Você está na página 1de 20

Universidade Federal do Rio de Janeiro

Faculdade de Administração e Ciências Contábeis

Modelo de Gestão de Estoques em Poder de Terceiros em


Montadora de Veículos

Carlos Neri Brandão

Rio de Janeiro
2003
Carlos Neri Brandão

Modelo de Gestão de Estoques em Poder de Terceiros em


Montadora de Veículos

Dissertação apresentada ao Exame de


Qualificação ao Mestrado em Contabilidade –
Gestão de Negócios da Universidade Federal do
Rio de Janeiro como requisito parcial para
obtenção do título de mestre em Contabilidade.

Orientador: Professor Doutor Samuel Cogan

Rio de Janeiro
2003
Dedicatória

Dedico esta obra a minha amada esposa Cintia, meus filhos Rafael e Nathália e
minha mãe Dona Rosa. Aos meus alunos da PUC/Minas Contagem, meus professores,
minha gerente na Gesco, Srta. Mara Rosana, grande colaboradora, e a todos que me
incentivaram.
Agradecimentos

Agradeço a oportunidade de realização deste curso à UFRJ e à PUC/Minas,


principalmente ao Professor Paulo Sérgio, pioneiro e bravo lutador que não mediu esforços
para a conquista deste curso inédito na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, e
sua equipe. Especialmente, agradeço a minha amada esposa Cintia, pela compreensão dos
dias e noites em que estive ausente por estar dedicado a esta nova etapa de estudos da
minha vida, e a Deus, em quem confio e a quem rendo graças.
Pensamentos

“O que conta não é o negócio que você consegue,


mas sim o negócio que você consegue manter”
Bruce Crowell.

“Eu sou o caminho a verdade e a vida,


ninguém vem ao Pai senão por mim.”
Jesus Cristo
BRANDÃO, Carlos Néri. Gestão de Estoques em Poder de Terceiros em Montadora de
Veículos, Rio de janeiro 2003. FACC – Faculdade de Administração e Ciências Contábeis,
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Dissertação (Mestrado em Contabilidade para
gestão de negócios).
Resumo
Este trabalho é resultado de pesquisa e da experiência cotidiana do autor em
empresas envolvidas em processos de industrialização na parceria de terceiros. A parceria
surgiu por necessidade de mercado, que, por exigir cada vez mais qualidade a custo menor,
forçou as empresas – indústrias do ramo automotivo, neste caso específico – a se tornarem
mais competitivas e a participarem de forma ativa no dinamismo dos negócios
conseqüentes da globalização. Essas empresas foram forçadas a definir com precisão em
quais atividades se concentrar e a terceirizar aquelas que, geridas adequadamente, podem
apresentar melhor performance e eficiência na obtenção do produto final (veículo montado)
se realizadas por Fornecedores Industrializadores devidamente qualificados.
No ramo automotivo, o estudo dos processos que envolvem a industrialização por
terceiros evidencia a necessidade de gestão das movimentações de estoques de matérias-
primas e/ou componentes consumidos. Essa necessidade se reflete em diversos aspectos da
produção, buscados e retratados pelo autor nesta pesquisa.
Uma das principais necessidades percebidas nos processos diários de
industrialização das empresas automotivas, em especial da Montadora e de seus
Fornecedores Industrializadores localizados na região metropolitana de Belo Horizonte, é o
registro detalhado das operações de industrialização, principalmente nas movimentações
dos estoques das matérias-primas e componentes envolvidos nos processos. A gestão
dessas atividades será retratada em seu respectivo registro contábil, destacado nesta
pesquisa.
Os fluxos das documentações que envolvem as remessas de matérias-primas e/ou
componentes entre as empresas do ramo são expostos detalhadamente, com o objetivo de
demonstrar a necessidade do registro e do caminho correto dos documentos que suportam
idoneamente os processos. Além disso, garantem a segurança financeira do negócio e
reduzem o risco de contingências fiscais, freqüentes nas operações de remessa do material
envolvido nos processos de industrialização.
A organização e a definição dos setores envolvidos nos processos são pontos
referenciais do trabalho. Os departamentos que participam desses processos, tanto da
Montadora quanto dos Fornecedores Industrializadores, devem estar sempre alinhados,
pois estabelecem decisões que afetam diretamente o resultado das operações.
Um sistema integrado torna-se, além de facilitador no controle das atividades,
instrumento indispensável na disponibilização de informações, em tempo hábil, para a
contabilidade financeira e para a contabilidade de custos.
Os resultados colhidos pela pesquisa suplantam as expectativas iniciais, havendo a
aceitação e valorização das informações adquiridas pelos usuários na validação do sistema
obtido dimensões muito além das esperadas.
BRANDÃO, Carlos Neri. Inventory management in hands of third parties at an
automotive assembler, Rio de Janeiro, 2003. Tutor: Samuel Cogan, FACC – Faculty of
Administration and Accouting Sciences, University of Rio de Janeiro. Dissertation (Master
in Accouting for Business Management).
Abstract
The present work is a result of its author's research and experience concerning the
day-by-day of the companies involved in the industrialization processes in partnership with
third parties. The partnership has arisen because of the market need that, as more and more
quality at low cost has been demanded, the companies, in this case, the automotive
industry, became more competitive and took an active part in the business dynamism
originated from the globalization. Such companies have been forced to outline well which
companies should be focused and outsource them which, with the right management, better
obtain the best performance and efficiency towards their end product (assembled car),
which, in this case, is vehicle assembly.
In the automotive industry the study of the processes which comprise the
industrialization concerning third parties enhance the need for the management of the
inventory movings of raw materials and/or consumed components. Such need influences
several actions, which the author has searched and described at the present research.
One of the main needs found in the daily industrialization processes of automotive
industries, in special the Assembler and its Industrializers Suppliers located in Belo
Horizonte's Metropolitan Region, is the detailed record of the operations of
industrialization, mainly those ones concerned with inventory movings of raw materials
and the components involved in the processes. The management of such processes will be
described in the accounting records of those operations, which have been significantly
focused in the present research.
The flow of documentation which involves the remittance of raw materials or
components among the companies, have been particularly stated, aiming at showing the
need of the record and the right path of the documents which support the processes
competently. Besides that, they ensure the business financial security and reduce the risk of
fiscal contigencies, which are frequent in operations of material remittance pertaining to
the industrialization processes.
The organization and definition of the setors involved in the process is another
reference of the work. The departments which take part in those processes both the
Assemblers and the Industrializers Suppliers, must be aligned, because they are the
establishers of decisions that directly affect the results of the operation.
The integrated system becames, besides being the facilitator of the activities control,
an essential instrument for the availability of the information in time both to the Financial
and Cost Accountings.
The collected results from the work surpass the inicial expectations, in which the
acceptance and validation of the information acquired by the users in the systemvalidation,
has reached dimensions far beyond of what was first expected.
Sumário
Dedicatória .......................................................................................................................... II

Agradecimentos ................................................................................................................ III

Pensamentos .......................................................................................................................IV

Resumo ............................................................................................................................ V

Abstract ...........................................................................................................................VI

1 Introdução .......................................................................................................... 1

1.1 Exposição do tema ....................................................................................................................... 6


1.2 Problemas, justificativa e objetivos ............................................................................................. 9
1.2.1 O problema .................................................................................................................................. 9
1.2.2 Justificativa ................................................................................................................................ 10
1.2.3 Objetivos.................................................................................................................................... 11
1.3 Procedimentos metodológicos ................................................................................................... 12
1.3.1 Unidade de observação .............................................................................................................. 14
1.3.2 Técnicas de coleta e tratamento dos dados................................................................................. 14
2 Referencial teórico........................................................................................... 16

2.1 Os caminhos para a fundamentação do trabalho ...................................................................... 16


2.2 A influência do momento econômico na existência das atividades de industrialização com
terceiros................................................................................................................................... 16
2.3 Contabilidade, ferramenta necessária na Gestão de Estoques em Poder de Terceiros............. 17
2.4 O papel da logística nos processos de industrialização por terceiros....................................... 20
2.5 Programação e planejamento da produção............................................................................... 22
2.6 Aspectos conceituais na gestão de estoques .............................................................................. 25
2.6.1 A valorização dos estoques como ferramenta de gestão ............................................................ 30
2.6.2 A questão dos ganhos ou perdas de estocagem realizada ou não realizada................................ 34
2.6.3 A importância do método de controle na Gestão de Estoques em Poder de Terceiros – Um
exemplo de Kanban ................................................................................................................. 35
2.6.4 A importância dos inventários físicos na Gestão dos Estoques em Poder de Terceiros............. 38
2.7 Aspectos fiscais nas operações de remessas para industrialização e retorno dos produtos
acabados.................................................................................................................................. 40
2.8 Conclusão .................................................................................................................................. 42
3 Objeto de estudo modelo atual ....................................................................... 43

3.1 Pesquisa de campo..................................................................................................................... 43


3.1.1 Comentários sobre o sistema utilizado pela Montadora............................................................. 43
3.1.2 Comentários sobre o sistema utilizado pelo Fornecedor Industrializador.................................. 44
3.2 Análise das entrevistas feitas nas empresas............................................................................... 44
3.2.1 Análises dos principais pontos das entrevista feita no Fornecedor Industrializador .................. 44
3.2.2 Análise das entrevistas realizadas na Montadora ....................................................................... 47
3.3 Gestão de materiais em poder de terceiros como objeto de estudo ........................................... 48
3.3.1 Fluxo logístico de materiais envolvidos na industrialização por terceiros ................................. 49
3.3.2 Problemas verificados na metodologia atual.............................................................................. 53
3.4 Conclusão .................................................................................................................................. 57
4 Modelo proposto de Gestão de Estoques em Poder de Terceiros................ 58

4.1 Desenvolvimento do modelo proposto – a importância da documentação nos processos de


industrialização por terceiros ................................................................................................. 59
4.1.1 Fluxo da documentação proposta da Montadora para o Industrializador................................... 60
4.1.2 Fluxo proposto da documentação do Fornecedor Industrializador para a Montadora ............... 61
4.2 Desenvolvimento do modelo proposto – sistema integrado ....................................................... 67
4.2.1 Premissas do sistema.................................................................................................................. 69
4.2.2 Especificação do sistema ........................................................................................................... 69
4.2.3 Lógica do sistema ...................................................................................................................... 71
4.2.4 Funcionamento do sistema de controle de estoques em poder de terceiros na Montadora ........ 71
4.2.5 Funcionamento do sistema de controle de estoques de terceiros no Fornecedor Industrializador
................................................................................................................................................. 74
4.2.6 Comparação entre os dois modelos............................................................................................ 76
4.3 Conclusão .................................................................................................................................. 77
5 Conclusão ......................................................................................................... 79

6 Considerações finais ........................................................................................ 82

7 Referências bibliográficas............................................................................... 84

Anexo 1: Exemplo de planilhas de conciliação de estoques de terceiros em poder do


Fornecedor ......................................................................................................... 2

Anexo 2: Questionários 1, 2 e 3 .......................................................................................... 5

Anexo 3: Exemplo de sistema de gestão de estoques da montadora em poder de


terceiros ............................................................................................................ 21
Lista de figuras, quadro e tabelas
Figura 1: Ficha de estoques – Martins (1996:206). ............................................................................. 31
Figura 2 – Cartão de Produção (CP) – Modelo de cartão Kanban – MARTINS (2001:308)............. 37
Figura 3 – Cartão de Movimentação – Modelo de cartão Kanban – MARTINS (2001:308)............. 37
Figura 4 – Fluxo dos cartões de produção e cartões de movimentações – MARTINS (2001:309). ... 37
Figura 5 – Fluxo atual – envio e retorno matéria-prima direto com a Montadora para o
Fornecedor Industrializador........................................................................................................ 51
Figura 6 – Fluxo atual do envio direto do Fornecedor de matéria-prima ao Fornecedor
Industrializador. ........................................................................................................................... 52
Figura 7 – Modelo para decidir que tipo de componente terceirizar. ............................................... 59
Figura 8 – Tela de abertura do sistema na montadora....................................................................... 22
Figura 9 – Movimentação para fechamento arquivo movimento da montadora. No rodapé. ........ 22
Figura 10 – Inter face – busca no Banco de Dados. ............................................................................ 23
Figura 11 – Criticas informais do Banco de Dados............................................................................. 24
Figura 12 – Controle de movimentos de estoque no fornecedor........................................................ 24
Figura 13 – Confronto com arquivo fornecedor. ................................................................................ 26

Quadro 1– Manual de Planejamento e Controle da Produção – Prof. Dalvio Ferrari Tubino, Dr UFSC.
............................................................................................................................................................... 23

Tabela 1 – Planilha de conciliação – Fornecedor industrializador – itens para industrialização


Toyota. ............................................................................................................................................. 2
Tabela 2 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – itens da Honda Automóveis –
quantidade física. ............................................................................................................................ 2
Tabela 3 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – itens Honda Automóveis –
itens recebidos. ................................................................................................................................ 3
Tabela 4 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – Itens Honda Automóveis –
faturados.......................................................................................................................................... 3
Tabela 5 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – itens Honda Automóveis –
retorno de não industrializado....................................................................................................... 3
Tabela 6 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – resumo das movimentações de
materiais em conta trabalho Nissan 01.01.03 A 31.01.03. ........................................................... 3
Tabela 7 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrialização – inventário de itens
triangulados..................................................................................................................................... 4
Lista de Reduções
Abreviaturas

Dr.⇨ Doutor

Ex. ⇨ Exemplo

F. ⇨Folhas

S/A ⇨Sociedade Anônima

MP ⇨Matéria Prima

Siglas

BIMF ⇨ Base Informativa de Materiais e Fornecedores

NPRC ⇨ Nuova Programazione de Rifornimento e Concerne

UFRJ ⇨ Universidade Federal do Rio de Janeiro

MRP ⇨ Material Requirements Planning


1 Introdução

As economias mundial e brasileira são o cenário vivo dos efeitos da globalização,


que dita as regras de enquadramentos às empresas sujeitas à velocidade e à agilidade das
transformações nos processos produtivos. Segundo AKADER (1997:11), esta trajetória tem
sido marcada por maior competitividade entre mercados interno e externo, principalmente
no ramo automobilístico.

Neste novo cenário mundial é necessário às empresas o conhecimento de todos os


custos que contraem, para avaliação e planejamento da organização que pretenda
sobressair-se no mercado em que disputa.

Para GOMES (1999:21), a necessidade de controle de gestão tem o seguinte enfoque:

O interesse sobre controle de gestão tem aumentado bastante nos


últimos anos, em decorrência principalmente das rápidas mudanças
ocorridas no contexto social e organizacional, a partir de 1973, com a
crise mundial do petróleo. Grande parte das empresas passou a
desenvolver-se em um contexto social e organizacional caracterizado por
grande instabilidade, muito complexo e bastante hostil que passou a
exigir um constante aperfeiçoamento dos sistemas de controle com vistas
a enfrentar uma concorrência acirrada, decorrente da globalização da
economia.

Como o preço da mercadoria na economia é estabelecido pelo mercado, a margem


de contribuição de produto ou lucro é dada pela seguinte fórmula L = P − C (L=lucro,
P=preço, C=custo), ou seja, quanto menor for o custo, maior será o lucro.

COGAN (1999:31) faz a seguinte consideração acerca de margem de contribuição e


preço de venda:

O conceito de margem de contribuição pode também se mostrar


útil quando se tratar de simulações concernentes ao estabelecimento da
quantidade produtiva e do preço de venda com a finalidade de se buscar a
maior lucratividade empresarial para determinada situação.

A organização, sensibilizada pela importância dos custos no processo e resultado


final, sabe que todos os esforços para a redução dos custos são necessários para melhorar o
desempenho diante do paradoxo menor custo versus melhor qualidade versus maior
produtividade, presente nas empresas hoje.

1
Na busca pelo aumento da produtividade e dos lucros, várias áreas da organização
foram estudadas e melhoradas pela utilização de literatura especializada, estudos
científicos e aplicações práticas.

Na divulgação da importância do lucro, HENDRIKSEN E VAN BREDA 1999:208) são


enfáticos:

O conceito operacional de lucro concentra-se na mensuração da


eficiência da empresa. O termo eficiência diz respeito à utilização eficaz
dos recursos da empresa na realização de suas atividades e na geração de
lucros. No sentido econômico mais amplo, diz respeito à combinação
apropriada dos fatores de produção – recursos naturais, mão-de-obra,
capital e administração. A avaliação é necessariamente subjetiva, mas,
como ponto de partida, as comparações podem ser feitas com os
resultados de períodos anteriores e com lucros de outras empresas ou
setores.

Visto que as diferenças tecnológicas, as barreiras geográficas e as alfandegárias são


praticamente as mesmas entre as empresas que disputam o mercado, os custos variáveis
entre elas pouco diferem para a composição do preço final.

Logo, a parcela dos custos/despesas indiretas relativa a produção, movimentação,


armazenagem, estoques e da falta de matéria-prima e a parcela dos custos fixos tornaram-
se fatores determinantes para a criação de valor; quanto melhor gerenciados, melhores
resultados proporcionarão para a empresa.

Em relação à distribuição correta dos custos indiretos, MARTINS (1996:53)


afirma:“São custos indiretos com relação aos produtos, custos que realmente não oferecem
condições de uma medida objetiva e qualquer tentativa de alocação tem de ser feita de
maneira estimada e muitas vezes arbitrária”.

COGAN (1999:19) faz a seguinte conclusão sobre as despesas indiretas no custeio


tradicional:

Assim, se uma despesa se aplica diretamente num produto é


conhecida como direta (como por exemplo o material direto que compõe
o produto e o gasto de mão-de-obra necessária para executar o referido
produto). Em contraposição, as demais despesas são conhecidas como
indiretas e se classificam em variáveis, se alterarem diretamente com o
volume produzido.

A gestão ideal dos estoques é elemento essencial para a administração de hoje e do


futuro. Para CORREA (1999:45), nos anos 80, por exemplo, muitas empresas tiveram sérios
problemas estratégicos por acreditarem que deveriam, a todo custo, baixar a zero seus

2
estoques, seduzidos pela errônea interpretação das mensagens subliminarmente
transmitidas pela superioridade incontestável dos sistemas de gestão japoneses daquela
época.

A essência da gestão de estoques ideal relaciona-se com a otimização das estruturas


administrativas assistentes entre o processo de produção e a necessidade de compras do
material. Lead Time (tempo entre a programação e o recebimento de materiais) muito
grande, estoques elevados, segurança da qualidade do material, variação da programação
da produção (PDP) e qualidade no produto final, partindo dos reflexos da exigência cada
vez maior do consumidor, são variáveis que devem garantir a produção e otimizar a
composição dos custos no gerenciamento da Supply Chain (cadeia de suprimentos).

Entre os pontos relevantes deste estudo está a escassez de literatura específica sobre
o assunto, bem como a ansiedade do mercado automobilístico para utilizar em larga escala
serviços de terceiros, com o menor custo possível.

Conforme LENDNER (2000:3), recente pesquisa realizada em indústrias dos Estados


Unidos revela que, em média, o valor gasto na compra de materiais corresponde a 55% dos
custos totais de produção (WATTS et al., 1995; MONCECZKA et al., 1998; LUDNER,
LOURENSO, 2000).

Nesta linha de entendimento deve-se considerar o maior poder de compra (volume)


da Montadora, propiciando ganho na cadeia de formação de preços finais dos serviços,
posteriormente repassados para os produtos finais.

A gestão de estoques compreende a necessidade inerente à formação e à alocação


dos custos dos produtos nas linhas ou mesmo nos departamentos. Destaca-se a organização
estrutural, desde as primeiras decisões para contratação de Fornecedor terceirizado até a
eficiência promovida pela logística.

BALLOU (1993:17), quanto à importância da logística como função essencial nas


empresas, comenta:

A logística empresarial estuda como a administração pode prover


melhor de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e
consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivos
para as atividades de movimentação e armazenamento que visam facilitar
o fluxo dos produtos. A logística é assunto vital (…) de movimentação de
materiais, pois clarifica as compensações de custos freqüentemente
encontrados no planejamento e operações de sistemas logísticos. A
logística é um dos fatores importantes de competitividade.

3
7 Referências bibliográficas

ANUÁRIO BRASILEIRO DE AUTOMAÇÃO e Tecnologia da Informação – Na velocidade do


pensamento. maio de 1999, 9 ed., p. 26.

ARKADER, Rebecca. Relações de fornecimento no contexto da produção enxuta: Um


estudo na Industria Automobilistica Brasileira – Tese Doutorado. Rio de Janeiro:
Universidade Federal do Rio de Janeiro – COPPEAD, 1997.

BALLOU, Ronald H. Logística Empresarial: Transportes, administração de materiais e


distribuição física. Tradução Hugo T. Y. Yoshizaki. São Paulo: Atlas, 1993.

CARVALHO, Dalmy Freitas de. A Contabilidade de Custos e os métodos de custeio: Uma


análise da utilização gerencial da informação da Contabilidade de Custos pelas Industrias
de Autopeças da região metropolitana de Belo Horizonte. Rio de Janeiro: Dissertação de
mestrado em Ciências Contábeis, UFRJ – Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas,
Faculdade de Administração e Ciências Contábeis – FACC, 2002.

CATELLI, Armando (Coord.). Fundação Instituto de pesquisas contábeis, atuárias e


financeiras. Controladoria: uma abordagem da gestão econômica. GECON. São Paulo:
Atlas, 1999.

CLM “Council of Logists Management” – definição de logística após o encontro


internacional em Toronto, outubro 1999.

COGAN, Samuel. Custos e preços: formação e análise. São Paulo: Pioneira, 1999.

CORRÊA, Henrique L. et al. Planejamento, programação e controle da produção: MRP


II/ERP: Conceitos, usos e implantação. 2 ed. São Paulo: Gianesi Corrêa & Associados:
Atlas,1999.

DIAS, Marco Aurélio P. Administração de materiais: uma abordagem logística. 4ª


edição, São Paulo: Atlas, 1993.

DOPUCH, Nicholas, PINCUS, Morton. Evidence on the choice of inventory accounting


methods: LIFO versus FIFO. Journal of Accounting Reserach, 1988

DORNIER, Philippe-Pierre. Logistica e operações globais: textos e casos. São Paulo: Atlas,
2000.

ERNST, Ricardo; FENDER, Michel; KOUVELIS, Panos. Global Operations and Logistics.

Estado de Minas Gerais, Secretaria da Receita Estadual, Regulamento do ICMS/MG.

FRANÇA, Júnia Lessa. Manual para normalização de publicações técnico científica.


Colaboração de Ana Cristina de Vasconcellos, Stella Maria Borges, Maria Helena de
Andrade Magalhães. 3ª edição, Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996.

FRANCO, Hilário. Contabilidade industrial. 9 ª edição. São Paulo: Atlas, 1991.

84
GOMES, Josir Simeone; SALAS, Joan M. Amat. Controle de gestão: uma abordagem
contextual e organizacional. São Paulo: Atlas 1997.

GONÇALEZ, Patricia. A Logística: Custo total, processo decisório e tendência futura.


REVISTA Contabilidade & Finanças – Departamento de Contabilidade e Atuaria da FEA
USP com apoio da FIPECAFI – Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis Atuariais e
Financeiras. São Paulo: Ano XII, número 29, Maio/Agosto, 2002.

GOULART, André Moura Cintra. O Conceito de Ativos na Contabilidade: Um


Fundamento a ser Explorado. REVISTA Contabilidade & Finanças – Departamento de
Contabilidade e Atuária da FEA USP com apoio da FIPECAFI – Fundação Instituto de
Pesquisas Contábeis Atuariais e Financeiras, Ano XII, número 28, Janeiro/Abril 2002, São
Paulo, 2002.

GOUVEIA, Nelson. Contabilidade Básica. São Paulo: Harbra, 1993.

GRANOF, Michael. Why do companies reject LIFO? Journal of Accounting Auditing and
Finance. 1984, p. 323-33.

HENDRIKSEN, Eldon S.; VAN BREDA, Michael S. Teoria da Contabilidade. Tradução de


Antonio Zoratto. São Paulo: Atlas, 1999.

HENRIQUE, L.; CORRÊA, Irineu G.N.; GIANESI, Mauro Caon. Planejamento, Programação
e Controle da Produção. MRPII/ERP conceitos, Uso e Implantação. São Paulo: Atlas, 3ª
Edição, 2000.

HONG, Yuh Ching. Gestão estoques na cadeia logística integrada – Supply chain. São
Paulo: Atlas, 1999.

INSTRUÇÂO NORMATIVA 86 da Receita Federal do Brasil 2001.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Teoria da Contabilidade. São Paulo: Atlas, primeira edição, 1981.

IUDÍCIBUS, Sérgio de (Coord.). Contabilidade Introdutória. 9ª ed., São Paulo: Atlas, 1998.

IUDÍCIBUS, Sérgio de. Contabilidade Gerencial. São Paulo: Atlas, 6ª edição, 1998.

IUDÍCIBUS, Sérgio de (dir. resp.); MARTINS, Eliseu (coord. tec.); GELBCKE, Ernesto Rubens
(superv. eq.). Fundação Instituto de pesquisas contábeis, atuárias e financeiras. Manual de
contabilidade das sociedades por ações: Aplicável também às demais sociedades. Arthur
Andersen. 3ª edição, São Paulo: Atlas, 1990.

LEONE, George Sebastião Guerra. Curso de Contabilidade de Custos. São Paulo: Atlas,
1997.

LOBATO, Pedro. Novos PIS e COFINS vão incentivar a terceirização – Quem preparar
primeiro terá vantagens competitiva. Jornal Gazeta Mercantil. Belo Horizonte, sd.

MARION, José Carlos. Contabilidade empresarial. 3ª edição, São Paulo: Atlas, 1986.

MARQUES, José Augusto Veiga da Costa. Contabilidade gerencial e teoria das restrições:
Interligando contabilidade à produção. Revista Gestão – ano I, nº 2, p. 3 0-35, jul., 1999.

85
MARTINS, Eliseu. Contabilidade de custos. 5ª edição, São Paulo: Atlas, 1996.

MARTINS, Petrônio Garcia. LAUGENI, Fernando Piero. Administração da Produção. São


Paulo: Saraiva, 2001.

MARTINS, Petrônio Garcia; ALT, Paulo Renato Campos. Administração de materiais e


recursos patrimoniais. 1ª ed., São Paulo: Saraiva, 2000.

NEVES, Silvério das; VICECONTI, Paulo Eduardo V. Contabilidade Básica. São Paulo:
Frase Editora, 1997.

NORMAS e PRÁTICAS CONTÁBEIS no Brasil, 2ª edição, São Paulo: Atlas, 1994.

PEREZ JUNIOR, José Hernandez; POSTANA, Armando Oliveira; FRANCO, Sérgio Paulo
Cintra. Controladoria de gestão: Teoria e prática. 2ª ed., São Paulo: Atlas, 1995.

Revista Anuário Automação – Guia Nacional de Fornecedores de Equipamentos e


Serviços. 9ª edição, Maio/99, Editora Segmento.

Revista Anuário Automação – Guia Nacional de Fornecedores de Equipamentos e


Serviços. 9ª edição, Novembro/99, Editora Segmento.

Revista Automação – EAN Brasil, Fevereiro/2000, Editora Segmento.

RIBEIRO, Helio Alessandro. Levantamento da Capacidade Produtiva Enfocando na


Reprogramação da Produção (materiais importados). Tese de Mestrado, Betim, 2000.

RIBEIRO, Moura. Contabilidade de custos. 1ª edição, São Paulo: Saraiva, 1992.

ROSA, Paulo Moreira da. A Contabilidade no Mercosul. São Paulo: Atlas, 1999.

SHAPIRO, Carl; VARIAN, Hal R. A economia da Informação: como os princípios


econômicos se aplicam a era da Internet.Tradução Ricardo Inojosa. Rio de Janeiro:
Campos, 1999.

SLACK, Nigel et al. Operations management. Revisão técnica Henrique Corrêa, Irineu
Gianesi. São Paulo: Atlas, 1a Edição, 1997.

STICKNEY, Clyde P.; WELL, Roman L. Contabilidade Financeira: uma introdução aos
conceitos, métodos e usos. Tradução de José Evaristo dos Santos. São Paulo: Atlas, 2001.

STOCKTON, Robert Stansbury. Sistemas básicos de controle de estoques: conceitos. São


Paulo: Atlas, 1976.

VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade de custos: um enfoque direto e


objetivo. 4ª edição, São Paulo: Frase Editora, 1995.

ZUCCHI, Alberto Luiz. Contabilidade de custos. 1ª edição, São Paulo: Scipione, 1992.

86
Anexos

Apresentam-se, a seguir, exemplos práticos de sistema de planilhas e questionários da


Montadora e do Fornecedor Industrializador.

1
Anexo 1: Exemplo de planilhas de conciliação de estoques de
terceiros em poder do Fornecedor
Tabela 1 – Planilha de conciliação – Fornecedor industrializador – itens para industrialização Toyota.

Conciliação itens para Industrialização Toyota


Periodo 01/01/03 a 28/02/03
INVENTÁRIO DO MÊS DE: fev/03

Fornecedor: Automotiva Centauro


Responsável:
Assinatura:
Tel.:
Fax:
e-mail:

TOTAL DE TOTAL DE INFORMAÇÃO REFERÊNCIA DA


DESCRIÇÃO TOTAL DE ESTOQUE TOTAL
PEÇA ACABADA
PEÇAS BLANKS
BLANKS SALDO
FATURADAS EMPREGADOS ESTOQUE ESTOQUE ESTOQUE EM
PART NUMBER TIPO DE ESPESSU LARGUR RECEBIDOS EM PART NUMBER QUANTIDADE CONTABIL
(UTILIZANDO Demanda ou ALMOXARIFAD (PEÇA PROCESSO
CONSIGNAÇÃO (TDB) POR VEÍCULO
(TDB BLANK) AÇO RA (mm) A (mm) BLANKS TDB) RETORNADOS O (BLANK) ACABADA) (PEÇA)
1 YGSB106002 SPC270D 0,60 1105 4839,00 5220,00 1,000 5220,00 64111-12330 1
Inventário 31.12.2002 1528 YGSB106002
Total 6367,00 5220,00 1147,00 ok

2 YGSB107003 SPC270D 0,70 600 4520,00 5160,00 0,500 2580,00 64312-12270 1


5220,00 0,500 2610,00 64313-12250 1
Inventário 31.12.2002 3876 YGSB107003
Total 8396,00 5190,00 3206,00 ok

3 YGSB108002 SPC270D 0,80 570 5060,00 5180,00 0,500 2590,00 64211-12080 1


5220,00 0,500 2610,00 64212-12090 1
Inventário 31.12.2002 1396 YGSB108002
Total 6456,00 5200,00 1256,00 ok

4 YGSB108004 SPC440 0,80 1590 16469,00 5280,00 0,500 2640,00 61343-12190 1


5280,00 0,500 2640,00 61344-12190 1
Inventário 31.12.2002 1746 YGSB108004
Total 18215,00 5280,00 12935,00 ok

5 YGSB110003 SPC270D 1,00 775 4644,00 5400,00 0,500 2700,00 64314-12120 1


5340,00 0,500 2670,00 64315-12110 1
Inventário 31.12.2002 2100 YGSB110003
Total 6744,00 5370,00 1374,00 ok

6 YGSB112007 SPC440 1,20 1005 4118,00 5250,00 1,000 5250,00 58123-12080 1


Inventário 31.12.2002 2364 YGSB112007
Total 6482,00 5250,00 1232,00 ok

7 YGSB214003 SCGA440-O 1,40 295 4944,00 1,000 0,00 61434-12040 1


5280,00 1,000 5280,00 61434-12050 1
Inventário 31.12.2002 1945,00 YGSB214003
Total 6889,00 5280,00 1609,00 ok

8 YGSB214004 SCGA440-O 1,40 295 6113,00 5250,00 1,000 5250,00 61433-12030 1


Inventário 31.12.2002 1817,00 YGSB214004
Total 7930,00 5250,00 2680,00 ok

OBSERVAÇÕES:

1 - Para que possamos fechar o inventário na mesma data, favor enviar este formulário preenchido impreterivelmente até o dia 28/02/2003, informando a
posição oficial de estoque de blanks/peças até o final deste dia.

2 - O levantamento referente a quantidade de blanks recebidos e de peças faturadas devem ser feitos desde o início de produção (Maio/2002).

Tabela 2 – Planilha de conciliação – Fornecedor Industrializador – itens da Honda Automóveis –


quantidade física.

DIGITAR A DATA DA CONTAGEM


DAS PEÇAS ( FÍSICO)

DATA CONTAGEM FÍSICA


COD HONDA PEÇA ALMOXARIFADO PROCESSO ACABADO REFUGO TOTAL
0
0
0
DIGITAR O CODIGO HONDA 0
0
GERA O TOTAL DE PEÇAS COMPONENTES NA
EMPRESA, NA DATA DO INVENTÁRIO
DIGITAR A QTDD DE COMPONENTES DIGITAR A QTDD DE COMPONENTES NOS
ENCONTRADAS NO ALMOXARIFE PEÇAS ACABADAS
DIGITAR A QTDD DE COMPONENTES
DIGITAR A QTDD DE COMPONENTES ENCONTRADAS NO INUTILIZADAS NO PROCESSO/DEFEITOS
PROCESSO

Você também pode gostar