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História das Políticas Públicas de Saúde no

Brasil

PAULO QUINDERÉ

Período colonial

Ações do poder público se restringia à regulamentação das artes de curar, realizada

por tribunais portugueses que expedia licenças, autorizando determinadas práticas Boticário (farmacêuticos) médicos-cirurgiões, parteiras, sangradores, aplicadores de ventosas, curandeiros etc.

1808 criada as primeiras instâncias de saúde pública Fisicatura-mor e a

provedoria-mor. Garantir a salubridade da Corte e fiscalizar e impedir a chegada de

novas doenças nas cidades costeiras.

Saúde Pública no Império

A criação de instituições públicas para intervenções de saúde aos moldes da polícia sanitária, com objetivo de fiscalização dos serviços locais de vacinação,

A ínfima atuação do Estado na assistência médica se restringia a internação de doentes graves em lazarentos e enfermarias improvisadas, em tempos de epidemias e a

internação dos loucos no hospício de São Pedro II,

Atuação das Santas Casas de misericórdia,

Expansão da microbiologia

Saúde Pública nos primeiros anos da República

Vacinação obrigatória como medida de saúde pública para conter o avanço de várias doenças como febre

amarela, o cólera, a peste, a difteria, sarampo.

1896 surgimento da Diretoria Geral de Saúde Pública (DGSP);

Instituto Soroterápico Federal posteriormente denominado Instituto Oswaldo Cruz;

Para o Estado Brasileiro, a Saúde ainda estava intimamente relacionada às crises sanitárias;

Quando se debelava as epidemias e outros problemas ocasional era que se prescindia algum gasto federal em saúde pública.

Saúde Pública nos primeiro anos da República

Expansão da lavoura cafeeira;

Vinda de imigrantes;

O crescimento urbano;

As ações de saúde se limitavam aos centros urbanos enquanto que os interior do País era completamente esquecido e negligenciado (desnutrição, verminoses e a malária)

Departamento Nacional de Saúde Pública (DNSP), orçamento reavaliado a cada ano de acordo com as necessidades oriundas dos surtos epidêmicos

Saúde Pública na era Vargas (1930-1945)

Crescente urbanização do País

Potencializou os movimentos das camadas operária com as ideias anarquistas e socialistas,

A criação dos Institutos de Aposentadorias e Pensões os recurso eram destinados às aposentadorias por idade, tempo de serviço e invalidez.

Criação do Ministério da Educação e Saúde Pública (MES) que deu continuidade as ações do antigo DNSP,

conviveu com alternância de seus dirigentes e ficou refém da instabilidades políticas fruto de disputas dos aliados do novo regime.

O período getulista deixaria como marca a separação entre saúde pública e assistência médica previdenciária

Saúde Pública no período de 1940-1950

Surgem os modernos hospitais;

Sanitarismo campanhista, centralizador e autoritário,

A crise previdenciária a elevação das despesas sem solucionar os problemas existentes na arrecadação,

Ampliação dos gastos e dos benefícios,

Redução do aparecimento de casos novos da malária e de todas as doenças transmitidas por insetos

(chegada de antibióticos e de pesticidas DDT).

Saúde Pública no segundo governo Vargas (1951- 1954)

Criação do Ministério da Saúde,

Serviço Especial de Saúde Pública (SESP) Sanitarismo desenvolvimentista;

O grau de saúde da população esta associado ao grau de desenvolvimento econômico e as medidas de assistência médico-sanitárias precisam ser acompanhadas melhorias nas condições econômicas,

Industrialização e modernização do país.

Saúde Pública no Governo Juscelino Kubistschek (1956-1960)

Internacionalização da economia;

São aprovadas normais gerais sobre defesa e proteção da saúde;

Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS).

Criação do Departamento de Endemias Rurais (DNERu);

Regime Militar

Autoritarismo Investimento nos hospitais privados Repressão Supressão dos direitos civis Criação do Instituto Nacional da Previdência Social INPS previdência com função assistencial restrita aos trabalhadores de carteira assinada.

REFORMA SANITÁRIA BRASILEIRA

Década de 1970 e 1980;

Modelo assistencialista privados;

Processo de redemocratização do Brasil;

Implantação das Ações Integradas de Saúde;

Sistema Descentralizado de Saúde (SUDS)

Construção do Sistema Único de Saúde SUS 1988 e sua efetivação 1992.

SUS

Descentralização financiamento e operacionalização das políticas nos âmbitos Federais, Estaduais e

Municipais.

Regionalização - Responsabilidade dos serviços de saúde, nos seus vários níveis de atenção, em relação ao seu território de abrangência, ou seja, em relação à sua população adscrita.

Hierarquização - caracteriza-se pela diferenciação dos vários níveis de atenção à saúde que compõem

o sistema, com cada nível oferecendo uma gama de procedimentos e apresentando um conjunto de recursos tecnológicos capazes de atender a uma dada população

Hierarquização

1) a atenção primária, responsável pelo conjunto de ações básicas a uma determinada população adscrita, constituindo-se uma “porta de entrada” para os demais níveis de complexidade tecnológica do sistema de saúde. Ela seria a base da pirâmide; 2) num nível intermediário da pirâmide, estariam os serviços especializados, chamados de secundários. Seriam responsáveis pelo apoio diagnóstico e terapêutico nas mais variadas especialidades de saúde. Também poderiam estar nesse nível atendimentos de urgência e emergência e os hospitais gerais distritais;

3) no topo da pirâmide, estariam os serviços hospitalares de maior complexidade. Hospitais de grande porte de referências regional, estadual e até mesmo federal, formando o nível terciário do sistema de saúde porém

algumas questões se fazem presentes na discussão desse modelo.

Princípios e Diretrizes do SUS

Universalidade - Expressão de que todos têm acesso ao mesmo direito de obter as ações e serviços de que necessitam, independentemente de complexidade, custo e natureza dos serviços envolvidos. Integralidade conjunto de ações e serviços visando garantir promoção, a proteção, a cura e a reabilitação de indivíduos e coletivos. Equidade prioridade na oferta de ações e serviços aos segmentos populacionais que enfrentam maiores riscos de adoecer e morrer em decorrência da desigualdade na distribuição de renda e serviços. Participação da comunidade participar do processo de formação de diretrizes e prioridades para a Política Pública de Saúde, da fiscalização do cumprimento dos dispositivos legais e normativos do SUS e do controle e

avaliação de ações e serviços de saúde nas esferas governamentais.

Questões

1. Estabeleçam articulações entre territorialização e as diretrizes operacionais do SUS: Regionalização e hierarquização. 2. De que forma o apoio matricial em saúde pode contribuir para a

integralidade da atenção?

Apoio Matricial Matriciamento

Proposto por Gastão Campos (1999)

Busca modificar as relações entre níveis hierárquicos nos sistemas de saúde

Modificar os processos de trabalho em saúde

O especialista se integra organicamente a várias equipes que necessitam de seu trabalho especializado

Objetiva, além da assistência, um espaço de intercâmbio sistemático de conhecimentos entre as

várias especialidades e profissões.

Matriciamento

Atenção colaborativa (discussão de casos, consulta conjunta)

Cuidados individuais: O mais limitado possível buscar sempre a articulação com o demais recursos da comunidade (Território).

Educação permanente de Saúde Mental

Apoio à equipe (apoio institucional)

Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF)

Equipes de profissionais de diferentes áreas, compartilhando práticas nos territórios, atuando diretamente no apoio às equipes de Saúde da Família

Nasf 1: Psicólogo, Assistente Social, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo,

Ginecologista, Educador Físico, Médico Homeopata, Nutricionista, Médico Acupunturista,

Pediatra, Psiquiatra, Terapeuta Ocupacional vinculam-se de 8 a 20 equipes SF

Nasf 2: Psicólogo, Assistente Social, Farmacêutico, Fisioterapeuta, Fonoaudiólogo, Educador Físico, Nutricionista, Terapeuta Ocupacional vinculam-se de 3 equipes de SF

Princípios que devem ser cultivados no matriciamento

Interdisciplinaridade A prática dialógica da gestão de novos saberes e práticas e acesso à comunicação Clínica ampliada focada na pessoa (e seu caso) Compreensão do conceito de responsabilidade territorial e epidemiológica Respeito à realidade local Ética potencializar as redes sociais de apoio da comunidade

Caixa de ferramentas para o apoio matricial em saúde mental

Organização da rede

Pactuação com os diversos atores (ABS,

SM secundária, SM terciária) sobre o perfil de pacientes para cada esfera de atenção

Sensibilização do gestor local sobre o funcionamento da estratégia: a saúde mental é

complexa e tende a ser posta de lado.

Estudo cuidadoso do território e suas particularidades geográficas e epidemiológicas

Se possível, utilizar estratégias sistemáticas de avaliação quantitativa e qualitativa

BIBLIOGRAFIA

Almeida Filho, N & Rouquayrol, MZ. Introdução à epidemiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

Benevides, R. A psicologia e o Sistema Único de Saúde: quais interfaces? Psicologia & Sociedade, 17(2): 21-25; 2005)

Campos, GWS. Saúde Pública e Saúde Coletiva: campo e núcleo de saberes e práticas. Rio de Janeiro: Ciência & Saúde Coletiva. 5 2): 219- 230, 2000.

Lima, M. Atuação psicológica coletiva: uma trajetória profissional em unidade básica de saúde. Psicologia em Estudo, Maringá: 3(10): 431-

440, 2005.

Paim, JS & Almeida Filho, N. Saúde Coletiva: uma “nova saúde pública” ou campo aberto a novos paradigmas? São Paulo: Rev. Saúde Pública, 32(4): 299-316, 1998.

Muito Obrigado!
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