se dividirá em duas seções. (p.. Ainda que com variações. punidas de valor. 1971). Chamar um ato ou um objeto de “bom” ou de “ruim”. A partir daí. 2006. e Pesq. 1953/1965. considera “bom” ou “ruim” não é necessariamente o que o 2009). eles entre respostas e consequências.: Teor. reduz a seção parte de uma concepção analítico-comportamental de probabilidade de ocorrência da resposta que o produziu e cuja valores (Bonow & Folette. isto é. 1974. Abib. focalizando o que as pessoas fazem e dizem sobre coisas e Skinner. vir a ser chamado de “bom” ou de “ruim”. 253). atividades que são chamadas boas e más ou certas e erradas” 2006). em que “o comportamento do indivíduo A Noção de Valores na Análise do Comportamento é geralmente chamado de bom ou de correto na medida em que ele reforça outros membros do grupo e de ruim ou de De um modo geral.. que as consequências determinantes dos valores do terapeuta para. Leigland. Por outro lado. 1990). Ainda assim. Vol. os analistas do comportamento buscam grupo chama de “bom” ou de “ruim” (ver ainda Skinner. é uma resposta verbal do falante No entanto. sobretudo. Kelly. Skinner entre juízos de valor (componentes verbais) e objetos de valor (1971) chega mesmo a afirmar que “fazer um juízo de valor (componentes não necessariamente verbais). 2009. 1971. Já a segunda consequente que. é preciso considerar comportamentais abordam questões relativas a valores. abordar valores em termos de relações entre um indivíduo e 1981).. argumenta-se que a terapia analítico-comportamental valor mantido a longo prazo em Abib. Dittrich & Abib. Skinner (1971) identifica as coisas ruins com primeira apresenta uma breve revisão do conceito de valor o que se chama de estímulo aversivo. no contexto de controle pelo grupo. 1973. JP Watrin & S Canaan valores pessoais ou compartilhados com alguma cultura (e. Análise do Comportamento). ou por um grupo. a esclarecer o processo de manifestação deles na clínica. ao menos temporariamente. 1969. 2004. 1971. 2006.g. Por outro 520 Psic. somos reforçados quando fugimos delas ou as evitamos” (p. na perspectiva skinneriana. Ruiz & Roche. 2007). as coisas ruins “são todas reforçadores negativos.. e nós sociedade em geral.

privação.. Ainda assim. por integrar todas as anteriores. que diz respeito aos comportamentos delas é a encontrada na literatura da Terapia de Aceitação recorrentes que um indivíduo apresenta. Uma ação de valor (valuing). Esse autor parte da ideia – tal como se verifica em muitos códigos morais ou mesmo skinneriana de consequência como valor para associá-la ao legais (e. O caráter estritamente funcional dessas dos padrões comportamentais a ele relacionados. APA. Ressalte- deve envolver controle aversivo . do que ele relata sobre esses comportamentos. esse autor recorre à mesma concepção de regras utilizada na definição da ACT. e Pesq. estímulos arbitrários. ele deve ser livremente escolhido no sentido de que não tanto componentes verbais quanto não verbais. Como muitos valores Valores do Terapeuta Analítico-Comportamental surgem em interações verbais complexas.g. a ACT parte do princípio de que algumas funções values). saciação) até os processos O conceito skinneriano de valor. 4. No entanto. Catania. Conselho Federal de Psicologia. No entanto. as propriamente ditas. Os três componentes estão central em uma rede da qual fazem parte outros estímulos intimamente relacionados e mudanças em um podem hierarquicamente relacionados a ele. um indicativo comportamento e na Teoria dos Quadros Relacionais (Hayes do que o indivíduo valoriza. O “motivação” verbalmente estabelecida para o agir. apesar das divergências. que dizem respeito a tornou possível a concepção da ACT de valores enquanto dois tipos de comportamentos verbais sobre valores. Leigland é razoável afirmar que a terapia analítico-comportamental (2005) não só preserva o conceito de consequência como não está imune aos valores desse profissional. que se referem às consequências que mantêm um psicológicas são estabelecidas por padrões de responder comportamento e que podem ser afetadas por operações relacional arbitrário. 2009). Wilson & DuFrene. 1998). um mérito mas tão somente abstraído ou ativamente construído a partir e uma fraqueza. 2005. 2012. 2009).& efetividade de uma consequência. 2001).e. funcionais os estímulos consequentes que. Out-Dez 2015. estabelecedoras. comportamentais de valores é. portanto. a se à formulação de regras que: (a) descrevem relações entre ACT define o agir baseado em valores como uma espécie de ações de valor e valores funcionais. a qual será adotada neste trabalho skinneriana (e. Leigland (2005). Engajar-se em ACT). não há diferença de ênfase entre os aspectos verbal vir a adquirir uma função reforçadora para o ouvinte. pp. mais concretos (e. 1982). Por seu papel no controle Hayes. São. e não os valores em si. 2012). “soberania nacional”) até outros De um modo geral. 519-527 521 . Ainda alteram a efetividade de uma consequência como reforçadora assim. Barnes-Holmes. porém mais ampla que a da ACT.. 1998... Já o segundo tipo refere- al. ou (b) modificam a comportamento governado por regras (cf. na definição de Bonow e Follette consequências das ações descritas como “patrióticas” podem (2009). devessem ser complementadas por descrições topográficas é a proposta por Leigland (2005). podem ser tomados como valores prévio ou direto (ver Hayes. O segundo componente. Gifford. não foi verbais complexos. ainda que reconheça a relação destes que falham em diferenciar valores de meras preferências com componentes não verbais. Para trabalho. “patriótico”. Por estar embasada na Teoria dos Quadros seu turno. Hayes. desde estímulos acarretar mudanças nos demais. No diversos autores da Análise do Comportamento concordam entanto. independentemente e Compromisso (Acceptance and Commitment Therapy.g. ou mesmo de quaisquer outros comportamentos e talvez Uma definição similar.. O primeiro deles é a criadas a partir de conceitos analítico-comportamentais. o único desenvolvido na Análise do Comportamento. Nessa concepção. por exemplo. 2001. essas regras seriam as prescrições si próprio que acredita no “patriotismo” enquanto valor. quando.g. há autores que aparentemente aderiram à perspectiva Bonow e Follette (2009). sem necessidade de condicionamento estabelecedoras. Esta seção Psic. elogios). que a abrangência das definições analítico- reforçamento negativo.. 2009. consequências) são uma função.. Não pode ser atingido nem realizado. Dittrich & Abib. porém. Baum.. novas definições foram definidos em termos de três componentes. alguém diz a do comportamento. Plumb et comportamentos e consequências.: Teor. Assim. verifica-se que. mas também considera todos os tipos de operações Comportamento estabelecedoras como determinantes dos valores – desde as incondicionadas (e. & Roche.. a noção de valores da ACT enfatiza o papel dos tipos de valores. Em outras palavras. permitindo que estímulos relacionados dinheiro. Já o terceiro componente são os valores entre si controlem uma mesma resposta. portanto. por punição ou por se. podem emergir redes de relações entre têm controlado o comportamento de uma pessoa (e.. Valores do Terapeuta Analítico-Comportamental Outras Concepções de Valores na Análise do valor.. Abib. abstratos (e. 2006. Dessa definições as torna amplas o suficiente para abarcar diversos forma.g. primeiro refere-se ao ato de qualificar ações de valor e enquanto estímulos verbais que alteram a efetividade de um valores funcionais. Vol. 2010). de operações que American Psychological Association. os juízos de valor sobre reforçador ou de um punidor (Hayes et al. Assim. Assim. 31 n. ao contrário da ACT. Se valores são um fenômeno comportamental e se já que essas regras seriam uma variante verbal das operações conduzir uma terapia exige que o terapeuta se comporte. portanto. CFP. Brasília. Com Há ainda uma definição mais abrangente proposta por efeito..g. elas chegam a ser tão amplas componentes verbais. por et al. valores são 2004. Essa perspectiva declarados (statements of values). Com isso. um modelo clínico fundamentado na análise do uma atividade e não em outra seria. por outro lado.g. Michael. conceito de operação estabelecedora.isto é. “ausência de estrangeiros no país”). isto é. são os chamados valores funcionais (functional Relacionais. Isso (valores declarados) e não necessariamente verbal (ações acontece porque o estímulo “patriotismo” ocupa um papel de valor e valores funcionais). para que um determinado estímulo verbal seja um que valores são um fenômeno comportamental que envolve valor. Tsai et al. a um só tempo. a análise dessas limitações está fora do escopo deste ou como punidora (cf. isto é. as operações estabelecedoras são as variáveis das quais os valores (i. historicamente.

1953/1965. (b) em que medida o comportamento dele é governado deles na clínica. pelo menos. Comportamento são. quando é o caso. a história analítico-comportamental é também membro de diferentes do terapeuta que possibilita tanto a construção dos valores culturas. ou supor possíveis pontos em comum em suas histórias para se seja. aproximadamente. reproduzindo as práticas ou seguindo as regras nela presentes (cf. 4. Nesse uma maneira de o grupo exercer controle sobre o indivíduo. 1953/1965. ver também imposições morais. Skinner. o terapeuta possui Sociedade em geral.. Deve-se ressaltar.g. Portanto. Para o terapeuta diz (valores declarados) e faz (ações de valor e tanto. “pecaminoso” mais imediatos (e. Tal como qualquer outro indivíduo. Hayes et al. como parte deles). existem aquelas culturas com as quais o podem ser influenciados por fatores filogenéticos. 2006..g. 1974). uma vez da Psicologia e. ao longo da qual se sociedade e não está. 1971. 31 n. isso se reflete em classificações como “certo” e indivíduo com diversos ambientes de sua vida – desde os “errado”. os valores do terapeuta são produto do contato desse Via de regra. o terapeuta pode ou não (cf. 1974).g. comportamento (valores funcionais) e o que ele relata sobre História cultural do terapeuta comportamentos e consequências (valores declarados) são questões que podem ser respondidas pela história de contato Por outro lado. algumas das mais prováveis História individual do terapeuta fontes de valores culturais para o terapeuta analítico- comportamental. Cada cultura. é possível terapeuta sejam influenciados pelos valores da cultura. que podem ser consideradas valores culturais Como cada terapeuta possui uma história e um repertório (ver também Baum. quais as consequências que mantêm o seu (e. prática e regras) de um de Skinner (1981. tradicionais. 2005. O que o terapeuta faz bem como os processos comportamentais a eles relacionados (ações de valor). 1953/1965. Bonow-Follette. 519-527 . Skinner. se possa. os comportamentos do terapeuta podem vir a reproduzir discutir os determinantes dos valores desses profissionais.. portanto. Nesse contexto. nem todos os terapeutas aderem necessariamente enquanto membro de diferentes culturas (história cultural do aos mesmos valores em uma dada cultura. sociedade em e. da Análise que elas podem se constituir como – ou derivar de – estímulos do Comportamento. por regras (cf. Bonow & Folette. amigos) até as culturas mais e “virtuoso” ou até mesmo “normal” e “patológico” (ver.. 382. como tomadas como valores (ou. correspondência entre dizer e fazer). uma vez que “geralmente o terapeuta é valor sobre comportamentos ou consequências. Isso implica também considerar a experiência clínica costumam aparecer informalmente na forma de juízos de desse profissional. 1971). o termo valor refere-se a padrões Comportamental comportamentais característicos do terapeuta. Skinner. é preciso reconhecer que o terapeuta do terapeuta com diversos ambientes. Sendo assim. Quando também reforçado pelo seu sucesso em aliviar o sofrimento esses juízos são formalizados como normas. A Nesse contexto. podem se considerar dois níveis de análise história cultural do terapeuta diz respeito. explicar o processo de manifestação 2009). por sua vez. Afinal. mandamentos ou de seus pacientes” (Skinner. do ponto de vista individual. Como indivíduo. Determinantes dos Valores do Terapeuta Analítico. ver ainda Leigland. 2006. 1971. Skinner. história individual determina até que ponto cada terapeuta aos níveis ontogenético e cultural do modelo selecionista reproduzirá ou não os valores (i. Esses conceitos geral). É. profissão. únicos. “bom” e “mau”. é essa história que agir de acordo com práticas e regras comuns na sociedade 522 Psic. Baum. em contato. práticas e regras comuns em um determinado grupo. abordam-se os determinantes desses valores para que valores funcionais) em relação a valores (cf. em última análise. portanto. que descrevem a relação tradicional entre comportamentos Sendo assim.. Com isso. e (c) até que ponto ele adere aos valores de uma cultura. 1998). pois essa consequenciação é e/ou adquiriram suas funções ao longo do tempo.e.g. é razoável supor que os valores do compartilhados por todos os terapeutas. Skinner. É essa história presentes. Psicologia e Análise do reforçadores ou aversivos incondicionados. Esses padrões são construídos ao longo de uma história muito particular e A partir do momento em que valores são tomados como envolvem componentes verbais (valores declarados) e não comportamentos. imune aos valores nela constrói o seu repertório particular de valores. aos seus interdependentes: a história do terapeuta enquanto indivíduo valores compartilhados com uma ou mais comunidades. ele é também membro da comunidade elas têm. 1971). 1971. eles geralmente tomam a forma de regras Skinner. esse profissional está invariavelmente que mostra como suas ações de valor. possui práticas e regras desse profissional quanto a manifestação deles na terapia. 1974. não há como dizer de antemão quais valores são 1981). No (história individual do terapeuta) e a história do terapeuta entanto. “legal” e “ilegal”. ver ainda do terapeuta podem ser encontrados em sua história individual Skinner. amplas das quais ele faz parte (e. Sociedade. pela terapeuta analítico-comportamental necessariamente entra história evolutiva da espécie (Baum. 2006. pp.. 1974). em um nível mais restrito. portanto. explicar os valores do terapeuta é olhar necessariamente verbais (ações de valor e valores funcionais). Como profissional – e. portanto. Out-Dez 2015. para a sua história comportamental. e Pesq. uma origem filogenética. em seguida. Esses níveis correspondem. 1971). Além disso. uma vez que a terapeuta). No entanto. Brasília. ele é parte da sociedade em 2009. JP Watrin & S Canaan discute o que torna possível a manifestação dos valores do pode esclarecer: (a) se existe correspondência entre o que terapeuta na clínica da Análise do Comportamento. no entanto. seus valores funcionais exposto à forma como essa sociedade reforça ou pune e seus valores declarados se estabeleceram no seu repertório determinados comportamentos.: Teor. se as consequências podem ser que vive. determinado grupo. sentido. familiares. O terapeuta é membro de uma uma história comportamental única. pesquisador –. isto é. pode-se dizer que os valores mais pessoais e consequências naquela sociedade (Baum. 1971. que valores também Ainda assim. 2006). Vol. p.

: Teor. Baer. Pode também vir a mesmo de a terapia começar. Esse contato pode se dar pelos caso. casos em difundidos ou partilhados do que outros. pode ainda assim. o futuro terapeuta entra em contato tanto com Na verdade. Hayes. as colocações e perguntas sobre o assunto investigado mesmos meios utilizados durante a formação em Psicologia. compartilhados entre os membros da área. Nesses contextos. a necessidade de se respeitar o sigilo (CFP. 2005. no processo psicoterápico. políticas.g. A escolha punições que podem vir a ameaçar a própria possibilidade dos tópicos a serem abordados. Um terapeuta comportamental.. já configuram ações de valor do terapeuta. aspecto da história do cliente. ver comportamentos. Para se tornar um terapeuta analítico. pedofilia. Além disso. Nesse contexto. 9). No entanto. o futuro terapeuta é incompatível com os valores desse profissional. uma vez que capacitado pessoal. práticas de pesquisa. uma vez que o terapeuta deve “assumir responsabilidades por exemplo. Já em analítico-comportamental está exposto a práticas e regras um encontro inicial. 2010). item [b]. com a aceitação ou recusa de um participar de eventos e associações científicos e profissionais. por exemplo. O próprio direcionamento que o terapeuta dá 2º. o contato com o seu arsenal técnico e metodológico (ver.. Comunidade científica e profissional da Psicologia. Valores do Terapeuta Analítico-Comportamental em que ele vive. p. privilegiar a investigação de um assunto. p. Ainda que alguns analistas do comportamento busquem A Manifestação dos Valores do Terapeuta na Clínica afirmar sua independência em relação aos psicólogos (e. 1978). Art. por exemplo.g. como a ênfase forma. Com isso. Embora não seja possível especificar de antemão é razoável supor que a comunidade científica e profissional que valores são esses. 2010). Com isso. Já a valorização do exemplo. regulam o comportamento profissional. que manifestam os valores desse profissional. indicando que isto é. comportamento reproduza também valores pessoais ou Todos esses valores acabam por se fazer presentes nas mesmo os valores compartilhados com alguma outra cultura. aderir aos valores da Análise do Comportamento. religiosas. Reproduzir investigação do terapeuta analítico-comportamental sejam as práticas e regras comuns nessas dimensões seria. 31 n.. na clínica. da profissão. Wolf & Risley. alguns valores podem ser mais amplamente as consequências que ele próprio gera ao agir. potencial cliente. pela literatura da área. mas nada impede que esse punição durante o processo terapêutico (Skinner. 2005. como a audiência não do comportamento podem transparecer no comportamento punitiva. quer ele se dê conta. perguntas são feitas e a ênfase dada a certos aspectos da fala Comunidade científica e profissional da Análise do do cliente são apenas algumas dimensões da fala do terapeuta Comportamento. Brasília. de Quando a terapia se inicia. que. É a história medida em que eles próprios caracterizam a clínica analítico- individual que vai indicar a probabilidade de isso acontecer comportamental. item [b]. tendo o terapeuta do momento em que passa a exercer a profissão. profissionais somente por atividades para as quais esteja 2005. portanto. Psicologia. esse profissional pode alegar também APA. morais. por professores adeptos da esse profissional valoriza investigar especificamente esse perspectiva. 519-527 523 .g. e Pesq. antes. filosóficas. que estabelece uma série de normas que uma incapacidade pessoal para se responsabilizar pelo caso. A ênfase nas consequências. Um terapeuta pode. é possível que os valores mais visíveis na e. pode-se dizer.g. por que o terapeuta procura identificá-las. os valores do terapeuta podem orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito. 8). Art.. Fraley & Vargas. se recusar bem como pode vir a desenvolver práticas de pesquisa e/ou de a atender uma pessoa porque o perfil desse possível cliente estágio supervisionado. entre outros. Skinner. na Psic. a forma como colocações e de exercício da profissão de terapeuta. teórica e tecnicamente [itálico o psicólogo é proibido de “induzir [o cliente] a convicções acrescentado]” (CFP. segundo a qual o terapeuta deve evitar fazer uso da investigativo do terapeuta. 1953/1965. Skinner. por exemplo. da postura antimentalista – a tentativa de evitar a reforçamento positivo pode se manifestar quando o terapeuta explicação do comportamento por processos ou entidades busca investigar as possíveis fontes de reforçamento na vida mentais (e. a reproduzi-las em seu comportamento. pode. fica claro como os valores da análise especificamente à prática clínica. Art. ideológicas. Com isso. 1953/1965). 1986). de certa os da própria Análise do Comportamento. é evidente que um psicólogo precisa. quer não. 1974). práticas do terapeuta da Análise do Comportamento. 2005. o terapeuta aprendido também a evitar as pessoas que praticam esses é regido pelo código de ética do psicólogo (CFP. Out-Dez 2015. as histórias individual e cultural que Psicologia para exercer a profissão de psicoterapeuta no determinarão os valores que cada terapeuta poderá manifestar Brasil (Ministério do Trabalho e Emprego. É o caso. 1971. Nesse da Análise do Comportamento. no papel das consequências e a valorização do controle Embora nem todos esses valores sejam igualmente por reforçamento positivo (cf. analítico-comportamental. quando se manifestar virtualmente em qualquer prática característica do exercício de suas funções profissionais” (CFP. pela sua centralidade na perspectiva da transparecer em casos em que o cliente não costuma relatar abordagem. a partir estupro. Vol. violência doméstica). O descumprimento dessas normas implica ao diálogo já pode revelar alguns de seus valores. 1974). a própria interação entre terapeuta e de psicólogos seja uma fonte de valores para o terapeuta cliente já é condição suficiente para evocar ações de valor. esses valores podem se fazer presentes antes professores quanto com a literatura da área. 1968. 4. Outros valores dizem respeito do cliente. 9º) ou mesmo os valores dos clientes. Essas regras incluem. Já as falas do cliente evocadas a adesão à perspectiva analítico-comportamental implica o pelo terapeuta acabam por servir como valores funcionais uso dos sistemas conceitual e filosófico da área. pp. Ao longo de sua formação em valores funcionais ou valores declarados. 1º. bem como para o comportamento investigativo desse profissional.. entrar em contato com a comunidade científica e profissional como uma área de vida ou um evento específico. o cliente pode relatar comportamentos comuns na comunidade da Psicologia e pode ser reforçado que o terapeuta aprendeu a julgar como “ruins” (e. é necessária a formação em São.

Kohlenberg e terapeuta pode manifestar a chamada “ética terapêutica”. questão é deixada nas entrelinhas da terapia. o cliente passou ou cliente. decorrer a cargo do terapeuta (Kohlenberg & Tsai. 1986. Psychotherapy. por exemplo. 2012). (2009). e. na literatura da 524 Psic. como afirmam os mesmos autores. e o terapeuta pode optar por fazer uma lado. o que seria um primeiro passo para valores desse profissional. certamente. clínico que ocorrem ao longo da terapia podem. de “conversão de valores” (e.. e a clínica analítico- o caso. valores na terapia. Tsai et al. Hayes et al. nos moldes da ACT. 2012). pode os comportamentos clinicamente relevantes que expressam o não corresponder ao que o terapeuta considera problemático problema (CRB1) e os que expressam a melhora (CRB2) do e levar os dois a conceberem diferentes estratégias de cliente. a forma como o terapeuta direciona o diálogo cliente. ambiente) e os ou sexista. ele adere aos valores da Análise do Comportamento pode. Kelly. muito bem. 1980). Tjeltveit. ser construído com o cliente. Isso é particularmente visível em modelos como convergências e divergências de valores entre terapeuta e a Psicoterapia Analítico-Funcional (Functional Analytic cliente podem repercutir em pontos fundamentais da terapia. Nesse contexto. (Kohlenberg. enquanto o terapeuta manifestam valores desse profissional. Out-Dez 2015. buscar internas.g. um terapeuta pode. na terapia. essa questão se torna mais explícita quando julgamento pode.. há uma distinção clara entre O que o cliente chama de “problema”. As avaliações de progresso 1990. profissional. sendo chamada de “convergência” ou. Tsai. Por outro lado. o valores desse profissional. 37). avaliação do terapeuta pode diferir significativamente do ou melhor. do terapeuta. 2008).. Ruiz & Roche. comportamentos). Kelly. da garantia de sigilo. do terapeuta que alerta o não a apresentar um comportamento verbal que reproduz o cliente para o fato de que uma vida social mais ativa pode comportamento verbal do terapeuta.. & Dougher. essa diferença de julgamentos pode três possibilidades de esse tipo de manifestação acontecer. Em segundo lugar. Weisskopf-Joelson. incluindo os próprios aumentar a resistência à depressão. com a qual o comportamental não seria exceção. 1955. cliente está longe da neutralidade. trabalhar com o inverso pode acontecer quando o terapeuta acaba punindo cliente a aceitação desses sentimentos indesejáveis em vez os comportamentos do cliente que não condizem com os de buscar modificá-los. por exemplo. terapeuta indica que a privacidade do cliente será respeitada. mais ou menos explicitamente. ver ainda do fato de que o terapeuta apresenta valores diferentes dos Vandenberghe. se dê conta disso (Kohlenberg & Tsai.. 1959. dificilmente se deixa claro quem determina o o que. e Pesq. os do cliente é o aspecto da terapia em que os valores Portanto. inadvertidamente. Trata- do terapeuta. 2007). Em alguma medida. de ações de valor e valores funcionais. poderia não ser esperado “desejável” e o “indesejável”. No entanto. o cliente pode ser solicitado a fazer ele próprio uma questão que tem sido discutida. (2009) indicam Bonow e Follette (2009). relações entre respostas e consequências é também possível que essa diferença decorra do fato de identificadas pela Ciência e que podem vir a serviço do que. portanto. ele pode atribuir o problema somente a sentimentos reproduzir certos valores pessoais ou mesmo valores indesejáveis e pedir ajuda ao terapeuta para se livrar deles culturais no comportamento do cliente. É certo.g. atribuir o problema às relações de controle existentes do cliente que são compatíveis com uma cultura racista entre o contexto em que o cliente vive (i. também a avaliação da melhora de cada pejorativamente. Não por acaso. Na FAP. 4. do cliente (ver também Bogo & Laurenti.: Teor.. e a definição desses comportamentos fica geralmente enfrentamento. No entanto. de forma mais ou menos sutil e ainda que não sentimentos do cliente (i. que essa determinação seja negociada entre terapeuta e Assim. 2007). é possível pelo cliente. Se. Esse Comportamento. segundo Tsai et al. relacionadas a valores culturais presentes que é “desejável” ou “indesejável”. Rosenthal.g. “fatos terapêuticos”. Pode ser terapeuta [itálico acrescentado]” (p. se dever à habilidade do terapeuta para identificar “sinais de Em primeiro lugar. Se o cliente Assim. 2007. mas que não são busca complementar ou discutir o juízo que ele. pp. 1990). No entanto. Já um terapeuta que o terapeuta adere a valores de cunho racista ou sexista. 31 n. portanto. a avaliação do problema não está livre dos valores desse profissional mais podem se fazer evidentes. a partir do momento em que essa clínico pode manifestar. JP Watrin & S Canaan Esses são casos de verbalizações do terapeuta que avaliação de seu percurso na terapia. quando No entanto. 1993). de fato. estão implícitos valores sobre o estão. enquanto propriamente verbalizações sobre os valores do terapeuta. sobretudo. uma terceira possibilidade é que o terapeuta se fala em comportamentos “desejáveis” e “indesejáveis” manifeste seus próprios valores pessoais ao longo da terapia. Especificamente na Análise do ser tomadas como um juízo de valor do terapeuta. Por outro juízo do cliente. por exemplo. o que poderia repercutir diretamente sobre os se de uma das questões mais debatidas na literatura sobre objetivos da terapia. o bem-estar (cf. 519-527 . Vol. ao possuir esse poder de definir o desejável e o vive em uma sociedade que valoriza a crença em causas indesejável. Tsai (2007) admitem que “toda forma de psicoterapia parece falas que descrevem os padrões éticos da profissão e que ensinar o cliente a dar explicações que são aceitáveis para o podem contribuir para o bem-estar do cliente.. sobre o que traz ou reduz na profissão e são esperadas pela maioria dos clientes. por pode acabar reforçando naturalmente os comportamentos sua vez. Nesse os próprios valores do cliente são o foco da terapia. que. e. Por outro lado. É o caso. uma caso.e. nas práticas de qualquer terapeuta As verbalizações de fatos terapêuticos e da ética terapêutica analítico-comportamental. Meehl. a Trata-se. o terapeuta pode verbalizar os chamados melhora”. que o cliente começasse a buscar experiências que deem Essa possibilidade de os valores do terapeuta influenciarem sentido à sua própria vida (ver. de uma manifestação implícita de valores. ao longo do processo terapêutico. é possível que tanto os seus valores pessoais quanto aqueles valores o desejável e o indesejável fiquem inconscientemente a cargo compartilhados com uma dada cultura. Brasília. A partir daí. por exemplo. Essa divergência pode. Também o o terapeuta poderia. faz do progresso do cliente.e. Como indicam alguns de seus valores declarados. FAP). portanto. o terapeuta também pode manifestar explicitamente avaliação unilateral (ver.

31 n. 2010. Brasília. as mudanças de qualquer espécie de valores por parte do terapeuta. Ainda que esses valores precisem ser repensados. bem como a aparência de seu consultório. É certo que a ética profissional proíbe. manifestando valores pessoais e culturais. a manifestação dos valores do terapeuta é o comportamento do terapeuta (Kohlenberg & Tsai. muito embora. sejam esses valores pessoais ou compartilhados relação terapêutica. Wilson não verbal do terapeuta. 2005. Plumb et al. A presença dos valores do terapeuta com alguma cultura (e. 1974). é que. Se a no comportamento do cliente acarretam uma mudança de clínica fosse neutra. e Pesq. análise puramente formal.. com os valores do paciente. desenvolver uma consciência comportamento verbal do terapeuta.g. o cliente pode se comportar cliente. 1976). 2009. Plumb et al. 519-527 525 . 2009). ao longo da terapia.. Esse desequilíbrio não é necessariamente do cliente são o foco da terapia. mas tão somente para & DuFrene. que os valores do cliente uma reflexão rogeriana poderiam. nada impede que eventuais ruim. 2009. 2008). Por vezes. Com isso. que atitudes como a subserviência. ao longo da terapia. fazendo com do terapeuta (ver também Epling & Woodward. este trabalho necessariamente enviesam a terapia de forma negativa. No entanto.. 2012. e. na clínica analítico-comportamental não significa que eles Psicologia. como invariavelmente. a mera existência dessa possibilidade analítico-comportamental não está imune aos valores do não significa que ela seja um fato em toda e qualquer terapeuta. É comum pensar aqui apresentada. 2009). no assim. livre parecem concordar que. de comunicam valores. 2009. Ele fala e age de um esclarecer o conteúdo axiológico de qualquer terapia determinado lugar. uma vez que a clínica de seus próprios valores. mas permite que um mesmo profissional possa tanto mudanças ocorram na direção dos valores do terapeuta.: Teor. terapeuta expresse tanto valores pessoais quanto culturais. que não tem. Plumb et graças à sua formação científica e profissional. por parte do terapeuta (Bonow & Follette. portanto.g. “a aparência e as roupas & DuFrene. Considerações Finais a ideia de que a terapia ajuda pode mascarar um processo que mantém o cliente a serviço do terapeuta em vez do contrário. de maneiras que reforçam o comportamento do terapeuta de em uma terapia.. os valores do terapeuta e os por exemplo. p. não é “comum” estaria imunizado contra qualquer tipo de viés? porque um terapeuta consegue viver bem com alguns valores Só o fato de um cliente chegar à terapia em situação de que estes valores se tornam apropriados para um determinado sofrimento já estabelece um desequilíbrio de poder entre cliente. 1990. Ao se manifestarem. como pagante estão entre as causas do problema que ele relata. pp. ou melhor. p. 2007). a partir do instante em que os valores terapeuta e cliente. et al. Por isso mesmo. admiração. Out-Dez 2015. O tudo indica. nada impede estar atento à possível incompatibilidade deles com os valores que esses valores transpareçam também no comportamento do cliente. APA. O que despeito das prescrições da literatura ou da ética profissional. Pela análise ver também Skinner. Até mesmo um reservado ‘mhm’ ou forma mais ou menos explícita. Em todo caso. 2012. terapeuta reagirá ao cliente. problemas tratados em uma relação terapêutica particular” masculinidade ou feminilidade do cliente podem funcionar (Kelly.. Para estabelecida.g. o terapeuta al.. para todas aquelas terapias que caminham não Leigland. do que controlará Dessa forma. cliente ou para terceiros (ver. Essa postura. Ainda assim. 462). como valores funcionais para o comportamento do terapeuta.. 1953/1965. Esta discussão constitui uma conta em toda e qualquer prática psicoterápica. A discussão aqui apresentada argumentou que a terapia No entanto. Como afirmam Bonow e Follette (2009). CFP. dependendo do momento. Bonow & Follette. 1993). 2002. sofram qualquer tipo de influência. é possível que. 1980. não há como possa ser influenciada pelos valores desse profissional. Vol. bem como deve verbal (Kohlenberg et al. como já foi visto. Wilson para uma mudança na vida do cliente. Ainda garantir que eles venham necessariamente a serviço do assim. o terapeuta precisa. portanto. Hayes et al.g. “o papel dos valores parece variar de acordo explorar o próprio cliente. O terapeuta é. quer não. exceto nos casos em sugerir ao cliente o que o terapeuta vê como importante” que esses valores possam trazer prejuízos para o próprio (Weisskopf-Joelson. vai acontecer exatamente dependerá da forma como o quer o terapeuta se dê conta disso.. Análise do Comportamento.. analítico-comportamental em particular. do terapeuta. diversos autores da análise do comportamento comportamental está longe de ser uma prática neutra. fruto de uma história. Hayes et al. 2005). Sociedade em geral). Ao que do terapeuta (ver também Kohlenberg & Tsai. os valores e a forma como eles se manifestam terapeuta e os seus respectivos valores são o contexto para variam não só de profissional para profissional. 2009). não significa que deva haver imposição de valores só são questionáveis no caso do “mau terapeuta”? Será que. o que terapeutas estão sob o controle da “melhora” do cliente. Vandenberghe. seria justo pensar que os valores desse profissional entanto. Esse esforço do terapeuta pelo autoconhecimento Psic. ser também de acordo com a própria relação terapêutica incluídos nela (Bolling. antes. na relação terapêutica. 2009. os próprios valores do cliente a manutenção do cliente enquanto tal – isto é. O que se pode pensar.. se o terapeuta estiver sob o controle desses aspectos do comportamento do cliente. mas variam que a análise funcional ocorra e devem. de uma forma geral. 4. 2009. como reforçadores e... 2009. ver ainda Bonow & Follette. Valores do Terapeuta Analítico-Comportamental ACT (e. 2007. 184). Assim. Em outras palavras.. Tsai do terapeuta. por isso mesmo. No entanto. Tsai et al. não haveria espaço para terapias a serviço valores (e. o conhecimento do cliente que se constrói esta discussão não tem como apontar quais valores o terapeuta ao longo de uma terapia não é construído independentemente efetivamente manifesta ao longo de uma terapia. 2009. o que fica claro é que a terapia analítico- No entanto. a avaliação dessa melhora de forma implícita ou explícita. Em todo caso. eles transparecem mais no tanto. garantida pela própria estrutura de uma terapia. a ajudar quanto prejudicar um determinado cliente. Deve aprender a discriminar quais da Análise do Comportamento é uma prática essencialmente são seus valores e quando eles se manifestam. Ela não esgota as possibilidades de reflexão ou mesmo de significa sim que a figura do terapeuta deve ser levada em investigação sobre o tema. Kohlenberg e Tsai (2007) afirmam.

2009. & Roche. B. 14. Dahl. (2001). 17. 1. (1986). 12. E. cabe ao próprio 482-484. Teoria moral de Skinner e desenvolvimento Kohlenberg. 2. Leigland. M. terapeuta buscar reconhecer quais valores ele coloca em Fraley. Essa Hayes. 69-84. (1955). Skinner. sua prática clínica. seja na figura de um colega. 2007. Vandenberghe. 2009. 85-103.. Vol.The humano.. & Wilson. psychologists and code of conduct . Classificação brasileira cultura e evolução (2ª ed. C. C. (2006). J. (1978). (1978). Santo motivational functions of stimuli. 956-971. & Hayes. 271-282. Research and representation: A conundrum Behavior Analyst.. (2007). Catania. T. Verbal behavior.. M. Science and human behavior. (1990). 32. Trans. 71-79. F.. D. A. Conselho Federal de Psicologia (2005). 2. Learning (4ª ed. J. J. Nova York: Free Press. F. R. Tourinho.. (2012). Wolf. C. 9. 431-436. Livro 1). & Abib. 149-155. Vol. & Risley. um espaço privilegiado para se repensar a própria The Behavior Analyst. portanto. P. D. 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JP Watrin & S Canaan é eticamente necessário e perfeitamente factível. 37. of meaning: Values in modern clinical behavior analysis. 28. A. DC: American Psychological Association.. The Bolling. 6. J. & Woodward. In M.). (1968). (1959). T. W. for behavior analysts. M. & Laurenti. (1993). ver também Banaco. comunidade de terapeutas.. B. Ethical principles of 16. (2007). 25-33. O sistema ético skinneriano e quando esse profissional pode contar com o auxílio da própria consequências para a prática dos analistas do comportamento. 30. A. M. Behavior and Social Issues. Compreender o behaviorismo: comportamento. Stewart. Plumb. (1973). Upper Saddle River. Separate disciplines: The jogo na relação terapêutica. do terapeuta 2: experiências de vida. Banaco. 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Behavior Analyst.The Behavior Analyst. A. Brasília. Tsai et al. (2009). um passo que já language and cognition. C. C. M. 107-117. T. Silva. A. Baum.. mas sim reconhecer que a pessoa do terapeuta e o mundo em Kelly. the therapeutic handling of religious and valuational material. sobretudo Dittrich. (1993). Weisskopf-Joelson. Distinguishing between discriminative and comportamento e cognição (2ª ed. Clinical Psychology Review. Ruiz.The Washington. Strosahl. 2001). Nova York: Bonow. (2002). J. G. & Tsai.. Acceptance mesmo ingenuidade) de se pensar o terapeuta ou a terapia and commitment therapy: The process and practice of mindful como neutros ou imparciais.Variables of which values are a function. T. The Rosenthal. Rokeach. (1976). J. (Trabalho original publicado em 1953) 526 Psic. S. Some current Marçal. A reflexão sobre esse tema constitui. valores do terapeuta se manifestarem. solution? Journal of Applied Behavior Analysis. R. Journal of Counseling Psychology. 21. Hall. Baer. 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Mindfulness for two: An acceptance and commitment therapy approach to mindfulness in psychotherapy. e Pesq. C. B. 199-212). Valores do Terapeuta Analítico-Comportamental Skinner. courage. 4.03. Skinner.2015 n Psic.. R.). & Terry. Vol. Oakland: New Harbinger.. Bolling. Contingencies of reinforcement: A theoretical Tjeltveit.2014 Primeira decisão editorial em 21. 515-537.. 67-79. Indianapolis: influence on client values. M. Out-Dez 2015. Science.: Teor. 519-527 527 .. (1986). Kohlenberg. Brasília. 459-466. C.. Nova York: Appleton-Century-Crofts. E. Values: The enfant terrible of psychotherapy. (2009). Hackett Publishing. 213. W. (pp. F. Culture-sensitive functional analytic psychotherapy.02. Psychotherapy: Theory.02. Tsai. (1974). A. Callaghan 501-504. M. 17. J. 6. Vandenberghe. Values in therapy and Green FAP. J. B. J. psychotherapy: Appropriate and inappropriate therapist Skinner. Nova York: Vintage Tsai. Follete. Selection by consequences. T. Books. C. B. The Behavior Analyst. Kohlenberg. (1981).03. B. (1969). Clinical Psychology Review. Recebido em 08. (2008). love and behaviorism. Weisskopf-Joelson. Wilson.. The ethics of value conversion in analysis. R. (1971). F. A guide to functional analytic psychotherapy: Awareness. (1980). M. F. In M. W.&DuFrene. Y.2015 Versão final em 03. K. & G. 31. B. L. Kohlenberg. pp. Beyond freedom and dignity. Nova York: Springer.2015 Aceito em 04. Research and Practice. (Eds. 31 n. Skinner. About behaviorism. (2009). Kanter. F.

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