In a state of alterity

Laurie Kang & Edit Oderbolz

(alterity=otherness)

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Arte é, em muitos casos, categorizada para que o discurso crítico possa
desenvolver-se. O discurso critico permite que se estabeleça o diálogo, uma
opinião e, possivelmente, impulsiona o progresso de uma disciplina artística.
A orgânica e estrutura dessas disciplinas possibilita a existência do mercado
de arte e da História da Arte. Esta exposição irá focar-se na diluição destes
limites com o objectivo de criar uma nova e indefinida área para agir
entre diferentes media. A imposição destas categorias será interrogada
através da natureza estética e conceptual das obras apresentadas.

Gostaríamos de nos focar na multiplicidade de estados intrínsecos a um
objeto artístico, sejam estes despertados pela sua função, materialidade,
valor estético ou pelo seu posicionamento em relação ao espaço. Temos
vindo a sentir uma curiosidade na forma de um medium agir como
outro. Dentro desta exposição a mesma obra pode assumir o valor
material e ontológico de um outro medium, permitindo diferentes
interpretações. Por exemplo, uma fotografia adquirir propriedades
escultóricas ou uma escultura surgir como realidade arquitectónica.
Misturando o variado leque de conceitos a que cada medium é regularmente
associado, isto irá permitir que o observador decida por si mesmo o possível
significado destas obras.

Nesta exposição, o Espaço Painel, Porto, apresenta obras de duas artistas
internacionais: Edit Oderbolz (Suíça) e Laurie Kang (Canadá).

Os tecidos fluídos de Oderbolz - Untitled, 2017 - transformam o espaço
físico, consequentemente ativado de forma distinta por cada visitante,
numa interação influenciada pelos seus interesses teóricos, pré-conceitos e
sensibilidade visual.

 de que forma a ativação pelo observador altera a
perceção/comportamento da obra e sua leitura?

Por sua vez, Parallelogram Studies, 2013, de Laurie Kang incide sobre a
manipulação de materiais fotográficos onde a artista supera as ideias
preconcebidas de colagem através da exploração da forma e disposição do
material, permitindo que cada visitante considere o seu trabalho como algo
diferente.
 Daily exercises using light sensitive and changing photographic papers and
chemicals

 In her work, which eschews simple labelling as photograph, collage, sculpture,
or installation, she frequently blurs the boundary between image and object.
An example of this is her “Parallelogram Studies”—montages of cut or torn-
apart photo paper. It is as if we were being presented with the primordial
emptiness that has become inscribed in realities since the inception of
photography. Yet precisely this makes it clear how these inscriptions have, from
the outset, likewise been reliant on material carriers that move to the forefront
here as an independent photographic element.

 photography as an ongoing material practice rather than on the question of
the production of meaning. The resurgence of interest in the analogue might
be seen as a kind of desire for the image as object, for objects as images, a
desire for images as raw sensual data, images that do not refer to anything but
represent a kind of performance in and of themselves, a discrepancy between
what can be said and what can be seen

Esta exposição irá funcionar num desfocado estado de alteridade. É a
partir deste processo de pensamento que a abordagem para com a estética,
códigos e até mesmo categorizações destas obras de arte serão
reconsiderados.

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