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en en Eee Te} CU OU ee eat er ced SOU em ee ec ee CR Coon ge ue De DU et en diferentes estruturas psicolégicas, uma ver que os aspectos funcionais imaturos s0 0 lugar de menor resisténcia para Ceo tee et oe E um livro indispensavel aos interessados na evolucao humana, na prevengio das patologias, nos processos educacionais e, principalmente, aqueles que praticam a clinica terapéutica reichiana, uma vez que possibitita um diagnéstico preciso da somatopsicopatotogia do paciente. iil tI FEDERICO EVEL RNO FEDERICO NAVARRO it SOMATOPSICOPATOLOGIA Copyright© 1996 by Federicw Navarro Tradcide a lingua tiene por ‘ilyana Finzi Poa Revivdo téenicade Maria Beatriz,Thomé de Paula Capa de BVDA/Binsil Verde Proibids » epreducio total ou parcial este livre, por qualquer melo e sistema, sam 0 pabvio con-entimante do Editor. Direitos desta edi reservados por SUMMUS EDITORIAL LTDA. ‘Raa Cardoso de Almeida, 1287 05% — Si Paulo, SP ‘Telefone (011) 872-3322 (Caixa Postal 62.505 — CEP 0124-970 Tpresso no Brasil Sumirio i Introdugao e n (Generalidades enire psicologia epsicopatologia — Premissas ansitomo- fisiol6gicas na Vida intra-uterina 15 Generalidades entr psicologia e psicopatologia psiquiduica— Pro~ missas andtomno-fisiolégicas na vida neonatal. 21 Generalidades entre psicologia, psicopatologiaepsiquiatria — Premis. sas anatomo-fisioldgicas na vide pos-natal e| pentognil 2 Exe nio-cu (0 outro) . 29 Princi Psicoses... Borderline (distimias) Psiconeuroses. Newtoses, Homosseaualidade. anifestagies psicoputologicas Bibliografia Prefacio 0 debate, ja quase sccular, entre as duas formas de interpretagao do mabestar humano, a organicista e a psicedinamica, estimula um alinhamento antagSnico e, &s vezes, até mesmo hostil, entre os adeptos de doenga neuropsiquidirica, no sentido bioquimico e andtomo-patol6- sgivo, ¢ os partiddrios de urn mal-estar humano, definido como psiquid- trico pele instituigéo da medicina universitéria e tradicional. s organicistas atribuem a situagdes inatas (com as pesquisas mo- dernas, tis patologias podem ser hoje definidas como genéticas) e pés- natais (traumas fisicos, mau funcionamento metabslico, disfungdes ‘hormonais etc.) soma dos sofrimentos humanos, ¢ quando estes limitam, ‘ouimpedemo fluxo normal da vida, utiliza terapeuticamente a psiquia- tria organicista cu aneurologia. Os partidérios da psicodinimica localizam no desenvolvimento psicoafetivo pré e pos-natale no mal-estar familiar e social as bases existenciais que predispem 0 individuo a uma série de sofrimentos psicofisicos que deterloram a qualidade de vida e, de algum modo, impedem a vtilizayao da liberdade interior, porrespeito as normas socitis ¢ por deeisdo consciente sobre a prépria ago Neste século, muitos autores rejcituram a defesa preconcebida de ‘uma ou outra modalidade de interpretagiio do mal-estar ¢, negando os ‘exiremismos. tentaram repetidamente fazer confluir as duas propostes, com intuicdes de notive! interesse cientifica,filosstico, biolégico. Mas, depois de Freud, © primeizo grande autor de uma revolucdo cultural psiquidtrica de interesse global na definigdo de psicose, neurose, card ter, couraga caraterial, fluxo energético, somatizagées, foi W. Reich: seu texto mals significativo e universalmente conhecido.ediscutidoéA 7 andlise de cuniter.cuja contribuicabo & hist6ria da medicina, da psiquia- {ria € da sociologia ¢ indiscutivel Muitos, sobretudo os organivistas mais reftatdrios ¢ fechados em sua vigncia negaram desde o infcio a qualidade da pesquisa reichiana e a invensidude revoluciondria de sua mensagem; outros aceitaram s6.¢ex- clusivamente as mensagens que podiam convergir para ideologias tworemas jd oficialmente admitidos pela cultura ofc serviram-se das intuigdes cientificas de Reich para desenvolver teotias pseudocientificas para explicar seus proprios delitios sexuais, para jus liticar e fazer com que fossem aceitas suas prdprias psicases: € autros ainda para impingir aos usuérios necessitados de terapia metodologias inventadas do nada © mediadas por lcituras superficiais, ¢ que nunca foram profundamente experimentadas em sua propria experiéncih ana. litica e profissional Em 1967, quando surgiu em Népoies o primeito “movimento reichiano”, lembro a presenca, etm torno de Federico Navarro, de mui- tissimos jovens e de outros nao tao jovens, entusiasticamente fascina- os pelos contetidos das primeiras tradugSes italianas da produgtio de Reich; sua mensagem dava a sensacio de se estar entrando em uma nova dimensdo existencial. em que 0s medos, oS tabas, as angistias, as proibigdes, o racismo, a cultura das ditaduras vermelha ou negra pu- dessem desaparecer para sempre, 14 nessa oeasitio, Federico Navarro, embora entusiasta e carismético, manteve uma postura que depois se tomnaria 6 mote de sua vida profissional e de pesquisa: a cautela, a perseveranga. 0 conhecimento, os encontros, a distincia dos mal-inten- clonados, 0 afastamento dos que preiendiam explorar 0 momento cul- tural ¢ politico para seus préprios interesses egotstas e profissionais Quem, como eu, viveu em pessos os acontecimentos daqueles anos, bem sabe quantasamarguras. desilusdes,trches, staques pessoais sofrew Federico; quem, como ev, ahino, colaborador ¢ amigo, comparilhou © sofieu certas opgdes. conhece o compromisso humana e cientifico ¢ sabe longa estrada que ele percorrey, sempre lutando. Olivro, este fivro, para o qual tive o prazer da primeira leitura ¢ 0 afetuoso pedido de escrever uma apresentaga, no constitui para mim ‘uma surpresa particular;embora, devido ao seu trabalho, Federico esteja hd anos fonge da Itdlia¢ da Europa, tive sempre o prazer de encontri-lo ‘em suas rapidissimas visitas a Napoles, li suas publicagdes anteriores © tive a oportunidade de discutir com ele as linhas atusis de seu trabalho de pesquisa 8 Nesta sua fltima obra, a mensagem mais incisiva'e mais imliseuni- vel Ea sintese entre o psiquice co biolégica ¢ w elareza ay considerate & ser humano como unidade indivisivel de fisicalidade e histéria, de me- tabolismo e lembrangas, de energiae pensamento, cle vivéncias etrans- formagdes ioguimicas, de instintualidade e pulstonalidace, de regra ¢ liberdade, até a sintexe total que € a vida; tudo estd relacionado e de monstrade com uma continua concisio cientffica, com uma prosa aus tera, apesar de sucinta, mas sempre incisivae precisa. Federico Navarro sintetizou o choque entre organicismo ¢ psiquismno demonstrou so- bretudo que a metodotogia da vegetoterapia conduz a um bem-s anos, ele nos indicou um caminho a per- corer; quem o compreendeu ¢ 6 seguitl,esforgou-se para cumprir esse percurso: com este novo conjunito de pesquisas ¢ intuigdes, ele nos di entusiasino € nos fortalece ainda mais em nossa fé na ciéncia, Piero Borrelli Introdugao Este livro nasce da elahoragho, revisiio e desenvolvimenta dos con- ceitos expostos em Evoluzione Straitficata, de R. Balbi, Somato- psicodindmica, Caracterologia pés-reichiana ¢ Merodologia da vegetoterapia caruetero-analfticu, por mim publicados para confimmar a visto reichiana de psicopatologia inscrita no compo do paciente ‘Tendo presente que a “normalidade” é fruto cultural relacionado norma de resposta estatistica, deve-se assinalar que ela no significa Na visdo reichiana, o individuo sadio € aquele que alcangou a | maturidade do cardter genital, quando sua carga energética circula sem ‘obstdculos no corpo, cujo metabolismo € fisiol6zico. ‘Conquista dificil, mas possfvel, com a orgonoterapia. individuo “normal” apresenta uma caracterialidads (e/ou uma temperarmentalidade) constituida por diferentes aspectos psicoldgicos cestratificados; alguns dels, pérem, podem ser imaturos, mas se estive em compensacos, no prejudicam a satide (fisica e/ou ments), como capacidade de autogestio e de adaptacio. Se, aocontrério, houver ou forem determinadas descompensagbes, verificam-se condigSes psicopatolégiess e/ou equivalentes no plano | somatico, devido a alteragGes da circulagZo energética, que reduzem a ‘expressao dos fendmenos vitais. ~ Nao hd dicotomia entre corpo psiquismo, hi wna unidacke funcio- nal, mas a interpretagio dessa unidade acontece em termos misticos, ‘oumecanicistas. timos hoje ao fato paradoxal de a “psicologia” do homem mn consideragdo apenas em sua parte clinica, quant- do se transforma em psicopatologit 1 gute um comportamento “normal” (expressio da psi- ul) esconde uma potencialidade psicopatoldgica que 6 precisa de terapia quando esia é conclamada. ‘As diferentes terapias, porém, colocam como objetivo reconduzir © indivéduo a “como” era antes de ficar “doente”; ow seja, nio elimi- natn a potencislidade patolégica Ao contrario, a orgonoterapia tem como projeto a transformagio, oumadurecimento do individuo a um nivel de funcionalidade energética melhor, eliminando a potencialicaide patolégica latente: ela ata no ter- reno biologico pessoal, para reduzir as manifestagdes patoldgicas que possam se manifestar quando os pardmetios no terreno ultrapassam determinado limiar, como 6 demonstrado pelo teste de Vincent e pelo teste do sangue de Reich teste de Vincent (aplicado no sangue, na saliva ¢ na wrina) para medir os parametros do plI (estado magnético ¢ equilfbrio écido-bési- co)e da resstividacle (estado da concentragao eletrolitica) informa sobre a energia biol6gica individual, que se manifesta em quatro tertenos, emt {ermos qualitativos: 1) Terreno alcalino oxidado — tipico da psicose, do cincer, da ios. das moléstins sistémicas efou degenerativas dificilmente curiveis: das doencas psicossomuticas. ou seja, biopatias primatias; 2) Terreno dcidu oxidado — tipico do borderline, de algumas noplasias rativeis, do uiy- positive, do diabetes, obesidade secunds ria, alergia, hipertensao, asma, artrite reumatbide: doencas psicosso- maticas, ou seja, biopatias secundarias; 3) Terreno deido redusido — tipico da psiconeurose, da gastrite, alé a tilcera, da angina pectoris até o infarto, das colites, eistites, hipertrofia da prostata, mioma: doengas somatopsicologicas; 4) Terreno alcalino reducido — iSpico das somatinagSes newt ‘eas: doengas somatopsiquicas. (Vale lembrar que 0 psicolégica é imbico,« psiquieo é neocortical! Vale lembrar tarabém que pode haver doenga dé estrutura e/ou da caracterialidade,) ‘Sao indicadores pieciosos da estrutura bivlégiva individual enfasizamos que é na estratura que se implants a caracterialidade do incividuo, Caracterialidade nao significa cariter —este é inico € s6 se verifica quando maduro (Freud) ¢ genital (Reich). 2 0 teste de sangue de Reich informa sobre sear cenergia bioligica individual, © possibilita veriticaro tempe de ckscom posigdo dos gldbulos vermelhos, que so notavelmente reduidos nos indivduos hiporgonsticos (iso €, com baixa carga energética). Esses dados biol6gicas permitem definir quatro estruturas seguit- ddovas quaisos individuos podem ser clasificados, e que se manifestam em quatro categoria: 1) Indivfduos com baixa carga energética e mal distribuida = hiporgonéticos-desorgonsticos (terreno alcaline onidado), portadores de um nécleo psicético que se instalou por estresse do medo durante a vida intra-uterina (que vai do perfodo embrionstio-fetal até o dcimo ia apés 0 nascimento 2) Indiv ies sy sgética mal distibufda = desor- pnéticos (tereno alaallpo oxidado), portadores de um nicleo psicotico depressivo “coberto”, que se instalou por estresse do medo durante 0 periodo neonatal (que vai do décimo cia apés o nascimento aos 8-9 meses de Tdade); s2o os consitlerados Borderline. 3) Indivfduos sem micico psicético, para os quais © estresse do medo adveio durante 2 vida pés-natal (que vai da aquisigio da neuromuscularidade intencional, n6 9 més, & puberdade), que apre- sentam carga energética excessiva e mal distibuida = hiperargonctico desorgondticos (terreno dcido reduzido). A hiperorgonia é devida & di- ficuldade de descarga energética na vida sexual, por causa do contlito edipico no resolvido (medo da castrazie = psiconeurose). 4) Individuos sem nicleo psicético, para os quaiis 0 medo sobre- veio durame a vida “pseudogenital” (da puberdade em diante), com carga energética adequadamente distribufda, mas em excesso hiperorgonsticos (terreno alcalino reduzido). A descarga energética inadequada deve-se ao medio de atingir o orgasmo, expresso “eultural- mente”; medo de morrer = a normalidade da neurose & 0 medo de mio ser adequado para se realizar na vidal Uma categoria & parte € a dos individuos com cardier genital, ou scja, maduro, com carga, dlisribuigao c cixculagdo energésivo-fisiol6gi- ca (normorgnsticos, niveis fisioldgicos de sanidade nos testes de Vincent e Reich) com poténcia orgéstica E claro que essa classificacao nao € rigida, podenda tais aspectos ser encontrados de forma muito marcante ¢ inteasa, ou pouco marcante, ouco intensa; isto é, hd Formas de transipfo bem compensadas durante ‘desenvolvimento psicolégico individual. Com base em minha expe- 13 Figncia clinico-social, it distribuicdo dessa classificacie no contexte social dé-se, attrlmente, da seguinte Forma: 1} indivicuos com nicleo psicstico: 30%: 2) individuos borderline: 45%; 3) individuos psiconeurdticos: 20%; 4) individuos neuréticos: 4,9%. projeto elfnico da orgonoterapia reichiana ¢ transformar um i Jividuo com nGcleo psicdtico em barderline, ¢ este em psiconeurdtico, que serd ajudado a sc tomar neurstico ¢ depois genital. Na relagao terapéut ide, a postura do orgonoterapeuta com individuos com niicleo psicético sera de “um dere quente, aco- Ihedor, protetor”, que o paciente nao teve, Para os borderline, 0 org0- noterapeuta assumiré a fungao da “boa mie”, para dar a maternagem ne 0 pacientanio teve. Para o psiconeurstico, 0 orgonoterapeuta seré © genitor que no cria obstéculos &s pulsdes edipicas e permite viver periodo edipico para poder superd-lo, eliminando os sentimentos de culpa ligados & conflitualidade e ao medo da castracao. Para o neuroti- 0, 0 orgonoterapeuta seré 0 amigo solidétio ¢ tranqiilizador, que aj da a viver ¢ realizar a sexualidace genital sem medo do orgasmo; 0 amigo ao quel pode abandonar-se com serenidade e confianga. A expe rigncia e a disponibilidade do orgonoterapeuta serdo capazes de assu- mir essas fungdes durante o processo terapéutico. Para tanto, é, poi nnecessario corhecer a somiopsicopmiatogia orgonémica, ou seia, ancoragem corporal da psicopatologia. Desejo agradecer aos drs. Gangemi, Petrauskas ¢ Xavier pela co- laboragdo 2 elaboragio deste livro, Federico Navarro Generalidades entre psicologia € psicopatologia Premissas andtomo-fisiol6gicas na vida intra-werina Se a psivopatotogia pretende descrever — ¢ o fiz —a patologia dda psique, é necessério tet uma base conceitual 9 mais clara possivel na definigao de psique, . Appsiqueé oobjetode estudo da psivologia, ¢ nto podemos falarde sua Patologia sem conhecet-Ihe a fisiologia; e, ums vez que na formacio da Psique intervém diversos fatores, 6 eviderte que néio pode haver, excero ‘eoricarmente, uma definigo-modelo para apsique.-Seydo a psique um fend reno individual, ¢ muito dificil para o pesquisuckorddsima definigacobjetiva, devido d interpretacio, sempre subjetiva, que damos i fenomecnologia. Iso az.com que confinem os limites da psicologia da filosofis, A psicologia do ser vivo (entendendo af tadaa mast viva), como est hoje demonstrado por uma visio sistémico-evolucionista da autoconsciéncia, nao exclui—ao contritio — a possibilidade e a pro- babilidade de que tudo isso seja ainda um subsistema de um sistema maior, ¢ isso, infelizmente, s6 leva a engrossar as fileiras do misticis- mo, quando é interpretado como fé irracional! Attinica chave para deduzit a psicologiade um ser vivoé seu com- portamento, e seu comportamento é sempre um movimento, Na base de todo movimento (do protozosrio ds galaxias) esta implicito um fe nomeno energétivo, No ser vivo, a densidadee acirculacio energé: silo responsiveis pelo movimento-comportamento, que € tambem in- fuenciado pelo campo energético circunstante, Sie sempre campos energéticos em um campo energético mais amplo. Aié pouco tempo, julgava-se que 0 protozexirio tivesse uma * que”; hoje pretende-se que alé o elétron a tenhia (Chailon-Zehail). F. is claro que, num enfoquie sisiémivo, os aspectos psicolégicos aumentam ¢ se diferenciam filogeneticamente ¢ se upresentam diversamente em cada especie e emi catia individuo, em fungio das vivencias ontologicas, responsiveis por utitudes ¢ fungdes que, no curso da vida, podem mo- dificar-se mais ou menos. No mamifero humano, © proceso de forma- ‘do du psique comega na concepgao. F um processo biopsicol6gico ‘que, s¢ no chegar a um aniadureciment > étimo ao longe da vida, pro: as manifestagses somatopsicopatolégicas que descrevemos adi ante. Os obsticulos 10 amadurecimento psicoldgico sto responséiveis por manifestagties, por fiaagies ecm imaturidade psicolégica, ¢ tal imaturidade, se ndo for além de ce.:0 limite, seri considerada, pelos critérios da norma de resposta estatistica, dentro da “normalidade”. E evidente que definir um inéividuo como “normal” nao significa que ele seja’s O conceit de santidade e, portanto, de sade mental requer a pre- senga de pariimetros étimos convergentes, ¢ isso explica come é dificil que ele se realize, ‘Os aspects funcionais imaturos de um individuo podem ser olocus minoris resistentice para a implantacao de patologias ou, se ultrapes- sam determinade limiar, levam a manifestagdes que dizem respeito & psiquiatria, O que caracteriza a psique é 0 fenémeno emocional (ex ‘movere!), (Sabemos hoje que até as plantas tém uma vide emotiva, isto é,reativa!) A sensibilidade € a peculiar faculdade da mutéria viva de reagir com um movimento enersético (do centro para a periteria ou vive-ver sa) a cada estimule externo. Emexperi8ncias realizadas na Universida- de de Boulder (Colorado) com um micnosospio eletrénico (de LO metros de altura e 22 toneladas) foi observado que, no interior da cétula viva, hé uma rede trabercular formada principalmente de actina e miosina, Quando as condigSes ambientais se tomam negativas para a vida da célula (baixa temperatura, presenga de determinadas substancias ete), esta se contrai, adotando uma forma esfética para reter melhor a ener- gia necesséria & sobrevivéncia, Se as condigdes negativas duram pouco tempo, a célula retomna sua morfiologia primitiva: caso contraric, per- manece esférica &, apés certo perfodo, morre, Obvizmente, s¢ propOe a hipStese de que uma ou mais células em tais condigdes negativas, se estiverem num contexto celular mais am- plo eem vias de desenvolvimento, nia morrem, mas ficam englobadas, como sodreviventes. No decorrer da vida, eventos esiressantes podem 16 reativar a vitalidade dessas células deficitarias: para niio morrer, elas se multiplicam desordenadamente (neoplasias!). O instinto de conservayio é, portanto, a caracterfstica de todo fe- némeno psicolégico, para obter uma homeostase vélida, Nos protozodrins, o fendmeno é do tipo reflexo e, 2 medida que progride © aspecto ontolégico, 0 fendmeno vai se tornando mais complexo e dife- renciado, ‘No mamifero humano, o encontro espermatozside-Gvulo, no mo- mento da concepso, € uma jungdo de dues células, ¢ jé esses aspectos unicelulares so vetores de uma psique primordial, diferente de acordo ‘com a densidace energética: a fusdo energética é, entdo, um elemento basilar para o crescimento do embrido, assim como ¢ importante 0 campo energético no qual ird se desenvolver. Podemos dizer que o periodo embriondrio & um perfodo celular, que pode ser prejudicado por taras ou deficincias genéticas, por inter- médio dos cromossomes (mongolismo, fenilcetontria etc.) ou condi- es externas que dificultam a vida embriondria, especialmente por intermédio dos mecanismos cadéerinos matcino-embrionérios que provocam alteragdes cromossémicas. Como assinalamos em Somato- psicodinamica, a ago estressante sobre 0 embrigo & principalmente determinada pela emocao do medo. que € 0 medo célular da morte ‘Tentativas de aborto, gravidez indesejada, intoxigdes ou emogdes pe- ‘nosas da mite atingem © embriao, alterando sea desenvolvimento fun- ciotial harmonioso, e determinando um grave estado de baixa energia vital (hiporgonia total) ‘Verifica-se. por conta de urna ou mais oélulas, a mesma condigio- jagdo observadat nos experitmentos de Boulder, ocasionando um abale cuja repercussio evidencia-se morfolégica, energética c funcionalmente na organogénese. [As fuungées enziméticas sto alteradas e 0 DNA recebe e envia men- sagens distorcidas. © dano a psique embriondria € praticamente ireversivel do ponto de vista terapéutico. E preciso assinalar que cada dano é causa de um mecanismo de defesa para a vida, que se manifesta com diversas patologias, ‘A psique no periodo fetal, igualmente fusional, pode ter seu de~ senvolvimento fisiolégico alterado por condigdes estressantes intra- ‘terinas, que atuam com mecanismos diferentes. No desenvolvimento fetal, assistimos 2 formago do cérebro ¢ do sistema neurovegetative, no estégio trofo-umbilical 7 F para o mamifero que, com o desenvolvimento do cérebro, pode- se falar em neuropsicologia, delineando melhor o vago termo “psicolo- ia”, que tio freqilentemente da origem 2 confuses ou equivocos. A ncuropsicologia fetal ¢ de tipo ncurvendserino € determina © nasci- mento do temperamento, condiga0 neuroendécrina para assegurar @ homeostase. Reportando-nos 2% pesquisas de Mac Lean, 0 eérebro hhumano é uma trinde: uma estratificagio evolutiva em que foi conser- vado. Filogenteticamente, 0 cérebro reptiliano, sobre o qual se desenvol- ‘eu € se sobrepds 0 cérebro Ifmbico, que por sua vez foi coberto pelo neoedrter, titimo e atual produto da ontogénese, mas ainda em evolu. Glo n0 sentido deum neo-neoeértex. O eérebra reptilian do homem & aquele lovalizado nos nicleos da base; nele residem todas as fungdes vitais instintivas ¢ est ligado as manifestaydes da psique concernentes a tetritorialidade, & caga, ao acasalamento, 2 hiererquia, aos automatismos e esterestipes. Ele é responsavel pelas dificuldades em se separar das condigies precedentes e pela assungio de comporta. ‘mentos costumeitos e eiterados. pela volta repetida ao mesmo huger. E oresponsivel pelo comportamento critico e ritualfstico das cerimonias religiosas, legais e politicas! Esse oérebro, na filogénese, foi senclo recoberto por uma camada primitiva, que € 0 cérebro lfmbico, existenie em todos os animais de sangue quente, que precisim de homeotermia. Com o advento do Limmbico, apareceram comportamentes emotivo-afetivos, ligados ao”sea- tirou experimentar”, ao cuidado ¢ chamado da prole, por meio de sons especificos (infeio da fonagiio). No homem, ele tem as mesmas fungdes que nos snimais, é 2 loca- Jizagao principal da meméria (circuito de Pande. fulero individual da luta pela vida, da sobrevivéncia, da autoconservaca0 e da atividade se~ xual ligada a uma descarga energética que seja Fonte de prazer, € nao apenas da reprodugao. E responsivel pelos aspectos de “luta” presentes nas funcdes ali- mentares ou de acasalamento, pelo medo ou pela raiva, pela tristeza ou pela alegria. Sdo esses os dois eérebros “animais” do homem, mas eles ‘do dispdem das estruturas nervosas necessérias A comunicacao. por meio do significado da linguagem. Além disso, © cé:ebro Iimbico reecbe sobretudo mensagens do Interior do corpo, e por isso jé foi definido como “visceral”; é portanto responsivel pela cenestesia. Ble & conectado aos niicleos da base, 2 hipofise e a0 neoedrtex. 18 Apés cerca de dois milhoes de anos, a filogénese dew outro salto evolutivo, com o advento do neoedriex (neopallium), caracteristico de homem e, em medida limitada, de alguns primatas (em particular, 0 chimpanzé). E o neocdrtex que permite a visio tridimensional, Higada a postura ereta, @ partir da qual o homem é definido como um mamifero Gptico (urn tergo das nossas vias nervosas pertencem aos olhos!). E esse “lerceiro cérebro” que possibilita a dimensfo espago-tem- poral, do antes e depois, da historicidade, da relaco de causaee efeito, bem como a capacidade da leitura ¢ de escrita, da arte, da l6gica, da matemiética, da consciéneia. § funcao do neocsrtex aleangar os estigios de consciéneia, por meio da reflex, da abstrago. Encontramos nele asede da inventividade (que no € o mesmo que criatividsde, que nasce da harmoniosa integragio funcional dos trés cérebros!), do saber, da critica, daandlise, da sintese, da decisio e dos processos de metacomunicagio. As etapas de amadurecimento desses irs cérebros determinam a formagao do Eu; alteragGes no amadurecimento levam ao falso-Ba (Winnicon); 0 amadurecimento esté condicionado pela carga energética fetal ¢ pelo contato do campo energético fetal com o campo materio, detinido como primeiro campo energdtico, Podemos, portanto, ter di- ferentes predominancias funcionais nos 1rés cérebros, levando, por oca- sido do nascimento, a diferentes predominéneias no psiquisma Esses trés e&:ebros deveriam ser uma dnica entidade funcional, por meio de uma integragdio harmoniosa, mesmo tendo cada um deles sua inteligéncia prépria, sua meméria prépria, sua resposta propria aos estimutlos, com atividades motoras especificas, A otganizagzo funcional esté proporcionalmente ligads ao estado cnergético fetal especifico. Condicdes de energia vital baixa eon mal distribufda dispdem a uma estrutura hiporgonttica-desorgonbtica, Insistimos em que as consideracdes sobre o estado energético sio fun- damontais nio somente para o diagndsticy, mas também para 0 prog- néstico lizado a um projeto terapéutico, Odeseavolvimento do sistema inervoso vepetativo permite observar que, se no perfodo embrionério 0 mecanismo de defesa contra o estresse nocivo é'celular, no perfodo fetal a respesta defensiva ¢ mais complexa ¢ mais especitica. O feto defende-se do estresse (do medo!) ativando o sistema ncurovegetative doortossimpiitico, que responde com uma hiper-secrego de adrenalina, ‘com um mecanismo de contragao de todo o organismo, de fechamento ara 0 exterior; néo havendo mobilidade, assiste-se 2 uma pseudo- 19 paralisia da motilidade, que bloqueia a circulagao plasmétioo-energética normal. ‘A contracao impede o ritmo da pulsagao plasmatica, favorecendo somente a descarga energética e provocando, em vérios niveis do cor po, uma hiporgonia de tipo desorgonstico. E oportuno, neste ponto, lembrar a “divisio” do corpo em sete niveis, proposta por Reich: 1" nivel: ouvidos, olhos. nariz. (telerreceptoves, interpretagiio); 2 nivel: boca (aralidade, depressividade), 3 nivel: pescoo (riarcisismo, defesa narcfsica, autocontrole); 4 nivel: trax (identidade biol6gics, ambivaléncia); 5° nivel: diaftagma (masoquismo, ansiedade); 6° nivel: ahdomen (compulsividade, analidade); ¢ TP nivel: pélvis (genitalidade, superego, histetia) Os niveis siio contiguos e continues no aspecto funcional- ‘energético, e portanto se ressentem da respectiva carga energética. ‘A energia necesséria a sobrevivéncia tende a acumular-se no cére- bro reptiliano (R-complex de Mac Lean — Reich falava em estase energética na base do cérebro), paca assegurar 0 Funcionamento dos icles vitais da base. Assiste-se a um deslocamento energético pars 0 alto da zona um- bilical (0 proprio cordo umbilical, contraido pela simpaticotonta, bom- beia menos energie da placenta) ¢ desse modo esta zona (definida por Ferri como “a primeira grande boca”) fica hiporgonstica. Isso confir- mado pela clinica orgondmica, quando fala de blogueio do primeiro nivel (ouvidos, olhos, nariz), hiperorgondtico, ¢ em bloqueio hiporgons. tico do diafragma (5¢ nivel) © feta, assim como ocorre como embriio estressado. perce 0 “contato” com 0 organismo que o hospeca (o ttero, amie!) € reduz seu campo energético. E esta a condicao fundamental para que se instaure um nicleo psicético intra-uterino: baixa carga, baixa densidad, campo energético limitado ¢ grande dificuldade de contato consigo ¢ com 03 outros. ‘Tudo isso, obviamente, altera o desenvolvimento e o amadurecimen- to fisiolégicos da psique, no recém-nascida estressado em sus fase trofo-umbitical. O que pode acontecer com ele na vida extra-uterina serd descrito adiante. 20 Generalidades entre psicologia e psicopatologia psiquidtrica Premissisanitomo-fisiol6gias na vida neonatal Como assinala R. Balbi, em seu Evelucione Stratificata, o desen- volvimento filogenético, ontogenético e existencial do ser humano € das suas manifestagdes psiquicas caracteriza-se pela repetigao de con- dighes de separagdo-chegada Da separagio inicial do dvulo e do espermatozéide de seus res- pectivos “produtores”, assistimos & chegada ao dvulo fecundado, que por sua ve2.“chega” A formagio do embrio. O embrizia‘chega” ao seu ‘aninhamento, para depois poder "'separar-se” € ento chegar & condi- cdo trofo-umbilical, que é a premissa para “chegar” 2 formago fetal. Como nascimento, assiste-se & separagio do feto do itero, para chegar {A condicdlo neonatal. Deve-se ressaltar a importdncia, para um desen- volvimento psicoorgéinico saudivel, de “como” se realizam as condigbes, de separagao-chegada, Todos os eventos pertubadores dessas condi- des so elementos etioldgicos do desenvolvimento psicofisiolégico inadequaco, ¢ comportam aspectes deficitarios, de maior ou menor vulto, ‘no amadurecimento da psique. Pode haver uma separagdo inadequada, assim como uma chegada inadequada. Os aspectos deficitérios podem cevoluir para a patologia. O perfodo neonatal, 0 perfodo simbistico (fi- Ihoe mie), se vivenciado de modo frustrante, provoca, como veremos, ‘oaparecimento de um nieleo psiestica neonatal extra-uterino. O perfodo neonatal vai do 10° dia a contar do nascimente, av 8'-9* més . isto é, ‘quando estaré completando o desenvolvimento dssco-muscular da man- dibala, implicando, fisiologicamente, o inicio da fungdo intencional dos misculos masséteres para a mastigagio, £, portanto, por volta do 9" més que assistimos & passagem do Tecém-nascido & motilidade in- 2 tencional, em conseqléncia de uma mielinizagao adequada das fibras nervosas (¢ de uma maiernagem satistatcria, ¢ holding), B outra sepa- ragdo-chegada, Antes de prosscguir, scra oportuno determo-nos no pinento de separagao-chegada constituido pelo parte. Podemos definir os individuos que vém luz com um nicleo psicético intra-uterine como “paridos”, mas nfo como naseidos. E isso vale tamb$m para os nascidos “hruscamente”, de parto cesireo, ¢ para os recém-nascidos colocados em incubadora. Nascer significa, em condigdes Otimas, separar-se natural e fisiologicamente do titero, de ma- acira ngo-violenta (Leboyer) e, como acontece com todos 0s outros mami feros, ficar em contato com o corpo quente da mie para poder pegar (mais uma chegada) o mais breve possivel « peito e sugar (mesmo se ainda nao houver leite, isto produz secregao de oxitoina!). A separacao do parto exige uma chegedta rdpida, porque o estresse do medo de abar- dono, durante os dez primeitos dias do“‘nascimento”, impede a integrag3o funcional dos cinco sentidos, ¢ isso também provoca « instalagdio de um micleo psicdtico. Reich considera os primeinos dez dias de vida ainda ‘como perfado intra-uterino. Parto por cesariana e por forceps deveriam ser excepcionais, Para evitar a instalagio de um nticleo psicético no perio- do neonatal é preciso que a mae satisfaga as necessidades simbisticas do filho ¢ nio as dela! Isso significa que a regra de amamentar a cada trés horas é uma medida antifisioligica absurda! O recém-nascido deve su- gar sempre que precisar! A amamentacao fisiologica humana deve prolongar-se até o 8-9" més, quando se completa o desenvolvimento das mandibulas para a. fungao de mastigacZo. Isso implica que o desmame prematuro ¢ brusco provoca, como indicaremos, alteragées na formaglio de uma psique sau- dével, criando umfguicleo psicético. 20\ borderline), O desmame tardio tem 0 mesmo efeito negativo, porque cria uma falsa necessidade de dependéncia simbidtica, E oportuno lembrar que hé no leite materno anticorpas que 0 re- cém-nascido ainda nao pode produzir, e acidos graxos insaturados, indispensaveis & miclinizagio do sistema neryoso! A amamentacao € fundamental para adquirir a funeRo de acomodagdo ¢ convergéncia ‘ocular (Spitz), prevenindo a miopis, o estrabismo, ahipermetropia; um desmame fisiol6gico ndo antecipa “patologicamente” a fendmeno de estrankamento (que ocorre aos 8-9 meses, como descreveu Spitz) € permite uma realizagdo fisioldgica do movimento de lateralizagio dos ‘olhos, ¢ isso evita que se instaure o medo de “olhar” ou “ser olhado” e de um niicleo depressivo coberto pela raiva (border-tine); por acasiio do nascimento o recém-nascido tem um temperamento (base enddcrina} jiiexistente no perfodo neonatal, que, portanto, pode sofrer alteragées (do apenas durante uma vida intra-uterina dificil, mas também por causa de um mau aleitamento ou desmame). E sobre o temperamento que ird se construit a caracterialidade ou o cardter. O carter maduro (genital) soré capaz de administrar 0 temperamento! O temperamento tem por fungo preservar a homeostase. desmame é também uma condigio de separagao-chegada, O estresse durante os dez primeiros dias de vida sera ilustrado mais detalhadamente quando tratarmos da melancolia. 2B Generalidades entre psicologia, psicopatologia e psiquiatria Premiissas andtomo-fisiolégicas na vida pés-natal e pseudogenital £ com a passagem da motilidade & mobilidade (outra separagio- ‘chegada") que tm inicio as funcées neuromusculares ativas, responsé- veis pela formacao da caractetialidade ou do cardter, que desse modo se sobrepde ao temperamnento, Neste momento comega 0 periodo pos- natal: recém-nascido passa do campo cnergético matemo ao da familia ¢ responde neuromuscularmente aos estresses emocionais provocados pelo ambiente, Passa assim do primeiro ao segundo campo energético. Enesse perfodo que se completa a mietinizagio.das vias nervosas ‘oculares e com isto se toma madura a fungad visaal, realizando 0 ser humano como animal éptico. No periodo pos-natal, acontece a {duo for portador de ra-uterin stes casos no have~ 16.uma genuina caracterialidade, mas uma cobertura caracterial, como deserevi em Caracterologia pés-reichiana. Nesse periodo, © amadare cimento caracterial geralmonte 6 obstaculizado pelo atual tipo de edu- cago, que € repressiva e nao expressiva, impedindo oamadurecimento caracterial em cardter genital, e faz-com que haja, em vez de umna sani- dade psicofisica, uma “normalidade” psiconeurdtica ou neurdtica da caracterialidade. A “nonmatidade” & uma condigio precdria, que as ex- periéncias existenciais frustrates podem perturbar, provocando desequilibrios, que se manifestam com aspectos paroldgicos, sejam eles psicoldgicos ou biolSgicos (orgénicos!). No periodo pés-natal, assiste- se a0 desenvolvimento da linguagem, como comunicasio sucessiva & fase do contato. Do ponto de visia psicol6gico, isso signifies que um 25 bom contato ¢ a premissa para uma boa comunicabilidade; contraria- mente, temosa instauragIo de uma psicopatologia com aspectos quan- titativos e qualitativos cuja intensidade seré mais ou menos marcante, ‘com a instalagio de um pseudocontato e dificuldade de comunicagao (borderline). E nesse perfodo que 0 individao vivencia aquilo que a psieandlise canna de fase anal, mas que definiremos como perfodo anal, por ndo ser ele de natureza biolégica, mas cultural, a chamada “educagdo dos esfincteres”. As faxes sho biologicas ¢ 08 “perfodns” sto culturais. Na faye neonatal estrurura-se 0 narcisismo primério (no o primordial, oue é expressiio do instinto de conservagiio natural!) ¢ no perfodo pés-natal cectmitura-se o narcisismo secundério, O narcisismo é precursor da desco- bertada identidade biolégica (macho ov fémea). O narcisismosecundiio E determinado pelo estresse do meco, decorrente do medo da castracao, a identidade do eu pode serexagerada (egofsme, ideal do eu) ou defi téria (ambivaléncia sexual). E evidente o que resulta no plano psicol6gi- 20:e/ou psicopatolégico! Situ-se no period pés-natal achamada primeira fase parental, de Ferri, ¢ a entrada no petiodo “edipico”’ Como assinalou Reich. o periodo edfpico comporta uma problemd- tica que o individuo resolveré mais ou meaos bem antes de entrar na puberdade (perfodo pscudogenital). A solugio valida pata « fase edipica ubre a porta para a maturidade caracterial, ou seja, para ocarirter genital; uma solugao edipica precéria ou invélida se tranformia em um complexo edipico, provocando caracteristicas psiconeursticas da personalidade. O perfodo pos-natal deve ser prolongado por certo tempo para que se realize a chegada ao campo social (3" campo energético, perfodo pseudogenital. Esse lapso de tempo, que a psicanilise chama de perio- do de laténcia, pode ser a base para a instauragdo de algumas psico- patologias, se 0 amadyrecimento sexual-genital for obstaculizado por uma educagao sexo-repressiva e moralista (a masturbagaio é um fend- meno fisiolégico em todos os animais ce sangue quente, para descarregar o-excesso de energia vital, que se manifesta com a excitacao; caso con- trétio, a excitagiio transforma-se em agitagdo!), Uma caracteristica determinante da educagio atual é o estimulo & competigio (esportes, inclusive as olimpiadas!),& ambigao, an carteitism (o primeiro da clas- sc!).A transmissio de pscudovalores, que levam a confuncir 0 conceito de peténcia com o de poder, ode dignidade com ode ongulho, aexaltagio consumista da vaidade e « proposta do supérfluc como “necessirio”, agravam as instancias psicopatolégicas de uma caracterialicade imatu- 26 ral E nesse periodo que os estresses existenciais (sempre baseados no ‘medo!) instalam os aspectos da psicopatologia psiconeurdtica; em iiti- rma andlise, é a ameaga dc “castragao” (ameaga ou violencia real ow fantistica!) pelo progenitor do sexo oposto que impede as pulsdes edipicas dos filhos. Portanto, as manifestagdes psiconeuroticas tém origem no perio- co pOs-natal, se vivido emocionalmente de tal modo que afete um ée- senvolvimento psicoafetivo saudével, devido & presenca do complexo edipico. * fg fenomenolugie iiconcurdlce pode esbiira einlincinde-umna psicopatologia intra-uterina ou neonatal, provocando a chamada caracterialidade de cobertura. No periodo pés-natal (do desmame & puberdade), como jd expos- to, pode-se identificar 0 nascimento das manifestagdes psiconeuroticas, masé.a partir da puberdade c pelo resto da vida que, sc nio se chegar & maturidade do carster genital, encontramos o aparecimento de mani fostagdes neurcticas Cabe dizer também que @ neurose pode cobrir uma presenca psicopatoldgica intra-uterina cu neonatal, ou seja, ser uma caracteriali- dade de cobestura ‘A neurose nasce de condigées emocionais, existenciais, vivenciadus pis a puberdade. Lima neurose"*pura. genuna”, € a melhor expressio da atal “normalidade” hodierna, porque exprime uma condigao de pscudogenitalidade, que é a “antecdmara” da gonitalidade. A supera ‘do de uma “verdadeira” neurose leva ao cariiter maduro, genital, ca- paz de poténcia orgéstica (é o verdadeiro cardter, que por razdes historicas e socioculturais ¢ atualmente quase impossivel achar no am- bito da humanidade}. ‘A condigio neurética (0 termo “condi¢a0” implica um fendmeno dindmico; otermo “situaga0” sublinha um fendmeno estético. no senti- do de estivel!) é, em todo caso, sempre atual e ligada a ansiedade ao medo de viver, isto é, de ndo poder realizar uma vida satisfatéria, com- pleta. Sa0 casos (quando nao sao de coberturt!) que estao muito perto da genitalidade, que apresentam, no fundo, 0 medo de abandonar-se 20 ‘orgasmo, em um “dar-ce” gemino ao parceio na abraga amoroso. O impedimento deve-se & ansiedade que um masoquismmo autodestrutive provoca, origindrio de insténcias superegicas muito freqitentes, nasei- das do ambiente sociocultural As manifestagdes, as sintomatologias das neuroses atuais sao de tipo reativo, limitadas no tempo e decorrentes de determinacdas condi- 2 ses existenciais; As vezes, apresentam eomponentes de conversfio his- térica, como algumas somatizagBes! Isto leva a supor que, para além da psiconeurose histerica(ligaciaas sensagGes de culpa do complexe edipico), hd uma neurose atal de tipo histérico, uma pseudo-histeria figada a0 sentimento de culpa do “dever” ou moralistas que ativam @ ansiedade masogeis gad so dafngins, coma serio em Carsten pdr verdadeiro neurético, aquele “genufno”, geralmente no vai terapia (a meaos que seja informado sobre o significado da poténica orgéstical), ¢ isso que € um mal, porque uma terupia eficaz pode facil- ‘mente transformé-lo num individuo eapaz de ter 'cardte>”, isto 6, con- digo existencial madura, genital! As diferentes manifestagdes clinicas de wma neurose atual esto ligadas aos estresses que desencadeiam, mas nto determinam, a sintomatologia, Para concluir este capitulo, deve-se assinalar que 0 estresse de medo apresonta diferentes aspectos nas varias épocas do desenvolvimento psicoxfetivo de um individuo, aspectos que determi- nam condigdes diversas na formacdo da psique: 1) Niicleo psicético intra-urerino — provora 0 medo de desinte- rar-se, de desaparecer, de morrer; 2) Miicleo psieético neonatal (borderline) — provoca o medo de iio poder sobreviver; 3) Condigdo psiconeurstica (p6s-natal) — provoca © medo de no poder viver, & 4) Condicdo neurdtica (pds-pidbere) — provoca 0 medo de viver ‘uma Vida insatisfatéria, de nto se realizar! By Eu e nao-eu (0 outro) Por voltado.4*-5¢ més da vida fetal, delineia-se um eu fetal, um eu existente, mas que nio €ente, capaz de reagir aos estimulos auditivos € luminosos, capaz de sonbar, capaz de wina atividade motora reativa, O ( feto caracteriza-se por uma predominincia auditiva sobre a dptica. E capaz de oavir (no de escutar), de ver (nfo de olhat), ‘Com 0 nascimento, a predominancia auditive cede lugar & predo- \ minincia dptica, realizando omamtfero humano como marnffero pico, E interessante notar que os mamiferos, diversamente do homem, niio apresentam distirbios visuais, aforaa catarata, ue leva distirbios visuais em conseqiéncia do enevoamento do cristalino, ¢ @ hiper- metropia fisiologica dos eatiinos, talvez Higada a disposicao anatomaica {dos olhos; acrescente-se que a rotacao intencional dos olhos ¢ peculiar | 120 ser humano, ¢ tem nele um significado fundamental, expresso da postura ereta, necessaria para orientar-se no tempo e noespazo. O reeém- nascido humano, ao nascer, vé, mas nio olha. Ele precisa de um ponto de referéncia no qual possa fixar 0 olhar, que € um passo para aprender a olhar: este ponto de referencia deveria sero vukio da mi 0 isolamento ap9s o nascimento da origem ao astigmatism. A presenga do vulto matemno torns:-se indispensdvel quando, na amnamen tug, cle serd cupaz de conseguir acomodagiio & a convergéncia, Uma amamentagao psicofisiologicamente deficitiria, na acep¢io mais am- pla do termo, €a causa de miopia, com sua deficiencia de acoimodao- convergéncia. A acomodagio e a couvergéncia permitem distinguir um ‘eu de um no-cu, que 0 vulto matemo. Nasce assim a faculdade de 29 “descobrir™ o outro ¢ a si mesmo. Esta faculdack: desenvolverdo poten- cial emotivo, que induziré ao nascimento do eu, o desenvolvimento da identidade e, depois, da individualidade, Assistimos assim & premissa da fosmagio do superego, ligado &s mensagens prvenientes do outro (oniio-en), Ocu €. portanto, a expressao do si, ou seja, do nosso niicleo bioldgico energético, definido pela estrutura, o terreno individual. A faculdade de othar evolui com 0 desmame, provocando a fungi de “olhar” ou de “othar-se”, que pode ter conotagées psicopatolégicas se esta fungio for exacerbada ¢ cronicizar-se devido a um desiname psi- cologicamente ceficitério, determinando, muito freglientemente, © surgimento da hipermetropia, Siio essas ancoragens oculares que provocam os distirbios visuais ligados a determinada caracterialidade, com clarts conotagées psicopatolgicas. A presbiopia (vista cansada) também € um distirbio visual, mas nao estd relacionada, senao indiretamente, com 0 outro (0 eu); € um distirbio visual que decorre de condigdes psicoldgicas individuais, de uma vivéncia emotiva perturbada pela unsiedade peran. teadimensio espago-temporal. A presbiopia tem sua origem primitiva ‘em uma dificuldade na separagao do periodo neonatal, para chegar, no periodo pés-natal, & passagem da motitidade & mobilidade. Apesar do que diz a medicina oficial, nem todas as pessoas sottem “fisiologica- mente” de vista cansada depois dos 40 anos! A chegada 4 aquisigo da postura ereta amadurece a fungdo visual do ser humano (animal Optico, porque um tergo de suas fibras nervosas periencem aos olhos!), permitindo-Ihe @ rotagio intencional des olhos ¢, assim, 2 integragao do espago-tempo. Essa integragio se realiza no nivel do eu (ou seja, do corpo, pois, camo observava Nietzsche, 0 eu é ‘nosso corpo!). Determinando a aquisigao 1) da visio tridimensional, ‘ou seja. de panorainica (como nos animais) a estereoscépica; 2) do antes e depois, isto é, da historicidade; 3) do esquema corporal; 4) da prospectiva; 5) da previsio; 6) da antecipagio; 7) dos nexos causais; 8) do campo da consciéneia; 9) do protagonizar a propria vide; ¢ 10) de possuir um eu, fungdo expressiva do si. Tudo isso comporta uma consideragao importante: que os estigios vvisusis perinatais ¢ neonatais estao ligados a dinamica do ter, a0 Passo (que, com a entrada na fase pOs-natal, a visdo € fungdo da percepgaio ligada a dinfmica do ser! Nao € por acaso, enti, que na sistematica metodol6gica da vegetoterapia caractero-analitica, por mim proposta, 6 dada particular nfase ao “trabalho com os thos". © que foi dito 30 antes permite compreender a importincia da dialética eu/nio-eu (0 ou- tro), nao upenas devido a interferéneia dos campos energéticos inivi- duais, mas também As impressGes determinantes provocadas pela troca de mensagens na dindmica da comunicaglo.A aquisigo dango vi J sual macura & sempre dificultada por condigGes de imeturidade cere bral, que podem serevidenciadas por un eletroencefalograma. Infeliz- mente, é muito freqiiente obter um relatério de “eed dentro dos limites hnormais”! Nao € preciso que 0 FEC seja disritmico ou francamente pe tol6gico para confirmar que a neurowansmissaio cerebral esté perturba da. Tais casos pockrao realmente beneficiar-se com a administeagdo de ‘gaba, piridoxina, tiptofano ete. EEGs com ondas de baixa amplitude, inregulares, com “raro” aparecimento de ondas andmalas et. s80.con- seqiténcia de md gestagdo, de traballio de parto diffeil, de corte precoce do coredio umbilical (acarretando no recém-nescido uma perda de 300 go sangue!), de parto cestroo desnecessirio,de parto prematuro acom- panhado de “abuso” de incubadora, de maremagem deficiente eto, F por isso que considero indispensavel uma leitara séria do tracado eletroencefilogrdfico quando houver, ma anaminese de um paciente, os elementos mencionades ou quando o paciente apresentar dificuldades para realizar “trabalho com os olhos” 31 Principais manifestagdes psicopatoldgicas Antes de deserever as diferentes psicopatologias e suas respectivas ancoragens corporais, é oportuno esclarecer a8 principais manifesta- (Ges de uma psicopatologia. a Saber: aluctagoes; pseudo-alucinacdes, delirios; angustia e ansiedade; e crises psicopaioldgicas. Alucinagées — so 0 sintoma catacteristico de uma condigio psicética aguda em individuos jovens, ou tendem a ser um sintoma erdnico, especialmente quando 2 manifestagio psicbtica aparece em plena idade adutta ou em idosos, se sinloma € um distirbio da percepeaio-apercepeao, devide a ‘uma alteragao na sensibilidade das vias sensoriais, Essas percepgdes falsas podem ser auditivas, visuals, tieis, olfativas, gustativas; sto distarbios ligados ao Le 2 niveis do corpo, inclusive o tato, que tam- hém € nosso cérebro periférico, como demonstra a prépria origem embriondria. Do ponto de vista energétive, ¢ determinante, na génese das aluci nagdes, a condigio neuromuscular (Buscaino): uma condigio hiperor- zonética, por excesso de energia bloqueada e estagnante deve ser descarregada ¢ © sintoma alucinaiério é uma tentetiva disso! (Vale a pena lembrar que cada sinioma & sempre um mecanismo de defesa do ‘organismo!) Como ja dissemos, no perfodo intra-uterino encontram-se as cau- sas originaies do nacleo psicético, © diga-se jd que, afra o autismo, de origem embrionziria (e, portanto, irrecuperdvell), isso significa que, ‘ao nascer, 0 individao apresenta uma estrutura energética de tipo psiedtico, mesmo nao sendo psicdtico! 33 Durante a vida, porém. 0 nucleo psivético pode “explodir” e ex- primir-se como psicose. A psicose, em suas varias manifestagées, que sero deseritas adi- ante, caraeteriza-se pola presenga de alucinagdes e/ou do delitio. Se- _gue-se uma panorimica das diversas alucinarées Alucinagdes visuais—os objetos sio vistos sumentados ou dimi- nuidos, deformados, coloridos. em movimento. Podem haver visdes terrificantes, visbes de animais ou figuras humanas grotescas, de for- ‘mas inusitadas, ameagadloras; vises que podem aparceer ou desapare~ cerrepentinamente! Alucinagdes auditivas — sons e rudos inauditos. vozes de prove- nigncia invisivel, ameagando, condenando, interrogando, insullando. O individuo pode sentir scus préprios pensamentos como se fossem expressos cm voz alta! As yezes, as “vozes™ siio sussurrades e podem assusti-lo repentinamente! Alucinagdes olfativas — cheiros de enxofie, tétido, de fumo, Alucinacdes gusiativas — os alimentos tém sabor diferente, sto insipidos ou muito salgados, ou amargos ou azedos. Tais sabores po- ddem ser sentidos até com a boca vazia! Alucinagdes tdteis — répidas percepgdes térmicas € sensagdes musculares (os objetos so pesadfssimos ou muito leves: o corpo voa ‘ou afunda: o individuo seredita que se move, mas esid imével: julga falar, mas est mudo). Alguns indiv fduos se sentem pewtificades, esve~ ziados, encurralados ou como que de vidro! Outros sentem-se defor- mados, puxados por fios, inchados, distorcidos, transfommados! As alteragies da percepicio que resultam em alucinagoes sao Vivi das pelos individuas como fenémenos normais, nunca criticados o2 postos em dvida: o individuo acredita na percepeio de um objeto ow de uma situagao extema, enquante tal realidade nao esté presente! Preudo-alucinagées— sio experigncias sensoriais do mesmo tipo das alucinagdes, mas 0 individuo esta cOnscio de que clas ndo tém rea~ lidade externa, Sto visbes “fantésticas” favorecidas pela vontade do individuo, mas criticadas como falécias. Flas aparecem em condigdes depressivas muito intensas. Delfrio— é uma interpretegdo darealidade com significados com- pletamente distorcidos. O delirio é uma percepezo deliranie, pois & ppercepgio real é atribufdo um significado anormal. caracterizado por anto-referéncia, O delirio pode ser precursor da chamada “mudanca 34 ‘medrosa” como sintoma inicial da psicose. O delirio€ uma vistioe uma interpretacZo “subjetiva” da realidade, e, portanto, su ancoragem cor poral reside no 1? nfvel. $80 falsos julzos, defendidos com certeza ab- soluta, @ ponte den serem inTlucnciados por nenhuma refutayao sob! a impossibilidade de seu tema. ‘Chama-se delirio sistematizado quando o contetido &estivel; quan- do ele & fragmentirio, hd um detirio elementar. Em relago ao estado de conseiéneia, um delirio pode ser lticido on confuso. Lim delitio con- fuso deve-se, quase sempre, a um dano organico do eérebro. Os contet- dos do delirio variam com temas de culpa, perseguigdo, auto-acusagio, negagao, transformario, srandeza, citime, idéias hipocondriacas, mi 5, religiosas. politicas, filosGficas, pseudocientfficas. ‘O sintoma de delitio aparece nos estados parandides. parandicos, parafiénicos, As veces, sto delirdides, isto é, sindromes deliranies reativas. A passagem ao delirio & determinada por angtistia psicética, devida ao medo aterrorizante de aniquilamento, estragalhamento, de perder referéncia de tempo, de despersonalizar-se. Do ponto de vista energético, é uma contragao contra a dispersao. mais do que contra a expansdo. Sao individucs hiporgonéticos, nos quais a carga energética con- centra-se na base do cérebro (1+ nfvel) para assegurar sua sobrevivén- cia, € assim as alucinagées e o delitio so tentativas extremas de ter uma realidade a qual referenciar-s. Nesses casos, 0 neoedrtex eo cérebro reptiliano funcionam inde~ pendentemente, sem conexio cintegragio do limbieo, que fica “de fora”, cortado (schizo). 1s50 dificulta oa impossibilita 0 contato e a comunica fo terapéutica, ¢ por isso & nevesssrio recorter a psicofarmacos que interrompam a dispersao energética e permitam #0 paciente wm mini- mo de contato € comunicagdo, pata “entrar” em terapia (vegetoterapia), esta deve ser complementada com recursos energéticos convergentes (vitaminas, oligo-clementos, dieta, homecpatia, uso do acumulador, do cobertor org6nico!. Accstrutura dos delitios crdnicos sao tx Delitio parandide fragmentirio—com dissociagio ideativa, incoe- rGncia e disconchincia ideo-atetiva, provocando reagSes comportamentais| ou emotivas pouce adequadas ou inadequadas ao tema do deifrio. Delirio paransico sistematizade — com integridade das fungbes, exceto pelo juizo errbneo sobre a realidade, 0 que provoca reagées comportamentais e emotivas relacionadas ao tema de delitio e por ele 35 profundamente influcnciadas. Podemos incluit aqui o delitio hipocon- driaco. Delirio parafiénico — pouco sistematizado, com pouca iniluéncia sobre o comportamento global, ¢ reacdes comportamentais e emotivas menos constantes ¢ menos vividas! 0 delirium tremens € devido ad invoxicagao crénica por dleool, pode aparecer como fendmeno de abstinéncia: apresenta confuses e alu- cinagdes; tem duragio limitada. Ansiedade ¢ angiistia — estes dois termos sio sindnimos na nosografia angle-saxénica, mas na neolatina sfio conceites distintos. Consideramos itil essa distingio, tanto do ponto de vista energético como do somatopsicol6gico, inerente 2 integracio soma-psique, € do clinico. As observages e a pesquisa de W. Reich e de seus discipulos (p6s-reichianos) confirmnam que a circulacdo energética no orgenismo hhumano, quando vai livrernente da cabega aos pés ¢ retornando, provo- ca uma condigio de boa sade; a inversfio da circulagio energética ou Sui estase em alguns niveis comporais provoea manifestacdes palalégi- cas, Como a ansiedadee a sngiistia so sintomas patologiens. isso sig~ nifica que ha um distirbio na circulacao enerectica do individao e, portanto, condigdes de blogueio energético em um ou mais niveis do compo. Partindo de baixo para cima no organism, encontramos primeint- mente a ansiedade, que, para nés, exprime tim condigao de bloqueio cenergético ao nivel do diafragma. O bioqueio diafragmético manifesta- se como hipertonia crdnica da musculatura, que se apresenta espastice por ocasido das erises de ansiedade, A sintornatologia da ansiedade (manifestagdes de medo) nos conduz a sua etiopatogénese. individuo ansioso viveneia ma condigdo psicaligica de “ex- pectativa” e uma condicao de alarme, aguda ou crOnica, gue pode ser conscienle ou inconsciente, Schneider fala de urna ansiedade motivada ede uma ansieciade desmotivada. ao passo que o medo seria mativado, {sto @, reativo, Nao concordamos com essas definigdes, uma vez que a caracterfstica da vitalidade é a seatividade ¢ que todas as emogbes, den. {re as quais a ansiedade, sempre sio reativas. Valea pena reiterar 0 que ja assimilamos em Somatepsicodindmica, sendo a ansiedade um medo intemalizado (Freud), € preciso avaliar a densidade © cm qual nivel corporal cla esté ancorada. Este tltimo pardimctro dé a possibilidade do diferenciara sintomatologia.A fisiopa- 36 tologia da unsiedade implica sua ancoragem somitic: individuo ansioso tem dificuldades respiratérias, respira Superficialnemte mal, provocando ma oxigenacao dos tecidos; 0 bloqueio funcional do diatragma ¢ responsdvel pela sensazdo de opressio tordicica (pesto), pela palpitacao e pela tagquicardia. (O diafragma é bloqueado na inspiragiio e a expiragtio € minima. Se cesse bloqueic daenergia mascular do diafragina aumentar,aenergia ten- deri aestagnar paracima, ¢ isto envelvera a plexo solar, desencadeands os sintomas neurovegetativos ea agitayao tipicos da anguistia. A angistia (do latim angustia, condicdo de ungor = restrisdo, aperte) €entGo a ma- nifestagao da impossibilidade de a energia ciccular para baixo do corpo. Parece-nos que 2 posigio cultural existencialista, que pretende que aun- siedade e a angdstia so caracteristicas imanentes do ser humano, refere- se unieamente ao atual momento hisiGrico da humanidade. ‘A humanidade atual € afligida pela ansiecade, mas iss0 ¢ uma conseqiigncia sociocultural e no uma situagaio biolégica natural. B como fa diferenga na interpretugio do masoquismo segundo Freud ¢ segundo Reich! este que os diversos fipas de caractericlidade esti ligados as diferentes condigdes energéticas de um individuo, as condigées de an. siedade e/ou de angiistia serio diferentes de individuo para individu, especialmente se for também considerade o aspecto temperamental de cada um.A angistia psicética é devida ao terror ou 20 panico ancorado no I® nivel, diferente da angustia (pica dos individues borderline) que tem como ancoragem corporal, principalmente, a boca (2° nivel) € 0 pescogo (3 nivel). Do ponto de vista da cireulagio energética, deve-se dizer que a ansiedade permite uma descarga parcial da energia, enquanto a angus- tia ou nao permite a descarga, ou descarrega a energia nos niveis supe- riores, aumentando a condiga0 de blogueio. Portanto, ¢ til distinguir as diferentes Formas de angistia e ansieda- de: angistia depressiva; angustia de separaglio; angiistia somatizada; ngistia fobica, angdstia objetal; ang ingustia organic: an- uistia psicogénica; ansiedade de castragiio; ansiedade de exame: ansi- ‘edade dramatizads; ansiedade de base: ansiedade bistérica; ansiedade neustica; ansiedade reativa: ansiedade uretral ¢ ansiedade sinalizadors. Crises psicopatoldgicas — em cctios casos, © comportamento psicomotor pode aprescntar distirbies como os “impulsos”, que tos irteprimiveis, repentinos, fogem ao controle do individua; ao 7 contririo, os atos impulsivos obsessivos so aqueles que explodem apesar da rejcigdo consciente do individuo e, freqiientemente, esses comportamentos “inevitiveis” tém para 0 indivfduo significado md- gico ou simbélico. Outros tipos de etises psicomotoras so os tiques, a gagueina, a ‘enurese ete. que exprimem a hipermotividade do individ. Movimentos parasitérios que deformam ou substituem os movimentos normais io 4s paracinesias, como a estereotipia, os maneirismos e a hipercinesia. Também fazem parte das crises psicopatoldgicas os fendimenos de ecolalia, ecoplasia, ecocinesia. Entre as crises psicomotoras, destacam- se as crises histéricas (movimentos teatrais. desordenados, sem perda de conscigncia) ¢ as da epilepsia temporal, como seus automatismos. 38 Psicoses ‘Convém distinguir as psicoxes orgfinieas das endégenss. As orgiini- cas so moléstias relacionavtas a alteragdes evohutivas do cérebro decor- rentes de inflamacdes, intoxicagdes (agudas ou crdnicas) e processos degencrativos, As endégenes nascem da deficiéncia de carga e circulagio enerpética durante o perfodo embriondrio e/ou fetal ou seja, 8m ctiologia intra-uterins. Sao micleos psiedticos que podem explodir durante a vida dc um indiviciao, como resposta ao esiresse. Hi ainda micleos psicsticos com etiologia no perfodo neonatal, criando a estrutura borderline. que podem “explodir”, provocando, a nosso ver, as distimias, caracterizadas por desequilfbrio na tonalidade do humor. Considerando que os primei- fos dez dias de vida pertencem ao perfodo intra-uterino, por seers neces- 42 uma boa integracao ¢ realizacao das fungtes sensoriais, quando isso no ocorre, havent uma percepedo alterada, a ser registraca como, cengraima basilar distorcido, criando uma dificuldade de contato vom a! realidade, ¢ data dissociagdo, a ineceréneia e a confusdo. Esse aspecto € fisiolégico no inicio da vida, mas se essa “condicdo esquizoparandide” (Klein) se protongar, cia-se a base de manifestayGes psicopatol6gicas, Do ponta de vista energético, podemos supor que: 39 Ererss auger | Brensia roo umbiial Perce - * ‘AnoKTO | Enbriondsio | 2 + Malformagi. abort | 3 7 ‘Aber wu maori) a : + sie | 5 ” + Us tesquio) Feat 6 mn " Melanesia corre entao a passagem ao perfodo neonaial, em que, biografice- mente, uma simbiose mie/filho deficitéria provocars, historicamente, ‘uma condigiio oral insatisfeita, causando uma depressividade ou uma condigo parandica (como defesa contra a depressio na fase pré-mu culat!), Sao os aspectos do micleo psicético coherto do bondertine. Até aqui, a predomindncia psicolégica € a temperamentalidade! [Em relag2oa carga cnezpética dos trés cércbros (Mac Lean), pode- ‘mos supor: Reoompken Neovoner Nice pete +r = Bontening oe = Pricomeane + * Newoe + + + Coritersenial + + + En telagao 20 aspecto neurovegetativo, pocemos supor: Senin Baracinpitice Preclogin 5 Auli + Niele psiciven = ial astistee 7 Gel epee 7. Caer bende = = 2 + Nae Caster nil ‘Com 4 instauragao da funcionalidade neuromusculax, chega-se & caracterialidade Passamos agora a descrever a sintomatologia dos diferentes as- pectos da “psicose” e st respectiva ancoragem corporal (bloqueios). 1) Autivno — deve-se dicer desde ja que 0 autismo nao uma pricose infantil (suscetivel de tratzmentol), mas uma condiydo estivel, Infelizmente incurdvel ! Sua origem é embiiondria! O verdadeiro autismo € diferente do autismo como sintoma da esquizofreniz ‘No autismo, ha uma situagao de hipcrorgonia, relacionada ao R- complex (cérebro reptiliano), que assegura a vida vegetative, e de hiporgonia relacionada 20 eérebro fimbico e 20 neocériex, impedindo a vida aletiva e psiquica do indiviiuo. Desde onascimento, ha iaacessibi- Fidade, solidao, auséncia de relacao aferiva e de comato; jogo repetitive, com reages de raiva se interrompido, movimentos ritmieas como pu Jar, balancar-se etc, distdrbios de Hinguagem, com ecolalia. A crianga autista parece fisicamente sadia, mas ela possui com os disndrbios da pPsique jf mencionados diferentemente da psicética, que parece “nar- mal” nos primeiros dois anos de vida, mas possui distirbios neurovegetativos ¢ 6&6 anormal e um apego tusional ao corpo do adul- to, Os pais da crianga autista apresentam notével inteligéncie e produ- tividade, mas so emotivamente frios, como que mecanizados. 41 he