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A servido moderna um filme produzido e narrado por Jean-Franois Brient.

O
curta-metragem analisa a sociedade moderna, denunciando sua estrutura labirntica e cclica, a
qual acomoda e aprisiona seus adeptos; estes, inconscientes ou alienados, moldam,
reconstroem e protegem as grades que os cercam.

Todo o mundo atual retratado como um enorme sistema cambial, requerendo das
pessoas uma devoo irrestrita. Tudo se resume a permutas insuperveis: no h espaos para
subjetividades, h somente a correlao entre consumidor, produto e produtor. O planeta atual
se compe de luzes, outdoors, cartazes, panfletos, propagandas televisivas e a rdio. Uma
atmosfera asfixiante e frentica domina todas as camadas sociais.

Em uma sociedade onde o tempo uma moeda de troca, no h espaos para


sutilezas ou recreios. As pessoas veem-se sufocadas pela correria e saturao dos dias aps
dias e, apesar disso, caem numa resignao servil, ou por acreditarem no existir um possvel
mundo melhor, ou por simplesmente no se importarem. A palavra dinheiro ganhou a ordem
do dia, pessoas vendem o corpo, a mente e o seu tempo de vida para conseguirem a moeda
que comprar os bens que a indstria mercantil determinou como de primeira necessidade.

Enquanto o fluxo do sistema se move, honrando de riquezas e poder apenas um


pequeno grupo privilegiado, os indignos e miserveis, fadados a compor a ral da fora
laboral, no acham outra escolha vlida que no se manterem subjugados e vencidos,
conformados da sua condio de servos, pois foram manipulados a agradecer o trabalho que
possuem, por piores e ultrajantes que sejam as condies nas quais o executam, uma vez que
negar essa distino seria abraar a situao de desempregado.

O capitalismo desatado rotula tudo como potencialmente consumvel.