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O QUE É ABERTURA: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE CONTROLAR A LUZ CRIATIVAMENTE.

O que é abertura na fotografia? É um dos elementos fundamentais de qualquer foto, se não for a configuração de câmera

mais importante que você fará. Controlar a quantidade de luz que chega ao sensor da sua câmera não é o único papel daquele grande buraco em sua lente. Ele também possibilita você ser criativo com a profundidade de campo.

Neste tutorial nós não só responderemos à pergunta “O que é abertura”; nós mostraremos como usar a abertura de sua câmera para começar a ser criativo com a luz.

de sua câmera para começar a ser criativo com a luz. Imagem por Bem Hall Então

Imagem por Bem Hall

Então o que é exatamente abertura?

Colocada de forma simples, a abertura é um buraco dentro da lente pelo qual a luz passa para alcançar o sensor da sua câmera. Você usa abertura, velocidade do obturador e ISO combinados para criar uma exposição.

Por que eu iria querer alterar a quantidade de luz que chega ao sensor?

Bem, vamos olhar rapidamente para os outros elementos da exposição: velocidade do obturador e ISO. A escolha de velocidade do obturador dita quanto tempo o sensor fica exposto à luz que passa através da abertura. Essa escolha também tem uma relevância em como o movimento é capturado em suas fotos; velocidades mais rápidas permite a você congelar o movimento, enquanto que velocidades mais lentas permitem a você adicionar “motion blur”, um borrão, para um resultado mais artístico.

Se as condições de luz e as configurações de ISO da câmera – que determinam o quão sensível à luz o sensor fica – permanecerem constantes, então o único modo de assegurar que o sensor receba luz suficiente para fazer exposições consistentes, enquanto a velocidade do obturador aumenta e diminui, é abrir e fechar a abertura.

À medida que a velocidade do obturador fica mais rápida (criando um tempo de exposição menor), a abertura precisa

ser ampliada (para aumentar a intensidade da luz).

À medida que a velocidade do obturador fica mais lenta (criando um tempo de exposição maior), a abertura precisa ser

diminuída (para reduzir a intensidade da luz). É tudo uma questão de equilibrar esses dois elementos.

Eu já vi fotógrafos falarem sobre usar aberturas “grandes” e “pequenas” – o que eles querem dizer?

Esses termos se referem ao tamanho da abertura que está sendo usada. É um pouco confuso, porque as maiores aberturas têm relação com os números f-stop menores (como f/1.8, f/2.8, f/4).

Entretanto, quando um fotógrafo diz que ele está usando uma “abertura pequena”, ele na verdade quer dizer que está usando f-stops com números maiores (tais como f/11, f/16, e assim por diante).

Se você pensar na abertura como uma fração, ao invés de um “f-stop”, a coisa faz mais sentido. Por exemplo, 1/4 é maior do que 1/16, então uma abertura de f/4 deixará mais luz entrar do que uma de f/16.

Assim como afeta a exposição, sua escolha de abertura também lhe dá controle sobre a profundidade de campo em uma imagem – e essa é uma das armas mais potentes no arsenal de um fotógrafo criativo.

Profundidade de Campo?

OK, pense na profundidade de campo como sendo uma zona que se estende à frente e atrás do ponto de foco na qual os elementos ainda parecem aceitavelmente nítidos.

Reduzindo a profundidade de campo você pode fazer uma parte precisa de uma foto ficar nítida e permitir que outras áreas se tornem borradas. Isso permite a você chamar atenção para partes chave da imagem, e ocultar elementos que poderiam ser uma distração.

Aumentar a profundidade de campo, por outro lado, tem o efeito contrário, fazendo mais “camadas” numa cena parecerem nítidas.

Enquanto que profundidade de campo numa foto é influenciada por vários fatores, incluindo distância de foco e

comprimento focal da lente, em termos de abertura a coisa se resume a isto: quanto maior a abertura usada, menor é

a profundidade de campo captada; quanto menor é a abertura usada, maior é a profundidade de campo que você capta.

Colocando de outro modo, grandes buracos é igual a mais borrão de fundo; pequenos buracos é igual a mais nitidez.

Então, quando eu precisaria assumir o controle da abertura?

A escolha da abertura é a consideração mais importante para uma completa gama de situações. Por exemplo, fotógrafos

de paisagem tipicamente usam pequenas aberturas com lentes grande-angulares para dar às suas fotos a maior profundidade possível.

É assim que eles alcançam aquelas vistas detalhadas nas quais todos os elementos, desde flores aos pés deles até montanhas no horizonte, são reproduzidos tão nitidamente por todo o quadro.

Fotógrafos de retrato e vida selvagem frequentemente optam pelo outro lado da balança, usando lentes longas e grandes aberturas para espremer um tema nítido entre um primeiro plano e fundo borrados.

Abertura se torna ainda mais crucial à medida que você chega se aproxima do tema. Quanto mais próximo você foca, menos profundidade de campo será captada para uma dada abertura.

É por isso que fotografia macro requer o uso de foco preciso e aberturas muito pequenas, já que nesse caso a profundidade de campo geralmente pode ser medida em milímetros.

Eu deveria usar o modo Prioridade de Abertura (A ou Av) o tempo todo, certo?

Quando o controle sobre a profundidade de campo é importante numa imagem, então sim, escolha Prioridade de Abertura – “Aperture Priority” em inglês (A ou Av no disco de modos da sua câmera). É um modo de exposição automática que permite a você manualmente escolher um f-stop, com a câmera selecionando uma velocidade do obturador correspondente para alcançar o que ela calcula como boa exposição, baseada na abertura que você escolheu, modo de medição, ISO e assim por diante.

Embora você possa confiar em Prioridade Abertura para fotografia do dia a dia, você tem que ter consciência de como mudar a abertura afeta a velocidade do obturador.

Você pode, por exemplo, selecionar uma pequena abertura quando fotografar uma paisagem, mas se o tempo de exposição se estende a segundos, você precisará colocar a câmera num tripé.

Então existe uma melhor abertura que eu deva usar?

O intervalo de abertura intermediário para sua lente – geralmente de f/8 a f/11 – fornece um bom equilíbrio entre profundidade de campo e velocidade do obturador. Muitas lentes tendem a entregar imagens de qualidade ótima nessas configurações de abertura.

AVISO: Essa afirmação de que a qualidade ótima é entregue por muitas lentes na faixa de f/8 a f/11 só é válida quando se usa um sistema de quadro cheio (Full Frame). Em sistemas “cropados” a qualidade ótima é alcançada geralmente na faixa de f/5.6 a f/8. Fotografar acima disso em sistemas “cropados”, ou seja, a partir de f/11, já começa a introduzir difração, que é uma redução na nitidez da imagem. Da mesma forma em sistemas de quadro cheio, a difração começa a gerar seus efeitos a partir de f/16. Quando digo “sistema”, quero dizer a combinação de sensor e lente do mesmo formato. Então:

Sistemas de quadro cheio = Câmera + Lente (ambos de quadro cheio). Ex.: 5D Mark III + EF 24-70mm f/2.8L.

Sistemas “cropados” = Câmera + Lente (ambos no formato crop). Ex.: T5i + EF-S 18-55mm f/3.5-5.6.

Embora lentes sejam classificadas usando um alcance fixo de aberturas, nem todas as lentes são iguais. Há um motivo para que uma lente 50mm f/1.8 custe cerca de US$ 220, enquanto que uma lente 50mm f/1.2 custe-lhe dez vezes mais que esse valor – e esse motivo, em essência, é velocidade da lente (no Brasil chamado de “claridade” da lente).

Quando fotógrafos descrevem uma lente como sendo “rápida” ou “lenta”, eles não estão se referindo à agilidade do seu sistema de autofoco, mais sim o quão larga é sua abertura máxima.

Lentes rápidas (claras) oferecem grandes aberturas que deixam mais luz entrar, dando a você uma velocidade do obturador mais rápida com a qual trabalhar. Elas são procuradas para se trabalhar com pouca luz, profundidade de campo exageradamente pequena e fotografia que frequentemente requer tempos de exposição extremamente rápidos, tais como fotografia de vida selvagem e esportes.

Lentes escuras (lentas) não captam tanta luz quanto as rápidas, por isso a exposição requer uma velocidade do obturador mais lenta. Elas são geralmente mais leves do que lentes rápidas, e consideravelmente mais gentis com seu bolso.

Então, uma lente 10-20mm f/3.5 é mais rápida do que uma 600mm f/4?

Ah, não. Uma lente é referida como rápida ou lenta quando é comparada a lentes que tem um comprimento focal similar.

Para seu comprimento focal extremo, uma lente 600mm f/4 é rápida, enquanto que uma lente oferecendo uma abertura máxima de f/3.5 a 20mm é relativamente lenta; existem lentes 20mm disponíveis com aberturas máximas mais rápidas de f/2.8 e f/1.8.

Muitas lentes zoom possuem uma “abertura flutuante”, de modo que a abertura máxima muda à medida que você usa o zoom. Uma lente 100-400mm f/4.5-5.6 oferece f/4 como uma abertura máxima, mas ela gradualmente estreita até f/5.6 à medida que a lente faz zoom para 400mm.

Lentes zoom com aberturas flutuantes são geralmente mais lentas e baratas do que lentes zoom que mantêm a mesma abertura máxima por todo seu alcance.

Se você precisa das aberturas máximas mais rápidas, então você deve procurar por lentes prime de alta qualidade, ao invés de zooms. Comece a economizar já

DO QUE É FEITA UMA ABERTURA?

D O QUE É FEITA UMA ABERTURA ? 1 – Lâminas. O diafragma da abertura é

1

– Lâminas.

O

diafragma da abertura é feito

de

5

a

9

lâminas

intercaladas. Quanto mais lâminas são usadas, mais suave e circular é o “bokeh” (áreas fora de foco).

2 – Motor.

Ele abre e fecha a abertura quando o obturador dispara, para “escurecer a lente” para a abertura que você selecionou. Por padrão, as lentes permanecem na abertura máxima ao se utilizar o visor (viewfinder).

3 – Localização.

A montagem da abertura não reside em sua câmera, mas sim no barril de cada uma de suas lentes. A gama de configurações de abertura disponível varia dependendo da lente que é usada.

COMO CONTROLAR A ABERTURA?

Exposição manual dá a você controle total tanto sobre abertura quanto velocidade do obturador, mas pode ser meio desajeitado quando você está começando. Prioridade de Abertura (A ou Av) é um modo de exposição semiautomático que, como o nome sugere, permite a você ajustar a abertura como uma prioridade.

Passo 1.

O jeito fácil de você mesmo controlar a abertura é

selecionar o modo A/Av no disco de Modos. Depois simplesmente gire o botão principal de configurações da sua câmera para aumentar ou diminuir a abertura. A câmera vai ajustar automaticamente a velocidade do obturador.

vai ajustar automaticamente a velocidade do obturador. Passo 2. DSLRs oferecem uma escolha de até três
vai ajustar automaticamente a velocidade do obturador. Passo 2. DSLRs oferecem uma escolha de até três

Passo 2.

DSLRs oferecem uma escolha de até três escalas, com incrementos de etapa completa, meia etapa ou um terço de etapa (vá para o menu de funções personalizáveis da sua câmera para escolher sua preferência). Nós preferimos um terço de etapa já que assim é possível fazer um ajuste fino da exposição.

Passo 3. Existem três modos de ficar de olho nas configurações de abertura – no
Passo 3. Existem três modos de ficar de olho nas configurações de abertura – no

Passo 3.

Existem três modos de ficar de olho nas configurações de abertura – no visor, na tela LCD traseira, e na pequena tela LCD de cima (no caso de DSLRs topo de linha) Nós gostamos da clareza que uma tela de cima e o visor fornecem.

Passo 4.

Muitas câmeras tem um botão Depth of Field Preview (Prévia da profundidade de campo) que fecha a abertura para aquela que você escolheu, possibilitando a você medir a profundidade de campo através do visor. Entretanto, o modo Live View oferece uma representação mais eficaz da configuração de abertura.

PORQUE UMA ABERTURA PEQUENA NEM SEMPRE É MELHOR?

P ORQUE UMA ABERTURA PEQUENA NEM SEMPRE É MELHOR ? Muitas lentes tem uma abertura mínima

Muitas lentes tem uma abertura mínima de f/22, apesar de que algumas (tais como as lentes macro) oferecem uma configuração ainda menor de, digamos, f/32.

Mas por que a abertura mínima raramente é listada ao lado do comprimento focal, assim como é com a abertura máxima? É porque a menor abertura raramente é recomendada para ser usada, já que isso leva a imagens mais difusas e sem contraste devido a um fenômeno ótico conhecido como difração.

Difração ocorre quando ondas de luz entrando na lente são “dobradas” pelas bordas das lâminas da abertura.

Cada configuração de abertura causa isso, mas o dobramento é geralmente mínimo. Contudo, à medida que as aberturas ficam menores, o efeito se torna mais significante.

Na menor abertura as ondas de luz são tão dobradas e espalhadas pelas lâminas do diafragma que a imagem parece embaçada, muito embora esteja focada corretamente.

Então, mesmo que a menor abertura possibilite a você maximizar a profundidade de campo quando você está fotografando paisagens, a resolução irá se deteriorar.

Tente fotografar em f/16 para melhorar a qualidade da imagem no geral.

AVISO: Este site recomenda f/16, mas eu discordo completamente (outros autores de artigos também discordam). Assim como outros fotógrafos (com os quais aprendi), ao se fotografar paisagens eu recomendo usar a menor abertura que sua lente permitir sem haver deterioração da imagem (geralmente f/5.6 a f/8 para sistema cropado e f/8 a f/11 para quadro cheio) e se utilizar da técnica da distância hiperfocal para deixar tudo em foco. Falaremos sobre distância hiperfocal em outro artigo.

O QUE SÃO F-STOPS?

hiperfocal em outro artigo. O QUE SÃO F - STOPS ? Passe pelos f-stops no modo

Passe pelos f-stops no modo Prioridade Abertura e a sequência de números que aparece no visor pode parecer bem aleatória. Por que f/5.6 pula para f/8 quando você fecha a abertura em uma etapa completa, e f/8 para f/11, para f/16 e assim por diante? Parece haver uma lógica nisso.

Como esses números são calculados é, na verdade, bem complicado, mas a coisa a se lembrar é que um f-stop não é uma medida do diâmetro da abertura, mas uma expressão da razão entre o diâmetro da pupila de entrada e o comprimento focal. Isso significa que valores de abertura são constantes, não importando que lente está em uso.

Por exemplo, uma lente 80mm com uma abertura de f/4 terá um diâmetro de pupila de 20mm (80÷4), enquanto que uma lente 400mm com uma abertura de f/4 terá um diâmetro de pupila de 100mm (400÷4). Enquanto que a lente 400mm tem uma pupila consideravelmente maior, ela deixa entrar exatamente a mesma quantidade de luz que a mesma abertura f/4 deixa na lente 80mm, já que a luz está muito mais fraca depois de ter viajado por todo o comprimento focal da lente.

Fonte: http://www.digitalcameraworld.com/2014/02/27/what-is-aperture-everything-you-need-to-know-about- controlling-light-creatively/

Traduzido e comentado por: Murilo Gomes da Silva Rêgo Neto.

Grupo Central da Fotografia: https://www.facebook.com/groups/centraldafotografia/