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Estudo de obras literárias UFU Prof. Jorge Alessandro Estudo da obra Prof. Jorge Alessandro
Estudo de obras literárias UFU
Prof. Jorge Alessandro
Estudo da obra
Prof. Jorge Alessandro
O Autor
O Autor
Análise temática
Análise temática

Afonso Henriques de Lima Barreto nasceu no Rio de Janeiro em 1881. Filho de pais mestiços viveu parte da infância na Ilha do Governador, onde o pai, ex-tipógrafo da Imprensa Nacional, era almoxarife da Colônia dos Alienados. Após os estudos secundários no Colégio D. Pedro II, ingressou no curso de Engenharia da Politécnica, do qual saiu em 1903, para cuidar do pai, mentalmente enfermo. Concursado, trabalhou na Secretaria da Guerra, o que lhe deu tranquilidade financeira. Datam desse período alguns de seus contos e publicações na imprensa. Vítima de preconceitos, viveu intensamente todas as contradições do início do século, entregando-se à depressão e ao álcool. Esteve duas vezes internado no Hospício Nacional, devido à bebida (1914 e 1919). Morreu de colapso cardíaco, em 1º de novembro de 1922, solteiro, com apenas 41 anos.

Importante!
Importante!

Lima Barreto representa socialmente as condições a que estariam submetidos os negros, mestiços e pobres no Brasil pós-abolicionista.

Destaca a questão do racismo, a classe social e o gênero; desvelando a condição social da mulher negra e moradora das periferias, numa sociedade machista e patriarcal.

Critica a educação dada às mulheres que resultava em moças passivas, sem iniciativa e abobalhadas.

Critica o governo que fechava os olhos para as necessidades do subúrbio e cobrava altos impostos dos pobres.

A literatura de Lima Barreto chama atenção para sua biografia, já que o autor vivenciou
A literatura de Lima Barreto chama
atenção para sua biografia, já que o
autor vivenciou muito dos preconceitos
que narra em seus livros.
Observe a presença de personagens
artistas e poetas desprezados em sua
obra.
de personagens artistas e poetas desprezados em sua obra. Denuncia o comportamento da justiça, pois Cassi

Denuncia o comportamento da justiça, pois Cassi Jones contava com a benevolência dos juízes e delegados que no fundo julgavam um absurdo o casamento dele com mulheres de cor.

Critica a política baseada em favores pessoais e não cuidava das necessidades coletivas

Denuncia o trato ingrato e mesquinho que o país dá aos seus grandes autores e o pouco caso com a cultura.

Viagem pelo contexto
Viagem pelo contexto

O final do século XIX e o início do século XX foi marcado pela ascensão do regime republicano e por diversas manifestações populares que se opunham ao sistema político, bem como combatiam as injustiças sociais, que foram deixadas de lado pelas oligarquias cafeeiras que controlavam a máquina eleitoral. Nesse contexto marcado por modificações nas cidades e, ao mesmo tempo, abatidas por crises sociais que se estenderam também ao campo, resquícios de um processo de abolição tardio e mal executado, nasce o Pré- Modernismo. Um período transitório na produção literária, no qual alguns autores, ainda não modernos, buscavam inovar e romper com o passado. Nesse momento efervescente de ideias, com estilos variados, destacam-se alguns autores que, embora com individualidades marcantes, mantêm alguns pontos em comum com relação às obras. Os Sertões e Canaã, publicados em 1902, marcam o início do período pré-modernista.

em comum com relação às obras. Os Sertões e Canaã, publicados em 1902, marcam o início

Estudo de obras literárias UFU

A Linguagem
A Linguagem

Prof. Jorge Alessandro Rio de Janeiro numa casa de subúrbio com sua família: a esposa (Engrácia dos Anjos) e a filha (Clara dos Anjos)

Joaquim era natural de Diamantina-MG, mas se muda para o Rio de Janeiro acompanhando um estrangeiro como carregador de bagagens (John Herbert Brown). Ao fim do serviço resolveu ficar no Rio. Consegue emprego no funcionalismo público (carteiro).

Vende o que tinha em Diamantina e compra “seu buraco”.

O narrador faz uma ampla descrição do espaço insalubre

do subúrbio carioca e dos tipos sociais.

filha Clara (17 anos) é educada pelos pais para ser uma moça recatada e discreta. Só saia de casa na presença

A

Lima Barreto abandona o modo artificial e erudito de escrever, dominante em seu tempo,

Foi acusado de ser um escritor semianalfabeto, por insistir em utilizar uma linguagem coloquial próprio da fala cotidiana.

O estilo da narrativa é objetivo, incorporando a linguagem do texto jornalístico, com frases espontâneas.

dos pais ou com a amiga da família D. Margarida.  Estudo da narrativa No
dos pais ou com a amiga da família D. Margarida.
Estudo da narrativa
No domingo, Joaquim dos Anjos joga cartas e bebe parati
com os amigos Marramaque e Lafões. O narrador traça o
perfil dos dois personagens.
TEMPO
Primeira República
Início do Século XX
Primeiras décadas após a abolição
O
aniversário de Clara dos Anjos está próximo, então,
Lafões propõe convidar um cantador de modinhas
chamado Cassi Jones para animar a festa. Marramaque
protesta dizendo tratar-se de um pilantra. Clara ouve tudo
e fica curiosa: “- Quem seria esse Cassi?”
ESPAÇO
CAPÍTULO II
►Rio de Janeiro  Subúrbio carioca.
►Espaço de exclusão social.
►Trânsito entre a cidade e o subúrbio, que se constitui
pelas “perambulações” realizadas pelos personagens
centrais da narrativa.
O
narrador apresenta o núcleo familiar do violeiro Cassi
Jones. Sua mãe, Salustiana, uma mulher vaidosa com
manias de superioridade e o pai, Manuel Borges, um
homem de valor e moral.
Importante!
O espaço é um elemento “determinante”,
pois os personagens, por mais que
tentem, não conseguem escapar à
miséria social imposta pelo meio em que
vivem. (Romance de Tese)
Cassi Jones é revelado como verdadeiro vagabundo,
preguiçoso, sem caráter e mulherengo. Gostava de se
vestir bem, deflorava moças virgens e desonrava
mulheres casadas. O sobrenome “Jones” era usado
apenas para impressionar.
Cassi não suporta trabalhar. O principal “ofício” de Cassi
Jones era a rinha de briga de galo. Cuidava dos seus
galináceos com esmero.
A
mãe, D. Salustiana, não suportava a ideia de ver o filho
NARRADOR
► O romance é narrado em 3ªpessoa (narrador onisciente).
Conta a história ao passo que revela os aspectos
psíquicos dos personagens.
casado com mulheres pobres e mulatas, portanto
defendia como podia o filho nas questões em que ele se
envolvia. Nem o pai, nem as irmãs (Irene e Catarina)
apoiavam Cassi Jones, ao contrário enojavam-se dele.
Narra-se o caso que fez o pai decidir expulsar de vez o
filho de casa: Cassi seduz e desonra uma jovem (Nair), e
► Possui características do narrador flâneur: Aquele que
perambula pela cidade descrevendo seus espaços e
habitantes típicos.
a
mãe da jovem suicida-se. O pai o expulsa, mas a mãe o
mantém às escondidas.
O narrador descreve o círculo de “amigos” (Cassi não
nutria afetos por ninguém) com quem o sedutor convivia:
Importante!
Ataliba do Timbó, Zezé Mateus, Franco Souza e Arnaldo
(todos iguais a Cassi).
Lima Barreto emprega a técnica dos
autores realistas, descrevendo os
espaços e personagens (traços físicos e
psicológicos) com acúmulo de minúcias.
CAPÍTULO III
O
narrador conta a história de Marramaque, a saída de
ENREDO
sua cidade do interior e sua chegada à Corte (Rio de
Janeiro), seu gosto pela leitura e pela poesia, seu encanto
por Casimiro de Abreu (Poeta do Romantismo) e sua vida
de poeta fracassado.
CAPÍTULO I
 Apresentação do personagem Joaquim dos Anjos, um
carteiro amante de modinhas e polcas que se instalou no
Explica que em virtude do hábito de ler jornais é que
acabou por conhecer as pilantragens de Cassi Jones.
Relembra o caso da mulher de um gaúcho que foi

Estudo de obras literárias UFU seduzida por Cassi: o marido matou a esposa e perseguiu Cassi que acabou sendo preso.

Foi na prisão que Lafões conheceu Cassi. Lafões havia sido preso por causa de uma briga de botequim. De forma ardilosa, Cassi mente para Lafões dizendo que entraria em contato com seus conhecidos para livrá-lo da prisão. Lafões, homem simplório, é naturalmente solto e acredita que foi por intervenção de Cassi.

Na casa de Joaquim dos Anjos, acontece a discussão se deveriam ou não convidar o cantor de modinhas (Cassi) para o aniversário de Clara. Marramaque é contra, Lafões defende-o. Clara, que ouve a conversa, aumenta sua curiosidade.

O carteiro acaba decidindo pela aprovação do rapaz no aniversário. Lafões se encarrega de avisá-lo. Os amigos de Cassi Jones ficam sabendo e já começam a comentar maldosamente o caso.

CAPÍTULO IV

Este capítulo narra a festa do aniversário de Clara dos Anjos. Entre os convidados era predominante a presença de velhos e velhas, já que Clara, por não sair de casa, não possuía relações e amizades.

O narrador descreve alguns “tipos” que estavam na festa:

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O narrador salienta que os pais não permitiam que Clara fosse desacompanhada sequer ao armazém. Assim o espaço do armazém começa a ser descrito juntamente com os “tipos” (personagens) que o frequentavam:

Rosalina (pobre mulher entregue ao álcool), Alípio (um bêbado de bons modos), Valentim (um cachaceiro português), Leonardo Flores (poeta que fora famoso mas

No armazém,

se encontrava em decadência) conversam sobre Cassi Jones.

CAPÍTULO VI

     “É ele! É ele!” CAPÍTULO VII   
“É ele! É ele!”
CAPÍTULO VII

D. Margarida (a vizinha, uma Russa destemida, exemplo de mulher independente), o senhor Praxedes (com mania de assuntos jurídicos), senhor Menezes (figura cômica preocupado com a comilança da festa)

Cassi Jones resolve intensificar os planos para chegar a Clara. Resolve investigar melhor quem são as pessoas que se interpõem em seu caminho: desconfia que sejam D. Margarida e Marramaque.

Para tirar a dúvida, vai visitar Lafões. De forma dissimulada, fazendo perguntas indiretas, consegue ouvir da filha de Lafões (Edméia) a confirmação de que o Marramaque não gosta dele.

De volta para a casa de seus pais, Cassi Jones ouve, às escondidas, uma conversa que sua família tem à mesa do jantar na presença de seu tio Augusto. Ali ele fica sabendo que, secretamente, alguém está distribuindo pelos correios papais com relatos sobre os casos criminosos de Cassi.

Cassi Jones teme que a polícia possa captura-lo. Pensa, então, em fugir, mas decide que só o fará após resolver o “caso” com Clara dos Anjos.

Combina com Armando para que este vá ao armazém de “seu” Nascimento para colher informações sobre quem está falando mal dele. Na venda, Armando escuta Marramaque denunciando Cassi Jones em voz alta.

Este capítulo se inicia com uma rica descrição do subúrbio, o “refúgio dos infelizes”. O narrador destaca a pobreza e desordem dos casebres, a falta de saneamento, as brigas e a solidariedade dos pobres, o cuidado com os mortos, etc. Verdadeira sociologia das favelas cariocas.

Cassi Jones, ainda intrigado com as revelações de Arnaldo, pensa em como chegar até Clara. Numa conversa com Praxedes, descobre que o Dr. Meneses está tratando dos dentes de Clara dos Anjos.

O narrador faz um “parêntese” para contar a história do Dr. Meneses, de como aprendeu o ofício de dentista (não era formado) e saiu de sua terra para tentar a sorte na capital no trabalho com as máquinas. Tudo falou e acabou na decadência.

Cassi procura o Dr. Meneses e, sabendo de sua amizade com o poeta Leonardo Flores, pede que o dentista lhe consiga alguns versinhos de amor. Cassi dá dinheiro a Dr. Meneses, mas Leonardo Flores não aceita fazer poemas por dinheiro.

CAPÍTULO VIII

Mais uma vez o narrador destaca a natureza pacata de Joaquim, a falta de inteligência e perspicácia de D.

O cantor Cassi Jones demora a chegar, todos o aguardam ansiosos. Quando este chega, causa grande

rebuliço, chama a atenção de todos

Depois de um tempo, Cassi é convidado a cantar. Após insistência de Clara, Cassi Jones canta suas modinhas, revirando os olhos de maneira atrevida e sensual. Clara fica seduzida, Marramaque, no entanto, fica de olho desconfiado.

Marramaque pede a palavra e declama um poema satírico olhando fixamente para Cassi. O cantor percebe que era uma indireta para ele e promete vingança.

Ao fim da festa todos se retiram. Engrácia e Joaquim decidem que aquela era a última vez que Cassi colocaria os pés em sua casa (não gostaram dele). Clara, que ouve tudo, chora em silêncio.

CAPÍTULO V

A história e a personalidade de D. Engrácia são ampliadas no capítulo, destacando sua passividade e pouca instrução. Assim, explica-se porque Clara não recebeu educação enérgica e instruções sólidas, ao contrário, alimentou-se de ilusões e ingenuidades.

O ambiente familiar marcado pelo gosto pelas modinhas e canções amorosas também influenciou na visão romântica e irreal de Clara.

Cassi faz uma visita de surpresa à casa do carteiro. É recebido com estranhamento pelos pais. Clara, entretanto, no seu íntimo se revolta contra os cuidados excessivos dos pais e lamenta não poder namorar como as demais jovens.

Estudo de obras literárias UFU Engrácia e a pouco preparo de Clara para as situações práticas da vida.

Explica-se a origem das dores de dente que levaram os pais de Clara a contratarem os serviços do Dr. Meneses. Cassi Jones, se aproveitando do estado de miséria do dentista, corrompe-o e passa a comunicar-se com Clara pelas cartas que ele levava e trazia.

Dr. Menezes tem consciência do papel torpe que está fazendo, mas não pode resistir ao dinheiro que Cassi lhe dá. Clara, a cada cartinha fica mais apaixonada, melancólica, sonhadora. Os pais a levam ao médico que não encontra nada de errado.

Clara dos Anjos confessa a D. Margarida o caso. A vizinha conta para a mãe da menina e toda a família fica sabendo. Numa reunião com Marramaque e Lafões, os pais de Clara discutem o que fazer. Marramaque ameaça entregar os crimes de Cassi nos jornais (Clara ouve tudo

e

“namorado”)

O capítulo termina com a morte de Marramaque, assassinado numa emboscada por Cassi e um comparsa (Arnaldo).

CAPÍTULO IX

Prof. Jorge Alessandro Cassi Jones não aparece, assim, Clara se recolhe chorando.

As rodas de amigos na casa do carteiro diminuem. Após a morte de Marramaque, Joaquim dos Anjos perde o entusiasmo.

O narrador apresenta o fim decadente dos personagens Dr. Meneses e Leonardo Flores, o primeiro tomado pelo remorso e pela demência, ambos vencidos pela decadência, pobreza e pela bebida saem juntos pela noite e dormem ao relento.

CAPÍTULO XI

 por meio de uma carta conta o que ouviu ao   polícia investiga
por meio de uma carta conta o que ouviu ao
polícia investiga o crime sem qualquer pista de
cai na bebedeira.
mão quando for preciso fugir.
Importante!

A

culpados. A população fica revoltada com a morte de um pobre velho paralítico. Arnaldo tem crises de consciência

e

Clara dos Anjos e Dr. Meneses são os únicos que possuem as pistas para o crime. Clara escreve sua última carta ao Cassi Jones combinando com ele um encontro. O Meneses lê a carta, prevê o desastre, mas já foi longe demais e não ê como voltar. (Sente-se desprezível).

Cassi deseja ir até o fim com o caso de Clara, mas prevê que a confusão será grande e prepara tudo para fugir. Vende os galos de briga e mente para a mãe dizendo que irá trabalhar na construção de uma estrada do Mato Grosso. D. Salustiana fica indignada de ver o filho trabalhar em posição subalterna.

Cassi Jones vai ao centro do Rio de Janeiro para

depositar o dinheiro da venda no banco. No centro, fica intimidado diante dos hábitos elegantes dos homens e das vitrines. Desiste de depositar o dinheiro, prefere tê-lo

à

Uma jovem o reconhece: é Inês, uma crioulinhaque a mãe criara e que ele engravidou. Depois de expulsa pela mãe, ela caiu na miséria. Quando reconheceu Cassi, fez um escândalo na rua. Cassi volta para o subúrbio.

No dia seguinte, Leonardo Flores acorda e encontra o amigo Dr. Meneses morto. Um colapso cardíaco o tinha levado. Leonardo, transtornado, declama poesias enquanto ajunta a multidão em volta. A polícia leva-o e depois o libera.

Praxedes vai á casa de Joaquim dos Anjos avisá-lo mas não o encontra em casa. Então diz à D. Engrácia que Dr. Menezes tinha apenas dois amigos Joaquim e Cassi Jones, mas este último embarcara para São Paulo havia 15 dias. Clara ouve aquilo e tem certeza que foi abandonada.

Desesperada e consciente do engano em que se meteu, Clara dos Anjos lamenta sua ingenuidade. Pensa em procurar D. Margarida para que ela a ajudasse a abortar, mas teme que, pelo seu caráter, a vizinha não ajude.

Muda de plano e resolve pedir dinheiro emprestado a D. Margarida para fazer o aborto escondida. D. Margarida desconfia e descobre tudo. As duas vão contar a tragédia para a mãe de Clara.

D. Engrácia fica sabendo de tudo e se desespera. Com a ajuda da vizinha, decidem ir à casa de Cassi Jones falar com sua mãe. Entretanto D. Salustiana despreza as mulheres, alegando que seu filho era inocente e não se casaria com uma preta. Seu Manuel Borges lamenta envergonhado.

O romance termina com o triste reconhecimento de Clara dos Anjos de que gente como ela e sua família não valiam nada nesse mundo.

Note que o único personagem feminino que escapa ao estereótipo da passividade é D. Margarida. Ela mostra- se atuante, enérgica e precavida diante dos homens.

CAPÍTULO X

Clara dos Anjos observa o céu noturno, melancólica, enquanto aguarda por Cassi. A esta altura, o leitor fica sabendo que Clara e Cassi já se encontraram algumas vezes e que numa noite, alegando a chuva que caía, ela permitiu que ele entrasse em seu quarto. Consumaram o ato sexual e Clara está grávida.

Cassi Jones a enganou, dizendo que quando arranjasse emprego se casaria com ela. A madrugada avança e

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Questões
Questões

03. Considerando o fragmento contextualizado da obra,

está correto o que se afirma na alternativa:

(A) O narrador conduz a narrativa, mantendo um distanciamento crítico, evitando, assim, um ponto de vista subjetivo e parcial.

(B) O relacionamento de Marramaque ─ na condição de

poeta ─ com os frequentadores da venda é conflituoso, por ele não ter a aprovação pública de seus versos.

(C) O narrador, quando se refere a Marramaque como “pobre

contínuo”, deprecia-o socialmente.

O padrinho de Clara e seu núcleo familiar comprovam, na

(D)

01. Considere o trecho abaixo, retirado de Clara dos Anjos e analise as proposições na sequência:

Chegou à repartição, assinou o ponto, cumprimentou os colegas e chefes; e, à hora certa, tomou a correspondência a distribuir e lá correu para escritórios, casas de comércio, entregando cartas e pacotes. Vinha tudo isto com nomes arrevesados: franceses, ingleses, alemães, italianos, etc.; mas, como eram sempre os mesmos, acabara decorando-os e pronunciando-os mais ou menos corretamente. Gostava de lidar com aqueles homens louros, rubicundos, robustos, de olhos cor do mar, entre os quais ele não distinguia os chefes e os subalternos. Quando havia brasileiros, no meio deles, logo adivinhava que não eram chefes. Almoçava frugalmente e até às cinco executava o serviço, isto é, as várias distribuições de correspondência.

I. O trecho apresenta a relação entre desigualdade social e etnia, no Brasil, quando contrapõe a diferença entre chefes estrangeiros e subalternos brasileiros. II. A descrição da exploração de que Joaquim é vítima em seu trabalho é um dos aspectos da exploração racial abordada no romance. III. Em outros momentos do romance, podemos propor uma contraposição entre D. Margarida, que se adaptara ao Brasil “sem perder nada da tenacidade, do esprit de suite, da decidida coragem da sua origem”, e a passividade de Joaquim e sua família: nessa comparação, entreveem-se influências das teorias deterministas na formação do caráter de uma pessoa, que se molda pelo ambiente em que viveu.

Agora, assinale a opção que contém apenas afirmações corretas:

(A)

(B)

(C)

(D)

(E)

02. Leia o excerto a seguir, retirado de Clara dos Anjos:

Assim, sem outra preocupação, naquela tarde tempestuosa, conversaram na venda, enquanto Marramaque estivera e mesmo depois da sua saída. É óbvio que nenhuma das pessoas que lá estavam poderia adivinhar o que lhe ia acontecer pelo caminho. Chuviscava teimosamente, mas não havia o que se chama uma chuva torrencial, quando o pobre contínuo se despediu. É verdade que a noite estava pavorosa de escuridão, e ameaçadoras nuvens pairavam baixo, ainda mais carregando de treva a atmosfera e ofuscando os lampiões, cuja luz oscilava sob o açoite de um vento constante e cortante. Não se via, como é costume dizer-se, um palmo diante do nariz.

(E) destino de Marramaque. (A) (B) segundo ele, é “o refúgio dos infelizes”. (C) se
(E)
destino de Marramaque.
(A)
(B)
segundo ele, é “o refúgio dos infelizes”.
(C)
se aproximar do drama do povo.
(D)
pobres da cidade.
―Mamãe, Mamãe!
―Que é minha filha?
―Nós não somos nada nesta vida.
05.
correta.
(A)
(C)

I,II e III

I e III

II e III

III

I e II

obra, a degradação social dos moradores do subúrbio.

descrição da paisagem constitui um prenúncio do trágico

04. Assinale a alternativa INCORRETA acerca do romance Clara dos Anjos, de Lima Barreto.

O romance de Lima Barreto demonstra a opção do autor

pelos pobres, oprimidos, negros e mulatos, denunciando a marginalidade em que estes vivem.

No livro, o autor aborda, enfaticamente, as disparidades

sociais do Brasil, por isso opta pelo espaço do subúrbio, que,

Um dos alvos do escritor é a figura do literato empolado

da belle époque, contra quem a letra de Barreto se opõe, por

A ambientação no subúrbio da cidade do Rio de Janeiro

traz à tona a vida simples, bucólica e pacata dos moradores

Todos os Santos -Rio de Janeiro-Dezembro de 1921-janeiro de 1922. BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. Tecnoprint/Ediouro, s/d. p. 77.

De acordo com o trecho acima, assinale a alternativa

O diálogo entre dona Engrácia e sua filha Clara simboliza

de forma alegórica a desumanização da mulher negra e

pobre, numa sociedade regida por D. Pedro I, mas manipulada por uma elite branca preconceituosa. (B) Este pequeno diálogo pode ser considerado uma metáfora de uma classe social típica da Primeira República:

indivíduos escravos, sem perspectiva de ascensão econômica, os quais lutavam pela assinatura da Lei Áurea.

O diálogo entre Clara e sua mãe, Engrácia, que aparece

ao final do romance Clara dos Anjos, publicado em plena Monarquia, simboliza a falta de perspectiva da mulher negra,

analfabeta e pobre.

(D) Este pequeno diálogo, que fecha o final do romance Clara

dos Anjos, pode ser considerado uma metáfora do sofrimento de uma classe social que, mesmo com a assinatura da Lei Áurea, continuava estigmatizada etnicamente.

Estudo de obras literárias UFU A muito custo, devido às insistências de Dona Margarida, consentira em ajudá-la nos bordados, trabalhados para fora, com o que ia ganhando algum dinheiro. Não que ela fosse vadia, ao contrário, mas tinha um tolo escrúpulo de ganhar dinheiro por suas próprias mãos. Parecia tolo a uma moça ou a uma mulher.

BARRETO, Lima. Clara Tecnoprint/Ediouro, s/d, p.72.

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(C) O trecho demonstra como o ambiente da elite carioca da

época em que se passa o romance avaliava a situação dos

negros e mestiços.

(D) O trecho aponta para o desprestígio da situação dos

negros em geral à época da escrita do romance, a despeito

do crescimento econômico desse grupo pós-abolição.

(E) Diferentemente de outras personagens, Cassi via a

situação das mulheres negras e mestiças de modo particular:

para ele, elas tinham o mesmo status social das mulheres brancas.

Assim, sem outra preocupação, naquela tarde tempestuosa, conversaram na venda, enquanto Marramaque estivera e mesmo depois da sua saída. É óbvio que nenhuma das pessoas que lá estavam poderia adivinhar o que lhe ia acontecer pelo caminho. Chuviscava teimosamente, mas não havia o que se chama uma chuva torrencial, quando o pobre contínuo se despediu. É verdade que a noite estava pavorosa de escuridão, e ameaçadoras nuvens pairavam baixo, ainda mais carregando de treva a atmosfera e ofuscando os lampiões, cuja luz oscilava sob o açoite de um vento constante e cortante. Não se via, como é costume dizer-se, um palmo diante do nariz.

dos

Anjos.

São

Paulo:

06. Em relação às personagens D. Margarida e Clara, é

correto afirmar que:

(A)

alguém indiferente aos sofrimentos de Clara dos Anjos,

Dona Margarida é caracterizada, no romance, como

Dona Margarida, sogra de Clara dos Anjos, sempre se Dona Margarida, personagem secundária do enredo
Dona Margarida, sogra de Clara dos Anjos, sempre se
Dona Margarida, personagem secundária do enredo de
Dona Margarida pode ser considerada uma personagem
(A)
O enredo da obra “Clara dos Anjos”, de Lima Barreto,
(C)
da desilusão amorosa, reafirmando a triste realidade
(D)
trágico destino de Marramaque.
da injustiça contra os oprimidos, revelando o jogo de
(E)
contínuo”, deprecia-o socialmente.
do preconceito racial e social, vivenciado pelos negros e
Considere o seguinte trecho da obra Clara dos Anjos,
Na sua vida, tão agitada e tão variada, ele sempre

tornando-se, a cada dia, uma triste senhora, muito apática e distante dos compromissos e dos relacionamentos familiares.

(B)

compadeceu da nora, menina simples e pobre, tratando, desde sempre, de ajudá-la financeiramente, ensinando-a ganhar seu próprio dinheiro com pequenos trabalhos de

agulha.

(C)

Lima Barreto, tem enorme influência no desenvolvimento emocional e psíquico de Clara dos Anjos, incentivando-a, inclusive, a se casar com o aventureiro Cassi Jones.

(D)

oposta à protagonista Clara dos Anjos, uma vez que é uma

BARRETO, Lima. Clara dos Anjos. São Paulo: Scipione, 1994. p. 82. (Clássicos Scipione)

mulher mais objetiva e pragmática frente à vida, menos sonhadora e mais realista diante dos relacionamentos humanos.

09. Considerando o fragmento contextualizado na obra, está correto o que se afirma na alternativa.

O relacionamento de Marramaque na condição de

07.

retoma uma das constantes da ficção que predomina entre o período da implantação do Naturalismo e do Modernismo, que é a questão (A) da solidão, retratando-a por meio de romances

poeta com os frequentadores da venda é conflituoso, por

ele não ter a aprovação pública de seus versos. (B) O narrador conduz a narrativa, mantendo um

distanciamento crítico, evitando, assim, um ponto de vista subjetivo e parcial.

conflituosos e reprimidos.

(B)

daqueles que não “enxergavam” a diferença de classes.

(C)

mentira, poder a que as pessoas estão sujeitas.

(D)

mestiços.

O padrinho de Clara e seu núcleo familiar comprovam, na

obra, a degradação moral dos moradores do subúrbio.

A descrição da paisagem constitui um prenúncio do

O narrador, quando se refere a Marramaque como “pobre

Contatos: Email: livrovivo@hotmail.com www.facebook.com/jorgelivrovivo Whatsapp: (38) 99179-4259 Site:
Contatos:
Email: livrovivo@hotmail.com
www.facebook.com/jorgelivrovivo
Whatsapp: (38) 99179-4259
Site: jorgealessandro.wix.com/livrovivo

08.

de Lima Barreto:

observou a atmosfera de corrupção que cerca as raparigas do nascimento e da cor de sua afilhada; e também o mau conceito em que se têm as suas virtudes de mulher. A priori, estão condenadas; e tudo e todos pareciam condenar os seus esforços e dos seus para elevar a sua condição moral e social. Com base nessa obra, assinale a alternativa correta.

(A) Em todo o romance, há uma atmosfera de pessimismo

em relação à situação social da mulher negra e da mulher mestiça.

(B) O trecho em questão destoa do todo do romance, uma

vez que retrata uma particularidade da situação dos afrodescendentes do período descrito por Lima Barreto.

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