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A Contabilidade como instrumento de controle das Finanças Pessoais: a percepção dos egressos do curso

A Contabilidade como instrumento de controle das Finanças Pessoais:

a percepção dos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina

Liandra Pereira (UNIVILLE campus São Bento do Sul) liandra.pereira@hotmail.com Michele de Souza Pereira (UNIVILLE campus São Bento do Sul) cm_michele@hotmail.com Édina Elisangela Zellmer Fietz Treml (UNIVILLE campus São Bento do Sul/UDESC CEPLAN) edina.f@hotmail.com

Resumo:

O tema finanças em sua maioria é voltado à área empresarial, e não pessoal. Porém, sem a realização de um planejamento financeiro e uma educação financeira as pessoas podem ter dificuldades de estruturar a vida economicamente e controlar seus bens, direitos e obrigações, de modo que, muitas vezes, por desconhecerem do assunto, deixam de ter a oportunidade de melhorar a vida financeiramente e economicamente. A Contabilidade, como ciência que tem por premissa básica a evolução e controle do patrimônio, é uma importante aliada para controle do patrimônio das entidades, mas também pode ser útil no controle do patrimônio pessoal. Diante deste contexto, o intuito deste objetivo do estudo é analisar qual é a utilização da contabilidade no controle das finanças pessoais na percepção dos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina. A pesquisa constitui-se de duas etapas; primeiramente a pesquisa bibliográfica abordando o tema, e posteriormente, a segunda etapa com aplicação de questionários direcionados aos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina. Os resultados evidenciam que, na percepção dos egressos pesquisados, de modo geral, a Contabilidade permite agregar seus conceitos e princípios, assim como auxilia na tomada de decisão quanto às finanças pessoais. Palavras chave: Finanças Pessoais, Contabilidade, Educação Financeira.

Accounting as a control instrument of Personal Finance: the perception of the Accounting Sciences course graduates of a community college north of Santa Catarina

Abstract

The theme finances mostly is geared to the business area, not personal. But without conducting a financial planning and financial education people may struggle to structure economic life and control its assets, rights and obligations, so often through ignorance of the subject, no longer have the opportunity to improve the lives financially and economically. Accounting as a science whose basic

premise evolution and control of assets, is an important ally for control of assets of the entities, but can also be useful in controlling the personal assets. Given this context, the purpose of this study aims to analyze what is the use of accounting in control of personal finances in the perception of the course graduates of Accounting Sciences from a community college in northern Santa Catarina. The research is constituted of two stages; first the literature addressing the issue, and later, the second stage with questionnaires directed to course graduates of Accounting Sciences from a community college in northern Santa Catarina. The results show that the perception of those surveyed graduates, in general, the Accounting allows adding its concepts and principles, as well as aids in decision making about personal finances. Key-words: Personal Finance, Accounting, Financial Education.

1 Introdução

A contabilidade é uma das ferramentas fundamentais que proporciona êxito nas tomadas de

decisões, uma vez que ela desempenha seu papel de ordem e controle, seja na gestão de um negócio ou da vida pessoal financeira.

Sem uma educação financeira, planejamento e controle dos recursos financeiros, bem como motivados também pelo alto consumismo os indivíduos poderão apresentar endividamento, que poderá levar a um elevado ônus no futuro.

Em uma sociedade moderna, ter dinheiro significa sobreviver no conforto e saber administrar as próprias finanças tende a trazer satisfação e a realização de desejos. Em busca desse objetivo, a Educação Financeira, aliada à Contabilidade, podem contribuir significativamente para o sucesso de pessoas que pensam no futuro, planejam e controlam suas finanças pessoais. Isso poderá garantir o alcance de uma vida confortável e com equilíbrio financeiro.

Considerando isto, esta pesquisa tem como área de conhecimento a contabilidade aplicada às finanças pessoais, delimitada aos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina.

É um assunto importante, pouco abordado no campo da contabilidade, que em sua maioria

tem se voltado à área empresarial. Muitas pessoas, por desconhecerem o assunto, deixam de ter a oportunidade de melhorar as finanças pessoais, porque não utilizam a contabilidade como um instrumento de controle e até mesmo de planejamento financeiro.

Diante disto, o problema de pesquisa buscar identificar “Qual a percepção dos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina quanto à utilização da contabilidade como instrumento de controle das finanças pessoais”. Para isso, definiu-se como objetivo do estudo “Analisar qual é a utilização da contabilidade no controle das finanças pessoais na percepção dos egressos do curso de Ciências Contábeis

de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina”.

2 Revisão de Literatura

A premissa básica da Ciência Contábil é a evolução e controle do patrimônio, sendo que o seu

desenvolvimento iniciou-se desde os tempos mais antigos. Assim como ela serve para controle do patrimônio das entidades, também pode ser útil no controle do patrimônio pessoal, esta é a premissa na qual se baseia a área da Administração Financeira denominada Finanças Pessoais.

2.1 Finanças Pessoais

Uma das razões para conhecer e estudar finanças é o fato de que é por meio dela que é possível tomar decisões financeiras importantes tanto no âmbito empresarial quanto no pessoal. É através dos conhecimentos básicos de finanças que o indivíduo poderá saber qual a proporção de um crédito a ser tomado ou uma dívida a ser assumida (ROSS; WESTERFIELD; JORDAN, 2011).

Muitas pessoas utilizam-se de conceitos contábeis e financeiros sem sequer perceber, seja ao receber o salário apenas uma vez ao mês, ou distribuir tal valor entre as despesas realizadas, sabem que precisa quitar as contas, guardar para possíveis despesas básicas, para então aplicar ou investir o que lhe sobrar. Isso parece óbvio, mas a realidade pode demonstrar outro cenário, aquele em que poucas pessoas registram suas transações financeiras. Mesmo conhecendo regras básicas de matemática e organização, grande parte das pessoas/famílias ainda peca no que se refere aos registros financeiros ou à administração financeira dos seus recursos financeiros pessoais.

Para Hoji (2001, p. xv) importantes decisões são tomadas através de conhecimentos em finanças e contabilidade como segue:

Em qualquer parte do mundo, importantes decisões gerenciais são tomadas com base em finanças e contabilidade, pois a contabilidade gera informações e as decisões são tomadas visando um resultado que produza impacto financeiro positivo. Em casa é a mesma coisa: compras, investimentos e gastos em geral são feitos visando maior rentabilidade ou maior economia de gastos, com base em dados históricos, tais como: volume de compras em supermercados e os preços dos itens comprados, rentabilidade da aplicação financeira, taxa de valorização do imóvel, gastos com educação e transporte etc.

Assim, no intuito de auxiliar a administração das finanças, Bodie e Merton (2000) ressaltam a importância do conhecimento para administração dos recursos pessoais. Pires (2006) complementa que as pessoas físicas, indivíduos e famílias, muitas vezes tomam decisões financeiras sem ao menos ter o conhecimento lógico que rege o mundo das finanças.

Por isso, Pires (2006) ressalta que as finanças pessoais têm por objeto de estudo e análise as condições de financiamento das aquisições de bens e serviços necessários à satisfação das necessidades e desejos individuais. Em conformidade, Ferreira (2006) afirma que finanças pessoais nada mais é do que o processo pelo qual se planeja, organiza e controla os recursos financeiros, sejam eles a curto, médio ou longo prazo. Neste sentido, entende-se que a ciência de finanças pessoais estuda a maneira de como aplicar recursos financeiros nas decisões financeiras dos indivíduos, tendo como indispensável o planejamento, a organização e o controle de tais recursos.

Para isso se faz necessário atender aos objetivos das finanças pessoais que segundo Pires (2006, p. 15-16) vão assegurar que:

a) as despesas do indivíduo (ou família) sejam sustentadas por recursos obtidos de

fontes sobre as quais tenha controle, de modo a garantir a independência de recursos de terceiros, que têm custo e às vezes estão indisponíveis quando mais se precisa deles;

b) as despesas sejam distribuídas proporcionalmente às receitas ao longo do tempo

(em outras palavras, que haja adequada combinação entre consumo e poupança);

c) sendo inevitável a utilização de recursos de terceiros, que sejam tomados ao

menor custo e pelo menor tempo possíveis (ou seja, que se fuja dos juros mais que o

diaboda cruz);

d) as metas pessoais possam ser atingidas mediante a compatibilização entre o

querer (necessidades e, principalmente, desejos) e o poder (capacidade de compra):

ou aumentasse o poder ou se reduz o querer, o que requer decisões e ações planejadas;

e) o patrimônio pessoal cresça ao máximo, ampliando a independência financeira e

a necessidade de trabalhar para terceiros ou tomar recursos emprestados para finalidades de consumo;

Portanto, é possível observar que para atender aos objetivos de finanças pessoais é preciso desenvolver uma estratégia precisa quanto ao equilíbrio entre receitas e despesas, para que assim consiga criar condições que possibilitem o crescimento do patrimônio pessoal, por fim, saber diferenciar o que se quer do que se pode gastar.

Uma das premissas básicas das finanças é enriquecer, em segundo momento não empobrecer e como objetivo maior a independência financeira (PIRES, 2006). Neste contexto, cabe ressaltar que as finanças pessoais não servem tão somente para enriquecer e conquistar a independência financeira, mas como também servem para buscar alternativas nos casos em que há dívidas no âmbito pessoal e direcioná-las a uma solução.

Ao encontro dessa necessidade, a Contabilidade pode ser utilizada como instrumento de controle aplicado às finanças pessoais, denotando as ferramentas que podem ser adaptadas e envolvidas na aplicabilidade de controle financeiro pessoal.

2.2 A Contabilidade como instrumento de controle das Finanças Pessoais

Muitas pessoas leigas no assunto acreditam que a contabilidade é uma ferramenta complexa demais para ser aplicada em seu dia-a-dia. Porém, alguns conceitos da contabilidade são importantes para se compreender sobre a acumulação de recursos que pode trazer independência financeira ao indivíduo.

De acordo com Kyosaki e Lechter (2002, p. 22)

Assuntos como Contabilidade e investimentos são importantes para a vida das pessoas, mas essas sabem muito pouco sobre o assunto, pois as escolas se concentram nas habilidades acadêmicas e profissionais, mas não nas habilidades financeiras.

Pires (2006) afirma que é possível aplicar a contabilidade na vida financeira pessoal e não é tão complicada quanto às pessoas julgam. Afirma que por meio dela pode-se observar a situação patrimonial dos indivíduos, assim como enfatiza a importância que a mesma tem como sistema de registro de movimentos financeiros.

A Contabilidade é um sistema de registro de movimentos financeiros que permite a

produção de demonstrativos que fornecem uma visão clara da situação patrimonial

de uma pessoa ou instituição (PIRES, 2006, p. 47).

Portanto, a Contabilidade fornece uma visão real da situação patrimonial de uma instituição ou pessoa, é ela que permite a produção de demonstrativos que venham representar os recursos utilizados se são pertencentes a terceiros e/ou próprio. Nesse sentido, Iudícibus (2010) também afirma que uma das mais importantes demonstrações contábeis é o Balanço Patrimonial e é por meio dele que se evidencia o ativo, o passivo e o patrimônio líquido da organização, podendo este ser demonstrado também na vida pessoal. Ainda na mesma linha de considerações Macedo Jr. (2010) salienta que os ativos são bens e direitos adquiridos por uma pessoa ou entidade, os passivos as dívidas contraídas e o patrimônio líquido, o que sobra e que corresponde ao montante líquido real que a pessoa possui de patrimônio.

Pires (2006) acrescenta que existem outros conceitos interessantes que podem ser aplicados nas finanças, visando o controle destes:

Além do Balanço Patrimonial, a Contabilidade oferece outros demonstrativos. Merece destaque a Demonstração de Resultados, cuja principal contribuição é

revelar:

1. os resultados das atividades econômicas, sintetizados num valor financeiro que irá

se incorporar ao Patrimônio Líquido (diminuindo-o se o resultado for negativo prejuízo; ou aumentando-o, se for positivo - lucro);

2. as receitas operacionais (decorrentes do negócio) e não operacionais (decorrentes de atividades que não são as precípuas da empresa), devendo as primeiras representar a maior parcela das receitas, pois do contrário o negócio compensa menos do que outras atividades; 3. o custo direto e indireto, representado por despesas operacionais e administrativas, além dos ônus com a tributação. (PIRES, 2006, p. 50).

Para melhor decidir o destino dos recursos e também uma forma de controlá-los, Macedo Jr. (2010) indica a realização de um orçamento, ferramenta da Contabilidade que também poderá

ser aplicada nas finanças pessoais servindo como um plano de controle dos gastos. Na visão

uma planilha em que são listadas

que poderão servir como instrumento

de controle e planejamento financeiro em determinado período de tempo. Para Marques (2010, p. 8) “o orçamento tem como finalidade descobrir as oportunidades de aumentar as receitas reduzindo os gastos. O orçamento pode ser elaborado semanalmente, mensalmente ou anualmente e é a partir dele que é possível acompanhar as variações dos gastos em geral.

Assim como o orçamento tem sua importância no planejamento das finanças pessoais, outra ferramenta que poderá ajudar as pessoas a obter um maior controle de seus recursos é o do fluxo de caixa, conforme afirma Pires (2006), enquanto o orçamento é um instrumento de gestão que geralmente leva em conta um ano, o fluxo de caixa é uma planilha de acompanhamento do saldo, de modo periódico, de modo a evitar falta de dinheiro para cumprir com as obrigações contratadas.

todas as receitas e despesas esperadas e previstas [

de Pires (2006, p. 37) o orçamento nada mais é do que “[

]

]”

Todas estas ferramentas contábeis apresentadas são demonstrações que podem ser utilizadas para controle e gestão das finanças pessoais, de modo que quando não utilizadas poderão ocasionar insucesso financeiro. “Sem fluxo de caixa ficará quase que impossível projetar, planejar financeiramente. Sem orçamento (planejamento financeiro) é impossível ter uma administração sadia” (MARION, 2009, p.119).

2.3 Educação Financeira

A problemática da questão financeira está diretamente ligada a falhas na educação básica, já

que não faz parte do currículo escolar (MARTINS, 2004).

De acordo com portal FEBRABAN (2014, web), Educação Financeira é:

O processo pelo qual consumidores e investidores melhoram sua compreensão sobre conceitos e produtos financeiros e, por meio de informação, instrução e orientação, conseguem desenvolver habilidades e adquirem confiança para tornarem mais conscientes das oportunidades e dos riscos financeiros e sabem fazer escolhas bem informadas.

Assim, a educação financeira permite adquirir e desenvolver habilidades por meio de informações e orientações que tornam as oportunidades e escolhas bem mais conscientes, assim como a adoção de ações que melhoram o bem estar do indivíduo.

A falta de educação financeira é uma das causas do endividamento. O alto consumismo, o

excesso de crédito e a sua oferta fácil tem exigido uma preocupação maior quando relacionado às finanças. Tolotti (2007) destaca a importância da educação financeira na vida das pessoas, como sendo uma necessidade, e não uma formalidade teórica.

Neste sentido, é importante que o indivíduo tenha conhecimento financeiro ao assumir uma dívida ou adquirir um bem, pois a educação financeira é uma necessidade e cabe a cada um utilizar o método que lhe melhor favorecer.

3

Metodologia de Pesquisa

Essa pesquisa tem abordagem predominantemente qualitativa, visto que destaca características não observadas por um estudo tão somente quantitativo, utilizando-se de métodos que possibilitam análise das escritas dos autores, permitindo compreender e

interpretar os dados evidenciados para ao final das correlações de modo opinar e relacionar as informações levantadas (OLIVEIRA, 2000). Será utilizada também a abordagem quantitativa,

que de acordo com Beuren (2006, p. 93) é utilizada quando se quer “[

garantir a precisão dos resultados, evitar distorções de análise e interpretação, possibilitando uma margem de segurança, quanto às inferências feitas.

Quanto aos objetivos, a pesquisa caracteriza-se como descritiva, já que o propósito maior do trabalho será analisar qual a utilização da contabilidade para controle das finanças pessoais, sendo que o direcionamento é voltado aos egressos do curso.

Quanto aos procedimentos de pesquisa, foi utilizada a pesquisa bibliográfica para compilar

teorias dos principais autores sobre a contabilidade e finanças, e a de campo, para identificar

se na visão dos egressos a Contabilidade é tida como um instrumento de controle das finanças pessoais, por meio da aplicação de questionários.

O estudo abordado tem como população da pesquisa 43 egressos do curso de Ciências

Contábeis, sendo que a amostra constitui-se de 21 egressos (49% da população).

A referida pesquisa teve a aprovação para execução pelo comitê de Ética em Pesquisa por

envolver em sua população/amostra seres humanos, encaminhado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade, conforme CAAE 22965013.0.0000.5366.

A análise de dados e os resultados demonstrados foram tabulados através do auxílio do Excel que possibilitou a criação dos gráficos, para posterior leitura analítica das informações obtidas.

4 Apresentação, análise e interpretação dos dados

Inicialmente, foi levantado o perfil dos respondentes da pesquisa, considerando as seguintes categorias: gênero, idade, estado civil, atuação profissional e renda familiar, conforme demonstrado na Tabela 1.

ter a intenção de

]

Perfil

Nº Respondentes

% Respondentes

GÊNERO Feminino Masculino IDADE De 20 a 30 anos De 30 a 40 anos Mais de 40 anos ESTADO CIVIL Solteiro Casado ATUAÇÃO PROFISSIONAL Na área contábil Em outras áreas RENDA FAMILIAR De 3 a 4 salários mínimos Acima de 4 salários mínimos

16

76%

5

24%

16

76%

4

19%

1

5%

16

76%

5

24%

16

76%

5

24%

7

33%

14

67%

Fonte: Dados da pesquisa (2014)

Tabela1 - Perfil dos egressos

Verifica-se portanto, que a maioria dos egressos que responderam ao questionário são do sexo feminino, jovens, na faixa etária dos 20 a 30 anos, solteiros, tem renda mensal acima de 04 salários mínimos e trabalham na área contábil.

Percebe-se também, que ao término da graduação os respectivos egressos mantiveram-se ou inseriram-se no ramo de formação, de modo que aplicam o conhecimento adquirido no curso, portanto, pode-se verificar que tem o convívio diário com os instrumentos contábeis que podem de alguma forma auxiliar na aplicabilidade das finanças pessoais.

Após verificar o perfil dos respondentes, será possível analisar as demais questões relacionadas ao tema Finanças Pessoais, de modo a responder a questão de pesquisa desse trabalho.

Primeiramente, buscou-se identificar o nível de conhecimentos dos participantes, de modo que a primeira questão solicitou que os egressos definissem seu grau de conhecimento sobre o tema Finanças Pessoais. Do total dos respondentes, 90% afirmam ter conhecimento médio sobre o assunto e 10% definiram como sendo alto esse grau de conhecimento. Neste contexto, é possível identificar que os respondentes tem conhecimento/informação para administrar as finanças pessoais, contudo não é possível afirmar que o fazem. De acordo com Ross, Westerfield e Jordan (2011) é por meio dos conhecimentos básicos de finanças que o indivíduo poderá saber qual a proporção de um crédito a ser tomado ou uma dívida a ser assumida. Em função disso, cabe salientar que uma das razões para conhecer e estudar finanças é o fato de que é por meio dela que é possível tomar decisões financeiras importantes tanto no âmbito empresarial quanto no pessoal.

Considerando que o grau de conhecimento sobre o tema é de nível bom/elevado, buscou-se identificar qual é a principal fonte de conhecimento. Os egressos tinham cinco opções para elencarem uma ordem de importância, sendo 5 de maior importância e 1 de menor importância. Para melhor compreensão dos dados coletados foi elaborado uma média ponderada, sendo que foi apontada como a principal fonte de conhecimento a faculdade (3,05), seguida pela educação familiar (2,95), palestras e seminários (1,40), educação escolar (1,40) e televisão/internet (1,25). Foi possível identificar que a faculdade e a educação familiar são as principais fontes de conhecimentos ao relacionar o assunto finanças. Isso vem ao encontro com o que afirma Laffin (2005, p. 25) “para educar na perspectiva da multidimensionalidade humana, o professor de contabilidade deverá conceber que suas ações devem ultrapassar os limites da transmissão de conteúdos contábeis e a sua relação com outras áreas do saber”. Em relação à educação familiar, o Banco Central do Brasil (2013, p. 23) afirma que ”A participação e o comprometimento de cada membro da família são imprescindíveis para o sucesso do projeto de gestão financeira familiar responsável”.

Após identificar quais as fontes de conhecimento sobre finanças pessoais, colocou-se em

questão se os egressos realizam planejamento financeiro pessoal, qual é a forma de realização

e se conseguem colocá-lo em prática para melhor administrar e controlar suas

disponibilidades/recursos. Os resultados demonstram que 90% dos egressos dos egressos realizam seu planejamento financeiro e apenas 10% não realizam. E em sua maioria (95%) conseguem colocá-lo em prática. Realizar um planejamento financeiro pessoal consiste em organizar informações importantes visando à saúde financeira no controle e gestão das finanças pessoais. É preciso estabelecer metas, objetivos, prazos e meios. Sobre isso

Frankenberg (1999) afirma que o planejamento financeiro pessoal significa estabelecer e seguir uma estratégia para acumulação de bens de bens e valores que formarão o patrimônio

de uma pessoa e de sua família. Essa estratégia pode estar voltada para curto, médio ou longo

prazo. As respostas dos egressos revelam que não só fazem o planejamento, mas também estão preocupados com o acompanhamento, as revisões e adaptações, caso necessárias. Sobre

isso o Banco Central do Brasil (2013, p. 19) ressalta que “é necessário ter um controle efetivo das receitas e despesas, bem como se organizar e definir o que tem de ser feito, de modo a alcançar os objetivos em menos tempo e ao menor custo possível”. Ainda atrelado ao planejamento financeiro para aqueles que responderam que o fazem, visava-se identificar como este é feito, quais ferramentas que os egressos respondentes utilizavam. A maioria respondeu que usa a planilha Excel (80%), fluxo de caixa (10%), DRE (5%) e outros (5%). Percebe-se que apesar de 90% dos respondentes afirmarem que o grau de conhecimento sobre finanças pessoais é alto/médio, boa parte destes utilizam uma ferramenta simples: uma planilha feita no Excel. Como todos são do curso de Ciências Contábeis e a maioria atua no ramo, surpreende que poucos se utilizem de ferramentas contábeis como o fluxo de caixa e o DRE. Isso pode ser explicado em função de certa dificuldade de compreensão das ferramentas disponíveis, que se fossem de fato utilizadas em sua plenitude certamente trariam os melhores resultados. Nesse sentido, Iudicibus et al. (1995) enfatiza que a Contabilidade não deixa de desempenhar seu papel de organização e controle das finanças também no caso dos patrimônios individuais. Frequentemente as pessoas se esquecem de que alguns conhecimentos de Contabilidade podem contribuir muito no controle, ordem e equilíbrio de seus orçamentos domésticos.

A quinta questão buscou conhecer, ainda sobre o planejamento financeiro pessoal, o benefício que ele traz ao realizá-lo, elencados também pelo grau de importância (escala de 0 a 5):

favorece uma melhor administração dos recursos disponíveis (3,47); evita endividamento futuro (3,09); permite identificar o que é mais importante ao administrar os recursos (2,22), e permite conhecer as ferramentas disponíveis para controle financeiro (1,11). Constatou-se que os itens de maior importância assinalados pelos egressos respondentes são de que o planejamento financeiro pessoal, quando realizado, favorece uma melhor administração dos recursos disponíveis e evita endividamento futuro. Tal resultado vem ao encontro do que explica Macedo Jr. (2007, p. 34) “Organizar as contas também mostra a real dimensão de sua saúde financeira e quais são os hábitos de consumo. Possibilita que você diminua seus gastos ao cortar desperdícios e pagamento de juros e poupe para investir”.

A sexta questão visou identificar com que frequência os egressos respondentes procuram obter informações sobre o tema “finanças pessoais”. Interessante destacar que 62%, mais da metade, relatam que só procuram quando precisam e apenas 29% procuram sempre obter informações sobre o assunto. Porém, apesar de afirmarem ser importante/muito importante obter regularmente informações sobre finanças pessoais, a grande maioria (62%), afirma que busca informações somente quando precisa.

Na sequência, buscou-se identificar se as informações disponíveis e repassadas no Curso de Ciências Contábeis lhe ajudaram a manter controle e boa saúde financeira. As respostas revelaram que muitos têm por hábito planejar constantemente suas finanças (44%); que conseguem ter controle de suas finanças com auxílio do aprendizado do curso (29%); mas alguns planejam mas não monitoram (11%), outros que realizam controle, mas sem planejar (8%), e ainda que há dificuldades em aplicar as ferramentas (8%).

Além de identificar tais hábitos, buscou-se saber se o estudo da contabilidade fez com que os egressos respondentes adequassem ferramentas em seu cotidiano para ter um melhor planejamento e controle financeiro, a maioria respondeu que parcialmente (47%), que sim (43%), não e talvez (5% cada). Tal resultado demonstra que apesar da contabilidade e do planejamento financeiro serem excelentes ferramentas, isso quer dizer que é preciso utilizar o conhecimento, as técnicas e as ferramentas contábeis e financeiras, de forma a educar-se financeiramente e desenvolver controles financeiros que atendam as suas necessidades. Ainda nessa questão, os egressos responderam a respeito da contribuição que estudo da contabilidade lhe proporcionou, sendo que 48% responderam que se houvesse disciplina

voltada para ao tema de finanças pessoais seria mais proveitoso; 39% que o estudo da Contabilidade fez com que conseguisse ampliar seu conhecimento sobre finanças pessoais, e 13% que lhe favoreceu na prática diária para controle de suas finanças pessoais. Sobre essa realidade Pires (2005) afirma que as finanças pessoais deveriam ser enfatizadas desde o ensino fundamental, para que os jovens começassem a visualizar a importância de uma boa gestão do patrimônio pessoal. Em relação aos acadêmicos de Contabilidade, reforça a necessidade de iniciar já em fase acadêmica a aplicação da Contabilidade em sua gestão pessoal, aumentando suas chances de sucesso financeiro e visualizando a Ciência Contábil sendo aplicada na prática. Além disso, é um bom ramo de atuação, sendo mais uma opção no mercado de trabalho para os profissionais dessa área, podendo atuar como planejadores e consultores financeiros de patrimônios individuais.

Os egressos também foram questionados se, após a realização e conclusão do curso de Ciências Contábeis, era possível afirmar que a Contabilidade é uma ciência com nível de aplicação às finanças elevado, reduzido, parcial ou inexistente de complexidade. Identificou- se que a maioria, 67%, julga ser parcialmente complexo, 28% com nível elevado de complexidade e apenas 5% com nível reduzido. Também foi perguntado como consideram, atualmente, seu nível de controle financeiro pessoal após concluir a graduação. Interessante destacar que apenas 10% afirma ser excelente, a maioria, 76% considera como bom, apenas 10% como regular e 4% como ruim.

Por fim, foram questionados se fazem algum tipo de planejamento financeiro futuro. Mais da metade (57%) respondeu que sim, o que pode ser considerado como um percentual baixo, tendo em vista os benefícios que o planejamento financeiro pode trazer futuramente.

5 Considerações Finais

Considerando o objetivo delimitado para essa pesquisa de “Analisar qual é a utilização da contabilidade no controle das finanças pessoais na percepção dos egressos do curso de Ciências Contábeis de uma universidade comunitária do norte de Santa Catarina”, verificou- se que, na percepção dos egressos pesquisados, de modo geral, a Contabilidade permite agregar seus conceitos e princípios, assim como auxilia na tomada de decisão quanto às finanças pessoais; tanto que afirmam que fazem uso das técnicas e do conhecimento contábil existente para ter maior controle da vida financeira pessoal, porém, destacando que a Contabilidade é uma ciência parcialmente complexa o que pode dificultar a sua utilização para controle das finanças pessoais.

Esses resultados ficam evidenciados, pois a maioria dos egressos considera que possui um grau de conhecimento bom/elevado sobre finanças pessoais; que a faculdade, a educação familiar são as principais fontes de conhecimento sobre esse tema; que praticamente todos realizam um planejamento financeiro pessoal, que este acontece em sua maioria de forma individual e que praticamente a maioria consegue colocar em prática o que planejou; que a ferramenta mais utilizada para o planejamento financeiro pessoal é a planilha do Excel; que os principais benefícios que a realização do planejamento financeiro pessoal traz é o favorecimento de uma melhor administração dos recursos disponíveis e que evita endividamento futuro; que a maioria procura obter informações apenas quando precisa, sobre finanças pessoais; que as informações repassadas no curso de Ciências Contábeis os ajuda a manter o controle e boa saúde financeira; que se consegue ter controle de suas finanças com auxilio do aprendizado no curso de Ciências Contábeis; que tem por hábito planejar constantemente suas finanças; o estudo da contabilidade fez com que se adequasse ferramentas no cotidiano para ter melhor planejamento e controle financeiro; que o estudo da contabilidade fez com que fosse possível ampliar o conhecimento sobre o tema e que se houvesse uma disciplina direcionada a este seria mais proveitoso; a contabilidade é tida como

uma ciência com nível de aplicação às finanças parcialmente complexo; o nível de controle financeiro pessoal após a conclusão da graduação em Ciências Contábeis é bom/excelente; que se faz planejamento financeiro futuro.

Diante do exposto, este estudo ficará como contribuição para próximos e propõe-se como sugestão para futuras análises, projetos de pesquisa e/ou de extensão, pesquisar a percepção dos docentes da área contábil acerca da utilização da contabilidade no controle das finanças pessoais, de modo a analisar os dados comparativamente à percepção identificada com os egressos.

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