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NOVA

VERSÃO

INTERNACIONAL

A

T R A V É S

D A

V

I D A

E

D O S

T

E M

P O

S

B Í B L I C O

S

Parece que o apóstolo Paulo escreveu Efésios (1.1; 3.1; mas ver “A autoria de Efésios”, em Ef 4) entre 60 e 62 d.C., enquanto estava preso em Roma (3.1; 4.1; 6.20), e Tíquico levou a carta (6.21,22).

DESTINATÁRIO

É bem provável que muitas igrejas da província da Ásia, inclusive Éfeso, tenham lido essa carta. É óbvio que Paulo não conheceu pessoal­ mente todos os cristãos das regiões pelas quais a carta circulou, mas ouviu a respeito da fé que professavam e recebeu notícias de que seu ministério os havia alcançado (ver 1.15; 3.2).

F A T O S

C U L T U R A I S

E

D E S T A Q U E S

Nos dias de Paulo, Éfeso era um tumultuado centro urbano e a capital da província da Ásia (ver “Éfeso nos tempos de Paulo”, em 2Tm 4). Rivalizando com Roma, Antioquia, Alexandria e Corinto em importância, a localização estratégica de Éfeso no centro de rotas comerciais atraía pessoas de todo o mundo conhecido. Hoje, as ruínas de Éfeso (na atual Turquia) ainda anunciam sua magnificência anterior. Nos dias de Paulo, milhares de pessoas viajavam até lá para adorar no templo de Ártemis (Diana), uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Atividades em três ginásios, banhos públicos e um teatro que acomodava 25 mil pessoas proviam um pouco do entretenimento e recreação locais.

LINHA

DO

TEMPO

10 A.C.

D.C.1

10

V

id a d e Je s u s (ca . 6 /5 a .C .-3 0 d.C.)

A

c o n ve rsã o d e P aulo (ca . 3 5 d.C .)

A

s via g e n s m is s io n á ria s de P aulo (ca . 4 6 -6 7 d.C .)

C

o n cilio d e Je ru sa lé m (ca . 5 0 -5 1

d.C .)

R

einado d e N ero (ca. 5 4 -6 8 d.C .)

P

rim e ira p risã o de P aulo e m

R om a (ca . 5 9 -6 2 d.C .)

R

edação d a c a rta a o s E fésios (ca . 6 0 -6 2 d.C.)

P

risão e m o rte de P aulo e m

R o m a (ca . 6 7 -6 8 d.C.)

D

e stru içã o d o te m p lo de Je ru sa lé m

(ca. 7 0 d.C .)

ENQ UA NTO

VOCÊ

I 1

Observe a frequência com que Paulo usa a frase “em Cristo" para explicar o novo relacionamento do crente com o Senhor. Note a lista sistemática, apresentada por Paulo, das muitas bênçãos que os cristãos possuem em Cristo. Atente para a afirmação do propósito final de Deus com relação ao Universo (ver 1.10) e seu plano para a igreja. Por fim, preste atenção às figuras de linguagem que Paulo usa para

descrever a igreja e a importância da unidade.

VOCÊ

SABIA?

I NTRODUÇÃO

A EFÉSIOS

191 S

• Os efésios conheciam bem a prática greco-romana da redenção: os escravos eram libertos pelo pagamento de um resgate (1.7).

• A direita era o lugar simbólico de mais alta honra e autoridade (1.20)

• A antiga cultura grega geralmente via a humildade, a submissão, a bondade e o autossacrificio de forma negativa, como fraquezas (4.2).

• No mundo greco-romano, a escravidão era considerada uma necessidade econômica e útil, uma parte importante da vida (6.5-9).

• O grande escudo romano era revestido de couro e podia ser encharcado de água e usado para apagar as flechas incendiárias (6.16).

TEMAS

A carta aos Efésios contém os seguintes temas (dois aspectos da unidade):

"fazer convergir em Cristo todas as coisas, celestiais ou terrenas” (1.10) — é

evidenciado na Igreja e realizado por meio dela. Os cristãos foram escolhidos para serem "santos e irrepreensíveis” perante Deus (1.4), cria­ dos em Cristo Jesus “para fazer boas obras” (2.10) e chamados para ser membros de uma “família” unida (2.19). Por meio de sua morte, Cristo destruiu toda “barreira” (2.14) que separava a humanidade, assim os cristãos podem ter uma unidade verdadeira como membros do “mesmo corpo” (3.6). Por intermédio da Igreja, o “mistério” (1.9; 3.3-6) de que todos os cristãos compartilham a identidade comum de família de Deus é revelada e cumprida (3.9,10).

2. A manutenção da unidade. A unidade da Igreja é mais que um ideal: é uma realidade a ser posta em prática. Paulo deu instruções para tornar

real e manter essa unidade. Velhos padrões de pensamento e comportamento, antes caracterizados pela inutilidade, obscuridade e sensualidade (4.17-19), tinham de ser “abandonados" (4.25). Em vez disso, os cristãos deveriam viver de modo consistente com sua salvação em Cristo (4.1).

1. A base para a unidade. 0 eterno propósito de Deus —

SUMÁRIO

I. Saudação (1.1,2)

II. O propósito divino (1.3— 3.21)

A. Ressuscitados em Cristo pela graça (1.3— 2.10)

B. Judeus e gentios feitos um em Cristo (2.11-18)

C. Judeus e gentios unidos na mesma família em Cristo (2.19-22)

D. Paulo, ministro dos gentios (3.1-13)

E. Paulo ora pelos efésios (3.14-21)

III. Instruções práticas (4.1— 6.20)

IV. Conclusão (6.21-24)

1916

EFÉSIOS

1.1

1 Paulo, apóstolo3 de Cristo Jesus pela vontade de Deus,b aos santos e fiéis"0 em Cristo Jesus que estão em Éfeso6:

1.1«1Co1.1;

»2Co 1.1; =01.2

2 A vocês, graça e paz da parte de Deus nosso Pai e do Senhor Jesus Cristo.d

As Bênçãos Espirituais em Cristo

3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,e que nos abençoou com todas as bênçãos

1 .3 e2C o 1.3;

espirituais nas regiões celestiais* em Cristo.4 Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mun­ do, para sermos santos e irrepreensíveiss em sua presença.5Em amorhnos predestinoucipara sermos

adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósitoi da sua vontade,6 para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado.k

«Et 2.6; 3 .10; 6.12

1 .4 BEf 5.27;

Cl 1.22;

hEf 4.2 ,1 5 ,1 6

1

.5 'R m 8.29,30;

ncoí.21

1

.6 kM t 3.1 7

1 .7 iRm 3.24

7 Nele temos a redenção1por meio de seu sangue, o pèrdão dos pecados, de acordo com as

riquezas da graça de Deus, 8 a qual ele derramou sobre nós com toda a sabedoria e entendimento. 9 E nos^ revelou o mistériomda sua vontade, de acordo com o seu bom propósito que ele estabeleceu em Cristo,10 isto é, de fazer convergir em Cristo" todas as coisas, celestiais ou terrenas, na dispensação

da plenitude dos tempos.0 11 Nele fomos também escolhidos2, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósitoP da sua vontade,12a fim de que nós, os que primeiro esperamos em Cristo, sejamos para o louvor da sua glória.1!

13 Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade/ o evangelho que os salvou, vocês fo­

ram seladoss em Cristo com o Espírito Santo da promessa,14que é a garantia da nossa herança* até a

redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória.

1.10 "Gl 4.4;

°C11.20

1.11 pEf 3.11;

Hb 6.17

1.12 ov. 6,14

1

.1 3 fQ

sEf

1

4.30

»At

. 1 4

1.5;

20.32

Ação de Graças e Oração

15 Por essa razão, desde que ouvi falar da fé que vocês têm no Senhor Jesus e do amor que demons­

tram para com todos os santos,u 16 não deixo de dar graças por vocês,v mencionando-os em minhas

orações. 17 Peço que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o glorioso Pai,w dê a vocês espíritof de sabedoriax e de revelação, no pleno conhecimento dele.18 Oro também para que os olhos do coração de vocês sejam iluminados,'' a fim de que vocês conheçam a esperança para a quá ele os chamou, as riquezas da gloriosa herança dele nos santos 19 e a incomparável grandeza do seu poder2 para conos­ co, os que cremos, conforme a atuação da sua poderosa força.3 20 Esse poder ele exerceu em Cristo, ressuscitando-o dos mortos6 e fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais,21 muito aci­ ma de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nomec que se possa mencionar, não apenas nesta era, mas também na que há de vir.22 Deus colocou todas as coisas debaixo de seus pésde o designou cabeçae de todas as coisas para a igreja,23 que é o seu corpo, a plenitude daquele que enche

todas as coisas, em toda e qualquer circunstância.

A Nova Vida em Cristo

2 Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados,*2 nos quais costumavam viver,9 quando seguiam a presente ordem? deste mundo e o príncipe do poder do ar,h o espírito que agora está

atuando nos que vivem na desobediência.13 Anteriormente, todos nós também vivíamos entre eles, satisfazendo as vontades da nossa carne'1) seguindo os seus desejos e pensamentos. Como os outros, éramos por natureza merecedores da ira. 4 Todavia, Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande

0

1.1 Ou crentes.

b

1.1 Alguns manuscritos mais antigos não trazem que estão em Éfeso.

c

1 .4 ,5 Ou presença no amor. 5Ele nos predestinou.

d

1 .8 ,9

Ou nós. Com toda a sabedoria e entendimento 9nos.

e

1.11 Alguns manuscritos dizem feitos herdeiros.

f

1 .1 7

Ou o Espírito.

?

2 .2

Grego: era.

h

2 .3

Ou natureza pecaminosa.

1.1 5 “ Cl 1.4

1 .1 6 vRm 1.8

1 .1 7 wJo 20.17;

>CI1.9

1 .1 8 vAt 26.18; 2Co 4.6

1.19 ZC11.29;

*E f6 .1 0

1.20 bAt 2.24

1.21 cFp 2.9,10

1 .2 2 dM t 28.18;

®Ef

4 .15; 5.23

2

.1

ty. 5; Cl 2.13

2 .2 9 d 3.7;

hJ

'Ef

o 12.31; Ef 6.12;

5.6

2

. 3 iGl 5.16

1.1,2 No mundo antigo, as cartas seguiam um padrão estabelecido (ver

1.5

Sobre a condição de “adotados”, ver nota em Rm 8.15.

“As cartas no mundo greco-romano”, em 2Co 3). Aqui, em vez da sau­ dação padrão (chaireiri) e por meio de um jogo de palavras, Paulo troca a saudação para que se leia “graça” (charis).

1.7

Os efésios conheciam bem a prática greco-romana da redenção:

os escravos eram libertos pelo pagamento de um resgate. De modo semelhante, o resgate necessário para livrar os pecadores da escravidão

1.1

A carta aos Efésios possivelmente escrita com a intenção de ser uma

e da maldição imposta pela Lei (G1 3.13) foi a morte de Cristo (aqui

carta circular para várias igrejas, inclusive a que estava em Éfeso. Éfeso era, na época, uma cidade de 200 mil habitantes, reconhecida por seu comércio e pelos artesãos que trabalhavam com prata. Hoje, a cidade turca de Selcuk ocupa o lugar (ver “História primitiva de Éfeso”, em 2Tm 1; e “Éfeso nos tempos de Paulo”, em 2Tm 4).

1.3 O povo judeu empregava a palavra “abençoar” tanto para expressar

a bondade de Deus para com eles quanto para render louvores ou ação

de graças a ele.

chamada “seu sangue”).

1.9 Sobre o “mistério”, ver nota em Rm 11.25.

1.13 Na época, o selo era sinal de propriedade e segurança (ver “Rolos,

selos e códices”, em Ap 5).

1.20 A direita era o lugar simbólico de mais alta honra e autoridade (ver

“A ‘mão direita’ no pensamento antigo”, em Hb 1).

1.22 Sobre a expressão “debaixo de seus pés”, ver nota em lCo 15.25.

EFÉSIOS

2.10

1917

2 .5 kv.

1;

V .

8 ; A t

15.11

2.6 "E t 1.20; nE f 1.3 2 .7 ° T t3 .4

pv. 5

.9 ^ T m 1.9; I C o 1.29 .1 0 sEf 4.24; T t 2.14

2 .8

2

2

amor com que nos amou,5 deu-nos vida com Cristo quando ainda estávamos mortos em transgres- sõesk— pela graça vocês são salvos.16Deus nos ressuscitou com Cristo e com elemnos fez assentar nas regiões celestiais11em Cristo Jesus,7 para mostrar, nas eras que hão de vir, a incomparável riqueza de sua graça, demonstrada em sua bondade0 para conosco em Cristo Jesus.8 Pois vocês são salvosP pela

graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus;9 não por obras,1Qpara que ninguém se

glorie/10Porque somos criação de Deus realizadas em Cristo Jesus para fazermos boas obras,1as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.

2.10 A palavra grega traduzida por “criação” tem, às vezes, a conotação de “obra de arte”.

O muro divisor do pátio dos Gentios no templo de Herodes

EFÉSIOS 2 Os gentios estavam autorizados a entrar na parte externa da área delimitada do templo em Jerusalém. Essa grande área pavimentada em volta do templo e seus pátios internos eram delimitados por uma co­ lunata dupla de pilares com 10 metros de altura. 0 perímetro dessa área media 900 metros. Esse pátio externo também era chamado de pátio dos gentios. Mas os gentios eram fisicamente proibidos de acessar os pá­ tios internos do templo por uma barreira de 1,4 metro de altura (o "muro de inimizade", de 2.14). 0 historiador judeu Flávio Josefo informa que 13 placas de pedra com inscrições em grego e em latim foram colocadas ao longo da barreira, advertindo os gentios a que não entrassem.1Nas palavras de Josefo: "Havia

Sua construção era muito

uma divisão feita de pedra [

].

elegante; sobre ela, ficavam pilares, em distâncias iguais en­ tre um e outro, anunciando a lei de pureza,.em grego e em outras em letras romanas, dizendo que 'nenhum estrangeiro" deveria entrar no santuário'" (Guerras, 5.5.2). Os arqueólogos descobriram duas dessas placas de aviso, que dizem: "Nenhum estrangeiro tem permissão de entrar na balaustrada em torno do santuário e do pátio. Quem for pego, será responsável por sua decorrente morte". Esse muro divisor teve grande significado para Paulo, que foi preso em Jerusalém por supostamente levar um gen­ tio para o pátio interno do templo (ver At 21.16-30). Paulo e outros cristãosjudeus reconheciam que o Deus que havia an­ teriormente residido no templo havia entrado na humanidade na pessoa de Jesus, o Messias. A morte de Jesus na cruz e sua ressurreição haviam, na verdade, rompido o muro divisor, efetuan­ do unidade espiritual entre judeus e gentios. Como resultado, Paulo sabia, todas as pessoas tinham acesso garantido a Deus por meio da fé salvadora em Jesus Cristo.

1V er "0 te m p lo de H erodes", e m M c 11.

Aviso colocado no templo de Jerusalém

Preserving Bible Times; © dr. James C. Martin; usado com permissão do Museu de Israel

1918

EFÉSIOS

2.11

A Nova Humanidade em Cristo

11 Portanto, lembrem-se de que anteriormente vocês eram gentios" por nascimento6 e chamados incircuncisão pelos que se chamam circuncisão, feita no corpocpor mãos humanas,ue que,12naquela época, vocês estavam sem Cristo, separados da comunidade de Israel, sendo estrangeiros quanto às alianças da promessa,vsem esperançawe sem Deus no mundo.13 Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados* mediante o sangue de Cristo.v 14 Pois ele é a nossa paz, o qual de ambos fez umz e destruiu a barreira, o muro de inimizade, 15 anulando em seu corpo3 a Lei dos mandamentos expressa em ordenanças.*> 0 objetivo dele era criar em si mesmo,c dos dois, um novo homem, fazendo a paz,16 e reconciliar com Deus os dois em um

corpo, por meio da cruz,dpela qual ele destruiu a inimizade.17 Ele veio e anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto,e 18 pois por meio dele tanto nós como vocês temos acesso* ao Pai,s por um só Espírito.h

2.12 <GI 3.17;

"1TS4.13

2.1

3 *v. 17;

At 2.39; >01.20

2.1

4 -1 Co 12.13

. 1 5 = 0 1.21,22; »CI 2.14; =GI 3.28 .1 6 dC11.20,22

.17 *S1148.14;

2

2

2

IS 57.19

2.1803.12;

»C11.12;

1 Co 12.13 2.19'v. 12; IFp 3.20; *GI 6.10

2.2 0 'Mt 16.18; Ap 21.14;

m1Pe2.4-8

2 2 1 "1Co 3.16,17

19 Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros,' mas concidadãosi dos santos e mem­

bros da família de Deus,k20 edificados sobre o fundamento1dos apóstolos e dos profetas, tendo Jesus Cristo como pedra angular,m21 no qual todo o edifício é ajustado e cresce para tornar-se um santuário santo" no Senhor. 22 Nele vocês também estão sendo edificados juntos, para se tornarem morada de

Deus por seu Espírito.

O Apóstolo dos Gentios

3 Por essa razão oro, eu, Paulo, prisioneiro0 de Cristo Jesus, em favor de vocês, gentios.

2

3.1 °At23.18;

04.1

Certamente vocês ouviram falar da responsabilidade imposta a mim em favor de vocêsP pela

32 PC11.25

graça de Deus, 3 isto é, o mistério0 que me foi dado a conhecer por revelação/ como já lhes escrevi em poucas palavras. 4 Ao lerem isso vocês poderão entender a minha compreensãos do mistério de Cristo.5 Esse mistério não foi dado a conhecer aos homens doutras gerações, mas agora foi revelado pelo Espírito aos santos apóstolos e profetas* de Deus,6 significando que, mediante o evangelho, os gentiosusão co-herdeiros com Israel, membros do mesmo corpo,ve co-participantes da promessa em Cristo Jesus. 7 Deste evangelho" tornei-me ministro pelo dom da graça de Deus, a mim concedida pela operação de seu poder*

3.3 «Rm16.25;

'1Co 2.10

3.4 s2Co 11.6

3.5flm 16.26

3.6 “Gl 3.29;

«Ef 2.15,16

3.7 »1Co 3.5;

«1.19

8 Embora êu seja o menor dos menores de todos os santos,*1foi-me concedida esta graça de anun­

3.8 HCo 15.9

ciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo 9 e esclarecer a todos a administração deste mistério2 que, durante as épocas passadas, foi mantido oculto em Deus, que criou todas as coisas.10 A intenção dessa graça era que agora, mediante a igreja, a multiforme sabedoria de Deus3 se tornasse conhecidab dos poderes e autoridades0 nas regiões celestiais'1, 11 de acordo com o eterno plano que ele realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor,12por intermédio de quem temos livre acesso a Deusdem confiança,e pela fé nele.13 Portanto, peço a vocês que não desanimem por causa das minhas tribulações em seu favor,

pois elas são uma glória para vocês.

3.9 -Rm 16.25

3.10 a1Co 2.7;

b1Pe 1.12; cEf 1.21

3.12 «Ef 2.18;

eHb 4.16

A Oração de Paulo pelos Santos

14 Por essa razão, ajoelho-me* diante do P ai,15 do qual recebe o nome toda a famüiac nos céus e

3 .1 4

*Fp 2 :1 0

na terra.16 Oro para que, com as suas gloriosas riquezas, ele os fortaleça no íntimoa do seu ser com poder,*1por meio do seu Espírito,17 para que Cristo habite no coração' de vocês mediante a fé; e oro para que, estando arraigados) e alicerçados em am or,18vocês possam, juntamente com todos os san­ tos, compreender a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,1519e conhecer o amor de Cristo que excede todo conhecimento, para que vocês sejam cheios1de toda a plenitude de Deus.m

0 2 .1 1 Isto é, os que não são judeus; também em 3.1,6,8 e 4.17.

b

c 2 .1 1 Grego: carne; também no versículo 15.

d

e 3 .1 5 Ou do qual se deriva toda a paternidade.

2 .1 1 Grego: gentios na carne.

3 .1 0 Ou no mundo espiritual.

3 .1 6 aC11.11; hRm 7 .22

3 .1 7 ü o 14.23; ÍC I1.23

3 .1 8 kJÓ 11.8,9

3 . 1 9 'Cl 2.10; "E t 1.23

2.11 A maioria dos efésios era gentia. O rito da circuncisão era aplicado

3.1 Ao que parece, Paulo estava em prisão domiciliar na época — pos­

a todos os bebês judeus do sexo masculino, de modo que esse ato físico (“feita no corpo por mãos humanas”) era uma nítida marca de distinção

sivelmente em Roma (ver At 28.16,30; ver também “Prisão no mundo romano: na prisão versus prisão domiciliar”, em At 26).

entre judeus e gentios, da qual os judeus se orgulhavam (ver “Circunci­

3.3

Sobre o “mistério”, ver nota em Rm 11.25.

são no mundo antigo”, em Rm 3).

3.14

Ficar de joelhos expressava profunda emoção e reverência, o povo

2.14 O “muro da inimizade” pode ser uma alusão à divisória que havia

na área do templo de Jerusalém e demarcava o limite da distância permi­ tida aos gentios (ver “O muro divisor do pátio dos Gentios no templo de

Herodes”, em Ef 2). Paulo usa esse muro como ilustração da separação religiosa que existia entre judeus e gentios.

2.19 Na Antiguidade, a família consistia do que hoje podemos chamar

“família estendida”.

dos dias de Paulo costumava orar de pé.

3.15 A palavra grega traduzida por “família” é semelhante à palavra que

significa “pai”. Assim, pode-se dizer que a “família” extrai seu nome (e existência) do “pai”.

3.17 O coração, para na época de Paulo, era sinônimo de todo o interior

de uma pessoa (ver nota em SI 4.7).

EFÉSIOS

4.31

1919

3.20 "Rm16.25

20 Àquele que é capazn de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de

3.21 °Rm11.36

acordo com o seu poder que atua em nós,21 a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as

4 .1 PEf 3.1; PFp 1.27; Cl 1.10

4 . 2 rCI 3.12,13;

•EM.4

4 . 3 *CI 3.14

4 . 4 U1Co 12.13

4 . 5 vRm11.36

4.7*1Co 12.7,11;

xRm 12.3

4.8vCI 2.15; *SI

68.18

4 .1 1 «1Co 12.28; bAt 21.8

4.121 Co 12.27

4.13 «V.:3,5;

«Cl 1.28 4.14*1Co 14.20; sTg 1.6; fEf6.11

4.15 'Ef 1.22

4.16JQ 2.19

4

. 1 7 Wm 1.21

4

. 1 8 iRm1.21;

 

mEf 2.12;

n2Co3.14

4.19°1Tm4.2;

pRm1.24; Cl 3.5

4

. 2 2 IPe 2.1;

sRm 6.6 4 . 2 3 «Cl 3.10

4

. 2 4 JRm 6.4;

vEf 2.10

4

. 2 5 "Zc 8.16;

 

<Rm12.5

4 . 2 8 >At 20.35; >1Ts 4.11;»Lc 3.11

4 . 2 9 “Cl 3.8

4 . 3 0 c1Ts 5.19;

«m 8.23

4 .3 1 'Cl 3.8

gerações, para todo o sempre! Amém!0

A Unidade do Corpo de Cristo

4 Como prisioneiroP no Senhor, rogo-lhes que vivam de maneira dignai da vocação que receberam.

2Sejam completamente humildes e dóceis, e sejam pacientes, suportando uns aos outrosrcom amor.s

3Façam todo o esforço para conservar a unidade1do Espírito pelo vínculo da paz.4 Há um só corpo e um

só Espírito,uassim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só ;5 há um só Senhor,

uma só fé, um só batismo,6 um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos.v

7 E a cada um de nóswfoi concedidax a graça, conforme a medida repartida por Cristo.8 Por isso

é que foi dito:

“Quando ele subiu em triunfo às alturas, levou cativosv muitos prisioneiros, e deu dons aos homens”fl.z

9 (Que significa “ele subiu”, senão que também havia descido às profundezas da terra*7? 10 Aquele

que desceu é o mesmo que subiu acima de todos os céus, a fim de encher todas as coisas.)11E ele de­

signou alguns para apóstolos,3 outros para profetas, outros para evangelistas,be outros para pastores e mestres,12 com o fim de preparar os santos para a obra do ministério, para que o corpo de Cristoc seja edificado,13 até que todos alcancemos a unidadedda fé e do conhecimento do Filho de Deus, e che­ guemos à maturidade,e atingindo a medida da plenitude de Cristo.14 O propósito é que não sejamos mais como crianças,f levados de um lado para outro pelas ondas,9 nem jogados para cá e para lá por

todo vento de doutrina e pela astúcia e esperteza de homens que induzem ao erro.h 15 Antes, seguindo

a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça,' Cristo.16Dele todo o corpo, ajustado e

unido pelo auxílio de todas as juntas, crescei e edifica-se a si mesmo em amor, na medida em que cada

parte realiza a sua função.

O Procedimento dos Filhos da Luz

17 Assim, eu digo a vocês, e no Senhor insisto, que não vivam mais como os gentios, que vivem na

inutilidade dos seus pensamentos.k 18 Eles estão obscurecidos no entendimento1e separados da vida de Deusmpor causa da ignorância em que estão, devido ao endurecimento do seu coração.n 19 Tendo perdido toda a sensibilidade,0 eles se entregaramP à depravação,1! cometendo com avidez toda espécie

de impureza.

20 Todavia, não foi isso que vocês aprenderam de Cristo.21 De fato, vocês ouviram falar dele, e nele

foram ensinados de acordo com a verdade que está em Jesus. 22 Quanto à antiga maneira de viver,

vocês foram ensinados a despir-ser do velho homemc,s que se corrompe por desejos enganosos, 23 a

serem renovados no modo de pensar* e 24 a revestir-se do novo homem,u criado para ser semelhante

a Deus em justiça e em santidadevprovenientes da verdade.

25 Portanto, cada um de vocês deve abandonar a mentira e falar a verdadewao seu próximo, pois todos

somos membros de um mesmo corpo* 26“Quando vocês ficarem irados, não pequem”1*. Apazigúem a sua

ira antes que o sol se ponha 27 e não deem lugar ao Diabo.28 O que fartava não farte mais; antes trabalhe,y fazendo algo de útil com as mãos,2para que tenha o que repartir com quem estiver em necessidade.3

29 Nenhuma palavra torpe saia da boca de vocês,b mas apenas a que for útil para edificar os outros,

conforme a necessidade, para que conceda graça aos que a ouvem.30Não entristeçam o Espírito Santo

de Deus,c com o qual vocês foram selados para o dia da redenção.d 31 Livrem-se de toda amargura,

«

4 .8

SI 68.18.

b

4 .9

Ou regiões mais baixas, à terra.

c

4 .2 2 Isto é, da velha vida dos não regenerados.

4 .2 6

SI 4.4.

4.1 Sobre a condiçáo de “prisioneiro”, ver nota em 3.1.

4.2 A antiga cultura grega geralmente via a humildade, a submissão, a

bondade e o autossacrificio de forma negativa, como fraquezas, mas Paulo

ensina que o amor experimentado em Cristo deve ser estendido aos outros.

4.5 “Batismo”, nesse contexto, provavelmente é o batismo nas águas,

não o batismo no Espírito (ver “Batismo no mundo antigo”, em Mt 3).

4.14 Existiam na época muitas doutrinas distorcidas e heresias capazes

de desviar os cristãos imaturos (ver “Heresias no cristianismo primitivo”, em 2Co 10).

4.22,23 Os gregos antigos acreditavam que os desejos corrompiam e destruíam a vida, por isso buscavam se libertar dos desejos. Na verdade, viam as paixões como doenças da mente. Viver livre de desejos era sinal de sabedoria e maturidade. Mas ninguém podia alcançar tal status. A solução não era rejeitar os desejos, e sim sujeitá-los a Deus. 4.30 Sobre os “selados”, ver nota em 1.13.

AUTORIA

' DE

EFÉSI OS

EFÉSIOS4 Paulo escreveu realmente

a carta aos Efésios? A resposta é de

grande importância para a autori­ dade canônica da carta. Em Efésios 3.1-7, Paulo enfatiza sua autoridade apostólica (ver também ICo 9.1,2; 2Co 12.11,12; Gl 1.1). Dessa forma, a rejeição à autoria paulina diminuiria significativamente a autoridade da

carta.1

Alguns especialistas questionam

a autoria de Paulo porque seu voca­

bulário nessa carta difere em certa medida do que vemos em suas ou­ tras cartas, e as sentenças em Efésios são muito longas e complexas, o que não corresponde ao seu estilo. A teo­ logia de Efésios também incorpora a ideia da Igreja universal, sugerindo

que essa carta pode ser datada de uma época posterior à morte do apóstolo, quando a Igreja estava mais bem estabelecida, e a teologia, mais desenvolvida (embora Paulo sem dúvida apoiasse esse conceito). As cartas aos Efésios e aos Colossenses são, na verdade, bastante parecidas, o que levanta a possibilidade de que Efésios tenha usado Colossenses como modelo, porém muito mais tarde e por um autor diferente. Outras evidências, no entanto, apoiam a autoria paulina:

Vista aérea da parte oriental de Éfeso, da qual se vê o teatro e a rua central da cidade

© Dr. James C. Martin

para tratar de uma controvérsia particular, falta o tom direto, pode­ roso e, às vezes, severo encontrado nas cartas de 1Coríntios e Gálatas.

♦ A estrutura de Efésios, que se move de uma base doutrinária (cap.

1— 3) à exortação prática (cap. 4— 6), também é encontrada em cartas de autoria inquestionavelmente paulinas, como Romanos e Gálatas.

♦ A teologia de Efésios é consistente com a mensagem de Paulo encontrada em outros lugares. Por exemplo, a descrição do pecado dos gentios em 4.17-19 é bem semelhante à que se lê em Romanos

1.21-23.

♦ Pequenas diferenças entre essa e outras cartas podem, na verdade, apoiara autoria paulina de Efésios, em que Paulo, às vezes, utiliza ideias conhecidas em novas instruções. Por exemplo, a imagem da Igreja como Corpo de Cristo (4.15,16) é expressa de forma diferente do que lemos em Romanos 12.3-5, porém as duas passagens são exemplos do que significava uma igreja-padrão para Paulo. Alguém que imitasse Paulo provavelmente não teria usado essa ideia numa nova instrução, mas teria preferido a metáfora encontrada em Romanos.

Além disso, as similaridades entre Efésios e Colossenses não su­ gerem uma autoria não paulina. 0 mesmo autor poderia muito bem ter escrito duas cartas com estilo e conteúdo similares quase ao mes­ mo tempo. Paulo pode simplesmente ter endereçado pensamentos similares a públicos diferentes.

♦ A própria carta afirma duas vezes que Paulo é seu autor e contém material biográfico correspondente à vida de Paulo (3.1-13).

♦ Destaques pessoais estão de acordo com a autoria paulina (ver 6.21,22).

♦ Séculos de tradição da igreja apoiam essa premissa. A autentici­ dade da carta nunca foi questionada pela igreja primitiva.

♦ Analisar o estilo de escrita de Éfeso é um processo muito subjetivo para ser levado a sério na discussão da autoria paulina. Sem dúvida, Paulo era capaz de empregar variedade em seu estilo de escrita. Por toda a carta, criou um contexto louvável, particularmente em 1— 3, e o estilo elevado de escrita era apropriado à luz da descrição que o livro faz da exaltação dos crentes em Cristo.

♦ A sugestão de que Efésios possivelmente foi escrita como carta circular (i.e., pretendida para várias igrejas e não endereçada a uma crise específica de uma determinada igreja) também pode ajudar a con­ siderar suas diferenças estilísticas. Como a epístola não foi escrita

'Ver também "A autoria das Epístolas Pastorais", em ITm 2; e "As cartas no mundo greco-romano", em 2Co 3.

SE

EFÉSIOS

5.5

1921

4.32 <Mt 6.14,15

5.1 =U 6.36

5.2 "Gl 1.4; '2Co 2.15; Hb 7.27

5.3iQ 3.5

5.4W . 20

5 . 5 'Cl 3.5; ■1 Co 6.9

indignação e ira, gritaria e calúnia, bem como de toda maldade.e 32 Sejam bondosos e compassivos uns para com os outros, perdoando-se mutuamente, assim como Deus os perdoou em Cristo.*

5 Portanto, sejam imitadores de Deus,9 como filhos amados, 2 e vivam em amor, como também

Cristo nos amou e se entregou por nóshcomo oferta e sacrifício de aroma agradável a Deus.'

3 Entre vocês não deve haver nem sequer menção de imoralidade sexual como também de ne­

nhuma espécie de impureza e de cobiça^ pois essas coisas não são próprias para os santos.4 Não haja obscenidade, nem conversas tolas, nem gracejos imorais, que são inconvenientes, mas, ao invés disso, ações de graças.k5Porque vocês podem estar certos disto; nenhum imoral, ou impuro, ou ganancioso,

5 .2 No AT, a oferta sacrifical agradava tanto ao Senhor que era descrita como “aroma agradável” (Gn 8.21; Êx 29.18,25,41).

efésios s 0 culto a Dionísio, o deus do vinho, também chamado Baco, parece ter migrado da Ásia para a Grécia antiga. A adoração a Dionísio era conhecida por seu

caráter desenfreado e por orgias que envol­ viam o consumo de vinho, a música, a dan­

ça e o sexo (embora as festas oficialmente

sancionadas pelas cidades gregas tendiam

a subestimar alguns dos elementos mais perturbadores). Eurípedes, antigo dramaturgo grego,

incluiu um memorável relato do culto a Dionísio em sua peça /Is bacantes, que destaca os esforços de Penteu, rei de Tebas, em conter o culto a Dionísio

em sua cidade. No final da peça, de­

votas frenéticas de Dionísio (um grupo que incluía a mãe de Pen­ teu) cortaram o infeliz monarca pedaço por pedaço. 0 culto permaneceu popular durante todo o período helenístico. Embora suprimido em Roma no século

II a.C., o culto a Dionísio experimentou

um renascimento, tornando-se uma reli gião autorizada do Império Romano,

estava de fora, às vezes, confundia a adora­

ção judaica com a de Dionísio, talvez pelas

seguintes razões;

❖ Antes da revolta judaica dos macabeus, que começou em 167 a.C., os senhores gregos forçavam

O culto a Dionísio

os escravos judeus a participar do culto a Dio­ nísio (ver 2Mc 6.7).1-2 Aqueles observadores talvez pensassem que os judeus cultuavam Dionísio voluntariamente.

❖ A sociedadejudaica usava símbolos tam­ bém assodados ao culto a Dionísio (como folha de videira, cacho de uvas e taças). • f Adoradores extáticos de Dionísio sempre gritavam a frasesemsentido: EuoeSaboe!Isso podeter sidoconfundido como termojudaico para Deus, Yahweh Sabaot, que, às vezes, era pronunciado lao Sabaoth.

A embriaguez dionisíaca era mais que mera autoindulgência: era uma espiritualidade simulada.3 Nos rituais frenéticos e extáticos desse culto, a embriaguez com vinho era tida como o estar cheio do espírito de Dionísio. Alguns neófitos da Ásia Me­ nor estavam provavelmente levando essa forma de adoração para a igreja ao associar o vinho com a plenitude que ninguém confundisse o frenesi da embria­ guez com o poder do Espírito. Repudiava esse conceito e denunciava a embriaguez, ao mesmo tempo em que associava a plenitude do Espírito com outras atividades.

10 livro de 2Macabeus é apócrifo e nunca foi

aceito no cânon protestante padrão.

2Ver

também "0 período intertestamental", em

Ml 3.

3Ver também "Os deuses dos

gregos e dos romanos", em Gl 4; e "Religiões de mistério", em Cl 3.

0 deus grego Dionísio (Baco)

Preserving BibleTimes; © dr. James C. Martin; usado com permissão do Museude Seljuk

1922

EFÉSIOS

5.6

que é idólatra,1tem herança no Reino de Cristo e de Deus“.m«Ninguém os engane com palavras tolas, pois é por causa dessas coisas que a ira de Deus" vem sobre os que vivem na desobediência.7Portanto, não participem com eles dessas coisas.

8 Porque outrora0 vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Vivam como filhos da 1uz,p

9 pois o frutofl da luz6 consiste em toda bondade, justiça e verdade;10e aprendam a discernir o que é

agradável ao Senhor.11 Não participem das obras infrutíferas das trevas; antes, exponham-nas à luz.

12 Porque aquilo que eles fazem em oculto, até mencionar é vergonhoso.13 Mas, tudo o que é exposto

pela luzr toma-se visível, pois a luz torna visíveis todas as coisas . 14 Por isso é que foi dito:

“Desperta, ó tu que dormes,s levanta-te dentre os mortos* e Cristo resplandecerá sobre ti”.u

Vida em Comunidade

5 .6 nRm1.18

5 .8 °Ef 2.2;

»Lc16.8

5 .9 «Gl 5.22

5.14*Rm 13.11;

U o 5.25; "Is 60.1

15 Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como

sábios,16 aproveitando ao máximo cada oportunidade,v porque os dias são maus.w 17 Portanto, não

sejam insensatos, mas procurem compreender qual é a vontade do Senhor*18 Não se embriaguem com vinho,v que leva à libertinagem, mas deixem-se encher pelo Espírito,2 19 falando entre vocês com salmos, hinos e cânticos espirituais,3 cantando e louvando de coração ao Senhor,20 dando graçasb constantemente a Deus Pai por todas as coisas, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo.

21 Sujeitem-se uns aos outros,0 por temor a Cristo.

Deveres Conjugais

22 Mulheres, sujeite-se cada uma a seu marido,d como ao Senhor,e 23 pois o marido é o cabeça da

mulher, como também Cristo é o cabeça da igreja,' que é o seu corpo, do qual ele é o Salvador.24Assim como a igreja está sujeita a Cristo, também as mulheres estejam em tudo sujeitas a seus maridos.

25 Maridos, ame cada um a sua mulher,s assim como Cristo amou a igreja e entregou-se por elah

26para santificá-la, tendo-a purificado pelo lavar da água' mediante a palavra,27 e para apresentá-la a si mesmo como igreja gloriosa, sem mancha nem ruga ou coisa semelhante, mas santa e inculpáveU

28 Da mesma forma, os maridos devem amar cada um a sua mulher15como a seu próprio corpo. Quem

ama sua mulher, ama a si mesmo.29Além do mais, ninguém jamais odiou o seu próprio corpos antes

o alimenta e dele cuida, como também Cristo faz com a igreja,30 pois somos membros do seu corpo.1

31 “Por essa razão, o homem deixara pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só

carne.”m,í 32 Este é um mistério profundo; refiro-me, porém, a Cristo e à igreja.33 Portanto, cada um de vocês também ame a sua mulher" como a você mesmo, e a mulher trate o marido com todo o respeito.

«

5 .5

Ou Cristo e Deus.

6

5 .9

Alguns manuscritos dizem ofruto do Espírito.

c

5 .2 9 Grego: carne.

d

5 .3 1 Gn 2.24.

5 .1 6 >CI 4.5;

»Ef 6.13

5.17 "R m 12.2;

1TS4.3

5.18 »Pv 20.1;

zLc 1.15

5 . 1 9 * 1 6 . 2 5 ;

0

5 .2 0 »SI 34.1

5.21 <£15.13

3.16

5.22 «Gn 3 .16;

1P e3.1,5,6;

•E f6 .5

5.23 >1Co

11.3; Ef 1.22

5.25 «Cl 3 .19; »v. 2

5.26 'At 22.11

5.27 « 1 . 4 ;

Cl 1.22

5.28*». 25

5.30'1 Co 12.27

5.31 mGn 2 .24;

M t 19.5; 1Co 6.16

5.33 ”V. 25

5.14 Essa citaçáo talvez seja de um hino cantado pelos primeiros cristáos

(ver “Hinódia cristã primitiva”, em Tg 5).

5.18 Ver “Vinho e bebida alcoólica no mundo antigo”, em lPe 4.

5.22— 6.9 “Códigos familiares” é o título designado às seções que con­ têm instruções às esposas, maridos, filhos e pais e escravos e senhores, encontradas em Efésios, Colossenses e 1Pedro. Diferentemente dos “có­ digos familiares” dos dias de hoje, os do NT destacavam as responsabili­ dades dos poderosos da sociedade (maridos, pais e senhores) em relação

aos dependentes e vulneráveis (ver “Maridos e esposas: vida familiar no mundo greco-romano”, em Ef 6; e “A conduta das esposas”, em lPe 3).

5.23 Para mais informações sobre Jesus como Salvador, ver nota em

Lc 2.11.

5.32 Aqui, a Vulgata traduz a palavra “mistério” por sacramentum. Nos

períodos clássicos, sacramentum tinha pelo menos dois sentidos: 1) termo técnico legal para denotar a quantidade de dinheiro que as duas partes de um processo depositavam num templo, do qual o vencedor tinha sua parte devolvida, enquanto o que perdeu tinha sua parte confiscada para

o tesouro do templo; 2) termo técnico militar para designar o juramento

de obediência de um soldado ao seu comandante. No NT grego, não há nenhuma palavra que corresponda a sacramentum, tampouco a en­ contramos na história mais antiga do cristianismo para fazer referência

a certos ritos da igreja. Plínio, o Jovem (ca. 112 d.C.), usa o termo em

conexão com o cristianismo na famosa carta em que ele afirma que os cristãos da Bitínia se obrigaram “por meio de um sacramentum a não cometer nenhum tipo de crime”, mas é duvidoso que ele esteja usando a palavra com alguma nuance cristã de sentido. A palavra sacramentum foi usada com sentido cristão pela primeira vez na Latina antiga e em Tertuliano (final do séc. II). Na Latina antiga e na Vulgata, foi empregada, como aqui, para traduzir o grego mysterion (“mistério”; ver lTm 3.16; Ap 1.20; 17.7). Durante muito tempo, a palavra foi usada com referên­ cia não apenas aos ritos religiosos, mas também às doutrinas e verdades (ver também nota em Rm 11.250. 6.1 Na Bíblia, “pais” (gr. goneis) é uma palavra distinta do NT, ocor­ rendo apenas no plural. Embora a ocorrência dessa palavra, em nosso idioma, seja rara no AT, há muita instrução ali sobre a relação entre pai e filho. Os filhos devem honrar os pais (Ex 20.12), obedecer a eles e reverenciá-los (Lv 19.3; Dt 5.16). O filho que não agisse assim poderia ser punido com a morte (Dt 21.18-21). O mesmo respeito pelos pais era esperado dos filhos no NT (ver Cl 3.20). Os pais deviam, por sua vez, amar os filhos, cuidar deles, prover-lhes subsistência e evitar irritá-los (ver 2Co 12.14; Cl 3.21). 6.5-9 No mundo greco-romano, a escravidão era considerada uma ne­ cessidade econômica e útil, uma parte importante da vida. É possível que até um terço da população que vivia na Grécia e em Roma fosse

EFÉSIOS

6.6

1 9 2 3

6.1 "Cl 3.20 6.3 PÊx 20.12

3.21;

'G n 18.19; D l 6.7

6.4

" 0

6 .5 s1Tm 6.1;

W 3.22; “Ef 5.22

Deveres de Pais e Filhos

6 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.0 2 “Flonra teu pai e tua mãe” - este é o primeiro mandamento com promessa - 3 “para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”“.P

4 Pais, não irritem seus filhos;^ antes criem-nos segundo a instrução e o conselho do Senhor/

Deveres de Escravos e Senhores

5Escravos, obedeçam a seus senhores terrenos com respeitos e temor, com sinceridade de coração,*

como a Cristo.ü6 Obedeçam-lhes, não apenas para agradá-los quando eles os observam, mas como

" 6 .3 D t 5.16.

NOTAS

H I S T Ó RI C A S

E CULTURAI S

Maridos e esposas: vidafam iliar no mundo greco-romano

EFÉSIOS 6 A frase latina pater familias, que

no período de Augusto, uma mulher romana

significa "pai da família", indicava a posição do pai romano como cabeça de sua casa.1 Os escritores romanos discutiam a vida da família com base em três conjuntos de rela­ çõesfundamentais: maridos e mulheres, pais

que tivesse no mínimo três filhos estava livre para administrar negócios por sua conta. Algumas mulheres romanas eram reconhe­ cidas por sua sabedoria e virtudes. Por exemplo, o estadista romano Cícero lia e

e

filhos, senhores e escravos.2Esse modelo de

admirava as cartas de uma famosa matrona

organização, chamado "código familiar", era

romana chamada Cornélia.

estritamente hierárquico. Ao seguir o código,

Os estudantes modernos da Bíblia devem

patriarca/chefe da família aderia ao geral­

o

mente aceito "modo correto" de govemá-la. Na cultura romana, as pessoas entendiam que a estabilidade e a estrutura da sociedade

ter cautela com as afirmações populares, porém falsas, de que as mulheres e jovens, mesmo nos escalões mais altos da sociedade romana, eram consideradas mera proprieda­

estavam radicadas na estrutura e estabili­

de

e equiparadas aos animais domésticos, ou

dade da família. 0 próprio império era visto

que os romanos não tinham amor por suas

como uma grande família: o imperador ro­

mulheres e filhas. A mulher romana tinha

mano ficava no topo, e os demais tinham um

de

fato menos direitos legais que o homem,

lugar pré-determinado e designado. Esperava-se do pai a subsistência da

contudo ela e os filhos (inclusive as filhas) ainda tinham direitos e geralmente desfru­

família, embora as mães exercessem uma influência moral mais direta sobre os filhos.

tavam profunda afeição do marido e pai. Cícero nutria imenso carinho por sua filha

medida que o filho crescia, entretanto, o pai assumia a responsabilidade maior por

À

Túlia e ficou arrasado quando ela morreu. Plínio, o Jovem, outro romano, escreveu cari­

e

sua educação e disciplina. A mãe romana tinha um lugar de alta honra na sociedade, e esperava-se que ela se comportasse com honra e castidade.

nhosas cartas de amor à sua mãe, Calpúrnia. Muitos epitáfios gregos e romanos re­ latam o grande pesar e a afeição por mães

Ela lidava com as responsabilidades do dia

irmãs falecidas, e epitáfios para maridos falecidos também são carinhosos. Uma

a

dia da família, portava as chaves da casa

viúva enlutada descrevia a união amorosa

e

gerenciava os servos domésticos. Iniciando

'Ver também "0 papel do patriarca na vida familiar", em Gn 18.

2Ver "Escravidão no mundo greco-romano", em Fm.

que viveram desde o momento em que se encontraram. Seria imprudente projetar perspectivas culturais e de atitudes sobre os povos anti­ gos, porque sua ordem social era hierárquica e os casamentos eram geralmente arranja­ dos. Para informações adicionais sobre as mulheres durante o período do NT, ver "0 papel da mulher na vida religiosa no mundo greco-romano", em 1Co 14; e "A con­ duta das esposas", em 1Pe 3. Portanto, Paulo, em Efésios 5.25— 6.8, não surpreende ao presumir uma ordem

social de cima para baixo, dominada pelos homens. Além disso, os habitantes do mun­ do romano teriam considerado estranha ou

revolucionária a determinação de que o ma­ rido deve amar a esposa (5.25-33).

1924

EFÉSIOS

6.7

escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus.7 Sirvam aos seus senhores de boa vontade, como servindo ao Senhor, e não aos homens,v8porque vocês sabem que o Senhor recompensará cada um pelo bem que praticar," seja escravo, seja livre. 9 Vocês, senhores, tratem seus escravos da mesma forma. Não os ameacem, uma vez que vocês sabem que o Senhor deles e de vocês* está nos céus, e ele não faz diferença entre as pessoas.

A Armadura de Deus

10 Éinalmente, fortaleçam-se no Senhor* e no seu forte poder.211 Vistam toda a armadura de Deus,a para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo,12pois a nossa luta não é contra seres humanos11, mas contra os poderes e autoridades,15contra os dominadores0 deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais6.1113 Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que pos­ sam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo.14Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade,e vestindo a couraça da justiça*15e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz.9Além disso, usem o escudo da fé,hcom o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno.17 Usem o capacete da salvação' e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus j 18 Orem no Espírito em todas as ocasiões,k com toda oração e súplica;1tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos. 19 Orem também por mim,mpara que, quando eu falar, seja-me dada a mensagem a fim de que, destemidamente," tome conhecido o mistério do evangelho,20 pelo qual sou embaixador0 preso em correntes.P Orem para que, permanecendo nele, eu fale com coragem, como me cumpre fazer.

6 .7 «Cl 3.23

6.8 «Cl 3.24

6.1051Co 16.13;

f

.1 1 *Rm 13.12 . 1 2 bEf 1.21; Rm 8.38; € f 1 . 3

6

6

í

1.19

I

311.5;

s 59.17

6

. 1 5

9ls 52.7

6

. 1 6 h1 Jo 5.4

. 1 7 'Is 59.17; JHb 4.1 2

18.1;

6

6

. 1 8 1 c

•M l 26.41; Fp 1.4

6

. 1 9 m1Ts

5.25;

"A t 4.29; 2Co 3.12

6 .2 0 °2Co 5.20; PAt 21.33

Saudações Finais

21 Tíquico,<i o irmão amado e fiel servo do Senhor, informará tudo a vocês, para que também

6 .2 1 oAt 20.4

saibam qual é a minha situação e o que estou fazendo.22 Enviei-o a vocês por essa mesma razão, para

que saibam como estamosr e para que ele os encoraje.

6 . 2 2 «Cl 4 .7 -9

23 Pazs seja com os irmãos e amor com fé da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.24 A graça

6 .2 3 ®GI 6.16;

seja com todos os que amam a nosso Senhor Jesus Cristo com amor incorruptível.

1 Pe 5.14

0

6 .1 2 Grego: contra carne e sangue.

b

6 .1 2 Ou no mundo espiritual.

composto de escravo nos dias de Paulo. A pessoa tornava-se escrava por nascimento, pela venda ou abandono dos pais, ao ser aprisionada na

6.13,14 “Permanecer inabaláveis”, nesse contexto, ilustra não a invasão em massa pelo domínio do mal, e sim as lutas individuais dos soldados

guerra, pela incapacidade de pagar dívidas ou numa tentativa voluntária

na resistência a um ataque.

de

melhorar a própria situação. A raça não exercia nenhuma influência.

6.15

Enquanto a descrição dos pés do mensageiro de Is 52.7 reflete o

O

AT e o NT contêm regras para reger certas realidades sociais,

costume de correr com os pés descalços, aqui a mensagem do evange­

como a escravidão e o divórcio (ver “Escravidão no mundo greco-ro-

lho é ligada, de modo pitoresco, aos calçados protetores que o soldado

mano”, em Fm; e “Casamento e divórcio no antigo Israel”, em Ml 2).

Essas regras não encorajavam nem desculpavam tais situações, mas eram caminhos práticos dados por Deus para lidar com elas.

As instruções de Paulo aos escravos não perturbavam a ordem cul­

romano usava.

6.16 O grande escudo romano era revestido de couro e podia ser enchar­

cado de água e usado para apagar as flechas incendiárias.

6.17 O capacete protegia o soldado e, em algumas circunstâncias, cons­

tural, no entanto subvertiam o conceito de escravidão. Os donos de

tituía um símbolo notável de vitória militar.

escravos estavam perdendo o controle, pois os escravos cristãos agora

6.19

Sobre o “mistério”, ver nota em Rm 11.25.

abraçavam uma lealdade mais elevada que a devida a seus donos. Eles se

6.20

Sobre o “embaixador”, ver nota em 2Co 5.20.

tornavam escravos de Cristo, servindo-o e fazendo a vontade de Deus.

6.21

Tíquico era companheiro de Paulo e viajava como seu represen­

Além disso, os donos de escravos cristãos deviam tratar seus escravos da

tante.

mesma forma que os escravos deviam tratar seus senhores.

6.23

Sobre os “irmãos”, ver nota em Rm 1.13.