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12 ESTRUTURAS DA SOCIEDADE coletiva (durkheimiana) que serve para integrar os membros de forma re- lativamente répida e segura Referéncias ¢ leitura complementar ALDRIDGE, A. Religion in she Contemporary Word: A Sociological Introduetion. 3.ed, Cambridge: Polity, 2013, BARONE, C. Aneo-dutkheimian analysis ofa new religious movement: the case 36(2), 2007, 117-40, ing without Belonging. Oxford: Blackwell, 1994 FENN, R.K. Key Thinkers i -MAFFESOLI, M. The ciety: London: Sage, (Ed, Bras: Tempo das ris: odecinio do indvidualsmo, $0 evlo Forense Université a 2006) 1 Sociology of Reigon. New York: Continuum, 2009. Tubes: The Decline of Individualism in Mass So- SuTTO, PQ > Ce ocin TEMAS OPORTUNIDADES DE VIDA DESIGUAIS CLASSE Definigao pritica Posicio econ6micarelativa de grandes grupos sociais, definida em re lagio & ocupagao, posse de propriedades e riqueza ou escolhas de estilo ce vida. Origens do conceito Eantigaa discordancia entre socilogos sobre classe social desdeosur- gimento das diferentes teorias eabordagens de Marx e Weber. Para Marx, define-se classe como um grupo de pessoas que possuem uma relagio co ‘mun cam os meios de produgao — sem delongas, ou sd0 proprietérios ou indo proprietirios ~ e os sistemas de classe, portanto, abrangem a maior parte da histéria humana, Nas sociedades pré-industriais, as duas prin- cipais classes exam de proprietérios de tertas (aristocratas, nobres ou donos de escravos) e daqueles que trabalhavam na terra (servos, escravos camponeses livres) equipamentos eo capital necessério para compré-los se tomaram mais importantes do que a terra, As duas principais classes hoje sio as de quem 16 ‘OPORTUNIDADES DE VIDA DESIGUAIS possui os novos meios de produgao — os capitalistas - e os que ganham, a vida vendendo o potencial de trabalho para aqueles —a classe trabalha- dora ou proletariado. ‘Também para Weber, classe se baseia em condigdes econdmicas es- tipuladas de maneira objetiva, porém para ele havia uma série de fatores econémicos tao importantes quanto isso. As divisées de classe no s6 da propriedade ou auséncia dela, mas também de habi qualificagBes, as quais afetam os tipos de trabalho que as pessoas sio ca- pazes de assumir. A posigao dentro do mercado de trabalho influencia fortemente as oportunidades de vida das pessoas. As ocupagies geren- ciais e profissionais trazem saldtios mais altos, melhores condigdes de trabalho e mais “regelias” do que o trabalho indu tivo, Da mesma maneira, profission. ais bem pagos do que os que possuem trabalhos que exigem pouca ou ne- rnhuma qualificacio. A posigio de classe é, portanto, determinada por um conjunto de fatores bastante complexos ¢ nao pode ser reduzida a mera propriedade dos meios de producéo. Weber fez ainda uma distingao en- ou administra- capacitados so, em geal tre classe e sia, sendo este formado a partir das percepcdes de outras pessoas e nio da situagZo econdmica objetiva de um individuo. Nos i- timos anos, o debate se concentrou na possibilidade de a classe estar em. declinio em significado pratico e se os esquemas de classe também de- veriam incluir preferéncias dos consumidores e outros fator Significado e interpresacao ‘A maioria dos socidlogos hoje concordaria que classe social é uma forma de estratificagio sacial que caracteriza os pafses moderns ¢ in- dustrializados do mundo, ainda que tenha se difundido para outras sociedades com 0 avango do capitalismo, Classes sio grandes grupos de pessoas que compartilham os mesmos recursos econdmicos ¢ estes, Por stia vez, influenciam totalmente o tipo de estilo de vida que elas conse~ guem levar. A posse de riqueza e a ocupagao so as principais bases das diferencas de classes. Os soci6logos, de modo geral,concordam que clas- se é amaisfluida forma de estratificacao, pois as classes no sio entidades CLASSE 48 legais as fronteiras entre elas no s20 fixas e no ha restrigBes para casa- _mentos entre pessoas de classes diferentes. Pesquisas mostram também que a posicao de classe de nascenga pode até limitar, mas nao impedir 0 movimento das pessoas pelos sistemas de classe. Estudos da mobilidade social mostram que as pessoas podem al- cangar, e alcangam, a sua posigio de classe, e isso nitidamente contradiz, por exemplo, o sistema indiano de castas, que nio permite esse movi- mento, Os sistemas de classe s40 impessoais ¢ a posicéo individual de classe objetiva, no relacionada as suas relagdes pessoais, que cos- tumam formar uma érea da vida bastante distinta. Estudos teéricos € cempfricos investigaram as conexdes entre posicdo de classe e outras di- mensées da vida social, como padrées de voto, satide e conhecimento ‘educacional. Os socidlogos tentaram mapear a estrutura de classe das sociedades modemas criando esquemas que captam o maximo de estru- tura ocupacional possivel dentro do minimo de categorias necessarias. ‘Ossocidlogos costumam usara ocupacao como amplo indicador de clas- se social porque as pesquisas mostram que os individuos com a mesma cocupagio tendema vivenciarestilos de vida parecidos e apresentar opor tunidades de vida semelhantes. (Os esquemas “relacionais" de classes sao preferidos por muitos ana- listas de classe, pois trazem a tona algumas das mudancas de tensdes desigualdades dentro da sociedade, bem como mudangas de cate- gorias de emptego e novas tendéncias ocupacionais. John Goldthorpe trabalhou no estudo de classes durante muitos anos e criou um esquema _weberiano a ser aplicado em pesquisas empiricas. © esquema de clas- ses de Goldthorpe foi criado no como uma hierarquia, mas como uma representagéo da natureza “relacional” da estrutura contemporanea de classes. Seu esquema original identifica localizagdo da classe com base na situagdo do mercado edo trabalho. A situagéo do mercado esté ligada os niveis salariais, seguranca do emprego e perspectivas de progres- 0, 20 passo que a situacio do trabalho se concentra em questées como controle, poder e autoridade. Mais recentemente, Goldthorpe (2000) enfatizou as telagdes de emprego em vez da "situagio do trabalho”, cha- ‘mando a atengao para os diferentes tipos de contratos de trabalho. 4s (OPORTUNIDADES DE VIDA DESIGUAIS Aspectos comtroversos A teoria ea anise de classes possuem uma longa histéria na So- ciologia, porém enfrentam criticas desde a década de 1980 por parte de socidlogos que acreditam na perda de significedo de classe. Fakulski e ‘Waters (1996) afrmaram que a globalizagao produziu uma divisio do trabalho global na qual as prinepaisdesigualdades ocortem ene um pais e outto,e no denro dos Estados-nagao, e que os paises desenvol- vidos se tomaram sociedades pés-industrais baseadas em ocupacSes na drea de servicos e na crescente individualizacio. Segundo eles, isso resultou no surgimento do convencionalismo do status, um sistema de dlesigualdade baseado no constumismo e nas escolhas de estilo de viéa em vez de classe social Para outros, a expansio da educagio superior e a ampliagdo das oportunidades que ela proporciona,além de muitos outros empreendi- ‘mentos bem-sucedidos, alguns deles usando novas tecnologia como a transtando pelo sistema de clases, so provas de mais mobi- ‘ede um movimento uido entre as lasses, Mais uma vez, o resultado é um enfraquecimento das comunidades baseadas em classe e da identifcacdo de classe, A classe ficou menos importante paraas pes- soas dando lugar a género, etnia sexualidade ¢afliagao politica como fontes deidentidade Outro problema das andlises sobre classe a sua incapacidade de lidar adequademente com ginero, baseando-seno satus de classe derivado do “chefe da familia, partindo-se do pressuposto de que c homnem sustenta a casa. Portanto, deduz-se qual € posigio de classe da mulhera partir da posigao de classe de seu parceir,stuacio essa que pode te fncionado no 9 oslo, por una ez que mas meres ead oem «empregos remunerados, isso se tomou um dado pouco confivel. Tam bea cou multo afl assmilar grupos come estuantes, apsertadon, desempregadis, entre outros, nas categoras de classe, o que significa que o esquema é incompleto parcial. Lasse a Relevancia continua ‘Até seria possivel admitir uma diminuigao na identificagio com as classes, porém isso nao significa que a classe também tena se tornado irtelevante na influéncia das oportunidades de vida das pessoas. De ma neira subjetiva, as pessoas podem nao se ver como pertencentes & classe ia, € assim por diante, mas um considerivel conjunto de pesquisas sociolégicas continua a mostrar que a classe em que nascemos é um forte determinante de nossas oportunidades de vida (Crompton, 2008). As abordagens marxista e weberiana esto corretas ‘em manter 0 foco no caréter objetivo da classe social se quisermos en- tender como e por que as desigualdades se perpetuam. Na verdade, as desigualdades entre ricos e pobres se acentuaram em muitos paises de- senvolvidos nos tltimos trinta anos a despeito do crescimento de suas ‘economias. De volta & distingio original de Weber entre classe e status, Chan € Goldthorpe (2007) explicam que essas sao duas formas relacionadas de estratificagio, mas com resultados distintos. No Reino Unido, a posicao econémica ¢ as oportunidades de vida continuam sendo estratificadas por classe social, bem como as atitudes poltticas esquerda-dircita ¢ as preferéncias eleitorais entre os dois principais partidos politicos (Con- servador e Trabalhista) Entretanto, 0 estudo sugere que 0s padrées de consumo cultural ea probabilidade de adotar ativudes libertétias ou au- toritétias sao influenciados mais por status social do que por classe. No centanto, classe e status se relacionam de maneiras bastante complexas. Por exemplo, classe continua a ser o melhor previsor de valores polt ticos e preferéncias bisicas do eleitor sobre questdes materiais, mas 0 status influencia fortemente as atitudes das pessoas sobre “questées liga- das a ideais® como censura, vigilincia e ética. Por isso, a combinagao dos efeitos de classe e status oferece maior potencial explicativo do que se li- dassemos com cada tipo de estratificacio separadamente. Considerando o niimero maior de teorias recentes que sugerema per- dda gradual do significado de classe, alguns estudos se aprofundaram na ‘experiéncia de classe em locais especificos. Vincent, Ball ¢ Braun (2008) 148 (CPORTUNIDADES DE VIDA DESICUAIS usaram métodos qualitativos em um estudo empirico da *auséncia de classe trabalhadora’ no interior de Londres, focando especificamente em assisténcia & ctianga e os recursos dispontveis para as pessoas admi- nistrarem a vida. Um contraste fundamental identificado pelos autores diferenciava os que “Iutam para lidar com os problemas” e a maioria ‘que “consegue lidar com os problemas". Estes possuiam um bom ca- pital social (apoio de amigos e familia), capital cultural (credenciais educacionais) e capital eondmico (emprego, ainda que instvel). Embo- 1a as pessoas da classe trabalhadora nessa pesquisa compusessem uma amostra heterogénea, tudo indica que classe social se mantém como um importante indicador objetivo das oportunidades de vida. Referéucias eleitura complementar CHAN, T. W; GOLDTHOREE, JH. Class and status the conceptual distinction and its empirical relevance, American Scciologial Review, 72(4), 2007, p512-82. CROMPTON, R Class and Swaifcaton. 3.04, Cambridge: Polity, 2008. EDGELL, S. Class. London: Routledge, 1993 COLDTHOR?E, JH. On Secolggy: Numbers, Nazzatives and the Integration of Research and Theory. Oxford: Oxford University Press, 2000, PAKULSKI, J; WATERS, M. The Death of Class. London: Sa VINCENT, C BALL, S.J; BRAUN, A. It’ like saying * ding and analysing the urban working classes, Sociological Review, 56 pé177. ENERO, Definigao prética Expectativas com relacdo aos tragos e comportamentos sociais, cul- turaise psicolégicos considerados apropriados para os membros de uma determinada sociedade. ccENERo 49 Origens do conceito © tema género foi quase totalmente negligenciado na S que o surgimento de um conjunto de estucios feministas empiticos e ted- ricos a partir da década de 1960 chamou a atencéo para as tremendas, desigualdades entre homes e mulheres, até mesmo nas sociedades mo- demas. A Sociologia cléssica inegavelmente ignorou a ordem de genero ominada pelo homem, com o funcionalismo, por exemplo, baseado na teoria de que as diferencas de géneto estio alicercadas nas necessidades funcionais da sociedade, como funcdes “expressivas” executadas por ‘mulheres no lar comparadas com fungées “instrumentais"realizadas pot hhomens na economia formal. Os estudos feministas contestaram essa desigualdade aparentemente natural, mostrando que o dominio mascu: Lino tinha muito mais ver com dominio de classe. Mesmo assim, alguns tedricos usaram teorias e conceitos sociol6gicos jd existentes para exp cara desigualdade de géneros, como socializacdo e uma versio da teoria ddos confitos, Nos dltimos anos o préprio conceito de género passou aser considerado rigido demais, sugerindo-se que “genero' seria um conceito altamente instavel em permanente processo de mudanga. Significado einterpretagio Em Sociologia, género se rfere as diferencas psicolégicas, sociais ¢ culturais entre homens e mulheres, enquanto “sexo” «as anatomicase fs distingSo entre sexoe género é fundamental, pois muitas diferencas entre homens e mulheres nao séo biolbgicas em sua origem. A maioria dos so- cidlogos afirma que nao hé evidéncias dos mecanismos que vinculariam as forgas biolégicas ao comportamento social complexo e diversifica- do demonstrado pelos seres humanos, o que significa que género é uma igicas entre os corpos masc construgao social complexa. ‘Alguns soci6logos acham que a socializagao de género aprender 0 papel de cada género por meio de canais sociais como familia, escola ¢ :idia de massa ~ ajuda a explicaras diferencas de géneros observades. 150 (OPORTUNIDADES DE VIDA DESIGUAIS elo processo de socializacao, as criancas internalizam as normas ¢ ex- pectativas sociais de seu sexo bioldgico e, dessa forma, as diferencas de sgénero sio reproduzidas culturalmente ¢ homens e mulheres socializa- dos em papéis distintos. Brinquedos e roupas diferenciados por géneroe papéis estereotipados na TV, no cinema e nos videogames so exemplos de incentivos culturais em prol da conformidade com as expectativas de género, Estudos mais recentes defendem que a socializagio de género ‘do € um processo simples ou de mao tnica, pois as pessoas se envol- ver ativamente com ela e podem rejeitar ou modificar as expectativas, ¢ isso toma a socializagdo inerentemente instavel e aberta a contestagdes. A distingéo basica entre género e sexo também é refutada por al- BOS que a consideram errénea, implicando que hd um cerne biolégico cuja cultura se sobrepée as diferencas de género. Em vez de considerar sexo como biologicamente determinado e género como cul- turalmente aprendido, hé quem enxergue hoje sexo e género como construgdes sociais. Nio é apenas a identidade de género, mas 0 pré- prio corpo humano que est sujeito as forcas sociais que o influenciam alteram. As pessoas optam por construir e reconstruir 0 corpo do jei- to que bem entendem, desde praticas de exercicios, dietas, colocagao de piercings e modo de vestir, até cicurgias plisticas e operacées para mu- ides de género e as diferencas de sexo sio po humano, ¢ tomou-se danga de sexo. As iden inextricavelmente associadas dentro de cad: