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Leitura do Livro Gestalt do Objeto – João Gomes Filho

Gestalt do objeto é um livro que trata de como fazer a leitura visual da forma, a partir
de fundamentações científica e de psicologia perceptual da forma o autor expressa
cada questão por meio de tópicos e imagens.

A gestalt, após diversas pesquisas, trata-se do fenômeno da percepção, através da


interpretação do nosso cérebro.

Leis da Gestalt

A Gestalt é dividida em 8 leis: Unidade, Segregação, Unificação, Fechamento,


Continuidade, Proximidade, Semelhança, Pregnância da Forma.

Unidade – Uma unidade é identificada em um único elemento, que se encerra em si


mesmo.

Segregação – A segregação é a parte que se divide ou que se evidencia em relação


as outras unidades, é o fator que contrasta no objeto com outros elementos.

Unificação – A unificação consiste na igualdade ou semelhança dos estímulos, nela


se encontra harmonia e equilíbrio nos objetos.

Fechamento – O fechamento ocorre quando se estabelece uma formação nas


unidades, ou seja, obtêm a sensação de fechamento visual da forma pela sua
continuidade estrutural.

Continuidade – A continuidade é a tendência dos elementos se acompanharem uns


ao outros, de maneira que permitam a continuidade de um movimento para uma
direção já estabelecida.

Proximidade – A proximidade ocorre quando os elementos que estão próximos entre


si tendem a ser vistos juntos, a proximidade e a semelhança são dois fatores que
agem juntos.

Semelhança – A semelhança é estimulada pela igualdade da forma e da cor, o que


desperta um agrupamento das unidades por partes semelhantes.

Pregnância da Forma – A pregnância da forma é uma das leis mais básicas na


gestalt, um objeto com alta pregnância da forma tende a ser equilibrada, harmônica e
homogênea trazendo uma boa visualização fazendo com que o espectador consiga
entender a forma rapidamente sem problemas, um objeto com baixa pregnância da
forma faz com que se tenha mais trabalho para identificar as unidades no objeto.

Após as definições colocadas a cima sobre a gestalt será colocado a conceituação da


forma. A forma nada mais é do que os limites exteriores da matéria de que é
constituído um corpo, a percepção da forma é o resultado de uma interação entre o
objeto físico e o meio de luz agindo como transmissor de informação.

A forma pode ser subdividida por: Ponto, Linha, Plano, Volume, Configuração Real e
Configuração Esquemática.

Ponto – O ponto nada mais é do que a unidade mais simples é qualquer elemento que
funcione como um centro de atração.

Linha – A linha é a junção de vários pontos, fazendo com que se possa se criar um
elemento.

Plano – O plano e a sucessão de várias linhas, criando assim duas dimensões: a


largura e o comprimento.

Volume – O volume é definido por uma projeção tridimensional, pode se ter uma
sensação de volume a partir da iluminação, da sombra, do brilho, textura, etc.

Configuração Real – É a representação real de objetos e coisas utilizando os limites


reais a partir de pontos, linhas, planos e volumes, por meio de fotografias, ilustrações,
gravuras, e pinturas.

Configuração Esquemática – É a representação do objetos, por meio de sombras,


manchas, chapado, traço, linha de contorno, silhueta, etc.

Para completar todo este sistema de leitura visual são acrescentadas duas classes de
categoria conceitual: Fundamentais e Técnicas Visuais Aplicadas.

Categorias Conceituais: Fundamentais

Esta categoria tem finalidade de darem mais embasamento e consistência as leis da


Gestalt, são elas: Harmonia, Desarmonia, Equilíbrio, Desequilíbrio e Contraste.
Harmonia – A harmonia é a disposição formal bem organizada entre todos os
elementos do objeto, trazendo regularidade de forma simples e clara. A harmonia por
ordem traz uniformidade entre as unidades e a harmonia por regularidade traz
elementos absolutamente nivelados em termos de equilíbrio visual.

Desarmonia – Podemos chamar do processo oposto a harmonia, os elementos se


tornam desordenados produzindo discordâncias, tendem a serem irregulares não
tendo nivelamento e inconstância formal.

Equilíbrio – O equilíbrio acontece quando as forças agem ao mesmo tempo sobre


ambos os lados dos elementos, trazendo a sensação de que os dois lados de um
objeto são iguais ou que são compensados mutuamente. O equilíbrio pode ser
compensado por pesos ou pela sua direção que podem ser iguais, ou que balanceiam.
O equilíbrio pode ser simétrico, ou seja, é um equilíbrio axial que pode acontecer em
um ou mais eixos, nas posições horizontal, vertical, diagonal ou de qualquer
inclinação. E também pode ser assimétrico, nenhum de seus lados opostos são iguais.

Desequilíbrio – É o oposto do equilíbrio, é quando as forças que agem sobre os corpo


não consegue equilibrar-se. Este estado pode trazer uma certa atenção ao
observador, chamando a atenção ou até o inquietando.

Contraste – O contraste tem uma grande importância, é onde através da luz ou de


sua ausência, traz as formas dos objetos. A partir de diferentes cores também pode se
notar o contraste realçando ou não diversos elementos. O contraste também pode ser
vertical ou horizontal, pode ser a partir de movimentos e dinamismo.

Categorias Conceituais: Técnicas Visuais Aplicadas

Técnicas visuais aplicadas têm como finalidade fornecer subsídios valiosos para o
procedimento criativo no desenvolvimento de projetos de qualquer natureza. Essas
técnicas são divididas em: Clareza, Simplicidade, Minimidade, Complexidade,
Profusão, Coerência, Incoerência, Exageração, Arredondamento, Transparência
Física, Transparência Sensorial, Opacidade, Redundância, Ambigüidade,
Espontaneidade, Aleatoriedade, Fragmentação, Sutileza, Diluição, Distorção,
Profundidade, Superficialidade, Seqüencialidade, Sobreposição, Ajuste Óptico e Ruído
Visual.
Clareza – Onde a uma visualização bem organizada, unificada, harmoniosa e
equilibrada. O objeto pode ter uma estrutura simples, ou complexa.

Simplicidade – Ela é livre de complicações, traz harmonia e unificação, normalmente


traz baixo numero de informações ou unidade visuais.

Minimidade – É uma técnica econômica, onde há pouquíssimos elementos em sua


composição.

Complexidade – Oposto do conceito de simplicidade, a complexidade tende a ter


muitas unidades em sua composição, e dificulta a sua leitura rápida.

Profusão – A técnica de profusão esta ligada, ao poder da riqueza, estilos formais


góticos, barroco, art déco e similares. Ela é associada ao fator da complexidade.

Coerência – Caracteriza por uma organização visual integrada, equilibrada e


harmoniosa em relação ao seu todo.

Incoerência – É o oposto da coerência, a sua organização visual é distinta e


contraditória, os objetos apresentam desarmoniosos e desintegrados.

Exageração – A exageração traz uma expressão visual intensa e amplificada, onde


traz um enorme foco de atração em algum elemento no seu todo.

Arredondamento – Caracteriza pela suavidade, delicadeza e a maciez que as formas


transmitem. O arredondamento esta ligado a continuidade fazendo com que os olhos
percorrem de maneira tranqüila a configuração do objeto.

Transparência Física – A transparência caracteriza-se por objetos sobrepostos e que


pode se ver através deles, a visualização pode ser parcial ou total.

Transparência Sensorial – Neste caso a transparência passa um sensação muito


próxima da realidade dos objetos visualizados. É produzido por uso de técnicas
tradicionais e computacionais.

Opacidade – Esta técnica é o oposto da transparência nela não se pode visualizar o


que esta por trás do objeto sobreposto.

Redundância – A redundância se resume basicamente por excesso de elementos


iguais, muitas vezes até supérfluos.

Ambigüidade – Esta técnica produz efeitos interessantes, pois mostra um único


objeto com interpretações diferentes daquilo que é visto.
Espontaneidade – É uma técnica não premeditada, instintiva, não há nenhum
planejamento para sua realização.

Aleatoriedade – É uma técnica que faz com que os elementos sejam dispostos de um
modo não seqüencial, algo casual ou acidental.

Fragmentação – Esta técnica se caracteriza por uma organização formal decomposta,


as unidades estão separadas entre si.

Sutileza – É uma técnica de forma elegante e grácil que reflete bom gosto.

Diluição – A técnica de diluição não se associa a precisão e a nitidez da forma. Pode-


se passar sensações de calor humano, sonho, ilusão e outros sentimentos.

Distorção – Se caracteriza por deformação, mudanças de sentido ou ainda por


diferenças de ampliação. Esta técnica bem manejada produz efeitos plásticos muito
intensos.

Profundidade – A profundidade se caracteriza principalmente nas variações de


imagens retilíneas, provocando um percepção de profundidade ou de distancia.

Superficialidade – Essa técnica se caracteriza por elementos bidimensionais e


chapados. Ela é o contrario da técnica de profundidade.

Seqüencialidade – Essa técnica se aplica a uma organização de unidade de um


modo que fiquem continuas, trazendo harmonia e equilíbrio.

Sobreposição – É uma técnica que trás por características objetos um em cima dos
outros, que podem ser opacos, translúcidos ou transparentes.

Ajuste Óptico – O ajuste óptico funciona como um refinamento no trato da forma e do


objeto, tem como pressuposto básico o equilíbrio e a harmonia visual.

Ruído Visual – O ruído visual acontece quando existe uma interferência ou até
mesmo algo inesperado que atrapalha um pouco a harmonia visual do objeto. Mas o
ruído visual também pode ser útil utilizando-o de uma maneira inteligente.

Conclusão

Após o aprendizado de todas essas técnicas, o que fará do observador um bom leitor
da forma visual será sua sensibilidade e seu repertório cultural, técnico e profissional.
As dificuldades vão desaparecendo a medida que o observador faça exercícios
práticos de acordo com a metodologia de leitura.

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