PROJETO PEDAGÓGICO

O MENINO
QUADRADINHO

Rua Tito, 479 – Lapa – São Paulo – SP
CEP 05051-000

DIVULGAÇÃO ESCOLAR
(11) 3874-0884
divulga@melhoramentos.com.br

www.editoramelhoramentos.com.br
www.facebook.com/melhoramentos

1
O Menino Quadradinho

O Autor Resenha Ficha
Ziraldo Alves Pinto é um dos autores A obra O Menino Quadradinho traz a Autor: Ziraldo
Título: O Menino Quadradinho
PROJETO DE LEITURA

mais amados por crianças e adultos. Sua história de um garoto que se encanta
irreverência e inventividade aproximam os pelo gibi e é tragado por ele por meio Ilustrador: Ziraldo
leitores de sua obra, o que o torna um es- de suas cores, mistérios, heróis e per-
Formato: 20,5 x 26 cm
critor especial na literatura infantil e juve- sonagens. O menino vive por ali, entre
nil brasileira. um quadrinho e outro, achando que já No de páginas: 32
Suas histórias são maravilhosas e sem- experimentou o suficiente para ser fe- Elaboração: Shirley Bragança
pre nos levam a enxergar o mundo sob liz, até que um dia encontra o valor e
outros pontos de vista, levantando as- o mistério da palavra – uma descoberta
pectos surpreendentes que redimensio- fantástica que abre portas para outros
nam nosso modo de encarar a vida. Des- mundos. A palavra é algo precioso que
sas obras, salientamos Flicts, O Menino redimensiona o ser humano, pois, como
Maluquinho, A Bela Borboleta, os livros diz o autor, é “lavra e pá. A primeira é
das coleções Corpim e ABZ, O Bichinho ouro, é pedra preciosa, é mina: lavra. A
da Maçã, Menina Nina, Duas Razões segunda é o instrumento, a ferramenta:
para Não Chorar e A Turma do Pererê. pá. A palavra é, pois, mina e ferramen-
Mineiro de Caratinga, Ziraldo, além de ta ao mesmo tempo, palavra!” (p. 24).
escrever, envolveu-se com muitas outras A descoberta e o conhecimento dessa Quadro sinóptico
atividades, fez muitos amigos e deixou ferramenta, a palavra, levam o menino a
sua marca por onde passou: desenhista crescer, a mudar de fase, despertando- Tema principal: História em
de humor, cartunista, jornalista, advoga- -o para outros prazeres e experiências quadrinhos
do, autor teatral, publicitário, humorista fantásticas que a vida lhe preparou. Tema transversal: Ética e
político... Usufruir o talento e o fazer li- pluralidade cultural
terário em suas histórias é um presente Interdisciplinaridade: Artes,
para todos. Matemática e Literatura
INDICAÇÃO:

Leitor
fluente
a partir dos

10
anos
ensino
fundamental
2
Conversa com o professor
Ziraldo apresenta para o leitor a his- No decorrer da narrativa, o garoto con- O desafio é grande, mas o menino qua-
tória de um menino que vive na era da vida o leitor a experimentar, com ele, a dradinho aceita e tece sua história tentan-
comunicação pela imagem, que pode, passagem da infância para a adolescên- do entender o encaixe das peças desse
muitas vezes, substituir a palavra. A cia por meio do “corpo gráfico da escrita quebra-cabeça, dialogando com a visão
narrativa revela metaforicamente a pas- (que cobre literalmente o espaço bran- pura da fantasia que existe dentro dele e
sagem da infância para a adolescência co da página) e vai diminuindo de tama- os diferentes mundos apresentados pela
sob um olhar fotográfico/cinemato- nho, mostrando visualmente o aprofun- palavra, a realidade. A construção dessa
gráfico/televisivo, utilizando a “técnica damento gradativo do menino no mun- identidade se dá pela crescente interação
dos quadrinhos ou comics, multiplican- do da cultura que a palavra instaura e com a diversidade desses mundos, em
do os ‘truques’ gráficos para construir comunica aos que aprendem a morar em forma de espiral, que, de certo modo,
uma narrativa fragmentada e dinâmi- seu mundo” (Coelho, 2006). empurra-o para fora, o que favorece a
ca, onde se alternam os closes cinema- visão sobre si mesmo e sobre as coisas
tográficos, na ótica pop art e similares” Desta vez o menino não entendeu o que o cercam, redimensionando-as.
(Coelho, 2006). A interação desses re- que as palavras estavam dizendo. Agora, Ziraldo constrói essa trajetória de
cursos estéticos e gráficos abre espaço eram elas é que iam de ter paciência com transição por meio da interdiscursivi-
para múltiplas leituras, que dialogam ele, tadinho, que havia acordado do lado dade, colocando o leitor em contato
com várias histórias, inclusive com os de fora da sua infância (p. 25). com outros textos – Emília no País da
quadrinhos de Andy Warhol. Gramática, Dom Quixote, Peter Pan e a
Nos primeiros quadrinhos, as ima- Bíblia –, mostrando que a narrativa de
gens figurativas de um cachorro e de Essa transição (da infância, em que O Menino Quadradinho, além de obe-
objetos causam certo suspense no lei- a ação é realizada de forma prática, decer à lógica do crescimento humano,
tor, levando-o a fazer inferências sobre para a adolescência, em que a pessoa, é polifônica, ou seja, nela “os diálogos
a quem pertenceriam tais coisas. Em além de ser capaz de realizá-la, anali- entre discursos mostram-se, deixam-se
seguida, o leitor sintetiza as informa- sa os conceitos envolvidos na tarefa) ver ou entrever” (Brait,
ções recebidas nas imagens e verifica gera no menino desconforto e medo, 2005, p. 34), am-
que todas elas estão relacionadas ao porque, em certos momentos, ele não pliando a semân-
universo de um menino. Na página se- sente pertencer àquele universo, o que tica do texto.
guinte, sua análise é confirmada, uma o leva ao questionamento: “Conviver
vez que lhe é apresentado o persona-
gem dividido em quadradinhos. Com
a onomatopeia ZAP, surge o menino,
no conforto do espaço que domino ou
abandoná-lo e me deixar seduzir pela
aventura?”. Esse conflito se intensifica
>>
que, então, apresenta ao leitor seu uni- ainda mais à medida que seu desejo é
verso e todos os personagens que dele instigado a experimentar o novo e ou-
fazem parte. tros modos de viver.

3
>>
Realizar esse tipo de exercício com
“Etcétera achou que, já que o me-
os alunos é uma maneira de “forne-
nino vivia numa história em quadradi-
cer, de algum modo, os mapas de um
nhos, ele devia conhecer todas as len-
mundo complexo e constantemente
das e todos os heróis. Por isso, ele fa-
agitado e, ao mesmo tempo, a bússo-
lou: ‘Escuta aqui, Seo Peter Pan, está
la que permita navegar através dele”
com medo de crescer, é?’” (p. 27).
(Delors, 2001) com autonomia para
“– Porque ouvi uma conversa entre construir suas trilhas de leitura.
meu pai e minha mãe sobre o que eu
havia de ser quando crescesse. Ora,
eu não queria crescer. Não queria nem
quero nunca virar homem grande, de
bigodeira na cara feito taturana. Mui-
to melhor ficar menino, não acha? Por
isso fugi e fui viver com as fadas” (Lo-
bato, 1987).

Cabe ao leitor identificar as diver-
sas vozes discursivas na narrativa, com
base nas pistas e indicações linguísticas
que lhe são oferecidas, para que o sen-
tido da história seja ampliado, pois o
texto é uma unidade significativa que
se atualiza na leitura, por um leitor ins-
truído no próprio texto, capaz de re-
construir o universo nele representado.
É esse movimento da leitura, esse tra-
balho de elaboração de sentidos pelo
leitor que dá concretude ao texto.

4
Ampliando o tema
As histórias em quadrinhos (HQs) dessas histórias, trazendo personagens, se modo que surge a oportunidade da
surgiram com o progresso técnico pro- assuntos e temas diversos. leitura ativa: quem lê usa a imagina-
porcionado pela Revolução Industrial, Para elaborar HQs, esses artistas grá- ção para preencher os espaços vazios
que permitiu a impressão e a distribui- ficos usam uma variedade de recur- que aparecem intercalando os quadri-
ção de revistas em larga escala. As pri- sos e artifícios, como enquadramento, nhos. O leitor cria imagens mentais
meiras HQs foram publicadas nos jor- perspectiva, efeitos de luz e sombra, de ligação que garantem a continui-
nais, em tiras, com o intuito de ampliar movimento, expressões faciais e cor- dade da história. O tempo entre a lei-
a clientela de leitores adultos, mas o porais, que seduzem o leitor e evitam tura de um quadro e outro é o mo-
público que mais aderiu ao gênero foi a monotonia. Eles também exploram mento durante o qual o leitor controla
o infantil, que até hoje se diverte com outros elementos que compõem o gê- a ação, agindo como uma câmera em
essas histórias. nero, que são os sinais gráficos, os ba- movimento. Dessa forma, ele participa
Por volta dos anos 1930, as HQs pas- lões e os traços indicadores de movi- como coautor da construção do senti-
saram a ser impressas em revistas ex- mento. A disposição desses recursos do do texto.
clusivas, tornando conhecidos, em gráfico-visuais nas histórias contribui
todo o mundo, os heróis norte-ameri-
canos. No Brasil, a primeira revista em
quadrinhos dedicada às crianças foi
para a construção de uma rede de re-
lações lógicas no texto, ou seja, para
uma sequência narrativa com coerên-
>>
O Tico-Tico, surgida em 1905. A essa cia e coesão textual.
publicação seguiram-se várias outras, Algumas HQs comunicam a mensa-
como Gibi, lançada em 1938, no Rio gem narrativa apenas pela ima-
de Janeiro, com grande aceitação en- gem; outras, por meio da ima-
tre as crianças e os adolescentes, cujo gem e do texto verbal. Nesse
nome se tornou sinônimo desse su- caso, dizemos que a história
porte textual. O significado mais anti- tem um código imagéti-
go de gibi é “moleque”. co-linguístico que compõe
Na década de 1960, os quadrinhos seu sentido.
ganharam excelentes artistas, como Zi- A ordenação dos quadros é fei-
raldo, Mauricio de Sousa, Henfil e Luis ta por meio de marcas de tempo
Fernando Verissimo, e, com eles, muitos e espaço, de causa e consequên-
personagens maravilhosos e divertidos. cia. Essa sequência, portanto, tem
Hoje contamos com uma infinidade de implicação narrativa, informando
revistas em quadrinhos, autores e sites a ordem cronológica das ações,
especializados que ampliam o universo das falas e dos diálogos. É des-

5
>>
O roteirista, desenhista ou quadrinis- para conferir e ampliar o sentido das
ta devem passar uma quantidade su- imagens e dos textos dos balões. As
ficiente de informações sobre o mo- legendas aparecem encaixadas nos
mento da ação que querem sugerir. quadrinhos, posicionadas em cima,
Além disso, precisam articular essas embaixo ou nos lados.
informações com outras, dos momen- Na obra O Menino Quadradinho,
tos anteriores e posteriores, para que de Ziraldo, professor e alunos terão a
o leitor possa elaborar adequadamen- oportunidade de explorar vários des-
te a continuidade narrativa. Essa cons- ses elementos, o que ampliará a com-
trução se faz ainda que o narrador es- preensão do fazer literário desse gran-
teja ausente do texto. Mas, caso o au- de autor. Por meio da análise do livro
tor queira a participação do narrador, e da exploração do tema “histórias em
sua voz será manifestada no texto por quadrinhos”, os alunos terão mais se-
meio da legenda, espécie de orien- gurança para elaborar suas histórias e
tação que o narrador passa ao leitor produzir textos significativos.

6
Preparando a leitura
1. Traga para a sala de aula gibis, 3. Os alunos já ouviram muitas histó- 4. Apresente aos alunos outras obras
O LIVRO NA SALA DE AULA
charges e tirinhas de jornal. Mos- rias de contos de fada. Relembre de Ziraldo e alguns fatos importan-
tre os gibis aos alunos. Pergunte a com eles uma delas, lendo a histó- tes de sua vida, como as profissões
eles quais são seus gibis prediletos ria. Em seguida, escolha mais duas que ele exerceu concomitantemen-
e quais seus super-heróis favoritos. e faça um “coquetel” dessas his- te à de escritor. Aproveite o fato de
Comente curiosidades sobre os gi- tórias, destacando o fato de todas Ziraldo ser um grande desenhista
bis (veja seção “Quer saber mais?”) elas terem uma floresta como cená- humorístico e proponha aos alunos
ou sobre a biografia de algum su- rio. Peça aos alunos que imaginem a elaboração de uma charge sobre
per-herói. Em seguida, apresente uma floresta à noite. Como se sen- ele, explorando uma de suas pro-
as tirinhas de jornal e as charges. tiriam perdidos em um lugar como fissões.
Estabeleça, com os alunos, as dife- esse? O menino quadradinho está
renças e as semelhanças entre es- confuso, como se estivesse perdido
ses gêneros textuais. em uma floresta, assim como nos
2. Compare os gibis da Turma da Mô- contos de fada (“Em que negra flo-
nica criança e jovem. O que mudou resta me perdi?”, p. 21). Levante hi-
nos personagens? Os temas das his- póteses com os alunos
tórias são os mesmos? Amplie essas sobre possíveis ra-
observações promovendo uma dis- zões que levam
cussão em sala, trazendo-as para o uma pessoa
universo dos alunos. Que transfor- a se sentir
mações estão acontecendo no cor- confusa, com
po deles? A que desenhos animados medo etc.
preferiam assistir quando tinham Construa com
entre seis e oito anos? E hoje, são os eles o significado
mesmos? Qual a opinião deles so- da floresta nessas histórias (veja se-
bre os desenhos da infância? Como ção “Quer saber mais?”).
são construídos os diálogos nesses
desenhos? Quais eram seus passa-
tempos nessa fase? E agora, o que
eles mais gostam de ler e de fazer
para se divertir? Por que todas essas
mudanças? Como eles se sentem?

7
Trabalhando a leitura
1. Explore o livro com os alunos, folhe- sobre a arbitrariedade e o processo
ando-o. Chame a atenção deles para histórico-cultural de construção de Luciana
o projeto gráfico e a paragrafação. sentido desses códigos. Acrescente lia na Lua
Primeiro aparece a história em qua- ao comentário a função social des- recados
drinhos; depois a imagem vai dando sas práticas de leitura e escrita na so- de Luci e Ana,
cada vez mais espaço para o texto ciedade. Leia as páginas 25 e 26 do
lembranças
verbal. Além disso, as letras dimi- livro e destaque o fato de o menino
de Lina e Lana,
nuem de tamanho. Levante hipóte- quadradinho ter descoberto o mun-
ses sobre o significado desse traba- do das palavras e a importância disso e saudades
lho para a construção de significado na vida dele. Reflita com os alunos de Luana.
na história. sobre os diversos códigos que intera- Diário de classe, de Bartolomeu
2. Leia com os alunos a página 27. Des- gem simultaneamente com a escrita Campos de Queirós
taque o trecho “Vocês podem não na atualidade, como os hipertextos.
acreditar, mas o menino entendeu. 4. Proponha a brincadeira “Uma palavra
Entendeu que existem palavras, por puxa outra”. Escreva nomes de pessoas
exemplo, que são palavras leves de da classe no quadro e peça que
coisas pesadas e palavras pesadas os alunos criem outras palavras
de coisas leves, palavras bonitas de a partir deles. Vencerá
coisas feias e palavras feias de coi- quem escrever o maior
sas bonitas...”. Faça com eles duas número de palavras em
listas de palavras: uma de coisas dois minutos. Depois, so-
tristes e feias (fome, miséria, aban- licite que atribuam símbolos
dono etc.) e outra de coisas alegres e ícones aos mesmos nomes. Em
e bonitas (solidariedade, amizade, seguida, selecione e leia alguns poe-
carinho etc.). Debata com os alunos mas do livro Diário de Classe, de Bar-
o efeito dessas palavras nas atitudes tolomeu Campos de Queirós. Realce
das pessoas de nossa sociedade. o trabalho do autor, analisando os
Chame a atenção para a classe de níveis fônico e semântico dos poemas.
palavra que compõe o gênero lista. Compare os poemas do autor com a
3. Traga para a sala alguns ícones e brincadeira realizada, acrescentando
símbolos (veja seção “Quer saber a descoberta do mundo das palavras
mais?”), principalmente os utilizados pelo menino quadradinho.
na internet. Comente com os alunos

8
Explorando a leitura
TEMA: A
 LMANAQUE GRUD
____________________ (turma e série).
Você não desgrudará dessas histórias!

O menino quadradinho adora as his-
tórias em quadrinhos. Entre um qua-
drinho e outro, ele depara com seus
super-heróis e amigos, construindo
muitas histórias divertidas, além de
penetrar mundos inimagináveis. Você
também pode elaborar histórias incrí-
veis e apresentar para a turma toda.
Participe desta aventura!
Etapa 1 Em seguida, divida a turma em gru-
Proponha aos alunos a criação de pos. Cada grupo ficará responsável
um almanaque de histórias em qua- por uma seção. As histórias em qua-
drinhos, com base no dia a dia vivido drinhos deverão ser elaboradas em
na escola. Eleja com eles os temas das papel A4 e não poderão ultrapassar
histórias que constarão no almanaque uma lauda (1.400 toques).
(os acontecimentos mais marcantes da Solicite ajuda de outros professores,
turma e do colégio que mereçam ser conforme o tema das histórias escolhi-
divulgados a toda a comunidade). das pelos alunos.
Apresente uma sugestão de forma- Oriente os alunos a criar a capa e
to de almanaque com as seções: tiri- a contracapa com cartolina ou outro
nhas, passatempos, charges, histórias papel com gramatura maior que a fo-
em quadrinhos, cartas do leitor e es- lha de papel A4, não se esquecendo
paço para anúncio dos patrocinado- do espaço para os patrocinadores do
res, na capa e contracapa. projeto.

>>
9
>>
Etapa 2 cas especializadas em quadrinhos na
Enquanto o conteúdo do almanaque cidade; várias revistas e DVDs. Reser-
é elaborado, procure patrocinadores ve, também, um espaço interativo (um
para o projeto. Todos aqueles que co- local com mesa e cadeira) para receber
laborarem terão seu nome ou o de sua os visitantes, que farão a seção passa-
empresa divulgados na capa e contra- tempo do almanaque em tempo real.
capa do almanaque. Essa seção estará aberta durante todo
Com o recurso em mãos, imprima o o evento com o objetivo de desafiar
almanaque, tire cópias coloridas e mon- os participantes. Aqueles que resolve-
te os exemplares. Apresente-os na Fei- rem os desafios num espaço de tempo
ra Literária ou em outro evento de des- determinado pelos alunos levarão um
taque da escola, em local apropriado. prêmio (pirulitos, balas
No espaço do estande, a classe pode- etc.).
rá expor, também, capas das primeiras
edições das revistas em quadrinhos no
Brasil e no mundo; endereços de ban-

10
Encaixa-LETRA-Encaixa
A turma do GRUD quer que você coloque o nome das figuras nos espaços em branco
PASSATEMPO NO GRUD
do círculo abaixo, de forma que a última letra de cada palavra coincida com a primeira
da próxima. Observe o sentido da seta. (Ovo, sol, lápis, óculos, selo, olho e osso.) E aí, vai
aceitar o desafio?

Resposta:

>>

11
Dê uma força para o Rabicó
Nosso amigo Rabicó, do Sítio do Picapau Amarelo, está louco para traçar a comida que
PASSATEMPO NO GRUD
está dentro da pá. Mas para isso ele precisa contar com sua ajuda. Mexendo apenas dois
palitos, retire a comida da pá e presenteie o Rabicó.

?
Resposta:

12
Quer saber mais?

Quadrinhos Conto de fadas Afinal, a todo processo de crescimento
Os quadrinhos têm um nome em O conto de fadas caracteriza-se por está associado um enfrentamento de
cada país. Nos Estados Unidos, são apresentar a intervenção do maravi- medos e desafios, atravessando passo
chamados comic strips (tiras cômicas); lhoso no destino do personagem ou a passo a “floresta negra” e desconhe-
na França, bandes dessinées (bandas personagens principais. Essas histórias cida.
ou tiras desenhadas); na Itália, fumetti, pertencem ao gênero maravilhoso por-
nome que faz referência aos balõezi- que apresentam um elemento mágico, Ícone
nhos que saem da boca dos persona- sobrenatural: um pássaro, uma árvo-
“Corresponde à classe de signos cujo
gens indicando sua fala; na América re encantada etc. Nelas, as fadas en-
significante mantém uma relação de
espanhola, historieta; no Japão, man- carnam o fado (destino), as forças que
analogia com o que representa, isto é,
gá; em Portugal, história aos quadra- interferem no destino do herói, solucio-
com seu referente. Um desenho figu-
dinhos; na Espanha, tabeó; e no Bra- nando problemas e satisfazendo desejos
rativo, uma fotografia, uma imagem
sil, gibi. de forma instantânea. As construções
de síntese que represente uma árvo-
simbólicas são muito comuns nessas
re ou uma casa são ícones, na medi-
narrativas. A floresta, por exemplo, é
da em que se ‘pareçam’ com uma ár-
frequentemente empregada como ri-
vore ou com uma casa” (Joly, 1996,
tual de passagem para um
p. 35).
“novo mundo”, uma
nova percep-
ção. Símbolo
“Corresponde à classe de
signos que mantêm uma re-
lação de convenção com seu
referente. Os símbolos clássi-
cos, como a bandeira para o
país ou a pomba para a paz,
entram nessa categoria junto
com a linguagem, aqui conside-
rada como um sistema de sig-
nos convencionais” (Joly, 1996,
p. 36).

13
No Dicionário Michaelis, a palavra frases. É o primeiro ato da leitura, o trilhas no texto/bosque. Considerando
leitura (do latim medievo lectura) sig- primeiro estágio, correspondente à al- a ideia de leitura como transgressão, De
REFERENCIAL TEÓRICO
nifica ação ou efeito de ler, mas tam- fabetização. Já no segundo momento, Certeau também compara o leitor a um
bém ato de olhar e tomar conheci- o verbo colher implica a ideia de algo viajante:
mento da indicação de um instrumen- pronto, correspondendo a uma tradi-
to de medição ou de quaisquer sinais cional interpretação de texto, em que Bem longe de serem escritores, fun-
que indiquem medidas ou aos quais se se busca um sentido predeterminado. dadores de um lugar próprio, herdeiros
atribui alguma significação. O verbete Ao leitor caberia apenas descobrir que dos lavradores de antanho – mas, sobre
“leitura“ da Enciclopédia Einaudi assi- sentido o autor quis dar a seu texto. o solo da linguagem, cavadores de po-
nala que o termo leitura não remete a Ele colheria o sentido como se colhe ços e construtores de casa –, os leitores
um conceito e sim a um conjunto de uma laranja no pé. Nesse tipo de lei- são viajantes; eles circulam sobre terras
práticas que regem as formas de utili- tura é que se busca sobretudo a men- de outrem, caçam, furtivamente, como
zação que a sociedade, particularmen- sagem do texto, seu tema. Aparente- nômades através de campos que não es-
te através da instituição escolar, faz mente, o leitor não teria poder algum, creveram, arrebatam os bens do Egito
dele. Leitura é, pois, conforme acen- a não ser o de traduzir o sentido que para com eles se regalar.
tuam Barthes e Compagnon nessa en- estaria pronto no texto. Entretanto, o
ciclopédia, uma palavra de significado texto não se apresenta ao leitor senão
Como se vê, embora não tenha um
vago, deslizante, que é preciso ocupar como uma proposta de produção de
sentido fixo, a palavra carrega significa-
“por meio de sondagens sucessivas e sentido, que pode ou não ser aceita.
ções que nos levam a encarar “sonda-
diversas”, segundo os muitos fios que Trata-se de um pacto de leitura que
gens sucessivas e diversas”.
tecem sua trama. constitui o que denominamos intera-
Apesar do questionamento ao con- ção leitor/texto.
ceito fechado de leitura, vale refletir Há ainda uma terceira instância, cor- (Paulino, Graça e outros. Tipos de Textos,
um pouco sobre a etimologia da pala- respondente ao verbo roubar, que traz Modos de Leitura. Belo Horizonte: Formato,
vra ler, do latim legere, que pode nos uma ideia de subversão, de clandesti- 2001, p. 11-13.)
ajudar a compreender um pouco me- nidade. Não se rouba algo com conhe-
lhor essa prática. Numa primeira ins- cimento e autorização do proprietário,
tância ler significava contar, enumerar logo essa leitura do texto vai se cons-
letras; numa segunda, significava co- truir à revelia do autor, ou melhor, vai
lher, e, por último, roubar. Observe- acrescentar ao texto outros sentidos,
-se que em sua raiz a palavra já traduz a partir de sinais que nele estão pre-
pelo menos três maneiras, não exclu- sentes, mesmo que o autor não tivesse
dentes, de se fazer leitura. Na primei- consciência disso. Nesse tipo de leitura,
ra, soletramos, repetimos fonemas, o leitor tem mais poder e vai, como diz
agrupando-os em sílabas, palavras e Umberto Eco, construir suas próprias

14
Referências bibliográficas

Bettelheim, Bruno. A Psicanálise dos Con- Bunting, Karl-Dieter. Timo e a Fantástica
tos de Fadas. Rio de Janeiro: Paz e Terra, Dança das Letras. São Paulo: Melhora-
1980. mentos, 2008.
Brait, Beth et al. Bakhtin, Dialogismo e Feiffer, Jules. O Homem no Teto. São Pau-
Construção do Sentido. Campinas: Edi- lo: Companhia das Letras, 1995.
tora da Unicamp, 2005. Eisner, Will. Quadrinhos e Arte Sequen-
Coelho, Nelly Novaes. Dicionário Crítico cial. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes,
da Literatura Infantil e Juvenil Brasilei- 1999.
ra. 5. ed. rev. atual. São Paulo: Nacional, Eisner, Will. O Último Cavaleiro Andan-
2006. te – Uma adaptação de Dom Quixote de
Coelho, Nelly Novaes. Literatura Infantil – Miguel de Cervantes. Trad. André Conti.
Teoria, análise, didática. São Paulo: Mo- São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
derna, 2000. Graham, Bob. Max. São Paulo: Martins
Delors, Jacques. Educação: Um Tesou- Fontes, 2000.
ro a Descobrir. 5. ed. São Paulo: Cortez, Quino. A Turma da Mafalda. 46. ed. São
2001. Paulo: Martins Fontes, 1999.
Joly, Martine. Introdução à Análise da Yang, Gene Luen. O Chinês Americano.
Imagem. Campinas: Papirus, 1996. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.
Lobato, Monteiro. Emília e Peter Pan. São Pinto, Ziraldo Alves. As Melhores Tiradas
Paulo: Círculo do Livro, 1987. do Menino Maluquinho. São Paulo: Me-
Paulino, Graça e outros. Tipos de Textos, lhoramentos, 2000.
Modos de Leitura. Belo Horizonte: For-
mato, 2001.
Sites
Programa Gestão da Aprendizagem Escolar. www.dcomics.com
Língua Portuguesa – Atividades de apoio
www.devir.pt
à aprendizagem. Brasília: Ministério da
Educação, Secretaria de Educação Bási- www.marvel.com
ca, 2002. www.monica.com.br
Queirós, Bartolomeu Campos de. Diário
de Classe. São Paulo: Moderna, 2004.

15

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful