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Material Teórico Direito das Coisas Direitos Reais Conteudista Responsável: Profª Marlene Lessa cod CoisasCDSG1602_ a03
Material Teórico Direito das Coisas Direitos Reais Conteudista Responsável: Profª Marlene Lessa cod CoisasCDSG1602_ a03

Material Teórico

Direito das Coisas

Direitos Reais

Conteudista Responsável: Profª Marlene Lessa

cod CoisasCDSG1602_ a03

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Propriedade Móvel A propriedade também recai sobre bens móveis e semoventes, sendo transferida pela TRADIÇÃO

Propriedade Móvel

A propriedade também recai sobre bens móveis e semoventes, sendo transferida pela TRADIÇÃO (ou seja, pela entrega da coisa pelo vendedor ao comprador).

(ou seja, pela entrega da coisa pelo vendedor ao comprador). Art. 1.226. Os direitos reais sobre

Art. 1.226. Os direitos reais sobre coisas móveis, quando constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com a tradição.

Modos de Aquisição

Originário não existe vínculo anterior entre o proprietário anterior e o atual. Ex. ocupação do bem;

Derivado há um liame jurídico entre o dono anterior e o que adquire o bem. Ex. direito hereditário.

Meios de aquisição e perda da propriedade móvel

Quando uma pessoa adquire a propriedade de um bem simultaneamente alguém a perde, daí dizer que os meios para aquisição e perda da propriedade móvel serem os mesmos:

a. Da ocupação - art. 1.263 do CC:

serem os mesmos: a. Da ocupação - art. 1.263 do CC: Art. 1.263. Quem se assenhorear

Art. 1.263. Quem se assenhorear de coisa sem dono para logo lhe adquire a propriedade, não sendo essa ocupação defesa por lei.

Termos utilizados: “res nullius” (coisa de ninguém, nunca ninguém se apropriou daquilo) ou “res derelictae” (coisa abandonada pelo dono por não mais convir mantê-la consigo. Ex. cavalos bravos, enxames de abelhas, coisas de navios afundados).

b. Do tesouro art. 1264 do CC:

Art. 1.265. O tesouro pertencerá por inteiro ao proprietário do prédio, se for achado por ele, ou em pesquisa que ordenou, ou por terceiro não autorizado.

Art. 1.266. Achando-se em terreno aforado, o tesouro será dividido por igual entre o descobridor e o enfiteuta, ou será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor.

será deste por inteiro quando ele mesmo seja o descobridor. c. Da especificação - é o

c. Da especificação - é o modo de aquisição, mediante transformação de coisa móvel em espécie nova, em virtude do trabalho ou da indústria do especificador, dede que não seja possível restituí-la sua forma primitiva. A especificação é gerada pelo trabalho humano. Ex. Escultura em pedra ou madeira, etc.

d. Da confusão (mistura de coisas líquidas ex. álcool com gasolina), da comistão (mistura de coisas sólidas - ex. grãos de soja de proprietários diferentes) e da adjunção (ocorre a justaposição de uma coisa à outra - ex. estampa de tecido colocado em peça de roupa) art. 1272 do CC:

de tecido colocado em peça de roupa) – art. 1272 do CC: Art. 1.272. As coisas

Art. 1.272. As coisas pertencentes a diversos donos, confundidas, misturadas ou adjuntadas sem o consentimento deles, continuam a pertencer-lhes, sendo possível separá-las sem deterioração.

§ 1o Não sendo possível a separação das coisas, ou exigindo dispêndio

excessivo, subsiste indiviso o todo, cabendo a cada um dos donos quinhão proporcional ao valor da coisa com que entrou para a mistura ou agregado.

§ 2o Se uma das coisas puder considerar-se principal, o dono sê-lo-á do todo, indenizando os outros.

e. Da tradição é a entrega material da coisa (entrega de um vaso de flores) ou de um ato representativo da transferência do bem (chaves do carro) ou, ainda, pela transferência ficta do bem (constituto possessório):

pela transferência ficta do bem (constituto possessório): Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere

Art. 1.267. A propriedade das coisas não se transfere pelos negócios jurídicos antes da tradição.

Parágrafo único. Subentende-se a tradição quando o transmitente continua a possuir pelo constituto possessório; quando cede ao adquirente o direito à

restituição da coisa, que se encontra em poder de terceiro; ou quando o adquirente já está na posse da coisa, por ocasião do negócio jurídico.

O constituto possessório significa que o proprietário antigo

transferiu o bem, mas passa a possuí-lo em nome alheio. Ex. vendeu o carro para uma locadora de veículos mas continua a usa-

lo alugando-o.

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f. Usucapião – bens móveis podem ser usucapidos:  Ordinário – prazo de 3 anos

f. Usucapião bens móveis podem ser usucapidos:

Ordinário prazo de 3 anos ininterruptos, com justo título e boa-fé - art. 1.260 do CC:

com justo título e boa-fé - art. 1.260 do CC: Art. 1.260. Aquele que possuir coisa

Art. 1.260. Aquele que possuir coisa móvel como sua, contínua e incontestadamente durante três anos, com justo título e boa-fé, adquirir- lhe-á a propriedade.

Extraordinário prazo de 5 anos ininterruptos, independentemente de justo título e boa fé - art. 1.261 do CC:

Art. 1.261. Se a posse da coisa móvel se prolongar por cinco anos, produzirá usucapião, independentemente de título ou boa-fé.

usucapião, independentemente de título ou boa-fé. Observações Direitos de Vizinhança São as limitações

Observações

Direitos de Vizinhança

São as limitações impostas pela legislação, com o objetivo de conciliar interesse de proprietários vizinhos, reduzindo os poderes inerentes ao domínio na busca da harmonia social.

O usual é a convivência pacífica, mas há atitudes e situações que punem

o uso anormal da propriedade:

Espécies

Uso nocivo da propriedade é o mau uso da propriedade, causando transtorno aos vizinhos. Ex. ofensa à segurança (ex. trepidação de máquinas de uma indústria no solo, causando fendas no vizinho), ao sossego (ex. barulho excessivo de clubes, escolas de samba, boates, etc.) e a saúde alheios (ex. animais criados em condições de pouca higiene, emissão de gases ou fumaça na indústria, etc.):

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Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer
Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer

Art. 1.277. O proprietário ou o possuidor de um prédio tem o direito de fazer cessar as interferências prejudiciais à segurança, ao sossego e à saúde dos que o habitam, provocadas pela utilização de propriedade vizinha.

Parágrafo único. Proíbem-se as interferências considerando-se a natureza da

utilização, a localização do prédio, atendidas as normas que distribuem as edificações em zonas, e os limites ordinários de tolerância dos moradores da vizinhança.

Art. 1.280. O proprietário ou o possuidor tem direito a exigir do dono do prédio vizinho a demolição, ou a reparação deste, quando ameace ruína, bem como que lhe preste caução pelo dano iminente.

Art. 1.281. O proprietário ou o possuidor de um prédio, em que alguém tenha direito de fazer obras, pode, no caso de dano iminente, exigir do autor delas as necessárias garantias contra o prejuízo eventual.

Das árvores limítrofes art. 1.282 do CC

 Das árvores limítrofes – art. 1.282 do CC Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver

Art. 1.282. A árvore, cujo tronco estiver na linha divisória, presume-se pertencer em comum aos donos dos prédios confinantes.

Art. 1.283. As raízes e os ramos de árvore, que ultrapassarem a estrema do prédio, poderão ser cortados, até o plano vertical divisório, pelo proprietário do terreno invadido.

Art. 1.284. Os frutos caídos de árvore do terreno vizinho pertencem ao dono do solo onde caíram, se este for de propriedade particular.

Da passagem forçada art. 1285 do CC

particular.  Da passagem forçada – art. 1285 do CC Art. 1.285. O dono do prédio

Art. 1.285. O dono do prédio que não tiver acesso a via pública, nascente ou porto, pode, mediante pagamento de indenização cabal, constranger o vizinho a lhe dar passagem, cujo rumo será judicialmente fixado, se necessário.

§ 1o Sofrerá o constrangimento o vizinho cujo imóvel mais natural e facilmente se prestar à passagem.

§ 2o Se ocorrer alienação parcial do prédio, de modo que uma das partes perca o acesso a via pública, nascente ou porto, o proprietário da outra deve tolerar a passagem.

§ 3o Aplica-se o disposto no parágrafo antecedente ainda quando, antes da alienação, existia passagem através de imóvel vizinho, não estando o proprietário deste constrangido, depois, a dar uma outra.

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 Da passagem de cabos e tubulações – art. 1.286 do CC Art. 1.286. Mediante

Da passagem de cabos e tubulações art. 1.286 do CC

Da passagem de cabos e tubulações – art. 1.286 do CC Art. 1.286. Mediante recebimento de
Da passagem de cabos e tubulações – art. 1.286 do CC Art. 1.286. Mediante recebimento de

Art. 1.286. Mediante recebimento de indenização que atenda, também, à desvalorização da área remanescente, o proprietário é obrigado a tolerar a passagem, através de seu imóvel, de cabos, tubulações e outros condutos subterrâneos de serviços de utilidade pública, em proveito de proprietários vizinhos, quando de outro modo for impossível ou excessivamente onerosa.

Parágrafo único. O proprietário prejudicado pode exigir que a instalação seja feita de modo menos gravoso ao prédio onerado, bem como, depois, seja removida, à sua custa, para outro local do imóvel.

Art. 1.287. Se as instalações oferecerem grave risco, será facultado ao proprietário do prédio onerado exigir a realização de obras de segurança.

Das águas art. 1.288 do CC

Art. 1.288. O dono ou o possuidor do prédio inferior é obrigado a receber as águas que correm naturalmente do superior, não podendo realizar obras que embaracem o seu fluxo; porém a condição natural e anterior do prédio inferior não pode ser agravada por obras feitas pelo dono ou possuidor do prédio superior.

Art. 1.293. É permitido a quem quer que seja, mediante prévia indenização aos proprietários prejudicados, construir canais, através de prédios alheios, para receber as águas a que tenha direito, indispensáveis às primeiras necessidades da vida, e, desde que não cause prejuízo considerável à agricultura e à indústria, bem como para o escoamento de águas supérfluas ou acumuladas, ou a drenagem de terrenos.

Dos limites entre os prédios e tapagem art. 1.297 do CC

limites entre os prédios e tapagem – art. 1.297 do CC Art. 1.297. O proprietário tem

Art. 1.297. O proprietário tem direito a cercar, murar, valar ou tapar de qualquer modo o seu prédio, urbano ou rural, e pode constranger o seu confinante a proceder com ele à demarcação entre os dois prédios, a aviventar rumos apagados e a renovar marcos destruídos ou arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas despesas.

§ 1o Os intervalos, muros, cercas e os tapumes divisórios, tais como sebes vivas, cercas de arame ou de madeira, valas ou banquetas, presumem-se, até prova em contrário, pertencer a ambos os proprietários confinantes, sendo estes obrigados, de conformidade com os costumes da localidade, a concorrer, em partes iguais, para as despesas de sua construção e conservação.

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Em havendo dúvida sobre os limites é possível o ajuizamento da ação demarcatória.  Direito

Em havendo dúvida sobre os limites é possível o ajuizamento da ação demarcatória.

Direito de construir art. 1.299 do CC:

 Direito de construir – art. 1.299 do CC: Art. 1.299. O proprietário pode levantar em

Art. 1.299. O proprietário pode levantar em seu terreno as construções que lhe aprouver, salvo o direito dos vizinhos e os regulamentos administrativos.

O direito de construção não pode prejudicar terceiros, sob pena de

indenização.

Condomínio

Ocorre quando os direitos elementares de proprietário pertencem a mais de um titular.

elementares de proprietário pertencem a mais de um titular. Art. 1.314. Cada condômino pode usar da

Art. 1.314. Cada condômino pode usar da coisa conforme sua destinação, sobre ela exercer todos os direitos compatíveis com a indivisão, reivindicá-la de terceiro, defender a sua posse e alhear a respectiva parte ideal, ou gravá-la.

Parágrafo único. Nenhum dos condôminos pode alterar a destinação da coisa

comum, nem dar posse, uso ou gozo dela a estranhos, sem o consenso dos outros.

Condomínio Edilício art. 1331 e seguintes do CC

Condomínio Edilício – art. 1331 e seguintes do CC Art. 1.331. Pode haver, em edificações, partes

Art. 1.331. Pode haver, em edificações, partes que são propriedade exclusiva, e partes que são propriedade comum dos condôminos.

1 o As partes suscetíveis de utilização independente, tais como apartamentos, escritórios, salas, lojas e sobrelojas, com as respectivas frações ideais no solo e nas outras partes comuns, sujeitam-se a propriedade exclusiva, podendo ser alienadas e gravadas livremente por seus proprietários, exceto os abrigos para

veículos, que não poderão ser alienados ou alugados a pessoas estranhas ao condomínio, salvo autorização expressa na convenção de condomínio. (Redação dada pela Lei nº 12.607, de 2012)

§ 2o O solo, a estrutura do prédio, o telhado, a rede geral de distribuição de água, esgoto, gás e eletricidade, a calefação e refrigeração centrais, e as demais partes comuns, inclusive o acesso ao logradouro público, são utilizados em comum pelos condôminos, não podendo ser alienados separadamente, ou divididos.

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Direitos Reais A propriedade é o único direito real sobre coisa própria. Possui os elementos

Direitos Reais

A propriedade é o único direito real sobre coisa própria. Possui os elementos constitutivos de uso, gozo, disposição e reivindicação.

Quando o bem estiver sob poder (para uso ou gozo) de outrem, que não o proprietário, fala-se em direito real sobre coisa alheia (Tal direito é o que afeta coisa direta e imediatamente, sob certos respeitos, e a segue em poder de quem quer que a detenha- Lafayette Pereira).

Constituição do Direito Real Entre Vivos

Os direitos reais sobre coisas alheias móveis só são adquiridos com a tradição, ou seja, com a efetiva entrega do bem. Os direitos reais sobre coisas alheias imóveis, constituídos ou transmitidos por ato entre vivos só são adquiridos depois da transcrição ou da inscrição, no Registro de Imóveis, dos referidos títulos (art. 1.227 do CC). Portanto os titulares de direitos reais têm a possibilidade de exercer seus direitos para que toda a sociedade saiba (“erga omnes” – todos os homens).

Espécies dos Direitos Reais sobre Coisas Alheias

1. Direito Real De Aquisição É o direito do promitente comprador, que havia estabelecido em compromisso ou promessa irretratável, a venda de um bem imóvel, como disposto no artigo 1.417 do CC:

de um bem imóvel, como disposto no artigo 1.417 do CC : Art. 1.417. Mediante promessa

Art. 1.417. Mediante promessa de compra e venda, em que se não pactuou arrependimento, celebrada por instrumento público ou particular, e registrada no Cartório de Registro de Imóveis, adquire o promitente comprador direito real à aquisição do imóvel.

Art. 1.418. O promitente comprador, titular de direito real, pode exigir do promitente vendedor, ou de terceiros, a quem os direitos deste forem cedidos, a outorga da escritura definitiva de compra e venda, conforme o disposto no instrumento preliminar; e, se houver recusa, requerer ao juiz a adjudicação do imóvel.

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2. Direitos Reais de Gozo ou Fruição O titular tem a autorização de usar e

2. Direitos Reais de Gozo ou Fruição O titular tem a autorização de usar e gozar ou tão-somente usar de coisa alheia, abrangendo:

Da superfície (artigo 1.369 do C.C.) direito conferido para quem pretende plantar ou construir em terreno alheio.

Servidões Prediais (artigos 1.378 e ss do C.C.)

Usufruto (artigos 1.390 e ss do C.C.)

Uso (artigos 1.412 e ss. do C.C.)

Habitação (artigos 1.414 e ss do C.C.)

Vamos examiná-los mais de perto

SUPERFÍCIE

Direito real de fruição de coisa alheia, através do qual o proprietário concede a outrem (superficiário) o direito de construir ou plantar em seu terreno, por tempo determinado, a título gratuito ou oneroso, mediante escritura pública registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente. Este direito é transmissível por ato inter vivos ou causa mortis. Será extinta, se antes do termo final, o superficiário der destinação diversa ao terreno e, desta forma, o proprietário terá a propriedade plena do imóvel.

Em caso de desapropriação, a indenização será do proprietário e do superficiário, na proporção do direito real de cada um - art. 1.376 do CC.

DAS SERVIDÕES PREDIAIS

Dá-se servidão quando em dois prédios pertencentes a donos diversos, um suporta o ônus (serviente) a favor de outro (dominante) para melhorar seu aproveitamento por tempo indeterminado. Possui os seguintes elementos:

A servidão é uma relação entre dois prédios. Em rigor, as relações jurídicas estabelecem-se entre pessoas, que são os sujeitos ativos e passivos de direito, e não entre coisas, meros objetos do direito. Entretanto, em matéria de servidão, tem-se afirmado, imprecisamente, que ela se estabelece entre prédios, para sugerir que, uma vez criado esse direito real, ele se transmite a quem quer que seja o proprietário do prédio dominante, e onera o prédio serviente, seja que for seu dono. As obrigações do proprietário do prédio serviente são ”propter rem”, isto é, decorrem da relação da pessoa com a coisa e seguem esta última, vinculando seu dono, seja ele quem for.

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 A servidão envolve uma obrigação negativa. O dono do prédio serviente é obrigado a

A servidão envolve uma obrigação negativa. O dono do prédio serviente é obrigado a tolerar que o dominante dele se utilize, para certo fim, não pode obstruir o direito do outro prédio de usufruir do seu.

existência da servidão implica idéia de que os prédios pertencem

A

a

donos diversos. O prédio dominante usufrui algumas vantagens

do prédio serviente, pois se fosse do mesmo dono usufruiria todas

as vantagens. Quando os prédios pertencerem ao mesmo dono, teremos uma serventia.

Observações: é a servidão predial um direito real sobre bem imóvel alheio, de caráter acessório, perpétuo, indivisível e inalienável. Se inscrita no registro imobiliário terá efeito “erga omnes”, por ser um direito real. É um direito acessório, por implicar a existência de um direito principal, que é ser proprietário do prédio dominante e uma vez constituído por ser direito real, segue nas mãos de quem quer que venha a adquirir o domínio deste prédio. A servidão é perpétua no sentido de que é por prazo indeterminado e vai durar enquanto for útil ao prédio dominante. Nada impede que seja por termo ou condição, neste caso, ocorrendo o implemento do tempo ou o advento da condição a servidão extingue-se. A servidão é indivisível: pelo lado ativo ou de quem se beneficia, somente pode ser reclamada como um todo, ainda que o prédio dominante venha a ser propriedade de diversas pessoas; pelo lado passivo significa que o prédio serviente passa a diversos donos, por efeito de alienação ou herança, a servidão é una, e grava cada uma das partes em que se fracione o prédio serviente, salvo se por sua natureza ou destino só se aplicar a certa parte de um ou de outro (art. 1.386). A servidão não se perde e nem se adquire por partes, ela se exerce ou se perde por inteiro. A servidão é inalienável, no sentido de ser indispensável ao prédio dominante. As servidões se classificam:

Quanto ao seu exercício: contínuas e descontínuas.

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Quanto à exterioração : aparentes e não aparentes.  Será servidão contínua a que, uma

Quanto à exterioração: aparentes e não aparentes.

Será servidão contínua a que, uma vez estabelecida, subsiste e exerce-se independentemente de ato humano, em que pese, possa sofrer interrupção, por exemplo, a servidão de energia elétrica, a de passagem de água. Será descontínua aquela que necessita para seu funcionamento da intervenção do homem, como a de trânsito, a de tirar água.

Servidão aparente é a que aparece, sua existência é exteriorizada, são visíveis. Por exemplo, a de aqueduto, onde todos notam sua existência.

Servidão não aparente são as que não se revelam por obras externas, como a de não edificar acima de certa altura.

A servidão não se presume (art. 1.378). Sua constituição resulta de

contrato, de testamento ou de sentença judicial, por destinação do proprietário e pelo usucapião. As servidões não aparentes só podem ser estabelecidas por meio de transcrição no Registro de Imóvel (art. 1.378). Quis o legislador ressaltar que, se ela não for aparente, não será objeto de usucapião, portanto, somente existirá se transcrita no Registro de Imóveis.

A servidão é direito real suscetível de posse, portanto, o interessado

poderá lançar mão dos interditos possessórios.

Ação confessória é a que visa a alcançar o reconhecimento da servidão junto ao dono do prédio serviente.

Ação negatória é a que possibilita ao dono do prédio serviente negar a existência de servidão.

USUFRUTO

É o direito real que alguém tem sobre coisa alheia de usar e gozar, sem

alterar-lhe sua substância, por determinado tempo. As partes são:

usufrutuário (tem direito de uso e gozo da propriedade alheia) e nu- proprietário (é o dono, o detentor do domínio e quem tem direito de disposição sobre o bem). Pode ser estabelecido por lei, contrato, testamento, sobre bens especificados ou universalidade de bens (como a herança). O usufruto vitalício importa na utilização do bem enquanto viver o usufrutuário, o temporário dá prazo, convencionado pelas partes, para utilização do bem e o simultâneo ocorre quando o usufruto é instituído para beneficiar várias pessoas, extinguindo-se, gradativamente, em relação a cada uma das que falecerem - art. 1.411, CC.

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 Características o direito real sobre coisa alheia; o uso e gozo; o temporário; o

Características

o

direito real sobre coisa alheia;

o

uso e gozo;

o

temporário;

o

Inalienável;

USO

É um direito real sobre coisa alheia, onde o beneficiário somente pode

usar a coisa dentro de sua necessidade e de sua família. As partes são:

constituinte e usuário. Pode ser instituído por ato “inter vivos” ou “causa mortis”, sentença judicial e usucapião.

Características

o

direito real sobre coisa alheia;

o

temporário;

o

indivisível;

o

intransmissível ou incessível (o direito e o exercício não podem ser cedidos);

o

personalíssimo (o direito do usuário não passa para os herdeiros).

HABITAÇÃO

É um direito real sobre coisa alheia, onde o titular do direito e sua família

ocupam, gratuitamente, casa alheia para a moradia. O objeto é bem imóvel, ou seja, casa ou apartamento, para proporcionar moradia gratuita, não podendo ser utilizado para fins comerciais; Deverá constar no registro imobiliário (Lei n. 6015/73, art. 167, I , n° 7). Pode ser instituído por ato “inter vivos” ou “causa mortis”.

Características

o

direito real sobre coisa alheia (limitado)

o

personalíssimo;

o

temporário;

o

indivisível;

o

intransmissível;

o

gratuito.

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3. Direitos Reais de Garantia (Artigos 1.419 e seguintes do C.C.) O patrimônio do devedor

3. Direitos Reais de Garantia (Artigos 1.419 e seguintes do C.C.)

O patrimônio do devedor responde por seus débitos. Nas sociedades primitivas, respondia o devedor com a sua pessoa, ou seja, era o seu corpo que respondia e, se fossem vários credores, era repartido em pedaços proporcionais às dívidas. Em 326 a.C, com advento da Lex poetelia papiria, foi abolida a execução contra a pessoa, respondendo somente seu patrimônio pelo débito.

Espécies de garantias:

a. Fidejussória ou pessoal - tem o credor um título assinado por outrem que lhe assegure que, se o devedor não cumprir sua obrigação, ele a satisfará (fiança / fiador ou aval / avalista);

b. Real - consiste em o devedor, ou alguém por ele, destinar um bem para garantir o cumprimento da obrigação. Não cumprida a obrigação o bem será executado. Não proporciona ao credor o direito de usar e gozar da coisa gravada e tampouco de usufruir de seus frutos e produtos. Fica para o credor uma situação cômoda, pois poderá executar o bem quando o devedor não pagar a dívida.

São garantias reais:

Só quem pode dispor do bem é quem pode dar garantia real (proprietário)

penhor;

anticrese;

hipoteca;

propriedade fiduciária.

A garantia real é indivisível, pois quando existe uma coisa comum pertencente a dois ou mais proprietários, estes não poderão dar em garantia senão em comum acordo.

Os contratos deverão conter as seguintes cláusulas, sob pena de não ter efeito “erga omnes”: valor total da dívida, ou sua estimação; prazo fixado para pagamento; taxa dos juros, se houver; a coisa dada em garantia, com as suas especificações (artigo 761 do CC).

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A dívida considera-se vencida: a. por deterioração ; se: deteriorando-se ou depreciando-se a coisa dada

A dívida considera-se vencida:

a. por deterioração; se: deteriorando-se ou

depreciando-se a coisa dada em segurança, desfalcar

a garantia, e o devedor, intimado, não reforçá-la.

b. devedor insolvente; o devedor cair em insolvência ou

falir;

c. se as prestações não forem pagas; Neste caso, o recebimento posterior da prestação atrasada importa renúncia do credor ao seu direito de execução imediata.

d. se preceder o objeto dado em garantia.

e. se for desapropriada a coisa dada em garantia.

depositando-se parte do preço que for necessária para

o pagamento integral do credor.

Vamos examiná-los mais de perto

PENHOR

Consiste na tradição de coisa móvel suscetível de alienação que o devedor ou terceiro que por ele faz ao credor ou seu representante, como garantia do adimplemento da dívida. Possui como elementos:

Caráter acessório: o penhor não tem vida própria, ou seja, para ter existência depende de um contrato.

Capacidade do devedor: não basta a capacidade genérica: é imprescindível a capacidade de alienação, pois o penhor é um início de alienação.

Direito real: vincula o objeto à satisfação com efeito erga omnes, e é munido de ação real e de seqüela.

Tradição: é fundamental que a coisa seja entregue ao credor, salvo os penhores especiais.

Incidência sobre coisa móvel: é indispensável a tradição. Não deve esse elemento ser visto com rigor, uma vez que a lei admite o penhor agrícola, que dispensa a tradição e incide sobre imóvel.

Ser objeto alienável: o penhor é um princípio de alienação, uma vez que, se a obrigação não forma honrada, o objeto será executado.

Obs.: O penhor é um contrato solene, portanto formal, devendo ser pelo menos constituído de um instrumento particular, ou seja escrito.

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Espécies de penhor: O penhor pode ser comum e especial . O penhor comum (tradicional)

Espécies de penhor:

O

penhor pode ser comum e especial.

O

penhor comum (tradicional) entende-se aquele que tem por

objeto coisa móvel, corpórea, que deve ser entregue ao credor ou ao seu representante pelo devedor ou alguém por ele, para segurança do credor. Deve ser transcrito no registro de títulos e documentos.

O penhor especial é subdividido em: penhor pecuário (de gado e

semoventes) e por ele dispensa-se a tradição, pois os bens empenhados continuarão em poder do devedor que é o seu proprietário e que fica como depositário e rural (compreende o penhor agrícola).

São objetos do penhor agrícola: bens móveis e imóveis por acessão.

Vamos recordar a classificação dos bens IMÓVEIS:

imóveis por sua natureza: o solo, a superfície, o subsolo e o espaço aéreo. Os acessórios e adjacências naturais, as árvores e os frutos pendentes (ainda não colhidos). As JAZIDAS, os RECURSOS MINERAIS e HIDRÁULICOS, conforme determina a Constituição Federal em seu art. 176 são propriedade DISTINTA do solo para exploração, lavra, estando a União autorizada a conceder ou autorizar seu aproveitamento no interesse nacional. O dono da terra tem direito à participação no fruto da lavra.

imóveis por acessão física ou artificial: acessão compreende o acréscimo ou aderência de uma coisa a outra. Bem imóvel por acessão física ou artificial é o produzido pelo homem que se incorpora ao solo. Ex. construção, concreto armado, plantação, ponte, viaduto.

imóveis por determinação legal: são aqueles que o artigo 80 do Código Civil entende como IMÓVEIS para fins legais:

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I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que o asseguram; Os direitos

I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que o asseguram;

Os direitos reais sobre imóveis envolvem os direitos que um titular possui sobre sua coisa, seu bem; São direitos de propriedade, de usufruto, de uso, de superfície e os que garantem desses direitos: de anticrese, de hipoteca com as respectivas ações de proteção: as ações reivindicatórias, hipotecárias etc.

II - o direito à sucessão aberta. Direitos sobre a sucessão aberta, que se configura como o conjunto de bens que constituem o patrimônio de pessoa falecida (“de cujus”), é o acervo da herança, do espólio. Se o herdeiro quiser RENUNCIAR à herança deve faze-lo por escritura pública ou por termo nos autos do processo. Se casado, o cônjuge deve autorizar a renúncia.

III Outros

o cônjuge deve autorizar a renúncia. III – Outros Art. 81 . Não perdem o caráter

Art. 81 . Não perdem o caráter de imóveis:

I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local.

A caixa d’água ou casa pré-fabricada (de madeira) que podem ser removidas sem alteração.

(de madeira) que podem ser removidas sem alteração. II - os materiais provisoriamente separados de um

II - os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem.

Também se constitui como bem imóvel o material provisoriamente destacado da construção para ser nela reempregado após conserto ou reparo, como por exemplo, janelas, tijolos, telhas, etc.

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Portanto, podem ser objeto de penhor agrícola os imóveis por acessão e: (artigo 1.442, CC)

Portanto, podem ser objeto de penhor agrícola os imóveis por acessão e:

(artigo 1.442, CC)

máquinas e instrumentos aratórios ou de locomoção;

colheitas pendentes, ou em via de formação no ano do contrato, quer resultem de prévia cultura, quer de produção espontânea do solo;

frutos armazenados, em ser, os beneficiados e acondicionados para a venda;

lenha cortada ou madeira das matas preparada para o corte;

animais do serviço ordinário de estabelecimento agrícola.

Outra espécie de penhor é o legal.

O penhor legal é o que decorre da lei para proteger determinadas pessoas em face da relação existente entre elas, para o resgate do seu crédito. Exemplo: as bagagens garantem o crédito do dono do hotel, se não for paga a estadia. Então o penhor decorre da lei, nestas situações:

estadia. Então o penhor decorre da lei, nestas situações: Art. 1.467. São credores pignoratícios, independentemente

Art. 1.467. São credores pignoratícios, independentemente de convenção:

I - os hospedeiros, ou fornecedores de pousada ou alimento, sobre as bagagens, móveis, jóias ou dinheiro que os seus consumidores ou fregueses tiverem consigo nas respectivas casas ou estabelecimentos, pelas despesas ou

consumo que aí tiverem feito;

II - o dono do prédio rústico ou urbano, sobre os bens móveis que o rendeiro ou inquilino tiver guarnecendo o mesmo prédio, pelos aluguéis ou rendas.

Ainda falando sobre as espécies de penhor, temos o de títulos de crédito ou caução.

Os títulos são bens incorpóreos e podem ser gravados com ônus pignoratício. Portanto, o credor pode oferecer o seu direito como garantia real do débito que contrair. A caução de título de crédito tem por objeto o próprio título que documenta o direito (cártula), pois o direito incorpora-se ao documento, materializando-se. Os títulos de créditos podem ser: títulos da dívida pública e de crédito particular; portador ou nominativo. Sendo títulos da dívida pública, a caução constitui-se mediante registro na repartição competente, dispensando, a lei, a tradição. SE, porém, o penhor incidir em obrigações ao portador, a tradição é necessária e deve ser averbado o penhor nas repartições competentes ou na sede da associação emissora, quando emitidos por bolsa.

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Temos dentre as espécies também o penhor industrial e mercantil - art. 1.447, CC: Art.

Temos dentre as espécies também o penhor industrial e mercantil - art. 1.447, CC:

também o penhor industrial e mercantil - art. 1.447, CC: Art. 1.447. Podem ser objeto de

Art. 1.447. Podem ser objeto de penhor máquinas, aparelhos, materiais, instrumentos, instalados e em funcionamento, com os acessórios ou sem eles; animais, utilizados na indústria; sal e bens destinados à exploração das salinas; produtos de suinocultura, animais destinados à industrialização de carnes e derivados; matérias-primas e

produtos industrializados.

Parágrafo único. Regula-se pelas disposições relativas aos armazéns gerais o penhor das mercadorias neles depositadas.

O penhor de veículos é outra espécie de penhor.

Penhor de veículos - art. 1.461, CC inovação do CC.

de veículos - art. 1.461, CC – inovação do CC. Art. 1.461. Podem ser objeto de

Art. 1.461. Podem ser objeto de penhor os veículos empregados em qualquer espécie de transporte ou condução.

Art. 1.462. Constitui-se o penhor, a que se refere o artigo antecedente, mediante instrumento público ou particular, registrado no Cartório de

Títulos e Documentos do domicílio do devedor, e anotado no certificado de propriedade.

Parágrafo único. Prometendo pagar em dinheiro a dívida garantida com o penhor, poderá o devedor emitir cédula de crédito, na forma e para os fins que a lei especial determinar.

ANTICRESE (art. 1.506 CC)

Tem por objeto um bem de raiz frugífera, o qual será entregue ao credor anticrético, caso a obrigação não tenha sido satisfeita, num prazo máximo de 15 anos. Para Clovis Beviláqua é o direito real sobre imóvel alheio, em virtude do qual o credor obtém a posse da coisa, a fim de perceber-lhe os frutos e imputa-los no pagamento da dívida, juros e capital, sendo, porém, permitido estipular que os frutos sejam, na sua totalidade, percebidos à conta de juros.

Direitos do credor anticrético

a. Tem direito o credor de, pessoalmente ou por arrendamento, fruir do imóvel até ser pago, fazendo seus os frutos e rendimentos (posse e retenção).

b. O credor anticrético pode vindicar os seus direitos contra o adquirente do imóvel, os credores quirografários e os hipotecários posteriores à transcrição da anticrese.

c. Goza de privilégios sobre outros credores e por isso, a lei confere-lhe poderes para sua defesa.

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Coexistência de Hipoteca e da anticrese O crédito anticrético pode se tornar hipotecário e o

Coexistência de Hipoteca e da anticrese O crédito anticrético pode se tornar hipotecário e o hipotecário pode se tornar anticrético. Ex. O bem hipotecado pode ser dado em anticrese ao credor hipotecário.

O credor anticrético responde (art. 1.508)

pela deterioração do bem (quando for por sua culpa)

quando deixar de perceber os frutos (por negligência)

pela prestação de contas da administração do imóvel onerado

HIPOTECA

É o direito real que incide sobre um bem imóvel, em que o devedor ou alguém por ele confere ao credor, para garantir o adimplemento de uma obrigação, com preferência sobre qualquer outro credor pelo pagamento da dívida. Na hipoteca, o devedor fica na posse do bem hipotecado.

Para Maria Helena Diniz é o direito real de garantia que grava coisa imóvel ou bem que a lei entende por hipotecável, pertencente ao devedor ou a terceiro, sem transmissão de posse ao credor, conferindo a este o direito de promover a sua venda judicial, pagando-se preferencialmente, se inadimplente o devedor.

Objeto

a.

Os imóveis (art. 79 do CC) solo com sua superfície;

b.

Acessórios dos imóveis (art. 92), conjuntamente com ele e adjacências naturais, como árvores, frutos pendentes, espaço aéreo, subsolo; tudo o que o homem lançar na terra, os edifícios e as construções.

c.

As estradas de ferro - direitos relativos a esse bem, serão registrados na comarca do início da linha, conforme a lei de Registros Públicos (art. 171 da Lei 6015/73 e art. 852 do CC).

d.

As minas e pedreiras - independentemente do solo onde se acham, vez que são propriedades distintas do solo e pertencentes à União.

e.

Os navios - em que pese serem bens móveis, por disposição legal, serão objeto também de hipoteca, ainda que em construção, pois estão vinculados a um porto.

f.

As aeronaves mesmo em construção, por disposição legal;

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Por acréscimo na lei: Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: VIII - o direito

Por acréscimo na lei:

Por acréscimo na lei: Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca: VIII - o direito de

Art. 1.473. Podem ser objeto de hipoteca:

VIII - o direito de uso especial para fins de moradia; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007)

IX - o direito real de uso; (Incluído pela Lei nº 11.481, de 2007)

X - a propriedade superficiária; e (Redação dada pela Medida Provisória nº 700, de 2015)

XI

- os direitos oriundos da imissão provisória na posse, quando

concedida à União, aos Estados, ao Distrito Federal, aos Municípios ou

às

suas entidades delegadas e respectiva cessão e promessa de

Princípios da Hipoteca

a. O da especialização consiste em discriminar detalhadamente o objeto da hipoteca, ou seja, especificar o montante da dívida, prazo, taxa de juros (quando houver), etc.

b. O da publicidade que é alcançada com o registro no cartório imobiliário (167, I, 2, da Lei 6015/73 de Registros Públicos) é através dele que terceiros não poderão alegar ignorância de sua existência.

Podem hipotecar

Os que tenham disponibilidade, ou seja, somente pode hipotecar, quem puder alienar, porque se a dívida não for honrada, o bem será executado. Não basta a capacidade, é necessário legitimidade, por ex. se casados, a autorização do consorte é imprescindível.

O tutor, curador ou representante legal só mediante autorização judicial.

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Espécies de Hipoteca  Convencional - é a que resulta de um contrato em que

Espécies de Hipoteca

Convencional - é a que resulta de um contrato em que o bem é dado como garantia da dívida;

Legal - é a lei que determina que certos bens devem servir de garantia a uma obrigação ou pelo cargo de administração ocupado por certas pessoas:

ou pelo cargo de administração ocupado por certas pessoas: Art. 1.489. A lei confere hipoteca: I

Art. 1.489. A lei confere hipoteca:

I - às pessoas de direito público interno (art. 41) sobre os imóveis pertencentes aos encarregados da cobrança, guarda ou administração dos respectivos fundos e rendas;

II - aos filhos, sobre os imóveis do pai ou da mãe que passar a outras núpcias, antes de fazer o inventário do casal anterior;

III

- ao ofendido, ou aos seus herdeiros, sobre os imóveis do

delinqüente, para satisfação do dano causado pelo delito e pagamento das despesas judiciais;

IV

- ao co-herdeiro, para garantia do seu quinhão ou torna da partilha,

sobre o imóvel adjudicado ao herdeiro reponente;

V

- ao credor sobre o imóvel arrematado, para garantia do pagamento

do restante do preço da arrematação.

Art. 1.490. O credor da hipoteca legal, ou quem o represente, poderá, provando a insuficiência dos imóveis especializados, exigir do devedor que seja reforçado com outros.

Art. 1.491. A hipoteca legal pode ser substituída por caução de títulos da dívida pública federal ou estadual, recebidos pelo valor de sua cotação mínima no ano corrente; ou por outra garantia, a critério do juiz, a requerimento do devedor.

Efeitos da Hipoteca Vincula um bem imóvel ao pagamento de uma dívida. A hipoteca válida, gera efeitos junto ao credor, devedor e aos terceiros.

Efeitos em relação ao credor Vencida a obrigação e não implementada, terá o credor direito de executar o objeto da hipoteca com preferência sobre qualquer outro credor (observada a ordem preferencial em execuções, por exemplo, direitos da fazenda pública, dívidas trabalhistas, etc.).

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 Efeitos em relação ao devedor Antes de ofertada a ação – o devedor conserva

Efeitos em relação ao devedor Antes de ofertada a ação o devedor conserva todos os seus direitos sobre a coisa, não podendo praticar atos que, direta ou indiretamente, desvalorizem, deteriorem, ou destruam a coisa. Não poderá o devedor alterar a substância da coisa se implicar diminuição de seu valor.

Após ser ofertada a ação o bem garantido, e por efeito de penhora, é arrancado das mãos do devedor e entregue a depositário judicial. A partir desse fato perde o devedor não apenas o direito de alienar, como também o de receber os frutos. Qualquer ato de alienação ou de percepção de frutos, presume-se fraude a execução.

Efeitos em relação a terceiros A hipoteca uma vez inscrita, opera efeito “erga omnes”, ou seja, contra todos, portanto ninguém poderá alegar ignorância. Daí a importância de antes de adquirir um bem imóvel, requerer certidão vintenária, na qual conste eventual ônus, bem como certidão negativa de tributos.

Registro da Hipoteca A hipoteca somente se constitui com a inscrição no órgão competente Cartório de Registro de Imóveis do lugar do imóvel gravado. Antes da inscrição da hipoteca, o contrato é meramente obrigacional, sem ônus real. O registro tem como finalidade dar publicidade, dar direito de preferência ao credor hipotecário e fixar o nascimento do direito real.

ao credor hipotecário e fixar o nascimento do direito real. Art. 1.497. As hipotecas legais, de

Art. 1.497. As hipotecas legais, de qualquer natureza, deverão ser registradas e especializadas.

§ 1o O registro e a especialização das hipotecas legais incumbem a quem está obrigado a prestar a garantia, mas os interessados podem

promover a inscrição delas, ou solicitar ao Ministério Público que o faça.

promover a inscrição delas, ou solicitar ao Ministério Público que o faça.

§ 2o As pessoas, às quais incumbir o registro e a especialização das hipotecas legais, estão sujeitas a perdas e danos pela omissão.

Art. 1.498. Vale o registro da hipoteca, enquanto a obrigação perdurar; mas a especialização, em completando vinte anos, deve ser renovada.

Na hipoteca legal o título constitutivo é a sentença de especialização, a qual indica, o nome das partes, patrimônio que possui, bens gravados, etc. Tem prazo de duração de 20 anos, após o que deverá ser renovada.

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Extinção da hipoteca Ocorre quando:  For extinta a obrigação principal haja vista que a

Extinção da hipoteca Ocorre quando:

For extinta a obrigação principal haja vista que a hipoteca é uma obrigação acessória;

Houver destruição do bem hipotecado (perecimento);

Renúncia (o credor abre mão de seu direito, liberando o bem hipotecado);

Remição (pagamento da quantia devida);

Sentença transitada em julgado (declarando nula ou rescindida a hipoteca);

Decadência (20 anos para a especialização - artigo 1.498, CC). A hipoteca vige até quando perdurar a dívida.

Obs. É necessária a averbação da causa extintiva da hipoteca no registro imobiliário ou órgão competente, para fazer efeito “erga omnes” e liberar o bem.

PROPRIEDADE FIDUCIÁRIA

Prevista no art. 1.361 do CC o devedor fica na posse do bem, sendo a propriedade do credor. O devedor conserva a coisa em seu poder com as obrigações de depositário e quando pagar o valor total do bem adquirirá sua propriedade. Caso não quite a dívida o credor tem direito de vender a coisa à terceiro para se pagar.

OBSERVAÇÃO FINAL

O DIREITO AUTORAL é alvo de propriedade, no caso, imaterial. Trata da propriedade literária, científica e artística, protegendo os interesses do autor e sucessores, em relação às obras criadas. Autor é o criador da obra, podendo ser pessoa física ou jurídica.

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