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CAPITULO Variaveis de circuitos SUMARIO DO CAPITULO 4.4 Engenharia elétrica: uma visio geral 1.2. 0 Sistema Internacional de Unidades 1.3. Andlise de circuitos: uma visio geral 1.4 Tensao e corrente 1.5 0 elemento basico ideal de circuito 1.6 Poténcia e energia v OBJETIVOS DO CAPITULO 1 Entender e saber utilizar as unidades do SI e 05 prefixos padronizados para poténcias de 10. 2 Conhecer e saber utilizar as definicdes de tensio corrente, 3. Conhecer e saber utilizar as definigdes de poténcia e energia. 4 Saber utilizar a convencdo passiva para calcular a poténcia para um elemento basico ideal de circuito dadas suas tensao e corrente, Aengenharia elétrica ¢ uma profissio interessante e desa~ fiadora para todos os que tém um interesse genuino em cién~ ciasaplicadas e matemitica (além de aptido para essas éreas). Nos iiltimos 150 anos, engenheiros eletricistas desempenha- ram um papel dominante no desenvolvimento de sistemas que mudaram 0 modo como as pessoas vivem e trabalham, Sistemas de comunicagao por satéit,telefones, computadores, digitais, televisdes, equipamentos médicos cinirgicos € de diagndstico, robds de linhas de montagem e ferramentas elé- tricas sio componentes representativos de sistemas que defi- rnem uma sociedade tecnoligica moderna. Como engenhe! letricista, vocé pode participar dessa revolugdo tecnolégica continua, melhorando e refinando esses sistemas existentes € descobrindo e desenvolvendo novos sistemas para atender as, necessidades de nossa sociedad em constante mudanca, Ao iniciar o estudo de anilise de circuitos, vocé precisa ter uma idéia do lugar que esse estudo ocupa na hierarquia de tépicos que compreende uma introdugdo & engenharia létrica. Por isso, comegamos apresentando uma visio geral da engenharia elétrica, algumas idéias sobre um ponto de vista de engenharia relacionado com a anélise de circuitos, além de uma revisio do sistema internacional de unidades. Em seguida, descrevemos, cle modo geral, em que con- siste a anlise de circuitos e apresentamos os conceitos de tensio ¢ corrente, Discutimos ainda um elemento bisico ideal ea necessidade de um sistema de referéncia de polari- dade. Concluimos o capitulo descrevendo como cotrente € tensdo estao relacionadas com poténcia e energia EEE 1.1 Engenharia elétrica: uma visdo geral (© engenheiro eletricista ¢ o profissional que se preo: ‘cupa com sistemas que produzem, transmitem e medem sinais elétricos. A engenharia elétrica combina os modelos de fendmenos naturais desenvolvidos pelos fisicos com as ferramentas dos mateméticos para produzir sistemas que atendem a necessidades praticas. Sistemas elétricos esto sempre presentes em nossa vida; sio encontrados em lares, escolas, locais de trabalho e veiculos de transporte em to- dos os lugares. Comegamos apresentando alguns exemplos de cada uma das eineo principais classificagies de sistemas létricos: « sistemas de comunicagao; + sistemas de computagao; + sistemas de controle; « sistemas de poténcia; istemas de processamento de sinais, Em seguida, descrevemos como os engenheiros eletri- cistas analisam e projetam tais sistemas, Sistemas de comunicagao sao sistemas elétricos que ge- ram, transmitem e distribuem informagoes. Entre os exem- plos bem conhecidos estao os equipamentos de televisio, como cimeras, transmissores, receptores e aparelhos de vi- deocassete; radiotelescépios, usados para explorar 0 uni- verso; sistemas de satélites, que enviam e recebem imagens, de outros planetas ¢ do nosso; sistemas de radar, usados para coordenar voos de avides sistemas telefonicos. A Figura 1.1 representa os principais componentes de um sistema telefnico moderno, Comegando pelo lado infe- rior esquerdo da figura, um microfone instalado dentro de tum aparelho telefénico transforma ondas sonoras em sinais, clétricos. Esses sinais sio transportados até ums central de ‘comutagio onde so combinados com os sinais de dezenas, ‘centenas ou milhares de outros telefones. Os sinais combina- dos saem da central de comutagio; sua forma depende da distancia que tém de percorrer. Em nosso exemplo, eles si enviados por fios dentro de cabos coaxiais subterrineos até 2 _Citcuitos elétricos Antena inom ‘comunicagoes — Estacio ‘de microondas Cabo coaxial Cabo de fibra 6ptica 1— Central —} decomutacto Telefone Figura 1.1 a Sistema telefonico. ‘uma estagao de transmissio de microondas, Ali, 0s sinais sio transformados em freqiiéncias de microondas e transmiti- dos. partir de uma antena transmissora, pelo are pelo espa- 40, passando por um satéite de comunicagoes, até uma ante- na receptora. A estagao receptora de microondas transforma os sinais de forma a adequi-los a uma transmissio posterior, talvez em pulsos de luz, para serem enviados por cabos de fibra dptica. Ao chegarem a segunda central de comutacio, 6s sinais combinados sio separados, e cada um é dirigido para o telefone apropriado, no qual um fone de ouvido age como um alto-falante para converter 0s sinaiselétricos nova- ‘mente em ondas sonoras. Em cada estigio do processo, cir- cuitos elétricos agem sobre os sinais. Imagine o desafio en- volvido em projetar, construir e operar cada circuito de um modo que garanta que todas as centenas de milhares de tele- fonemas simultaneos tenham conexdes de alta qualidade. Sistemas de computago usam sinais elétricos para processar informagoes, desde palavras até calculos mate- méticos, O tamanho ea poténcia desses sistemas abrangem desde calculadoras de bolso e computadores pessoais até supercomputadores que executam tarefas complexas como processamento de dados meteorolégicos € modelagem de interagdes quimicas de moléculas orgénicas complexas. Entre esses sistemas citamos as redes de microcircuitos, ou cireuitos integrados — conjuntos de centenas, milhares ou milhdes de componentes elétricos montados sobre uma base do tamanho de um selo postal, que muitas vezes fun- cionam em niveis de velocidade e poténcia préximos dos limites da fisica fundamental, incluindo a velocidade da luz eas leis da termodinamic Sistemas de controle usam sinais elétricos para regular pprocessos, Como exemplos citamos o controle de temperatu- ras, pressdes e velocidades de escoamento em uma refinaria de petréleo; a mistura combustivel-ar no sistema eletrénico de injecao de um motor de automével; mecanismos como os motores, portas e luzes de elevadores; eas comportas do Ca- nal do Panama. Os sistemas de piloto automatico e aterrissa- ‘gem por instrumentos que ajudam avides a voar e aterrissar também sio conhecidos sistemas de controle. Sistemas de poténcia geram e distribuem energia elé- trica, A energia elétrica, que é 0 fundamento de nossa so- ciedade baseada em tecnologia, normalmente é gerada em grandes quantidades por geradores nucleares, hidrelétricos € térmicos (a carvio, a dleo ea gis) e distribuida por uma rede de condutores que entrecruzam o pais. O grande desa- fio no projeto e operacao de tal tipo de sistema é prover redundancia e controle suficientes de modo que, se qual quer parte do equipamento falhar, uma cidade, um estado ‘ou uma regido nao fique completamente sem eletricidade, Sistemas de processamento de sinais agem sobre sinais elétricos que representam informagio. Eles transformam 05 sinais e a informagao neles contida em uma forma mais adequada. Hi muitas maneiras diferentes de processar os sinais e suas informagoes. Por exemplo, sistemas de proces samento de imagens coletam quantidades macigas de da- dos de satélites meteorologicos orbitais, reduzem essas quantidades a um nivel tratavel e transformam os dados restantes em uma imagem de video que € apresentada no telejornal da noite. Uma tomografia computadorizada (TC) € outro exemplo de sistema de processamento de imagens. Esse equipamento usa sinais gerados por uma maquina es- pecial de raios X eos transforma em uma imagem. Embora 05 sinais originais de raios X sejam de pouca utilidade para ‘um médico, uma vez processados ¢ transformados em uma imagem reconhecivel, as informagées que contém podem, ser usadas para diagnosticar doengas ¢ lesbes. ‘Uma grande interagio ocorre entre as disciplinas da en- genharia envolvidas no projeto ¢ na operagao dessas cinco classes de sistemas. Assim, engenheiros de comunicacio uusam computadores digitais para controlar 0 fluxo de infor- mages. Computadores contém sistemas de controle, ¢ siste- mas de controle contém computadores. Sistemas de poténcia requerem extensos sistemas de comunicagao para coordenar com seguranga ¢ confiabilidade a operagio de componentes «que podem estar dispersos por todo um continente. Um sis- tema de processamento de sinais pode envolver um sistema de comunicagées, um computador e um sistema de controle, ‘Um bom exemplo da interagéo entre sistemas ¢ 0 avido ‘comercial. Um sofisticado sistema ce comunicagdes possibi- lita que o piloto e 0 controlador de trafego aéreo monitorem alocalizagao da aeronave, permitindo que 0 controlador de {ermine uma rota de véo segura para todas as aeronaves pré- ximas ¢ habilitando o piloto a manter 0 avido em sua rota designada. Nos avides comerciais mais novos, um sistema de ‘computador de bordo € usado para gerenciar fungoes do ‘motor, implementar 0s sistemas de controle de navegagao © controle de voo e gerar telas de informagao em video na ca- bine. Um complexo sistema de controle utiliza comandos de cabine para ajustar a posigao e a velocidade do avido, produ: zindo os sinais adequados para os motores e superficies de controle (como os flaps de asas, ailerons e leme) para assegu- rar que o avido permanega no ar com seguranga e na rota de ‘wo desejada, O avido deve ter seu proprio sistema de forneci- mento de eletricidade para se manter no ar ¢ gerar e distribuir a energia elétrica necessiria para manter as luzes da cabine acesas, fazer o cafée exibir o filme. Sistemas de processamento, de sinais reduzem o ruido nas comunicagdes de tréfego aéreo ¢ transformam informagoes sobre a localizagio do avido para ‘uma forma mais significativa, por meio de imagens em uma tela de video na cabine. Sao muitos os desafios de engenharia envolvidos no projeto de cada um desses sistemas ¢ em sua integragdo para um todo coerente, Por exemplo, esses siste- ‘mas devem operar em condigoes ambientais muito variéveis, «¢ imprevisiveis. Talvez 0 mais importante desafio da enge- nharia seja garantir que os projetos incorporem redundanci suficiente para assegurar que os passageiros cheguem com seguranga e na hora certa aos destinos desejados. Emibora o interesse primordial dos engenheiros cletr- cistas possa estar restrito a uma tinica drea, eles também tem de conhecer as outras areas que interagem com a de seu interesse, Essa interagdo € parte do que torna a enge- aharia elétrica uma profissio desafiadora e estimulante. A énfase da engenharia é fazer com que as coisas funcionem, portanto um engenheiro esta livre para aprender e utilizar qualquer técnica, de qualquer campo, que o ajude a fazer 0 que tem de ser feito. Teoria de circuitos Em um campo to amplo quanto 0 da engenharia elé- trica, muitos podem se perguntar se todas as ramificagdes, dessa area tém alguma coisa em comum. A resposta ¢ sim = 05 circuitos elétricos. Um circuito elétrico & um modelo matemitico que se comporta aproximadamente como um tema elétrico real. Como tal, proporciona uma fundamen- tacio importante para aprender — nos cursos que voct far ‘mais tarde e também em sua pritica da engenharia — os de- talhes de como projetar e operar sistemas como os que aca. ‘amos de descrever. Os modelos, as técnicas matemiticas ea linguagem da teoria de circuitos formardo a estrutura inte lectual para seus futuros empreendimentos na engenharia. Observe que o termo circuito elétrico costuma ser uti- lizado para referir-se a um sistema eléttico propriamente dito, bem como ao modelo que o representa, Neste livro, quando falarmos de um circuito elétrico, isso sempre signi- ficard um modelo, a menos que se afirme o contririo. E 0 Capitulo 1 Variaveis de circuitos_3 aspecto de modelagem da teoria de circuitos que tem ampla aplicagio em todas as disciplinas da engenharia. ‘A teoria de circuitos € um caso especial da teoria eletro- ‘magnética: 0 estudo de cargas elétricas estéticas e em movi- mento, Embora aparentemente a teoria geral do campo seja tum ponto de partida adequado para investigar sinais elétri- ‘cos, sua aplicagao, além de ser dificil, também requer a utili- zagio de matematica avangada. Por consequiéncia, um curso de teoria eletromagnética nao € um pré-requisito para enten- der o material apresentado neste livro. No entanto, supomos que vocé ja tenha feito um curso de introdugao a fisica, no qual os fendmenos elétricos e magnéticos foram discutidos. Tres premissas basicas nos permitem utilizar a teoria de circuitos, em vez da teoria eletromagnética, para estudar um sistema fisico representado por um circuito elétrico. Essas premissas sa0 as seguintes: 1. Efeitos elétricos acontecem instantaneamente em todo o sis- tema. Podemos adotar essa premissa porque sabemos que sinais elétricos se propagam a velocidade da luz ou préxi- mo dela. Assim, s¢ o sistema for suficientemente pequeno ‘em termos fisicos sina elétricos o percorrem com tanta rapidez.que podemos considerar que afetam todos os pon- tos do sistema simultaneamente. Um sistema que é peque: no o suficiente para permitir que adotemos essa premissa €denominado sistema de partmetros concentrados. 2. A carga liquida em cada componente do sistema é sempre zero. Desse modo, nenhum componente pode acumular tum excesso liquide de carga, embora alguns componen: tes, como vocé aprender mais adiante, possam conter cargas separadas iguais, porém opostas. 3. Nao hd nenhumt acoplamento magnética entre os compo: nentes de um sistema. Como demonstraremos mais adian- te, 0 acoplamento magnético pode ocorrer dentro de um componente. E isso, nao ha outras premissas, A utilizagio da teoria de circuitos proporciona solugdes simples (com preciso suficiente) para problemas que se tornariam irremediavel- mente complicados se usissemos a teoria eletromagnética, Esses beneficios sio tao grandes que, as vezes, os engenhei- 10s projetam sistemas elétricos especificamente para garan. tir que essas premissas sejam cumpridas. A importancia das premissas 2 e 3 ficard evidente apés apresentarmos os elementos basicos de circuito ¢ as regras para analisar ele- ‘mentos interconectados. ‘Contudo, precisamos examinar mais de perto a premis- sa 1. A pergunta é: “Que tamanho um sistema fisico deve ter para ser qualificado como um sistema de pardmetros con: centrados?” Podemos responder & pergunta pelo lado quan- Litativo, observando que sinais elétricos se propagam como ondas, Se o comprimento de onda do sinal for grande em comparacao as dimensoes fisicas do sistema, temos um siste ‘ma de parimetros concentrados. O comprimento de onda A € a velocidade dividida pela taxa de repetigao, ou freqiiencia, do sinal; isto A = off. A freqiiéncia f é medida em hertz Tsa afiemagio deve ser da ndo-ve em vista o ques afirma no timo parigraio desta pigina (NRT),