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9 de Outubro de 2016

Mecanismospacíficosdesoluçãodecontrovérsias

internacionais

SEMINÁRIO–MECANISMOSPACÍFICOSDESOLUÇÃODE

CONTROVÉRSIASINTERNACIONAIS

1.INTRODUÇÃO

1.1Motivosdacriaçãodosistemadesoluçãopacíficadecontrovérsias

internacional

1.2Finalidades

1.3Princípiosquenorteiamassoluçõespacíficasdosconflitos

internacionais

2.ASMODALIDADESDERESOLUÇÃOPACÍFICASDE

CONTROVÉRSIAS

2.1Meiosdiplomáticos

2.1.1.Negociaçãodiretaentreaspartes

2.1.2Intervençãodeterceiros

2.1.2.1Bonsofícios

2.1.2.3SistemaConsultivo

2.2Meiospolíticos

2.2.1.SurgenaeminênciadeguerraentreosEstadosenvolvidos.

2.2.2.ÓrgãospolíticosdasNaçõesUnidas

2.2.3.OrganizaçõesRegionais

2.3.Meiosjurisdicionais

2.3.1.Arbitrageminstitucionalouadhoc

2.3.1.1.AarbitragemrealizadaporchefesdeEstado,comissõesmistase

tribunaisarbitrais.

2.3.2.Tribunaisinternacionais

2.3.2.1.Consisteemsubmeterolitígioaumtribunaljudiciário,composto

dejuízesindependentes,cominvestidurapretéritaaolitígioesubsisteà

suasolução.

2.3.3.CorteInternacionaldeJustiça

2.3.4.TribunalPenalInternacional

3.CONTEXTOHISTORICODERUANDA

3.1.Asdiferençasétnicasprovenientesdacolonizaçãobelgatornaramos

Tutsiogrupomaisforte,noâmbitopolítico,econômicoemilitar.

3.2.Em1959,amonarquiatutsifoiderrubadapeloshutus,quesãomaioria

nopaís,gerandoumamigraçãodetutsisparaospaísesvizinhos

3.3.Em1990,aFrentePatrióticaRuandesa(FPR)compostaporexilados

tutsis,invadeaRuandaelutaatéumacordodepazserestabelecidoem

1993.

4.OGENOCÍDIODERUANDA

4.1.Nanoitede6deabrilde1994,umaviãoquetransportavaoentão

presidentesdeRuanda,JuvenalHabyarimana,foiderrubado.Extremistas

hutusculparamaFPReimediatamentecomeçaramumacampanhabem

organizadadeassassinato.

4.2.Umaondadeassassinatosdemotivaçãoétnicaepolíticaemque

morrerammaisde800milpessoasfoidesencadeado.Aomesmotempo,

maisdetrêsmilhõesdepessoasfugiramparaoutrospaísesvizinhos.

4.3.OcrimedegenocídiodeRuandaéentendidocomoamatança

organizadaesistemáticaocorridaentreodias6dejulhoa20dejulhode

1994.

5.TRIBUNALPENALINTERNACIONALPARARUANDA

5.1.Foicriado,peloConselhodeSegurançadaONU,emnov/1994,devido

aossérioscrimescometidoscontraahumanidade,osquaislevariamauma

situaçãodegraveameaçaàpazmundial.

5.2.Únicopropósito:julgarosresponsáveispelogenocídio,peloscrimes

contrahumanidadeepeloscrimesdeguerra.

5.3.Emdezembrode2008,oTribunalcondenouàprisãoperpétuaostrês

principaisdirigentesdogovernohutuqueforamresponsáveispelo

genocídio.

Paraessafinalidade,oart.33(1)dáalistadosmétodosdesoluçãopacífica

dedisputasentreosEstados:

MEIOSDIPLOMÁTICOS

Asnegociaçõesdiretassãoumdosmeiosque,namaioriadoscasos,trazem

osmelhoresresultadosparaasoluçãodedivergênciasentreEstados;são

baseadasnosbonsconstumesinternacionais.

Osproblemasdemenorcomplexidadepodemsersolucionadospormeiode

entendimentoverbalentreamissãodiplomáticaeoministériodasrelações

exterioresdolocal.Jáaquelesdemaiorgravidade,asoluçãoseráalcançada

atravésdeentendimentosentreosministrosdasrelaçõesexterioresoupor

altosfuncionáriosdosdoisgovernos.Osmeiosdiplomátiocssãoosmeios

maistradicionaisedeprevençãoesoluçãodoslitígiosinternacionais.

Bonsofícios:

Quandoasnegociaçõesaindanaãoseiniciaramouporqualquerrazão vieramaparalisar­se,aintervençãodeterceiros,pormeiodosbonsofícios, ajudaaliviarastensões,evitandoqueasrelaçõesentreaspartesseagravea pontodeseconverteremfrancahostilidade.Osinteressadosnaresolução deumapendência,Estados,organizaçõesinternacionaisouindivíduos, notáveispelasuareputaçãoeprestógio,podemoferecerbonsofícios,que necessitamdaaquiescênciadoslitigantes,sobpenadecaracterizarem intromissãoindevidanosassuntosdeoutrosEstados.Asprópriaspartes têmafaculadedesolicitaraterceirosaofertadebonsofícios,quese resumem,àsvezes,noempenhopessoaldeumestadistaoudoSecretário GeraldaONU,paraengajaraspartesemnegociaçõesdiplomáticas.Em outroscasos,éoferecidoumlocalneutroparaqueaspartessereúnam, comoaconteceucomacidadedeParis,quesediouasnegociaçõesentre americanosevietnamitasduranteaguerraentreEUAeoVietnãdoNort

nasdécadasde1960e1970.Valelembrar,queasofertasdebonsofícios

estáentreasatribuiçõesdoSecretárioGeraldaONU,queagirápor iniciativapróprianoâmbitodesuacompetência,apedidodealgumórgão daONUoudospróprioscontendores.Sãoexemplosdebonsofícios

oferecidospeloSecretáriodaONUacrisedosmísseisdeCuba,em1962,o

conflitoentreaÍndiaeoPaquistãoem1965e1971.

Mediação:

Diferentementedosbonsofícios,amediaçãoéamodalidadede

intervençãodeterceiros,emqueaspartes,decomumacordo,escolhemo

mediador,cujaafunçãoésugerirmedidasparaencerraroconflito.A

indicaçãodomediadorpressupõe,antesdetudo,aconcordânciadas partes;porissomesmo,omediadorécapazdeproporsoluções mutuamenteaceitárveis.Opapeldoterceiro,nosbonsdeofício,écriarum ambientefavorávelparaasnegociaçõescaminhem.Namediação,a interverênciadoterceiroémaisprofunda:omediador,convencidodo acertodasuadecisão,tentainfluenciaraspartesaaceitaraconduta proposta,masnãopodeimpor,pelaforça,aviaporeleescolhia.A mediaçãofoiempregada,naAméricaLatina,pelosMinistrosdasRelações ExterioresdaCostaRica,GuatemalaeNicaráguanoconflitoentreEl

SalvadoreHonduras,em1969,antesdoiníciosdashostilidadesepelo

juristaperuanoBustamanteyRivero,quealcançouapaznotratadode

1980.

IntervençãodeTerceiros:

SistemaConsultivo:aconsulta,comométododesoluçãopácificade controvérsias,podeserdefinidacomoatrocadeopiniões,entredoisou maisgovernosinteressadosdiretaouindiretamentenumlitígio internacional,comointuitodealcançaremsoluçãoconciliatória.Foisó, porém,nocontinenteamericanoqueessesistemasedesenvolveue adquiriuocaráterprecisodemeiodesoluçãopacíficadecontrovérsiase tambémodemeiodecooperaçãopacíficainternacional,sendoampliando

eaperfeiçoadona8ªConferênciaInternacionalAmericana(Lima,1938),e,

finalmente,naCartadaOrganizaçãodosEstadosAmericanos(1967).

Inicialmente,teveemvistaapenasamanutençãodapaznocontinente,

tornando­seaplicávelaqualquerquestãoeconômica,culturaloudeoutra

ordem,que,porsuaimportância,justifiqueesseprocessoeemcujoexame

ousoluçãoosestadosamericanostenhaminteresseemcomum.As

decisõestomadasseriamconcernentesaosproblemasdemaiorurgênciae

importânciadentrodosistemainteramericanoeàssituaçõesedisputasde

todogêneroquepudessemperturbarapazdasrepíblicasamericanas.

Percebe­sequeosistemaconsultivotemdoisaspectos:odemétodopara

resoluçãopacíficadecontrovérsiaseodoprocessoparaoestudorápido,

emconjunto,deproblemasdenaturezaurgenteedeinteressecomumpara

osestados­membrosdaOEA.

MEIOSPOLÍTICOS

Osrequisitosnecessáriospararecorreraessasinstânciaspolíticasde

soluçãodeconflitosinternacionaissão,emprimeirolugarqueoconflito

sejadecertagravidadeequeconstituamumaameaçaaoclimadepaz.

ÓrgãospolíticosdasNaçõesUnidas

AAssembleiaGeraleoConselhodeSegurançadasNaçõesUnidastêma

competênciacomumparainvestigarediscutirsituaçõesconflituosas,

assimcomotambémpodemdarrecomendaçõesarespeitodessesconflitos,

porémapenasoconselhotemopoderdeagirdemodopreventivoou

corretivo,noscasosdeameaçaàpaz,utilizando­sedaforçamilitarqueos

membrosdasNaçõesUnidasmantêmàsuadisposição.

Segundoacorrentedoutrinária,osmeiospolíticosnãoproduzemsoluções

decaráterlegalmenteobrigatórioparaaspartesemconflito,assimcomo

tambémpodeserobservadonosresultadosdomeiodiplomático.

AdesobediênciaaumarecomendaçãodoConselhodeSegurançaouda

AssembleiaGeraldaONUnãoéconsideradaumatoilícito,comoseriaa

desobediênciaaumasentençaarbitraloujudicial.

Organizaçõesregionais

ÉumatentativadecomplementarosistemadaONUpormeiodossistemas

decooperaçõesregionais.

Ospaíses­membrosprecisamrecorreraossistemasregionaisparatentar

solucionarpacificamenteascontrovérsiaslocais,antesdeprocuraraONU.

MEIOSJURISDICIONAIS

Oprimeiroaspectorelevanteaobservararespeitodasdecisões jurisdicionaisnaesferainternacionalsãoobrigatóriasepossuem

autoridadedecoisajulgadanostermosdoart.59doEstatutodaCorte

InternacionaldeJustiça.Nãorevestem,entrentanto,caráterexecutório,já

queojuizouárbitrointernacionalnãodispõedemeiosparaobrigaro

Estadoaexecutaradecisãoproferida.

Arbitragem

AdivergênciaentredoisEstados,entreumEstadoeumaorganização

internacional,ouentreduasorganizaçõesinternacionaispoderáserobjeto

derecursoaviaarbitral.Aarbitragemoraantecede,orasucedea

ocorrênciadoconflito.Naprimeirahipótese,écomuminseriruma

clausulaarbitraloucompromissória,naqualaspartesconvencionamque

asdisputaseconflitosemrelaçãoainterpretaçãoouaplicaçãodequalquer

dispositivoserãoresolvidosporarbitragem.

Aarbitragempassaaserométodopararesolverquaisquerlitígiosenão

apenasaquelespertinentesacertotratado.

Quandoaspartesescolhemapósaeclosãodoconflito,submetê­loà

arbitragem,elascelebramumtratadoespecíficocomestafinalidade.O

compromissofirmadoconteráaqualificaçãodaspartes,onomedos

arbitros,oobjetodolitígio,bemcomoasregrasqueregerãoainstalaçãoe

funcionamentodotribunalarbitral.Adoutrinareconheceanecessidadede

explicitarasnormasprocessuaisemateriaisqueorientarãoaatividadedos

árbitros.

Otribunalarbitralconstitui­secomadesignação,pelosEstados,deumou

doisarbitrosque,porsuavez,escolherãoopresidente.

Aarbitragemterminacomasentençaarbitralquetemcaráterobrigatóriae

definitiva,possuindoautoridadedecoisajulgada.Aspartesdevem

executá­ladeboa­fé,nãoseadmitindoaexecuçãoforçada,práticahabitual

nodireitointerno.

CorteInternacionaldeJustiça

ACorteInternacionaldeJustiçasucedeuaCortePermanentedeJustiça

Internacional,queformalmenteexistiuaté1946.

ACorteInternacionaldeJustiçapertenceàestruturadaONU,adotouo EstatutodaCortePermanentedeJustiçaInternacional.Elaécompostapor

15Magistrados,eleitosparaummandatode9anos,compossibilidadede

reeleição.Compete­lheresolverdisputasentreEstadosreferentesà

interpretaçãoeaplicaçãodequaisquernormasdedireitointernacional.A

sededotribunallocaliza­seemHaia,naHolanda,ondedevemocorreras

reuniões.

Asorganizaçõesinternacionaiseosindivíduosnãofiguramcomopartes

emprocessosnaCIJ,cujajurisdiçãoabrange,unicamente,osconflitos

interestatais.

AcompetênciadaCorteresultadavontadedosEstadossoberanamente

manifestada.

Alémdacompetênciacontenciosa,aCIJtemcompetênciaconsultiva,que

seexercesobaformadeparecerespreparadosporsolicitaçãoda

AssembleiageraledoConselhodeSegurançaoupelasorganizações

internacionaisespecializadasquefazempartedaONU.

AatuaçãodaCorteInternacionaldejustiçadepara­secomobstáculos

políticos,técnicosejurídicos.Naáreapolítica,muitospaísesdemonstram

desconfiançaemrelaçãoaindependenciadaCorteparaapreciarcom

imparcialidadeoslitígios.

Dopontodevistatécnico,sãomencionadososproblemaspertinentesà

independênciadosmagistradoseasdificuldadesqueosjuízestêmpara

resolverlitígioscomespecificidadesprópriasacertospaísesouregiões.No

campojurídico,condena­seaproibiçãodoacessoaosprocedimentos

contenciosos,porpartedasorganizaçõesinternacionaisedaspessoas

privadas,comoalgoquenãomaissejustificanasociedadecontemporânea.

Hoje,estáocorrendoadivisãodotrabalhojurisdicionalentreórgãos

diferentes,conformeanaturezadaatividadeporelesrealizada.ACortese

dedicariaaresoluçãodelitígiostradicionais,comoaatribuiçãoe

delimitaçãodeterritóriosemdisputa,enquantoasCortesmaisjovens

tratariamdequestõesqueimprimemmaiordinamismoàordemjurídica

internacional,comoosdireitosdomar.

TribunalPenalInternacional

OTribunalPenalInternacionalfoicriadopeloEstatutodeRomae

aprovadopelaConferênciadePlenipotenciáriosem1998,entrandoem

vigorem2002.

OTribunalPenalInternacionalsitua­senatradiçãoinauguradapelos

TribunaisMilitaresdeNurembergueeTóquio,sendoinfluenciadapelos

princípiosdeambosostribunais.Olegadoquedeixaramécompostopelos

seguintesprincípios:

1.afirmaçãodaresponsabilidadeporcrimesdefinidospelodireito

internacional,independentementedaexistênciadeleiinterna;

2.nãoreconhecimentodeimunidadesdejurisdiçãoparacrimesdefinidos

pelodireitointernacional;

3.nãoreconhecimentodeordenssuperirorescomoescusade

responsabilidade.

OsTribunaisadhoceoTribunalPenalInternacionalnãoseconfundem:os

primeirosconcorremcomasjurisdiçõesdomésticas,mastêmprimaziano

tocanteaojulgamentodoscrimesdesuacompetência;jáosegundoé

excepcionalecomplementar,acionávelapenassehouverinaçãodoPoder

Judiciárioestatal.

OEstatutodeRomanãoadmiteaapresentaçãodereservas.OPreâmbulo

sublinhaocaráteruniversaldosdireitoshumanosedeclaraaexistênciade

crimestãogravesqueconstituemameaçaavalorescomunsdetodaa

humanidadecomoapaz,asegurançaeobem­estar.

OTribunalPenalInternacionaléumaentidadeindependenteda

OrganizaçãodasNaçõesUnidas,comsedeemHaia.

AcompetênciadoTPIabrangerásomenteosmaisgravescrimes internacionais,comoocrimedegenocídio,oscrimescontraahumanidade, oscrimesdeguerraeocrimedeagressão.Apenamáximaqueotribunal

aplicanãopodesersuperiora30anos,masnocasodecrimes

extremamentegravespoderáaplicar­seaprisãoperpétua.

Aspenasseaplicamaquaisquerindivíduos,independentementede

exerceremcargospúblicosoufunçõesgovernamentais.

ContextoHistóricoRuanda

Oart.6ºdoEstatutodeRomaaponta5comportamentosquepodem

configurarocrimedegenocídio:ohomicídiodemembrosdogrupo;as

ofensasàintegridadefísicaoumentaldemembrosdogrupo;asujeição

intencionaldogrupoacondiçõesdevidadestinadasaprovocarsua

destruiçãofísica,totalouparcial;aimposiçãodemedidasvoltadasa

impedironascimentonointeriordogrupoeatransferênciaforçadade

criançasqueaelepertenciam.

Ogenocídioseconsuma,peloempregodocritérioquantitativo,ouseja,

semprequeoobjetivovisardestruirumapartesubstancialdogrupo.

Ogenocídioéaespéciedecrimecontraahumanidadeconsideradamais

gravedetodas.

Aconsagraçãodocrimedegenocídio,peloEstatutodeRoma,sedeuno

cinquentenáriodaproclamação,pelasNaçõesUnidas,daConvençãosobre

aPrevençãoeaRepressãodoCrimedeGenocídio.

INTRODUÇÃO

AsociedadeinternacionaldosEstadosestásempreembuscademeios

jurídicosparaasoluçãodesuascontrovérsiasafimdepoderestampar

maissegurançaetranquilidadeàsrelaçõesinternacionais.

Umdosprincipaismotivosparaacriaçãodessesistemaestánofatodenão

existirumaautoridadesupremanoâmbitointernacionalcapazdeditar

regrasdecondutaefazerexigiroseucumprimentoporpartedosEstadose

dasorganizaçõesinternacionais.Nãoexisteumconjuntodenormascom

autoridademáximaemmatériadeconflitosinternacionais.

Asoluçãopacíficadecontrovérsiastemduplafinalidade:1)solucionaras

controvérsiasentreEstadoseOrganizaçõesInternacionais;2)preveniro

recursodaforçanoplanointernacional.

Oart.1ºdaCartadaONUde1945incluiuasoluçãopacíficade

controvérsiasentreospropósitosdaONU.

Oprincípiodasoluçãopacíficadoslitígiosinternacionaisestáconectadoa

outrosprincípiosdoDI,sãoeles:

Princípiodenão­usodeforçanasrelaçõesinternacionais

Princípiodenão­intervençãonosassuntosinternoouexternodosEstados

Boa­fénasrelaçõesinternacionais

Princípiodejustiçaedireitointernacional

Combasenessesprincípiosquenorteiamasoluçãopacíficadosconflitos

internacionais,osEstados­partespodemescolherlivrementeosmeiosde

solução.

Existemváriosacordosetratadosreferentesàsoluçãodoslitígiosentreos

Estados,tantoemnívelbilateral,comoregionalemultilateral.

ÂmbitoInternacional:­AConvençãodeHaia,em1899paraaSolução

PacíficadasControvérsiasInternacionais­revisadapelaSegunda

ConferênciadePaz,emHaia,em1907.

ÂmbitoRegional:­OTratadoAmericanosobreSoluçãoPacífica(Pacto

deBogotáem1948)

AConvençãoEuropeiaparaaSoluçãoPacíficadeControvérsias(1957)

OprotocolodaComissãodeMediaçãoeArbitragemdaOrganizaçãoda

UniãoAfricana(1964)

ÂmbitoBilateral:jáqueosistemainternacionaldesoluçãodedisputas

nãoatendeàsnecessidadesespecíficasdospaíses,ouelesoptampela

soluçãobilateraloucriamascláusulasdesoluçãodedisputasnos

tratadossobreinvestimentoestrangeirooudeFCN(Friendship,

CommerceandNavigationTreaty).

Nessesentido,oart.33.1daCartadaONUdeterminouque“aspartesem

umcontrovérsiaquepossaviraconstituirameaçaàpazeàsegurança

internacionais,procurarãoantesdetudochegaraumasoluçãopor

negociação,inquérito,mediação,conciliação,arbitragem,soluçãojudicial,

recursoaentidadesouacordosregionaisouaqualqueroutromeiopacífico

àsuaescolha.”

Em1993éassinadooAcordodeArushaqueestabeleciaapartilhadepoder

edariafimaGuerraCivil,sendosupervisionadopor2500militares

designadosatravésdaMissãodeAssistênciadasNaçõesUnidaspara

Ruanda(UNAMIR)mediantearesoluçãoS/RES/872daONU.

1994–quedadoaviãodospresidentesdeRuandaeBurundidesencadeia

100diasdegenocídio,ondecercade800miltutsisehutusmoderados

forammortosecercade100a250milmulheresforamestupradasdurante

operíodo.

OConselhodeSegurançadasNaçõesUnidas,atravésdaResolução

S/RES/929,criaaOperaçãoTurquesa,queautorizouumaforçamilitar

paraestabeleceremanteruma"zonadesegurança"nosudoestede

Ruanda,lideradapelaFrança.Osprimeiroscontingentesdaforçade2.550

soldadosfrancesese500tropasafricanasentraramemRuandanodia

seguinte.

AFrentePatrióticaRuandesa,criadaem1987eformadaporrefugiados

tutsiemUganda,ocupaaregiãodeclarandocessar­fogounilaterale

criandoumGovernodeUnidadeNacional.

ÉCriadooTribunalPenalInternacional(TPIR)paraRuandapelo ConselhodeSegurançadaONU,parajulgamentodepessoasresponsáveis porgenocídioseoutrasviolaçõesgravesdodireitointernacional

humanitário,tendoseusprimeirosindiciamentosem1995eobtendocomo

resultado,em2012,83prisõespelaacusaçãodegenocídio.

TribunalInternacionalCriminalparaRuanda:

FoicriadopeloCS,pelaResoluçãon.955,de8.11.1994

Tendo­secomosededoTribunalArusha,naTanzânia.EsseTribunalfoi

criadoparaprocessarosindivíduosresponsáveispelogenocídioeoutras

sériasviolaçõessériasdodireitointernacionalhumanitáriocometidosno

territóriodeRuandaenosEstadosvizinhos.

OTribunaléreguladopeloEstatuto,queestáanexadoàResoluçãon.955

doCS.OTribunalconsisteemtrêsórgãos:theChambersandtheAppeals

Chamber,theOfficeoftheProsecutor,andtheRegistry.

Quasedoismilhõesdepessoasforamjulgadosemtribunaislocaisporseu

papelnogenocídioeoslíderesdomassacre,emumtribunaldaONUna

vizinhaTanzânia.AgoraéilegalfalarsobreetniaemRuanda­ogoverno

dizqueissoevitamaisderramamentodesangue,masalgunsdizemque

impedeumaverdadeirareconciliaçãoeapenascolocaumatampasobreas

tensões,quevãoacabarfervendodenovonofuturo.

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Disponível em: http://bibigabi7.jusbrasil.com.br/modelos‐pecas/389307182/mecanismos‐ pacificos‐de‐solucao‐de‐controversias‐internacionais