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CURSO DE EXTENSÃO EM SERVIÇO SOCIAL

PROFESSORA: ROSIANE SASSO RISSI

DIREITO DE FAMÍLIA

- É o complexo de normas que regulam a celebração do casamento, sua validade e efeitos, as

relações pessoais e econômicas da sociedade conjugal, a dissolução desta, a união estável, as

relações entre pais e filhos, o vínculo e parentesco e os institutos complementares da tutela e curatela.

- Arts. 1511 a 1783, CC

1 FAMÍLIA E ENTIDADE FAMILIAR

- Art. 226,§§ 1º a 4º da CF

- Família: casamento

-Entidade familiar: união estável e entidade monoparental (formada por um dos pais e seus filhos).

2 DO CASAMENTO

- Casamento civil: art. 226, § 1º, CF e art. 1512, CC

2.1 CAPACIDADE PARA O CASAMENTO

- Idade núbil: 16 anos.

- Entre 16 e 18 anos de idade exige-se autorização de ambos os pais ou representantes legais.

- Ausência de consentimento ou divergência entre os pais: suprimento judicial. -Casamento de menor de 16 anos de idade somente é possível para evitar imposição de pena (rapto e sedução foram revogados do CP) ou em caso de gravidez. Neste caso, há necessidade de suprimento judicial.

2.3 PROCESSO DE HABILITAÇÃO

- Perante oficial do Registro Civil (art. 1525, CC)

- Exigência de documentação pessoal e estando em ordem, será extraído edital que será fixado nas circunscrições do Registro Civil de ambos os nubentes por 15 dias e publicado na imprensa oficial se houver.

- Objetivo: verificar a existência de impedimentos e de causas suspensivas.

- Momento da escolha do regime de bens (se possível).

- Constatando não haver fato obstativo para o casamento, o oficial de registro expedirá o certificado de habilitação, que tem validade pelo prazo de 90 (noventa) dias.

2.4 IMPEDIMENTOS MATRIMONIAIS

- Não podem casar:

I- Os ascendentes com os descendentes, seja o parentesco natural ou civil; II- Os afins em linha reta; III- O adotante com quem foi cônjuge do adotado e o adotado com quem foi cônjuge do adotante;

IV- Irmãos unilaterais ou bilaterais e os demais colaterais até terceiro grau. OBS: Tio (a) e sobrinha (o) poderão se casar se houver dois laudos médicos atestando que tal ato não trará prejuízos à saúde da prole (Dec. Lei 3200/1941). V- O adotado com o filho do adotante; VI- As pessoas já casadas; VII- O cônjuge sobrevivente com o condenado por homicídio ou tentativa de homicídio contra o seu consorte.

- Tais impedimentos podem ser opostos por qualquer pessoa capaz até a celebração do

casamento.

- Se o casamento for celebrado havendo impedimento entre as partes o mesmo será nulo.

2.5 CAUSAS SUSPENSIVAS

- Não devem casar:

I- O viúvo ou a viúva que tiver filho do cônjuge falecido, enquanto não fizer inventário dos bens do casal e der partilha aos herdeiros;

II- A viúva ou a mulher cujo casamento se desfez por ser nulo ou anulado, até dez meses depois do começo da viuvez ou da dissolução da sociedade conjugal; III- O divorciado enquanto não houver sido homologada ou decidida a partilha de bens do casal;

IV- O tutor ou o curador e os seus descendentes, ascendentes, irmãos, cunhada ou sobrinhos, com a pessoa tutelada ou curatelada, enquanto não cessar a tutela ou curatela e não estiverem saldadas as respectivas contas.

- Podem ser alegadas somente por parentes em linha reta ou pelos colaterais em segundo grau, no prazo de 15 dias da publicação dos proclamas.

- Se o casamento for celebrado mediante violação de causa suspensiva, os cônjuges terão que adotar o regime da separação obrigatória de bens.

2.6 DA CELEBRAÇÃO DO CASAMENTO

- Ocorrerá em dia, hora e lugar previamente designados pela autoridade que houver de presidir o ato mediante petição dos contraentes.

- Na sede do próprio Cartório: serão 2 testemunhas ou 4 se uma das partes não souber ou não puder ler.

- Ou em outro edifício público ou particular. Se particular serão 4 testemunhas.

- Os contraentes poderão se fazer representar por procuradores.

- Princípio da publicidade do ato.

- Suspensão da cerimônia: exige-se declaração inequívoca da vontade.

- Fórmula sacramental: art. Art. 1535, CC -Assento do casamento no livro de registro.

- Casamento em caso de moléstia grave: celebrado pelo oficial, substituto ou pessoa ad hoc, onde se encontrar o doente, perante duas testemunhas.

- Casamento nuncupativo (in extremis): celebrado em iminente risco de vida de um dos

nubentes, na presença de 6 testemunhas. Se o doente falecer, deverá ser realizada ratificação

do casamento pelas testemunhas perante a autoridade judiciária.

2.7 DAS PROVAS DO CASAMENTO

- Realizado no Brasil: certidão de casamento.

- Realizado no consulado brasileiro: certidão consular que deverá ser registrada no Brasil no prazo de 180 dias, contados da volta de um ou ambos os cônjuges par o Brasil.

- Casamento realizado no estrangeiro: “locus regit actum”, o documento tem que ser

autenticado pela autoridade consular.

- Posse do estado de casados: nomem, tractus e fama (cônjuges falecidos, ausentes ou que não podem manifestar suas vontades).

2.8 DA INVALIDADE DO CASAMENTO

A - DO CASAMENTO NULO

- Quando contraído por enfermo mental sem o necessário discernimento para os atos da vida civil;

- Infringência das causas impeditivas (art. 1521, CC).

- Ação judicial pode ser proposta por qualquer interessado.

- A sentença tem cunho declaratório e seus efeitos retroagem á data da celebração do casamento.

B- ANULÁVEL

- Quando uma das partes, na data da celebração, não havia atingido a idade núbil (16 anos). Não se anulará se resultou gravidez.

- Quando um ou ambos os cônjuges for maior de 16 anos e menor de 18 anos sem que tenha havido autorização dos representantes legais ou suprimento judicial.

- Quando contraído pelo incapaz de consentir ou de manifestar de forma inequívoca seu consentimento. -Quando realizado pelo mandatário, sem que ele ou o outro contraente soubessem da revogação do mandato, e não sobrevindo coabitação entre os cônjuges.

- Quando celebrado por autoridade incompetente (ratione loci).

-Quando houver erro essencial quanto à pessoa do outro cônjuge. Erro essencial pode se referir à honra, à identidade, à boa-fama; à ignorância de crime anterior ao casamento; à

ignorância de defeito físico irremediável ou de moléstia grave, transmissível, pelo contágio ou herança, capaz de por em risco a saúde do outro cônjuge ou de sua descendência; à ignorância de doença mental grave.

- Quando um dos contraentes estava sob coação no momento da manifestação do consentimento. -Legitimidade e prazos decadenciais: são diferentes em cada caso.

2.9 CASAMENTO PUTATIVO

- É aquele que embora nulo ou anulável, foi contraído de boa-fé por um ou ambos os

cônjuges. -A lei permite, neste caso, a fluência de certos efeitos ao casamento (Ex: emancipação; alimentos, direitos sucessórios, etc.).

2.10 EFICÁCIA DO CASAMENTO

- Pelo casamento os cônjuges assumem a condição de consortes e responsáveis pelos encargos familiares.

- Planejamento familiar: livre decisão do casal (Art. 226, § 7º, CF e art. 1566,§ 2º, CC).

- Qualquer dos cônjuges pode acrescentar o sobrenome do outro.

- A direção da família é exercida por ambos os cônjuges.

- Princípio da igualdade no exercício de direitos e deveres (art. 226, § 5º, CF).

- São direitos e deveres dos cônjuges (art. 1566 do CC):

a- Fidelidade recíproca; b- Vida em comum, no domicílio conjugal; c- Mútua assistência; d- Sustento, guarda e educação dos filhos; e- Respeito e consideração mútuos. OBS: Esse rol não é taxativo.

2.11 DISSOLUÇÃO DO CASAMENTO E DA SOCIEDADE CONJUGAL

- O casamento válido só se dissolve definitivamente por duas formas: pela morte de um dos cônjuges e pelo divórcio.

- A separação dissolve apenas a sociedade conjugal.

- Emenda Constitucional 66/2010 alterou o art. 226, § 6º da CF: “O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio”.

2.11.1 Dissolução do casamento antes da EC 66/10

I-Separação

a- Judicial: consensual (art. 1754, CC) ou litigiosa (arts. 1572 e 1573, CC)

- Separação consensual: pleiteada por ambos os cônjuges após um ano de casados. O pedido

deve conter acordo sobre: guarda dos filhos; regime de visitas; alimentos aos filhos menores e ao cônjuge se necessitar; manutenção ou não do nome de casados; partilha de bens.

- A separação litigiosa, por sua vez, pode apresentar-se da seguinte forma:

- Litigiosa como sanção: fundada na culpa de um dos cônjuges. Grave violação dos deveres

conjugais que torne insuportável a vida em comum (adultério; tentativa de morte; sevícia ou injúria grave; abandono voluntário do lar por um ano contínuo; condenação por crime infamante; conduta desonrosa).

- Litigiosa como falência: verifica-se quando um dos cônjuges pede a separação judicial provando que há separação de fato há pelo menos um ano e a impossibilidade de reconstituição.

- Litigiosa como remédio: ocorre quando um dos cônjuges está acometido de grave doença

mental, que se verifica após o casamento, considerada de cura improvável e já dura 2 anos.

b-Extrajudicial: Lei n.º 11.441/07: inseriu o art. 1124-A ao CPC Requisitos: ser consensual (acordo quanto partilha de bens, uso do nome de casado e alimentos); por escritura pública; ausência de filhos menores e incapazes; prazo legal; assistência por advogado.

OBS: Seja qual for a espécie de separação, é lícito aos cônjuges restabelecer, a todo tempo, a sociedade conjugal, por ato regular em juízo (reconciliação).

II Divórcio

a - Judicial indireto (consensual ou litigioso): conversão da separação em divórcio após um

ano da mesma (art. 1580, § 1º, CC). b-Judicial direto (consensual ou litigioso): 2 anos de separação de fato (art. 1580, § 2º, CC) c-Extrajudicial direto ou indireto (consensual): Lei n.º 11.441/07

2.11.2

Após a EC66/10

- A maior parte da doutrina entende que a separação encontra-se revogada no ordenamento jurídico brasileiro pela referida emenda, restando somente o divórcio.

- Assim, o divórcio, atualmente, pode ser:

a) Judicial: consensual ou litigioso. b- Extrajudicial: consensual.

- Não se exige a comprovação de nenhum lapso temporal para o pedido.

- Não há qualquer indagação de causa ou culpa de um dos cônjuges.

3 DA PROTEÇÃO À PESSOA DOS FILHOS

- Arts. 1583 a 1590, CC;

- Rompeu o NCC com o sistema que vinculava a guarda dos filhos menores à culpa de um dos cônjuges pela dissolução do matrimônio.

- Princípio do melhor interesse da criança e do adolescente.

- Lei n.º 11.608/2008 alterou o CC introduzindo a guarda compartilhada.

- A questão da guarda admite sempre revisão não fazendo coisa julgada.

- A guarda pode ser unilateral ou compartilhada.

2.12.1 Guarda unilateral

- É atribuída a um só dos cônjuges, ficando o outro com o direito de visitas.

- Direito de visitas (art. 1121, II, § 4º do CPC): encontros periódicos, repartições de férias escolares e dias festivos.

-É atribuída ao genitor que revelar melhores condições para exercê-la: afeto nas relações com o genitor e com o grupo familiar; saúde; segurança e educação.

- Aquele que não detém a guarda fica obrigado a supervisionar os interesses do filho para,

inclusive, evitar o abandono moral.

- Direito de visitas dos avós: Lei n.º 12.398/11 inseriu o parágrafo único ao art. 1589 do CC.

2.12.2 Guarda compartilhada

- É a responsabilização conjunta e o exercício de direitos e deveres do pai e da mãe que não vivem sob o mesmo teto, concernente ao poder familiar dos filhos menores comuns.

- Princípio da convivência familiar.

- Ambos os pais persistem com todo o complexo de ônus que decorrem do poder familiar.

- Não se confunde com guarda alternada.

- O menor tem o referencial de uma casa principal, na qual reside com um dos genitores,

ficando a critério dos pais planejarem a convivência em suas rotinas quotidianas, facultando as visitas a qualquer tempo.

- Pode ser estabelecida por consenso ou determinação judicial

- Os pais respondem solidariamente pelos atos dos filhos menores.

2.12.3 Da alienação parental

- Lei n.º 12.318/10

-Consiste em um dos pais induzir o filho menor a romper os laços afetivos com o outro,

denegrindo a sua imagem.

-

Consequências: o juiz pode afastar o filho da convivência com o alienador; mudar a guarda e

o

direito de visitas; destituir ou suspender o poder familiar.

4

PARENTESCO

-

É o vínculo existente entre pessoas que pertencem à mesma família.

-

Pode ser: natural ou consanguíneo, civil e por afinidade.

-

Pode se dar em linha reta ou colateral (transversal).

-

Parentesco em linha reta: verifica-se quando duas pessoas descendem uma da outra e pode

ocorrer na linha reta ascendente e descendente, contando os graus por gerações. Não há limite para a contagem de graus na linha reta.

- Parentesco em linha colateral: verifica-se entre pessoas que descendem do mesmo tronco

comum. A contagem de graus faz-se da seguinte maneira: inicia-se contando os graus de um

parente até o ascendente comum e, então, parte-se ao outro parente. O limite do parentesco colateral é o 4º grau.

- Parentesco por afinidade: é o que decorre do matrimônio ou a união estável e que liga um

cônjuge aos parentes em linha reta e irmão do outro. O vínculo de afinidade em linha reta não desaparece com a dissolução do matrimônio

5 FILIAÇÃO

- Art. 227, § 6º, CF e art. 1596, CC: princípio da igualdade jurídica dos filhos

5.1 Da filiação decorrente do casamento

- A maternidade é um fato e a paternidade uma presunção.

- Presunção “pater is est”: o pai é o marido da mãe.

- O CC autoriza o marido a contestar tal presunção, não estabelecendo prazo para a chamada ação negatória de paternidade.

- Art. 1597 do CC estabelece que se presumem nascidos na constância do casamento quando:

I- Nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a convivência conjugal;

II- Nascidos nos trezentos dias subseqüentes à dissolução da sociedade conjugal, por morte,

separação judicial, nulidade e anulação do casamento; III- Havidos por fecundação artificial homóloga, mesmo que falecido o marido; IV- Havidos, a qualquer tempo, quando se tratar e embriões excedentários, decorrentes da concepção artificial homóloga; V- Havidos por inseminação artificial heteróloga, desde que tenha prévia autorização do marido.

5.2 Da filiação fora do casamento

- Os filhos cujos pais não forem casados deverão ser por eles reconhecidos, conjunta ou separadamente.

- O reconhecimento pode ser voluntário ou judicial

- Caso a maternidade conste do registro de nascimento a mãe somente poderá contestá-la

provando falsidade do termo ou das declarações dele constantes.

- O reconhecimento voluntário pode ser feito: no registro de nascimento; por escritura pública

ou escrito particular, a ser arquivado em cartório; por testamento; por manifestação direta e

expressa ao juiz, ainda que não seja o objeto principal da ação.

- O reconhecimento judicial é feito via ação de investigação de paternidade ou maternidade, ajuizada pelo filho a qualquer tempo.

6 ADOÇÃO

- O vínculo de filiação também pode ser estabelecido pela adoção.

- A Lei n.º 12010/2009 alterou o ECA e o CC: é a chamada nova lei de adoção.

- Requisitos para adoção:

a- Efetivação por maior de 18 anos, independentemente do estado civil ou por casal ligado pelo matrimônio ou pela união estável, desde que um deles tenha 18 anos de idade; b- Diferença mínima entre adotante e adotado de 16 anos de idade; c- Consentimento dos pais ou representantes legais e do adotando se contar com mais de 12 anos de idade; d- O procedimento é sempre judicial, inclusive para adotandos maiores de 18 anos; e- Estágio de convivência fixado pelo juiz. É dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante ou tempo suficiente para avaliar a convivência entre eles. É obrigatório na adoção internacional. f- É irrevogável.

OBS: O adotado tem o direito de conhecer a sua origem genética e ter acesso irrestrito ao processo que estabeleceu a medida.

7 DO PODER FAMILIAR

- Outrora denominado “pátrio poder”.

- Trata-se de um poder-dever atribuído aos pais quanto à pessoa e aos bens dos filhos menores.

- Apenas na falta ou impedimento de um dos pais é que será exercido de forma exclusiva por um deles.

- Estabelece o art. 1634 do CC que cabe aos pais no exercício do poder familiar:

I- Dirigir-lhes a criação e a educação; II- Tê-los em sua companhia e guarda; III- Conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para casarem; IV- Nomear-lhes tutor por testamento ou outro documento autêntico;

V- Representar-lhes até os 16 anos de idade e assisti-los após essa idade e até os 18 anos; VI- Reclamá-los de quem ilegalmente os detenha; VII- Exigir-lhes que prestem obediência, respeito e os serviços próprios de sua idade e condição.

- Quanto aos bens dos filhos menores: os pais têm o usufruto e a administração dos mesmos.

- O poder familiar pode se suspenso por determinação judicial.

- O poder familiar extingue-se: pela morte dos pais; maioridade ou emancipação; adoção; quando os pais forem destituídos por decisão judicial.

8 ALIMENTOS

- O direito aos alimentos pode resultar do vínculo de parentesco, do casamento, da união

estável ou da gravidez.

- Entre os pais e os filhos menores deriva do dever de sustento. Entre os demais parentes do dever de solidariedade familiar. E entre os ex- cônjuges ou ex- companheiros do dever de mútua assistência.

- Requisitos: possibilidade X necessidade

- Entre parentes é recíproco entre os descendentes e os ascendentes e entre irmãos. Os de grau mais próximo excluem os de grau mais remoto.

- Entre os ex- cônjuges e os ex-convivente cessa o dever de alimentos se o credor se casar

novamente ou passar a viver em união estável. Após o divórcio cessa o direito de pleitear alimentos entre ex-cônjuges.

- Entre pais e filhos menores: os pais devem sustentar os seus filhos até que completem a maioridade, ou se necessário até o término de curso superior.

- Alimentos gravídicos: Lei n.º 11.804/2008.

9 BEM DE FAMÍLIA

- Pode ser legal ou convencional

- Legal: Lei n.º 8009/90

- Legal: constitui bem de família legal o imóvel residencial próprio do casal ou da entidade familiar compreendendo também as construções e plantações que se assentam sobre o mesmo, bem como as benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive de uso profissional ou os móveis que guarnecem a casa desde que quitados.

- O bem de família é impenhorável, exceto quanto a:

a- Créditos de trabalhadores da residência e respectivas contribuições previdenciárias; b- Crédito decorrente de financiamento para sua construção ou aquisição; c- Credor de pensão alimentícia; d- Cobrança de impostos, taxas e contribuições referentes ao imóvel; e- Execução de hipoteca; f- Adquirido com produto de crime ou para execução e sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens. g- Por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. - Bem de família voluntário: instituído mediante escritura pública ou testamento, pelos cônjuges, entidade familiar ou ainda por um terceiro.

- Objeto: prédio residencial urbano ou rural, com suas pertenças e acessórios destinados ao

domicílio familiar, podendo abranger valores mobiliários. Não poderá exceder um terço do patrimônio líquido existente à época da instituição.

- Duração: enquanto viverem os cônjuges ou conviventes, ou, na falta estes, até que os filhos menores completem a maioridade, desde que não sujeitos à curatela.

10 UNIÃO ESTÁVEL

- Trata-se da união pública, contínua e duradoura, com o intuito de constituição de família, que se verifica entre homem e mulher não impedidos de casar.

- Quanto ao requisito diversidade de sexos, o STF já reconheceu a união estável homoafetiva

na ADI 4277.

- O regime de bens na união estável é o da comunhão parcial de bens, admitindo-se disciplina diversa mediante contrato escrito.

11 TUTELA

- Forma de colocação de menor em família substituta.

- Ficam sujeitos à tutela os filhos menores cujos pais faleceram, foram declarados ausentes ou decaíram do poder familiar.

- Pode ser: voluntária (testamento ou documento autêntico), legal (ascendentes, e colaterais até 3º grau) ou dativa (nomeado pelo juiz).

- Aos irmãos órfãos dar-se-á um só tutor.

- Pessoas incapazes de exercer a tutela: art. 1735, CC (Por ex: Pródigos, inimigos, condenados por crimes de furto roubo, etc.)

- Escusa: art. 1736, CC (Por ex: mulheres casadas, maiores de 60 anos, etc.)

-Exercício da tutela: o tutor apresenta praticamente todos os ônus que os pais têm no exercício do poder familiar.

-Cabe ao tutor prestar constas da sua administração. -Cessação: maioridade ou emancipação do menor; expiração do termo (2 anos); superveniência de escusa; remoção.

12 CURATELA

- É um instituto que tem por objetivo proteger o maior incapaz.

- Sujeitos: os que por enfermidade ou deficiência mental não tiverem o necessário

discernimento para os atos da vida civil; os que não puderem exprimir sua vontade; os deficientes mentais, os ébrios eventuais e viciados em tóxicos; os excepcionais sem completo desenvolvimento mental e os pródigos.

- Para que seja considerado incapaz deve ser interditado.

- Podem ser curadores: o cônjuge ou o companheiro; pai ou mãe; o descendente que se mostrar apto ou pessoa nomeada pelo juiz.