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O ROSACR JUNHO 1960 Exemplar: Cr§ 30,00 © REDENTOR OcULTO Novo Ponto de Vista Sdbre a Ressurreigéo AAA A ESPIRITUALIDADE NA VIDA TERRENA Sao Suficientes as Experiéncias Comuns? AAA A DESCOBERTA DO EU Um Reservatério Oculto de Capacidades AAA © MISTICISMO @ CIENCIA © ARTE AAA Préxima Edigéo: QUE PODEREMOS ESPERAR? aaa CAPA: A Eyolucéo do Homem JA SE SENTIU SO, alguma vez, em uma multiddo? J pensou que hd um meio silencioso de evitar que se torne um estranho entre outras pessoas? Eis um meio pratico de encontrar aquéles que se adaptardo 4 sua ma- neira de encarar a vida. Esse meio pratico e especial de identificagéo, pre- parado especialmente para os nossos afiliados, é o EMBLEMA ROSACRUZ. € um sinal conhecido pelos Rosacruzes de tédas as partes do mundo Esse emblema ¢ distinto, assim como sdbrio, fabricado em metal amarelo inoxidavel, com parte esmaltada, Esse pequeno e sdbrio distintivo apre- senta o desenho de um triéngulo encimado por uma cruz egipcia, tendo, no centro, uma rosa. Preeo porte page Cr§ 195,00 (Erm coda publicagéo, esta pagina & dedicada & exibigdo de artigos de interésse para os Membros) FACA SUA ENCOMENDA AO DEPARTAMENTO ROSACRUZ DE SUPRIMENTOS, AMORC BOSQUE ROSACRUZ — CURITIBA — PARANA DR. H. SPENCER LEWIS No préximo dia 2 de ca8sto, comemora-se o aniversirio da transicdo do Imperator Rosacruz, Dr. H. Spencer Lewis, ocorrido em 1939. Foi éle quem fundou 0 segundo ciclo da Ordem Rosccruz AMORC, na América, cuja influércia, desde ent&o, se espalhou por todo 1 mundo. Terca-feira, 2 de agésto, seré celebrade, no Parque Roszcruz, em San Jose, Cali fémio, EU.A., 0 ceriménia cnual, breve, em homenagem @ sua meméria, Pera moiores dotalhes, consultar a pagina 113, PENSAMENTOS ... JA leu algumas obras sdbre 0 Talvez j6 tenha ouvido lon. ricos a seu respeito, Pode te ésses_mesmos escritores e oradores sdbre 0 poder da mente sobem como usé-lo. Quantas montanhas de obsticulos pessoais — experién- clas @ tribulacées didrias — tém éles remo- vido? Quais so ses. prinefpios sutis pelos quais pode © Homem, dextramente, remover os arreiras que impedem seu progresso? Como re- mover os obstrucies e obstéculos a0 seu objetivo, ‘as montanhas de sua vida? Pode a informacda prética sbbre os poderes ocultos ser reduzida 0 palaveos... polavras para dissey publica? Ou hé um método secreto, especial e tnicamente, pare © Buscador sineero praticado, openos, sob circunstincias ideais? Se ‘ssim, quem tem o método secreto? Onde pode ser éle encontrado? Conheca os Rosacruzes (Or gonizagdo NAO religiosa) @ mois ontiga frater~ filoséfica da Terra e verifique 130 the podem indicar um métedo para 1g como jemais sonhou. Milhares de OT CNN homens ¢ mulheres, hoje, estéo desfrutando do dominio mental... @ realizacéo de ideais. ‘com o consecucio dle seus ebjetives. les eonhecem 05 métorios secretes para converter as montanhas de problemas pessoais, em voles verdes de reali- ACEITE STE LIVRETO GRATIS Um exemplar, grétis, do "O Dominio da Vida" se solicitede. Ele explica quéo facil- mente poderé entrar na Senda para a tealizacéo. Proencha e envie © cupde abaixo, hoie! AMOR) OS ROSACRUZES (AMORC) — Bosque Rosacruz — Curitiba — Parana Q — —————— — 2 O ROSACRUZ ORGAO OFICIAL DA UNIVERSAL ORDEM ROSACRUZ Vou. 11 JUNHO, 1960 Ne 5 Dr. H. Spencer Lewis (Frontispicio) .... wees 97 Pensamento do Més: A Descoberta do Eu . +++ 100 A Espiritualidade na Vida Terrena ..... 104 Comegou no Egito — Monoteismo . 105 A Crianca é 0 produto de sua Educagao .. 106 Contatos com a Catedral: A Respensabilidade do Futuro ...... 107 Os Misticos Devem, Também, Enfrentar a Vida . oa 109 Primeiros Manifestos Rosacruzes . eeeeeeeL 10) In Memoriam ........ ereaelis O Redentor Oculto 114 Ecos do Templo 120 Assinatura anucl de “O ROSACRUZ", Cr$ 150,00 — Nameros avulsos Cr$ 30,00 cada um ‘As mudoncas de enderégo devem chegar a nossos méos com um més de ontecedéncio da data da publicacao. As ofirmacées contidas nesta publicagée néo representam a expresso oficial de Organi zasGo ou-de seus oficicls, a menos que seja indicado especificamente trator-se de comu- nicagées oficiois. Publicagdo bimestral da ORDEM ROSACRUZ AMORG, Grande Loja do Brasil Diretor Responsével —— Maria A. Moura Editor — José de Oliveira Paulo PROPOSITO DA ORDEM ROSACRUZ A Ordem Rosacruz, existindo em todos os paises civilizados, & constituida por um grupo fra- temal ndo-sectério de homens e mulheres devotades & investigacao, estudo e oplicacco prética dos leis noturcis e espirituais. Seu propésito é capacitar a todos o viver em harmonia com {98 Forgas césmicas criativas e construtives para aleancar saide, felicidade © paz. A Ordem @ Internecionelmente conhecida como "AMORC" (uma abreviagdo) © A.M. O. R. Co ‘no Brasil e nos demois paises, constitéi a nica forma de atividades Rosocruzes unificadas em um $6 organism. A A.M.O.R.C. do vende seus ensinamentos, Oferece-os gratuita: mente aos seus membros afiliados, juntamente com muitos outros peneficios. Para uma completa informacéo a respeito dos beneficios e vantagens da associacdo Resocruz, escreve para o enderco absixo e solicite o livreto grdtis “O DOMINIO DA VIDA". Excriba A.B.G. — Ordem Rosocruz, AMORC — Bosque Rosacruz — Curitiba — Enderéco telegratico, "“AMORCO" — Curitiba — Parané Dircitoe aulorate resercadon, em 1958, rela Suprema Grande Loja de AMORC. ____ wy. & © Rosacruz Junho 1960 PELO A pensou, alguma vez, que, muitos de nés, somos real- mente estranhos para nés mesmos? O rosto que ve- mos, cada dia, quando nos miramos no espélho, pare- ce-nos completamente fa- miliar. N&o obstante, a despeito da idade que possamos ter, hé elementos, em nés mesmos, que, real mente, jamais chegamos a conhecer. Cada um de nés tem tido inclinacdes, conseios, que sGo enigméticos para nés Na verdade, ésses estranhos impulsos algumas vézes nos chocam. A insatisfa- Go, na vido, 6, frequentemente, devida @ nossa incapacidade de dar expressdo racional a ésses impulsos latentes, in- compreensiveis. Para usar uma analogia familiar, essas tendéncias séo semelhantes & necessi- dade de se cocar, sem poder; na verdade, mais semelhante & necessidade de se cogar, sem saber onde. A tentativa gros- seira de muitas pessoas adaptarem idéias desconexas &s suas inclinagées misterio- sas, tentando explicd-las que, frequen- temente, impede que alcancem felicidade pessoal. Em outras palavras, tendo essas sensacées desconhecidas, tentam encon- trar alguma idéia para dar-the um signi- ficado e, muitas vézes, éste & erréneo. Karl Jung, psicologista renomado, fre- quentemente se refere, em suas obras, ‘0 que chama de “individualismo”. Signi- fica, com isso, 0 individuo completo. Or- dinriamente, pensamos em nosso Ego, T1001 O PENSAMENTO DO MES A DESCOBERTA DO EU IMPERATOR © Eu do qual estamos conscientes como sendo exatamente completo. O Ego pa- rece representar tédas as nossas emo- Bes, concepcGes ou idéias — de fato, a totalidade de nossa consciéncia. Deve- mes, porém, aprender que o Ego, 0 Eu consciente, née é 0 individuo total, Ha muito mais, em nés mesmos, do que pen- samos. Provavelmente, hé muito mais do que mesmo suspeitamos, Como pon- dera Jung, nossos anseios e impresses sdo, mui definidamente, uma parte do nosso Eu. Hé os processos inconscientes de nossa entidade. Eles néo séo parte do nosso Ego, do qual estamos objetiva- mente conscientes. Para cada um de nés hd, entéo, um vasto mundo no interior do mundo com © qual estamos familiari- zados. £ como um palco no qual estejam sendo representados dois atos, simulté- neamente, As cenas séo separadas por uma cortina e os atores, em cada metade do palco, ndo podem ver uns aos outros. Uma metade do palco se defronta com a platéia — ela se defronta com o que, por analogia, podemos chamar 0 mundo das realidades, o mundo exterior. A outra metade do paleo, por detrés das corti- nas, podemos chamar o inconsciente. Os atores do inconsciente ou da seco por detrés das cortinas, so os impulses in- definidos, as sensacdes que, por vézes, sentimos, fsses atores por detrés das cortinas ndo esto satisfeitos de ali per- monecer. Estéo constantemente tentando encontrar um meio de sair do fundo do palco para enfrentar 0 mundo das reali- dades, No hé vida plena ou total para qual- quer de nés até que ao Eu oculto de nosso Ser seja dada expressdo. Em cada reino da natureza complexa do Homem, ha uma parte especifica que o Eu deve representar. Em outras palavras, cada parte de nossa natureza esté adaptada uma expressdo particular do Eu. O Eu, portanto, ndo pode ser o mesmo sob tédas as condicdes. Sabemos que um a or n@o pode assumir a mesma perso- nalidade em tédas as pecas, O ator deve adaptar-se ds necessidades e variacées do script, ao personagem da peca. © Eu é um composto. & constituido de um ntimero de pequenos Eus, isto é, aspectos de um Eu tinico. Alguns désses aspectos menores, ou caracteristicos, Ihe sGo completamente familiares. Contudo, hd outros elementos do Eu que permane- cem vagos e lhe séo definidamente des- conhecidos. Consequentemente, cada um de nés tem hiatos em sua vida consciente. Estes, constituem lacunas em nossa per- sonalidade. € nessas ocasiées que nos sentimos verdaderos estranhos para nés mesmos. sso devido a que o Eu ndo s2 sente vontade. Isto significa que o Eu normal néo pode enfrentar algumas n: cessidades da vida. Ele se sen‘e tolhido Para usar uma expresséio comum, alguns de nés, mui definidamente, tornam-se, inconscientemente, como uma rolha qua~ drada num buraco redondo, E dever de cada um descobrir-se, to- talmente, a si mesmo. Essa descoberta ndo é, necessdriamente, misteriosa, nem requer ritos esotéricos para a sua reali- zaco. Consiste, simplesmente, em nos expormos a uma variedade diferente de impresses objetivas e subjetivas. Entdo, 6s essa exposicdo, devemos conscien- temente notar a reacéo aos estimulos exrerimentados. Devemos determinar se essas experiéncias nos satisfazem, se sa- tisfazem os desejos amérfos que temos. Os talentos séo excelentes meios de cuto-descober'a. Jé dispensou alguma ‘atencdo & natureza dos talentos? Os Poetas e outros fizeram-nos parecer como ma dédiva divina dos deuses como um ‘manto descendo dos céus”. Isso pode ser uma maneira roméntica de apresen- tar a natureza do talento, porém, néo é real. Os talentos, como algumas de nossas aptidées, séo considerados como sendo particularmente devidos ao desen- volvimento extraord'nério das dreas de ‘associacao do nosso cérebro. Uma pessoa pods ser mais resvonsiva a um gru70 Particular de estimulos do que outra; Portanto, essa pessoa, desenvalve ou ma- nifesta um talento. A razGo dessa sen- sitividade particular se manifestar por Parte de algumas pessoas e, néo, em ou- tras, ainda ndo foi claramente esclare- cida, embora muitas teorias, incluindo a da associagGo de éreas, tenha sido difun- dida. Um exemolo dessa sensitividade cengénita é a meméria excepcional que algumas pessoas tém para gravar fisio- nomias. A facilidade com que certas pessoas avrendem idiomas 6, também, um exemplo dessa sensitividade. Chama- mos essas pessoas poliglotas por natu- reza. Algumas tém maior facilidade do que outras para a miisica e varios ramos da arte. A hereditariedade pode, também, ser Parcialmente responsével pelo talen‘o. Isso ndo quer dizer que a crianca tenha herdado diretamente de seus pais ésse talento. Uma crianca pode ser muito sensitive e mostrar resoonsividade ou ta- lento, porém, numa maneira completa- mente diferente da de seus pais. Por exemplo, 0 pai e 0 filho podem ter qua- lidades estéticas. A scnsitividade do rai pode se manifestar como harmonia au- ditiva — amor pela miisica e uma pro- ficiéncia natural nessa arte. Por outro lado, o filho pode expressar um impuls> pela harmonia de formas visuais, tais como simetria, prororcdo, equilibrio de massas e céres. O filho pode, por conse- guinte, manifestar amor pela escultura e pintura, rorém, sem talentos especiais para a misica, Alguns talentos, como sabemos, tor- nnam-se conhecidos cédo na vida. Quando nos expomos a determinadas experién- cias, verificamos que elas satisfazem o lado latente de nossa natureza, Verifi ‘camos que essas experiéncias nos propor- cionam alegra particular. Naturalmen- te, somos inclinados @ praticar asses atos a buscar tais experiénc‘as. Em outras palayras, cultivamos aquilo que se torna um talento. Se cada um de nés se con- finasse a um ambiente restrito, limita- ria a exoressGo do seu Ser. Muitos talentos que estéo adormecidos ou que 0 © Rosacruz Junho 1960 experimentamos apenas como vagos im- pulsos, jamais se tornariam conhecidos. Nesse caso, o Eu oculte permaneceria no fundo do palco, por detras da cortina. Ele continuamente aguarda pela oportu- nidade de ser visto ou ouvido, a qual ja- mais the concedemos. Campos de Expresso A descoberta do Eu total pode ser re- duzida a um sistema prdtico. Primeiro, & necessério que reconhegamos que hé vérios campos ou estética para a ex- pressdo do Eu. Em outras palavras, o Eu deve ser dirigido para numerosos canais. O mais ébvio désses campos é 0 de nossas experiéncias como o Eu objetivo. £ essen- cial que compreendamos que 0 corpo é um veiculo muito necessério & expresso de tédas as caracteristicas do Eu. Sem o corpo, 0 Eu jamais entroria em contato com a vida. Néo hé nada condendvel no g6zo da vida fisica, Temos 0 direito de opreciar boas iguarias e os prazeres fi cos, como parte da vida fisica. O senso comum nos indica o objetivo dos pra- zeres do corpo, Esses prazeres satisfa- zem os opetites e, os apetites, satisfa- zem 0 corpo, Esses prazeres sGo os meios da Natu- reza para persuadir-nos a executar as nossas fung6es necessérias. Se néo veri- ficassemos que essas funcées sdo agra- daveis, talvez as repelissemos em detri- mento de nossa existéncia fisica. Hé u’a maneira légica de considerarmos 0 lado fisico da vida: € tornar 0 prazer sensual apenas uma motivagéo para 0 devido cuidado com as nossas funcé2s naturais. O prazer fisico jamais deve ser tornado pos'tivo, isto 6, jamais deve ser buscado pelo que representa por si mesmo. Com tal maneira de considsrar a vida fisica, no & provével que tenhamos in- terpretagées erréneas da vida objetiva. Nao estariamos inclinados a impér os impulsos de nossos outros Eus, & nossa natureza fisica, Muitas pessoas arrui- nam a satide, no, devido ao excesso de prazer fisico, porém, sim, pela imposigio de restricdes ao seu viver normal, con- fundindo seus desejos naturais com o 02 idealismo espiritual e os padrées da falsa moral, Um outro grande campo para a ex- pressao do Eu é 0 psiquic, Com isto, queremos nos referir ds inclinagdes espi- rituais e morais. Essas constituem a técnica do que chamamos, geralmente, 1 “consciéncia do Eu interior”. No campo dos poderes psiquicos deve ser também incluida a intuigéio. Por intuicéo, signi- ficamos ésse conhecimento sutil, expon- taneo que chega & nossa consciéncia Um exemplo da supressio do Eu é 0 da pessoa que luta contra a sua prépria concepcao moral. Ela ndo permite a si mesma ser dirigida pelos impulsos pst- quicos que sente e que sabe, interior- mente, serem retos e nobres. Isso se deve a que ela se envergonha de tais impressées, por ignoréncia, ou prefere nGo agir, de modo algum, contra os cos- tumes, seu ambiente e associagées. Hé muitos homens que consideram femi- nilidade e, mesmo, fraqueza, revelar qualquer averséo 4 vulgaridade. Contra- rigm a sua natureza tentando ocultar, dos outros, o que sentem ser sua prépria orientagdo interior. Essas pessoas d xam de confiar na intuicéo como oposta @ concepgiio da massa ou conduta co- mum. Os infelizes que suprimem os outros aspectos do Eu passam pela vida sen- tindo-se e sendo realmente, miserdveis. Estdo consciente do fato de que hé uma outra espécie de Eu, porém, devido a intimeras razées, preferem manté-la sob @ capa da obscuridade. Ainda um outro campo de expresso 6 0 da natureza emocional. Fazemos aqui, particular referéncia as qualidades estéticas que cada um de nés possui em determinado grau. Se uma pessoa se cerca, continuamente, de coisas ou con- digdes que provocam, apenas, desejos sensuais, estaré aniquilando suas quali- dades estéticas. O Eu estético responde apenas, as vibracdes mais refinadas de nosso ambiente, As sensacdes mais de- licadas assim engendradas, séo degrada- das pela satisfagéo grosseira dos ape- tites. As sensagées grosseiras que agra- dam 4 nossa natureza inferior eliminam @ nossa respensividade mais refinada, como, por exemplo, as mais delicadas harmonias de som e forma, E necessario que convivamos em am- biente cultural e estético, pelo menos periddicamente. A menos’ que nos en- treguemos a esta prética, por algum tempo, jamais satisfaremos nossos an- seios estéticos. Algumas dessas estra- nhas sensacdes que temos, sdo realmen- te, 0 desejo do Eu estético de se expres- sar, Algumas pessoas tentam tirar de al- gum outro aspecto do Eu uma satisfacdo, como substituto para a negagéo da no- tureza estética. O resultado é que ainda se sentem insatisfeitos e frustradas. De- vemos aprender que um Unico aspecto do Eu nao pode servir em tedos 0s campos de nossa natureza No curso normal da vida a média das pessoas usa, apenas, uma parte de seus poderes intelectuais. Mesmo os profis- sionais com excelente base académica, estdo muitas vézes, ligados pelo dogma, @ técnicas especiais, de sua especialida- de. A inteligéncia necessita de estimul deve estar ocupada com experiéncias no- vas e ousadas. De fato torna-se atro- fiada se confinada a um tinico canal de atividade ou pensamento, A menos que ds buscas mentais se permita um campo mais amplo de interésses a vida se torna monétona. O raciocinio e a abstra- G0 so, pessoalmente, condenados pela maioria das pessoas. Devido a mal en- tendidos consideram 0 raciocinio como trabalho, como tarefa cansativa e moné- tona, Isso indica que o seu Eu intelec- tual e poderes de raciocinio ndo foram excitados por uma ideagéo adequada Nosso raciocinio é acelerado pelos im- pulsos emocionais, Ao nos tornarmos entusiasmados eliminamos o trabalho de pensar. A mente flui facilmente ao en- contro dos nossos interésses, Pensor e raciocinar de modo que satisfaga o Eu emocional, & necessdrio. O estimulo emo- cional eletrifica a mente e, esta gera novas idéias. Cada um de ‘nés, entao, deve criar novos campos. N&o queremos dizer que cada um deva crier, inteira- mente, novas concepgées, mas, sim, di- rigir 0 Eu intelectual para canais de pen- samento que, para cada um, sejam novos. Hé muitas pessoas que em determi- nada ocasiéo pensavam que a filosofia, devia necessariamente, ser um estudo muito monétono. Isso se devia a que co- nheciam 0 assunto apenas por nome. Ja- mais 0 haviam considerado como uma colegdio de conceitos excitantes, de idéias ousadas. Nunca o consideraram como uma aventura mental. Néo obstante, esas mesmas pessoas, ao participar de discusses que versavam sébre tépicos filoséficos tornavam-se muito entusias- madas. Na verdade, contribuiam mu'to para a conversacdo. ‘Mais tarde ficavam Surpresas ao saber que ésses_mesmos ‘assuntos interessantes constituiam um dos tépicos formais da filosofia. Para descobrir seu verdadeiro Eu intelectual, deveré, verdadeiramente, se tornar um explorador. Deveré entregar-se a dife rentes campos de pensamento. Verifi card, outrossim, que isso seré recompen- sador. Sua mente, levada aos prazeres intelectuais, expandir-se-6, devidamen'e. A Universidade Rose-Croix, por exem- plo, que é mantida pela Ordem Rosacruz, AMORC, tem um objetivo excepcional. A maioria dos seus estudantes é con-ti- tuida por adultos que jé se estabeleceram =m vérias profissdes e ramos de negécios. Eles no frequentam a Universidade para seguir uma carreira. £ verdade, porém, que frequentam-na para se tornarem mais eficientes em algum ramo do co- nhecimento. Destarte, a Junta de Dire- tores e Professores da Universidade Rose- Croix se preocupa mais com a expanséo do Eu do estudante — e no que aprenda bem um tn'co assunto, Interessa-se em que seu aprendizado provenha do in- terior. O objetivo da Universidade Rose- Croix é que o Estudante, por seus ensi- namentos deixe de ser um estranho para si mesmo, Deseja que éle descubra os outros Eus pelo contato com diferentes ramos do conhecimento. Qualquer pes- soa, por semelhantes descobertas, torna- se mais consciente da vida, mais com- pletamente responsiva @ vida, Vide no ndmeto de fevereiro a relacéo completa de tédas os Lojos, Copitulos © Pronaoi, Rosacruzes 11031 © Rosacruz Junho 1960 A &spiritualidade na Vida Terrena Pelo DR. H. SPENCER LEWIS, F.R.C. davida alguma, a hu- m~nnidade esté se tor nando mais e mais cons- ciente do lado espiritual da vida. Aquéles que di- zem que a critica moderna das doutrinas religiosas, seguida do inquestiondvel decréscimo de interésse pelas ceriménias religiosas é uma indicagao do divércio gradual do Homem do estudo religioso, esqueceram-se do ponto muito evidente, de que o Homem esté se tornando, mais verdadeiramente religioso, em seu modo de pensar e menos relutante em aceitar 03 credos e doamas, que no passado, aceitou puramente pela fé. © Homem néo argumenta ou analisa profundamente as coisas nas quais tem Pouco ou nenhum interésse. Ele nao te- ria adquirido e lido, com considerével perda de dinheiro e tempo que poderia ter sido utilizado em prazeres, muitos livros sdbre religiGo e dogmatismo, publi- cados nos tiltimos anos, sem ter interésse profundo no assunto. Desde 0 alvorecer da civilizacéo, o Homem langou o seu olhar além do h conte e tentou encontrar, na vastidéo do esnaco etéreo, 0 mais leve simbolo de algo superior a si mesmo que pudoss2 dora’ e a9 qual pudesse prestar hom2 nagem. Pela projecdo de sua monte, | vou 0 curso do progresso a grandes altu- ras. As fraquezas da vida humana, as fraquezas da ex'sténcia humana, fize- ram com que os pen-adores primi’ivos acreditassem que hav'a mais no objetivo da exis:éncia humana do que essas coisas loa dicavam. O que quer que estivesse por detrés désse objetivo e 0 que quer que pudesse nele existir, devia estar acima e além déle em esséncia. Nada mais po- deria estar além do material, sendo o espiritual; nada mais poderia ser supe- rior ao mortal, do que o Divino; nada mais poderia dirigir, orientar e com- pensar as experiéncias da vida sendo uma Onipoténcia sobrenatural, inconce- bivel, porém, interiormente, compreen- sivel. Certamente, 0 Homem tem errado muito em sua tentativa de reduzir a uma definicdo finita as imagens infinitas de sua compreensGo espiritual. Nao obstante, em face das experiéncias que teriam enfraquecido sua fé em qualquer coisa de menor importancia, 0 Homem tem se apegado & sua crenca nesse fundo espiritual e nas criaturas espiri- tuais que evoluem por meio das formas materiais que conhecia. Ea parte espiritual do Homem um ele- mento essencial de sua existéncia ter- rena? £ 0 conhecmento das coisas espi- rituais da vida benéfica & nossa vida espiritual? Embora essas perguntas pa- recam de dificil resposta e haja persona- lidades prontas a respondé-las negativa- mente, basta apenas, considerar moman- téneamente, o lado negative da questao, para compreendermos 0 que as coisas do mundo espiritual significam para nés, aqui e agora. Que fariamos e como pensariamos agiriamos se nos convencessemos, aqui e agora, de que nao hé Deus, nem cons- ciéncia espiritual governando 0 universo e penetrando téda a coisa vivente neie existente? Se nao houvesse alma, ele- mento divino na constituicdo do Homem, principio divino em sua personalidade, poder divino em sua férca vital e cons ciéncia onipotente em cada célula de seu corpo, quae inutil, desesperancada e frustrada seria a vida presente! ‘A primeira consequénca de semelhan- te 6 seria a deplorével transmutacéo do magnifico sentimento de amor em ‘atragéo grosseira do magnetismo se- xual. © poder Divino transcendental de um amor universal que rege 0 mundo seria eliminado de nossa consciéncia e tédas as suas influéncias teriam de ser atribuidas ao mais inferior e mais co- mum dos impulsos e principios. A beleza, @ elegancia, o refinamento na arte, na misica e nas céres tornar-se-iam mero cacidente de combinagées materiais e re- sultente simples de acidentes fortuitos e momentdnens. A ambicdo e asniragdo jamais se elevariam além do horizonte de nossa natureza bestial. Além da Matéria E 0 lado espiritual de nossa natureza que nos conduz as alturas transcenden- tes e nos dé a perspectiva da vida, como se estivessemos no tépo de uma monta- nha observando as belas montanhas e vales da vida e 0 distante nascer do sol antes dele ser visivel nas planicies ‘abaixo. Com a visdo espiritual percebe- mos as coisas do passado que estdo além de nossa visdo objetiva e bem assim o nascer de um novo dia, cujo alvorecer esté além da compreensao da concep¢éo material do Homem, A consciéncia de Deus vem em nosso ‘auxilio em momentos de tristeza, amar- gura e desalento; entdo, qual o ‘sussuro da voz materna, ‘para consolar, fala-nos @ pequena voz interior com magnificas palavras que nos leva & Senda da Paz e do Poder. A miisica das esféras difusa no espago, pelas vibracées harménicas da sabedoria onipotente de Deus leva- nos adiante como se estivessemos imer- s0s num oceano de mitisica onde téda onda é uma corda harménica e onds todo ‘© momento de alguma doce melodia. (Continéa na pig. seguinte) MONOTEISMO Por JAMES C. FRENCH, M.A., FRC. Curador do Museu Epipeio Rowacris Os antigos eaipcios foram © primeira povo ‘9. monifestar o concepcdo de um Deus Univer sol. Apenas uma vez na histéria do Egito, sur- ‘glu a tentotiva notével de introduzir 0 ver- dadeiro monotelsmo na crenca religiosa. A revolugao religiosa do rei poeta Akhenaton (Amenhotep IV), constitui um dos mais emo- cionantes € inspircdores capitulos da_h's*éria universal. Ao naseer Akhenaten, © Egito es- tavo sob 0 t-edo dos orrogantes sacerdotes de ‘Ammon (XIV Séeulo A.C.) que conservavam © povo em idolatria, Hoje, © mundo continua ‘a tuta_inevitével para a realizacéo da nobre visdo de Akhenaton, ara tomar todos os homens “Justos, Livres, Sabios e Compreensivos", de acBrdo com @ con: ‘cepco do Deus Universal que 0 havio insp' redo 0 escrever: "Tu me fizeste sdbio em Teus designios e por Teu poder”; e que 0 ins- pirou @ orar: "O mundo esta em Tuns msos". ‘© esquema de alguns historiadores para desacreditar Akhenaton como um governante semi-louco e incompetente jamais poderd di- minuir um ponto sequer de sua mensagem de uma fratemidede universal e culta sob o Deus Ainico cujo poder, sentia, monifestava-se pelos raios do sol que davam a vida e a0 qual cha- mou de Pai de téda a humanidede. Os segui- dores de Aten deveriam viver nobremente, ‘obster-se de todo 0 mal e, assim, promover 0: ‘deal de um belo mundo, governado pela paz: universal. No é de admirar que um pensador do re- nome de Petrie {6sse inspirado a comentor: “Nenhuma grande teoloia, semelhante, havic iomais surg'do no cenério mundial, onterior~ mente, sendo ela a grande precursora das re- lia’%es monotefstas que se seguiram, enquanto’ ue 6, mesmo mais abstrata e, impessocl po- dendo ser classificada como telemo cientif'co" © Museu Eojpcio Rosacruz, con'ém muitos: ‘tens inestiméveis da C'dade do Sol em Tell -l-Amomo, incluindo © resério e sélo pessoais: Akhenaton, 1105) © Rosacruz Junho 1960 ‘Ea espiritualidade em nosso interior que se expressa na grandeza da arqui- tetura, na fantasmagoria de céres que o Homem mistura em sua paleta e aplica 4 tela, imitando a beleza da responsiv dade resplendente da Natureza as vibra- 62s da lei Divina. A nossa espirituali- dade é Deus: em nosso interior e, sem ela, nada seriamos — nada dominaria- ‘mos, pois sua auséncia significaria que © Homem, seria apenas, um mecanismo inalterdvel e insensivel ao encanto mé: gico dos poderes criativos que nos dao vida e expressdo. Portanto, 0 Homem espira sempre, elevar-se cada vez mais 0 reino do espiritual de modo que as A coisas materiais da. vide, as coisas que © crucificam na cruz da existéncia ma- terial possam ficar abaixo de seus pés para servir de degraus enquanto se ajoe- Tha no Santuério dos Santudrios e habita na Catedral da Alma, € nessa grande catedral que éle encontra a Paz que & to serena como o siléncio de Iébios imé- veis pronunciando palavras sem som. Alf ‘sentado, ouve a misica e se fortalece nos radiantes raios de cér enquanto 0 céro celestial de mentes evoluidas canta hinos de misericérdia e amor a Deus & inspira a todos com a beleza, a docura ¢ a eterna bondade do reino de Deus. AA A CRIANCA E O PRODUTO DE SUA EDUCAGAO Por DOROTHY LAW Reimpresso do ‘The Builder”, yubliougdo da “Field Enterprises Educational Corporetion® i ‘litre de obras infantis Se © condenar... © Sea crianca viver eriticada, oprenderd © Sea crianca, viver hostilizeda, oprenderd a luter ... {+ @ Sea Grianga viver amedrontada, tornar-se-é opreensiva - © Se.c crianga viver mimoda, adquirieé complexos .. . © Se a cricnca viver ridicularizeda, tomar-se-d timida ... © Sea crianca viver enciumada, sentir-se-& culpada . © Se a-crionea viver com tolerénela, tornar-te-6 pociente ... © Se a crianga viver confortada, tomar-se-8 confiante . © Sea crianca viver elogioda, tornar-se-6 compreensiva .. © Se a crianga viver amparade, oprenderé a omar © Se a crionca viver compreendida, oprenderé a respeitar a si mesma... © Sea ctianga viver opreciada, aprenderé que & bom ter um objetivo... © Se a crianga viver com honradez, oprenderé © ser justo... © Se a crianca viver com seguronga, oprenderé a ter {é em z oqueles.aue a. rodeiom .. , © Se a crianga viver omada verificaré que o-mundo é étimo lugar para viver DESEJARIA. COLABORAR COM £106) cso. 0 querido membro-Estudante seja eficiente datilégrafo ou tenha pritica dos servigos gerais de escritério e queira, com carinho, cooperar nos servigos da Grande Lojo do Brosil, fazéndo parte do quadro de seus funcionérios assaloriades, ndo deixe de ros estrever oferecendo os seus préstimos. A colaboragtio, em qualquer setor do movimento, tem, como scbe, inestimavel valor para o nosso préprio operfeigoamento, Enaerece sua carta para ¢ Caixa Postel, 307 — Curitiba — Parand, A GRANDE LOJA DO BRASIL? = be Cantatas ‘A "Cotedral da Alma” 6 um ponto Césmico de reuniéo de tédos os mentes dos membros e colaboradores espiritualmente mais desenvolvides e esclorecidos E um ponto focal de radiacées Césmicas e ondos fle pensamento, do qual s@ irradiam vibragées de saide, paz, felicidode e des- pertar interior. Vérios periodos do dio sd0 selecionodos, ‘durante os quais m.com @ Catedral do Alma e, todos que 0 dos, receberdo os beneficios vibratérios. membros da Organizagao podem portilhar désses beneficios extroordi érics, O livreto intitulads "Liber 777” descreve os periodos para os varios ‘Uma cépia do mesmo seré enviads a todos oquéles ‘que, emboro nao pertencendo & Orgznizacao, o solicitarem ao Escriba A. B. G, Curitibe — Perond, incluindo © porte postal. importante) do Froternidede Rosocruz. rmithares de mentes. se horm fizerem, nesses. pe contatos com @ Catedral, Coixa Postal 307 Indicar se € Membro — isso A RESPONSABILIDADE DO FUTURO ‘Tembérm os que (Queira Por CECIL A, POOLE, Supremo Secretério ‘A algum tempo notei, em meu escritério, que ‘uma corrente de ar movia con- finuamente uma pégina do calendério pendurado na parede oposta & minha escrivaninha, Téda a vez que oventolevantava essa pagina eu tinha visGo momsntanea da pagina sequinte. O calendario em questao é de céres, impresso por uma das principais companhias de aviacéo e quando 0 vento soprava essa pagina eu tinha révida visio de cenas coloridas. De momento a momen’o, ocorria-me pensamentos quanto oo que reoresentava a cena da qual eu tinha apenas tido re- lances de cér e desenho. Ao meditar sébre 0 assunto comreendi a imressibi lidade de determinar a cena total antes que levantasse a ~éa'na e oudesse vé-la, completamente. Na mesma ocasido ocor- reu-me 0 pensamento de que em deter- minado sentido estava vndo o futuro, estava vendo o més vindouro. O que eu via, porém, ndo constituia infor- macéo’ que fésse de valor ou de uso imediato. Se tirasse conclusdes quanto ao que era, realmente, a cena da qual havia. apenas tido relances, elas seriam erréneas devido & minha incapacidate de perceber a cena total como um tinico objeto ou entidade, Vivemos numa éra em que grande parle do pensamento contemporanso se volta para o futuro. A maior parte das noticias dizem respeito, ndo apenas a acontecimentos que ocorreram ou qu? estdo para ocorrer, mas também, como podem afetar o futuro, A desozito dos métodos que possamos usar, para conh2- cer alguma coisa do futuro, nossos lam- pejos so semelhantes aos que tive da ton © Rosacruz Junho 1960 cena, do més seguinte, na félha do ca- lendério. Nossas impresses futuras séo as que se revelam incompletas e além da capacidade de percepcéo da mente humana. A maior parte das predicées esté ba- seada na légica. De acontecimentos que ocorreram e estdo ocorrendo, prevemos efeitos que culminardo de certo modo, no futuro, Até certo ponto podemos pre- dizer 0 futuro de acontecimentos jé em curso. O mundo comercial usa éste sis- tema eficientemente e tanto quanto éle é verdadeiro e util, Todavia, o que dé yalidade total a essas previsdes sGo os fatores desconhecidos que podem ocorrer entre o momento e o tempo selecionado no futuro para a culminagéo de uma série de acontecimentos. Por exemplo, se determinada soma de dinheiro fér colocada numa conta que renda juros, num Banco, podemos mate- maticamente .computar a importancia que ali haveré em qualquer tempo no fu- turo. Utilizamo-nos do principal como base, da taxa de juros paga e do tempo que escolhemos. Com essa informacdo, podemos presumir e predizer como acon- tecimento futuro, que em determinada data, 0 capital total seré determinada soma que terdé sido acumulada como re- sultado dos juros a ela adicionados. ‘Ao fazermos tal predicéo, presumimos que néo haverd acontecimentos imprevis- tos que afetem a manutencdo do Banco no qual colocamios’ nossos fundos ou a sua capacidade de pagar os juros e con- servar 0 capital. Com téda probabili- dade, nossa predicdo seré correta, porém, ‘em predigées mais complexas, aconteci- mentos podem ter lugar tornando incerto © futuro. Outros métodos tém sido usa dos pelos homens para predizer 0 futuro, nenhum dos quais, porém, infalivel e & bom que néo o seja, porque 0 Homem vive no presente. Se o Homem pudesse predizer 0 futuro, éste seria modificado como resultado de sua conduta. Em tempos recentes, como temos no- tado, hé tanta atencdo dispensada ao fu- turo que se desenvolveu a tendéncia de muitas pessoas viverem mais no futuro do que no presente, Elas se preocupam com a culminagdo de muitos planos. O Pagamento de utilidades a prazo tem (08) contribuido para ésse fato. Preocupamo- nos com o futuro, se contrairmos obriga- 6es dessa natureza devido a época em que os pagamentos terminardo, Preo- cupamo-nos com a realizagdo de outros planos como sejam o de determinadas aquisices ou a realizacéo de um plano educacional para nés mesmos ou & fami- lia. Quando comecamos a pensar nessas possibilidades futuras a ponto de esque- cermos as obrigacées e privilégios do pre- sente, estamos prejudicando nosso pré- prio objetivo por n&o nos prepararmos devidamente para o futuro que possa advir, A énfase dada hoje em dia aos programas e planos de aposentadoria as vézes monopoliza tanto tempo dos pre- tendentes que éles nao saberdo 0 que fazer do tempo quando a ocasiao, da aposentadoria que almejam, chegar. A vida & um proceso de existéncia e a existéncia é uma condigdo da qual esta mos conscientes apenas em consciéncia. Para nos aprofundarmos mais nesse as- sunto, no que diz respeito & consciéncia, diremos que ela apenas existe, no mo- mento, A menos que usemos ésse estado de consciéncia para adaptarmo-nos és situacdes com que nos defrontamos, jadequadamente preparados para situagdes futuras. A preparacéo sébia para 0 futuro, é aprender a viver- mos em nosso meio ambiente e conosco mesmos ao melhor de nossa cavacidade, enquanto estivermos cénscios da vida. A repeticéo da énfase, sdbre o futuro, faré com que muitos negligenciem a mais valiosa posse que tém — isto é, a posse do momento presente. Utilizar 0 mo- mento presente & aliviarmo-nos do péso ‘e responsabilidade do que possa ocorrer no futuro. Tem havido critica pela falta de preocupacéo quanto & responsabi lidade do que agora fazemos. Possi- velmente, demasiada preocupacdo esta sendo transferida para o futuro. Sera para nosso préprio beneficio e tendente ao desenvolvimento de cada pessoa trans- ferir @sse péso para 0 momento presente e usar as oportunidades atuais ao melhor de sua capacidade. O péso, a preocupa- ¢G0 quanto ao futuro, seré ento, alivia- do até certo ponto, e poderemos nos preparar para essas circunstdncias quan- do e se tivermos de enfrentd-las como experiéncia real. Os Misticos devem, também, enfrentar a vida Por THOMAS J. CROAFF, JR., F.R.C. (tembro do Foro do Arizona e da Suprema Corte doe B.U.A.) REQUENTEMENTE, _ouvi mos falar, em “Mistico que buscam a solidao e a Paz mental isolando-se da civilizagéo. E verdade que todos nés, em determina- das ocasides, necessitamos de siléncio — solidéo — meio ambiente tranquilo, porém, sepa- rarmo-nos da humanidade, apartando- nos de nossos semelhantes néo 6, certa- mente, a resposta aos problemas da exis- téncia’ — em absoluto. A “Paz Mental” como a expresséo di- retamente implica, requer quictude e orientacéo mental onde quer que esteja- mos. Nao podemos fugir de nés mesmos e sendo isso verdade entéo, como diziam 0s sdbios da antiguidade: Fazemos nosso préprio céu e inferno. Esta condicdo ou estado é, invariévelmente, resultante de padrdes de pensamento e interpretagdo quanto ao “bem” ou “mal”, Se considerarmos atentamente a ques- tao da “Paz Mental”, chegaremos a con- clusdo de que ninguem poderd nos ferir, ninguem a nao ser nés m2smos, poderd nos prejudicar. Em resumo, a injuria e dano que nos fér feito sdo produtos de nosso préprio pensamento, emitido erré- neamente, e dirigido para canais nega- tivos. Muitos de nés procuram escapar da realidade pelo uso de drogas e do dlcool Devido a serem nossas atitudes para com vida, de modo geral hostis, parecemos sofrer de uma cbstrucdo mental que re- sulta em considerarmos 0 mundo como um lugar de édio, sofrimento, crueldade, médo e miséria. Desde éras remotas tem sido dificil ao Homem “enfrentar os fatos da_ vida” Recusamo-nos considerar o mundo real como base de amor, beleza e bondade. E verdade que alguns dos melhores pen- sadores do passado, reconheceram o mundo como éle realmente é; compreen- deram que o Amor é 0 fator mais forte do mundo; que o Amor pode superar qualquer elemento negativo, tais como 0 ddio, médo, ete. O amor, a beleza ea bondade séo\ construtivos e qualidades positivas que se manifestam em nosso redor. © Apéstulo Paulo, um dos maiores pensadores e organizadores do mundo, aconselhéva-nos a ser moderados em tédas as coisas e, para todos, os misti- cos significado, Ela sustenta’ a propria estrutura do ‘Césmos, que 6 gover- nado inevitavelmente pelas leis de Deus, endo isenta ninguem, nem mesmo os misticos que devem também, obedecer as leis de Deus, compreendendo em tédas as ocasides que éles, também, devem praticar a moderacdo e usar a propria inteliggncia para melhor beneficio da humanidade em geral. Parece haver uma particularidade na natureza humana que faz com que a maior parte dos homens seja extremada em determinados aspectos da vida dié- ria. € ésse elemento que nos leva ds maiores dificuldades. Continuamente, nos esforcamos por evitar as consequén- cias de nossos préprios atos. Deixamos de comoreender, mui frequentemen'e, a exoressdo biblica da Lei de Compensa- gG0: “Como semeares, colherds”, Equilibrar a balanca da vida, “alcan- car 0 meio térmo em tudo”, € a pratica que devemos cultivar e empregar em nossa vida didria, Essa base para rela- Ges mais agraddveis e benéficas com os nossos semelhantes, definidamente, pro- move condigées de maior harmonia em nosso interior. (Continia na pag. 118) L091 g © Rosacruz Junho 1960 Primeivos Manifedtod Rodacruzed Ree © comentério apécrifo do Rei James de que a filosofia de Bacon era como a Paz de Deus, su- perando todo o entendi- mento, tem sido muitas vézes ‘repetido para que possa ser acreditado — es- pecialmente por aquéles que consideram qualquer desafio mental mais do que podem su- portar. Estranhamente, 0 prézrio Bacon pode ter provocado 0 comentério ndo sé devido sua alegacao de que es‘ava tra- balhando secretamente, segundo a ma- neira divina, como também, por sua constante repeticéo das duas citagées favoritas. A primeira, Proverbio 25:2, diz: “€ Gléria de Deus ocultar uma coisa e glé- ria do rei descobri-la”. A outra era um comentério pelo Papa Alexandre VI, Ro- drigo Borgia, sébre a exvedi¢go francesa @ Napoles que ia: “Eles vieram com giz nas maos para marcar seus aloja- mentos, porém, n@o, com armas para invasGo”, “Gosto mais da entrada da verdad>", escreveu Bacon, “que vem pacificamen- fe, com giz para marcar as m2ntes que 80 capazes de alojar e hospedar um con- vidado que nao forga a sua presenca com luta e contenda”. ‘Isto sugere o pensa mento de que a filosofia de Bacon néo deve ser tomada no sentido geralmente aceito da expresséo, E possivel que Ba- con chegasse & posigdo de Thomas Rux- ley 200 anos antes que escrevesse “as verdades irracionalmente abr'gadas po- dem ser mais prejudiciais do que os érros cometides com plena consciéncia” e de- vizado 0 seu método para circunscrevé- las, Se assim fér nossa tentativa de des- cobrir a relacdo entre os principios Rosa- cruzes, as pegas de Shakespeare e a filo- sofia de Bacon pode ter maior sucesso por uma nova apreciagdo — encontrar © caminho por meios indiretos. (110) » A REALIZACAO Por JOEL DISHER, F.R.C. Departamento de Pesguiaas Literévie ABA W-F.C,_Wigston escre- veu no “The Columbus of Literature”: “Penso que um dos objetivos completos de Bacon era imprimir di- re'amente em nossa mente que estamos muito seguros daquilo que mais ignor mos e que a Natureza é infinitamente mais sutil do que os sentidos do Homem”. E tristemente evidente que mesmo hoje em dia, os eruditos e iletrados esto “muito seguros” da auséncia de qualquer relago entre Bacon, Shal Peare e os Rosacruzes. Se puder ser d- menstrado que a éste respeito éles “igno- ram completamente” a relacdo que real- mente existe, entdo, a verdade foi tra- zide luz e algo muito valioso a respe'to da eficdcia da filosofia de Bacon, d2- monstrado. Com sacrificio, Bacon revisou seu No- yum Organun uma duzia de vézes, tor- nando clara a importénc'a que atribuia @_uma exposigéo ampla do seu Novo Mé todo. Hé, declarava éle, quatro Idolos que reclamam a devogéo do Homem e que assim, retardam ‘sua ascenséo 4 Montanha da Verdade. Essos falsas n>- Ses (ficeGes aceitas como fatos) éle denomina fdolos da tribo, das cavernas, dos mercados e do teatro. Eles gover- nam a responsividade do Homem és ex- periéncias da vida e determ'nam o jul- gamento que o Homem déles faz. primeiro idolo é 0 de imaginar e os sentides do Homem formam o padréo das coisas. A verdade é que os sentidos do Homem e sua mente provocam julga- mentos, porém ésses julgamentos ndo se referem ao un'verso mas ao prézrio H- mem. A mente do Homem néo reflet2 05 objetos exatamente como o espélho 0 faz; ela Ihes dé cér e destorce-os pelas adicées préorias. Dessa primeira fala notagao, que & geral, surge uma segunda que é in dual; Cada pessoa chega a outras falsas nogées -devido & sua: disposicéo pessoal, simpatia e antipatia, educagéo e convi- vio com outras. A linguagem & um meio de comun cacao; porém, as palavras, raramente significa para uma pessoa 0 mesmo que significam para outra. Assim as pa- lavras tornam-se obstrugées ao invés de auxilio para a compreensdo. Esta é a terceira tendéncia. Finalmente, a mais grave de tédas pa- rece ser a das nogdes ou opinides, pelas quais cada um individualmente, procura viver. Assim como no teatro escolhemos uma poltrona ou posigéo para apreciar pega, assim na vida, determinada po- si¢Go ou filosofia é adotada para inter- pretar tudo que acontece. Assim, os sis- temas de filosofia transformam-se em mundos artificialmente criados em um mundo no qual o Homem procura viver esquecendo-se dos outros. A ésse_respeito os estudantes Rosa- cruzes reconhecerdo determinados prin- cipios de sua instrucdo de Neéfitos. Re- conhecerao, também, os preceitos dos quais Bacon extraiu sua inspiracéo ini: cial — em particular, o que atribuiu 4 Deus um plano no Comeco. Conside- rando tal principio Divino argumentava Bacon que o Homem, com plano seme- thante poderia transformer 0 mundo, Esse plano, pensava éle, era a sua missGo realizar. Com éle, como Alexandre O Grande, poderia tomar 0 mundo cativo. Haveria uma fraternidade universal por meio da qual poderia trabalhar. Jé além da fase experimental e em operacéo real, quando os Manifestos na Alemanha, “foram publicamente anun- ciados, ao método total foi dada maior @ maior aplicagdo.por meio d2 instru- Bes de modo jamais imag'nado. Em- bora nGo identificada exteriormente, uma Dessoa com o conhecimento do plano po- deria facilmente ler 0 esbéco. Os que respondiam 0 chamado do Manifesto e provavam suas qualidades deviom ter sido avisados a respeito dos idolos e co- mecayam a trabalhar na propria filoso- fia. € certo que a filosofia de Bacon era melhor compreendida no esirangeiro do que no seu préprio pats, A grande restauragéo, de acérdo com © projeto de Bacon, compreendia seis secgées, trés das quais eram piblicas trés ocultas; tédas, porém, insistia Bacon, destinavam-se ao uso real endo ao orna- mental. Isto, éle constantemente frisava em suas ilustragées das peculiaridades da operagdo mental, A quarta seccdo daa inicio és divis6es ocultas do novo método. Destinava-se a fornecer exem- plos de questées passiveis de solucdo. As préprias palavras de Bacon deveriam formar uma base pela qual o intelecto ou compreensdo poderia abrir caminho ara novas verdades e conclusdes mais seguras. No segundo livro do “Novum Orga- num”, estdo discriminados vinte e sete “Exemplos de Prerrogativas”, Esses exem- plos nos levam a pensar na possibilidade de uma relacdo com a base no intelecto, ‘A. expresséo “Exemplo -Prerrogativo” parece ter sido calculada para provocar {2 questdo de significado como © fazem 95 préprios exemplos: Solitério, clande tino, constitutivo, proporcional, frontei- rigo, subjuntivo, alianga, divércio, con- tenda. Como poderiam éles cumprir a promessa da sec¢éo quarta e como po- deriam atos como divércio @ a contenda se tornar exemplos de filosofia? Pode- riam, ser traduzidos na arte, alegoria, poesia, ou pecos teatrais? Exemplos fo- ram prometidos, mas onde? Evidente- mente, espera-se que cada um os pes- quise. Se alguém se antecipar & busca, nao sera uma “das mentes capazes de alojar e hospedar um héspede”. Este héspede, esta nova filosofia “nao for- ¢aré sua difusdo com luta e contenda”. Contudo, se nos lembrarmos da outra citagGo favorita de Bacon provaremos sua “realeza” pela descoberta do que estava cculto. Reporta-nos-emos a evolugéo e a0 Novum, ds histérias e aos ensaios mui- tas vézes revisados. Suponhamos que éle tome a palavra “divércio” como enigma. ensaio contém muito sébre os aspectos das relaces humanas — “de pais e fi- Ihos", de “amizade”, “da _na'ureza do Homem” — mas nada de “divércio”. A histéria de Henrique VII, por Bacon, é algo clucidativa; nela encontramos uma sentenca absorvente: “O divércio do Rei Henrique VIII, de Lady Katherine, pren- deu a atencao do mundo”. Sugere a'go de incomum e talvez dramético. Muitas refe-éncias ao teatro estGo contidas nos escritos de Bacon e mui'as comparacés, nelas baseadas, porém, que teatro, quais ‘as pegas? mn