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Arlindo Ugulino Netto ● MEDRESUMOS 2014 ● BIOQUÍMICA

BIOQUÍMICA 2014 Arlindo Ugulino Netto.
BIOQUÍMICA
2014
Arlindo Ugulino Netto.

INTRODUÇÃO À BIOQUÍMICA

A bioquímica é a ciência responsável pelo estudo dos componentes da matéria viva e suas respectivas funções metabólicas. É ela quem estuda as diversas reações moleculares que regem o metabolismo do ser vivo.

O objetivo da bioquímica é explicar a forma e função biológica em termos químicos. Uma das formas mais

produtivas de se abordar o entendimento dos fenômenos biológicos tem sido aquela de purificar os componentes químicos individuais, tais como uma proteína de um organismo vivo, e caracterizar a sua estrutura química ou sua atividade catalítica. Nos próximos capítulos, revisaremos os princípios químicos que governam as propriedades das moléculas biológicas: a ligação covalente dos átomos de carbono entre si e com outros elementos, os grupos funcionais que ocorrem nas moléculas biológicas comuns, a estrutura tridimensional e a estereoquímica dos compostos de carbono, e os tipos de reações químicas comuns que ocorrem nos organismos vivos. Esta revisão, contudo, será sempre voltada aos interesses do ensinamento básico para estudantes de medicina no que diz respeito às considerações clínicas que serão realizadas ao longo de nosso estudo. Vale salientar que, de um modo direto ou oculta em outras disciplinas ao longo do ensinamento médico, a bioquímica estará sempre presente e explicando, molecularmente, o mecanismo da maioria das doenças com as quais o médico deve se deparar no seu cotidiano clínico. Entretanto, antes de iniciarmos o estudo da bioquímica molecular básica para o estudante de medicina, devemos rever alguns conceitos importantes da ciência bioquímica.

BIOMOLÉCULAS

A química dos organismos vivos está organizada ao redor do elemento carbono, o qual representa mais da

metade do peso seco das células. As biomoléculas são compostos de carbonos que têm como elementos básicos:

Hidrogênio (H), Oxigênio (O), Nitrogênio (N), Fósforo (P), Enxofre (S), Cálcio (Ca), Sódio (Na), Cloro (Cl), entre outros.

O carbono pode estabelecer ligações simples e duplas com átomos de hidrogênio, oxigênio e nitrogênio.

Contudo, de maior importância em biologia, é a capacidade de os átomos de carbono compartilharem pares de elétrons entre si para formar ligações simples carbono-carbono, as quais são muito estáveis. Cada átomo de carbono também pode formar ligações simples com um, dois, três ou quatro outros átomos de carbono. Dois átomos de carbono podem

também compartilhar dois (ou três) pares de elétrons, formando assim ligações duplas ou triplas carbono-carbono.

OBS 1 : Elementos essenciais para a vida animal e para a manutenção da saúde. Os macroelementos (destacadas em laranja na tabela periódica ao lado) são componentes estruturais das células e dos tecidos e necessários na dieta em quantidades diárias medidas em gramas. Para os microelementos (sombreados em amarelo) as necessidades são muito menores: para os humanos bastam poucos miligramas por dia, tanto de ferro como de zinco, e ainda menos para muitos outros.

de ferro como de zinco, e ainda menos para muitos outros. OBS 2 : Ligação covalente.

OBS 2 : Ligação covalente. Dois átomos com elétrons desemparelhados nas suas camadas externas podem formar ligações covalentes uns com os outros pelo compartilhamento de pares de elétrons. Os átomos participantes de ligações covalentes tendem a preencher suas camadas eletrônicas externas.

de elétrons. Os átomos participantes de ligações covalentes tendem a preencher suas camadas eletrônicas externas. 1

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GRUPOS FUNCIONAIS

A maioria das biomoléculas pode ser vista como derivada dos hidrocarbonetos, os quais são compostos formados por um esqueleto de átomos de carbono ligados covalentemente entre si e aos quais estão ligados apenas átomos de hidrogênio. Os esqueletos carbônicos desses compostos são muito estáveis. Os átomos de hidrogênio podem ser substituídos individualmente por uma grande variedade de grupos funcionais que determinarão as propriedades químicas da molécula, formando famílias diferentes de compostos orgânicos. Famílias típicas de compostos orgânicos são: os álcoois, os quais possuem um ou mais grupos hidroxilas (R- OH); as aminas, possuidoras de grupo funcional amino (R-NH ); os aldeídos e as cetonas, os quais possuem o grupo carbonila (R-COH e R -CO-R 2 , respectivamente); e os ácidos carboxílicos, que exibem os grupos carboxilas (R-COOH).

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carboxílicos, que exibem os grupos carboxilas (R-COOH). 1 2 MACROMOLÉCULAS E SUAS UNIDADES MONOMÉRICAS Muitas das

MACROMOLÉCULAS E SUAS UNIDADES MONOMÉRICAS

Muitas das moléculas encontradas no interior das células são macromoléculas, polímeros de alto peso molecular construídas com precursores relativamente simples (unidades monoméricas). Os polissacarídeos, as proteínas e os ácidos nucléicos, os quais podem ter pesos moleculares variando de dezenas de milhares até bilhões (como no caso do DNA), são construídos pela polimerização de subunidades relativamente pequenas, de peso molecular ao redor de 500 unidades ou menos.

Unidade monomérica (Peso molecular ≤ 500 u): é chamada unidade monomérica toda molécula que possui peso molecular menor que 500 u. Como exemplo, temos:

Glicose (C 6 H 12 O 6 ) tem peso molecular de 180u;

Aminoácidos;

Ácidos graxos;

Nucleotídeos (guanina, citosina, adenina, timina e uracila).

Macromoléculas (Peso molecular > 500 u): é chamada de macromolécula toda molécula formada pela união de diversas unidades monoméricas, apresentando, portanto, peso molecular maior que 500 u. Como exemplo, temos: proteínas, ácidos nucléicos, polissacarídeos e lipídeos.

Os polissacarídeos (amido, glicogênio, etc.), polímeros de açucares simples, como a glicose, têm duas funções principais: servem como armazenadores de alimentos, liberadores energia e como elementos estruturais extracelulares. Polímeros pequenos de açucares (oligossacarídeos) ligados a proteínas ou lipídios na superfície celular servem como sinais celulares específicos.

As proteínas (albumina, etc.), longos polímeros de aminoácidos, constituem, ao lado da água, a maior fração de macromoléculas celulares. Algumas proteínas têm atividade catalítica e funcionam como enzimas, outras servem como elementos estruturais e ainda outras transportam sinais específicos (no caso dos receptores) ou substâncias específicas (no caso das proteínas de transporte) para o interior ou o exterior das células. As proteínas são talvez as mais versáteis das biomoléculas.

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Os ácidos nucléicos, DNA e RNA, são polímeros de nucleotídeos. Eles armazenam, transmitem e transcrevem a informação genética.

Os lipídios (triglicerol, etc.), derivados oleosos dos hidrocarbonetos, servem principalmente como componentes estruturais das membranas e como forma de armazenamento de alimentos ricos em energia.

Todas essas quatro classes de grandes biomoléculas são sintetizadas em reações de condensação. Nas macromoléculas (proteínas, ácidos nucléicos, polissacarídeos), o número de subunidades monoméricas é muito grande. As proteínas têm pesos moleculares que variam de 5000 até um milhão; os ácidos nucléicos têm pesos moleculares que variam na cada dos vários milhões; os polissacarídeos, como o amido, também têm pesos moleculares na casa dos vários milhões. As moléculas lipídicas individuais são muito menores (750 a 1500 u) e não são classificadas como macromoléculas por alguns autores. Entretanto, quando um grande número de moléculas lipídicas se associa não- covalentemente, resulta em estruturas muito grandes. As membranas celulares são construídas por enormes agregados que contém milhões de moléculas de lipídios. A síntese das macromoléculas é uma atividade celular que pode ser classificada como forte consumidora de energia. As macromoléculas, por sua vez, podem ser arranjadas em complexos supramoleculares formando unidades funcionais como ribossomos, que são construídos com cerca de 70 proteínas diferentes e várias moléculas de RNA diferentes.

OBS 3 : Para designar o número de sequências (“S”) possíveis para um número “N” de subunidades monoméricas

disponíveis, temos a seguinte fórmula: S=N

monoméricas que compõem a macromolécula. Ex : Sequências possíveis de nucleotídeos para formar uma cadeia de DNA com 9 nucleotídeos. Sabendo que N=4 (guanina, citosina, adenina e timina) e L=9 (tamanho da cadeia de DNA), temos:

S= 4 9 = 262144

, sendo “L” o tamanho da macromolécula, isto é, número de unidades

L

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Ex 2 : Sequências possíveis de aminoácidos para compor uma proteína de 5000 unidades monoméricas. Sabendo que N=20 (número de aminoácidos conhecidos e disponíveis na natureza ou no organismo humano) e L=5000 (tamanho da cadeia de proteína que se quer construir), temos:

S=

20 5000

BASES GERAIS DO METABOLISMO

Todas as doenças apresentam uma base bioquímica. Por esta razão, diz-se que a bioquímica e a medicina estão intimamente relacionadas: os estudos bioquímicos contribuem para o diagnóstico, prognóstico e tratamento. Daí a importância do estudo aprofundado da bioquímica para o estudante de medicina. O termo metabolismo significa soma de todas as reações químicas quase sempre enzimas catalisadas que ocorrem nos organismos vivos. O metabolismo pode ser fracionado em:

Catabolismo: É o processo degradativo do metabolismo em que moléculas complexas são convertidas em produtos simples, para o aproveitamento dos seus componentes e/ou para geração de energia. Ex: Via Glicolítica (degradação da glicose); Via Lipolítica (degradação dos lipídeos)

Anabolismo ou biossíntese: é o processo no qual as biomoléculas são sintetizadas a partir de compostos mais simples.

ESTÁGIOS DO METABOLISMO

Todos os nutrientes fundamentais sofrem metabolismos por vias catabólicas e anabólicas diferentes mas que se comunicam em algumas etapas. De uma forma resumida, temos:

PROTEÍNAS Aminoácidos NH 3 , Piruvato e Acetil-CoA.

CARBOIDRATOS Piruvato Acetil-CoA H 2 O, CO 2 e energia.

LIPÍDEOS Ácidos graxos e glicerol Piruvato, Acetil-CoA e Corpos cetônicos (em segunda instância, podem ser utilizados como fonte de energia pelo cérebro).

OBS 4 : O excesso de glicose (carboidratos) engorda uma vez que a acetil-CoA, um de seus metabólitos, pode ser convertido de volta em lipídios. Com isso, o excesso de acetil-CoA que não é utilizado como energia é convertido e armazenado na forma de gordura.

Com isso, o excesso de acetil-CoA que não é utilizado como energia é convertido e armazenado