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ECONOMIA REGIONAL

A PROBLEMÁTICA DAS REGIÕES


ULTRAPERIFÉRICAS

JMROSANuNES©2008

O processo desenvolvido pela França no sentido de


levar à negociação da interação dos seus
departamentos ultramarinos (DOM’s) levou a
considerar a existência de territórios para alem do
contexto do continente europeu.

Com um atraso económico marcante os territórios


justificaram a preocupação tendo em vista o seu
desenvolvimento

Com a entrada de Portugal e Espanha para o


contexto comunitário foi reaberto o assunto das
regiões insulares, integrantes dos estados membros

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Até então o conhecimento era sobre regiões
insulares localizadas perto do contexto da Europa

Houve necessidade de admitir a criação de politicas


de excepção

Neste contexto surgem as regiões ultraperiféricas e


as inerentes politicas que se adaptaram

Foram os responsáveis portugueses que


introduzem o conceito de periodicidade

A partir do tratado de Maastricht as características


peculiares destas regiões ultraperiféricas (RUP’s)
passam a ser consideradas

Para além de programas genéricos surgem outros


específicos destinados a cada uma das RUP’s

Casos como, por exemplo:


POSEI
POSEIDOM
POSEICA
POSEIMA

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As características dos programas e a necessidade
de serem mais permanentes fazem parte integrante
do tratado de Amesterdão, referida a essência do
conceito de ultraperificidade nos aspectos
económicos e sociais

Caracterização das RUP’s

Madeira;
Açores;
Canárias;
Guadalupe;
Martinica:
Reunião;
Guiana.

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Com a excepção da Guiana, as restantes parcelas
são insulares, sendo as Canárias, Açores e Madeira
arqueológicas

Reduzida dimensão territorial

Densidade populacional elevada, na maioria dos


casos e no contexto do espaço

Orografia acentuada e reduzido espaço agrícola

Acentuada distancia entre o território e o continente


europeu

Mercados limitados e associados ao numero da


população

Poucos recursos endógenos

Rendimento per capita baixo

PIB com valores baixos e com convergência lenta,


quase impossível

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Desemprego mais ou menos acentuado

Baixos níveis de formação

Na generalidade a actividade económica baseia-se na


actividade agrícola ou no turismo

O turismo é encarado como um sector estratégico


para o desenvolvimento

Exposição natural a catástrofes

Baixos níveis de exportação e elevados de importação

MODELOS DE ANÁLISE DA ULTRAPERIFICIDADE

Destacamos três tipos de modelos, segundo a


abordagem:

As que constatam diferenças nos processos


de desenvolvimento e integração para
justificar politicas especificas
(com se encontra explicito no Relatório COM
(2000) e implícito no tratado de Amesterdão)

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As que procuram criar e apurar indicadores para
mostrar diferenças nos processos de
desenvolvimento e justificar as politicas
especificas, como aconteceu no modelo Eurisles;

As que procuram compreender os processos de


desenvolvimento e integração das regiões
ultraperiféricas e explicitar instrumentos de
promoção de desenvolvimento sustentado

(Modelo FDV – Fortuna/Dentinho/Vieira)

MODELO EURISLES

Procura identificar indicadores que retratem as


restrições ao desenvolvimento especifico das
RUP’s

Trabalha com indicadores de acessibilidade,


considerados em referencia a um centro
económico relevante

O centro é Maastricht

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Este pressuposto origina restrições porquanto para:

Os Açores o centro deve ser considerado como


sendo Lisboa

Ou no caso da Madeira, poderá para além de


Lisboa, ser uma capital do norte da Europa de
onde provem a maior parte dos seus turistas.

A ultraperificidade não se esgota no conceito de ilha


ou insularidade, podendo ser caracterizada segundo
cinco factores:

Dois de natureza geográfica:


a distancia extrema do continente europeu e
as restrições climatéricas;

Dois de natureza politico institucional:


a fronteira da Europa e a natureza politica
institucional

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Um de natureza meramente económica:
a fragilidade socio-económica

Os parâmetros estruturais do clima e da distancia não


são alteráveis
Tanto podem constituir uma restrição como uma
potencialidade

A fragilidade socio-económica associada à


situação insular reflecte-se na acessibilidade,
independentemente da distância às regiões
centrais, uma vez que condiciona as formas de
transporte de bens e pessoas

Acesso de pessoas por via aérea


Por si só um factor de isolamento

Acesso de mercadorias
Baseado nos sistemas aéreos e marítimos

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A medida de perificidade adoptada foi a distância
virtual expressa em termos de tempo necessário
para um camião de atrelado percorrer a distancia
entre um ponto central (Maastricht) e o centro de
qualquer região, representado pela principal cidade

O indicador de perificidade é definido como:

Cper = DV/DR

DV e DR são as distancias em tempos virtuais e reais,


respectivamente à velocidade média e a distancia linear
entre o centro regional e Maastricht

Os resultados do estudo levam a concluir ser a


ilha do Corvo o espaço regional que apresenta
maior nível de perificidade

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MODELO FDV

A ultraperificidade é apresentada como um fenómeno


económico e social associado a uma estrutura
geográfica caracterizada por dois atributos:

• a dimensão;

• a distância.

A reduzida dimensão faz com que os recursos valiosos


mas limitados da RUP’s só possam ser plenamente
utilizados por mercados distantes.

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As consequências são:

• a falta de espaço e solo;

• a reduzida dimensão do espaço local;

• a dificuldade de mobilização de capital de risco;

• a falta de trabalho especializado;

• deseconomias de escala na prestação de


serviços publicos.

Do ponto de vista económico a ultraperificidade é


uma especificidade tecnológica onde existem
recursos disponíveis, porém limitados.

No modelo definem-se quatro tipos de regiões pelo


cruzamento de dois factores determinantes da
ultraperificidade:

• dimensão;

• acesso.

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No entanto identificam-se outros tipos de situações
determinadas pelo aspecto geográfico:

• centralidade;

• perificidade;

• marginalidade.

No modelo considera-se central é a região que


tem acessibilidade e dimensão

A região marginal tem acessibilidades mas não tem


dimensão.

Uma região UP não tem nem dimensão nem


acessibilidades

Em termos económicos aa dimensão associa-se


normalmente à capacidade produtiva,
enquanto a acessibilidade se define em termos de
possibilidade de consumo.

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Tipologia das regiões

Dimensão

Perificidade Centralidade

Ultraperificidade Marginalidade

Acesso

As diferenças são muito significativas entre as


quatro situações

As alterações da acessibilidade e da dimensão


induzem processos de transformação regional pelos
quias uma região ultraperiférica, do ponto de vista
económico, pose torna-se periférica, marginal ou
mesmo central

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Pode ocorrer que a mesma região se divida em
sectores marginais e periféricos gerando fenómenos
de dualidade e conflitos estruturais na definição das
politicas.

Nos Açores os lacticínios são periféricos mas os


serviços publicos são marginais.

Na Madeira e Canárias o turismo procura alcançar uma


situação de centralidade, mas os serviços públicos
ainda dependem consideravelmente do apoio exterior

A ultraperificidade tem vantagens e desvantagens ao


mesmo tempo:

• o isolamento é inacessibilidade mas também


pode ser protecção e ambiente propício à
inovação;

• os recursos limitados representam uam


restrição tecnológica, mas igualmente uma
possibilidade de gerar rendimentos, quando
existe uma boa regulação;

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• a pequenez potencia sinergias, mas estimula o
aparecimento de monopólios.

Tonar-se pois necessário, entre outros aspectos:

potenciar os sistemas de comunicações e transportes;


valorizar a competitividade das exportadoras dos
recursos endógenos.

Sistemas indicadores da ultraperificidade

Indicadores de desenvolvimento

Indicadores de Indicadores de

Dimensão Acesso

Economia Politica Economia Politica

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Indicadores de dimensão

Volume produção
Rentabilidade produção
Variação do volume de produção
Variação da rentabilidade da produção

Economia Política

Valorização autónoma dos Política fiscal,


produtos financiamento dos
Variação na valorização serviços, politica
autonoma dos produtos aduaneira, ...

Indicadores de acesso

Volume de tráfego
Custos de transporte
Variação do volume de tráfego
Variação dos custos de transporte

Economia Política

Variação autónoma nos custos Política fiscal,


de volume de tráfego financiamento dos
serviços, politica
aduaneira, ...

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Indicadores de desenvolvimento:

Produto per capita


Acessibilidade
Variação do produto per capita
Variação da acessibilidade

Indicadores de Indicadores de

Dimensão Acesso

Avaliação do impacto das políticas a favor das RUP’s

Para analisar o impacto de uma determinada política


é necessário isolá-la de outras que possam
contribuir para o mesmo objectivo

Devemos considerar que os processo de


aproximação dos valores nacionais e europeus,
por parte das RUP’s, são em geral muito lentos

Não se deve considerar que a convergência não


seja real a médio e longo prazo (não deve ser
apenas alguma)

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