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Unidade II

Biodiversidade, Mudanças Climáticas e Doenças infecciosas Emergentes

As alterações ambientais e suas conseqüências climáticas têm mostrado sintomas como o

declínio de anfíbios em todos os continentes, declínio de polinizadores, florações de algas tóxicas e Doenças Infecciosas Emergentes (DIEs).

O declínio na biodiversidade e as mudanças climáticas rompem importantes controles que

limitam a emergência e disseminação de pragas e patógenos através de mecanismos como:

1- Monoculturas e simplificação de habitat que levam ao surgimento de pragas na agricultura. 2- Perda de habitat e penetração humana no ambiente selvagem colocando o homem em contato com doenças antes isoladas. 3- Declínio de predadores, que libera as presas hospedeiras e vetores de doenças do controle populacional. 4- Perda de competidores, que remove hospedeiros menos eficientes (perda do efeito diluidor).

5-

Dominação de generalistas sobre especialistas.

6-

Doenças de animais selvagens reduzem a biodiversidade e aumentam a ocorrência de DIEs.

A biodiversidade limita a ocorrência de doenças atreves de complexos mecanismos naturais

de controle. Por exemplo, plantações consorciadas de arroz na china com variedades tradicionais e melhoradas são menos susceptíveis a doenças, aumentando a produtividade

(89%) e diminuindo o uso de fungicidas.

Mudanças climáticas:

A maioria das mudanças climáticas ocorridas no século XX foi decorrente de atividades

humanas. A concentração de CO2 atmosférico hoje é a maior que já existiu. Associado a outras forçantes climáticas como mau uso da terra, diminuição do ozônio na estratosfera, diminuição da criosfera, e elevação na concentração de outros gases de efeito estufa, já começaram a alterar o regime climático da terra.

O século 20 foi o mais quente dos últimos 1000 anos. A taxa de aquecimento está

aumentando. De 1 o C/100 anos até 1980 subiu para 3 o C/100 anos entre 1997 e 1998 acima

do esperado para o século XX. A Península Antártica aqueceu 2,5oC no século XX. A

camada de gelo ártico caiu de 3,1 m na décade de 50 a 70 para 1,8 metros na década de 90

(40%).

A diminuição do gelo ártico diminui o albedo (refletividade do gelo), aumentando a

absorção de luz e a temperatura, o que cria um feedback positivo para o aquecimento. O derretimento do gelo permanente (permafrost) na tundra boreal, libera metano, outro feedback positivo. A desregulação destes mecanismos pode aumentar a freqüência de eventos climáticos pela alteração da circulação termohalina oceânica.

O aumento do vapor atmosférico, aquecimento dos oceanos, derretimento do gelo e mudanças nos ciclos hidrológicos estão por trás do aquecimento desproporcional e intensificação dos extremos climáticos. As temperaturas médias mínimas (TMINs) e máximas aumentaram nos últimos 50 anos, principalmente desde a década de 70. O aumento desproporcional das TMINs favorece que os insetos sobrevivam ao inverno

e a maturação dos patógenos. Além disso, o deslocamento latitudinal de plantas, doenças transmitidas por vetores tem sido consistentes com as projeções e mudanças e são

consideradas “impressões digitais” biológicas das mudanças climáticas sugerindo que estas

já modificaram a distribuição da biota na terra.

Mudanças climáticas e o surgimento de doenças:

Conseqüências do aquecimento global e efeitos sobre as DIEs.

? Derretimento das calotas polares e o encolhimento da criosfera levam a diminuição da refletividade da luz nos pólos, liberação de CO2 aprisionado no gelo e portanto um feedback positivo para o efeito estufa. (SCIAM no 23, p.30, abril, 2004, SCIAM, no.8, p. 30-43, Janeir o, 2003).

? Aumento na freqüência e intensidade de eventos climáticos extremos associados a mudanças climáticas trazendo conseqüentes prejuízos e doenças. No século 20, as secas se tornaram mais longas e as tempestades mais freqüentes. As conseqüências das secas são os incêndios florestais, abrindo caminho para enchentes em estações posteriores.

? Aumento das temperaturas mínimas favorece o crescimento, desenvolvimento e permanência de insetos vetores e alterações na simbiose das colônias de corais (SCIAM, 24, p. 22, maio, 2004)

? Deslocamento de plantas, doenças e seus vetores para maiores latitudes com clima mais ameno. (SCIAM 18, p. 58, 11/2003).

? Perda do sincronismo nas inter-relações ecológicas entre espécies, como nascimento de predadores em descompasso com o nascimento das presas (pássaros e insetos), postura de pingüins antes do degelo, nascimento de alevinos de bacalhau antes do zooplâncton, afetando a biodiversidade e quebrando mecanismos naturais de controle de doenças e pragas. (SCIAM, 21, p.74, fevereiro, 2004)

Os surtos de hantavirose nos EUA em 1993, devido a perda de predadores (cobras, falcões e coiotes) e explosão populacional de roedores são uma conseqüência real das alterações ambientais. Os roedores estão envolvidos na transmissão de doença de Lyme, erliquiose, hantavirose, arenavirose, leptospirose e peste bubônica e os descontroles populacionais podem favorecer o surgimento de surtos de tais doenças. Peixes de água doce, répteis, pássaros e morcegos limitam a abundância de mosquitos que carreiam febre amarela, malaria, dengue e várias formas de encefalites virais. Peixes, moluscos e mamíferos marinhos estão envolvidos no controle de populações de algas marinhas e de florações que podem ser tóxicas e carregarem bactérias patogênicas.

Explosões populacionais de organismos nocivos são indicadores de desequilíbrio ambiental, perda de resistência e resiliência natural. Uma questão importante é se a grande perda de biodiversidade abrirá caminho para surgimento de espécies oportunistas nocivas no lugar das que estão se extinguindo.

Toda essa análise aborda as relações epidemiológicas de maneira mais abrangente que a tradicional, envolvendo a influência de práticas sociais, mudanças ecológicas e tendências climáticas na dinâmica que controla doenças e sugere um direcionamento futuro para seleção de bioindicadores para aumentar a vigilância e o monitoramento do ecossistema.

Alguns aspectos das mudanças climáticas são importantes para as respostas biológicas. O aquecimento não é uniforme. Em maiores latitudes o aquecimento é maior, levando a derretimento de partes da Antártica, chegada antecipada da primavera e atraso do outono no hemisfério norte, o que provoca a perda de sincronismo entre espécies e interações ecológicas. O aumento da umidade e ondas de calor afetam as pessoas no hemisfério norte, levando principalmente crianças e idosos mais sensíveis à morte. Invernos brandos permitem que carrapatos permaneçam ativos, disseminando a Doença de Lyme. O avanço da fronteira agrícola leva junto o avanço de pragas, que hoje são responsáveis por consumir 52% da produção agrícola mundial durante o cultivo ou no armazenamento.

Doenças Infecciosas Emergentes

Segundo a OMS, 30 novas doenças surgiram desde a década de 70, além daquelas que recrudesceram em locais onde haviam sido controladas. AIDS, vírus Ebola, Doença de Lyme, doença dos Legionários, Escherichia coli toxigênica, hantavírus, cólera, bactérias multi-resistentes, malária, dengue e febre amarela são alguns exemplos. O clima define a distribuição geográfica e as condições climáticas (tempo), a ocorrência e a intensidade dos surtos de doenças. Várias doenças e seus vetores sofrem mudanças na área de ocorrência devido a mudanças climáticas. Previsões com modelos matemáticos prevêem cenários de aumento da área de ocorrência de doenças, apesar de subestimarem as repostas biológicas naturais aos eventos climáticos. Com o aumento da duração das estações climáticas, aumenta também a temporada de transmissão de doenças como Febre do Nilo e malária.

Os organismos oportunistas como fungos, ratos, mosquitos e microorganismos são em geral R estrategistas e possuem alta capacidade de dispersão e colonização, dominando facilmente ambientes perturbados. As relações entre estes organismos são complexas e facilmente abaladas por eventos climáticos que levam a explosões demográficas de insetos e roedores. Esta é uma área que demanda mais estudos, incluindo fatores como perda, fragmentação e simplificação de habitat e os efeitos sobre as espécies especialistas mais sensíveis.

Eventos climáticos extremos e conseqüências inesperadas:

Os eventos climáticos extremos seqüenciais (secas seguidas de tempestades) têm efeito sinérgico sobre as espécies oportunistas, levando a explosões populacionais de pragas. Por exemplo, secas prolongadas e podem ter reduzido as populações de predadores no sudeste dos EUA, enquanto as chuvas pesadas de 1993, levaram a uma produção exagerada de

pinhões e gafanhotos, fornecendo alimento abundante e um aumento em 10 vezes da população de roedores, criando o cenário para o surgimento da Hantavirose, disseminada pelas fezes e urinas dos ratos. Um estudo sobre lebres canadenses conclui que a falta de predadores eleva a população em duas vezes, a alimentação abundante em 3 vezes, enquanto as duas situações juntas, eleva a população em 10 vezes. O estudo destes efeitos sinérgicos é importante para o entendimento das explosões populacionais de espécies oportunistas.

Estudo de caso: Febre do Nilo Ocidental em Nova York.

Em setembro de 1999, 52 pessoas adoeceram e 7 morreram de encefalite pelo Vírus da Febre do Nilo Ocidental. Não se sabe até hoje como o vírus chegou até lá, mas as condições para o surto foram relacionadas com o inverno quente seguido pelo verão seco. Surtos em outros países também foram relacionados a estações secas. Invernos moderados e verões secos favorecem o acasalamento de mosquitos urbanos (Culex pipiens), enquanto seus predadores aquáticos declinam. Os pássaros se agregam em torno das fontes de água, favorecendo a circulação do vírus entre mosquitos e pássaros enquanto o calor amplifica a maturação viral. Nos EUA, chuvas aumentaram ainda a ocorrência de outro gênero de mosquito (Aedes spp.), formando mais uma ponte para a transmissão para o homem. Aliado a isso, duas possíveis situações podem ter complicado mais a situação. O vírus teria passado por um aumento de virulência recente, ou os pássaros eram imunologicamente sensíveis. Seja qual for a situação, esse surto de febre no Nilo serviu para mostrar que não importa o local do globo terrestre, as condições ambientais e sociais que levam a estas mudanças podem afetar a todos.

Além das doenças humanas, muita epizootias têm surgido no ambiente marinho e terrestre

contribuindo ainda mais para a perda de biodiversidade, associadas a destruição de habitat, poluição e eutrofização. Uma questão que deve ser esclarecida é como as práticas de uso

da terra correntes, com uso de substâncias químicas, fragmentação aumentam as chances

para estas sinergias maléficas. Um distúrbio em um fator pode desestabilizar e perturbações múltiplas podem afetar a resiliência e resistência de uma ecossistema.

Conclusões:

A emergência de doenças é um sintoma primário que integra os múltiplos aspectos das

mudanças ambientais e sociais globais. O efeito estufa, as mudanças climáticas, o mau uso

da terra e redução da cobertura florestal são fatores sinérgicos que criam o meio nutritivo

que favorece o surgimento de doenças humanas, animais e vegetais. As mudanças climáticas têm sido subestimadas, assim como a sensibilidade dos sistemas biológicos a

pequenas mudanças de temperatura e a instabilidade das mudanças climáticas.

Doenças Infecciosas emergentes – DIEs

Doenças que tiverem aumento na incidência, expansão geográfica ou no número de hospedeiros, novas ou causadas por novos patógenos.

O termo emergente foi utilizado a princípio na década de 70 e ganhou força nos anos 80 com a descoberta da AIDS e outras doenças como hantavirose, doença dos legionários, síndrome do choque tóxico, bactérias multiresistentes e doença de Lyme.

Doenças re-emergentes são aquelas que voltam a ocorrer onde antes estavam controladas como a tuberculose na Europa, malária resistente nos trópicos e raiva silvestre no leste dos EUA.

As doenças podem ter importância por terem alta morbidade globalmente (AIDS, malária), nacional ou regionalmente (dengue, Lyme). Outras têm alta mortalidade com ocorrência local como Ebola, Marburg, Hendra, Nipah e hantavírus.

Atualmente estuda-se as DIEs de animais domésticos, selvagens e plantas pois têm impacto significativo sobre a biodiversidade.

Exemplos:

Animais domésticos:

Febre aftosa, Newcastle, língua Azul, EEB (BSE). Plantações:

Cancro cítrico – Xylella citri (laranja) Vassoura de bruxa – Criniperis perniciosa (cacau) As doenças são responsáveis por 12% de perda sobre a produção na América do Norte e índices maiores nos países em desenvolvimento.

Florestas:

Phytophtora cinamoni – florestas tropicais da Austrália Cryphonectria parasitica – florestas temperadas nos EUA As doenças de árvores são responsáveis por intensas mudanças na paisagem.

Animais selvagens:

Cinomose e outros morbilivírus em mamíferos marinhos. Cegueira em cangurus (Orbivírus) Cinomose em ferrets e leões africanos. Conjuntivite por Mycoplasma em pássaros Micoses e ranavírus em anfíbios Herpesvírus em peixes Fibropapilomatose cutânea de tartarugas marinhas Anemia infecciosa dos Salmões Vírus da necrose hematopoiética em trutas arco-íris

As doenças tam grande impacto sobre a biodiversidade, principalmente sobre pequenas populações fragmentadas e são responsáveis por inúmeros eventos de extinção local e global.

Mudanças ambientais, evolução e emergência de doenças

As causas do surgimento de doenças humanas geralmente estão ligadas a mudanças demográficas e de comportamento, aliadas a mudanças ambientais em larga escala. Essas mudanças ecológicas quebram o equilíbrio dinâmico das relações hospedeiro-parasita aumentando as taxas de transmissão entre a população humana e entre reservatórios naturais de zoonoses e humanos. Estas mudanças ocorrem em uma matriz de diversidade microbiana que seleciona os mais adaptados aos ambientes alterados como as bactérias multirresistentes. A fonte mais comum de doenças emergentes não é de microorganismos recém evoluídos, mas aqueles existentes há muito tempo, mas não detectados, ou aqueles selecionados pelo uso de medicamentos antimicrobianos, ou que surgem em função de mudanças ambientais antropogênicas. Doença de lyme, hantavirose, Ebola e vírus Nipah surgiram deste modo, tendo estado presentes em organismos que co-evoluíram a muito tempo. Outras doenças surgiram pelo cruzamento da fronteira interespecífica, em que a evolução permitiu a adaptação ao organismo humano ou animal. Mesmo assim, algum fator de mudança ambiental deve ter promovido este cruzamento, como o caso da AIDS, que supõem-se ter atravessado a barreira entre os chimpanzés e o homem pelo menos 7 vezes, mas só se estabeleceu como pandemia com o aumento do comércio de carne de caça, aumento da mobilidade e da população humana.

Existem 6 fatores mais importantes na emergência de doenças humanas:

1. Aumento recente no comércio e tráfego internacional;

2. Mudanças demográficas e comportamentais;

3. Avanços na tecnologia industrial (alimento, POA e de saúde);

4. Desenvolvimento econômico e uso da terra

5. Quebra de medidas de controle em saúde pública

6. Mudança e adaptação microbiana

Estes fatores refletem bem o desenvolvimento da população humana e a globalização.

O avanço na indústria de alimentos de origem animal aglomera grandes quantidades de

animais, em um pequeno espaço vindos de diferentes regiões com diferentes doenças e depois dissemina estas doenças entre humanos e animais em seus produtos para diferentes

partes do mundo (BSE). O avanço da terapia antimicrobiana tem gerado microorganismo cada vê mais resistentes. A eliminação de Salmonella pulorum em criações de aves deixou vago o nicho ecológico da bactéria, que foi preenchido por duas outras espécies (S. typhymurium, S. enteritidis). O transporte humano também pode ser responsável pela introdução de vetores de doenças como o mosquito e pela movimentação de pessoas contaminadas (AIDS, Dengue, Febre do Oeste do Nilo, Mycobaterium tuberculosis multi- resistente). Um outro efeito do crescimento da população humana é a invasão do homem no ambiente

selvagens, geralmente associado a desmatamento e o aumento do contato com reservatórios

de doenças silvestres (Lyme, hantavirose e Nipah vírus – aumento da população de veados,

fatores climáticos e aumento da produção suína respectivamente). A emergência destas

doenças demonstra as complicadas interações entre alterações ambientais, biodiversidade e mudanças antropogênicas nas relações hospedeiro-parasita. Questões muito semelhantes estão ligadas a emergência de doenças em animais e plantas. As doenças nestas populações se manifestam por diferentes apresentações dos mesmos problemas antropogênicos, sendo possível estabelecer paralelos para os 6 fatores citados anteriormente (transporte de animais e seus produtos, água de lastro, desenvolvimento agropecuário, etc.

A expansão humana para o ambiente selvagem abre caminho para uma série de doenças e

zoonoses que podem afetar os animais selvagens, tendo um efeito importante sobre populações cada vez mais fragmentadas e isoladas, reduzindo mais ainda a biodiversidade e abrindo as portas para mais doenças, gerando um feed-back positivo nefasto. Este efeito leva a dimiuição do efeito diluidor em que muitos animais com diferente sensibilidade à doença (vetores menos competentes) diminuem as chances de transmissão. Isto serve como modelo de estudo sobre como perda de biodiversidade leva ao surgimento de doenças emergentes.

Poluição de patógenos

A introdução de patógenos e seus hospedeiros exóticos é conhecida como poluição de

patógenos, sendo a causa mais comum de DIEs de animais selvagens e plantas, responsável por 60% delas. A poluição de patógenos foi subestimada como uma mudança ambiental e

se deve ao intenso tráfego de animais e plantas e ocorre desde tempos pré-históricos, tendo aumentado muito com a expansão do domínio europeu no planeta nos últimos 900 anos, devastando povos americanos, sensíveis à catapora, sarampo e outras doenças. Da mesma forma, os europeus também eram sensíveis a malária e febre amarela. A emergência de febre do Nilo nos EUA e de febre aftosa na Inglaterra mostra que apesar dos esforços de prevenção e vigilância as doenças continuam a se mover entre os continentes.

A poluição de patógenos repete a poluição química na sua ocorrência global, rápida

disseminação, natureza obscura e grande impacto na vida selvagem e nas plantas. Como exemplo, anticorpos e Salmonella sp. de origem doméstica foram detectados em pingüins

na antártica e cinomose de cães foi detectada em focas. As doenças introduzidas podem se

disseminar rapidamente entre hospedeiros suscetíveis, contato direto, aerosol, vetores e fômites. Em co-introduções, quando hospedeiro e patógenos são introduzidos, a doença pode ocorrer em populações endêmicas longe do ponto de introdução. Devido a fatores estocásticos, a emergência da doença pode ocorrer muito depois da introdução, tornando difícil a previsão.

A introdução de espécies exóticas junto com seus patógenos serve com vantagem

competitiva para a espécie introduzida, uma vez que tende a ser mais resistente a doença

que as espécies autóctones (competição aparente). Exemplo; esquilo cinza americano x esquilo vermelho inglês – parapox vírus.

A introdução de animais domésticos aumenta muito o número de hospedeiros de

determinadas doenças, mantendo uma transmissão contínua para animais selvagens, mesmo que estes já estejam em número menor que o limite para disseminação de doenças. Assim, a raiva canina pode disseminar as pequenas populações de cães selvagens africanos no Serengueti.

Em alguns casos, a introdução de hospedeiros não infectados pode aumentar a disseminação da doença para animais domésticos ou selvagens. A introdução de doenças pode alterar a longo prazo a paisagem (ex.: impalas x antraz x acácias adultas na Tanzânia, em que a doença diminui a população de impalas, permitindo que as árvores crescessem muito). A permanência da doença pode gerar surtos esporádicos que podem levar populações a extinção indiretamente, quando afeta presas (Ex. ferrets predam cães da pradaria que mantém a Yersinia pestis na população. Surtos de peste levaram os cães a quase extinção e como conseqüência também os ferrets.

A mecânica da poluição de patógenos é a mesma da globalização do comércio, da

agricultura, da caça e do uso recreacional do habitat selvagem.

A encruzilhada entre conservação e saúde pública

A maioria (73%) das DIEs humanas são zoonoses, o que é de se esperar, visto que o

homem compartilha o mesmo habitat e patógenos dos animais e as mudanças ambientais

antropogênicas agem neste contínuo hospedeiro-parasita e levam a emergência de doenças.

As

doenças humanas como o sarampo e a influenza são fruto do relacionamento ancestral

do

homem com os animais domésticos. As pandemias de influenza por exemplo, ressurgem

periodicamente após a recombinação de cepas de porcos e aves em suínos. A domesticação

de porcos e aves foi um evento chave na emergência desta doença que ainda hoje ameaça a

saúde humana. Raramente, uma zoonose panzoótica afeta animais e humanos como a Febre

do Nilo. De maneira geral, as zoonoses não se manifestam nos animais (Lyme), necessitando para a transmissão, de um hospedeiro doméstico para potencializar o contato. As interações ecológicas são complexas, podendo ter diferentes causas e conseqüências. Por exemplo, a Doença de Lyme nos EUA é decorrente do reflorestamento e conseqüente aumento da população de veados. A mariposa entra no ciclo da doença polinizando e aumentando a produção de pinhões que servem de alimento para os ratos que são hospedeiros da doença. Por outro lado, o desmatamento, a perda da diversidade de roedores

e o aumento da população de espécies reservatório levaram ao surgimento da febre hemorrágica venezuelana na América do Sul.

Á medida que o homem invadiu o ambiente selvagem, muitas doenças surgiram e até hoje

são descobertas, como os inúmeros vírus transmitidos por morcegos frugívoros (Nipah, Hendra, Rubulavírus). Na Malásia, um surto de Nipahvirose levou ao sacrifício de 1 milhão de porcos, perda de 36 mil empregos e 120 milhões de dólares em exportações. O

tratamento de zoonoses é caro (Lyme: 500 milhões de U$ nos EUA por ano). Os perigos

para a biodiversidade vêm do efeito direto da doença sobre a fauna e também das medidas

de controle adotadas pelo homem. A inclusão de medidas de controle de zoonoses em

programas de conservação deverá encarecer muito os programas.

DIEs ameaçam a conservação de biodiversidade

Da mesma maneira que as DIEs humanas causam alta mortalidade como a AIDS e a malaria, as DIEs animais também, levando a eventos de extinção e redução da biodiversidade. DIEs como a chytridiomicose de anfíbios, a doença herpesviral das sardinhas , os morbilivírus de mamíferos marinhos depletaram populações em vários locais. Doenças localizadas de alta mortalidade como Ebola, também ocorrem em animais e

plantas, porém dificilmente diagnosticadas em função da falta de vigilância e da rapidez de decomposição das carcaças. A infecção por chytridiomicose, levou a extinção de várias espécies de anfíbios na Austrália e América Central. Também foram extintos pássaros no Havaí após emergência de malária aviária, pox aviária e os vetores mosquitos e o lobo da Tasmânia por cinomose cointroduzida com cães domésticos.

A poluição por patógenos é importante neste contexto principalmente quando existem

hospedeiros reservatórios ou hospedeiros imunologicamente virgens.

Efeito de limiar de densidade

Doenças com alta mortalidade diminuem drasticamente uma população a um nível em que a transmissão da doença torna-se improvável, à medida que mais animais tornam-se

imunologicamente protegidos. Esse limiar de densidade populacional pode ser ultrapassado

se um hospedeiro externo a população mantiver a infecção como reservatório ou se o patógeno sobreviver no meio ambiente.

Vários mecanismos de extinção por infecção podem acontecer:

1 – Extinção determinística: a doença mata a população antes que possa se restabelecer. 2 – Extinção por superdoenças; (extinção determinística extrema) geralmente alta virulência em populações imunologicamente virgens. Os animais restantes não conseguem repovoar por serem muito poucos ou muito dispersos.

3-

Extinção por fatores estocásticos após a redução populacional dramática por doença.

4-

Extinção direta devido a epizootias na presença de reservatórios. Neste caso o efeito de

limiar de densidade é ultrapassado pela presença constante de uma fonte de infecção como animais domésticos por exemplo. Foi o caso dos cães selvagens africanos em que a pequena população de cães selvagens convivia com uma grande população de cães

domésticos reservatórios de raiva e cinomose.

5 – Extinção após infecção por patógenos com ciclos de vida incomuns com baixo limiar de densidade.

6- Extinção de efeitos indiretos do surto da doença. Por exemplo , extinção da borboleta

azul no Reino Unido após a introdução da mixomatose para controle da população de coelhos, a lterando o habitat das espécies de formigas que cuidam das larvas da borboleta.

Problemas de Conservação. As DIEs de animais selvagens levantam problemas de conservação devido a conflitos entre

a conservação da biodiversidade e ameaças atuais e futuras a saúde pública ou agricultura. Por exemplo, animais reservatórios de zoonoses podem ser exterminados em programas de controle, como foi o caso do texugo como reservatório de tuberculose no Reino Unido, e dos cães da pradaria e peste bubônica nos EUA. Na Austrália, programas educativos, vacinação e programas de vigilância evitaram a erradicação das colônias urbanas de morcegos frugívoros após a detecção de um novo lissavírus. Zoonoses de animais selvagens mantidos como pets também são uma ameaça, como a salmonelose de répteis, responsável por algumas mortes na Europa e EUA.

A soltura inadvertida de animais selvagens pets e a alimentação de pássaros em quintais

aumentam a ocorrência de doenças como a salmonelose e micoplasmose em pássaros e

herpesvirose em saguis. Programas de conservação que envolvam reintrodução,

translocação e reprodução em cativeiro tem um risco intrínseco de transmissão de patógenos entre espécies alopátricas. Exemplos:

BSE em animais de zoológico alimentados com produtos cárneos; Toxoplasmose em primatas após exposição ao patógeno em cativeiro; Herpesvírus fatal para elefantes asiáticos em contato com elefantes africanos portadores sadios. Programas de conservação que não fazem translocação também podem ter riscos quando os animais são manipulados sem paramentação adequada (luvas) e submetidos a contato com patógenos. Além disso, programas que alcançam aumentos grandes em populações protegidas podem ter um efeito final de aumento da área de ocorrência da espécie e maior contato com doenças (elefante marinho nos EUA).

Outra área que merece atenção é a conservação dos parasitas, o que a princípio parece um contra-senso. Porém os parasitas têm um papel importante na manutenção do status imunológico da população e em longo prazo pelo papel dos parasitas na biologia e evolução das espécies. Não há razões éticas que impeçam a conservação de parasitas em pé de igualdade com a biodiversidade de hospedeiros.

DIEs e medicina da conservação

A emergência de doenças na fauna e flora selvagens representa um importante indicador

das alterações ambientais antrópicas. As DIEs estão circunscritas no centro da medicina da conservação, uma vez que englobam a saúde humana, animal e do ecossistema. Os efeitos das doenças sobre a biodiversidade tem sido subestimados e até mesmo ignorados. Este estado de coisas precisa ser revertido se quisermos alcançar o objetivo da conservação da biodiversidade, e para isso se faz necessário alcançar as três metas seguintes:

a) Ampliar a visão de conservação: é preciso considerar as doenças no estudo da

conservação das espécies e nos projetos de conservação. Maneiras de se fazer isso são

quantificar a ameaça que as DIEs impõem aos esforços de conservação, aumentar a

vigilância, adesão a normas para triagem de doenças e considerar as interações hospedeiro- parasitas nos programas de reprodução em cativeiro; Estudo da biodiversidade de parasitas, novas abordagens para educação pública para expor os risco da poluição por patógenos, as ameaças de doenças que envolvem as alterações de habitat e os benefícios da conservação

de

parasitas.

b)

Integração dentro da medicina da conservação: integração multiprofissional entre

médicos, veterinários, biólogos, ecólogos, epidemiologistas, antropólogos, sociólogos e

economistas para elucidação das complexas interações ecológicas que levam a emergência de doenças. Algumas áreas precisam ser aprofundadas (ecologia de fragmentos, biologia das mudanças globais, invasões biológicas) e fusionadas com ecologia e evolução das relações hospedeiro-parasita e o conhecimento de saúde pública e dos aspectos econômicos

do controle e prevenção de doenças.

Várias áreas de estudo precisam ser ampliadas:

Mudanças climáticas e DIEs animais Poluição química e imunologia e incidência de doenças em nível populacional

Ameaça das doenças a biodiversidade por extinções locais e globais Avaliação de extinções passadas quanto a influência de doenças Levantamentos de biodiversidade de patógenos que são baratos e efetivos em relação aos custos da emergência de doenças.

É necessária a criação de equipes multidisciplinares que possam agir rápido na investigação epidemiológica de surtos em escala nacional e global, nos moldes do CDC.

c) Convencer as fontes financiadoras internacionais da necessidade de se integrar os recursos da área de saúde com os recursos de meio ambiente, para promover programas integrados. É necessário mostrar as conexões zoonóticas existentes nas DIEs para que os economistas possam dar valor aos programas de vigilância e controle de EIDs animais e de plantas. A idéia das DIEs serviu como motivo político para o aumento dos recursos para controle, prevenção e pesquisa sobre doenças infecciosas na década de 80, levando a novas abordagens na investigação de surtos.

Conclusões

DIEs forma apenas uma parte do amplo problema objeto da medicina da conservação. Porém os desafios que as DIEs nos apresentam são enormes. As mudanças ecológicas e climáticas globais crescem , e as fronteiras entre os animais selvages, domésticos, homem e as plantas diminuem à medida que a população humana aumenta. O surgimento de DIEs é uma conseqüência direta das ações desastrosas do homem sobre a natureza, que em troca trazem ameaças à saúde humana, economia, bem-estar através de zoonoses, pragas e perda de biodiversidade. Apesar de conhecermos pouco sobre o efeito das doenças sobre a biodiversidade, está cada vez mais claro o quanto elas tem sido subestimadas. A compreensão de todas as amplas definições de DIEs irá requerer a coordenação da integração entre a saúde pública, pesquisas sobre doenças de animais selvagens e a biologia da conservação. A medicina da conservação terá um papel fundamental através da integração dos recentes avanços na ecologia hospedeiro-parasita, dos efeitos da fragmentação de habitat, espécies invasoras e mudanças ambientais nos ecossistemas, na compreensão deste importante fenômeno.

Efeito dos Interferentes Endócrinos (IEs) na saúde humana e da vida selvagem

Interferentes endócrinos são substâncias químicas produzidas nos processos industriais modernos que têm a capacidade de interferir no metabolismo endócrino. Os hormônios controlam todo o metabolismo orgânico desde a formação embrionária até o envelhecimento. O papel essencial do sistema endócrino o torna extremamente vulnerável a interferências por substâncias químicas desta natureza. As concentrações de inúmeras substâncias químicas na natureza estão acima dos limites toleráveis pelo organismo humano e animal, apesar de estarem abaixo dos limites estabelecidos nas legislações ambientais, ameaçando o homem e os animais globalmente. Os interferentes endócrinos se diferenciam dos tóxicos de maneira geral, visto que estes têm um efeito imediato visível e mensurável, geralmente em concentrações elevadas (intoxicação aguda, danos ao DNA, defeitos de crescimento grosseiros). Os efeitos dos interferentes passam despercebidos pois são cumulativos ou se estabelecem antes do nascimento, manifestando-se em geral muitos anos depois. Entre os animais, os indivíduos expostos podem não alcançar a maturidade sexual, falham em acasalar ou morrem prematuramente. Nos mamíferos, as fêmeas transferem os interferentes para os fetos e após o nascimento, transferem quantidades maiores ainda pelo leite materno. Alterações no período embrionário afetam mais o desenvolvimento do que em qualquer outra fase. Durante a embriogênese, quantidades infinitesimais de homônios controlam a divisão e diferenciação celular. Por exemplo o homem e o camundongo desenvolvem-se na presença de 0,1 parte por trilhão de estradiol livre (10 -13 ppt). Quantidades mínimas de interferentes podem restringir o potencial de um indivíduo, afetando a espécie em nível populacional.

Exposição

Qualquer animal ou homem que nasça hoje já contém IEs no organismo. Os IEs são produzidos pelo homem e dispersos na natureza em grandes quantidades via água e ar. Eles podem ser plásticos, pesticidas incluindo herbicidas, fungicidas e inseticidas. A indústria de plásticos cresce assustadoramente (40% ao ano em países em desenvolvimento). Os componentes plásticos como anti-chamas, amaciantes e fluidificantes são IEs e geralmente duram muitos anos no meio ambiente. Entre 1994 e 1995, 590 mil toneladas de pesticidas foram produzidos nos EUA. Alguns componentes plásticos tidos como componentes inertes são IEs. 60% de todos os herbicidas são IEs. Nenhum produto químico é atualmente testado quanto a sua capacidade IE, apesar de serem testados quanto a toxidade aguda e carcinogênese. Além destes produtos, os pesticidas hoje proibidos como o DDT, organoclorados e bifenil-policlorados, permanecerão na natureza por centenas de anos após o fim do seu uso. Os pesticidas acumulam nos peixes. Os primeiros sinais do efeito dos IEs se deram em gaivotas no Grandes Lagos e no Pacífico, apresentando alterações comportamentais e reprodutivas. As aves apresentavam altas concentrções de OCs magnificadas na cadeia alimentar aquática, resultando no declínio destas populações. Após a proibição do uso, os níveis nas aves peixes caíram, mas os problemas reprodutivos persistem os mesmos. A proibição do DDT e Dieldrin diminuiu o problema da mortalidade aguda e do afinamento da casca dos ovos, mas os danos no desenvolvimento dos filhotes persistiram.

O homem e os animais podem se expostos mesmo se estiverem longe da origem do IEs. Os

IEs são carreados pelo ar e água, alcançando distâncias intercontinentais. Os animais marinhos do árticos carregam as mais altas concentrações de PCBs apesar de estarem longe dos locais onde os produtos são usados. Os humanos da Groenlândia possuem concentrações 14 vezes maiores que os canadenses e americanos. Aves marinhas do pacífico norte possuem maiores concentrações de PCBs, dioxins e furanos que as gaivotas dos Grandes Lagos e já mostram problemas de desenvolvimento. Espécies mais isoladas podem desaparecer sem nem tomarmos conhecimento devido aos efeitos sobre o desenvolvimento dos IEs.

A inabilidade de reconhecer os efeitos dos IEs é demonstrada pela extinção de salmonídeos

dos grandes lagos em sincronismo com o desenvolvimento industrial do pós-guerra. Até hoje os lagos têm que ser repovoados regularmente para a manutenção dos estoques. Apenas 5 picogramas (10 -8 g) de dioxin são suficientes para alterar o desenvolvimento embrionário de peixes.

Efeitos entre espécies:

Grandes Lagos (EUA- Canadá)

Dois problemas relacionados a IEs em humanos foram relatados nas populações que se alimentam de peixes dos grandes lagos após a constatação dos efeitos dos IEs nos animais, dificuldades de aprendizagem e hipospadias. Estudos da década de 80 revelaram que a exposição pré-natal a PCBs tem retardado o desenvolvimento intelectual de crianças nos EUA. Mães que se alimentaram de peixes até 3 vezes por mês 6 anos antes da gravidez tiveram filhos com neurodesenvolvimento retardado ao nascimento, e aos 4 anos manifestaram dificuldades de aprendizagem e redução na capacidade auditiva, verbal e visual. Aos 11 anos estavam na média, um ano atrasadas em relação ao aprendizado escolar que crianças controle.

Filhos de mães com concentrações de 1ppb de dioxin na gordura durante a gestação tiveram desenvolvimento neuromuscular retardado. Em 1,25 ppb de PCB as mudanças foram significativas, com pouca variação, demonstrando um efeito populacional. Aos 4 anos, várias crianças foram removidas do estudo por serem intratáveis, e eram filhos de mães que tinham os índices de PCBs mais elevados. Se todas as crianças tivessem sido mantidas no estudo, 20% mostrariam efeitos dos PCBs. A população americana tem em média 1ppb de PCBs no organismo, sem necessariamente de contaminarem com peixes, indicando que boa parte da população é comprometida. Estudos mais recentes comprovaram os mesmos achados.

As crianças afetadas no estudo, pareciam normais aos olhos leigos, mas não desenvolveram todo seu potencial e a qualidade de vida delas de seus pais foi afetada, sem contar as implicações para a sociedade. Quais efeitos funcionais invisíveis estão ocorrendo na vida selvagem que nós nunca descobriremos?

Os IEs interferem nos mecanismos tireoideanos afetando o desenvolvimento da fala e audição em ratos e humanos. Que efeito esta interferência teria em espécies de animais marinhos que utilizam audição para de orientarem e se comunicar como os cetáceos? Os mamíferos marinhos carregam as maiores concentrações de PCBs do que todas as espécies.

Everglades (Flórida, EUA):

Biólogos em 1992 tentavam descobrir porque as populações de jacarés não se reproduziam conforme o esperado. Encontraram jacarés com alterações gonadais e tartaruga s que só nasciam fêmeas, revelando um novo efeito antiandrógeno de fungicidas e do DDT, 54 anos após a proibição do uso. Estudos posteriores incluíram uma série de produtos como causadores de hipospadias em ratos. Em vista destes achados em animais, foram pesquisados casos de hipospadias em humanos e verificaram que a freqüência de casos dobrou entre 1970 e 1990 e 1 em 125 garotos apresentaram o problema em 1990. Além disso, o câncer testicular aumentou em 51% nos EUA no período de 1973 a 1995, indicando um efeito retardado do desenvolvimento anormal.

Conclusões;

A maioria dos efeitos dos IEs sobre animais selvagens não são letais, porém podem diminuir o tempo de vida. Os efeitos são sobre o sucesso reprodutivo e o crescimento populacional. Os estudos recentes indicam a necessidade de se pesquisar a longo prazo o efeito dos IEs nas populações animais e humanas. É preciso investir em pesquisa sobre prevenção pois não há tratamento para os efeitos produzidos durante a gestação. É preciso incluir os tóxicos químicos nos algoritmos de análise de risco para os programas de conservação de espécies. Os veterinários têm que estar atentos para estas possibilidades além das mais comuns quando forem necropsiar animais selvagens, principalmente marinhos, coletando material para análise toxicológica. As populações de animais de vida longa estão em declínio algumas em extinção, sem o conhecimento da sociedade. As perdas disseminadas desta natureza podem modificar o caráter da sociedade humana e desestabilizar as populações de animais selvagens, e a sociedade nunca terá entendido o que aconteceu.