Você está na página 1de 7

1

SONDAGEM GEOTÉCNICA

A sondagem permite o conhecimento a respeito das características físicas do solo, bem como a profundidade do lençol freático. É um processo de investigação do solo que pode ser realizado através da perfuração do solo para obtenção de amostras. É aplicado, por exemplo, em projetos de prédios, residências, estradas, barragens e diferentes fundações. Com a sondagem pode-se determinar a espessura e dimensão de cada camada do solo referente à profundidade requerida pelo projeto; a profundidade da camada rochosa e do material impenetrável; e as propriedades do solo como permeabilidade, compressibilidade e resistência ao cisalhamento.

2 TIPOS DE SONDAGEM - NÚMERO DE FUROS

As sondagens diretas podem ser, dentre outras, a Trado (ST), a Percussão (SPT), a Percussão com torque (SPT-T), Rotativa (SR) ou Mista (SM). O processo mais aplicado é a Sondagem a Percussão, tendo em vista que possui um custo relativamente baixo, facilidade de execução, simplicidade de equipamento e permite o trabalho em locais de difícil acesso. A sondagem rotativa (SR) é empregada em estudos de maciços rochosos. Consiste na coleta de testemunhos de rocha e é realizado através de perfuratrizes mecanizadas e injeção de água sobre pressão e rotação de coroas diamantadas. Seu resultado apresenta a descrição e classificação dos materiais encontrados, o índice de resistência SPT, leituras do nível do lençol freático e porcentual de recuperação e índice de RQD. A sondagem de simples reconhecimento a percussão ou ensaio de penetração normal (SPT), é regulamentada pela NBR 6484. Permite se conhecer o nível da água do lençol freático, o tipo de solo e sua resistência, bem como sua consistência, granulometria, capacidade e coesão. Na sondagem a percussão com torque (SPT-T), além dos procedimentos padrão, acrescenta-se a medição do torque necessário para girar a haste do amostrador padrão. Esse tipo de sondagem, além de outras vantagens, identifica a existência de pedregulhos dentro de uma camada de areia, evitando uma interpretação errada da compacidade da areia. De acordo com a NBR 8036, o número de sondagens e a localização variam conforme a estrutura e as características geotécnicas do subsolo. Para uma área de 1200 m², deve haver pelo menos um furo para cada 200 m². Se a área de projeção em planta do edifício estiver entre 1200 e 2400 m², faz-se um furo para cada 400 m², e para áreas superiores a 2400 m², o plano de sondagens deve ser fixado de acordo com plano particular da construção. Para

áreas até 200 m² deve-se fazer pelo menos dois furos; o mínimo de 3 furos para áreas entre 200 e 400 m²; e caso não seja predeterminado a disposição em planta dos edifícios deve-se fazer pelo menos 3 furos de forma que se tenha uma distância máxima de 100 m entre furos.

3 RELATÓRIO DE SONDAGEM - EXEMPLO

www.geoeste.com.br Av. José Fortunato Santon, 496 Dist. Ind. Pref. Abdo Najar Americana, SP F: 19

www.geoeste.com.br

Av. José Fortunato Santon, 496 Dist. Ind. Pref. Abdo Najar

Americana, SP F: 19 3469.1791 geoestesp@geoeste.com.br

R. D - Bartolina Santana, 111 Sala 1 B. Ribeirão da Ponte

Cuiabá, MT F: 65 3614.1389 geoeste@terra.com.br

PERFIL

INDIVÍDUAL

D E

SONDAGEM

À

PERCUSSÃO

CLIENTE:

SEFAZ

INÍCIO:

27/01/2011

OBRA:

SECRETARIA DO ESTADO

TÉRMINO:

27/01/2011

FURO

 
  SP08

SP08

LOCAL:

CANTEIRO DE OBRAS

COTA:

0

REV.

AVANÇO

TC/TH/

CA

PROFUNDIDADE

(m)

COTA

N.A.

(m)

N.A.

1,07

28/01/11

-5,00

-10,00

-15,00

-18,00

 

GEOLÓGICO

REVESTIMENTO = 63.5 mm

ENSAIO

PENETRAÇÃO (GOLPES)

PERFIL

 

RESISTÊNCIA À

30

cm INICIAIS

AMOSTRADOR

Ø INTERNO = 34.9 mm

Ø EXTERNO = 50.8 mm

PENETRO-

MÉTRICO

PENETRAÇÃO

30

cm FINAIS

COMPACIDADE - SOLOS ARENOSOS (SPT)

 

PESO = 65 kg - ALTURA DE QUEDA = 75 cm

 

POU. C.

FOFA

MED.

COMPACTA

MUITO

COMP.

COMP.

 

30 cm

30 cm

 

N° DE

CLASSIFICAÇÃO DO MATERIAL

INICIAIS

FINAIS

AMOSTRA

 
1,00 1,45 2,45
1,00
1,45
2,45
 

6

16

25

4,45

SILTE COM FRAGMENTOS DE QUARTZO, POUCO

PLÁSTICO, VARIEGADA, POUCO COMPACTO

SILTE COM FRAGMENTOS DE QUARTZO, POUCO PLÁSTICO, VARIEGADA, POUCO COMPACTO

VERMELHO, POUCO COMPACTO

VERMELHO, POUCO COMPACTO

SAPROLITO DE SILTE, POUCO PLÁSTICO,

VARIEGADA, MEDIANAMENTE COMPACTO

SAPROLITO DE SILTE,POUCO PLÁSTICO, ROXO,

MEDIANAMENTE COMPACTO

SAPROLITO DE SILTE, POUCO PLÁSTICO, AMARELO,

MEDIANAMENTE COMPACTO

FURO TERMINADO COM 6,07m

1 o

2 o

3 o

3

3

2

15

15

15

6

10

13

15

15

15

10

15

18

15

15

15

17

21

24

15

15

15

22

25

28

12

12

12

30

-

-

3

38

47

24

30

3

18 40 4 8 5 23 33 45 53 24 -
18
40
4
8
5
23
33
45
53
24
-

6,45

SAPROLITO DE SILTE, POUCO PLÁSTICO, -
SAPROLITO DE SILTE, POUCO PLÁSTICO, -

SAPROLITO DE SILTE, POUCO PLÁSTICO,

-

OBS.:

SONDAGEM EXECUTADA CONFORME NORMAS DA "ABNT", NBR-6484 E NBR-7250. OBEDECENDO A CRITÉRIOS

PREESTABELECIDOS PELO CLIENTE.

- N.A. ENCONTRADO

- IMPENETRAVÉL À LAVAGEM

5 10 19 2 RIJA DURA M. MOLE MOLE MÉDIA
5 10
19
2
RIJA
DURA
M. MOLE
MOLE
MÉDIA

CONSISTÊNCIA - SOLOS ARGILOSOS (SPT)

MÉTODO EXECUTIVO

 

AVANÇO DO FURO

Ø PROFUNDIDADE (m)

TABELA DO NÍVEL D'ÁGUA

 

TRADO CAVADEIRA

4"

DATA

HORA

N.A.

PROF. FURO

TRADO HELICOIDAL

2 ¼"

(m)

(m)

CIRCULAÇÃO DE ÁGUA

2"

27/01/11

10:00

1,62

6.07

REVESTIMENTO

2½"

0.00

0.00

0.00

0.00

0

27/01/11

13:20

1,62

6,07

SPT

2"

1,00

0.00

0.00

2.00

ENSAIOS

COORDENADAS:

FOLHA:

01 / 01

ESCALA:

SEM ESCALA

SONDADOR: FRANCISCO

EQUIPE

FRANCISCO, OSVALDO E JOSÉ AUGUSTO

APROVADO:

JOSE ROBERTO RIBEIRO

CREA/MT 1561-D

4 TIPOS DE FUNDAÇÕES (RASAS, ESTACAS, TUBULÕES)

Fundação direta ou rasa é aquela em que a carga da superestrutura é transmitida ao solo logo nas primeiras camadas. São aplicadas quando o solo tem resistência nas primeiras camadas para suportar essa carga. Considera-se técnica e economicamente adequado o uso de fundações rasas quando o número de golpes no SPT for maior ou igual a 8 e a profundidade máxima não ultrapassar 2 m. Nesse tipo de fundação as cargas da superestrutura são transmitidas ao solo através de uma placa de concreto armado denominada sapata.

A fundação profunda transmite a carga da superestrutura através do seu corpo,

usando o atrito entre ela e o solo e resistência na sua ponta. As estacas e os tubulões são exemplos de fundações profundas. Existem vários tipos de estacas, que podem ser moldadas in loco ou pré-fabricadas; de aço, madeira, ou concreto armado e protendido. Alguns exemplos: estaca Strauss, estaca escavada, estaca hélice contínua, estacas barrete, estacões, estacas tipo Franki, estacas injetadas, estacas raiz, micro-estacas, estacas centrifugadas, estacas vibradas (quadradas e circulares), estacas T.

O tubulão é um tipo de fundação profunda composta por um cilindro vertical de

concreto denominado fuste e uma base circular ou alongada. Pode ser tubulão a céu aberto

(quando executado acima do nível da água) ou tubulão a ar comprimido (quando executado abaixo do nível da água). É indicado para obras de grande porte como pontes e viadutos.

5 CAPACIDADE DE CARGA (MÉTODOS PARA ESTIMAR A CAPACIDADE DE CARGA)

A capacidade de carga de uma fundação (σ r ) é definida como a tensão transmitida pelo elemento de fundação capaz de provocar a ruptura do solo ou a sua deformação excessiva. Ela depende, dentre outras coisas, das dimensões do elemento de fundação, da profundidade de assentamento e das características do solo.

A NBR 6122/1996 define os métodos de cálculo da capacidade de carga, segue

exemplo: Provas de carga sobre placas, métodos teóricos (Terzaghi, Meyehof, Vésic), métodos empíricos e métodos semi-empíricos. O método de provas de carga considera as relações de comportamento entre a placa e a fundação real. Os métodos teóricos baseiam-se nas propriedades de resistência ao cisalhamento e compressibilidade dos solos. Os métodos empíricos a capacidade de carga é

baseada nas condições do terreno e em tabelas de tensões básicas. E os semi-empíricos estimam as propriedades dos materiais por meio de correlações. O método de Terzaghi considera as seguintes hipóteses: Comprimento L do elemento de fundação bem maior que a largura B (L/B > 5); Profundidade de assentamento inferior à largura da sapata (h ≤ B); o maciço apresenta ruptura generalizada. Por este método a superfície potencial de ruptura do solo é composta por três diferentes regiões: região I - cunha imediatamente abaixo do elemento de fundação, onde a superfície de ruptura apresenta um trecho reto; região II - caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar a forma de uma espiral logarítmica, e estar submetida a um estado de tensões passivas de Rankine; região III - caracterizada pela superfície potencial de ruptura apresentar um trecho reto, e pela cunha formada também estar submetida a um estado de tensões passivas de Rankine. Dessa forma, a equação de capacidade de carga é definida por:

σ = c×N ×S + 0,5×γ×B×N γ ×S γ + q×N ×S

Onde:

σ r : capacidade de carga ou tensão de ruptura dos solos; c: coesão efetiva dos solos; γ: peso específico dos solos; q: tensão efetiva do solo na cota de apoio da fundação (q = γh); N c , N γ , N q : fatores de carga obtidos em função do ângulo de atrito do solo S c , S γ , S q : fatores de forma

Fatores de carga:

função do ângulo de atrito do solo S c , S γ , S q :

Fatores de forma:

6 ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÃO (PROCEDIMENTO A SER ADOTADO) Para escolha do tipo de

6 ESCOLHA DO TIPO DE FUNDAÇÃO (PROCEDIMENTO A SER ADOTADO)

Para escolha do tipo de fundação é necessário analisar a topografia da área, como taludes e encostas no terreno, necessidade de cortes e aterros, dados sobre erosões e ocorrência de solos moles; as características do maciço de solo, verificando a variabilidade e profundidade das camadas, a existência de camadas resistentes ou adensáveis, a compressibilidade e resistência do solo, e a posição do nível de água; os dados da estrutura e arquitetura; e dados sobre as construções vizinhas. Além disso deve-se considerar o valor econômico, a disponibilidade de recursos, a logística, os equipamentos disponíveis. Com essas informações inicia-se a escolha da fundação que mais se adapta ao quadro. Por exemplo, quando o número de golpes da sondagem SPT maior ou igual a 8 estiver a profundidades superiores a 2m do solo, a fundação rasa não é indicada, sendo necessário o emprego da fundação profunda. Tubulões à céu aberto, por exemplo, são empregados geralmente acima do lençol freático, podendo ser escavados abaixo d’água em alguns tipos de solos coesivos.

7 DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DE SAPATA ISOLADA (RETANGULAR, QUADRADA, CIRCULAR) A área da sapata (S SAP ) é dimensionada em função da carga aplicada (P) e a resistência do solo s ) obtida pelo SPT (N).

Para sapata quadrada:

=

σ

= =

Em que A e B são os lados da sapata.

Para sapatas retangulares é necessário que os momentos fletores às faces “a” e “b”

do pilar sejam iguais (isso gera uma relação mais econômica entre as dimensões da sapata),

portanto:

=

=

A altura da sapata é pré-dimensionada no valor de h=30% do seu maior lado.

Calcula-se o valor do momento fletor e adota-se a seção a x h como resistente. Verifica-se então

as condições de compressão de forma que o coeficiente C não ultrapasse 0,14 fck (resistência

característica do concreto estipulada no projeto):

=

× 2

Em que,

M: momento fletor atuante

b w :largura da seção

d:altura da seção

Cálculo da armação:

= ℎ − 3

=

×

Em que:

Af:área da armação necessária

M:momento fletor

fy:tensão de escoamento do aço utilizado (5000 kgf/cm² no caso do aço CA50)

d:altura útil da seção

8 DIMENSIONAMENTO ESTRUTURAL DOS BLOCOS DE COROAMENTO DE ESTACAS (UMA, DUAS, TRÊS E QUATRO ESTACAS)

Bloco para 1 estaca: distância mínima entre o eixo e as faces do bloco igual a 1 diâmetro da estaca; altura mínima do bloco igual a 40 cm ou duas vezes o diâmetro da estaca (adotar maior valor); profundidade mínima de penetração da estaca no solo igual a 10 cm (5cm para brocas); a armação da estaca deve penetrar no bloco, apresentando um recobrimento de 3 cm; deve ser travado em duas direções para evitar transmissão de momentos para a estaca. Bloco para 2 estacas: distância mínima entre o eixo e as faces do bloco igual a 1 diâmetro da estaca; distância mínima entre estacas igual a 2,5 diâmetros para estacas pré- fabricadas e 3 diâmetros para estacas fabricadas in loco; ângulo mínimo entre o eixo da estaca e o eixo do pilar igual a 45º. Bloco para 3 estacas: mesmas considerações de blocos para 1 e 2 estacas, além disso, o centro de gravidade das estacas deve coincidir com o centro de gravidade do bloco. Bloco para 4 estacas: mesmas considerações dos demais blocos.