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Química Aplicada

Massas

Lubrificantes

Química Aplicada Massas Lubrificantes Isabel Godinho 1
Química Aplicada Massas Lubrificantes Isabel Godinho 1

1. Definição ASTM

Química Aplicada

Massa lubrificante é o produto resultante da dispersão de um agente espessante num fluido lubrificante apresentando uma consistência entre a sólida e a semifluida (pastosa) podendo conter outros componentes para conferir-lhe propriedades especiais.

Massa = Fluido + Espessante + Aditivo

2. Diferença entre Óleo e Massa

Os Óleos são fluidos lubrificantes. A fluidez de um óleo é definida pela sua VISCOSIDADE.

As massas são lubrificantes consistentes. A consistência de uma massa é definida pela sua PENETRAÇÃO.

Comparando:

ÓLEOS

Fluidos

Escapam do local de aplicação

Classificação:

Fluidos Escapam do local de aplicação Classificação: Viscosidade (SAE) Society of Automobile Engineers Química

Viscosidade (SAE) Society of

Automobile Engineers

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MASSAS

Semifluida/Semisólida

Ficam no local de aplicação:

- vedam

Classificação:

Consistência (NLGI) National

Lubricating Grease Institute

4. Quando lubrificar com massas?

Química Aplicada

Pontos de maquinaria sem VEDAÇÃO própria (onde um óleo

escorreria)

Sempre que haja possibilidade de CONTAMINAÇÃO de um produto

(ex: devido a salpicos de óleo)

Órgãos de maquinaria de DIFÍCIL ACESSO

Sob condições extremas de operação: elevadas temperaturas, elevadas pressões, ou baixa velocidade/elevadas pressões.

5. Composição das Massas

óleo base (+ aditivos)

Fase sólida

10%

espessante

Fase fluida

90%

5.1. Fluido – Óleo Base

Base mineral:

- Parafínica (mais usada)

- Nafténica

Base sintética:

- Polialfaolefina (PAO)

- Poliglicol

- Ester

- Silicone

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As características do óleo determina:

- a gama de velocidades de funcionamento

- a temperatura mínima de aplicação

- a resistência à oxidação

- a compatibilidade com as pinturas e os elastómeros

5.2. Espessante

Constitui a fase sólida da massa

Formam uma rede tridimensional, responsável pela consistência da massa Quanto maior for a concentração do espessante mais rígida será a estrutura tridimensional

• Quanto maior for a concentração do espessante mais rígida será a estrutura tridimensional Isabel Godinho
Composição do Espessante
Composição do Espessante

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Lítio

Sabões metálicos

Cálcio

Sódio

Aluminio

Sabões mistos (mistura de dois sabões metálicos)

Sabões metálicos complexos

Lítio

Cálcio

Aluminio

Saponificação reação de uma solução aquosa alcalina (normalmente utilizado um Hidróxido metálico) com um ou mais ácidos gordos :

obtém-se assim sabão ou um sabão complexo

5.2.1. Sabões Metálicos

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Obtidos por neutralização de um ácido gordo, ou por saponificação

Ácido gordo + Base

um ácido gordo, ou por saponificação Ácido gordo + Base Sabão + Água Tipo sabão Propriedades
um ácido gordo, ou por saponificação Ácido gordo + Base Sabão + Água Tipo sabão Propriedades
um ácido gordo, ou por saponificação Ácido gordo + Base Sabão + Água Tipo sabão Propriedades
um ácido gordo, ou por saponificação Ácido gordo + Base Sabão + Água Tipo sabão Propriedades

Sabão + Água

Tipo sabão

Propriedades

 

Alta resitência à água

Ca

Instável a altas temperaturas (Tmáx = 80ºC)

 

Não resiste à água

Na

Estável a altas temperaturas (Tmáx = 120ºC)

 

Boa resistência à água

Al

Instável a altas temperaturas (Tmáx = 80ºC)

 

Boa resistência à água

Li

Estável a altas temperaturas (Tmáx = 140ºC)

+ utilizados

Espessantes das massas ao microscópio

Espessantes das massas ao microscópio Massa c/ sabão de cálcio Massa c/ sabão de sódio Massa

Massa c/ sabão de cálcio

das massas ao microscópio Massa c/ sabão de cálcio Massa c/ sabão de sódio Massa c/

Massa c/ sabão de sódio

Massa c/ sabão de cálcio Massa c/ sabão de sódio Massa c/ sabão de lítio 5.2.2.

Massa c/ sabão de lítio

5.2.2. Sabões Metálicos Complexos

Um sabão complexo é formado a partir de dois ou mais ácidos.

Permitem obter estruturas muito densas e estáveis.

Utilizáveis com temperaturas elevadas:

- 150 °C com uma base mineral

- 200 °C com uma base sintética (PAO)

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5.2.3. As características do espessante:

- Influencia a temperatura máxima de utilização

- Pode determinar a temperatura mínima de utilização

- Determina a resistência mecânica

- Influência a resistência à corrosão

- Pode influenciar as propriedades EP

Compatibilidade das massas

Importante :

NUNCA misturar massas com diferentes espessantes

A mistura de massas com diferentes espessantes pode acarretar a perda da sua estabilidade, com a consequente separação do espessante e do óleo.

6. Propriedades das Massas

6.1. Consistência

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Propriedade que os líquidos plásticos e os sólidos possuem para fluir quando submetidos a pressão

É a resistência oferecida pela massa à sua penetração

Determinação:

O método consiste em medir a penetração (em décimos de milímetro):

- exercida por um cone sobre uma amostra de massa

- sob a acção de uma carga padronizada

- durante 5 s

- para t = 25 ºC

sobre uma amostra de massa - sob a acção de uma carga padronizada - durante 5
Química Aplicada - Com base nos resultados obtidos, o NLGI criou um sistema de classificação

Química Aplicada

- Com base nos resultados obtidos, o NLGI criou um sistema de classificação para as massas

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Classificação NLGI da consistência das massas lubrificantes

NLGI da consistência das massas lubrificantes maior penetração ⇒ menos consistente é a massa

maior penetração menos consistente é a massa

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6.2. Ponto de gota

É a temperatura à qual uma gota de óleo é libertada da massa mediante aquecimento em condições standard

Informa sobre a temperatura à qual a

massa

passa

do

estado

pastoso

ao

líquido

a T acima do ponto da gota → massa inu lizável
a T acima do ponto da gota → massa inu lizável
líquido a T acima do ponto da gota → massa inu lizável O ponto da gota
O ponto da gota não define T max de trabalho. A T max de trabalho
O ponto da gota não define T max de trabalho. A T max de trabalho é
normalmente menor do que o ponto de gota
A T max de trabalho depende das características dos componentes da massa, como por exemplo
A T max de trabalho depende das características dos componentes da
massa, como por exemplo a volatilidade do fluido

6.3. Viscosidade Aparente

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Nos fluidos Newtonianos (ex. óleos minerais lubrificantes), o fluxo ocorre no momento em que lhe é aplicada uma força e é proporcional a essa força.

O coeficiente de proporcionalidade é a VISCOSIDADE

Massa fluido não Newtoniano

logo o fluxo não ocorre quando da aplicação da força

VISCOSIDADE APARENTE depende:

- viscosidade do óleo base

- processo de fabricação

- tipo e concentração do espessante

A força inicial que é necessário aplicar para imprimir movimento à massa chama-se PONTO DE CEDÊNCIA.

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Química Aplicada ponto de cedência Declive das retas → viscosidade em cada ponto A viscosidade varia

ponto de cedência

Declive das retas viscosidade em cada ponto

A viscosidade varia () com a τ ou com a velocidade.

Nas massas a viscosidade diminui com o aumento do valor da tensão de corte

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Lubrificantes

Sintéticos

Química Aplicada Lubrificantes Sintéticos Isabel Godinho 16
Química Aplicada Lubrificantes Sintéticos Isabel Godinho 16
Química Aplicada Lubrificantes Sintéticos Isabel Godinho 16

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1. Definição ASTM (American Society for Testing and Materials)

Lubrificante Sintético é um produto obtido por reação química de diferentes componentes em condições controladas. Obtém-se um produto cujas características físicas e químicas são pré-determinadas.

Não ocorrem naturalmente: são processados quimicamente

Feitos de acordo com as necessidades

Propriedades previsíveis

2. Vantagens

Ampla faixa de viscosidades

Excelente estabilidade à oxidação

Alto IV

Baixo ponto de congelação

Elevados pontos de inflamação e combustão - baixa volatilidade

Inertes, não corrosivos e não tóxicos

Boa demulsibilidade

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Estas vantagens traduzem-se nos seguintes benefícios:

- maior vida útil do óleo

- maior vida útil do equipamento

- redução no consumo de energia

- aumento da flexibilidade de utilização

3. Desvantagens

Maiores custos (3-5 x superior aos óleos minerais)

Incompatibilidade com materiais de juntas e vedantes (alguns)

Dificuldade em dissolver aditivos (alguns)

Maiores custos de reciclagem

A maior parte dos lubrificantes sintéticos são de cinco tipos principais:

Diésteres

Poliolésteres

Ésteres fosfóricos

Poliglicóis

Hidrocarbonetos de síntese (PAO’s)

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4. Propriedades dos Lubrificantes Sintéticos

Composto

Propriedades

Observações

 

boa estabilidade física e térmica  Utilizados em grande escala nas turbinas da aviação civil e militar

Utilizados em grande escala nas turbinas da aviação civil e militar

elevado poder de dissolução de aditivosem grande escala nas turbinas da aviação civil e militar Diésteres Incompatível com elastómeros alto poder

Diésteres

Incompatível com elastómerosDiésteres

alto poder lubrificantede aditivos Diésteres Incompatível com elastómeros boa detergência   excelente estabilidade física e

boa detergênciaIncompatível com elastómeros alto poder lubrificante   excelente estabilidade física e térmica  

 

excelente estabilidade física e térmica térmica

 

Poliolésteres

elevado poder de dissolução de aditivosPoliolésteres

alto poder lubrificantePoliolésteres elevado poder de dissolução de aditivos   boa detergência   fabricados em todas as

 

boa detergência 

 

fabricados em todas as gamas de viscosidade   

 

Hidrocarbonetos de Síntese (PAO’s)

fraco poder de dissolução de aditivosHidrocarbonetos de Síntese (PAO’s) Utilização em diferentes equipamentos

Utilização em diferentes equipamentos

Newtonianosde aditivos Utilização em diferentes equipamentos compatível com óleos minerais   compatíveis com

compatível com óleos mineraisde aditivos Utilização em diferentes equipamentos Newtonianos   compatíveis com elastómeros  

 

compatíveis com elastómeros   

 

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SINTÉTICOS vs. MINERAIS
SINTÉTICOS vs. MINERAIS

Índice de Viscosidade

Aplicada SINTÉTICOS vs. MINERAIS Índice de Viscosidade Óleo Sintético: Permite o arranque dos equipamentos a

Óleo Sintético:

Permite o arranque dos equipamentos a temperaturas mais baixas Reduz o risco de formação de película fina no arranque Produz uma película mais espessa a altas temperaturas

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SINTÉTICOS vs. MINERAIS
SINTÉTICOS vs. MINERAIS

Estabilidade Térmica

Química Aplicada SINTÉTICOS vs. MINERAIS Estabilidade Térmica Isabel Godinho 21

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SINTÉTICOS vs. MINERAIS
SINTÉTICOS vs. MINERAIS

Fluxo Energético

Química Aplicada SINTÉTICOS vs. MINERAIS Fluxo Energético Isabel Godinho 22

Química Aplicada

SINTÉTICOS vs. MINERAIS
SINTÉTICOS vs. MINERAIS

Atrito Fluido

Química Aplicada SINTÉTICOS vs. MINERAIS Atrito Fluido Isabel Godinho 23

Química Aplicada

Química Aplicada Isabel Godinho 24