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Artigo de Pesquisa

“A VISÃO DOS DOCENTES SOBRE O BRINCAR DE FORMA
COOPERATIVO E SUA INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO
DA CRIANÇA”

Autores:

Tatiana Fernandes Vieira, Discente do Curso de Pós Graduação em Gestão Escolar,
Centro Universitário Adventista de São Paulo - UNASP.
e-mail: tathyfv10@hotmail.com

Eunice Barros Ferreira Bertoso, Pedagoga, psicóloga, psicopedagoga, mestre,
docente, orientadora, UNASP/SP.
e-mail: eunice.bertoso@ucb.org.br

A elaboração deste artigo está de acordo com as orientações propostas para sua
publicação: REVISTA ESPAÇO ACADÊMICA: Submissões Online

social. Esse estudo permitiu ter uma visão de que o professor mesmo com formação inicial ou permanente sobre as brincadeiras cooperativas precisa verificar a importância de trabalhar nesse aspecto. as quais foram respondidas por 16 professores. which were answered by 16 teachers. psíquico. Nas outras 3 questões que se tratavam de autonomia. apresenta a discussão dos resultados adquiridos em uma pesquisa realizada com docentes atuantes na Educação Infantil. Applied a questionnaire of 10 questions. formação. Cooperativas. moral. Verificando o processo e suas dificuldades ao utilizá-lo. Checking the process and its difficulties to use it. psychological. moral. 2 A VISÃO DOS DOCENTES SOBRE O BRINCAR DE FORMA COOPERATIVO E SUA INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO DA CRIANÇA Resumo O artigo proposto. identity and the ethical. social . tendo como objetivo investigar a importância das brincadeiras cooperativas no processo de desenvolvimento da criança. Sendo que 94% que melhora os aspectos psicológicos.chave: Educação Infantil. In the other 3 issues that they were autonomy. E que 87% dizem que o brincar de forma cooperativa influencia na formação da identidade. Aplicou-se um questionário de 10 questões. quais são suas contribuições na aquisição do desenvolvimento ético. Durante as etapas desse artigo foram abordados vários pontos importantes relacionados ao uso do brincar de forma cooperativa no processo de formação da criança. social e emocionais os resultados. Palavras. Para 94% dos participantes a autonomia pode ser estimulada pelo brincar cooperativo e somente 6% discordam. Brincadeiras. atingiram outras totalidades. and to investigate the importance of cooperatives play in child development. de valores morais e emocionais contra 6% que se colocam contra. Abstract The proposed article presents the discussion of the results obtained in a survey of teachers working in Early Childhood Education. quanto que 13% dizem que talvez possa influenciar. The results showed that 7 of the 10 questions had 100% positive about the topic. identidade e do desenvolvimento ético. Os resultados mostraram que 7 das 10 questões obtiveram 100% de resultados positivos com relação a temática. moral. ético- social. psicológico e emocional da criança e acima de tudo ter interesse e disponibilidade para utilizá-lo como instrumento colaborativo no processo de aprendizado.

. primeiramente temos como ponto de partida a importância que o brincar tem para a criança desde a sua mais tenra infância. etnias. For 94% of participants autonomy can be encouraged by the cooperative play and only 6% disagree.p. social. And 94% which improves the psychological. as 13% say they might influence.(RCNEI) que os diz: "O desenvolvimento da identidade e da autonomia estão intimamente relacionados com os processos de socialização. em outras palavras. (BRASIL. em suas descobertas ao longo do seu percurso de adequações entre a infância e a fase adulta. emocionais e cognitivas. Nas interações sociais se dá a ampliação dos laços afetivos que as crianças podem estabelecer com as outras crianças e com os adultos. pois propiciam o contato e o confronto com adultos e crianças de várias origens socioculturais. Tem desejo de estar próxima as pessoas e é capaz de interagir e aprender com elas de forma que possa compreender e influenciar seu ambiente. Key words: Early Childhood Education. During the steps in this article we discussed several important issues related to the use of play cooperatively in the child's educational process. 3 and emotional outcomes reached other wholes. como podemos constatar no documento de Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil. Ampliando suas relações sociais. training. what are their contributions to the acquisition of ethical. costumes. Isso pode ocorrer nas instituições de educação infantil que se constituem por excelência.sua autonomia e identidade deixadas em segundo plano. moral and emotional values against 6% who stand against. em espaços de socialização. hábitos e valores". cooperatives. This study allowed us to have a vision that the teacher even with initial or ongoing training on cooperative play need to check the importance of work in this regard.1998. que é o que podemos nos referir como desenvolvimento para a vida. sendo muitas vezes . contribuindo para que o reconhecimento do outro e a constatação das diferenças entre as pessoas. moral. social ethico. Mas como poderíamos definir um conceito de criança considerando que o desenvolvimento humano em seu todo é fundamental para sua formação? Com base no (RCNEI) temos uma pincelada do que vem a ser uma criança: "A criança é um ser social que nasce com a capacidades afetivas. Introdução Ao pensar sobre esta temática. propiciando para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. psychological and emotional child and above all have an interest and willingness to use it as a collaborative tool in the learning process.11) A infância muitas vezes é visto como a fase de desenvolvimento da criança é colocada de forma enfática e a priori seu desenvolvimento motor como o principal aspecto dessa fase. Play. And 87% say that playing cooperatively influence the formation of identity. de diferentes religiões. que pode ser incentivado desde a educação infantil nas escolas.

assim como podemos visualizar na citação abaixo: "A infância é. já que as competições promovem a interação em grupos. compreendemos que a criança obtém seu aprendizado por meio do brincar. Estudar na infância somente o crescimento. direta ou indiretamente. p.14) Considerando os aspectos éticos. acompanhamento médico adequado durante seu desenvolvimento. tem seus objetivos muito distintos. que no brincar se torna visível e essencial dentro de uma magnitude significativa no que colocamos como desenvolvimento. as crianças sentem-se cada vez mais seguras para se expressar". tais como se alimentar. Chateau mostra que é na infância que a criança através do lúdico. descobre e interage com o mundo. porém somente um do grupo é considerado vencedor. 1954. Carvalho. seja ele no brincar pedagógico ou simplesmente no brincar por brincar. Isso nos mostra que podemos abrir nossa visão para novos horizontes. que já se apropriavam dessa metodologia dentro de suas linhas de pensamento. Vigotiski. que apesar terem semelhanças como a conceituação de regras e desenvolvimento grupal. considerando os aspectos emocionais. possuem necessidades básicas para que o seu desenvolvimento seja sadio. Freire. emocionais e morais em relação a criança e ao brincar. podemos perceber no âmbito pedagógico duas formulações com relação ao brincar.( BRASIL. psicológicos. tudo isso é previsto pela Constituição vigente e pelo ECA (Estatuto da Criança e Adolescente). portanto a aprendizagem necessária à idade adulta. no que diz respeito a uma formação e . Compreendemos também que toda criança apesar de características de personalidade ou aspectos físicos diferentes. que esta reflete. entre outros podemos achar grande contribuição desse pensamento em Piaget. somente para seu deleite ou satisfação própria. físicos e porque não falar dos aspectos morais da criança. White. sociais. o desenvolvimento das funções. nos coloca em uma posição muito promissora desse desenvolvimento que apesar de não ser uma metodologia muito recente e também não muito citada dentro do meio acadêmico. (CHATEAU. seria negligenciar esse impulso irresistível pelo qual a criança modela sua própria estátua". sem nenhum significado aparente. 1998 p. enquanto que em brincadeiras cooperativas o grupo vence com a atuação e interação de todos os componentes. uma família que a acolha. sem considerar o brinquedo. ter um lar. 4 interações e formas de comunicação. se mostra em referencias de renome. o brincar de forma competitiva e o brincar de forma cooperativa. Focando então no brincar de forma cooperativa não tão falada.21) De certa forma todos.

1996.. nos proporcionaria. inclusão. isso seria muita mesquinhez. emocional e psíquico da criança desde o alvorecer de sua razão. alunos. são em sua grande maioria de cunho relacional. já que todos vivem e se socializam entre si. moral. quando nos é colocado que não extrairíamos vantagens de um convívio grupal se o pensamento é individual. autonomia. professores.. 14) Como então poder-se-ia introduzir uma abertura de pensamento para o brincar de forma cooperativa dentro de nossas rotinas escolares visando a inserção. mas aprenda desde pequena a compreender e respeitar as regras. de que forma o brincar cooperativo contribuiria para um convívio mais bem estruturado dentro da sociedade escolar? Dessa forma podemos situar alguns objetivos para este artigo de forma que se tornem claro durante seu desenvolvimento. não nos mostra muito mais do que uma sociedade competitiva. (Miranda. moral. se vivemos em uma sociedade capitalista. como nos resalva: "Desde o princípio viemos num processo contínuo de aprendizagem da boa convivência em grupos. atitudes de respeito? Ou seja. porém de suma importância quando o assunto é o desenvolvimento ético. exclusivista e cheia de exclusões? Quando nos deparamos com a condição da sociedade no âmbito escolar. emocional e psíquico da criança. nos são apresentados muitos conflitos e que se formos analisar. pois se o grupo vai bem. Porém como se apropriar de uma concepção tão producente. p. primeiramente das brincadeiras. podemos assim nos resalvar das palavras de Miranda. direção e família. Tendo essa visão. Devemos nos obrigar a buscar uma relação profícua no binômio ação/interação a fim de extrairmos daí vantagens coletivas (que acabarão por simbolizar benefícios individuais. é porque pessoalmente estamos bem)". que apesar de apresentar uma bela fala sobre inclusão. sendo eles colocados de forma simples. Entretanto a forma cooperativa estruturada desde a infância se mostra muito plausível em relação não somente a uma boa convivência grupal de nossas crianças. 5 desenvolvimento ético. já que uma convivência cooperativa grupal não só faz com que a criança se desenvolva. posteriormente de suas vivencias em sociedade. conflitos estes que englobam. se fossemos tão cegos ao ponto de não enxergar os benefícios que um processo contínuo de aprendizagem dessa magnitude. egoísta. social. social. o que podemos fazer para que nossas crianças aprendam desde a mais tenra idade que o aprender a viver junto de forma harmônica é essencial dentro da sociedade? .

a lei de sua vida." (CARVALHO. White nos dá um encorajamento a nos apropriarmos de tal metodologia ao falar da seguinte maneira: "A cooperação deve ser o espírito da sala de aulas. conversando sozinho com o nosso outro. odiar. 12) Foi analisando esse modo de pensar que usamos como base para um trabalho diferenciado em relação a maneira que podemos vivenciar as atividades de construção e interação. ou então uma nova tentativa de mudança de pensamento em relação ao que pode se tornar a sociedadfe. uma sociedade competitiva. assume importância atividades e dinâmicas que ampliem as chances de sucesso dos alunos de auxiliarem-se mutuamente. se somente compreendermos o que quer dizer com a fala: "Estudar. p. menos competitiva. isto é. mas estudar não é o bastante.. encorajariam vazão à sua energia supérflua." (ZIELACK. citando Piaget. O professor que adquire a cooperação de seus discípulos consegue um auxílio inapreciável na manutenção da ordem.. como nos discursos lindos que ouvimos? Ao pensarmos assim nos colocamos em uma encruzilhada de escolhas a seguir. que estão em formação. Isso fomentará respeito próprio e o desejo de ser útil. Aprende-se em grupo porque nele se exercita nossa energia vital que nos faz amar. mais altruísta. com uma concepção menos exclusivista e mais inclusiva." (White. destruir e construir. Que os mais velhos ajudem aos mais novos. mas construir conhecimento é no grupo que se dá. cooperativamente e assim desenvolver aspectos atinentes ao conhecimento social-arbitrário. para a atualidade e porque não dizer para as gerações futuras. iv) E mesmo Zielack. que nos propiciarão o que já temos. professor e sala de aula. quanto possível. e. desenvolvido demonstrar-se-á uma benção por toda vida. 2010. p. como vemos nas palavras de visionários como Madaleine Freire que nos dá contribuições de pensamentos tão abrangentes e incentivadoras em relação a tal metodologia. 6 Seria possível essa metodologia auxiliar nossas crianças a formarem uma sociedade. e oferecido a nós em confiança pelas famílias para uma continuidade na formação de seu caráter." (WHITE. 2001. os fortes aos fracos. 2010. desses pequenos seres humanos. com o objetivo de analisar as concepções e orientações em relação as crenças e valores no . nos leva apensar em situações dentro e fora da sala de aula em brincadeiras ou em atividades comuns da vida cotidiana quando resalta que: "A cooperação: na interação situacional entre alunos. nos fazendo visualizar uma forma de aprendizado tão ampla e significativa. preparando o aluno para viver em sociedade.. Aspectos esses sumariamente relevantes para a socialização. p. 212) Com esse intuito foram realizadas entrevistas com 16 professoras de Educação Infantil da rede municipal de ensino da zona metropolitana Oeste da grande São Paulo. p. 1993. Nos serviços da sala de aula muitos. isso a longo prazo. seja cada um chamado a fazer algo em que se distinga. estudamos.285) Essas palavras nos trazem encorajamento e esperança de uma formação mais adequada aos nossos pequenos. "O espírito de cooperação. cujo estado irrequieto acarreta desordem e insubordinação.

Indagar se as atividades de cooperação poderiam trazer mudanças significativas a sociedade. elas podem influenciar na formação ético social da criança. validando assim de forma satisfatória este projeto. em relação as atividades cooperativas. 16 professoras de Educação Infantil que atuam em escolas da rede municipal da Zona Metropolitana Oeste da grande São Paulo. seja nas formações acadêmicas ou futuramente no mercado de trabalho. na opinião dos docentes. com a intenção de coletar e discutir informações sobre a atuação de educadores no processo de aprendizagem do sujeito da educação infantil. Objetivos específicos Averiguar se existem diferença entre as atividades cooperativas e atividades competitivas. na visão dos docentes. concentrando seu foco na utilização e na importância do brincar de forma cooperativa nessa fase da vida. Mostrando assim como o brincar de forma cooperativas pode influenciar na formação ético social da criança. Para coleta de dados foi utilizado o questionário com 10 questões sendo 9 abertas e 1 . tornando-a mais acessível para o trabalho em grupo. tornando-a mais acessível para o trabalho em grupo. respondendo com clareza e atenção ao questionário. Analisar de que maneira as atividades cooperativas exercem influência nas escolhas das crianças durante seu desenvolvimento como ser ético social na opinião dos professores. seja nas formações acadêmicas ou futuramente no mercado de trabalho. e se no seu modo de pensar. abrangendo aspectos qualitativos e quantitativos. Os sujeitos foram selecionados a partir da disponibilidade de tempo e aceitação da participação na pesquisa. numa amostra de conveniência. tendo como ponto de partida a opinião dos mesmos. Foram escolhidos. 7 brincar de forma cooperativa e suas contribuições em relação a socialização e desenvolvimento ético social da criança desde a educação infantil. Metodologia A abordagem metodológica é do tipo exploratório. que como dito anteriormente aceitaram a participação espontânea para a elaboração deste projeto de pesquisa. de forma a se obter uma clareza de pensamento em relação ao tema. Objetivo Geral Investigar qual a opinião docente. ao correlacionarmos essas atividades com a ética social esperada nos relacionamentos humanos.

1979. O jogo (o brincar). 1989.77) Verifica-se nessa segunda questão que todas as professoras. eliminando-se o medo do fracasso e aumentando-se a autoestima e a confiança em si mesmo. antes de tudo. Usemos um pouco mais esse artifício. (p. aliados e não inimigos". 8 fechada. medo e insegurança.118) Analisando outros pensamentos. a valorização e o reforço são deixados ao acaso ou concedidos apenas ao vencedor. fazendo de seus instintos naturais.19).” (ORLICK. eis aí um artifício que a natureza encontrou para levar a criança a empregar uma atividade útil ao seu desenvolvimento físico e mental. Dessa forma Orlick coloca que: “A principal diferença entre cooperação e competição é que no primeiro todos cooperam e ganham. já que entre os professores pesquisados obtivemos 100% de aceitação dessa prática. coloquemos o ensino mais ao nível da criança. que foram entregues aos educadores. nos certificando se temos realmente uma concepção conceitual correta. O brincar na rotina de aprendizagem dos educandos tem em suas concepções o valor essencial ao desenvolvimento da criança não somente em sua concepção física. que nos coloca desta forma: . se mostrou muito promissora. Os resultados foram analisados e organizados de acordo com as informações obtidas através da bibliografia consultada e da análise estatística das questões dos questionários. um ser feito para brincar. dessas maneiras de desenvolvimento do aprendizado através do brincar. assim temos o pensamento de Falcão. Recompensando os perdedores e rejeitando os perdedores". ou seja. Ao passo que. podemos visualizar o brincar de forma cooperativa de forma mais clara e assim ter um esclarecimento um pouco mais abrangente do assunto. o que gera frustração. 100% delas. mas também em aspectos mentais. Mas o que vem a ser cada uma delas? Para isso teríamos que conceituar cada uma delas. O brincar de forma competitiva de acordo Orlick (1989) se define em que: "Em nossa própria cultura somos sitiados pela competição. p. p. O primeiro contato com os participantes foi o preenchimento do Termo de Consentimento Livre Esclarecimento e a elucidação da importância da participação opinativa dos mesmos a esta pesquisa. A interpretação final desses dados empíricos ocorreu combinando a consulta à literatura especializada com as percepções e ideias inferidas pelos pesquisadores no estudo do material coletado. (Rosamilha. Análise e discussão dos resultados Ao realizar a análise da pesquisa a primeira questão que trazia uma reflexão sobre a importância do brincar na educação infantil. O que de acordo com Rosamilha é colocar os instintos naturais das crianças como nossos aliados: " A criança é. saberiam diferenciar facilmente atividades de cooperação e atividades competitivas. no segundo.

O que quer que ele possa sugerir como meio de auxílio ..4) Nos utilizando ainda de um outro autor para validar o a nossa linha de pensamento. 47) Com essas concepções podemos então ter uma base formada para a diferenciação dessas duas formas de desenvolvimento do aprendizado através do brincar. Possibilitam o desenvolvimento da criatividade. nas ocupações diárias. mas sim. da cooperação. o jogo (brincar) constitui a ocasião propícia para a socialização e a aprendizagem. 2003. pois como Soler coloca tanto a competição e a cooperação não são algo natural do ser humano. Especialmente pelas criancinhas. adquirir intimidade e dominar a futura cultura. p. Propõem que o objetivo e a diversão sejam coletivos. coloca as palavras de Piletti como um referencial. e dependendo das interações que temos durante nossa vida. como podemos ver abaixo: "O vigilante professor encontrará muitas oportunidades de dirigir os discípulos a atos de prestatividade.. mas um aprendizado: "Competição e cooperação são definidas pela estrutura social.83) Observamos que na quarta questão. o trabalho cooperativo pode contribuir para que os alunos aprendam a conviver com outros. capaz de fornecer a criança os componentes (simbólicos e materiais) necessários para conhecer. da empatia. que 100% das professoras dizem compreender o que é o brincar de forma cooperativa. (SOLER. dificilmente perderá de produzir frutos". os Jogos (Brincadeiras) Cooperativos propõem a participação de todos."(ZABALZA. 1998. já que: "A cooperação é um processo fundamental na educação e na sala de aula."(PILETTI. da autoestima e de relacionamentos interpessoais saudáveis e realizadores”. valorizando mais o bem estar de todos e o bem da coletividade do que o interesse individual. O que se adéqua de forma harmônica com a citação de White com o que se diz respeito ao encontrar oportunidades na direção das crianças.2002. Podemos dizer que nascemos com as duas formas. algo que em algum momento de sua carreira docente fora utilizado. o professor é olhado com quase ilimitada confiança e respeito. se colocam como sendo a prática de brincadeiras cooperativas.213) .82) O professor que compreende que o brincar de forma cooperativa é um aliado pedagógico e valoriza se apropriando desta metodologia de ensino. Libertam os indivíduos da pressão da competição. essas professoras podem se apropriar da fala de Zabalza quando ele afirma que: "Na educação infantil.. sem que ninguém fique excluído. diversificando bem tento o que são. tendo assim bem definidas pela estrutura social. dando a alusão de que elas realmente se utilizam ou já se utilizaram dessa prática no decorrer de sua docência. do medo de ser eliminado e da agressão física. ou como se dá o surgimento desses dois aspectos na vivencia do ser humano. p. não nascemos competindo ou cooperando. Sendo assim.. todas as pesquisadas ainda. p. potencializamos uma forma ou outra". Se observa na terceira questão ainda. (EDUCAÇÃO. p.. 2010. 9 “Ao contrário da maioria dos jogos mais conhecidos.. aprendemos a agir destas duas formas. não individuais.. dando um percentual de 100%. (FALCÃO. 2008 p.

2001p. nós aprendemos a trabalhar em grupo. podemos destacar a questão da percepção do outro.102) Citando outros benefícios que podem ser extraídos do brincar de forma cooperativa." (PILETTI. podemos observar que 100% das professoras que aceitaram fazer parte desta pesquisa se colocam de maneira efetiva com relação a essa questão de que a criança tem aprendizado de forma grupal. Através deste tipo de jogo. aceitação de todos os jogadores. que quer dizer. ao invés de contra os outros. 10 Analisando os resultados da quinta questão. quanto em grandes organizações mundiais.83) Assim sendo o grupo pode ser considerada uma premissa de condições para que a criança possa se desenvolver e se envolver em vários aspectos da vida cotidiana se resignificando como alguém importante dentro do grupo. 1998. ou seja o total de 100%. Pode existir tanto em pequenos grupos. palavra originada do latim. dar o melhor.p. confiança e coesão grupal. mas como gente. ou dos outros sujeitos."(GALVÃO."(BROTTO. como podemos observar no comentário de Sobel: "O Jogo cooperativo consiste em jogos e atividades onde os participantes jogam juntos. espontaneidade.1983. Quanto maior a diversidade de grupos de que participar. apenas pela diversão. mais numerosos serão seus parâmetros de relações sociais. e no reconhecimento que todo jogador é importante. percebendo- se não como um ser isolado.1) . Nós não comparamos nossas diferentes habilidades nem performances anteriores. Pode ser ou não deliberada. mudar regras e limites que restringem os jogadores. 2002. como é descrito por Brotto na citação abaixo: "Aprendendo a jogar dentro do estilo cooperativo desfazemos a ilusão de sermos separados e isolados uns dos outros e percebemos o quanto é bom e importante ser gente mesmo. prazer em jogar. respeitar a singularidade do outro e compartilhar caminhos para o bem-estar comum. trabalho em conjunto. Sabendo-se que o Brincar de forma cooperativa é algo oferecido a criança em forma grupal. nós não enfatizamos a vitória e a derrota.p.60) Verificando ainda a sexta questão. podemos visualizar que todos as professoras que se submeteram a essa pesquisa. acreditam que a criança pode se beneficiar. se mostrando muito similar ao que Piletti coloca em uma de suas colocações: "Cooperação. como as Organizações das Nações Unidas (ONU). como o menor de todos que é a díade (grupo de pessoas). tirando algum proveito dessa forma de brincar. partilha. resultados ou marca". pode-se então compreender as palavras de Galvão (apud Walon) quando ele fala que: "Ao participar de grupos variados a criança assume papéis diferenciados e obtém uma noção mais objetiva de si própria. A ênfase está na participação total. (SOBEL . p. o que tende a enriquecer sua personalidade.

que está relacionado com a questão sétima. valores éticos e morais e no emocional dos pequenos. psicológico. valores morais. o que Zabalza coloca como terreno fértil de cultivo. p. Ao analisarmos o gráfico constata-se que 100% das professoras acreditam que há melhora nos aspectos de convívio social e de valores éticos das crianças de forma significativa. estéticos. 11 Percebe-se no gráfico acima.82) (Grifo meu) Enquanto 94% acreditam que melhora os aspectos psicológicos. psicológico. como podemos ver na citação abaixo: "O jogo (brincar seja em qualquer aspecto apresentado) é oferecido como terreno fértil para cultivar os processos cognitivos. Nesses termos . de valores morais e emocionais. que tinha como indagação se as brincadeiras cooperativas tinham influencia na vida da criança em relação a aspectos de convívio social. contra 6% que acreditam que as brincadeiras de cunho cooperativo não proporcionam melhoras. valores éticos e emocionais. Porém o que podemos constatar é que a maioria entre todas as modalidades perguntadas concordam que há uma melhora com relação ao convívio social. ético-sociais e existenciais do sujeito em idade evolutiva." (ZABALZA 1998.

1999. 114) "Um verdadeiro educador não entende as regras de um jogo apenas como elemento que o torna possível." (ANTUNES 2003 . que não se sentem amadas. 12 conseguimos visualizar esses resultados nas falas de estudiosos como Rego citando Vigotsky.p. que têm habilidades sociais inadequadas. em relação a aquisição de autonomia." (REGO. mas como verdadeira lição de ética e moral que. Antunes e Orlick como podemos visualizar nas citações colocadas abaixo: "O Brinquedo não só possibilita o desenvolvimento de processos psíquicos por parte da criança como. para os alunos encabulados ou reservados. os objetos e modos de comportamento humano. que se coloca dessa forma: . que tinha como indagação se as brincadeiras cooperativas poderiam trazer ás crianças algum ganho significativo. dessa forma a maioria dos participantes da pesquisa se colocam em concordância afirmativa com relação a formação da autonomia da criança quando esta está envolvida em jogos e brincadeiras de cunho cooperativo. ensinarão a viver."(ORLICK 1989. 13) "Os jogos cooperativos podem ter um significado especial. a promover e. Ao analisarmos os dados do gráfico podemos notar que 94% dos participantes concordam que a autonomia pode ser estimulada pelo brincar cooperativo e somente 6% discordam. que não sabem reagir de uma maneira amistosa ou que relutam em abordar problemas ou pessoas […]. p. que se refere a oitava questão apresentada aos docentes. se bem trabalhados. serve como instrumento para conhecer o mundo físicos e seus fenômenos.p. portanto efetivamente educarão. que não confiam em si mesmas e se sentem inseguras. 1) Atentando ao gráfico. Para afirmar essa concepção de que a criança é estimulada na formação da autonomia podemos nos utilizar da fala de Le Bouch. também.

24) Com esse pensamento podemos começar a ter uma ideia de como nossa formação pessoal é intrinsecamente vinculada a maneira que nos é colocado. . a atividade lúdica incide na autonomia e na socialização. o brincar de forma cooperativa influência na formação da identidade da criança. Resumindo. condição de uma boa relação com o mundo. Brown (1995 apud SOLER) conclui que: "A interação cooperativa com os outros é necessária para o desenvolvimento da autoestima." (LE BOUCH. e melhor conhecimento de suas possibilidades limite. que foi elaborado a partir da nona pergunta inquirida aos docentes. 140) Examinando o ultimo gráfico apresentado nesta pesquisa. 1982.. desde a infância por meio da aquisição de elementos que contenham valores de solidariedade e cooperação como vimos na fala de Soler. começamos a descobrir a capacidade que cada um de nós tem para sugerir ideias. p. quanto que 13% dizem que talvez essa prática possa influenciar na formação da identidade. que 87% dos pesquisados disseram que sim.p. Se o jogo tem presentes os valores de solidariedade e cooperação. 13 . que tinha como objetivo averiguar a opinião dos mesmos.. se o brincar de forma cooperativa tinha alguma influência na formação da identidade da criança." (SOLER. que são elementos para o bem-estar psicológico. com frequência impostas pela presença da outra criança com quem ela deverá aprender a cooperar durante o jogo. através do brincar. Ao observarmos podemos visualizar. "A criança vai adquirir pouco a pouco confiança nela. da confiança e da identidade pessoal. 2003.

Seria vão tentar qualquer transformação. afinal voltei. surgiu Alma nobre e perfeito varão. O tempo foi rápido e veloz ao passar. O que é muito bem dito por Orlick (1987. esse fato pôde ser visualizado durante essa pesquisa como algo que o ser humano adquire no decorrer de suas vivencias. mas quem vai ensinar a criança o caminho que ela deve trilhar? Existe um poema que diz o seguinte: “Aluno é argila. mas para que a criança obtenha também seu convívio social. encontrando assim seu lugar dentro da sociedade. ético. 70) Toda a criança é como um barro de oleiro e o professor como educador. Mais tarde foi me dado uma vida a formar E. sua relevância e contribuições para o desenvolvimento psicológico. Passaram longos dias e. p. Considerações finais Durante as etapas deste artigo abordamos vários pontos importantes relacionados à concepção da importância do brincar de forma cooperativa. forte e viril. Porém. Em outras palavras. ético social. não me satisfez o modelo que fiz E a argila se prestou a mudança que eu fiz. uma forma lhe dei. 2007. carinhosamente.. moral. Usando para tal: vontade. a uma reflexão sobre sua postura. que levaram professores. disposição para o aprendizado cooperativo toda criança tem. deve se conscientizar de que somos parte perspicaz nesse processo e que a escola. negligente.107) com relação a essa premissa é o seguinte. A obra que fizera endurecida achei. arte e poder. e professor o oleiro” Um pedaço de argila em minhas mãos tomei E. Ainda persistia a forma dada então. E do pequenino ser. moral e emocional da criança.. a partir da Educação Infantil não está somente para alfabetizar. conhecimento e . psíquico."o mesmo poder que têm os jogos de impedir que as pessoas sejam honestas e amorosas pode ser invertido para estimular esses comportamentos". disposição para essa prática também. que 100% dos pesquisados concordam que a criança que é estimulada desde a infância a trabalhar em grupo poderá se tornar um adulto mais responsável e respeitador das leis. 14 Contemplando o resultado podemos examinar na questão décima. p. Conservando no peito o tenro coração. comecei a trabalhar O terno coração de um pequenino ser. (SUAREZ. e o professor é o mediador desse processo.

Conforme observamos nas respostas da pesquisa os professores de educação infantil reconhecem a importância do brincar cooperativo na prática docente. só alcançáveis por meio dele mesmo. 15 estratégias utilizadas para que essa premissa seja alcançada dentro do seu contexto educacional. Universidades.41) Concentrando-se assim na concepção de que as crianças são o futuro da sociedade e para que a sociedade prossiga com qualidade de vida. nós. 2008. competitivos. e talvez até nossa sobrevivência. na medida do possível. São eles e elas que ocuparão nossa cadeira no Senado e o nosso lugar no Banco da Corte Suprema."(MALUF. p. não só com o outro. mas tendo em mente que como Burkhalquer coloca eles são os futuros administradores da nação e deles depende toda a reputação docente. primeiramente. pois: "Os meninos e as meninas são o único material que Deus nos deu. então do que Maluf descreve sobre a responsabilidade de renovação do professor: "Todo educador tem ampla responsabilidade na renovação das práticas educativas. Dirigirão nossos presídios. (. faz surgir novas práticas educativas propondo novas intenções educativas de desenvolvimento. as crianças estão nas mãos dos educadores e são eles que juntamente com a família. Eles e elas assumirão o governo das Cidades. 1978. depender da cooperação. a ajudar uns aos outros. Os professores que se apropriam dessa prática necessitam de um mínimo de conhecimento para colocá-la em prática dentro de sua rotina docente no que diz respeito a satisfazer a necessidade que a criança tem em relação ao aprendizado através das brincadeiras e jogos sejam eles cooperativos.) devemos nos afastar da competição cruel e começarmos a enfatizar a cooperação e a preocupação com os outros. 182) Tendo enfaticamente a noção de que o futuro da sociedade. pois ela. e Empresas. Corporações. a sermos abertos e honestos.. Igrejas. para assim podermos instruí-las em todas as faculdades de intelecto. de inteiração ou cognitivos. todos pereceremos se não estivermos aptos a cooperar. Diante do que observamos com a pesquisa podemos concluir que o a brincadeira cooperativa tem um lugar de vital importância para a formação integral da criança de educação infantil sendo um importante instrumento de contribuição no processo de desenvolvimento. p. Escolas.” (ORLICK. dos Estados e do País.. assim como veremos na fala de Orlick: “se nossa qualidade de vida futura. com as nossas gerações futuras. Estado e sociedade de modo geral. Tendo ciência. a nos preocuparmos com os outros. com o qual poderemos fazer homens e mulheres. Tudo o que fizermos será louvado ou condenado por eles. são os responsáveis pela questão da formação de melhores cidadãos. tendo a preocupação. temos que cooperar nos afastando da competição cruel e nos preocuparmos uns com os outros. devemos considerar essas concepções dentro da pratica docente. nossa reputação e .

para isso o educador deve ter em mente de acordo com Soárez (2007. poderemos no final de cada ano letivo repetir essas palavras que nos são colocadas: "Valeu a pena? Tudo vale a pena Se a alma não é pequena Quem quere passar além do Bojador Tem que passar além da dor. 1967. habilitados para qualquer posição na vida. 90). é necessário que o professor tenha mente equilibrada e caráter simétrico a fim de impactar a vida dos estudantes. dando- lhes esperança. 11) Existem várias maneiras de encarar essa realidade. Referências Bibliográficas ANTUNES. como afirma White (2000. 42) Tudo vale à pena se acreditarmos que valerá. . Ele tem que aceitar o desafio e vestir a camisa da educação. p. se tivermos a coragem de vivenciar essa realidade dentro de nossas escolas. p. p. 43) que o processo ensino-aprendizagem requer mais do que apenas transmitir informações. pois é isso que o professor passou a ser. pois se dá pra imaginar. 2003. dentro de nossas salas de aula. mas como diz Pessoa na segunda estrofe de seu poema "Mar Português" tudo vale a pena. conduzindo esses meninos e meninas a uma nova visão de mundo. 16 nosso futuro estão em suas mãos. O futuro de nossa sociedade é e será determinado de acordo com a formação e a maneira que nossa juventude é moldada (WHITE. Mas nelle é que espelhou o céu". fazendo com que eles sonhem e acima de tudo realizem-se nessa sociedade tão desigual que vivemos. também dá pra fazer. Toda a nossa obra será deles e delas e o destino da nação e da humanidade dependerá de nossos meninos e meninas. (PESSOA. só de olhar para o futuro e conseguir visualizar uma sociedade melhor já é uma grande recompensa. ou fechando um pouquinho mais o espaço. não importa o desafio. 1996. O jogo e a educação infantil: Fala/dizer/olhar e ver/ escutar e ouvir. Petrópolis. (BURKHALTER. p. porém o profissional de educação tem que ter em mente que ele tem como sua responsabilidade. Deus ao mar o perigo e o abismo deu. E os sonhos existem para serem realizados. RJ: Vozes. Para isso é essencial que haja preparo. não importa as dificuldades que essa modalidade de ensino possa trazer a vida do educador. p. esse é o dever do educador. um educador. Fascículo 15. 1981. 76) criar homens e mulheres de sólidos princípios. O peso da responsabilidade é grande. a de formar cidadãos. Celso. de forma que possa mudar a realidade.

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