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Eni Puccinelli Orlandi (org) Pontes " 1998, capyright © 1998 dos Autores ‘ Coodenardo katona Ernesto Guineas Capa: Claudio Roberto Marini evade Equipe de revisor de Pontes Eacres PONTES EDITORES ua Masia Monteito 1635 13025.152 Campinas SP Brasl Fone (019) 252.6011 Fax (019) 253.0769 t 1998 Impresso no Bras INDICE Introdugte A leitura proposta ¢ os leitores possiveis, Eni Puccinelli Orlandi Aspectos da formu hist6rica do leitor atvalidade José Horta Nunes, Semtido, interpretagio € hissoria Carolina Rodriguez, Claudia Castellanos Preiffer. ‘As Teituras da/na Rocinha Bethania §. C No excesso de leitura a deftaglo de leitor Pedro de Souza. Meméria de leitura ¢ meio rural Maria Onice Payer. Gestos de leitura em linguas dk ‘Tania C. Clemente de Souza idude Referéncias de leit imprensa escrits ‘elma Domingues cla Silva a para o leitor brasileiro na 127 139 135 m A Pratica discursiva da leiturs 189 201 INTRODUCAO, A LEITURA PROPOSTA E OS LEITORES POSSIVEIS UMA PRATICA REFLEXIVA Exe liv € o resultado de umn trabalho conjunto ‘uma equipe formada tamento de Lingoistica do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. © grupo inicial que realizou esta pesquisa € compasto por pesquisadores desse nosso projeto € que se dispuseram a pat- ‘20 MEC-INEP: O pest 808 que compunham esse grupo ini realizou um evento a convite de Eliana Yunes da Casa da Leitura do Rio de Janeiro, (O tema proposto para esta pesquisa & a consti as institvigdes de ensino e esse sujet (gestos) de leitura e interpretagio. O discursivas que produzem um imagi fr, assim como para a definigao da leitura ¢ a caracte~ separago entre 0 que deve € o que nao deve ser lid, de. ‘0 & produzit uma forma de conhecimento sobre leitura © sobre sujelteleitor que dé & Escola uma sustentaclo sobre bases descritivas histrico-discursivas consistentes e que Ihe permita trabalhar com nogdes mais proximas das detetminagdes ‘propostas bem intencionadas) Isso de Discurso, 0 objetivo mais relevan a sua capacidade teérica e metodolégica na compreensio do Fendmeno da letura e suas implicagbes no que diz respeito 7 lagio de sentides em nossa formagdo so reendet, de modo particular, 0 espaca de de forma a deixar um discutir com aqueles que estavam envolvidos diretamnente na pesquisa proposta ao Mec-Inep: José Horta, Maria Onice Payer, Claudia Pfeifer ‘Telma D. da Silva, Pedro de Souza. Com isso c lum grupo de pesquisa: estabelecemos u questdes de leitura, Com a cyolucao dos ttabalhos e © convite para o evento na Casa Da Leitura, pesquisadores interessados — Freda Indursky, Maria Cristina Leandro Perreira, Tania CC. de Souza, Luiz Carlos Borges, Monica Zoppi Fontana, Carolina Rodriguez — produziram novos textos, Partcipando, todos nés, do evento da Casa Da Leitura,tivemos um contato efetivo de tra- balho com outras maneizas de refletir sobre a leitura € isto nos estimulou a alargar nosso projeto inicial, visando entio a pro- do conjunto de veflexdes realizadas, ro nio € apenas o resultado de uma pesquisa em conjunto mas da pritica de reflexio que teve um, ercurso em que nos expusemos a diferentes modos de trabalhar e a diferentes relagses com o pablico, ou melhor, com diferentes piblicos. ESTADO DA QUESTAO Uma das perguntas presentes de forma mais ou menos constante nos trabalhos sobr |, € a que incide sobre a relagio entre, de um lado, o ims sujeltovleitor para a Escola e, de outro, mente presente na Escola com suas det (hlst6rico-sociais). ‘Temos tematizado de varias manciras ess 1elaglo, tendo dado uma forma’ te6tico-metodologica a ela através da perspectiva da Anilise de Discurso, afirmando que 2 leiura € produzida, afi- ‘magio que coloca, em conseqiéncia, a necessidade do estudo das ‘condigies de sua produgio, Formulamos assim tock uma perspec liva de estudos que caracterizam 0 que ch sujeitoeitor ¢ a historia das leuras” CE. Or 8 mages concretas Além disso, jf faz parce dessa teorizagio a preocupagie em Sem esquecer prete sao relativaments respectivamente), ‘Nesse sentido, tem havido um investimento, nos trabalhos de rosso grupo, em pesquisas sobre ‘guagem, em que se confrontam oalidade e escrta de for ‘gular (histérica). Nessa digegio € que desenvolvemos pesquisas ‘que trata da formagio de um sujeito-leitor brasileiro desde 0 tempos coloniais (J, Horta Nunes, 1994). Ou seja, temos desen- volvido estudos que procuram explictar o modo como jf se con- para 0 que se pretende que seja 0 por exemplo, nos relatos de missionarios Para ating tal objetivo, analisamos exemplares de linguagem produzidos em diferentes instncias (escola formal, Escola agricol ‘Também analisamos a relagio de linguagem em sujeitos de outras cculturas, como 0s indios. Como sabemos, em Andlise do Di a historia ndo € cronologia, ndo € evolugio, nem causa-efeito, mas producio e mecanismos de distribuigz0 spretacio, em suma, como veremos, é funcio simbélico mais carecteristico da historcidade @ a inter- bretagao (land, 1990), Tm relaglo 2 produgio da/ma Escola, gostaria de observae que visamos tanto as formas ditctamente atesadas pela Bscola Como aquelas que mostram a produgio escolar sob sua forma 9 telagio do ciel ‘©.coRPUs: £ preciso dizer que 0 corpus em Anilise de Discurso inntvel «proviso itagZo do corpus ndo segue eriérios empiricas (posi- a —rtrt—s—— ‘com jé tivemos a ocasizo de dizer, adquire novas determinagdes, nsiderada em relagao. 20s & 8 temitca ¢ nio em relacio 20 mateal linguisico fico (textos) em si, em sua exienséo, Esse mater em fungio de um principio teérieo, segundo o qual centre © lingiistico ¢ 0 discutsivo nio & automitica, nio hi biunivocidade entre marcas ling de que slo 0 trago (as pistes). 2 Lingtisticn na descrigio das sistem: ‘uso0s (Orlandi, 1991). Por seu lado, as marcas lingisticas era si nfo dizem muito sobre um discuso,€ preciso considerar © modo ‘como aparecem em um discuso, ou Sela, temos de estabelecer seu modo'de existéncia em telagdo 2 propriedade do discurso que € 0 objeto da anilise, que estamos caractetizando signi. ficatvamente o discurso, em relagio is marcas que o consttvem, ‘Além disso, devemos observar que o que temos, empirice- mente, & um continuum discursivo, em que o inicio ¢ 6 fm nao sto deierminados e, logo, néo sio detectaveis perceptualmente (0 que se analisam 'sio estados de um processo discursive sem estados em si mesmos mas, antes, vendo ‘outros estados, igualmente’signifcaivos, Nessa perspectiva, os textos sio tomados como exemplares de discurso, Visamos 0 texto enquanto exemplar do disc 0 uma formagio dliscursiva que o regula e que, Juma relagio determinada com a formagio remissio ¥ ideologia que encontramos 0 que & sistematico, regu= 10 lar, constante, em selag2o a0 funcionamento do discurso. No analisamos.o sentido do texto mas como o texto produz sentidas, “Fambém nio trabalhamos com a organizacio do texto. O que nos imeressa € 0 que 0 texto organiza em sua discursividade, em relagio & ordem da lingua e a das cois unidace dscusiva, Esa" io" de relagces sign ineditismo de cada nificago, ‘0 fato do analista mas analise, na detecc2o dos screvem, Uma vez detecta- ificativo relevante para 0 tema e © objetivo dda pesquisa, ele deve ser procurado 20 longo do corpus, pelos recortes. Resta lembrar que outros processos a ele relacionados passam também a ser objelos de observacio. ‘A nogio de formacio discursiva € fundamental na determi- nagio de processos de significaglo. O discurso ndo € nem um sis- tema de idéias, nem um dispersio em suinas, mas um sistema de ide de uma enunciagéo (Foucault, € uma dispetsio de textos cujo smite definiclo como um espaco de rogularidacies enunciativas. Essas regularidades € que sto consignadas pelas formagées discursivas ‘Ainda para Foucault (idem) a nogio de discurso supde que no efinido, s6 uma parte do dizivel € acessivel forma um sistema e delimita uma id ‘curso derivamn a0 mesmo tempo da ‘As formagdes discursivas nfo tém fronteiras categoricas. Como diz Goustine (1982), 0 fechamento de uma formagio dis- ceursiva € *fundamentalmente instével, oo consistindo em um limite tragado de uma vez por todas, separando um interior ¢ um exterior co seu saber. Ela se inscreve entre diversas formagdes ‘como uma fronteira que se deslgca em fungio da Inta ideologi- u persas qu ‘da meméria (do saber discussivo}; esse domtnio constitut discusiva para 0 suj intervém no repetivel, no entanto, € 0 interdiscurso que regula os desloca das fronteiras da formacao discursiva, incorporan- (do inter € o do intradiscurso em sua relagao com as formagdes iscursivas pois € dessa relagio que deriva a possibilidade de der como funciona o sujeto, e & essa relacio que tabalham processos de identificagao que no estZo fechados em sua inscrigio em uma formagio’ discursiva determinada mas justamente nos das formagdes, que delimita 1992). uma pritica. B, m conjunto dle textos, pritica, € consttuide por pritica que o discurso, devemos comes por compreender que 2 nio existe discurso sem sujeito nem remissio do discurso a formacio dis ‘com a formagio ideol6gica que mages. Esa relagio a historiciadade do sujeito e dos sentidos. ‘Como vemos, a nocio de formacio discursiva € fundame sujeit, soja quanto &histria. AS formagbes tima posigao mas nio a preenchem dese tido, As formagdes so consituidas pelas diferengas, peas €or trades, pelo movimento, So um principio de organizacio 30 apalisia so parte da con las nao so definidas 2 pio Jizados, mas como regites de nogio de formagio discursiva como sitios de sigi (omespondentes a gestos de intespretgio), na relagio com 2 diferenga, AS. formacoes tonstante processo de recon thagio e afastamento , Mas em c texpretago, elas se esabelecem e detesminam as tidos, ainda que ‘momentaneamente, B iso que «i identidade aos sentidos © 208 Sujets, Esscs pontos de “atacagem’ (Orlandi, (199) ~ que nao Slo apenas pontos mas formagbes ~ t8m a forma hitérica dos tmecanismos Ideol6gioos que se 1do-se por aproxi- Para atingirmos este modo de constitui¢io dos sujeitos da lin- guagem e dos sentidos que produzem, cevemos fazer algumas dlstingvies com as quais operamos na delimitaga0 do corpus. So clas; universe discussiva, campo discursivo € espago discursive a, 1984). i60 discursive compreende 0 conjunto de formagdes ‘que jateragem numa conjuntura dada. £ pouet ‘operacionalmente pois s6 defini a extensfo maxis, o horizon partir do qual serio construidos os dominios suscetiveis de sserem estudados, os campos discursivos. Em nosso caso todos 05 discursos produzidos que se podem remeter 3 em qualquer época, em a regio, de qualquer tipo © campo diseursivo é © conjunto de formagbes discurivas «que se enconttam em concorténcia(alianga, confront, neut dade aparente, et), se delimitam teciprocamente com. determinada do universo discursive. E no interior do. campo discusivo que se consul um discurso © a hipdtese & a de que esta. consttvigio pode ser descrza em termos de operagdes sobre formagoes discussivas [d existentes (génese e interdiseus0). , no campo discursive, tés gem (oma posicio) em nossa sociedade atual jornais, ert espago discu produzida para o fda tanto pelas instivuigdes for- ¢ Privada) como menos formais, nas Favelas (a Rocinha no Rio de Janeiro) e nas Comunidades urais (no Espirito Santo) , assim como pelo efeito produzido fora das Escola. Podemos, enfim, para_organizar o corpus, distinguir os ‘seguintes modos de produgao de leitura: 1. O modo de produgao da teitura na escola e na imprensa; 2. 0 modo de produgao da leitura na escola e nas ruas (outdoors e pichagoes) 3. 0 modo de produedo da leitura na zona rural (escola rural, sindicato, escola agricola, etc); 4. 0 modo de producdo da leitura nas classes populares da zona urbana (favela): ‘5. modo de producéto da lettura nas propostas académicas (projetos de feitura nas Universidades). Queremos ainda observar que quanto @ natureza do corpus, teremos, como dissemos: a, materiais escritos, de imprensa; bb, materiais escritos pedagogicos; ¢. materiais orais de entrevistas, dd. materais visuais diversos. “4 ‘A cessa variedade da natureza do-corpus co fem nossa perspectiva, a heterogeneidiade i rnatureza dos sujeitos leitores. Nao Gomo 0 Discurso Pedag6gico tem como uma de suas formas de atuacio a universalizagao cas nagdes, essa contradigao marc. da pela relagio entre a heterogeneidade do Universalizagio de sua imagem nos interessa pas Para cada dominio de realidade que analisamc imprensa, eva, zona rural, cultura indigena e favela — tivemos que elaborar procedimentos a ‘que nos permitisse compree a) do corpus e a da andlise vi ‘estamos nunca dlante de um corpus inatgoral mas sempre em consimicio, A constituigio do comps jf € anlise pois € pelos pro- ‘cedimentos analticos que podemos dizer 0 que faz parte € 0 que nl faz parte do corpus. O que teré conseqliéncias cruciais para © objeto do tabalio. £ $6 q ppassamos 2 sua escrita (para os let nizagio (A adminisvada) que sj anflise, resultados, Dai que @ escria da Discurso, tem importa fundamental pois € esta es ois, nfo € nevtra como No entanto, nem por isso widade pretendem 06 cie cla deixa de se cor 15 FILIAGOES Alguns comentarios @ inscrigfo da Anélise de Discurso no 10 das cléncias nos dao indicagdes fundamentais sobre 1gdes twbriens e ideoldgicas. Poclemos distinguir duas espécies de comentitios que, na realidade, zeabam por mostrar uma s6 e mesma posigio cient corideologica 1 Alguns observam que a Andlise do Discurso tem-se pro- posto dar conta de algo para que a ciéncia da linguagem nao idade de saber. Estamos nos eferindo 20 residuo deixado por Saussure: a fala, Como sabemos, a lingua é 0 lugar da necessidade, das lade de andlise, € pr , feserva psicologi dade, do néo-controle ¢ da nao previs Deslocando a dicoromia saussureana de \ingua/fala para sgua/discuso, M. Pécheux muda o deseoho desse campo de portivel para a ciéncia ~ 0 discurso ( efeito de sentidos entre focutores) € ideologicamente marcado, logo regulivel, submetido A hist6ria, nto brotando magicamente de uma esséncia de um sujeito, expressio de uma mistica de liberdade, A liberdade nao © sagrada, Ela € his6rica. Eh é uma pritica, Bla se condigdes determinadas. Nada mais chocante para o positivismo sujeitos € dos discursos, 6 ima palavsa: determinar nao & a rigor, nem pre pio de funcioname: de poder manus designios. Posicao ambigua e di “onipotente (desarms tifcidade a Anilise de Discur "Nesse mesmo campo, hi paracloxal, que é a de rea ‘6 sujeto dono de st, aquele que inventar qualquer sentido. ‘ou se aceita um objetivo ingénuo ¢ mente © sujeito) ou negarse clen- tra sérle de observagbes, u yecer que 0 jogo da palavra ‘a orpanicidade desse poder lo*. Ao contrério, 0 que a de que cle esta & cavalo sobre a lingua e a historia, enive« neces Sidade © 0 neato, ene 4 certeza ¢ 0 equivaco, entre 9 est dade e'a movencia, enire a vontade ea indiferenga. Nao hi nem ‘um agente onipotente na origem € nem tim poder instcional todo podleroso a0 fin © sujeito se faz em um movimento de entrega e de resistén- cia. A resistencia, ais, € ela prbpria movimento do sujeo para ‘uma posigao que nfo o svbmeteintiramente coerefo. fa prt cde deslocamento desse sujeto em dierao 2 um lugar em que ele consid umn poder diver tagger, 1985). Digressio dos sen- procesio de resiténca & just. de discireo onde se posse 90. 2 Este € 0 segundo ponto em que se concentram os come) discussio: como 0 sujeito € capa’ nao haveria determinagio, Cielo que esta questio foi, desde 0 comego, objeto de reflexto. O modo que consider (patifiase) ¢ 0 da diferenca (polis: qualquer processo (discursivo) de signifieagac considerasse a diferenca entre criatvidade e produtividade (E. 1978, 1983). A produtividade, digo nduz todo dizer a0 mesmo riedade de sua produgio. Jé.a apontando para ‘vrtas posigoes do sujeito. Estes dois processos andam téo juntos: que & iimpossivet seps se evita 0 elogio da criagio subjetiva lagrosamente aparece do nada, ao mesmo tempo emt que indiferente a tansformagio, 4 ruptura, a diferenga pro- fa subjetividade. esse sentido, € preciso dizer que a Anflise do Discurso da Escola Francesa no fals, na realidade, em sentido novo ou velho. ‘quando esta & compreendida como cronologia, evolugio, Ora, na Analise de no se trabalha com esta perspectiva linear da historia, em Anal no & cronolbgi- co nem evol ide do discurso esta ligada a0 modo de funcionamento ne tem a ver coin a produgio de_sentidos, are Formagdes Discursivas. Dat prefeimmos a nocéo de sentido diferente, ja que ‘© sentido nunca esté sozinho, ado se produ de una ved so, em ‘um lugar 36, Nao € linear. © sentido se faz sentido. Em suas 18 |. quando pensamos o di ‘A nogio de novo esti ligaca a nogio de sujeito, Como viemos mostrando em nossa reflexio, : ‘rigem de si, Dat preferimmos fal ruptura, em transformagio em relagl0 resistencia, ein deslocamento © mudanga de indo falamos em ser ‘outros lugares em que cle pode estar se prod palavra, desconhecemos sua historicidade. Com efeito, o que hé Nao so nesn novos nem duzem pela exposigi0 do sujeito 4 hist Enfim, relacionadas a estes pontos que tematizamos, vem @ dade de interpretar, Ble nao pode ato inter- pretar. Esta € uma injungio. Bo homem interpreta por filiaclo, ou seja, fllando-se a este ou aquele sentido, inscrevendo-se nesta ou aquela formagio discursiva, em um provesso que € seu gesio de intespretagad, Cor . ccoisa-a-saber..s0 sempre tomadas em redes de memnéria dando os jeacloras © no a aprendizagens por € uma “interagio", e as filiacdes icas nas quais se inscrevem os individuos nao so iquinas de aprender” Imediatamente, @ pergunta que se coloca é: come fica nosse pposigdo como analistas, como prafessores? Nao podemos "ensi- linguagem enquanto analisias, como tratar a questio da interpretagl0 no proprio sujeto que fala, 9 seu dispositivo te6ri- £0, © sujito con ico que também funciona como mediagio, na_produgio dos sentidos, dando forma aos gestos de interpretacio (ef. &. Orland, questio da relagio com O sujet, para fer sentido, ent em vm ceo discurso, 08 Jue constituem os procestos discursivos. & assim a1 memoria clscursiva, Por liagio eno por spren- izagem. Ai & que ele se situa em relagio aos diferentes sentidos, isio. Ble ff (© esto de interpretacio ja vem carregado desta logico © 2 natureza Funda mentalmente dialogica (social) da linguagem). ‘de discurso, estamos inter vindo nessa relagio do sujeito com a interpretagzo (com 0 "dar" sentidas) ¢ logo com essa consciéncia que vai-se constituindo. O problema, como dissemos, € pensar que, ou pela ciéncia, ov pela rensinem” os gestos de interpretagio, se mude a idade nfo se ensina, mas podent-se trabalhar cs de identifieaglo. Pode-se alargar a capacidade de Gio do sujeito. Mas se estaxd sempre ideologicamente do. dito que somos pegos pela linguagem, Nesse sentido, somos interpretados mais do que interpretamos. Estamos de acor do com essa afirmagio, com a condicio de compreendermas que nao somos pegos pela lingua enquanto sistema formal, mas pelo 2 gua enquanto si ato, eu Fesponderia que o sujeito pode ficar indifesente 2 lingua. HS condigdes para que ela seus efeitos, Nao é s6 um jogo de significantes descarnados ‘guagem tem sua parte na lexerce sua forga inexora ‘Matraga, mas por precisio (G. Rosa, 1971). Eu resumitia isto dizendo que a escuta nao € ttansf ‘Cada um tem seu gesto que 56 sentido no seu evento. Mas 2 escuta, a interpretagio pode sei lise de Discurso € 2 que procura construir um dispositive que produza um deslocamento (Orland, 1996): 0 da produgio de um efeito de alteridade que faca © sujeito se desloque do ponto cego da transparéneia, do cevidéncia (0 sentido “nat assa ent¥o a expor seu 2 opacidade, deslocando-se para una leitura que trabalha ( apague) 0 eleito da alteridade, em que 0 sujeiio ndo se ide ‘com, mas observa, 0$ movimentos da interpretagao. ‘Tudo isso, para dizer que, na proposta da Andlise -de Discurso, A sentidos que ndo se aprendem, em termos de transmissio de sentidos (posiclo conteudista), mas se aprende tra’, estabelecer uma relag20 com 0 funcionamen- to da discusso e aprender o gesto da interpretagao. Em suma, pode-se compreender que 0 sentido sempre pode ser ovt {sto vai compor o gesto de interpretagio. Como resultado, adere a uma posigao, de forma estita, abalha-se o efeito da alteridade na lei Isso nfo significa que, para o @ boa. Os sentidos podem sempre sex re determinacio historica ‘Mais importante ainda & ref essas questOes ‘quando se toma em conta 0 que €, segundo Pécheu ‘queriamos dizer que a interpretacao, tal como a entende de Discurso, € a base mesma da definicio do dizer. O interpectivel, A interpretacio & sentido que retorna: o dizer que E assim que 0 repetivel (0 saber discursivo, sua metéria) iva_podemos entender a ideologia pela opie de simulacio . fala € ‘© 0 mesmo tempo 9 1 € 20 mesmo tempo o espaco do possivel: 0 dizer & sempre sujeito ial € sempre e 56 efeito. Em outros trabalhos, procurei fazer compreen € produzida. Neste estigio de meu conhecimento sobre di smental que se compreenda que prod ‘Tenho. procurdo mosirar como construcio da propria auloria supe necessatlamente um lugar de a 2 posigio do sujeito. Em outras ito a intespreiaco distibuido. De certo modo, 0 funcionamento discursivo tem 2 Quanto 20 trabalho preender como funciona a ei aq sparéncia, Escola, “quantos livros voce ls de romances, joa’ ~ comno existe por eXe inforalmente em tod sitacio de dizer slecer as fas que le neste volume) mis € também experimentas, seat 0 saber. Fesse % tilos, de se exporem tas efeitos, Fica-se ‘ousa saborear (provar) tenho visto estampado nos cu intelectual em geral: (Cuidado!) * Soltos", ©s resultados de nosso trabalho compdem esse livio. Que nnio deve apenas ser “usado* como mais um artefato mas que preferimos seja tecebido como um convite a pritica reflexiva. ASPECTOS DA FORMA HISTORICA DO LEITOR BRASILEIRO NA ATUALIDADE José Horta Nunes Labeurb/tinicanp Para que possamos estudar, conforme 0 nosso objetivo, o per: fil do leivor brasileiro dentro de um contexto especifico, que é 0 tagio dos sentidos, de acordo com as condigoes de pi leitura em €pocas determinadas. O sujeito se con: se a pattir de uma relagio contadit6ria teal do Novo Mundo (Nunes, 1994). Em vista disso, nao podemos deixar de levar em conta os tragos discur- sivos que, a0 longo de nossa hist6ria, vém formando 0 corpo aqui € vista nfo como uma acumu- lagio de conteddos, um espago pleno ¢ homogéneo, mas como "um espago mével de divistes, de disjungées, de deslocamentos fe de reromadas, de conflitos, ‘de regularizagio,..Um espago de 2% imentos, replicas, polémicas © cor 1x, 1983267), Desde a época da colonizaca: jos seguintes procedi lca de 1° e 2 grau ‘abservagio de priticas de leitura no espaco pal ‘com relacio outdoors, graftes © pichagoes; d) eussio com © grupo de estudos do projeto "P linghistico do leitor brasileiro na atualidade’ Focalizamos neste traballho de um lado as condigdes de pro- dugdo (ep) que envol ‘que concerne a insti diditico etc. De out 4 contextos mais amplos que constituem também as condigbes de produgio (CP) da leitura atualmente, Realizamos deste moelo um, Vaievem constante entre © discurso escolar © outros discursos ‘que intervém nete. Quando atentamos mais de perto aos termos relacionados & cexclusivamente, a0 dominio provar® que leu, tem que se sub- sm que prestar contas diante das fessores recisam. a0 espago econdmico e adm stura: acomular livios nas bil {TW ds do poy naires deste 6 recorte que distingue és instincias ideol6gicas determinantes da Teitura hoje: a instincia do juridico, a do econémico ¢ a do polit- «. Salientamos que a nogio de ideologia ni sentido de "falsidade* nem sas sim um espaco contradtério onde esto intrincadas diferentes ormagdes discursivas. ramos 2 ideologia como o mecanis- ‘mo de produzir 2 evidéncia, admitindo que se trata, conforme a cexpressio de Pécheux, de um espago paracloxal. Espago paracioxal que, em nosso iso, se maaifesta quando se fala de letura © 20 mesmo tempo de moral, de direito, de economia, de polities, de cetética. Inversamente, no campo da moral, do direito, da econc- mia, et, fala-se também de leitura, E nessa relacdo entre a pritica escolar © outtas priticas vigentes em nossa sociedade que analisamos algumas das condigoes de leitura auyalmente 10 ESPAGO JuRIDICO Para pensar 0 efeito-leitor no Brasil, propomos analisar de ‘que modo se di 0 processo de ensino, de constituicao de identi- ades lingiisticas e ao mesmo tempo nacionais em relagio & leitura, observando o ponto de contato que se trava com o espago do juridico, A questio € saber de que modo esti intsincado no funcionamento do direto no Bras pritica de letua e inter- escolar. remos, assim, a mancira como © svjeto-dedieito no fem sua forma hist6rica, se configuea enquanto letor den- 10 da escola a relacionadas. Pi seguida, do. fiun- da regra, de sua aplicagao, de sua inten ‘mente segundo pr modo anilogo aquelas que ori dizem respel regulamento interno préprio de cada escola. Ademais, existe ‘geralmente um programa de curso que orienta a nommalizagao cas atividades do professor; e também, cada professor circunsereve to de regras 2 funcionar, mais ov menos explicit seu curso. Ele pode igualmente estabelecer 0 modo. rpret-las. stemos dois pontos de interesse nesse contato entre a ica © a regulatizacio da leitura na escola, 0 {que conceme a regra grammatical, € © segundo no que concerne 4 Constructo de arquives e 2 interpretagio de textos, A regra gramatical: ensinar gramitica ou no? Pécheux (1981), analisando as diferengas entre o direito con- ramatical ¢ a regra juridica continental coincide larga- mente com aquele da gramatica ensinada, a0 paso que 0 do direito anglo-saxto € marcado pela inexisténcia de ura tradigio de ensino gramatical. No primeiro caso, terlamos um direio de regulamentarao, apotado sobre o sistema regulamentar de um texto redigido, lade a0 dominio das conjunturas da pritica juridica. Ja no Inglés, no ocorreria a aplicagao de uma regra a falos sempre jf constituidos no espago do direito, mas tratar-se-fa de *determinar em que medida os fatos ‘estado de coisas’ que se fez objeto de um julgamento anterior", Neste ca80, textos suces= sivos da série de julgamentos formariam no um ¢édigo vnifica- Ey na pritica jurc- , em sitwacio, pelo ica? Nesta seqiéncia meigo segunda graus, podemos notar que essa questao permanece atual para o meio escolar brasileiro: Pesquisador. Vocés discutem um plano de curso aqui na escola? Professor 1. O negécio é meio furado, entende, existe sim. Mas, como eu falet pra voc’, que a metodologia é livre, cada wm aplica 0 que quer, né, entdo o professor que acba importante dar gramética sistematizada desde a quinta, cle da, entende, fe detxa de dar texto, por exemplo, porque realmente pra voce dar a gramitica sistematizada ¢ fazer o aluno saber toda a ramética aié 0 final da oltava série, vocé tem que usar, di= ‘games, mais de cinglenta.por cento das aulas em gramat Alguns professores acham que se deve ensinar gramitica, ‘outros conservam esse atividade apenas parcialmente, mostrando: ‘se aceptos de outras tecnologias de ensino. Hi alguns, por fim, {que a substituer de nas como *recordac fue os akinossibam Que existe 4 uma longa tradicio de ensino de tal pritica tende a um di io de uma "Razio e 10 continental europe predomindncia da pritica escria, de estudo de gra lécnicas e procedimentos que focalizam a escrta © suas formas jem sendo renegada pela 2» izagio ¢ que frequentem« escola. Pensando o espaco do di sistema diferencial que opde 0 do procedimento; no entaato, hhaja legitimagio do altimo, Em outra parte (Nunes, 1991), mostramos © modo como as pou ‘oupenb win 9p eista ua seigo sep seonsynzene> seu ‘some 9p seyeuoig svu ‘seep seu 9seju v auodap Oxsiq “s9f9p win EE? 9p soanewosardas sauoine sop 9 sniqo sep sted 5Op OeSisodsip wu wrsisuo9 sapSnunsuod ste ‘SsoIUIS UY yvjOos9 oxxaruo 0 wind sepyaysuen > songuS:DATUN SOJOUE SOU “s3zan Sep euotew.eu ‘sepinasuao stuoar sod operpaut > Bias] 2p oport 0 ‘, SOUSA] SoUAXUTADW!, Sop OptYse ON “Ossod0Ud assa s9pUdoId «woo sourapod ‘tunyei91] ep OSzdso ou seaneradsatul sopypiane ‘sB|B sopniuas so wanayoqe%s9 ‘el 3p sopolw wauyjop sexenedso ap sodnis)‘seangid sessop opSaiyjord y as-aqaoied ‘siernyno soquuop sosionIp why 1138 anap 9 9pod on op omEURENAp “eINNO| ap waNyjod U onotitd um 9 awsg ‘oUeIpNOD ou “esUDsdusE wu “3E}0089 p einqunluo> wun wD sodeds> ap opdeut 10 sono sop OBSINQUISIP ¥ ‘ayuINAasuCN 404 “BINS WHA ap odedso Un ood uUISsE ‘OAISIRIKIP OMUTWUOP lun “Sagisanb ap odue> wn sours’ zej sins opoy mo] 2p seangsd woo o8Sejs Ens 9 oatyjed op soiuEUTWOP. 4 ‘Siodaq, 8 ted 9 so{ns Jod sooSoup ODLIyTOd OSVasA.O € o ut 2p no 0859 ap ono2H09 win 3? ontap oxswos ou 2 Yea ees nop omy oa 3 tsar ep seus 9 oq od $8 Bone Heqen osinD=yp 96 sninsur “sesarcta stasos ap fuer, ~woldutoo e soqaored ¥ nossa, sou 204 39 ‘epue ied sossaronut sow o51n9sIp 0 “soauoDe OF pep eduaa Ff OER! “orSeI2ye “opdn 2808 BY OEN “epHlasop 9 anb 9 sniueige “Rollo & mpueSedaid ep osinosip op ost Ot + @P 2 ofdeuNDe F ‘Seloy a sEmIONgH ser ea 2 wxaiduoo opepssiontp ofl wa ms 9p scueipnioo seonpid set arosut as seus spuadop ou 9]2 omy aq eI0059 o1ait ou soe jhaiamrepssie> aisjp > Eos aya EIN] 2p opous aisa steBo|s, $0 ‘Seateus sup sooorey “uepen sopepunus so opuexy “eluoN “osuiasnee aoe 8p soa} woznposd ‘srona feu set -tdso opsisodsip e ‘sooty soles pour eau ‘seispjed 9p S080 so ants luroyruBls Spepy|euaIEW ¥ aiqos a>Iax9 9s wpuesed jxsyord sop wongady“Soreyjo ‘siaBeequ ‘sexta IPH ‘Sesuas “srewiol eq us0o =p ovSnpord & IBIaF94 WD pURY eFo|s 0 49) eoseUs ¥ sopUdA, 2 Opeijnsa1 o owO> Fe ruodssp owisEIRGH Jonb anb 0 20] un vpea ovmua ‘opSyuepio02 wun Pq OPN pu ‘oss ysaL vayQnd 0989 BP SoBLD> 50 sopoL PU SOsHRDD1 | BOURID "od son" Dp "pesulesp Owo> Hts 9 ns v ans 25 opuenb s013} 119 ossnaiod Ou RMD] & sossoaid go 9 soxao go e900) 3 aero pout onb ap Jem ES sOH9, op tpezouonn| Ofsrunsvs © wed abedo seopuuee sepe, eioa ol evade epepat enya, © 2 outro wg (2a6l "xN>KDed) mem ap OG) nani 0 oss wo opesrele wig smBiaqin 9 39] opm apod ‘ses109 tte seodipto> ap no winsusa ap sagst -ueptur 30d anb *,034 LaMP] EU OWSEI9qF1 eoHugIod op oSedse win 1 Sehno 3p oysnpoxd 2 Sop oFSItnop 2p o1ssiua}aques 0 red 's © tind sua8; PUD “S04 ap sore owo> ‘omaje op op elas atodsos ap sore owor no “zoIuy oxdeiaidiolNy ep. ep ‘[esraaiun “ennaw apeptal 19 95 "saQ5e 0 fos "So1of soso ep 102 38 on nue ‘wal 2559 rezifeas ‘Buna » Skx9 ope 210282 @ SPH “Ousous poossad asosonus wogusy onb soup m9 Sul] auoaias ‘DomONGIG B LUPE 95 9 opu ‘ouLiowo Boma ‘Bien Danan amb sous sa. cu opopmiso Dior ha bude 210759 ved wera! 2p ouafo oxaoy opts roy Dagon 2 asipnie via Ou opnsa ‘onuawnpsenford sopopnes wae arb souanbixd wag sotepad ‘0190 ap sonore gos 98 Ona 119 9nBnsiod op opnsa ‘ut om op sno op uaBer5j op 2 cmmo op vfestoug op oprase On oiBsasas 9: ry eantonay 2 gnbiod ond v2 ouwpunes osin> 0 vps aif mo op 1 t0ssafoug. 29 anb manuoy ap oul ant) sopesinbsog prépria evar a0 esqueci professores, as instcionalment, sh no nag seal or timo, Ii um apagamento 20 nivel da weotoga que ted 0 espago da lect 20 dominio, por um fade de ens a sentidos — we te one fee Cpr Finalizando: formagao do discurso do leitor mos clementos dos espagos juridico, ico, deslocamos @ problemética dla leita de ‘escolar rumo a processos mais amplos af watégia de enilise nos permitia enxergar 0 ‘clagio a outras regides do complexe cenfoque esti felacionados. Hssa , que ele constoi de’ uma posicdo de tas vezes sem poder expor ¢ trabalhar a sua leitura, Desenvolve assim um discurso de Formular um discurso de leitor & uma pritica que as vez tem sido censurada na escola, tanto por excesso de autoritaismo, como por elogio 20 liberalism. Aqui procuramos mostrar que, a0 s¢ posicionar, 0 leitor se insere em uma memoria de leitura a ‘do nada, para a uigdes envolvides ‘com a prética de leitura, os modelos interpretativos, 0 trabalho de leitura, a formagio de arquivos, tudo isso inserido em um espago ideologico paracoxal, onde vimos alguns efeitos das instancias juidica, econdmica ¢ politica, Um discurso de leitor pode dizer: "esse livre € bom, gostei, ‘ndo gostei, %& interessante?, % ce fo". E ele pode dizer muito mais. Retomando 0 comentario de Orlandi em ume de nos- sas discussdes de grupo, diria que *o bom leitor € aquele que sabe que hf outs Teituras’ [REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS GADET Frangoise & PECHEUX Michel. 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Gostarlamos de di A noglo de interpretagio mobi definigio do papel do sujeito na. const destes com © mun relagio entte as iguagem e de , clo tempo, pois a8 formas das sociedades a 10 especifca entre do sujet chamamos dg patural-3 Sentido. 05 sentidos esti daclos por lagao, x sujetos autorizadas. 0 Pasa, 0 cle apres mente @ palavra A Igreja — mater et 95 cestabelece, a partir del devern se assujeitar, De da Igreja © seus dl ~ que traduze 48 inosalgums tipo de aprecings@ vidual por parte de_um suite acd Considerada hereby, que se afasia do verdade as veisbes inguisioras m No imtesior do rez As quais 08 sui ova fora de este «aso, bas ‘6 a IGREJA pose intorprotar (a igor, nao “interpreta, ¢FIEL) uta Intorpretagao = her (que se afasta do sentido divino) SENTINQS DIVINOS. ‘SENTIDOS NATURAIS aos por aces pola DEUS NATUREZA través da ats da REVELAGAO EXPERIMENTAGAO a sjetosautvieadoe: 2 sujet autorizadoe: Papa, clero os cients {que REPRESENTAM com ‘que TRADUZEM com FIDELIDADE ‘OBJETIVIDADE, palavea dina 05 dados naturals ‘part os qusisestabelscem | a partir dos quis estabelecom. Dogmas Les divinoe naturale seem acetos por todos 8 serom acelas por todos 4 SOCIEDADE © | SOCIEDADE @ a POLITICA a POLITICA dover se basoarneles ‘vem se basear nolas INTERPRETAGAG INEEAPRETAGAO_ descoborta do Aescoborta de SENTIDOS JA-DADOS ‘SENTIDOS JA-DADOS por pela Deus NATUREZA 36.8 CIENCIA pose interretar (argos, nfo ‘interpreta’, ‘SOBJETIVA) ‘ra ntarpretagbo = Idoologl! (eue ocutao sentido natura) lempretacdo, 0 pensamento religioso lein 0 sujeito ea histéria da consti- icagto dos sentidos © da jumana. O que 6, & como é por leis divinas ou natueras, aural ¢ dear de pensar que os stds so da dos 54 “GBI Isic €, 08 sujeitos tem um pap determinant, 1 ~Constituigao dos sentidos, mas. ¢ fescapa 20" seu ciprcaao & lela, oe fe ‘oculta’ nem se ‘afaista’ dele). A idole se delne aqui como disemos ro ney como 6 processo de produgdo de wm imagindiria, sto & produgao de uma ‘nterpretagdo particular que apareceria no entanto como a intor- protapdo necessiria e que _fixos as palavras, em que no significa negar a | mas dizer que 51 filo hf acesso direto a de/que ele & sempre ‘apres a ‘de’ uma inte ind, 1996), e nfo o real natural, aqulo wa 0 funcionamento ca Tinguagem ea. realidade C0, No momento em que se dda » il isin Leaso Fv, que sue da Bis tm de cate "Rete sed, € ese arr corapn daa Crit, que atou pap na Teint 8 cagio!2-0 fato de apresent imero exageraclo de novas era relagdo a extensio do text produto da legitimacio ¢ circulacio imassiva de certos gestos de leitura (Pécheux, 1982). Voltaremos sobre esta questio, Este andamento das. pritica da leitura na escola e das relagdes de poder ¢ de sentido jongmento do comentario, enquanto jtivo era compreender os diferentes fun- nado tipo de sujeito-leitor ¢ uma determinada No entanto, eu mesma fui pega roducio jf secimentadas para a notas, evidenciou-se uma dimensio do funciona- 5 que ai& entio nio tinha tocado minha reflexio te forga: 0 fato de que elas significam pela sua inserig2o no registro simbélico do silencio. Festa questio que hos propomies explorar neste trabalho: 0 intervalo semdntico!> ar waar Tee @ “ebro eet cae 0s paring deci 4 pated ves sdeson ene dee dain eee dere proce de shoe “4 que separa as notas de rodapé do texto por elas comentado e que 305 de significago produzidos nelas, na B. Jogo do verdadeiro-falso Logo a seguir dé encerradas 2agao das notas de rodapé, fos as notas que 0 comentavam. A proposta de trabalho conjunto se nt como uma leitura ao avesse, © objeto privilegiads de leitura era 0 texto das notas € ndo 0 objetivo dessa leitura ao avesso era decid as nots que apareciam comentando 0 Assis eram, de fat conte publicadas pelo ede « Tinventadas", Se os participants da oficina o} lina resposta, deviaun poder ck a cada nota, de que tipo se tratava e justificar © porqué desta decisio. Uma ‘quarta possibilidade também devia ser considerada; o caso em tivessem sido suptimidas © nfo apare- nas c6pias entregues para ai que nolas *auté sugerie original. © resultado da ‘contri. A caga a: ‘80 uma Gnica suspeita foi levantada por um dos participantes da oficina realizada na Casa da Leitura (R)).44 ‘Wicprains ein ane o we wa nea side. Conve 20 I fae demesmo a expan 65 Nao vamos nos deter aqui ‘uma das notas e das afirmacoes re do nosso trabalho basta, por enquant alegadas © compreender © funcionamer construido'® que podemos reconhecer ne ca da leitura na escola De maneira geral, oficina para reconhet refetiam a ués supost andtise detalhada de cada 8 sobre elas. Para efeitos elencar as razbes mais dos efeitos de pré- em relago & prdti- ros utilizados pelos paricipantes da 1 nota dle rodapé como *verdadeira" ingest das notas: 1- de contextualizagio do texto em relagto a0 mundo, a hist6ria © 4 sociedade, 2 ‘de explicagio ow definigio de termos considerados desconhecidos ov “eificeist; & 3: de esclarecimento do sentido dito literal de frases ou ter ‘mos considerados ambiguos. Contrario, as notas consideradas de tipo interpretative ou cram rejeitadas como falsas 16 Ia de consenso em relacio as notas *werd: luma discuss20 sobre 0. funcionamento deste comentadas, cujo principal resultado foi desarmar os evidéncia e tnaturalidade" produzides pelo funcionamento. dis. cursivo das notas de rodapé. Observou-se que o local de sua insergio nao era arbitriio, que o seu *contetido* também nao 0 ‘era © que as imagens de feitura ¢ leitor ideal por elas prochizidas reduziam os processos de significacio do texto literirio A fungio referencial da linguagem e identificavam a prética da leitura com "nota fantasma* apontava para a palavra da Opera- no texto do romance como set provavel local (© ue nos indica a presenga de um eritésio de tipo funcionando como suporte desta decisio: realiza-se ‘um julgamento/diagnéstico a priori da bagagem de informagoes {Fecha C7 dene o leo de prt enzo caso un clement gue indepen “mundo como agulo qe f' pesado ase, cn ora hg, epee, pe ‘trio o seid como vit, com see i, cn © pede de panes 16 Pv ONEMAT OF, pel asparagine do 108 presen de ves cones Sete tn Reh Seo tats tl eae Dam Gasman de sae dessas posigdes; ou seja, as selagies de identificacao estabeleci- das entie leitores reais e's posigdes de su) cles se constituem enquanto suje lam no imaginario social sobre a relagio literatura-eita- f-escola, imaginério produzido ele mesmo a0 longo do proceso de alfabetizacdo/escolarizacio, a partir da sedimentagia dos imos informativos/expl ina compreensio completa do texto por lum dos pré-constnifdos que fazer parte deste denciow uma marcada instabilidade nas operagées de art desses elementos pré-construds nos enunciados. Embora 03 cle- ments de saber os ees de pré-consuld) presents na for imulagdes produzidas pelos partcipances da oficina fossem os mesmos, era diferente a maneira como eles eram articulados na produgio dos enunciados que sustentavam as argumentagoes Desta maneira, a0 considerar as relagdes estabelecicas entre 0 texto literirio © seus comentitios, isto €, a0 trabalhar © intervalo semantico que sc instala entre as nots de rodapé ¢ 0 texto, bilidade contradigao nos proces: do que consttuem as posigées de discurso da escola. Essa zona de ide produzida pani do funcionamento do interdis- ‘curso (a meméria discursiva que fornece a0 sujeko as evidéncias o 180) enquanto efetto de pré-construiko (que A questio que estas observagées | intervalosemantico. que as que constituem as posigées do (para) inteirar 0 leitor 1 contexto que talvez ndo lbe pertenga A partir destas consideragcs gostarfamos chamar a para o fato de que, sendo a, necessidade das notas uma Qiiéacia do. reconhecimento/diagnostco de ume falta fo a este elemento pré-co1 culagio. se diferencia conittiris, Em coutras pal que percebemos 0 confit silencioso que se deflagra no espago simbélico do intervalo semntico entre das pos oposias, Uma que postula/diagndstica urn "carente"; uma outra, que se secusa a aceitar iagndstico & defende a imagem de um leitor mutosuficiente, *capacitado’. A partir dos processos de i uma destas duas i itor dentro de un determinado gesto de leitura, Se nosso trabalho sobre o funcionamento clas notas de rodapé nas edigbes dliditicas de textos lteririos tem demonstrado que a primeira posi¢2o corresponde ao gesto de leitura imposto hege- ‘monicamente pela escola, podemos inter ‘segunda posigio como 0 espago de resistencia que fica 20 sujeito para se consti= tuir enquanto sujeito-letor dentro de um gesto de leitura outro. No recorte que analisamos neste trabalho encontramos tragos este gesto de leitura outro: so as formas de incleterminagao da linguagem que aparecem nas formulagSes que afirmam a existén- cia de uma falta no sujeito-leitor > através do adivérbio de davida e do modo subjuntivo: talvez na intengao de interiar 0 leitor num contexto s6cto-bistor'- co que tale no Tbe porta, ), através do adjetivo € advérbio de divida, do infiniti vo flosonadoe do fatso do pretest. a nots bom ear enunciados possivels de- serem incompreendidos ou mesmo ambiguos...quando surge a palaura Génests, que possivelmente, segundo a posigdo do editor, deveria ser clareada. Este caso €, “Paje, nee volun, descent elles ter sobre oFunclnamento ks mr ‘de nmin da gan dies de um gests de rene $0 sto. 8 Acreditamos que 0 esqueci das notas € outro trago deste gesto de 28 Em ef ‘ramos 2 seguinte tepatticio: notas editor ree Monica, @ interpretacdo, isto 6, as notas de tipo interpretativo S30 julgadas como “falsas". Ora, se rz parte diferentes publicagdes que crcularam na se inscreveram no imaginario social sobre a relagdo leit raturz-escola com igus material que as notas identificadas ‘como sendo de tipo expl Interpretamos este fat © que 0 redux 20 papel de decodifi cuisivamente necessisio para permit sujeltoeiior em telagio 2s posighes de sujeilo configuradas em ‘outros gestos de leitura diferentes 20 gesto hegemdnico da escola Este funcionamento "defensivo” do esquecimento parece indicar ‘que junto com o processo de escolarizagio e cde um gesto de leitura oficial, se constroi 8 de leitura, que embora pres xxagio decortente ia um outro gesto f, fica abafado, silenciado, agindo ppelo viés dos sentidos a partir do silencio imposto. Este outro gesto de leitura permite a0 sujeito constituirse num espaco de resistén- ca aos gestas de leitura dominantes; resisncia que nfo se con- figura como contra-liseurso, que N30 consttui uma contra-litua, ‘mas urna davida, uma suspensio dos gestes impostos, um de silencio, no qual os processos legitimados de signifcagio/intex- pretagao se peidem, se confundem, se desma ‘Assim, as operagbes de negagéo que ‘enunciados, as marcas de indeterminaga0 ‘EL Tay vat one, ‘riando condigbes. pa a de leitura ao ave fo dos sentidos sol 80. indiferenciacio do ante, como o ceal da significagio. Segundo a alstor lor no apresenia divisses nento das notas de Hencio na produgko de ncio que as diferentes fam em processo constante de uma relagio dinamica estabelecidas no intetior de nfiguracdo € delimitagio, as diversas posigdes de st cath formagio. 80 privilegiado do ver de forma pro- dutiva ¢ criativa?” numa pratica de leitura nao parafrasti- 6a, € sua relacito com o siléncio e nado com a linguagem. Com 0 nome de leitura intervalar pretendo referir a esta rmaneira de compre considera a dos processos de io nos processos de identii- rmagdes discursivas que o lade e de tesiténcia (op.cit 92), € se 0 processo de pr ugio de leitura implica a inseigao do sujeto em diferentes posigdes de sujeito-letor configorades em fotmagées dscursivas cos de prod cio. £ 0 que me propus ‘TCE Ova (ese volomes al nas perguntas do. silencio e som e A Opera J6 nio tinha voz, mas teimava 80 € que me faz mal, acrescentava seus papéis. Quando andava, apesar de ‘uma prin Babilonia’ possveis, Vinha_aqat eres. Uma noite, depois de muito Cha 10 do costume, e como eu Ihe dssesse que a vida tanto ‘uma 6pera, como uma viagem de mar ou uma batalha, ‘abega replicon da é uma dpera e uma grande Opera, © tenor € 0 lutam pelo soprano em presenga do baixo e dos con ando no s4o 0 soprano ¢ 0 contralto® que hatam c em presenga do mesmo balxo e dos mesos cont, Bimdros. HA coos numerosos, multosbalados, © a orquestaglo E excelente. 1 Bibi do ago rio dos poco a Meno fos pre tos cetera rn dts asd ma he) 2 chim n ,) ber iat ¢ mil 20 mesmo ep, pce ih aia dos cntine 3 re humana nes rae Caer eo 0 barton. Stns masculine aa per, (pee cm Yor mals gua « >: 80 et epee thoes 82 ro, gue aprendes no conse al de iguel, Rafael e Cabrie®, nao coleriva a precedéncia que cles tiaham aa distibuigfo dos prémios. Pode se wea msi «z-em demasia doce e mises dagucles outtosconcistpulosfosce abotrecvel 20 sev génio essentialmente trigico. Tramou uma rebel que foi deseaberta a tempo, © cle exptlso do conser vatério, Tudo se tera passado sem mais nada, se Deus mio hhouvesse escrito um lero de Gpere, do qual sbtira mio, por entender que tal género de reereio era impropsio da’ Sua ttemidade.Satans levow 0 mans ‘Com o fim de masta que vaia ma reconciliarse com 0 ¢éu- compos a fo! levi-la 20 Padre Bterao, — Senhor, nto desaprendi a tendes a parttura, escutai-a, emen: achatdles digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés — Nio, retorquiu 0 Senhor, no quero ouvir nada = Mas, Senhor. — Nadal Nadal Salanis suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, ccansado e cheio de misericérdia, consentiu em que a 6pera fosse ‘executada, mas fora do céu. Cri teatro especial, este inventou uma companhia inteira, com todas as partes, © conoprimérias, coros e tenor, durard enquanto durar ’ fem que tempo seri ele ‘demolido por utlidade astrondmica. O éxito & crescente, Poeta € ‘miisico recebem pontualmente 03 scus direitos auroras!®, que niio so os mesmos porque a reyra da divisio € aquilo da 9: "Matos so chamados, poucos os escolhidos', Deus fem oura, Satanas em papel (Dom Casmuurro, Machado de Assis) REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS de procéal Philosopbiques 92. 239-64, M. (1970) Ef orden del aliscurso, Trad, Alberto yyano. Barcelona: Tusquets, 1980. F. (1987) "Tipologia de discusso ¢ regras converse Em A Linguagem e seu Furicionamento, As Formas so. Campinas, Pontes, 1988) piscurso e Leitura, So Paulo/Cam- pPinas:Cottez/Editora da Unicamp, (1990) *Reimpressio do Singular: um olhar francés sobre o Brasil", Em Terra a Vista, Discurso do Confronta: Velbo e Novo Mundo, Sio Paulo/Campinas. Cortez/Faitora da Unicamp, (1992) As formas do Siléncto, No movimen- 40 dos Senuidos. Campinas: Editora da Unicamp. —————. (1996) “Entremeio © Discurso", Em Interpretagdo. 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Campinas, Editora da Unicamp, © LEITOR NO CONTEXTO ESCOLAR Clasuéia Castellanos Pfeiffer Tabeurb/Nudecri/Unicamp sosipa0(Ges) na qual aluno, assim como todo © qualquer individuo, representagdes imginérls que alunos © professores fazer do "bom-leitar" 'Nosso corpus discussivo foi composto por andlises de gravages das aulas, de enirevistas com alunos e homogencizagio dos sujeitos que se constituem nos diferentes discursos esoolares. Poderiamos colocar os trés posicionamentos, sinteticamente, como: uma posigio assumidamente tradicional, fem que se adota o livio diditico ¢ acrodita-se na pratica e no em Smetodologias' (a qual chamazemos de grupo A); uma posigio ‘que se coloca como intermediéria, na qui didético empiricamente, porém se utiliza da livro didético (@ qual chamaremos de grupo B); ¢, ‘uma posigio na qual se bane o lio didatica por completo, assim 87 Juma mesma direca0, 0 contexio’ esiruturante dos diseuisos das diferentes, professoras apresentan maior ou menor énfase em algumas de suas carac ue circulam no grupo B, percebemos um fee talinguagem como modo de controle objetivo ‘A inerlocugio deste contexto esiraturante & toda mediada por perguntas eter professor apaga-se da cena, através le desctigbes definitérias ou de um diseurso di tendo a impessoal rela adentre £ interessa os ts tipos estruturantes: naarrativa, descrigdo © dissertagdo, A descrigdo ocorte quando © rumo da conversa € extetno 40 texto? € quando a professora quer plast para dentro do acontecimento momentos em didlos n0 texto, em sua mat apreen- fade — precisam ser legtimados, ‘As excegdes que constituem momentos de intetlocugao ou pelo menos de presenga’ de locutores sto interessantes de’ ser obser- A professora entra em cena pelo menos duas vezes para cexpressarjuizos de valor Poesia & 0 aqui, 6; "realmente € uma ddas miisicas mais lindas.) e coloca em cena 5 alunos por cinco vyeres apenas. Trés delas sio interlocugGes retricas que funcionam através de um ‘née! coletivo que aparenta ingrenar um trabalho de interpretacio conjunto que nio se dé verdadeiramente, Os outros dois momentos sio marcados por uma interlocugo em qué aluno € professor esiabelecem uma conversa — 0 assunto € a avaliagdo, Vale ressaltar que a0 falar de avaliagio, perpassa um discurso autoritiio que vineula a leitura 2 avaliaglo/selegio dos alunos. Finalmente, falemos um pouco dos discursos do grupo . £ a Ginica aula em que ha de fato troca dialogica entre os alunos. ‘A professora se coloca com uma postura mais de orentadara do curso de aula. Cabe-nos colocar que, na situagao de entrevista, 5 B70 mato & eval de is Rea = ciao de cast de Fund que expe ‘ava oe minradres ars de pote (6 Ba "Bu fl 20 Parguat poo temp comprar ete logo." 89 estruturando 0 discurso desse grupo estdo funcionando a nar iva a descrigdo. Ordens discursivas nas quais o enunciador coincide com 0 locutor, £ apenas quando 0 pi 1 vezes, 0 Iugar do professor da academia (no caso, as vozes de alguns px dos no IED) Quanto a represcntagio da linguagem que est em funciona: meni no contexto escolar, percebemos. inicialmente entende esta como tendo 0s sentidos colados 4s palavias, jf que, por exemplo, os exercicios sfo todos descontextwalizad jsso dizer "0 que & substa rota no.1) no pode ocasionar dividas nem aos alunos, nem 208 professores! Sempre que na enunciagio do professor evidencia-se a ndo ce univoca entre 2s e de sua metalinguay condicdo de imu Nos momentos em que sua opacidade vem & tona, & preciso eliminé- la através de uma total transparéncia como s¢ essa fosse, consti tutivamente, caracteristca da linguagem,? Indo de encontio com a concepgio de literalidade da lin- guagem temos a denominagio que € dada a certas distintas: € como se padéssemos, primeiro, apenas ler (decodificar) e, posteriormente, interpretar (qabalhe de reflexio sobre 0 que € inerente 4 palavra) muito claro © modo como a ra @PEcheux, 1981) esti se ‘apo inca que pode exer bal evan de usta do seco ea » dando no contexto escolar: 0 texto do como aquele que & permeado seja, nele ha espago para um sentido nz ent jf encontram so os desde sempre colados as palavras ¢ Jum texto Iterdrio no qual os sentidos que nele se dao té buscados, ma via inditeta, pois s4o imagens, ndo podendo Porém, apesar das tiquezas das meraforas >, Ao se pensa em sentidos outros que ndo aque- ivoco ¢ verdadeiro ao qual se chega, neceisariamente, ap6s allo interpre © sentido que esté por deiris da ‘fora € nico. Vemos, entdo, que o 0, € mais tortuoso, mas © ponto de ‘nico e verdadeiro. a ha anc um out apagemento: 0 da cralidade em detrimento da esera. Esa & entendiga como let- adbora e evidenciadora dos ftos — € porque est escrito que & As coisas se tornam enquanto tas ataves da escrt Quando Jemos, aquilo que nao era, passa a scr®, 1 56 na eserta que ho saber, jt que tudo €retrado do fvro Aidtic: via leiura'em vor alts 0 vit fala da professor clara mente dsserativa e calc no discurso da esrtt Nao ha espago para as “conversas sobre, 0s anos sio atropelados, por umm imero infnito de informagoes que se restrngetn, por exemplo, a chasiicagbes através de adetivagses ‘A lteaturaorazada “€ inclusive, em, algumas materia, empregada como forma ce castigo, sendo cobiado do aluno. 8 Jettura de um diseiso da eserta sem aenhurma marca de orl dade (como por exemplo & produpio foncica grafeme €') pfe bom lembrar que as opinides dos alunos so também dadas ‘oralmente, mas a avaliacio em si é feita através do material ‘empitico € controlavel das fichas de opinilo eseritas, Nao se Tad sb soa do feo do compro. Os pines so 8 tteiprets 0 i lizamos uma andlise comparativa entre o livid uli eon aula rote sae he ciated frm odt tik a Sinmun sacar texto mais complexo. — uma fungao pratica na vida do aluno — podem set determinac 3S profisionais. one ‘mesmo tnd oa como ua et ova spere’ es, ela ds rcs a ape 2 No que se bas series? Ba , pademos observar que o livro da St série € quase que totalmente composto por textos para I rativos, ele € quase todo tomado por um estudo renga entre 05 de Ste Bt ingua passe a fazer sentido para o aluno. Este fica restrito uma repeticlo mneméntca ou formal, sein que possa se inscrever no interdiscurso, N4o € por acaso que 08 professores reclamam tanto 10" igo com textos siz e teatro em 2 ligbes). £ de complexizagao! Pereebemos que ambos os livros seguem uma ordem hierérquica cansnica. “es dos caries que 2 Istoem — pecsonagem « edo Hk af un peesypoo de tea crung dS. ice lo ton apc pr clade olor elrerane qe 3 Estas dicas estando no ponto mais interpretar © ahuno pre gue 0 autor do 7a do alune ri cidade devida gramatica, enguanto’ “Apes de oot 0 gover atidenociic) de Wye Toe Mtn Nascinento “Corasto 1 “Congo de % necessidade de "dar sujetto que fala, é Is gestos de inte )" (Orlandi, B. 19936:2), jtagao (Orland, rio & dado a0 aluno espago so dadas espa pretacdo para os alunos, tudo indica que este também nao & aberto para o professor. As aulas de professores que se inserem no grupo A sto bem. exemplares do que estamos dizendo, Nelas nao é criado neahum ‘espaco interpretative para os alunos — que reccbem uma anche de informagdes sobre obras, aulores © 25 devidas leituras das obras. Ao nosso ves, sequer criado este mesmo cespaco para o professor que fala do lugar da academia, mais pare cendo proceder a uma repeticio mneménica/empiriea, no esta. belecendo sentidos para si realmente. joria das vezes, a professora ji de significincia criado — ou dado pela idemia — em outro lugar que no na sala de aula. Nao ha, ‘entio, uma entrada no espaco dizivel dos sentidos que estd0 se produzindo no processo discursivo: o professor veta — vetando- se — a entrada do aluno neste campo discursivo em especifico pretativo ndo foi deste, mas de outro, © que F que o“aluno — ou o professor Vemos, entio, que a idéia de Hora (1992), de que a historia colonizado brasileira somada a0 periado ditatorial pelo qual passamos produzem um apagamento da meméria de arquivo ara © leitor brasileiro, se verifica pelas priticas diseursivas que temos observacio. Normalmente, aluno restringe-se 20 ivr di inculagio no Brasil. A esco: larizagdo cerceia, através de seu veto implicito pelo uso do livro Aidatico, a constituigao da meméria discursva, Quando falamos no 96 fexto um cert tipo de informasio. £ s6 quando a discussio no € especfica do assunto do texto, mas de algo que este sugere que, or vezes, € pedido ao aluno que o interprete. Ou sejay hi uma telagdo com o texto de uma leitura centfics, endo que a interpre- taglo se restringe ao que o testo -sua leivura- provoca no letor € ‘no a compreensio do texto jess (ele apenas desencadeia sterioidlade clo texto). aquele que sabe encon- do. grupo A, observamos que a se diferencia muito da que & criada aa escola € aquele que classifica ios em seus momentos (as escolas Intevarias); © que sabe ler, apesar da metaforizagio da literatura (em que no se trabalha com o sent das 3 jinio da literatura, deve o aluno © fato de que ha algo funcio- nando na FD* daqueles que nao se colocam ortodoxamente fem nenhuma posicio (grupo B) que permite momentos de muptura por parte dos altinos. Sto momentos de formagto de sitios de significancia: quando 0 aluno questiona se "sucesso" umn adjetivo (ato jo realizando vma mera repetigio for- wando desconiextvalzadamente, 1 sendo atibuide que, porém, & cezceado pelo profes: wes do uso da metainguager cessitio frisar que nenltima riptara tem sua progresio permite pea figura do professor, fi que comentarios ds unos, fomo.0 que acabamos de por pace deste. O que € i fm om espago— ihesmo 4 como letorese no como .Fato que, coan a pro- Fes gue ecole pongo tacoma apo A, cote jf que a pantcipago da orm, em suas aula, restinge- S23 ti lua om ves as ces pocmas's biogas cons fo did Finalmente com relagioprofessora que se coloca como bus- cando novas praeas grupo ©), perocbemos que o “bom lear esti sendo mediado pelo ertrio da quantidade —o que interes sa ndo € o ipo de ‘has sim que se iia. F este habio que formats o gosto pela leurs, Nao hi, aparentemente, nenhium juzo de valor sendo tabalhado na questo do seja 6 98 bom-livo. Porém, cbservando as entrevistas com os alunos desta professora — 0: 1 percebemos que neles ha uma certas respostas, demonstramn foca' ou “no ter 0 costume de iblioteca® so caracteristicas de ‘uma imagem do que a escola, (ou qualquer outro espago de autoridade) querem de tor, jé que cles falam com naturalidade sobre os seus ‘gostos. O que percebemas € que em concorrencia com um dis. ‘curso que nao apresenta juizos de valores, hd outros 203 quais os alunos estdo expostos € sujeitos, poraato, a imergitem durante ‘sua vida escolar — e fora dela, Sio discursos qe constioem urns imagem calcada ¢ legitinada nae pela academia de Bomletor © boa-literstura Fica clavo, neste funcionamento, o que a AD quer dizer quan do fala que o sujeto-uno & uma ilusto; 0 que oeorre, na verdade, uma dissengio do sujcito em virias posigdes diferentes, imerso, fenido, em uma tela de FD" que se telacionam de modes diferentes (Censio, fundamentagio, confronto, paralelismos etc), [Nao ha, entio, como pensarmos na formagio de um sujito-leltor Jevando em conta somente o discurso, de um de seus professores, Contenicisticamente — ji que 0 professor, enquanto sujeito, tam. bem € distendido em varias posigBes que se recobrem tna aparen- ia da singularidade. O sujgito ests desde sempre na linguagem ¢, portanto, imerso na confluéncia de FDS, Ouitra caracteristica que esti em jogo no diseurso deste grupo €a do bomleitor ser aquele que colocaré verdadeiramente a sua opiniao nas fichas de opinizo de leitura. Enfim, felemos do perfil de leitor que se forma neste contex- to escolar. Através do jogo de imagens da rede de FD® que esti em jogo na linguagem, percebemos que ha a meméria de leitura dos alunos recupera mais aquilo que conceme ao espago do “contetido" dos livros — seu enredo ou tipo de livro (romance, suspense, drama etc.) — do que 20 autor em si, Quanto a0 arcu. vo, que deveria ser construido na histéria de leitura do alune, & interessante notar que, no final do periods de um ano (em que 20 livros deveriam ter sido lidos ex media), nenbuim uno con- 99 segue se lembrar de mais do que dois livros que ten lido! A per- gu ot al arquivo ou! ppouco espaco ocupado pelos alunos talvez demonstre que estes Info estio acostumados a Ihes ser dado o direito a vo: Uma outta observagio & 0 falo destes alunos jf terem tistalizaclo a distingdo entre leitura de Ikeratura © Estudlo (cieneia univoca). Melhor dizendo, a distingao se di entre uma leterea de Meratura, eitera oral do ivro didaticoe estudd Outre matéria, Para cles fer uma atividade rest 13; nas outras matérias os professores, a0 le io didtico, estio explicando a matéria — e, em fungio desta Meira" se dat como sendo uma transmissio de verdades adquiridas no texto, ‘Bio ha como os ahinos conceberem esta pritica enquanto leitura Finalmente no estudo, vai-se a0 texto para decorilo: € preciso it "Dem nas disciplinas escolares, € preciso decorar a materia. Além disso, o fato da avaliago dos livros set em ternios de quantidade ji demonstra efeitos na relagio do aluno com os livros: um exemplo é a resposta dada a pesgunta do entrevistador de leitor est funcio- rmagdes. A hist6rla a ser de sua inteira respor es nna posigaa de escrevente. havido espaco para jueles que se colocam na reas (grup. diferente, esta nao parece ter tio fo ‘com as outras FDS E€ sempre bom lembrar que um discurso nao entra em oposicio — exchisio — com outto: im esté noutro. Um constitutive do outro, jé que identidade alteridade ho proces. $0 simulkdneos que sé dio no discurs. Gostariamos de colocar, neste momento, algumas consideragoes da AD diante das Condigdes de Produgdo do contexto excol it lemos sobre a crenga da objetividade do stemittico. Ao se crer nisto, esquece-se da semantico-diseursiva da linguagem. ra que O designa (referencia). linguagem pa io pode ser qualquer sm conta apenas o momento final ~~ 0 enun- {inico — logieo- $0 que x -t qualquer um, no 0,6 em fungio de estarem funcionando, aa linguagem, hi ideologia. ‘Também emendemos que 0 efeito ideoldgico do ‘como "sempre-/-4" se di pelo fato de a pando em fnconamerto. Ou a0 eto to abut set don ter como se exes eatvestn deste sempie clades prlaves. Nee proceso, apace 0 mode aiaves Jo ual ees fender form Con 101 do h& como entender que ao aluno — a0 palavra capturar 0 sentido que 6 repetvel, as esabilzagbes, mas também os deslocy desiegulaizagoes, pemuthagées na rede de implictos fm ontias palavas, 0 terdiseurs0 A segunda referee ao ta. bao soca! da interpretacto no qual hé uma tensio entre aque les que tém o diteico a ea (os interprtes) c aqueles que apenas 2 legiimarn e/a mantem (CE Orland Fara que haj um evento interpreta € preciso que 0 suet se epresente no Iigae de i que ele se inscreva 10 Interiscurso que o sev dito sea ‘sso ocorre quando hd © exercicio da repeticdo bisiorica — o dizer inscrevere. no repetivel do interdiscurso,fazendo com que este signfique para © autor: € possvelatrbuit sentido a0 dizer Potéin, quando sb se of & repetgdo empirica (© sojeko esi no iterpretado, nao historciza)e/ow a repet¢do formal Co sujeto € sgmicaso ser vias lacam sentido. para ck), 08 sentidos nao. ce que nao hd a intefveacto nem de uma meméda -de uma institucionalizada (Cf. Orlandi (1993 6) 10 que pata haver sentido € preciso inscreverst no Gro) flea clara a necessidadie do efeto ideologien ipre-frk (© pré-constauido). “A interpretacio (autor) s6 se da se 0 steto reconhece @ materilidace linghtstica como dotada de senides colados a cla a prior Para que 0 sueito se cologue na posicio de autor & preciso ue ele cre um espago de inerpretagao (a possibilidade de gest interpretativo que vem do outro— virtua. ho mesmo tempo, ele preclst necessarlamente estar em relacto Gnserido 0) com 0 Outro—o interdiscurso, Neste, a memoria do dizer extd em fo clonamento, movimentando a ie de relaga0 das diversas FD ‘exitentes: os "sentids outros! em coniluénese por iso que, na AD, se pode falar que o efeito suetoeitor € necessaslamente’constiuive do sete autor, pois que para a [AD # extrioridade € constiutiva da lnguagem Porém, dizer que 0 autor 50 est em funcionamento quando esté em selagdo com o Outuo € © auto ato significa que todo ‘do por um sujeto-ator fara sentido para sujeto- sabemos que estes tém que igualmente entrar no repeivl histérico e estar em uma mesma rose de #Ds"f por 4880 que muitos nfo entendei por que & que ha certos pablicos 302 snetodologico — idualmente, 0 problema € estarmos dem a linguagem como literal, com 5 € veiculos transmissores de ver. amastados a FD" que os sentidos coladas nas pal dades tinicas ¢ univacas: a tal conhecimentol E enquai interpretativo como uma m se complexifics no qu porque *idéias si agem. por ¢ para syjetos.& pre- «iso, pois, que lembremos que a "norleitunt pode ser entendica ‘como um movimento de resistncla e de afmagio de ilentidade E a escola busca sempre a homogeneizacio, esquecendo-be que 6s sentidos esto insedtos cm FD. A escola nao admit vind leitor que estamos p forma-sujeito que diz respeito a todo qualquer individuo que se enrede nas FIs que estZo funclonando no processo de esco- larizagdo — portanto os professores também se engendram neste processo, 108 E como entendemos que sio as condigées de producto que’ «estio no bojo da construgao dos senticlos — nossa relagao cor ‘Mas que desconttolado ¢ portanto no "sem: aos proessotes que exo, no seu ‘coma sujeito capazes: 30 a vor de umn. ie ‘eunho 10 4 que tem o dieto ‘meverentes e, como quem no quer nada, ‘sermos sj intérpretes endo apenas escreventes! © 0 Saber". In: © Homem e Arqueologia de Michel Foucault). Colegio Comunicacao 3. Tempo Brasileito, RJ. 1971. 2) *Aspectos da Forma Historica do Leitor lidade", 1992, mimeo. Discurso ¢ Leitura, Covter, SP, 1988. Vozes ¢ Contrastes: Discurso na Cidade ¢ no positive Tesco", 1993 asteiormente. publleado. em Orland,” EP Interpret, ed. Vones, Petropolis, 1996) PECHEUX, M. (981) Lire HArquive Aujourd'but, St Cloud, Pats, 1581 104 AS LEITURAS DA/NA ROCINHAT Bethania S.C. Mariani 40 marketing € agora 0 snsrumento do controle social, @ forma a raga inpudente de nosss senbo cturto prazo ¢ de rotardo rapida, mas também continuo @ Himitado, ao passo que a disciplina era de longa duragao, descontinua. O bomiem rao é mats 0 homem conf india, B verdade que 0 capitalism iva extrema misira de es quaras dt bunanidade, pobres demats para adivida, numeresos demais ‘para o confinamentoro controte ndo 86 terd que enfrentar 4 dissipacdo das fronteivas, mas também a exploso dos quetos e favelas." G, Deleuze, Concersagdes.gifo nosso) 1 APRESENTANDO QUESTOES So mmuitas vas 20 ensino pal 105 ‘Tomando este ponto de vista como referéncia, tornase pos: re_ classes lo, uma observagio do *movimet Gales" que» pedagonla cama We ressso liscursiva que a escola finge a relagio escolar imposta €, no minimo, veres o impede de se perceber como [Em ambos os exsos, pode-se depreender na mater do sentido. Movimento que desemboca na - tica analisada formas de resisténcia emergindo ¢ conduzindo 4 ‘que ela € da ordem do incons lum enfrentamento os muitos sentides colocados em jogo. nes proces- 2 POSIGOES ENUNCIATIVAS E FORMAGOES DISCURSIVAS ses hiséricos de produsio © dispta dos sets, e seu efeitos. A bist6ria da formagio da fa ‘mais de quatro décads, migrantes vém para o Rio de Janeiro, ima la Rocinha & exemplar, H& ‘da miséria e da fome eldorado onde seria pos: (com deslocamentos) do 'discurso ionamento, essa retomada se di de dor da comunidde assume e reitera os vos desse discurso sobre 2 favela ou 0 reiorm. para, entio, neg ibuindo-o a outros favelades, (0 "Bx moro na Roctnba, mas nao gosto da. da... do pessoal, que é muito sem educagio, nao tem um pingo de edueaga, Profi ir ran lugar que nao existe pessoal da Rocinba." GO *.. a fata de educagdo, a fala de bigiene, entendet, porque é muita pessoa agui na Roctnha que etraga a Rocinba {or iso, As pessoas ndo tém comportamert, so (gual a wis ‘monsios.." Gi)". porque o pessoal que mora no Botadeiro, 1d, quer dizer, 148 0 paraiso, porque € embaixo. (.) tom gente que mora a rein ie pa po ro ran 108 (iv) *..as donas confuundem, sabe, alas acham quo sujeina faz arte da pobreza." (W) "Bu nao acho rsim ser favelado, Porque tem pessoas gue diz favelado para lixo, que mum presta, jagado fer eu? Tem certas pessoas que v8 um: favelaio, sabe, (21) "Ab, quando me perguntam onde moro, digo que é no alto da montanba, com ar puro e visia para o mar. E que além disso, s6tiro fotos do jardin, porgue da casa..." Consideramos que esta tede de © apontain o'conflto entre as posiges enunci porque derem a uma imagem, seja res domrinantes, Config st de discurso de resistencia da ‘camente — 0 sentido das palavras ou 0 produzir outros sentidos (para palaveas como tixo, bandlido, poicta) » Rocinha afirma un -nfe em uma Ou emt le aiguns moradores da comunidad fi resenga de duas for- pasigiio de hegemonia da formagao dh ominante) aRbsae produzemse. se Estumo-nos atendo a acepgio « 92). Falase diferentemente, ow de que ler & intexpr om outros sentidos, mim processo nem (0 sujet. E na material de ler pode ser compreendido Igo que hhumanas. Ao prod de produgio de sentidos, 0 tempo, também mio ocore bsoluto por parte do que ele produz em scionada com a ideologia? e com o € na repetigfo € no equivoco, juntos nama uum saber ‘conscie aparece como dbvio, como uma verdade ater Insisto neste aspecto: as diferengas estio. inst diferentes priticas discursivas € no, no pelo outro, Es \gaves, por sua vez, S80 cornpreendldos em hist6rias de leituras do texto, introduzidos por ‘mpedem, porém, que s¢ caia seia no exagero da at Queto dizer com isso que a instituigéo escolar ndo consegue sentidos est consequen: ‘considerada idade e exclusio das dliferencas, inte do processo disc cuja determinacto inalizado no meio is. Bum desses desejos & im objeto ce consumo ver wunicagdo) mas ni compelida a cas clscursivas que, como jé dissemos, delimitam. 0 que pode & deve ser dito (i que retomam as formagdes discusivas domi- a classe popular, na escola, 3s que no slo 56 seus. Mesmo 1e tornam como ponto de ali podera obs le eentanto se depara com 0 8 hegemdnica, bem como a repetigio dos sentidos igualmente hegem@nicos. Quando nao repete, & reprovada, A orgenizagao social do tabalho da leiura na gO escolar, portanto, supoe sempre a normatizagio do 42 13 ‘conto! e do espaco_escok dliversidade ido’, sobretudo em qualquer tradicional ndo suporta a con 10F exemplo, que o cot do quando usado na escola, como ponto de part objeto a ser lido (eu diria que sio teorias pedagogicas..), acabam pet so necessiriamente transformadas para pode natureza da rodugao de sentidos «que ali pe ‘So essas interpretagdes outras -— que no meio escolar oficial acabam silenciadas, mas que no espago comunitévio da favela aparecem mais fortemente sob a forma de resistencia — que pas samos a relatar ¢ a analisar na préxima parte. 3 OS MUTTOS SENTIDOS DA RESISTENCIA: A ESCOLA COMU- NITARIA UNIO AZ A FORGA ‘A escola comunitiria Unido Faz a Forga fica no alto da Rua Um. # uma escola que atende as criangas da Rocinha até do 1? grau e tem como professores rapazes ¢ mogas também moradores da Rocinha, Trata-se de uma escola comunitériacriada pela associacio de moradores e recentemente passou a ser assis- lida pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social: recebe ‘merenda e material escolar; tem servente, merendeira e profes- ‘sores pagos. Na Uniio Faz Forga, semelhangas ¢ diferencas jogam 0 tempo todo. Por um lado, 2s professoras buscam atuar do modo ‘tadicional, separando as eriangas em classes © em niveis, pro- 4 parte da comunidad. Alem disso, querem fazer vestiu ‘ersin a5 epedes na €poca). NO et + A gente quer colocar o que a gente té passando, a crise ‘oda. Bu sou muito assim colocar @ vida, essa pobreza toda." ‘Se eu vow falar para uma pessoa que tem curso superior ex vou falar diferente, né 7" ‘gente, aqui, todo mundo fala errado, m6? * Bente, nds pobres...Tem gente que se jutlga melhor que os ‘outros. Tem pessoas que & feliz." +'Se eu vou falar para uma pessoa que tem curso superior eu lar diferente, né? A gente, agut, todo mundo fala evra De um lado a gente / nds pobres; do ouwo, uma pessoa que 4am nivel superior / (pesoa) feliz. De umn lado, a vida /a else / esa pobreza today d sc, nivel superior /se juga inelbor /feltz, E 90 ambi etn: a goate / nds pobres / todo mundo fala erva Como surge ¢ iagio nds pobres/ala eva do (e, em deconrencia, Ie, esreve © procur sents ertados)? E ns sempre bem inter Sto discursos. qu sores, os quals, por sua vez, esta imersos dliscursiva, produzindo dutros sents, out uto espago escola Nos textos pr depreender a los se estabelecendo et terpretagdes, em 1€ 6 papel e a fungao da escola®, vofessoras: 0 confronte ‘al © pedagogico, mcom as dilerengas ents se proprio resisténcia (ainda que timida pode-se observar 0 uso de © verbo dever (no presente & futuro do pretérito do indicative e no presente do subjuntivo) texto 1— "A escola deveria atender..* "1— "A escola deveria propicia .* "I "A escola (..) ideal deve se preocupar ..* “UX — Uma escola de verdade deve ter." IX — "0s alunos dever ser observa." “Ill *0 diretor os alunes deveriam spe *V—"., oeducado} deva tabalhar * Vill" escola ideal é a que escja voliada ..” querem que a gente fale de higione. A falta dgua sempre. Como & quo fica” Nao dé para lavar as maos antes do lanche "Quando chove forte, as criangas no vem. Fal casaco. As vezes tem problema do barraguint Por um lado, a utilizagdo de deveraponta para um cusiter nor: mativo a ser seguido: a escola € uma instiquigao tio no dora e, poranto, deve. se observarmas 0 pedagégico predominante, ie, aquele dominante nos de ethucagio, verenos construglo com 0 verbo. ever igualmente presente. Nesse sentido, os professores-favela- as protessoras cutével na escola transferéncia. (p cla naginis, © aout repetigo evidencia Nao hd condigées mat pedagégico © oficial alguns episédios em que dos domunantes /legitimos, cionamento do discuiso de do gesto encontrado em tais episédios, ov melhor er tais prticas discussiva como ji mencionet anteriormente, da iron, a} conversa no Centro Co professoras falavam sobr vnessas condigGes. Uma dolas, eno, vefere-se @ Roctinha wsat- do 0 termo favela’ Outra, rapidamente, diz: "Que 60, que favela nada. Nos agora somos um bairro popular. Vocks exc ‘coram?" Todas rien, 1) Sobre formuidrios a serem preenchidos: "Quando eu tenho que preenchor este tipo de coisa, no itera bairro eu s6 coloco Gavea ou Sao Conrado.” © Wa escola comunitaria: ava comemorar 0 dia dos algumas professovas fizeram cartazes junto com sta tu Em um dos cartazes, bavia um titulo: "O que eu daria para o ro." Abateo do titulo, foros le car= idgios de ouro, mansées € roupas, todas recortadas e coladas pelas criangas, 1 ) Sobre wma reunido de trabaibo em sx sabado: Blas diam (para a pesquisadora: “Ab, ndo dé ndo. Sdbado é dia que ew dispenso a empregada, sabe? Dou folga pra ela." us Nos exemplos citados acima, a8 p dliscussos sobre a Rocinha, mexem com os resisténcia e aponta para uma ve ‘A inonia das prof © espago da nzo-comunicagao ente os doss gru- ‘omo a desconsttugao inevitavel do. modelo 120 te dos textos das professoras, i de ler e de represcatar 1 "Bra uma vez um boiadeiro que tinba muito gado ¢ 0 vaqueiro estava lovando 0 gado para a fazendla para gado. Ho trem estava boizinbo paroxo fi It. "Era uma vez um fazendeiro que tinha umas boiadas. Todos of dias 0 fazendeiro leva sua boiada para comer capim, mas um dos bois ndio quis seguir os outros. O fazen- dejro ficou muito zangado e fot até dew uma chicotadas mas ndo" (era Ido bom se eu ficasse lire ele vinba andando quando parow perto trem. derepente ele vio um trem cheio de bois. Ele pensou eu tenho que fazer alguma coisa si eu nao fizer nada eles udo irar filemon. Entdo ele ficow Ta perto aconteceu nada, Ele seguro o trem com toda forga @ vivou um bot enorme e ai com os seus chifres ele enpurrow o trem 0 trem quebrou.” ‘boi menor vesolveu parar em detxando a boiada passa’ eo farzendetro ademirado,* (© grupo de alunas leu relagoes feitas com elementos ext feses. que for 770 bot pare 0 tem, @ pensou que o fur dele seta ser le ficou na frente do trem, Sev ido’ o boi foi sacrficado. Ele fot supse # entrada do vem. B tibertou seus amigos.” mediagoes, confrontos, les 20 proprio si ‘eprops te de conven cn Osu Se tratando Je Rocinhe, deverse. considerar © 18 n30 se pode, de da grande, pelo mesmo. grupo ‘de *LX.O.", de Ronaldo German, feito em 1981. Em se ject, alguns abjetos que jue uma peneica € uma panela sem. tadas’ por uma aluna que disse estar precisindo destes ees. Out elaiono os grandes los pelos catadotes com aqueles cestos 4) tamente com suas hist 5 ALGUMAS PONDERAGOES FINAIS /adas em consideragio para ile dos gestos de ide discursiva espectfica, as igualmente particulates, produzindo sentidos diferentes. Este & © aspecto que a escola produgio de outros sentidos, de outtas leituras, de ovtras inter pretagoes, este € 0 gesto disciplinar que grande ps sociedacle também reprochie ‘UE quando? REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS AUTHIER, J. (édactew)) “Rappon a iE et perspectives de recherches", sd POUCAULT, M. Vigiar e pur s, Vozes,1986, ide + 2 Rocinha" SBPC. RJ, UFR), 1997 Comwmnicagao apresentada a 434 Gnimeo), re a Rocinha — a imprensa’ 10 congresso América 92 iro, Forum de Ciénein € publicado em Orlandi, &. Interpretagae), Interpretagdo, Ed. Voves, Pet © Souza, TC. .° in: O Historica e © Discursivo, Série 125 126 NO EXCESSO DE LEITURA A DEFLACAO DE LEIYOR Pedro de Souza Unicamp INTRODUCAO desse problema enquanto sintor leitor recém-chegado se espera dos que nela -0 ponto do sintome ‘uma dada orem de discurso, cujo ato de Tra quer Tal € 0 8 tmado, Assim € que a andlise proposta roe responce Gesse g 7 hie o proce ctcusivo que sue one node se 1s pedagdgicas antexto do ensino sups ‘Antes de tudo, 6 objetivo central, nesta ordem de discurso, imegiae 0 universics na universidade. Do ponto de vista di lugar fundamental : eae ns aqul no quadre de regelamentaclo da producto de dis- curso de que falou Foucaul(1971). Ou seja, a constinuigao de um perfil de leitor na universidade equivale historicamente a proce- igo, cul seu acontecimento xerlalidade’, Fssa observ responsiveis pelo ensino e aprendizagem Fis o que pretendo inves cfetuain € se apresentam 08 1 lisando 0 modo com que s= tas de ensino de leitura, Penso x8 que emerge nela 1 gesindo a polis pedagénca vgente, 4 producto ipde uma determinada posigio de leitor, posigao do se produz nem se reprodu leituras € escritas nstrugao do saber. Vé-se aparecer aqui to de auséncia algo como que us DA AUSENCIA DO LEITOR © objetivo da andlise que devo proceder € ristréar no disc latos selectonadlos um lugar vazio entre 0s textos expr leitura, no dominio da universidade, ¢ a realidade, que € 3s. Se a ausencia & odle-se SupOr qh mado © espago ou fur AAs regras de con: discurso que deter lextos expostos a leitura_no context acadéinico, ccottespondéncia entre a pritica de leiura observada e 0 regime a austneia da esperada posigio de lea Nao hi leitores para os ditos texto dlissettativos. A questi ial como propoc a escola francesa de Analise do Discurso. Adotar esse ponto de vista signifies conccber, des, oIetor como uma posto de syjeto também uma esvatégia sar 0 ponto dle emergéncia 129 la i as, ot sage te es serena sie e a ¢ as que se impdem ao texto de ford ns vm pte dela em primeira pessoa, Trtase de uma perspectiva meta-enun- ciativa, em que 20 contar como Ié, 0 sujeito constitui-se dentro de ‘umma dada categoria de leitores. Besse mado de falar da leitura que 2 transforma em expe ‘em que se pode perceber, num dado con- ‘cortelagao dentro de uma cultura entre de nortmatividade e formas de subjetivi Henguants pita discus em objeto de sabe, Antes de observa xpertnea historicamente eeu Tatura bjeva, 2 que se extbelece enguanto objeto de siber Citic no espago das linia ses dois moos de falar da letra tm ua ftrsecgHo com « conceto de acontecimento dicursiv, proposto por Feeheax 990), Ou sea sada una cera praca dnconva, a expen: fa, no caso'a da leur, 6 se tora visivel ¢ ntxpretivel oumnto acontecimento dscusivo, Sob cate pri, € posse sborday, staves dla, 8 determinagdes hitrcas que constivem arexperencia do lee do sueto envolvido hela como coias ac bordag é assinal: © aque ext pressuposto nessa abordagem & o ave asinala Crsobre™ 1s milipliad das teneas de genio sol dos os ndvidos slo feiton Sujeitos. interessante destacar nessa téade, uma dindmica que se bipotsia, sea oo individu € interpelado ci como objeto de observa frente a0 out, ora como ago frente a 81 mesmo lat duas oxdens de producio de subjetvidades, a pelando de fora, determina uma certa modalidace enquanto objeto de invesigagto, a segunda, agindo de determine a forma do svjeto rferio de si para si A sei apes das pas de ers, om o im de aaa ladoras do sujeito-leitor. A ané visa mostrar também como a gestio de um regime de interpre- ‘agio, instrumentado pela conformacio linguistica dos textos « pela ago positivante de um efeito de intiospeceiio, administca a leitura como acontecimento constituidor de letores, que, no caso das priticas em anilise, € previsivel e no aleat6ria. cexperiéncia relatada de ensino de leitura (Paes de , 1983) de que me ccupo € parte de um projeto mais amplo de ensino de letra « redagio, desenvolvido na DUC de S20 Paulo na década de 1980. 0 que se buscava era a formulagio de um diagndstico preciso sobre as dificuldades apresentadas por estudantes, em termos de dificuldades de leita m0 projeto. Mas nio deve ser esse 0 foco de minha andise. © que te interes € invesigar ns expengn cia relatada 0 proceso discursivo no qual pode se inscrr esta & diversas outras praticas de ensino de feitura ainda em curso na universidade Segundo 0 relato dessa primeira experincia, o professor sele- dio). A onca morre envenenada pelo tamas Hoje em dia, este mito apresenta as mesmas rtam sempre o tamandua trapaceando a onca, se tem um desfecho da historia. A onga ndo morte e a que foi castigada ¢, da. (cl; SOUZA, 1994) as mulheres — 0 tito de o pela furagio da orelha, "m comete 0 pecado € wi -m o Bakuriru Kapa, os homens 0 fazem com © fosto coberto por uma mascara de palha, néo podendo mesmo ser mostrado a ninguém, pois incorporado a seus corpos aquele que castiga. Se esse principio € desrespeitado, ipo € Interpre- 2 meu vet, piomove no s6 0 espago de ibém abre a possibilidade de jos. Desse proceso, 1 sea, a condigao de 163 40 de outtas formas de discursividade iano € o discurso cientifico, dando lugar & const ‘como © discutso cot 2.2 Mitificagio ¢ aproprlagio: 0 discurso cotidiano A forma mi uum processo disc “nfo age sempre, nem culam sem receber seu sentido ot a alguém a fonte, a origem do gesto d acrescento — € exatamente o apagam © lugar de uma autoria coletiva, qui meméria constitutiva, do pov. A aut ia meméria constt ‘no mito, pode-se falar de uma autoria coletiva € no discurso cotidiano pode-se falar de uma autoria verdad dos fatos em si no a de dizer, a verdade fo sublinhar que 0 1usa porque, na for feito construido pelo ponto de ‘origem dos discursos. & um efeito de ruptura com a realidade em, gages, como cenuo de cota. (FOUCAULT, 1971) un quase todos dizimados pelos muitos enfrenta afiliados 20 grupo Macro-Jé. apesar de ‘transcorridk c em dia, os Tapirapé dramat Ese revelam autores dessa "guerra". Com dangas ¢ cantos, simulam 0 combate, durante © qual quase dos Os Caiapo sao mortos. Os que represe: igo nao poupam as expressoes de sofrimento € dor © agonizam muilo até morterem. Os que DAO ‘morrem acabam fugindo. 108 exemplos, no « om os Caiaps, de um outro modo de de uma forma de anclo a inscrig&o \dagui ‘mantes por que o nome do menino era “Como? — indagou.surpreso. Vocé nao conbece 0 Elvis?" ‘Bem eu conbego um Elvis que era cantor ¢ morreu ha pouco ‘empo." “6 esse mesmo, Blots fot muito importante. Lilo inventou as Toupas colaridas, A gente vie {80 ra twleisaO cxguei do posto, Todo mundo ficor escandalizado quando ele tnoeriiow € aparecia vestido com esas roupas. Ai'a gente so Peter ra Assemblita e tomo tuma decisao. Resoluimor «ese os Babatrt do tam usar mais essas camisas brancas de micangga comprt- da ¢ abotoadas no pescogo. O pastor é que obrisgesva agente & se wstir assim, Mas quando a genie vii na telowiscio que o Elvis era famoso e saver roupa colorida, a gente dectct quae qual. quer um ta usar a ronpa que quisese” (Gn Souza, 1994) 165 descontinuidade, da raptura 0 do texto do indo, const leitura atestadas no mundo em css fUnGa0 es Tesmos poderes. 0 discutsoreliges, pela perspectva de Foucsul (1971), earn dente aqieles di Eos "que eno na orgem de cer ‘Ao pajé é concedida uma autoridad 6s fatos terrenos € ndo-terrenos. f ele ‘com fundamentaga0 na erenga ¢ na ica, : A susten- tacio dessa autoria €, por um lado, a legitimagao do seu dizer e, por out iucionalizaclo da Memoria, A definigio, entre os Bakar, do quem ver a ser 0 paié sublinha que stuffia fina ewano ¥-ctile wora ome Fetile ge fina eea-ne-pire soos doegat Sich itr Giemsa arsenate pas 25 dosigas. Ile ttt © feito da gente como tamém skiva fina akaums pebs ige-vn-dile torewanuge tadosegeddiiigs sigmmitse doa meme mie finn Ha muito tempo atras, quando ele ¢ os pasts de hoje ainda ndio existiam, nds morriamas com as doengas e com os feitiges.” (eigalo, 1985) der de curat fetigo e de saber ‘quem fez 0 Feitigo, A p de saber as coisas e exp! ia, aliado 4 esse contefido de verdade, permite deslocar a sua fala como discurso imaggo da ‘autoridade do pajé. Na organizagio Bakair (cf: CAPISTRANO DE so pense rlgose,@ ‘nero conse na descend rents fides por Dey no thea iteipepgio€ »descoben de sents jos pla naace A le do pe alice fos "au e, nese seid ue te Se de dcusidade de seis eee mai pata 9 dc Seat do que propane par gna 167 motives: © resp ada, ¢ 0 tabu dle uma CONcLUSIO. im sociedadies de oralidade, realm io académica para se chegar 20 postico © a J. A. Alegoria. Sa LAPASSADE, G. Grup 0s Organizagdes I ORLANDI, E, P. Gestos de 170 REFERENCIAS DE LEITURA PARA O LEITOR BRASILEIRO NA IMPRENSA ESCRITA. Telma Domingues da Silva? questées @ par ‘escrita, Com rela iri para a ndeu, na primeira parte do Manual Geral da Redacdo 'o Projeto Bditortal, iba de S. Paulo. Na segunda parte, compreet dos jomnais 0 Estado de $. Paulo, » Fotba de S, Pav semanais Veja © Isto @Senbor, © da revista Impronsa, mensal, referentes 20s an PARTE 1 —A NOTICIA ‘A produgio de sentidos na imprensa brasileira? pode ser pen- sada a partir da disingdo entre dois diferentes contextos politicos conde vigorou a cens a telagio jo-dito", na medida em que produ. como conseqiiéncia a ilusio de que tudo pode ser dito Orlandi (1992, . 75) distingue dois tipos de silenciamento: o siléncio constitu: local. A censura corresposcde a esse segundo tipo fornta localizada, 0 que, do dizivel, ndo deve dito quando 0 sujeito fala" (ibidem, ensa se situa a partir de uma imagem de credibili dade petante a sociedade, perante seu ptblico. Produzindo-se de modos diversos nos. doi 1105 hist6ricos-mencionados ‘cima, essa imagem de lade configura, por sua vez, diferentes sujeitoreitores. ‘A-censura — que funcionava, como a prépela imprensa fun- partic de uma concepgao informacional de linguagem em algo que lhe era ‘Assim, 0 proprio gesto da censura sobe's imprensaagia no sentido de uns imagen de credible dade para esia ima, de modo que, diante do governs 4 imprensa pide se consttuir como um espago de cla de dentine As ‘tanslormagoes no quadco politico acametam transfor ‘magies por pate da imprensa. Observa-se que jrmas de grande 3 Pau era qe sha once da impress no Bsc Maine, Betti Sampo ons,“ pedis depen ‘itculagio no pais, tas como 2 Folha de S. Paulo © O Fstado de $. fam, no anos que se seguem & Abertura, grificas, que, acompanhadas de cam rocutam construir uma "nova" imagem para igem de ina imprensa que se "moderniza’. Em meio idangas sdo concebidos os manuais de'redago, que, no sagao, ou seja, uma divulgacéo que res, € um fato produzido por esse pés-censure, esse _momento chamado da Muito embora esses ihanuais fossem destinados tancia aos jornalistas.dos pi 12 publicagio e divalgagio ‘uma refeténcia de produgia de (@ de leitores) que, no caso da Folba de. Paulo, remete a urn nov jornalismo, moderna @ obje- ‘v0, comprometido com 0 sex publica’ Sobre os er que uma divisio & entre textos as teins A-norma- lizagio recaird diferentemente para um e outto, na medida em que 0 texto no-assinado representaré tio somente a fala do jor nal, que deve_possuir_um-padsio. Pela definigdo da noticia como “puro registio das fatos, sem_ comentario, nem interpre- tagio"S, a interpretecio fica’ autorizada entéo apenas para alguns,” 0s s, Sendo. negadapara-os-redatores, Cujo lwaballié (Compieendido como regisiro dos fatos) pode ser apa gado, enquanto autora, pela Femete a0 que Pécheux (1982) denomina ". E isto funciona entio na construgio da autoria institucional do jornel, Pelo que se apresenta no manual, uma padronizago a seria possivel através do silenciamenta do sujcito que escreve, isto €, do tedator, silenciamento® que se pr Eo Pro tra a Pb de. Pd no Hata de ag da Pb de Paul, sso “Pelt edeona” De den, series, fo exeipo, es wees Pluralism, apartiacisin « Objetivdade 5 Meete Noda do Merwal Goa de dicta, p38, Em rela ainda = ea onic do texto lise, a abe 5 tte sleneumeno rence a0 ue Gdn simoltaneamente por uma auséncia das posigbes partidérias, rela, na medida em que aponta para procedimentos, fazendo-o ‘manual: “Estrutura da Folha’ ‘mentos profissionais”, “Normas gramaticais", "Convengdes grafic ‘cas" © "Vocabultio jomalistico’ Vejamos no verbete Objetividade, trenscrito a seguir, como isto se dé: “Objetividade — Nao existe objetividade em jornalismo, Ao redigir um texto e editd-lo, 0 jornalisia toma uma série de decisies que sao, em larga medida, subjetivas, influenciadas Por suas pasicoes pessoais, bdbitos & emogdes. ‘sso ndio'0 exime, portm, da obrigacao de ser 0 mais objetivo possivel. Para retratar os fatos com fidelidade, reproduzindo a forma em que ocorreram, bem como suas circunstancias @ repeercussdes, 0 jornalista deve procurar wblos com distancia mento e frieza (..) Ver verbeies Distanciamento (peg. 108), Emogio (pag. 75) ¢ Exatidio (pdg. 30).” (Manual Geral da Redagio, p. 34) © verbete Objetividade encontra-se na sesso’ "Politica editorial” do manual ¢ os vetbetes para os quais cle aponta fencontram-se, respectivamente, nas. sessoes. "Procedimentos profissionais", “Padronizagio de estilo" e “Politica editorial” ovamente. Na scparago objetividade/ subjetividade, que subjaz na propria consideragao da objetividade como algo impossivel de set atingido, mostra-se uma compreensio da era a sua materialidade lingistc ‘enquanto fato da ordem do imaginaeh definida como "puro registo dos fatos", most de uma evidéncia para 0 acontecimento a ser noticiado. Nessas regras que aqui se apresentam, no manual da Folba, Jornal se coloca entio na contradigae entre ap Impossibilidade de silenciar a "subjetividade” do jor a4 sibilidade ena impossibilidade dé uma compreensao univoca do acontecimento. Para exemplificar o que estamos dizendo aqui, selecionamos wechos dos verbetes Pluralismae ¢ Aparti- darismo, a seguir: Pluralismo —- Numa sociedade compleca, como é a hnasileia hoje, cada fato 6 objeto de interpretacces diver gentes, ndo raro antagénicas. A Folha se prope a refletir essa pluralidade de porttos de vista e assegureir o avesso do leitor ao espectro ideolégico da soctedade em que vive. CJ"anual Geral da Redagao, p. 34) ‘“Apartidarismo — A Folha é um jornal apartidario (...) O apartidarismo da Folha significa que o fornad toma partido om relagao a questdo. discutida, nunca em relacdo as facgies que se debatem:em torno dela, C...)"CManual Geral da Redagio, p. 27) Durante 0 regime militar, como dissemos acimma, o dizer da imprensa se constituia como um dizer mareadamente politico, posicionando a imprensa como uma instituigao que resistia ad podendo exercer a su: da imprensa, também » femetia a um perfil © um sujeito que se posicionava politicamente diante da situagio do pais. Se a sociedade pode agoza ser vista como democrs cabe ao jormal mostrar-se através. dessa de uma diversidade de tomaria isso possivel, ‘como obrigaria, i magio. Se durante © regime militar a informagio mostrava-se comprometida pela censura politica, a Abertura “devolve” ao jor- nal esse seu compromisso para coma © apartidarismoe a pluratidade sa0 e: esse jomal (@ Folha, no caso, mas também outros produtos da ‘migia) tomou a sua responsabilidade. Em fungao da credibilidade, que se constitui pela relagio da imprensa com a informacao, o jornal se desloca, com a Abertura, de um valor politico que the determinava uma posigo, o que produz a ilusio de que 0 jornal passa a existir apenas Como um produto de mercacio, com a sua 175 “O desenvotoimento daFolba depende, hoje, menos da posteae «io jormal em relagdo ao mundo do que da forma pela qual ee Inata 0 mundo e 0 incorpova a exisiéncia pessoal do lito” (Projto editorial da Folba 1985-1986", julbo de 1985) PARTE 2 — FICCAO E NAO-FICCRO. Numa primeira classiicagi0, 0 conjunto da produgio literivia distingue-se, nas publicagdes que analisamos, entse ficgao e ndo- ficeAo, ou seja, entre aquilo.que & ou nio produzido a partir do real, compromictido com 0 conhecimento da realidad. Essa €a dis- tinglo que se coloca como evidéncia primeira para a classificagao das obras. Entre 05. langamentos de ficgio presentes no corpus por cxemplo os chamados romances ‘obras problematiza jf essa distingio Alem disso, essa distingio. se tencontra ainda associada a outras como cidnciae arte, objetividade © subjetivicdade, descrigio e interpretago, Nessa segunda parte do trabalho, pretendemas refleie um pouico scbre a coincidéncia e a no-coincidéncia entre as distingoes mencionadas. Primeiramente, traremos trechos de duas obras didaticas brasileira dc Alftedo Bosi © A teratura portuguesa de Massaud Moisés que tabalham uma cronologia da literatura, brasileira © portuguesa respectivamente) © do artigo *O grande salto para a histor'a" (lornal do Brasil, 21/9/91, cademo Idéias/Liv autores, editores ¢ exiticas, dos livros diditicos vern se dar de modo a que possamos contrac por cronologia literdria © mercado editorial, enquanto espacos difecentes de produgio de leitura — isto sempre no sentido de ‘uma compreensio da inscrigio do romance hist6rleo, do signifi- cado da sva produgao, hoje. Em seguida incluiremos a andlise de alguns artigos de critica de obras nao-ficcionais, A selecao desses textos se deu em fungao 176 do que novieia o tabalho: a questio da inexpretagdo ¢ da cxede bilidade do saber nas préticas da Historia ¢ do Jomalismo, 1.0 ROMANCE HISTORICO. ‘De qualquer forma, 0 gue esta acontocenda como novidade que a bist6rid esta pousando na cabeca e nas mndos de muitos escritores.” (“O grande salto paara a pistéria", Jotnal do Brasil, 21/9/91, caderno Idéias/Liur0s) Muito embora o romance historico se apresente aqui como tuma novidade, cle jé tea ums historia em meio @ literatura Podertamos dizer, porém, que, neste espaco de leitura, a'apre. sentagio do romance histérico para o Ieitor como, uma novidade do representa um desconhecimento, se considerarmos que a imprensa nao cabe invariavelmente © papel de retomada da me iteratura, papel que caracteriza, sim, a. escola. A ‘entZo, antes, a uma relagio com um mescada inte anterior, estabelecendo com este uma de um boom de obras fiecionais do género, ide — de que o romance histrico seja apre- iz -novidade sem que isto represent ‘au, 0 romance histrico é referide como sha novidade no periodo do Romantismo, como de resto 0 propio omance: a histéria do romance histérico parece se confundir com 4 histéria do préprio romance, género de nasrativa que se desen. volve na Europa pés-Revolucio Industrial, encontrando-se associado 4 constinuigfo da sociedade burguesa: "Os ingleses, que se anteciparam ao reito da Buropa na mar- cha da Revolucao Industrial, $4 dispunham, no séexlo de narradores de costumes burgueses (Fielding, Richar 05 roménticos acresceram-lbes a flegdo bistirica Manzoni, Dumas, Hugo, Herculano)'¢ 0 romance egotico-pas- sional (Stbendal, Lamartine, George Sand, Garret, Camilo), 7 formas acessiveis ao novo publico leitor composto principal ‘mente de jovens e de mulheres, ¢ ansioso de encontrar na «literatura ‘a projepao dos préprios conflitos emocionats, O romance foi, a partir do Romantismo, um excelente indice des Interesses da sociedade culta e semiculta do Ocidente, A sua releviincia no século XIX se compararia hoje a do cinema e da Lolevisao.” Bast, p. 106, grifs nossos) “O romance, no sentido moderno de prosa de ficgao, surgi ‘ao mesmo tempo que 0 romantisma. Substituindo a epopéia dos antigos, acabou sendo a epopeia dos tempos medernos: © romance identifi buurgues de vida 4 mento da estética romdniica, a tal ponto que 0 romance ¢ a classe brurguesa parecem ter destinos absoluta e indissolu- vvelmente ligados , como o préprio Romamtismo, 0 romance é de origem ingle- sa...” Moises, p. 152) Ainda segundo Rosi, em oposigio & literatura clissica que vigorava anteriormente, 0 romance bi tal como 0 romance de modo geral, estaria associado a um momento, dentio da hnst6ria da literatura, de maior liberdade formal: “Na Franca, a partir de 1820 ¢ na Alemanba e na Inglaterra, desde os fins do século XVII, unanova eseritura sitbstituira (05 cBdigos classicos em riome da ltherdade criadora do susetto, .2.A epopiia, expressao bertica jé em crise no século XVIM, 6 substituida pelo poema politica e pelo romance bistérico, liore das peias de organizagao interna que marcavam a nar: rrativa em verso.” Bost, 105) No que se refere & produgio brasileira desse género, e desse iodo literdrio, temos os romances de José de Alencar, entre iro seria marcado por uma exakacio isca de uma identidade para o pais nacional e indigenista, ‘ecém-independent: “Ora, fot esse 0 Pertodo de introdugdo oficial do Romantismo tna cultura brasileira, E 0 que poderia ter sido um alargamen- to da oratéria nativista dos anos da Independéncia (Pr. Ganeca, Natividade Saldanba, Bvarisio) compos-se de tracos 178 passadistas 0 ponto de o nosso primetro bistoriador de wlio ‘exaltar ao miesmo tompo o tndio ¢ @ grande poeta cantar a beleza do derndculo; enfim, de o nosso primetra ro que tinba fama de antiportiagués — in sobranceria do colonizador: A América ja livre, e repisando 0 toma da liberdade, continuava a pensar ccmo wana invengao dda Europa.” (Bosi, p10, grifes no original) Retomemos agora © artigo "O grande’ salto para a historia, referido acima. O texto tem por objetivo discutir sobre as razbes dessa tendéncia para a fiegio historica hoje ‘magi da possibilidade destas obras contribuirem para a uma “identidade mar a atencio, iramente, para a repelicio desse discusso da identidade na cidade desse momento hist6rico. “Quanto aos motives da retomada do romance bistrico, Scbwarcz lembra que 0 fendmeno & internacional, mas com- corda que no Brasil o resgate da meméria nacional talvez igado a uma desesperuiriea quanto ao futtiro do pais” thwarcz, editor da Cia, das Letras) | > ‘Hdeolegicamente s6 tenbo um limite: escrever sobre temas brasileiros, Sintoome participando de wm processo de busca da fidentidade nacional.” (Ana Miranda, autora de Boca do Inferno e O retrato do rei, edtados pela Cia. das Letras) 0 Brasil passou por um momento em gue pensar a bistvia seriamente fol impassivel « hd a necessidade de que esse res- gate seja feito, tanto pela historia quanto pela arte. Cristina Cerdeira da Silva, professora de literatura portuguesa da UPRY, autora de um estudo sobre o romance hist6rico de José Saramago) Fungae do silenciamento historico que vigorou durante o regime 179 10 am decorténcia do que se ficgdo. Assim, o que ‘ou seja, dessa produgio ‘que diz respeito a um discurso sobre essas obras ¢ a sua sociedade hoje, observamos que estas se colocam “Mas ba também razées de ordem lterdria e editorial: diarte do impasse entre a chatisse do nouveau romance e 0 realismo do baiva qualidade da literatura contempordnea americana, o romance historico é a aliernativa que o leitor entende, gosta «, ao contrdrio do.que acontece com os bestsellers, nda tem vergonba de dizer que esté lendo."* (Paulo Amador, autor de Rei branco, rainba negra, Bd. 12) "0 objetivo de fosé Orlando com a colegao é langar tum wtulo por iimeswe ¢-egotar a tingem num prazo de sels meses, 0. que vem consegisndo fazer aproveitando também 0 aspecto Paradidético “desses” lures, gue so adotados como complementagao para o estudos de Historia em escolas.” “Por outro lado, o bistoriador osé Rufino, autor de Cronica de indoméveis delitios, acha que ia ficgao bistorica ganhou forga na medida em que a bisiéria como cidncia perdeu a credibilidade em decorréncia do deftexo do marxismo ¢ do ‘materialismo bistarico @ da sua falta de precisdo e rigor nas