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MANUAL DO GUIA

MANUAL DO GUIA TURÍSTICO

Circuito Landi:
Um roteiro pela arquitetura
setecentista na Amazônia

Elna Andersen Trindade


Maria Beatriz Maneschy Faria


MANUAL DO GUIA

Circuito Landi:
Um roteiro pela arquitetura
setecentista na Amazônia

Elna Andersen Trindade

Maria Beatriz Maneschy Faria

Belém - Pará
2006


MANUAL DO GUIA

Ficha técnica

Texto: Elna AndersenTrindade e Maria Beatriz Maneschy Faria


Pesquisa: Moema Alves
Revisão: Regina Alves
Editoração: Elisa Innocenti
Fotos: Elna Trindade, Flávio Nassar e Elisa Innocenti
Programação gráfica: Temple Comunicação

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O Circuito Landi pretende mostrar, realçar e divulgar a história e as cara-


cterísticas físicas exemplares do sítio urbano e das edificações do centro
histórico de Belém, sem fugir da realidade de abandono, maus-tratos e uso
inadequado que ele apresenta. Estes danos são causados, na maioria das
vezes, pela falta de conhecimento da importância histórica, técnica e estilís-
tica desses bens.
A narrativa do circuito não pretende esgotar as informações históricas e
físicas do conjunto urbano enfocado, mas contém informações necessárias
para ajudar a criar uma consciência de valorização e preservação do nosso
patrimônio.
O roteiro percorre a área delimitada como Centro Histórico de Belém,
tombada por lei municipal. Nela também há edifícios e conjuntos urbanos
tombados por legislação federal e estadual.
O texto a seguir foi elaborado para o treinamento de guias de turismo pro-
movido pelo Fórum Landi, como parte do Circuito Landi, realizado em
Belém durante o ano de 2006, graças ao apoio da Lei Rouanet do Min-
istério da Cultura e ao patrocínio da Companhia Vale do Rio Doce.
As autoras deste trabalho, as arquitetas Elna Trindade e Maria Beatriz Ma-
neschy Faria, da Universidade Federal do Pará, são fundadoras do Fórum
Landi e têm um grande conhecimento dos problemas do centro histórico
de Belém e da obra de Antônio José Landi.

Flávio Augusto Sidrim Nassar


Coordenador do Fórum Landi

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1 - Igreja do Carmo

Travessa Dom Bosco, Praça do Carmo

Histórico Senhora do Monte do Carmo. Du-


Os religiosos da Ordem de Nossa rante a Cabanagem, essa igreja foi
Senhora do Monte Carmelo fixa- ocupada pela tropa imperial.
ram-se no Pará em 1626, construin- Faz ainda parte do conjunto religio-
do o primeiro convento da cidade, so - convento e igreja – uma cape-
em terreno doado pelo capitão-mor la da Ordem Terceira do Carmo,
Bento Maciel Parente. No convento na lateral direita da nave principal
surgiu um colégio, freqüentado pe- do templo, acrescentada antes de
los filhos dos colonos. Ao longo dos 1784.
anos, o prédio também hospedou A ordem dos carmelitas teve um
religiosos, políticos e portugueses papel relevante na fundação de
ilustres e nele funcionaram o Con- núcleos populacionais, origem de
selho Geral da Província, o Colégio muitos municípios paraenses. A lo-
Paraense, o asilo de órfãs, o hospital calização proposital de seu conjun-
militar e o seminário menor. to religioso, perto do rio, facilitava
Junto ao convento os religiosos le- o contato com outras localidades e
vantaram uma pequena igreja de a administração de seus negócios.
taipa, destinada ao culto de Nossa Eram proprietários de considerável


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patrimônio, fazendas e engenhos encontrou documento no qual a


com muitos escravos, e com os ren- ordem dos carmelitas contratava
dimentos sustentavam as aldeias um mestre lisboeta para o assenta-
missionárias. mento da fachada da igreja.
Os carmelitas permaneceram 225 O assentamento causou danos irre-
anos no Pará. A partir de 1755, com mediáveis à estrutura da nave, que
a expulsão das ordens religiosas da teve de ser demolida. É então que
Amazônia pelo governo português, se verifica a intervenção de Antônio
começaram a perder direitos, ter- José Landi na igreja, reconstruindo
minando por retirar-se na segunda a nave em 1766.
metade do século XIX. A igreja reformada foi aberta ao
Em 1696, a primitiva igreja e o con- culto em 1777, mas só foi completa-
vento estavam em ruínas. Nova mente concluída em 1784.
construção foi providenciada, em O conjunto dos carmelitas é tom-
taipa de pilão, no mesmo local. O bado pelo IPHAN - Instituto do Pa-
templo foi reaberto em 1700, com trimônio Histórico e Artístico Na-
grande festa. cional, desde 1941. Hoje está sob
Os carmelitas lutaram muito para a guarda dos salesianos e funciona
conseguir recursos para a obra. Há no convento o Colégio do Carmo.
registro de que alguns deles foram
esmolar em Lisboa para comprar Igreja
pedra de lioz, material nobre usado Na biblioteca do Museu Nacional
na construção. há três desenhos da Igreja do Car-
Não se sabe quanto duraram as mo: planta baixa com indicação de
obras, mas é certo que o retábulo cúpula hemisférica sobre a capela-
da capela do altar-mor, em barroco mor, corte longitudinal mostrando
joanino, data de 1720. E é dessa a cúpula e elevação da fachada, o
mesma época a parte frontal do al- corte transversal indicando a proje-
tar, cinzelada em prata com incrus- ção de um novo altar-mor.
tações de pedras semi-preciosas, A cúpula projetada e o altar-mor
hoje desfalcada. não foram construídos. O primiti-
A fachada foi executada com pedras vo retábulo da capela-mor perma-
talhadas em Lisboa, que vieram em neceu e é um magnífico exemplar
caixotes. Recentemente, a pesquisa- do barroco joanino.
dora portuguesa Isabel Mendonça,


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Fachada No altar-mor conserva-se o retábulo


A curiosa importação de uma fa- joanino, onde se destaca uma colu-
chada em pedra da metrópole é na salomônica com uma curiosida-
um exemplo raro no Brasil. Só de na decoração do fuste, no qual
se conhece outro caso no século a figura do pelicano, tradicional na
XVIII, que é a Igreja da Conceição talha barroca, é representado com
da Praia, em Salvador. traços de um pássaro amazônico,
A Igreja do Carmo repete uma certamente mais familiar para os
tipologia comum às igrejas de con- índios que trabalharam a peça. No
ventos carmelitas e franciscanos, fuste aparecem também cachos de
que têm a fachada com pórtico de uvas, hastes de videiras, margaridas,
arcada, enquadrada por torres late- flores, folhas de acanto, meninos
rais. atlantes e figuras aladas ostentando
A fachada da igreja mostra um cor- os símbolos da fé. Este conjunto da
po central de dois pisos, rematado capela- mor e os púlpitos da Igreja
por frontão mistilíneo com um de Santo Alexandre são os mais im-
óculo no tímpano e enquadrado portantes trabalhos de talha barro-
por duas torres laterais cobertas ca no Pará.
por cúpulas vazadas por óculos. A ara do altar é revestida por mag-
Sua divisão vertical é marcada por nífico painel de prata portuguesa
pilastras toscanas. lavrado com elementos decorativos
No segundo piso, o corpo central simbólicos. Ele é composto por
e as torres são vazados por portas- cinco seções quadradas separadas
janelas de sacada com frontões típi- por frisos decorados com acantos,
cos da arquitetura lisboeta. rosáceas e no centro uma estrela
com raios lembrando um ostensó-
Interior rio. O painel é decorado com uma
O projeto de Landi conservou a profusão de elementos naturalistas
fachada que já estava construída, estilizados como volutas, rocailles
incluindo o pórtico com arcadas, e vasos, de modo que as formas
e adicionou-lhe o novo corpo de se interligam, tornando difícil a
planta em cruz latina, mantendo a leitura estética. Era guarnecido,
capela-mor com o pé direito redu- também, por pedras semi-preciosas
zido, da construção anterior, que coloridas, retiradas ao longo dos
contrasta com o restante da igreja. anos. No centro de cada seção há


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um símbolo em prata dourada . A de forma simplificada, diferindo


seção central traz o brasão dos car- das peças construídas. Os dois al-
melitas em prata. tares são muito parecidos na com-
Este mesmo brasão da ordem é en- posição, tendo o coroamento com
contrado no fecho do arco do retá- as mesmas características arquitetô-
bulo. nicas como fogaréus, aletas em vo-
A nave ampla é dividida em três lutas e frontões interrompidos em
áreas, delimitadas por colunas de ângulo e segmentos de círculos. No
capitéis coríntios. Entre as colunas corpo central destacam-se as pilas-
rasgam-se capelas pouco profundas, tras, colunas e mísulas em volutas
inscritas em vãos de arco pleno, en- invertidas. O corpo inferior do al-
cimados por painéis, reproduzindo tar correspondente ao embasamen-
fielmente o desenho de Landi . As to, com uma planta movimentada
colunas duplicam-se na junção da em degraus, tendo a mesa do altar
nave com o transepto. Este grupo centralizada.
de colunas de capitéis coríntios faz Na nave principal há dois púlpitos
parte do traço cenográfico de Landi. encostados às duplas colunas, feitos
Nas capelas laterais da nave há a partir de desenhos de Landi. Em-
cinco retábulos com nichos, com- bora não tenham sido previstos nos
postos por elaboradas molduras projetos para a igreja, eles asseme-
que deveriam servir para enquadra- lham-se ao púlpito desenhado por
mento das telas, característica da Landi para a Sé. Os ornatos dos
arquitetura italiana que também se púlpitos são da mesma linguagem
observa nas igrejas da Sé, Santana dos retábulos do transepto desta
e São João. Esta composição das igreja e dos altares laterais da Sé:
capelas laterais difere da projetada cartelas envolvidas em concheados,
por Landi, que era mais simples. frisos de boleados e volutas que
No entanto, encontram-se neste sustentam o guarda-voz .
conjunto elementos característicos
do traço do arquiteto italiano como
arco mistilíneo, fogaréus, volutas
invertidas, mísulas, centradas por
cabeças de anjos.
O desenho de Landi para os altares
do transepto também foi traçado


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2 - Ordem Terceira do Carmo


Travessa Dom Bosco, ao lado da
Igreja do Carmo

quitetura de Bolonha. As paredes


laterais da nave são delimitadas
por pilastras toscanas que seguem
até a abóbada. Uma cornija de
entablamento unifica a nave, per-
correndo-a longitudinalmente, das
colunas destacadas que antecedem
o altar-mor ao coro alto. A simplici-
dade na decoração das paredes da
nave capela, em contradição com a
nave da igreja, parece inspirada na
elegante simplicidade das igrejas de
Fachada Palládio na Itália, segundo o histo-
A capela não tem fachada elabo- riador da arte Robert Smith.
rada que anuncie sua presença. A Entre as pilastras há capelas laterais
fachada é composta por porta e enquadradas em vãos em arco
janelas com molduras pombalinas pleno pouco profundo, que per-
que servem de vãos para salas des- mitem claramente perceber a con-
tinadas aos serviços dos religiosos cepção italiana do arquiteto, pois é
nos dois pavimentos da edificação um tipo de retábulo próprio para
que se localizam na área frontal da receber quadros emoldurados,
capela. como nas outras igrejas de Belém.
O retábulo do altar-mor ocupa toda
Interior a largura e altura da capela e nele se
De planta retangular, a nave da distinguem três áreas:
capela está ligada à capela-mor, - A base, que tem um perfil movi-
da mesma largura, por um arco mentado com a disposição dos
triunfal apoiado em duas colunas pedestais das colunas em ângulos,
destacadas, solução comum na ar- como na Igreja de Santana.


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- Na área central destacam-se os nichos com peanhas nas laterais e a tribuna


enquadrada por colunas sobrepostas a pilastras de mesmo acabamento.
- Na área superior observa-se um coroamento com frontão mistilíneo com
decoração radial no tímpano, ladeada por dois fogaréus.
- Frisos e ornatos característicos das obras de Landi compõem a decoração
deste altar, observando-se concheados, acantos, rosetas, folhagens, flores e
volutas.
Os sete retábulos laterais localizam-se sobre as mesas de altar que têm vo-
lutas nas arestas. Na parte central, a imagem apoiada em uma peanha está
enquadrada em uma moldura. No ornamento destacam-se sanefa semicir-
cular franjada, cartela de concheados com emblemas da Paixão, e no coroa-
mento um vaso florido (encontrado nas pinturas de quadratura de Landi
em Barcelos) ladeado de fogaréus. As pilastras decoradas nas laterais da
moldura terminam em volutas, repetindo um esquema idêntico ao encon-
trado nos altares e no púlpito da igreja.

Cais da Ladeira do Carmo


Construído em 1782, existiu até os
anos 1950.
O Beco do Carmo era chamado
de Caminho de São Boaventura,
pois começava na Rua Norte e se
prolongava até o convento dos re-
ligiosos da Conceição da Beira do
Milho.

Ligação entre a Praça do Carmo e o


Porto do Sal


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3 - Palácio Velho
Esquina entre a Travessa Dom Bosco
(Praça do Carmo) e a Rua Doutor Assis

Marco - Esquina do Palácio Velho


Há três versões para explicá-lo:
- Seria uma proteção das esquinas
das edificações no período colonial
e imperial contra o choque das car-
ruagens ou carroças desgovernadas.
Detalhe semelhante é encontrado
Segundo a tradição oral, o prédio na arquitetura de Porto Alegre,
teria sido residência dos governa- com essa justificativa.
dores e sede do executivo durante – Marco zero da primeira légua patrimo-
uma fase do período colonial an- nial. No limite da primeira légua na
terior à construção do Palácio Avenida Almirante Barroso encon-
dos Governadores do Grão-Pará tra-se marco semelhante.
executado por Landi. Não há con- - Sinalização do nascimento de um
firmação documental e, por isso, varão na família da residência contí-
pode-se apenas afirmar que é uma gua, situação na qual funciona
construção do período colonial. como um “marco fálico”. Hipótese
É um sobrado típico do estilo luso- menos provável, em função da re-
brasileiro, com dois pavimentos de pressão moralista da Coroa sobre o
vãos alinhados, os do pavimento Brasil no período colonial.
superior guarnecidos por sacadas
com guarda-corpo em ferro trabal-
hado. Sobre o pavimento superior
observa-se uma camarinha ou mi-
rante fazendo face à fachada principal.
O prédio é tombado pelo IPHAN
- Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional, desde 1944.


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Largo do Carmo

As praças do período colonial eram construído após 1850.


espaços privilegiados de sociabi- O Largo do Carmo, segunda praça
lidade e apresentavam símbolos de Belém, surgiu em função da
de poder, como o pelourinho e Igreja do Carmo. Em 1724 foram
a forca. Nelas também havia até instalados arcos ornamentais, no
cemitérios. Normalmente os no- limite da Rua Norte com o Largo
bres e ricos eram enterrados nas do Carmo, para cerimônias públi-
igrejas e os demais em áreas vazias cas, demonstrando a importância
geralmente próximas às igrejas. O do largo para a vida da cidade.
primeiro cemitério de Belém só foi


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Igreja do Rosário dos


Homens Brancos
A Confraria do Rosário dos Ho- localização da igreja. Durante as
mens Brancos data de 1630, con- prospecções, verificou-se que a igre-
forme documentos do Arquivo ja era circundada por enterramen-
Público do Pará. Documentos tos. Surgiu a hipótese de se tratar
comprovam que a igreja já estava de um cemitério indígena, mas os
construída em 1773. esqueletros foram encontrados
Segundo a planta do século XVIII, em posição horizontal e não fetal,
a igreja era composta por uma como os índios são enterrados. Fo-
construção principal maior e uma ram também encontrados poços
lateral menor, provavelmente desti- com esqueletros de pessoas de vá-
nada à sacristia. Neste registro não rias raças, idades e sexos entreme-
aparece a torre sineira. No entanto, ados de cal, supondo-se tratar-se de
num quadro da família Viana, da- uma vala comum ou de uma série
tado de 1920, a igreja aparece com de enterramentos do período das
torre do lado direito. pestes do século XVIII.
Na década de 1990, durante re- A igreja foi demolida na década de
forma da Praça do Carmo, foram 1930, em função do estado de de-
executadas escavações arqueológi- terioração.
cas com a intenção de resgatar a


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Rua Siqueira Mendes


Ao contrário do que muita gente
pensa, a primeira rua de Belém
não é a Ladeira do Castelo, entre
o Forte do Castelo e o Museu da
Arte Sacra, e sim a Rua Norte, hoje
Siqueira Mendes. Nela, no século
XVII, estabeleceram-se os jesuítas
com uma grande casa junto ao rio,
que ocupava todo o quarteirão do
Largo do Carmo. O nome atual
é uma homenagem ao cônego
Manuel José de Siqueira Mendes,
político cametaense que chegou a
presidente da província.

Bairro da Cidade Velha


Seu primeiro nome foi bairro da Ci- Na transição para o século XX, o in-
dade. Até o final do século XVIII, tendente Antônio Lemos faz uma
tinha ruas estreitas de terra; largos significativa reforma urbana, regida
em frente aos edifícios religiosos; lo- pelas aspirações de modernidade,
tes estreitos; edificações sem recuo que coincide com o desenvolvi-
frontal e afastamentos laterais. As mento do comércio da borracha.
ruas e largos não eram arborizados. As ruas foram pavimentadas com
Sua arquitetura era singela, predo- paralelepípedos e as calçadas com
minando casas térreas com beirais pedras de lioz, as praças foram ar-
nas coberturas. borizadas e um novo código de pos-
Os primeiros calçamentos apare- turas entrou em vigor, contribuin-
cem em meados do século XVIII do para a mudança da tipologia e
e eram feitos de pedras irregulares fachadas das construções.
encontradas na região. Esse sistema Pelo novo código, os prédios des-
continuou até a segunda metade tinados à habitação deveriam ter
do século XIX.

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porão com abertura para ventilação; o pé direito foi elevado; limitou-se


em 20 metros a altura máxima das edificações, exceto para prédios mais
imponentes, como igrejas e palácios; a platibanda passou a ser obrigatória
não apenas nas novas construções, mas em todas as que sofressem qualquer
reforma.
Essas medidas imprimiram ao centro histórico uma arquitetura homogênea
e de volumetria determinada por duas tipologias predominantes:
- Casa de porão com um ou dois pavimentos e platibanda, no alinhamento
da via pública e sem afastamentos laterais, normalmente destinada ao uso
unifamiliar;
- Edificação tipo sobrado, de dois ou três pavimentos e platibanda, onde o
andar térreo era para uso comercial e os demais para uso habitacional ou
de serviço.

4 - Sobrado da Fábrica Soberana


No mapa de 1791 já havia cons-
trução neste local, mas não foi
encontrado registro dos primeiros
proprietários. Segunda escritura
do final do século XIX, o edifício
pertenceu ao filho do Visconde
do Arari, de família rica e ilustre
da sociedade paraense. Passou por
outros proprietários, até abrigar a
fábrica de bebidas.
A Fábrica Soberana instalou-se no
edifício em 1930 e funcionou até
a década de 1980, quando o dono
morreu e a administração passou
para os herdeiros. Depois foi desa-
tivada e hoje voltou a funcionar.
É um típico sobrado urbano do
período colonial brasileiro, de uso
Rua Siqueira Mendes
misto, onde o pavimento térreo era

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destinado ao comércio ou serviço, ou até mesmo à acomodação dos escra-


vos e o pavimento superior à residência da família.
Este sobrado destaca-se do seu entorno pela dimensão da fachada, que
apresenta equilíbrio dos cheios e vazios, revestida de azulejos portugueses.
Os vãos em arco pleno são enquadrados por molduras em massa e fechados
por esquadrias de madeira e vidro. No segundo pavimento observa-se o
balcão em grade de ferro trabalhado.
No coroamento, o beiral é forrado por cimalha, com condutores de ferro
para descida de água da chuva. Como elemento decorativo destaca-se um
frontão que tem o símbolo da Fábrica Soberana, dois pináculos e duas
águias em ferro como suporte de luminárias.

5 - Garagem náutica da Tuna

Sobrado do período colonial, carac-


terizado por fachada com vãos em
arcos abatidos, simétricos e alinha-
dos, com molduras simplificadas.
No segundo pavimento, janelas
guarnecidas de sacadas isoladas
com guarda-corpos em ferro traba-
lhados.
O coroamento da fachada é de fei-
ção art déco, feito por uma platiban-
da de perfil escalonado, assentada
em uma cimalha. Este coroamento
foi acrescido em outra época, pois
não tem nenhuma correspondência
Rua Siqueira Mendes com o despojamento do prédio.

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6 - Sobrados da Fábrica Bitar


Estes sobrados ficam nas quatro
esquinas da Rua Siqueira Mendes
com Travessa Félix Rocque. Os
dois foram, provavelmente, cons-
truídos entre as décadas de 1930 e
1940. Têm três pavimentos e facha-
da frontal de grande largura, com
detalhes e ornamentos geométricos
de inspiração art déco: nas mol-
duras dos vãos, nos guarda-corpos
em madeira das janelas e no perfil
escalonado da platibanda. A altura
do pé direito dos pavimentos deixa
claro que são bem posteriores aos
Rua Siqueira Mendes
dois outros sobrados.

7 - Casa Soares
Provavelmente é do século XVIII.
Na fachada, desprovida de orna-
mentos, predominam os cheios so-
bre os vazios. Como características
arquitetônicas ainda destacam-se
a presença dos cunhais com soco,
vãos de arcos abatidos, escala atar-
racada com pé direito reduzido, pa-
redes espessas e beiral com remate
de cimalha.
Rua Siqueira Mendes

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8 - Casa Rosada

Rua Siqueira Mendes

XVIII e XIX. Do século XVIII tem-


se o beiral aparente rematado com
cimalha, cunhais assentados em
socos, verga de arco abatido. Já do
século XIX observa-se as esquadrias
com venezianas e vidro e guarda-
É atribuída a Landi, em função dos corpo em ferro trabalhado com o
ornamentos das molduras dos vãos monograma MJSC, de Mateus José
das fachadas, que têm traços inspi- Simões de Carvalho, capitão-enge-
rados nos desenhos dele. nheiro que viveu aqui na transição
Neste edifício identificam-se ele- do século.
mentos da arquitetura dos séculos

9 - Sede náutica do Clube do Remo


O Clube do Remo, um dos mais an-
tigos de Belém, fundado em 1905,
surgiu como clube de regatas. Neste
prédio funcionavam a garagem
náutica e, até 1920, também a sede
social. O salão frontal, que era
usado para eventos, hoje funciona
como oficina de reparo dos barcos.
Prédio de arquitetura eclética, ten-
dendo ao kitsch, pintado em azul,
Rua Siqueira Mendes cor do clube. O acesso é feito por
um portão de ferro na lateral do
prédio. O corpo da fachada tem

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um único
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vão de janela com esquadria de madeira e vidro. No coroamento,
uma platibanda assentada sobre cimalha é rica em ornamentações, desta-
cando-se o nome da edificação e um escudo envolto numa profusão de
elementos náuticos.

Rua Félix Rocque

Primeiro chamou-se Rua da Rosa,


depois Travessa da Residência, pois
era o caminho que conduzia direto
ao Palácio e Residência dos Gover-
nadores da Capitania. O terceiro
nome foi Rua da Vigia. Tornou-se
“Félix Rocque” em 1960, em hom-
enagem ao grande promotor de
espetáculos teatrais e musicais no
arraial de Nazaré.
É muito estreita, com casas de bei-
rais e platibanda, sobressaindo-se
uma delas com o modelo de cama-
rinha – pequeno corpo elevado no
edifício que constitui um pavimen-
to superior.

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Rua Dr. Assis


Foi o segundo caminho a ser aber-
to na cidade e chamava-se Rua do
Espírito Santo, em função de um
destacado morador, o agricultor e
plantador de cana-de-açúcar Sebas-
tião do Espírito Santo. Era comum
no período colonial que os mora-
dores influentes denominassem lo-
gradouros públicos. O nome atual
é em homenagem a Joaquim José
de Assis, rico político e jornalista,
fundador de diversos periódicos
em Belém.

10 - Igreja da Sé
Histórico
Primeira igreja de Belém. Foi cons-
truída provisoriamente dentro do
Forte do Presépio, já dedicada à
Nossa Senhora das Graças.
Em 1619, por causa da reconstru-
ção do forte, foi transferida para o
atual Largo da Sé, numa constru-
ção precária. Cem anos depois, ao
sediar a recém-criada Diocese do
Pará, ganha direito e honras de sé
episcopal.
Em 1723 o rei dom João V ordenou
a construção de uma catedral, reco-
Praça Frei Caetano Brandão mendando que fosse monumental.
O autor da planta da igreja é desco-

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nhecido. pelo bispo dom Antônio de Mace-


Durante a construção da catedral, do Costa. Substituiu-se a maioria
o bispado funcionou na primiti- dos revestimentos originais e cons-
va Capela de São João Batista. As truiu-se um novo altar-mor, oferta-
obras da catedral foram paralisadas do pelo bispo. Da reforma parti-
de 1761 a 1766, diante de ameaça ciparam diversos artistas italianos
de insegurança na estrutura das pa- como o escultor Luca Carmini e o
redes para receber a abóbada. pintor Domenico De Angelis, além
Antônio José Landi tem seu nome de Lottini e Silvério Caporoni.
ligado à catedral na segunda fase da A intervenção modificou alguns
construção. Quando chegou a Be- elementos da identidade artística
lém, em 1753, ele encontrou a Sé do interior da igreja, com a retirada
em construção, com andaimes até à dos retábulos do altar-mor e dos al-
altura do telhado, sem torre, docu- tares do cruzeiro, a substituição dos
mentado na iconografia da cidade. púlpitos (os atuais são de ferro) e o
O arquiteto atuou na decoração acréscimo de candelabros de ferro
interna da igreja e na conclusão da fundido. No entanto, a fachada do
fachada. templo não foi desfigurada. A obra
Na Biblioteca Nacional do Rio de terminou em 1892, quando dom
Janeiro há um conjunto de dese- Macedo Costa já não era mais bispo
nhos referentes à Sé - retábulo do do Pará e sim arcebispo da Bahia.
santíssimo, planta da igreja, um A monumentalidade da Sé foi re-
corte longitudinal, guarda- vento, ferência no século XVIII. O padre
retábulo da capela lateral e outros João Daniel em sua obra “Tesouro
pequenos detalhes. Apenas o pri- Descoberto no Máximo Rio Ama-
meiro deles está assinado por Landi zonas”, escrita na prisão de Lisboa,
mas, segundo a pesquisadora Isabel destaca a grandiosidade da matriz,
Mendonça, a análise do traço e da colocando-a no mesmo patamar
grafia dos desenhos permitem afir- das mais famosas igrejas do mundo,
mar que são do arquiteto. referindo-se à sua forma, material e
A construção da Sé durou 26 anos técnicas construtivas
e a igreja recebeu a visita do impera- A Catedral Metropolitana de Be-
dor dom Pedro II, em 1876. lém foi tombada pelo IPHAN em
Em 1882, o interior da igreja so- 1941.
fre uma reforma radical, ordenada

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Fachada
Quando Landi chegou na cidade, a igreja já estava construída até a altura
da cimalha maior. Vieram prontas de Lisboa as três portadas de acesso,
uma principal e duas laterais, assim como as molduras das três janelas cen-
trais em pedra de lioz e em estilo pombalino
Todo o arremate superior é atribuído a Landi : duas torres, dois pináculos
e o coroamento central. No frontão do coroamento central o arquiteto
reproduz a forma de curvas e contracurvas do frontão da portada portu-
guesa. No nicho do coroamento existe hoje a imagem da Nossa Senhora
de Belém.
A fachada apresenta elementos arquitetônicos freqüentemente usados nas
obras de Landi: obeliscos, curvas e contracurvas, molduras, medalhões,
óculos, vasos com fogaréus e cobertura das cúpulas, imitando lajes em for-
ma de escamas.
Praça da Sé

Primeira área urbana de Belém que surge relacionada com a religião e com
a defesa. Era uma “praça das armas” e nela se abrigavam os soldados de
Caldeira Castelo Branco. Lá ficavam as primitivas igrejas de Nossa Senhora
das Graças e do Santo Cristo, o forte e o casario, constituindo a formação
da colônia conhecida como Feliz Lusitânia.
Em 1734, havia na praça um pelourinho e uma polé (instrumento de tor-
tura).
Em função da catedral, a praça foi denominada de Largo da Matriz. No
século XVIII a arquitetura do entorno da praça muda significativamente,
com a interferência de Landi na reforma da fachada da catedral e a cons-
trução do Hospital Militar.

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Escultura de frei Caetano Brandão


Desenvolveu intenso trabalho social
na cidade, dando início à Confra-
ria da Caridade e à construção do
Hospital da Santa Casa da Miseri-
córdia (Hospital do Bom Jesus dos
Pobres). Por isso foi homenageado
pela municipalidade, no final do
século XIX, com uma estátua em
Praça Frei Caetano Brandão
bronze com pedestal em mármore.
A escultura foi iniciada por De An-
Esse religioso chegou a Belém em gelis em Roma e, por causa de sua
1783 e foi o quarto bispo do Pará. morte, concluída por E. Quattrini.

Os jesuítas
A ação dos jesuítas na Amazônia ram-se na catequese e no ensino.
começa em 1652. Em 1653, come- Com a ascensão de dom José I ao
ça a funcionar o colégio de Belém. trono de Portugal, em 1750, come-
Eles também ajudavam a educar os çaria o fim do período jesuítico na
membros de outras ordens religio- Amazônia. O Marquês de Pombal
sas aqui instaladas. combateria o grande poder da no-
A ordem defendia a liberdade dos breza e do clero na metrópole e na
índios, protegendo-os da explora- colônia, com objetivo de centralizá-
ção pelos colonos, o que colocava lo nas mãos do Estado e acumular o
os jesuítas em atrito com a popula- capital de que Portugal precisava.
ção de Belém. Este atrito culminou Em 1760, os jesuítas foram defini-
com a prisão do padre Antonio tivamente expulsos do Grão-Pará e
Vieira, em 1661. No mesmo ano, Maranhão. O Marquês de Pombal
colonos expulsaram os jesuítas de determinou que os bens materiais
Belém e do Maranhão. Eles volta- da companhia fossem entregues à
ram ao colégio, a pedido da Corte, administração do bispado.
mas a partir do incidente centra-

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11 - Igreja de Santo Alexandre

A fachada principal mostra um cor-


Praça Frei Caetano Brandão
po central de três andares divididos
em três panos, com um coroamen-
A igreja primitiva, construída em to em frontão de volutas, ladeado
1690, teve como patrono São Fran- por torres sineiras com cúpulas bul-
cisco Xavier, fundador da ordem bosas. Havia cinco sinos nas duas
jesuíta. Depois passou a chamar-se torres, e em uma delas, um relógio.
Santo Alexandre, mesmo nome do Nos nichos do frontão apareciam
colégio que era mantidos pelos je- os santos fundadores da ordem:
suítas. Santo Inácio de Loyola (no centro),
A igreja definitiva foi construída São Francisco Xavier e São Fran-
pela mão-de-obra indígena e em cisco de Borja. Os pavimentos são
alvenaria de pedra, técnica introdu- delimitados por cimalhas, que se
zida no Brasil pelos jesuítas. Este é prolongam nos corpos das torres
um edifício monumental, na escala sineiras e os três panos são inter-
das obras jesuíticas. Santo Alexan- calados por pilastras decoradas por
dre em Belém e a Sé da Bahia são molduras geométricas e rosetas.
consideradas as maiores igrejas dos No térreo há três portais em pedra
jesuítas no Brasil. de lioz com frontão de volutas ain-
É importante observar o contraste da de espírito maneirista, sobrepos-
da fachada despojada, de grande to por janelas de sacada.
simplicidade ornamental, com a Dentro da igreja existe uma inter-
exuberância decorativa interna. venção de Landi na decoração da

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falsa abóbada da capela-mor. É um desenho de grande simplicidade e rigor


geométrico, inspirado nos tratadistas italianos, onde Landi deixa assinala-
da a sua formação acadêmica.
Na lateral esquerda do prédio situa-se o antigo colégio jesuíta.
A igreja tem tombamento federal realizado pelo IPHAN, e hoje faz parte
do Museu de Arte Sacra de Belém, sendo ainda palco de eventos religiosos
e culturais.

12 - Colégio Santo Alexandre


A primeira construção, de 1653, de Armas, projeto de Landi, edifi-
tem a fundação em pedra e cal e o cado em 1762, após a expulsão da
restante em taipa de pilão. Em 1670 companhia do Pará.
foi iniciado o prédio atual. Em fun- Com a superposição da planta de
ção de várias reformas, as linhas da Landi sobre a planta do colégio
fachada atual são de meados do sé- identifica-se um espaço da sala das
culo XVIII. armas que corresponde à atual Ga-
Os jesuítas transformaram os ín- leria Fidanza, utilizada para exposi-
dios em técnicos dos mais diversos ções temporárias no Museu de Arte
ofícios. Alguns móveis da igreja e Sacra.
do colégio foram executados pelos O antigo Palácio Episcopal tam-
próprios jesuítas ou pelos índios bém é tombado pelo IPHAN e tem,
nas oficinas do colégio, destacando- desde 1998, a função de Museu de
se as imagens dos anjos tocheiros e Arte Sacra conjugada com o uso de
o púlpito da igreja. galeria de arte, loja, cafeteria, ofi-
O colégio assumiu a função de en- cina de restauração e espaços para
treposto geral das missões jesuítas eventos culturais.
da Amazônia e de eixo da coloni-
zação lusa . Na metade do século
XVIII, na época de expulsão dos
jesuítas, o conjunto arquitetônico
transformou-se em residência ofi-
cial dos bispos diocesanos. No tér-
reo do colégio, surgiu o Armazém

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13 - Forte do Castelo
Praça Frei Caetano Brandão

Dentro do primitivo forte ergueu-se


a primeira capela de Nossa Senho-
ra das Graças. No século XVIII, foi
reformado em taipa de pilão, por
técnicos do reino e ganhou o nome
de Castelo do Senhor Santo Cristo,
Inicialmente, era um forte de ma-
ou simplesmente Forte do Castelo.
deira coberto de palha, denomina-
Na década de 1830 serviu de refú-
do Presépio, não só porque tinha
gio para os cabanos e foi palco de
este aspecto visto da Baia do Gua-
sangrentos combates.
jará, mas também porque a expedi-
Em 1850 virou quartel, acrescen-
ção de Francisco Caldeira Castelo
tando-se no seu interior diversas
Branco partiu do Maranhão para
construções.
Belém no dia de Natal.
No século XX foi desativado e ser-
Este forte fazia parte da linha de
viu como depósito e área de servi-
defesa da cidade junto com o Forte
ços da 8º Região Militar.
São Pedro Nolasco e a Fortaleza de
Nossa Senhora das Mercês da Bar-
ra.

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14 - Casa das Onzes Janelas –


Hospital Real
Praça Frei Caetano Brandão

é simetricamente composta por ja-


nelas e portas-janelas enquadradas
por cunhais apilastrados. Os vãos
de janelas e portas em verga reta
possuem molduras com frontões re-
tos, as janelas do piso superior têm
Histórico guarda-corpos de gradis de ferro .
O antigo Hospital Real funcionou A maioria dos traços da fachada
inicialmente no Forte do Presépio. frontal é inspirada na arquitetura
O novo prédio foi construído em portuguesa, destacando-se o guar-
1768, na propriedade de Domingos da-corpo de gradis em ferro sim-
da Costa Bacelar, onde havia algu- plificado, elemento da arquitetura
mas casas. Landi foi o arquiteto res- pombalina, enquanto a fachada
ponsável pela obra de adaptação. posterior voltada para o rio tem
Existem alguns desenhos assinados nos dois pavimentos a assinatura
por Landi para o Hospital Real, italiana de Landi, com a presença
porém, como não há descrição de de galerias em arcos denominadas
como eram as casas, também não de loggie.
há como determinar a extensão da
interferência do arquiteto.

Fachada
O corpo principal da edificação
tem dois pisos. A fachada principal

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Rua Dr. Malcher


Antiga Rua dos Cavaleiros, em fun-
ção da presença dos irmãos comer-
ciantes Cavaleiros, foi o terceiro
caminho a ser aberto na Belém do
século XVII . O nome atual home-
nageia o dr. José da Gama Malcher,
médico da Santa Casa de Miseri-
córdia, presidente da província e da
Câmara Municipal de Belém.

15 - Palácio e Residência dos Governa-


dores do Grão-Pará

História
A primeira edificação erguida para
Praça D. Pedro II funcionar como Palácio dos Gover-
nadores do Grão-Pará é do princí-
pio de 1715, e situava-se no Largo
da Sé, esquina do Espírito Santo,

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no bairro da Cidade. plamente documentado e divulga-


Em 1759, o governador do Grão- do. Faz parte de uma coletânea de
Pará, Manuel Bernardo de Mello 22 desenhos, reunidos em duplica-
de Castro, comunica à Corte a ta em dois álbuns, executados pelo
péssima situação em que se en- arquiteto, que foram ofertados ao
contrava o Palácio da Residência governador Ataíde e Teive e a dom
dos Governadores. Landi faz uma José. São álbuns ricamente enca-
vistoria no prédio e envia à corte o dernados, com dedicatórias em
primeiro projeto para o novo palá- cartelas envolvidas por desenhos
cio. Esta proposta corresponde ao ornamentais e arquitetônicos, ao
desenho da fachada principal e um gosto bolonhês.
corte transversal, apresentados em Em 1768, sob a direção do mestre
uma mesma prancha, assinada por pedreiro Jerônimo da Silva, come-
Landi. çaram as obras, após a compra de
O segundo projeto, recentemente três edifícios contíguos, para dar es-
divulgado por Isabel Mendonça, paço à edificação e seu jardim.
corresponde a dois desenhos: a Usou-se materiais de uma olaria
planta baixa e a fachada principal, criada pelo governador especial-
em conjunto com um corte longitu- mente para a obra. Também foram
dinal do prédio. usados materiais importados de
O terceiro foi solicitado pelo capi- Lisboa, principalmente no acaba-
tão-general Fernando da Costa de mento.
Ataíde e Teive a Landi, visando a O Palácio dos Governadores, consi-
uma monumental edificação, que derado a maior obra civil de Landi,
deu origem à grandiosa escala que criou um expressivo impacto urba-
o prédio apresenta. O palácio atual nístico na cidade do século XVIII.
é fruto desse projeto. Comparando Sua monumentalidade sempre foi
os desenhos de 1783, feitos por Co- ressaltada pelos viajantes que passa-
dina, desenhista da expedição de ram por Belém durante a colônia e
Alexandre Rodrigues Ferreira, e os o império. Alexandre Ferreira, hós-
do terceiro projeto de Landi, perce- pede do prédio no século XVIII,
be-se algumas diferenças entre eles, deixa transparecer que as dimen-
o que leva a crer que houve altera- sões do palácio eram incompatíveis
ções durante a obra. com os recursos do governo para
O terceiro projeto de Landi foi am- sua manutenção. Na primeira me-

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tade do século XX, a monumen- Fachadas


talidade do edifício também foi Principal
observada por Robert Smith, que O conjunto das fachadas do Palácio
faz comparações entre ele e outras de Landi tem composição horizon-
construções de Salvador e Rio de tal concebida como uma grande
Janeiro. massa homogênea, estética caracte-
O palácio foi concluído em 1771, rística da arquitetura civil barroca.
sendo ocupado somente no ano A fachada principal apresenta um
seguinte pelo sucessor do gover- corpo central de três pavimentos,
nador Ataíde e Teive, João Pereira coroado por frontão triangular reti-
Caldas. líneo com o tímpano desprovido de
No início do século XX, no gover- ornamentos, e se mantém no mes-
no de Augusto Montenegro, o pré- mo plano dos corpos laterais. O
dio sofreu uma reforma ecletizante, que reforça sua horizontalidade é
que o tornou mais luxuoso, ao gos- a presença de um conjunto de cor-
to da época da borracha. Na década nijas nos corpos laterais, que têm
de 1970, passou por uma restaura- continuidade nas três outras facha-
ção, que recuperou grande parte do das: duas nos limites da platibanda
traçado de Landi. e uma na divisa dos pavimentos.
São linhas de força que imprimem
Arquitetura ao monumento o caráter maciço
O edifício obedece ao partido ar- como constituição de um corpo
quitetônico do Brasil colonial, com único, solidamente assentado, esti-
ocupação total dos limites frontais lo característico das edificações se-
e laterais do lote. Nos fundos, o pro- tecentistas, época de sua construção.
jeto incluía um amplo jardim como A presença das platibandas das fa-
parte do conjunto da edificação. chadas é um detalhe arquitetônico
No interior do palácio há dois ele- incorporado à edificação no decor-
mentos que traduzem muito bem o rer do século XIX.
traço italiano de Landi: a bela esca- A disposição rítmica das aberturas
daria principal e um pátio interno na fachada, alinhadas na horizontal
com varanda de arcadas. e na vertical, sua largura, em con-
junto com a predominância dos
panos de paredes, reforçam o cor-
po homogêneo construtivo, bem

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como o desenvolvimento horizon- união das outras três fachadas. São


tal do monumento as únicas pilastras do projeto de
Na composição da fachada princi- Landi que permaneceram no cor-
pal, no eixo central do primeiro pa- po da edificação. Todas as pilastras
vimento, três vãos de arcos abatidos apresentam bossagens inseridas nas
formam os acessos frontais ao mo- superfícies, tratamento eclético.
numento. No segundo pavimento, Os vãos das três portas de entrada
há 15 janelas em arco abatido: 12 são revestidos de cantaria de lioz,
têm guarda-corpos entalados com importada de Lisboa, em conjunto
balaústres coríntios em pedra de com as balaustradas dos guarda-cor-
lioz, e os três centrais são guarne- pos entalados e balcões da fachada.
cidos por balcões com balaustradas Estes vãos têm vedação em grades
também coríntias, em cantaria de de ferro trabalhadas em estilo neo-
lioz, apoiados em grandes mísulas rococó, com o brasão do Estado e
trabalhadas com motivos clássicos, armas republicanas.
no mesmo material. Os símbolos ou iniciais (Estado
O balcão central é o maior e enfa- do Pará) nas grades de ferro da fa-
tiza a marcação do eixo do edifício. chada, mostrando a referência da
No terceiro pavimento, a janela propriedade, foram muito usados
central também recebe um balcão nas construções ecléticas. Na base
no mesmo material, com menor do portão principal há um rótulo
profundidade. de metal da Casa Tony Dussieux
Os guarda-corpos com balaústres de Paris, a mesma que forneceu o
coríntios, balcões e mísulas, todos material para o reservatório de fer-
em pedra de lioz, são detalhes ar- ro de São Brás.
quitetônicos importados de Lisboa A fachada tem ainda seis lampiões
pelo governador Augusto Montene- em ferro trabalhado, simetricamen-
gro. Os balcões tem a função de te posicionados, e um conjunto de
ser o espaço de apresentação dos condutor de águas pluviais inspira-
políticos ao povo. do no estilo manuelino, com braça-
O traço vertical da fachada prin- deiras ornamentadas.
cipal é marcado pelo conjunto de O acabamento das calçadas exter-
pilastras dóricas pouco salientes, nas também é resultado da inter-
que a compartimentam em áreas, venção do início do século XX. Os
nos limites do corpo central e na pisos dos passeios são revestidos

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MANUAL DO GUIA

com mosaicos de grés amarelo, ver- panos de paredes.


melho e preto, formando desenhos Na fachada lateral direita, desta-
geométricos ornamentais. Estes cam-se os vãos que correspondem
mosaicos são de origem francesa, ao acesso e à janela de iluminação
da fábrica de Pot Saint Maxence. da capela. Eles foram reconstitu-
ídos na restauração da década de
Fachada posterior 1970. As molduras dos vãos da ca-
Esta fachada era considerada pe- pela têm elementos característicos
los estudiosos como a parte mais de Landi, que também são encon-
italiana do prédio. Foi reintegrada trados nas portadas pombalinas em
ao modelo do projeto de Landi, em lioz, importadas de Portugal, para
grande parte, na restauração da dé- as igrejas do Carmo, Mercês e Ca-
cada de 1970, reabrindo-se as jane- tedral.
las de peitoril no térreo e a varanda O historiador Antônio Baena rela-
do segundo pavimento. ta que o primeiro Círio de Nazaré
A varanda tem cobertura de arcadas – realizado em 1793, no governo de
e é fechada com guarda-corpo em Francisco Souza Coutinho, saiu da
grade de ferro em toda a extensão. capela do palácio,
Partindo deste pavimento, existe
uma escada de ferro com guarda-
corpo trabalhado no mesmo mate-
rial.
Segundo as plantas de Belém do sé-
culo XVIII, nos fundos do Palácio
dos Governadores havia um amplo
jardim que fazia parte do conjunto
da edificação. Este jardim era ador-
nado por uma cascata e foi palco
de grandes recepções. Onde ele se
encontrava, hoje está o Fórum.

Fachadas laterais
As fachadas laterais apresentam rit-
mo nas aberturas com vãos em ar-
cos abatidos e predominância dos

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MANUAL DO GUIA

Casa da Ópera
Por encomenda do governador João Pereira Caldas, Antônio José Landi
fez o projeto de um teatro. A obra começou em 1775 e durou cinco anos.
No mapa da cidade feito em 1791 por Teodósio Constantino Chermont,
percebe-se que o teatro, com uma planta retangular, ficava ao lado esquer-
do do Palácio dos Governadores, aproximadamente onde é hoje a Praça
Felipe Patroni.

Praça Dom Pedro II


vários cursos d’ água, tornando-os
navegáveis. O plano não foi apro-
vado.
O que ocorreu foi a drenagem e o
aterro do alagado do Piri, na primei-
ra metade do século XIX, primeira
grande obra de urbanização da ci-
dade. Como resultado, surgiram a
Praça Felipe Patroni, o edifício da
É a terceira área urbana vazia a se
Prefeitura, e parte das ruas Ânge-
tornar praça em Belém. Surge por-
lo Custódio e 16 de Novembro. O
que no local estavam situados o pa-
aterro possibilitou ainda o desen-
lácio do governo e os quartéis.
volvimento do bairro da Campina
O Largo do Palácio, como se cha-
e a consolidação do Largo do Palá-
mou durante todo o período colo-
cio como espaço público.
nial, era um alagado, o Piri de Ju-
Para a praça, Landi deixou dois de-
çara, que delimitava os bairros da
senhos de arcos triunfais, um dedi-
Cidade (Cidade Velha) e Campina
cado ao rei dom José e o outro a
(Comércio).
Ataíde e Teive. O projeto nunca foi
O engenheiro alemão Gronsfeld,
executado.
que veio para Belém junto com
Com a inauguração do monumen-
Landi, apresentou um plano de
to ao General Gurjão, em 15 de
melhoria para a área, interligando
agosto de 1882 (data da Adesão do ���

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MANUAL DO GUIA

Pará à Independência) o Largo do Palácio passou a se chamar Praça da


Independência.

Estátua do General Gurjão


Praça Dom Pedro II

por ferimentos da batalha de Itor-


oró. O monumento, todo em már-
more, tem 15 metros de altura e
só a estátua do general, em bronze,
mede três metros de altura. Abaixo,
os quatro leões simbolizam a força.
Em outro nível existem quatro out-
ras estátuas de 2,5 m de altura que
representam Valor, Lealdade, Méri-
to e Marte . Entre os dois níveis das
O general Hilário Maximiano An- estátuas observa-se diversas alegori-
tunes Gurjão foi um herói paraense as referentes a passagens da Guerra
da guerra do Paraguai, que morreu do Paraguai.

16 - Palácio Antônio Lemos


A obra começou na década de
1860, sofreu várias interrupções
e foi concluída somente em 1885.
Foi projetado por José Coelho da
Gama e Abreu para ser a sede do
Prefeitura e da Câmara Municipal.
Durante a gestão do intendente
Antônio Lemos, no início do séc-
ulo XX, o edifício passou por uma
Praça Dom Pedro II reforma ecletizante, acrescentando-
se revestimentos de piso, paredes e

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MANUAL DO GUIA

substituição de forros, além de mo- da fachada é feita por pilastras no


biliário. primeiro pavimento e colunas no
Internamente, chama a atenção segundo.
uma escadaria de mármore em Todos os vãos externos, emoldura-
lances. Tem também uma pinaco- dos em massa, são em arco pleno,
teca onde se destacam os quadros alinhados na horizontal e na ver-
pintados a óleo “ Os últimos dias tical. No pavimento superior há
de Carlos Gomes” de Domenico portas-janelas com sacadas isoladas
de Angelis e Giovannni Capranesi com guarda-corpos de ferro. No
e “Fundação da Cidade de Belém” térreo, os vãos são janelas de peitoril.
de Theodoro Braga. As fachadas laterais apresentam
Em 1973, na administração de o mesmo tipo de composição:
Nélio Lobato, o prédio recebeu os ritmo nas aberturas com vãos em
restos mortais de Lemos, falecido arco pleno e o mesmo padrão de
em 1913 no Rio de Janeiro. acabamento da fachada frontal.
No inicio de 1990 entrou em res- A fachada posterior tem a mesma
tauro, concluído em 1994, com a composição dos vãos das outras
instalação do Museu de Arte de fachadas, com um pórtico central
Belém e o gabinete da prefeitura. destacado, menos profundo que o
É tombado pelo IPHAN, desde da fachada frontal.
1942.

Arquitetura
O edifício é de estilo império bra-
sileiro e utiliza-se do repertório
trazido pela Missão Francesa, co-
ordenada por Grandjean de Mon-
tigny, que introduziu o neoclássico
no Brasil.
A cobertura é coroada por três
frontões triangulares.
A fachada principal é simétrica, tri-
partida, e marcada por um pórtico
central destacado, com um terraço.
A marcação vertical da composição

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MANUAL DO GUIA

Comparação entre os dois palácios


Uma comparação entre os palácios de Landi, prédio do século XVIII, e o
Antonio Lemos, do século XIX, permite observar algumas diferenças:
- Abertura dos vãos em relação aos panos de paredes:
no Palácio de Landi, a parede predomina em relação aos vãos e
no Palácio Antonio Lemos há equilíbrio entre os vãos e panos de
paredes;
- Altura do pé direito dos pavimentos observando-se as molduras dos
vãos:
embora esteja assentado em uma base elevada, o Palácio de Landi
tem pé direito reduzido em relação ao Palácio Antonio Lemos;
- Movimento de fachada:
o Palácio Antonio Lemos apresenta colunas e pórticos destacados
nas fachadas, já no Palácio de Landi o destaque de plano da facha
da é feito pelas sacadas, introduzidas no século XX. Na fachada
posterior, entretanto, existe o destaque da escada de ferro, elemen
to de composição italiana introduzido por Landi.

17 - Instituto Histórico e Geográfico


- Solar Barão do Guajará
Histórico
O Solar do Barão de Guajará- o his-
toriador Domingos Antonio Raiol
- vai completar quase 200 anos mas
ainda não se descobriu a data exata
da construção
O barão herdou o prédio pelo
casamento com a sobrinha do Vis-
Rua Tomázia Perdigão, na
conde de Arari e tornaram-se, ele e
Praça Dom Pedro II a família, os últimos moradores do

32
MANUAL DO GUIA

solar . com distribuição simples: o térreo


O prédio, dividido em três pavi- é reservado para serviços, lojas e
mentos e um mirante, abrigava al- dependências de empregados, en-
cova, quartos, salas, biblioteca, pá- quanto os pavimentos elevados
tio e pequenos cubículos no térreo, eram reservados para a família.
usados como cárcere de escravos. O Solar do Barão enquadra-se nes-
Enquanto pertenceu ao Barão de ta tipologia, com um acréscimo do
Guajará, o solar sofreu várias modi- pátio interno descoberto, comum
ficações. Desapareceram as cavalari- nas edificações rurais, podendo-se
ças e a capela. Parte do terreno dos considerá-lo uma influência moura
fundos foi vendida, mas restaram na arquitetura ibérica, transplanta-
os móveis do visconde e do barão da para Belém. Com a planta bem
e também os mais de mil livros de resolvida, esse pátio deixa clara a
Raiol, guardados ainda nas bonitas preocupação com o conforto am-
estantes em jacarandá, obra de mar- biental, permitindo, em conjunto
cenaria portuguesa. com as sacadas na fachada, a liga-
Domingos Antônio Raiol morreu ção interior e exterior em quase to-
na casa, em 27 de outubro de 1912, dos os compartimentos.
com 82 anos. Em 1942, o prefeito O prédio não tem recuo, avança
Abelardo Leão Condurú adquiriu, sobre os limites laterais e sobre o
do herdeiro Pedro Raiol, o prédio, alinhamento da rua, implantação
os móveis e a biblioteca, que foram tradicional da arquitetura colonial.
doados em 1944 pelo prefeito Al- Na segunda metade do século XIX,
berto Engelhard ao Instituto Histó- a edificação foi reformada, com in-
rico e Geográfico do Pará. corporação de materiais e técnicas
O Solar do Barão de Guajará é tom- disponíveis pela crescente indus-
bado pelo IPHAN desde 1943. trialização, como as esquadrias de
venezianas com vidros e os condu-
Arquitetura tores de água da chuva, fabricados
A tipologia arquitetônica urbana em ferro.
que predominava no início do sé- O terceiro pavimento, mais estreito
culo XIX em Belém, era de casas que os inferiores, fica no meio da
pequenas e térreas. Por isso desta- fachada e tem origem no mirante
cavam-se os solares, edificações as- e camarinhas comuns nas constru-
sobradadas, de grandes dimensões, ções do Brasil Colonial.

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MANUAL DO GUIA

As janelas rasgadas do segundo pa- tes de 1850. A professora Paula Por-


vimento abrem-se para sacadas iso- tela informa que o Solar do Barão
ladas com guarda-corpos de ferro de Guajará é a fachada azulejada
trabalhado em singelas curvaturas mais antiga de Belém.
românticas. A correspondente ao Merece destaque o condutor de
vão central, é a maior e tem guarda- águas pluviais em ferro, ricamente
corpo curvo com monograma inse- decorado com motivos zoomórficos
rido no centro, hábito das famílias e braçadeiras trabalhadas, fazendo
de individualizarem os prédios. arremate nas extremidades da fa-
A fachada é revestida por azulejos chada. O contraste com o condutor
portugueses decorados em azul e do vizinho à direita denuncia a po-
branco. Não se sabe de quando da- sição social do proprietário. Os bei-
tam, mas é certo que são posteriores rais lateral e posterior do segundo e
à construção do prédio. Segundo o terceiro pavimentos são forrados de
professor português Santos Simões, madeira com cachorros aparentes
não há elementos que permitam trabalhados.
testemunhar uma fabricação de
azulejos deste tipo em Portugal an-

Rua Dona Tomázia Perdigão


O nome original, Ilharga do Palácio,
foi alterado em 1895 para Tomázia
Perdigão, mãe de duas figuras dest-
acadas da Câmara Municipal no
agitado período da Cabanagem.

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MANUAL DO GUIA

Largo de São João


Também conhecido como Praça
República do Líbano, porque mui-
tas famílias libanesas moram na
área. Quando restaurou a Capela
de São João, o IPHAN instalou
na praça um obelisco em forma
de agulha, forma empregada por
Landi nos riscos de seus projetos e
desenhos, conforme se observa no
frontão da catedral.

18 - Cinema Universal
Largo de São João

o Cinema Guarani. Por muito tem-


po foi depósito do Supermercado
São João. Espacialmente, lembrava
o Cinema Olímpia: a tela ficava no
inicio do salão, de costas para o
acesso principal.
A fachada, com inspiração art déco,
apresenta composição simétrica
Edificado na década de 1940, era com elementos verticais de forte
explorado pela empresa Cardoso expressividade. O escalonamento,
e Lopes (dona dos cinemas Mod- característica marcante do estilo, é
erno, Independência e Rex, depois encontrado no perfil do coroamen-
Vitória, na Pedreira). Fechou pri- to da fachada e na moldura da aber-
meiro que o vizinho e concorrente, tura central que ilumina o interior.

35
MANUAL DO GUIA

19 - Capela de São João Batista


Largo de São João

sempre no mesmo local, e data da


década de 1870. Foi projetada por
Landi, que desenhou a planta bai-
xa, fachada principal e um corte e a
composição da pintura de quadra-
tura para o retábulo da capela-mor.
O historiador da arte francês Ger-
Histórico
main Bazin considera esta capela a
A construção da primeira capela de-
obra prima de Landi.
dicada a São João Batista, em taipa
O monumento foi tombado pelo
de pilão e coberta de palha, come-
IPHAN em 1941.
çou provavelmente em 1622. Em
1661, a capela serviu de prisão para
Interior
o jesuíta padre Antônio Vieira.
A capela tem como singularidades
Em 1686, a primitiva capela foi de-
a nave em formato octogonal irre-
molida, em função do avançado es-
gular coberta por cúpula, contida
tado de deterioração. Uma segunda
num quadrado, assim como as pin-
igreja foi construída em seu lugar,
turas de quadratura nos acabamen-
também em taipa, e resistiu por
tos dos retábulos.
quase um século.
A nave tem altares laterais na pa-
Em 1719, quando foi criado o Bis-
redes maiores, e vãos menos pro-
pado do Pará, a Igreja de Nossa Se-
fundos nas paredes menores. Nas
nhora das Graças foi elevada à con-
paredes, as pilastras duplas chegam
dição de catedral de Belém, porém,
até o coroamento da cimalha. Na
como estava em ruínas, as funções
cúpula de perfil octogonal que co-
religiosas foram transferidas para
bre a nave quatro janelas auxiliam
a Capela de São João Batista em
na iluminação interna.
1724, quando terminaram as obras
A capela-mor, inscrita num quadra-
da Sé.
do junto à nave, une-se à ela por
A igreja atual é a terceira edificada,

36
MANUAL DO GUIA

um arco triunfal e é coberta por nos laterais telas pintadas pelo lis-
uma abóbada. boeta Pedro Alexandrino de Carva-
Em meados do século XX o interior lho, com molduras desenhadas por
foi bastante alterado, com a instala- Landi.
ção de altares de madeira em estilo
neogótico encobrindo as originais Fachadas
pinturas em perspectiva dos retábu- A fachada frontal é dividida por ci-
los. A estas pinturas chama-se “pin- malhas em dois pavimentos e arre-
turas de quadratura”, que repre- matada por um frontão triangular.
sentam retábulos fictícios pintados O pavimento inferior é delimitado
em perspectivas. Foram resgatadas lateralmente por pares de colunas.
na restauração feita na década de No pavimento superior a fachada é
1990, com a retirada dos altares de delimitada por duas pilastras. So-
madeira. bre o frontão observa-se dois piná-
A composição de quadratura do culos nas extremidades e a cruz no
altar-mor cobre toda a parede do vértice.
fundo até a abóbada. Nessas pintu- No eixo da fachada estão alinhadas
ras inclui-se a ilusão de vãos, ante- a porta principal e uma janela que
cedidos por balaustradas, tribunas, corresponde ao coro. A moldura da
vasos floridos, aletas e volutas entre porta é ornada por volutas inverti-
outros elementos. As pinturas são das e um frontão contracurvado. A
em rosa e verde, imitando mármo- janela apresenta frontão de perfil
re. de pagode. No tímpano do frontão
Os mesmos elementos arquitetôni- da porta observa-se uma escultura
cos se repetem nas capelas laterais, representando o Cordeiro do Divi-
mas com muito mais simplicidade. no apoiado em um pedestal e no
As telas estão enquadradas num tímpano do frontão da janela uma
retábulo de pintura de quadratura, concha.
onde se destaca a ilusão de colunas O pequeno campanário na lateral
e vasos floridos. Essas telas datam direita e o anexo ao fundo do pré-
de 1772 e representam a pregação e dio não estavam previstos no pro-
a decapitação de São João Batista. jeto de Landi e surgiram posterior-
Leandro Tocantins informa que mente.
em 1838, nos moldes das igrejas
italianas, existiam no altar-mor e

37
MANUAL DO GUIA

20 - Casa do poeta Bruno de Menezes


XIX ao XX.
A fachada mantém o alinhamento
frontal e lateral do lote com a com-
posição de “meia-morada” (uma
porta e duas janelas). No embasa-
mento, observa-se o óculo do porão
baixo, que tinha a função de arejar e
proteger da umidade do solo o piso
do primeiro pavimento, técnica de
Rua João Diogo conforto ambiental introduzida no
final do século XIX. As janelas da
O poeta Bruno de Menezes foi fachada em arco pleno são vedadas
membro da Academia Paraense por esquadrias de madeira e vidro.
de Letras e propagou o modernis- A bandeira da porta e o guarda-cor-
mo no Pará através de sua revista po das janelas são grades de ferro
“Belém Nova”. Sua casa, onde hoje trabalhado. A platibanda é compos-
moram as filhas, é uma edificação ta por painéis, intercalando com
eclética com características das balaústres de alvenaria, e marcada
construções da transição do século na base por expressiva cimalha.

21 - Cinema Guarani
Rua João Diogo

Construído no início da década


de 1940, foi explorado pela em-
presa Teixeira e Martins depois
Cinematográfica Paraense Ltda.
e finalmente, depois de 1946, por

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MANUAL DO GUIA

Luís Severiano Ribeiro, também Público.


proprietário dos cinemas Olímpia, É um prédio com fachada simétrica
Iracema, Poeira, Popular, Íris e São em art déco. A decoração no corpo
João. Era um cinema de bairro e da platibanda tem linhas e planos
inicialmente só fazia uma sessão verticais e horizontais fortemente
às 20 horas nos dias de semana. definidos e contrastados. No alto
Aos sábados, domingos e feriados da platibanda há um recorte em
havia vesperais. A sala era pequena, escalonamento e uma marquise de
com poltronas de madeiras e venti- concreto.
ladores laterais.
No século passado, o Guarani foi
vendido para o Banco Sul Brasilei-
ro. Hoje é ocupado pelo Ministério

Praça Felipe Patroni


Grande constitucionalista, criou
“O Paraense”, primeiro jornal do
Estado.

39
MANUAL DO GUIA

22 - Estação do Bonde
Construída no local de um sobrado
de transição dos séculos XIX e XX,
incendiado em 2002. A área foi
desapropriada pela prefeitura, que
ergueu um prédio contemporâneo
com o acesso na face chanfrada
da fachada. O último módulo da
fachada da Avenida Portugal, re-
manescente da construção original,
Esquina da Avenida Portugal com a foi restaurado e integrado ao novo
Rua Senador Manoel Barata prédio.

Campina / Treze de Maio


O bairro da Campina surgiu a
partir do caminho que ligava o ala-
gado do Pirí à igreja e convento da
Ordem de Santo Antônio. Neste
caminho se estabeleceu o comér-
cio, na Rua dos Mercadores, depois
Rua da Cadeia, e hoje Rua João
Alfredo. Esses nomes foram dados
para o trecho entre Avenida Portu-
gal e o Largo das Mercês. Do largo
até o convento de Santo Antônio,
o nome da rua sempre foi Santo
Antônio.
A partir da Rua dos Mercadores
surgiram paralelas e transversais,

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MANUAL DO GUIA

como a Rua da Paixão, depois de- mada, na sua maioria, no final do


nominada Rua Formosa e atual- século XIX e início do XX. São
mente 13 de Maio, primeira rua a construções sólidas, de altura con-
ter calçadas na cidade. A denomi- siderável. Na grande maioria dos
nação homenageia a data em que edifícios a cobertura se esconde por
as tropas da legalidade tomaram trás de altas platibandas, às vezes re-
Belém, que estava em poder dos matadas com frontões. Observa-se
cabanos. Nesta rua ficava a casa de na fachada a intensificação do uso
Eduardo Angelim, principal chefe de azulejos e ornamentação com
cabano. elementos em estuque, prática co-
A urbanização dessa área seguia o mum do ecletismo. As ruas foram
padrão do bairro da Cidade. Em pavimentadas com paralelepípedos
meados do século XIX, a Rua dos e as calçadas com pedras de lioz.
Mercadores se consolidou como A cantaria de lioz das calçadas
centro da zona comercial. e praças públicas de Belém foi
A fisionomia atual do bairro do tombada pelo Departamento de
Comércio é composta por uma Patrimônio Histórico, Artístico e
arquitetura construída ou refor- Cultural- DPHAC, em 1981

23 - Arquivo Público
Tv. Campos Sales entre a rua Senador
Manoel Barata e a Rua 13 de Maio

cumentos históricos referentes aos


Estados do Grão-Pará, Maranhão e
Rio Negro. A partir de 1901, a Bi-
blioteca Pública foi oficialmente in-
corporada, passando a instituição
a ser denominada de Biblioteca e
Arquivo Público.
Histórico
Em 1986, com a inauguração do
O Arquivo Público do Estado do
Centro Cultural Tancredo Neves
Pará foi criado em 1894, com o ob-
– Centur, o acervo da biblioteca foi
jetivo de organizar o acervo de do-
transferido para o novo prédio, e o

41
MANUAL DO GUIA

antigo passou a ser ocupado exclusivamente pelo Arquivo Público.


O prédio foi tombado pelo DPHAC, em 1982

Arquitetura
O edifício eclético, com predominância das linhas neoclássicas, tem traços
comuns aos prédios institucionais do Brasil deste período. A fachada prin-
cipal tripartida é marcada no eixo central por frontão triangular retilíneo
e escadaria em cantaria de lioz. No interior, as esbeltas colunas de ferro do
salão principal fazem conjunto com as estantes de ferro trabalhadas.

Rua Campos Sales


Era conhecida como a Travessa do
Passinho, por causa de um peque-
no santuário anterior à Capela do
Passinho, que durante a Semana
Santa servia para os atos religiosos.
O novo nome é em homenagem ao
dr. Manuel Ferraz de Campo Sales,
presidente da República de 1898
a 1902, grande restaurador das fi-
nanças do país.

42
MANUAL DO GUIA

24 - Capela do Passinho –
Capela Pombo
Santana.
Um dos nomes conhecidos da ca-
pela foi à ela associado porque abri-
gou uma imagem do Senhor dos
Passos; já a outra denominação está
ligada ao nome do proprietário.
No período imperial, era na que
os bispos se paramentavam para as
cerimônias de posse realizadas na
Tv. Campos Sales entre a rua Senador
catedral.
Manoel Barata e a Rua 13 de Maio A capela nunca teve tombamento
isolado, e o sobrado já há algumas
Histórico décadas foi descaracterizado para
Em 1784, Alexandre Rodrigues abrigar uma loja. No entanto, o
Ferreira registra esta capela entre os conjunto está situado na área do
oratórios públicos da cidade. É atri- Centro Histórico de Belém, tomba-
buída a Landi por Donato Mello do pela legislação municipal.
Junior, devido à semelhança dos
traços com outras obras dele, mas
ainda não foi localizado o projeto Arquitetura
original. A fachada da capela é enquadrada
A capela foi construída por enco- por duas pilastras com pedestais.
menda de um rico senhor de enge- No eixo da fachada há uma porta
nho, Ambrósio Henriques da Silva coroada por um frontão triangular,
Pombo, fazendo parte do sobrado apoiado em mísulas em forma de
contíguo, onde ele morava. volutas, vistas de frente e de lado;
Silva Pombo foi amigo e vizinho de sobre a entrada há uma janela com
Landi. Tinham em comum a de- sacada de balaústres. No alto da ca-
voção à Santa Ana e ambos cola- pela encontra-se segmento de fron-
boraram na construção da Igreja de tões que servem de apoio a dois va-

43
MANUAL DO GUIA

sos de fogaréus. Informa a história oral que a capela possuía uma pequena
torre que foi destruída por um raio.
O corpo da capela está associado ao sobrado, que tinha revestimento de
azulejos portugueses de 1890 nas fachadas, restando apenas os do segundo
pavimento. A fachada do sobrado tem uma cimalha que se conjuga perfei-
tamente com a da capela.

Rua Manoel Barata


Chamava-se Rua Nova de Santa
Ana. O novo nome homenageia
Manoel de Melo Cardoso Barata,
advogado, jornalista e um dos mais
destacados historiadores paraenses,
falecido em 1870.

25 - Grêmio Literário e
Recreativo Português
Rua Senador Manoel Barata

O Grêmio Literário Português foi


fundado em 1867. Tem uma exce-
lente biblioteca, que muito con-
tribuiu no campo do ensino com-
ercial.

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MANUAL DO GUIA

É uma edificação eclética de escala frontão no eixo do acesso principal


arquitetônica expressiva. Como que identifica a edificação; vãos
características do estilo destacam- de janelas guarnecidos por guarda-
se a presença de três pavimentos corpos em balaústres de alvenaria;
com pés direitos diferenciados, presença, no segundo pavimento,
reduzindo-se na medida em que se de uma águia de ferro que sustenta
superpõem; a fachada com trata- uma luminária. Um escudo portu-
mento curvo na esquina rematada guês identifica a propriedade, no
por frontão; presença de outro coroamento do acesso principal.

Praça Maranhão

Estado do Grão-Pará e Maranhão.


O monumento da praça remete à
catequese, representando o padre
jesuíta José de Anchieta e um ín-
dio. Este monumento foi instalado
como homenagem da Prefeitura de
Belém ao VI Congresso Eucarístico
Nacional, que aconteceu em Belém
em agosto de 1953.
Era conhecido como Largo de San-
ta Ana. Foi rebatizado em homena-
gem ao Maranhão, que na época
colonial formou com o Pará uma
unidade administrativa indepen-
dente do governo geral do Brasil, o

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MANUAL DO GUIA

26 - Igreja de Santana
Rua Padre Prudêncio entre a rua
Senador Manoel Barata e a rua 28
de Setembro

Nessa época ofereceu à Igreja de


Santana um relicário que pertence-
ra a Giacopo Landi. O relicário de
prata é barroco, com uma partícu-
la de um osso de Santana. Donato
Mello Júnior informa que a relíquia
foi doada ao antepassado de Landi
em 1669, havendo inclusive docu-
mentação de sua autenticidade.
Apesar das modificações sofridas,
a Igreja de Santana continua sen-
do uma referência da época de sua
construção. Possui um acervo rico,
inclusive telas do pintor Pedro Ale-
Histórico xandrino de Carvalho datadas de
Projetada e construída por Antônio 1778 e uma imagem de São Pedro
José Landi, teve a pedra fundamen- toda em bronze.
tal lançada em 1760, mas só come- Era a igreja preferida para as sole-
çou a ser construída em junho de nidades religiosas que antecediam
1762, por falta de recursos, que pro- a posse dos presidentes da Provín-
vocaria ainda várias interrupções. A cia no período imperial e também
obra recebia doações de particula- guardaria o túmulo de seu arqui-
res, entre os quais o governador, o teto, embora não se saiba o lugar
capitão Ambrósio Henriques, e o exato.
próprio Landi. A igreja foi tombada pelo IPHAN
A inauguração foi em 2 de fevereiro em 1962.
de 1782, 20 anos após o início da
construção. Arquitetura
Em 1783, Landi era juiz da Irman- Landi deixou cinco desenhos da
dade do Santíssimo Sacramento. igreja de Santana - planta, fachada,

46
MANUAL DO GUIA

dois cortes e um detalhe do sacrá- A fachada atual mostra três áreas de


rio da capela-mor. Segundo Isabel parede subindo em dois pavimen-
Mendonça, a igreja construída não tos. A central coroada por frontão
segue fielmente os projetos. A for- triangular, e as duas laterais apoian-
ma dos frontões, as ordens utili- do as torres sineiras. Os dois pavi-
zadas e as proporções de nichos e mentos são separados por cimalhas
retábulos foram alteradas. e as três áreas são delimitadas por
Na Igreja de Santana, Landi utili- colunas e pilastras. No eixo da área
zou planta centralizada, com uma central destaca-se o acesso principal
nave em forma de cruz grega. ladeado por colunas superpostas,
Durante o período imperial, em característica cenográfica do traça-
1840, duas torres sineiras não pro- do do arquiteto italiano. Esta porta
jetadas por ele foram acrescentadas principal é coroada por frontão em
à igreja, sendo essa uma mudança arco e segue o projeto original de
brusca no traço italiano da edifica- Landi. A janela que corresponde
ção. O argumento utilizado foi que ao coro é enquadrada por um arco
a composição ficaria mais de acor- sobreposto às pilastras e colunas in-
do com a tradição portuguesa. A feriores e ladeado por duas urnas.
fachada principal foi bastante mo- No coroamento do corpo central,
dificada com as torres, rematadas um frontão triangular retilíneo é
por balaustradas, que esconderam rematado por uma cruz de ferro.
a cúpula, os braços da nave e as co-
lunas laterais do projeto original.

Rua Padre Prudêncio


Primeiro foi chamada de Travessa
da Misericórdia, por conduzir ao sí-
tio onde ficavam a Casa e Igreja da
Misericórdia.Depois, tornou-se Rua
do Landi, pois o arquiteto morava
nela. O nome atual homenageia
Prudêncio José das Mercês Tavares,
deputado e co��������������������
mandante das tropas
legalistas contra os cabanos.

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MANUAL DO GUIA

27 - Igreja Nossa Senhora do Rosário


dos Homens Pretos
Rua Padre Prudêncio

da Irmandade do Santíssimo Sacra-


mento da Campina e da freguesia
da Campina. Em 1760, Santana foi
projetada para servir de sede à ir-
mandade e de igreja paroquial.
Apenas em 1820 inicia-se a con-
strução do templo atual, que foi
muito lenta. Em 1848, pelo relato
do viajante inglês Henry Walter
Bates, os negros trabalhavam nela
à noite, após uma longa jornada
diurna. No ano seguinte, Bates ob-
servou que o interior da igreja já
estava concluído.
Não se sabe a data da construção Não há provas documentais de que
da igreja primitiva, mas é certo que, Landi fez projeto para a Igreja do
em 1725, foi demolida para dar lu- Rosário, embora verifique-se in-
gar à outra que abrigasse melhor os fluência de seu traço nos retábulos
fiéis. do altar-mor e laterais, e na volume-
A edificação da primeira metade do tria da fachada.
século XVIII era pequena, de taipa Foi tombada pelo IPHAN em
e com três altares apenas, decora- 1950
dos com papéis pintados. Era sede

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MANUAL DO GUIA

Rua Santo Antônio


Era o tradicional caminho que le-
vava à Igreja de Santo Antônio,
construída pelos franciscanos no
século XVIII .

Rua Leão XIII


Antiga Travessa da Indústria. O
município deu-lhe a denominação
atual em 1883, em homenagem ao
papa Leão XIII, eleito em 1878, por
ter franqueado aos historiadores
os arquivos e a Biblioteca do Vati-
cano.
Nesta rua há um conjunto de edifi-
cações de escala harmoniosa. Mui-
tas estão abandonadas ou desocu-
padas. Destacam-se as edificações
azulejadas e os guarda-corpos em
ferro trabalhados.

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MANUAL DO GUIA

28 - Paris N`América
Rua Santo Antônio entre Barão de
Guajarà e Praça Visconde do Rio Branco
(Praça das Mercês)

que viajava regulamente a Paris.


O atual edifício da loja Paris
N`América foi inaugurado em
1909. O dono trouxe da Europa
todos os projetos, assim como o
material de construção, e contra-
tou mestre-de-obras e engenheiros
portugueses que participaram da
construção do Mercado de Peixe
do Ver-o-Peso.
O prédio é um dos mais significa-
tivos exemplos da arquitetura fruto
da economia da borracha, que va-
Histórico lorizou e desenvolveu o bairro co-
De propriedade do comerciante mercial.
português Francisco de Castro, a No início, a loja vendia roupas mas-
primeira loja ficava na quadra em culinas e femininas e também arti-
frente, estendendo-se da Santo gos para presente. Os tecidos não fi-
Antônio à Treze de Maio. Abran- cavam expostos, eram armazenados
gendo as duas esquinas, era co- em grandes estantes, para evitar a
nhecida como o “Canto do Paris poeira, e os fregueses faziam suas es-
n`América”. colhas através de mostruário. Hoje
Existe uma valsa intitulada “O Can- o térreo é uma loja de tecidos.
to do Paris n`América” de 1890, No andar superior morava a família
composta para os clientes pelo do antigo proprietário, com acesso
maestro francês André Messager, reservado pela fachada lateral. Hoje
provavelmente por encomenda do ali funciona a administração das lo-
proprietário Francisco de Castro, jas Bechara Mattar, família proprie-

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MANUAL DO GUIA

tária do Paris n´América. téis trabalhados em formas diferen-


O prédio está na área do Centro tes nos dois pavimentos; mísulas
Histórico, tombado pela legislação em pedra de cantaria que susten-
municipal e inscrito na categoria de tam a sacada e servem de apoio à
Preservação Integral. platibanda; janelas com vidros em
cristal belga, gravados com o mono-
Arquitetura grama FC ( Francisco de Castro),
O prédio foi construído para uso envolvido em motivos florais; con-
misto, comércio e residência, em dutores e receptores de águas plu-
quatro pavimentos, ocupando viais em ferro trabalhados.
todos os limites do lote. É consi- No alto do prédio há mansardas
derado um dos mais importantes com cobertura de ardósia, torreão
exemplares do ecletismo paraense, com relógio e mirante, melhor ob-
que concilia técnicas e tendências servados pela fachada lateral. As
estilísticas com o gosto e luxo refi- mansardas abrigavam as dependên-
nado da época da borracha. A loja é cias dos empregados.
inspirada nas casas comerciais pari- Entre os elaborados acabamentos
sienses e representou para Belém o do interior destacam-se a bela es-
que as Galerias Lafayette represen- cadaria de ferro fundido em art
taram para Paris. nouveau e o piso decorado em lajo-
Na fachada destacam-se pilastras ta hidráulica alemã, como se fosse
em alvenaria revestidas em pedra um tapete revestindo toda a área da
de lioz, com embasamentos e capi- loja.

Praça Barão do Guajará


Era chamado de Largo da Mise-
ricórdia, por ser área fronteira à
Igreja e à Casa da Misericórdia. O
nome atual homenageia o barão do
Guajará, Domingos Antonio Raiol,
autor da obra “Motins Políticos”,
sobre a Cabanagem.

51
MANUAL DO GUIA

29 - Foto Fidanza
Praça Visconde do Rio Branco
(Praça das Mercês)

a firma Huebner e Amaral, que


nele instalou a Photografia Allemã,
que funcionou até 1910.

Arquitetura
É uma edificação de implantação
colonial com alinhamento nos limi-
tes do lote. O piso térreo foi desca-
Histórico racterizado para instalação de lojas.
Felipe Augusto Fidanza foi um dos No segundo pavimento, que ainda
mais importantes fotógrafos em preserva as características arquitetô-
atividade no final do século XIX e nicas originais, possui vãos de arco
início do XX. Chegou a Belém em abatido com molduras simplifica-
1867, junto com a comitiva de dom das, sem ornamentos, característica
Pedro II, que veio ao Pará para a das edificações coloniais. Como
solenidade da abertura dos portos elemento do século XIX destacam-
da Amazônia ao comércio exterior. se as sacadas em forma de balcões
O Largo das Mercês foi o primeiro com guarda-corpo de ferro traba-
endereço do ateliê fotográfico de lhado e a platibanda com painéis,
Fidanza, em 1868. Dedicou-se ao rematada por cimalha.
retrato e à documentação urbana.
Em 1904, o fotógrafo morreu. Em
1906, a viúva vendeu o prédio para

52
MANUAL DO GUIA

30 - Residência atribuída a Landi


A propriedade de Manuel Raimun-
do Alves da Cunha foi mencionada
por Alexandre Rodrigues Ferreira,
que a destacava entre as casas mo-
dernas da cidade. Era a maior das
residências urbanas projetadas por
Landi.
O pavimento térreo foi completa-
mente adulterado pela instalação
Praça Visconde do Rio Branco de lojas. O pavimento superior
(Praça das Mercês)
mantém ainda nas janelas as mol-
duras e frontões característicos de
Landi projetou alguns sobrados
Landi, embora tenham desapare-
construídos na segunda metade do
cido os gradís do guarda-corpo.
século XVIII para ricos proprietá-
Uma janela se destaca, com frontão
rios do Pará. Alexandre Rodrigues
triangular e pilastras laterais, com
Ferreira deixou referências destes
traços característicos de Landi.
sobrados, mandando reproduzir
Uma platibanda, acrescentada no
em desenho os mais significativos.
século XIX, percorre as duas facha-
Três fachadas desenhadas por Co-
das, sobrepondo-se à cimalha.
dina chegaram até nós.

Praça Visconde do Rio Branco


Denominada Largo das Mercês du-
rante o período colonial. Era um
pequeno descampado sem urbani-
zação, no encontro da Rua dos Mer-
cadores com a Rua Santo Antônio.
Em 1881, foi ajardinada e protegida
com gradís de ferro. O monumen-
to central a José da Gama Malcher

53
MANUAL DO GUIA

foi erguido em 1890. No início do tado e presidente da província do


século XX, Antônio Lemos embe- Rio de Janeiro. Esta praça também
lezou a praça, retirando o gradil, teve o nome do Visconde de Mauá,
valorizando os canteiros, ornados gaúcho e grande comerciante, um
por espécies vegetais valiosas, e res- dos homens mais ricos do Brasil na
saltando sua funcionalidade com a segunda metade do século XIX.
implantação de quiosques de venda O conjunto da praça, ruas e calça-
de produtos diversos. das foi tombado pelo DPHAC em
O Visconde do Rio Branco foi de- 1988.
putado, senador, ministro de es-

Monumento ao dr. José da


Gama Malcher
Nascido em Monte Alegre, Gama
Malcher foi presidente da provín-
cia e da Câmara Municipal e era
médico da Santa Casa da Miseri-
córdia, onde se mostrou um profis-
sional filantrópico. O monumento
foi inaugurado pela prefeitura em
1890. A ata da solenidade está na
biblioteca do Barão do Guajará, no
Instituto Histórico e Geográfico e
uma cópia está guardada na base do
monumento.
O monumento é em bronze com
pedestal de pedra e foi executado
pelo escultor belga Armand-Pierre
Cattier. Na base há uma figura que
Praça Visconde do Rio Branco representa o povo, esculpindo na
(Praça das Mercês) pedra o nome do homenageado.

54
MANUAL DO GUIA

31 - Conjunto de sobrados das


Mercês
no nos dois pavimentos; frontões
ou ornamentos coroando as vergas
do pavimento superior e sacadas
com guarda-corpo de ferro traba-
lhado e de alvenaria. Os enquadra-
mentos dos vãos do pavimento tér-
reo são mais simples, por se tratar
de espaços destinados a serviços, ao
contrário do segundo pavimento,
Praça Visconde do Rio Branco
(Praça das Mercês) na maioria das vezes ocupado por
residências do proprietário ou co-
merciante.
Conjunto de edificações ecléticas
Neste conjunto destaca-se o pré-
construídas em harmonia de esca-
dio ocupado desde 2005 pela Fo-
la, com destaque para os acabamen-
toAtiva, associação de fotógrafos
tos diferenciados das esquinas: um
paraenses, onde o Escritório Mo-
abaulado e o outro facetado. Predo-
delo do Curso de Arquitetura da
minam as linhas neoclássicas, que
Universidade Federal do Pará está
podem ser identificadas pelas plati-
realizando um estudo exaustivo da
bandas ornamentadas; revestimen-
tipologia original, para um projeto
to de azulejos; vãos de verga reta
de restauro.
combinados com vãos de arco ple-

55
MANUAL DO GUIA

32 - Igreja das Mercês


Praça Visconde do Rio Branco
(Praça das Mercês)

Mário Barata concorda que Landi


tenha participado na cobertura das
torres, atribuindo-lhe ainda a con-
cepção espacial do coro, bem como
o tratamento plástico no interior
da igreja.
Histórico O edifício das Mercês é o único de
A ordem dos mercedários chegou a Belém e um dos poucos do Brasil
Belém em 1639, com a expedição que apresenta a frontaria em perfil
de Pedro Teixeira, e logo começou convexo, podendo-se destacar com
a levantar seu convento. Essa pri- a mesma característica as igrejas do
meira construção, apesar de ser de Rosário de Ouro Preto, São Pedro
taipa de pilão e coberta de palha, dos Clérigos de Mariana e São Pe-
resistiu mais de um século A igreja dro dos Clérigos do Rio de Janei-
atual começou a ser construída em ro.
1748 e foi inaugurada em 1763. Em 1794, os mercedários foram
Não foram localizadas as plantas definitivamente expulsos do Pará e
originais da Igreja das Mercês. Isa- seus bens incorporados à Coroa.
bel Mendonça atribui a Landi so- Em 1796, um quartel e a Alfândega
mente os púlpitos e dois retábulos foram instalados no local do extin-
de capelas, pela afinidade com ou- to convento e esta última ainda se
tras obras do arquiteto. Ela discor- encontra lá. Durante a Cabanagem,
da, portanto, da afirmação feita por funcionou ali o trem de guerra.
Robert Smith de que o italiano teria O tombamento foi realizado pelo
projetado a igreja. A historiadora IPHAN em 1941. Houve um incên-
Myriam Ribeiro defende que Landi dio em 1978 e muitas característi-
teria concluído a zona superior das cas do convento foram perdidas,
torres, além de ter anexado o fron- porém a igreja foi pouco afetada.
tão contracurvado à frontaria cur- A ultima restauração foi feita em
vilínea da igreja. O crítico de arte 1987.

56
MANUAL DO GUIA

Hoje é sede da Secretaria do Patri- gal: nave única ladeada por capelas
mônio da União, da Inspetoria da apenas inscritas na espessura da pa-
Receita Federal no Porto de Belém rede e por duas capelas profundas
e outras repartições fazendárias. no transepto. A capela-mor é mais
estreita e profunda do que a nave
Arquitetura principal. Só a fachada convexa não
Na fachada ressalta-se o corpo cen- é muito freqüente em Portugal.
tral, convexo, enquadrado por duas O retábulo do altar-mor lembra o
pilastras em relevo que se prolon- esquema compositivo do retábulo
gam até o frontão mistilíneo. Lade- do transepto do Carmo e do altar-
ando este corpo curvado, as duas mor da Igreja de Santana, de auto-
torres surgem recuadas, coroadas ria de Landi. O retábulo da capela
por frontões triangulares, com cú- de adoração revela também influ-
pulas bulbosas e vazadas por óculos. ências de Landi, mas aqui o trata-
No corpo central há três portais e mento é bem mais elaborado que
três janelas, e um óculo no tímpano no retábulo da capela-mor. Os dois
do frontão, sendo as torres também púlpitos têm traços de afinidade
vazadas por janelas. com outras obras de Landi, pelo es-
A porta principal tem uma moldu- quema de composição idêntico aos
ra pombalina em pedra de lioz, as- púlpitos desenhados para a Igreja
semelhando-se à portada da Sé. As da Sé.
outras duas molduras pombalinas
das portas laterais são do mesmo Convento
material. Destaca-se outra seme- A fachada do convento, em dois
lhança com a Igreja da Sé: o coro- pisos é compartimentada por pi-
amento da porta principal serve de lastras. Segundo Isabel Mendonça,
inspiração para a forma do frontão a antiga portada, ainda visível no
contracurvado de remate do templo. desenho de Codina, veio de Portu-
gal e era mais elaborada que a da
Interior igreja.
A igreja tem planta em nave única,
antecedida de um coro com cober-
tura de abóbadas de aresta.
A planta baixa desta igreja segue
uma tipologia comum em Portu-

57
MANUAL DO GUIA

Glossário pedras de pedras, talhadas uma a


uma, de forma que a se ajustarem
umas nas outras sem necessidade
• Acanto – ornato que rep- de material ligante.
resenta folhas muito largas e recor- • Capitel – parte superior de
tadas da planta de igual nome. pilastras, colunas que assenta sobre
Principal característica do capitel o fuste. Elemento decorativo cuja
coríntio composição caracteriza o estilo ar-
• Aleta - complemento ar- quitetônico adotado no edificio
quitetônico, curva ou voluta,com • Cartela – superfície lisa
que se atenua a dureza dos ângulos num pedestal, parede, etc., desti-
retos de um frontão. Muito usado nada à gravação ou superposição
no barroco de legenda.
• Arco abatido –cuja a curva • Cavalariça – casa térrea
não é de volta inteira. destinada a habitação de cavalos.
• Arco pleno – arco de volta • Chanfrado – elemento que
inteira em forma de semicircunfer- possui chanfro, ou seja, um recorte
ência tendo sua flecha igual ao raio nas bordas evitando arestas vivas
que serviu para traçá-lo. no encontro de duas superfícies
• Balaústre – pequena col- planas.
una ou pilar de pedra ou madeira • Cimalha – elemento ar-
que sustenta um parapeito ou cor- quitetônico instalado na parte
rimão. superior da fachada servindo de
• Beiral – parte do telhado aremate ao telhado. No interior
que se prolonga alem do prumo permite a transição entre a parede
das paredes externas de uma con- e cobertura
strução. • Cinzelada – processo de
• Braçadeira – chapa metáli- desbastar pedras e metais. Utiliza-se
ca, geralmente em forma de U, um instrumento cortante de ferro e
usada para reforçar a fixação entre aço denominado cinzel.
peças ou elementos da construção. • Cornija – moldura ou con-
• Bulboso – atribuição dada junto de molduras simplificadas e
a elementos, em geral arremates de salientes que servem de arremate
torres, que tem forma de bulbo. superior a elementos arquitetôni-
• Cantaria – alvenaria de cos ou ao edifício.


MANUAL DO GUIA

• Coroamento – remate, continua que contorna qualquer


ornato, elemento construtivo ou elemento da construção, podendo
decorativo que coroa um edifício. também ser ornamentado.
• Cruzeiro – zona compreen- • Frontão – elemento de
dida entre a nave central e a capela coroamento da fachada situado na
mor, freqüentemente com cober- parte superior do edifício ou à cima
tura abobadada. de portões, portais ou portadas.
• Cunhal – faixa vertical sa- Sua forma é geralmente triangular,
liente nas extremidades de paredes podendo ser também em arco.
ou muros externos; ângulo externo • Fuste – tronco da coluna
e saliente formado pelo encontro situado entra a base e o capitel.
de duas paredes externas conver- • Grés – rocha granulosa
gentes, dando proteção à quina do composta por pequenos fragmen-
edifício ou ornamentação da fach- tos ou grãos de areia silicosa ou
ada. quartzo unidos por cimento ar-
• Escalonado – em forma de giloso ou calcáreo.
escada. • Guarda-corpo – anteparo
• Esquadria – elemento para de proteção geralmente a meia al-
guarnição de vãos de passagem, tura do piso, usado em alpendres,
ventilação e iluminação, é mais balcões, escadas e terraços, poden-
comumente aplicado a vãos de por- do ser cheio ou vazado.
tas, janelas e portões. • Guarda-vento – anteparo
• Estuque – argamassa que geralmente de madeira muito usa-
depois de seca adquire grande dure- do em igrejas ente o vestíbulo e a
za e resistência ao tempo. Freqüen- nave central para proteger do vento
temente usado em revestimentos o interior do edifício.
ou ornatos de paredes, tetos e na • Guarda-voz – cúpula ou
execução de cornijas. abóbada em forma de dossel que
• Fogaréus – ornato com- serve para abaixar o som da voz do
posto de pirâmide ou agulha ar- pregador nos púlpitos.
rematada por imitação de chama. • Kitsch – justaposição de
Muito usado em igrejas antigas por elementos incongruentes produz-
simbolizar a fé, a devoção e o sacri- indo combinações nem sempre
fício. harmônicas.
• Frisos –faixa estreita e • Mansarda – espaço com-

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MANUAL DO GUIA

preendido pela cobertura do tel- do a fachada de uma edificação pos-


hado e pelo teto do ultimo pavi- sui diversas faces, o pano pode ser
mento do prédio. constituído por uma dessas faces.
• Medalhão – ornato circu- • Peanhas – pequeno pedes-
lar ou oval, em alto ou baixo-relevo, tal, suporte com a base em forma
destinado a receber figuras repre- de pirâmide invertida, geralmente
sentativas, monogramas ou datas. provido de molduras e usado como
• Mistilíneo – ornatos for- apoio a estatuetas e vasos.
mados por combinação de linhas • Pináculo – coroamento
retas com linhas curvas. piramidal. Cônico, em forma de
• Mísula – saliência que ornamento, fino e pontiagudo,
serve de apoio, em geral na parte construída sobre pilares e colocada
superior da construção. sobre torres ou frontoes; ponto
• Nicho – cavidade feita na mais alto de um edifício.
espessura da parede para nela se • Platibanda – elemento
dispor uma figura esculpida, um vazado ou cheio disposto no alto
vaso, etc. das fachadas, coroando a parede
• Obelisco – pilar alto mon- externa do prédio e formando uma
olítico em forma de paralelepípedo, espécie de mureta que esconde as
estreitando-se no alto e terminando águas dos telhados, alem de even-
em pirâmide. tualmente servir de proteção em
• Óculo – abertura ou terraços.
pequena janela, podendo ser na • Pórtico – elemento ressal-
forma oval, circular ou arredon- tado na fachada principal de um
dada, disposta nas paredes externas edifício, geralmente destacando
ou em frontões para ventilar e/ou sua entrada principal. Comumente
iluminar. composto por colunas ou pilastras
• Ostensório – peça de arte e arcadas.
sacra para guardar a hóstia, em ger- • Púlpito – tribuna elevada
al colocado perto do altar, ao lado em forma de balcão com acesso at-
do Evangelho ravés de escada. É destinado às pre-
• Pano – extensão de parede gações ou a sermões dos sacerdotes
ou muro, abrangendo sua totali- nas igrejas.
dade ou somente uma parte. Quan- • Retábulo – elemento orna-

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MANUAL DO GUIA

mental em talha ou pedra lavrada • Transepto – parte de um


disposto junto a parede por trás do edifício de uma ou mais naves que
altar. atravessa perpendicularmente o
• Rocailles – ornamento as- seu corpo principal. Nas igrejas,
simétrico em forma de folhagem e espaço transversal que separa a
conchas usado no barroco tardio. nave da capela-mor.
• Rosácea – ornato ar- • Verga – peça disposta
quitetônico em forma de rosa. horizontalmente sobre o vão de
• Sanefa – tira larga que se portas ou janelas sustentando a
estende sobre a parte superior de alvenaria.
uma cortina. • Volutas – ornato em for-
• Soco – parte inferior ma de espiral.
aparente de uma parede. Base na
qual se assenta uma coluna ou um
pilar.
• Tímpano – superfície tri-
angular lisa ou ornamentada do
frontão.

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