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ee ete ae oe eer ed Peete nr eee nar eect pees eer ae eine erent Siren need See eee et Some erty eet ee ree eee ens Reet ence eres me anes ees tempo proud plo dacs. Mesa que ce ts ngitics spree ci eee ere eee nn etn estan i ate rarent nt et ee er ed eee rn eee tener eer ey Prenat eran Pancreat eee Perea eee ener ere eee taey ate eee ere eect ery ee erence nets . l i José Luiz Fiorin inborn dee « Angad a radigho qrunatal recomhecsse ve alguns ementos lings, por exenga, oF demons bos posse uns epesiidade rel a otros ckmento da ng, com base os ests ir ios de Brveite akan, x mite a cena enn fo na contigo do dicaro, A runciaglo &0 alo prt dod un ese ato dia mre 0 Se ito. Nola instars aso, emo eoespze lingo pi x © intala cam 2 tonada da alarrapurun sun aor & 0 momento da fala © 0a € 0 espugo Jo faane. Pain dese és ele nentos,onfanizam-se todas as eis de se eg go Be oe eta do aba hos don nde dog eps ia chamur una Liga. da nung, ea minsontmente 3 extegras de pss, epg ¢ eo en) ports, examinando or nossa ing a orgie vas panies un tb nao, vey, dum a, ana, de na paca frente, ccts fits di ut (por exemple, 20 dxinguir spo lgisineepuotpi;a0 Jerever 0 ie temper np arti das formas extents pa sever temp as de um uno de regis semis n= estas pea formas tenor de ro, porque examina WAC due, iors de capa import 0 ergs o parse simplemente oorados Pela quase tale de sss grams or exe & mneiinca dos te. José Luiz Fiorin , As asticias da enunciactio ~-AS CATEGORIAS DE PESSOA, ESPACO E TEMPO Editor Miriam Goldfeder Bahor-assistente CClaudemir D-de Andrade Preparagio de texto ‘Thereza C. Pozzoli Revisio FFitima de Carvalho M. de Souza Samir Thomaz Projeto gritico ¢ editoracio eletrnica ‘Voga Planejamento Grafico-Visual Capa tore Bottini 8H/URt_/ RIZ6)51 6398290 ree couse Abace (SBN 8508 06019 x 1996 “Todo oF distor reservados pel aitra Aca Rua Bario de Iguape, 110 ~ CEP 01507-900 ‘Tel: PABX (O11) 278-9322 — Fax. (O11) 277-4146 Caixa Postal 8656 - End. Teegritico “Bomsivr 0 Paulo (SP) A meus pais, que me ensinaram 0 sentido da palavra dever. Meus agradecimentos & Fapesp (Fundagdo de Amparo a Pesquisa do Estado de Sao Paulo) pela bolsa de P6s-doutoramento no exterion, durante cuja vigéncia arte deste trabalho foi realizada. gu see Sumario In principio erat werbum 41, Dos principios tesricos (objeto da Lingisticn A emimeagdo veces ‘Aatividadedicursiva ‘A insnca lingulsticapessupota ‘A insinca de iestauraio do so {a instalagio de pessoas, espogos eters) 2. Da pessoa ‘A pessoa demarada ‘A pessoa mulilicads ‘pessoa vars 1 pense sbverida ‘A essoatrarsbordada ‘A pessoa destbrada 3. Do tempo ‘tempo domirade O tempo demareado O tempo sistematizado ‘Dos tempes yeas Dow advdrbios as peposigdes as congas © tempo tansormado (0 tempo barmonizado © tempo subvert (tempo desdobredo 4. Do expago ‘Oesparo dominado ‘espago demarcado © espago sstematizado ‘Dos demonstaivs e dos advéios espaciis lingticos propriamente dios Dos avérbiosespag-aspectuis das preposies espaco tansformado espace subvert espago desdabeado Conclusbes . Biblioprafia In principio erat verbum ( empo€ pea da Ferd (Pl Cleuel) No principio era o mito!. Depo surge a fego. Mas tare ainda aparece a cigncia. A medida que esta vai ganhando especifiidade, separa-s tanto do mito quant da fegao, Comega a combat®-os. E © principio da realidade em lua conta o do imaginério. No final do sécilo XIX, havia uma crenca absolut na cifacia, a cerceza de que ‘erraicaria 0s mitos do mundo; de que faa tiunfar © principio da tealidade, afastando os eros as superstiges,associados 20 mito ‘de que o esd positivo deixaria nas bramas da Hisira os estados, teol0gico e metafsico. Hoje os mitos, depois de teem sido declara ‘dos mortos, esto bastante vivos. Nos subterrineos, nutrem a fics, ‘a utopia ea cigncia, Nao se trata aqui de, em nome de um iracionaismo muito em ‘Yopa mesmo na universidade, critica a cigncia, desmoralizé-la,des- rer dela, mas tio-somente de revonecer que literatura, lugar por ‘’xceléncia de expresso dos mitos na modernidade,é uma forma tio boa de conhecimento quanto a ciéncia?. Nao se quer fazer apolo- fia do pensamento mitico, cuja principal caracterstca, segundo Lotman, € ser incompativel com a metifora (1981, p. 141). Com feito, para um cristo, por exemplo, & uma blasfEmia dizer que o io €o vinho simbolizam o corpo de Cristo, pois, para ele, eles 0 S30 verdadeiramente. O que se pretende & mostrar que 0 mito. extraido do meio em que ele ¢, constitu uma explicago do homem para agui- 0 st Se cise lo que inexplicave, que significa que é uma simula do conheci mento de ca cultura a respetn dis grandes questées com que 0 ser Jhumano sempre se debated, 1380 possibilita duas leituras do mito lama temitics, ealizada pels eféneia, e uma figurativa,feita pel ae essa forma, 0 mito iiga o pensamento cientfico ea realizagto a \tica, continua a alimentar todas as formas de apreender a realidade, Mas por que & permanncia do mito como algo em que se cxé «que dispensa a mediagao da ciéncia eda arte? Explicitemos melhor uma idéia exposta no pardgrafo anterior. O mito & uma explicacio das origens do homem, do mundo, da inguagem: explica o sentido da vida, a more, a dor, condigio humana, Vive porgue respond & sngstia do desconhecido, do inexplicvel: di semido aguilo que no tem sentido, Enquanto a cigncia no puder explicar a rigem das coisa e seu sentido, havers lugar para o pensamento mitico. Serd ‘que ess ideal se tomar realidade um dia? Dificilmente, Como se dard conta dos novos anseios, das novos deseo do ser humana? Precisamos das utopias, que, Sendo uma espécie de mito pé-cons- ‘ruido, 18m a funglo de organiaa ede orentar futur. Depois dessa introducdo um tanto amibigus, que reconbece importincia do mito como nutrient da eincia eda arte eo seu papel na organizagio de uma sociedade com vistas a constuir 0 futuro mas, ao mesmo tempo, fem uma cert prevengéo quanto vsso no metafriea do mito, ebrucemo-nos sobre o mito com que nossa civ lizagao explica a rigem da linguagem, para verifier quais so as quests que ele, af hoe, coloca para & Linguistic, “Todas as sociedades im uma arava mitica para explicar 3 ‘origem da linguagem e a divesidade das lingua, Esse mito, no que concere as cvilzag es que poderfamos chamarjudaico-ristis, esta na Biblia. HA quatro episddios nas Eserturas que tratam da ques- {Wo da linguagem: encontram-se no Antigo Testamento 0s relatos da