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Raja yoga Brahma kumaris vivendo uma vida

Raja yoga Brahma kumaris vivendo uma vida

melhor.

Raja yoga Brahma kumaris vivendo uma vida melhor.

Lidando com a negatividade

Neste mundo, há tantas perguntas sobre nosso

 

futuro, o meio ambiente e a população, a situação

 

política e financeira, a distribuição de recursos. Só é

 

preciso pegar um jornal para perceber que o mundo

 

está numa situação terrível e por isso é fácil se tornar

negativo.

 

Se quero me tornar negativo, posso encontrar mil e

 

uma razões para sê-lo. Se permito que todos esses

 

fatores me influenciem, é como se mil armas fossem

apontadas para a minha cabeça e eu me torno

 

negativo. Outro fator são as pessoas que me

 

rodeiam; é muito fácil ser influenciado pela

negatividade delas.

 

Posso ser influenciado pelas pessoas com as quais

 

trabalho e às vezes, a negatividade delas me ataca e

fica difícil manter o equilíbrio, leveza e felicidade

 

por causa das reações e respostas negativas delas

 

para tudo ou pela minha resposta negativa a elas.

Posso não gostar da forma como falam comigo ou

 

olham para mim. Assim os sentimentos de ser

 
pressionado por todos os lados gradualmente

pressionado por todos os lados gradualmente

crescem. Como posso escapar?

pressionado por todos os lados gradualmente crescem. Como posso escapar?

Mesmo se eu escapasse, haveria outra percepção

 

profunda que o problema na verdade não está no

 

mundo lá fora ou nas pessoas que estão comigo. Se

passo poucos momentos em uma reflexão honesta,

 

percebo que o que quer que esteja acontecendo

 

dentro de mim tem raiz na minha negatividade. Isso

não trará satisfação ou leveza e pode até causar

 

depressão ou peso, porque significa que percebi que

a

negatividade está vindo de dentro. Como eu lido

 

com isso? Posso compreender. Ao compreender e

perceber, percorri um longo caminho para ser capaz

de consertar as coisas.

 

Compreendo que o período da história pelo qual a

 

civilização passa agora é particularmente escuro.

Porém não será para sempre. A condição do mundo

é

horrível, mas mudará. Depois da escuridão, a luz

virá; a noite se torna dia. Isso acontecerá na

 

passagem do tempo. Não posso forçar o dia a vir,

 

não posso forçar o passo. Nessa condição, aprendo a

ser um observador desapegado. Posso fazer parte

 

dos movimentos que trarão o dia e não permitir que

coisas afetem o meu próprio estado interno de

 

consciência.

 

Isso requer um pouco de experiência. Posso traçar

 

uma analogia: um ator desempenha um papel no

 

palco e está totalmente envolvido em tudo o que está

acontecendo. Alguém que está na plateia é

 

consciente de tudo o que está acontecendo no palco

também, mas existe uma diferença no estado de

 

consciência. Tenho que aprender a ser ambos nesse

jogo da vida. Tenho que ser um ator e um

 

observador. Tenho que ser capaz de dar passagem e

olhar para as coisas a uma certa distância. Isso trará

fé e confiança ao fato de que a escuridão da noite

 

passará e a luz do dia virá.

 

E sobre a negatividade das outras pessoas? Sei que

 

se sou afetado pela negatividade das outras pessoas,

estarei conectado em um ciclo de ações, reações e

 

respostas às quais não tenho controle. Mas se as ver,

ouvir e as respeitar como seres humanos e

 

indivíduos e entender seus pontos de vista, não me

 

permitirei ser movido de minha posição interna de

estabilidade.

 

Se puder me certificar de que permaneço mestre de

 

mim mesmo, a negatividade deles fluirá sobre e

 

acima de mim e não me influenciará. Posso

 

perguntar a mim mesmo o que quero e então me

 

mover nessa direção para alcançar a meta. Posso

desenvolver a arte do desapego, sendo amigo e ainda

assim não permitindo que me toquem.

 

Posso traçar uma outra analogia: pensem na imagem

de uma flor de lótus. Ela se encontra em uma água

 

suja e estagnada, mas a lótus tem uma substância

 

cerosa em suas pétalas e nada consegue tocar a

 

superfície dela, a sujeira escorre. Posso criar essa

 

camada de proteção de modo que minha pureza e

estabilidade internas permaneçam não afetadas por

influências de fora.

 

Somente assim posso ser verdadeiro comigo mesmo.

De outra forma, torno-me uma marionete das

 

circunstâncias e situações que os outros criaram e

 

não serei mais um mestre dos meus próprios

 

sentimentos e destino. Aprendo a ter essa proteção

 

através da experiência do desapego e na consciência

de Deus e isso trará uma chuva de bênçãos

 

influenciando a mim e aos outros à minha volta.

 
Será que existe um ser humano criando uma

Será que existe um ser humano criando uma

sombra sobre você?

Será que existe um ser humano criando uma sombra sobre você?

Se estou reagindo contra alguém, é mais e mais

 

difícil e irritante lidar com aquela pessoa e estou

 

criando uma enorme carga para mim mesmo que

tornará difícil viver comigo mesmo e com a pessoa.

 

Se quero criar um ambiente de paz e amor em minha

volta, minha resposta negativa a alguém se torna

 

extremamente desconfortável para mim.

 

Devo tentar não permitir que esse aumento de

 

negatividade aconteça. Se isso já aconteceu, analiso

todo o processo e vejo que é uma forma sutil de ego

por pensar que a forma como eu agradeço, as coisas

que eu faço e o meu entendimento são todos

 

corretos, e da outra pessoa são errados. Então, estou

constantemente criticando isso significará um

 

aumento dessa negatividade. Percebam o que vem

do próprio ego e aprendam humildade e respeito,

 

aceitem o valor dos indivíduos e reconheçam a

 

bondade neles.

 

Todos têm valores, eu apenas tenho que ter uma

 

visão correta e ser capaz de ver isso. Quando

 

começar a apreciar seus valores, perceberei que a

 

negatividade é minha. Sim, eles fazem as coisas de

uma forma diferente de mim, mas há variedade,

   

então, que eu as aprecie. Não posso mudá-los ou

controlá-los; o que posso fazer é mudar minha

 

atitude e minhas respostas. Se eu continuar a ter a

 

visão de amor e respeito por eles, sei que através

disso existe uma possibilidade muito boa de

 

influenciá-los e ajudá-los em seus processos de

 

mudança.

 

Se eu reajo contra eles, não serei capaz de

 

influenciá-los no futuro, porque minhas reações

 

criarão uma barreira entre nós, tornando a

 

comunicação muito difícil. Se mudo minha atitude

 

de uma forma sincera não a partir de diplomacia

ou cortesia artificial, mas ao ver seu eterno estado

divino original então, com respeito sincero, um

 

bom nível de comunicação surgirá e talvez, no

 

momento certo, possamos conversar e uma mudança

pode acontecer. Não devo permitir que a

 

negatividade destrua a comunicação com eles;

 
senão, crescerão paredes de tal forma que será difícil

senão, crescerão paredes de tal forma que será difícil

resolver mais tarde.

senão, crescerão paredes de tal forma que será difícil resolver mais tarde.

Talvez, a coisa mais difícil para mim seja, em

 

termos da negatividade, o que sinto sobre mim

mesmo. Eu vejo minhas fraquezas, vejo as

 

dificuldades que criei, vejo os débitos emocionais

 

que acumulei e me pergunto como, ainda assim, é

possível lidar com tudo isso. Se perco a esperança,

as coisas se tornarão difíceis. Portanto, não permito

que o ciclo de negatividade venha a mim, não perco

amor por mim mesmo ou, de outro modo,

 

pensamentos negativos me empurrarão mais e mais

para baixo.

 

Assim que vejo que há a possibilidade desse ciclo de

negatividade começar, eu me asseguro de cortá-lo

 

naquele momento, porque ciclos são poderosos; um

 

pensamento fraco, e outro, e outro, e eu sou

 

enganado. Se não posso parar isso antes do começo,

 

isso me atrapalha.

 

Em primeiro lugar, devo ver a causa e o que é

 

preciso ser feito, e olhar o futuro de modo que eu

 

possa impedir que as coisas aconteçam; então, tomo

precauções para que isso não aconteça novamente.

Quando reconheço a mim mesmo como uma alma

eterna, altero minha visão de mim mesmo

 

completamente. Volto a perceber a minha própria

forma original e sinto o ser divino que

 

verdadeiramente sou. Então a esperança retorna.

 

Vindo da consciência dessa experiência de minha

 

própria imortalidade, de “eu” a alma, sou capaz de

mudar minha visão completamente. Sei que, nessa

consciência de ser um filho de Deus, tenho dentro de

mim a capacidade para a pureza, a paz e o amor. Se

 

permito que essas qualidades emerjam e passo

 

alguns minutos em silêncio a cada dia, apenas

deixando minha mente se tornar desapegada de

todas as outras coisas que normalmente ela

 

carregaria, então posso dar valor a quem eu

verdadeiramente sou.

 

À medida que esse estágio cresce, a influência disso

permanece mais longa a cada dia. À medida que

 

desenvolvo essa consciência de autorrespeito e

 

autoestima e me movo para fora do ciclo de

 

negatividade que me empurrava para baixo, eu me

 

asseguro que minha visão, palavras e ações mostrem

essa estima. Expressando valor e respeito pelos

 

outros, recebo deles a mesma resposta de volta.

No momento em que perco a estima, procuro

 

suporte e confirmação no mundo externo, e

 

normalmente, se estou procurando alguma coisa,

 

esta é negada. Somente nesse estado, em que gero

meu próprio autorrespeito, posso ganhar o respeito

dos outros. Esse é o meio através do qual posso

 

mudar minha própria imagem negativa sobre mim

mesmo.

 

Quando aprendo a remover a negatividade, sou

 

atraído pela beleza que a positividade pode trazer e,

 

por desenvolver um gosto por isso, aprendo a aceitar

a

positividade e rejeitar a negatividade. Eu, portanto,

causo um grande impacto na atmosfera ao meu redor

e

nas pessoas que estão comigo.

 

Mesmo que um só indivíduo esteja nesta consciência

de tornar as coisas positivas, de aprender a tratar as

 

coisas num modo positivo, isso faz grande diferença.

O peso do mundo existe por causa do acúmulo de

 

todos os nossos pensamentos e ações negativas, e o

 

único meio de podermos transformar e reformar isso

é

através do poder da positividade. Isso nos permite

trazer mudanças em primeiro lugar em nosso meio

   

ambiente, local de trabalho, família e em casa, o que

inevitavelmente atingirá o exterior e mudará a

 

sociedade. No estado de falta de esperança e perda

   

de coragem, as forças da escuridão crescem de

 

forma mais pesada e mais forte.

 

Se me torno consciente de que sou um filho de

 

Deus, um ser de luz, um instrumento de luz e deixo

 

que a luz da consciência, sabedoria e verdade me

 

transformem, então posso me tornar um instrumento

que traz luz para o mundo à minha volta. No estado

 

de negatividade, há muito medo e ignorância. Se

 

consigo compreender isso, então o medo é reduzido

 

e

gradualmente eliminado, e haverá uma grande

 

compreensão das razões para o estado de

 

negatividade do mundo e das minhas conexões

 

cármicas com os outros indivíduos. Ao compreender

todas essas coisas, a luz entrará na paisagem, a

 

escuridão será removida e eu saberei o que e como

 

fazer. Tenho que trazer luz para o mundo desse

 

modo, a escuridão não será capaz de influenciar-me

 

e serei capaz de ajudar a remover a escuridão dos

 

outros.

 
Sister Jayanti é diretora da Brahma Kumaris no

Sister Jayanti é diretora da Brahma Kumaris no

Reino Unido.

Sister Jayanti é diretora da Brahma Kumaris no Reino Unido.

Lidando com a raiva O que é a raiva? Ela pode ser superada? Deveríamos tentar?

Se um de nós fosse perguntar para um grupo de pessoas o que provoca a raiva, acho que haveria uma grande variedade de respostas. De uma coisa tenho certeza: qualquer que seja a causa, até mesmo uma única palavra falada com raiva pode deixar uma marca no coração de uma pessoa que permanece por muito tempo e tem a habilidade de arruinar a beleza de qualquer relacionamento.

Certo sábio disse: “Como pode haver paz na terra se os corações dos homens estão como vulcões?”. Se

dentro da pessoa puder haver paz e liberdade em relação à raiva, só então poderá viver em harmonia com os outros. De que maneira podemos criar esse senso de paz dentro de nós?

Começamos com o entendimento de que temos a escolha para pensar e sentir da forma que queremos. Se olharmos para o que é que nos dá raiva, descobriremos que não há nada que tenha o poder para nos fazer sentir dessa maneira. Podemos apenas permitir algo que vai ativar nossa raiva a raiva é como nós respondemos a algum acontecimento ou a alguém, mas pelo fato de estarmos acostumados a reagir com impulso, nos esquecemos de escolher como queremos nos sentir e respondemos inapropriadamente nos deixando com sentimentos de raiva.

Você já ouviu alguém dizendo: “Realmente odeio quando você fala assim comigo?”. Ou como:

“Quantas vezes preciso lhe falar para fazer isso dessa maneira?”. Uma lição é que, mesmo tentando, nunca poderei controlar as circunstâncias, as pessoas ou situações já que elas estão em constante mudança. A única coisa que posso controlar é o modo que escolho responder. Só posso aumentar minha capacidade para tolerar; só eu posso desenvolver minha habilidade para entender; e só eu posso criar meu amor pelos outros mesmo que um dia eles me elogiem e no outro eles me difamem.

O estilo de vida moderno está cheio de desafios. Para enfrentá-los, tenho de começar a ver toda interação dentro de nosso mundo como parte de um grande drama ou jogo. E dentro desse drama, todo indivíduo tem seu próprio papel singular a desempenhar, que é essencialmente uma expressão do seu próprio eu interior. Conforme aceito isso, ao invés de passar meu tempo mantendo um olho no que os outros estão fazendo, posso começar a usar minha energia a fim de desempenhar meu próprio papel para o melhor de minha habilidade. Não posso possuir ou controlar o comportamento dos outros, porque se eu o fizer, no final das contas, isso acabará gerando conflitos. Ao invés disso, preciso praticar a compreensão, pois qualquer ação de uma pessoa, de acordo com seu próprio papel dentro do jogo, possui alguma razão pela qual ela se comporta daquele modo. Eu deveria tentar não tirar conclusões precipitadas muito facilmente; e, em lugar de tentar controlar o comportamento de outra pessoa, será de longe mais fácil e mais produtivo focalizar minha energia em minhas próprias ações.

Assim, o que há de tão errado em julgar as ações dos outros? Há o perigo de que, se nos tornarmos muito interessados nas atividades deles, poderemos começar a sentir raiva por aquela pessoa, o que pode nos levar a rejeitá-la. Nós a colocamos em algum tipo de caixa e fixamos um rótulo nela. Então, sempre que entramos em contato com aquela pessoa,

nós a vemos à luz de seu passado de enganos. Agindo desse modo, estaremos efetivamente prendendo essa pessoa nas suas ações passadas. Mas se permitimos a essa pessoa a dignidade de sair de fato de seu próprio engano e se nossa visão lhes permitir fazer isso cedo ou tarde será possível que as pessoas mudem.

Esse conceito de que a vida é um drama pode ajudar a nos desapegarmos do que está acontecendo ao nosso redor, e esse desprendimento ou espaço é de grande ajuda em aprender a não fazer julgamentos tão depressa sobre os outros. Se criamos um espaço pequeno, um espaço saudável entre nós e o drama da vida, descobrimos que aquele espaço atua como um para-choque. Nós nem agarraremos alguém pela garganta, nem o drama da vida poderá ser capaz de subitamente nos arrebatar desatentos.

Esse é um dos muitos benefícios da prática da meditação. Ela nos ajuda a criar espaço pessoal dentro de nós mesmos de forma que tenhamos a oportunidade para olhar, pesar a situação e responder adequadamente por permanecer em um estado de autocontrole. Quando estamos bravos, não temos nenhum autocontrole. Naquele momento, estamos num estado de caos interno, e a raiva pode ser uma força muito destrutiva.

Diz-se que a raiva pode ser uma coisa útil. As pessoas dizem: “Olhem para todos os problemas no mundo. Alguém teria que ficar bravo com isso

senão, nada aconteceria?” Isso me faz lembrar da história sobre um velho homem sentado perto de um rio que falava com um grupo de discípulos. Sua mão estava apoiada no chão quando um inseto veio rastejando e o mordeu. Assim que fez isso, escorregou e caiu no rio. Esse velho homem olhou para trás e viu o inseto lutando no rio, então, ele o apanhou e o colocou de volta à margem. Alguns minutos depois, o mesmo inseto rastejou para cima de sua mão e mordeu seu dedo, e novamente escorregou e caiu no rio. O velho homem olhou de novo, o apanhou, e novamente o tirou do rio. Quando isso aconteceu pela terceira vez, um dos discípulos perguntou: “Mestre, por que você faz isso? O inseto o morde e você ainda o salva. Por que você não o deixa se afogar e assim ele não o morderá mais?” Ele respondeu: “É a natureza do inseto picar, e é minha natureza salvar”. A natureza de alguns seria a de criticar ou caluniar, ou até mesmo nos desafiar. Ainda assim, isso está completamente fora de nossas mãos. Podemos somente fazer o que temos que fazer. Não podemos justificar uma ação negativa dizendo, “Bem, você faz a mesma coisa também”. Se dissermos isso, então estaremos dizendo: “Só crescerei e mudarei quando você decidir crescer e mudar. Está em suas mãos”. Mas o crescimento acontece sempre assim? Se esperarmos pelo outro para mudar, é provável que esperaremos durante um tempo extremamente longo.

Às vezes a raiva é usada como um tipo de mecanismo de autodefesa, um guarda de sentinela do lado de fora da fortaleza das paredes de nossos egos internos. Quando qualquer pessoa tenta atacar ou nos criticar, a raiva estoura e surgem demandas, “Quem você pensa que é? Olhe para você!” A raiva reage. Raiva é a emoção que tenta segurar todas as outras ilusões juntas. Se qualquer um tenta atacar o que nós acreditamos dentro de nós ou nos preocupamos, a raiva sai para combatê-lo. Esse é um exemplo de usar a raiva para proteger nosso eu simulado, nosso senso de ego. Porém, através do reconhecimento de nós mesmos como seres espirituais e através da consciência e experiência da beleza de nossa verdadeira natureza, nossa dependência na aprovação de outras pessoas se reduz, assim como nós redescobrimos uma quietude interna e estabilidade. Por fim, a necessidade da raiva como nosso protetor é eliminada.

Essa forma de estabilidade pode criar uma fundação firme, um tipo de teimosia positiva. Outros podem dizer tudo o que quiserem, e até pode ser verdade, mas nós não perdemos nossa paz ou felicidade por qualquer razão. Isso é respeitar o que é eterno dentro de cada um de nós. Nós nos damos a oportunidade para manter nossa própria paz da mente. Porque a enfrentamos, nenhuma pessoa vai aparecer em nossa porta com uma caixa cheia de paz e dizer: “Olhe, acho que você poderia fazer algo com isso hoje!”.

Há uma história sobre Buda que ilustra um importante princípio. Buda estava debaixo da árvore do esclarecimento quando alguém que tinha ouvido falar que Buda era uma pessoa iluminada, veio para

testar o seu autocontrole. Ele ficou em frente a Buda

e começou a xingá-lo, chamando-o de todos os

nomes possíveis, e não houve nenhuma reação por parte dele. Algum tempo depois, essa pessoa cansou-

se e foi embora, descansou um pouco, voltou e começou novamente. Ele abusou da família de Buda

e proferiu todo insulto que pôde pensar, mas ainda

assim não houve nenhuma reação. Ele ficou bem cansado e então perguntou a Buda, “Estou difamando-o de todas as maneiras e ainda assim você não diz nada?”. Buda olhou para ele e disse:

“Se alguém lhe dá um presente, e você não o aceita, com quem fica esse presente?”.

Isso mostra uma perspicácia crucial. Temos uma escolha. Se aceitamos a tristeza de alguém, não podemos culpar a outra pessoa e dizer: “É sua culpa, você falou assim comigo”. Reconhecemos que temos uma escolha em cada momento. Podemos usar nosso intelecto como um filtro e decidir o que vamos permitir entrar e o que vamos impedir que nos afete.

Há dois métodos que as pessoas sugerem. Algumas dizem que se você está bravo, então seja bravo como uma forma de expressão deixe que saia. Naquele momento, ficamos livres da raiva, porque a

deixamos sair. Porém, conforme aprofundamos nossa compreensão e experiência na maneira pela qual nossa consciência trabalha, percebemos que quanto mais fizermos algo, mais fundo aquele hábito se torna. Assim, amanhã acharemos mais fácil ficar bravos, porque nós já fizemos isso hoje. É como um fumante que tenta deixar os cigarros. Quando ele tiver vontade de fumar, ele fuma e sua vontade de fumar passa. Ao invés de remover esse desejo, o ato de fumar só preencheu temporariamente essa vontade, e o hábito o levou a um aperto até mais firme de maneira que amanhã o desejo será até mais forte. Assim, a expressão não transforma o hábito ou sentimentos.

Outra sugestão é reprimir a raiva. Se você sentir que está ficando com raiva, pare, reprima-a. Mas essa é uma situação de panela de pressão que me faz esquentar cada vez mais por dentro até explodir! Posso cortar a raiva por certo período de tempo. E, na verdade, quando eu a estiver reprimindo, estarei empurrando esses medos e emoções para meu subconsciente onde eles emergirão de outra forma como ervas daninhas.

Mas há um terceiro método, que poderia ser descrito como sublimação ou mudança de forma. Pela prática diária e aplicação de princípios espirituais em nossa vida prática, a experiência de nossa própria paz interna pode se tornar muito natural. Desse modo, da mesma maneira que a água pode mudar sua forma de

sólido para líquido ou para gás, a energia que estava sendo previamente usada para expressar e alimentar a raiva também pode ser mudada para a força por detrás da expressão de determinação ou coragem. Em lugar de estar bravo com alguém para provar um ponto de vista, nós podemos aprender a ser positivos. Assertividade possui respeito por si mesmo, enquanto a raiva não demonstra respeito nem por si nem pelos outros. Somente libertando a nós mesmos da raiva é que poderemos estar livres para a experiência de paz de nossa verdadeira natureza espiritual.

Há uma história sobre Alexandre, o Grande, quando ele estava a ponto de voltar da Índia para a Grécia. Por terem lhe dito para trazer um yogue consigo, ele foi procurar na floresta. Por fim, achou um sentado debaixo de uma árvore e quietamente se sentou próximo a ele. Depois de certo tempo, o yogue abriu os olhos. Alexandre disse a ele: “Quero que você volte para a Grécia comigo”. O yogue apenas olhou para ele. Alexandre continuou: “Se você vier comigo, terá pessoas para dar atenção às suas necessidades e você será conhecido por toda a Terra”. Contudo, o yogue explicou que não tinha nenhum desejo de ir. Assim, o exasperado Alexandre puxou sua espada e gritou: “Você não percebeu ainda quem sou, eu sou Alexandre, o grande conquistador, e se quiser posso cortá-lo em pedaços!” O yogue sorriu e respondeu: “Você fez

duas declarações, e nenhuma das duas é verdadeira. Primeiramente, você não pode me cortar em pedaços; pode prejudicar meu corpo, mas eu sou a alma eterna, imortal. Em segundo lugar, você diz que é Alexandre, o grande conquistador, mas eu posso lhe falar que, na realidade, você não é nada mais do que o escravo de meu escravo”. Alexandre apontou sua espada para ele e exigiu que o yogue se explicasse. O yogue então disse: “Eu conquistei a raiva pelo processo de meditação, mas veja como a raiva facilmente tirou o melhor de você. A raiva é minha escrava, e você se tornou o escravo da raiva”. Eu nunca soube o que Alexandre fez àquele yogue!

Yogesh Sharda é professor de meditação e

 

desenvolvimento espiritual, atualmente em Istambul,

onde é coordenador do Centro Brahma

 

A BELA E A FERA

Lesley Edwards esclarece o papel da

Lesley Edwards esclarece o papel da autoconsciência na construção do amor próprio.

autoconsciência na construção do amor próprio.

autoconsciência na construção do amor próprio.

Construir autoestima é falar sobre uma profunda transformação pessoal. Não acredito que podemos descobrir nosso verdadeiro valor sem fazer um esforço para mudar, sem ter a coragem para nos olharmos diretamente nos olhos, avaliar o que vemos e então prosseguir a partir dali.

Certa vez, estava mostrando para uma classe de crianças de 6 anos de idade alguns quadros que ilustravam o ciclo de vida da borboleta e perguntei- lhes como achavam que isso acontecia. A face de um pequeno menino iluminou-se e ele exclamou:

“Eu sei, a lagarta tem o coração de uma borboleta!”. Que sábia alma velha. É verdade que se soubermos, dentro de nossos corações, em que queremos nos tornar, então nos tornaremos aquilo.

Uma amiga percebeu recentemente que ela só era capaz de se ver através dos olhos de outras pessoas. Um conselheiro perguntou-lhe como se via, e ela respondeu que as pessoas a achavam atraente, inteligente e divertida. Posteriormente, ao ser questionada a respeito do que ela via, percebeu com horror que não via nada, só um reflexo dela mesma nos olhos de outras pessoas, experimentando um profundo sentimento de estar desconectada de si mesma.

É um sentimento assustador quando não sabemos quem somos. E muitos de nós não sabemos, ou chegamos a um ponto na vida onde buscamos seriamente um pouco de clareza. Nunca houve um tempo em que nós estivemos com mais necessidade de buscar algo como uma simples e velha sabedoria a espiritual, ao invés de uma explicação material de quem nós somos. Por muito tempo fomos surpreendidos com uma identidade baseada em fatores externos como nosso trabalho, aparência,

talentos e relacionamentos. Olhamos as outras pessoas, situações e circunstâncias para nos definirmos, para nos afirmarmos e para serem a fonte de nosso prazer. Nós nos perdemos ao nos compararmos com os outros e ao nos medirmos a partir de padrões materiais de sucesso e de realizações.

Começar a nos recuperar dessa confusão significa uma mudança de percepção de autoconsciência física para autoconsciência espiritual ao nos vermos como uma alma ou consciência espiritual que está além da forma. O estado natural da alma é força interna, e a expressão mais elevada da alma é expressar aquela força na forma de amor, confiança, coragem, e muitas outras qualidades positivas. Ter nosso centro de gravidade firmemente ancorado nessa parte de nós torna-nos maiores que o detalhe de nossas vidas diárias. Dessa forma, para qualquer desafio que a vida nos apresente, podemos ficar firmes e sólidos. Ter uma experiência do Eu “traz um sentimento de estar em um terreno sólido dentro de si mesmo, num pedaço de eternidade o qual nem sequer a morte física pode tocar…” (Marie-Louise Von Franz).

É um grande desafio trabalhar com uma visão de si mesmo que está além da imagem! para sua borboleta ter asas de compaixão, coragem, paz e amor ao invés de promoção, beleza, riqueza e sucesso! Ainda assim, tenho visto muitas pessoas

que meditam pela primeira vez conectadas com essa realidade interna, suspirando aliviadas e compartilhando experiências de uma liberdade interna e leveza que nunca haviam sentido antes.

É claro que o verdadeiro desafio vem na integração dessa experiência na vida diária. A autoconsciência espiritual não significa ignorar seu mundo físico, social e emocional, mas usar isso para lhe dar a força do poder, as ferramentas e forças para trazer a cura e mudança em todas as áreas de sua vida. Quando não há uma consciência espiritual, você pode se pegar tentando fazer mudanças superficiais quando as coisas dão errado, como colocar enfeites e decorações em cima de uma estrutura que está cedendo ou pôr mais cobertura em um bolo podre o equivalente a comprar mais roupas, comer mais comida, ou beber mais álcool quando você se sente deprimido. Sem uma prática espiritual como a meditação, você pode saber muito bem que mudanças nas atitudes e comportamentos seriam boas para você, mas, simplesmente, não tem energia ou poder para colocá-las em prática.

A energia e a força interna experimentadas na meditação o equipam com as armas certas para lutar uma guerra não violenta armas como paciência, tolerância, perdão, compaixão, aceitação e generosidade. O quão profundamente acreditamos em nossos egos positivos e o quão reais tenham sido as experiências de nosso eu espiritual, essa realidade

será inevitavelmente desafiada. Você pode acreditar ser uma alma pacífica, amorosa, mas será que consegue manter essa experiência face a doenças ou críticas? Uma consciência espiritual significa estar sempre pronto com as armas certas, onde batalha e vitória são uma oportunidade para a alquimia. Onde havia medo, deixe que haja coragem, onde havia mentiras e ilusões verdade; onde havia raiva aceitação; onde havia feridas perdão. Ataques não virão somente de fora. Nossa autoimagem é feita de camadas e camadas de experiências passadas dentro do nosso próprio subconsciente na forma de hábitos profundamente arraigados de padrões negativos de pensamento e comportamento. Mudança duradoura e curativa requer um compromisso profundo para fazer emergir ouro a partir do chumbo.

Ao despertarem para a sua espiritualidade, as pessoas tipicamente descobrem um senso de propósito e significado na vida. Isso não deveria ser somente uma sensação passageira! O desafio é viver diariamente com um senso de significado e propósito. Será que você entende o significado dos papéis que desempenha, o trabalho que faz, os talentos que tem? Esse é um campo minado em potencial de tensão, frustração e tédio, de sonhos não realizados e sentimentos de fracasso. Ainda a partir de uma perspectiva espiritual, tudo o que você faz é apresentado exatamente com o que você precisa para seu crescimento e mudança interna.

Você pode precisar estar em uma situação para aprender paciência e humildade. Você pode estar explodindo para mudar as coisas em um nível externo, mas a melhor coisa que pode fazer, agora mesmo, é mudar sua atitude e percepção frente ao que faz. E então, esperar pacientemente pelo momento quando a mudança que acontecerá não será uma reação contra algo ruim, mas uma escolha consciente para se mover em direção a algo bom.

O que significa traduzir autoconsciência espiritual em suas relações com outras pessoas? Você é capaz de amar? Você se ama bastante para amar outras pessoas? considerando o amor como um verbo e não algo que será achado numa pessoa ideal, ou numa situação ideal? sendo tão comprometido para ver ouro em outras pessoas assim como você vê o ouro em você, apreciando o quão profundamente conectadas estão essas duas percepções? Quando nossos recursos internos estão fracos não conseguimos suportar os ataques e defesas de outras pessoas, e a coisa mais fácil que acontece é realçar suas fraquezas como um modo de evitar a responsabilidade por aquilo que estamos sentindo. Ser estável em nossa própria consciência do eu espiritual é ser capaz de reverter as coisas ao nosso redor, de forma a enfrentar alguém vindo de um contexto de raiva, medo ou ciúme. Passo a não ser ameaçado, mas posso desarmar a negatividade do outro ao vê-lo além daquilo, a partir de sua bondade.

Para manter essa visão precisamos de muito poder espiritual. Quando você está cansado e com sua energia em baixa, apega-se à aparência externa das coisas e é muito mais fácil culpar, criticar e derrubar os outros.

A verdadeira consciência do eu é ver e aceitar o

completo ciclo de vida de mudanças que é a

lagarta, o casulo e então, a borboleta; assim como o alquimista que usa o chumbo para fazer ouro e a luz do dia que sempre segue a noite. Uma perspectiva espiritual dá uma compreensão dessa história completa e permite ver a história de algum lugar “fora de” ou “além de” você, sem se prender muito a qualquer pormenor. Isso lhe permite ver fraqueza e força com equanimidade e estabilidade; vendo a fraqueza como uma realidade temporária, mas não a parte final da verdadeira identidade; vendo a fraqueza como o avesso da força e sempre fazendo a escolha para se mover de encontro à luz, movendo-

se para o ouro e movendo-se para o voo.

Sem ver todo o quadro, é muito fácil ficar preso a uma pequena parte da história. Muitas pessoas podem aceitar suas fraquezas, mas não suas forças. Quando indagados a listar coisas positivas e negativas sobre eles, a lista negativa vem mais fácil e é bastante longa! Talvez se sintam mais seguros ao ficarem em terreno familiar: “É minha personalidade ser assim”, “Eu não posso mudar, eu nasci assim!”. Ver a si mesmo em uma luz positiva é sair da zona

de conforto em direção a um território perigosamente desconhecido. Faz-me lembrar das crianças cujo único modo de alcançar e estabelecer contato com os outros é por violência física, pois é a única linguagem que eles conhecem. Para elas, as estratégias de buscar atenção resultam em serem constantemente advertidas. Mas, através disso, adquirem exatamente o que querem: atenção. Para aqueles cujas novas e subsequentes experiências de vida foram caracterizadas pela dor e o sofrimento, é necessário um esforço hercúleo de vontade e coragem para dar um passo além disso e entrar numa linguagem de amor.

Talvez menos comum, mas certamente um perigo potencial, é quando aceitamos nossas forças, mas vamos por vários caminhos a fim de evitar enfrentar e aceitar as fraquezas. Nenhum de nós é perfeito, e até mesmo as almas mais grandiosas têm um lado de sombra. E essa sombra tem de ser vista e abraçada se quisermos continuar crescendo. Coragem só pode vir ao se enfrentar o medo. Compaixão só pode vir ao se compreender a raiva. A paz que podemos experimentar está somente em contraste ao caos. Toda fraqueza é a força fora de equilíbrio: um sentimento de inutilidade pode ser humildade distorcida, e arrogância pode ser confiança por razões erradas.

É uma arte olhar para a Bela e para a Fera com equanimidade. E a maior ameaça a isso é o medo. O

medo é o grande espelho distorcido. Olhamo-nos no espelho e vemos a Fera, e ficamos com a Fera, porque ela diz “Eu não tenho nenhum motivo pelo qual viver” e tem muitas desculpas para não ter de fazer qualquer coisa. Ou, nós olhamos para dentro

do espelho e vemos a Bela e ignoramos a Fera. E se

a Fera não adquire pelo menos um aceno de

reconhecimento, ela nos perseguirá, levando-nos ao

labirinto de nosso subconsciente, demandando sacrifícios uma oportunidade perdida aqui, uma relação danificada lá. Ela fará a sua cabeça, manifestando-se como projeções, negações, desculpas e distorções da verdade. Assim, a Bela tem de se apaixonar pela Fera para transformá-lo

num príncipe. E o único modo para a Bela amar a Fera é ir além do medo. Olhe para dentro do espelho

e veja além da Fera. Somente veja a luz. A luz

preenche você com o amor e a coragem para enfrentar e transformar suas fraquezas, junto com a força para expressar sua determinação.

Por dezesseis anos, Lesley Edwards dedicou-se ao

desenvolvimento espiritual interior com a Brahma

Kumaris. Sua carreira levou-a a ensinar, e ela se

entregou de coração a seu trabalho com crianças

em diversas escolas de Londres. Permaneceu

igualmente comprometida com sua busca espiritual.

Como estudante e professora na Brahma Kumaris,

ela foi um membro muito amado e respeitado na

família BK. Por quase quatro anos, conduziu uma

grande batalha interior com a esclerose múltipla e,

por fim, o câncer. Faleceu em junho de 1999, mas o

legado que deixou nos corações e mentes de todos

 

que a conheciam foi a visão de imensa coragem,

 

serviço altruísta e aceitação serena de seu papel

entre nós nesta vida.

 

Durante seus últimos cinco anos, uma de suas

 

principais áreas de foco foi o desenvolvimento da

 

autoestima. Ela desenvolveu e conduziu cursos pelo

Reino Unido, compartilhando tudo o que aprendeu

em sua própria jornada. Este é o segundo de dois

 

artigos que ela escreveu antes de sua morte. Como

você viu, pela maneira profunda e articulada com

 

que discorre sobre esse importante tópico, ela

 

realizou seu trabalho interno e nos falou

 

diretamente de sua própria experiência.

Lesley Edwards vai direto ao centro do desafio que

confrontamos diariamente a reconstrução e a

 

manutenção da elevada autoestima.

 

No primeiro artigo sobre a construção da autoestima (veja A Bela e a Fera), descrevi os primeiros dois passos, a saber, conhecendo-se e aceitando-se:

conhecer e aceitar você mesmo como é, bom e mau; e saber e aceitar você como poderia ser, fazendo a escolha para perceber o seu potencial completo para uma transformação positiva e apreciar o processo

espiritual que torna isso possível. Tendo entendido e aceitado de onde você vem e para onde você vai, o próximo passo é comprometer-se com a jornada. O desafio de construir a autoestima verdadeira é uma peregrinação na busca do Santo Graal. O Santo Graal é o nosso valor, nosso propósito na vida, nossa dignidade, nossa beleza, amor verdadeiro e uma paz mental preenchedora. Jornadas podem ser coisas perigosas. Às vezes é mais seguro permanecer em casa com o conforto da recusa e apegos e sistemas de suporte que nos dizem o quão maravilhosos somos abençoadamente ignorantes de todo o trabalho que precisa ser feito. É quando nos aventuramos fora de nossas zonas de conforto que somos testados e desafiados.

PROTEJA-SE

O terceiro passo para construir a autoestima é proteger-se. Isso significa ter cuidado. Você tem inimigos. Haverá forças trabalhando para impedi-lo de alcançar a sua “Sala da Alma”, aquele espaço interno onde você pode sustentar a sua consciência de alma e cultivar a sua conversa com Deus. Vozes vão chamar por você a partir de outras salas. “Onde você está?”, “Precisamos de você aqui!” Elas vão impedi-lo de saber e aprender sobre Deus, o mestre arquiteto do seu novo eu.

Numa peregrinação, enquanto você está

 

reconquistando a sua autoestima, é melhor viajar

 

sozinho pelo menos durante a parte substancial da

 

jornada. O propósito da sua vida no momento é

 

achar o Santo Graal. Mas isso não é um fim em si

 

mesmo. O mais importante é o que você fará com

ele depois que o encontrar. Então, o propósito da sua

vida é doar, expressar, compartilhar o que você

 

achou. É verdade que num certo sentido você não

 

pode separar os dois, pois ao doar, expressar e

 

compartilhar você também se descobre. Mas é um

 

equilíbrio delicado e, como tal, facilmente perdido.

 

Portanto, se estiver viajando próximo a outros,

 

assegure-se de dar-se espaço suficiente.

 

Enquanto Noé construía a sua arca, as pessoas

 

vinham e caçoavam dele. “O que está fazendo,

Noé?” Eles pensavam que Noé estava louco. Pode

 

ser que os outros não entendam por que você quer ir

 

à

sua Sala da Alma para ficar quieto e conhecer

 

Deus. A lagarta não é a fase mais atraente na vida da

borboleta, mas é um passo essencial. Sem lagarta,

 

sem borboleta, é simples. Deus tem uma ordem de

preservação sobre você nessa época. Confie e tenha

 

a

fé de que se você continuar indo para dentro de si a

fim de encontrar poder, então, o poder fará o seu

 

trabalho.

 
Proteger-se tem muito a ver com os relacionamentos

Proteger-se tem muito a ver com os relacionamentos

na sua vida, seu relacionamento consigo mesmo,

Proteger-se tem muito a ver com os relacionamentos na sua vida, seu relacionamento consigo mesmo,

com Deus e com outras pessoas. Ponha seu

 

relacionamento consigo e com Deus em primeiro

lugar. Suas lições virão através de outras pessoas,

mas não perca de vista quem está aprendendo e

 

quem está ensinando.

 

Os relacionamentos com os outros são um modo de

nos conhecermos num nível mais profundo. Eles são

intensos, interessantes e verdadeiros. Precisamos de

alguém para nos sacudir, para espelhar de volta para

nós a nossa realidade. Mas precisamos ter cautela

 

em relação ao que eles estão espelhando de volta,

qual realidade, qual identidade. Se você está numa

 

peregrinação para encontrar a sua verdadeira

 

identidade, tenha cuidado com o que as outras

 

pessoas veem em você, pois você se verá com

aqueles olhos também, e isso poderá dar-lhe uma

 

sensação falsa de segurança; você pensa que está

bem, quando na realidade há muito com o que

 

poderia estar trabalhando em si. Quando você é

 

próximo a algumas pessoas, sua percepção fica

misturada com a percepção deles; às vezes você não

pode sequer dizer se seus sentimentos são seus

 

mesmos ou deles. Se eles não estão vendo a si

 

próprios claramente, irão projetar o que eles não

 

gostam neles em você, e se você não estiver fazendo

o seu trabalho adequadamente, projetará neles aquilo

de que não gosta em você! Todos os

 

relacionamentos são uma troca de força, as pessoas

competem por energia: A e B tomando suporte um

 

do outro, até que A não tenha mais a energia ou

 

interesse e retira o sentimento. E B, tendo se tornado

dependente, é então incapaz de encontrar aquela

 

energia tanto de dentro quanto de qualquer outro

lugar.

 

Num relacionamento ideal haverá uma troca de

 

amor de alta qualidade. Uma pesquisa científica

 

recente de Nova York, que tem atraído a atenção da

mídia, identificou três tipos de amor: luxúria,

 

atração e apego. Luxúria e atração falam por si

 

mesmas. Elas podem ser muito divertidas, mas pode

haver um preço muito alto a pagar em termos de sua

autoestima, e elas, por fim, causarão distração para

 

qualquer um numa peregrinação verdadeira. O

 

apego talvez prometa um amor mais profundo, mas

 

quantas pessoas você conhece que não podem viver

um sem o outro, mas que não podem realmente viver

um com o outro também? Eles amam odiar um ao

 

outro! Portanto, seja cuidadoso com a qualidade de

 

seus relacionamentos. Você realmente está

 

preparado para amar outro ser humano

 

adequadamente? Ou precisa aprender a amar-se

 

primeiro?

 

As coisas que nos atraem às outras pessoas são

 

frequentemente qualidades que nós mesmos

 

gostaríamos de ter. Se somos calmos e gentis,

 

poderemos achar atraentes as pessoas extrovertidas e

confiantes. Se somos fortes e dinâmicos, poderemos

achar atraentes as pessoas gentis e calmas. Em

 

qualquer caso, a única e verdadeira solução

 

definitiva é encontrar dentro de nós qualquer

 

qualidade que estamos procurando no outro. Isso

 

porque o poder que pode ser encontrado no retorno

 

ao estado natural da alma tem todos os ingredientes

 

necessários para a confecção de qualquer qualidade.

Dentro da lagarta da transformação espiritual existe

um equilíbrio perfeito de qualidades; um equilíbrio

 

do masculino e do feminino dentro de todos nós.

 

Assim, todos podemos ser fortes e gentis,

 

responsáveis e livres, aventureiros e cautelosos.

 

Quando vemos a alquimia daquilo que foi fraco

tornar-se forte, daquilo que foi idealista tornar-se

 

visionário, daquilo que foi preocupação tornar-se

liberdade então, os relacionamentos mudam de

dependentes para interdependentes, de prejudiciais

 

para saudáveis.

 

Deus nos ensina a amar a nós mesmos. Por Ele não

 

ter nenhuma agenda escondida, Ele refletirá de volta

para nós somente nossas qualidades mais elevadas.

 

Nós não seremos capazes de projetar Nele nossas

 

próprias fraquezas; simplesmente teremos de aceitá-

las e nos apropriar delas. Ele não se projetará em

 

nós, porque Ele não tem fraquezas. Ele não tirará

nossa força, nem retirará o Seu poder, porque é

 

ilimitado. Ter um relacionamento com Deus é

 

necessário quando nossas baterias acabam. E isso é

 

o

que pode acontecer para qualquer um procurando

pela autoestima.

 
para qualquer um procurando pela autoestima.   POTENCIALIZAÇÃO   O passo final para

POTENCIALIZAÇÃO

 

O

passo final para construir a autoestima é se

 

potencializar. A força vem de todos os tipos de

 

lugares. Algumas energias serão temporárias, como

a

excitação da cafeína ou da cocaína, que termina

 

deixando você se sentindo por baixo. O ímpeto da

energia de uma atração temporária também pode

 

deixá-lo sentindo-se vazio quando enfraquece, ou

machucado quando não é recíproco. Até mesmo

 

voar alto no sucesso e nas aquisições leva consigo a

inevitabilidade de descer à Terra com um choque

 

quando existe criticismo e mal-entendido.

 

A

energia verdadeira o deixará tranquilamente

 

confiante, contente, satisfeito, receptivo, amoroso e

 

em paz. Você se sentirá conectado à sua própria

 

bondade interior, à fonte de bondade do universo e à

bondade nas outras pessoas. Você ficará estável e

 

calmo quando as coisas estiverem indo bem ou mal.

 

Você não precisará culpar ou criticar alguém ou

 

algo.

 

Você se amará o que significa cuidar de suas

 

necessidades físicas, comendo a comida apropriada,

fazendo exercícios. Você despenderá tempo sozinho

sendo criativo, meditando ou apreciando o silêncio,

feliz com sua própria companhia e feliz na

 

companhia dos outros. Conhecerá suas limitações e

delineará fronteiras claras com confiança e calma

 

quando estiver no trabalho e em compromissos.

 

Para manter esse estado de autoestima, você

 

precisará ser muito cauteloso sobre o que causa

 

perdas à sua força interior. A força escoará se você

 

não for verdadeiro consigo mesmo. Todos nós temos

um barômetro interno que nos indicará quando

 

estivermos fora da trilha. Profundamente dentro da

 

alma, na silenciosa Sala da Alma do nosso ser, está a

nossa consciência. É nossa sabedoria interna, a parte

de nós que sabe realmente que o amor é um estado

 

do ser mais natural do que o ódio, que a paz é mais

natural do que o estresse. E ela sabe quando

 

violamos nossa própria verdade através de nossas

 

fraquezas, compulsões e sendo influenciados pelos

 

outros. Nossa consciência dói. Tornamo-nos

 

prisioneiros de nossa própria consciência. Eu disse

 

anteriormente que Deus não recolhe Seu poder, mas

nós podemos nos privar de tomar o poder da

 

bondade de Deus, e encontrar força na nossa própria

bondade se não somos verdadeiros com nós

 

mesmos. Se nos enganamos, se nos esquecemos de

quem realmente somos, se tomamos rápidas doses

   

de energia ao criticar os outros, por entrarmos em

 

ganância ou opções fáceis, nossa energia se escoará.

Se abusamos de nós ou de alguém, de algum modo

não teremos uma consciência clara. Isso acontecerá

em nossa mente. E quando formos à nossa Sala da

Alma, não haverá paz, mas punição. Punição

 

autoinfligida, a punição de uma mente atribulada.

É um paradoxo da espiritualidade, que a verdadeira

 

autoestima vem quando nós, de fato, vamos além de

nosso “eu”. Se transcendermos a nós mesmos, se

 

não tivermos desejos egoístas ou teimosos, podemos

nos tornar instrumentos da vontade de Deus. Então,

 

nosso propósito na vida torna-se muito claro. E é

 

somente quando temos um propósito claro que

 

podemos ter autoestima verdadeira. Quando vamos

 

além de nossos “Eus”, então, encontramos a alma.

 

Então, nosso propósito na vida torna-se

 

simplesmente aprender a amar e trazer paz à Terra

 

de qualquer maneira que pudermos. Pode ser através

da composição de uma sinfonia ou de assar bolos.

 

Isso realmente não importa.

 

Por dezesseis anos, Lesley Edwards dedicou-se ao

 

desenvolvimento espiritual interior com a Brahma

Kumaris. Sua carreira levou-a a ensinar, e ela se

 

entregou de coração a seu trabalho com crianças

em diversas escolas de Londres. Permaneceu

 

igualmente comprometida com sua busca espiritual.

Como estudante e professora na Brahma Kumaris,

 

ela foi um membro muito amado e respeitado na

 

família BK. Por quase quatro anos, conduziu uma

 

grande batalha interior com a esclerose múltipla e,

 

por fim, o câncer. Faleceu em junho de 1999, mas o

legado que deixou nos corações e mentes de todos

que a conheciam foi a visão de imensa coragem,

 

serviço altruísta e aceitação serena de seu papel

entre nós nesta vida.

 

Durante seus últimos cinco anos, uma de suas

 

principais áreas de foco foi o desenvolvimento da

 

autoestima. Ela desenvolveu e conduziu cursos pelo

Reino Unido, compartilhando tudo o que aprendeu

em sua própria jornada. Este é o segundo de dois

 

artigos que ela escreveu antes de sua morte. Como

você viu, pela maneira profunda e articulada com

 

que discorre sobre esse importante tópico, ela

 

realizou seu trabalho interno e falou diretamente de

sua própria experiência.

 

r. Roger Cole relembra os insights transformadores

que obteve quando explorou a questão da morte e

 

do morrer com um de seus grupos.

 

Um dos benefícios notáveis da autoconsciência

 

correta é a relativa liberdade em relação às

 

necessidades e dependências que normalmente

 

governam nossas vidas. Isso também estabelece uma

nova referência para os termos ‘propósito’ e

 

‘significado’. Tal orientação e liberdade capacitam

 

uma pessoa a experimentar paz e contentamento sem

deixar as responsabilidades “mundanas” para trás. É

um estado liberado, ainda assim influente e com o

 

potencial de criar um mundo muito melhor.

Em relação aos cuidados com os pacientes terminais, temos a oportunidade de testemunhar esse potencial.
Em relação aos cuidados com os pacientes terminais,
temos a oportunidade de testemunhar esse potencial.
No meio dos anos 70, Elizabeth Kübler-Ross
escreveu um livro marcante: Sobre a Morte e o
Morrer. Ela delineou cinco estágios de adaptação
para uma condição terminal: raiva, negação,
barganha, depressão e aceitação. Quando o estágio
final de aceitação é manifestado, podemos ver o
exemplo da natureza original da alma emergir. E,
dentro desse exemplo, está imerso um espelho de
oportunidade; a oportunidade de descobrir nosso
verdadeiro ser.
Há um ou dois anos, pediram que eu falasse a
voluntários de um sanatório sobre os aspectos
espirituais no cuidado com pacientes terminais.
Durante a discussão, falei sobre esse estado de
aceitação não como quem simplesmente reconhece a
morte, mas como alguém que se compromete com a
notável beleza de uma alma. Com a esperança de
fazer uma demonstração, perguntei se alguém ali já
havia testemunhado tal beleza no momento de uma
morte.

Uma integrante do grupo, June, voluntariou-se e

 

disse que sim. A morte de sua mãe havia sido assim,

com uma aceitação verdadeira, apesar do fato de ela

ter ficado de cama completamente dependente. “Era

lindo”, ela disse. “Minha mãe estava radiante de paz

e o quarto totalmente preenchido com o seu amor.

 

Todos lá sentiam-se elevados e felizes por sua

 

companhia. Ela parecia muito contente. Era como se

estivesse rodeada por luz

como um anjo. Nunca

 

me esquecerei disso. Foi realmente especial.”

 

Não é mesmo maravilhoso que tal encanto possa

 

emergir no momento da morte? June e suas irmãs

   

estavam com sua mãe no momento em que ela

 

estava morrendo. Eu lhe fiz algumas perguntas. “Sua

mãe estava preocupada com alguma de vocês

 

naquele momento?” “Não”, disse June. “Ela sabia

 

que estávamos lá, mas estava além da preocupação

 

de como nós estávamos nos sentindo.”

 

“E sobre a sua fisionomia e as circunstâncias?”,

 

perguntei. “Ela estava aborrecida por causa de sua

aparência, ou sobre a doença, ou pelo fato de estar

morrendo?”

 

“Não

,”

ela pausou.

Mamãe estava em paz

 

consigo. Era como se seu corpo não existisse mais.

Havia apenas serenidade, e não havia nenhum tipo

de medo ali.”

 

“E sobre todos os problemas do nosso mundo?”,

 

perguntei. “Sua mãe estava incomodada com os

 

conflitos, privações e confrontos que estavam

 

acontecendo?” June riu, ao se lembrar da mãe.

“Mamãe sempre tinha uma opinião formada sobre

 

tudo. Ela costumava assumir uma postura rígida em

 

relação aos problemas ou raivosa, ou triste. Mas

 

agora que você mencionou isso

não, ela não estava

incomodada. Acho que deve ter simplesmente se

 

desapegado de tudo

June hesitou – “

ela

se

desapegou de tudo.”

 

Essa última afirmação teve um efeito profundo na

sala. As palavras estavam carregadas de emoções

 

positivas. Houve uma pausa, e então um curto

 

silêncio, pleno e integrador. A vibração do grupo

 

ressoou com paz e harmonia na medida em que eu

fiz-lhe a última pergunta.

 

“Em relação a ‘desapegar-se de tudo’, logo antes de

sua mãe falecer, como ela estava? Sua mãe parecia

 

estar carregando o peso de qualquer um

dos papéis

ou responsabilidades de sua vida?”

“Não, ela se tornou completamente livre

“Não, ela se tornou completamente livre

completamente livre!”

“Não, ela se tornou completamente livre completamente livre!”

Naqueles últimos momentos conscientes de sua

Naqueles últimos momentos conscientes de sua vida, a mãe de June havia se tornado completamente
vida, a mãe de June havia se tornado completamente

vida, a mãe de June havia se tornado completamente

livre. E liberada. Livre de todas as preocupações da

 

vida. Na essência de sua alma e “espírito vivo”;

 

liberada e ainda assim, ocupando os retalhos de

 

seu corpo físico. Em tal momento, a alma

 

permaneceu despida e exposta, revelando o ser

 

verdadeiro e autêntico. Eu me refiro a isso como a

 

plena aceitação manifesta, e o descreveria como um

estado de graça. Ou como um estado de verdadeira

 

dignidade. A maioria das pessoas sente que, quando

há uma dependência ou uma necessidade de auxílio

 

em suas funções físicas, ocorre a perda de dignidade.

Acredito que isso seja uma má concepção que reflete

a

ignorância humana. Ignorância essa que nasce da

 

consciência do corpo. À medida que estivermos

 

explorando esse conceito mais adiante, veremos

como a mãe de June mostrou-se uma prova viva

dessa ignorância. Espiritualmente ela estava num

 

estado de graça, revelando sua personalidade

 

verdadeira e original através da liberação. As

perguntas que fiz a June pretendiam explorar quatro

diretrizes principais através das quais a liberação

 

deixa a alma livre e vibrante: a liberação dos papéis

e

das responsabilidades da vida; a liberação de ser

 

afetado por problemas, num mundo cada vez mais

complexo; a liberação do mundo material, incluindo

o

corpo físico, suas doenças e aparência; e a

 

liberação dos apegos que formamos numa vida de

 

relacionamentos.

 

Através dessa liberação, a mãe de June entrou em

 

um estado de ser em que ela estava livre da

 

consciência de seu corpo. Ela se tornou

 

completamente “consciente da alma”. Em tal

 

experiência, ela naturalmente preencheu o quarto

 

com um brilho de amor, paz e aceitação. E, aqueles

 

que estavam em sua presença, ficaram felizes e

 

pacíficos. Acredito que isso refletiu um retorno à sua

condição original. Sua condição antes de nascer, a

 

de uma alma pacífica.

 

Testemunhando esse exemplo, podemos ver o

 

estabelecimento da consciência da alma face à

morte. Então alguém poderia perguntar, por que

 

esperamos tanto para encontrar tal serenidade? E por

que somos forçados a ser submissos pela morte

 

antes que possamos amar e nos desapegar?

 

Evidentemente, é possível fazer isso durante a vida,

e

a mãe de nossa voluntária tentou nos mostrar isso.

A pergunta é: “Como?”

 

Considero que a transformação começa com a

 

iluminação. E essa iluminação é concedida como um

presente de percepção, não requerendo qualquer

 

esforço por parte do beneficiado. Quando há o

 

reconhecimento da oportunidade que a iluminação

 

oferece, a transformação pode ocorrer. A diferença é

que, nesse caso, um esforço deve ser feito. Na

 

iluminação, a experiência do indivíduo é semelhante

à

da mãe de June. O crescimento espiritual ou a

 

transformação se referem a manter esse amor e essa

luz constantemente. O esforço precisa ser feito em

duas direções simultaneamente: na direção do estado

de ser; e na direção do estado de liberação. Na

 

verdade, ambos estão intimamente associados. O

 

esforço principal é o de se tornar consciente da alma

e livre de dependências. Liberado! Isso representa

uma identidade completamente nova.

 

Para a mãe de nossa voluntária, essa liberação foi

alcançada diante da morte. No processo do

 

falecimento, ela se tornou completamente

 

desapegada de todas as direções externas a si, ou

 

seja, externas à alma o ser verdadeiro e autêntico.

Ao fazer isso, ela se tornou um vasilhame de

 

influência divina, irradiando amor, luz e paz àqueles

ao seu redor. Desapegou-se de sua família, ainda que

eles estivessem experimentando amor a partir dela.

Amor espiritual puro. Vocês não acham um

 

paradoxo ela ter se tornado tanto amorosa quanto

 

desapegada? Totalmente despreocupada sobre o

 

bem-estar de qualquer um. Apesar disso, era

 

amorosa e, quase sem fazer esforço, preenchia a

 

necessidade de todos por paz e felicidade. Sua

 

beleza espiritual emergiu com a exposição de sua

 

alma. Através dessa nudez, sementes de

 

transformação emanaram num brilho de pureza. E,

como um espelho, ela estava revelando a natureza

verdadeira da alma a qualquer um que entrava em

sua presença. June disse, “era como se ela estivesse

rodeada por luz

como um anjo”. Acho que ela era

um anjo.

 

Ao alcançar o estado de graça, a mãe de June

 

também revelou essa meta e objetivo do crescimento

espiritual: o de se tornar um anjo; ou, consciente da

alma. A partir desse exemplo, torna-se evidente que

é

possível fazer isso. Sua consciência de alma foi o

estado de consciência (ou do ser) que serviu e

 

elevou os outros. Ele emanou um brilho automático

e

natural de virtudes puras. Com uma folha do livro

dela, como feitores de esforços iluminados, podemos

nos transformar e nos tornarmos servidores

 

holísticos, espirituais, quaisquer que sejam nossos

 

papéis sociais ou profissionais. Enquanto a mãe de

June foi forçada por suas circunstâncias de morte,

 

nós temos a oportunidade de “abraçar a luz” de

 

acordo com nossa vontade própria. Ao dar-nos esse

exemplo, ela nos proporcionou essa oportunidade.

 

Uma oportunidade para aquisições até mais elevadas

que as dela.

 

Enquanto ela encontrou liberação e autorrealização

na morte, nós podemos fazer isso durante a vida.

 

Mas, primeiramente, temos de largar medos e más

 

concepções e compreender o paradoxo. Ao nos

 

desapegarmos daqueles a quem nós amamos,

 

transformamos a qualidade daquele amor em algo

 

divino e incondicional. Será que temos confiança

 

para nos desapegarmos dos relacionamentos? Ou

será que o nosso medo de perdermos algo é tão

 

grande? Não é fácil desapegar-se de um mundo do

 

qual você passou a depender. Mas é algo

 

maravilhoso render sua vida a um poder maior pois,

na rendição, você se torna um instrumento, sem

 

nenhuma carga sobre seus ombros. E você descobre

o

deleite da leveza no serviço da humanidade. Acho

que os anjos não ficam tão preocupados sobre as

 

coisas. Ademais, por que eles deveriam? Afinal de

 

contas, eles são apenas ajudantes de Deus.

 

A mãe de June nos deu um relance da meta e

 

objetivo pessoal dentro da transformação e do

 

crescimento espiritual. E nós vimos, além da

 

iluminação, o estado de graça. Tal estado que inspira

a

alma a fazer esforço para ser ela mesma, e tornar-

 

se livre, liberada da consciência do corpo.

 

Mencionando isso, quero dizer sobre termos uma

 

percepção separada do corpo físico; e sermos

 

liberados das quatro direções: dos apegos, das

 

responsabilidades, de ser afetado e do mundo

 

material.

 

Estamos agora adentrando na jornada do indivíduo.

 

Ao fazermos isso, teremos o cuidado de lembrar que

quem quer que viaje por esse caminho entra num

 

plano divino. Um poder maior inspira a

 

autotransformação e que esforços sejam feitos. A

 

iluminação é um presente de um poder maior. E a

motivação para fazer a jornada é sustentada a partir

 

dessa fonte divina. Também nos lembraremos de

   

que o indivíduo que faz a jornada contribui com

 

vibrações espirituais para a transformação do

 

mundo. Cada um é singular. Cada um foi

 

selecionado, cada qual com um papel a

 

desempenhar. Ainda assim, não é apenas um que é o

especial. Cada um está redescobrindo o seu

 

verdadeiro ser antes de permitir que ele permaneça

 

despido e exposto!

 

por Ken O’Donnell

- Redescubra a base para a transformação: a diferença essencial entre o corpo físico e o espírito não físico.

Entrar na dimensão do espírito é um processo muito sutil, principalmente quando a mente está trancada numa visão da realidade que exclui a eternidade. A matéria, os sentidos e as coisas de interesse imediato têm tal domínio sobre os pensamentos que a própria natureza da existência torna-se distorcida. Vejo o mundo não como ele é, mas como eu sou.

Minha vida gira dentro de limites, distinções e desejos estreitos à medida que faço o jogo de

rotular-me e rotular os outros com base nas características puramente físicas. Classifico o mundo de acordo com sexo, raça, credo, nação, idade e posição social, e coloco todos dentro de sua pasta no meu arquivo interno. Devido a tais classificações, surge conflito dentro de mim e a minha volta à medida que busco defender o território assim estabelecido seja ele um papel, um trabalho, uma posição na sociedade, o nome da família ou uma nação. “Que ninguém transpasse meu território” é uma placa não verbalizada plantada em meu coração. Retirar os óculos do que pode ser chamado de consciência do corpo, por intermédio da qual vejo

e julgo o mundo ao meu redor, requer algum

esforço. Experimentar o eu em sua luz verdadeira requer um entendimento detalhado dos termos e processos usados. Mas o próprio ato de dar tal passo abre uma perspectiva totalmente nova de ver e reagir ao mundo a minha volta.

Com insight sobre a natureza verdadeira das coisas,

a mesma vida que estou levando em termos de

trabalho, família e lazer torna-se o trampolim de minha transformação. Abandonar a consciência dos

limites deste corpo físico e experimentar o eu interior ou a alma é a essência da Raja Yoga.

Distúrbio e tensão individuais, e consequentemente sociais, são o resultado da ignorância dos processos do eu e do mundo em volta. A mente fica sem descanso, agitando-se e pensando sem meta,

açoitada por ondas de sentimentos e emoções. Como uma aranha presa em sua própria teia, fico emaranhado nas teias que são a consequência de minha própria ignorância dos fundamentos da vida.

Na vida, muitos acontecimentos não podem ser explicados apenas em termos materiais. Em certos momentos de crise ou inspiração, existem experiências emocionais e espirituais profundas que me separam do mundo ao redor. Nessas ocasiões, refugio-me dentro de mim e leio livros religiosos ou filosóficos sobre rituais ou símbolos a fim de entender tais experiências. Além disso, sujeito-me a uma constante crítica da vida ao meu redor a partir de meus próprios pensamentos, sentimentos e deduções.

Essas faculdades de pensar e formar ideias, de desejos e de decisão (e todos os aspectos diferentes que constituem minha personalidade) não são físicas e, ainda assim, são reais. De fato, qualquer coisa que eu possa perceber vem de duas fontes: o que é detectado pelos sentidos físicos e o que surge de impressões gravadas nessas faculdades sutis. As coisas que consigo ver, degustar, ouvir, cheirar, bem como meu próprio corpo, são formadas de matéria. Mas as faculdades sutis da mente, do intelecto e da personalidade são manifestações do que é chamado de energia da consciência.

Essa energia consciente é também chamada de alma ou espírito. A alma é a entidade sutil que não pode

ser medida por nenhum processo nem instrumento físico. A parte não material de cada um de nós existe e, na realidade, ela é o ser verdadeiro ou o que simplesmente chamamos de “eu”. Esse eu ou alma só é perceptível no nível da mente e do intelecto.

ÁTOMO E ATMA

Ao longo da História, os cientistas edificaram muito do conhecimento das leis do Universo físico sobre as bases da teoria atômica. O átomo é tido como o ponto-fonte de energia. Níveis diferentes de energia

e vibrações entre os átomos vizinhos dão a aparência de forma, cor e calor. A teoria atômica apareceu originalmente na Grécia e na Índia.

A palavra em português “átomo” veio do

grego

latim

grega provavelmente é derivada da palavra

hindi

à energia consciente do ser humano como um ponto indivisível e indestrutível de luz não física.

Ficou estabelecido que o mundo material inteiro, que vejo a minha volta como uma variedade de formas e cores, luz e calor, é formado por esses pontos-fonte de energia física. A mais bonita cena da natureza é apenas um arranjo de ondas de energia e de vibrações.

atomos atomus
atomos
atomus
atma
atma

, que significa piscar de olho, e do

, que significa indivisível. A palavra

, que significa “eu” ou “alma” e refere-se

Os órgãos dos sentidos selecionam essas vibrações e transmitem uma mensagem para a mente, onde todas

as imagens são formadas. Os olhos veem alguns

desses arranjos como formas de luz e cores, o nariz recebe odores e sabores, e sensações são detectadas e transmitidas para a mente.

O corpo humano também é um arranjo complexo de

energias físicas. Os átomos se reúnem para criar as estruturas orgânicas e os minerais inorgânicos que realizam as interações químicas do corpo, formando assim a base do controle hormonal e nervoso desse corpo.

O que vejo como velho ou jovem, feio ou bonito,

masculino ou feminino também é o efeito desses níveis diferenciados de energias físicas. Independentemente de quão maravilhosa possa ser a máquina do corpo, é a presença da alma que faz com que ela funcione.

Uma das diferenças básicas entre almas e átomos é o fato de que as almas podem escolher seus movimentos, aonde ir e quando ir a algum lugar, ao passo que os átomos não podem, obviamente, fazer isso. De certo modo, poderíamos dizer que uma alma, ao contrário dos átomos, é um ponto-fonte de energia espiritual que tem a percepção de sua própria existência.

DEFINIÇÕES

A

palavra

atma
atma

tem três significados específicos: eu,

o

ser vivo e o habitante. Dentro dessa única palavra

obtemos um insight dos diferentes aspectos do eu:

eu, o ser vivo, sou um habitante desse corpo físico.

A resposta à pergunta “quem sou eu” torna-se clara. Sou uma alma, o ser interno vivo e inteligente. Habito e dou vida ao corpo. O corpo é o meio pelo qual eu, a alma, me expresso e experimento o mundo

a minha volta. Em vez de responder à pergunta com

relação a minha identidade dando nome do corpo, designação do trabalho, nacionalidade ou sexo, o eu interno real simplesmente diz: “Eu sou uma alma, eu tenho um corpo”. As diferenças básicas são mostradas no quadro abaixo.

A ALMA NÃO É MASCULINA NEM FEMININA

Como uma energia, a alma tem dentro de si qualidades que são tanto masculinas quanto femininas. Apesar de a alma ser, sem dúvida, afetada pelo sexo de seu corpo na forma de condicionamentos e influências sociais, esses aspectos são relativamente superficiais. O eu verdadeiro não tem gênero.

Os egípcios da Antiguidade tinham arraigada consciência dessa verdade profunda mostrada no seguinte trecho de uma conversa encontrada no Livro Egípcio dos Mortos entre Ísis e seu filho

Hórus:

Hórus: Como as almas nascem, masculinas ou femininas?

Ísis: As almas, meu filho Hórus, são iguais por

natureza

homem, seja mulher. Essa distinção só existe entre os corpos e não entre os seres incorpóreos.

Não existe ninguém entre elas, seja

SINÔNIMOS DE ALMA

As seguintes palavras e expressões são essencialmente sinônimos da palavra “alma”:

Espírito Ser Consciência - Anima/animus - Energia vital Essência Eu

DIFERENÇAS ENTRE “EU” E “MEU”

As duas palavras mais comuns na maioria das línguas são, provavelmente, eu e meu. Nossos mundos pessoais giram quase exclusivamente ao redor delas. É preciso entender suas implicações mais profundas se quisermos delinear novamente nossos limites.

Normalmente, uso a palavra meu para referir-me a todas as coisas que não são eu minha mão, meu rosto, minha perna ou até meu cérebro, minha mente, minha personalidade, e assim por diante. Da próxima vez que eu disser minha alma, talvez me

lembre de que realmente não posso dizer minha alma, pois eu sou uma alma.

A diferença entre eu e meu é a mesma que entre

alma e corpo. O exemplo de uma faca ilustra isso. Posso usá-la para cortar um tomate ou para apunhalar alguém. A faca nem decide nem experimenta, mas pode ser lavada facilmente debaixo de uma torneira. É fácil perceber que a faca é um instrumento, mas é mais difícil perceber que os dedos são um instrumento também, e não apenas os dedos como também os braços. As pernas são instrumentos para andar, os olhos para ver, os ouvidos para ouvir, a boca para falar, respirar e saborear, o coração, para bombear alimento e oxigênio para o corpo, e assim por diante. Mesmo o cérebro é como um computador usado para expressar todos os programas de pensamentos, palavras e ações pelo corpo e para experimentar os resultados. Se cada parte física do corpo é um instrumento, quem ou o que o está usando?

Muito simples: sou eu para si e a palavra meu para

se referir ao corpo: minha mão, minha boca, meu cérebro. Eu sou diferente de meu corpo.

Por meio da consciência de meu, expandi-me muito longe não apenas com relação ao corpo e às faculdades internas, mas com relação às posses e relacionamentos: minha casa, meu carro, meu filho etc.

Com o tempo, todos, todos esses meus que tento agarrar escapam de meus dedos. Percebo sua natureza efêmera e, por falta de alternativas disponíveis, tento me agarrar a elas ainda mais e, assim, desenvolvo apegos e dependências. Enquanto essa identificação persiste, minhas qualidades inatas (isto é, o que é realmente meu) estão fora de alcance. Quando assumo minha verdadeira identidade como um ser espiritual, imediatamente recebo também acesso ao amor, à paz, à felicidade e ao poder que são partes de mim.

Uma lista de todos os fatores que me criam limites provavelmente incluiria itens como idade, sexo, saúde, família, profissão, defeitos e fraquezas. Ao reivindicar direito de posse de tudo isso por meio da palavra meu, estabeleço os limites dentro dos quais tento operar minha vida. Tendo estabelecido minhas próprias cercas, sempre que a tristeza aparece, um desses fatores torna-se automaticamente o bode expiatório.

Em vez de apontar o dedo numa forma de acusação ou queixa, posso adotar uma abordagem mais positiva. Posso ser mais realista e aceitá-los não como fatores limitantes, mas como instrumentos que podem ajudar-me a melhorar minha experiência de vida. Essa mesma lista pode ser o trampolim de minha transformação e liberdade.

Posso fazer uso total do estado ou da energia da juventude de acordo com o caso. Posso tirar

vantagem das características positivas de meu sexo, mesmo apreciando as características do sexo oposto. Minha família e vida profissional podem ser experimentadas num outro nível mais elevado. Posso descobrir por meio de fraquezas e defeitos o quanto tenho de aprender sobre mim mesmo. O problema não está na lista de fatores, mas na consciência que tenho deles. É uma questão de duas palavras: eu e meu.

ALMA POSIÇÃO, FORMA E ATRIBUTOS

As dualidades matéria/antimatéria, sensível/não sensível, físico/espiritual podem ser facilmente entendidas pelo conhecimento do mecanismo com o qual a consciência humana opera através do corpo. A alma tem três funções básicas para desempenhar:

dar e manter a vida, expressar e experimentar sua própria vida singular e receber as recompensas ou os frutos das ações passadas desempenhadas em existências anteriores.

POSIÇÃO

Quando olho num espelho, não vejo meu reflexo, mas o de meu corpo. De fato, a alma está olhando através das janelas dos olhos de algum ponto dentro da cabeça. As funções sensitivas são controladas e monitoradas por meio dos sistemas nervoso e

hormonal de um ponto específico na área do cérebro que aloja as glândulas do tálamo, hipotálamo, pituitária e pineal. Essa região é conhecida como o assento da alma ou o terceiro olho. A conexão entre o físico e o não físico ocorre por intermédio da energia do pensamento.

Quando vista de frente, essa região parece estar um pouquinho acima da linha das sobrancelhas, entre elas. Muitas religiões, filosofias e estudos esotéricos dão grande importância ao terceiro olho ou olho da mente. Os hindus usam um tilak, um ponto vermelho ou pasta de sândalo no centro da testa. Os cristãos também fazem o sinal da cruz pondo o polegar nessa região. Os muçulmanos também tocam esse ponto em saudação tradicional. Quando alguém de qualquer cultura faz um erro tolo, intuitivamente leva a mão para o meio da testa. Afinal de contas, não é o corpo que comete o erro, mas o ser pensante que está operando o corpo de um ponto específico. Já que o cérebro é o centro de controle de todos os processos do corpo metabolismo, os sistemas nervoso, endócrino, imunológico e linfático , faz sentido que a pessoa interior esteja alojada em algum lugar do cérebro.

Assim como o motorista acomoda-se atrás do volante, segurando-o com as mãos, a alma “assenta- se” num ponto específico do centro do cérebro, próximo ao corpo pineal. Isso é importante para os propósitos da meditação, pois esse é o local para

onde a atenção é primeiramente direcionada no esforço de concentrar os pensamentos: eu sou a alma, um foco minúsculo de energia-luz consciente centrado no ponto entre as sobrancelhas.

Quando dizemos “sinto algo bem aqui”, pondo a mão sobre o coração, nem sempre nos referimos a alguma coisa dentro do peito. O coração físico é simplesmente uma bomba do sangue incrivelmente sofisticada. Ele pode até ser transplantado! Porém, dentro do eu real, o ser vivo e pensante, existe um centro de emoções, humores e sentimentos.

As sensações que muito obviamente sinto no corpo

devem-se à total interligação que existe entre a alma

e a matéria que ela está habitando. Por exemplo,

quando estou com medo de um cão, o sistema inteiro

é ativado. Do centro de controle, no meio do

cérebro, a alma envia mensagens para todo o corpo.

A adrenalina é liberada para dar força extra aos músculos. O coração começa a bater mais depressa,

a respiração torna-se mais rápida e as palmas das

mãos ficam úmidas. Pode parecer que todos os órgãos têm sensibilidade e sistemas emocionais autônomos, mas a operação inteira dura tão pouco uma fração de segundo que nem percebo a coordenação das sensações e as respostas da alma a partir de sua própria cabine especial de pilotagem, no centro do cérebro. Dessa forma, se sinto algo em meu coração por causa de alguma coisa ou de alguém, aquilo está realmente sendo processado por

mim, o ser pensante, para depois refletir em meu coração.

FORMA

Todas as características presentes na alma são sutis ou não dimensionais por natureza pensamentos, sentimentos, emoções, poder de tomar decisões, traços de personalidade, e assim por diante. Se essas características são todas sem tamanho, então é razoável concluir que a energia consciente da qual elas surgem também não tenha tamanho. Por essa simples razão, ela é eterna. Uma coisa que não tem tamanho físico não pode ser destruída.

Como uma alma, não estou difuso pelo corpo todo nem sou uma duplicata invisível e etérea do corpo físico. Mesmo que essa forma sutil exista, ela é o efeito da alma que habita a forma física, e não a alma em si. Assim como o Sol está em um ponto e ainda assim irradia luz por todo o sistema solar, a alma está num local e sua energia permeia o corpo inteiro.

Para expressar algo que existe, mas não tem dimensões físicas, nós podemos usar a palavra ponto. A alma, portanto, é um ponto infinitesimal de luz consciente. Com a finalidade de termos uma imagem em que possamos fixar nossas mentes, podemos dizer que ela é semelhante a uma estrela em sua aparição. Em meditação profunda, posso

perceber a alma como um ponto infinitesimal de luz não física circundada por uma aura de forma oval.

QUALIDADES INATAS DA ALMA

Tudo o que vejo tem o que pode ser chamado de valor adquirido e valor inato ou inerente. O valor adquirido é aquele que foi assimilado diretamente por associação durante a existência. O valor inato é o que sempre é, independentemente da aparência. Por exemplo, o valor adquirido do ouro muda com as oscilações do mercado. Seu valor real ou inato prende-se ao fato de ser um dos minerais mais bonitos. Ele é extremamente dúctil e maleável, por exemplo. Se me perguntassem quais são as qualidades principais presentes num relacionamento harmonioso com alguém, eu poderia imediatamente responder: amor, paciência, tolerância, entendimento, empatia, e assim por diante. Como sei disso? Será puramente pela experiência? Posso me lembrar de realmente ter experimentado completa e constantemente alguma dessas qualidades em algum relacionamento? Provavelmente não.

Nesse caso, de onde vem essa ânsia pelo certo senão de um sentido inato do que é correto ou bom? Como posso julgar ou perceber o nível de paz, amor ou felicidade de uma situação senão por uma projeção dessas mesmas qualidades que estão dentro de mim? É como se elas se juntassem como uma régua sutil

para medir o que acontece a minha volta de forma que os ajustes internos necessários possam ser feitos de acordo com a situação. Se é bom ou ruim, pacífico ou confuso, minhas próprias qualidades inatas pelo menos me aconselham sobre o que está acontecendo.

O problema é que elas estão em estado latente e não

se traduzem muito facilmente em ação. Apesar de essas qualidades serem a base de meus ideais, quando estou enfraquecido sou incapaz de aplicá-las deliberadamente de acordo com as exigências do momento. Elas precisam ser fortalecidas.

Assim, um dos benefícios mais imediatos na prática da meditação é melhorar o funcionamento desse medidor interno. Minhas qualidades inatas estão simplesmente esperando uma chance de se manifestar. Como uma lâmpada sem corrente, a possibilidade de acender minhas qualidades existe, mas elas precisam ser conectadas com uma fonte de força. Isso é exatamente o que a meditação faz.

Os atributos inatos são propriedades imutáveis. É impossível retirar o azul do céu ou a doçura do mel.

O azul e o doce fazem parte da constituição imutável

do céu e do mel.

Do mesmo modo, independentemente do que eu me tenha tornado como ser, meus atributos inatos profundos ainda são os mesmos que sempre existiram em mim. É o meu âmago interior de

qualidade que, de fato, me inspira a buscar o ideal em tudo o que faço. Se me perguntassem sobre uma lista de qualidades que são importantes em um relacionamento entre duas pessoas, coisas como respeito, honestidade, sinceridade, abertura e outras automaticamente brotariam na mente. Mesmo se eu nunca as experimentei em memória viva, ainda assim, eu as busco. O impulso de buscar e de sonhar vem de minha própria reserva de atributos inatos, que só está esperando para ser descoberta e trazida para a atividade prática.

As qualidades inatas da alma são as fundamentais. Elas são tão básicas que constituem o alicerce de todas as virtudes e poderes.

*Paz *Verdade *Felicidade

*Amor *Pureza *Poder *Equilíbrio

Elas são como as cores primárias, e as virtudes são as secundárias. Assim como o verde é feito do azul mais o amarelo, as virtudes, como paciência, tolerância, coragem, doçura, e assim por diante, são a combinação dessas qualidades básicas. Alguns exemplos:

Paciência paz, amor e poder

Coragem poder e verdade

Discernimento verdade, paz e equilíbrio

O objetivo da meditação Raja Yoga é fortalecer

meus próprios atributos inatos de forma que meu comportamento possa ser naturalmente virtuoso.

Extraído do livro Caminhos para uma Consciência

mais Elevada, de Ken O’Donnell, publicado pela

 

Editora Brahma Kumaris.

 

Jacqueline Berg descreve como podemos nos

libertar das prisões autoimpostas a que nos

 

submetemos.

 

Recentemente, li um anúncio que dizia, “Seja diferente. Seja você mesmo. ” Isso me lembrou de uma história que ouvi certa vez sobre um leão que foi separado de seus pais no nascimento. Ele cresceu num rebanho de ovelhas. Pelo fato de o filhote acreditar mesmo ser uma ovelha, comportava-se como uma. Ele era um leão em transe de ovelha.

A história do leão é um pouco parecida com muitas

de nossas próprias histórias. Nós também estamos num transe. Também parecemos esquecer quem realmente somos. E, por causa desse engano, temos nos identificado com diferentes imagens e ideias. Colocamos máscaras e realmente começamos a acreditar que somos essas máscaras. É claro que é impossível ser feliz se você é um leão e vive como uma ovelha. O segredo de conhecer-se é que existe algo dentro de você totalmente diferente daquilo que você finge ser.

A única maneira de conhecer esse “eu” verdadeiro é através de uma pesquisa consciente. A maioria das pessoas não tem tempo para isso. Ou eu deveria dizer que elas não criam tempo para isso? Essa é a beleza do tempo: você pode criá-lo. Durante minha

pesquisa, descobri quatro coisas que são de importância vital. A primeira é o silêncio. A segunda

é o relacionamento comigo mesma. A terceira é o

relacionamento com o Supremo e finalmente vem meu relacionamento com aqueles que estão à minha volta. É realmente importante pensar nelas nessa ordem. Nós normalmente as abordamos numa ordem diferente. Estamos muito conscientes sobre os relacionamentos que temos com os outros, alguns de nós pensam sobre Deus, poucos pensam no seu eu interior e dificilmente alguém tem um relacionamento com o silêncio.

Antes de começar a meditar há uns 25 anos eu não considerava muito o silêncio em minha lista de prioridades. Não tinha uma ideia clara do que ele realmente era. Eu era viciada em trabalho, e pessoas assim não desperdiçam tempo em hobbies fúteis como o silêncio. Minha vida era ativa, dinâmica. E era assim na família também. Depois de divorciar- se, minha mãe contou-me, porque ela sempre esteve tão incrivelmente ocupada. Ela literalmente esteve fugindo da dor que sentia por causa do seu casamento não preenchedor. Isso me despertou para

o fato de que o trabalho pode ser apenas outro vício,

um modo de encobrir a dor, um modo de evitar as coisas com as quais não sabemos lidar. Então, essa é a maneira como fui criada: nunca parando, nunca sendo, sempre fazendo.

Minha jornada interior começou com o desejo de quebrar esse ciclo vicioso de ficar dando voltas; tentando “simplesmente ser” para mudar um pouco. Os primeiros anos na meditação não foram fáceis. Achei difícil relaxar e não conseguia sentar-me em silêncio. Minha mente criativa continuava correndo. Foi realmente meu corpo que veio para me salvar e forçou-me a sentar ou em outras palavras silenciar-me. Lentamente, mas definitivamente, minha mente aceitou-se derrotada e enquanto a bandeira branca estava sendo hasteada, o silêncio entrou.

Leva tempo acostumar-se a estar em silêncio e não fazer “nada”. Lembro-me de uma manhã quando estava sentada no sofá meditando quando um dos vizinhos passou pela janela. Antes disso, havia pegado uma revista e fingia lê-la. Por tanto tempo vivi com a ideia, “Eu faço, portanto eu sou.” Tinha receio de que os vizinhos pensassem que eu não estava fazendo nada. Mas estava mais receosa ainda daquela voz interior, o Crítico Interior, que me puxou para além dos meus limites durante muitos anos. Agora que minha mente estava se tornando mais silenciosa, tornei-me mais consciente dessa voz

interna. Custou-me certo tempo para entender o que esse criticismo interno faz, o quão destrutivo ele é.

Muitas pessoas confundem criticismo com intelectualismo; eles pensam que é bom ter opinião sobre tudo e julgar os outros. Mas descobri que ele realmente é um hábito muito negativo. Machuca os outros, e, acima de tudo, você se machuca com esse tipo de julgamento negativo. Acho que ele deriva da noção errada de perfeccionismo. Perfeccionismo não é o mesmo que perfeição no sentido de inteireza. “Ser completo” significa ser completo com todos os poderes e virtudes dentro do eu. Perfeccionismo é algo diferente. Perfeccionistas tentam controlar pessoas e situações de modo que nada dê errado. Eles querem que tudo aconteça tranquilamente e não conseguem lidar com imprevistos. Ao invés de focarem-se na beleza da vida, são obcecados pelos defeitos e imperfeições deles próprios e dos outros. Corrigem a eles mesmos e aos outros continuamente às vezes em palavras, sempre em pensamentos.

Não estou dizendo que não devemos tentar tornar as coisas melhores e nos esforçarmos para a perfeição. Afinal de contas, todos viemos de um estado de harmonia interna e completude. Então, é muito natural que queiramos retornar àquele estado uma vez mais. Mas a raiva projetada por ter perdido sua própria perfeição não vai trazer a completude de volta. De fato, isso cria muitos problemas nos relacionamentos. Não é fácil enfrentar, ou mesmo

ver, os seus próprios defeitos. É mais fácil ver isso nos outros, e então, o Crítico Interno os ataca. E sempre há alguma coisa: a maneira como alguém se

veste, fala, comporta-se

o que estamos realmente fazendo é criticar nosso

próprio comportamento.

A maneira de conhecer o Crítico Interno é prestar atenção aos seus sentimentos: como eu me sinto sobre mim? Como me sinto sobre as outras pessoas? Recentemente, meu dentista disse-me que se ele tirasse minhas obturações de mercúrio, meus sentimentos por mim mudariam. Não é

surpreendente que algo assim pode realmente mudar

o modo como nos sentimos sobre nós mesmos? Os

sentimentos podem mudar tão rapidamente e existe

muita influência, assim, a melhor maneira de ver os sentimentos é: Eles são apenas sentimentos. E um sentimento leva a outro. Quando você olha por trás desses sentimentos e emoções, ainda há você. É o que acontece em relação à raiva: você pode sentir raiva, mas isso não faz de você uma pessoa raivosa.

É bom separar seus sentimentos de você mesmo.

Veja o medo, por exemplo. Há alguns anos viajei para a Austrália. Eu estava num voo doméstico que levaria apenas 45 minutos. Mas, no caminho, pegamos uma tempestade tropical com muita chuva. Tentamos aterrissar, decolar novamente, e aterrissar mais uma vez. Isso aconteceu sete vezes. A experiência foi terrível, as pessoas gritavam sem

não há fim para isso. Mas

parar. De qualquer forma, o fato é que eu tenho medo de voar, então, você pode imaginar como me senti. Meu medo cresceu e cresceu até que cheguei aos limites do medo. Eu não poderia estar mais amedrontada. Então, de repente, ele desapareceu.

Foi embora. Comecei a sorrir. Vi quão engraçada era

a situação e consegui acalmar os outros à minha

volta. Quando chegamos ao nosso destino, 11 horas

depois, percebi profundamente: um sentimento é somente um sentimento. Ele pode incomodá-lo durante anos e de repente, ir embora. Sentimentos mudam, nós não!

Quando permito que o silêncio entre em minha mente, descubro quem sou lá no fundo. Começo a entender minhas motivações. Posso ser honesto comigo. Não preciso enganar-me. Quando começo a me ouvir, é possível descobrir coisas diferentes daquilo que eu esperava encontrar. Talvez eu seja uma pessoa muito diferente de quem pensava ser. Talvez eu seja um leão vivendo num transe de

ovelha. Se sou, então o processo de reconhecimento

e mudança começa. Pode ser um pouco dolorido

destruir as imagens criadas de nós mesmos, mas acima de tudo, é uma liberação. É claro que as pessoas à nossa volta dirão, “Espere aí, esse não é você, isso não é como eu conheço você.” Eles tentarão puxá-lo de volta. É necessária coragem para mudar. Pode ser doloroso descobrir quão pouco seus amigos e família o conhecem de verdade. Mas você

não pode culpá-los. Afinal de contas, foi você quem induziu-os ao erro ao não lhes mostrar o seu verdadeiro eu. Você mostrou-lhes somente a máscara.

Temos nos identificado com muitas coisas externas. As pessoas têm muitas faces. Nossa identidade está nas roupas que usamos, nos empregos que temos, onde vivemos e assim por diante. Algumas pessoas são completamente diferentes no trabalho do que são em casa. Eles mostram somente uma parte deles no trabalho. Num certo sentido, enganam seus colegas. Na Prisão Estatal Holandesa, ensinei meditação para homens jovens, os quais estavam lá por causa de crimes relacionados com drogas. Então, além de suas penas, eles eram viciados. Não era um grupo fácil! Foram-lhes oferecidas sessões de psicoterapia para torná-los conscientes da dor de seu passado. Isso é importante, pois tinham tentado fugir do passado por meio das drogas. Depois que eles ficaram sóbrios, tive a oportunidade de fazer sessões de meditação e pensamento positivo com eles. Esses garotos ensinaram-me muito sobre mim. Eles não deixaram nada a que se agarrar, nada com o que se identificar. Seus amigos e namoradas não queriam mais vê-los; muitos deles haviam perdido seus dentes e cabelos. Falei com eles sobre prisão em liberdade. Eles sempre falavam para mim: “O que você sabe sobre prisão? Quando você sair desse lugar, estará livre.”

Mas o que é liberdade? Talvez eu esteja viciada no meu trabalho, no meu relacionamento ou em negatividade. Essas jaulas da alma também são prisões. Alguns de nós estamos presos de forma tão firme, que é como se tivéssemos dado a nós mesmos uma sentença para a vida toda. Eu digo aos reclusos que honestamente não sei quem está mais livre, eles ou nós do lado de fora. Afinal de contas, eles têm todo o tempo do mundo para repensar suas vidas. Longe da luta da vida diária, é muito mais fácil mudar padrões. Algumas pessoas gastam muito dinheiro para passar o tempo num retiro ou numa ilha privada apenas para afastar-se de tudo a fim de colocar as coisas em ordem. Quando digo àqueles jovens na prisão que algumas pessoas podem até ter um pouco de inveja deles, eles riem, mas entendem.

Eles também estão abertos à meditação. E amam isso. Deitam-se no chão, acomodam-se em suas cadeiras, às vezes choram. Por alguns minutos experimentam-se como realmente são. Sentar-se junto em meditação faz você esquecer que está na mesma sala com assassinos e assaltantes. Eles também se esquecem dessas coisas. Nós simplesmente sentamos juntos e esquecemos as máscaras. Encontramo-nos como almas. Em terapia, as pessoas frequentemente focam somente naquilo que deu errado. Quando encontro esses garotos, eu lhes digo, “Esqueçam-se um pouco de seu passado. Vejamos quais qualidades e especialidades vocês

ainda deixaram”. Quando eles expressam algumas dessas qualidades, eu os relembro disso. Não me lembro de seus nomes, mas me lembro de suas qualidades.

O perdão é muito importante para eles. Somente quando aprenderem a perdoar-se é que podem abandonar suas identidades falsas. Eles precisam entender por que estavam fazendo aquelas coisas:

não é porque são pessoas más, mas por causa da falta de entendimento. Somente assim eles podem perdoar e reconquistar sua autoestima novamente.

Perdoar-se significa curar seu coração. Se você continuar se punindo, ainda estará atrás das grades. Ainda estará na prisão. E por estar na prisão, você aprisiona os outros também. Ninguém quer estar preso sozinho. Nós queremos companhia. Se sua identidade é baseada em vergonha, você vai procurar por outros que tenham o mesmo problema. E sempre irão machucar-se uns aos outros. Pessoas machucadas machucam pessoas. Essas projeções uns nos outros irão continuar até que você se cure. E só quando você se curar é que será capaz de curar os outros.

Devemos entender que somos livres. As almas são livres. Ninguém pode nos aprisionar; nós é que escolhemos nos aprisionar. Transformamo-nos em vítimas. E se gostamos de desempenhar o papel de vítimas, sempre há alguém querendo desempenhar o papel de vitimador o pássaro e a gaiola. Se

queremos ser livres, meu conselho é: Não fuja de sua “gaiola”; não fuja de seus relacionamentos. Ao invés disso, entenda o que está acontecendo e mude. Isso é honestidade. Esse é o único modo de libertar- se. Não gaste toda a sua energia tentando mudar os outros. É inútil. Toda a sua energia será usada em discussões, lutas e nas mesmas brigas repetidas vezes. Os outros só vão mudar quando eles quiserem, quando eles entenderem que têm de mudar. A mudança vem de uma motivação interna. Mas se usamos nossa preciosa energia para mudar a nós mesmos, as chances são de que o outro também mude. É hora de regenerar a sua alma.

Relacionamentos verdadeiros começam com silêncio. Portanto, você pode começar a criar um relacionamento melhor consigo, então com o Supremo e então com os outros. A razão pela qual os relacionamentos com os outros vêm por último é porque os outros nunca veem em nós o que Deus vê. Frequentemente nos vemos através dos olhos dos outros. Então, se alguém vê somente 20% do que somos, também só vemos esse tanto. Deus nos vê como somos. Ele vê nosso potencial completo. Se você aprender a olhar-se da forma como Deus o vê, você começará a ver seu eu verdadeiro. Se aprender a conectar-se ao Ser Supremo, seus sentimentos puros serão estimulados e reforçados. É maravilhoso estar em contato com um ser que é tão próximo à sua natureza original. Você se sente muito confortável

na presença de alguém que é consciente da alma. Você começa a relaxar, pois está sendo reconhecido. Não precisa provar mais nada a si mesmo.

Eu acredito que atualmente vivemos num período no qual as pessoas estão começando a entender essas coisas. Mas temos que parar de desperdiçar energia e concentrarmo-nos naquilo que realmente é necessário. A prática de meditação é sobre aprender a não ser influenciado, ser você salvo e protegido naquela energia pura. Meditação é sobre sentir sua própria energia da alma. Realmente sentir: isso sou eu; aquele sentimento de que sou único, sou especial. Então, o processo completo é expressar aquela energia na sua vida diária, em seus relacionamentos. Mas, em primeiro lugar, você tem que praticar para senti-la até que se torne estável na sua identidade verdadeira. Quando você começa a sentir quem realmente é, não há necessidade de lutar contra vícios ou pessoas à sua volta. De fato, não há necessidade sequer de lutar. É um processo muito natural. Quando mudarmos nossas atitudes, seremos capazes de mudar o mundo. Como vocês veem, Deus precisa de ajuda. Ele precisa de mentes livres.

Jacqueline Berg, escritora e autora, é diretora da

Jacqueline Berg, escritora e autora, é diretora da

Brahma Kumaris na Holanda.

Jacqueline Berg, escritora e autora, é diretora da Brahma Kumaris na Holanda.
Charles Hogg explora o truque de manter

Charles Hogg explora o truque de manter

equilíbrio na vida

Charles Hogg explora o truque de manter equilíbrio na vida

Alguns incidentes durante a nossa infância deixam impressões muito profundas. Recordo-me de um programa de televisão exibindo um equilibrista numa corda bamba cruzando as Cataratas do Niágara. Fiquei fascinado com a forma como ele colocava cuidadosamente um pé depois do outro num estado de concentração total. Às vezes ele

parava para se re-equilibrar e reavaliar sua posição. Um pequeno deslize ou leve desequilíbrio e ele poderia ter caído centenas de metros nas turbulentas

e brancas águas abaixo de si. Era de tirar o fôlego.

Alguns de nós sentimos que a vida é semelhante. Achar nosso equilíbrio interno enquanto vivemos entre diversos extremos, como o equilibrista na corda bamba, pode ser precário. Pode criar uma enorme tensão. Vivemos num mundo de dualidades

e a todo o momento temos de tomar decisões sobre

onde ficarmos entre tantos extremos. Eu deveria

tolerar a situação em silêncio ou deveria enfrentá-la expressando como realmente me sinto? Será que estou partindo de um ponto de autorrespeito ou simplesmente estou sendo arrogante? Estou sendo egoísta ou sensato ao importar-me com minhas próprias necessidades? Quando devo deixar que as coisas aconteçam e quando devo forçar o que eu

desejo?

A filosofia taoísta expressa esses dilemas no seu

milenar símbolo “Ying Yang”. Praticamente a todo segundo enfrentamos a dualidade dos opostos. Infelizmente não há nenhuma fórmula para encontrar o equilíbrio certo. Cada situação requer uma mistura diferente de forças aparentemente opostas diametralmente. Algumas situações exigem que sejamos totalmente assertivos e que nos expressemos exatamente como nos sentimos. Outras exigem que deixemos a situação fluir por si, satisfazendo necessidades e desejos dos outros, e ainda, em algumas situações, necessitamos de uma mistura entre essas duas possibilidades. Cada situação depende da nossa habilidade de visualizá-la objetivamente e ter o discernimento sobre o caminho do meio. Em minha experiência, o meio termo, o caminho do meio, supõe achar um ponto de silêncio do qual observo todas as marés de influências e opiniões. Desse ponto vejo com clareza o caminho que preciso seguir.

A maioria de nós acha a vida um malabarismo

constante no qual tentamos cumprir muitas responsabilidades diferentes. Primeiramente, para nossa família e amigos a maioria de nós sente os relacionamentos como a prioridade mais alta. Em segundo lugar, nossas responsabilidades com a carreira escolhida. Em terceiro lugar vêm nossos outros interesses, como serviço comunitário,

esportes ou nosso próprio divertimento. Negligenciar um deles pode gerar estresse.

O maior estresse não vem do excesso de trabalho, mas da preocupação de estarmos negligenciando uma área de nossa vida. É de conhecimento geral

que “

trabalho utilizam esse mesmo trabalho para escapar de áreas de suas vidas que acham difíceis. Talvez conflitos em casa, ou até mesmo uma falta de autoestima. Ir para um extremo normalmente é sinal de tentar acobertar uma carência em outra área. Parece que buscamos aquilo em que somos bons, mas muito habilmente criamos nossa vida de modo a evitar o que nos desafia ou que achamos difícil. Um renomado orador público certa vez me disse que tinha muita confiança para enfrentar uma multidão, mas numa conversa face a face se sentia totalmente inadequado e assim evitava esse tipo de contato. O resultado, desequilíbrio!

Comecei a praticar meditação quando eu tinha pouco mais de vinte e um anos. Um dos benefícios maravilhosos da meditação que descobri era a arte de me ver objetivamente como fazendo parte da audiência que assistia meu próprio desempenho no palco. Assistindo-me, pude ver como estava tentando agradar os outros arduamente, comprometendo constantemente o que realmente eu queria ou necessitava. Era mais importante buscar

workaholics

” brilhantes no seu campo de

respeito dos outros que de mim mesmo. Resultado mais desequilíbrio.

Então,

o que é isso? Quantos de nós alcançam um ponto onde a ansiedade em fazer malabarismos com nossas diversas responsabilidades alcança extremos? É nesse momento que reavalio as minhas prioridades. Hugh Mackay, um pesquisador social australiano, descreveu os anos 80 como os "ansiosos anos 80”. Ele observou que muitas pessoas estavam optando por uma "viagem interna"; uma mudança total de atitude onde uma pessoa começa a olhar internamente para solucionar a ansiedade e o extremismo. Culpar os outros ou as situações é o caminho da ilusão. Assumir a responsabilidade de como me sinto é o caminho verdadeiro. Eu não resisto aos desafios que a vida me traz e nem sou subjugado por eles.

Mas como encontrarmos nosso ponto de equilíbrio em cada situação?

Precisamos estar totalmente fora da influência, opiniões e até mesmo percepções passadas e adotar a "visão de helicóptero". Desse ponto, “visto do alto”, podemos ver o quadro inteiro com clareza. Desapego sempre foi a marca dos grandes pensadores, porque apenas quando vemos a situação como um observador desapegado percebemos a verdade real. Caso contrário, nossas emoções, desejos ou apegos cobrem essa clareza de nuvens. O

nossas emoções, desejos ou apegos cobrem essa clareza de nuvens. O tenho responsabilidades sobre mim mesmo,

tenho responsabilidades sobre mim mesmo, e

desapego é muito necessário para encontrar o verdadeiro equilíbrio, mas muitos de nós podem

tender a sentir isso como algo frio e distante.

isso que o primeiro e principal equilíbrio é amor e desapego.

Amor é a maior necessidade. Aqueles que sempre expressam o seu amor com uma motivação pura, sempre se sentem cheios de amor. Mas, para verdadeiramente estar amando, precisamos de desapego. Quando estamos desapegados, não ficamos irritados ou afetados pelas ações dos outros e assim podemos manter nosso amor. Nosso amor não é condicional às respostas deles. Não estamos comercializando no “negócio de amor” que diz, “Se você fizer isso, só então você receberá meu amor

Algumas vezes temos de mostrar apoio e amor total, mas em outras ocasiões temos de dar um apoio oculto, permitindo que o outro se levante com seus próprios pés. Aí nosso desapego toma a forma de respeito em que o outro pode realizar sem nossa ajuda. Ser amoroso e desapegado é como uma proteção de diferentes influências e ambientes em que os humores, imperfeições e percepções dos outros não conseguem perturbar nossa clareza.

A prática da meditação nos leva naturalmente para a ‘visão de helicóptero’. De lá você pode ver o quadro completo e se tornar uma pessoa mais equilibrada. Algumas das áreas nas quais você encontrará equilíbrio são:

completo e se tornar uma pessoa mais equilibrada. Algumas das áreas nas quais você encontrará equilíbrio

É por

Análise e Aceitação

Análise e Aceitação

Algumas situações requerem análise clara, mas apenas a análise não finaliza o assunto. A mente fica repetindo os eventos uma vez, outra e novamente e ficamos tentando manter nossa objetividade. Mas a aceitação pode clarear os sentimentos subjetivos e nos permitir seguir com nossa vida. Aceitação não significa negar ou reprimir, mas é uma profunda sabedoria em perceber que nada mais pode ser feito. Tudo o que podemos fazer é para o que quer que tenha acontecido, tomar a lição e progredir para o futuro.

Humildade e Autoridade

Quando temos autorrespeito, nossas palavras e ações expressam humildade. Algumas pessoas dizem que admiram a humildade, ainda que sintam que pessoas humildes podem se tornar capachos. Mas a verdadeira humildade indica autoridade e uma força suave. Isso é autoridade sobre si mesmo. Não é uma autoridade que impõe controle sobre os outros. A pessoa humilde fala com verdade, mas a sua autoridade não vai ferir o coração de outras pessoas. As pessoas vão admirar a dignidade e a autoconfiança de uma pessoa assim. O equilíbrio entre humildade e autoridade sobre si mesmo é a base de um grande líder.

Satisfação e Ambição

Algumas pessoas nunca estão satisfeitas. Não importa o quanto tenham, sempre querem mais. É um tipo canceroso de falta de paz interior que nunca os permite ficarem quietos desfrutando o presente. Outros parecem não ter nenhuma motivação para melhorar em qualquer nível. Um dos presentes da prática de meditação está em descobrir uma consciência profunda de nosso eu espiritual e nosso relacionamento com Deus.

Isso diminui a ambição por reconhecimento e cria um sentimento de abundância e satisfação. Porém, até mesmo com essa satisfação interna, pode haver ainda a ambição para melhorar nossas próprias vidas e ajudar os outros. Contudo, essa não é uma ambição que busca a aprovação dos outros, mas vem de um interesse genuíno de benevolência.

Charles Hogg é Diretor dos Centros de Raja Yoga

Charles Hogg é Diretor dos Centros de Raja Yoga

da Brahma Kumaris na Austrália

Charles Hogg é Diretor dos Centros de Raja Yoga da Brahma Kumaris na Austrália
rijmohan dá uma olhada mais próxima na diferença

rijmohan dá uma olhada mais próxima na diferença

entre corpo e alma

rijmohan dá uma olhada mais próxima na diferença entre corpo e alma

Uma mente carregada pode arrebatar alguns momentos de prazer breves e passageiros, mas não pode experimentar verdadeira felicidade. Permanecer sempre leve é a chave da felicidade. Nas condições de hoje, a habilidade para levar a si

mesmo e tudo ao seu redor de maneira despreocupada talvez seja a capacidade principal a ser cultivada. Há uma necessidade vital para desenvolver os poderes internos a fim de "tornar as coisas fáceis" venha o que vier.

Compreende-se perfeitamente que o estado da mente de uma pessoa depende da sua atitude em relação às pessoas e objetos presentes e aos eventos que acontecem ao seu redor. Também há uma declaração famosa que diz: “Você não pode mudar os fatos, mas pode mudar sua atitude em relação a eles.” Contudo, quando situações reais surgem, a mudança de atitude é difícil por causa da opinião já formada.

A atitude é determinada por orgulhos e preconceitos,

desejos e ambições, prioridades e preferências, necessidades e compulsões. Estas, em troca, são influenciadas por hábitos e vícios, aprendizagens e dependências, crenças e perspectivas, caprichos e fantasias e vários outros fatores. Pré-disposições assim formadas produzem certos puxões e empurrões mentais que determinam respostas e reações a situações externas. Essa é a razão pela qual

atitudes para o mesmo acontecimento variam de pessoa para pessoa. Novos paradigmas surgem a fim de quebrar velhas opiniões e criar capacidades internas que podem automaticamente cuidar de qualquer coisa que venha ao seu caminho.

A primeira mudança de atitude fundamental para

permanecer “leve” é sempre tomar uma firme

resolução de permanecer assim. Aquilo que você pensa, você se torna. A palavra “leve”, no sentido

espiritual, também significa a iluminação que dispersa a escuridão interna de ignorância, ilusão, dúvida e confusão. Isso lhe permite visualizar coisas em sua verdadeira forma. Como resultado, o engano

é eliminado. Confiança e clareza mudam as

condições de medo e ansiedade para aquelas de alegria e felicidade. Disso segue a segunda mudança de atitudes: considere a vida como uma celebração e

não como uma luta ou zona de guerra. Saudações e bons desejos trocados em celebrações sempre são fonte de grande alegria e felicidade. Igualmente, esse

é o modo mais fácil para se transformar em alguém

que tem bons sentimentos por todos e tornar a sua vida uma celebração.

Na raiz de sua atitude encontram-se suas crenças. A maior falha básica e comum nas crenças de hoje em dia é a consciência de corpo, isto é, identificar-se com o corpo mortal ao invés da entidade imortal chamada “alma” que você verdadeiramente é. Essa crise de identidade é a mãe de todas as outras crises. O seu eu eterno - a alma - é uma entidade sensível, um ponto imperecível de luz. Suas qualidades inatas originais são amor, paz, felicidade e contentamento. Contanto que você permaneça estabelecido no estado de consciência da alma e use seu corpo como um instrumento, você permanecerá leve, porque, primeiramente, sua existência é essa de ser luz

sensível e, segundo, seus pensamentos, palavras e ações estarão em conformidade com suas qualidades inatas.

Como é feito de matéria, o corpo e seus órgãos do

sentido podem dar só prazeres sensuais temporários

e dependentes de fatores externos. A consciência de corpo conduz à adoção de valores materiais que

afetam a mente, destruindo a pureza primitiva de suas qualidades inatas e, na realidade, do processo de pensamento inteiro. Como resultado, ciúme, ódio, raiva e outros tipos de negatividade conduzem a pensamentos despidos de virtudes e ações erradas. A negatividade produz desperdício de pensamentos e aumenta o número e a velocidade de seus pensamentos. Isso dilui a qualidade de pensamentos,

e, por conseguinte, a qualidade de vida. O

desperdício de pensamentos produz atitudes doentes

como dúvidas, apreensões, medo, etc. e remove toda

a vivacidade e ânimo na vida. Isso resulta em

letargia e preguiça. Desse modo, a negatividade enfraquece a mente, que fica propensa a influências externas.

A autorrealização ou consciência da alma, por outro

lado, traz para si a verdade de que as qualidades originais da alma de amor, paz, felicidade e contentamento são todas não materiais, como a própria alma. Até mesmo as características negativas ou perversões como ego, raiva, ódio, ciúme ou as tensões e preocupações produzidas por esses vícios

são não materiais em natureza. Consequentemente, a ação corretiva exigida a esse respeito deve ser essencialmente levada ao nível de suas convicções básicas. Uma viagem interna é então um pré- requisito essencial para desfrutar uma viagem externa feliz através desta vida e além.

A autorrealização permite que você solte o passado

facilmente. Em vez de lamentar, permite-lhe ganhar valiosa experiência por erros passados e aumentar seus poderes de tolerância e paciência. Quando a pessoa começa a aprender a partir dos erros, o significado de dizer “tudo acontece para o melhor" fica claro. Erros não são repetidos. A atenção ajuda a evitar a tensão. A redução do desperdício de pensamentos melhora a qualidade dos pensamentos.

A força de vontade é o agregado de todos os seus

poderes internos como tolerância, discernimento, julgamento, concentração e cooperação. A vontade de uma pessoa com um bom reservatório de poderes internos sempre prevalecerá. Consequentemente, há

a frase “Onde há vontade, há um caminho” (

há a frase “Onde há vontade, há um caminho” ( there is a will, there is

there is a will, there is a way)

. Uma firme força de

vontade permite transformar uma situação de possível fracasso naquela de sucesso - exatamente

como em um jogo de

batedor converte uma bola perigosa em um quatro ou seis por um mero estalido do seu bastão. Uma enérgica força de vontade não somente o protege das

por um mero estalido do seu bastão. Uma enérgica força de vontade não somente o protege

cricket em que um bom

influências adversas de fora, mas também o fortalece a mostrar influência no ambiente externo, da mesma maneira que sementes de rosas produzem rosas perfumadas mesmo num montão de lixo malcheiroso. Ânimo e entusiasmo são um resultado natural de sucesso e se torna, em troca, a força motriz para o sucesso adicional. Mover-se de sucesso em sucesso sempre o manterá em bons espíritos. Essa é a fórmula para permanecer leve e feliz sob todas as condições e circunstâncias.

Como aumentar a força de vontade? Não é um poder físico a ser adquirido por qualquer meio material. O pensamento inútil e negativo tem de ser eliminado para se aumentar a força de vontade. Porém, o dilema é que eles surgem quando a força de vontade está debilitada, considerando que dispensamos grande força de vontade para destruí-los. Assim, o que fazer nesse caso? Da mesma maneira que a negatividade reduz a força de vontade, é o pensamento positivo que o gera. Internalizar virtudes como humildade, satisfação, desapego e compaixão, um estilo de vida simples, boa companhia, pureza de comida e tornar-se alguém com bons sentimentos por todos lhe ajudará a realizar isso.

Brijmohan é editor do jornal Purity e Secretário

da Rajayoga Educational Research Foundation.

Anthony Strano explica o que acontece quando

temos um relacionamento direto e pessoal com

Deus e por que isso é importante.

 

Lembro-me quando tinha 13 anos e pensava: “O que eu vou fazer da minha vida? Tenho a energia e as aspirações da juventude – o que vou fazer?” Eu estava crescendo na Austrália, um país muito livre; você pode fazer praticamente qualquer coisa que goste naquela idade. Peguei então a Bíblia e abri-a aleatoriamente. E ali estava a passagem na qual Deus perguntara a Salomão: “O que é que você gostaria, acima de tudo?”. Fiquei surpreso, porque Salomão não pediu por mais dinheiro ou um palácio maior ou qualquer coisa assim; ele apenas disse: “Eu gostaria de ter sabedoria”.

Pensei: “Isso é algo bom para se pedir, ser sábio e entendido”. Mais tarde, li outro texto que dizia:

“Cuidado com a juventude! A juventude é como a grama verde. Hoje está fresca e resplandecente e amanhã estará seca e o vento virá e simplesmente a levará embora”. Então comecei a pensar: “Quando eu tiver 30 ou 40 anos e olhar para trás e refletir sobre o que eu tiver feito, o que direi? Estarei feliz com as decisões que tomei?” Lembro-me daquele dia inteiro simplesmente ficando em silêncio. Sempre gostei do silêncio. Ele era um espelho através do qual podia entender muitas coisas, não analiticamente, mas podia senti-las. Eu tinha a característica de nunca acreditar completamente na

minha própria percepção sobre as coisas. Achava que era fácil iludir-se, portanto cada um deve sempre ter um ponto dentro de si a partir do qual observar- se.

Num dia de Natal, acordei bem cedo e decidi ir à floresta. Tinha acabado de amanhecer e havia um pinheiro oval com bastante orvalho sobre ele. Eu fiquei observando-o. O sol levantou-se cada vez mais alto, os raios de luz alcançaram as gotas de

orvalho e o vento começou a soprar. Foi uma experiência muito linda. Todas aquelas gotas de orvalho começaram a refletir muitas cores diferentes verde e azul, vermelho e amarelo e à medida que

o vento soprava levemente, as cores mudavam. Foi

como um presente de Natal para mim, a árvore de Natal da natureza. Então, é claro, o sol levantou-se completamente, e tudo aquilo terminou. Pensei que seria bom ser como uma daquelas gotas, de alguma forma capaz de refletir algo escondido, algo silencioso, mas também muito bonito.

Comecei a perceber que para se ter uma conexão verdadeira consigo, com Deus e com outras pessoas,

é importante manter uma fé muito profunda e uma

humildade muito consistente, porque a fé em você, em Deus e em outras pessoas ajuda-o a ir além de muitas dificuldades, dúvidas e testes, e o torna confiante de que muito embora você possa não entender sempre há uma solução. Você também precisa de humildade para jamais cair na armadilha

do “EU SEI”. Mantenha sempre o “eu” aberto, pois somente quando estou aberto é que a verdade é dada ao “eu” como um presente. Todas as coisas divinas são presentes; o único esforço que alguém precisa fazer é posicionar o “eu” de tal maneira que seja capaz de receber aqueles presentes. Ao receber aqueles presentes, eles aumentam na medida em que forem compartilhados. Mas você simplesmente os compartilha como um instrumento não como aquele que fez os presentes. Quer seja de sabedoria,

de paz, de felicidade eles foram dados, absorvidos

e compartilhados.

Quando você lê sobre encontros de outras pessoas com Deus, descobre em alguns deles que aquilo transforma suas vidas, torna-se a fundação de toda a vida deles. Outros têm isso, mas então esquecem-no

e perdem-se na rotina novamente, perdem a

consciência, a maravilha daquele encontro. Quando há um encontro genuíno com o divino, o ser humano sente três coisas transformação profunda, percepção profunda e grande inspiração.

TRANSFORMAÇÃO

A transformação é conduzida pelo desejo de realmente mudar o “eu”, de retornar a algo puro e original que foi esquecido ou que foi poluído, sabendo muito profundamente que se houver essa transformação dentro do “eu”, certamente essa pessoa estará pronta para ajudar e cooperar com outros seres humanos. Uma transformação profunda

somente vem quando há aquele encontro com Deus, porque aquilo que transforma as profundidades do “eu” é o amor. Se Deus permanece abstrato, como para muitas pessoas, então há uma transformação muito pequena. Quando Deus torna-se pessoal e real, essa pessoa é capaz de experimentar o relacionamento, e é através do relacionamento que ela começa a experimentar o amor que lhe dá fé nela mesma e a coragem para mudar.

o amor que lhe dá fé nela mesma e a coragem para mudar. O encontro, silencioso

O encontro, silencioso e muito pessoal, frequentemente não pode ser descrito. De algum modo ele não deveria ser descrito demais. No

silêncio surge o

ele não deveria ser descrito demais. No silêncio surge o insight . O insight é a

insight. O

ser descrito demais. No silêncio surge o insight . O insight é a abertura do terceiro

insight é a abertura do

terceiro olho, e a cegueira espiritual é levada embora em particular, a cegueira de ser muito crítico sobre coisas e pessoas, de perder-se na fraqueza de outros

e de ficar atrás de coisas triviais. O

sou capaz de ver a realidade positiva de outros, não importando qual possa ser sua aparência, não importando quão negativos eles possam parecer ser.

O

através dos olhos Dele, ser capaz de ver os outros

como seu irmão ou sua irmã. É esse

começa a criar um senso de unidade e amizade e um senso de pertencer a todos.

INSPIRAÇÃO

insight é onde

insightde alguém que encontrou Deus é ver

e um senso de pertencer a todos. INSPIRAÇÃO insight é onde insight de alguém que encontrou

insight que

Um encontro pessoal com Deus também me dá grande inspiração. O impossível pode tornar-se possível. Não há nada que eu não possa fazer. Sempre há aquele suporte, aceitação, fidelidade de Deus no relacionamento Dele com você. Ele não o abandona ou o diminui, mas o segura. Você é sagrado para Ele. É uma grande inspiração quando você sente isso, não apenas saber disso intelectualmente, mas também senti-lo.

Ir do abstrato ao real é algo para o qual todos nós temos de nos esforçar. Isso vem ao entrarmos em quietude, silêncio e prontos para ouvir. Quando há esse encontro, sua fé e coragem são fortalecidas. Sempre há testes, problemas, dificuldades, mas você tem sempre aquela força para superá-los, pois agora é capaz de olhar e ver com outro “olho”. Você vê com um olho invisível, ouve com outro ouvido, um ouvido invisível. Você não precisa ver tudo pronto e tangível na sua frente. Eu não preciso ver a solução, porque sei que ela está lá e que virá na hora certa. A pessoa que tem um encontro genuíno e uma experiência contínua desenvolve muita doçura, generosidade, tolerância mas especialmente não violência. Eles nunca pensam que são melhores ou superiores, nem inferiores. Há um sentimento de igualdade com relação aos outros que os outros são tão bons quanto eu, que o que quer que eu tenha de bom em meu próprio eu, outros também têm.

Quando você tem esse encontro genuíno com Deus,

a visão de universalidade é restabelecida e há uma

atenção em mudança pessoal e doação. Nunca há um senso inflado de superioridade. Entretanto, muitos esquecem de proteger seu encontro genuíno com Deus com humildade e autorrespeito. Ao invés disso, eles começam a dizer: “Eu tive essa visão, eu vi essa luz e recebi essa mensagem”. Então, o que

fiz com a mensagem, com a luz? Será que cresci? O crescimento é medido pelo respeito que tenho pelos outros e pelas atitudes não violentas com relação a tudo. Aceito quaisquer diferenças como algo divino

e contribuição para o mundo; percebo que tais diferenças não limitam, mas enriquecem.

Uma coisa é muito importante ao cultivarmos nossos encontros com Deus. Enquanto temos de nos esforçar em nosso movimento na direção de Deus, igualmente precisamos estar conscientes do ponto no qual parar, ficarmos quietos e sermos guiados. Crescemos no Ocidente sentindo que temos de criar tudo, temos de fazer acontecer, que depende de nós. É em certo sentido, mas nem tudo depende de mim. Algumas vezes tenho de apenas me situar. Quando fui pela primeira vez aprender meditação como um método de aproximar-se de Deus, tive experiências muito boas de Deus as quais não esperava conseguir tão rapidamente. Lembro-me, na primeira vez, de sentir Deus não apenas como o Pai, mas como a Mãe. Nunca havia pensado antes sobre a

Maternidade de Deus, mas como a mais tradicional Paternidade. Tive o sentimento de Deus, minha Mãe eterna, olhando-me docemente e sussurrando: “Eu o amo como é, não precisa provar-se. Você é o que é e Eu amo e aceito isso. Mas, sim, esforce-se para mudar, para acordar a parte mais pura do ‘eu’ e isso trará a você grande alegria”. Logo em seguida senti a Paternidade de Deus como uma onda de grande suavidade acalmando o “eu”. Ele definitivamente não era “a autoridade severa no comando”, sobre a qual aprendi na escola.

De qualquer modo, nunca senti que Deus era realmente severo e autoritário. Como Mãe e Pai, Ele era um professor sábio e cuidadoso tentando manter- me no caminho certo.

Quando eu era muito jovem e alguns adultos ficavam aborrecidos comigo, eles diziam: “Deus está observando você, e somente o perdoa três vezes se você for travesso”. Eu realmente ficava com medo, porque sabia que tinha sido travesso muito mais do que três vezes. Diariamente, minha travessura ou “enganos” eram próximos a pelo menos 33!, pois um dia fiz uma contagem consciente de meus “pecados”. Quando você é muito jovem, as coisas que lhe são ditas ficam impressas em você. Mas lá no fundo eu pensava: “Tenho certeza de que Deus não é assim, Deus não mede”. Deus é um amigo. E a bênção de tal amizade benevolente é um verdadeiro presente Dele.

Minha experiência pessoal com meditação é que quando entro em silêncio e sintonizo minha mente e conecto com esse Ponto Benevolente, esse Ponto de Benevolência para todo o universo, quando posso me conectar a essa corrente, sinto-me não apenas com luz, mas com profunda compaixão e entendimento. Nessa compaixão e entendimento há mudança no “eu”, atitudes, visão com relação a outros. É por isso que quando as pessoas falam Deus, Allah ou Pai e então há muita violência em seu comportamento com relação aos outros, está claro que estão muito longe de Deus. Aquele que é puro não pode ser violento, não pode dar tristeza. No silêncio é que temos aquele encontro com O Benevolente. Então somos capazes de nos sentir elevados, nossa consciência é elevada e torna-se positiva, abrigando e se reconciliando com outras almas. Sentimos a alegria de estarmos vivos, de sermos seres humanos. Não rejeitamos nada e não nos apegamos a nada, porque os dois extremos não mantêm o equilíbrio e a harmonia necessários para manter a alegria.

Quando temos um encontro com Deus, experimentamos a Paternidade de Deus, a Maternidade de Deus e acima de tudo a amizade de Deus, doce amizade. Sim, os egípcios antigos estavam muito certos, Deus o Pai, a Mãe, é o Senhor da Doçura, e é essa doçura que tira a amargura do passado e nos permite experimentar o poder do

perdão, largar as coisas, não guardar ressentimentos. Quando há esse perdão para meu próprio “eu”, posso começar a perceber quem realmente posso ser.

Essa transformação preenchida de amor torna o ser humano espiritual. Um relacionamento verdadeiro transforma-o e liberta-o, ele não prende nem limita. Quando encontramos Deus como Ele verdadeiramente é, nossa consciência eleva-se para um nível de universalidade e compaixão em que não há barreiras de ressentimento, acusação ou medo.

Ser capaz de manter sua coragem, fé e princípios, mesmo em momentos de oposição, e manter um olhar bondoso sobre aqueles que se opõem a você isso é espiritual! Essa é a habilidade de se ter misericórdia e compaixão para com aqueles que criticam e se opõem. Não é somente uma questão de ser estável e forte, mas ter um olhar bondoso para todos. Para tanto, precisamos do sustento de um relacionamento pessoal com Deus, de outra forma não seremos capazes de fazê-lo. Se não sinto aquele relacionamento, posso ser amável uma ou duas vezes com pessoas que são negativas comigo, mas continuar a fazer isso requer um fluxo de força muito positivo e contínuo dentro do “eu”. É por isso que a meditação é importante, não apenas para o “eu”, mas também para os outros. É na meditação que fico próximo a Deus e experimento o poder que Ele constantemente está oferecendo a mim. Essa proximidade de Deus é chamada de bem-

aventurança. Bem-aventurança é uma experiência interna, além do toque, visão ou qualquer coisa física e ninguém jamais pode tirá-la de mim. Eu a levo dentro de mim.

Anthony Strano era Diretor dos Centros da Brahma

Kumaris na Grécia, Hungria e Turquia e faleceu em

2014.

 
Charles Hogg apresenta os métodos para ver as

Charles Hogg apresenta os métodos para ver as

especialidades no eu e nos outros

Charles Hogg apresenta os métodos para ver as especialidades no eu e nos outros

Em toda rua há uma Sra. Julgamento e uma Sra.

 

Honestidade. Um dia a Sra. Honestidade decidiu

visitar a Sra. Julgamento. Tão logo a Sra.

 

Honestidade chegou, a Sra. Julgamento começou a

reclamar de seus novos vizinhos, uma família de

 

estrangeiros.

 

“Ela é uma dona de casa terrível”, disse a Sra.

 

Julgamento, “Você deveria ver o quão sujas são as

 

suas crianças

assim como a sua casa! É quase uma

desgraça estar vivendo na mesma vizinhança.

 

Apenas dê uma olhada nas roupas que ela pendurou

no varal, veja as manchas pretas nos lençóis e

 

toalhas.”

 

A Sra. Honestidade andou até a janela para ver. “Na

realidade as roupas estão bem limpas, minha

 

querida. As manchas estão na sua janela!”, disse.

 

Assim como a Sra. Julgamento, quão

Assim como a Sra. Julgamento, quão frequentemente sou enganado por minhas próprias
frequentemente sou enganado por minhas próprias

frequentemente sou enganado por minhas próprias

janelas sujas ao projetar meus próprios “maus

 

julgamentos” externamente completamente

 

convencido de que eu estou vendo a verdade? A

 

semente original do mau julgamento colore tudo o

que vejo, então, cada interação com meus vizinhos

reforça minha atitude. Até que uma Sra.

 

Honestidade chegue. Somente então vejo mais de

 

perto as minhas janelas dos olhos. Assim que

 

começo o processo de limpar a sujeira do lado de

 

fora das minhas janelas, percebo algo interessante.

Há também sujeira por dentro. A sujeira exterior é o

produto de influências, atmosferas, opiniões e

 

atitudes externas. A sujeira interna é de

 

experiências, percepções e suposições passadas

 

inconscientemente colorindo a minha visão.

 

Apenas pare por um minuto e reflita sobre os

 

sentimentos de julgamento e autorretidão que

surgem em você, assim como em todos nós. Estamos

conscientes de que esses sentimentos nos deixam

   

mais separados, mais isolados, mais apavorados.

 

Ainda assim, dentro de todos nós, temos a grande

 

voz do crítico ou do juiz. Todos são testados. Quer

verbalizemos nossos pensamentos de julgamento,

 

quer os mantenhamos para nosso próprio consumo

pessoal, os outros, de fato, sentem seu efeito.

 

Novamente, reflita sobre o oposto. Lembre-se dos

sentimentos de perdão ou compreensão. Lembre-se

de como você deseja ser tratado quando cometeu um

erro. Lembre-se de como você se sentiu quando se

desprendeu do passado de alguém e ofereceu-lhe um

novo começo. Simplesmente imagine a cura nos

 

relacionamentos se eu tiver a humildade de

 

desprender-me do julgamento.

 

Minha avó morreu há algum tempo, com 94 anos.

 

Durante toda a sua vida ela só esteve no hospital por

um dia com 92 anos, para retirar uma catarata. Ela

teve uma vida saudável feliz e era amada por todos.

 

Durante uma de minhas últimas visitas, percebi que

muito do contentamento visível dela vinha de sua

 

habilidade de sempre sintonizar-se com o bem nos

 

outros. Eles respondiam a ela com os mesmos

 

sentimentos. De um modo natural, isso criou uma

 

vida de dar e receber amor. Parece que pagamos um

 

terrível preço pelos olhos do julgamento e

 

criticismo. Perdemos amor precioso de outros

 

corações.