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MANUAL DE CAPACITAÇÃO EM PROJETOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO SOLAR

CAPACITAÇÃO EM PROJETOS DE SISTEMAS DE AQUECIMENTO SOLAR Edição Abril de 2008 www.dasolarbrava.org.br

Edição Abril de 2008 www.dasolarbrava.org.br WWW.cidadessolares.org.br

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Unidade 1- Panorama do Mercado Mundial

O MANUAL

O conteúdo programático deste manual pode ser resumido no diagrama de blocos a seguir:

manual pode ser resumido no diagrama de blocos a seguir: Figura 1.1 – Conteúdo programático A

Figura 1.1 – Conteúdo programático

A primeira parte do manual trata dos conceitos teóricos da radiação e geometria solares, visando

aperfeiçoar a captação da energia solar incidente. Em termos práticos, estes conceitos serão muito importantes na decisão sobre a melhor inclinação e orientação dos coletores solares em cada obra as quais variam com a localização da cidade em questão. A planilha de simulação oferece condições para o aluno simular e compreender os assuntos abordados.

O segundo e terceiro blocos Transferência e Armazenamento referem ao estudo do coletor solar e

do reservatório térmico, respectivamente. Serão discutidos os respectivos balanços de energia, materiais e parâmetros de projeto recomendados, além da apresentação do Programa Brasileiro de Etiquetagem do INMETRO.

No bloco Dimensionamento, será dada ênfase às peculiaridades regionais do uso de água quente em residências para diferentes classes econômicas. Sabe-se que em aplicações comerciais e industriais o volume diário de água quente requerido é, normalmente, pré-definido pelo processo ou cliente e orientado pelo bom senso haja vista a grande importância de se projetar sistemas com consumos racionais de água.

O último bloco Distribuição será dedicado às peculiaridades das instalações solares de pequeno,

médio e grande porte, sendo incluídos aspectos técnicos inerentes à hidráulica de água quente, além da apresentação do QUALISOL- Programa de Qualificação de Fornecedores de Sistemas de Aquecimento Solar do INMETRO.

A otimização de cada bloco e de sua inter-relação com os demais serão fundamentais para

garantir a qualidade de uma instalação de aquecimento solar de água. Este manual trata também de aspectos de dimensionamento, projeto, instalação e manutenção de sistemas de aquecimento solar sob a ótica da NBR 15569, norma brasileira que aborda o tema.

Como referência para estudos aprofundados recomendamos a consulta ao livro Solar Engineering of Thermal Processes de Duffie e Beckman e cuja nomenclatura será adotada nas unidades desenvolvidas neste manual.

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IMPORTANTE: Este manual é uma versao preliminar e ainda será revisado e construido em rede com todos vocês leitores e estudiosos da energia solar. Sua contribuição é muito importante.

Comentarios,sugestões, perguntas e críticas devem ser enviadas para os seguintes endereços

eletrônicos:

diretoria@dasolabrava.org.br

cidadessolares@cidadessolares.org.br

INTRODUÇÃO

Os recursos energéticos são utilizados pelo homem para satisfazer algumas de suas necessidades

básicas na forma de calor e trabalho. A disponibilidade destes recursos é um dos principais fatores para o desenvolvimento das nações e não menos importantes devem ser suas formas de conversão e utilização. O extraordinário crescimento da população mundial determina a maciça utilização de energia elétrica e de combustíveis fósseis, entre eles, o carvão, petróleo e o gás natural. Muitas alternativas energéticas estão disponíveis e vem sendo desenvolvidas e aplicadas em diversos países: energia eólica, biomassa, MCHS (mini e micro centrais hidrelétricas) e PCHS (pequenas centrais hidrelétricas), energia solar térmica e energia solar fotovoltaica. Dentre estas,

a energia solar térmica para o aquecimento de água tem despertado interesse mundial

principalmente devido à sua importância social, econômica, ambiental e tecnológica e à abundância do recurso solar em todas as regiões do planeta. Hoje o aquecimento solar é uma das principais políticas públicas do planeta no combate às mudanças climáticas.

Em Dezembro de 2007, a International Union for Conservation of Nature, realizou uma pesquisa que procurou avaliar quais tecnologias disponíveis que inspiravam mais confiança em sua capacidade de combater o aquecimento global. A pesquisa foi aplicada durante a reunião da Convenção do Clima da ONU (UNFCCC), realizada em Bali e o resultado apresentou que a solução com maior índice de aprovação na pesquisa, foi o uso de energia solar para aquecimento de água (74%). Nesta pesquisa, a IUCN ouviu mil integrantes de governos, de organizações não governamentais e do setor industrial de 105 países.

O atual estágio de crescimento e desenvolvimento das nações exigindo uma crescente e muitas

vezes insustentável exploração dos recursos naturais permite-nos criar e antever cenários nos quais o aquecimento solar venha a ser aproveitado em grande escala, principalmente no Brasil, que tem condições de se tornar uma referência mundial no aproveitamento do recurso solar.O Brasil tem um enorme potencial de aproveitamento da energia solar: praticamente todas suas regiões recebem mais de 2200 horas de insolação com um potencial equivalente a 15 trilhões de MWh, correspondente a 50 mil vezes o consumo nacional de eletricidade.

Neste manual as aplicações práticas da Energia Solar são tratadas em sentido mais restrito, incluindo-se apenas aquelas que decorrem da incidência da radiação solar sobre coletores solares para geração de calor.

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O AQUECIMENTO SOLAR NO CONTEXTO INTERNACIONAL

O mercado mundial de aquecedores solares começou a crescer a partir da década de 70, mas expandiu significativamente durante a década 90 e como resultado deste crescimento houve um aumento substancial de aplicações da tecnologia, da qualidade e confiabilidade e modelos de produtos disponíveis. Segundo relatório publicado em 2007 pela IEA - Agencia Internacional de Energia, os principais países utilizadores da tecnologia de aquecimento solar são destacados no mapa da figura 1.2 São 45 países ao todo que representam aproximadamente 59% da população global e cerca de 90 % do mercado de aquecimento solar mundial.

e cerca de 90 % do mercado de aquecimento solar mundial. Figura 1.2 - Principais países

Figura 1.2 - Principais países utilizadores do aquecimento solar Fonte: IEA- Solar Heat Worldwide – Markets and Contribution to the Energy Supply 2007(dados de 2005)

O mercado de aquecimento solar é geralmente avaliado sob a ótica de quatro indicadores comparativos utilizados globalmente e reportados anualmente pela IEA.

São eles:

1 - Área coletora instalada acumulada dada em metros quadrados – m 2 ;

2 - Área coletora instalada acumulada per capita dada em metros quadrados por mil habitantes – m 2 / 1.000 habitantes

3 - Potência instalada acumulada de coletores solares dada em MWth

4 - Potência instalada acumulada per capita dada em MWth por cem mil habitantes.

Os dois primeiros indicadores foram muito utilizados até o ano de 2004, mas diante da necessidade crescente de comparar o aquecimento solar com outras fontes de energia em termos de potência, especialistas da IEA definiram uma fator de conversão entre metros quadrados de coletores solares e potência nominal em MWth (potência térmica):

1 m 2 de coletor solar ↔ 0, 7 kWth

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Ao final de 2005, havia 159 milhões de metros quadrados de coletores solares instalados nestes 45 países, o que representava:

110 GW th de potência nominal térmica instalada;

Produção de 66.406 GWh de energia;

Redução da emissão de 29,3 milhões de toneladas de CO 2 por ano.

As figuras 1.3 e 1.4 mostram a participação de alguns dos principais atores da tecnologia solar em todo o mundo.

Paises

Área Coletora

Paises

Área Coletora

China

75.000.000

Canada

723.124

Estados Unidos

29.141.546

Holanda

620.400

Turquia

9.000.000

Italia

533.000

Alemanha

7.401.000

Dinamarca

350.240

Japao

6.999.449

Portugal

285.800

Australia

5.150.000

Suecia

278.825

Israel

4.800.000

Reino Unido

201.160

Grecia

3.047.200

Tunisia

143.000

Austria

3.008.612

Polonia

122.740

Brasil

2.700.468

Belgica

101.783

Taiwan

1.425.700

Nova Zelandia

93.950

India

1.250.000

Barbados

77.232

França

913.868

Rep Thceca

65.550

Espanha

796.951

Hungria

37.700

Chipre

784.000

Albania

32.680

Africa do Sul

781.500

Noruega

13.500

Mexico

728.644

Finlandia

10.380

Figura 1.3 – Área coletora instalada nos principais países utilizadores do aquecimento solar Fonte: IEA- Solar Heat Worldwide – Markets and Contribution to the Energy Supply 2007 ( dados de 2005)

 

Potência Solar Per Capita

 

Potência Solar Per Capita

Paises

KWth por 1000 Habitantes

Paises

KWth por 1000 Habitantes

Chipre

657,00

Suécia

17,63

Israel

498,00

NovaZelândia

15,92

Austria

205,36

Holanda

13,21

Barbados

200,49

Espanha

12,95

Grécia

191,82

Brasil

10,14

Turquia

86,07

Tunisia

9,91

Australia

59,15

França

9,24

Alemanha

56,30

Eslovaquia

8,32

Dinamarca

42,32

Albania

7,31

Taiwan

41,58

Italia

6,23

China

39,90

Estados Unidos

5,21

Japao

38,25

Macedonia

5,16

Eslovenia

37,83

Belgica

4,60

Suiça

35,60

Republica Tcheca

4,49

Malta

33,71

Africa do Sul

3,54

Luxemburgo

20,17

Hungria

2,42

Portugal

19,06

Reino Unido

2,36

Figura 1.4 – Potência per capita de coletores solares instalada nos principais países utilizadores do aquecimento solar Fonte: IEA- Solar Heat Worldwide – Markets and Contribution to the Energy Supply 2007 ( dados de 2005)

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Os números de tabela 1.4 mostram a real penetração dos aquecedores solares nos diferentes países, pois considera a área coletora instalada per capita. Conclui-se que no Brasil existe ainda uma baixa penetração dos aquecedores solares.

No cenário mundial, os lideres da maioria dos países elaboram programas de governo que criam diferentes políticas publicas para incentivar e obrigar o uso dos aquecedores solares e o impacto destas iniciativas nos diferentes mercados poderá ser analisado anualmente nos relatórios da IEA e nas publicações e relatórios emitidos pela ABRAVA (www.dasolabrava.org.br), entidade que congrega e representa a cadeia produtiva de aquecedores solares no Brasil.

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Unidade 2- Os Benefícios do Aquecimento Solar

O AQUECIMENTO SOLAR NO BRASIL

Estudos e levantamentos estatísticos realizados pela ABRAVA-Associação Brasileira de Refrigeração, Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento, através de seus Departamentos de Economia e de Aquecimento Solar caracterizam a evolução histórica do mercado de aquecimento solar entre os anos de 2002 e 2007. O gráfico da figura 2.1 mostra a evolução da área instalada anualmente e da área acumulada de coletores solares no Brasil.

e da área acumulada de coletores solares no Brasil. Figura 2.1 – Evolução do mercado de

Figura 2.1 – Evolução do mercado de aquecimento solar no Brasil Fonte: ABRAVA

A IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA DO AQUECIMENTO SOLAR NO BRASIL

No Brasil, a utilização de chuveiros elétricos para aquecimento de água é disseminada como em nenhum outro país do mundo. Esta prática se intensificou na década de 70, com a crise do petróleo e com o incentivo ao uso de equipamentos elétricos. Nesta mesma década o Brasil iniciou a construção de diversos empreendimentos hidrelétricos, havendo excedente de energia no mercado, e nenhuma preocupação eminente quanto ao uso destes chuveiros e de outros aparelhos consumidores de energia elétrica.

Como resultado, os chuveiros elétricos são produzidos em larga escala e conseqüentemente possuem baixo custo inicial, além de apresentarem grande simplicidade de instalação. Esses fatores criaram condições para que tais equipamentos fossem largamente disseminados nas residências brasileiras. No entanto, em longo prazo, essa solução tecnológica traz uma série de malefícios para o setor de energia elétrica, principalmente nos horários de ponta, quando a demanda de energia elétrica atinge seu pico diário.

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Esse fato ficou bastante evidenciado no ano de 2001, quando a demanda por energia elétrica superou a oferta e houve os “apagões” de energia. Ressalta-se que, nesse período, o aquecimento solar de água experimentou um crescimento de 80% em relação ao verificado nos anos anteriores.

Considerando as instalações de chuveiros elétricos, de acordo com a ELETROBRAS/PROCEL estes estão presentes em cerca de 91% dos lares brasileiros.

A figura 2.2 a seguir apresenta a quantidade média de chuveiros por residência instalados em cada região do Brasil. O número médio de chuveiros por residência no Brasil é de 0,91, ou seja, quase um chuveiro por residência, com concentração maior nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

1,4 1,17 1,2 1,10 1,04 1,0 0,91 0,8 0,55 0,6 0,4 0,2 0,02 0,0 N
1,4
1,17
1,2
1,10
1,04
1,0
0,91
0,8
0,55
0,6
0,4
0,2
0,02
0,0
N
NE
CO
SE
S
Brasil
Número de chuveiros por residência

Figura 2.2 – Penetração do chuveiro elétrico por região do Brasil Fonte: PROCEL- Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica

A figura 2.3 a seguir representa uma curva típica da demanda de energia diária da Companhia de Força e Luz da cidade de São Paulo (CPFL). Percebe-se claramente que há uma demanda acentuada nos horários entre 17 e 22 horas, com uma participação considerável do setor residencial.

com uma participação considerável do setor residencial. Figura2.3 Desagregação da curva de carga típica da CPFL,

Figura2.3 Desagregação da curva de carga típica da CPFL, 1993.

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Nos horários de pico de consumo de energia, a demanda total cresce bastante no setor residencial em decorrência principalmente da realização dos banhos. Este fato é representado na figura 2.4, a seguir, curva de carga típica da Concessionária de Energia do Estado de Minas Gerais (CEMIG), em que se mostra a separação das principais cargas típicas (chuveiro, TV e VCR dentre outras) de uma residência em Belo Horizonte.

e VCR dentre outras) de uma residência em Belo Horizonte. Figura 2.4-Curva de carga do sistema

Figura 2.4-Curva de carga do sistema CEMIG, (fonte: CEMIG)

O PROCEL estima que existam mais de 30 milhões de chuveiros elétricos instalados no Brasil. Esses

equipamentos, além de consumirem cerca de 8% de toda a eletricidade produzida no país, são responsáveis por aproximadamente de 18% do pico de demanda do sistema elétrico nacional. Este último fato evidencia a importância estratégica dos aquecedores solares devido ao fato de reduzirem a demanda de energia nos horários críticos do dia. Falando mais claramente, 18% do pico de demanda, significa dizer que 18% de todas as usinas construídas no Brasil estão construídas somente para ligar o chuveiro elétrico no horário de ponta. Isto significa que se investiram muitos recursos financeiros para construir usinas com potência total de 18.000 MW, o que quer dizer que em 2008, Itaipu (14.000MW) e mais um conjunto de termelétricas de mais

4000 MW estão construídas somente para ligar o chuveiro elétrico e perpetuar um modelo complexo de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica para aquecer água a 40 o C.

Os chuveiros elétricos são grandes consumidores de energia e, apesar de eficientes, do ponto de vista de conversão de energia elétrica em térmica, seu uso, não é, de forma alguma, eficiente, sob

o ponto de vista da utilização da eletricidade. Converter energia elétrica, com a qual se faz

praticamente qualquer coisa, em água quente a 40 o C, com o que apenas toma-se banho, á a forma mais displicente e irracional de utilização da energia elétrica sob a ótica da física.

A substituição dos chuveiros elétricos por sistemas de aquecimento solar de água proporciona a

redução significativa da demanda energética no horário de ponta e do consumo de energia elétrica. Somente no ano de 2007, foram economizados no Brasil com o aquecimento solar cerca de 620 GWh, energia suficiente para abastecer 350.000 residências brasileiras consumindo cerca de 145 kWh por mês.

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Os quase 730.000 domicílios brasileiros que já usavam os aquecedores solares ao final de 2007 representam, entretanto, apenas 1,48% de todos os domicílios do país, uma penetração muito baixa se comparada com Israel, por exemplo, onde mais de 90% das casas usam o Sol para aquecer água. Cada vez mais o aquecimento solar faz sentido econômico para seus usuários, pois com os preços cada vez mais altos de eletricidade e do próprio gás, as economias de 60 a 80% que a tecnologia proporciona, reduzem o tempo de retorno do investimento para menos de 2 anos. Se todo o dinheiro economizado pelos usuários dos aquecedores solares, fosse depositado em uma única conta de banco, somente com as economias de 2007, a poupança atingiria valores da ordem de 295 milhões de reais.

Além das economias diretas obtidas pelos consumidores, os impactos econômicos podem ser extrapolados para todo o país. O aquecimento solar já economizou para o Brasil e seus cidadãos 1,94 bilhão de reais, recursos equivalentes e bem conservadores, necessários à construção de uma usina hidrelétrica de 645 MW.

Para se entender claramente o potencial do aquecimento solar no Brasil basta dizer que somente 1,48 % de todas as casas possuíam a tecnologia ao final de 2007. Em Israel, onde o aquecimento solar é item obrigatório em todas as edificações do país, fez com que em 20 anos, 90% das residências se convertessem para o aquecedor solar. Se tomarmos este número como referência, certamente um número ambicioso (mas necessário), até 2030 o Brasil teria uma quantidade de coletores solares para aquecimento de água equivalente a um parque de usinas de 40.000 MW, ou seja, o equivalente a 30 usinas nucleares como Angra, 300 três Marias ou ainda 3 Itaipus.

Pensar em sustentabilidade com inteligência e clareza é migrar de um modelo complexo para um modelo simples, descentralizado, gratuito, renovável e inesgotável como mostra a figura 2.5 a seguir.

para um modelo simples, descentralizado, gratuito, renovável e inesgotável como mostra a figura 2.5 a seguir.

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Figura 2.5-Migrando do sistema complexo para o simples

BENEFÍCIOS AMBIENTAIS DO AQUECIMENTO SOLAR

Apesar de sua matriz energética relativamente limpa, o Brasil sofre com impactos ambientais e sociais da geração de energia e tem como contribuir nesta área para o esforço global de mitigação das mudanças climáticas.

O fato das hidroelétricas serem relativamente baixas emissoras de gases-estufa não as torna

totalmente limpas e sustentáveis. Um documento assinado por centenas de Organizações Não Governamentais brasileiras e internacionais encaminhado em junho de 2004 à Conferência Internacional Pelas Energias Renováveis, realizada em Bonn, Alemanha, sintetiza os impactos sociais das grandes hidrelétricas na visão da sociedade civil organizada: citando a Comissão Mundial de Barragens, o documento afirma que “as grandes barragens são responsáveis pelo desalojamento de 40 a 80 milhões de pessoas (no mundo), com muitos dos deslocados recebendo nenhuma ou inadequada compensação. Milhões de pessoas têm também perdido suas terras e modos de vida e têm sofrido por causa dos efeitos à jusante e de outros impactos indiretos das grandes barragens”. O documento também alerta para os impactos ambientais das grandes hidrelétricas, por estas serem emissoras de gases estufa, já que “a decomposição da matéria orgânica nos reservatórios das hidrelétricas causa a emissão de metano e gás carbônico”, e por serem “um importante fator no rápido declínio da biodiversidade fluvial no mundo todo”. O mesmo documento alerta para a possível alteração hidrológica motivada pelas mudanças climáticas globais causadas pelo aquecimento global, que ao alterar o regime de chuvas pode implicar redução notável da geração hidrelétrica (“Doze Razões para Excluir as Grandes Barragens das Iniciativas para Energias Renováveis”, documento disponível em www.irn.org)

Por conta dos problemas acima descritos, a expansão da hidroeletricidade no Brasil hoje encontra diversos problemas que vão das dificuldades de licenciamento a uma enxurrada de processos judiciais que têm dificultado grandemente a implantação de novas usinas.

Numa escala menor, mas ainda importante, eletricidade e calor têm sido gerados por meio de queima de combustíveis fósseis no país tanto em termelétricas conectadas à rede quanto em geradores isolados, caldeiras e fornos localizados em áreas urbanas. Estes usos também contribuem com a poluição local e são matéria de preocupação ambiental por conta de, por um lado, apresentarem tendência de crescimento e, por outro, serem de difícil controle, dada sua dispersão geográfica.

Os aquecedores solares são uma alternativa excelente para prover a água quente desejada nas habitações, no comércio e nos serviços, e têm muito a contribuir para a mitigação dos impactos socioambientais do setor elétrico brasileiro. A tecnologia apresenta amplas vantagens ambientais, econômicas e sociais: por substituir hidroeletricidade e combustíveis fósseis, cada instalação de aquecedores solares reduz de uma vez e para sempre o dano ambiental regional e local associado

às fontes de energia convencionais: não produz gases e materiais particulados que contribuem

para a poluição urbana, não requer área alagada adicional para geração de eletricidade e não deixa lixo radiativo como uma herança perigosa para as gerações futuras. Quando substituem combustíveis fósseis, os aquecedores solares reduzem a poluição ambiental por óxidos de

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nitrogênio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, compostos orgânicos voláteis e material particulado, trazendo grandes benefícios ao ar urbano.

Além de apresentar estas vantagens concretas, a instalação de aquecedores solares em escala contribui para diversas metas globais que foram definidas a partir da ECO-92 no Rio de Janeiro. Particularmente contribui com as diretrizes da Agenda 21 Brasileira, que no seu objetivo número 4 propugna entre suas ações e recomendações “desenvolver e incorporar tecnologias de fontes renováveis de energia, levando em consideração a disponibilidade e a necessidade regional”, e também com a Declaração do Rio, adotada na Rio 92, que prevê em seu PRINCÍPIO 8 que "para atingir o desenvolvimento sustentável e a mais alta qualidade de vida para todos, os Estados devem reduzir e eliminar padrões insustentáveis de produção e consumo".

BENEFÍCIOS SOCIAIS DO AQUECIMENTO SOLAR

Os aquecedores solares de água contribuem também para o desenvolvimento econômico de diversas maneiras. Por exemplo, não demandando investimentos de capital elevados para sua produção, podem ser produzidos por empresas de pequeno e médio porte, reconhecidamente importantes geradoras de empregos. A descentralização intrínseca nesta tecnologia também é responsável por importante geração de empregos em revendas, empresas de projeto e de instalação.

O quadro abaixo apresenta o número de postos de trabalho criados por unidade de energia

gerada em diversas fontes de energia. Nitidamente pode-se observar que fontes que dependem

de grandes concentrações de capital e manejo de fontes fósseis geram quantidades de postos de

trabalho bastante inferiores àquelas descentralizadas e renováveis. Enquanto a hidroeletricidade pode gerar cerca de 250 postos de trabalho por TWh, a tecnologia solar fotovoltaica pode gerar de entre 30 mil a 100 mil postos de trabalho para a mesma quantidade de energia. Apesar do caso solar exemplificado no quadro 6 ser o fotovoltaico, estima-se que os aquecedores solares, pelas suas características, gerem um número de postos de trabalho de magnitude assemelhada.

Quadro 1. Postos de trabalho gerados por diferentes formas de energia

Fonte de energia

Postos de trabalho anuais por TeraWatt-hora

Nuclear

75

PCHs

120

Gás natural

250

Hidroeletricidade

250

Petróleo

260

Petróleo offshore

265

Carvão

370

Lenha Eólica Álcool Solar (fotovoltaica)

733 – 1.067 918 – 2.400 3.711 – 5.392 29.580 – 107.000

Fonte: Ethanol learning curve–the Brazillian experience; Goldemberg, J; Coelho,S.T.; Nastari,P.M.; Lucon,O; disponível em Pergamon – www.sciencedirect.com; publicado por Elsevier Ltd; 2003

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Adicionalmente, e ainda no âmbito local e regional, efeitos econômicos benéficos também são induzidos por meio de economias significativas de combustível ou energia elétrica, de maneira que o investimento em aquecedores solares de água se paga em períodos de 3 anos, ou até menos em certos casos. Para famílias de baixa renda, a experiência de instalação de aquecedores solares em habitações de interesse social tem mostrado que a economia na conta de luz pode ser entendida como um fator de distribuição de renda, redução da inadimplência e regularização dos serviços elétricos.

No âmbito global os aquecedores solares podem contribuir para a redução de conflitos por controle das fontes fósseis de energia, principalmente do petróleo. A redução da demanda internacional por petróleo propiciada por tecnologias de conservação de energia e pelo emprego de fontes alternativas ao petróleo e renováveis está na agenda do dia dos governos dos países grandes consumidores.

Neste ponto, devemos ressaltar que o aquecimento solar de água em substituição ao chuveiro elétrico não tem sido entendido por técnicos e legisladores brasileiros como uma forma de geração de energia, mas apenas como uma medida eficiente de conservação e uso racional de energia e há muitos anos vários programas de governo são escritos mas nenhum deles é oficialmente lançado no Brasil.

Com base na experiência já acumulada no Brasil, com a instalação de mais de 3,7 milhões de metros quadrados de área coletora ao final de 2007, pode-se afirmar que a substituição dos chuveiros elétricos e aquecedores a gás por aquecedores solares só tem apresentado vantagens, para todos os setores envolvidos, cujos benefícios e impactos positivos pode ser assim resumidos:

Para o consumidor residencial: verifica-se uma acentuada redução na conta mensal de energia, entre 30 e 50%, mantendo-se o mesmo nível de conforto, destacando-se inclusive a garantia de atendimento a eventuais metas de consumo que possam ser novamente estabelecidas para o setor residencial.

Para o setor produtivo: redução de custos operacionais, aumento de eficiência e competitividade, redução de impactos ambientais nas plantas industriais atualmente em operação, decorrentes do uso do aquecimento solar.

Para a Concessionária de Energia: permite a criação de programas eficientes de Gerenciamento pelo Lado da Demanda- GLD, com atenuação e deslocamento do pico de demanda que ocorre normalmente entre 17 e 21h, com garantia da qualidade de produtos, projetos e dos resultados a serem obtidos.

Para o setor educacional: qualificação de professores e estudantes em eficiência energética, com ênfase ao aquecimento solar, de forma a disseminar conceitos e tecnologias importantes e que não fazem parte dos currículos atuais.

Para

os

profissionais:

participação

em

programas

efetivos

de

qualificação

e

treinamento,

modificando positivamente seu perfil e área de atuação, além da ampliação de postos de trabalho.

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Para o país: investimentos podem ser postergados ou utilizados em outros setores vitais, o meio ambiente é protegido, além da geração de empregos locais, inerentes à fabricação e instalação de aquecedores solares.

Para o meio ambiente: evita-se o alagamento de áreas verdes e férteis necessários a construção de usinas hidrelétricas e reduz-se a emissão de CO 2 na atmosfera protegendo o clima do planeta.

Cada m 2 de coletor solar:

na atmosfera protegendo o clima do planeta. Cada m 2 de coletor solar: Figura 2.6- Benefícios

Figura 2.6- Benefícios do aquecimento solar

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Unidade 3- Captação da Energia Solar

O objetivo dessa unidade é estudar a radiação solar e sua geometria, visando maximizar a radiação

incidente no plano do coletor solar função de:

-

Localidade em estudo (latitude geográfica);

-

Época do ano;

-

Hora do dia;

-

Inclinação e orientação dos coletores

Inicialmente, vamos conhecer um pouco mais sobre esta fonte de energia limpa, renovável e inesgotável.

O SOL

O Sol, nossa fonte de luz e de vida, é a estrela mais próxima de nós e a que melhor conhecemos.

Basicamente, é uma enorme esfera de gás incandescente, em cujo núcleo acontece a geração de energia através de reações termo-nucleares.O Sol é uma esfera de 695 000 km de raio e massa de 1,989 x 10 30 kg, cuja distância média da Terra é de 1,5x10 11 metros. Sua composição química é basicamente de hidrogênio e hélio, nas proporções de 92,1 e 7,8%, respectivamente.

O modelo representado na figura 3.1 mostra as principais regiões do Sol. A fotosfera, com cerca

de 330 km de espessura e temperatura de 5785 K, é a camada visível do Sol. A palavra vem do

grego: photo = luz. Logo abaixo da fotosfera se localiza a zona convectiva, se estendendo por cerca de 15% do raio solar. Abaixo dessa camada está a zona radiativa, onde a energia flui por radiação.

O núcleo, com temperatura de cerca de 15 milhões de graus Kelvin, é a região onde a energia é

produzida, por reações termo-nucleares. A cromosfera é a camada da atmosfera solar logo acima da fotosfera. A palavra vem do grego: cromo = cor. Ela tem cor avermelhada e é visível durante os eclipses solares, logo antes e após a totalidade. Estende-se por 10 mil km acima da fotosfera e a temperatura cresce da base para o topo, tendo um valor médio de 15 mil K. Ainda acima da cromosfera se encontra a coroa, também visível durante os eclipses totais. A coroa se estende por cerca de dois raios solares.

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Figura 3.1 – O Sol Fonte : http://astro.if.ufrgs.br/esol/esol.htm CONSTANTE SOLAR E AS COMPONENTES DA RADIAÇÃO

Figura 3.1 – O Sol Fonte : http://astro.if.ufrgs.br/esol/esol.htm

CONSTANTE SOLAR E AS COMPONENTES DA RADIAÇÃO SOLAR

A radiação solar percorre a distância Terra-Sol sem alterar sua direção, de acordo com os princípios da propagação de ondas eletromagnéticas, até atingir a atmosfera da Terra.

Tão logo foi conhecida a distância do Sol, em 1673, por Jean Richer (1630-1696) e Giovanni Domenico Cassini (1625-1712) que determinaram a distância (paralaxe) de Marte e com esta estimaram a unidade astronômica como 140 milhões de km (150 milhões de km é o valor atual), foi possível determinar a sua luminosidade e sua potência.

Denomina-se Constante Solar – Gsc – o fluxo de energia radiante, expresso em W/m 2 , que incide normalmente ao plano de uma superfície colocada fora da atmosfera terrestre ( extraterrestre), conforme apresentado na figura 3.2. Segundo Duffie e Beckman, seu valor mais atual da constante solar é de 1367 W/m 2 . Esse valor da constante solar é medido por satélites logo acima da atmosfera terrestre.

17

Figura 3.2 – A constante solar Fonte : ADEME, 2002 Essa constante corresponde a um

Figura 3.2 – A constante solar Fonte : ADEME, 2002

Essa constante corresponde a um valor máximo da irradiação solar, pois é medida antes que ocorra qualquer tipo de atenuação por nuvens, aerossóis, poluição ou absorção pelos próprios elementos constituintes da atmosfera terrestre.

Visite o site http://www.if.ufrgs.br/oei/exp/fsol.htm para conhecer um experimento de como determinar o valor desta constante solar através de experimento prático.

Ao atravessar a atmosfera terrestre, entretanto, condições climáticas e locais introduzem modificações na intensidade e espectro da radiação, além de alterar sua direção original.

Assim, a irradiação solar incidente sobre os coletores solares é decomposta em duas componentes como mostra a figura 3.3:

Radiação solar direta: definida como a fração da irradiação solar que atravessa a atmosfera terrestre sem sofrer qualquer alteração em sua direção original.

Radiação difusa: refere-se à componente da irradiação solar que, ao atravessar a atmosfera, é espalhada por aerossóis, poeira, ou mesmo, refletida pelos elementos constituintes dessa atmosfera. A parte da radiação que atinge o coletor proveniente da emissão e reflexão de sua vizinhança, caracterizada pela vegetação e construções civis, também é incluída em sua componente difusa, sendo comumente denominada albedo.

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Figura 3.3 – Componentes da Radiação Solar Fonte : ADEME, 2002 COORDENADAS GEOGRÁFICAS: LATITUDE, LONGITUDE

Figura 3.3 – Componentes da Radiação Solar Fonte : ADEME, 2002

COORDENADAS GEOGRÁFICAS: LATITUDE, LONGITUDE E ALTITUDE

As coordenadas terrestres permitem a localização de um ponto sobre a superfície terrestre ou sua vizinhança, possibilitando calcular as grandezas envolvidas no estudo da geometria solar para a cidade ou região específica de interesse.

Latitude Geográfica (φφφφ) corresponde à posição angular em relação à linha do Equador, considerada de latitude zero. Cada paralelo traçado em relação ao plano do Equador corresponde a uma latitude constante: positiva, se traçada ao Norte e negativa, se posicionada ao sul do Equador. Os Trópicos de Câncer e de Capricórnio correspondem às latitudes de 23 o 27’ ao Norte e ao Sul, respectivamente, compreendendo a região tropical.

Longitude geográfica (L) é o ângulo medido ao longo do Equador da Terra, tendo origem no meridiano de Greenwich (referência) e extremidade no meridiano local. Na Conferência Internacional Meridiana foi definida sua variação de 0 o a 180 o (oeste de Greenwich) e de 0o a – 180o (leste de Greenwich). A Longitude é muito importante da determinação dos fusos horários e da hora solar.

Altitude (Z) equivale à distância vertical medida entre o ponto de interesse e o nível médio do mar.

Como será visto adiante, coordenadas geográficas influenciam significativamente a radiação solar incidente em cada localidade.

Informações mais completas estão disponíveis nas Normais Climatológicas publicadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia [INMET, 2000].

19

OS MOVIMENTOS DA TERRA E AS ESTAÇÕES DO ANO

A Terra descreve uma órbita em torno do Sol, encontrando-se este num dos focos. O plano que

contém esta trajetória e a de todos os planetas denomina-se plano de eclíptica.

Os movimentos da Terra, mostrados na figuras 3.4, podem ser sucintamente descritos como

movimento de rotação: a terra roda sobre si mesma e completa uma rotação num dia, percorrendo a sua trajetória num ano e 6 horas. De 4 em 4 anos acerta-se o calendário com um ano bissexto.

movimento de translação em torno do Sol, em uma órbita elíptica cujo período orbital é de 365,256 dias.

Como o eixo polar possui uma inclinação de 23,45º em relação à normal do plano da órbita terrestre, à medida que a Terra orbita em torno do Sol, os raios solares incidem mais diretamente em um hemisfério do que no outro. Assim, há verão com dias mais longos e inverno com dias de menor duração.

com dias mais longos e inverno com dias de menor duração. Figura 3.4 – Movimento de

Figura 3.4 – Movimento de Translação da Terra Fonte: ANEEL- Atlas http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/atlas/pdf/03-Energia_Solar(3).pdf

O ângulo formado entre a vertical ao plano da órbita e o eixo Norte –Sul, mostrado na figura 3.6, é

de 23º 27´, ou seja, 23,45º, definindo, assim, regiões e épocas do ano com maior nível de incidência da radiação solar.

Uma observação simples que permite "ver" o movimento do Sol durante o ano é através do gnômon. Como mostrado na figura 3.5. Um gnômon nada mais é do que uma haste vertical fincada ao solo. Durante o dia, a haste, ao ser iluminada pelo Sol, forma uma sombra cujo

tamanho depende da hora do dia e da época do ano. A direção da sombra ao meio-dia real local nos dá a direção Norte-Sul. Ao longo de um dia, a sombra é máxima no nascer e no ocaso do Sol, e

é mínima ao meio-dia. Ao longo de um ano (à mesma hora do dia), a sombra é máxima no solstício

20

de inverno, e mínima no solstício de verão. A bissetriz marca o tamanho da sombra nos equinócios, quando o Sol está sobre o equador. Foi observando a variação do tamanho da sombra do gnômom ao longo do ano que os antigos determinaram o comprimento do ano das estações, ou ano tropical.

o comprimento do ano das estações, ou ano tropical. Figura 3.5 – Usando o gnômon para

Figura 3.5 – Usando o gnômon para identificar os movimentos do Sol Fonte: http://astro.if.ufrgs.br/tempo/mas.htm

No caso específico do Hemisfério Sul, os solstícios e equinócios são :

-

Solstício de Verão : 22 de dezembro

-

Equinócio de Outono : 21 de março

-

Solstício de Inverno : 21 de junho

-

Equinócio de Primavera : 23 de setembro

No solstício de inverno, que corresponde ao dia 21 de junho no Hemisfério Sul, temos a maior noite do ano. Para descrever a trajetória do Sol no céu, é conveniente adotar um sistema de coordenadas fixo na Terra e assumir que o Sol se move em uma órbita circular em torno da Terra. Neste caso, em ambos os equinócios, o Sol encontra-se sobre o plano do Equador, correspondendo, assim, a dias e noites iguais, com 12 horas de duração.

No solstício de verão (22/12), o Sol encontra-se sobre o Trópico de Capricórnio, localização correspondente à cidade de São Paulo, sendo, assim, verão no Hemisfério Sul. Isto significa que neste dia, às 12 horas, o Sol passa no ponto mais alto do céu na cidade de São Paulo, como mostra

a figura 3.7. Este fenômeno é popularmente conhecido como “sol a pino”, ou seja, tomando-se

uma linha vertical (zênite) sobre um observador na cidade de São Paulo às 12 horas, o ângulo que

o raio solar faz com a linha zenital é zero. Para um observador instalado no Equador, este ângulo será de 23,45º ao Sul.

No solstício de inverno(21/06), o Sol encontra-se sobre o Trópico de Câncer, estando a 23,45º a Norte, ao meio-dia solar, em relação a um observador no Equador. Dessa forma, conside-randose

o movimento relativo do Sol em torno da Terra, podemos concluir que sua trajetória anual fica compreendida entre os trópicos de Câncer e Capricórnio, como mostra a figura 3.7.

21

Figura 3.6 –A órbita da Terra Fonte : http://members.tripod.com/meteorologia/estacao.html Neste caso, o movimento é

Figura 3.6 –A órbita da Terra Fonte : http://members.tripod.com/meteorologia/estacao.html

Neste caso, o movimento é feito em torno de eixos paralelos ao eixo de rotação e ao Equador, sendo uma de suas coordenadas a declinação solar (δ).

e ao Equador, sendo uma de suas coordenadas a declinação solar ( δ ) . Figura
e ao Equador, sendo uma de suas coordenadas a declinação solar ( δ ) . Figura

Figura 3.7 –Trajetória anual do Sol

22

A declinação solar é análoga à latitude e, portanto, δ = 0° corresponde a qualquer ponto sobre o equador celeste. Veja a figura 3.8. Valores negativos correspondem a pontos do hemisfério Sul e positivos ao hemisfério Norte.

A declinação solar pode ser obtida pela equação de Cooper na forma:

δδδδ====

,

23 45

o

sen   

2

ππππ

284 365 ++++ d   

(3.1)

na qual d corresponde ao dia do ano, sendo igual a unidade, em 1º de janeiro. Portanto, o parâmetro d varia de 1 a 365. Na figura 3.9, mostramos o gráfico da declinação solar para os meses do ano. Identifique os dias do ano no qual você tem Sol a pino em sua cidade.

os dias do ano no qual você tem Sol a pino em sua cidade. Figura 3.8

Figura 3.8 –Declinação Solar Fonte : http://www.pgie.ufrgs.br/portalead/astgeo/sistcrds.htm

Fonte : http://www.pgie.ufrgs.br/portalead/astgeo/sistcrds.htm Figura 3.9 - Declinação Solar para os meses do ano 23

Figura 3.9 - Declinação Solar para os meses do ano

23

GEOMETRIA SOLAR

O melhor aproveitamento do recurso solar é um dos requisitos para garantir o bom funcionamento da instalação, menor investimento na implantação do sistema, além de uma maior economia ao final do mês. A instalação correta e otimizada de uma bateria de coletores solares exige uma definição prévia das inclinações e orientações mais adequadas, as quais variam em função da posição geográfica da localidade em estudo e do perfil de consumo de água quente.

O estudo da geometria solar será desenvolvido de forma bastante aplicada e objetiva, sendo dividido em duas partes. A primeira trata das condições físicas de instalação na obra e a segunda parte refere-se aos ângulos solares propriamente ditos.

Como será discutido a seguir, o correto posicionamento dos coletores solares visa promover:

Maior período diário de insolação sobre a bateria de coletores;

Maior captação da radiação solar em determinadas épocas do ano ou em

médias anuais, dependendo do tipo de aplicação requerida ou de particularidades do uso final da água quente.

ÂNGULOS RELATIVOS À INSTALAÇÃO DOS COLETORES SOLARES

Inclinação do coletor (ββββ): é o ângulo formado pelo plano inclinado do coletor solar e o plano horizontal, expresso em graus e mostrado na figura 3.10.

β
β

Figura 3.10 – Inclinação do Coletor Solar

Na construção civil e arquitetura é bastante comum expressar o ângulo de inclinação em porcentagem (declividade). Neste caso, devemos fazer a correção necessária com base em cálculos trigonométricos simples. A declividade corresponde geometricamente à tangente do ângulo de inclinação. Na prática, a declividade corresponde à razão ou fração entre a altura e a base do triângulo retângulo formado pelo ângulo de inclinação, como mostra a figura 3.11.

24

Normalmente a declividade é indicada em percentual, mas pode também aparecer na forma decimal.

1,2 m 17° 4,0 m
1,2 m
17°
4,0 m

Figura 3.11 – Medidas e inclinação do telhado

Observe a figura 3.11, tirando as medidas internas do telhado temos:

Altura = 1,2 m; Distância = 4 m; Dividindo a altura pela distância, nós encontramos a inclinação do telhado em porcentagem, sendo:

Inclinação = 1,2 / 4 = 0,3 = 30% de inclinação que corresponde a 17º.

Existe um artefato chamado inclinômetro que pode ser utilizado na prática da instalação e para utilizá-lo basta apoiá-lo sobre o telhado e fazer a leitura direta em graus no visor.

A tabela 3.1 indica uma série de ângulos e suas respectivas tangentes ou declividades:

Tabela 3.1 – Ângulos de inclinação e declividades

Ângulo

Tangente

Declividade

2

o

0,03

3%

5

o

0,09

9%

7

o

0,12

12%

10

o

0,18

18%

12

o

0,21

21%

15

o

0,27

27%

17

o

0,31

31%

20

o

0,36

36%

22

o

0,40

40%

25

o

0,47

47%

27

o

0,51

51%

30

o

0,58

58%

35

o

0,70

70%

40

o

0,84

84%

45

o

1,00

100%

50

o

1,19

119%

55

o

1,43

143%

60

o

1,73

173%

25

65

o

2,14

214%

70

o

2,75

275%

Ângulo azimutal de superfície (γγγγ): corresponde ao ângulo formado entre a direção norte-sul e a projeção no plano horizontal da reta normal à superfície do coletor solar, de acordo com a figura 3.12. Seu valor varia na faixa ( -180º ≤ γ ≤ 180º ), de acordo com a convenção:

γ = 0: para o Sul

γ < 0: passando pelo leste

γ > 0: passando pelo oeste

0: passando pelo leste γ > 0: passando pelo oeste γ < 0: a leste do
0: passando pelo leste γ > 0: passando pelo oeste γ < 0: a leste do

γ < 0: a leste do Sul

γ > 0: a oeste do Sul

Figura 3.12 - Ângulo Azimutal de Superfície

26

Este ângulo permite avaliar o período efetivo de insolação sobre a bateria de coletores solares e é mais comumente referenciado como ângulo de desvio de norte geográfico ou de orientação geográfica dos coletores solares. Na planilha solar tanto o conceito de desvio do norte geográfico como do ângulo azimutal podem ser trabalhados simultaneamente para consolidar o conhecimento.

Em todo o estudo da geometria solar, quando mencionamos o Norte, estamos sempre fazendo referência ao norte verdadeiro ou geográfico. Assim sendo, o instalador deverá fazer a correção (sempre no sentido horário) da declinação magnética a partir da indicação do Norte Magnético pela bússola, como mostra a figura 3.13. Essa correção varia localmente e a cada ano e é dada na tabela 3.2 para as capitais brasileiras.

O calculo da declinação magnética também pode ser feito no seguinte site:

N http://www.ngdc.noaa.gov/seg/geomag/jsp/struts/calcDeclination N NORTE NORTE MAGNÉTICO MAGNÉTICO NORTE
N
http://www.ngdc.noaa.gov/seg/geomag/jsp/struts/calcDeclination
N
NORTE
NORTE
MAGNÉTICO
MAGNÉTICO
NORTE
GEOGRÁFICO
N
1º PASSO
2º PASSO
3º PASSO
W
E
W
E
W
E
S
S
S

Figura 3.12 – Declinação magnética

Tabela 3.2 – Declinação magnética para as capitais brasileiras

Capital

Declinação magnética (em graus)

Porto Alegre

-14,74

Florianópolis

-17,46

Curitiba

-17,3

São Paulo

-19,6

Belo Horizonte

-21,5

Rio de Janeiro

-21,4

Vitória

-22,8

Salvador

-23,1

Aracaju

-23,1

Maceió

-22,9

Recife

-22,6

João Pessoa

-22,4

Natal

-22,1

Fortaleza

-21,6

27

Teresina

-21,4

São Luis

-20,7

Belém

-19,5

Macapá

-18,5

Palmas

-19,9

Manaus

-13,9

Boa Vista

-14,0

Porto Velho

-10,6

Rio Branco

-7,34

Goiânia

-19,2

Cuiabá

-15,1

Campo Grande

-15,2

Brasília

-20,0

POSICIONANDO CORRETAMENTE OS COLETORES SOLARES

Parece intuitivo que a melhor inclinação para uma bateria de coletores solares seria aquela que permitisse “levar” esses mesmos coletores para onde o Sol está em cada dia do ano. Dessa forma, seriam compensadas a latitude local e a declinação solar. Como os coletores solares são instalados fixos devemos nos guiar com por alguns critérios:

Critério 1 – Média anual: Neste caso, a média aritmética calculada a partir das inclinações ótimas nos respectivos solstícios de verão e inverno, coincide com a própria latitude da localidade de interesse, ou seja :

βfixa = lφl onde φ é a latitude local.

Critério 2 – Favorecimento do Inverno: Este critério é muitas vezes aplicado devido à maior demanda de água quente no período de inverno. Neste caso, recomenda-se:

βfixa = lφl + 10° onde φ é a latitude local.

Critério 3 – Períodos de pico de demanda de água quente: Como, por exemplo, o aquecimento solar de água para hotéis na região nordeste do Brasil. Na maioria dos casos, a alta temporada coincide com os meses de verão, portanto o projeto solar deverá contemplar essa especificidade.

Utilize sua planilha de simulação para verificar a variação da radiação solar média anual e mensal e verifique como os valores variam com a alteração da inclinação.

Da mesma forma, parece intuitivo que a orientação ideal do coletor solar seria aquela que possibilitasse os coletores enxergar o Sol durante a maior parte do dia e do ano. Como regra prática atende-se às orientações apresentadas na figura 3.14.

28

Figura 3.14 – Desvios do Norte Geográfico ( ângulos azimutais de superfície) Observe que os
Figura 3.14 – Desvios do Norte Geográfico ( ângulos azimutais de superfície) Observe que os
Figura 3.14 – Desvios do Norte Geográfico ( ângulos azimutais de superfície) Observe que os

Figura 3.14 – Desvios do Norte Geográfico ( ângulos azimutais de superfície)

Observe que os coletores solares podem ser instalados tanto para leste quanto para Oeste, mas para obterem o mesmo desempenho que teriam se orientados para o norte, devem ter sua área acrescida. Falaremos mais disto quando estudarmos os temas dimensionamento e fração solar.

Com um desvio para o Leste, o período diário de captação adiantar-se-á em uma hora a cada 15º de desvio. Se o desvio for para o Oeste, a captação retardar-se-á na mesma proporção, mas com um ligeiro acréscimo de rendimento, já que no período da tarde a temperatura ambiente geralmente é mais elevada.

Utilize a planilha solar para simular os níveis de incidência solar em planos de diferentes inclinações e orientações. Anote os valores das médias mensais de radiação e mais importante do que isto, observe criticamente o comportamento mensal da curva de radiação nestes planos.

ÂNGULOS RELATIVOS À GEOMETRIA SOLAR

Neste item vamos estudar apenas os ângulos horário, zenital e o ângulo de incidência da radiação direta imprescindíveis ao cálculo da radiação solar incidente para inclinação e orientação arbitrárias.

29

Ângulo horário (ωωωω): corresponde ao deslocamento angular do Sol em relação ao meridiano local devido ao movimento de rotação da Terra. Como a Terra completa 360 o em 24 horas, tem-se um deslocamento de 15 0 por hora para a seguinte convenção:

ω = 0: 12 horas

ω > 0: período da tarde

ω < 0: período da manhã

Assim, às 06:00h o ângulo horário é igual a -90º; enquanto que às 16:00h, seu valor é de +60º.

Ângulo zenital (θθθθ z ): é o ângulo formado entre a vertical (zênite) em relação ao observador e a direção do Sol, mostrado na figura 3.15. O ângulo zenital varia entre 0º e 90º, sendo calculado pela seguinte equação :

(3.2) cos θθθθ ==== senδδδδsenφφφφ ++++ cosδδδδcos φφφφcosϖϖϖϖ z θ z
(3.2)
cos θθθθ ==== senδδδδsenφφφφ ++++ cosδδδδcos φφφφcosϖϖϖϖ
z
θ z

Figura 3.15 - Ângulo Zenital

Para determinar a hora do nascer e do pôr-do-sol, correspondente aos ângulos horários (-ω s ) e (+ω s ), o ângulo zenital é igual a 90º. Assim, a equação 3.2 se reduz a:

cos

ωωωω ====

s

- tan

φφφφ

tan

ωωωω ====

s

((((

arcos - tan

φφφφ

δδδδ

tan

δδδδ

))))

30

(3.3)

Conclui-se que o período teórico de horas de insolação (N) pode ser calculado pela seguinte equação:

N ====

2

15

arcos ((((- tanφφφφ tanδδδδ))))

(3.4)

Ângulo de incidência da radiação direta (θθθθ): é o ângulo formado entre a normal à superfície e a reta determinada pela direção da radiação direta, como representa a figura 3.16. Sua variação é: 0º ≤ θ ≤ 90º . O ângulo de incidência da radiação direta sobre uma superfície com determinada orientação e inclinação é calculado pela equação:

cos θθθθ = senδδδδ senφφφφ cos ββββ - sen δδδδ cos φφφφ sen ββββ cosγγγγ +

+ cos δδδδ cos φφφφ cos ββββ cos ωωωω + cos δδδδ sen φφφφ sen ββββ cos γγγγ cos ωωωω

+ cos δδδδ senββββ sen γγγγ sen ωωωω

(3.5)

θ
θ

Figura 3.15 - Ângulo de Incidência da Radiação Solar Direta

Vamos fazer algumas simplificações para fixação do uso da equação 3.5:

Para superfície horizontal - ββββ = 0

Fazendo-se sen β = 0 e cos β = 1, a equação 3.5 é reduzida a:

cos θ = senδ senφ + cos δ cos φ cos ω

31

Verifique que, neste caso, o ângulo de incidência coincide com o ângulo zenital.

Para ângulo azimutal de superfície γγγγ = 180º

Fazendo-se sen γ = 0 e cos γ = -1, a equação 3.5 é reduzida a:

cos θ = senδ senφ cos β + sen δ cos φ sen β + cos δ cos φ cos β cos ω - cos δ sen φ sen β cos ω

Acompanhe o algebrismo a seguir:

.

cos θ = sen δ (sen φ cos β + cos φ sen β)

+ cos δ cos ω (cos φ cos β - sen φ sen β )

cos θ = sen (φ + β) sen δ + cos (φ + β)cos δ cos ω

Para o meio-dia solar ωωωω = 0 e γγγγ = 180º

Fazendo-se sen ω = 0 e cos ω = 1, a equação 3.5 é reduzida a:

cos θ = sem δ sem φ cos β + senδ cos φ sen β

+ cos δ cos φ cos β - cos δ sen φ sen β

cos θ = cos β (senδ senφ + cos δ cos φ)

- sen β (cos δ sen φ - sen δ cos φ)

cos θ = cos (φ - δ) cos β - sen (φ - δ) sen β cos θ = cos [(φ - δ + β) ]

θ = (φ - δ + β )

ou

θ = (-φ + δ - β )

CÁLCULO DA RADIAÇÃO SOLAR GLOBAL INCIDENTE SOBRE SUPERFÍCIE INCLINADA – MÉDIA MENSAL

Duffie e Beckman [1991] apresentam, em detalhes, toda a teoria sobre modelos de estimativa da radiação solar em suas componentes e para médias horárias, diárias e mensais.

Neste manual, vamos discutir apenas a metodologia de cálculo da radiação global em média mensal, visto que este cálculo permitirá escolher a face do telhado mais favorável à instalação dos coletores solares e possibilitara estimar o desempenho destes durante o ano.

A equação proposta por Duffie e Beckman [1991] é:

HT = H

1-

H

D

H

R

B

+

1

H

D

+

cos

β

2

32

+ 

1


H

g

cos

β

ρ

2

 

(3.6)

onde :

H T : radiação solar global incidente no plano inclinado;

H: radiação solar global incidente no plano horizontal;

H D : radiação solar difusa incidente no plano inclinado; (em todos os casos, a barra superior corresponde às médias mensais das radiações)

ρ g : reflectância da vizinhança nas proximidades do coletor solar, cujos valores são fornecidos na tabela 3.2, a seguir.

R B : razão entre a radiação extraterrestre incidente no plano inclinado e na horizontal,
R B : razão entre a radiação extraterrestre incidente no plano inclinado e na horizontal, sendo
calculada pela equação 3.7:
((((
ππππ
´
))))((((
´
ωωωω
sen
δδδδ
sen φφφφ cos
ββββ−−−−
sen
δδδδ
cos
φφφφ
sen
ββββ
cos
γγγγ ++++
))))
sen
ωωωω
cos
δδδδ
((((
cos
φφφφ
cos
ββββ++++
sen
φφφφ
sen
ββββ
cos
γγγγ
))))
180
s
s
R ====
B
((((
ππππ
))))((((
cos
φφφφ
cos
δδδδ
sen
ωωωω ++++
s
ωωωω
sen
δδδδ
sen
φφφφ))))
180
s

onde ω´ s corresponde ao pôr-do-sol aparente para a superfície inclinada, dado pela equação:

 ωωωω ==== mínimo 

´

s

cos

  cos

-1

-1

((((

((((

- tan

φφφφ

- tan(

tan

φφφφ++++ββββ

δδδδ

))))

) tan

δδδδ



)))) 

Tabela 3.3 – Reflectância de Materiais

Material

ρρρρ g

Terra

0,04

Tijolo Vermelho

0,27

Concreto

0,22

Grama

0,20

Barro / Argila

0,14

Superfície Construção Clara

0,60

Fonte :

Siscos [1998]

Agora, vejamos passo a passo a metodologia de cálculo :

Etapa 1 - Cálculo da radiação solar extraterrestre - H o

G

24x3600

====

sc

H

0 ππππ

   

1

++++

 2 ππππ d  

365

0,033 cos 



   cos φφφφ cos

 

((((

33

δδδδ

sen

ωωωω ++++ωωωω

s

s

sen

φφφφ

sen

δδδδ))))

(3.8)

Etapa 2 - Cálculo da radiação solar global incidente no plano horizontal - H

Caso essa informação não esteja disponível, recomenda-se sua estimativa pelo Modelo de Bennett [1965]. Sua equação é expressa por:

H

H

o

==== a ++++

b

n

N

++++ c h

(3.9)

onde:h: altitude da estação (medidas em quilômetros) a, b, c: coeficientes empíricos determinados a partir de dados observados e dados na tabela 3.4.

Tabela 3.4 - Coeficientes empíricos de correlação de Bennett Modificada

Mês

a

b

c

Janeiro

0.225

0.4812

0,0007

Fevereiro

0.221

0.5026

0,0006

Março

0.221

0.5142

0,0005

Abril

0.188

0.5574

0,0005

Maio

0.197

0.5423

0,0004

Junho

0.235

0.4780

0,0004

Julho

0.264

0.4386

0,0004

Agosto

0.291

0.3768

0,0006

Setembro

0.260

0.4242

0,0006

Outubro

0.235

0.4744

0,0005

Novembro

0.207

0.4816

0,0007

Dezembro

0.237

0.4343

0,0007

Fonte : Nunes et al. [1976]

Etapa 3 - Cálculo da radiação solar difusa incidente no plano horizontal - H D

Modelos mais comuns para decompor a radiação solar em suas componentes direta e difusa

baseiam-se no índice de claridade em média mensal K T , definido pela equação:

H K ==== T H o
H
K
====
T
H
o

na qual H é a radiação global diária média mensal e

incidentes em superfície horizontal e já definidas anteriormente.

H

o é a radiação extraterrestre, ambas

Collares-Pereira e Rabl propuseram para cálculo da componente difusa em média mensal, com base no índice de claridade em média mensal.

H

d ====

H

0,775

++++

0,00606 (

ωωωωs

- 90) - [[[[0,505

++++

0,00455 * (

34

ωωωωs

- 90)]]]]* cos( 115 K

T

−−−− 103 )

Etapa 4 – Cálculo da razão R B

Etapa 5 – Cálculo de H T pela equação 3.6

Utilize sua planilha solar para consolidar os conceitos apresentados neste capitulo.

35

Unidade 4- O Coletor Solar Plano

TRANSFERÊNCIA DE CALOR NO COLETOR SOLAR

O coletor solar é basicamente um dispositivo que promove o aquecimento de um fluido de

trabalho, como água, ar ou fluido térmico, através da conversão da radiação eletromagnética

proveniente do Sol em energia térmica.

No coletor solar busca-se, sempre, a maximização da energia absorvida e a minimização das perdas desta energia. De acordo com a NBR 15569, os coletores solares devem ser conforme ABNT NBR 10184 e devem ser capazes de operar nas faixas de pressão, temperatura e demais condições especificadas em projeto, incluindo resistência de exposição direta à radiação solar.

A escolha de um tipo de coletor solar depende basicamente da temperatura de operação requerida em determinada aplicação prática, como mostra a figura 4.1.

determinada aplicação prática, como mostra a figura 4.1. Figura 4.1 – Coletores solares por aplicação e

Figura 4.1 – Coletores solares por aplicação e por níveis de temperatura

No Brasil os coletores solares mais usados são os planos sem cobertura, na sua maioria usados

para o aquecimento de piscinas e os coletores solares planos com cobertura para fins sanitários e

para água quente de processos.

O aquecimento de piscinas a temperaturas entre 26 e 34 o C é normalmente promovido por

coletores solares abertos. Essa designação é utilizada, pois tais coletores não possuem cobertura

transparente nem isolamento térmico. Apresentam ótimo desempenho para baixas temperaturas

o qual decresce significativamente para temperaturas mais elevadas. São fabricados

predominantemente em material polimérico como polipropileno e epdm. Deve-se ficar muito atento, pois materiais plásticos sem o devido tratamento contra radiação UV se desgastam em menos de um ano e portanto os coletores solares devem ser resistentes ao Sol de modo que

36

durem 20 anos. Recentemente tem-se falado de coletores feitos de PVC e garrafas pet e cabe lembrar que estes materiais NÃO são aplicáveis na sua forma final para fabricação de coletores solares destinados ao aquecimento de água nos padrões de durabilidade e saúde exigidos.

Os coletores solares fechados são utilizados para fins sanitários, atingindo temperaturas da ordem de 70 a 80 o C e são os mais utilizados no Brasil.

Entender alguns tópicos de transferência de calor torna mais clara nossa compreensão sobre os parâmetros construtivos dos coletores solares. Tente identificar os principais mecanismos de transferência de calor que acontecem em um coletor solar e fique atento aos seguintes pontos:

A energia solar é absorvida pela placa coletora que se aquece e, devido à diferença de temperatura entre a placa e o ambiente, passa a trocar calor com o meio externo;

A fim de reduzir estas trocas de calor com o meio, a escolha de materiais adequados é de extrema importância no projeto do coletor;

Para reduzir as perdas de calor pela base e laterais do coletor a placa é colocada no

interior de uma caixa, material isolante. Os materiais mais utilizados, juntamente com suas condutividades térmicas estão listados no quadro abaixo;

Materiais isolantes

Condutividade

Térmica (W/m.K)

Lã de vidro Lã de rocha Espuma rígida de poliuretano

0,038

0,040

0,026

São fatores importantes a serem observados quando da escolha do isolamento:

espessura necessária influência no peso final do coletor solar e nos custos envolvidos; quanto menor a condutividade térmica, menor a espessura do isolamento necessária para que se tenha a mesma perda de calor; toxidez, inflamabilidade, resistência mecânica;

A caixa externa, que suporta todo o conjunto e recebe o revestimento isolante deverá

ser resistente ao transporte e intempéries. É geralmente construída em perfil de alumínio, chapa dobrada ou material plástico;

Se a superfície absorvedora é deixada em contato direto com o ar ambiente, além das

perdas relacionadas à radiação, serão significativas as perdas convectivas, reduzindo-se a temperatura de operação. É o caso dos coletores utilizados no aquecimento de piscinas, que são abertos ao ambiente uma vez que não necessitam aquecer a água a temperaturas muito elevadas;

O isolamento térmico do topo do coletor, onde são elevadas as perdas de calor por

radiação e convecção, deve ser feito através de um material que, colocado entre a placa absorvedora e o ar ambiente, seja transparente à radiação solar e, simultaneamente, opaco à radiação emitida pela placa coletora. O vidro e alguns materiais sintéticos se prestam a esta

37

função, servindo de cobertura aos coletores e, ainda, protegendo-os das intempéries aos quais estão permanentemente expostos;

Tendo em vista que o topo do coletor é o local por onde toda a energia solar é captada e,

ao mesmo tempo, por onde ocorrem as maiores perdas térmicas para o meio externo, atenção especial será dada, a seguir, às características espectrais tanto da cobertura como da placa absorvedora.

A CAPTAÇÃO DO CALOR RADIANTE

Todos os corpos emitem radiação térmica dependente de sua temperatura, sendo que quanto maior a temperatura, menor o comprimento de onda da radiação emitida. A temperatura do Sol é estimada em milhões de graus, mas a radiação por ele emitida é equivalente àquela de um corpo a 5800K, com comprimentos de onda de 0 até 3µm, compreendendo a faixa da radiação ultra violeta, visível e parte do infravermelho. Esta é a chamada Banda Solar.

A figura 4.2 representa a variação, com o comprimento de onda, da potência emissiva espectral da radiação solar (E bl ), que é a energia emitida por unidade de tempo e área por um corpo negro à temperatura T. Este valor é calculado pela Lei de Planck e o gráfico evidencia, para um corpo a 5900K, a faixa de comprimentos de onda da radiação emitida.

a faixa de comprimentos de onda da radiação emitida. Figura 4.2 - Potência emissiva do Sol

Figura 4.2 - Potência emissiva do Sol Fonte: http://www2.cptec.inpe.br/satelite/metsat/pesquisa/radsat/radsol.htm

O valor do comprimento de onda para o qual a potência emissiva espectral da radiação emitida por um corpo é máxima, é função da sua temperatura e pode ser calculado através da Lei de deslocamento de Wien:

λ

max

T = 2898

(µm.K)

38

(4.1)

Para o Sol, considerando a temperatura de 5800K, µ max = 0,5µm. Ou seja, o Sol emite radiação numa faixa de 0 a 3µm, sendo que a potência emissiva máxima ocorre para a radiação de 0,5µm. Admitindo, agora, que a placa coletora atinja uma temperatura média de 100 o C (373K), pela Lei de deslocamento de Wien µ max = 7,8µm. Assim, como esperado, a potência máxima da radiação emitida pela placa tem um comprimento de onda maior que a radiação solar estando a banda de emissão da placa absorvedora além da Banda Solar.

Na figura 4.3 mostra-se as curvas típicas de transmissividade espectral para vidros lisos com diferentes espessuras. Observe que o vidro é transparente no comprimento de onda da emissão do Sol ( banda solar) mas é opaco nos comprimentos de onda emitidos pela placa absorvedora, o que comumente chamamos de efeito estufa.

absorvedora, o que comumente chamamos de efeito estufa. Figura 4.3 - Transmitância do vidro - Fonte:

Figura 4.3 - Transmitância do vidro - Fonte: Adaptado de Meinel e Meinel

Estas características espectrais são fundamentais na escolha dos materiais mais adequados aos coletores solares, como a tinta de revestimento da placa absorvedora e o vidro utilizado como cobertura dos coletores. Como nosso objetivo é aumentar o máximo possível a temperatura de equilíbrio da placa do coletor, busca-se maximizar a energia absorvida por ela na banda solar e, portanto, empregar tintas com alta absortividade nessa região do espectro. Como pretendemos também minimizar a energia emitida pela mesma placa, agora na chamada banda de emissão, devemos buscar tintas que emitam menos energia nessa faixa de comprimentos de onda. É o que chamamos de pinturas seletivas.

A Figura 4.4 mostra o comportamento uma superfície seletiva real de óxido de cromo sobre níquel

39

1,2 1,0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 0 1 2 3 4 5 6 7
1,2
1,0
0,8
0,6
0,4
0,2
0,0
0
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
Comprimento de onda (µµµµm)

Figura 4.4 - Comportamento espectral do óxido de cromo Fonte: Adaptação de Duffie e Beckmann [1991]

O conjunto final do coletor solar plano com cobertura, como pode ser visto na figura abaixo, fica assim constituído:

Cobertura

Aleta

Flauta

Isolamento

Caixa

assim constituído: Cobertura Aleta Flauta Isolamento Caixa Figura 4.5 - Componentes do Coletor Solar Basicamente, um

Figura 4.5 - Componentes do Coletor Solar

Basicamente, um coletor solar plano fechado é constituído por como mostra a figura 4.5:

Caixa externa: geralmente fabricada em perfil de alumínio, chapa dobrada, aço inox,

ou material plástico e que suporta todo o conjunto. A missão da caixa é proteger do vento, da chuva, da poeira, suportar os diversos componentes do coletor e atuar como união com a estrutura através dos elementos de fixação necessários. Não é aceitável ter de trocar um coletor,

40

ou a caixa, antes do tempo de vida normal desta, que deve ser pelo menos de 15 anos.A caixa deve ser estanque às entradas de ar e água e resistente à corrosão. Deverão selar-se todas as possíveis juntas, mas terá de haver um sistema de compensação depressão interior que não permita a entrada de água.

Isolamento térmico: minimiza as perdas de calor para o meio. Fica em contato direto

com a caixa externa, revestindo-a. Os materiais isolantes mais utilizados na indústria nacional são:

lã de vidro ou de rocha e espuma de poliuretano. A precaução mais importante é o seu

comportamento com a temperatura, já que no verão e com a instalação parada, pode ultrapassar

os 100º C. O envelhecimento e a umidade são dois fatores a se levar em conta, pois desta maneira perdem-se grande parte das características isolantes.

Tubos (flauta / calhas superior e inferior): tubos interconectados através dos quais o

fluido escoa no interior do coletor. Normalmente, a tubulação é feita de cobre devido à sua alta

condutividade térmica e resistência à corrosão.

Placa absorvedora (aletas): responsável pela absorção e transferência da energia

solar para o fluido de trabalho. As aletas metálicas, em alumínio ou cobre, são pintadas de preto

fosco ou recebem tratamento especial para melhorar a absorção da energia solar.

Cobertura transparente: geralmente de vidro, policarbonato ou acrílico que permite

a passagem da radiação solar e minimiza as perdas de calor por convecção e radiação para o meio ambiente.

As qualidades fundamentais que devem ter são:

o Ter uma boa transparência ( perto de 90%)

o Provocar o efeito estufa e reduzir as perdas por convecção, melhorando o rendimento do coletor.

o Assegurar a estanqueidade do coletor à água e ao ar. As coberturas dos coletores devem resistir à pressão do vento, e aos choques térmicos.

Tratamentos especiais que podem ser aplicados à cobertura transparente são de dois tipos:

o Um tratamento anti-reflexo sobre a superfície exterior para diminuir as

perdas por reflexão dos raios solares incidentes.

o Um tratamento na superfície interior, para que reflita as radiações de elevado

comprimento de onda, e não impeça a passagem da radiação de curto comprimento, para

diminuir as perdas por radiação.

Vedação: importante para manter o sistema isento da umidade externa.

EFICIÊNCIA TÉRMICA DE COLETORES SOLARES

A eficiência térmica dos coletores solares é definida como a razão entre a taxa de calor

efetivamente transferido para a água e a energia radiante incidente na superfície do coletor.

41

η =

Q

util

Q

util

=

Q

incidente

GA .

ext

(4.2)

onde:

Q útil : taxa de calor transferido para a água, W Q incidente : taxa de calor radiante incidente na superfície do coletor, W G : Radiação global incidente no plano do coletor, W/m 2 A ext : área externa total do coletor, m 2

A Eficiência Térmica pelo Método Direto

Na prática, o calor útil transferido à água dos coletores pode ser calculado através das medidas da vazão de água nos coletores e das temperaturas de entrada e saída do fluido uma vez que, da Primeira Lei da Termodinâmica, tem-se que:

Q

útil

= m& c T T

(

p

fs

fi

)

(4.3)

onde m& : vazão mássica da água através do coletor solar, kg/s c p : calor específico à pressão constante da água, igual a 4180 J/kg o C, para a faixa comum de operação T fi e T fs : temperatura da água à entrada e à saída do coletor, respectivamente

Medindo-se, ainda, a radiação global no plano do coletor (G), a eficiência térmica pode ser calculada de acordo com a equação 4.2:

η =

Q util

GA .

ext

A Eficiência Térmica pelo Método das Perdas

Balanço de Energia Global

(4.2)

Na figura 4.6 estão representados, quantitativamente os fluxos de energia em um coletor solar, evidenciando a grandeza da energia incidente e das perdas que normalmente ocorrem no conjunto.

42

Figura 4.6 - Diagrama esquemático dos fluxos de energia no coletor solar Fonte : adaptado

Figura 4.6 - Diagrama esquemático dos fluxos de energia no coletor solar Fonte : adaptado de ADEME, 2002

Em Regime Permanente:

Q

útil

= Q

absorvido

Q

perdas

(4.4)

Q

útil : taxa de calor transferido para a água

Q

absorvido : parcela da radiação incidente que é absorvida pela placa absorvedora

Q

perdas : taxa de calor perdido pela base, laterais e topo do coletor

Calor absorvido

Q

absorvido

= τ α

c p

GA

(4.5)

A: área da placa coletora, m 2 G: radiação solar global incidente no plano do coletor, W/m 2 τ c : transmissividade da cobertura transparente α p : absortividade da placa coletora

Calor perdido

O calor é perdido pela base, laterais e, principalmente, pelo topo do coletor. Assim,

Q

perdas

= Q

topo

+ Q

base

+ Q

laterais

43

(4.6)

Q topo : convecção e radiação Q laterais e Q base : predominantemente por condução através do isolamento

Admitindo que a força motriz responsável pelas perdas de calor é a diferença de temperatura entre a placa (T p ) e o meio ambiente (T amb ), pode-se escrever:

Q

perdas

= U A T T

(

L

p

amb

)

(4.7)

Sendo U L o coeficiente global de perdas de calor, igual à soma dos coeficientes individuais do topo, base e laterais:

U

L

= U

topo

+ U

base

+ U

laterais

(4.8)

A taxa de calor útil, transferido para a água é então:

Q

util

= A τ α G U T T

[

c p

L

p

(

amb

)]

(4.9)

Neste ponto, pode-se calcular a Eficiência do Coletor, como visto acima:

η =

Q

util

Q

util

=

Q

incidente

GA

.

ext

(4.2)

No entanto, esta forma de equacionamento do calor útil não é vantajosa, uma vez que tem como parâmetro a temperatura média da placa absorvedora, de difícil cálculo e medição posto que é dependente de parâmetros de projeto e condições operacionais. Define-se então o Fator de Remoção de Calor do Coletor Solar, como a razão entre o calor útil real e o calor útil máximo que seria transferido para a água. Esta seria uma situação hipotética quando toda a placa estivesse à temperatura de entrada do fluido no coletor (as perdas de calor da placa para o meio seriam mínimas):

Então,

F =

R

Q útil

Q útil (máximo )

Q

util(máximo)

= A τ α G U T T

[

c p

L

fi

(

amb

Q

útil

= F A τ α G U T T

R

[

c p

L

fi

(

amb

)]

44

)]

e

(4.10)

(4.11)

(4.12)

A Eficiência do Coletor Solar pode, finalmente, ser dada por:

η

=

A

A

ext

F

τ α

R c

p

F U T

R L

fi

T

(

)

amb

G

(4.13)

Os gráficos de n versus (T fi -T amb )/G como mostrado na figura 4.7, serão ricos em informações uma vez que a equação acima tem a forma da equação de uma reta cujo termo independente e inclinação são dados por:

inclinação = −

A

A ext

termo independente =

. F U

R L

A

.

A ext

F

τ α

R c

p

(4.14)

(4.15)

Conhecendo-se o significado da inclinação e do ponto onde as retas tocam o eixo das ordenadas, é possível, então, avaliar aspectos importantes relativos ao coletor como as perdas térmicas e, principalmente, o Fator de Remoção de Calor, pontos de partida para a identificação e otimização de parâmetros críticos ao desempenho de todo sistema de aquecimento solar.

100,0 80,0 60,0 40,0 20,0 0,0 -0,020 0,000 0,020 0,040 0,060 Eficiência Térmica (%)
100,0
80,0
60,0
40,0
20,0
0,0
-0,020
0,000
0,020
0,040
0,060
Eficiência Térmica (%)

(Tfi - Tamb)/G

Figura 4.7 - Curva de Eficiência Térmica Instantânea de Coletores Solares

O Fator de Remoção de Calor

Duffie e Beckmann (1991) obtiveram uma expressão analítica para o Fator de Remoção, cuja forma final evidencia sua dependência tanto com fatores de projeto como operacionais:

F =

R

mc &

p

AU .

L

1

exp

AU F ' mc &

L

p

45

(4.16)

onde m& : vazão mássica do fluido, kg/s c p : calor específico à pressão constante do fluido em J/kg o C F’: Fator de Eficiência do Coletor, calculado por:

F '

=

LFator de Eficiência do Coletor, calculado por: F ' = W    1 U

W

1

U D W DF

L

+

[

(

)

]

+

R '

cont

+

1

Dh

π

i

f , i

(4.17)

onde W: espaçamento entre os tubos; D: diâmetro externo dos tubos; D i : diâmetro interno dos tubos; F: eficiência das aletas; R' cont: resistência de contato entre a placa absorvedora (aletas) e os tubos, por unidade de comprimento, na direção do escoamento do fluido; h f,i : coeficiente convectivo de transferência de calor entre a superfície interna dos tubos e o fluido, calculado a partir de equações clássicas de transferência de calor;

O Fator de Eficiência do Coletor é, então, fortemente dependente:

de parâmetros de projeto como o diâmetro e o espaçamento entre os tubos;

de parâmetros de fabricação, como é o caso do contato entre a aleta e os tubos. Este

contato deve ser tal que minimize a resistência e facilite a transferência do calor da aleta para os

tubos; quanto maior esta resistência, menor será F';

da eficiência das aletas

Destaca-se, aqui, a importância de uma alta eficiência das aletas para que se obtenha uma alta eficiência dos coletores e, conseqüentemente, um elevado fator de remoção de calor, haja vista que teremos sempre:

F > F’ > F R

Influência dos Parâmetros de Projeto na Eficiência das Aletas e Coletores

Nos gráficos abaixo, é analisada a variação da eficiência das aletas com o tipo do material e a espessura da placa utilizada.

46

1 0,9 0,8 0,7 0,6 F 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 0 1 2
1
0,9
0,8
0,7
0,6
F 0,5
0,4
0,3
0,2
0,1
0
0
1
2
3
4
5
[U L /(k placa δδδδ placa )] 1/2 L aleta

Figura 4.8 - Eficiência das aletas

Otimização da Aleta de Coletores Solares

0,70 Alumínio 0,60 0,50 U L = 6,5W/m 2 ºC 0,40 0,30 0,20 Cobre 0,10
0,70
Alumínio
0,60
0,50
U L = 6,5W/m 2 ºC
0,40
0,30
0,20
Cobre
0,10
0,00
5
6
7
8
9
10
11
12
Espessura Mínima da Placa (mm)

Nº de tubos/metro linear

Figura 4.9 (a) - Influência dos parâmetros de projeto - coletor tipo B

47

Otimização da Aleta de Coletores Solares

2,50 Alumínio 2,00 U L = 6,5W/m 2 ºC 1,50 1,00 Cobre 0,50 0,00 5
2,50
Alumínio
2,00
U L = 6,5W/m 2 ºC
1,50
1,00
Cobre
0,50
0,00
5
6
7
8
9
10
11
12
Espessura Mínima da Placa
(mm)

Nº de tubos / metro linear

Figura 4.9 (b) - Influência dos parâmetros de projeto - coletor tipo A

Para o aumento da eficiência das aletas é, então, recomendável:

Materiais de alta condutividade térmica, como cobre e alumínio

Placas de maior espessura

Maior número de tubos por metro linear de coletor solar a fim de reduzir o espaçamento entre os mesmos.

A planilha solar tem como dados de entrada o FR(ττττ c αααα p ) e o FR(U L ). Estas grandezas são avaliadas nos ensaios dos coletores solares realizados no contexto do PBE- Programa Brasileiro de Etiquetagem. Daí a grande importância do programa no contexto de se fazer um projeto de engenharia correto. Estas grandezas são especificas para cada coletor solar no Brasil e no mundo e devem ser requisitadas pelos projetistas aos fabricantes de equipamentos ou ainda retiradas da tabela do INMETRO. http://www.inmetro.gov.br/consumidor/tabelas.asp

No anexo IV encontra-se mais informações sobre o PBE – Programa Brasileiro de Etiquetagem de Coletores Solares.

48

Unidade 5 - O Reservatório Térmico

O reservatório térmico tem como função armazenar a água aquecida nos coletores evitando ao máximo a perda de calor do fluido para o meio externo. Os reservatórios térmicos de acumulação da água quente em instalações de aquecimento solar são dimensionados para garantirem a demanda diária de água quente do consumidor final na temperatura requerida pela aplicação

O primeiro passo na escolha do reservatório adequado a cada projeto consiste na determinação de seu volume, o que é feito a partir do dimensionamento da demanda diária do volume de água quente necessário. Tal dimensionamento será visto com detalhes em unidade posterior. Nesta etapa, é também previsto o sistema de aquecimento auxiliar, objetivando a garantia de fornecimento de água quente em períodos de baixa insolação ou consumo excessivo de água quente.

Estudos recentes realizados na Inglaterra e disponíveis em (http://www.bsee.co.uk/news /fullstory.php

estabelecem os cuidados básicos no

armazenamento de água (quente e fria). Tais critérios, que visam evitar a proliferação de bactérias como a Legionella, são assim enumerados:

/aid/3618/Managing_the_risk_from_Legionnaires_disease

html)

1. O volume armazenado de água quente e fria deve ser reduzido ao mínimo necessário.

Reservatórios devem ser fechados para prevenir a entrada de material orgânico.

2. Isolamento dos componentes para que as temperaturas permaneçam fora da faixa crítica de

crescimento das bactérias, entre 20 e 50 o C. Para a Legionella, a faixa ótima de crescimento está entre 35 e 46 o C, sendo instantaneamente destruída em temperaturas superiores a 70 o C. Para valores acima de 50 o C, essa bactéria sobrevive no máximo entre 5 e 6 horas, segundo Jaye et al [2001] em um estudo nacional realizado para os bombeiros hidráulicos da Nova Zelândia.

3. Emprego de materiais metálicos e inorgânicos nas conexões e acessórios das tubulações.

4. Limpeza regular das partes vulneráveis do sistema

Os reservatórios podem ser abertos (não pressurizados) ou fechados (pressurizados) sendo estes últimos os mais comuns, uma vez que são adequados à instalações de pequeno, médio e grande porte; são constituídos, basicamente, por um corpo interno revestido externamente por um material isolante e recobertos por uma proteção externa como mostra a figura 5.1.

49

Figura 5.1 - O reservatório térmico De acordo com a NBR 15569, os reservatórios térmicos

Figura 5.1 - O reservatório térmico

De acordo com a NBR 15569, os reservatórios térmicos devem ser conforme ABNT NBR 10185 e devem ser capazes de operar nas faixas de pressão, temperatura e demais condições especificadas em projeto, incluindo resistência de exposição direta à radiação solar (se aplicável).

Fatores relevantes em um Reservatório Térmico:

Corpo interno:

Por ficar em contato direto com a água é geralmente fabricado com materiais resistentes

à corrosão, como cobre e aço inoxidável. No entanto, podem ser encontrados no mercado reservatórios feitos com fibra de vidro e polipropileno; ressalta-se, aqui, a importância dos testes normalizadores em todos os tipos de produtos;

Alguns materiais metálicos necessitam de proteção interior contra corrosão, seja

mediante pintura tipo epóxi ou esmaltagem. Em regiões de água muito agressiva haverá necessariamente a necessidade de um anodo de sacrifício (geralmente de magnésio) para proteger o reservatório.

Deve suportar as variações de pressão que porventura ocorram devido ao aumento da

temperatura da água (expansão) e flutuações na rede de abastecimento. Quanto maiores as pressões de trabalho previstas, maiores deverão ser as espessuras da parede do corpo interno. Por exemplo, no mercado brasileiro, essa espessura varia entre 0, 4 e 0,8mm para o aço inoxidável, em valores aproximados;

Deve ser resistente termicamente às oscilações de temperaturas;

Isolamento térmico:

O isolamento deve impedir ou minimizar a transferência de calor da água contida no

interior do reservatório para o meio externo. Desta forma, similarmente ao que acontece nas placas coletoras, o isolamento deve oferecer grande resistência à passagem do calor, dificultando

ao máximo sua transferência de um meio para outro.

O calor perdido mensalmente no reservatório pode ser calculado pela seguinte equação:

50

Q RT

=

ρ

c V

p ef

(

T

i

T

amb

)

-Us t

1 - e ρ

c

p

V

ef

N

i

(5.1)

onde N i : número de dias do mês de referência ρ: densidade da água, na temperatura média de armazenamento, igual a 1000kg/m 3 ; c p : calor específico da água para a temperatura média de armazenamento, igual a 4180 J/kg°C; V ef : capacidade volumétrica efetiva do tanque, em m 3 ; t: período de tempo de armazenamento, em segundos; T i e T f : temperatura da água no início e final do período de armazenamento, respectivamente; T amb : temperatura ambiente média durante o armazenamento. U s : coeficiente de perda de calor, expresso em W/ºC, calculado segundo a Norma ISO 9459 por:

U =

s

T i

ρ

c V

p ef

ln

T

amb

t

T

f

T

amb

(5.2)

O material isolante mais utilizado é o poliuretano expandido, cuja condutividade térmica

é igual a 0,026 W/m.K e tem a vantagem de conferir ao reservatório uma boa rigidez estrutural. Para o poliuretano, de uso muito difundido no Brasil, a espessura normalmente empregada é, aproximadamente, 50 mm para um tanque de 100 litros e 20 mm para um tanque de 1000 litros.

Proteção externa

Normalmente feita em alumínio, aço galvanizado ou aço carbono pintado, a importância

da proteção externa está em preservar o conjunto das intempéries, danos relativos a transporte,

instalação, etc

Tipos de Reservatórios Térmicos

Os reservatórios térmicos podem ser classificados usualmente de várias maneiras:

Quanto ao seu posicionamento físico os reservatórios são classificados em horizontal

e vertical

Quanto a pressão de trabalho, são classificados como de alta e baixa pressão;

Quanto seu funcionamento podendo operar em desnível ou em nível com caixa de

água fria;

Quanto ao tipo de troca de calor, em circuito direto (sem trocadores de calor) ou indireto ( com trocadores de calor).

A correta seleção dos reservatórios térmicos é fundamental para o bom desempenho de uma instalação de aquecimento solar.

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A Estratificação nos Reservatórios Térmicos

Uma vez que o reservatório recebe fluxos tanto de água quente como de água fria provenientes do coletor e da caixa de alimentação, respectivamente, as diferenças de temperatura e, conseqüentemente, de densidade da água, farão com que a água mais quente fique na parte superior e a água mais fria na parte inferior do reservatório. É o efeito da estratificação.

Além do efeito isolante, função primeira do reservatório térmico, deve-se ressaltar que o desempenho do sistema termossolar como um todo é fortemente dependente da temperatura de entrada da água no coletor, água esta proveniente da base do reservatório térmico. Será visto adiante que, quanto mais baixa for esta temperatura, maior o desempenho resultante do sistema. Assim, pode-se dizer que a estratificação da água no interior dos reservatórios é, também, fator de importância fundamental.

Para potencializar este efeito, recomenda-se a instalação dos reservatórios na posição vertical. Com isto, reduz-se a área de troca de calor entre as próprias camadas de água, favorecendo a estratificação. No entanto, muitas vezes o projeto arquitetônico não comporta tal configuração adotando-se, então, a posição horizontal. Os reservatórios fabricados com materiais maus condutores (como é o caso dos reservatórios plásticos) também favorecem a estratificação.

plásticos) também favorecem a estratificação. Figura 5.2–Diagrama esquemático da estratificação da

Figura 5.2–Diagrama esquemático da estratificação da água no reservatório térmico

Ainda que a energia contida nos 2 reservatórios térmicos seja a mesma, o dono da instalação 1 fica mais satisfeito pois tomará mais banhos quentes que o dono da 2ª instalação que terá de usar o apoio convencional.

Para fomentar a estratificação é importante a existência de dispositivos que impeçam a projeção água da rede ( fria) que entra, em direção a saída, como é o caso do difusor ( bengala) mostrada na figura. A existência do difusor faz com que a água fria que entra, funcione como um embolo que empurra a água quente sem se misturar.

Mais adiante veremos que uma correta associação de reservatórios térmicos em instalações de médio e grande porte, permite obter uma melhor estratificação da temperatura.

Para encontrar os reservatórios térmicos etiquetados visite o site do INMETRO:

http://www.inmetro.gov.br/consumidor/tabelas.asp

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Unidade 6- Dimensionamento de Instalações de Aquecimento Solar e a Economia Anual de Energia

O dimensionamento adequado de um sistema de aquecimento solar (SAS) não é uma tarefa simples, exigindo o conhecimento prévio dos hábitos de consumo de água quente pelos usuários finais, com base em uma análise criteriosa do tipo da construção que receberá os coletores solares, disponibilidade de radiação solar nas condições específicas da obra, fatores climáticos locais e desempenho térmico dos produtos, dentre outros. O organograma da figura 6.1 evidencia as principais etapas a serem cumpridas para um correto dimensionamento de uma instalação de aquecimento solar.

.

dimensionamento de uma instalação de aquecimento solar. . Figura 6.1–Etapas para o correto dimensionamento de uma

Figura 6.1–Etapas para o correto dimensionamento de uma instalação de aquecimento solar

A visita técnica, caracterizada como Passo 1 do Dimensionamento, evidencia a necessidade de se

identificar as expectativas do empreendedor ou usuário final quanto ao nível de conforto e economia a serem atingidos com uso do sistema de aquecimento solar através de questionários, pesquisa de hábitos, etc. Nessa oportunidade, é feita também uma avaliação prévia dos locais disponíveis na obra para inserção dos componentes de uma instalação. Neste caso, em obras já construídas a visita técnica ao local é de fundamental importância. No caso de obras novas, entenda-se como visita técnica a analise em conjunto com o empreendedor das plantas de projeto da edificação.

O dimensionamento correto de uma instalação de aquecimento solar depende de :

Condições climáticas locais;

Hábitos de consumo dos usuários;

Vazão de água quente dos equipamentos definidos;

Temperatura da água aquecida.

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DEMANDA DE ÁGUA QUENTE

Para dimensionar a necessidade de água quente dos usuários, caracterizada pelo volume diário de água quente e temperatura de operação requerida, é importante ter-se conhecimento prévio de padrões de consumo para diferentes edificações brasileiras, em função das classes sociais e das aplicações finais para o setor residencial, industrial e de serviços

O levantamento da demanda de água quente é feito com base em informações gerais obtidas a partir de:

Normas de Instalações Prediais de Água Quente, como NB128 e NBR7198;

Pesquisa de hábitos dos usuários potenciais;

Observação, sensibilidade e bom senso;

Experiência.

Para promovermos este dimensionamento, pode-se consultar a Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Quente – NB 128; já que sua substituta mais recente NBR/7198 não apresenta estimativas de consumo de água quente. Entretanto, os valores constantes nesta norma, apresentados na Tabela 6.1, devem ser, ainda, avaliados criticamente em função do nível sócio - econômico da família e seus hábitos atuais.

Tabela 6.1 – Consumo médio estimado de água quente

Uso final / Aplicação

Consumo estimado (litros/dia)

Alojamento provisório

24

/ pessoa

Casa popular ou rural

36

/ pessoa

Residência

45

/ pessoa

Apartamento

60

/ pessoa

Quartel

45

/ pessoa

Escola ou Internato

45

/ pessoa

Hotel (excluídas a cozinha e lavanderia)

36

/ hóspede

Hospital

125 / leito

Restaurante ou similar

12

/ refeição

Lavanderia

15 / kg de roupa seca

Fonte :ABNT Norma Brasileira de Instalação Predial de Água Quente – NB 128

Entretanto, uma análise simples dos valores apresentados nessa tabela nos leva a buscar explicações:

- Por que o hóspede de um hotel consumiria água quente de modo similar ao morador de um casa popular?

- Por que o morador de um apartamento gastaria mais água quente do que o de uma residência?

No Brasil, tem-se, ainda, grande carência de informações sistematizadas sobre o perfil de consumo de água quente no setor residencial. Por causa de tais paradoxos, é que bom senso, observação

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crítica e conhecimento prévio da aplicação e tipologia construtiva se tornam tão importantes no dimensionamento da demanda diária de água quente.

A forma de dimensionamento mais adequada pode ser desenvolvida com base na vazão e capacidade dos equipamentos de uso final, além do tempo e freqüência de sua utilização. A tabela 6.2, apresenta valores típicos para uso residencial.

Tabela 6.2 – Vazão e temperatura de água quente de equipamentos

Peças

Consumo mínimo

Consumo máximo

Ciclo diário

eratura de consumo (oC)

(minuto/pessoa)

de banho

6,6 l/min

12,0 l/min

10

39

– 40

rio

3,0 l/min

4,8 l/min

2

39

– 40

Higiênica

3,0 l/min

4,8 l/min

2

39

– 40

ra

80

l

440

l

banho

39

– 40

inha

3,0 l/min

4,8 l/min

3

39

– 40

uças

20

l

20 l

ciclo de lavagem

39

– 50

soas)

   

na de lavar roupa

90

l

200

l

ciclo de lavagem

39

– 40

Fonte :NBR 12269

Em boa parte das residências onde são instalados chuveiros de potência até 5200W, a vazão do banho é limitada pelo próprio equipamento entre 4 e 6 litros/minuto. Uma vazão racional de banho ficaria entre 7 e 10 litros por minuto mas existem usuários que optam por vazões irracionais de água com duchas de 20, 30, 50 litros por minuto. Este tipo de uso de água quente não condiz com a realidade de desenvolvimento sustentável e deve ser evitada por todos projetistas que podem lançar mão de redutores de vazão por exemplo, até que exista uma necessária regulamentação nacional que limite as vazões das duchas fabricadas no país, a números mais racionais.

CONSUMO DE ÁGUA – PENSAR RACIONALMENTE PARA NÃO FALTAR NO FUTURO

Debater tecnologias usando o tema sustentabilidade como premissa básica e necessária, exige uma análise criteriosa de vários pontos de vista e que traduzam o real impacto destas tecnologias no desenvolvimento da sociedade em harmonia com o meio ambiente. Um dos principais temas da atualidade no Brasil e no mundo passa pelo uso dos aquecedores solares. Alguns setores menos informados insistem em dizer que o uso dos aquecedores solares aumenta o consumo de água e esta afirmação não é verdadeira.

Vamos analisar duas tecnologias distintas sob o ponto de vista de consumo de água e energia, analisando o chuveiro elétrico e o aquecedor solar.

A tabela 6.3 mostra o consumo de água que as duas tecnologias demandam:

Tabela 6.3 – Consumo de água entre aquecedor solar e chuveiro elétrico

Tecnologia

Aquecedor Solar

Chuveiro

Vazão de agua

3 litros por minuto

3 litros por minuto

Consumo diário no uso final por domicilio

96 litros

96

litros

Consumo diário na geração de energia elétrica por domicilio

0

48

litros

Consumo no tempo de espera por domicilio

0,75 litros

 

0

Consumo diário por tecnologia por domicilio

96,75 litros

144 litros

Consumo anual por domicilio

35.313 litros

52.560 litros

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Um primeiro fato a constatar é que a decisão de usar mais ou menos água é decidida pelo consumidor e exclusivamente por ele. O aquecedor solar também pode ser utilizado com vazão de 3 litros por minuto, a exemplo do que é feito nas mais de 20 mil habitações de interesse social que hoje já usam os aquecedores solares. Portanto as vazões de consumo de água são exatamente as mesmas, ou seja, uma casa com padrão de banho de 3 litros por minuto, 8 minutos de banho e 4 moradores pode usar o chuveiro e o aquecedor solar consumindo para os banhos exatamente a mesma quantidade de água. O aquecimento solar é moderno porque pode ser acoplado a sistemas existentes, pode ser projetado em novas edificações por diferentes métodos, mas quem decide quanto tempo de banho e quais as vazões de água desejadas são os usuários. Hoje o consumidor pode comprar chuveiros e duchas com vazões que vão de 3 a 60 litros por minuto, este último valor demonstra que as mesmas empresas que disponibilizam chuveiros elétricos com vazões racionais entre 4 e 6 litros por minuto, também disponibilizam no mercado duchas e chuveiros com vazões muitíssimo superiores.

Mas esta não pode ser o único ponto a ser analisado. Como já comentado no capítulo 1 e revisando aqui, o PROCEL - Programa Nacional de Combate ao Desperdício de Energia Elétrica da Eletrobrás, estima que existam entre 27 e 30 milhões de chuveiros elétricos instalados no Brasil. Esses equipamentos, além de consumirem cerca de 5% de toda a eletricidade produzida no país, são responsáveis por aproximadamente 18% do pico de demanda do sistema elétrico nacional. Por outro lado, para gerar a energia elétrica necessária para ligar o chuveiro elétrico somente no horário de ponta, ou seja, das 18 às 21 horas, se gasta muita água. Como citado, o chuveiro elétrico responde pela construção e operação de 18% de todas as usinas de energia elétrica construídas no Brasil, ou seja, cerca de 18.000 MW de potência no horário de ponta. Neste horário de pico de demanda, várias termelétricas são acionadas para gerar energia para o banho habitual e pouco sustentável do brasileiro.

No que concerne ao funcionamento das termelétricas, dois pontos que preocupam especialistas do mundo inteiro, nos parece merecer muita atenção:

O volume de água necessário à geração do vapor indispensável ao acionamento das turbinas, e A poluição emitida pela queima dos combustíveis utilizados nas termelétricas, como o carvão mineral, o óleo combustível, o óleo diesel e o gás natural.

Para ilustrar a preocupação com o consumo de água das termelétricas, vamos comparar o consumo de uma destas com o consumo de uma região metropolitana: a termelétrica de SUAPE, em Pernambuco, localizada a cerca de 50 km do Recife é projetada para gerar 523 MW queimando gás natural e consumindo um volume de água aproximado de 36.000 m³/h (equivalente a 10 m³/s), enquanto a Companhia Pernambucana de Saneamento (COMPESA) fornece aos 3 milhões de habitantes da região metropolitana do Recife cerca de 12 m³/s. Portanto, uma única usina térmica de 523 MW consume mais que o volume d’água fornecido aos habitantes de uma metrópole como o Recife.

Por volta de 90% da água utilizada pelas termelétricas evapora, comprometendo assim a disponibilidade hídrica para outros usos na bacia hidrográfica. Se alocarmos o consumo de água das termelétricas aos distintos usos de eletricidade, a quota parte dos chuveiros elétricos é de aproximadamente 48 litros por domicilio como mostra a tabela 6.3

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Deste resultado podemos afirmar que o uso de aquecedores solares economiza pouco mais de 17.000 litros de água por ano e por domicilio. Para a cidade de São Paulo, com seus mais de 11 milhões de habitantes, a hipotética substituição dos chuveiros por aquecedores solares economizaria mais de 48 bilhões de litros de água por ano, e isto ao longo de 20 anos, vida útil dos aquecedores solares. Não é a toa que Israel, país que sofre de forte escassez hídrica, os aquecedores solares são obrigatórios desde 1980.