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ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS Professora Me. Juliana Franco gRADuAÇÃO AgRONEgóCIO MARINgÁ-PR 2012

ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS

Professora Me. Juliana Franco

gRADuAÇÃO

AgRONEgóCIO

MARINgÁ-PR

2012

Reitor: Wilson de Matos Silva Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração: Wilson

Reitor: Wilson de Matos Silva Vice-Reitor: Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração: Wilson de Matos Silva Filho Presidente da Mantenedora: Cláudio Ferdinandi

NEAD - Núcleo de Educação a Distância

Diretoria do NEAD: Willian Victor Kendrick de Matos Silva Coordenação Pedagógica: Gislene Miotto Catolino Raymundo Coordenação de Marketing: Bruno Jorge Coordenação Comercial: Helder Machado Coordenação de Tecnologia: Fabrício Ricardo Lazilha Coordenação de Curso: Silvio Silvestre Barczsz Supervisora do Núcleo de Produção de Materiais: Nalva Aparecida da Rosa Moura Capa e Editoração: Daniel Fuverki Hey, Fernando Henrique Mendes, Jaime de Marchi Junior, José Jhonny Coelho, Luiz Fernando Rokubuiti e Thayla Daiany Guimarães Cripaldi Supervisão de Materiais: Nádila de Almeida Toledo Revisão Textual e Normas: Cristiane de Oliveira Alves, Gabriela Fonseca Tofanelo, Janaína Bicudo Kikuchi, Jaquelina Kutsunugi, Karla Regina dos Santos Morelli e Maria Fernanda Canova Vasconcelos

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central - CESUMAR

CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a distância:

C397

Elaboração e análise de projetos/ Juliana Franco. Maringá - PR, 2012. 197 p.

“Graduação em Agronegócio - EaD”.

1. Agronegócio. 2. Análise de projetos. 3.Gestão rural. 4.EaD. I. Título.

CDD - 22 ed. 338.1 CIP - NBR 12899 - AACR/2

“As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir dos sites PHOTOS.COM e SHuTTERSTOCK.COM”.

Av. Guedner, 1610 - Jd. Aclimação - (44) 3027-6360 - CEP 87050-390 - Maringá - Paraná - www.cesumar.br NEAD - Núcleo de Educação a Distância - bl. 4 sl. 1 e 2 - (44) 3027-6363 - ead@cesumar.br - www.ead.cesumar.br

ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS

Professora Me. Juliana Franco

ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS Professora Me. Juliana Franco

APRESENTAÇÃO DO REITOR

APRESENTAÇÃO DO REITOR Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos
APRESENTAÇÃO DO REITOR Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos

Viver e trabalhar em uma sociedade global é um grande desafio para todos os cidadãos.

A busca por tecnologia, informação, conhecimento de qualidade, novas habilidades para

liderança e solução de problemas com eficiência tornou-se uma questão de sobrevivência no mundo do trabalho.

Cada um de nós tem uma grande responsabilidade: as escolhas que fizermos por nós e pelos nossos fará grande diferença no futuro.

Com essa visão, o Cesumar – Centro Universitário de Maringá – assume o compromisso de democratizar o conhecimento por meio de alta tecnologia e contribuir para o futuro dos brasileiros.

No cumprimento de sua missão – “promover a educação de qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, formando profissionais cidadãos que contribuam para o desenvolvimento

de uma sociedade justa e solidária” –, o Cesumar busca a integração do ensino-pesquisa-ex-

tensão com as demandas institucionais e sociais; a realização de uma prática acadêmica que

contribua para o desenvolvimento da consciência social e política e, por fim, a democratização

do conhecimento acadêmico com a articulação e a integração com a sociedade.

Diante disso, o Cesumar almeja ser reconhecido como uma instituição universitária de referên- cia regional e nacional pela qualidade e compromisso do corpo docente; aquisição de compe- tências institucionais para o desenvolvimento de linhas de pesquisa; consolidação da extensão universitária; qualidade da oferta dos ensinos presencial e a distância; bem-estar e satisfação

da comunidade interna; qualidade da gestão acadêmica e administrativa; compromisso social

de inclusão; processos de cooperação e parceria com o mundo do trabalho, como também pelo compromisso e relacionamento permanente com os egressos, incentivando a educação continuada.

Professor Wilson de Matos Silva Reitor

Caro(a) aluno(a), “ ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua

Caro(a) aluno(a), “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 1996, p. 25). Tenho a certeza de que no Núcleo de Educação a Distância do Cesumar, você terá à sua disposição todas as condições para se fazer um competente profissional e, assim, colaborar efetivamente para o desenvolvimento da realidade social em que está inserido.

Todas as atividades de estudo presentes neste material foram desenvolvidas para atender o seu processo de formação e contemplam as diretrizes curriculares dos cursos de graduação, determinadas pelo Ministério da Educação (MEC). Desta forma, buscando atender essas necessidades, dispomos de uma equipe de profissionais multidisciplinares para que, independente da distância geográfica que você esteja, possamos interagir e, assim, fazer-se presentes no seu processo de ensino-aprendizagem-conhecimento.

Neste sentido, por meio de um modelo pedagógico interativo, possibilitamos que, efetivamente, você construa e amplie a sua rede de conhecimentos. Essa interatividade será vivenciada especialmente no ambiente virtual de aprendizagem – AVA – no qual disponibilizamos, além do material produzido em linguagem dialógica, aulas sobre os conteúdos abordados, atividades de estudo, enfim, um mundo de linguagens diferenciadas e ricas de possibilidades efetivas para

a sua aprendizagem. Assim sendo, todas as atividades de ensino, disponibilizadas para o seu

processo de formação, têm por intuito possibilitar o desenvolvimento de novas competências

necessárias para que você se aproprie do conhecimento de forma colaborativa.

Portanto, recomendo que durante a realização de seu curso, você procure interagir com os textos, fazer anotações, responder às atividades de autoestudo, participar ativamente dos fóruns, ver as indicações de leitura e realizar novas pesquisas sobre os assuntos tratados,

pois tais atividades lhe possibilitarão organizar o seu processo educativo e, assim, superar os desafios na construção de conhecimentos. Para finalizar essa mensagem de boas-vindas, lhe estendo o convite para que caminhe conosco na Comunidade do Conhecimento e vivencie

a oportunidade de constituir-se sujeito do seu processo de aprendizagem e membro de uma comunidade mais universal e igualitária.

Um grande abraço e ótimos momentos de construção de aprendizagem!

Professora Gislene Miotto Catolino Raymundo

Coordenadora Pedagógica do NEAD- CESUMAR

APRESENTAÇÃO

Livro: ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS

Professora Me. Juliana Franco

E ANÁLISE DE PROJETOS Professora Me. Juliana Franco Olá, caro(a) aluno(a), meu nome é Juliana Franco.

Olá, caro(a) aluno(a), meu nome é Juliana Franco. Seja bem-vindo(a) a nossa disciplina ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS. Você sabia que um projeto é transformar ideias em ações, ou seja, é um empenho temporário empreendido para criar um produto ou serviço? Como são temporários possuem início e fim definidos, é planejado executado e controlado, possuem recursos limitados e são realizados por pessoas. Dessa forma, a elaboração de um projeto começa pelo “coração”, ou seja, a definição real do objeto do trabalho, a finalidade, e os objetivos que se tem e uma visão clara das dificuldades que se quer resolver com a efetivação da ideia.

Para transformar ideias em ações é necessário ter capacidade técnica, ou seja, ter competência, criatividade e comprometimento para desenvolver uma excelente estratégia de como materializá-la. Criar é empreender, assumir risco e antecipar o futuro.

Caro(a) aluno(a), a realização de um projeto é uma atividade empreendedora, pois exige criatividade, previsões, em um mercado dinâmico, que muda constantemente. Você deve estar se perguntando, nossa não sou empreendedor, nem criativo, como vou realizar um projeto então? A resposta é que justamente nesta disciplina você encontrará um material bem diferenciado, elaborado com a preocupação de proporcionar as bases necessárias para que o aluno possa aprender a essência de um projeto, entender como fazer previsões com base no ambiente em que a empresa se encontra, pois o sucesso das organizações está na medida em que elas conseguem se antecipar às mudanças do mercado.

Antecipar o futuro não é tarefa fácil, não existem bolas de cristal, e não há uma maneira de simplificar os acontecimentos futuros. Para minimizar os riscos de dúvidas quanto ao futuro e propiciar ferramentas que promovam a definição de estratégias, utilizam-se técnicas prospectivas que serão discutidas no decorrer do livro.

Iniciaremos este livro falando sobre planejamento estratégico, que é um procedimento fundamental dentro da empresa, pois identifica recursos potenciais, alinha competências, reconhece os pontos fortes e fracos, e forma um conjunto de medidas unificadas a serem executadas para garantir o alcance dos resultados projetados.

Para realizar um projeto de investimento é necessário estar atento às ferramentas utilizadas no planejamento

Para realizar um projeto de investimento é necessário estar atento às ferramentas utilizadas no planejamento estratégico de uma empresa. Pois, muitas vezes, eu como consultora, me deparei com empresas que precisavam de um projeto de viabilidade econômico-financeira, mas não tinham sequer um planejamento da própria empresa.

Caro(a) aluno(a), para um projeto se transformar em uma proposta de financiamento e ser aprovado por algum órgão financiador, precisa compreender o programa que a empresa pretende realizar, ou seja, precisa perceber a importância do investimento e as possibilidades de êxito. Assim, precisa que a instituição financiadora acredite nas metas da empresa, precisa ver que os objetivos seguem no mesmo rumo e também as chances de sucesso. E para isso é necessário realizar um planejamento durante a elaboração do projeto, um conjunto de atividades a ser executadas são:

• Inicialmente precisa-se definir o projeto: o que queremos fazer?

• Todo projeto precisa de um plano de trabalho: como vamos agir?

• O andamento do projeto: como avaliar, tirar conclusões e disseminar resultados?

• Orçamento: quanto vai custar?

Os projetos de viabilidade econômico-financeira são destinados a auxiliar o empreendedor na sua decisão de investimento, seja para ampliação de uma empresa já existente, seja para a compra de novos equipamentos, implantação de uma nova empresa ou instalação, mudança de ramo de atividade entre outros objetivos.

Com as fortes pressões competitivas que as empresas estão sofrendo, eleva a importância da elaboração de projetos de viabilidade econômico-financeira, visto que, muitas organizações acabam falindo antes mesmo de completar um ano de existência, por falta de planejamento e preparo dos empresários.

Pois investir é realizar desembolsos esperando benefícios futuros, assim os empresários e administradores, ao tomarem uma decisão de investimento, esperam que os resultados da empresa sejam melhores do que seu custo de oportunidade (ou alternativa de investimento), visando aumentar o valor da empresa, quando esta já existe, ou que o novo empreendimento seja lucrativo. Dessa forma, quando entramos em um negócio sem analisar o mercado é como entrar em um quarto escuro, não sabemos a direção e aonde iremos parar e os obstáculos que enfrentaremos.

Existem diversos fatores que devem ser considerados na elaboração de projetos, para busca de financiamentos,

Existem diversos fatores que devem ser considerados na elaboração de projetos, para busca de financiamentos, que podem impactar na decisão de investimento e na liberação do recurso, pois estão baseados na avaliação atraente das estimativas do mesmo.

Cabe ressaltar, caro(a) leitor(a), que cada projeto deve ser elaborado obedecendo às normas e peculiaridades de cada setor da economia. Além das especificidades, já citadas, a qual o setor agropecuário possui e que devem ser levadas em consideração no momento do seu planejamento, há também a questão das normas a serem seguidas, para a aprovação do crédito junto às instituições financeiras.

No meu ponto de vista, esta disciplina é um excelente campo de atuação do gestor de agronegócio, pois é uma oportunidade que os gestores têm de trabalhar e desenvolver atividades empreendedoras. Espero que durante o decorrer deste livro você obtenha um conhecimento inicial que se deve ter para o começo das atividades de elaboração e análise de projetos de investimentos. Vale destacar que como cada projeto tem características próprias de acordo com a atividade e setor no qual está inserido, a elaboração do mesmo é um processo de estudo, pesquisa e aprendizagem. Boa leitura!

uNIDADE I

SuMÁRIO

EMPREENDEDORISMO, PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO E ANÁLISE E ELABORAÇÃO DE PROJETOS

EMPREENDEDORISMO

 

18

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO APLICADO A PROJETOS DE INVESTIMENTO

20

ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS

 

28

CONSTRUÇÃO DE CENÁRIOS PROSPECTIVOS

 

33

ANÁLISE DE CENÁRIO POR INTERMÉDIO DA MATRIZ DE SWOT

 

36

uNIDADE II

CONCEITOS, FINALIDADE E ETAPAS DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS

 

CONCEITO, FINALIDADE E TIPOS DE PROJETOS

 

46

FATORES QUE IMPACTAM AS DECISÕES DE INVESTIMENTO

 

49

PRIORIDADE NA SELEÇÃO DE PROJETOS

 

50

COMPONENTES DE UM PROJETO

 

51

FASES DE ELABORAÇÃO DO PROJETO

 

58

CAPITAL HUMANO

63

uNIDADE III

ESTUDO DE MERCADO, PROJEÇÃO DE DEMANDA E COMERCIALIZAÇÃO RURAL

ESTUDO DE MERCADO E ANÁLISE DA CONCORRÊNCIA

 

74

PROJEÇÃO DE DEMANDA

79

CARACTERÍSTICAS DA COMERCIALIZAÇÃO AGRÍCOLA

 

89

uNIDADE IV

INVESTIMENTOS E CUSTOS DO PROJETO RURAL, E ANÁLISE ECONÔMICO-FINANCEIRA DO PROJETO

 

ENGENHARIA DO PROJETO

 

102

LEVANTAMENTO DOS CUSTOS E DESPESAS DO PROJETO

 

117

ORÇAMENTO DO PROJETO: PLANO FINANCEIRO

 

139

INSTRUMENTOS DE ANÁLISE DE INVESTIMENTO

 

143

CÁLCULO DA TIR PELA HP-12C

 

155

uNIDADE V

CRÉDITO RURAL

CONDIÇÕES GERAIS PARA A CONCESSÃO DO CRÉDITO RURAL

168

OPERAÇÕES DE CRÉDITO

 

176

SISTEMA NACIONAL DE CRÉDITO RURAL (SNCR)

 

178

PRINCIPAIS LINHAS DE FINANCIAMENTOS DO BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES)

179

CONCLuSÃO

193

REFERÊNCIAS

 

194

uNIDADE I

EMPREENDEDORISMO, PLANEJAMENTO ESTRATÉgICO E ANÁLISE E ELABORAÇÃO DE PROJETOS

Professora Me. Juliana Franco

Objetivos de Aprendizagem

• Abordar os principais conceitos e finalidades sobre empreendedorismo e planejamento estratégico.

• Introduzir as principais etapas de elaboração de estratégias.

Plano de Estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Empreendedorismo

• Planejamento Estratégico

• Elaboração de Estratégias

• Construção de Cenários Prospectivos

• Análise de cenário por meio da Matriz de Swot

INTRODuÇÃO

INTRODuÇÃO Caro(a) aluno(a), esta primeira unidade irá introduzir o conceito de empreendedorismo e a importância deste

Caro(a) aluno(a), esta primeira unidade irá introduzir o conceito de empreendedorismo e a importância deste para a realização de um planejamento estratégico aplicado ao projeto de investimento.

O empreendedorismo é importante, pois, por intermédio das inovações geradas por ele,

possibilita a geração de renda e melhora a competitividade, possibilitando o crescimento econômico de forma organizada. Empreender é criar, assumir risco e antecipar o futuro. Assim, o empreendedor é o indivíduo que detém uma forma especial e inovadora de se dedicar às atividades de organização, administração e execução, com capacidade de gerar um novo método de seu próprio conhecimento.

Já o planejamento estratégico é um método gerencial de formulação de objetivos para sua

implementação, levando em conta o ambiente externo à empresa e sua evolução esperada. Segundo Maximiano (2006), o planejamento estratégico seria um método de elaboração da estratégia, onde se definiria a relação entre a empresa e o ambiente externo e interno e os objetivos organizacionais, com a definição de estratégicas alternativas. Apesar de ser um método gerencial, utilizamos alguns pontos-chave do planejamento estratégico na hora de desenvolver um projeto de investimento.

Os projetos são um empenho temporário empreendido para criar um produto ou serviço. Como são temporários, possuem início e fim definidos; são planejados, executados e controlados; possuem recursos limitados e são realizados por pessoas. Geralmente, são resultados estratégicos de uma demanda de mercado, necessidade organizacional, avanço tecnológico, solicitação de um cliente ou requisito legal.

Assim, um projeto de investimento é analisado conforme a viabilidade econômica de uma ideia. Portanto, tudo começa com a ideia do empreendedor, em seguida, a realização de um projeto embasado em planejamento estratégico estruturado.

projeto embasado em planejamento estratégico estruturado. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Portanto, caro(a) aluno(a), nesta unidade mostrarei alguns pontos-chave do planejamento estratégico e as principais

Portanto, caro(a) aluno(a), nesta unidade mostrarei alguns pontos-chave do planejamento estratégico e as principais etapas de elaboração de estratégias para que você aprenda a analisar o ambiente empresarial, pois muitas vezes o empresário tem uma ideia, quer investir na mesma, mas não sabe como planejar e não tem conhecimento do mercado que irá atuar. Boa leitura!

EMPREENDEDORISMO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro(a) leitor(a), este item vai falar sobre empreendedorismo, que tem origem no termo empreender, que significa executar, ou seja, é o estudo voltado para o desenvolvimento de competências e habilidades relacionadas à criação e execução de um projeto que pode ser científico, técnico e empresarial. Além disso, o empreendedorismo nomeia os estudos relativos ao empreendedor, como suas origens, perfil, sistema de atividades e seu universo de atuação.

Projeto é um empenho transitório empreendido para criar um produto ou serviço, normalmente são autorizados como resultado de uma ou mais importâncias estratégicas, que pode ser um avanço tecnológico, um requisito legal, a solicitação de um cliente ou uma demanda de mercado.

a solicitação de um cliente ou uma demanda de mercado. 18 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS
Dessa forma, a figura do empreendedor está diretamente ligada com a elaboração de projetos, pois

Dessa forma, a figura do empreendedor está diretamente ligada com a elaboração de projetos, pois é o indivíduo que detém uma forma especial e inovadora de se dedicar às atividades de organização, administração e execução, com capacidade de gerar um novo método de seu próprio conhecimento.

Vale destacar que existem também os intraempreendedores que trabalham dentro dos limites de uma organização já estabelecida. As grandes empresas vêm buscando incentivar os funcionários com o objetivo de acelerar as inovações dentro das organizações.

De acordo com Leite (2000), os empreendedores se destacam nas qualidades pessoais como iniciativa, visão, coragem, firmeza, decisão, atitude de respeito humano, capacidade de organização e direção. Assim, empreender é criar, assumir risco e antecipar o futuro, o empreendedor está diretamente ligado à inovação, que é o processo que compreende o desenvolvimento de novos produtos ou processos produtivos.

Segundo Joseph Schumpeter, citado por Medeiros (2007), o empreendedor tem um papel essencial no processo de inovações, sendo que a figura do empreendedor ganhou absoluta importância na ciência econômica. Dessa forma, o método empreendedor abrange atividades, funções e ações relacionadas com a criação de novos produtos, processos, negócios ou até mesmo com a introdução de novos conceitos e ideias.

Logo, o empreendedorismo, juntamente com a inovação que ele gera, são aspectos essenciais para o processo criativo no sentido de promover o crescimento econômico, com o aumento da produtividade e a geração de empregos. Segundo Castro (2006), o conhecimento passou a ter um papel central no desenvolvimento econômico, tornando-se o fator principal no processo de inovação e aumento da competitividade. Assim, a inovação está ligada diretamente com o conhecimento.

O

conhecimento é uma concepção ampla que abrange todas as técnicas de informações que

o

empreendedor deve dominar, pois é fundamental para o desenvolvimento de um projeto de

pois é fundamental para o desenvolvimento de um projeto de ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
investimento o conhecimento do produto ou serviço, seu processo de produção, aspectos administrativos e organizacionais

investimento o conhecimento do produto ou serviço, seu processo de produção, aspectos

administrativos e organizacionais da empresa e do projeto.

Dessa forma, a realização do projeto está diretamente ligada com a figura do empreendedor,

pois cada um tem suas peculiaridades próprias de acordo com a atividade ou o setor que

a empresa está inserida. Assim, o empreendedor precisa se antecipar às necessidades do

mercado e conhecer o ambiente em que a empresa atua. Para isso, iremos discutir a seguir

sobre como planejar estrategicamente um negócio.

PLANEJAMENTO

INVESTIMENTO

ESTRATÉgICO

APLICADO

A

PROJETOS

DE

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

O planejamento estratégico é um método de formulação de objetivos e execução, levando em

conta o ambiente externo e interno à empresa e sua evolução esperada. Projetado para longo

prazo, envolve a organização como um todo. O conteúdo é genérico, sintético e abrangente,

definido pela cúpula da organização como maior plano. Assim, procura maximizar os resultados

e minimizar as deficiências com:

• Eficiência: fazer as coisas de maneira correta, resolver problemas, salvaguardar os recur- sos aplicados, reduzir custos e cumprir o dever.

os recur - sos aplicados, reduzir custos e cumprir o dever. 20 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE
• Eficácia: fazer as coisas corretamente, produzir alternativas criativas, maximizar a utiliza - ção de

Eficácia: fazer as coisas corretamente, produzir alternativas criativas, maximizar a utiliza- ção de recursos aumentando o lucro e obter resultados.

Efetividade: manter-se sustentável no ambiente, proporcionar resultados positivos ao longo do tempo, coordenar esforços e energias sistematicamente.

O

conceito central do processo de planejamento estratégico é a visão da empresa, que é uma

reprodução da estratégia que está na cabeça do empresário e que serve como inspiração

daquilo que precisa ser feito. Exemplo: para desenvolver um projeto de investimento, há a

necessidade de conhecer a visão do investidor para saber até onde ele quer chegar, ou seja,

o

ápice de seu desenvolvimento e rentabilidade.

A

formação da estratégia funciona como um processo proativo ou reativo às forças ambientais,

e

os empreendedores precisam saber interpretar este ambiente para garantir uma adaptação

adequada do projeto. Para isso, há uma necessidade de realizar um diagnóstico do ambiente

a fim de verificar as oportunidades e ameaças, as forças e fraquezas do mercado no qual a

empresa está inserida.

Dessa forma, dependendo da complexidade do projeto de investimento, será necessário um

estudo mais complexo, que envolve a visão do empresário e/ou produtor rural e o ambiente

no qual a empresa está inserida. Vale ressaltar que, muitas vezes, o empresário não tem uma

visão definida e não conhece as oportunidades e ameaças, ou seus pontos fortes e fracos.

Cabe, então, ao indivíduo que está desenvolvendo o projeto, estudá-los.

Inicialmente, vamos falar sobre a missão da empresa, que é a natureza do negócio, e o seu papel

na sociedade, para depois falarmos da visão da empresa que tem que estar de acordo com

o padrão comportamental da mesma. E, em seguida, discutiremos sobre análise estratégica.

Missão da Empresa

Caro(a) aluno(a), o significado de missão é trabalho a ser realizado. Dessa forma, a missão da

empresa deve ser definida conforme a necessidade de atender o ambiente externo, e não de

a necessidade de atender o ambiente externo, e não de ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
termos que oferecer um produto ou serviço, e deve partir do pressuposto de que a

termos que oferecer um produto ou serviço, e deve partir do pressuposto de que a empresa

como um todo se compromete com essa missão. Exemplos:

• “Criar valor de forma sustentável, com ética e responsabilidade às empresas. Promovendo a competitividade e expansão no mercado” Economy Consultoria.

• “Refrescar o mundo, inspirar momentos de otimismo, criar valor e fazer a diferença” Coca- -Cola.

• “Melhorar a vida, contribuindo para o aumento sustentável da oferta de alimentos e bioe- nergia, aprimorando a cadeia global de alimentos e do agronegócio” BUNGE.

Dessa forma, a missão organizacional deve observar a razão de ser da organização, a natureza

do negócio, o papel na sociedade, o valor que cria para seu público e os tipos de atividades em

que a organização deve concentrar seus esforços no futuro.

Declarar a missão é importante, pois ao explicitar os principais compromissos da organização,

ajuda a concentrar o esforço das pessoas para uma direção, afasta o risco de buscar propósitos

conflitantes, evitando decadência e falta de foco, estabelece atitude e responsabilidades,

alinha a formação das políticas, a definição dos objetivos organizacionais e fundamenta a

alocação dos recursos, segundo o escopo dado pela missão.

Visão

Caro(a) aluno(a), este item vai trabalhar o conceito de visão e fazer uma introdução sobre

como iniciar um processo de alinhamento da mesma. É importante conhecermos, pois ao

elaborarmos um projeto, precisamos saber aonde a empresa quer chegar, ou seja, qual é o

ápice de seu desenvolvimento. E, muitas vezes, o empresário e/ou produtor rural, não tem uma

visão definida, ou nunca ouviu falar sobre o assunto.

Muitas vezes, ao elaborarmos um projeto, vamos nos deparar com essas situações, pois

dependendo da complexidade do mesmo, precisamos deixar clara a visão da empresa

do mesmo, precisamos deixar clara a visão da empresa 22 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
para a instituição financiadora. É nessa hora que precisamos assessorar o empresário para desenvolver uma

para a instituição financiadora. É nessa hora que precisamos assessorar o empresário para

desenvolver uma visão que esteja de acordo com o seu grupo de interesse.

Assim, a visão do negócio tem que estar de acordo com o padrão comportamental da

organização e, desta forma, merecer credibilidade. Deste modo, deve atender à premissa de

aderência aos fatos reais, descrição concisa, mas poderosa, e equilíbrio para todos os grupos

de interesse. Para isso, é necessário o alinhamento da visão de negócio, que consiste em:

1.

Explanar a todos os grupos de interesse a direção do negócio: a visão deve ser genérica, a fim de contemplar todos os grupos de interesse.

2.

Apresentar uma condição futura: a visão estabelece um estado ideal de organização, que representa o topo de seu desenvolvimento, dentro daquele período.

3.

Motivar os grupos de interesse envolvidos a realizarem as ações indispensáveis: compro- meter todos do grupo de interesse para que quando concretizada a visão do negócio, todos estejam satisfeitos com o resultado.

4.

Apresentar o foco: pois sem uma visão clara, as pessoas ficam confusas na hora de tomar decisões.

5.

Inspirar as pessoas a trabalharem em comando de um conjunto interligado de objetivos:

proporcionar motivação para que as pessoas possam alcançar os objetivos organizacio- nais e pessoais.

Para a elaboração da visão de um negócio, inicialmente deve-se reconhecer o propósito da

organização. Exige um claro autorreconhecimento, “de quem somos” (empresa), os valores da

organização e os anseios. Seguem, então, exemplos de missão:

• “Ser a melhor empresa do Brasil em geração de valor para o mercado” Economy Consulto- ria.

• “Ser a melhor empresa de varejo do Brasil” Lojas Americanas.

Portanto, comprometer-se com uma direção futura não é tarefa fácil, pois pode prejudicar a

futura não é tarefa fácil, pois pode prejudicar a ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
empresa ou até mesmo favorecer os concorrentes. Assim, a visão precisa ficar relacionada com “o

empresa ou até mesmo favorecer os concorrentes. Assim, a visão precisa ficar relacionada com “o que” sua empresa quer ser, devendo ir além dos limites da empresa relacionados as suas competências atuais.

Análise Estratégica

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro(a) aluno(a), já foi discutido sobre algumas questões básicas da intenção estratégica, visão

e missão da empresa. Agora, vamos estudar o diagnóstico estratégico externo, conhecimento

do ambiente e de suas oportunidades e compreender a organização e suas potencialidades. Dessa forma, falaremos muito sobre ambiente, que neste contexto é tudo aquilo que envolve externamente uma empresa, ou seja, é o contexto dentro do qual existe a organização.

O cenário ambiental influencia poderosamente os negócios, afetando-os com maior ou menor

impacto, pois é constituído de todos os fatores econômicos, sociais, tecnológicos, legais, políticos culturais e demográficos que compõem um campo dinâmico, provocando instabilidade

e mudanças por decorrência da complexidade e da incerteza a respeito das situações e circunstâncias que são criadas.

Dessa forma, como o ambiente é mutável, qualquer alteração na organização pode alterar ou mudar os fatos ambientais, como também qualquer alteração nesses fatores ambientais pode mudar ou alterar a empresa ou organização. Assim, o diagnóstico externo satisfaz ao estudo dos diversos fatores e forças do ambiente externo, focando principalmente em identificar as oportunidades e/ou ameaças e localizar potenciais oportunidades e ameaças futuras.

e localizar potenciais oportunidades e ameaças futuras. 24 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
O diagnóstico se divide em analisar o ambiente contextual e relacional. O contextual, ou chamado

O diagnóstico se divide em analisar o ambiente contextual e relacional. O contextual, ou

chamado também de macroambiente, é a situação dentro da qual a empresa está inserida,

que pode ser definida por meio de indicadores, como:

1.

Ambiente demográfico: nível de escolaridade; dimensão, densidade e distribuição geo- gráfica populacional; taxa de mobilidade da população e processo migratório; taxa de casa- mentos, natalidade e de mortalidade; taxa de crescimento e envelhecimento da população; estrutura etária, familiar e residencial; composição étnica e religiosa.

2.

Ambiente econômico: renda da população; aumento da renda; distribuição de renda; ní- vel de emprego; padrão de consumo e poupança; globalização; taxa de câmbio, juros e in-

flação; mercado de capitais; distribuição de renda; produto interno bruto; reservas cambiais

e

balança de pagamentos.

3.

Ambiente político e legal: política monetária, fiscal, tributária e previdenciária; legislação tributária, trabalhista, comercial e criminalista; política de relações internacionais; legisla- ção sobre proteção ambiental; políticas de regulamentação, desregulamentação e privati- zação; estrutura de poder; legislação federal, estadual e municipal.

4.

Ambiente sociocultural: crenças e aspirações pessoais; hábitos das pessoas em relação

atitudes e suposições; relacionamentos interpessoais e estrutura social; mobilidade entre classes; origem urbana ou rural e os determinantes de status; atitudes com preocupações individuais versus coletivas; grau variado de fragmentação dos subgrupos culturais; com- posição da força de trabalho; situação socioeconômica de cada segmento da população.

a

5.

Ambiente tecnológico: processo de destruição criativa; passo tecnológico; atenção em novos campos da ciência; nível e programas em pesquisa e desenvolvimento (P&D); iden- tificação dos padrões aceitos; manifestações em relação aos avanços tecnológicos; ve- locidade das mudanças tecnológicas atualizadas no país; aquisição, desenvolvimento e transferência de tecnologia; proteção de marcas e patentes; incentivos governamentais ao desenvolvimento tecnológico.

6.

Ambiente dos recursos naturais: custo da energia; escassez de matérias-primas; aque- cimento global; novas ameaças e doenças; catástrofes naturais; poluição ambiental; sus- tentabilidade.

O

ambiente relacional e/ou microambiente envolve um conjunto de fatores competitivos como

concorrentes, fornecedores, clientes e agências reguladoras:

• Ameaça de novos entrantes.

• Fornecedores e poder de barganha de compradores.

• Produtos substitutos e o grau de intensidade e rivalidade entre concorrentes.

Encontrar uma posição estratégica é um desafio do setor no qual a empresa possa influenciar

Encontrar uma posição estratégica é um desafio do setor no qual a empresa possa influenciar convenientemente os fatores competitivos ou se proteger da influência deles.

Assim, é importante fazer uma análise do setor, que permite examinar e conhecer a conjuntura em que a empresa está atuando, e dessa forma avaliar as oportunidades e ameaças, identificando possíveis convergências que possam ter impacto na organização. É importante analisar os produtos, serviços, tecnologia, estrutura, dinâmica e crescimento, concorrência, fornecedores, clientes e canais de distribuição.

Deste modo, a análise setorial permite avaliar o crescimento e a maturidade do produto ou serviço, conhecer o comportamento e antecipar as tendências do setor, reconhecer as

estratégias vitoriosas, identificar os intervenientes, encontrar novas oportunidades e até prever

e evitar riscos.

Portanto, na hora de analisar a viabilidade de um projeto, não devemos esquecer de fazer um diagnóstico externo a fim de conhecer o macro e o microambiente. Pois é necessário compreender que o ciclo econômico é um padrão repetitivo de recessões e recuperações da economia, e que nem todos os setores são iguais.

Definição de Objetivos

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Os objetivos são decididos de acordo com a vontade e perspectivas do empresário quanto

a uma condição futura ideal. Essa definição de objetivo é decorrente da etapa anterior, já que de acordo com as condições internas e externas pode se determinar o caminho que

internas e externas pode se determinar o caminho que 26 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
a organização irá adotar. Assim, são resultados quantitativos e qualitativos que a empresa necessita desempenhar

a organização irá adotar. Assim, são resultados quantitativos e qualitativos que a empresa

necessita desempenhar no conjunto de seu ambiente para cumprir sua missão.

Os objetivos devem ser coerentes, viáveis, explícitos, mensuráveis, terem prazos confiados

por toda organização e em número abreviado para evitar dispersão. Dessa forma, os temas

mais utilizados nos processos de planejamento são crescimento, rentabilidade, participação

no

mercado, produtividade e qualidade.

O

objetivo mais encontrado nas empresas é a maximização dos lucros, que está relacionada

à

rentabilidade, que é a relação do lucro sobre o patrimônio ou a lucratividade, lucro sobre as

vendas. Exemplo: aumentar a rentabilidade no próximo ano em x%. Já o crescimento está

ligado ao faturamento ou à produção. Um exemplo é aumentar o faturamento ou produção em

x% em um prazo máximo de cinco anos.

O objetivo de aumentar a participação no mercado está relacionado com o faturamento/

faturamento do setor ou produção/produção do setor. Produtividade é o faturamento por

funcionário ou vendas por m². Um exemplo de indicador por produtividade na propriedade rural

é saca de soja por equitare. Por fim, a qualidade é medida pelo nível de satisfação do cliente.

Exemplo: atingir o nível Q de qualidade até o mês de abril do próximo ano.

Os objetivos são determinados a partir de diversas abordagens:

• Determinística carismática: característica qualitativa, pois o objetivo é determinado pelo empresário ou gestor.

• Estatística: o objetivo definido é derivado do exercício anterior como, por exemplo, aumen- tar a produção e/ou as vendas em 10% em relação ao ano anterior.

• Analítica Racional: por meio da elaboração de um diagnóstico e hipótese de melhorias, um exemplo seria não ter mais que 5% de perda da produção na hora da colheita.

• Contingencial: adequada para obtenção de resultados de curto prazo. Os objetivos vão sendo definidos de acordo com os obstáculos que vão aparecendo. Um exemplo: colher a soja até o final da semana, pois há perspectiva de chuva intensa na próxima semana.

pois há perspectiva de chuva intensa na próxima semana. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
Portanto, os objetivos indicam o que fazer, que caminho seguir, ou seja, o rumo da

Portanto, os objetivos indicam o que fazer, que caminho seguir, ou seja, o rumo da organização,

mas a resposta ao como fazer será dada pelas estratégias que definem como deslocar,

recolocar, ajustar e compor de modo ordenado os recursos organizacionais disponíveis,

e como empregar as competências para usar as oportunidades e neutralizar as possíveis

ameaças. Dessa forma, no item a seguir, discutiremos a elaboração de estratégias.

ELABORAÇÃO DE ESTRATÉgIAS

Neste tópico discutiremos a elaboração de estratégias por meio de algumas ferramentas que

servem para tomada de decisão. Muitas vezes, ao elaborarmos um projeto de investimentos,

precisamos conhecer os modelos de estratégias para podermos orientar o investidor sobre a

sua decisão. O conhecimento do mercado em que a empresa está atuando é fundamental para

o sucesso do empreendimento.

Não podemos ficar atrelados apenas na parte financeira do produto, temos que olhar em volta,

fazer análise e muitas vezes montarmos estratégias.

Matriz Produto e/ou Mercado

Como se pôde observar nos itens acima, os objetivos e as missões das empresas destacam

crescimento, uma busca por maior rentabilidade, ou seja, maior lucro. Assim, matriz produto/

mercado é um modelo utilizado para definir oportunidades de crescimento de unidades de

negócios de uma empresa.

Tabela 01- Matriz Produto/Mercado

 

Produtos Atuais

Novos produtos

Mercados Atuais

Tática de Penetração no Mercado

Tática de Desenvolvimen- to do Produto

Novos Mercados

Tática de Desenvolvimen- to de Mercado

Tática de Diversificação

Fonte: Adaptado de Ansoff (1957).

1. Penetração no Mercado: as empresas tentam vender mais de seus produtos atuais para mercados atuais. Assim, a organização foca na mudança de clientes eventuais para clien- tes regulares, ou seja, para usuários intensivos do produto. Para isso, ocorre um maior gasto com propagandas e/ou com venda pessoal. Exemplo: os frigoríficos de aves utilizam

essa estratégia, incentivando os clientes a consumirem o produto mais vezes durante a semana, por

essa estratégia, incentivando os clientes a consumirem o produto mais vezes durante a semana, por ser mais saudável do que a carne vermelha.

2. Desenvolvimento de Mercado: a organização tenta tomar clientes, inserindo produtos existentes em mercados externos ou colocando novas marcas no mercado, ou seja, a em- presa continua vendendo seus produtos atuais para novos mercados. Exemplo: quando o consumo de leite entra em queda, o produtor rural tenta investir mais recursos na produção de queijo.

3. Desenvolvimento de Produtos: para melhor satisfazer seus clientes, a empresa busca vender outros produtos ao mercado atual e consequentemente atrair um novo público. Dessa forma, exige-se que a organização desenvolva novos produtos. Por exemplo, uma cooperativa agroindustrial produz óleo de soja, e passa a produzir óleo de girassol, canola, milho e azeite.

4. Diversificação: é uma das estratégias mais arriscadas, a empresa desenvolve novos pro- dutos para vender em novos mercados. Por exemplo, um piscicultor que fez isso a vida toda resolve entrar no mercado de reprodução de bovinos.

Modelo de Ciclo de Vida do Produto

O modelo de ciclo de vida visa olhar além das fronteiras da empresa, mostra desde o

nascimento até a morte do produto, que convive com cinco estágios: desenvolvimento do

produto, introdução, crescimento, maturidade e declínio. São exemplos as máquinas de

escrever, fitas VHS e disco de vinil.

as máquinas de escrever, fitas VHS e disco de vinil. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
Gráfico 01- Ciclo de Vida do Produto Fonte: Wikipédia, 2011. A Introdução é um estágio

Gráfico 01- Ciclo de Vida do Produto

Gráfico 01- Ciclo de Vida do Produto Fonte: Wikipédia, 2011. A Introdução é um estágio mais

Fonte: Wikipédia, 2011.

A Introdução é um estágio mais arriscado, pois ocorre quando a organização lança um produto no mercado, e o sucesso depende da aceitação ou não do consumidor. As características

e implicações desse estágio, em geral, são vendas baixas, um alto custo, lucro negativo, consumidores inovadores e poucos concorrentes.

O crescimento ocorre quando as pessoas começam a conhecer o produto e utilizá-lo. Esse

estágio se remete à aceitação do mercado, quando ele não ocorre é porque não houve interesse dos consumidores por tal. É a fase em que os concorrentes começam a entrar no mercado e os lucros declinam gradativamente. As vendas crescem, a empresa reduz o custo devido à escala de produção.

Já a maturidade é o estágio onde os consumidores já conhecem o produto e passam a utilizá- -lo, assim as venda nivelam, o custo é relativamente baixo com lucro elevado, alcançou os consumidores posteriores e os concorrentes começam a diminuir, ou seja, sairem do mercado.

Por fim, tem-se o declínio, que é o estágio em que as vendas começam a cair, o custo é baixo e o lucro declinante, atingem os consumidores retardatários, e os concorrentes também declinam.

retardatários, e os concorrentes também declinam. 30 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Dessa forma, com o dinamismo do mercado os produtos têm ciclos de vida cada vez

Dessa forma, com o dinamismo do mercado os produtos têm ciclos de vida cada vez mais curtos, por isso devemos estar atentos na hora de realizar um investimento. Um exemplo claro disso é a compra de videolocadoras, um investimento onde atualmente o mercado está em declínio.

O investidor resolve contratá-lo para fazer um projeto de ampliação, ou implantação de uma

nova unidade de videolocadora, visando aumentar as receitas futuras, mas o mercado se encontra em declínio. O que você vai fazer? Realizará o projeto? Como posso fazer com que o projeto seja altamente rentável em um mercado que se encontra em declínio?

São perguntas que vão estar em nosso cotidiano. Dessa forma, é necessário um estudo minucioso do mercado, e estar atentos às inovações que ele pode nos trazer. Caso você ache uma alternativa para inovar o produto do seu cliente, certamente realizará o projeto.

Outro exemplo: o investidor compra uma propriedade muito grande no noroeste do Paraná, sem experiência nenhuma no negócio. Chama você, aluno, para realizar um projeto de investimento para captar recursos financeiros em um banco qualquer para a construção de alojamentos visando contratar mão de obra para colher café. O que você faria?

Vamos analisar juntos. Temos visto reportagens sobre o êxodo rural, no qual as pessoas têm saído do campo cada vez mais e a mão de obra neste setor está cada vez mais escassa. Podemos dizer que em alguns lugares do país essa mão de obra se encontra em declínio, principalmente no estado do Paraná. Dessa forma, no momento de realizar o projeto deve-se analisar a dificuldade de encontrar pessoal, o tempo gasto para colher, os custos trabalhistas em relação à possibilidade de alugar ou comprar a máquina para colher.

Portanto, no projeto de viabilidade, as receitas são estimadas, e se você fizer uma estimativa

irreal, seu projeto será irreal, e todo o investimento será comprometido. Vale destacar que não

é simples identificar com precisão onde cada estágio começa e termina, um conhecimento

onde cada estágio começa e termina, um conhecimento ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
profundo de cada um desses estágios é importantíssimo. Dessa forma, analisar o modelo de ciclo

profundo de cada um desses estágios é importantíssimo. Dessa forma, analisar o modelo de ciclo do produto é imprescindível na hora de fazer um projeto, independentemente do setor.

Matriz BCg (Participação de Mercado/Crescimento do Mercado)

A matriz BCG é um modelo desenvolvido por Bruce Henderson em 1970. É um modelo

baseado no ciclo de vida do produto. Por essa razão não é necessária a utilização dos dois ao mesmo tempo. A matriz pode ser analisada por duas dimensões, crescimento do mercado e a participação de mercado em relação ao seu maior concorrente.

Ao analisarmos a figura 01 vemos um ponto de interrogação, que é conhecido como criança-

-problema, pois exige altos investimentos e em contrapartida apresenta baixo retorno sobre

o ativo. Um ponto de interrogação identifica produtos com baixa participação no mercado, mas com altas taxas de crescimento que não atingiram a base segura em um mercado em expansão e altamente competitivo.

Já a estrela apresenta altas taxas de crescimento e uma grande participação no mercado, gerando receitas, ficando em equilíbrio quanto ao fluxo de caixa. No entanto, um produto nesta categoria exige muito dinheiro para permanecer competitivo em um mercado de crescimento, apresentando um grande desafio para as empresas.

As vacas leiteiras representam o estágio em que os produtos atingem altas parcelas de mercado. Os lucros e a geração de caixa são relativamente altos, pois como o crescimento de mercado é baixo, não são necessários grandes investimentos. Podemos considerar que o produto se encontra em estágio de maturidade em seu ciclo de vida.

Por fim, tem-se o abacaxi, conhecido como bicho de estimação. São produtos que têm uma desprezível participação no mercado e operam em setores com baixas taxas de crescimentos, devem ser evitados e minimizados em uma empresa.

devem ser evitados e minimizados em uma empresa. 32 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
Figura 01- Matriz BCg Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011. Vale destacar que os produtos situados
Figura 01- Matriz BCg Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011. Vale destacar que os produtos situados

Figura 01- Matriz BCg

Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011.

Vale destacar que os produtos situados em cada quadrante saem de indicação de diferentes estratégias que são elaboradas, considerando a dinâmica de quatro situações distintas. Mas é preciso tomar alguns cuidados na hora de avaliar cada situação, pois alta participação ou o crescimento de mercado não é um exclusivo fator de sucesso, às vezes um animal de estimação, ou seja, um abacaxi, pode gerar mais caixa que uma vaca leiteira.

CONSTRuÇÃO DE CENÁRIOS PROSPECTIVOS

Neste item, estudaremos a construção de cenário prospectivo, que está diretamente ligada ao diagnóstico do ambiente, tanto externo como interno, no qual é o conhecimento básico para entender e lidar com as variáveis mercadológicas. O futuro é resultado de combinações de incertezas e os empreendedores enfrentam um dilema diante de um ambiente dinâmico, onde investir no incerto pode envolver risco e dinheiro.

Caro(a) aluno(a), não existem bolas de cristal e não há uma maneira de simplificar os

bolas de cristal e não há uma maneira de simplificar os ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS
acontecimentos futuros. Para minimizar os riscos de dúvidas quanto ao futuro e propiciar ferramentas que

acontecimentos futuros. Para minimizar os riscos de dúvidas quanto ao futuro e propiciar ferramentas que promovam a definição de estratégias, utilizam-se técnicas prospectivas.

Os estudos prospectivos são, com efeito, um mecanismo eficiente de planejamento, identificação de oportunidades e definição de ações. Devemos considerar a prospecção um processo continuado de pensar o futuro e de identificar elementos para a melhor tomada de decisão, levando em consideração aspectos econômicos, sociais, ambientais, científicos e tecnológicos. Não se trata, pois, de explorar faculdades divinatórias. Cenários não são predições sobre o que irá a acontecer. A premissa é de que o futuro não está, em larga margem, predeterminado e, portanto, pode ser moldado pela ação dos atores sociais (SARDENBERG apud GRUMBACH, 2002, p.12).

Os estudos prospectivos têm a finalidade de identificação de oportunidades e definição de ações, essas propõem descrições de possíveis futuros chamados de cenários. Assim, as bases para a construção de cenários são análises feitas do diagnóstico externo, como o que há no ambiente, e a organização identifica o que ela poderia escolher para fazer, e no diagnóstico interno, o que temos na empresa, e como a organização identifica o que ela pode fazer.

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Inicialmente é recomendável que se entenda o ambiente, que se faça um estudo exploratório para melhorar o entendimento do mundo real dos negócios e das variáveis. Esta primeira fase é a construção da base, onde a empresa busca o autoconhecimento, exemplo: por que

é necessário investir? Qual o valor que o negócio agregará perante a sociedade? Qual seria

a ascendência do produto para os próximos anos? Qual será o número a ser produzido? Qual seria o preço? Como seriam os concorrentes? Como seria o comportamento do consumidor? Como estariam as regulamentações governamentais? Como estaria a conjuntura econômica mundial e nacional?

Como estaria a conjuntura econômica mundial e nacional? 34 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
Portanto, para o desenvolvimento de cenários devemos estar atentos ao potencial da ideia se tornar

Portanto, para o desenvolvimento de cenários devemos estar atentos ao potencial da ideia

se tornar realidade, a sequência lógica dos fatos e além disso, cada um deve ser distinto dos

demais, com valores diferentes para testar as opções estratégicas. Dessa forma, o método

para a constituição de cenários se dá pela:

1.

Assimilação e focalização do tema: corresponde ao problema a ser estudado que justificará

o

processo, ou seja, o propósito, a amplitude e o horizonte temporal. Em seguida, o assunto

apresentado por questões relevantes em relação ao futuro. Ex.: quais tendências estão surgindo que terão impacto sobre o negócio? Como estará a economia mundial, continental

é

e

nacional nos próximos anos?

2.

Assimilação, classificação, coerência das forças motrizes: reconhecimento dos eventos identificados nos diagnósticos, como contexto sociocultural, demográfico, econômico, po- lítico, tecnológico e recursos naturais. É necessário identificar os acontecimentos mais impactantes e previsíveis, criar diferentes categorias e perceber as conexões entre os epi- sódios. Enfim, é uma pesquisa do passado e da conjuntura atual e uma compreensão dos fatos mensageiros de futuro.

3.

Disposição das incertezas: depois de realizadas as conexões na etapa anterior, é neces- sário procurar o que há em comum entre elas para obter as séries de incertezas, como se fosse uma lista preliminar de possíveis eventos.

4.

Criação de planos aceitáveis: usando a lógica das forças motrizes, o empreendedor deverá mostrar as diferentes maneiras de comportamento conforme os diferentes enredos possí- veis com base em desempenhos passados, ou seja, terá que avaliar as probabilidades e pertinências, em seguida analisar a convergência de opiniões, e por fim a seleção de matriz definitiva.

5.

Cálculo das implicações: é mostrar como será o empreendimento com base em cada cená- rio construído, ou seja, avaliar e interpretar os cenários.

6.

Aplicação da metodologia: seria a recomendação de medidas, em seguida implementação.

a recomendação de medidas, em seguida implementação. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
ANÁLISE DE CENÁRIO POR INTERMÉDIO DA MATRIZ DE SWOT Caro(a) aluno(a), neste item estudaremos um

ANÁLISE DE CENÁRIO POR INTERMÉDIO DA MATRIZ DE SWOT

Caro(a) aluno(a), neste item estudaremos um instrumento utlizado para realizar as análises de cenários, sendo empregado como apoio para a gestão e planejamento estratégico de uma organização. A matriz de swot foi elaborada com uma metodologia capaz de analisar tanto o ambiente externo, as oportunidades e ameaças, quanto o ambiente interno, pontos fortes e fracos.

Seguem, abaixo, alguns exemplos de pontos fortes e fracos, oportunidades e ameaças, segundo Chiavenato e Sapiro (2009):

Os pontos fortes são peculiaridades internas que tanto podem ser atuais ou potenciais, as quais auxiliam o cumprimento do objetivo e/ou missão estratégica da empresa, como:

• Competências básicas em áreas chaves do setor.

• Recursos financeiros adequados.

• Liderança e imagem no mercado.

• Acesso a economias de escala.

• Curva de experiência em pesquisa e desenvolvimento.

Os pontos fracos são características ou falhas internas que tanto podem ser atuais ou potenciais, as quais prejudicam ou dificultam o cumprimento do objetivo e/ou missão estratégica da empresa, como:

• Falta de foco no negócio.

• Instalações obsoletas.

• Ausência de competências básicas.

• Problemas operacionais internos.

competências básicas. • Problemas operacionais internos. 36 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a

• Confiabilidade dos dados, planos e previsões.

• Sucesso na liderança.

dos dados, planos e previsões. • Sucesso na liderança. As oportunidades são acontecimentos ou condições externas

As oportunidades são acontecimentos ou condições externas que tanto podem ser atuais ou potenciais, capazes de colaborar para o êxito do objetivo e/ou missão estratégica da empresa, como:

• Mudanças de hábitos no consumidor.

• Surgimento de novos mercados.

• Diversificação.

• Queda de barreiras comerciais.

Nas ameaças, as oportunidades são acontecimentos ou condições externas que tanto podem ser atuais ou potenciais, capazes de lesar ou atrapalhar o objetivo e/ou missão estratégica da empresa, como:

• Mudanças de hábito do consumidor.

• Entrada de novos concorrentes.

• Aumento das vendas de produtos substitutos.

• Mudança na regulamentação.

• Novas tecnologias, serviços e ideias.

• Crise na economia.

A análise do ambiente interno busca as vantagens e desvantagens internas da empresa em relação aos concorrentes. Já do ambiente externo, busca analisar as perpectivas de mercado, ou seja, aspectos positivos e negativos com potencial de crescer ou comprometer a vantagem competitiva da organização.

ou comprometer a vantagem competitiva da organização. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Figura 02- Análise de Swot Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011. Ao analisarmos os pontos fortes
Figura 02- Análise de Swot Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011. Ao analisarmos os pontos fortes

Figura 02- Análise de Swot

Fonte: Adaptado do Wikipédia, 2011.

Ao analisarmos os pontos fortes e as oportunidades da figura acima, vemos que a empresa tem que extrair altamente as forças e aproveitar ao máximo as oportunidades, abordagem agressiva. Já nos pontos fortes e nas ameaças, é necessário que a empresa extraia o máximo da força e minimize os efeitos das ameaças, abordagem de segmentação, ou seja, área de aproveitamento do potencial.

Em relação aos pontos fracos e às oportunidades, a empresa precisa trabalhar para desenvolver estratégias com intenção de minimizar os efeitos negativos das fraquezas e aproveitar as oportunidades detectadas, abordagem defensiva. Se a empresa se encontra com muitos pontos fracos e ameaças, é necessário que ela tenha uma abordagem de desinvestimento, desativação ou blindagem, pois a organização se encontra na área de risco. Assim, neste caso, se a empresa resolve continuar as atividades, deve realizar estratégias para diminuir as fraquezas e as ameaças.

estratégias para diminuir as fraquezas e as ameaças. 38 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação

CONSIDERAÇÕES FINAIS

CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade procurei mostrar a importância de empreender e planejar

Caro(a) aluno(a), nesta unidade procurei mostrar a importância de empreender e planejar estrategicamente, pois o sucesso de um projeto depende de uma boa ideia acompanhada de um planejamento estratégico bem elaborado. Procurei apresentar uma visão geral de como elaborar estratégias, construção e análise de cenários prospectivos, com o intuito de dar o alicerce para a realização de um projeto bem estruturado em qualquer atividade ou setor da economia.

Você deve ter pensado muitas vezes, durante o estudo desta unidade, que não é necessário realizar um planejamento estratégico para a elaboração de um projeto, pois a empresa já detém uma parte, visão, missão, objetivos, ou seja, ela já tem uma ideia, já prevê por onde ela está indo e aonde vai chegar. Mas é importante conhecer todos os agentes econômicos que interagem com a mesma, pois na realização do projeto precisamos conhecer o ambiente no qual estão inseridas as oportunidades e ameaças, enfim, saber as diversas fases do planejamento estratégico, para não somente realizar o projeto, mas para direcionar o cliente que, muitas vezes, tem uma ideia que pode ser um abacaxi, ou uma estrela.

Portanto, o projeto de investimento é avaliado conforme a viabilidade econômica de uma ideia. Dessa forma, tudo começa com a ideia do empreendedor, em seguida a realização de um projeto que pode ser embasado em um planejamento estratégico estruturado.

ser embasado em um planejamento estratégico estruturado. Entre no site:

Entre no site: <http://www.cpac.embrapa.br/baixar/22/t> e leia o Boletim de Pesquisa e Desenvolvi- mento do Ministério da Agricultura. Desenvolvimento Organizacional e Rural II: Planejamento Estraté- gico Participativo em Associações de Agricultores de Base familiar.

em Associações de Agricultores de Base familiar. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• O que devo fazer para ser um empreendedor? • Como é planejar estrategicamente? •
• O que devo fazer para ser um empreendedor? • Como é planejar estrategicamente? •

• O que devo fazer para ser um empreendedor?

• Como é planejar estrategicamente?

• Qual a relação entre o modelo de ciclo de vida do produto e a Matriz BCG?

entre o modelo de ciclo de vida do produto e a Matriz BCG? ATIVIDADE DE AuTOESTuDO

ATIVIDADE DE AuTOESTuDO

1.

Qual a diferença entre eficiência, eficácia e efetividade?

2.

Explique como funciona o ciclo de vida do produto.

3.

Explique a Matriz Produto e/ou Mercado.

4.

Explique a Matriz BCG.

5.

Explique a análise de cenário por intermédio da Matriz de Swot.

a análise de cenário por intermédio da Matriz de Swot . BRASIL; SUDECO; SUDENE; PNUD; Banco

BRASIL; SUDECO; SUDENE; PNUD; Banco Mundial. Manual de Elaboração de Projetos de Desen- volvimento Rural. Recife, 1990.

BUARQUE, Cristovam. Avaliação econômica de projetos. Rio de Janeiro: Editora Campos, 1984.

de projetos . Rio de Janeiro: Editora Campos, 1984. 40 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |

uNIDADE II

CONCEITOS, FINALIDADE E ETAPAS DE ELABORAÇÃO DE PROJETOS

Professora Me. Juliana Franco

Objetivos de Aprendizagem

• Abordar os principais conceitos e finalidades sobre Elaboração e Análise de Projetos.

• Introduzir as principais etapas de elaboração de projetos.

Plano de Estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Conceito, Finalidade e Tipos de Projetos

• Fatores que Impactam as Decisões de Investimento

• Prioridade na Seleção de Projetos

• Os Componentes de um Projeto

• Fases de Elaboração de um Projeto

INTRODuÇÃO

INTRODuÇÃO Caro(a) aluno(a), nesta unidade nós iremos introduzi-lo aos principais conceitos e importância da

Caro(a) aluno(a), nesta unidade nós iremos introduzi-lo aos principais conceitos e importância da elaboração de projetos. Temos como objetivo apresentar a você os diferentes tipos de projetos existentes na economia, os principais fatores que devem ser considerados na elaboração dos projetos que podem impactar a decisão de investimento, além dos componentes e etapas que devem ser seguidas na elaboração dos mesmos.

A atual conjuntura econômica do Brasil, com altas taxas de juros, carga tributária elevada, inserida em um contexto de um mundo globalizado, levanta a importância da elaboração de projetos de viabilidade econômico-financeira, visto que, muitas empresas acabam falindo antes mesmo de completar um ano de existência, por falta de planejamento e preparo dos empresários. Assim, os projetos são destinados a auxiliar o empreendedor na sua decisão

de investimento, seja para ampliação de uma empresa já existente, seja para a compra de

novos equipamentos, implantação de uma nova empresa ou instalação, mudança de ramo de atividade entre outros objetivos.

A decisão de investimento é uma das mais importantes da empresa ou do futuro

empreendedor, estando baseada na avaliação atraente das estimativas do projeto. Investir é

realizar desembolsos esperando benefícios futuros, assim os empresários e administradores,

ao tomarem uma decisão de investimento, esperam que os resultados da empresa sejam

melhores do que seu custo de oportunidade (ou alternativa de investimento), visando aumentar

o valor da empresa quando esta já existe, ou que o novo empreendimento seja lucrativo.

Cabe ressaltar, meu caro leitor, que cada projeto deve ser elaborado obedecendo às características de cada setor da economia. O setor agropecuário possui especificidades que devem ser levadas em consideração no momento de seu planejamento.

Assim, o empreendedor rural deve elencar em primeiro lugar os fatores, tradicionais ou modernos, que determinam a sua produção rural.

ou modernos, que determinam a sua produção rural. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Entende-se por Fatores de produção tradicionais terra, clima, sementes e mudas, ferramentas e equipamentos rudimentares,

Entende-se por Fatores de produção tradicionais terra, clima, sementes e mudas, ferramentas

e equipamentos rudimentares, animais de tração e o trabalho do homem que os combina e

os põe a produzir. Além da água e dos primeiros materiais usados como fertilizantes, como:

cinzas, esterco, restos de lã, resíduos de aves e peixes, calcário, misturas de areia e calcário

e a adubação verde.

Já os fatores de produção modernos são fertilizantes orgânicos, fertilizantes químicos, defensivos agrícolas ou agrotóxicos, biotecnologia (sementes e mudas melhoradas), irrigação mecânica, tratores, colheitadeiras, adubadeiras, sementadeiras, aviões agrícolas, ordenhadeiras mecânicas, melhoramento genético dos animais, inseminação artificial, cruzamento de raças, transferência e clonagem de embriões e rações balanceadas.

Em segundo lugar deve-se conhecer as peculiaridades do setor rural, Accarini (1986) lista as

principais:

1. Dispersão do espaço rural: o espaço rural é definido como a área de terras efetivamente cultivada com lavouras temporárias ou permanentes, produção animal e com a exploração de plantas extrativas vegetais.

A atividade rural no Brasil se apresenta geograficamente dispersa decorrente das desigual- dades das qualidades das terras, da maior e menor proximidade dos centros consumidores, processadores e exportadores, das diversidades do clima e do relevo.

Este fato, meus caros leitores, faz com que os produtores rurais enfrentem diversos proble- mas, como:

• Dificuldade na compra dos fatores de produção.

• Altos custos de transporte.

• Dificuldade de acesso ao crédito.

• Dificuldade de vender a produção.

• Falta de concorrência na compra da produção e na venda dos insumos.

Assim, quanto mais dispersa e distante a região produtora dos centros consumidores, menores tenderão a serem os preços efetivamente recebidos pelos produtores, visto que os preços para produtos idênticos independem do local onde foram produzidos.

2. Descontinuidade do Fluxo de Produção: as atividades rurais não possuem um ciclo de produção

2. Descontinuidade do Fluxo de Produção: as atividades rurais não possuem um ciclo de produção contínuo e se concentram em épocas específicas do ano. Assim, em determinados períodos a demanda por fatores de produção é muito alta, aumentando o preço dos mesmos e com isto os custos de produção. Por outro lado, em outras épocas

há a ociosidade de fatores de produção como terras, armazéns, tratores, colheitadeiras e outros itens de capital cuja aquisição exige grande soma de recursos, elevando os custos financeiros, podendo inviabilizar a realização dos correspondentes investimentos.

A mão de obra pode ser dispensada em período de menor produção, mas pode trazer

complicações trabalhistas, e nas épocas de safra os armazéns, os meios de transportes e

os portos ficam congestionados, aumentando o valor do aluguel, dos fretes e outros custos.

Além disso, nesta época o preço cai, devido ao aumento da oferta.

3. Duração do Ciclo Produtivo: a duração do ciclo produtivo é bastante rígida, dificultando

o rápido ajustamento da oferta às alterações de mercado. Quanto mais longa a espera produtiva, maior o custo dos recursos empregados na produção.

4. Perecibilidade dos Produtos: os produtos da área de alimentos são mais perecíveis, isso

torna importantíssimo que o empresário rural planeje de forma adequada a produção, desde

o período de realização da colheita até o transporte da mercadoria, que deve ser feito com

técnicas apropriadas, no momento certo e com rapidez para evitar a perda da qualidade do

produto e reduzir os custos de armazenamento e conservação.

A tendência da produção de bens altamente perecíveis como frutas e hortaliças é de

concentrar-se ao redor dos centros urbanos.

5. Especificidades Biotecnológicas: o progresso da biotecnologia tende a amenizar a

dificuldade do setor rural de transferir determinada variedade de planta de um local para

o outro. No entanto, se o país não conseguir desenvolver ou comprar esta tecnologia, não consegue, romper esta dificuldade.

6. Riscos Bioclimáticos: estão relacionados com os efeitos das estiagens prolongadas, de

relacionados com os efeitos das estiagens prolongadas, de ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
chuvas excessivas, altas temperaturas, geadas, ventos fortes ou ataques inesperados de pragas. Essa característica do

chuvas excessivas, altas temperaturas, geadas, ventos fortes ou ataques inesperados de

pragas. Essa característica do setor rural tende a causar algumas consequências:

Reduz o retorno econômico das atividades rurais, pois contribuem para deprimir preços de venda e receitas, para elevar os custos de produção e para tornar mais lenta a recupe- ração dos investimentos realizados.

Elevação do risco decorrente de a produção sujeitar-se aos riscos de mercado conse- quentes das reduções bruscas de preços na época da colheita e aos riscos associados às possibilidades de quebra da produção decorrente dos fatores bioclimáticos.

Agora que já conhecemos as principais características do setor rural e as consequências

econômicas que estas peculiaridades podem acarretar ao empresário do setor, iremos iniciar a

Unidade II apresentando a você a base para o entendimento da nossa disciplina de Elaboração

e Análise de Projetos Agropecuários, com seus principais conceitos e definições.

Tenha uma ótima leitura!

CONCEITO, FINALIDADE E TIPOS DE PROJETOS

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro leitor, um Projeto de Viabilidade é uma ferramenta utilizada para minimizar os riscos

do investimento. Tem como finalidade planejar todos os aspectos do empreendimento antes

dele ser instituído, a fim de prever as dificuldades que serão enfrentadas, bem como analisar

a viabilidade ou não de sua implantação.

como analisar a viabilidade ou não de sua implantação. 46 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
O Projeto de Viabilidade tem como objetivo orientar o empreendedor sobre a sua própria ideia,

O Projeto de Viabilidade tem como objetivo orientar o empreendedor sobre a sua própria

ideia, visto que a falta de visão ordenada do que precisa ser feito, isto é, a falta de um

planejamento pode ser um fator que leve a investimentos errados ou à estagnação da

empresa. Segundo Holanda (1975, p. 95), projeto de viabilidade significa:

] [

permite estimar os custos e benefícios de um determinado investimento, vale dizer, as vantagens e desvantagens de utilizar recursos para a criação de novos meios de produção ou para o aumento da capacidade ou melhoria de produção existente.

o conjunto de informações sistemáticas e racionalmente ordenadas, que nos

Esse tipo de projeto tem como uma de suas principais funções servir como ferramenta de

gestão para o planejamento e desenvolvimento inicial de um empreendimento, servindo ainda

como instrumento de captação de recursos financeiros junto a potenciais investidores.

Segundo Lapponi (1999), há vários tipos de investimentos que podem ser dividido em três

grupos:

• Investimentos em ativos fixos.

• Investimentos em ativos financeiros.

• Investimentos em ativos intangíveis.

Ainda segundo Lapponi (1999), no que diz respeito à classificação orientada para criação de

valor, os projetos de investimento podem ser divididos em dois grupos:

1. Projetos para criação de valor: incluem os projetos de expansão de produtos existentes, projetos de lançamentos de novos produtos, projetos de inovação de produtos existentes, projetos de pesquisa e desenvolvimento e projetos de redução de custos.

2. Projetos para manter o valor: são os projetos de substituição de equipamentos ou insta- lações e projetos de informatização.

Com relação ao Agronegócio, os projetos de viabilidade de investimentos podem ser

direcionados para a implantação de uma nova atividade ou produção em uma determinada

propriedade rural, como para mensurar a viabilidade econômica da mudança em uma atividade

a viabilidade econômica da mudança em uma atividade ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
já existente, denominados de projetos incrementais . Além disto, os projetos podem ainda ser classificados

já existente, denominados de projetos incrementais.

Além disto, os projetos podem ainda ser classificados em públicos ou privados, sociais ou

econômicos e horizontais ou verticais (HOFFMAN et al., 1992):

Projetos públicos: quando o agente executor é um órgão ou instituição pública.

Projeto privado: quando o agente executor é uma pessoa jurídica ou física de direito pri- vado.

Projetos sociais: são projetos que envolvem decisões extraeconômicas provenientes de políticas socioeconômicas de um país.

Projetos econômicos: quanto o objetivo principal do projeto é a maximização do lucro ou da riqueza.

Projetos verticais: quando o objetivo do projeto é a produção de um determinado bem de consumo.

Projetos horizontais: quando o objetivo é criar infraestrutura.

Os projetos são realizados de acordo com um período de tempo futuro, assim são realizadas

estimativas de custo de produção, demanda dos produtos, preços dos fatores de produção

e dos produtos, reações dos consumidores, desenvolvimento da oferta, possíveis inovações

técnicas, variações nos gostos dos consumidores etc.

Por trabalhar com prospecção futura de variáveis, os projetos possuem um risco, que é a

probabilidade ou não de as previsões estarem corretas e o sucesso ou fracasso de um projeto

pode depender da exatidão destas previsões.

Devido ao risco, os projetos de investimentos envolvem várias etapas, as quais devem ser

bem elaboradas e pesquisadas, a fim de dar consistência aos métodos de avaliação que serão

utilizados.

Existem diversos modelos de projetos de viabilidade, variando de acordo com os autores e/

de viabilidade, variando de acordo com os autores e/ 48 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
ou especialistas que os elaboram, com a finalidade e com o tipo de empresa e

ou especialistas que os elaboram, com a finalidade e com o tipo de empresa e investimento,

visto que cada negócio possui características próprias, dificultando uma padronização. Diante

disso, o projeto de viabilidade desenvolvido neste livro está baseado em vários autores, sendo

os principais: Buarque (1991); Dornelas (2001); Degen (1986); Donabela (1999b), Simonsen e

Flanzer (1986) e Programa Empreendedor Rural, OCEPAR (2009).

FATORES QuE IMPACTAM AS DECISÕES DE INVESTIMENTO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Nessa fase, o objetivo principal é identificar e analisar uma série de fatores que podem

impactar na efetiva implantação do projeto de investimento.

Assim, as decisões de investimento são influenciadas por um grande número de fatores que,

analisados em conjunto, permite ao empreendedor traçar as diretrizes de seu projeto. Segundo

Simonsen e Flanzer (1987), estes fatores são:

Fatores de ordem jurídica: estar atento à legislação ambiental, trabalhista, comercial, sanitária, além de aspectos como a necessidade de assinarem contratos de fornecimento de matérias-primas, de pagamento de royalties, de assistência técnica, benefícios fiscais do governo etc.

Fatores de ordem administrativa: novos investimentos podem levar a uma reorganização na estrutura administrativa da empresa, como: criação de novos turnos de trabalho, intro-

empresa, como: criação de novos turnos de trabalho, intro- ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
dução de um novo departamento, treinamento de pessoal etc. • Fatores de mercado : é

dução de um novo departamento, treinamento de pessoal etc.

Fatores de mercado: é necessário ter a informação sobre a distribuição regional do mer- cado, projeções de demanda, estudo sobre produtos similares, preços praticados pela con- corrência, preços de exportação etc.

Fatores de ordem técnica: trata-se de escolher a tecnologia adequada ao projeto, verificar a disponibilidade da tecnologia, fatores logísticos da empresa (vias de acesso, proximida- de de outras indústrias e centros consumidores, escoamento da produção, obtenção de matérias-primas), projeção de layout etc.

Fatores de ordem econômica - financeira: levantamentos dos investimentos em ativos fixos e capital de giro, fontes de captação de recursos, cronograma de aplicação de recur- sos, estimativa dos custos de produção, dada uma escala de produção e das receitas.

PRIORIDADE NA SELEÇÃO DE PROJETOS

Diante de uma variedade de projetos, que podem ser implementados em uma empresa ou

entidade, é necessário fazer uma seleção das prioridades de acordo com os objetivos dos

mesmos.

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Em projetos sociais, que derivam de programas global, nacional ou local, a seleção terá como

prioridade a elevação do bem-estar social. Assim, dada uma restrição dos recursos para a

social. Assim, dada uma restrição dos recursos para a 50 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
implementação dos projetos, os selecionados serão aqueles que terão um maior impacto social, ou seja,

implementação dos projetos, os selecionados serão aqueles que terão um maior impacto social, ou seja, terão uma abrangência maior sobre a sociedade.

Os projetos setoriais possuem como objetivo a resolução de problemas apresentados por um determinado setor da economia. Neste caso, a prioridade na seleção tem que elencar os projetos que melhor resolvem os problemas do setor.

Já os projetos privados terão um critério de seleção puramente econômico, visto que o objetivo

é a maximização do lucro do projeto ou retorno do investimento. É neste tipo de projeto que

o conteúdo deste livro se concentra e as metodologias de avaliação de projetos que serão estudadas na unidade IV.

COMPONENTES DE uM PROJETO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro(a) aluno(a), neste item nós iremos listar o conteúdo básico de um Projeto de Viabilidade, ou seja, os componentes que não podem faltar no documento do projeto. São eles:

• Identificação da Empresa proponente do projeto.

eles: • Identificação da Empresa proponente do projeto. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Objetivos e Justificativas do projeto. • Descrição e Avaliação Patrimonial da Empresa proponente do

• Objetivos e Justificativas do projeto.

• Descrição e Avaliação Patrimonial da Empresa proponente do projeto.

• Descrição e Avaliação das Demonstrações Financeiras da Empresa proponente do projeto.

• Componentes Mercadológicos.

• Componentes Técnicos.

• Componentes Econômico-Financeiros.

O primeiro conteúdo do projeto é a identificação do empreendimento, ou seja, devem-se

descrever os aspectos jurídicos e administrativos da empresa proponente do projeto.

Identificação do Empreendimento

Aspectos Jurídicos

• A pessoa jurídica responsável pela proposta, ou seja, seus dados pessoais e atribuições no projeto.

• Natureza e a descrição do empreendimento - forma jurídica da futura empresa: Contrato Social, Estatuto, Objetivo Social, Sede, Foro etc.

• Autorização para funcionamento, caso haja lei específica incidente sobre a respectiva ati- vidade.

• Enquadramento fiscal do empreendimento.

• Contratos já existentes a serem efetivados.

• Bens e haveres compromissados.

• Garantias reais a serem oferecidas a financiadores, no caso de solicitação de empréstimos para o empreendimento.

• Vinculações jurídicas com outras organizações.

• Vinculações jurídicas com outras organizações. 52 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a

Aspectos Administrativos

Estrutura Geral de Administração da Empresa:

• Níveis hierárquicos.

• Atribuições dos Níveis.

• Organograma funcional.

Composição e Atribuições da Alta Administração:

Composição e Atribuições da Alta Administração: • Nome dos sócios (quando existentes) e suas respectivas

• Nome dos sócios (quando existentes) e suas respectivas participações na empresa.

• Apresentação dos responsáveis pela gestão do futuro empreendimento.

Metodologia de Ação

• Quem será a equipe responsável pela elaboração do projeto e como isso será exposto.

• Identificação das áreas de conhecimento técnico que são dominadas pelo proponente do projeto e das outras pessoas envolvidas com o mesmo.

O segundo componente do projeto é a definição dos objetivos gerais e específicos do projeto,

bem como a sua justificativa, ou seja, o porquê de estar elaborando o projeto, qual a sua

importância e utilidade.

Objetivos e Justificativa

• Objetivo(s) Geral(is): o que se pretende com o projeto.

• Objetivos Específicos: quais serão os caminhos para o alcance do(s) Objetivo(s) Geral(is).

• Justificativa: será determinar a importância do projeto em relação ao(s) problema(s) levantado(s) na fase do diagnóstico, que será visto na próxima seção. Deve-se definir a importância do projeto para a empresa, seus colaboradores e para a comunidade próxima a ela.

seus colaboradores e para a comunidade próxima a ela. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
Descrição e Avaliação Patrimonial da Empresa Depois de identificado o empreendimento e determinado os objetivos

Descrição e Avaliação Patrimonial da Empresa

Depois de identificado o empreendimento e determinado os objetivos e justificativas do

projeto, deve-se realizar o Levantamento Patrimonial da empresa proponente do projeto. Estes

dados são disponibilizados pelo contador da empresa. A descrição e avaliação patrimonial da

empresa compreendem em:

• Indicar o imóvel a ser beneficiado pelo financiamento proposto.

• Relatar, sucintamente, as características e infraestrutura do imóvel a ser beneficiado pelo projeto.

• Fazer o levantamento dos Ativos Fixos (capital físico e natural) pertencentes à empresa, como: máquinas, equipamentos, veículos, tratores, instalações, benfeitorias, animais de produção e trabalho, culturas perenes, a propriedade rural etc.

• Deve-se fazer um levantamento das DÍVIDAS da empresa, inclusive junto a outros agentes, que não seja a instituição financeira a qual a empresa estará angariando financiamento.

• Por meio dos Balanços Patrimoniais da empresa (fornecidos pelo contador) deve-se anali- sar a SITUAÇÃO PATRIMONIAL LÍQUIDA (Bens + Direitos - Dívidas).

Descrição e Avaliação das Receitas e Produção da empresa do Último Triênio

A empresa deve apresentar os seus demonstrativos financeiros (DRE) que registram as

vendas, os custos de produção, as despesas administrativas e os lucros ou prejuízos obtidos

pela empresa nos últimos anos de atividade. Esses demonstrativos são obtidos pelo Contador

da Empresa ou por uma contabilidade gerencial interna à mesma.

Componentes Mercadológicos

Deve-se apresentar as características do produto ou serviço a que se refere o projeto e a sua

utilização. Também deve-se caracterizar o mercado do produto e sua forma de comercialização.

o mercado do produto e sua forma de comercialização. 54 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |

São dados, como:

• Preço do produto ou serviço.

• Utilidade e funcionalidade do produto.

ou serviço. • Utilidade e funcionalidade do produto. • Projeções de demanda: quanto produzir e para

• Projeções de demanda: quanto produzir e para quem vender.

• Estágio atual do desenvolvimento dos produtos.

• Análise da concorrência: quem produz e quanto produz, quem são as empresas líderes no mercado etc.

Componentes Técnicos

É necessário fazer uma descrição técnica do projeto, como:

• Descrever o processo de produção a ser utilizado.

• Descrever as fontes de abastecimento e escoamento da produção.

• Listar os serviços a serem providenciados para a execução do projeto.

• Descrever as construções, instalações e tecnologia necessária para o projeto e seus forne- cedores.

• Análise dos estoques necessários para a efetivação do empreendimento.

• Programação das atividades do projeto: descrição das atividades a serem desenvolvidas no projeto com a duração (meses) para cada etapa especificada. Todas as etapas devem estar programadas ao longo do prazo de execução do projeto, indicando o início e o térmi- no de cada etapa.

• Indicar as metas de produção a serem obtidas.

• Apresentar as justificativas técnicas e impactos socioambientais.

as justificativas técnicas e impactos socioambientais. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Componentes Econômicos – Financeiros Fonte: SHUTTERSTOCK.COM Para se efetuar uma análise econômica de um

Componentes Econômicos – Financeiros

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Para se efetuar uma análise econômica de um investimento, é necessário um perfeito

levantamento dos custos e das receitas do projeto e dos investimentos necessários para sua

implantação.

Assim, caro(a) leitor(a), devem ser calculados e analisados os seguintes elementos de ordem

econômica:

• Vida útil do Projeto.

• Receitas previstas, de acordo com a vida útil do projeto.

• Estrutura de custos anuais do projeto (custos de produção e despesas operacionais).

• Elaboração e projeção dos Fluxos de caixa anuais do projeto e apuração dos lucros brutos e líquidos.

Já quanto aos aspectos financeiros do projeto, devem ser relacionados os seguintes

componentes:

1. Orçamento dos investimentos necessários à realização do projeto:

• Investimentos pré-operacionais.

do projeto: • Investimentos pré-operacionais. 56 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Investimento em ativo fixo. • Investimento em capital de giro. 2. Fontes de recursos

Investimento em ativo fixo.

Investimento em capital de giro.

2.

Fontes de recursos financeiros para financiar o projeto e época de realização das inver- sões:

Os recursos podem ser de Capital Próprio ou de Capital de Terceiros proveniente de Finan- ciamentos.

Se caso forem realizados empréstimos ou financiamentos junto às instituições financeiras, deve-se indicar, no projeto, o valor a ser financiado, o prazo de carência, o valor das pres- tações e as datas de pagamento dos empréstimos.

Assim, deve-se fazer um cronograma de reembolso do crédito e dívidas preexistentes.

Também, no caso de financiamento, a empresa deve listar os bens que podem ser dados de garantia para a obtenção do empréstimo. Cabe ressaltar que as garantias variam de acordo com o tipo de financiamento e instituição financeira, muitas vezes o próprio bem para o qual você está angariando financiamento pode ser dado de garantia. Mas isto varia muito e é muito específico a cada caso.

3.

Programação Orçamentária dos Recursos:

Financeiros: como será capitalizado o dinheiro necessário ao projeto (empréstimos, finan- ciamentos, juros).

Humanos: participação das pessoas no projeto (despesas com pessoal).

Materiais: que tipo e quais os materiais necessários ao desenvolvimento do projeto (mate- riais de consumo, apoio pedagógico, alimentos).

Tecnológicos: que equipamentos serão necessários ao projeto (máquinas, equipamentos diversos).

4.

Elaboração dos Indicadores econômico-financeiros para análise de projetos. Os principais são:

Método do Valor Presente Líquido (VPL).

são: • Método do Valor Presente Líquido (VPL). ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Método da Taxa Interna de Retorno (TIR). • Índice de Lucratividade Líquida (ILL). •

• Método da Taxa Interna de Retorno (TIR).

• Índice de Lucratividade Líquida (ILL).

• Análise de incerteza dos Projetos: análise do Ponto de Equilíbrio Contábil.

• Método do Payback Descontado.

FASES DE ELABORAÇÃO DO PROJETO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro(a) aluno(a), agora como você já conhece os itens que não podem faltar em um projeto, irei apresentar neste próximo tópico as fases ou etapas de elaboração de projetos, as quais irão englobar os componentes vistos no item anterior. O projeto é composto das seguintes etapas:

• Pré-análise de viabilidade.

• Seleção do que projetar e determinação dos objetivos do projeto.

• Análise de Diagnóstico.

dos objetivos do projeto. • Análise de Diagnóstico. 58 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação

• Estudo de Mercado.

• Tamanho e localização.

• Engenharia do Projeto.

• Tamanho e localização. • Engenharia do Projeto. • Elaboração das Planilhas de Investimento e de

• Elaboração das Planilhas de Investimento e de Programação de Custos e Receitas do Projeto.

• Análise e Elaboração de Relatório.

• Gestão de Projetos: Fase de Implantação do Projeto.

Pré-análise de Viabilidade

Nesta fase, não existe a preocupação de se entrar em minúcias descritivas do projeto

propriamente dito, porém verifica-se uma série de fatores que podem impactar na efetiva

implantação do projeto de investimento. De forma não detalhada, a pré-análise segue,

aproximadamente, o mesmo esquema do projeto da Análise de Viabilidade. Tem apenas uma

forma mais sucinta.

Por exemplo, antes de fazer um projeto de viabilidade para a instalação de um açude é

necessário verificar se há a licença ambiental, a outorga do uso da água, se não descumpre

questão relacionada à mata ciliar, se os trabalhadores estão devidamente registrados. Ou seja,

na pré-análise, busca-se elencar aspectos ligados à legislação trabalhista, previdenciária,

comercial, ambiental, sanitária etc., que em caso de descumprimento podem ter impacto

negativo no empreendimento no longo prazo.

Além disso, é nesta fase que será selecionada a equipe de planejamento multidisciplinar

(engenheiros, economistas entre outros) para a elaboração e gestão do projeto. O projeto pode

ser elaborado tanto por uma equipe interna da empresa ou pode ser contratada uma empresa

de consultoria para realizar este tipo de serviço.

empresa de consultoria para realizar este tipo de serviço. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação
A equipe do projeto deve buscar elencar aspectos ligados à atividade da empresa que em

A equipe do projeto deve buscar elencar aspectos ligados à atividade da empresa que em caso

de descumprimento, podem ter impacto negativo no empreendimento no longo prazo.

Seleção do que projetar e determinação dos objetivos do projeto

O projeto tem início com a ideia de investir uma quantidade determinada de capital na produção

de certo bem ou serviço, que pode ser inovador ou não, na ampliação de uma indústria já existente, na compra de uma determinada tecnologia ou mesmo na mudança de ramo de atividade da empresa.

Assim, nesta fase são determinados os objetivos (gerais e específicos) e a justificativa de elaboração do projeto.

Após a definição da ideia, o próximo passo é o desenvolvimento de um estudo que inclui as outras etapas do projeto.

Análise de Diagnóstico

A elaboração do Diagnóstico Empresarial proporciona o conhecimento dos pontos fortes e

fracos da empresa, possibilitando a análise da sua organização interna e sua potencialidade de mercado, por meio da identificação das oportunidades e ameaças. É uma das primeiras partes de um projeto.

O Diagnóstico Empresarial corresponde a um retrato atual da empresa, antes de qualquer

alteração a ser proporcionada pela implantação do projeto. É também a análise da área urbana ou rural e também aspectos socioeconômicos da comunidade estudada. Nesta fase, o

problema ou ideia será contextualizado. Exemplo: renda per capita da população, expectativas

da

comunidade, número de crianças, adultos e outros elementos.

O

Diagnóstico é realizado mediante a investigação minuciosa, com exame de documentos,

setores, unidades organizacionais e procedimentos interligados. Dessa forma, é dividido em:

e procedimentos interligados. Dessa forma, é dividido em: 60 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação

Identificação do empreendedor

Identificação do empreendedor • Proponente e constituição social (produtor, cooperativa, empresa rural etc.). •

• Proponente e constituição social (produtor, cooperativa, empresa rural etc.).

• Capacidade econômico-financeira - Geralmente em projetos de investimentos que neces- sitam de recursos advindos do Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR) solicita-se a comprovação de capacidade de pagamento.

• Proposição, investimento total, linhas de crédito e valor do financiamento solicitado.

• Descrever o responsável técnico pelo empreendimento.

Aspecto Legal

Há incentivos fiscais como isenção, desoneração de impostos, transferências de recursos,

subsídios para o produto e/ou região abordada no projeto; devem-se analisar os contratos,

alvarás, certidões negativas e consultas em órgãos fiscalizadores, ou seja, devem ser indicadas

as limitações legais que possam existir ao uso dos recursos naturais.

Descrição dos estoques de capitais da Empresa

Nesta etapa, iremos descrever os estoques de capitais que a empresa controla ou comanda,

inclusive com sua valorização monetária. Esses capitais se subdividem em:

Capital Natural

No caso da produção agropecuária, corresponde aos recursos naturais de posse da empresa,

como:

A propriedade rural, na qual é necessária a elaboração de mapas de solos (o mapa de uso atual do solo e de sua capacidade de uso), caracterizando suas condições edafoclimá- ticas (solo, topografia, declividade, temperatura e insolação, pluviosidade, grau de umidade relativa, altitude etc.).

Capacidade de uso do solo: características físicas, características químicas e fatores limitantes ou restritivos.

químicas e fatores limitantes ou restritivos. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Percentual de Mata florestal. • Locação de estradas e cercas. • Capacidade de uso

• Percentual de Mata florestal.

• Locação de estradas e cercas.

• Capacidade de uso dos recursos hídricos (existência de rios, afluentes, possibilidade de exploração do lençol freático etc.).

• Capacidade energética (energia eólica, cogeração com bagaço de cana etc.).

Capital Físico

Os capitais físicos como construções, benfeitorias, máquinas, equipamentos e ferramentas,

animais de produção e de trabalho e culturas perenes devem ser descritos com a sua

valorização monetária.

Capital Financeiro

São analisados os Demonstrativos Financeiros, tais como:

• Balanço Patrimonial.

• Demonstração do Resultado do Exercício.

• Demonstração do Fluxo de Caixa.

• Demonstração da Mutação do Patrimônio Líquido.

No entanto, muitas vezes as empresas do setor agropecuário não possuem estas planilhas

financeiras e é preciso levantar dados sobre:

• Disponibilidade de capital de giro atual da empresa: recursos em caixa e em depósito à vista.

• Depósitos a prazo e outras aplicações financeiras.

• As dívidas a pagar.

e outras aplicações financeiras. • As dívidas a pagar. 62 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |

• Créditos a receber: de vendas a prazo e outros.

• Créditos a receber: de vendas a prazo e outros. • Os limites de crédito que

• Os limites de crédito que lhe ofertam o capital financeiro/bancário.

• Os estoques de produtos acabados e de insumos usados no processo produtivo da empre- sa.

Por intermédio da descrição do capital financeiro da empresa, utilizada tanto para avaliar

a disponibilidade de recursos próprios para realizar os investimentos, quanto para avaliar a

capacidade de pagamento da empresa, é que se mostrará a capacidade que a empresa tem

de mobilizar recursos junto às instituições financeiras/bancárias para a implantação do projeto

e se necessita de recursos de terceiros.

CAPITAL HuMANO

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

É necessário indicar o número de trabalhadores por atividade e as seguintes variáveis:

qualificação, salário, produtividade e disponibilidade de tempo de cada trabalhador. Outro fator

importante é indicar quais os trabalhadores são funcionários efetivos da empresa, quais são

contratados apenas por serviços e quais serviços são terceirizados.

apenas por serviços e quais serviços são terceirizados. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Análise de rentabilidade/eficiência das atividades desenvolvidas pela empresa e de sua sustentabilidade ou viabilidade

Análise de rentabilidade/eficiência das atividades desenvolvidas pela empresa e de sua

sustentabilidade ou viabilidade de longo prazo

Nesta etapa do diagnóstico, deve-se fazer um levantamento dos custos diretos e indiretos de

fabricação, custos de comercialização e controle de estoques, além de calcular a rentabilidade

de cada atividade da empresa.

Cabe ressaltar que a análise da situação atual da empresa é relevante para o bom andamento

do projeto, visto que por meio deste estudo são apresentadas as reais necessidades da

empresa, bem como as suas potencialidades frente aos objetivos do projeto.

Estudo de Mercado

Esta é uma das fases mais importantes do projeto, visto que o mesmo só é justificado se existir

mercado ou demanda para o produto gerado pelo investimento. São analisados os mercados

de fatores de produção, o mercado consumidor e a concorrência.

Caracterização e Utilização do Produto ou Serviço a que se refere o Projeto

• Descrição do produto ou serviço que resultarão do projeto proposto, buscando enfatizar a sua utilidade e funcionalidade.

• Informações referentes às características do produto e/ou serviços que serão comercializa- dos como o preço e suas vantagens comparativas.

• Estágio atual do desenvolvimento dos produtos.

• O produto quanto a seus substitutos e complementos.

O Mercado do Produto

• Macroambiente do empreendimento: delimitação regional, nacional e internacional da área a ser estudada.

• Ameaças e oportunidades de mercado.

a ser estudada. • Ameaças e oportunidades de mercado. 64 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
• Definição do mercado alvo: quem comprará? Quanto comprará? A que preço comprará? • Informações

• Definição do mercado alvo: quem comprará? Quanto comprará? A que preço comprará?

• Informações relativas ao consumo histórico do produto, à capacidade de produção nacional e ao mercado internacional.

• Informações sobre os fornecedores de insumos.

• Identificação da concorrência: firmas líderes, preços praticados, tamanho e localização da concorrência, relação e capacidade de produção dos produtores.

• Comercialização do Produto: leis existentes de comercialização do produto, hábitos do mercado consumidor, identificação dos consumidores potenciais (limites geográficos, nível de renda, sexo, faixa etária, setor produtivo, preferência dos consumidores etc.), informa- ções sobre as formas e dificuldades de comercialização do produto.

Tamanho e localização

Definido o mercado consumidor e a disponibilidade dos fatores de produção, deve-se agora

delimitar o tamanho do projeto ou capacidade de produção, o qual é determinado visando

os seguintes fatores: capacidade de absorção da produção pela economia, viabilidade

tecnológica, viabilidade empresarial e financeira e viabilidade da localidade.

As projeções ou a previsão do comportamento futuro da oferta ou produção da empresa

devem basear-se na seguinte ordem:

1. Verificação da capacidade de produção futura dos produtos (capacidade atual + amplia- ções futuras).

2. Verificação da possibilidade de exportar.

Nesta fase, também é determinada a macro e micro localização levando em consideração

os seguintes fatores: localização das matérias-primas; disponibilidade de mão de obra;

terrenos disponíveis; clima; fatores topográficos; distância da fonte de combustíveis industrial;

infraestrutura regional como transportes, hospitais, escolas, energia elétrica, saneamento

básico, telefones; estrutura tributária, leis ambientais e incentivos fiscais.

estrutura tributária, leis ambientais e incentivos fiscais. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
Engenharia do Projeto Esta é a fase de seleção do processo produtivo que inclui os

Engenharia do Projeto

Esta é a fase de seleção do processo produtivo que inclui os produtos, os subprodutos e as

matérias-primas, os insumos e a mão de obra.

Nesta etapa, você deve descrever o processo produtivo do seu projeto: fluxograma, o balanço

de materiais, o layout e as linhas de produção. No caso da agricultura, por exemplo, como é

realizado o plantio, a colheita, a estocagem e o transporte dos produtos.

Deve-se apresentar também as características físicas e financeiras dos seguintes itens:

• Tecnologia utilizada – disponibilidade de tecnologia existente, descrição dos equipamentos.

• Investimentos Fixos Programados: projeto de construção civil e instalações complementa- res, máquinas e equipamentos, cronograma físico-financeiro.

• Capacidade de produção das máquinas que serão utilizadas e controle de qualidade.

• Tratamento de Resíduos: qual o tipo de coleta, destinação ou tratamento dos resíduos sólidos e líquidos gerados pelo empreendimento e qual a eventual contribuição do empre- endimento para a poluição ambiental (queimadas, desmatamentos, eutrofização ou eutro- ficação da água).

• Qualidade, quantidade e valor dos insumos a serem utilizados.

• Cronograma de uso de cada insumo na produção.

• Cronograma de produção.

• Cronograma de gastos no processo produtivo.

• Cronograma físico das atividades: descrição das atividades a serem desenvolvidas no pro- jeto com a duração (meses) para cada etapa especificada.

• Produções esperadas, discriminadas segundo sua qualidade e valor das produções – (cus- to de produção).

e valor das produções – (cus - to de produção). 66 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS
Elaboração das Planilhas de Investimento e de Programação de Custos e Receitas do Projeto Nesta

Elaboração das Planilhas de Investimento e de Programação de Custos e Receitas do

Projeto

Nesta fase, são elaboradas as planilhas detalhadas dos investimentos necessários, o

levantamento dos custos totais de produção, despesas operacionais e receitas anuais,

delineadas de acordo com a vida útil do projeto. Também são feitas as projeções dos fluxos de

caixa anuais e apuração dos lucros brutos e líquidos do projeto.

Além disso, nesta etapa você deve indicar a parcela do investimento que será realizada com

capital próprio e a parcela que você irá financiar, quais itens do projeto serão financiados,

e elaborar o cronograma de pagamento das dívidas que deve ser incluso nas planilhas de

apuração de resultado que será estudado na Unidade III.

Análise e Elaboração de Relatórios

Ocorre na última etapa de elaboração, quando vai ser feito o estudo crítico do projeto, a fim de

examinar se a proposta será capaz de atender a ideia ou problema originalmente identificado.

Como sendo a análise final, o seu processo deverá ser o seguinte:

• Estudar os antecedentes do projeto: as ideias ou problemas identificados.

• Ler o diagnóstico a fim de observar o nível de aprofundamento dos dados e informações levantados.

• Pré-avaliação de todas as etapas de elaboração do projeto.

• Elaboração e Análise dos Indicadores Econômico-financeiros do Projeto.

• Elaboração do Relatório Final do Projeto, que deve conter as informações técnicas, econô- micas e financeiras do projeto, em uma linguagem simples, clara e prática, apresentando também as justificativas necessárias sobre as decisões e execuções programadas.

necessárias sobre as decisões e execuções programadas. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
gestão de Projetos: Fase de Implantação do Projeto Após a elaboração e avaliação do Projeto,

gestão de Projetos: Fase de Implantação do Projeto

Após a elaboração e avaliação do Projeto, inicia-se a sua fase de execução, a qual é composta pela elaboração de relatórios informativos de verificação dos seguintes itens:

• Utilização dos recursos disponíveis de acordo com o programado.

• Supervisão da equipe de trabalho.

• Acompanhamento e controle das atividades.

• Avaliação final dos trabalhos executados.

Características do Sucesso de um Projeto

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Quando se examinar os aspectos que indicam o sucesso de determinado projeto, pode-se considerar alguns itens, entre os quais:

• Cumprimento dos prazos previstos.

• Enquadramento aos custos pré-estabelecidos.

• Cumprimento da qualidade técnica esperada.

• Cumprimento das exigências de viabilidade.

esperada. • Cumprimento das exigências de viabilidade. 68 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Cumprimento de equilíbrio financeiro durante e/ou após a conclusão. • Manutenção de equilíbrio operacional

• Cumprimento de equilíbrio financeiro durante e/ou após a conclusão.

• Manutenção de equilíbrio operacional nas atividades da empresa.

• Manutenção de equilíbrio financeiro nas atividades da empresa.

• Aumento ou, pelo menos, manutenção da rentabilidade normal da empresa.

• Aumento ou, pelo menos, manutenção da captação de oportunidades de negócios.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nesta unidade, procurei introduzir você ao conhecimento básico que se deve ter para o início das atividades de elaboração e análise de projetos de investimentos. Procurei apresentar de uma forma clara e simples todo o processo, começando pelas suas definições e finalidades e terminando por apresentar suas diferentes fases. Dessa forma, como cada projeto tem características próprias de acordo com a atividade e setor no qual está inserido, a elaboração do mesmo é um processo de estudo, pesquisa e aprendizagem.

do mesmo é um processo de estudo, pesquisa e aprendizagem. Entre no site: <www.empreendedorrural.com.br> para

Entre no site: <www.empreendedorrural.com.br> para conhecer como funciona o concurso Melhor Projeto Empreendedor Rural. No regulamento do concurso tem o anexo 01, que fala dos critérios para julgamento dos projetos.

01, que fala dos critérios para julgamento dos projetos. • Será que o produto que eu
01, que fala dos critérios para julgamento dos projetos. • Será que o produto que eu

• Será que o produto que eu quero produzir tem demanda?

• Será que aquilo que eu acho que é inovador, realmente é?

• Como que uma boa ideia pode se transformar em negócio?

• Se cada negócio possui características próprias, que fatores podem impactar nas decisões de inves- timentos? Qual a essência do projeto para que seja viável?

timentos? Qual a essência do projeto para que seja viável? ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
ATIVIDADE DE AuTOESTuDO

ATIVIDADE DE AuTOESTuDO

1.

Qual o conceito, a finalidade e os tipos de projetos existentes?

2.

Quais os fatores que impactam as decisões de investimento?

3.

Quais os componentes de um projeto? Faça um breve resumo de cada componente.

4.

Cite as fases de elaboração do projeto. Faça um breve resumo de cada fase.

5.

Relacione os componentes de um projeto com as fases de elaboração.

os componentes de um projeto com as fases de elaboração. CONTADOR, C. R. Avaliação social de

CONTADOR, C. R. Avaliação social de projetos. São Paulo: Editora Atlas, 1981.

GITTINGER, J. Price, analisis económico de proyectos agrícolas. The John H. University Press,

1984.

proyectos agrícolas . The John H. University Press, 1984. 70 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |

uNIDADE III

ESTuDO DE MERCADO, PROJEÇÃO DE DEMANDA E COMERCIALIZAÇÃO RuRAL

Professora Me. Juliana Franco

Objetivos de Aprendizagem

• Apresentar as principais etapas do estudo de mercado: demanda e oferta.

• Apresentar as principais técnicas de projeção de demanda.

• Mostrar as características da comercialização agrícola.

Plano de Estudo

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:

• Etapas do Estudo de Mercado

• Projeções de Demanda

• Características da comercialização agrícola

INTRODuÇÃO

INTRODuÇÃO Na unidade II, apresentei a você os principais conceitos e definições sobre a elaboração e

Na unidade II, apresentei a você os principais conceitos e definições sobre a elaboração e análise de projetos e fui mais além, já o introduzi à estruturação do projeto, às etapas ou fases que você deve seguir na elaboração do mesmo e aos componentes que não devem faltar na sua estruturação.

Diante das várias etapas que apresentei para a elaboração do projeto, existe uma que é de crucial importância, que é a fase do Estudo e Análise de Mercado. Essa fase é tão essencial

que dedicarei uma unidade inteira deste livro para trabalhar com você sobre os elementos que

a constituem e também as suas etapas e técnicas de pesquisa.

É por meio do estudo de mercado que você, primeiramente, irá definir se vale a pena ou não

continuar o projeto, visto que nele definiremos o potencial de demanda presente e futura, o mercado-alvo (local, regional, nacional ou internacional) e o preço de venda do produto.

Posteriormente, no estudo de mercado também será verificada a oferta de fatores de produção

e o seu preço. Identificaremos a estrutura de mercados a qual sua empresa se insere, isto é, analisaremos a concorrência e verificaremos se existem muitos concorrentes, se esses são caracterizados por grandes ou pequenos produtores, se existem empresas líderes no mercado, os preços que essas empresas praticam, a quantidade de produtos produzidos por elas e se essa produção é de grande ou pequena escala.

Visto isto, você pode perceber que é no estudo de mercado que se determina se iremos produzir,

o quanto produziremos e a que preço venderemos nosso produto, e assim, determinaremos as Projeções de Receitas do projeto.

Em muitos projetos que já realizei na minha vida como consultora, alguns não passaram do Estudo de Mercado, visto que já verifiquei ali que o projeto seria inviável e orientei o meu cliente a redirecionar o seu projeto para outro tipo de negócio ou atividade, evitando que este perdesse dinheiro por investir errado.

Existem alguns fatores que impedem você de entrar em um determinado ramo de negócio, que na economia chamamos de barreiras à entrada. Uma dessas barreiras é o fato de realmente

não existir uma demanda suficiente que justifique a sua entrada neste ramo de atividade; outra

é o fato de a demanda existir, mas, ao analisar a concorrência, você verifica que para entrar

neste negócio o investimento é muito alto, visto que você já tem que começar produzindo

neste negócio o investimento é muito alto, visto que você já tem que começar produzindo em grande escala; outro fator é o da tecnologia para a produção do bem não estar disponível, ou de você não ter os fatores de produção necessários à produção. Além deste, existem outros fatores que são identificados no estudo de mercado.

Assim, quando entramos em um negócio sem analisar o mercado é como entrar em um quarto escuro, não sabemos a direção e aonde iremos parar e os obstáculos que enfrentaremos. Já vi muitas empresas que abriram e fecharam no mesmo ano, e até mesmo antes de estarem prontas, fruto da falta de preparo dos empresários e de não darem importância ao planejamento e à pesquisa necessária na elaboração do projeto.

Portanto, caro(a) aluno(a), nesta unidade eu irei trabalhar com você sobre a elaboração do estudo de mercado e apresentarei algumas técnicas utilizadas para a projeção de demanda. Boa leitura!

ESTuDO DE MERCADO E ANÁLISE DA CONCORRÊNCIA

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Caro(a) aluno(a), como já disse, esta é uma das principais fases de um projeto, visto que nela você irá verificar, por intermédio de um método de investigação e pesquisa, o mercado consumidor dos produtos, o mercado de fatores de produção e ainda irá analisar a concorrência.

fatores de produção e ainda irá analisar a concorrência. 74 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
O estudo de Mercado é uma condição necessária de aceite ou não de um projeto,

O estudo de Mercado é uma condição necessária de aceite ou não de um projeto, mas não

suficiente, visto que existem outros elementos que devem ser levados em consideração quando analisamos a viabilidade de um projeto, como os elementos técnicos e econômico-financeiros. No entanto, é na fase de estudo de mercado que verificamos se há ou não a possibilidade de produzir e vender determinado produto ou serviço em determinada região, e é por meio dele que fazemos as previsões de vendas futuras, e assim as projeções de receitas.

Entre os objetivos da pesquisa de mercado estão: a pesquisa de oportunidade de venda e a pesquisa de esforço de vendas. Ambas são utilizadas em todas as abordagens específicas de marketing para firmas produtivas e agroindustriais. Segundo Batalha e Silva (1995), geralmente se realiza uma pesquisa de mercado antes da definição do produto para estabelecer técnicas de menor custo de produção, e/ou no pós-venda (para saber da aceitação).

A indústria agroalimentar investe pouco em pesquisa de mercado e na identificação dos hábitos

dos consumidores, já o segmento de distribuição, em especial os super e hipermercados, não

age da mesma maneira.

Neves (2003) afirma que é por meio da pesquisa de mercado que as empresas identificam o seu mercado-alvo, bem como as suas características, o que irá facilitar e orientar a tomada de decisão dos empresários no que tange a elaboração de produtos e processos; o tipo de diferenciação que deve ser oferecida no produto; como gerar e adaptar produtos, marcas e embalagens; quais estratégias de preço devem ser seguidas; quais os canais de distribuição do bem devem ser utilizados; e quais as ferramentas de divulgação da marca e do produto devem ser usadas.

Observa-se, assim, que o estudo de mercado, seja ele agrícola ou não, não se resume à área de venda, ao contrário, participa também na investigação de técnicas que reduzem os custos de produção e maximizam a qualidade dos produtos, visando sempre compatibilizar as características do produto, bem como o seu preço final com o mercado consumidor.

bem como o seu preço final com o mercado consumidor. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
Se o estudo de mercado mostrar que não há demanda suficiente para viabilizar a produção

Se o estudo de mercado mostrar que não há demanda suficiente para viabilizar a produção de determinado produto ou que não há fatores de produção disponíveis para a sua produção, não se precisa nem seguir para as próximas etapas do projeto.

O estudo de mercado acaba, também, por determinar a localização do empreendimento: se

perto da matéria-prima principal ou perto do mercado consumidor. No caso do setor agrícola, o empreendimento fica perto dos fatores de produção, devido as suas especificidades técnicas.

A seguir, irei apresentar a você as fases que devem ser seguidas na realização de um estudo

de mercado:

Caracterização do Produto

Primeiramente, você deve descrever o que é o seu produto e a sua funcionalidade, ou seja, para que ele é utilizado; quais as suas características químicas, mecânicas; as normas reguladoras da utilização do produto, se precisar.

Segundo, você deve mostrar se ele é uma inovação, ou seja, um produto totalmente novo no mercado; se ele tem substitutos próximos ou se existem outros produtos parecidos e indicar

o que ele terá de diferencial em relação aos seus substitutos: preço, qualidade, localização, serviços complementares, produtividade, estoques, relação estoque/consumo etc.

Terceiro, você deve descrever o estágio atual do desenvolvimento do produto, bem como o seu

ciclo de vida. Este dado é importantíssimo, principalmente para empreendimentos rurais, visto que uma das principais características do setor agrícola é a descontinuidade da produção, ou seja, as atividades rurais se concentram em épocas específicas do ano. Na pecuária também

se verifica uma descontinuidade do setor produtivo, por exemplo, um pecuarista que trabalha

com engorda de boi para abate, usando o método tradicional de engorda, verifica que um garrote demora em torno de 3,5 anos para ficar pronto para o abate, mas se utilizar técnicas inovadoras, como o cruzamento industrial de raças, esse tempo diminui para 18 a 24 meses.

industrial de raças, esse tempo diminui para 18 a 24 meses. 76 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE
Assim, quando se trata do setor rural, o ciclo de produção deve ser tratado como

Assim, quando se trata do setor rural, o ciclo de produção deve ser tratado como um dos

principais elementos do planejamento financeiro do projeto.

Caracterização do Mercado

Nesta etapa, você deve pesquisar fatores com relação ao macroambiente do empreendimento

e do produto, iniciando com a definição precisa da área de mercado do empreendimento,

indicando, se for o caso, os percentuais destinados ao mercado interno e externo: em nível

local, estadual e internacional. Deve-se definir, assim, o mercado-alvo: quem comprará?

Quanto comprará? A que preço comprará?

Além disso, devem-se listar quais as possíveis ameaças e oportunidades de mercado,

analisando informações sobre:

• O comportamento do consumo histórico do produto nos últimos anos: como ele tem evolu- ído, se o mercado se expandiu nacionalmente e internacionalmente.

• Qual o comportamento dos preços dos produtos: padrão sazonal, tendência.

• Qual a capacidade de produção nacional e internacional.

• Quais os canais de comercialização disponíveis.

• Quais os tipos de leis existentes que regulam a comercialização do produto.

• Se o produto é para exportação, quais os tipos de barreiras sanitárias existem e qual a padronização que o produto deve ter.

• Qual é o perfil do consumidor: hábitos, cultura, nível de renda, sexo, faixa etária, setor produtivo, limite geográfico

• Quais os impostos incidentes sobre a comercialização do produto e os incentivos fiscais.

• Forma de distribuição dos produtos.

• Qualidades alternativas dos produtos e classificações utilizadas.

alternativas dos produtos e classificações utilizadas. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
• Qualidade mínima exigida pelo mercado. • Séries temporais de quantidades produzidas e de preços

• Qualidade mínima exigida pelo mercado.

• Séries temporais de quantidades produzidas e de preços recebidos.

• Volumes mínimos e máximos periódicos para comercialização.

É importante, nesta etapa, enfatizar a contribuição do novo empreendimento com os objetivos nacionais: breve interpretação sobre contribuição do empreendimento para o desenvolvimento regional e nacional, tendo em vista os objetivos governamentais estabelecidos:

• Empregos a serem gerados.

• Infraestrutura habitacional e social.

• Contribuição na atração de divisas via fluxos comerciais.

Definido o seu produto e analisado o mercado potencial, você deve então definir qual produção pretendida: física e em valor.

Caracterização do Mercado de Fatores de Produção

Além de estudar o mercado consumidor, você deve analisar o mercado de Fatores de Produção:

Capital Físico, Capital Financeiro, Capital Natural, Capital Humano e Insumos Disponíveis.

Na fase do diagnóstico, abordei a importância de se listar a quantidade desses Fatores de Produção que a empresa já possui. Dispondo dessas informações, cabe a você, empreendedor rural, listar os Fatores de Produção que necessitará para a atividade do projeto e mensurar a quantidade e o valor de cada Fator de Produção. Para isso, deverá obter informações sobre os fornecedores desses Fatores, como:

• Preços esperados e praticados no mercado para cada Fator.

• Disponibilidade de cada Fator no mercado.

• Oferta local dos Fatores de Produção.

no mercado. • Oferta local dos Fatores de Produção. 78 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |

• Qualidade necessária dos Fatores.

• Qualidade necessária dos Fatores. • Informações sobre linhas de crédito disponíveis, taxa de juros e

• Informações sobre linhas de crédito disponíveis, taxa de juros e seguro agrícola.

• Estacionalidade de preços.

• Canais de comercialização.

• Tempo de entrega dos insumos.

Caracterização da Concorrência

Outra etapa importante do Estudo de Mercado é a análise da concorrência, por intermédio de

um método de investigação. Você deve levantar as seguintes informações sobre a concorrência:

• Identificação das empresas líderes de mercado, com suas respectivas localizações e capa- cidade de produção dos produtores.

• Estrutura de mercado na qual a sua empresa se insere: pequeno número de grandes pro- dutores, grande número de pequenos produtores, existência de empresas líderes entre outros.

• Preços praticados pela concorrência.

• Qualidade dos produtos.

• Formas de comercialização e distribuição praticadas pela concorrência.

• Mercado de produtos substitutos e complementares.

PROJEÇÃO DE DEMANDA

Analisado o potencial de mercado, procurarei relacionar, a seguir, alguns critérios e técnicas

de projeções que são utilizadas para estimar as demandas futuras. A projeção da demanda

é um processo racional de busca de informações sobre o valor das vendas futuras de um

de informações sobre o valor das vendas futuras de um ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
determinado produto e/ou serviço e de informações sobre a evolução da qualidade e a existência

determinado produto e/ou serviço e de informações sobre a evolução da qualidade e a existência de novos mercados.

Fonte: SHUTTERSTOCK.COM
Fonte: SHUTTERSTOCK.COM

Segundo Horngren (2004, p. 241), a Previsão de Vendas é um prognóstico do volume de vendas futuras sob um determinado conjunto de condições. Por exemplo, sabemos que se instituímos técnicas de marketing, como: propaganda, promoções, mudança na embalagem do produto ou em um determinado atributo técnico, poderemos ter um aumento no volume de vendas. Outro fator é que se conseguimos comprar matérias-primas com um preço mais baixo, poderemos vender nossos produtos com um preço melhor e nos tornarmos mais competitivos e assim aumentar o volume de vendas.

Feita a previsão de demanda futura do produto, poderemos determinar e elaborar o nosso Orçamento de Vendas (será visto na próxima unidade), que representa o resultado das decisões dos gestores da empresa sobre qual política de vendas ele se baseou.

Quanto à elaboração da previsão de demanda, segundo Welsh (1983, p.100), normalmente essa é elaborada por pessoas especialistas na área (economistas, estatísticos, engenheiros ) que empregam diversas análises complexas, tais como: séries de tempo, correlação, modelos matemáticos, ajustamento exponencial e pesquisa operacional.

Um grande avanço nesta área é o uso de Softwares Estatísticos para realizar análises simples,

Softwares Estatísticos para realizar análises simples, 80 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
sofisticadas e complexas. Alguns exemplos de softwares utilizados são: o SAS, o SPSS, o Minitab

sofisticadas e complexas. Alguns exemplos de softwares utilizados são: o SAS, o SPSS, o Minitab e o Statistica, a maioria deles em inglês. Em português, existe o SAEG desenvolvido

pela Universidade Federal de Viçosa. Todos esses softwares são bastante simples e têm uma estrutura similar, logo, aprender um deles dá base para migrar para qualquer outro software.

A planilha EXCEL também pode ser usada para analisar dados estatísticos, porém para

técnicas mais avançadas, tem que se desenvolver rotinas específicas, o que demanda um

bom conhecimento do EXCEL.

A seguir, irei apresentar alguns critérios e técnicas que devem ser utilizadas para o

desenvolvimento de um Plano de Projeção de Demanda.

Etapas de um Modelo de Projeção de Demanda

• Objetivos.

• Coleta e análise de dados.

• Seleção da Técnica.

• Obtenção da previsão.

• Monitoramento.

1) Definição do Objetivo

A primeira etapa consiste em definir sobre qual o produto ou famílias de produtos será feita a previsão, qual o horizonte de tempo que a previsão se destinará, qual o grau de acuracidade

e detalhe que a previsão trabalhará, e que recursos estarão disponíveis para esta projeção.

2) Coleta e Análise dos dados

Nesta fase, você deve ter um amplo conhecimento do setor no que tange a sua estrutura, funcionamento e tendências. Assim, primeiramente, você deve realizar uma pesquisa minuciosa sobre o setor da atividade de seu projeto, deve conhecer as especificidades do setor, como ele está estruturado, como é o seu funcionamento e possíveis tendências.

Conhecer o ramo de atividade de seu empreendimento é fundamental para identificar os fatores

de

real importância que podem influenciar a demanda futura e influenciaram o comportamento

da

demanda passada do seu produto.

A seguir, irei apresentar algumas indagações que podem conduzir o seu raciocínio: • Qual tem

A seguir, irei apresentar algumas indagações que podem conduzir o seu raciocínio:

• Qual tem sido a produção total do bem na economia ou na região em estudo?

• Há importação deste produto? Qual o montante desta importação?

• O produto é exportado? Qual o montante exportado? Para onde é exportado? Quais os critérios para se exportar?

• Tem havido estocagem nas fábricas, nos intermediários, nos consumidores finais?

• Qual tem sido o verdadeiro consumo do bem?

• Há fatores influenciando a produção do bem? (como carência de insumos, dificuldade na

obtenção da tecnologia, mão de obra especializada

)?

• Há vantagens fiscais com exportação ou importação do produto?

• Há limitações pelos fretes, para a movimentação do produto?

• O produto é de baixo valor agregado, de modo que se torna inviável o preço do transporte para lugares muito distante do seu local de origem?

• Há incentivos do governo para a produção do setor em estudo?

• Há fatores limitativos influenciando o consumo do produto?

• A renda dos consumidores é suficiente para o consumo do bem?

A seguir, listarei alguns cuidados básicos que devem ser tomados na coleta de dados:

• As técnicas de previsão terão menor margem de erro quanto maior for o banco de dados históricos coletados e analisados.

• Os dados devem buscar a caracterização da demanda real pelos produtos da empresa, que não é necessariamente igual às vendas passadas.

• Devem ser analisados dados compatíveis com o comportamento normal da demanda, ou seja, as variações extraordinárias da demanda decorrente de greves, promoções, entre

da demanda decorrente de greves, promoções, entre 82 ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS | Educação a
outros fatores que fazem com que a demanda saia do seu comportamento normal, devem ter

outros fatores que fazem com que a demanda saia do seu comportamento normal, devem ter seus valores substituídos por valores médios.

O tamanho do período de consolidação dos dados (semanal, mensal tem influência dire-

)

ta na escolha da técnica de previsão mais adequada, assim como na análise das variações extraordinárias.

Após coletados os dados e digitados no sistema, esses devem ser avaliados, ou seja, é

necessária uma análise exploratória dos dados para que possíveis distorções sejam retiradas

dos históricos. Essas distorções podem ser causadas por: erro na digitação dos dados; falta

de produtos; especulação do mercado sobre variações de preço; eventos esporádicos que

têm relação com a demanda; expectativas de promoções etc. Além disso, para previsão é

importante trabalhar com dados de demanda e não de entregas ou faturamento. Isso exige

outro “filtro manual” dos dados na entrada do sistema de previsão.

3) Seleção da Técnica de Análise

Nesta fase, você deverá selecionar a técnica mais adequada para realizar as projeções de

demanda de seu produto. A sofisticação e o detalhamento do modelo dependem da importância

relativa do produto, ou família de produtos a ser prevista, e do horizonte ao qual a previsão se

destina. Quanto maior o horizonte de tempo para as previsões, maior margem de erro será

permitida.

As técnicas de previsão podem ser qualitativas e quantitativas e todas elas consideram

como hipóteses simplificadoras os seguintes fatores:

• As causas que influenciaram a demanda passada continuarão a agir no futuro.

• Todas as previsões possuem margem de erro, visto que não somos capazes de prever todas as variações aleatórias que ocorrerão.

• Quanto maior o período de tempo da previsão, maior a margem de erro aceita.

de tempo da previsão, maior a margem de erro aceita. ELABORAÇÃO E ANÁLISE DE PROJETOS |
Técnicas Qualitativas de Previsão de Demanda As técnicas qualitativas se baseiam em dados subjetivos fundamentados

Técnicas Qualitativas de Previsão de Demanda

As técnicas qualitativas se baseiam em dados subjetivos fundamentados em opiniões e pré- -julgamentos de pessoas especialistas nos produtos ou nos mercados onde atuam os produtos. Essas pessoas podem ser: executivos, produtores, clientes, vendedores e o levantamento junto a consumidores acerca da possibilidade futura de vendas do produto.

Os principais métodos qualitativos de previsão de demanda são: listagem de fatores, extrapolação e construção de cenários. Esses são métodos não científicos de previsão de demanda, mas que se utilizam de uma metodologia para minimizar a incerteza decorrente da subjetividade da análise ambiental no momento da previsão.

Listagem de fatores

Este método consiste na construção de um banco de dados que contenha os fatores micro (preço, capacidade de produção, quantidade ofertada pela concorrência, potencial do mercado etc.) e macroeconômicos (taxa de juros, impostos, crédito, abertura dos mercados etc.) que podem afetar as previsões de demanda da empresa. Assim, de forma simples, você pode estimar a demanda futura de seu produto.

Extrapolação

Este método consiste em projetar a demanda futura a partir da demanda passada da empresa

e/ou do setor, incluindo a análise das sazonalidades das vendas e dos ciclos de vendas. Deve-

se tomar cuidado com períodos em que a demanda foi incentivada por influência do ambiente

econômico, como planos governamentais.

Construção de Cenários

O método de construção de cenários é um modelo de simulação e leva em consideração as

incertezas futuras por trabalhar com três tipos de cenários: pessimista, otimista, e o cenário base.

Para trabalhar com a construção de cenários, primeiramente você deve levantar os dados históricos de vendas da sua empresa, ou de empresas semelhantes ou do setor. Depois, você deve identificar as variáveis econômicas que podem afetar as vendas do produto, como:

inflação, variação de impostos, oferta de produtos similares, matérias-primas disponíveis,

capacidade de produção, recursos financeiros (crédito rural), subsídios governamentais, seguro rural, surgimento de

capacidade de produção, recursos financeiros (crédito rural), subsídios governamentais,

seguro rural, surgimento de novos mercados etc. Após analisar estas variáveis econômicas,

você deve fazer o cálculo da previsão de vendas com base na análise de cenários.

Técnica Quantitativa de Previsão de Demanda

As técnicas quantitativas envolvem a análise numérica dos dados passados, que combinada

com outras técnicas como a aplicação de questionários e o uso da matemática e estatísticas,

por que sejam realizadas previsões mais confiáveis da demanda futura. Essa técnica não

utiliza fatores subjetivos, como opiniões pessoais ou palpites.

As técnicas quantitativas podem ser subdivididas em dois grandes grupos: as técnicas

baseadas em séries temporais e as técnicas causais (mais conhecidas: Regressão Simples

e Múltipla). A principal diferença entre esses dois tipos de técnicas é que a primeira se baseia

na hipótese de que o futuro será uma continuação ou extrapolação do passado e a segunda

procura mostrar relações do tipo “causa e efeito” para explicar o comportamento da variável.

Atualmente, o computador (software) tem tido papel fundamental para a aplicação de tais

técnicas.

Cabe ressaltar, caro aluno, que a seleção do modelo mais apropriado de previsão é função de

seis fatores: horizonte de previsão, acurácia desejada, padrões da demanda, custo da técnica,

disponibilidade de dados e complexidade dos modelos.

A seguir, irei apresentar alguns modelos de técnicas utilizando séries temporais e modelos de

regressão:

a) Com base na Taxa média aritmética de crescimento do consumo, projetada a partir do último valor verificado:

do consumo, projetada a partir do último valor verificado: V V n = 0 ( 1

V V

n =

0

(

1+

ik )

Em que: V V 0 - é o valor no período inicial ou base. n

Em que:

V

V

0 - é o valor no período inicial ou base.

n - é o valor no período final.

k – período, em unidade de tempo, decorrido entre 0 e n.

i – taxa de crescimento por unidade de tempo.

Isolando o i, obtém-se a taxa aritmética de crescimento:

i =

æ V ö

ç

ø

è

ç

n

V

0

÷ - 1

÷

k

b) Com base na Taxa Geométrica de crescimento correspondente ao crescimento do valor final da série, a partir do valor inicial:

As taxas geométricas de crescimento são obtidas, segundo Francisco (1994), por meio do

desenvolvimento da seguinte fórmula:

V V

n

=

0

(

1+ i

) K

Em que:

V

V

0 - é o valor no período inicial ou base.

n - é o valor no período final.

k – período, em unidade de tempo, decorrido entre 0 e n.

k – período, em unidade de tempo, decorrido entre 0 e n. 86 ELABORAÇÃO E ANÁLISE

i – taxa de crescimento por unidade de tempo.

i – taxa de crescimento por unidade de tempo. Isolando o i, obtém-se a taxa geométrica

Isolando o i, obtém-se a taxa geométrica de crescimento utilizada na pesquisa:

i

æ

ç

ç

ç
ç

è

= anti log log

ö

÷
÷

÷

÷

- 1

V