Você está na página 1de 32

História da Mesopotâmia

História da Mesopotâmia, Povos Mesopotâmicos, Assírios, Babilônios, Sumérios, Babilônia, Código de Hamurabi, Escrita Cuneiforme, Zigurate, Jardins Suspensos da Babilônia, Torre de Babel, economia, arquitetura, arte, administração, Caldeus

Babel, economia, arquitetura, arte, administração, Caldeus Introdução A palavra mesopotâmia tem origem grega e

Introdução

A palavra mesopotâmia tem origem grega e significa " terra entre rios". Essa região localiza- se entre os rios Tigre e Eufrates no Oriente Médio, onde atualmente é o Iraque. Esta civilização é considerada uma das mais antigas da história.

Principais povos

Vários povos antigos habitaram essa região entre os séculos V e I a.C. Entre estes povos, podemos destacar: babilônicos, assírios, sumérios, caldeus, amoritas e acádios.

Características comuns

No geral, eram povos politeístas, pois acreditavam em vários deuses ligados à natureza. No que se refere à política, tinham uma forma de organização baseada na centralização de poder, onde apenas uma pessoa ( imperador ou rei ) comandava tudo. A economia destes povos era baseada na agricultura e no comércio nômade de caravanas.

Vantagens da região

Vale dizer que os povos da antiguidade buscavam regiões férteis, próximas a rios, para desenvolverem suas comunidades. Dentro desta perspectiva, a região da mesopotâmia era uma excelente opção, pois garantia a população: água para consumo, rios para pescar e via de transporte pelos rios. Outro benefício oferecido pelos rios eram as cheias que fertilizavam as margens, garantindo um ótimo local para a agricultura.

Sumérios

Este povo destacou-se na construção de um complexo sistema de controle da água dos rios. Construíram canais de irrigação, barragens e diques. A armazenagem da água era de fundamental importância para a sobrevivência das comunidades. Uma grande contribuição dos sumérios foi o desenvolvimento da escrita cuneiforme, por volta de 4000 a.C. Usavam placas de barro, onde cunhavam esta escrita. Muito do que sabemos hoje sobre este período

da história, devemos as placas de argila com registros cotidianos, administrativos, econômicos e políticos da época.

Os sumérios, excelentes arquitetos e construtores, desenvolveram os zigurates. Estas construções eram em formato de pirâmides e serviam como locais de armazenagem de produtos agrícolas e também como templos religiosos. Construíram várias cidades importantes como, por exemplo: Ur, Nipur, Lagash e Eridu.

importantes como, por exemplo: Ur, Nipur, Lagash e Eridu. Babilônios Placa de argila com escrita cuneiforme

Babilônios

Placa de argila com escrita cuneiforme

Este povo construiu suas cidades nas margens do rio Eufrates. Foram responsáveis por um dos primeiros códigos de leis que temos conhecimento.

Baseando-se nas Leis de Talião ( " olho por olho, dente por dente " ), o imperador de legislador Hamurabi desenvolveu um conjunto de leis para poder organizar e controlar a sociedade. De acordo com o Código de Hamurabi, todo criminoso deveria ser punido de uma forma proporcional ao delito cometido.

Os babilônios também desenvolveram um rico e preciso calendário, cujo objetivo principal era conhecer mais sobre as cheias do rio Eufrates e também obter melhores condições para o desenvolvimento da agricultura. Excelentes observadores dos astros e com grande conhecimento de astronomia, desenvolveram um preciso relógio de sol.

Além de Hamurabi, um outro imperador que se tornou conhecido por sua administração foi Nabucodonosor II, responsável pela construção dos Jardins suspensos da Babilônia (que fez para satisfazer sua esposa) e a Torre de Babel (zigurate vertical de 90 metros de altura). Sob seu comando, os babilônios chegaram a conquistar o povo hebreu e a cidade de Jerusalém.

Assírios

Este povo destacou-se pela organização e desenvolvimento de uma cultura militar. Encaravam a guerra como uma das principais formas de conquistar poder e desenvolver a sociedade. Eram extremamente cruéis com os povos inimigos que conquistavam. Impunham aos vencidos, castigos e crueldades como uma forma de manter respeito e espalhar o medo entre os outros povos. Com estas atitudes, tiveram que enfrentar uma série de revoltas populares nas regiões que conquistavam.

Caldeus

Os caldeus habitaram a região conhecida como Baixa Mesopotâmia no primeiro milênio antes de Cristo. Eram de origem semita. O imperador caldeu mais importante foi Nabucodonosor II. Após a morte deste imperador, o império babilônico foi conquistado pelos Persas.

Assíria

Civilização Assíria

A Assíria é o antigo reino de Assur (Ashur), país da Ásia, localizado ao norte da Mesopotâmia a partir da

fronteira norte do atual Iraque, que surge juntamente com Elam e Mari no alto Tigre, quando obtêm, em

1950 a.C., a independência de Ur III.

O grande Império Assírio vem logo após o enfraquecimento do antigo império da Babilônia. Vindos do

Norte, conquistaram toda a região da Mesopotâmia por volta do século XII a.C. Estima-se que existia desde

o século IX a.C. Era um povo guerreiro com um exército forte e muito bem organizado, o que o ajudou a

manter o poder do reino unificado. Sua capital era a cidade de Nínive. Devido às revoltas internas e à

pressão externa o império caiu, mais exatamente quando a capital foi devastada, alguns historiadores afirmam que em 606 a.C. e outros dizem em 612 a.C.

O Império Assírio era localizado na região leste da Alta Mesopotâmia, entre o rio Tigre e a cordilheira de

Zagros. Seus domínios se estenderam de Elam até as fronteiras do Egito. Seu ápice foi com o rei Sargão II

(722-705 a.C.). Com seu forte exército dominou os hebreus, babilônios e egípcios, mas não resistiu à pressão de um levante em Elam, juntamente com um na Babilônia, dando a oportunidade para os egípcios recuperarem sua liberdade. Logo em seguida, os medos, povo aliado aos caldeus e aos citas, tomaram a capital Nínive e a destruíram. Os assírios formaram o maior império, até então criado, antes do Império Romano.

Os reis assírios eram seminômades, semitas do noroeste. Suas conquistas se estenderam aos vales dos rios Tigre e Eufrates. O início do século XVIII a.C. foi marcado por alguns acontecimentos políticos: queda de Ur III e a derrocada do Médio Império, no Antigo Egito. Foi quando surgiram duas potências emergentes, Mari e Assíria. Nesse período, um rei de origem amorrita, Shamshi-Adad I (1815 a.C.-1782 a.C.) expandiu os domínios assírios por toda a Mesopotâmia.

Curiosamente, Shamshi-Adad se intitulou Sar-kissat (rei do mundo). Os assírios foram derrotados em 1779 a.C. por Hamurabi, rei caldeu, tomando como que um protetorado do grande império babilônio que surgia. Mais tarde, Assurbanípal II reconquistou a terra de seus vizinhos estendendo a influência assíria do atual Irã até a cidade egípcia de Tebas. Assur-nazirpal II (884-859 a.C.) transformou Nimrud (Khalcu) em sua capital militar, onde ficavam estacionadas suas tropas. Salmanassar III (859 a.C.-824 a.C.) dominou a alta Mesopotâmia. É curioso observar que Assur é o nome do país do principal deus e também de um rei. Muitos reis usavam Assur, o título da divindade, como prefixo de seus nomes.

Suas principais cidades-estado foram Assur, Nínive e Nimrud. Revoltas internas e invasões de nômades da Ásia Central (os medos da Pérsia e os caldeus) colocam fim ao império em 612 a.C. A parte ocidental do país era uma estepe adequada apenas a uma população nômade. Entretanto, a parte oriental era apropriada para a agricultura, com colinas cobertas de bosques e férteis vales banhados por pequenos rios.

A leste da Assíria se encontram os montes Zagros; ao norte, um escalão de platôs conduz ao maciço

armênio; a oeste se estende a planície da Mesopotâmia. Ao sul se encontrava o país conhecido como Shumer, e Acádia e mais tarde Babilônia.

As cidades mais importantes da Assíria, todas situadas no território do atual Iraque, eram Assur, atualmente Sharqat; Nínive, da qual os únicos vestígios que indicam sua localização são dois grandes tells, Quyunyik e Nabi Yunas; Khalcu (Nimrud) e Dur Sharrukan, atualmente Jursabad. Nínive, às margens do Tigre, foi a capital assíria durante o apogeu (705-612 a.C.) No entanto, escavações indicam um início de aldeamento e

povoação no período calcolítico, por volta de 6000 a.C. Outra cidade-estado da Assíria de grande importância política e econômica foi Kárkemis, antiga capital do reino hitita do século XII a.C.

Os militares assírios formaram o primeiro exército organizado e o mais poderoso até então. Desenvolveram armas de ferro e carros de combate puxados por cavalos, além de cavalaria pesada individual. O controle das áreas conquistadas era mantido pelas tropas e por práticas cruéis, como a deportação e a mutilação dos vencidos. Os guerreiros e sacerdotes desfrutavam de grandes privilégios: não pagavam tributos e eram grandes proprietários de terra. A população comum, formada por camponeses e artesãos, ficava sujeita a altos tributos e serviços forçados na construção de imensos palácios e estradas. Os assírios desenvolveram a horticultura e aperfeiçoaram o arado.

A literatura assíria era praticamente idêntica à babilônia, e os reis assírios mais cultos, principalmente

Assurbanípal II, se gabavam de armazenar em suas bibliotecas cópias de documentos literários das culturas que os antecederam, bem como dos países vencidos. A vida social ou familiar, os costumes matrimoniais e

as leis de propriedade de assírios e babilônicos também eram muito parecidos. Suas práticas e crenças religiosas eram semelhantes.

A raça dos assírios resulta da mestiçagem entre as tribos de semitas chegadas da Samaria (região da

Palestina) e os povos do norte do rio Tigre, por volta de 1000 a.C. A principal contribuição cultural assíria ocorreu no campo da arte e da arquitetura, especialmente no período neo-assírio (1117 a.C. a 612 a.C.) Sargão II, que reinou entre 722 a.C. - 705 a.C., ergueu palácios, templos e residência de alto luxo e esmerado padrão artístico. Os grandes zigurates foram a principal forma de arquitetura religiosa assíria, com tijolos coloridos e vitrificados. Posteriormente, Senaquerib, filho de Assurbanípal, que reinou de 705 a 681 a.C., mudou a capital para Nínive em 701 a.C.

Segundo alguns importantes descobrimentos arqueológicos, a Suméria, posteriormente Assíria, foi habitada desde o início da era paleolítica. Apesar disso, a vida sedentária não teve origem nessa região até cerca de 6500 a.C. O fim do Império Assírio ocorreu no ano de 612 a.C., quando o exército, comandado por seu último rei, Assur-uballit II (612-609 a.C., foi derrotado pelos medos em Haran.

Ao longo de sua história, o poder da Assíria dependeu quase que inteiramente de sua força militar. O rei era

o comandante-chefe do exército e dirigia suas campanhas. Embora em teoria fosse monarca absoluto, na

realidade os nobres e cortesãos que o rodeavam, assim como os governadores que nomeava para administrar

as terras conquistadas, tomavam frequentemente decisões em seu nome. As ambições e intrigas foram uma ameaça constante para a vida do governante assírio. Essa debilidade central na organização e na administração do Império Assírio foi uma das responsáveis por sua desintegração e colapso.

História antiga

por sua desintegração e colapso. História antiga O Império Assírio em 824 a.C. ( verde escuro)

O Império Assírio em 824 a.C. (verde escuro) e 671 a.C. (verde claro).

O primeiro sítio neolítico na Assíria é o de Tell Hassuna, centro da cultura Hassuna, no atual Iraque. Da

história arcaica do reino da Assíria pouco se sabe com segurança. De acordo com algumas tradições judaico- cristãs, a cidade de Ashur (também Assur ou Aššur) teria sido fundada por Assur, filho de Sem, que foi deificado por gerações posteriores como o deus padroeiro da cidade. O vale do alto rio Tigre parece ter sido

dominado pela Suméria, pela Acádia e pela Babilônia, em seus estágios iniciais. O Império Acádio de Sargão, o Grande alegava abranger os "quatro quartos"; as regiões ao norte da terra de origem acádia eram conhecidos como Subartu. Foi destruída por bárbaros gútios durante o chamado período Gútio, depois foi reconstruída e acabou sendo governada como parte do império da 3ª Dinastia de Ur.

Antigos reinos e cidades-Estado assírias

As primeiras inscrições de soberanos assírios surgem depois de 2000 a.C

diversas cidades-Estado e pequenos reinos semíticos. A fundação da monarquia assíria é creditada tradicionalmente a Zulilu, que teria vivido depois de Bel-kap-kapu (Bel-kapkapi ou Belkabi, c. 1900 a.C.), ancestral de Shalmaneser I.

A Assíria consistia então de

Cidade-Estado de Assur

A cidade-Estado de Assur teve grande contato com as cidades do planato da Anatólia. Os assírios fundaram

"colônias mercantis" na Capadócia, como por exemplo em Kanesh (atual Kültepe), de 1 920 a.C. a 1 840 a.C. e de 1 798 a.C. a 1 740 a.C. Estas colônias, chamadas karum ("porto", em acádio), eram ligadas a cidades anatólias, embora estivessem separadas fisicamente, e mantivessem um status especial de impostos. Especula-se que teriam surgido com uma tradição comercial longe entre Assur e as cidades anatólias, porém não existem registros arqueológicos ou epigráficos que comprovem este fato. O comércio consistia de metal (talvez chumbo ou estanho, a terminologia usada não é clara) e produtos têxteis da Assíria, que eram trocados por metais preciosos na Anatólia.

Como muitas cidades-Estado comerciais ao longo da história, Assur era, até certo ponto, uma oligarquia, e não uma monarquia. A autoridade era tida como estando com "a cidade", e a politeia tinha três centros principais de poder - uma assembleia de anciãos, um soberano hereditário e um epônimo. O soberano presidia sobre a assembleia, e executava suas decisões; não era descrito com o termo acádio

costumeiramente usado para "rei", šarrum, que era reservado para a divindade padroeira da cidade, Assur, de quem o soberano era o alto sacerdote. O próprio soberano era indicado apenas como o "criado de Assur" (iššiak Assur), onde o termo iššiak, "criado", "camareiro", é por sua vez um empréstimo do sumério ensi(k).

O terceiro centro de poder era o epônimo (limmum), que dava seu nome ao ano, de maneira semelhante ao

que ocorreria posteriormente com os arcontes atenienses e os cônsules romanos da Antiguidade Clássica. O epônimo era eleito anualmente através de sorteio, e era responsável pela administração econômica da cidade, que incluia a prerrogativa de aprisionar pessoas e confiscar propriedade. A instituição do epônimo, bem como a fórmula iššiak Assur perdurou na forma de vestígios cerimoniais, por toda a história da monarquia assíria. [3]

Evolução política

Segundo as teorias bíblicas, os assírios seriam descendentes de Assur, o segundo filho de Sem e neto de Noé. Entretanto, tal teoria carece de maiores elementos confirmadores, de modo que a origem desse povo da Antiguidade tem sido explicada pela arqueologia.

Por volta de 2000 a.C., em meio a um grande movimento de indo-europeus vindos do Cáucaso, os assírios estabeleceram-se na região do alto Tigre. Foram invadidos pelos bárbaros semitas denominados amoritas. Por volta de 1000 a.C., um rei amorita dos assírios estabeleceu controle da maior parte do norte da Mesopotâmia. Seu poder durou pouco por causa da ascensão da Babilônia sob Hamurábi e dos mitanos, povo do oeste, na moderna Síria.

Durante o segundo milênio a.C., os assírios foram dominados seguidamente pelos mitanos e pelos amoritas da Babilônia.

Relevo assírio representando o transporte de cedro libanês ( século VIII a.C. ). O período

Relevo assírio representando o transporte de cedro libanês (século VIII a.C.).

O período de 1363 a 1000 a.C. foi o Médio Império Assírio. Vários reis fortes reconquistaram a

independência assíria e, então, começaram a invadir os impérios vizinhos. Os assírios evitaram destruição durante a catástrofe de 1200 a.C., talvez porque já estivessem adotando novas técnicas militares e armas que os velhos reinos não utilizavam. No vácuo político da Idade das Trevas da Antiguidade, os assírios prosperaram. Em 1076 a.C., Tiglatfalasar I alcançou o Mediterrâneo, à oeste.

Já no século XIII a.C., os assírios, sob Tukulti-Ninurta I (1242 a.C. - 1206 a.C.), libertaram-se da Babilônia.

Por volta de 1200 a.C., ocorreu um novo grande movimento migratório de indo-europeus. No Egito, foram

contidos pelos faraós Meneptah (1235 - 1224 a.C.) e Ramsés III (1198 - 1166 a.C.). Na Grécia, geraram um grande processo de dispersão. Na Ásia Menor, causaram o declínio dos hititas. Na Mesopotâmia, geraram a

agitação dos arameus, que terminaram por invadir a Babilônia e a Assíria por volta de 1047 a.C

época dizem-nos que os assírios refugiavam-se em "terras inimigas" escapando "da míngua, da fome e da miséria". Os templos ficaram em ruínas, e a interminável guerrilha contra os nômades teria alterado o caráter da Assíria, transformou-a em uma nação de guerreiros cruéis e bem adestrados, com um poderoso exército, que, em pouco tempo, abalou todo o Oriente Médio.

Relatos da

O Novo Império Assírio, de 1000 a.C. a 600 a.C., representou o auge das suas conquistas. O império ia da

ponta do golfo Pérsico, passando ao redor do Crescente Fértil por Damasco, Fenícia, Palestina, e entrava no Egito até Tebas. Sua fronteira norte eram os montes Tauro da atual Turquia. Com exceção do que tinha sido

as culturas minóica (Creta), micênica (Grécia) e hitita (Turquia), todas as áreas de civilizações pré-catastrofe ao Oeste foram governadas pelos assírios.

Por volta de 830 a.C., no reinado de Salmanasar III, os arameus foram subjugados e a eles foi imposta uma cobrança tributária.

O Império Assírio

Em 729 a.C., no reinado de Tiglath-Pileser III ou Teglatefalasar III (746 - 727 a.C.), os assírios conquistaram a Babilônia. Teglatefalasar III também conteve a expansão da Média no oriente e tentou sem sucesso conquistar o reino de Urartu, situado no Ararat.

Israel foi conquistada no primeiro ano do reinado de Sargão II (721 - 705 a.C.). Cerca de 27.000 hebreus foram deportados. Em 715 a.C., foi a vez da Média ser conquistada. Sargão II ainda conquistou a Síria.

Seu sucessor, Senaquerib (705 - 681 a.C.), transferiu a capital de Assur para Nínive. De acordo com os livros bíblicos de II Reis, II Crônicas e do profeta Isaías, admitido no cânon do Antigo Testamento, Senaquerib teria buscado conquistar Judá, cercando a cidade de Jerusalém. No entanto, a Bíblia relata que Senaquerib fracassou em sua tentativa militar e, ao retornar para Nínive, foi assassinado por dois de seus filhos.

Então, Senaquerib, rei da Assíria, partiu, e foi; e voltou e ficou em Nínive. E sucedeu que, estando ele protado na casa de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Serezer, seus filhos, o feriram à espada; porém eles escaparam para a terra de Ararate; e Esar-Hadom, seu filho, reinou em seu lugar. (II Reis 19:36-37)

O filho e sucessor de Senaquerib foi Esarhaddon, também conhecido por Assaradon (681 - 669 a.C.), que expandiu seus domínios ao Nilo, estabelecendo sobre o Egito uma dominação inicialmente precária, tendo também reconstruído a Babilônia que fora destruída por seu pai, a qual pode ter se tornado a nova capital do Império Assírio durante algum período.

A queda

Assurbanipal (669 a.C. - 631 a.C.), não conseguiu evitar que o Egito, em 653 a.C., efetivasse sua emancipação. À independência do Egito, seguiram-se rebeliões na Fenícia, na Babilônia e no Elam.

No entanto, sabe-se que Assurbanipal criou a biblioteca rela que leva seu nome, com obras em escrita cuneiforme, muitas delas preservadas até os dias atuais, que permitiram aos arqueólogos descobrir muitos aspectos da vida política, militar e intelectual desta grande civilização, bem como a investigação dos textos bíblicos.

Em 625 a.C., os caldeus tomaram a Babilônia e conquistaram sua independência. Ciáxares, rei da Média, em aliança com o rei dos caldeus, invadiu Assur em 615 a.C. e, em 612 a.C., tomou Nínive, pondo fim ao Estado assírio.

Organização econômica e cultural

ao Estado assírio. Organização econômica e cultural Um touro alado assírio. Formou-se na Assíria, ao longo

Um touro alado assírio.

Formou-se na Assíria, ao longo do tempo, um corpo burocrático bastante eficiente. Muitos deles eram epônimos, e, portanto, davam nome ao ano. O rei era, em geral, o epônimo do primeiro ano. Seguia-se a ele, assim, uma série de epônimos, em critério de hierarquia. Tal sistema constitui um elemento de grande importância para os historiadores no processo de datação.

A política externa assíria era conhecida por sua brutalidade para com os inimigos. Em muitos casos, atos de

selvageria por parte do império assírio foram empregados com o fim de persuadir seus inimigos a se entregarem sem luta. Registros escritos da época demonstram o temor dos povos adjacentes ao terror assírio. Os governantes assírios caracterizaram-se também pelo tratamento despendido aos povos conquistados. Para

evitar movimentos rebeldes nas regiões conquistadas, os povos vencidos eram capturados, removidos de suas terras, e distribuídos entre as cidades do império, diluindo seu poder. Nativos assírios e inimigos capturados de outras regiões eram encorajados a ocupar as áreas conquistadas. Esta prática mostrou-se particularmente eficiente, e foi mantida pelos babilônicos no período subsequente.

Assim, como na maioria dos estados que se desenvolveram no Crescente Fértil, os reis assírios exerciam um poder autocrático, sendo considerados inclusive intermediários entre os deuses e o povo. A partir do reinado de Teglatefalasar III, foram instaladas guarnições permanentes nos países dominados.

A religião seguia as bases dos cultos realizados pelos sumérios. Cada cidade era devota de um deus

específico (ao qual se associava a sua criação e proteção), e os deuses mais importantes do panteão assírio dependiam do grau de influência de suas cidades na política interna. Assur era o principal deus assírio. Os

zigurates permaneceram como o centro cultural, religioso e político das cidades assírias.

Os Caldeus

Quem eram os caldeus?

Eram um povo semita, de origem árabe, que ocupou o território correspondente à Mesopotâmia meridional, na primeira fase do primeiro milênio a.C. Eles surgiram nesse local mais ou menos ao mesmo tempo que os arameus e os shutu.

É provável que sua língua, assim que se estabeleceram na Babilônia, fosse o acádio, da linguagem assíria de

Nínive. Ao final do império assírio, passaram a falar o aramaico.

Esse povo formou um reino independente ao redor da cidade suméria de Ur. Portanto, ocupava parte da Babilônia.

Existem muitos povos relacionados a esse local, na mesma fase histórica, de modo que o povo caldeu ficou mais conhecido através da 11ª dinastia de reis da Babilônia, a chamada Dinastia Caldéia.

O nome Caldéia foi usado (em especial na Bíblia), para nomear toda Babilônia logo que foi ocupada pelos

caldeus.

Território caldeu

Na cabeceira do rio Eufrates e adjacente ao Golfo Pérsico, na porção sul da Babilônia, ficavam as terras ocupadas pelo povo caldeu.

Essa terra era chamada de mat Kaldi pelos assírios, ou terra de Caldéia. Eles também usavam a expressão mat Bit Yakin e o rei da Caldéia era chamado de rei de Bit Yakin, logo toda Babilônia sob o império dos caldeus passou a se chamar Caldéia. Mas, o fato da dinastia caldéia governar a Babilônia durante 87 anos, não deve ser visto como se os babilônios tivessem se tornado caldeus.

Após os assírios

Grandes guerreiros que formaram um poderoso império, os assírios não foram bem sucedidos para administrar tão grande território e as rebeliões se sucederam.

O rei dos caldeus, Nabopolassar e o rei da Média, Ciaxares se uniram e derrotaram os assírios, destruindo Nínive e Assur.

Esse é o inicio do Império Caldeu ou 2º Império Babilônico. O império dos caldeus ficou sendo chamado babilônico, pelo fato desse povo ter assimilado a cultura e estar ligado de maneira definitiva à Babilônia.

É claro que a herança assíria era muito valiosa e os vencedores tomaram o espólio assírio. Portanto, a queda dos assírios não significou a independência dos territórios que pertenciam ao império assírio. Eles apenas passaram para o domínio de outros conquistadores.

apenas passaram para o domínio de outros conquistadores. objeto ritual de Kültepe, Anatolia Nabucodonosor II Nessa

objeto ritual de Kültepe, Anatolia

Nabucodonosor II

Nessa fase, esses povos ficaram imprensados entre dois grandes impérios que lutaram 40 anos pelo domínio desses territórios, os babilônios e os egípcios. Esses babilônios já tinham como rei Nabopolassar e eram os caldeus.

Os governantes do império caldeu foram:

Nabopolassar 632-605 a.C.

Nabucodonosor II 605-562 a.C.

Nabônidus 556-539 a.C.

Por volta de 605 a.C. morre o rei Nabopolassar e seu filho e sucessor Nabucodonosor, que estava lutando já quase na fronteira do Egito, retorna à Babilônia para ser coroado.

Nabucodonosor II foi de fato, o grande personagem desse período e como todos os g governado pelos caldeus.

Política

Sob Nabucodonosor II e seus sucessores, os caldeus, ou novos babilônios, seguiram o modelo assírio com muito mais firmeza (ou violência), a cada conquista grandes deportações.

Essa política impedia revoltas porque obrigava os povos dominados a se espalharem, cortava os vínculos com a terra e com os compatriotas. Obrigados a longas marchas, aqueles que sobreviviam eram empregados nas lavouras e já não tinham forças morais e físicas para fazer oposição aos dominadores.

Assim foi feito com os hebreus de Judá (cativeiro da Babilônia), com os soldados egípcios feitos prisioneiros na batalha de Karkemish, com os habitantes de Tiro (fenícios) e também com os de Gaza.

Essa era a mão-de-obra que garantia a riqueza e ao mesmo tempo a paz. Um povo disperso acaba assimilando os costumes, os deuses e até mesmo a linguagem dos outros e não causa problemas aos dominadores se apegando a suas raízes e lutando por elas.

A restauração

apegando a suas raízes e lutando por elas. A restauração painéis em relevo do portão da
apegando a suas raízes e lutando por elas. A restauração painéis em relevo do portão da

painéis em relevo do portão da Babilonia, atual Hilah

projeto da Babilônia

Sob Nabopolassar e depois dele Nabucodonosor II, a Babilônia passou para o controle dos caldeus, que assimilaram a cultura e formaram um império que se estendia da Cilícia anatólica ao norte, até as margens da península arábica ao sul. Do mar Mediterrãneo a oeste aos Montes Zagros no leste. Este era o império dos caldeus do rei Nabucodonosor II.

Mas, independente de todas as guerras e conquistas a prioridade que Nabucodonosor II herdara de seu pai, Nabopolassar, era reconstruir a cidade de Babilônia.

Para remodelar a cidade era preciso de mão-de-obra e matéria prima. Os deportados formavam a mão-de- obra barata e prática, que enquanto trabalhava não tinha tempo de insuflar rebeliões.

As cidades conquistadas pagavam tributos com riquezas como a madeira de cedro fenícia e outras, além das matérias primas locais e isso permitiu tornar realidade as ambições do rei.

Primeiro, abrir canais de irrigação, cultivar as terras, cuidar dos rebanhos, prover a alimentação. Depois restabelecer as vias de comunicação, cuidar da defesa da cidade. Então, começar as obras de embelezamento.

A magnífica Babilônia

A cidade idealizada e tornada real pelos dois grandes reis caldeus, Nabopolassar e Nabucodonosor II era a capital do império, portanto, além de bela era inexpugnável.

Protegida por uma dupla muralha, um fosso, além de muros externos que serviam de diques para protegê-la das enchentes em tempos de paz. Em tempos de guerra, bastava que os diques fossem destruídos para que a planície ficasse inundada, impedindo o acesso à cidade.

Tudo o que havia de mais belo nos territórios conquistados foi levado para a capital do império. Um exemplo foi a tomada de Jerusalém, quando os babilônios levaram as colunas da entrada do Templo e as bases do Mar de Bronze (bacia de purificação), além de outros objetos rituais.

Na entrada da cidade está a Porta de Ishtar, a deusa do amor, a protetora da cidade. Existem 7 outras portas nas muralhas mas esta é deslumbrante. Decorada com frisos e fileiras de animais, seus tijolos são esmaltados em azul e causam grande impressão.

Para homenagear Marduk, o deus tutelar do país, Nabucodonosor II manda restaurar o Esagil, templo do deus, e a Etemenanki que era uma espécie de zigurate em andares, que chega a mais de 90 metros de altura.

No topo, há uma camara onde o deus encarna sempre que vem à Terra. Talvez tenha vindo daí a inspiração para o conto da Torre de Babel.

Babilônia possui um belíssimo palácio real, palácio de verão, 53 templos e 600 santuários.

Os tão famosos Jardins Suspensos, até hoje (2009) não foram encontrados. É possível que tenham existido, mas a despeito de todas as pesquisas arqueológicas nada foi encontrado que prove a sua existência.

A Babilônia no tempo dos reis caldeus foi a jóia do Oriente, uma cidade magnífica.

Babilônia

Babilônia (português brasileiro) ou Babilónia (português europeu) (em árabe: لباب, Babil; em acadiano: Bābili(m); [1] em logograma sumério: KÁ.DINGIR.RA KI ; [1] em hebraico: לבב, Babel; [1] em grego: Βαβυλών, Babylōn) foi uma cidade-Estado acadiana (fundada em 1867 a.C. por uma dinastia amorita) na antiga Mesopotâmia, cujas ruínas são encontradas na atual cidade de Al Hillah, na província Babil, atual Iraque, cerca de 85 km ao sul de Bagdá. A Babilônia, juntamente com a Assíria, ao norte, foi uma das duas nações acadianas que evoluíram após o colapso do Império Acadiano, embora raramente tenham sido governadas por acádios nativos. Tudo o que resta da antiga e famosa cidade original da Babilônia é um monte, ou tell, de várias ruínas de edifícios de tijolos de barro e detritos na planície fértil da Mesopotâmia entre os rios Tigre e Eufrates. A própria cidade foi construída sobre o rio Eufrates e dividida em partes iguais ao longo de suas margens esquerda e direita, com taludes íngremes para conter as cheias sazonais do rio.

Recursos históricos disponíveis sugerem que a Babilônia foi primeiro uma pequena cidade que havia aparecido no fim do terceiro milênio a.C. A cidade floresceu e alcançou a independência, com a ascensão da primeira dinastia Amorita da Babilônia, em 1894 a.C. Afirmando ser a sucessora da antiga Eridu, Babilônia eclipsou Nippur como a "cidade santa" da Mesopotâmia, na época em que um rei amorita chamado Hamurabi criou o primeiro e curto Império Babilônico. Esse rapidamente dissolveu-se após a sua morte e a Babilônia passou longos períodos sob dominação assíria, cassita e elamita. A cidade novamente se tornou a sede do Segundo Império Babilônico de 612 a 539 a.C., que foi fundado por caldeus e cujo último rei foi um assírio. Os Jardins Suspensos da Babilônia foram uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Após sua queda, a Babilônia ficou sob dominação aquemênida, selêucida, parta, romana e sassânida. Foi dissolvida como uma província depois da conquista árabe-islâmica do século VII.

História

conquista árabe - islâmica do século VII. História Reconstrução da Porta de Ishtar no Museu Pergamon

O Império da Babilónia, que teve um papel significativo na história da Mesopotâmia, foi provavelmente

fundado em 1950a.C. O povo babilônico era muito avançado para a sua época, demonstrando grandes conhecimentos em arquitetura, agricultura, astronomia e direito. Iniciou sua era de império sob o amorita Hamurabi, por volta de 1730 a.C., e manteve-se assim por pouco mais de mil anos. Hamurabi foi o primeiro rei conhecido a codificar leis, utilizando no caso, a escrita cuneiforme, escrevendo suas leis em tábuas de barro cozido, o que preservou muitos destes textos até ao presente. Daí, descobriu-se que a cultura babilônica influenciou em muitos aspectos a cultura moderna, como a divisão do dia em 24 horas, da hora em 60 minutos e daí por diante.

De entre os seus soberanos, o mais famoso foi Hamurabi (1792 a 1750 a.C.). O mais antigo e completo código de leis que a história registra foi de realização sua. Hamurabi também nomeou governadores, unificou a língua, a religião e fundiu todos os mitos populares em um único livro: a Epopéia de Marduk - que era lido em todas as festas de seu reino. Também cercou sua capital, fortificando-a. Ele criou o Código de Hamurabi, cujas leis, em resumo, seguem um mesmo princípio: Olho por Olho, Dente por Dente. Veja algumas leis:

218 - Se um médico fizer uma larga incisão com uma faca de operações e matar o paciente, suas mãos deverão ser cortadas;

219 - Se um médico fizer uma larga incisão no escravo de um homem livre, e matá-lo, ele deverá substituir o escravo por outro;

221 - Se um médico fizer curar um osso quebrado melável do corpo humano, o paciente deverá pagar ao médico cinco shekels;

229 - Se um construtor construir uma casa para outrem, e não fizer a casa bem feita, e se a casa cair e matar seu dono, então o construtor será condenado à morte;

230 - Se morrer o filho do dono da casa, o filho do construtor deverá ser condenado à morte;

A

expansão do Império se iniciou por volta de 1800 a.C., logo, o rei Hamurabi unificou toda a região que ia

da

Assíria (no norte), à Caldeia (no sul). A partir dessa unificação, surgiu o Primeiro Império Babilônico.

A Queda

Teve início com o declínio do império de Sargão I. Era a capital dos amoritas (semitas, vindos do deserto da Arábia), que até então, era uma pequena cidade do Eufrates. Graças ao enfraquecimento dos Acadianos e posteriormente dos Sumérios, a Babilônia cresceu e evoluiu, tornando-se então, um império e um cobiçado centro comercial.

O poder cai nas mãos dos cruéis assírios, que formavam um poderoso império de 1200 a.C. até 612 a.C.

quando Nabopolasar (da Babilônia), aliado aos medos (povo que vivia no planalto iraniano), atacou Nínive, capital do Império Assírio, retomando o poder para a Babilônia, e se iniciando assim o Segundo Império Babilônico (ou Caldeu), que se tornou a mais notável cidade do Oriente.

Os arameus, assírios e os caldeus lutaram durante séculos pelo controle da Babilônia. O rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C., e foi sucedido por Nabucodonosor II.

da Babilônia. O rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C. , e foi sucedido
da Babilônia. O rei assírio Assurbanípal venceu a luta em 648 a.C. , e foi sucedido

Sítio arqueológico da cidade histórica da Babilônia.

v e

História dos impérios

Impérios antigos

Impérios medievais

Impérios modernos

Império Aquemênida

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. Ir para: navegação, pesquisa

یشنماخه یروتارپما

(Emperâturi-ye Hakhâmaneshi)

Império Aquemênida

(Primeiro) Império Persa

Império

550 a.C. – 336 a.C.

← ← ← ← 550 a.C. – 336 a.C. →

← ← ← ← 550 a.C. – 336 a.C. → Estandarte de Ciro, o Grande Império
550 a.C. – 336 a.C. → Estandarte de Ciro, o Grande Império Aquemênida em seu período

Império Aquemênida em seu período de maior extensão, sob o reinado de Dario I.

• 559-530 a.C

(primeiro)

• 336-331 a.C

Dario III (ultimo)

Período histórico

550 a.C.

Conquista do

 

515 a.C.

Construção de

525 a.C.

Conquista do Egito

• 498-448 a.C.

343 a.C.

• 334-330 a.C.

336 a.C.

II

Reconquista do Egito por Artaxerxes III

Derrota do Império Aquemênida por Alexandre, o Grande

Morte de Dário III e conquista de Alexandre o Grande

Dario III é assassinado por Besso

500 a.C.

8 000 000 km 2

O

persa moderno: نایشنماخه, Hakhāmanishiya ou يشنماخه نامدود, transl. Dudmān Hakhâmaneshi, dinastia aquemênida; c. 550330 a.C.), por vezes referido como Primeiro Império Persa, foi um império iraniano situado no Sudoeste da Ásia, e fundado no século VI a.C. por Ciro, o Grande, que derrubou a confederação médica. Expandiu-se a ponto de chegar a dominar partes importantes do mundo antigo; por volta do ano 500 a.C. estendia-se do vale do Indo, no leste, à Trácia e Macedônia, na fronteira nordeste da Grécia - o que fazia dele o maior império a ter existido até então. [3] O Império Aquemênida posteriormente também controlaria o Egito. Era governado através de uma série de monarcas, que unificaram suas diferentes tribos e nacionalidades contruindo um complexo sistema de estradas.

Império Aquemênida (português brasileiro) ou Império Aqueménida (português europeu) (em persa antigo: Parsā; em

Denominando-se Parsa, do nome tribal ariano Parsua, os persas fixaram-se numa terra que também denominaram Parsua, que fazia fronteira a leste com o rio Tigre, e, ao sul, com o golfo Pérsico. Este tornou-

o centro nevrálgico do império durante toda a sua duração. [3] Foi a partir desta região que Ciro, o Grande (Ciro II da Pérsia) partiu para derrotar os impérios Medo, os Lídio e Babilônico, abrindo o caminho para as conquistas posteriores do Egito e Ásia Menor.

se

No ápice de seu poder, após a conquista do Egito, o império abrangia aproximadamente oito milhões de quilômetros quadrados [4] situados em três continentes: Ásia, África e Europa. Em sua maior extensão, fizeram parte do império os territórios atuais do Irã, Turquia, parte da Ásia Central, Paquistão, Trácia e Macedônia, boa parte dos territórios litorâneos do Mar Negro, Afeganistão, Iraque, o norte da Arábia Saudita, Jordânia, Israel, Líbano, Síria, bem como todos os centros populacionais importantes do Egito Antigo até às fronteiras da Líbia. É célebre na história ocidental como o tradicional inimigo das cidades- estado gregas [3] durante as Guerras Greco-Persas, pela emancipação dos escravos, incluindo o povo judeu, de

seu cativeiro na Babilônia, e pela instituição de infra-estruturas como um sistema postal, viário, e pela

utilização de um idioma oficial por todos os seus territórios. O império tinha uma administração centralizada

e burocrática, sob o comando de um imperador e um enorme número de soldados profissionais e

funcionários públicos, o que inspirou desenvolvimentos semelhantes em impérios posteriores. [5]

O ponto de vista tradicional é de que as vastas extensões e extraordinária diversidade etnocultural do Império Persa [6] acabaria por provocar a sua derrogada, à medida que a delegação de poder aos governos locais acabaria por enfraquecer a autoridade central do rei, fazendo com que muita energia e recursos tivesse de ser gasta nas tentativas de subjugar rebeliões locais, [3] o que historicamente tem servido para explicar porque quando Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia) invadiu a Pérsia em 334 a.C. ele deparou-se com um reino pouco unido comandado por um monarca enfraquecido, facilmente destruído.

Este ponto de vista, no entanto, vem sendo questionado por alguns estudiosos modernos, que argumentam que o Império Aquemênida não se encontrava em crise no período de Alexandre, e que apenas as disputas internas pela sucessão monárquica dentro da própria família aquemênida é que causavam algum enfraquecimento no império. [3] Alexandre, grande admirador de Ciro, o Grande, [7] acabaria por provocar o colapso do império e sua subsequente fragmentação, por volta de 330 a.C., gerando o Reino Ptolemaico, o Império Selêucida e diversos outros territórios de menor extensão, que à época também conquistaram sua independência. A cultura iraniana do planalto central, no entanto, continuou a florescer e voltou a conquistar

o

poder na região no século II a.C. [3]

O legado histórico do Império Aquemênida, no entanto, foi mutio além de suas influências territoriais e militares, e deixou marcas importantes no cenário cultural, social, tecnológico e religioso da época. Diversos atenienses adotaram costumes aquemênidas em suas vidas diárias, numa troca cultural recíproca, [8] e muitos foram empregados ou aliados dos reis persas. O impacto do chamado Édito de Ciro, o Grande, foi mencionado nos textos judaico-cristãos, e o império foi fundamental na difusão do zoroastrianismo por grande parte da Ásia, até à China. Mesmo Alexandre, o Grande, o homem que acabaria por conquistar este vasto império, respeitou seus costumes e impôs o respeito aos reis persas (incluindo Ciro), e até mesmo adotou o costume real persa da proskynesis, apesar da forte desaprovação de seus compatriotas macedônios. [9][10] O Império Persa também daria a tônica da política, herança e história da Pérsia moderna (atual Irã). [11] A influência também se estendeu sobre antigos territórios da Pérsia que se tornaram conhecidos posteriormente como Grande Pérsia. Um dos feitos notáveis de engenharia do império é o sistema de gestão de água conhecido como Qanat, cuja seção mais antiga tem mais de 3000 anos e 71 quilômetros. [12]

Em 480 a.C., estima-se que 50 milhões [13] de pessoas vivessem no Império Aquemênida, [14] cerca de 44% da população mundial da época, fazendo dele o maior império de todos os tempos em termos de porcentagem populacional. [15]

História

Origem

Representação de Ciro, o Grande . "A nação persa contém diversas tribos, como listado aqui.

Representação de Ciro, o Grande.

"A nação persa contém diversas tribos, como listado aqui. [

]:

os pasárgadas, maráfios, e máspios, de

qual dependem todas as outras tribos. Desdes, os mais importantes são os pasárgadas; eles contêm o clã dos aquemênidas, do qual vieram todos os reis pérseos. Outras tribos são os pantialeus, derúsios, germânios, todos estes fixos à terra, e o restante - os daios, mardos, drópicos, sagárcios, são nômades."

O Império Persa recebeu seu nome da tribo indo-europeia chamada Parsua. O nome 'Pérsia' é uma latinização do nome deste povo, que dava o nome de Persis à região encerrada em suas fronteiras territoriais, uma área localizada a norte do Golfo Pérsico e a leste do rio Tigre, conhecida atualmente como a província iraniana de Pars. [16]

Apesar de seu rápido sucesso e expansão, o Império Aquemênida não foi o primeiro império iraniano, já que no século VI a.C. outro grupo de povos iranianos antigos já haviam fundado o Império Medo. [16] Os medos haviam sido originalmente o grupo iraniano dominante na região, conquistando o poder no final do século

VII a.C. e incorporando os persas em seu império. Os povos iranianos chegaram na região por volta do ano

1000 a.C., [17] e haviam sido dominados inicialmente pelo Império Assírio (911-609 a.C.). Os medos e os persas, no entanto, juntamente com os citas e babilônios, tiveram um papel crucial na destruição da Assíria

depois de uma sucessão de revoltas internas.

O termo aquemênida é na realidade uma versão latinizada do antigo nome persa Haxāmaniš (um composto bahuvrihi que pode ser traduzido como "que tem uma mente de amigo" [18] ou "caracterizado pelo espírito de seguidor"), por intermédio do grego χαιμενίδαι, Akhaimenídai, "da família de Aquêmenes". Apesar da derivação do nome no grego, Aquêmenes em si foi um monarca menor do século VII, governante de Anshan (também Ansham ou Anšān), no sudoeste do atual Irã. [16] Apenas na época de Ciro, o Grande (Ciro II da Pérsia), um descendente de Aquêmenes, é que o Império Aquemênida desenvolveu seu prestígio imperial, e passou a incorporar os impérios já existentes no Oriente Médio, tornando-se a potência mencionada pelos textos antigos.

Em algum ponto em 550 a.C., Ciro, o Grande liderou uma rebelião contra o Império Medo, provavelmente

devido à má administração feita pelos medos na Persis, derrotando-os e conquistando-os na sequência e criando o primeiro império persa. Ciro utilizou sua engenhosidade tática, [19] bem como sua compreensão das equações sócio-políticas que governavam seus territórios, para incorporar ao seu império os territórios vizinhos dos impérios lídios e neo-babilônicos, abrindo caminho para que seu sucessor, Cambises II, se aventurasse no Egito e derrotasse o Império Hitita e o Reino do Egito.

Ciro, o Grande daria amostras de sua perspicácia política na administração de seu império recém-formado, já que o Império Persa se tornou o primeiro a tentar governar diferentes grupos étnicos sob o princípio de responsabilidades iguais e direitos para todos os povos, contanto que os súditos pagassem seus impostos e mantivessem a paz. [20] Além disso, o monarca acabaria por concordar em não interferir com os costumes, religiões e intercâmbios comerciais locais dos estados que dominava, [20] uma qualidade única que acabaria por conquistar para Ciro o apoio dos babilônios. Este sistema de administração acabaria por se tornar um problema para os persas, uma vez que com um império maior também veio uma necessidade maior de ordem e controle, o que levou ao gasto de recursos e à mobilização permanente de tropas para lidar com rebeliões locais, enfraquecendo o poder central do monarca. Na época de Dario III, esta desorganização quase levou à fragmentação do reino. [3]

Os persas de quem Ciro descendia eram originalmente um povo de pastores nômades que habitavam o planalto iraniano ocidental, e que por volta de 850 a.C. chamavam-se a si mesmo de Parsa e seu território constantemente em alteração de Parsua, localizado aproximadamente ao redor da atual província de Pars. [3] À medida que os persas conquistaram poder, desenvolveram a infra-estrutura local para dar base à sua crescente influência, incluindo a criação de uma capital chamada Pasárgada e, posteriormente, uma cidade opulenta, chamada Persépolis.

Construída inicialmente durante o reinado de Dario, o Grande (Dario I), e terminada cerca de 100 anos mais tarde, [21] Persépolis foi um símbolo do império, servindo tanto como centro cerimonial quanto administrativo. [21] Tinha um conjunto especial de escadarias, chamado de "Todos os Países", [21] ao redor do qual estava uma decoração em relevos esculpidos que mostravam cenas de heroísmo, caça, temas naturais e a entrega de presentes aos reis aquemênidas por seus súditos durante o festival da primavera, Nowruz. Sua estrutura central era formada por uma infinidade de salas ou salões quadrangulares, dos quais o maior era conhecido como Apadana. [21] Colunas altas e decoradas davam as boas-vindas aos visitantes, impressionando-os com o tamanho da estrutura. Futuramente, Dario também utilizaria as cidades de Susa e Ecbátana como centros governamentais, permitindo que fossem desenvolvidas até atingir um status semelhante.

Relatos sobre a linhagem ancestral dos reis persas da dinastia aquemênida podem ser extraídos tanto dos documentos gregos e romanos ou dos documentos persas existentes, como aqueles que foram encontrados na Inscrição de Behistun. No entanto, a maior parte dos relatos sobre este vasto império se encontra na obra de historiadores e filósofos gregos, e como a maior parte dos documentos originais persas se perderam - e os pontos de vista acadêmicos sobre a origem e as possíveis motivações por trás destes textos gregos são muito variados - é difícil criar uma lista definitiva e completamente objetiva. Ainda assim, parece claro que Ciro, o Grande (Ciro II da Pérsia) e Dario, o Grande (Dario I da Pérsia), foram cruciais para a expansão do império. Acredita-se que Ciro tenha sido filho de Cambises I, neto de Ciro I, pai de Cambises II e parente de Dario por um ancestral em comum, Teispes. Ciro também teria sido parente (possivelmente neto) do rei medo Astiages, através de sua mãe, Mandana da Média. Uma minoria de estudiosos argumenta que Aquemênes pode ter sido uma criação posterior de Dario, o Grande, para fortalecer uma associação sua a Ciro, o Grande, após conquistar o poder. [16]

Os autores gregos fornecem algumas informações lendárias sobre Aquêmenes, chamando sua tribos de 'pasárgadas' (Pasargadae), e afirmando que ele teria sido "criado por uma águia". Platão, ao escrever sobre os persas, identificou Aquemênes com Perses, ancestral dos persas na mitologia grega. [22] De acordo com Platão, Aquêmenes seria a mesma pessoa que Perses, filho da rainha etíope Andrômeda e do herói grego Perseu, e neto de Zeus. Autores posteriores, no entanto, acreditavam que Aquêmenes e Perses eram pessoas diferentes, e que Perses seria ancestral do rei. [23] Esta versão parece confirmar que Aquêmenes poderia mesmo ter sido um líder importante de Anshan, ancestral de Ciro. A despeito da veracidade da lenda, tanto Ciro quanto Dario, o Grande foram reis importantes do Império Persa, e durante seus reinados o império se expandiu a ponto de englobar boa parte do mundo antigo.

Formação e expansão

Formação e expansão Sepultura de Ciro, o Grande , fundador do Império Aquemênida, no atual Irã

Sepultura de Ciro, o Grande, fundador do Império Aquemênida, no atual Irã.

, fundador do Império Aquemênida, no atual Irã . Ciro, o Grande libertou os hebreus exilados

Ciro, o Grande libertou os hebreus exilados na Babilônia para que repovoassem e reconstruissem Jerusalém, o que lhe garantiu um lugar de honra no judaísmo.

O império assumiu sua forma unificada com uma administração centrada em torno de Pasárgada, cidade construída por Ciro, o Grande. Posteriormente, conquistou o Império Medo e ampliou ainda mais seu território, adicionando às suas fronteiras o Egito e a Ásia Menor. Durante o reinado de Dario I e seu filho, Xerxes I, envolveu-se em conflitos militares com algumas das principais cidades-estado da Grécia Antiga, e embora tenha chegado muito perto de derrotar o exército grego, esta guerra acabou por levar o império à sua derrocada. [24]

Em 559 a.C., Cambises, o Velho morreu foi sucedido como rei de Anshan por seu filho, Ciro II, o Grande, que também sucedeu Arsames - que ainda estava vivo - como rei (shah) da Pérsia, unindo assim os dois reinos. Ciro é considerado o primeiro monarca legítimo do Império Persa, já que seus antecessores eram vassalos dos medos. Ciro conquistou a Média, Lídia e a Babilônia. Politicamente astuto, Ciro modelou sua imagem para se tornar um "salvador" das nações que conquistou, frequentemente permitindo o retorno às suas terras de povos que haviam sido deportados, e dando a seus súditos a liberdade de praticar os costumes locais. Para reforçar essa imagem, instituiu políticas de liberdade religiosa, reconstruindo templos e a infra- estrutura local nas cidades recém-conquistadas (principalmente entre os habitantes judeus da Babilônia, como foi registrado no Cilindro de Ciro e no Tanakh). Como resultado de suas políticas de tolerância, passou a ser conhecido entre os judeus como "ungido do Senhor". [25][26]

Seus sucessores imediatos foram menos bem-sucedidos. O filho de Ciro, Cambises II, conquistou o Egito em 525 a.C., porém morreu em julho de 522 a.C., como resultado de um ferimento causado acidentalmente em si mesmo, [27] durante uma revolta liderada por um clã sacerdotal que havia perdido o poder após a conquista da Média por Ciro. De acordo com Heródoto, Cambises II tinha se aventurado no Egito para se vingar de um truque do faraó Amásis, que havia enviado um esposa egípcia falsa, cuja família tinha sido assassinada por ele, [28] no lugar de sua própria filha, para se casar com Cambises. Além disso, relatos negativos de maus-tratos causados por Amásis, feitos por Fanes de Halicarnasso, um conselheiro sábio que servia a Amásis, ajudaram a encorajar Cambises a invadir o Egito. Amásis morreu antes que ele pudesse confrontá-lo, no entanto, porém seu sucessor, Psamético III, foi derrotado por Cambises na Batalha de Pelúsio.

Enquanto Cambises II estava no Egito, os sacerdotes zoroastristas, chamados por Heródoto de 'magos', usurparam o trono e instalaram nele um dos seus, Gaumata, que fingiu ser o irmão mais jovem de Cambises II, Bardiya (em grego Smerdis ou Tanaoxares/Tanyoxarkes [27] ), que havia sido assassinado três anos antes. Devido ao governo firme de Cambises II, especialmente sua postura a respeito de impostos, [29] e sua longa estadia no Egito, "todo o povo, persas, medos, e membros de todas as outras nações", reconheceram o usurpador, especialmente depois de ele conceder uma remissão nos impostos por três anos. [30] O próprio Cambises II, no entanto, não teria sido capaz de debelar os impostores, já que veio a morrer devido a um ferimento acidental no retorno do Egito.

A afirmação de que Gaumata teria personificado Bardiya (Smerdis) vem de Dario, o Grande e de seus registros na Inscrição de Behistun. Os historiadores se dividem quanto à possibilidade de que a história do impostor tenha sido inventada por Dario como justificativa para seu golpe. [31] Dario fez uma alegação semelhante quando conquistou, posteriormente, a Babilônia, anunciando que o rei babilônio não era, na realidade, Nabucodonosor III, mas sim um impostor chamado Nidintu-bel. [32]

De acordo com a Inscrição de Behistun, Gaumata governou por sete meses antes de ser derrubado, em 522 a.C., por Dario (no persa antigo, Dāryavush ou Darayarahush, "aquele que segura firmemente o bem"). Os magos, embora perseguidos, continuaram a existir, e no ano seguinte à morte do primeiro pseudo-Smerdis (Gaumata), ainda viram um segundo pseudo-Smerdis (chamado Vahyazdāta) tentar um novo golpe que, embora inicialmente tenha sido bem-sucedido, acabou por fracassar. [33]

Segundo Heródoto, [34] a liderança nativa teria debatido a melhor forma de governo para o império, e chegado

a conclusão que uma oligarquia lhes colocaria uns contra os outros, enquanto uma democracia levaria a uma eventual oclocracia, que poderia resultar no surgimento dum líder carismático que daria um fim à monarquia. Assim, decidiu-se que um novo monarca deveria ser instaurado, especialmente tendo em vista que eles estavam em condição de escolhê-lo. Dario I, primo de Cambises II e Bardiya (Smerdis), e supostamente descendente de Ariaramnes, foi escolhido dentre os líderes.

Os aquemênidas consolidaram seu controle então as outras regiões do império. Tanto Ciro, o Grande quanto

Dario, o Grande, através de um planejamento administrativo são e previdente, manobras militares brilhantes

e uma visão de mundo humanista, estabeleceram a grandeza dos aquemênidas e, em menos de trinta anos,

elevou-os da condição de uma tribo obscura a uma potência mundial. Foi durante o reinado de Dario que Persépolis foi construída (518-516 a.C.), servindo como capital por diversas gerações de reis aquemênidas. Ecbátana (Hagmatāna, "cidade de reuniões", atual Hamadan), na Média, também foi expandida enormemente durante este período, e serviu como capital de verão.

Dario eventualmente atacou a Grécia continental, que estava apoiando as colônias gregas revoltosas sob sua égide; porém, como resultado de sua derrota na Batalha de Maratona, foi obrigado a recuar os limites de seu império para a Ásia Menor. Alguns estudiosos afirmam que, no contexto da história do Oriente Médio do primeiro milênio, Alexandre, o Grande pode ser considerado o "último dos aquemênidas". [35] Isto pode ser atribuído ao fato de Alexandre ter mantido, em maior ou menor escala, as mesmas estruturas políticas e fronteiras que os reis aquemênidas que o antecederam.

Guerras Greco-Persas Ver artigo principal: Guerras Persas Ver artigo principal: Guerras Persas

Guerras Greco-Persas Ver artigo principal: Guerras Persas Soldados medos (esquerda) e persas (direita). No século V

Soldados medos (esquerda) e persas (direita).

No século V a.C., os reis da Pérsia dominavam territórios que equivalem aproximadamente aos atuais Irã, Iraque, Armênia, Azerbaijão, Paquistão, Afeganistão, Tajiquistão, Turcomenistão, Quirguistão, Geórgia, Macedônia, Uzbequistão, Turquia, Bulgária, Chipre, Kuwait, Egito, Síria, Jordânia, Israel, Líbano, bem como diversas partes da Grécia, Líbia e o norte da Arábia.

A Revolta Jônia, em 499 a.C., e as revoltas associadas a ela ocorridas na Eólida, Dórida, Chipre e Cária,

foram rebeliões militares iniciadas em diversas regiões da Ásia Menor contra o domínio persa, que duraram de 499 a 493 a.C. No cerne dessas revoltas estava a insatisfação das cidades-estado gregas do litoral da atual Turquia contra os tiranos indicados pela Pérsia para governá-los, além das ações individuais de dois tiranos específicos de Mileto, Histieu e Aristágoras. Em 499 a.C. Aristágoras, então tirano milésio, deu início a uma expedição conjunta com o sátrapa persa Artafernes, que visava conquistar a ilha de Naxos, numa tentativa de

se promover em Mileto, tanto financialmente quanto em termos de prestígio. A missão foi um fracasso, e

percebendo que estava prestes a perder o poder, Aristágoras optou por incitar toda a Jônia a rebelar-se contra Dario, o Grande.

Os persas conseguiram debelar as cidades do litoral ocidental da Ásia Menor, até que finalmente estabelecer, em 493 a.C., um acordo de paz com as cidades jônias que foi geralmente considerado justo por ambos os lados.

A Revolta Jônia foi o primeiro grande conflito entre a Grécia e o Império Aquemênida, e como tal representa

a primeira fase das chamadas Guerras Persas (ou Guerras Greco-Persas). A Ásia Menor voltou para o domínio persa, porém Dario jurou punir as cidades-estado gregas de Atenas e Erétria por seu apoio aos rebeldes durante a revolta. [36] Ao ver também que a situação política da Grécia representava uma ameaça contínua à estabilidade do seu império, Dario decidiu empreender a conquista de toda a Grécia. As tropas persas, no entanto, foram derrotadas na Batalha de Maratona, e Dario morreu sem ter a chance de iniciar uma nova invasão.

Xerxes I (485-465 a.C.; em persa antigo Xšayārša, "Heróis entre Reis"), filho de Dario, jurou concretizar o desejo de seu pai. Organizou uma invasão maciça; seu exército penetrou a Grécia pelo norte, encontrando pouca resistência na Macedônia e na Tessália, porém seu avanço foi interrompido por três dias por um pequeno destacamento grego, durante a Batalha de Termópilas. Uma batalha naval ocorrida simultaneamente, em Artemísio, acabou de maneira inconclusiva depois de tempestades ferozes destruiram navios de ambos os lados. Os gregos recuaram ao receber a notícia da derrota em Termópilas, e os persas mantiveram o controle inconteste de Artemísio e do Mar Egeu.

Após sua vitória em Termópilas, Xerxes saqueou a cidade de Atenas, que havia sido evacuada, e preparou-se para encontrar os gregos no Istmo de Corinto e no Golfo Sarônico. Em 480 a.C. os gregos conquistaram uma vitória decisiva sobre a frota persa na Batalha de Salamina, e forçaram Xerxes a recuar até Sardis. O exército que ele havia deixado na Grécia sob o comando do general Mardônio reconquistou Atenas, porém acabou por ser destruído em 479 a.C., na Batalha de Plateia. A derrota final dos persas em Mícale encorajou as cidades-estado gregas da Ásia a se revoltaram, e marcaram o fim da expansão persa na Europa.

A fase cultural

marcaram o fim da expansão persa na Europa. A fase cultural Vaso de ouro aquemênida, com

Vaso de ouro aquemênida, com representações de leões.

Vaso de ouro aquemênida, com representações de leões . Bracelete antigo do período aquemênida, parte do

Bracelete antigo do período aquemênida, parte do Tesouro do Oxos, 500 a.C., Irã.

Xerxes I foi sucedido por Artaxerxes I (465–424 a.C.), que mudou a capital de Persépolis para a Babilônia. Foi durante seu reinado que o elamita deixou de ser o idioma oficial, e o aramaico ganhou importância. Foi provavelmente durante seu reinado que o calendário solar foi introduzido como calendário nacional. Sob Artaxerxes, o zoroastrianismo se tornou a religião oficial de facto, e por este motivo até os dias de hoje o monarca é conhecido como o Constantino de sua fé.

Artaxerxes morreu em Susa, e seu corpo foi levado a Persépolis, para ser enterrado na sepultura de seus antepassados. Foi sucedido por seu filho mais velho, Xerxes II, que acabou por ser assassinado por um de seus meio-irmãos algumas semanas mais tarde. Dario II conquistou o apoio das tropas para si e marchou para o leste, capturando e executando o assassino, e coroando-se em seu lugar.

A partir de 412 Dario II (423-404 a.C.), por insistência de Tissafernes, comandante das tropas persas na Ásia Menor, deu apoio primeiro a Atenas, depois a Esparta, que disputavam o confronto que veio a ser conhecido como Guerra do Peloponeso. Em 407 a.C., o filho de Dario, Ciro, o Jovem, foi indicado para substituir Tissafernes, e passou a apoiar ativa e exclusivamente Esparta, que acabou derrotando Atenas em 404 a.C. Naquele mesmo ano, Dario adoeceu e morreu, na Babiônia; em seu leito de morte, sua esposa babilônia, Parisátis, implorou a Dario que coroasse seu filho Ciro, o que Dario se recusou a fazer.

Dario foi sucedido por seu filho mais velho, Artaxerxes II Mêmnon. Plutarco relata (provavelmente com base em Ctésias) que Tisafernes, insatisfeito por ter perdido seu cargo, teria se aproximado do novo rei no dia de sua coroação para alertá-lo que seu irmão mais novo, Ciro, o Jovem, estava preparando para assassiná-lo durante a cerimônia. Artaxerxes ordenou a prisão de Ciro, e o teria executado se sua mãe, Parisátis, não tivesse intervindo. Ciro foi então designado sátrapa da Lídia, onde deu início a uma revolta armada. Ciro e Artaxerxes se enfrentaram na Batalha de Cunaxa, em 401 a.C., onde Ciro foi derrotado e morto.

Artaxerxes II (404-358 a.C.) foi o rei aquemênida com o reinado mais longo, e foi durante este período de 45 anos de relativa paz e estabilidade que muitos dos monumentos do período foram construídos. Artaxerxes voltou a capital à Persépolis, que ele ampliou. A capital de verão, Ecbátana, também foi luxuosamente ampliada, decorada com colunas douradas e telhas de prata e cobre. A inovação extraordinária dos santuários zoroastristas também data de seu reinado, e foi provavelmente durante este período que a religião se disseminou pela Ásia Menor, Levante e Armênia. Esta benfeitoria, no entanto, embora servisse a um propósito religioso, não consistiu de um ato puramente abnegado; os templos serviam também como importantes fontes de renda. Os reis aquemênidas haviam tomado dos reis babilônios o conceito de um imposto obrigatório sobre os templos, um dízimo que todos os habitantes pagavam ao templo mais próximo de sua terra ou de sua fonte de renda. [37] Uma parte deste dízimo, denominada quppu ša šarri, "baú do rei" - uma instituição engenhosa introduzida originalmente por Nabonido - era então entregue ao soberano. Em retrospecto, Artaxerxes geralmente é visto como um homem de boa índole, mas que não tinha a consistência moral para ser um governante realmente bem-sucedido. Seis séculos mais tarde, no entanto, Ardeshir I, fundador do segundo império persa, se denominaria sucessor de Artaxerxes, testemunhando a importância que Artaxerxes ainda detinha sobre a psique persa.

A queda do império

ainda detinha sobre a psique persa. A queda do império Império Aquemênida por volta da época

Império Aquemênida por volta da época de Dario, o Grande e Xerxes.

Aquemênida por volta da época de Dario, o Grande e Xerxes. Batalha de Isso , entre

Batalha de Isso, entre Alexandre, o Grande (sobre o cavalo, à esquerda), e Dario III (sobre o veículo à direita), representada num mosaico em Pompeia que data do século I d.C.; Museu Nacional de Arqueologia, Nápoles, Itália.

De acordo com Plutarco, o sucessor de Artaxerxes, Artaxerxes III (358-338 a.C.), subiu ao trono de maneira sangrenta, conquistando o poder após assasinar oito de seus meio-irmãos. [38] Em 343 a.C. Artaxerxes III

derrotou Nectanebo II, expulsando-o do Egito, e fez da nação africana novamente uma satrapia persa. Em 338 a.C. Artaxerxes III morreu em circunstâncias pouco claras; segundo as fontes na escrita cuneiforme ele teria morrido de causas naturais, porém Diodoro Sículo, um historiador grego, relata que Artaxerxes teria sido assassinado por Bagoas, seu ministro. [39] enquanto Filipe da Macedônia uniu as cidades-estado gregas à força, e começou a planejar a invasão do império.

Artaxerxes III foi sucedido por Artaxerxes IV Arses, que antes de poder agir também foi envenenado por Bagoas. Este ainda teria matado também não só todos os filhos de Arses, mas muitos dos outros príncipes do império, e instaurado no trono Dario III (336-330 a.C.), um sobrinho de Artaxerxes IV. Dario, que anteriormente era sátrapa da Armênia, forçou pessoalmente Bagoas a se suicidar tomando veneno. Em 334 a.C., quando Dario havia apenas acabado de subjugar o Egito novamente, Alexandre e suas experientes tropas invadiram a Ásia Menor.

Os aquemênidas governaram o Egito por duas vezes diferentes, embora os egípcios por duas vezes também

tenham reconquistado sua independência da Pérsia. Seguindo o modelo de Mâneton, historiadores egípcios

se referem aos períodos de domínio aquemênida no Egito como a 27ª dinastia do Egito (525-404 a.C.), até a

morte de Dario II, e a 31ª dinastia de Egito (343-332 a.C.), que se iniciou após a derrota de Nectanebo II por Artaxerxes III.

Alexandre, o Grande (Alexandre III da Macedônia) derrotou os exércitos persas nas batalhas de Granico (334 a.C.) e Isso (333 a.C.), e, finalmente, em Gaugamela (331 a.C.). Em seguida, Alexandre marchou a Susa e Persépolis, que se rendeu no início de 330 a.C. De lá, Alexandre rumou para Pasárgada, para visitar a sepultura de Ciro, o Grande, o local onde estava enterrado o homem que ele conhecia pela Ciropédia.

No caos que se seguiu à invasão de Alexandre, a sepultura de Ciro foi arrombada e a maior parte dos objetos de valor que ela continha foram roubados. Alexandre, ao chegar nela e ver o que havia sido feito, ficou horrorizado e interrogou os magos, levando-os a julgamento. [40][41] De acordo com alguns relatos, a decisão

de Alexandre de julgar os magos teria mais a ver com uma tentativa sua de diminuir sua influência e dar uma

demonstração de poder no império recém-conquistado do que propriamente uma preocupação genuína com a tumba de Ciro. [42] Ainda assim, Alexandre ordenou que Aristóbulo de Cassandreia restaurasse as condições da sepultura e seu interior, numa demonstração de respeito ao antigo monarca. [40] De lá, partiu para Ecbátana, onde Dario III havia se refugiado.

Dario III foi aprisionado por Besso, seu próprio parente, sátrapa da Báctria. À medida que Alexandre se aproximava, Besso ordenou que seus homens matassem Dario III e declarou-se sucessor de Dario, com o nome de Artaxerxes V, antes de recuar para a Ásia Central, deixando o corpo de Dario no caminho para Alexandre - que o levou para Persépolis e lhe deu um funeral com honrarias. Besso então liderou uma coalizão de tropas que pudesse se defender de Alexandre; no entanto, antes que ele pudesse se unir com seus aliados na parte leste do império, [43] Alexandre conseguiu encontrá-lo, e o levou a julgamento num tribunal persa sob seu controle, que o condenou à morte e o executou de "uma maneira bárbara e cruel". [44]

Apesar de ter logrado conquistar todo o Império Persa, Alexandre não foi capaz de instaurar em seu lugar uma alternativa estável. [45] Após sua morte, o gigantesco território que havia sido dominado pelos aquemênidas se fragmentou em diversos impérios menores, dos quais o mais importante era o Império Selêucida, governado pelos generais de Alexandre e seus descendentes. Estes, por sua vez, seriam sucedidos pelo Império Parta.

Istakhr, um dos reinos vassalos do Império Parta, seria dominado por Papak, um sacerdote do templo local.

O filho de Papak, Ardashir, que deu a si mesmo este nome em homenagem a Artaxerxes II, acabaria por se

revoltar contra os partas, derrotando-os e fundando o Império Sassânida, também conhecido como 'Segundo Império Persa'.

Descendentes nas dinastias iranianas posteriores

Dinastias posteriores do Império Persa, como os partas e os sassânidas, ocasionalmente alegaram descendência dos aquemênidas. Recentemente, houve alguma corroboração para a pretensão parta evidenciada numa doença hereditária (neurofibromatose), demonstrada através das descrições físicas dos governantes e das evidências de doenças familiares em moedas antigas. [46]

Governo

doenças familiares em moedas antigas. [ 4 6 ] Governo A Inscrição de Behistun narra a

A Inscrição de Behistun narra a história das conquistas de Dario, o Grande, com os nomes de 23 satrapias governadas por ele.

, com os nomes de 23 satrapias governadas por ele. Inscrição de Behistun , coluna 1

Inscrição de Behistun, coluna 1 (DB I 1–15)

Ciro, o Grande fundou o Império Aquemênida como um império multi-estatal, governado a partir de três capitais: Pasárgada, Babilônia, Susa e Ecbátana. Os aquemênidas permitiam uma determinada quantidade de autonomia regional, na forma do sistema de satrapias. Cada satrapia era uma unidade administrativa distinta, geralmente organizada com base na geografia local. O 'sátrapa' era o rei vassalo, que administrava a região em nome do imperador, um 'general' supervisionava o recrutamento militar e garantia a ordem, e um 'secretário de estado' mantinha os registros oficiais. O general e o secretário de estado reportavam diretamente para o sátrapa, bem como para o governo central. Em diferentes períodos da história persa, chegaram a existir de 20 a 30 satrapias. [47]

Ciro criou um exército organizado, que incluía a unidade conhecida como Imortais, que consistia de 10.000 soldados altamente treinados. [48] Ciro também desenvolveu um sistema postal inovador por todo o império, com base em diferentes estações de revezamento, chamadas de Chapar Khaneh. [49]

Dario, o Grande mudou a capital de Pasárgada para Persépolis; [50] revolucionou a economia ao cunhar moedas de ouro e prata e introduziu um sistema de impostos regulamentado e sustentável, que era projetado de acordo com as necessidades de cada satrapia, com base em sua suposta produtividade e seu potencial econômico. A Babilônia, por exemplo, tinha de pagar os valores mais altos como tributo, além de uma enorme e variada quantidade de mercadorias - 1000 talentos de prata, quatro meses de mantimentos para o exército. A Índia era célebre por seu ouro; a província, que consistia na época das regiões do Sindh e do Punjabe ocidental, trocava pó de ouro equivalente à quantidade incrível de 4680 talentos de ouro, por diversas mercadores. Já o Egito era conhecido pela riqueza de suas safras; destinada a ser o granário do Império Persa (bem como do Império Romano, mais tarde), era obrigado a fornecer 120.000 medidas de grão, além de 700 talentos de prata. Estas taxas eram cobradas exclusivamente dos povos subjugados. [51]

Entre outros feitos de Dario estão a codificação de dados, um sistema legal universal, e a construção da nova capital, em Persépolis.

Sob os aquemênidas, o comércio foi extenso, e havia uma infraestrutura eficiente que facilitava a troca de mercadorias nos confins mais distantes do império. Tarifas sobre o comércio eram uma das principais fontes de renda do império, juntamente com a agricultura e os impostos. [51][52]

As satrapias eram ligadas por um sistema de estradas de 2500 quilômetros, cujo trecho mais impressionante era a Estrada Real, que ia de Susa a Sárdis, construídas sob ordens de Dario I. Os mensageiros a cavalo revezavam-se pelo percurso, e alcançavam as áreas mais remotas do império em quinze dias. Apesar da relativa independência local gerada pelo sistema de satrapias, inspetores reais conhecidos como "os olhos e ouvidos do rei" percorriam o império, enviando relatórios das condições locais. O monarca também contava com os 10.000 Imortais como guarda-costas pessoais quando o império não estava em guerra.

Acredita-se que a prática da escravidão tenha sido banida na Pérsia aquemênida, embora existam evidências de que exércitos conquistados ou revoltosos tenham sido capturados e vendidos. [53] O zoroastrianismo, religião de facto do império, proíbe explicitamente a escravidão, [54] e os reis da Pérsia aquemênida, especialmente Ciro, o fundador do império, acataram esta proibição, como é evidenciado pela libertação dos judeus do cativeiro na Babilônia e a construção de Persépolis por trabalhadores pagos.

A vexilóide do Império Aquemênida tinha um falcão de ouro sobre um fundo carmesim. [55][56]

Forças armadas

Apesar de suas origens humildes, em Persis, o império atingiu um tamanho enorme sob a liderança de Ciro, o Grande. Ciro criou um império formado por diversos estados, no qual permitiu que os líderes regionais, os sátrapas, governassem em seu nome sob determinadas regiões do império, as satrapias. A regra básica de governo era a lealdade e a obediência de cada satrapia ao poder central, o rei, e a obediência às leis de impostos. [20] Devido à diversidade etnocultural das nações submetidas ao jugo da Pérsia, a seu enorme tamanho geográfico, a às constantes disputas por poder pelos rivais regionais, [3] a criação de um exército profissional foi necessária para a manutenção da paz, e para exercer a autoridade do rei em casos de rebeliões e ameaças externas. [5][48] Ciro conseguiu criar um exército terrestre forte, e utilizou-o em suas campanhas na Babilônia, na Lídia e na Ásia Menor; após sua morte, seu filho, Cambises II, utilizou-o no Egito, contra Psamético III. Ciro acabou morrendo durante um combate contra uma insurgência iraniana local, antes de ter a chance de desenvolver uma força naval. [57] A tarefa de criar uma marinha real coube a Dario, o Grande, o que permitiu que os persas pudessem enfrentar seus inimigos nos diversos mares que banhavam seu vasto império, do Mar Mediterrâneo, Negro e Egeu ao Golfo Pérsico e Oceano Índico.

Marinha

Desde sua fundação por Ciro, o Império Persa foi primordialmente um império terrestre, com um forte exército, porém desprovido de forças navais. No século V a.C. isto mudaria, já que o império passou a enfrentar tropas gregas e egípcias, cada qual com suas próprias tradições e capacidades marítimas. Dario, o Grande (Dario I) é creditado como o primeiro rei aquemênida a investir numa frota persa. [58] Ainda assim, não existia uma "marinha imperial" legítima, semelhante às armadas grega e egípcia. A Pérsia se tornaria o império, sob a liderança de Dario, a inaugurar e utilizar em combate a primeira marinha imperial regular. [58] Apesar deste feito, os marinheiros desta armada imperial não vinham da Pérsia propriamente dita, mas em sua maioria eram fenícios (a maior parte de Sídon), egípcios, cipriotas e gregos escolhidos por Dario para operar os veículos navais de combate do império. [58]

Inicialmente os navios foram construídos em Sídon, pelos fenícios; os primeiros navios aquemênidas mediam cerca de 40 metros de comprimento e seis de largura, e eram capazes de transportar até 300 soldados por viagem. Apesar das técnicas de construção dos navios e do arsenal terem se originado em Sídon, logo outros estados do império começaram a construir seus próprios navios, cada qual incorporando preferências locais. Os navios acabaram por ser utilizados começaram até mesmo no Golfo Pérsico. [58] As

frotas persas formaram os alicerces para uma forte presença marítima no Golfo Pérsico, que existiu até a chegada da Companhia Britânica das Índias Orientais e da Marinha Real Britânica, em meados do século

XIX d.C. Os persas não apenas se estabeleceram nas ilhas do Golfo Pérsico, mas também tinham navios de

menor capacidade (100 a 200 soldados) patrulhando os diversos rios do império, incluindo o Shatt-al-Arab,

o Tigre e o Nilo, bem como a bacia do Indo, na Índia. [58]

O alto comando naval aquemênida estabeleceu grandes bases navais, localizadas ao longo do Shatt-al-Arab, no Bahrain, Omã e Iêmen. As frotas persas logo não seriam apenas usadas para propósitos de manutenção da

paz, mas também abririam as portas para o comércio com a Índia, através do Golfo Pérsico. [58] A marinha de

Dario era uma potência mundial, porém seria apenas no reinado de Artaxerxes II