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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO

JOÃO HUMBERTO CESÁRIO

TÉCNICA PROCESSUAL E PROTEÇÃO DE INTERESSES AMBIENTAIS


TRABALHISTAS: AS TUTELAS INIBITÓRIA E DE REMOÇÃO DO ILÍCITO NA
PRESERVAÇÃO DA SAÚDE DOS TRABALHADORES

Cuiabá
2010
JOÃO HUMBERTO CESÁRIO

TÉCNICA PROCESSUAL E PROTEÇÃO DE INTERESSES AMBIENTAIS


TRABALHISTAS: AS TUTELAS INIBITÓRIA E DE REMOÇÃO DO ILÍCITO NA
PRESERVAÇÃO DA SAÚDE DOS TRABALHADORES

Projeto de Pesquisa apresentado como


requisito parcial à aprovação na disciplina de
Metodologia do Trabalho Científico e ao
desenvolvimento do Mestrado em Direito
Agroambiental do Programa de Pós-
Graduação em Direito Agrombiental
oferecido pela Universidade Federal de Mato
Grosso, sob a orientação metodológica da
Professora Doutora Marluce A. Souza e
Silva.

Orientadora: Prof.ª Dr.ª Carla Reita Faria Leal

CUIABÁ - MT

2
2010

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO TEMÁTICA.......................................................................................04
1. PROBLEMATIZAÇÃO................................................................................................06
2. OBJETIVOS................................................................................................................10
2.1. OBJETIVO GERAL..................................................................................................10
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................................11
3. HIPÓTESES................................................................................................................11
4. JUSTIFICATIVA..........................................................................................................12
5. REFERENCIAL TEÓRICO..........................................................................................14
6. REFERENCIAL METODOLÓGICO............................................................................16
7. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS...................................................................17
8. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES.............................................................................18
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...............................................................................18
BIBLIOGRAFIA...............................................................................................................19

3
APRESENTAÇÃO TEMÁTICA

Apresentamos como objeto de estudo a utilização da técnica processual para a


tutela de interesses ambientais trabalhistas. O mencionado estudo será desenvolvido
com observância na linha de pesquisa do Direito Ambiental, fundando-se na interação
entre o Direito Ambiental do Trabalho e a Tutela Processual dos Interesses Difusos e
Coletivos.1
O tema apresenta em seu bojo uma reflexão jurídica e política importante. Sua
origem remonta à própria história do trabalho, enquanto atividade essencial à
acumulação da riqueza. Durante o advento histórico conhecido por Revolução Industrial
Inglesa houve a introdução da máquina a vapor no processo produtivo, criando-se as
bases para a existência de uma produção em grande escala e da criação de uma
economia verdadeiramente de mercado, a demandar a contratação de um crescente
contingente de trabalhadores, o que promoveu a transformação do trabalho em
emprego, gerando, em decorrência, uma série de conflitos coletivos de natureza

1
É inevitável pontuar que a integração de duas linhas de abordagem, uma de índole material e outra de
matiz processual, pode soar, à primeira vista, como uma heresia perante a ortodoxia acadêmica.
Almejando suplantar essa possível objeção, há de se ressaltar que o processo é contemporaneamente
encarado como um instrumento de efetivação do direito material, necessitando ser moldado, quando da
sua aplicação, às principais características deste último. Não se trata, obviamente, de retornar-se à teoria
imanentista, que tratava o processo como um mero capítulo do direito objetivo, mas de reconhecer-se a
inequívoca instrumentalidade que baliza o jusprocessualismo. Colhe-se, nesse sentido, o escólio de
BEDAQUE, José Roberto dos Santos. Direito e processo - influência do direito material sobre o processo.
5ª ed. São Paulo: Malheiros Editores, 2009, p.p. 14 e 15: “Todo trabalho científico deve ser elaborado em
função de duas premissas básicas: visão crítica da situação e projeto de reforma. Com esta preocupação
procurou-se desenvolver o tema da relativização do binômio direito-processo como meio de acesso à
ordem jurídica justa. Sustenta-se, aqui, que os aspectos fundamentais do direito processual são
concebidos à luz da relação jurídica material. As questões maiores do processo são solucionadas com
dados inerentes à relação da vida e ao direito substancial que a regula. Quanto mais consciência tiver o
processualista desse fenômeno, maiores serão as possibilidades de construção de mecanismos aptos a
alcançar os escopos do processo. (...). a partir do momento em que se aceita a natureza instrumental do
direito processual, torna-se imprescindível rever seus institutos fundamentais, a fim de adequá-los a essa
nova visão. Isso porque toda a construção científica desse ramo do direito deu-se na denominada fase
autonomista, em que, devido à necessidade de afirmação da independência do direito processual,
valorizou-se demasiadamente a técnica. Passou-se a conceber o instrumento pelo próprio instrumento,
sem a necessária preocupação com seus objetivos, cuja indentificação é feita à luz de elementos
externos ao processo. Seu escopo é a eliminação da crise do direito material, formulando e atuando a
regra jurídica ao caso concreto. A técnica adotada pelo legislador, visando ao adequado desenvolvimento
do método por ele criado para solução dos litígios (processo équo e justo), é simples meio. Em nenhum
instante pode o processualista esquecer-se de que as questões internas do processo devem ser
solucionadas de modo a favorecer os resultados pretendidos, que são exteriores a ele.”

4
reivindicatória, que serviram para a propulsão da criação do direito do trabalho,
obviamente que dentro de determinados arranjos ideológicos, que na essência estão
ainda intactos nos dias atuais.
Neste contexto iniciam-se as mazelas inerentes a um meio ambiente de trabalho
desequilibrado. Ocorre que as fábricas, até então inexistentes, apareceram no mundo
laboral como uma necessidade intrínseca do processo produtivo emergente, mas
organizadas de modo precário do ponto de vista da preservação da integridade física e
psicológica do trabalhador, nelas reinando a insalubridade, caracterizada pela falta de
higiene, luz e ventilação, bem como pela ocorrência de ruído excessivo e de fuligem
tóxica no ar rarefeito. Em tal momento, ademais, exigia-se, indiscriminadamente, o
trabalho de homens, mulheres e crianças, em jornadas excessivamente longas, sem
duração predeterminada, e que se estendiam de sol a sol.
Dentro deste caldo social, emergiu uma nova consciência jurídica coletiva, na
qual o proletariado, classe até então desconhecida, passou a se organizar para pleitear
melhores condições de trabalho, ato premido pelo imperativo de autodefesa, haja vista
que os seus membros estavam expostos à ocorrência dos mais variados acidentes de
trabalho, bem como ao aparecimento de uma série de doenças como asma,
pneumonia, tuberculose, dentre outras.
Antevendo as proporções catastróficas que tal revolta poderia atingir, as elites
político-econômicas, representadas principalmente pela Igreja Católica, se adiantaram
aos fatos, para defender a posição estratégica de que o Estado deixasse de ser
abstencionista e passasse a interferir diretamente nos conflitos trabalhistas, fazendo-o
por via da edição de legislação supostamente tuitiva.
Ainda que incorrendo no risco da simplificação, é lícito dizer que os editos
legislativos que daí emergiram ficaram circunscritos à redução da jornada, à proibição
de labuta em horário noturno e à limitação da carga horária do labor de mulheres e
menores*, sem preocupação com a eliminação das condições adversas de trabalho, no
que foram secundados por toda a legislação posterior, inclusive aquela oriunda do
chamado constitucionalismo social, já no início do século XX.**
*
Conferir, v.g., o Moral and Health Act, de Robert Peel, tido por muitos como o primeiro diploma
normativo genuinamente trabalhista, onde o trabalho dos menores aprendizes foi limitado a doze horas e
proibido para o período noturno.
**
Vide, por exemplo, a Constituição Mexicana de 1917 e a Constituição de Weimar de 1919.

5
Evidente que tal opção trouxe consigo a matriz para a criação de uma série de
adicionais econômicos que ainda hoje perduram no direito do trabalho, inclusive na
vigente Constituição brasileira (horas extras, adicional noturno, insalubridade,
periculosidade, penosidade...), como se a saúde do trabalhador fizesse parte do fetiche
consumista do capitalismo, passível de ser comprada como simples mercadoria, sem
tornar necessária a superação das mazelas sócio-ambientais que persistem no
cotidiano laboral em moldes ainda mais estarrecedores do que aqueles descritos no
contexto da vetusta Revolução Industrial Inglesa.2

1. PROBLEMATIZAÇÃO

Embora o juslaboralismo tenha surgido a partir das lutas dos operários ingleses
contra as condições de labuta a que estavam submetidos, se constata ainda hoje,
passados dois séculos, que paradoxalmente os trabalhadores convivem com as mais
degradantes situações ambientais.
Tal ocorrência se explica no fato de que o juslaboralismo, balizado pela lógica do
capitalismo a que serve3, preferiu monetizar a saúde do trabalhador, como se a

2
Confirmando o diagnóstico em questão, reproduz-se, adiante, as palavras OLIVEIRA, Sebastião
Geraldo de. Indenizações por acidentes do trabalho ou doença ocupacional. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2005,
p.p. 26 e 27: “De acordo com levantamento da OIT divulgado em 1985, a cada três minutos um
trabalhador perdia a vida no mundo em conseqüência de acidente do trabalho ou de doença profissional,
e a cada segundo, pelo menos, quatro trabalhadores sofriam algum tipo de lesão. Em menos de duas
décadas a situação piorou amargamente. Estatísticas da mesma OIT divulgadas em 2003 asseveram
que ocorrem por ano no mundo 270 milhões de acidentes, representando uma média aproximada de 740
mil por dia ou nove por segundo. Desse elevado número de ocorrências, resultam a cada ano por volta
de dois milhões de acidentes do trabalho com óbito, quase quatro mortes por minuto. Além das perdas
humanas e todos os efeitos colaterais dolorosos, há um custo econômico extraordinário que ultrapassa
anualmente um trilhão de dólares americanos, por volta de 4% do produto interno bruto global, o que
demonstra a necessidade urgente de adoção de políticas efetivas voltadas para o enfrentamento do
problema. Essas estatísticas lamentáveis reforçam o paradoxo da situação: o local de trabalho, que
deveria servir para o homem ganhar a vida, está se transformando, em muitas ocasiões, em lugar sinistro
para encontrar a morte!” (sem destaques no original)
3
A corroborar a assertiva de que o direito do trabalho serve à estabilização da sociedade capitalista,
colaciona-se a lição de RODRIGUES, Marcelo Abelha. Processo civil ambiental. 1ª ed. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2008, p. p. 49 e 50: “A transformação do Estado liberal em Estado Social
deve-se a uma série de mudanças de comportamento, inclusive do próprio sistema capitalista, que
passou a ser refém da necessidade de proteger em certa dose o trabalho humano que explorava (o lado
social), porque em última análise dele dependia para a formação da riqueza e a manutenção do status
quo. Nesse processo de mudança destaca-se o importante pioneiro papel da carta constitucional norte-
americana, onde já se fazia presente a necessidade de um Estado intervencionista, com deveres
negativos (não ferir as garantias dos indivíduos), mas também com prestações positivas a cumprir,
mormente no campo social. A verdadeira transformação vem, no entanto, com a Constituição Mexicana

6
integridade física e espiritual do ser humano pudesse ser objeto de um contrato de
compra e venda.
Logo, se no âmbito do direito material do trabalho interessa ao capitalista que a
legislação determinante do cumprimento de obrigações laborais de adequação
ambiental passe despercebida, já que a farsa do pagamento de adicionais* melhor
convém ao atingimento do seu objetivo acumulatório, não será difícil concluir que no
campo processual a técnica individual e condenatória será privilegiada em detrimento
da coletiva e mandamental.4
Ocorre que na medida em que a legislação objetiva é construída a partir de
premissas ideológicas que interessam às elites econômicas, é de se intuir que o direito
processual acaba por absorver os anseios do sistema econômico hegemônico,

de 1917, a de Weimar em 1919 e da Polônia e Iuguslávia em 1921.”


*
Não custa lembrar que os adicionais trabalhistas brasileiros são apurados a partir de uma base de
cálculo ínfima, já que no país são praticados baixíssimos salários. Demais disso, o pagamento dos ditos
adicionais pode ser contabilmente fraudado com facilidade. Perceba-se, por exemplo, que se um
empregado for contratado para auferir o salário mensal de R$612,00 (seiscentos e doze reais), para
trabalhar em um ambiente insalubre de grau médio, será muito simples para o empregador contabilizar
no recibo de pagamento o mínimo de R$510,00 (quinhentos e dez reais) pagos a título de salário de
sentido estrito, mais o montante de R$102,00 (cento e dois reais) pretensamente adimplidos como o
adicional de 20% da insalubridade. Tudo aparentemente dentro da lei! Mas o trabalhador, a rigor, nada
receberá para esvair sua saúde em um meio ambiente laboral insalubre...
4
Reproduz-se, almejando o intento de demonstrar o quase absoluto desprezo do direito material do
trabalho para com as obrigações de fazer e não fazer, bem como do direito processual do trabalho para
com as técnicas mandamentais, as palavras GIGLIO, Wagner Drdla. Direito processual do trabalho. 10ª
ed. São Paulo: Editora Saraiva, 1997, p. p. 267e 268: “São raras, se existentes, as obrigações de não
fazer, nos processos trabalhistas. Não temos notícia de um exemplo, sequer, além da medida liminar
para sustar a ordem de transferência de empregado (...). (...) Nos processos do trabalho, as obrigações
trabalhistas de fazer mais ocorrentes, na prática (sem ordem de importância ou frequência), são as de
anotar ou retificar as anotações da Carteira de Trabalho, de entregar as guias de levantamento dos
depósitos do FGTS, de fornecimento dos documentos necessários à obtenção do seguro-desemprego,
de promover, de reintegrar o empregado e de fazê-lo retornar às atividades laborativas.” Das palavras do
Professor Giglio podem-se extrair, de tal arte, pelo menos duas conclusões: a) as potencialidades das
obrigações de fazer e não fazer são pouquíssimo exploradas pela praxe trabalhista.; b) o processo do
trabalho não vem se valendo da técnica mandamental para a promoção do equilíbrio ambiental
trabalhista. Desse modo não se pode concluir de modo diverso, senão para se compreender que esse
quadro é no mínimo preocupante, principalmente quando recordamos que a Consolidação das Leis do
Trabalho estabelece, nos seus artigos 154 a 201, toda uma série de regras de medicina e segurança do
trabalho, que partem da inspeção prévia, do embargo e da interdição do estabelecimento; passando pelo
processo de implantação da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes (CIPA); pelo fornecimento
gratuito de equipamentos de proteção individual (EPIs); pela obrigatoriedade da realização de exames
médicos periódicos e nos momentos específicos da admissão e da dispensa; pela observância de regras
de iluminação, ventilação e conforto térmico; pelos requisitos de segurança para o uso e a manutenção
de máquinas em geral, e especificamente de caldeiras, fornos e recipientes sobre pressão; pelos
procedimentos de neutralização da insalubridade e pela forma de manuseio e transporte de material
tóxico, até chegar às regras de prevenção da fadiga.

7
reproduzindo e efetivando toda uma cadeia de dominação, cujo efeito final é a geração
de um círculo vicioso de alienação e opressão.
Justamente por isso é que, ainda hoje, a doutrina processual trabalhista
permanece renitentemente fiel ao postulado da teoria trinária de classificação das
ações de conhecimento5, desprezando, por completo, os provimentos mandamental e
cognitivo executivo lato sensu, bem como as ações de natureza coletiva, por via das
quais se mostra viável atender, englobadamente, os interesses individuais
homogêneos, coletivos e difusos da classe trabalhadora, com notável economia de
energia jurisdicional.
Lamentavelmente, essa forma estrábica de visualização do processo trabalhista
acaba por produzir efeitos danosos e duradouros na jurisprudência, já que a postulação
em juízo, na maioria dos casos por ignorância – produto da ideologia dominante - e nos
demais em função dos interesses econômicos de sindicatos pouco comprometidos com
o bem-estar das categorias que representam, continua a privilegiar indiscriminadamente
a técnica individual e condenatória, permanecendo descrente para com as eficazes
possibilidades coletivas e mandamentais.
Em contraposição a tal quadro, nosso estudo buscará delinear um novo marco
teórico, para que com substrato nos vetores constitucionais fundamentais da cidadania

5
Abordando a tibieza da classificação trinária dos provimentos jurisdicionais cognitivos, assim se
manifesta MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela específica - arts. 461, CPC e 84, CDC. 2ª ed. São Paulo:
Editora Revista dos Tribunais, 2001, p.p. 38 e 39: “Com o surgimento das novas relações jurídicas,
freqüentemente de conteúdo não-patrimonial, tornou-se evidente a inefetividade das sentenças da
classificação trinária. Os direitos não-patrimoniais, como é curial, não podem ser efetivamente tutelados
através da sentença condenatória. Essa sentença, por correlacionar-se com a execução por sub-
rogação, somente mostra-se adequada para permitir a reparação do direito violado ou o cumprimento
forçado da obrigação inadimplida. A sentença condenatória, como já foi dito, não se presta a impedir
alguém de praticar um ilícito, exatamente porque não se relaciona com a execução indireta, ou seja, com
meios que possam atuar sobre a vontade do devedor para convencê-lo a adimplir. A sentença
declaratória, por outro lado, se não é ligada a qualquer meio de execução, limitando-se a declarar algo a
respeito de uma relação jurídica, também é evidentemente impotente para impedir a prática do ilícito.
Diante da sentença declaratória, o réu não se vê compelido a não praticar o ilícito. Sabe o demandado
que a única sanção que sofrerá, diante da prática do ilícito, é a ressarcitória, o que lhe permite
transformar, livremente, o direito do autor em tutela ressarcitória, que na maioria das vezes será prestada
pelo equivalente em pecúnia. As sentenças de classificação trinária, em outras palavras, não tutelam de
forma adequada os direitos que não podem ser violados, seja porque têm conteúdo não-patrimonial, seja
porque, tendo natureza patrimonial, não podem ser adequadamente tutelados pela via ressarcitória. Pior
do que isso, a classificação trinária, por sua inefetividade, permite a qualquer um expropriar direitos não-
patrimoniais, como o direito à higidez do meio ambiente, transformando o direito em pecúnia. Na
verdade, e por incrível que possa parecer, um sistema que trabalha exclusivamente com as três
sentenças clássicas está dizendo que todos têm direito a lesar direitos desde que se disponham a pagar
por eles! (sem destaques no original)

8
plena, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais do trabalho, possam ser
alicerçadas as bases de construção de um novo pensamento juslaboral, cujo locus
privilegiado seja a técnica processual mandamental coletiva, para que por via dela os
empregadores sejam judicialmente obrigados a tomarem medidas de caráter inibitório
ou de remoção do ilícito, hábeis a transformar em realidade o direito fundamental ao
equilíbrio ambiental trabalhista (artigo 7º, XXII, da CRFB).6
Importa demonstrar, a partir de uma abordagem dedutiva, que tanto o direito
material do trabalho quanto o direito processual do trabalho vêm alimentando na classe
trabalhadora uma falsa sensação de proteção.
Vale destacar que os efeitos danosos e problematizantes deste estudo advêm de
quatro fatores básicos:
a) enquanto as ações coletivas têm o condão de satisfazer englobadamente os
interesses individuais homogêneos, coletivos e difusos dos trabalhadores, as
individuais resolvem os problemas jurídico-trabalhistas caso a caso, com um
desnecessário dispêndio de atividade judicial;
b) enquanto a técnica mandamental possui a virtude de inibir a ocorrência da
ilicitude ou de impor a remoção do ilícito, a técnica condenatória permite, na
prática, a concretização de um dano;
c) enquanto a técnica mandamental satisfaz interesses diretamente (por ser
específica)7, a condenatória o faz apenas indiretamente (por resolver um
6
Para uma compreensão mais pormenorizada sobre os aspectos teóricos e práticos do problema
apresentado, conferir CESÁRIO, João Humberto. A tutela processual mandamental como fator de
promoção do equilíbrio ambiental trabalhista. In: CESARIO, JOÃO HUMBERTO (org). Justiça do trabalho
e dignidade da pessoa humana - algumas relações dos direitos ambiental, civil, eleitoral e processual
com o direito do trabalho. 1ª ed. São Paulo: LTr, 2007.
7
Tratando da importância da tutela coletiva, mandamental e específica, para a materialização dos
direitos e deveres ambientais, assim se pronuncia RODRIGUES, Marcelo Abelha Rodrigues. Processo
civil ambiental. 1ª ed. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2008, p.p. 57, 58 e 59: “(...) pode-se
ainda afirmar, categoricamente, que, dentre as crises de cooperação, os deveres ambientas mais
descumpridos são os que envolvem a prática de um fazer ou um não fazer. (...) Tal conclusão resulta do
fato de que um dos princípios do direito ambiental é o da participação ou solidariedade, expressamente
inserido no art. 225 da CF/88, onde se lê que tanto o poder público quanto a coletividade tem o dever de
defender e preservar o meio ambiente para as presentes e futuras gerações. Está aí, às escâncaras, a
regra magna que impõe um dever positivo e outro negativo a toda coletividade em relação à proteção do
equilíbrio ecológico. (...) Isso vem evidenciar que esse dever social precisa ser visto sob dois flancos
distintos, um negativo e outro positivo: o primeiro na adoção de comportamentos sociais,
personalíssimos, (..) de não praticar atos que possam ser ofensivos ao meio ambiente e a seus
componentes; o segundo na adoção de comportamentos sociais que representem um facere, uma
tomada de atitude, comissiva, mas que não se resuma apenas à esfera individual, ou seja, não
preocupada apenas com o eu, mas com o todos. (...) Acrescentando ao que foi dito acima os

9
prejuízo em perdas e danos)8;
d) enquanto que a tutela mandamental é cumprida com base em um rito
processual simplificado (§§ 4º, 5º e 6º do artigo 461 do CPC), a tutela
condenatória é executada por via de um procedimento complexo, gerando
maior gasto de energia processual (artigos 876 a 892 da CLT c/c Arts. 475-I a
475-R do CPC).

2. OBJETIVOS

2.1. OBJETIVO GERAL

Demonstrar as possibilidades de utilização da técnica processual na perspectiva


da tutela coletiva dos interesses ambientais trabalhistas.

ingredientes da essencialidade (à vida) e da instabilidade do equilíbrio ecológico, pode-se antever que


todas as crises jurídicas ambientais referentes ao cumprimento de um dever de fazer e não fazer exigem
não só uma solução rápida, mas também específica, no sentido de que a tutela jurisdicional a ser
entregue à coletividade deve ser a mais próxima possível daquela que se teria com o cumprimento
espontâneo do dever jurídico ambiental. A idéia precípua é que a tutela jurisdicional a ser entregue seja a
mais coincidente possível com o resultado previsto pela norma ambiental. Enfim, se ela prevê um não
fazer, então esta é a tutela que deve ser buscada; se, por outro lado, prevê um fazer, é este que deve ser
adimplido. (...) Trata-se, pois, de içar a tutela específica dos deveres ambientais como um norte a ser
perseguido e alcançado. Contrario sensu, é de se dizer que a não realização da tutela jurisdicional
específica pode comprometer o direito fundamental à vida de todos os seres vivos. (...) é de se dizer que
nem sempre será possível a obtenção da tutela específica, enfim, aquela originalmente prevista pelo
legislador. (...) Nesse particular, apenas subsidiariamente é que se deve pensar na tutela reparatória do
meio ambiente, ou seja, quando se mostre impossível a tutela específica idealizada pelo legislador. E,
ainda assim, a reparação deve ser o mais próximo possível do resultado que se teria com a conduta
esperada pelo legislador. Daí porque a reparação in natura é a tutela reparatória mais freqüente no
direito ambiental. Seja por razões pedagógicas do poluidor e transgressor da norma ambiental, seja por
razões de proteção do meio ambiente, sem dúvida, mais vale uma reparação in natura do que uma
reparação pecuniária, porque, em última análise, sabe-se que o equilíbrio ambiental e o prejuízo causado
às presentes e futuras gerações não encontra um valor que reflita com fidelidade a perda ambiental, de
forma que o dinheiro nunca paga o prejuízo causado pela degradação do equilíbrio ecológico. (...) Diante
desse quadro, o papel do processo civil é o de oferecer técnicas que atendam ao ideal de justiça
ambiental. ”
8
Quanto à resolução das obrigações de fazer e não fazer em perdas e danos, impõe-se, mais uma vez,
trazer à tona o escólio de MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitória (individual e coletiva). 2ª ed. São
Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2000, p.p. 293 e 294: “A correlação necessária entre a condenação
e a execução forçada esconde não só uma opção pela incoercibilidade das obrigações infungíveis, mas
também a própria ideologia liberal da intangibilidade da vontade humana. O conceito de sentença
condenatória está comprometido com as doutrinas que inspiraram o Code Napoléon, pelo qual ‘toda
obrigação de fazer ou não fazer resolve-se em perdas e danos e juros, em caso de descumprimento pelo
devedor’ (art. 1.142), e principalmente com a ideologia que deu origem ao dogma de que a coerção das
obrigações infungíveis constitui um atentado à ‘liberdade’ dos homens.”

10
2.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

a) Identificar as táticas de diluição contábil dos salários em adicionais,


demonstrando, concretamente, que tais subterfúgios são extremamente simples e
eficazes à extração de mais-valia, inviabilizando, propositadamente, o estabelecimento
de um meio ambiente que seja saudável para a realização do trabalho;
b) Levantar informações sobre a doutrina e jurisprudência processual trabalhista,
para demonstrar que ambas reproduzem no plano adjetivo a lógica hegemônica no
âmbito material, apegando-se, via de conseqüência, ao uso das técnicas individuais e
condenatórias em detrimento das coletivas e mandamentais.
c) Avaliar, dentro desse prisma, a concretute da promessa constitucional de
redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e
segurança (artigo 7º, XXII, da CRFB);
d) Repensar a práxis trabalhista, para enxergá-la a partir dos fundamentos
republicanos da cidadania plena, da dignidade da pessoa humana e dos valores sociais
do trabalho e da livre iniciativa (artigo 1º, II, III e IV da CRFB);
e) Demonstrar as possibilidades de utilização processual das tutelas inibitória e
de remoção do ilícito, como instrumentos de afirmação do direito fundamental da classe
trabalhadora a um meio ambiente de trabalho equilibrado.

3. HIPÓTESES

3.1. O direito material do trabalho optou por monetizar a saúde dos trabalhadores
para atender ao objetivo acumulatório do capital;
3.2. O direito processual trabalhista privilegia a técnica individual e condenatória
em detrimento da técnica coletiva e mandamental.
3.3. O capitalismo dispõe de um “exército industrial de reserva”9, o que permite
ao capitalista tratar o trabalho humano como mercadoria descartável, passível de
aquisição a baixíssimos salários, que servem de base de cálculo para o pagamento

9
Sobre o “Exército Industrial de Reserva”, ver MARX, Karl. O capital (Edição resumida por Julian
BORCHARDT). 7ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1982, p.p. 152 e segs.

11
dos ínfimos adicionais criados para “proteger” o trabalhador. A proteção trabalhista,
portanto, está com seu sentido ético desvirtuado.
3.4. A forma doutrinária de visualização do processo trabalhista pode estar
produzindo efeitos danosos e duradouros na jurisprudência, já que a postulação em
juízo privilegia as técnicas individuais e condenatórias, permanecendo descrente para
com as possibilidades coletivas e mandamentais.

4. JUSTIFICATIVA

Percebe-se, passados mais de vinte anos da promulgação da vigente


Constituição, que os juslaboralistas ainda não compreenderam adequadamente o seu
verdadeiro significado.
Ocorre que a Carta Política de 1988 rompeu abertamente com qualquer
concepção que pudesse privilegiar indiscriminadamente o patrimonialismo jurídico. Dito
de modo mais explícito, podemos assentar, com efeito, que o seu fundamento
axiológico central reside na promoção da dignidade da pessoa humana (artigo 1º, III, da
CRFB).
A propriedade, neste contexto, embora continue a merecer especial deferência
(artigo 5º, XXII, da CRFB), deve dobrar-se, antes de tudo, ao cumprimento de uma
função social (artigo 5º, XXIII, da CRFB), o que passa, inelutavelmente, pela
observância das disposições que regulam as relações de trabalho, e,
consequentemente, por um padrão exploratório que seja apto à promoção do bem-estar
não só dos proprietários, mas também dos trabalhadores (artigo 186, III e IV, da CRFB).
Faz-se imprescindível, deste modo, que os juristas do mundo laboral entendam,
dentro de um novel paradigma de abalançamento de interesses jurídicos, que o
principal direito dos trabalhadores é aquele previsto no artigo 7º, XXII, da CRFB, que
preconiza a redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde,
higiene e segurança.
A propósito do quanto afirmado no parágrafo anterior, vale dizer que o
vanguardista professor Sebastião Geraldo de Oliveira, digno Desembargador do
Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região, trata a prefalada regra sob o epíteto de

12
princípio do risco mínimo regressivo10, aduzindo, com colores acentuados, que a
redução dos riscos inerentes ao trabalho deve ser vista como “o norte, a preocupação
central, o ponto de partida e de chegada de qualquer programa sério sobre prevenção
de acidentes do trabalho ou doenças ocupacionais”11.
Em que pesem todas essas considerações, o fato é que os operadores do direito
do trabalho continuam conservadoramente imbuídos do propósito de tão-somente
reconhecer aos trabalhadores os tradicionais adicionais econômicos que tanto
caracterizam – às vezes até pejorativamente – esse ramo do conhecimento jurídico
especializado, descurando-se, por completo, da responsabilidade que possuem em
concretizar a promessa constitucional de redução dos riscos inerentes ao trabalho.
Tal cenário justifica, com sobras, a relevância da pesquisa que ora delineamos
no presente projeto de dissertação, já que por via dela buscaremos sensibilizar os
principais atores do mundo do trabalho para a necessidade de serem privilegiadas, no
campo da preservação da saúde da classe trabalhadora, as tutelas preventivas em
detrimento das repressivas.
Esse viés de abordagem, aliás, interessa a toda sociedade, já que o excessivo
número de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais com o qual convivemos,
acaba por onerá-la como um todo, na medida em que os trabalhadores que esvaem
sua saúde em ambiências laborais desequilibradas, acabam por depender
exclusivamente da Previdência Social para o seu sustento pessoal e familiar.
Sobreleva destacar, demais disso tudo, que o tema sobre o qual dissertaremos é
pouquíssimo explorado na academia, sendo certo, pois, que muito contribuirá para que
o Programa de Pós-graduação em Direito Agroambiental da Universidade Federal de
Mato Grosso se destaque na abertura de novas e inexploradas trincheiras no universo
jurídico-acadêmico nacional e internacional.

5. REFERENCIAL TEÓRICO

10
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Proteção jurídica à saúde do trabalhador. 5ª ed. São Paulo: LTr,
2010, p. 124.
11
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Ibid., p. 123.

13
Esta pesquisa estará fundamentada cientificamente nos estudos de diferentes
categorias de análise. Seu principal sustentáculo, naturalmente, será a compreensão
rigorosa de pesquisadores que pensam de forma original e criativa os direitos laboral e
processual.
Como restará claro no item destinado à bibliografia, muitos serão os
doutrinadores em cujo pensamento jurídico penetraremos. Em vários deles buscaremos
denunciar traços de ranço e conservadorismo jurídico. Em outros tantos extrairemos
elementos avançados, que serão absolutamente úteis à contribuição que intentaremos
emprestar para a construção de um ramo jurídico que, em futuro de médio ou longo
prazo, poderá ser conhecido como Direito Ambiental do Trabalho. Dentre estes últimos
pensadores, desejamos apontar dois que certamente serão os nossos principais
referenciais teóricos. São eles os professores Sebastião Geraldo de Oliveira e Luiz
Guilherme Marinoni.
O primeiro deles, Sebastião Gerado de Oliveira, além de professor é
Desembargador Federal do Trabalho. Das suas obras, a que mais relevará para o
nosso estudo, é aquela denominada “Proteção Jurídica à Saúde do Trabalhador”,
publicada pela editora LTr.
Relativamente ao livro em questão, é de se realçar que o próprio professor
Sebastião Geraldo esclarece na apresentação à sua 5ª edição, que no momento do
seu lançamento, ocorrido em 1996, a obra foi considerada inovadora no Brasil sobre o
tema da proteção jurídica da saúde do trabalhador, já que até então a literatura
juslaboral estava centrada – como ainda hoje maciçamente o está – na lógica estreita
da mera concessão de adicionais econômicos em prol destes atores sociais. Diz,
textualmente, o referido autor:
Na época, a obra foi considerada pioneira sobre o assunto no Brasil,
introduzindo uma forma diferente de abordar os riscos e as agressões à
saúde existentes nos locais de trabalho. Até então, a literatura jurídico-
trabalhista estava centrada na idéia de compensar as condições de
trabalho adversas com adicionais remuneratórios. Fizemos uma
proposta diferente, com o objetivo de despertar os operadores jurídicos
para o valor principal e que verdadeiramente importa: o direito do
empregado ao meio ambiente do trabalho saudável. Ao demonstrar os
equívocos da monetização dos riscos, em face do princípio da dignidade
da pessoa humana, mudamos o foco de análise da doença para a
saúde, do trabalho para o trabalhador, do risco remunerado para o risco

14
eliminado ou controlado, do dano para a prevenção.12

Já o segundo deles, Luiz Guilherme Marinoni, é Professor de Direito Processual


Civil na Universidade Federal do Paraná, contando, dentre outras nobilíssimas
credencias acadêmicas, com o título de pós-doutor pela Universidade Estatal de Milão.
Toda a sua vastíssima produção bibliográfica servirá de lastro teórico para o estudo ora
proposto. É de se dizer, a propósito, que a principal tarefa da nossa pesquisa será a de
impregnar o processo do trabalho do pensamento do Professor Marinoni, a fim de que a
processualística laboral possa romper de vez com o postulado trinário das ações
cognitivas, para assim conviver naturalmente com as tutelas mandamentais e cognitivas
executivas lato sensu, que são imprescindíveis à inibição ou remoção do ilícito, e,
especificamente falando, à prevenção de danos à saúde dos obreiros.
De modo a demonstrar a extraordinária contribuição do Professor Marinoni para
uma mudança de paradigmas no pensamento processual, colacionamos, abaixo,
alguns breves excertos literários emanados da lavra do Professor Egas Dirceu Moniz de
Aragão ao prefaciar o livro Tutela Inibitória:

Insatisfeito com as idéias predominantes, que privilegiam a realização


do direito pelo processo através da reparação (a tutela ressarcitória), o
autor [Luiz Guilherme Marinoni] oferece ao debate e a idéia de, quanto
possível, realizar o direito pelo processo através de meios que evitem o
ilícito, que tenham caráter preventivo: a tutela inibitória. “Quando se
pensa em tutela inibitória”, diz ele, “imagina-se uma tutela que tem por
fim impedir a prática, a continuação do ilícito e não uma tutela dirigida à
reparação do dano”. O importante, pois, é evitar e não apenas remediar.
(...)
Enfim, toda a sua preocupação parece centrada nesta observação das
conclusões: “o direito material precisa ser efetivamente tutelado”, para o
que a tutela inibitória contribui decisivamente.
Recomendo prazerosamente a todos quantos se interessam pela
realização do direito através do processo a leitura atenta desta obra,
que constitui um marco nos estudos jurídicos e eleva sobremodo o
conceito do Paraná e de sua Universidade.13

Como se vê, portanto, a pesquisa desfilará pelo pensamento jurídico de


inúmeros pensadores, desde os mais conservadores até os mais avançados, mas

12
OLIVEIRA, Sebastião Geraldo de. Ibid., p. 15.
13
ARAGÃO, Egas Dirceu Moniz de. In MARINONI, Luiz Guilherme. Tutela inibitória (individual e coletiva).
2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000, p.p. 4 e 6.

15
encontrará nas obras dos Professores Sebastião Geraldo de Oliveira e Luiz Guilherme
Marinoni os seus principais arrimos teóricos.

6 – REFERENCIAL METODOLÓGICO

De tudo o quanto antes foi dito, resta claro que a natureza desta pesquisa é
exploratória, pois que além de se debruçar em um território jurídico pouquíssimo
explorado, ela almeja, basicamente, sorver elementos que vêm sendo delineados em
outros campos do saber jurídico, como, por exemplo, os direitos ambiental e processual
civil, para então transportá-los e adequá-los à realidade dos direitos material e
processual do trabalho, de modo a potencializar as possibilidades destes últimos
quanto à concretização da promessa constitucional de redução dos riscos inerentes ao
trabalho.
A nossa maior responsabilidade será a de testar a validade das normas e
concepções que hoje orientam parte da vida dos trabalhadores e trabalhadoras, para,
assim, dirimirmos criticamente as mais variadas questões ambientais trabalhistas.
Todos os aspectos que envolvem esse desafio serão avaliados e colocados em
confronto com a realidade empírica, sabendo, de antemão, que muitos elementos desta
proposta poderão estar em fatos subliminares, ou seja, dentro de um contexto em que a
informação não poderá ser captada literalmente pelo observador.
Nosso pesquisar, em síntese, será científico, visto que considerará os
fenômenos jurídicos e políticos que produzirão um “pensar científico”. Todas as
conexões entre meio ambiente e atividade laboral serão consideradas, pois
acreditamos que este caminho revelará um resultado próximo da realidade empírica e
oferecerá subsídio para uma nova forma de pensar e agir no âmbito jurídico-laboral.
Utilizaremos o método indutivo, haja vista que partindo de dados ou observações
particulares, poderemos chegar a uma proposição geral. Certamente estaremos prontos
a produzir críticas ao sistema positivista, pois não teremos como verdade as aparências
dos fatos. Nossa aproximação com o objeto da pesquisa se dará através de uma
abordagem dialética, o que significa dizer que permanentemente confrontaremos tese e
antítese em busca novas sínteses.

16
Importa destacar que o materialismo dialético é a única corrente de interpretação
dos fenômenos sociais que apresenta princípios, leis, e categorias de análise. Isto nos
obrigará a encontrar, nas contradições e fissuras do ordenamento, os fundamentos da
substituição do velho pelo novo.
Na análise dos dados obtidos na pesquisa de fontes primárias e secundárias
faremos observações históricas e de conteúdo, sendo considerados, ainda, os dados
estatísticos oficiais, a legislação e a doutrina produzidos no Brasil nos últimos anos.

7 – PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

7.1 - No primeiro passo serão coletados elementos acerca da legislação material


e processual trabalhista brasileira.
7.2 - Após, serão colhidas por via de pesquisa bibliográfica, as diretrizes da
doutrina material e processual trabalhista acerca do tema.
7.3 - Na seqüência, serão estudadas ações judiciais ajuizadas perante o Tribunal
Regional do Trabalho da 23ª Região nos últimos cinco anos.
7.4 - Outrossim, com base em índices estatísticos oficiais, serão catalogados
dados relativos à ocorrência de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais no
Brasil, para que seja aferida a eficiência do sistema brasileiro de inibição dos
mencionados problemas.
7.5 – A pesquisa será diretamente realizada nas fontes legislativas, doutrinárias,
jurisprudenciais e estatísticas, bem como no contato direto com os juizes e servidores
do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região.
7.6 - A análise dos dados será realizada dentro da perspectiva crítico-qualitativa.
7.7 – Em tal diapasão, faremos uma análise quantitativa do número de ações
totais ajuizadas nos últimos cinco anos no Tribunal Regional do Trabalho da 23ª
Região, com a indicação comparativa do número de demandas que versaram sobre
jurisdição individual e jurisdição coletiva. Ao depois quantificaremos, quanto a estas
últimas (ações de jurisdição coletiva), aquelas que versaram sobre direito ambiental do
trabalho.

17
8 – CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

CRONOGRAMA DE ATIVIDADES
Atividades 2010 2011
Trimestre Trimestre
1º 2º 3º 4º 1º 2º 3º 4º
X X X X
Revisão
Bibliográfica
X X X X
Pesquisa
Documental

Qualificação X
do Projeto
X X
Análise
Dados
Revisão Geral X
Dados
Coletados
Sistematizaçã X
o Definitiva
Dados
X X
Redação
Tese
X

Defesa

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