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Christopher Penczak

O Templo Interior da Bruxaria

Magia, Meditação e Desenvolvimento Psíquico

Tradução:

Getúlio Elias Schanoski Júnior

Dedicatória

Para meus pais, Steve, Laura, Christina, Jessica, Jen, Bridget, Kat e todos os meus professores. Obrigado por me conduzirem até este caminho

“Conhece a ti mesmo e conhecerás os deuses e o Universo” Templo de Delfos, Grécia

Introdução

O que é o Templo Interior da Bruxaria?

Eu nunca imaginei que um dia estaria dando aulas sobre bruxaria, nem tampouco fazendo com que isso se tomasse o foco principal de minha vida. Mas aqui estou, e além disso ainda escrevo livros a respeito do assunto. Quando comecei a trilhar este caminho, não tinha sequer a intenção de me envolver com a bruxaria. Uma amiga de muito tempo me apresentou esse assunto, e eu achei que ela estava brincando comigo. Eu contava piadas de mau gosto sobre O Mágico de Oz simplesmente porque nunca tinha ouvido alguém se autodenominar bmxa com tanta seriedade, e até mesmo com uma certa reverência. Isso aconteceu há vários anos e a noção desse fato tem ganhado mais espaço na mídia desde então. Minha amiga é uma pessoa muito inteligente, cujas opiniões respeito, e por isso fiz a ela diversas perguntas sobre tudo o que queria saber. Discutimos tópicos como a história européia e a arte, que sofreram influências das culturas pré-cris- tãs. Pesquisamos filosofia e símbolos. Pelo fato de ambos termos um amor incondicional pela arte, ela conseguiu atrair minha atenção quando me mostrou os símbolos egípcios, tais como o Olho de Hórus e o Ankh.

Quanto mais conversávamos, mais eu pensava que a bruxaria podia ser algo por que poderia me interessar em seguir. Eu passei doze anos estudando em uma escola católica, e embora por algum tempo tivesse sentido uma relação espiritual com alguma coisa, não tinha mais tanta certeza do que realmente tinha sentido e com o que havia me relacionado, já que não era capaz de sentir uma conexão com a Igreja Católica. Eu não conseguia concordar com muitos de seus pontos de vista, e foi assim que acabei dei- xando aquela relação espiritual, com um certo sentimento de culpa e rancor.

Quando minha amiga me falou sobre bruxaria e como ela valorizava as relações individuais e pessoais, fiquei intrigado. Talvez isso fosse o que sempre busquei, mas não imaginava que essa opção existisse.

A peça final que me fez começar a trilhar esse caminho foi meu primeiro ritual. Fui convidado para um ritual da Lua Cheia e tive a oportunidade dc fazer um feitiço. Não tinha certeza de que acreditava naquilo, mas pensei: “Por que não tentar?”. Uma outra amiga minha estava enfrentando uma gravidez complicada. Ela não tinha feito os exames de pré-natal que precisava, e os médicos achavam que tanto ela como a criança estavam correndo riscos. Para piorar ainda mais sua situação, ela tinha um relacionamento difícil com seus pais divorciados e, por estar no último ano do colégio, escondeu a gravidez até as últimas semanas de aula. Embora não me lembre das palavras exatas, meu feitiço basicamente tinha a intenção de que ela e seu bebê tivessem saúde e enfrentassem tudo aquilo com o menor grau de dor possível, se isso fosse para ambos o melhor. Mais tarde vim a saber que ambos estavam bem, e isso me deixou feliz. Foi então que descobri que seu parto tinha durado menos de duas

horas e quase não havia lhe c ausado dor nenhuma. Fiquei chocado com aquilo e me lembrei do leiliço. lenho certeza de que havia muitas pessoas rezando por ela, mas naquela altura comecei a sentir que os feitiços e a bruxaria eram mais reais do que eu pensava.

Rapidamente comecei a estudar bruxaria com um professor local bas- lunte conhecido. Minha mãe e minha melhor amiga estavam comigo, em parle por interesse próprio e também por sentirem receio de que eu pudesse eslar fazendo parte de algum tipo de culto. A experiência mudou minha vida. O aspecto mais importante do curso era a habilitação dos poderes. Apicndcmos técnicas básicas de meditação que nos possibilitaram iniciar nossos poderes intuitivos e psíquicos. Quando estávamos terminando, já Unhamos realizado vários exercícios diferentes com uma grande quantidade de confirmações no mundo real. Meu lado cético adorava aquilo porque Indo parecia ser um experimento científico. Em pouco tempo, aprendi a lazer coisas que acreditava serem verdadeiramente impossíveis. Eu estava agora realizando o impossível! Essa tradição de habilitação de poderes lessallava a élica da bruxaria com relação à responsabilidade pessoal. Eu pude de falo compreender que era responsável por minha própria vida e por minha própria felicidade. Antes daquelas aulas, tinha acessos de de- piessao e de raiva, mas sempre achava que aquilo era culpa de alguém, e uno minha. Ao passar por esse processo, aprendi como podia criar minha piopiiu realidade e que era melhor começar a aceitar a responsabilidade por meus aios e seiilimenlos, porque ninguém mais o faria por mim. Os podeies e a responsabilidade sáo o coração e a verdadeira lição da magia.

Nos anos seguintes, terminei a faculdade e pude dar sequência à minha música, trabalhando como músico e empresário. Coloquei minha em ordem e passei a aceitar a mim mesmo e meu próprio poder pessoal. Estudei bruxaria e outros assuntos relacionados, como, por exemplo, o xa- manismo, o tarô, os processos de cura e as runas, para aprofundar minha educação. Entretanto, minha prática de bruxaria era um assunto muito par- ticular e pessoal. Aos poucos fui ficando mais à vontade e consegui “sair do armário da vassoura”, como muitos bruxos* costumam dizer.

Alguns amigos perceberam minha transformação e passaram a mostrar interesse pela bruxaria. Meu pequeno coven (grupo de reunião de bruxas) os convidou para participar de alguns rituais e celebrações. Esses amigos, agora interessados em todos os aspectos, me pediam para fazer alguns feitiços para eles, mas eu recusava. Preferia fazer um feitiço com eles e ensiná-los do que simplesmente deixar que dependessem de mim. Pediam-me para aprender algumas meditações e trabalhos de cura. Depois de algum tempo, esses meus amigos me pediram para montar uma turma para dar aulas de forma mais oficial. Concordei, e isso me forçou a redescobrir os aspectos mais importantes da bruxaria.

Essa oportunidade de mudança de Vida foi minha descoberta de poder pessoal e responsabilidade. Tudo era questão de encontrar o sagrado dentro de mim mesmo, meu centro, meu interior pacífico. Nós todos temos um espaço

sagrado dentro de nós, que é uma parte de nosso ser. Esse espaço sagrado é um templo, que nos conduz até o nosso poder interior, nossa intuição e nossa relação com o divino. A descoberta de poderes psíquicos, encantos, feitiços e a meditação são coisas que nos levam até esse templo. Esses fatores nos ajudam a encontrar o caminho dentro de nós e nos faz caminhar até o templo interior.

Para mim, a bruxaria é a moradia do espaço sagrado, dentro de mim, em minha vida e em todos os demais aspectos de minha existência. Decidi fazer dela o centro de minhas aulas. Queria ajudar outras pessoas a encontrar seu próprio espaço sagrado, seu próprio templo interior. As informações e exercícios seriam a forma de ajudá-los a viver essa experiência. Devo muitos agradecimentos a todos os meus professores por me fornecerem as ferramentas necessárias para realizar este trabalho. Também sou muito grato por aqueles primeiros amigos e alunos que me colocaram neste caminho.

O grupo apresentava bons resultados e, como dizia o velho comercial de telefones, “líles indicaram para dois amigos, que indicaram para outros dois ”

Comecei a receber telefonemas de pessoas

estranhas pedindo me para assistir ás aulas. A essa altura de minha vida, eu ainda trabalhava na industria da música e nao tinha muito tempo para me dedicar ao ensino da bruxaria. Por mais estranho que possa parecer para os que não estão familiarizados com as jornadas espirituais, tive uma experiência

amigos, e assim por diante

visionária. Durante a meditação, minha patrona, a deusa Celta do corvo, Macha, veio até mim e disse que eu devia ensinar mais. Depois de alguma discussão, finalmente prometi que iria ensinar se ela fosse capa/. de me arrumar mais tempo.

Aquela tinha sido uma promessa fácil de fazer, porque eu sabia que meu horário estava cheio. Algumas semanas depois, esquecendo-me com- pletamente da promessa, minha situação no trabalho começou a deteriorar- se e fui demitido. Enquanto meditava em busca de orientações, o único conselho que recebia era: “Agora você pode ensinar”.

Consegui dar início às minhas aulas depois de bater em inúmeras porias de escritórios que não se abriam para mim. Não conseguia achar um emprego para atender a chamadas de telefone, mas quando comecei a distribuir um folheto oferecendo aulas de bruxaria, meu telefone começou a locar sem parar. Evidentemente, as pessoas precisavam encontrar seu templo interior.

Melhorei o material de meu curso Bruxaria Um: Construindo o Temido Interior, e mais tarde desenvolvi outros quatro cursos adicionais. Cada um deles está baseado em um dos cinco elementos: fogo, terra, água, ar e espírito. A primeira etapa baseia-se no elemento do fogo, porque o fogo é capa/, de ajudá-lo a sentir o seu próprio poder pessoal. O fogo é a luz da direção, da purificação e da proteção. As experiências e exercícios do curso são a base deste livro.

Depois de lecionar em período integral por alguns anos, descobri que muitas pessoas realmente querem estudar bruxaria, mas têm dificuldade cm construir seu alicerce. Essas pessoas querem ir direto para feitiços rela- cionados ao amor e ao dinheiro e acabam alcançando algum sucesso en- quanto seguem um encanto que aprenderam decorando os passos de um livro, em vez de tentar compreender o porquê de alcançarem o que desejam. Querem ir diretamente às necessidades pessoais da tradição antes de formarem o princípio fundamental tanto para a compreensão intelectual como para a experiência espiritual. Qualquer um é capaz de fazer um encanto, mas nem todos são capazes de experimentar um acontecimento que pode mudar suas vidas. O Templo Interior da Bruxaria traz esse fundamento.

Este curso é diferente de centenas de trabalhos tradicionais sobre bru- xaria. Não me prenderei a rituais, construção de altares, formação de círculos o como celebrar a Roda do Ano. Essas são as ferramentas da sacerdotisa c do sacerdote. Descobri que os alunos que ainda não experimentaram a energia e as habilidades psíquicas, as pedras fundamentais da magia, têm uma experiência não tão profunda com o ritual. Eles não entendem que mecânicas sutis se relacionam com as melhores oportunidades. Símbolos e cerimónias não compreendidos c vividos de forma pessoal correm o risco de se tomarem um dogma em vez de uma expressão espiritual. Quando os alunos mergulham diretamente no trabalho de feitiços tradicionais, não compreendem suas habilidades inerentes e não conseguem obter uma perspectiva da longa história da bruxaria.

Este livro começa abordando algumas definições básicas da bruxaria, e em seguida leva você a uma jornada que vai da história antiga até as tradições mais modernas do assunto, ajudando o leitor a encontrar o caminho que lhe é mais apropriado. O resto do livro está dividido em treze lições, com exercícios práticos e tarefas de casa para um curso que deve durar um ano e um dia. Os assuntos abordados incluem meditação, mágicka instantânea, filosofia antiga, ciência moderna, proteção, luz, anatomia da energia, viagem astral, guias espirituais e cura, que levarão você a um ritual de auto-iniciação. Alguns dos exercícios pedem que você procure um parceiro, portanto esteja sempre buscando um amigo que possa ajudá-lo com esses estudos. Ter um parceiro fará com que você permaneça centrado, e também é bastante divertido ter um colega com quem compartilhar suas experiências.

Assim que você criar esse fundamento de luz e orientação, as ferra- mentas da sacerdotisa e do sacerdote podem ser adquiridas com uma apre- ciação e compreensão mais profunda. O segundo livro da série, The Outer Temple ofWitchcraft (O Templo Exterior da Bruxaria), será um curso detalhado para esse nível de estudo.

Descobri que as pessoas que fazem este curso geralmente se classifi- cam em três categorias, e todas as três são bem-vindas. Às vezes é melhor saber quais são suas reais motivações. O primeiro grupo é formado pelos que estão de fato interessados na bruxaria e em outras tradições neopagãs e buscam uma experiência ou um treinamento para ajudá-los nesse sentido.

No segundo estão aqueles que vêm com uma mente aberta e mais tarde descobrem que o material verdadeiramente ressoa com eles. Eu me encaixava nessa categoria. Não queria me tornar um bruxo até que percebi que já era uma. Tudo o que eu precisava era aceitar o título. O último grupo compõem-se de pessoas interessadas em construir um fundamento espiritual, uma prática meditativa ou psíquica, mas não continuam na busca pela bruxaria. Algumas pessoas até mesmo fomentam um estigma associado com a palavra “bruxa” e me perguntam por que dou o nome às minhas aulas de “bruxaria” em vez de “Nova Era” ou “desenvolvimento psíquico". Muitas tradições da Nova Era vêm da história da bruxa e do curandeiro, e essa informação é o fundamento da bruxaria.

Membros do último grupo às vezes prosseguem seus estudos tornando se curandeiros, psíquicos, médiuns, praticantes do xamanismo e magickos. Alguns nao seguem nenhuma tradição específica, mas se utilizam das pedras fundamentais do templo interior e constroem sua própria morada. Na realidade, é isso o que todos nós fazemos com esse material. Venho de uma tradição bastante eclética e encorajo outras pessoas a seguir seus corações e usar aquilo com o que se identificam. Aprenda a conhecei o BÁSICO, mas use aquilo que conversasa com você, Alguns decidem não fazer uso da palavra bruxa ou bruxo porque não mantêm uma ligação com seu sentido. Tudo bem. Acredito que os ensinamentos da bruxaria têm algo a oferecer a todos nós, façamos ou não uso da palavra, enquanto entramos na “Nova Era”. Muitas pessoas como eu sentem que é importante trazer a palavra bruxa para o século XXI sem o estigma que ela carrega. As bruxas modernas devem dar o exemplo de mostrar às pessoas que nossas tradições sao de amor, cura e práticas espirituais.

Gostaria de agradecer a muitas pessoas sem as quais este livro não leria sido possível. Particularmente gostaria de agradecer a meus primeiros alunos, que me convenceram a ensinar após a incitação da Deusa, que me provocaram com suas perguntas e desafios, pedindo que eu melhorasse o material, e que me permitiram usar suas histórias como exemplos em meu trabalho. Agradeço a meus primeiros professores de bruxaria por abrirem esse mundo para mim, e agradeço a Laurie Cabot por suas aulas baseadas na tradição científica da bruxaria e sua exigência de que toda magia deve começar com a auto-estima e com o amor próprio. Sem isso, minha vida não teria mudado tão completamente. Agradeço a meus amigos, minha família e meu coven por seu apoio. Agradeço a Ginella, Scott, Amanda, I ,ena e Patti. Agradeço a Nicole por suas orientações e sugestões, e agradeço aos muitos autores, professores e curandeiros que têm construído o fundamento da bruxaria e do misticismo modernos.

Que todos sejam abençoados, Christopher Penczak

Pergunte a uma Bruxa

O que é uma bruxa? O que é bruxaria? Essas duas perguntas não têm respostas fáceis. A palavra bruxa é muito emocionalmente carregada e tem causado imagens conflitantes há séculos. É difícil entender qual imagem, se é que existe alguma, é a correta. Para a maior parte do mundo ocidental, a palavra bruxa invoca o vilão ou vilã de muitos contos de fadas. Nós assistimos à velha e feia bruxa oferecendo a maçã envenenada, preparando poções prejudiciais, comendo criancinhas e lançando maldições. Na festa do Halloween (Dia das Bruxas), lojas vendem decorações com bruxas, mulheres velhas e feias com rostos esverdeados e chapéus pontudos, que voam em cabos de vassouras. Embora esses sejam retratos familiares, não são os primeiros. Devido ao medo da humanidade quanto a isso que é algo diferente e misterioso, a bruxa foi destinada a fazer parte das histórias de crianças para fazer parte das histórias populares sobre bruxaria ser algo impotente advindo do reino do faz-de-conta. Se somente as crianças acreditassem nas bruxas, o poder delas não mais seria uma realidade, mas apenas uma fantasia. Infelizmen- te, tentar tomar a bruxaria uma ficção não foi a única maneira que a humanidade usou para lidar com seu medo.

Se você voltar algumas centenas de anos, poderá ver a palavra bruxa por toda parte nos registros de um dos maiores holocaustos da Europa, os julgamentos das bruxas. Homens e mulheres eram perseguidos e mortos por serem diferentes. Alguns chamam isso de Tempo das Fogueiras, porque muitos foram sentenciados à morte pelo fogo, sendo queimados vivos em estacas. Tipicamente, livros de História tratam superficialmente desse pequeno detalhe particular, mas tudo isso é uma parte de nós, tão relevante a nossas culturas modernas quanto as guerras de conquista.

No topo da lista das vítimas estavam aqueles acusados de praticarem a bruxaria. Os poderes dirigentes da época tinham suas próprias idéias sobre a bruxaria, disseminando histórias de missas negras, sacrifícios e contratos de sangue para vender almas ao demónio. Essas histórias são as raízes dos contos de fadas pata crianças. A vasta maioria dos condenados não estava praticando a “verdadeira” bruxaria. Alguns traziam os ensinamentos das mulheres sábias e dos homens astutos das tribos, um conhecimento de ervas com qualidades medicinais, remédios, trabalhos de parteiras e simples encantos. Nós chamamos tais habilidades de “antigos contos de esposas”, mas perduraram porque existe verdade neles. Não sabemos quantos acusados e condenados estavam realmente praticando o que é hoje chamado de “Velha Religião”, o caminho das bruxas. Se você voltar no tempo ainda mais, chegando a culturas cujas histórias não eram frequentemente colocadas no papel, encontrará um tipo diferente de bruxa. Essa bruxa não ficava escondida na escuridão do medo e dos contos de fadas, mas na escuridão e na luz da Deusa. Era reverenciada como uma pessoa que curava, ensinava e era uma líder cheia de sabedoria. A imagem da bruxa inspirou a mesma reverência que um sacerdote ou um ministro causa atualmente na cultura moderna, porque os ancestrais da bruxaria moderna eram as sacerdotisas e os sacerdotes, os videntes e os conselheiros, que tinham uma vida espiritual harmonizando-se com as forças da natureza, as marés das estações e os ciclos da Lua. Eles mantinham uma semelhança de personalidade com as plantas e os animais e, em sua essência, com toda a vida. Seus ensinamentos e histórias foram mantidos na tradição oral, carregando os mitos e a magia da cultura. As bruxas modernas se concentram nessa raiz particular na árvore da bruxaria. Aqueles que se afirmam no nome e no título de bruxas estão verdadeiramente conquistando e construindo seu lugar baseados na imagem da bruxa daqueles dias de antigamente: Se você de fato quer saber o que as palavras bruxa e bruxaria significam, conforme caminhamos para o século seguinte, olhe para o movimento crescente de bruxos modernos. Se você perguntar a um bruxo o que ele ou ela entende da palavra, irá receber tantas definições quantas bruxas e bruxos existem neste mundo. E, sim, bruxas podem ser tanto homens como mulheres. Eu sou um homememe identifico como um bruxo. Bruxos não são chamados de feiticeiros. A palavra feiticeiro pode ser traçada das raízes do escocês, do inglês arcaico, do alemão e de línguas européias, e é hoje referida como “enganador” ou “violador de juramentos” para aqueles envolvidos com a bruxaria. Tal título foi provavelmente associado com a bruxaria por aqueles que queriam difamar a prática.

Ditando iniciei minha jornada por esse mundo maravilhoso, fui ensinado que a raiz da palavra wic, ou wicca, significa “sábio”, porque as bruxas eram as possuidoras da sabedoria, evoluindo para as imagens de mulheres sábias e homens hábeis. Uma outra definição era a de “curvar-se e dar forma", que significava que aqueles que praticavam a bruxaria podiam curvar e dar forma ás forças naturais para transformar em realidade seus desejos por meio da magia. A palavra bruxa é na verdade considerada como sendo de origem anglo saxã, e algumas pessoas acreditam que somente aqueles que praticam as tradições européias, ou mais especifica mente as Itadições celtas, saxtls ou alemãs, tem o direito de usar o titulo de bruxos e bruxas. A entomologia da palavra pode possivelmente ser traçada ao sânscrito e às primeiras línguas

européias, embora essa possa ser uma entomologia popular usada por muitas bruxas e bruxos modernos. A palavra do inglês da Idade Média wicche é derivada do inglês arcaico wiccan, que significa “praticar a bruxaria”. Bruxos e bruxas eram distinguidos pelas das palavras wicca e wicce, respectivamente. No alemão do início da Idade Média, wicken significa, “enfeitiçar ou predizer o futuro”. No alemão arcaico, a palavra é traçada chegando a wih, que significa “sagrado”. Do alemão arcaico ao normandio arcaico, temos a palavra ve, que significa “templo”. Note uma troca interessante do som da letra Wpara o som do V, mas note o formato semelhante das letras. A letra W (dois Us) na verdade se parece mais com dois Vs em nosso alfabeto. No francês, a letra é chamada de doublevay (duplo V). Quanto mais longe você vai no tempo, mais distante você fica da bruxa estereotipada e chega a uma palavra de significado sagrado e cheio de espiritualidade. Agora sim está chegando a conhecer o verdadeiro significado de bruxa.

No inglês moderno, witch (bruxa) é usado para se referir tanto aos homens como às mulheres. Wicca se refere ao renascimento moderno da bruxaria. Depois dos julgamentos e das perseguições às bruxas, o que per- maneceu do ensinamento foi enterrado. Outros ensinamentos foram perdidos para sempre, mas as práticas foram revividas e as tradições sobreviventes vieram à tona no século XX. Em várias tradições modernas, a bruxaria se refere à prática e à arte dos feitiços, como os encantos, enquanto a religião é conhecida como Wicca. Embora você possa fazer uma forte distinção entre as definições de bruxa e Wiccan, ou Bruxaria e Wicca, a maioria dos praticantes aceita ambas as palavras e identidades. Se você não sabe ao certo como chamar alguém, pergunte a eles e veja como eles se referem a si mesmos.

A Ciência

Uma das primeiras definições que aprendi de meus primeiros profes- sores, treinado a partir da tradição Cabot, foi: “A bruxaria é uma arte, uma ciência c uma religião”. Uma bruxa é alguém que “vive a arte, a ciência e a religião da bruxaria”. Você pode achar essa definição estranha, como eu lambem achei, porque ela retine algumas idéias conflitantes e parecidas, lissa definição me surpreendeu, porque me considerava um homem das ciências. Eslava estudando química e provavelmente teria seguido esse caminho se minha experiência com a magia não livesse me inspirado a seguir meu lado mais criativo. Naquela época, eu era mais um lipo de homem que exigia explicação para tudo, não dando erédilo a ninguém que não fosse capa/, de provar suas declarações. E foi em minha amiga bruxa que pude encontrar respostas. Ela me explicou as teorias por trás dos feitiços e dos poderes psíquicos. Eu não tinha certeza se concordava com ela, mas sem dúvida aquilo tudo me intrigava o suficiente para que eu não considerasse aquelas teorias apenas “tendências da Nova Era”. Foi então que minha amiga me apresentou a uma das mais avançadas idéias científicas que aprendi naquela época, a física

quântica. Eu não entendia como a física e a bruxaria podiam estar relacionadas até que ela me mostrou equivalências en- Ire as filosofias antiga e moderna, ciência de ponta. A partir de seu ponto de vista, ela estava esperando que a ciência moderna pudesse alcançar as verdades da ciência antiga. Quanto mais aprendo, mais me sinto inclinado a concordar. Por tempo demais ignorei os demais aspectos da definição de bruxaria, isto é, a arte e a religião. Concentrei- me na ciência da bruxaria. Via a bruxaria como um experimento. O experimento trouxe resultados maravilhosos, mas eu resistia com relação aos outros significados da tradição. ('oiitudo, eles me levaram a explorar meu interior e minha espiritualidade.

A arte

A bruxaria é uma arte. É um sistema baseado nos ciclos da vida. A vida é mudança, algo simples e óbvio. A mudança nos encoraja a enfrentarmos novas expressões dos mesmos padrões e energias. A mudança nos encoraja a termos mais criatividade. Embora duas bruxas possam dizer cxalamente as mesmas palavras de um feitiço, cada uma delas realiza seu encanto de forma diferente, cada uma traz sua própria nuança pessoal, suas próprias intenções e inflexões. Com muito mais freqüência do que se imagina, as bruxas provavelmente escrevem seus próprios feitiços, criando uma tradição pessoal. Cada bruxa trabalha com os mesmos princípios baseados na ciência da bruxaria, mas elas se expressam de maneira bastante diferente, fazendo com que o trabalho evolua para uma forma de arte muito mais bonita. A poesia das magias pode causar lágrimas e é capaz de evocar nossas mais profundas emoções. Canções, cânticos, tambores, instrumentos, poesia e drama são usados nos rituais. Seja qual for a expressão do criatividade, ninguém pode duvidar de que a bruxaria é uma forma de arte depois que vive essa experiência.

A Espiritualidade

Por último, em nossa definição de três vértices, a bruxaria é uma religião. Na verdade, ela é chamada de a Antiga Religião porque muitas pessoas traçam as raízes de suas tradições voltando ao passado até chegarem aos amigos cultos da deusa Mãe Terra da era Paleolítica. Desde que comecei a ensinar bruxaria, senti necessidade de mudar a definição em si para “ciência, arte e espiritualidade”. A palavra religião pode evocar sentimentos de desconforto naqueles que buscam a bruxaria como uma alternativa para as religiões mais dogmáticas. A espiritualidade, para mim, traz uma conotação mais suave para o significado original de religião. Quando eu digo que a bruxaria é uma espiritualidade, estou querendo dizer que é um caminho espiritual. Você caminha por ele em busca de alimento para a alma, com o

intuito de se comunicar com a força da vida do Universo, e com isso se tomar capaz de conhecer melhor sua própria existência. Alguns equívocos cercam aqueles que são novos nesse caminho, por causa da televisão, de filmes e de outras histórias. As pessoas não percebem que a bruxaria é um compromisso diário de auto-renovação nos ciclos da Terra, de entrar em sintonia com os poderes da vida. Esse é um caminho que nos leva à luz. Viver a vida como um bruxo ou bruxa não é uma tarefa fácil de ser encarada.

Certos aspectos espirituais da bruxaria a separam de outras tradições. Em primeiro lugar, a bruxaria é uma prática espiritual baseada na natureza. A divindade em todas as coisas é reconhecida, da terra, da água e do céu, nas plantas, animais e nas pessoas. Todas as coisas materiais são vistas como uma expressão da vida, como coisas divinas. As bruxas estão frequentemente envolvidas em reformas ambientais e em grupos de direitos dos animais por causa dessa crença. As bruxas são politeístas, o que significa que nós adoramos a mais de uma divindade. Reconhecemos o espírito da vida que corre por todas as coisas, mas acreditamos que essa força se expressa por uma diversidade de faces. Gosto de pensar nisso como se estivéssemos olhando para um diamante gigante e brilhantemente lapidado com muitas laterais reluzentes, cada uma delas sendo uma expressão do mesmo diamante.

As bruxas se concentram na divindade na forma de energias femininas e masculinas, deuses e deusas. O foco principal de muitas tradições é a Grande Mãe, a principal deusa da criação que foi incorporada pelo planeta Terra. A Deusa também é vista na Lua, na noite e nos oceanos. Ela é retratada na bruxaria moderna como a Deusa Tripla, que é na verdade três em seus aspectos de Virgem, Mãe e Anciã. Essas faces correspondem às mudanças na Lua e nas estações. A energia da Deusa é ampla, rei ratada como carinhosa, gentil e cheia de vida algumas vezes, enquanto outras vezes aparece com sua face escura, guerreira e vingativa. O seu consorte, o Deus e Pai Nosso, já foi retratado como o céu, o Sol e a vcgelaçáo, ou como o animal soberano. Assim como a Deusa, o aspecto masculino da divindade tem muitas faces. Ele é guerreiro e protetor, rei e juiz. O Deus pode revelar os segredos da magia e da iluminação ou cercar voré com escuridão para forçá-lo a enxergar a si mesmo.

O Deus é geralmente duplo em sua natureza, uns formas do Senhor da Luz e do Senhor da Escuridão, embora algumas de suas imagens não possam ser classificadas nessas categorias. Preside durante o ano couto aquele que concede a vida nos meses férteis e a tira no fim do ano. A partir desses dois seres nascem todas as divindades do mito. Grupos de deusas e deuses de uma cultura particular, chamados de panteões, foram criados. O panteão com o qual mais nos sentimos familiarizados está no oeste da Grécia, ensinado nas aulas de mitologia clássica e encontrado cm muitas diferentes interpretações modernas. Os panteões gregos e romanos não foram os únicos, nem os primeiros. Os antigos egípcios, sumerianos, celtas, nórdicos, africanos e hindus tiveram seus próprios panteões. Cada um deles tinha algum tipo de deusa-mãe e deus-pai. Então, as diferenças sutis se tomavam mais distintas. Cada um deles tinha divindades para presidir reinados diferentes do domínio terrestre. Uma era para os oceanos e um outro para o céu. Deuses e deusas

governavam o Submundo, o reino dos céus, a agricultura, os animais, a cura, a Lua, o Sol, as estrelas, as viagens, a poesia e a vidência.

Em termos psicológicos, nós chamamos essas visões comuns de ar- quétipos. Os arquétipos são imagens originais que podem ser encontradas em diversas culturas diferentes. Elas existem em nossa consciência coletiva. O psicólogo Cari Jung popularizou o termo arquétipo, mas eles já existiam muito antes de sua identificação. Cada cultura tinha nomes individuais para um arquétipo, como era representado por uma deusa e deus 11 i ferentes. Cada cultura tecia histórias e mitos que envolviam esse ser, mas n conceito básico é o mesmo. Para aqueles que trabalham com os arquétipos, eles são seres vivos, com energia consciente e de grande poder. As Imixas modernas entendem o conceito dos arquétipos, mas conhecem esses poderes por meio de experiências pessoais e espirituais. Acredita-se que os arquétipos sejam seres originais advindos de uma natureza quase desconhecida, mas eles se expressam por meio de formas divinas, das descrições e personalidades individuais dos deuses do mito. As formas de deuses agem como uma máscara. O arquétipo original da inac existe sem fronteiras, mas ela se expressa como Gaia na tradição grega. I )anu na tradição celta, ísis para os egípcios e Pachamamapara os incas. A maioria das religiões principais, particularmente as tradições judaico-cristãs, é monoteísta, aceitando somente um deus: o deles. Algumas pessoas sentem que essas tradições centraram-se na vibração masculina do divino e encaram isso como a única fonte de vida. Em nossa analogia do diamante, eles estão olhando para o brilho geral do diamante como um lodo, mas ficam cegos quando tentam analisar as laterais individuais. Ou mino se sentem tão fascinados por aquela única face do diamante, um único deus, que acabam excluindo todo o resto. Os ancestrais espirituais das bruxas modernas estavam em uma posição que parece única para nós hoje. Por cansa de sua natureza politeísta, puderam reconhecer os deuses de uma outra tribo, terra ou cultura como expressões diferentes de seus próprios deuses. Eles puderam enxergar o diamante como um lodo, assim como suas Iniciais individuais. Ouando analisamos o Grande Espirito no centro do diamante, as bruxas nos fazem lembrai que nós também somos laterais do diamante. Como as árvores, os oceanos e os animais, nós somos expressões do divino, da Deusa, do Deus e do Grande Espírito.

O Curandeiro

Uma outra excelente definição de bruxo(a) é “curandeiro(a)”. Nas culturas antigas as pessoas iam até as sacerdotisas e os sacerdotes em busca de cura. Na época, as curas abrangiam muito mais do que nossa atual profissão de médicos. A medicina moderna é maravilhosa de muitas formas, mas nos tempos antigos, as curas eram um processo que envolvia a mente, as emoções e o espírito, além do corpo. Em resumo, as curas eram um processo energético. Estamos agora atingindo um círculo completo com o crescimento em popularidade dos tratamentos holísticos e alternativos. Um curandeiro era alguém que aconselhava, guiava e ministrava o equilíbrio espiritual do indivíduo ou tribo, assim como realizava o ritual, a vidência e a cura com as mãos. Você

irá provavelmente achar muitas bruxas atualmente envolvidas com as artes da cura, tradicionais ou não, pelo fato de que ajudar os outros é uma parte muito importante da prática da bruxaria.

Aque que Caminha

A última definição da palavra bruxa que irei apresentar caminha de mãos dadas com as artes da cura. Também minha identidade preferida. Um bruxo é “aquele que caminha entre os mundos”. Essa foi a primeira idéia que recebi na rica tradição xamânica encontrada dentro dos ensinamentos da bruxaria. Devido ao renascimento do interesse pelas práticas americanas nativas, muitas pessoas associam a palavra shaman (xamã) ao curandeiro de um povo tribal. Isso é verdade. Os xamãs são líderes espirituais, mas isso não é tudo. O termo vem da Sibéria, mas é aplicado às práticas nativas por Iodas as Américas e de forma não tão intensa às práticas no mundo todo. O xamã acredita em reinos não-físicos e espirituais e aprende a enviar sçu espírito para tais reinos. Nesses mundos, é possível reaver informações e energia para cura e comunicar-se com os espíritos. O xamã ministra para seu povo usando essa habilidade, sendo capaz de praticar a cura da mente, do corpo e do espírito. Os bruxos lambem acreditam em reinos não-físicos. Eles acreditam nos aspectos lisicns e em uma diversidade de dimensões espirituais. Os bruxos aliam suas habilidades para atravessar o véu e viajar para essas dimeiísOes, onde eles conversam com as deusas, os deuses e os espíritos. Assim como os xamãs. espera se que eles permaneçam estabelecidos no mundo material com responsabilidades para com seu povo, contudo devem manter um pé sempre preparado para entrar no mundo espiritual. Eles são pontes entre os mundos, buscando trazer seus povos para uma grande parceria com o divino. Os nativos na Sibéria e nas Américas permaneceram mais tribais e mantiveram uma certa quantidade de reverência por esses xamãs, mesmo nos tempos modernos. Como o povo europeu tomou-se menos tribal, eles desenvolveram suas próprias tradições xamânicas, as priíticas da bruxa. Esse medo do poder espiritual, do desconhecido, dos mistérios em uma cultura com um crescente patriarcado, transformou a imagem da bruxa de uma sacerdotisa e curandeira em um monstro da noite.

A Tecelã

Para mim, as palavras bruxa e bruxaria são termos maravilhosamen- le mais abrangentes. Elas evocam um sentido de passado místico da huma- nidade e uma esperança no futuro. Sempre que alguém, como um indivíduo ou uma cultura, buscava compreender o espírito através dos ciclos da vida, honrava o divino como sendo tanto do sexo masculino como do feminino, reconhecia a Terra e o céu, acalmava-se o suficiente para ouvir o doce

sussurro interior e fazia uma parceria ativa com a natureza, e assim praticava a bruxaria. Nem todos concordavam com isso; muitas tradições tribais sequer se denominavam como bruxos e bruxas, mas minha opinião pessoal é de que essas tradições estão praticando a mesma arte, independentemente do nome, lugar ou tempo. Foi somente durante um infeliz período de tempo que as palavras bruxa e bruxaria se tornaram malignas. Sem essa difamação, eu acredito que a palavra bruxa seria traduzida para mais línguas como “cu- rnndeira”, “professora”, “xamã” e “sábia”, em vez de “aquela que traz mal- dições”. As bruxas tecem todos esses fios juntos nas tradições modernas. O aspecto mais importante dessa tradição é a soberania do indivíduo. ('ada praticante é seu próprio sacerdote ou sua própria sacerdotisa. Os pro- fessores, os mais velhos e os curandeiros são respeitados e podem auxiliá- lo nesse caminho, mas principalmente a bruxaria trata de seu próprio rela- cionamento individual e pessoal com o divino. Por meio de tais treinamentos você adquire a habilidade de realizar seus próprios rituais espirituais e de buscar sua orientação. Para meus amigos que ainda se encontram no mundo do Catolicismo, eu explico que nós não somos nossos próprios sacerdotes, mas sim nossos próprios papas. Nós temos a última palavra sobre o que e correio e bom para nós, assim como a responsabilidade de viver com essas decisões. Almocei com uma aluna e amiga que me disse que ela estava “final monte se sentindo bem com a palavra B". Ela foi levada a fazer parte de minhas aulas, lançar feitiços e círculos e basicamente realizar Iodos os ritos de uma bruxa, mas sempre tinha diliculdade com essa palavra. É uma grande curandeira, usando terapia de massagem convencional tanto com o reiki como com o xamanismo. Ministrava leituras psíquicas antes de receber qualquer treinamento na área. Ela não fazia uso da palavra bruxa referi ndo-se a ela mesmo, e isso não me incomodava. Isso não é comum para Iodos nós. Mas parecia muito incomodada com isso, e ela não sabia por quê. Nós especulamos sobre perseguições em vidas passadas por ela ser uma bruxa, mas ela não precisou ir muito além. Chegou à conclusão de que mio queria se sentir limitada pela palavra bruxa. Existem tantas coisas a serem feitas e exploradas que ela não queria se considerar “apenas uma bruxa” quando podia tentar de tudo. Pude entender seus sentimentos, mas nunca pensei em mim como sendo “apenas um bruxo”.

Quase um ano mais tarde, almoçamos novamente e ela me disse que eslava começando a aceitar a palavra bruxa e, na minha opinião, o verdadeiro significado da palavra. Mesmo que possamos aprender todas essas definições, às vezes nossas próprias noções preconcebidas e preconceitos e os da sociedade não permitem que o real significado seja absorvido por nossa psique. De alguma maneira, ela pôde ver o papel da bruxa como algo que podia guiá-la para um desempenho e tradições desejados, sem ter de enfrentar nenhuma mudança ou falta de liberdade. Existe um estereótipo mesmo no mundo pagão de que uma bruxa tem de usar roupas pretas o lempo todo, adorar músicas góticas sombrias e levar tudo muito a sério. Para nosso bem, esse estereótipo está aos poucos deixando de existir, jun- lamcnte com todos

os outros existentes. Para mim, a bruxaria tem proporcionado uma estrutura de

referência que me ajuda a experimentar o mundo cslando sempre aberto a todas as possibilidades. Ela também me ensinou a olhar para tudo de forma prática, a permanecer situado em uma filosofia alumporal enquanto estou aberto às interpretações modernas. A bruxa cclélica toma emprestadas coisas de muitas outras culturas. Essas culturas náo necessariamente têm de ser celtas ou européias para serem parte do trabalho moderno, embora alguns tradicionalistas achem que a bruxaria seja exclusivamcnte celta. Nós viemos de uma tradição repleta de mistérios do passatlo, mas atualmente a bruxaria normalmente encoraja as pessoas a encontrarem o caminho que funciona para o indivíduo. Todos os nossos outros “chapéus” — curandeiros, terapeutas, herbanários, xamãs, mãe, irniíin, sacerdote, sacerdotisa, ambientalista, conselheiro, pesquisa- iloi, cscrilor, psiquiatra e professor se encaixam perfeitamente sob o "chapéu'' ilc bruxa, porque as bruxas são Iodas essas coisas também. Nada c evilado nem proibido. () caminho da bruxa é

verdadeiramenle o caminho do conhecimento c, mais importante, da sabedoria. Ele muda c se adapta ao mesmo lempo que novas informações sao descobertas. A bruxaria é uma religião viva. Como você pode ver, a bruxa tem muitas faces e usa muitos chapéus, tanto as mulheres como os homens, idosos e jovens. A bruxa é ainda um símbolo de escuridão e medo para muitos, mas é na realidade uma poltrona de

sabedoria e magia. Cada praticante, por sua vez, tem um significado pessoal. Se tudo isso for novidade para você e você sentir o chamado da arte, da ciência e da espiritualidade da Deusa e do Deus, será chamado para responder

a estas perguntas: O que é a bruxaria? O que é uma bruxa? E, mais

importante, o que significa tornar-se uma bruxa? Se você quiser estudar esses

fundamentos do templo interior, já está caminhando pela estrada das bruxas, portanto pergunte a si mesmo como você definiria a palavra bruxa.

Buscando as Raízes

A história é escrita pelos vencedores. Sempre que culturas colidem, a força dominante é que fica para registrar os acontecimentos do passado para as futuras gerações. Aqueles que são derrotados deixam para trás arte- latos físicos e até mesmo contos populares e mitos, mas suas formas de vida são perdidas na marcha do tempo. Sempre que você estiver vasculhando pelas raízes da história, esteja ciente desse fato. Embora os acontecimentos reais sejam objetivos, um ponto de vista desses eventos é subje- livo, dependendo de suas crenças prévias. Se você ler a respeito da Revolução Americana, escrita por um americano, o texto estará fundamentado a favor dos heróis americanos, com os ingleses como os vilões. Se você ler sobre os mesmos acontecimentos escritos por um autor inglês, os fatos objetivos, as datas e os locais seriam os mesmos, mas o tom seria bastante di ferente. O mesmo pode ser dito da maioria dos conflitos na História e das mais sutis revoluções culturais que não estão muito bem documentadas. Toda cultura tem seu

próprio ponto de vista. Até mesmo quando um escri- lor está ciente de tal fato, pode ser difícil separar esse elemento-chave da identidade pessoal. Quando estamos buscando as raízes da bruxaria, devemos ter sempre

cm mente que os praticantes da arte raramente foram os vitoriosos nos últimos

dois mil anos, e por essa razão nossa história comum fica distorcida. A maior parte do ponto de vista foi perdida. Como historiadores, antro- pnlogistas, estudiosos, professores e alunos, nós podemos recuperar e reconstruir, mas jamais saberemos a verdade. Os fatos da bruxaria e das tradições espirituais antigas estão cobertos

dc mistérios c mal-entendidos porque foram quase totalmente derrotados pelas

foiças conquistadoras da Europa. Todos os que escrevem a história lem uma tendência. Pesquisadores tradicionais não querem desafiar aquilo que eles

“conhecem" como fato c dispensar quaisquer teorias que provem o contrário.

Os que se sentirem provocados pelo prospeelo das religiões antigas podem

deixar seu entusiasmo ofuscar suas habilidades nem tanto analíticas. As pessoas envolvidas com as religiões pagãs modernas também têm uma tendência forte. Os praticantes e professores como eu têm interesses em jogo quanto a mostrar os aspectos benéficos da bruxaria através da história, enquanto tentamos causar descrédito nos conceitos errôneos que cercam a bruxaria. Por muitos anos, quis saber exatamente o que tinha acontecido. Queria obter informações sobre os rituais e práticas antigos. Precisava saber exatamente de onde minhas raízes de bruxa vinham, e como meus ancestrais espirituais praticavam a bruxaria. E foi assim que me desapontei. Não existe

uma história definitiva aceita por todos. Ninguém era capaz de me falar sobre

os

rituais e histórias antigas sem mudar alguns detalhes. Eu hoje aceito a diversidade de opiniões, visões pesquisadas, mas náo

me

sinto mais preso à idéia de que uma história possa ser mais correta do que

qualquer outra. Os fatos literais de nossa história podem talvez jamais ser conhecidos além de uma sombra de dúvida, e não é preciso que isso aconteça. Nossa história sofreu muitas mudanças nas últimas centenas de anos, mas tais novas revelações não mudam a forma com que pratico a bruxaria hoje. Minha prática muda ao passo que cresço e evoluo. Estou sempre aberto para revelações pessoais, além de informações históricas. Meu fundamento é baseado naqueles que existiram antes de mim, e esse fundamento é tão sólido quanto precisa ser. Muitos dos livros e histórias mais antigos, usados como fundamentos pelos Wiccans, de alguma forma perderam seu crédito com a análise de alguns estudiosos, mas isso não significa que a sabedoria da cultura de onde eles tiveram sua origem mereça descrédito. Isso apenas quer dizer que nós ainda estamos buscando as verdades. Encare tais trabalhos como histórias poéticas, e não trabalhos literários, e sinta-se inspirado pelas palavras daqueles que existiram antes de você. Para as bruxas modernas, a história da bruxaria é contada de forma i uai, como a história da jornada de um povo através do tempo. Nossa história é uma história cheia de vida. Nós fazemos parte dela. Nós estamos neste momento escrevendo nosso próprio capítulo. Nossos filhos irão dar continuidade a essa história, e com esperança ela jamais será enterrada de forma que seja mais uma vez perdida no tempo.

A Idade da Pedra

Para mim, as raízes da grande árvore da bruxaria se estendem bem a limdo para denlro da história, chegando até nossos mais antigos ancestrais. Na eia paleolítica, a antiga Idade da Pedra, as sociedades humanas eram loimadas por caçadores, nômades que continuamente buscavam sua fonte de alimento. A maioria dos povos modernos vê os tempos paleolíticos como a idade dos bárbaros homens das cavernas, porém essas tribos eram prova vehneule mais sofisticadas do que o crédilo que lhes concedemos Nessas sociedades, os homens gerulmenlc caçavam para obter seus alimentos, enquanto as mulheres ficavam em suas tribos, cuidando da família. As mulheres eram logicamente consideradas o sangue da vida das tribos e eram elas que nutriam seus filhos, visto que davam à luz. Os homens eram mais “resistentes” em termos de sobrevivência, já que um único homem era capaz de engravidar muitas mulheres. Estudiosos especulam que o papel do homem na gravidez não era compreendido nos tempos da Idade da Pedra. Naquela vida dura, as crianças eram vitais para a continuidade da Iribo. Isso fez aumentar a crença de que muitas dessas sociedades eram matriarcais, o que significa que elas eram conduzidas pelas mulheres. Essas sociedades eram mais guiadas pelo lado direito do cérebro e estavam centradas nas figuras, nos sentimentos e em seu instinto.

Religiosamente, as pinturas nas cavernas e outros artefatos indicam um

nível de crença espiritual. Nós acreditamos que esses povos antigos viam o divino na natureza, animados pelos espíritos da natureza ou pelos deuses. A Terra era a mãe da vida, aquela que presenteava a todos com a vegetação necessária para a sobrevivência das pessoas. Os povos da Idade da Pedra eram politeístas e acreditavam em mais de um deus. Outros espíritos possivelmente davam vida ao céu, às tempestades, às montanhas, aos rios c

ao fogo.

Alguns membros das tribos perceberam que tinham habilidades que os diferenciavam de seus irmãos, e alguns desenvolviam essas habilidades para o além. Mulheres e homens que eram velhos demais ou que estavam feridos demais para as caças levavam uma vida que permitia que tivessem a oportunidade de expandir sua técnicas. Note que nossos arquétipos so-

breviventes desses povos são as mulheres e os homens sábios, e frequente-

mente tais pessoas cheias de sabedoria são chamadas de curandeiros feridos,

e seus ferimentos ajudavam a compreender a natureza da cura. Esses

indivíduos desenvolviam sua afinidade natural com os espíritos, desenvolvendo

seus talentos psíquicos, conhecimentos de ervas e outras habilidades voltadas para a cura, e tornavam-se os sábios da tribo. Eles se tornavam os líderes religiosos, solicitando os elementos e liderando caçadores em busca das ervas de que necessitavam. Realizavam cerimônias e celebrações. Eram aqueles

que faziam as magias. Essas pessoas não necessariamente usavam a palavra bruxa ou bruxaria, mas, em sua essência, essa era sua prática. Eles eram consanguíneos dos xamãs americanos nativos, mas uno lemos um nome apropriado para os antigos xamãs europeus, africanos ou seus irmãos no Oriente Médio. Para mim, eram bruxos em todos os senlidos da palavra. Sempre que alguém honrava lauto os aspectos divinos da Mãe como os do Pai, reverenciava a natureza e dava forma às forças do mundo para a cura e para a mudança, estava praticando

a bruxaria. Nenhuma cultura possui os dogmas e princípios da

bruxaria. Eles são universais. Como as mulheres eram muito críticas quanto ao desenvolvimento da bruxaria, a Deusa representava um apel de pivô nesse desenvolvimento , antigamente e hoje também. Os trabalhos da arte e da religião mais antigos da humanidade estão baseados nas figuras da Deusa, imagens que ho je nós acreditamos representar a Grande Mãe. Nos antigos mitos da criarão, a Mãe era geralmente a fonte original da criação, da autofertilização e dc uma única direção que manifestava a realidade a partir do vazio. Imagens semelhantes são encontradas por todo o mundo, com desenhos que mostram Ela que tem Milhares de Nomes, a mãe da bruxaria.

A Era da Mudança

Estudiosos orientados pela força da Deusa suspeitam que essa cultura tenha predominado até o surgimento das religiões patriarcais, próximas aos tempos de Abraão, o primeiro profeta de Javé. Desse ponto em diante, o pêndulo balançou na direção contrária, e as culturas da deusa na Europa, África e no Oriente Médio aos poucos perdeu sua base de sustentação em nosso mundo, chegando ao ponto de que atualmente até duvidamos de sua existência, visto que parece muito diferente de nossos conceitos “normais” de religião e realidade. Hoje vivemos no ápice de uma nova mudança, com a possibilidade de atingirmos um equilíbrio entre as duas eras e a síntese dos melhores aspectos das duas, alcançando um estado de harmonia. Aleister Crowley, mago e estudioso moderno, dividiu as eras em três categorias, baseado no mito egípcio. A era atual é a Era de Osíris, marcada por deuses sacrificiais como Osíris, Dionísio e até mesmo Jesus. A era anterior foi a Era de ísis, quando as culturas das deusas dominavam. Nós earinhosamente chamamos essa época de “o berço da civilização”. Estamos entrando na grande era seguinte, a Era de Hórus, filho de ísis e Osíris, jovem deus que possuía os poderes tanto da mãe como do pai. Embora não concorde com tudo que Crowley disse ou fez, acredito que essa metáfora é realmente válida. A Era

de Aquário, ou Nova Era, é um outro nome para essa mudança atual.

Conforme prosseguimos pela era intermediária, ou mesolítica, da Idade da

pedra, e a era nova, ou neolítica, que aconteceu em diferentes pontos e

diferentes locais por todo o mundo, os padrões do tempo mudaram e o alimento se tornou mais disponível. As tribos nômades puderam se assentar e aprender as artes da agricultura. Ferramentas de pedra rudimentares tornaram- se mais sofisticadas. Artes com barro e outras se expandiram. Os assentamentos agrícolas continuaram a crescer, e aquilo que as pessoas chamam de “civilização” se desenvolveu. As terras antigas do Egito, Suméria e Grécia tornaram-se pontos de referência para a nova revolução agrícola. Os assentamentos americanos e asiáticos desenvolveram se tornando-se as cidades antigas e as culturas mais sofisticadas. Monumentos foram erguidos e, com o advento da escrita, as histórias passaram a ser registradas.

Conforme grupos maiores de pessoas se reuniam, o número de curandeiros e magos em cada uma das comunidades crescia. Praticantes solitários e em pequenos grupos se organizavam em ordens de sacerdotes e sacerdotisas. Experiências pessoais e a sabedoria das tribos evoluíram, nascendo assim mitologias culturais. Tais sábios continuavam a aconselhar e a curar, com freqüência trabalhando para os governantes e para os impérios emergentes. Como a religião representava uma parte importante no mundo secular, essas irmandades de homens e mulheres possuíam uma grande relevância na sociedade. As ordens desenvolveram religiões sofisticadas e sistemas de magia, estabelecendo escolas de mistérios para educar e iniciai- aquele que buscava respostas. Eles continuaram a agir como intermediários, mas espiritualmente ainda prosseguiam dando à sua arte bastante brilho e discernimento. A adoração das divindades era um acontecimento diário, conduzido tanto por sacerdotes como por pessoas da população em geral.

As semelhanças entre deuses, rituais e ensinamentos de uma cultura para outra são hoje evidentes a partir de nossa perspectiva do século XXI, inspirando alguns a enxergar uma cultura de raiz central que influencia Iodas as demais, possivelmente os mitos anedóticos antigos de Atlantis ou I .eimíria, mas nenhuma evidência definitiva existe para essa relação. Mui- lo possivelmente cada uma dessas sociedades estava se abrindo para as energias arquetípicas fundamentais da época, e cada uma delas as expressava de uma forma um tanto diferente. A partir dessa era chegamos aos panteões familiares da mitologia clássica. As formas dos deuses do Oriente Médio migraram para os panteões da (Irécia e mais tarde para Roma. No início daquele período havia uma forte reverência às deusas, voltando-se para as tribos antigas paleolíticas. Enquanto as condições de vida melhoravam, o pêndulo das tendências sociais começou a balançar em direção a um patriarcado, como nos é evidenciado pela mudança em muitos mitos. Poderosos mitos de deusas foram conlados novamente com algumas novas modificações, geralmente diminuindo o poder de muitas das deusas. Em seu livro When God Was a Woman, Mcrlim Stone nos apresenta um excelente, embora bastante controverso, trabalho, que traça essa transformação da divindade.

A Europa Pagã

Enquanto essas civilizações antigas estavam florescendo, as tribos menos estruturadas da Europa, ao norte do Mar Mediterrâneo, estavam desenvolvendo seus próprios costumes e magias que não eram menos poderosos, porém nem tanto formalizados e documentados quanto os outros. Os povos celtas estavam migrando para o Ocidente, por toda a Europa, e eventualmente entraram em contato com os gregos e os romanos.

Os celtas antigos eram bastante complexos e culturalmente diferentes das culturas “civilizadas” da época. Estudiosos acreditam que eles tenham vindo de uma raiz indo-européia misturada com a cultura hindu. Uma parte se mudou para o Ocidente espalhando-se pela Europa, e uma outra parte migrou pará o Oriente para povoar a índia. Pontos comuns de linguagem, mito e arte sustentam essa teoria. Veja o trabalho com laços dos celtas e a arte indiana com padrões geométricos. A versão dos celtas é mais branda e circular, mas elas são bastante parecidas. As histórias celtas da deusa das trevas na figura de Caillech sobrevivem até hoje, mostrando uma semelhança fonética e de ressonância mágicka com o deus hindu das trevas, Kali. Os celtas eram guerreiros, mas tinham um código peculiar de ética, comparado à sociedade greco-romana. Eles não guerreavam para obter recursos ou subjugar as pessoas, assim como um sinal de bravura, e estavam tão propensos a lutar entre si quanto contra “forasteiros”. Eles não forçavam a aceitação de sua ideologia e quase freqüentemente incorporavam muito do mito, da cultura e da sabedoria das pessoas que conquistavam para dentro da visão mundial dos celtas. Tais absorções, juntamente com a falta de uma linguagem escrita, explicam os mitos de alguma forma distorcidos dos celtas quando comparados aos dos gregos, romanos e egípcios. Os druidas foram os líderes religiosos dos celtas. O significado geralmente aceito da palavra druida é “conhecer o carvalho”. As árvores do carvalho são símbolos de vida e morte, e os druidas tinham conhecimento do mundo dos espíritos, da magia e da natureza. Eles realizavam cerimônias, aconselhavam reis e conduziam curas. Intermediavam discussões, não unidos pela identidade das tribos celtas individuais. Eram honrados e temidos pelo que representavam, vistos não como deuses, mas como os sagrados intérpretes da vontade dos deuses. Meus primeiros professores de bruxaria me ensinaram que nossas raízes vieram do legado dos druidas, que eram tanto do sexo masculino como do feminino, embora a maior parte das explicações históricas os retratem exclusivamente representados pelo sexo masculino. Como os celtas vêm de uma cultura guerreira, os estudiosos discutem o domínio da deusa na teologia druida, vendo-os como seres principalmen- le preocupados com figuras solares e senhores de animais.

Muitos mitos de deusas representam uma parte importante na sobrevivência da cultura celta, mas não temos absoluta certeza de onde vieram esses mitos:

dos próprios druidas ou das culturas que os celtas conquista- i.mi. Tenho a sensação de que o aspecto sagrado da natureza, da floresta, da vida e da morte é orientado pelas deusas, e os druidas viram os benefícios de ambos os aspectos tio divino. As deusas guerreiras da escuridão vêm do coração dos povos celtas. Os celtas eventualmente se estabeleceram na Gália, onde se localiza a França hoje em dia, e alguns migraram para as Ilhas Britânicas, envolvendo-se com os habitantes das Ilhas, os pictos, A sociedade picta volta até a Idade da Pedra. É provável que os pictos e os celtas tenham influenciado uns aos outros. Por causa de sua estatura baixa, os pictos são às vezes teorizados como sendo a gênese dos “povos pequenos”, o povo encantado do mito celta.

Na época do assentamento dos celtas na Gália, o Império Romano estava em sua amplitude máxima. Os impérios só são prósperos enquanto continuam a expandir-se, e Júlio César partiu para conquistar a Gália e as tribos que lá viviam. Ele encontrou resistência no lugar, mas finalmente conseguiu o que queria. Os povos foram romanizados e o império finalmente incluiu partes da Inglaterra. Os romanos na época ainda eram politeístas, e uma mistura geral de mitos aconteceu entre essas culturas. A bruxaria dos romanos e dos etruscos do norte da Itália pode ter se misturado com a magia dos druidas. César era um estudioso de sua época, registrando seus encontros com o povo celta e os druidas. Infelizmente, os poucos relatos escritos dos sacerdotes druidas vêm de César. Embora eu não menospreze as habilidades estudiosas de Júlio César, não devemos nos esquecer de sua opinião pessoal. Temos aqui o líder de um império conquistando um povo por meio da força militar. Os druidas eram a força organizada entre as tribos celtas. Embora as tribos tivessem uma identidade similar, não existia uma hierar- qnia para os líderes, todos escutavam as palavras dos druidas. Se César exaltava as virtudes dos druidas e dos celtas para seu povo, eles devem ter questionado sua decisão de subjugá-los. Se ele pintasse um retrato mais sombrio, não haveria chance de um protesto público. César falava de sacrifício humano realizado pelos druidas. Tais afirmações podem ou não ser verdadeiras, mas você deve lembrar-se de que nós vivemos em um mundo em que muitos estados e países ainda têm a pena de morte. O que é aceito em uma cultura, lugar e tempo pode não ser aceito em outro. Os druídas, por outro lado, não possuem documentações que tenham sobrevivido por escrito de seu próprio ponto de vista. As tradições druidas eram orais e envolviam pelo menos treze anos de estudo intenso e memorização, o período do grande ciclo lunar, o que os gregos chamaram de ciclo Melou. Os druidas tinham um conhecimento profundo de magia, medicina, poesia, música, história, mitologia, astrologia e astronomia, mas não colocavam seus conhecimentos no papel. A escrita era vista como um sacrilégio. Se a informação era importante ou sagrada, não deveria ser escrita. Escrever alguma coisa significava que o assunto era algo menor, sem importância e que não valia a pena ser memorizado. Parte do treinamento dos druidas era poético, o que significa que eles aprendiam tradições orais, historias, mitos e

canções. Enquanto parece que os druidas foram eliminados, eles provavelmente se esconderam, e assim os poetas e historiadores dos povos mantiveram a cultura viva por meio de sua arte. Outros desistiram do manto de sacerdote e de sacerdotisa e tornaram-se curandeiros. Eles viviam nas redondezas da civilização, mantendo as formas de natureza c oferecendo seus serviços quando podiam.

Semelhantes aos celtas em muitas maneiras, e ainda assim funda- mentalmente diferentes, eram as tribos teutônicas do norte da Europa, eventual mente se tomando as tribos alemãs e nórdicas. A palavra Teuto é hoje um sinônimo de alemão, mas na época indicava um número maior de povos. Essas tribos honravam as mudanças no Sol como os equinócios e os solstícios, realizavam magias complicadas, particularmente aquelas das mnas e tinham uma tradição complexa, mitológica, religiosa e xamânica. Eles tinham algum contato com as tribos celtas e conseguiram chegar até a (iiília. As tribos alemãs também travaram batalhas com o Império Romano. ( )s teutos não têm atribuído a eles o renascimento da Wicca tanto quanto os celtas, mas suas práticas definitivamente tiveram parte nessa renascença, particularmente porque seus mitos se misturaram com os dos celtas e dos saxões em períodos futuros.

A Ascensão do Cristianismo

Durante aquele tempo, uma nova religião formou suas raízes, advinda do Oriente Médio. O nome dessa nova fé era Cristianismo, baseava-se ui >s ensinamentos de Jesus de Nazaré, também conhecido como Jesus Cristo. I ,le pregava uma fé de amor incondicional enquanto realizava milagres de cura. Após a morte de Jesus, uma nova religião floresceu com seus ensinamentos, baseada nos testamentos dos apóstolos. Os ensinamentos de certas seitas dentro dessa igreja nascente, especialmente aquelas do Cristianismo (inóstico, eram bastante místicos e de tradições pessoais. A reencamação, a cura e o trabalho de transe eram parte da religião. Mais tarde, os ensinamentos que não eram gnósticos foram codificados dentro de uma Igreja, com um dogma estrito e muito menos misticismo pessoal. Um pequeno número de bruxas modernas acredita que Jesus era fun- damentalmcnte um bruxo em ação, se não em nome, viajando com doze apóstolos além dele, criando o tradicional número de um coven e realizando atos de magia. Ele também é visto como uma expressão do arquétipo do deus sacrificado, encontrado em muitos lugares do mundo, como o deus egípcio Osíris, o grego Dionísio e o rei celta sacrificado. Na mitologia ei isla, Jesus Cristo ressuscitou após a morte e foi associado com a vegetação, mais notavelmente com as uvas e o vinho, como Dionísio. Ironicamente, os antigos cristãos eram perseguidos pelo Império Romano ocidental, dando nos a

imagem popular dos cristãos sendo jogados para os leões. ()s romanos acreditavam que eles eram canibais, que comiam carne e bebiam sangue. Logo após o surgimento do Cristianismo, o Império Romano submeteu-se a uma mudança fundamental. O É dito de Milão em 313 d.c, tornou o Cristianismo a religião oficial do Império. Igrejas foram construídas no lugar dos templos dos antigos deuses pagãos. As práticas pagãs eram sistematicamente denunciadas e contrárias à lei. Os deuses com chifres dos celtas, conhecidos como Cemunnos e Heme, e o deus sátiro greco-romano Pa foram fundidos com os mitos hebraicos de Lúcifer, o anjo malvado, e Satã, o provador da fé. Juntos eles se tomaram o demônio, a fonte do mal, da tentação e do pecado, na doutrina cristã. A palavra demônio vem da corrupção de uma palavra grega, assim como demon (diabo). Demônio vem de diabolos, que significa “acusador”, e diabo de daimon, que se traduz para “poder divino”, referindo-se a um espírito intermediário entre os humanos e os deuses, muito parecido com um anjo.

Os rituais pagãos foram absorvidos pelo calendário cristão para acelerar a conversão. Quaisquer aspectos ofensivos dos feriados, como por exemplo as danças com máscaras de animais, foram legalmente proibidos, embora muitos elementos pagãos permaneçam até os dias de hoje. O trabalho da bruxa era geralmente dividido pelo público em bruxaria do “bem”, ou branca, sendo de benefício para a grande sociedade, com as pessoas que realizavam curas e adivinhações, e do “mal”, ou negra, bruxaria praticada por aqueles que buscavam prejudicar indivíduos ou a grande comunidade. As práticas de magia negra não eram legisladas pelos governos locais e pela lei romana, enquanto a bruxaria branca era algo aceito, ou pelo menos tolerado; entretanto, com o tempo, a linha entre os dois tipos de bruxaria se misturou sob os olhos da lei. bastante interessante, em muitos casos, pedir a uma bruxa branca que eolocasse uma maldição em alguém que propositadamente tivesse feito algo de errado, como por exemplo um ladrão ou assassino, não era considerado um ato mau, embora a maioria das bruxas contemporâneas repugnasse tais pedidos. As bruxas modernas também não se dividem nessas categorias de branca e negra. Tais conceitos têm um toque de racismo inerente, assumindo que a cor negra era associada ao mal e a cor branca ao bem. I iles também desonram as deusas da escuridão de amor e de cura tão populares na prática atual da bruxaria. Embora o termo bruxa seja a palavra inglesa comumente registrada para esses praticantes, chegando até a etimologia anglo-saxã, os praticantes de magia eram conhecidos por muitos outros nomes e títulos, incluindo magieko, mago, feiticeiro e bruxo. Cada um tem uma conotação diferente com relação a poderes, moralidade e sexo do praticante, dependendo da ai ra e do período de tempo em que era usada. Por exemplo, a palavra feiticeiro tem grande variedade de significados. Na Europa, refere-se a um praticante do mal, proveniente da escola do pensamento oriental em que a leiliçaria é uma arte de base. Um feiticeiro fica preso no acúmulo de poder se uno busca a luz. Na América do Sul, um feiticeiro é um homem sagrado, um xamã e guerreiro espiritual possuidor de um respeito elevado, Na África, os curandeiros eram

considerados médicos bruxos, talvez porque eles ofereciam curas e proteção por meio dos feitiços das bruxas “más”.

A coisa mais importante a ser lembrada a respeito desses vários nomes e termos é que a palavra atual bruxa é fundamentalmente européia, e foi introduzida em outras culturas como uma tradução equivalente a uma das palavras daquela cultura. Como a influência européia se tornou mais dominante, as palavras da cultura indígena caíram em desuso e foram co- i nu mente substituídas no vocabulário geral. Os cristãos europeus disseram a muitos dos povos indígenas que uma bruxa é uma praticante do mal, mas os cristãos acreditavam que todas as formas de magia que não eram realizadas por um padre eram do mal, vindas do demônio. Infelizmente, muitos nativos tomaram a palavra bruxa como tendo o significado de “o feitor do mal”, em vez de equacioná-la com seus próprios xamãs e curandeiros. Até os dias de hoje, muitos praticantes das tradições nativas americanas arrepi- um-se quando Wiccans se referem a eles próprios como bruxos.

Os cristãos, procurando uma desculpa para condenar a bruxaria, ci- lam na Bíblia: “A feiticeira não deixarás viver”, (Êxodo, 22:17). Essa passagem foi traduzida muitas vezes. Em versões mais antigas do Êxodo, o significado era:

“Que a feiticeira não sofra em vida”. Nesse contexto em particular, uma feiticeira é referida como uma envenenadora, uma assassina. O significado original era: “A assassina não deixarás viver,” que even- lualmente se confundiu com a palavra feiticeira, causando um mal-entendido até os dias de hoje. Os antigos hebreus não marginalizavam a prática da magia. Na verdade, os rabinos eram praticantes na tradição do rei Salomão, cultivando o conhecimento da Cabala, seus ensinamentos místicos. Acredito que a maioria das pessoas concordaria que ser uma bruxa não significa que alguém seja um assassino. Infelizmente, muitos velhos inquisidores nao tinham problemas em assumir que os dois caminhavam lado a lado.

O Sagrado Império Romano e o Período das Fogueiras

O Império Romano ocidental perdeu grande parte de seu poder durante os séculos V c VI, até que atingiu um descontrole total. Por volta de 500 d l o s romanos deixaram as Ilhas Britânicas em um estado de confusão, lendo que se defender contra invasores saxões. Aqui temos o período de tempo geralmcnle aceito do rei Artur de Camelot, embora a situação histórica seja um pouco diferente de nossa versão literária romantizada. A Igreja Celta Cristã existiu, mas foi altamente influenciada pelas tradições pagãs.

Em 800 d . C o Sagrado Império Romano foi estabelecido, quando o papa Leão III coroou Carlos Magno “Imperador dos Romanos”. Como o império original romano ocidental entrou em declínio, a Igreja Católica, dirigida pelo papa, foi a única instituição que permaneceu estável e no poder durante aquele período. O poder da Igreja era ameaçador para o Império Bizantino ocidental e para os saqueadores lombardos. A Igreja procurava os reis em busca de proteção, e por intermédio dos recém-con- vcrtidos pagãos construíram um império cristão. Embora muitos tivessem se convertido ao Cristianismo, alguns não o fizeram e mantiveram suas priilicas particulares e em segredo no interior do país. As práticas da antiga íé eram geralmente desencorajadas pela Igreja dominante, mesmo para aqueles que as praticavam como bruxas “brancas”, que alguns cristãos consideravam mais perigosas do que as “negras”, porque se imaginava que elas faziam “o trabalho do demônio” e o disfarçavam como se estivessem realizando curas.

Os inquisidores originalmente tinham a intenção de persegui-las e puni-las como hereges. Qualquer coisa que contradissesse a doutrina oficial da Igreja era considerada uma heresia. Originalmente, as leis da bruxaria c da feitiçaria eram consideradas preocupações civis, puníveis por meio de multas ou prisão. Com as Inquisições, todas as formas de bruxaria, que por sua própria natureza são uma forma de adoração não-sancionada pela Igreja, eram definidas como heresias, puníveis com a morte. Ironicamente, a raiz da palavra heresia vem da palavra grega hairesis, que significa “livre escolha”. Agora chegamos ao holocausto das bruxas, a Era das Fogueiras, um lermo cunhado pelas bruxas modernas para o período que se estendeu pelos julgamentos e execuções das bruxas na Europa e nas colônias americanas. A frase se refere ao método popular de execução por meio do fogo alçado em estacas, embora o enforcamento e o afogamento também fossem comuns. Desde o século XV, várias pessoas, geralmente inimigas da Igreja ou de figuras políticas, eram acusadas de bruxaria, julgadas e sentenciadas à morte. Os julgamentos não terminaram até o século XVIII, grosso modo a duração do Império Romano Sagrado, e no total o número de mortos jamais será conhecido, mas foi estimado de forma conservadora de cerca de vários milhares a próximo de 200.000. De alguma forma, a Era das Fogueiras foi a primeira, e quase sempre esquecido, holocausto da história ocidental. Em suma, todos aqueles que não concordavam com a Igreja, incluindo aqueles que praticavam a antiga magia pagã popular, os judeus, os cu- randeiros e outros “hereges”, eram acusados de renunciar ao único Deus verdadeiro e de fazer um pacto com o demônio. Conforme o Cristianismo se abria formando seitas, eles se acusavam uns aos outros de adorarem ao demônio. Com a descoberta do Novo Mundo, os nativos americanos foram loluindos com essa marca. Acreditava-se que faziam parte de pactos com o demônio aqueles que praticavam atos de violência mágicka contra o povo em geral, Se qualquer mal acontecia, saiam á procura de uma bruxa no vilarejo, e frequentemente os dedos eram apontados para a pessoa que causava IUUÍN problemas, ou que menos gostava dos cidadãos locais, As mulheres sábias, ou herbanários e as parteiras estavam sempre entre essas pessoas, porque desafiavam o poder da

comunidade médica vigente. Se você cura e não pratica a medicina, então tem de estar trabalhando para o demônio. Se faz magia para a Igreja, isso é um milagre. Se você não trabalha para a Igreja, só pode estar envolvido com trabalhos para o demônio, o que se tornava sinônimo de bruxaria. A histeria da bruxaria era uma forma conveniente de se livrar daqueles que possuíam seu próprio poder pessoal e eram donos de fortes opiniões na sociedade, bem como os mais idosos, que eram vistos como cargas inválidas para as comunidades que trabalhavam em busca de seu siislento. A maioria dos acusados sequer estava propensa à prática da bruxaria. No máximo, utilizava benefícios da magia popular. As pessoas da cidade freqüentemente acusavam vizinhos indesejados de praticarem bruxaria para se livrarem deles.

A histeria aumentava naquele período específico da história por causa ile problemas econômicos, condições sociais ruins, aumento de doenças c ameaças contra o poder da Igreja, que era a base de seitas religiosas e de cismas teológicas. A força principal da Europa, a Igrej a Cristã, pode ter sido a culpada por essas condições. Essa instituição precisava de um bode expiatório do lado de lora:

coloque a culpa desses problemas no poder das bruxas do mal. Embora não tenha sido o primeiro ato de perseguição, a publicação do Malleus Maleficarum serviu para atiçar a fúria desses assassinos. Esse manual, chamado de O Martelo das Bruxas, serviu como uma suposta des- crição das práticas das bruxas, como fazer para caçá-las, capturá-las e de como tirar confissões usando testes e torturas às quais poucas pessoas po- deriam resistir. Nenhuma parte do material era baseada em práticas pagãs reais, mas na doutrina cristã e em devaneios da imaginação do autor e misoginia, embora existisse uma certa especulação de que o material era usado por outros como um manual de prática da “bruxaria”, incluindo a Missa Negra, uma imitação e corrupção da missa católica. Aqui estão as raízes do Satanismo, não da bruxaria. Bruxas contemporâneas vêem essa forma de “bruxaria satânica” como não tendo nada a ver com as verdadeiras raízes espirituais da bruxaria. As práticas das bruxas, de várias culturas ale as raízes anglo-saxãs da palavra Wicca, antecedem o Cristianismo. Para acreditar no demônio, deve-se antes acreditar nos dogmas do Cristianismo. < ) demônio não tinha lugar nos mitos antes dos pagãos cristãos porque os pagaos antigos não reconheciam uma fonte de mal maior. Eles reconheciam as forças da criação manifestadas na natureza. As tradições modernas do satanismo variam muito, desde aqueles que se sentem inspirados por Idmes do terror chocantes até aqueles que praticam filosofias mágickas mais sofisticadas. Alguns chamam de satanistas, mas sequer acreditam em uma entidade chamada satã. Essas bruxas salanistas e satânicas não têm nada a ver com as raízes das curas da bruxaria pagã. Todos os tipos de pessoas afirmam ser bruxas, mas nem todas elas afirmam as mesmas crenças e história.

Por questões de segurança, qualquer pessoa relacionada cora as práticas pagãs antigas e as artes da magia popular morreram com seu conhecimento,

compartilhando-o com poucas pessoas e fazendo com que ele passasse somente para alguns membros de sua família, porque parentes de sangue eram as únicas pessoas que podiam ser merecedoras de confiança. Para facilitar o disfarce, as práticas eram ocultadas nas ações do dia-a-dia e nas ferramentas da casa. A vassoura, a faca, a colher e o caldeirão, todos representavam seu papel nas artes mágickas. Todos tinham esses objetos, e portanto ninguém podia ser acusado de bruxaria simplesmente por tê-los em casa. As bruxas não eram as únicas perseguidas naquela época. Qualquer um que praticasse uma fé ou tivesse um estilo de vida um pouco diferente ci a perseguido. Homossexuais eram perseguidos juntamente com as bruxas. () termo pejorativo flamingfaggot, ou “feixe de lenha em brasas”, que se relere a uma pessoa gay, originou-se no Período das Fogueiras, citando a execução por meio do fogo. A palavra faggot (pederasta) originalmente se referia à excitação sexual. Em 1492, a Espanha forçou todos os judeus a escolher entre deixar o país e converter-se ao Cristianismo ou ser executado. Alguns partiram, ao passo que outros se converteram ou davam a impressão de terem se convertido. Os povos judeus são os mantenedores da Cabala, um sistema de misticismo e magia. Eles encontraram aliados entre as bruxas do interior e possivelmente compartilhavam de seus segredos mágickos. Praticantes modernos da Cabala influenciaram bastante a nova emergência da Wicca no século XX. O papa Alexandre proclamou um Ato contra a bruxaria em 1502, seguido por medidas semelhantes de Henrique VIII, em 1542, e Elizabeth 1. em 1563. Diversas leis e proclamas foram divulgadas na Europa e na Inglaterra com o passar dos tempos com relação às perseguições. A caça às bruxas na Inglaterra e subseqüentemente na América se preocupava menos com o ato anti-religioso da heresia e mais com o crime civil da bruxaria. O material do Malleus Maleficarum foi mais tarde absorvido pelos caçadores dc Imixas protestantes da Inglaterra, mas o país tinha vastos materiais de seus próprios estudiosos do demônio. Matthew Hopkins se proclamou “General caçador de Bruxas” na Inglaterra, inspirando muitos outros caçado- ies de bruxas. Alguns especulam que bruxas migraram para as colônias americanas para fugir da perseguição, mas a histeria logo voltou na forma dos infames julgamentos das bruxas de Salem. Em Salem, Massachusetts, uma meca neopagã, uma histeria de bru- xaria conduzida pelas acusações de algumas adolescentes fascinadas pelo oculto levou à morte 36 pessoas e à prisão mais de 150 homens e mulheres naquela comunidade puritana em 1692-93. Esse episódio na história americana é considerado parte do Período das Fogueiras, mas ninguém foi queimado vivo em Salem. Muitos foram enforcados em Gallows, e membros pagãos da comunidade de Salem, em Massachusetts, celebram rituais no local em que se acredita ter sido Gallows Hill, para se lembrarem daqueles que morreram em nome da bruxaria. Muito provavelmente as vítimas dos julgamentos de Salem não praticavam a bruxaria, mas eram alvos de malignidade de seus acusadores. Embora uns poucos julgamentos subseqüentes por bruxaria tenham acontecido na América após o final dos julgamentos de Salem em 1693, nenhum deles chegou à execução. O fim da histeria íoi um ponto de reviravolta para a Era das Fogueiras. A transição para o capitalismo, a Revolução Industrial, os avanços na ciência, e uma crítica

social geral e desgosto pelas torturas no recém-evoluído mundo moderno ajudaram a pôr fim na histeria sem fundamento.

1472 d.C. OIRS americano (Internai Revenue Service), fisco federal

americano, reconhece a bruxaria como uma religião e concede status com isenção de impostos à Igreja e à liscola Wicca.

1466 d.C. Descobertas arqueológicas orientadas para as deusas do período

neolítico.

1454

d.C. A Bruxaria Hoje, de Gerald Gardner, é publicado.

1453

cl.C. Gardner forma seu próprio coven.

1451

d.C. O Ato de Bruxaria da Inglaterra é revogado.

1439

d.C. Gerald Gardner se inicia na bruxaria.

1421

d.C. O Culto às Bruxas na Europa Ocidental, da Dra. Margaret Murray, é

publicado.

1899 d.C. Aradia: O Evangelho das Bruxas, de Charles Godfrey Leland, é

publicado.

1898

d.C. Aleister Crowley filia-se à Golden Dawn (Aurora Dourada).

1890

d.C. Sir James George Frazer publica The Golden Bough.

1888 d.C. Fundação da Golden Dawn (Aurora Dourada).

1875

d.C. Fundação da Sociedade Teosófica.

1834

d.C. Supressão da Inquisição Espanhola.

1735

d.C. O Ato de Bruxaria, do Rei George de 1735.

1693

d.C. Fim dos julgamentos de Salem.

1692

d.C. Salem, Massachusetts: julgamentos de bruxaria começam.

1695

d.C. Matthew Hopkins se proclama o General Caçador de Bruxas.

1563

d.C Ato contra a bruxaria, de Elizabeth I.

1542

d.C Ato contra a bruxaria, de Henrique VIII.

1502

d.C Ato contra a bruxaria, do papa Alexandre.

1492

d.C A Espanha força os judeus a se converterem ao Cristianismo.

1486

d.C Publicação de O Martelo das Feiticeiras (Malleus Maleficarum).

1478

d.C Início da Inquisição Espanhola.

1400

d.C Início aproximado do Período das Fogueiras.

1313

d.C Suposto nascimento de Aradia, filha de Diana.

1231

d.C Início das inquisições medievais.

800 d.C

O Sagrado Império Romano é fundado.

500

d.C

Os romanos deixam as ilhas Britânicas.

476

d.C. Data geral da qüeda do Império Romano.

447

d.C. O Conselho de Toledo define o Demônio como a incorporação do

mal.

313 d.C. Édito de Milão.

4 a.C.29 d.C. Suposto tempo de vida de Jesus de Nazaré.

27 a.C. Fundação do Império Romano.

200

a.C. Primeiros conflitos entre os romanos e ps teutões.

390

a.C. Os celtas invadem e saqueiam Roma.

500

a.C. Os celtas vão para a Grã-Bretanha.

1200

a.C. A cultura celta no que hoje é a França e a Alemanha Ocidental.

1500

a.C. Data aproximada da construção de Stonehenge.

2200

a.C.14000 a.C. Período Minóico da civilização do Egeu.

2630

a.C.1530 a.C. Os egípcios começam a construir as pirâmides.

3500

a.C. Início do Antigo Império Egípcio.

3600

a.C. A “civilização” se inicia na Suméria.

8000

a.C.1500 a.C. Período neolítico (aproximado).

13000 a.C.8000 a.C. Período mesolítico (aproximado). 2.500.000 a.C.13.000 a.C. Período paleolítico (aproximado).

O Mundo Moderno

A Inglaterra anunciou o Ato de Bruxaria de 1735 sob o poder do Rei George I.

Essa legislação basicamente declarava que a bruxaria não era real e que todas as perseguições deveriam parar. O ato permitiu a perseguição daqueles que fingiam possuir poderes naturais. Embora a população cm geral ainda visse as bruxas como monstros do mal que faziam pactos com o demônio, a noção com

o tempo foi desaparecendo e ficando reclusa cm partes mais profundas de

nossa consciência coletiva. Em vários lugares, os sábios e as pessoas inteligentes em silêncio começaram a trabalhar novamente como curandeiros. Embora a era da razão tenha prevalecido na maior parte da sociedade, o ressurgimento do esoterismo estava começando a fervilhar por baixo da superfície. Vários movimentos espiritualistas assolaram o mundo oci- denlal, especialmente na Grã-Bretanha e na América, começando por volta de 1850. Esse movimento provocou interesse e pensamentos sobre reen- carnação, habilidades psíquicas e curas. Sessões espíritas se tomaram bastante

populares. Para alguns, aquilo era apenas entretenimento, um espeta culo do qual queriam participar, mas para muitos foi o nascimento de uma nova religião, uma religião que era quase sempre seguida de acusações de fraudes

e trapaças. De algumas maneiras, esse foi o primeiro suspiro do movimento

moderno da Nova Era, que na verdade estava trazendo antigos conceitos de espiritualidade para o mundo moderno. Estrelas individuais começaram a brilhar com a luz da Nova Era no mundo, e foram respeitadas por suas contribuições, que são até hoje acompanhadas pelas controvérsias de seus

tempos.

H.P. Blavatsky, uma refugiada política russa na Inglaterra, trouxe muitos conceitos do misticismo oriental para o Ocidente, e também fez renascer o conhecimento dos gregos antigos e dos egípcios, incluindo a filosofia hermética. Ela ajudou a fundar a Sociedade Teosófica em 1875, um grupo dedicado a ensinar os mistérios antigos da sabedoria espiritual. Blavatsky acreditava que todas as religiões advinham da mesma fonte de sabedoria espiritual e que ela era guiada por mestres ocultos, seres ascendentes, para fundar a organização. Ela é mais conhecida por seus trabalhos Isis Unveiled e The Secret Doctrine.

No final do século XIX, a Inglaterra era um ninho de atividades ocultas. O

grupo que mais influenciou e que se tomou mais famoso foi a Ordem I lermética da Golden Down (Aurora Dourada). A ordem foi fundada em 1888 pelo ocultista Samuel Liddel MacGregor Mathers com o Dr. William Wesicott c

o Dr. William Robert Woodman, ambos mestres maçons e membros da

Sociedade Rosacruciana da Inglaterra. O material foi baseado em um suposto manuscrito antigo encontrado pelo Rev. A. F. A. Woodruff, um maçom e membro da Sociedade Hermética que se consultou com esses homens sobre a natureza do manuscrito. A Golden Dawn estudava e ensinava a magia dos rituais, a Cabala, o tarô, as habilidades psíquicas, a alquimia e a astrologia, muito provavelmente surgindo do Rosacrucionismo e da Maçonaria. O grupo teve muitos conflitos internos e grupos divididos. Membros ramosos incluíam Artur Edward Waite, William Butler Yeats e Aleister Crowley, que continuaram a ser pioneiros da magia e a exercer uma forte influência no recém-emergente trabalho da Wicca.

Dentre todos os magos modernos, Crowley foi considerado o mais escandaloso, e muito de sua reputação como “o mais malvado homem do mundo” foi bem merecida. Sua vida é uma história de excessos e egoísmo, mas também nos mostra traços de um mago brilhante. Quando ainda jovem, ele se filiou à Ordem da Golden Down, em 1898. Crowley era um aluno de Mathers, mas suas constantes discussões colocaram fim ao relacionamento. Após deixar a Golden Down, Crowley tomou-se enfim o líder do OTO, ou Ordo Templi Orientis. Através de uma série de mensagens de um espírito chamado Aiwass, Crowley fundou os Mistérios Telêmicos. Esse homem peculiar se via como o profeta da próxima grande era, a era de Hórus, e írcqilontcmente se referia a si mesmo como a “Besta do Apocalipse". Seus trabalhos mais notáveis incluem The Book of the Law, Magick in Theory and Practice, Magick Without Tears, The Book of Thoth (O Iivro de Thot), Moonchild e Diary of a Drug Friend

Em 1892, Charles Godfrey Leland, autor e estudioso americano, publicou Etruscan Roman Remains. O trabalho foi baseado em seu estudo e pesquisas da bruxaria italiana, que foi pesquisado enquanto ele morava lá, lendo se mudado para a Itália em 1880. Seu trabalho anterior incluía pesquisas na cultura cigana e seus sistemas mágickos. Na verdade, ele foi o fundador da Sociedade do Conhecimento Cigano. Esse trabalho relatou provas de que não somente existia uma tradição de bruxaria que podia ser encontrada anteriormente na Itália, mas que a bruxaria ainda era praticada la naqueles tempos, adorando a deusa Diana. Embora não declarado total- iiionlc, o seu trabalho implica estudo com essas bruxas italianas e possivelmente a iniciação no trabalho. Uma bruxa em particular, identificada como Mnddalena, juntou folclore, poemas, histórias e rituais para sua pesquisa. <) material reunido por

fim se tornou um outro livro, Aradia: Evangelho titis Ifruxas*, impresso em 1899,

e foi por esse trabalho que ele ficou mais conhecido nas comunidades

neopagãs. Aradia detalhava histórias, rituais e filosofia de uma mulher que vivia na Idade Média, supostamente nascida cm 1313, chamada Aradia. Alguns a vêem como um avatar da deusa Diana. Bruxas a comparam com Jesus Cristo ou com a figura do Buda. Ela veio para iluminar os camponeses

da Itália com ensinamentos de magia e poder. Registros de inquisidores da época indicam referências de um aumento da bruxaria na lláliü.

O incomum e freqüente tom de adiamento do Evangelho de Aradia é

surpreendente porque trabalhos anteriores de Leland, incluindo Etruscan Magic

& Occult Remedies e Legends of Florence, apresentam uma visão dc bruxas como seguidoras mal-compreèndidas da Deusa. O Evangelho mostra uma tendência em relação ao estereótipo cristão das bruxas, incluindo materiais relacionados a Lúcifer e um forte sentimento anticristão. I ímbora o material genuíno apareça misturado com o Evangelho de Aradia, vislo que sua maior parte é baseada no material de Maddalena, estudiosos sc perguntam o porquê da mudança repentina. Será que esse tom se deve no falo de Maddalena estar fazendo Leland de tolo, ou de propositadamente ocultar as informações para que ela não fosse levada a sério? Talvez as bruxas sobreviventes tenham adotado idéias da Inquisição, como as tradições orais sucumbiram. Devido ao fato de Leland morrer antes de completai seu próximo trabalho sobre o assunto, talvez jamais saberemos a verdade. Em 1980, Sir James George Frazer publicou O Ramo de Ouro: Um Estudo da Magia e da Religião. Frazer era membro da Sociedade do Co- nhecimento Cigano de Leland e um antropólogo inglês respeitado. O Ramo de Ouro se aprofundou nos mistérios do paganismo antigo, especialmente na Itália, e enfatizou com veemência o conceito do Rei Divino, encontrado em muitas áreas da magia e religião ocidental.

Na virada do século XIX, Edgar Cayce, o então famoso “profeta adormecido”,

começou a ministrar leituras psíquicas. Esse homem não tinha educação médica, mas deu explicações muito detalhadas de doenças e procedimentos médicos para curar tais enfermidades. Mais tarde, essas leituras envolveram conceitos de carma, raízes de doenças espirituais, profecia e dos continentes fabulosos de Atlantis e Lemúria, ecoando o trabalho de Blavatsky, embora Cayce fosse um cristão devoto. O sabor cristão de suas leiluras pode não estar ligado diretamente ao renascimento da bruxaria, mas ele introduziu muitas pessoas nesses conceitos ocultos como a cura não-tradicional e os poderes psíquicos. Várias organizações surgiram com base em seu trabalho revolucionário. O psicanalista Carl Jung representou um papel importante no renasci mento místico moderno. Apesar de ser um contemporâneo e um aluno de Eretid, o trabalho de C. G. Jung foi inspirado em suas próprias experiências psíquicas. Ele pavimentou o caminho para uma visão científica e analítica do mundo místico, investigando a interpretação dos sonhos, símbolos, mitologia, I Ching, tarô, a consciência coletiva, sincronicidade e arquétipos. Seu interesse na alquimia antiga e no Gnosticismo, de uma abrangência psicológica, fez reviver interesse em ambos os assuntos. Seu trabalho foi publicado pela primeira vez

no início da primeira década do século XX, e o material ainda foi lançado após sua morte, em 1961. Muitos místicos aluais que têm dificuldade com interpretações literárias de sabedoria antiga buscam esse trabalho de Jung para dar à mente moderna consciente um ponto de referência de fácil compreensão.

A Renascença da Bruxaria

Em 1951, a Inglaterra revogou o Ato de Bruxaria. Acreditando que a bruxaria fosse uma superstição, leis contra ela pareciam perpetuar a ignorância de acreditar que tais coisas ilógicas pudessem ser magia. As revoluções científica e social devem ter arrasado a crença nos feitiços e nas bruxas. Na realidade, a revogação teve um efeito bastante contrário e deu início ao que nos referimos carinhosamente como a Renascença da Bruxaria. À frente do novo movimento da bruxaria estava Gerald B. Gardner, um servidor civil inglês que passou algum tempo na Malásia explorando o misticismo oriental. Ele ficou fascinado com o oculto e influenciou o trabalho de Margaret Murray, autora de O Culto das Bruxas na Europa Ocidental, publicado em 1921. Ela afirmava que as bruxas perseguidas na Europa eram praticantes de uma religião antiga de cultos de fertilidade europeus baseados na adoração das deusas. Suas teorias foram fortemente influenciadas por suas próprias crenças pessoais, já que estudiosos não conseguem achar provas que a relacionem com uma religião organizada. Murray estava certa no fato de que os sábios eram os descendentes espirituais dos cultos às Deusas antigas e às tradições do mistério, isso se não estivessem fisicamente ligados a elas. Gardner afirmou que foi iniciado em 1939 em um coven antigo de bruxas hereditárias que praticavam seu trabalho em New Forest. Este grupo o ensinou a “Antiga Religião” como uma arte mágicka e uma religião pessoal. Baseado em suas pesquisas com os contemporâneos de Gardner, Janet Farrar e Gavin Bone, co-autores de The Healing Craft (O Trabalho da Cura), juntamente com Stewart Farrar, acreditam que esse “coven” de New Forest era na verdade um grupo de teósofos. Nos dias de Gardner, qualquer pessoa que estivesse envolvida com o oculto era considerada um ‘‘bruxo”. Gardner formou seu próprio coven em 1953, emprestando e adap- lando material do grupo de New Forest e de outras fontes ocultas. Gardner aprendeu com sua experiência anterior como um franco-maçom, de seu tempo na Malásia e de sua amizade passageira com Aleister Crowley. Dizem que Aleister Crowley na verdade escreveu o primeiro Livro das Sombras de Gardner, mas isso é improvável. É mais provável que Gardner foi possivelmente inspirado pela maior parte do trabalho de Crowley. Como os antepassados dos movimentos místicos modernos, Gerald foi seguido de muita controvérsia. Opiniões de seu caráter e de seu trabalho variam muito. Ele afirmava estar introduzindo uma religião antiga, mas o consenso é de que a maior parte de seu material é de sua própria invenção. Tais fatos não se devem às práticas contemporâneas. Todas as religiões mudam com o passar do tempo e atravessam muitos períodos de nascimento. O movimento moderno da Wicca não é diferente. Gardner iniciou Doreen Valiente, que trabalhou novamente muitos rituais em favor de sua própria abordagem voltada para as deusas. Valiente loi um instrumento importante para o novo movimento e essa tradição específica foi chamada de Bruxaria Gardneriana, em honra de Gerald Gardner. Seu livro das Sombras original foi copiado, adaptado e aumentado por unia longa fila de bruxas modernas.

Evidentemente Valiente e Gardner foram inspirados pelo trabalho de Leland e Arádia: O Evangelho das Bruxas. A “Cobrança da Deusa” é geralmente atribuída a Valiente, a versão original da Cobrança vem de Arádia. Leland na verdade escreve sobre muitos dos mesmos tópicos que Gardner, cm iclcrència às tradições italianas de Strega, ou bruxa, em vez dos mistérios celtas. A ocupação romana das Ilhas Inglesas poderia ter espalhado tais conceitos para o povo celta, misturando se com sua própria magia. Na verdade, Gardner passou algum tempo na Itália antes de sua publicação, onde estudou o paganismo romano e ressaltou como o trabalho artístico em Pompéia desenhou os mistérios encontrados na bruxaria. A arte da bruxa tem vestígios em muitas culturas, não somente em uma. O mundo possui a tradição da bruxaria, e todas são bem-vindas.

Em 1954, A Bruxaria Hoje, de Gerald Gardner, foi publicado, logo seguido por The Meaning of Witchcraft, em 1959. Seu trabalho chamou uma atenção considerável, seguido do trabalho cheio de influências e contudo tão controverso de Robert Graves, The White Goddess. Esses trabalhos foram movidos por um desejo geral de parte da população por um caminho espiritual pessoal. Independentemente das origens do material, Gardner ganhou o crédito de um antepassado espiritual. A Renascença da Bruxaria floresceu nos anos 1960 e 1970, inspirando covens na Europa, nos Estados Unidos e na Austrália. Gardner é considerado o fundador moderno da Wicca, e seu trabalho é uma das razões pelas quais a bruxaria se espalhou para tão longe e de forma tão ampla. Enquanto Gardner estava ocupado cultivando sua marca da Antiga Religião, outras formas surgiram em outros lugares. Visto que a bruxaria não era mais considerada um crime na Grã-Bretanha, outras tradições hereditárias se tomaram conhecidas, como o coven de New Forest de Gardner. Elas também afirmavam descender de tradições mais antigas, mantidas em segredo durante a Era das Fogueiras. Embora eu acredite na possibilidade de muitos desses covens estarem espalhados pela Europa e até mesmo pela América, acredito que eles sejam muito mais raros do que se possa imaginar. A magia popular tem sido praticada desde a geração de minha avó, mas eles também eram católicos leais. A Deusa sobreviveu na forma da Mae Maria, mas nenhum de meus mais recentes ancestrais teria usado o título de “bruxa”. Outros pegaram a fundação de Gardner e construíram novas tradições, refletindo seus gostos pessoais. O mais famoso é Alex Sanders, aquele que se proclamava o “Rei das Bruxas”. Sanders já estava familiarizado com a magia ritual e afirmava ter sido iniciado em uma tradição familiar por sua avó quando tinha sete anos de idade, após tê-la encontrado por acaso em um de seus rituais. Sua tradição é conhecida como a Bruxaria Alexandriana, embora tenha uma íntima semelhança com a de Gardner. Em outros grupos, a palavra bruxa foi abolida, centrando-se nos elementos neopagãos, fundando o movimento neopagão. De alguma forma divorciadas da Wicca, essas foram as fundações de nossas religiões modernas terrenas. Um grande interesse no misticismo nativo americano e no xamanismo se desenvolveu como parte do movimento da Nova Era. Visto que esses xamás nunca tinham sido perseguidos por seu próprio povo, suas tradições sobreviveram e imaginava-se que elas eram de alguma forma semelhantes às

práticas das bruxas tribais antigas. Nativos começaram um período de abertura para compartilhar seu material, embora alguns fossem contra isso. Enquanto a espiritualidade nativa americana parece segura e louvável para o público principal, essas mesmas pessoas frequentemente veem a bruxaria com o estigma do mal perpetuado durante a Era das Fogueiras. As bruxas geralmente apontam as semelhanças fundamentais en- ire as práticas nativas americanas e as das bruxas. Mulheres não satisfeitas com os papéis das religiões tradicionais se juntavam às religiões das deusas, criando as ramificações feministas da Wicca, incluindo os covens Diânicos. Descobertas arqueológicas de uma cultura de deusas na Anatólia do período neolítico, em Catai Juyuk, Mersin c llacilar, foram publicadas em 1966. Essa nova evidência do mundo antigo coincidiu com o crescimento do movimento feminista no Ocidente durante o final dos anos 1960. Tudo contribuiu para o aumento da conscientização da Deusa na mente ocidental. Os papéis femininos estavam mudando e era possível notar isso. A descoberta de uma cultura matriarcal valorizando ideais e o espírito feminino foi uma chamada de alerta para o fim da era patriarcal, dominada pelas divindades e costumes masculinos. A história revelou uma parte esquecida do passado do mundo. Aqueles que estavam envolvidos com neo- paganismo e com a neobruxaria procuravam o divino tanto na Deusa como no I )eus, honrando o masculino e o feminino. Em 1972, a bruxaria ganhou a posição de uma religião legalmente icconhecida na América, quando o governo concedeu à Igreja da Wicca um status de isenção de impostos. A bruxaria é hoje protegida pelas Primeira c Décima Quarta Emendas dos Estados Unidos. Sacerdotes e Sacerdotisas ordenados desfrutam dos mesmos direitos do clérigo tradicional. As tradições e movimentos se dividiram muitas vezes, formando uma icde complexa, incluindo quase tantas tradições quanto praticantes, criando uma mistura eclética. A bruxaria é algo muito pessoal, e você não pode mais dizer na verdade que existe um caminho “certo” e um “errado” para praticá-la. As ramificações da árvore da bruxaria continuam a crescer, formando um padrão deliciosamente complicado. Todos têm uma opinião sobre onde ela nasceu, onde está agora e como está crescendo, porém tais fatos pai ceem fluidos, nunca completamente definidos ou documentados, como são os mistérios da bruxaria em si. Como as raízes de nossa história, as innulieaçoes de nosso futuro estão se direcionando para muitos caminhos de uma só vez, explorando um novo território e assumindo maiores proporções.

Os Sabores da Bruxaria

A árvore da bruxaria está formando novos galhos em diferentes direções. Embora muitas dessas ramificações se cruzem e entrelacem umas com as outras, existem diferenças entre as tradições modernas. Seria possível

escrever um livro inteiro detalhando essas diferenças. O propósito deste capítulo é dar-lhe uma idéia dos diferentes caminhos dentro da bruxaria moderna. A maioria dos professores ensina uma tradição específica. Eu encorajo uma tradição eclética e pessoal com uma fundação sólida. Quando comecei a me envolver com a bruxaria, minha mãe e eu fizemos aulas juntos. Nós aprendemos a bruxaria com uma inclinação forte voltada para os celtas, mas nenhum de nós vinha de uma linha familiar de celtas. Minha mãe é italiana e eu sou de ascendência italiana/polonesa/ lituana. Encontrar material sobre a bruxaria italiana foi uma revelação, porque não tínhamos sido

inicialmente expostos a essa possibilidade. Na verdade, mal se ouvia falar algo

a esse respeito na comunidade neopagã da época. Nós não sabíamos ao certo

se ela havia existido ou não. Embora eu ainda tenha uma inclinação forte para os celtas, apesar de meu sangue, minha mãe desenvolveu seu trabalho como nunca havia feito antes, inspirada pelas práticas de seus próprios ancestrais e

de suas lembranças dos atos de seus pais e avós do povo italiano e sua magia

e leitura das folhas de chá. Um grande número de pessoas que não acredita que a bruxaria seja para elas um chamado pessoal ficaria surpreso com a quantidade de culturas historicamente envolvidas nesse campo.

Pontos Comuns

Antes de aprendermos as diferenças entre as tradições, vamos analisar as semelhanças fundamentais. A bruxaria é um caminho pessoal, e essas crenças podem não ser mantidas por todos os indivíduos, mas são comumente aceitas pela principal comunidade pagã. Pagão originalmente significava “da terra” ou “morador do interior”, referindo - se às pessoas rurais e suas crenças. Conforme o Cristianismo crescia e assumia controle na Europa, o termo pagão passou a se identificai' com quaisquer religiões não-judaico-cristãs, e para alguns ele era igualado à heresia, um inimigo da verdade da Igreja. Alguns equiparam a palavra heathen (pagão) com as palavras heretic (heresia) ou savage (selvagem), mas ela significa “aquele que vive em charnecas”. Oficiais da Igreja queriam substituir as crenças e práticas pagãs pelas cristãs, tanto que os feriados pagãos foram adotados no calendário cristão para atrair convertidos. Assim como a palavra bruxa foi aproveitada, o mesmo aconteceu com a palavra pagão. Agora ela se refere a um grupo maior de crenças com miiilas iradições e práticas diferentes. Embora eu não goste de usar uma analogia cristã para explicar o paganismo, descobri que isso me seria útil para novos alunos que vinham de bases mais tradicionais. O pagão é para a Wicca o que o cristão é para os católicos, o que significa que os pagãos e os cristãos são grupos maiores com tradições menores dentro deles. Todos os Wiccans c bruxos são pagãos, mas nem todos os pagãos são bruxos. Muitos sc identificam como pagãos, mas podem não se identificar com uma tradição específica, como a bruxaria, por exemplo. E dentro das diretrizes da bruxaria existem várias outras divisões menores. Eu conversei com algumas bruxas que acreditam que bruxas e Wiccans são o clérigo dos

povos pagãos, mas mais especificamente pagãos que conheço não concordam com essa definição. Tecnicamente, nós somos neobruxos e neopagãos, o que significa “novos”, mas algumas pessoas usam esse termo fora da escrita acadêmica. A Divindade é inerente a todas as coisas, materiais e espirituais. A força divina é aparente em toda vida e forma. Espiritual não significa separado do reino físico ou terreno. A Terra é na verdade uma das formas mais divinas de toda a criação. Toda a vida, a natureza, é um manifesto divino, e a maioria dos pagãos honra a Terra como um ser vivo, a fonte de vida. Em nossa mitologia, a Terra é vista como a Mãe, ou até mesmo como a Avó, a fonte de toda a vida na Terra. A Deusa Terra pode ser vista como um símbolo de vida e inter-relação, ou uma conscientização de sentimentos disponível para a comunicação em sua própria defesa. A ciência está aos poucos chegando ao entendimento de que a Terra está viva, e não se trata simplesmente de uma pedra sem vida. O biólogo inglês James Lovelock foi o primeiro a propor a “Hipótese de Gaia” nos anos 70, nomeada em homenagem à deusa grega (laia, declarando que toda vida, incluindo a humanidade, e parte de um complexo organismo da biosfera. Outros extrapolaram essa hipótese chegando à teoria de que a Terra é um set vivo, e todas as coisas na 'ferra são algo parecido com células dentro dela. l’ara as bruxas, não há dúvida de que a Terra está viva A divindade, nossa fonte de vida, presente em todas as coisas, se expressa de várias formas diferentes na bruxaria, O mais comum na fé é a expressão do divino não somente por meio da Terra, mas também pela Deusa, a grande mãe, e o Deus, o pai de todos. Pelas ações desta polaridade, da Deusa e do Deus, a vida foi criada.

Como a Deusa se manifesta por meio da Terra, ela também é inerente à Lua, nos ciclos de mudança que correspondem ao período de menstruá-lo de 28 dias. O conceito de uma Deusa Tripla Virgem, Mãe e Anciã , é vista nas fases da Lua crescente, cheia e minguante, da Terra e das I tensas do Submundo. A Deusa Tripla é vista como aquela que dá a vida, mantenedora e destruidora, todas em uma. As mitologias dos antigos contêm a imagem da Deusa Tripla. Diferentes culturas alternadamente vêem a Deusa no Sol, no oceano, nos rios, no céu e nas galáxias.

O Deus se manifesta em várias faces, incluindo o Pai do Céu, cingindo a Tetra Mãe; o Rei Solar; o Deus de Chifres, o senhor dos animais; e o Homem Grego, o senhor das colheitas. O Deus é mais claramente visto como algo duplo. Na lua crescente ou quarto crescente, metade do ano, ele e aquele que traz a vida, o deus da luz, do Sol e das coisas que nascem. Na lua minguante e na época das secas, outra parte do ano, ele é o deus da escuridão, da morte, dos animais e da caça.

Cada imagem ou arquétipo em nossa consciência coletiva revela um aspecto do divino, Deus e Deusa da mesma forma. Neopagãos e bruxas adularam os deuses e deusas de vários panteões como expressões da Deusa a do I Unis. Geralmente essas expressões agem como soberanos sobre um aspei lo particular da natureza ou da vida humana, tal como uma divindade de

tempestades, do mar, da Lua, da caça ou da magia. Normalmente eles icm mais de um atributo. Até mesmo como expressões do divino, os deuses deusas sao muito reais, entrando em contato com nosso íntimo. Embora as bruxas sejam politeístas, o que significa que elas reconhecem e honram mais de uma divindade, elas reconhecem o único espírito que governa sobre tudo. Talvez a palavra monista, aquele que reconhece o divino em tudo, seja um termo mais adequado, mas a maioria dos pagãos te identifica como politeísta. Os deuses e deusas são expressões desse único espirito, conduzindo a um relacionamento mais pessoal com o divino. Esse espírito único é o que eu chamo de o Grande Espírito. A Deusa e o Deus se movem no amor do Grande Espírito. Eles são aspectos diferentes do divino. Raramente, algumas tradições Wiccans chamam esse espírito de Dryghten, uma palavra que acreditamos ser anglo-saxã e melhor li nilii/ida como “senhor”, mas sem a qualidade do sexo, referindo-se a uma força criativa que é tanto masculina como feminina, a fonte de todas as coisas. Alguns vêem esse Grande Espírito exclusivamente como uma Deusa, que deu à luz o Deus através de sua autofertilização. Mitos antigos, tais como a historia da criação grega, começam com a Deusa que dá à luz seu filho/marido para dar continuidade à criação. Alguns críticos dizem que as bruxas adoram a natureza, e até certo ponto isso e verdadeiro, mas na realidade nós adoramos a força criativa ,encontrada na natureza. Em essência, nos honramos a vida, em toda parte, vemos o divino em todas as coisas e em todos.

Bruxas não têm nada a ver com o Demônio cristão. Para acreditar no demônio, é preciso que se acredite primeiramente nos mitos cristãos, e a maioria das bruxos sente que suas raízes espirituais são datadas de antes do Cristianismo. Nós não somos ingênuos. De fato acreditamos que forças prejudiciais existem e precauções devem ser tomadas, mas não aceitamos um autor máximo e definitivo do mal ou o conceito do pecado. Um mal definitivo ou um bem definitivo é uma polaridade jamais encontrada na natureza. Nos mitos cristãos, Deus é Todo-Poderoso, mas o demônio ainda existe. Para essa ser uma polaridade verdadeira, eles devem ser iguais um ao outro, mas na mitologia cristã, eles não são. Na Wicca, nós nos centramos na polaridade da Deusa e do Deus, e no amor de sua união que faz a vida existir. O amor é o centro, e não o conflito. O conceito da luz contra a escuridão, do bem contra o mal, foi na verdade adotado de religiões zoroastras.

Esteriótipos

Dito isso, vamos discutir os típicos estereótipos das bruxas. Nem todas usam preto. Nós podemos vestir a cor que quisermos. O preto é adequado para rituais por ser uma cor da deusa da escuridão e por ser uma cor que atrai

energia. Os rituais são celebrados à noite pelas mesmas razões, embora muitos deles aconteçam durante o dia também, dependendo da tradição. As bruxas podem se sentir inclinadas a usar preto fora dos espaços dos rituais, mas usar roupas pretas não é uma exigência. Rituais negros e que acontecem no final do dia eram praticados durante a Era das Fogueiras. Se você tivesse medo de ser preso, mantos pretos podiam escondê-lo de possíveis caçadores de bruxas à noite na floresta. O preto é também a cor do clérigo, usado por padres e rabinos. Talvez eles tenham adotado essa prática das bruxas. Bruxos não realizam sacrifícios de animais, embora isso possa ter sido parte de nossa história distante, assim como foi no Judaísmo e em muitas outras religiões. Muitos Wiccans são ativistas dos direitos dos animais e ambientalistas, exercendo uma teoria de “não ferir ninguém”. Bruxas não abusam de crianças dentro ou fora de rituais como parte de sua fé, nem tampouco espalham maldições. Bruxos e outros pagãos na verdade acreditam e praticam a magia. A magia é a arte de realizar mudanças, manifestar seus sonhos e banir as coisas que não mais lhe fazem bem ou que fazem ficar preso. Embora os efeitos possam ser intrigantes e poderosos, a magia geralmenle se muni lesta na forma de coincidências e ligações raras. A primeira vez que você tem sucesso com a magia, e até mesmo na segunda ou na terceira vez, voce pode perder a habilidade, Após sucessos repetidos, entretanto, você saberá que não está mais trabalhando com fantasiosas “Leis de Médias”, e que alguma outra força, chamada de magia, está operando. Magick (Magia) é geralmente escrito com k por praticantes modernos, para diferenciar a palavra da ilusão e dos truques com as mãos.

Feitiços, atos específicos da magia, podem ser criados por meios de ritual ou meditação. Para uma bruxa, feitiços são como orações. Eles são simples atos de enviar uma intenção para o divino, pedindo a ele que se manifeste. A diferença entre feitiços e orações é que as bruxas estudam a natureza do Universo para melhor compreender como criar uma mudança. Muitas pessoas que rezam acham que é um processo de dar e receber, em que alguém tem que desistir de algo “pecaminoso” para receber a dádiva cia oração. Embora sempre exista uma troca de energias, as bruxas sabem que o Universo é sempre abundante. Nós não nos rotulamos como bruxas brancas e negras, como era feito no Período das Fogueiras. Embora a distinção da magia branca e da negra possa ainda ser encontrada nas lições iniciais de magia de rituais elevados, a maioria das bruxas modernas não a aceita. A magia é governada pela intenção.

A Roda do Ano

As mudanças sazonais e feriados são extremamente importantes. A Poda do

Ano é celebrada em feriados rituais que caem nos equinócios, solstícios e pontos nos intervalos, chamados de festivais do fogo. A Roda moderna é uma coleção de ritos tirados das linhagens européias, principalmente dos celtas,

saxões e teutôes. Ela conta a história da Deusa e do Deus, por meio de muitas faces e mitos, conforme elas crescem e mudam através das estações do ano. As estações que vão se alternando a judam os Wiccans a entrar em contato imediato com a divindade, harmonizando-as com o mundo.

O solstício do inverno, também chamado de Yule (Natal), é quando a luz do

Sol começa a crescer. Culturas por todo o hemisfério norte o viam como o nascimento do jovem Deus. Muitas das conhecidas celebrações de Natal foram tiradas do Yule, inclusive a tradição do mistletoe (visco, erva dc passarinho), das achas de Natal e o costume de decorar árvores verdes com luzes (velas), um símbolo da Deusa eterna e do retorno do Deus da Luz. Embora ainda imersas no inverno, a luz e a vida estão voltando para o mundo.

O Imbolc acontece em 2 de fevereiro, um festival do fogo geralmente

dedicado á deusa Brid, ou Bridget. Brid é a deusa tripla da luz, e uma patrona do lar, dos curandeiros, dos poetas e dos ferreiros. Alguns a comparam à deusa grega Héstia, a deusa do lar e da família. Velas são acesas e casas são abençoadas. Grinaldas e coroas do advento são um vestígio da coroa de velas de Brid. O Imbolc é às vezes conhecido como Candelária.

Ostara, o equinócio da primavera, é a celebração do surgimento da Deusa e da ressurreição da Terra. Ela retoma de seu sono de inverno e traz consigo os primeiros sinais da primavera. O festival recebeu o nome em homenagem à deusa teuta Ostre, a deusa do ovo ou da semente. Abençoar e plantar sementes e pintar ovos são parte dessas tradições. Embora tenha recebido seu nome por causa de Ostre, o mito grego de Perséfone surgindo do reino dos mortos para anunciar a estação de crescimento com sua mãe, I )emeter, também ressoa no equinócio. Beltane é o festival do fogo de 1.° de maio. Tradicionalmente, rebanhos eram conduzidos entre duas grandes bolas de fogo de madeira sagrada para purificá-los de quaisquer doenças remanescentes do inverno. Ritos modernos de purificação, tanto com fogo como com água, são realizados no Beltane. Esse dia é dedicado ao deus jovem e impetuoso Bei. O Deus nasceu no solstício de inverno e se transformou em um homem jovem, e exige seu papel de amante da Deusa. A sexualidade e a paixão são comemoradas no Beltane, e danças com os mastros são tradicionais, represen- lando a união do Deus na Deusa Terra.

O solstício do verão, ou Festa de Litha, é o casamento divino da Deusa e do

Deus. Eles estão no ápice de seu poder, assim como a terra no apogeu total e as colheitas sendo esperadas. O dia é o mais longo do ano, dando nos um período maior de luz no céu, quando as portas para o reino das íadas sáo aluadas por completo c nós podemos celebrar com os espíritos do outro mundo. Algumas tradições vêem esse feriado como a batalha dos aspectos do Deus tia luz e da escuridão divididos. O deus da escuridão è vitorioso, exigindo seu trono com a Deusa. Depois vem o Lammas, o festival do fogo de 1.º de agosto. Nas tradições irlandesas Le é conhecido como Lughnassadh, em homenagem a Lugh do Braço Longo, um deus da luz e dos grãos. Seus talentos são muitos e

inigualáveis. Jogos e esportes são praticados nessa festa. Embora original- mente chamado de a Festa do Enterro de Lugh, após a morte de sua mãe, ela agora é associada com a própria morte de Lugh, como o rei dos grãos sacrificado. Efígies de bonecos de milho são queimadas e os primeiros grãos da colheita são cortados e oferecidos aos deuses em agradecimento. O sacrifício do velho Deus anuncia os frutos da primeira colheita. A segunda colheita é a safra de frutas e vinho no equinócio do outono. Nomeada em homenagem ao deus celta Mabon, que se perde no submundo, esse é um tempo de viajar para o sombrio. O vinho é uma das formas de se abrirem as passagens mágickas entre os reinos. Mitos de outros deuses de colheitas, especialmente aqueles associados ao vinho, como Dionísio, sao comemorados. Samhain (pronunciado “sou-en”) é a tradicional colheita de carne e o Ano Novo dos celtas. Comemorada no dia 31 de outubro, ela foi transformada no atual Halloween, mas era um festival pagão muito importante. Samhain é o dia dos mortos. Já que o rebanho foi chacinado e a carne foi salgada e defumada para o inverno, esse era o dia em que o primeiro do i cbanho era abatido, abrindo os véus entre o mundo. Já que o dia no qual se celebra a morte, ancestrais do passado são associados a ele, voltando através do oculto para dar bênçãos e conselhos. Refeições da alma são preparadas para os mortos, despedidas são declamadas aos entes perdidos e velas sáo acesas para marcar seu caminho de volta. No final, essa brandura do véu se torna um acontecimento horrendo, e trajes são usados para espantar os que caminham entre os mundos, embora originalmente isso fosse uma parle normal da cultura, sem medo ou terror. Esses oito festivais são chamados de Sabás (sábados, dias de descanso), embora as tradições individuais os celebrem de formas diferentes. O termo se volta para o Período de Fogueira, para o Sabá hebraico, quando as In lixas e os judeus da mesma forma eram perseguidos como hereges. Bruxas modernas adotaram a palavra. Um Esbá se refere a um outro tipo de i lliinl, gemlmente um ritual da Lua. Os Esbás são tipicamente círculos particulares, para covens, pequenos grupos que trabalham juntos a magia. A comunidade e a família são geralmente bem-vindas nos Sabás, que são mar. cheios de celebração em sua natureza. Com os Esbás, o objetivo é liahalliar a magia em um ambiente íntimo. Esbás normalmente coincidem i om as luas cheia e escura. Bruxas celebram as treze luas do ano lunar. O termo círculo e às vezes usado como sinônimo de Esbá, ou com um grupo de praticantes, mas um círculo especificamente se refere ao ritual do círculo, uma cerimônia de celebração e magia chamado de círculo da bruxa, círculo da lua ou círculo do mago. Os círculos sãoo lançados tantos nos Esbás como nos Sabás ou em qualquer outro acontecimento mágicko, dependendo da tradição.

Rituais de vida, ou ritos de passagem, são realizados com os feriados. ('orno os povos tribais, pagãos marcam pontos de virada na vida com uma cerimônia ou um ritual. As tradições são individuais, mas geralmente o nascimento, o passar dos anos, enlace de mãos (casamento ou associações), irmandades e a morte são celebrados.

Liberdade Pessoal

Por último, as bruxos buscam a liberdade do dogma, a liberdade para pessoal mente se aprofundar nos mistérios do divino e encontrar suas próprias respostas. Pode haver recomendações e guias em cada uma das tradições, mas não existe uma bíblia oficial. Nossa bíblia é o ciclo das estações. Nossas canções são as canções da Terra. Não existe nenhuma autoridade central. A experiência de outros pode nos ajudar a encontrar nosso caminho, mas fundamentalmente nós trilhamos caminhos individuais. Outros podem nos apoiar, guiar e nos confortar, mas não podem fazê-lo por nós. Nós somos nossos próprios intermediários até a Deusa e o Deus. Cada indivíduo esforça- se para ser seu próprio clero. A magia é usada porque funciona, assim como a meditação e as habilidades psíquicas. Não precisamos acreditar cegamente porque somos guiados pela experiência. Os bruxos não simplesmente acreditam, realizam. Tais espíritos livres reconhecem que nenhuma pessoa ou religião tem a resposta. Por sermos politeístas, com alegria aceitamos outros pontos de vista sem nos sentirmos ameaçados. A maioria de nós vem de outras tradições e busca escapar do dogma. Alguns ainda sentem raiva por causa das perseguições do passado e culpam o dogma e a intolerância, mas para a grande maioria os bruxos não alimentam quaisquer opiniões contra outras religiões. Nós vivemos e deixamos viver.

Tradições da Bruxaria

Cada um desses caminhos dentro da bruxaria contém um foco diferente. Nenhum deles é totalmente certo ou errado, mas são somente correios para um indivíduo em um certo momento de sua vida. Todos têm seus méritos e inconveniências. Para o estudo mais abrangente dos grupos pagãos modernos, cspecialmente nos Estados Unidos, eu recomendo Drawing DOWN The Moon, de Margot Adler.

Alexandriana

A tradição fundada por Alex Sanders é bastante semelhante ao estilo (iardneriano. Sanders afirmava ler sua própria divisão da biuxana dada a ele por sua avó, mas na verdade ela era muito parecida com a de Garnder. Seu conhecimento anterior na magia cerimonial acrescentou pontos à evolução da bruxaria, e como um astro natural ele atraiu um grande número de pessoas para a bruxaria. Sanders era chamado de o “Rei das Bruxas” dentro de sua tradição, mas não foi reconhecido como um rei em outras tradições de bruxaria.

Esse foi um simples título honorário dado por aqueles que pertenciam à sua linhagem. Como os covens gardnerianos, os covens íilcxandrianos sobreviveram até os tempos presentes e é preciso ser iniciado dentro de um já existente para fazer parte dessa linhagem.

Cabot

A tão conhecida bruxa Laurie Cabot estabeleceu duas tradições entrelaçadas em uma. Sua primeira, a bruxaria como uma ciência, encara a bruxaria de um ponto de vista prático e analítico, enquanto sua tradição Cabot se centraliza na religião. Ela a vê como uma tradição pré-gardneriana, baseada em seu treinamento original, sua memória genética, herança celta e em sua própria inspiração.

Celta

A bruxaria celta não é uma tradição específica no sentido de uma linbagem formal, mas marca uma bruxaria praticada com um sabor celta distintivo, senão exclusivo. Rituais, mitos e formas de deuses são escolhidos a partir do conhecimento celta, e freqüentemente baseados em informações insuficientes sobre a tradição dos druidas.

Wicca Cristão

Embora eu tenha me sentido inicialmente hesitante em adicionar aqui essa categoria, a emergência de “bruxos cristãos” está se tornando mais prevalecente. Geralmente, bruxos ecléticos não têm razão para deixar para lias sua fé cristã original e disso incorporar elementos de ambos em suas li adições pessoais. A magia popular sobreviveu ao se proteger no Cristianismo e por ter incorporado a mitologia. Infelizmente, os bruxos cristãos icm visões curiosas dos pagãos que renunciaram ao Cristianismo e enxergam as duas coisas como incompatíveis.

Diânica

A tradição Diânica é considerada uma ramificação da Wicca feminista. honrando a deusa da Lua e da caça, Diana, conhecida como Artêmis paia os gregos. Os covens diânicos são normalmente formados exclusiva- nicnlc por mulheres, e alguns são exclusivamente lésbicos também. Geral- mente esses covens centralizam sua energia na Deusa como a Grande Mãe e enadora. lí importante observarmos que nem todas as tradições feministas sao necessariamente diímieas.

Faery ou Feri (Mundo main lado das fadas)

Essa é uma Tradição fundada por Victor Anderson e Gwydion Pendderwen. Anderson foi iniciado em um coven de bruxas organizado de forma livre em Oregon quando tinha nove anos deidade. Elas se intitulavam fadas, e ele aprendeu sua magia e ritual, antes das tradições criadas por (iardner. Inspirado pelo trabalho de Gardner, e mais tarde pelo Livro das Sombras Alexandriano, Anderson e Pendderwen, um amigo da família, formaram um coven e escreveram os rituais da tradição Faery. O autor Slarhawk foi iniciado na tradição Faery. Alguns usam esse termo para todas as tradições que honram o mundo das fadas.

Eclética

Bruxos ecléticos são aqueles que não seguem nenhuma tradição ou caminho específicos, mas sentem-se livres para tomar emprestados aspectos do muitas tradições e culturas diferentes. Um bruxo eclético entende as regras fundamentais da magia, mas cria rituais que atendam a necessidades e gostos pessoais. Existem indicações, mas não regras rígidas. Pode-se estar igualmente trabalhando com os deuses celtas, gregos, hindus ou egípcios. Este praticante pode estar em um coven, trabalhando de forma solitária, ou ambas as coisas. Essa forma livre de bruxaria é uma das mais populares porque garante a liberdade e dispensa a estrutura hierárquica. Uma pessoa pode ser iniciada por outra, ou realizar um ritual de auto-iniciação para a Deusa e para o Deus.

Gardneriana

A bruxaria gardneriana é considerada a forma mais tradicional de bruxaria, da qual a maioria dos caminhos modernos é desenvolvida. O maiorial foi tirado da própria experiência de Gerald Gardner, de sua criatividade e inspiração, junto com as informações de Doreen Valiente. Como a fama de Gardner se espalhou

e ele iniciou mais pessoas para sua arte, sua li adição se disseminou para a Grã-Bretanha e mais tarde para a Europa, os Estados Unidos e a Austrália. Para se tomar um membro dessa tradição, a pessoa deve ser iniciada por um outro membro.

Greco-romana

A maioria das pessoas é apresentada ao paganismo pela mitologia clássica

grcco-romana ensinada em muitos sistemas escolares. Esse encontro dá início

a um caso de amor no relacionamento neopagão com essas formas de deuses,

e, mais tarde na vida, tais indivíduos escolhem trabalhar alivamonle com essas

divindades. Os mitos gregos e os romanos contêm muilas de nossas primeiras idéias da bruxa. Alguns especulam que as verdadeiras origens da bruxaria e muitas das

adorações a deusas vieram de territórios ao redor da Grécia, tais como Atrácia

e a Tessália. Os cultos misteriosos de Dionísio e Demélrio evocam uma magia

poderosa em nossos corações. Covens gregos e romanos exis tem ale hoje, mas eles náo são necessariamente linhas fechadas de uma tradição específica de bruxaria Sao normalmente baseadas em materiais greco-romanos, porém se algumas tradições de famílias celtas supostamente sobreviveram até os dias atuais, então talvez as tradições mediterrâneas também tenham sobrevivido.

Bruxaria Verde

A Bruxaria Verde é uma categoria um tanto mais ampla, às vezes usada como sinônimo de bruxaria celta, bruxaria de cozinha, tradições de fadas ou de magia natural, com ervas. Herbanários que não estão na verdade praticando a Wicca às vezes referem-se a si mesmos como os bruxos verdes.

Hereditária (ou Tradição Familiar)

Bruxos hereditários reivindicam uma linhagem anterior ao início da bruxaria Gardneriana. Eles afirmam que suas próprias tradições individuais foram

passadas por intermédio de seus familiares, e que eles são bruxos hereditários por meio da linhagem de sangue. Depois de os atos contra a bruxaria serem anulados, algumas tradições familiares saíram dc seus esconderijos. Talvez outros ainda permaneçam longe do alcance dos olhos do público e não tenham

o desejo de se unir à Renascença da bruxaria.

Fadas Radicais

Essa não é uma tradição formal, mas um movimento liberal de gays buscando a espiritualidade e a bruxaria pagã, fazendo uso da palavra faery (mundo encantado, fadas) como uma palavra de magia e mistério. As reuniões são bastante primitivas e cheias de diversão, não baseadas em uma rsirutura rígida, mas apenas de divertimento e alegria.

Seax Wica

Raymond Buckland criou a tradição Seax Wica. Originalmente um (lardneriano e um instrumento na vinda dessa tradição para a América, buckland fundou sua própria tradição no início dos anos 1970 usando uma herança saxã. Seax Wica é mais aberta e democrática na prática do que os Wiccans Clardnerianos ou Alexandrianos.

Solitária

Os bruxos solitários são aqueles que praticam sem um coven, e geralmente não se beneficiam do treinamento de um coven. Em vez disso, eles aprendem por conta própria, com livros, conversando com outras bruxas, e com a ajuda da natureza e dos deuses. Você pode se tornar um bruxo solitário pela auto iniciação, ou pode vir de uma outra tradição e escolher praticar sozinho. Os bruxos solitários são normalmente bruxos ecléticos também.

Stragheria (Italiana)

A prática da bruxaria na Itália é chamada de Stregheria, e uma bruxo é uma Stregone. As palavras se referem à tradição da bruxaria italiana documentada por Charles Leland, afirmando uma tradição pré-Gardneriana (|uc misturava práticas antigas romanas e etruscas. Alguns são primeira- mcnlc iniciados nas tradições, enquanto outros de descendência italiana exigem esse título. Raven Grimassi, autor de A Bruxaria Italiana (ante- riormente chamado de O Caminho da Bruxa), é bastante responsável por reacender o interesse nesse caminho pouco conhecido e ainda assim uma grande raiz da bruxaria.

Xamanismo Wiccan

O Xamanismo Wiccan é uma criação de Selena Fox, Alta Sacerdotisa do Santuário do Círculo. Esse caminho combina a Wicca com técnicas xamímicas centrais, com a psicologia moderna e uma visão multicultural. Os rituais são semelhantes às reuniões africanas ou nativas americanas com tambores e música, transe estático e trabalho de visão pessoal. Os termos Bruxaria Xamânica ou Wicca Xamânica são usados para se referir a outras práticas que incorporam essas idéias, mas não estão necessariamente sob a direção de Selena Fox.

Outras Tradições Mágickas

As práticas seguintes não são especificamente formas de bruxaria moderna, mas são normalmente associadas à magia, aos rituais e ao neopaganismo.

Asatru

Asatru é uma forma de paganismo fortemente associada aos Wiccans. Enquanto muitos Wiccans modernos se centralizam na herança celta, os Asatrus são os seguidores modernos do Aesir, a raça governante de deuses da mitologia nórdica. Os Asatrus quase sempre se voltam para a magia rúnica. Às vezes classificados como conservadores por outros neopagãos, os Asatrus se ori- entam em suas próprias heranças culturais e não incorporam materiais de outras culturas, tais como o tarô ou o I Ching, embora um praticante individual possa usar essas ferramentas. Enquanto a maioria dos caminhos nórdicos se identifica com os Aseir em geral, alguns usam o termo Vanatru como seguidores da tribo dos deuses Vanir. Seguidores de Odin podem usar o nome Odinista. Pagãos da tradição nórdica geralmenle preferem ser chamados de pagãos.

Brujeria

Brujeria é uma tradição de bruxaria das Américas Central e do Sul. Mulheres são brujas e os homens são brujos. Como em seus equivalentes europeus, eles trabalham a magia natural por meio das ervas e de encantos, e curam por meio de remédios mágickos e populares. Embora o papel e a I unção da bruja sejam quase idênticos aos de uma bruxa, essa tradição não possui uma ligação direta com a evolução da Wicca, a não ser um interesse crescente por aqueles que exploram as tradições da bruxaria por todo o inundo.

Reconstrucionista Celta

Alguns poucos grupos celtas pagãos são chamados de “Reconstruci- onistas Celtas”, embora “reconstrucionista” possa ser aplicado a qualquer li adição cultural. O termo é usado para diferenciá-los de uma tradição Wiccan. Reconstrucionistas celtas buscam seguir as tradições celtas antigas o mais de perto possível, baseados no conhecimento moderno e erudito. Se uma prática, como o círculo mágicko formal, não é documentada na literatura e nos mitos existentes, então ela é ignorada em favor de algo mais plausível.

Cerimonial

A magia cerimonial se refere a muitas tradições diferentes, mas a maioria é geralmente baseada na Cabala, Herméticos, Maçonaria, alquimia ou no trabalho de várias facções da Golden Down, que usa todas elas. Thelema, a

tradição de Aleister Crowley, está agrupada com a magia cerimonial. A magia cerimonial é também chamada de magia elevada, enquanto a bruxaria é chamada de magia baixa. “Elevada” e “baixa” se referem nos níveis de conhecimento técnico, não de poder. Praticantes se referem a M mesmos como mágickos ou magos, não bruxos, mas alguns bruxos incorporaram elementos da magia elevada em suas próprias práticas. Mágickos cerimoniais são freqüentemente pagãos, mas isso não é uma regra.

Magia do Caos

A magia do caos é um termo aplicado a uma filosofia, não a uma tradiçao. Ela

é creditada a Peter J. Caroll, embora seu livro Liber Null não use as palavras

caos e magia. A filosofia cresceu a partir do ocultismo inglês nos anos 1970 e

início dos anos 1980. De muitas formas, ela foi inspirada por Aleister Crowley. O trabalho de Crowley não foi tão importante quanto sua vida. Embora desagradável para alguns, sua vida foi um exercício em experimentação. A partir dessa experimentação variada, ele criou uma visão do mundo em contínua evolução, sua própria tradição, que mudava conforme ele mudava. Embora tenha estabelecido seus trabalhos como um guia para outros, se seguíssemos seu exemplo, não levaríamos seu trabalho ao pé da letra e criaríamos nossa própria tradição baseada em nossas experiências. A magia do caos incorpora uma atitude de "tudo é válido”, semelhante ao slogan comercial da popular marca de tênis “Just do it” (Vá em frente). Criar teorias sobre a magia é simples, mas realize, experimente e use tudo o que funciona. Não se apegue ao sistema. Fontes de material podem não vir somente dos celtas um dia, dos gregos no dia seguinte, mas também de Guerra nas Estrelas

e Cinderela. Se uma imagem da cultura popular funciona para você, use-a até

que ela não lhe sirva mais, e então tente algo novo. A magia do caos nasceu da magia cerimonial, e ela favorece o uso modificado de símbolos e conceitos, mas se ramifica em várias direções a partir desse ponto. Eu já ouvi essa filosofia ser descrita como sendo eclética ao extremo.

Druidismo

O Druidismo é um movimento reconstrucionista pagão baseado nos ensinamentos dos Druidas. Já que a tradição druida original era oral, poucos rituais diretos e ensinamentos estão disponíveis. A renovação dos druidas começou no início do ano de 1600 e continua a existir até os dias de hoje. Enquanto a palavra Druida indica alguém que segue especificamente um caminho celta, usando o gaélico nos rituais, os primeiros reconstrucionistas aplicavam uma definição muito mais ampla à palavra, incorporando o Cristianismo e a Maçonaria na prática com pouco conhecimento da cultura celta pagã. Muitos na realidade não se consideravam grupos pagãos, mas sociedades filosóficas, embora eles sejam muito menos comuns hoje. Os grupos se organizam em “arvoredos” e não em covens, e várias grandes

organizações druidas existem. Isaac Bonewits, autor de Real Magia, esteve à frente do renascimento dos druidas neopagãos.

Egípcia

A magia egípcia está viva e presente no século XXI, embora tenha passado por algumas mudanças. Assim como muitas tradições místicas antigas, ninguém tem absoluta certeza sobre as exatas práticas egípcias, porém grupos neopagãos reconstruíram tradições com base nos mitos, textos, símbolos e mistérios antigos dos egípcios. Muitos pagãos contemporâneos são levados à imagem de Isis e Osíris como

a divina Mãe e o divino Pai, mesmo que não pratiquem a tradição egípcia.

Nova Era

A espiritualidade da Nova Era não é necessariamente uma tradição dc magia, mas tem muitas coisas em comum com as bruxos, os pagáos e os magiekos, já que eles geralmente se agrupam, especialmcnle cm livrarias. Práticas da Nova Era incluem meditação, cura, guias espirituais, cristais, ervas, habilidades psíquicas, cantos, cerimônias e visualização. Blavatsky, Cayce e até mesmo ensinamentos antigos pagãos influenciam a visão coletiva das pessoas envolvidas na Nova Era. A maioria apoia bastante os trabalhos, mas existem alguns mal entendidos. O maior deles é a suposição em nome dos pagãos de que aqueles envolvidos com a Nova Era são “calmos” e somente pregam “o amor e a luz”. Por outro lado, praticantes da Nova Era vêem os pagãos como seres “sombrios” e “deprimentes”. O ponto da Nova Era é a habilidade de todos viverem em harmonia, de viver e deixar viver.

Santería

Santería é uma tradição religiosa que foi trazida para as Américas da AI rica pelo trabalho escravo, centrando-se particularmente nas tribos Yorubá. A palavra vem do espanhol Santo, que significa também “santo” cm português. A fé contém um panteão de deuses chamado de orixás. Quando no Novo Mundo, os orixás se disfarçavam de santos, porque os escravos eram forçados a se

converter ao Catolicismo. A religião é a prática de honrar e cuidar dos orixás, que trazem bênçãos. Sacerdotes e sacerdotisas conduzem cerimônias, curas e bênçãos, realizando encantos de magia e conversando com espíritos. O papel

é congruente ao da bruxa ou xamã.

Xamanismo

O xamanismo é a prática da magia e das curas das culturas nativas

americanas. A palavra shaman (xamã) é siberiana, mas refere-se aos cu- randeiros e curandeiras dos povos indígenas na Sibéria e nas Américas do Norte, Central e do Sul. Os xamãs entram em um estado de transe, geral- mente pelo uso de meditação, batidas de tambores, danças ou psicotrópicos,

para aguçar o véu espiritual e se comunicar com espíritos, ancestrais e seres de poder, para trazer sabedoria, cura e energia para a comunidade.

Os xamãs são em parte líderes religiosos e em parte donos do conhecimento,

doutores, herbanários e conselheiros. Antropólogos perceberam que essas

posições eram preenchidas por pessoas semelhantes por todo o mundo, cunhando o termo “xamanismo central” para distinguir entre os xíimiís

americanos tradicionais e seus companheiros globais. Visto que a crença geral

é a de que as bruxas antigas eram os xamãs da Europa, as bruxas modernas

podem olhar para as práticas das Américas para encontrar os elos que faltam

na herança dos Wiccans.

Voudoun

Voudoun, ou Vodu, é uma religião politeísta com raízes profundas na Alt ira, mas foi trazida para o Novo Mundo por meio do comércio de escravos nas colônias francesas, como no Haiti e em Nova Orleans. A prática é semelhante

ã Santería, embora esta tenha um sabor decididamente espanhol. Os deuses

do vodu são chamados de loas, que significa “leis”, e lambem estão associados aos santos católicos. Embora as práticas do Vodu e da Santería não sejam

bruxarias por si próprias, servem para a mesma função que as bruxas nessas sociedades africanas transplantadas. Grandemente graças a Hollywood, o Vodu e a única religião com um estigma pior do que a bruxaria, mas as tradições africanas são bastante amáveis e de cura, como a bruxaria.

Um grande número de outras tradições pagãs nasce em diferentes ciilluras, incluindo a sumeriana, a finlandesa, a eslava, a hindu, a asiática e a polincsia. Alguns fazem uso da palavra bruxa ou Wicca. A maioria não. Muilas outras tradições, associações, igrejas, templos e covens existem, Iodos praticando em sua própria ramificação dos mistérios. O ressurgimento neopagão nos dá toda

a liberdade espiritual para projetar a tradição de magia que queremos e exigir a herança, nomes e títulos que servem nossos pontos bons. Embora seja sempre importante saber de onde vem sua prática, o fator mais importante é saber para onde ela vai.

O Caminho das Bruxas

O caminho das bruxas nem sempre é fácil de trilhar. Através das raízes de nossa história, vimos a perseguição daqueles que praticam a arte da magia e os mistérios da Deusa e do Deus. Embora a morte não seja o resultado nos dias de hoje, os bruxos ainda são discriminados. Se você é capaz di* lidar com as dificuldades, a vida do bruxo é bastante alegre, repleta de estudos e explorações que nunca terminam. Os bruxos aprendem muitas disciplinas para exercerem seus trabalhos. O aluno precisa ser dedicado, mas também deve ter a paixão e a chama necessária para viverem como verdadeiros bruxos. A bruxaria está constantemente se adaptando e evoluindo, chamando para se juntar a ela pessoas criativas e desafiadoras.

É preciso estar ciente dos sentimentos e dos conflitos internos para ser um mestre da alma e de suas razões. Bruxos eram tradicionalmente curandeiros e no passado desempenhavam o papel que psicólogos e terapeutas desempenham hoje. Então, como atualmente, o velho adágio “Médicos, curem a si mesmos” está crítico. Antes de poder aconselhar outros, e preciso que você esteja ciente de seus próprios problemas. Mais importante dc tudo, uma futura bruxa deve estar totalmente fundamentado no mundo “real”. Nós mergulhamos no espiritual, mas não em detrimento de nossas vidas e responsabilidades diárias. Pelo fato de lidarmos com os reinos mágickos, precisamos sempre saber como fazer para voltarmos para o mundo físico. A magia não é uma fuga da realidade. Diferentemente de outras tradições, o físico é visto como o divino, a Deusa e o Deus, se manifestando. Uma forte ligação com a Terra e com tudo o que vive nela é crucial. Aqueles que buscam respostas são quase sempre levados à bruxaria por causa da fascinação, do mistério e do poder, na esperança de uma vida ninis fácil após se proclamarem bruxos. A magia é capaz de fazer as coisas fluírem mais siiavemenle na vida, e a paz de espírito cpie uma prática espi ninai proporciona pode fazer parecermos outros que a vidaé perfeita; porém, os bruxos sáo pessoas e têm as mesmas esperanças, sonhos e problemas que lodo mundo. Eles as vêrm através dos olhos mágickos de uma bruxa.

Se O caminho é novo para você, pare e pense por alguns instantes. Por que você quer estudar esse material? Você quer se tomar um pagão, um Iniixo, um Wiecan ou um outro praticante mágicko? Se sim, por quê? O que o faz sentir- se atraído? Você já procurou outros caminhos e tradições espirituais'/ Eu faço essas perguntas não para desencorajá-lo, mas para fazê- lo refletir sobre suas intenções antes de abrir essa porta. Se você está apenas fazendo uma leitura e experimentando educar-se nessa possibilidade, isso é maravilhoso! A educação é algo sem igual. Sempre examine antes de se entregar a algo novo. Se você intuitivamente se sente atraído para este caminho, siga sua intuição. Essa é uma das lições mais importantes que já aprendi. Intuição, sua voz interior, é a chave.

Se você decidir que quer estudar a bruxaria e se tomar um bruxo ou bruxa, veja as qualidades que bmxos experientes têm: autoconsciência, respeito, responsabilidade e amor pela vida. Possuir esses atributos não faz automaticamente de você um bmxo. Essas são ótimas qualidades para qual- quer pessoa, mas têm uma importância especial no coração da bruxa. Nem todas as bruxas concordam com todos esses aspectos, mas a intenção geral ê a mesma. Ainda mais importante, uma bmxo no mundo deve ser autoconsciente. Isso significa que deve praticar alguma forma de introspecção. Pode ser meditação, rituais diários, escritas em periódicos ou caminhando pela natureza. Qualquer coisa serve, contanto que isso acalme sua mente e lhe permita refletir sobre você mesmo e seus relacionamentos com a criação. A autoconsciência estimula um desejo pelo respeito e pela auto-estima. Na verdade, é essencial para estudos e sucessos futuros na magia. Rituais Wiccan são baseados em um conceito de Amor Perfeito, o que outros chamam de amor incondicional. Se você não é capaz de amar a si mesmo, jamais irá gerar um sentimento de Amor Perfeito para um ritual. Você jamais irá sentir o amor incondicional dado a você pela Deusa e pelo Deus, e jamais será capaz de retribuir o sentimento. Quando me envolvi com a bruxaria, eu era um jovem muito cheio de rancor. Não violento, mas com raiva do mundo por acreditar que só existiam aqui crueldade e injustiça. Criado e escolarizado no Catolicismo, eu caí no agnosticismo. Eu acreditava em alguma coisa, mas não tinha certeza do que aquilo podia ser. Em um determinado momento me voltei para a ciência, mas ela me deixou com muitas perguntas sem respostas. Havia vai ias experiências intrigantes acontecendo comigo que a ciência simplesmente uao podia explicar, alem de afirmar que tudo não passava de minha imaginaçao, mas tudo me era muito real. Assim, encontrei a bruxaria no momento certo. Meu primeiro professor sório valorizava o amor próprio e a auto estima como as chaves de Ioda a magia. Eu sabia que não tinha essas qualidades e dei inicio a uma prática regular de meditação e afirmação para alcançar a cura e o amor próprio.

Se você tem respeito por si mesmo, poderá ter respeito por outras pessoas e suas visões, mesmo que não concorde com elas. O respeito inclui iodas as formas de vida. Uma bruxa passa a entender que através de experiências mágickas todas as coisas têm vida, transbordando com magia, desde as árvores, as plantas, os animais e os oceanos, até a grande cidade e mesmo as partículas de areia. Parte do respeito por si mesmo e pelo mundo é responsabilidade. Pensamentos, palavras e ações são veículos para chegar ao poder; poucas pessoas aceitam encarar a responsabilidade total por todas as três. Com o desenvolvimento da habilidade mágicka, seus pensamentos podem se ma- nifestar tão facilmente quanto suas palavras e ações, portanto uma bruxa deve ter cuidado ao manifestar pensamentos prejudiciais. Isso não é tão Incil quanto parece, mas é um passo essencial para chegar ao poder. Enquanto seu poder cresce, você tem que assumir total responsabilidade por ele, ou então nem comece a buscá-lo.

A responsabilidade também se manifesta em sua vida pessoal, enquanto você interage com o mundo. As bruxas se guiam com integridade ,e decidirem ajudar outras pessoas com a vidência, curas, conselhos espirituais ou um feitiço ou ritual de auxílio. Muitos vêem aqueles que estão no caminho do antigo como zeladores do mundo, aqueles que são capazes de ver e ouvir a vida secreta da Terra. Os instintos desses zeladores freqüentemente se

manifestam nos atos da responsabilidade comunitária, incluindo a participação em movimentos em busca de direitos civis, de animais e ambientais.

A qualidade mais importante da bruxa é uma dose saudável de amor pela vida.

Você deve procurar aproveitar os prazeres da vida em todos os níveis. Um segredo para isso é um bom senso de humor. Rir é a melhor lorma de magia. Uma bruxa ou bruxo que não é capaz de rir de si mesma ou dc si mesmo encara tudo com seriedade demais. O mundo é um lugar de maravilhas e magia. Esteja centrado em sua jornada, mas não tão centrado a ponto de não se divertir com o passeio. Como consciência dessas qualidades, você poderá tentar incorporá- Ins em sua vida diária. Mas como de fato tomar-se uma bruxa? Para isso uno existe uma resposta simples. Tradicionalistas acreditam que é preciso uma bruxa para existir outra, o que significa que você tenha de encontrar e estudar com um bruxo ou bruxa. Após um período de treinamento, você é Ioi malmcnte iniciado. Aqueles que voltarem no tempo até o velho significado de bruxa, como uma sábia ou sábio, acreditam que você admite uma le paga e começa a praticá-la, aprendendo seu trabalho e seu caminho pessoal. Após acumular conhecimento e sabedoria, você se autodenomina uma bruxa. As pessoas começam a procura lo em busca de conselhos, leituras, ensinamentos e ajuda, como faziam nos tempos antigos. Infelizmente, essa pode ser uma estrada dura, já que a velha e experiente bruxa não é mais tão procurada neste mundo devido à medicina convencional e à psicologia.

Nem todas as bruxas caminham pela estrada dos curandeiros ou conselhei- ros, e a maioria mantém sua prática privada e pessoal. As bruxas ecléticas normalmente afirmam que somente a Deusa e o Deus podem fazer de você uma bruxa ou bruxo, e sua iniciação é um assunto pessoal entre você e eles. Você pode treinar com a ajuda de livros e se auto-

inieiar quando se sentir preparado. Muitas bruxas do mundo são auto-iniciadas.

A auto-iniciação tem seus altos e baixos. A liberdade e a expressão pessoal

são maravilhosas, mas a falta do contato face a face com seu mentor pode ser difícil. Ecléticos geralmente estudam com muitos professores, cursos e tradições, mas acabam forjando seu próprio caminho. Antigamente existia um estigma associado às bruxas informais, mas a auto-iniciação está se tornando cada vez mais aceita. Se você escolher esse caminho, o material encontrado no livro O Templo Interior da Bruxaria é uma excelente fundação para a construção de seu poder pessoal e conhecimento. A partir daí, você pode dar continuidade em seu caminho de bruxa ou se aprofundar em outras áreas. Os capítulos restantes são estruturados como lições, com exercícios e tarefa de casa, culminando com um ritual de auto-iniciação.

Mantendo Registros De Mágicka

Um dos ingredientes-chave para a bruxa é a introspecção. Esse trabalho é facilitado se você mantiver um registro em que possa pesquisar, para ver onde estava, onde está e aonde espera chegar. Se você não mantém um diário regular, esse é o momento de começar. Um diário é um lugar para você escrever sobre seu dia, os acontecimentos em sua vida e como você se sente e pensa. Ninguém precisa lê-lo, a não ser você. Você poderá se surpreender. Para tomar uma idéia emprestada de Julia Cameron, em seu trabalho The Artist’s Way: A Spiritual Path to Higher Creativity, devemos escrever pelo menos três páginas por dia, pela manhã ou antes de ir dormir. Assuma o compromisso consigo mesmo de fazer isso todos os dias. Se você não for capaz de pensar em tanta coisa para escrever, complete três páginas inteiras escrevendo a frase “Eu não consigo pensar em nada para escrever” ou algo parecido. Eventualmente ficará entediado e ira começar a escrever sobre sua vida. E você não pode escrever todos os dias sobre sua vida sem examinar o que está em equilíbrio e o que não está nulo bem. Essa introspecção irá provocar você a buscar o equilíbrio, a harmonia e a felicidade para sua vida. Se deixar de escrever um dia, náo se puna por isso, mas eomece novamente e reafirme seu compromisso de continuar. O alo de escrever um diário pode mudar sua vida, Você também irá precisar manter um registro mágicko. Bruxas e magos dos tempos antigos eram conhecidos por seus livros de fetitiços, encantos e grandes livros empoeirados de magia. As bruxas mantêm um Livro dasSombras, o livro de rituais usado por Gardnerianos e Alexandrianos, copiado à mão dos altos Sacerdotes e Sacerdotisas para se iniciarem. Com o passar dos anos, feitiços, meditações e outras informações são adicionados a ele, tomando as informações mais pessoais. Para as bruxas ecléticas, o Livro das Sombras é um diário mágicko, cheio de seus verdadeiros rituais, feitiços e experiências. Você estará registrando suas experiências por meio de diversos exercícios e meditações. Mais tarde, estará registrando feitiços, poções e símbolos de sua prática.

Cada um desses pode ser feito em um caderno separado ou em diários, ou então todos em um único caderno. Você pode dividir um livro em seções para uma simples referência, ou então deixar que tudo se misture. Eu costumava separar meu diário mágicko de meu diário mundano. De início acreditava que algum dia iria pensar que esse negócio todo de bruxaria era uma loucura e que então deixaria tudo de lado, e não gostaria mais tarde de me lembrar de minhas maluquices. Por isso mantive-os separados. ('onforme crescia como um bruxo, os dois acabaram se tomando uma coisa só, muito diferente do que podia imaginar. Minha vida diária é mágicka, então como posso separá-los? Com o tempo decidi adquirir um fichário de couro e o dividi em seções.

A importância do registro mágicko nos faz lembrar do segredo da antiga

bruxaria. Devido às perseguições e conversões das novas religiões, as tradições específicas da bruxaria foram em sua maior parte perdidas. Praticantes modernos ressuscitaram as novas tradições a partir dos preceitos dos antigos, e registros hoje são mantidos para que as tradições nunca se percam novamente.

O segredo é importante por uma outra razão. Atos foram mantidos cm silêncio

não somente porque era mais seguro dessa forma, mas porque a magia funcionava melhor quando mantida em segredo. Pensar ou compartilhar de seus feitiços com outros faz a energia diminuir enquanto eles tentam manifestar seu desejo. Visualize um ato de magia como se estivesse enviando uma bola de energia. Essa bola será lançada no Universo para fazer o que você tenha escolhido. O ato de falar sobre essa bola a trará de volta. Uma parte da energia irá voltar para você, sem se realizar. Se você talar demais estará minando a energia da bola e sabotando seu próprio feitiço.

A Pirâmide das Bruxas

O preceito de silêncio vem do ensinamento da pirâmide das bruxas. Essa não

é uma construção verdadeira, mas uma filosofia de magia baseada na imagem

da pirâmide. Muitos sentem que a magia e a essência da bruxaria vieram da terra das pirâmides, o Egito, das antigas religiões da deusa do Nilo.

A base da pirâmide é formada por quatro pontos, um para cada um tios quatro

elementos. O primeiro é a terra e o conceito do “conhecer”, lissa é sua intenção evidente. Você precisa saber o que quer antes de poder la/,cr isso acontecer.

Mais importante, você precisa conhecer a si mesmo e saber quais são seus desejos. O resultado disso é para o seu bem? A terra é o elemento do físico e

da prática. Todas as coisas do “mundo real” caem sobre o reino da terra, como

a saúde, o dinheiro e o lar. O segundo ponto é "desejar” e o elemento fogo.

Você tem a força de vontade de manifestar sua intenção evidente. Sem o apropriado desejo, a magia não pode dar certo. A auto-estima e o autoconhecimento são chaves para sustentar seu desejo. O logo é sua força de vontade, sua paixão e guia. O fogo lhe mostra o caminho. O terceiro ponto é “ousar” e o elemento ar. Você ousa fazer a magia e segui-la com ação. Você tem fé que será manifestada. Você acredita que aquilo é possível. O ar é o poder da mente, do lógico, da comunicação e tia criatividade. O quarto

elemento é “manter segredo” e está relacionado â água. A água são as emoções, o místico e o desconhecido. O ponto do topo da pirâmide é o

elemento do espírito e a Rede Wiccan, a única regra verdadeira da Wicca:

“Faça aquilo que deseja e não deixe que ninguém seja ferido”.

O segredo é importante, embora você possa compartilhar de seu tra balho com

outros bruxos, professores e pessoas de mente orientada, porcine eles não irão detrair sua energia. Se você não faz parte de uma comunidade, um Livro das

Sombras é uma excelente forma de compartilhar suas experiências sem conversar com aqueles que não iriam entendê-lo.

A Bruxaria como uma Escola de Mistério

Culturas antigas formavam escolas de mistérios, onde pessoas que buscavam

o desconhecido eram iniciadas nos mistérios da vida e da magia. Esse

treinamento não era para todos, mas para aqueles que desejavam uma experiência mais profunda do espírito, que possivelmente os conduzisse a um trabalho especial nas ordens mágickas de sacerdotes e sacerdotisas. Os lemplos no Egito parecem ser um sistema engrenado de escolas e ordens. Estudiosos da Nova Era, munidos de memórias e informações canalizadas de vidas passadas, acreditam que as pirâmides não eram tumbas, como se acredita, mas câmaras de iniciação. A formato e a posição da pirâmide direcionavam vastas energias invisíveis através do suplicante. Várias figuras da Grécia antiga, algumas fabulosas e outras reais, incluindo Orfeu e Pitágoras, receberam o crédito de ter encabeçado as escolas gregas de mistérios. Os ensinamentos comuns ocidentais com os quais eslamos

familiarizados, como a matemática, a medicina, a música, as artes dramáticas,

a mitologia e os exercícios físicos, foram incorporados nas fundações da

civilização ocidental, mas nossos recentes ancestrais conve- nicnlemente excluíram os ensinamentos gregos antigos da filosofia mística, alquimia, geometria sacra e da espiritualidade. O treinamento espiritual, até certo ponto, foi incluído nessas escolas como parte da educação básica. Um indivíduo bem preparado deve estar familiarizado com todos os aspectos.

Como o surgimento do mundo moderno aconteceu com a ascensão de Koina, alguém poderia argumentar que essas escolas de mistérios desapareceram, â medida que o místico se tomava menos uma parte da cultura e mais uma foiça

a ser temida. Os mistérios muito provavelmente continuaram nas i a ( Icns

fabulosas secretas de magos e místicos. Os adeptos orientais, na índia c na Ásia, mantiveram suas tradições fortes. Os druidas, como uma ordem oigaiii/nda por Ioda a sociedade celta, tiveram sua própria parcela nos ensi- namentos das escolas de mistérios: Os sábios, os xamãs e os curandeiros sempre tiveram os ensinamentos dos mistérios, mas os alcançaram por meio de um caminho mais pessoal e informal. Os mistérios eram revelados por um professor para seu aluno, e diretamente do mundo espiritual. Por meio dos ensinamentos dos sábios, os mistérios poderiam voltar a viver.

Os Wicca modernos, em efeito, se tomam uma nova escola de mistérios, unindo o formal e o informal, o estudo e experiência pessoal. Você pode aprender a experiência da magia em uma tradição solitária, com um grupo, como um aluno de um mentor, por meio de um livro, ou conversando com outros e ouvindo a natureza. A maioria de nós combina muitos desses métodos para chegar aos nossos próprios mistérios. Os objetivos básicos da escola de mistérios são as metas da bruxaria moderna: controlar a consciência, entender

a real natureza do Universo, da purificação e de se relacionar com a força superior.

O primeiro objetivo é a experiência de um estado alterado de consciência, que

abre a passagem para um novo mundo. As bruxas voluntariamente entram em estados de transe por meio da meditação. Esses estados alterados são a paz e

a tranquilidade do adepto, ou o êxtase do xamã. Uma vez aberta a porta, o segundo objetivo é a compreensão da verdadeira natureza do Universo. Para os hindus, a real natureza do Universo é ver além do maya, o nome que eles dão para a ilusão da separação que a maioria das pessoas vê. Quando você enxergar além da ilusão, o maya, você percebe que todas as coisas são uma só. As bruxas enxergam além dos véus entre os mundos, compreendendo tudo que está vivo, que tudo é divino e que tudo é eterno, embora as formas mudem quando passam pelos círculos da vida. Mais importante, as bruxas aprendem que a ação de uma pessoa tem efeito em toda

a criação, e o que você faz volta para você. Atos de magia são práticos e úteis,

fundamentalmente fortalecendo o indivíduo, mas a verdadeira lição é entender que todas as coisas estão relacionadas por provas tangíveis dessa relação em sua vida diária. Seja antes de aprender a entrar em estados alterados de consciência, seja, depois, a pessoa geralmente passa por ritos de purificação. Nós nos purificamos com rituais simples, incenso, chamas de velas, sal e água. Banhos rituais são também apropriados antes de atos de magia e de celebrações. Esses são todos ritos menores de purificação; a verdadeira purificação vem dos acontecimentos na vida. Algumas seitas e tradições antigas, especialmente no mundo ocidental, têm exigências de dietas rígidas, às vezes com jejuns durante certas épocas do ano para uma purificação física. Eu conheço bruxas que jejuam por três dias na Lua Sombria, purificando seu sistema. No geral, quando você faz uma conexão com o espírito, começa a cuidai' mais de você, mesmo porque chega à conclusão de que você também é um espírito. Mudanças em seus alimentos e hábitos de exercícios naluralmentc criam a purificação física. Os maiores ritos de purificação também incluem níveis não físicos: a mente, as emoções e o espírito. Treinamento da escola de mistérios, incluindo algumas versões das iniciações Ciardnerianas dos dias modernos, usam um pouco de medo e choque para aumentar sua consciência e a liga ção entre sua mente, suas emoções e seu corpo. Iniciações xamânícas são famosas por fazê-lo encarar e conquistar o medo da morte. Encarar seus temores, raivas, preconceitos e tristezas é uma parte do processo introspectivo, surgindo em meditações e escritas em diários. Aqueles que não servem a sua bondade maior precisam ser limpos, soltos e curados. Pensamentos e comportamentos limitados são primeiramente identificados e então mudados. Uma bruxa cria através de uma conscientização clara, não a partir dos pensamentos escuros e

desconhecidos que surgem em nosso subconsciente.

O último aspecto da escola de mistérios é o contato com a força superior. A

força superior não é a escolha de seu ego, mas de seu espírito, de sua alma. A força superior guia você até seu verdadeiro propósito na vida. Náo é sua força, mas sim a da Deusa e do Deus. Com a magia, nós exercitamos nossa vontade pessoal e nossa própria magia em conjunto com a vontade do divino, o poder da Deusa e do Deus, fazendo-os manifestar em nossa vida. Essa é uma parceria com o divino. Por meio desses atos, passamos a compreender a força

divina. Nós aprendemos a confiar nela, a fluir com ela e a nos misturarmos a ela. Ao conseguirmos isso, nenhuma porta se fecha, porque estamos no lugar certo, na hora certa, fazendo a coisa certa, sempre.

O Caminho da Iniciação

Indivíduos que buscam o caminho da bruxaria tradicionalmente dão início a uma cruzada de “um ano e um dia” antes de se comprometerem com a bruxaria. Esse período de tempo vem da mitologia celta e significa um ano de preparação e um dia para refletir novamente antes de se dedicar ao caminho. Nesse tempo, aprendem-se as fundações da bruxaria, o treino da magia e o desenvolvimento pessoal. Você não deve estar tão preocupado com resultados ou poderes mágiekos tanto quanto deve estar com as lições que o caminho irá lhe apresentar. Todos temos habilidades psíquicas e mágickas. Elas são inerentes ao nosso mundo humano, como termos olhos, nariz ou boca. Alguns irão descobrir que são mais cheios de talentos em algumas áreas do que em outras. Com um adequado treinamento, a maioria das pessoas consegue aprender a ler e a escrever. Alguns irão dar continuidade e escreverão grandes romances. Outros lutam para terminar uma lista de compras. Existem miríades de níveis de aptidão. O talento mágicko, entretanto, não faz uma bruxa. A dedicação ao trabalho e a seu caminho pessoal, sim. Este livro c um curso que está dividido em 13 lições e muitos exercícios. Ao final de cada lição sugiro uma tarefa de casa. O objetivo é trabalhar com esse material em um ano e um dia, com tempo suficiente para ler outras fontes e refletir sobre a decisão de se tornar uma bruxa ou bruxo. Essa decisão acarreta um compromisso para a vida toda. Se você completar uma lição a cada três semanas, terá bastante tempo para revisar e refletir dentro do período de um auo e um dia. Fique à vontade para adaptar-se a esse programa atendendo a suas possibilidades Seu ritmo pessoal pode ser muito mais rápido ou mais lento. É muito melhor fazer tudo com mais calma e realmente se comprometer com seus estudos cio que levar menos tempo e fazê-lo sem muita atenção.

Sugiro que você marque seu calendário com o trabalho esperado da semana

e imponha prazos. Se você conseguir organizar um específico “estudo" ã noite

para fazer seu trabalho, faça-o. “Terça-feira à noite” é algo mais plausível do

que “faço mais tarde”. Assuma um compromisso consigo mesmo. Alguns exercícios sugerem a participação de um parceiro. Se você conhece alguém

interessado neste caminho, marque encontros regulares para praticar e guiar um ao outro com a ajuda dos exercícios. Ter alguém com quem compartilhar suas experiências é uma ótima maneira de formar sua base através do estudo

e da prática. Embora eu tenha apreciado nmilo meu tempo como um bruxo

solitário, isso também pode ser algo duro de ser encarado. Ter um colega mágicko e psíquico será bastante útil. O final deste livro é marcado com um ritual de auto-iniciação. Ele pode ser o primeiro de muitos rituais de iniciação. Rituais são importantes e poderosos. Eles são sinônimo de inícios, fins e de intenções. O Universo, a divindade em ação, irá apoiar suas intenções se elas forem claras. O maior obstáculo para a maioria das pessoas manifestar seus sonhos é a ausência de intenções. Se você quer estudar este material, assuma um compromisso com isso e realize o ritual de intenção seguinte. Essa não é uma iniciação na bruxaria, mas uma proclamação à Deusa e ao Deus de seu sincero desejo de entender e experimentar o caminho das bruxas.

Exercício 1

Ritual de Intenção

1. Pegue uma vela branca nova, fósforos, um pedaço de papel, uma caneta

preta e um pedaço de fio preto. Se você gosta de incenso ou tem quaisquer outros objetos que lhe sejam especiais, como um cristal, pedra, cuia, ou

qualquer outra coisa, poderá utilizá-los, mas eles não são necessários.

2. Encontre um lugar calmo para trabalhar, onde outras pessoas não irão

incomodá-lo.

3. Em um pequeno pedaço de papel, escreva suas intenções para esse

trabalho. Você quer ser uma bruxo, aprender bruxaria, ou apenas conhecer mais? Se você se sentir confortável para chamai a Deusa e o Deus, faça-o. Se não, você pode se dirigir a eles e a qualquer força divina com a qual se sinta bem, como o Deus, o Grande Espírito, o Tao, ou o Universo. Aqui está um

exemplo: "Eu (diga seu nome) peço em nome da Deusa e do Deus ajuda em meus estudos de bruxaria. Pretendo completar este trabalho com sucesso

dentro do prazo de um ano e me tornar uma bruxa se isso for correto e para meu melhor interesse. Peço para estar aberto para todas as experiências e entender todas as lições ensinadas. Que assim seja”. (“Que assim seja” significa “assim será”. Essa é uma afirmação comum na bruxaria.)

4. Segure a vela branca. Pense na espiritualidade. Pense na divindade, na

Deusa e no Deus. Convide-os para sua vida, ou reafirme sua ligação com eles.

Acenda a vela. Se tiver incenso, acenda-o agora.

5. Passe alguns instantes refletindo sobre a definição, a história e as

qualidades das bruxas. Reflita sobre onde a bruxaria está e aonde você espera chegar com ela.

6. Leia sua lista de intenções em voz alta. Em seguida enrole o papel como

um pergaminho e amarre-o com o fio preto, selando assim a sua intenção. Guarde o papel em algum lugar especial, onde você não irá perdê-lo. Você irá usar o que escreveu como parte do seu ritual de iniciação daqui a um ano. Em um capítulo mais adiante, você irá construir um altar para meditação. Você pode colocar a vela e a lista de intenções nesse altar.

TAREFA DE CASA

Pegue um ou dois cadernos em branco para usar como diário e Livro das Sombras. Diário Escreva três páginas por dia. Procure possíveis parceiros de estudo. Exercício 1: Ritual de Intenções Realize e registre seus sentimentos e experiências sobre esse ritual em um diárioILivro das Sombras. Prepare seu horário de estudo.

Lição 1

A Mente Mágica

Bruxas fazem magia, e ponto final. Porém, definir o que é a magia pode ser bem mais complicado. Uma das razões sobre por que as palavras bruxa e bruxaria possuem tal estigma associado a elas é o fato da falta de capacidade das pessoas de compreenderem a magia. Até mesmo praticantes discordam sobre a definição de magia, por ela se tratar de uma arte tão pessoal. Algumas pessoas de fora das tradições acreditam que a magia e os feitiços são uma forma de exercer poder sobre outras pessoas, de controlar ou prejudicar. Esse mal-entendido leva à definição de bruxaria como uma forma do mal. Embora a magia seja usada com essas intenções, esse não é o propósito dela. Se podemos de alguma forma defini-la, a magia é aprender a fluir com a alma da natureza. Uma das melhores definições de magia que aprendi vem dos trabalhos de Aleister Crowley. Crowley definiu a magia como “a ciência e a arte de causar mudanças de acordo com o desejo”. Bruxas definem a magia como sendo uma arte e uma ciência. A magia tem regras e estrutura básicas, como a ciência. Não se trata de códigos morais, mas de condições que permitem que a magia aconteça. Como uma arte, a magia também tem um componente criativo e individual. Desde que ela esteja de acordo de alguma forma com as leis “científicas” da magia, você pode variá-la de acordo com seus próprios gostos individuais. “Causar mudanças” são as palavras importantes aqui. A magia não é uma especulação; ela é na verdade a ação de fazer algo acontecer. Por último, “estar de acordo com o desejo” significa que a mudança que você está criando

deve estar de acordo com sua intenção. A magia é o ato de aprender a trabalhar com a mudança, com as forças que criam a mudança e saber dar forma aos resultados de acordo com sua intenção. Uma definição da Wicca que nós já discutimos é “torcer e dar forma”. Você está mudando e alterando acontecimentos naturais para servir à sua vontade. Um feitiço é um ato específico de magia para causar uma mudança específica. Você pode fazer uma cerimônia mágicka e nela realizar vários feitiços para resultados diferentes. Para meus amigos e familiares não en- volvidos com a bruxaria, descrevo um feitiço como uma oração. Em muitas tradições importantes, reza-se para Deus pedindo por ajuda, apoio, cura ou muni Iestação; em essência, para se chegar a uma mudança. Um feitiço é um pedido da mesma natureza feito para os poderes do Universo, mas com o uso de diferentes métodos de lançar esse pedido ao Universo. O princípio c as mecânicas básicas são os mesmos, como a parte científica de nossa definição de magia, mas a execução é diferente. Para prolongarmos a analogia entre a oração e os feitiços, venho de uma antiga família católica européia. Meus ancestrais rezavam para diversos santos pedindo que realizassem uma intenção. Cada santo tem uma competência ou uma especialidade diferente. Na bruxaria, diferentes deusas e deuses são invocados, cada um lendo um reino de regras diferentes na vida. A escolha do patrono e do simbolismo usado na cerimônia formam a “arte” do lançar feitiços.

Assim que as pessoas fora do paganismo se sentem capazes de relacionar feitiços e magia com algo que elas já tenham experimentado pessoal mente, o conceito deixa de ser algo assustador. Uma vez que algo arcano c secreto como um feitiço é definido como “a forma de fazer uma oração cm minha tradição”, muito do desconhecido é disseminado, e podemos então construir um diálogo com aqueles que têm dificuldade em aceitar caminhos baseados na natureza como religiões válidas. Embora você não tenha que realizar mágicka para seguir esse caminho espiritual, esse treinamento é uma parcela para transformar-se em uma bruxa. Você não tem que ativamente lançar feitiços para criar os conceitos por Irás dc seu trabalho como uma parte de sua vida diária. Uma parte da magia que não é geralmente estudada em muitos livros e aulas é que a magia é qualquer mudança causada por sua vontade, incluindo mudanças inlernas. Nós tendemos a nos centralizar em mudanças externas, manifestações no mundo físico, como “prova” de que a magia realmente funciona. Nós iodos precisamos ver os resultados de nossas ações, mas algumas das magias mais importantes, profundas e invisíveis causam uma mudança interna, uma alteração na perspectiva ou na consciência. Nesse sentido, se você escolhe esse caminho da bruxaria, não neces- sariamente fará feitiços e rituais o tempo todo, mas estará inegavelmente praticando magia. A magia é uma parte de cada respiração que damos e de Iodas as açoes que realizamos.

AS TRÊS MENTES

Fazer magia significa entender as sua próprias partes envolvidas no processo. Nós temos a tendência de nos centrar em nossa mente consciente como a direção de nosso desejo, mas na verdade temos pelo menos três mentes. Compreender e acessar as três mentes é o segredo da magia. A primeira é a mente consciente. Essa é a mente mais conhecida para nós. Ela contém a personalidade e a identidade do ego. A parte de nós que está consciente, acordada e cuidando dos detalhes do dia- a-dia em nossas vidas é

a nossa mente consciente. As ferramentas da mente consciente são a razão e

a lógica, e suas qualidades são a análise e o estado de alerta. Ela sente a vida de uma perspectiva linear tridimensional. Um acontecimento é seguido por outro. Os acontecimentos estão encadeados em uma linha que se move através do tempo. Aqueles que ficaram para trás são o nosso passado, os que estão acontecendo agora o presente, e aqueles que irão acontecer são o futuro. Essa mente pode passar bastante tempo refletindo a respeito do passado e planejando o futuro enquanto cuida do presente. Aqui é onde você formula suas necessidades e desejos para a vida e para sua magia. O inconveniente da mente consciente é sua percepção. Embora uma percepção linear seja necessária para nossa vida diária, ela limita nossa capacidade de processar grandes quantidades de informações ou energia, o que em resumo é a magia. A mente consciente é também chamada de o “eu intermediário”. Uma segunda mente, a mente psíquica, é tanto a chave como a passagem para nossos talentos mágickos. Essa parte de você tem uma capacidade natural maior de processar energia e informações. Diferentemente da mente consciente, a mente psíquica não está necessariamente limitada à percepção linear. Grandes saltos de intuição podem ser dados, deixando de lado a cadeia lógica de pensamentos para se chegar a uma conclusão muito mais rapidamente. A intuição se abre para as informações disponíveis no Uni verso ao acessarmos a habilidade psíquica. A habilidade psíquica não é necessariamente a “magia de filmes”, usar sua mente para entortar colheres e mover objetos por uma sala, mas sim o processar de informações que logicamente você não teria. Saber quem está no telefone antes de atendê-lo e liio psíquico quanto atos da mente sobre a matéria. Nós todos temos uma habilidade intuitiva. Nós todos somos psíquicos. Alguns aprendem a usar suas habilidades em um grau mais amplo. A mente psíquica é também chamada de o “eu inferior”, mas não no sentido de inferior como algo ruim, mau ou até mesmo menor. Muitas religiões que menosprezam o poder e a habilidade psíquica podem acreditar ttisso, mas o conceito do “eu inferior" na verdade vem daquilo que os psicólogos chamam de inconsciente ou subconsciente. Ao relaxarmos nossa mente consciente, podemos avançar pela passagem de nosso subconsciente pessoal e para dentro do grande inconsciente, um reino de conscientização e noções iiinclu maiores. Infelizmente, nem sempre temos consciência disso, por isso o uso do termo inconsciente. Após ouvir isso, muitos desejam apagar suas consciências, o seu ego, em vez de viver nesse mundo de conhecimento intuitivo, mas um equilibra o outro,

cuidando de uma necessidade importante. Se não tivéssemos uma percepção linear, não saberíamos comer e. dormir, e com isso não conseguiríamos cuidar de nosso ser físico. Para isso, o eu consciente é necessário. Muitos desejos que alimentam a magia e os feitiços vêm do consciente. O eu psíquico também é chamado ile eu inferior porque é visto como mais primitivo e instintivo, agindo antes de racionalizar sobre as coisas. Os instintos animais e as lições que o mundo natural trazem para nós são quase sempre considerados ligados ao nosso eu inferior psíquico; assim, muitos caminhos espirituais baseados na natureza encorajam o uso das habilidades psíquicas e mágickas. Outras tradições místicas chamam o eu inferior de o eu mais jovem.

O maior feito da mente psíquica é representar o papel de intermediário entre a mente consciente e a mente divina, a terceira mente. A mente divina é o aspecto do espírito criativo dentro de nós, conectando-nos com um ser maior. Você pode chamá-lo de Deus. Muitas bruxas o chamam de Deusa. Eu o chamo de o Grande Espírito por vir de uma tradição que honra lauto a Deusa como o Deus como parte do ser maior. O amor deles e sua interação criam toda a vida. Nossa mente divina pessoal é o nível da super- conscientização ou o que é chamado de eu superior, ou eu mais velho. Ela tem uma visão mais geral de sua posição, espiritualmente falando, do que sen ego. O eu superior pode ver onde estamos e para onde estamos indo. Como o eu inferior, a mente psíquica não é restringida pelo tempo linear. Na realidade, ela é simultaneamente ciente de todas as coisas e tempos. Pelo fato de a mente consciente ter dificuldade em processar tantas informações, nosso eu divino nos dá informações em pequenas quantidades, epifanias e revelações. Nosso eu superior pode usar o eu inferior, a mente psíquica, para retransmitir uma mensagem, que toma forma como um sonho, símbolo ou sinal de intuição. No entanto, essas mensagens precisam sei' decodificadas pelos nossos sistemas de símbolos pessoais e culturais no inconsciente coletivo e no subconsciente pessoal. Nas tradições xamânicas havaianas, acredita-se que o eu inferior faça uso do material bruto que nos é dado pelos pensamentos, palavras e ações do eu consciente. Quando dormimos, o eu inferior traz esses blocos de construção brutos para o eu superior, que então cria nossa vida. Nós fazemos isso continuamente durante nossa vida. Da mesma forma, a magia está conscientemente construindo um relacionamento com o eu inferior e o eu superior, para formar uma parceria co-criativa. Um feitiço é como fazer um pedido muito específico ao nosso eu superior, juntamente com todos os blocos de construção necessários para dar forma à nossa vida. O eu supe- i iov, ligado a todos os seres superiores em toda parte, ao espectro inteiro da vida no Universo, é capaz de coordenar e ajudar a realizar nosso feitiço.

Magia de Cinema Versus Magia Real

Muitas pessoas se envolvem com a bruxaria por causa daquilo que eu gosto de chamar de “magia de cinema”, e têm dificuldade para entender a essência

da magia. Elas esperam efeitos especiais: raios de luzes no céu e névoas de fumaça no alto das montanhas. Eu tenho sorte de ter participado de muitas noites mágickas ao ar livre onde coisas estranhas acontecem, mas elas são apenas benefícios extras, e não o objetivo da magia. A magia trata da manifestação da mudança, em nossa vida interna e externa, de acordo com nossa vontade. Os canais que nos trazem essas mudanças podem parecer muito mundanos, mas ao reunirmos muitas “coincidências” estamos realizando a arte da mágicka. Digamos que você queira um novo emprego. Você sabe que tipo de emprego quer. Você faz seu feitiço mágicko e no dia seguinte vai a uma festa. Não queria ir a essa festa, mus sentiu que devia estar lá. Na festa conhece alguém que menciona que sua empresa está contratando. Depois de conversar por alguns instantes, essa pessoa lhe dá o nome e o número de quem você deve contatar. Essa pessoa tem uma vaga de trabalho que é perfeita para você, e até o final da semana seguinte você está com um novo emprego. Coincidência ou mngicka? A princípio você tem a tendência de achar que se trata de coincidência, mas se você vive a vida de um bruxo, acaba vendo cada vez mais coincidências desse tipo acontecendo em resposta a intenções que você lançou para o Universo. A inluiçilo é o guia para se atingirem essas felizes ’'coincidências'', Enquanto eu estava sendo entrevistado para um tema do trabalho de uma estudante de faculdade, o assunto da magia surgiu. Ela estava estudando os grupos sociais, costumes e crenças daqueles que faziam parte da siibcultura pagã e queria me fazer algumas perguntas. Após conversarmos durante um jantar bastante agradável, ela olhou para mim como se eu fosse um pouco maluco e disse: “Há coisas boas acontecendo comigo também, mas eu não acho que estou fazendo magia”. Ela não conseguia entender por que fazia. Durante o curso da noite eu consegui olhar para ela e ver alguém cheio de poder, alguém que trabalha período integral e ia para a escola no período da noite, sobrevivendo nesse mundo cheio de exigências. Ela era bastante inteligente e muito organizada, e ainda assim uma pessoa aberta e intuitiva por como conduzia a entrevista. Não tenho dúvidas dc que ela praticava seu próprio tipo de magia. Você não precisa de velas, túnicas, feitiços e ervas. Não precisa saber a definição de magia. Ela mio sabia nada disso. Você precisa acessar suas outras habilidades, seu lado psíquico, sua mente intuitiva e seu eu divino para manifestar sua força de vontade. Acredito que ela sabia fazer isso. Acho que muitas pessoas que jamais diriam ser bruxas ou bruxos são capazes de fazer magia. As pessoas sao mágickas por natureza. Eu tentei explicar-lhe isso, mas ela teve dificuldade com o conceito de que criava suas coincidências, que eram não apenas o resultado da sorte. A diferença para as bruxas é buscar ativa e conscientemente essa relação com o Universo e nós mesmos.

Três Exigências

O objetivo do praticante é colocar as três mentes em harmonia, deixando-as alinhadas. Assim que você conseguir um bom relacionamento com elas, a

magia se toma muito mais fácil. Independentemente da forma de magia que você pratica, de rituais pagãos à visualização criativa, existem alguns passos comuns a serem seguidos para alinhar as três mentes, .lunlamentc com as três mentes, ou aspectos do eu, existem três outras exigências. Primeiro, você deve ter força de vontade. Você deseja o resultado? Se nao se importa com o que vai acontecer, então por que o Universo se preocupai ia? Seu desejo e sua força de vontade dão início ao processo. Qualquer emoção forte pode dar início ao processo. Geralmente a necessidade e o desejo, amor próprio ou, ainda melhor, o amor incondicional podem sero combustivel. Parle do treinamento mágicko está em ser capaz de acessar esses sentimentos, de juntar energia quando precisar dela e ainda assim permancer calmo e centrado. Segundo, você deve ter uma intenção clara. Não importa se tem a torça de vontade para se sair bem. Se você não sabe para onde direcionar sua força de vontade, nada irá acontecer. Você precisa ter uma idéia específica do resultado desejado. Pode formar a idéia por meio da visualização no olho de sua mente, pelo do poder da palavra, seja falada, seja escrita, ou pensando naquilo que deseja.

É nesse ponto que podemos qualificar nossas intenções. Na magia, tendemos a nos manter centrados no resultado, e não necessariamente em como ele se manifesta. Na intenção de um novo emprego, o objetivo era conseguir um novo emprego no campo desejado, e não o de conhecer alguém em uma festa e que lhe daria a dica desse emprego. O objetivo do emprego era mais importante do que como isso aconteceu. Isso deixa de lado a forma com a qual o feitiço pode se manifestar abrindo-se para o Universo. Se você faz um feitiço por dinheiro, não importa de onde vem o dinheiro. Poderia ser pela loteria, restituição de impostos, um prêmio ou um presente. Nós não queremos limitar as possibilidades de onde o dinheiro pode se originar. Mas nós queremos de fato nos proteger dos canais de manifestação que podem não ser responsáveis por nossos diversos benefícios. O dinheiro poderia também facilmente vir do seguro de um acidente no qual você foi ferido, mas ninguém quer se machucar. Em muitas tradições de bruxaria, todos os feitiços e intenções são qualificados usando as palavras “Para meu próprio bem, sem ferir ninguém”. No exemplo do dinheiro, pense no porquê de você estar precisando do dinheiro. Para pagar alguma coisa específica? Se sim, faça esse ser seu objetivo, seu resultado final. Sempre se concentre no objetivo final e não nos meios de consegui-lo. Você acaba tendo mais oportunidades dessa forma. O divino é infinitamente mais sábio e conhece muito mais opções do que nosso eu intermediário é capaz de notar. Por último, você precisa de um método para direcionar sua energia, sua força de vontade e sua intenção. Geralmente métodos de direção de energia envolvem alguma forma de conscientização alterada, resultante de um ritual ou de uma prática meditativa. A razão pela qual os rituais e as ferramentas são tão comuns nas tradições mágickas é que elas servem ao propósito maior de nos ajudar a direcionar nossa energia e intenção. Se elas não derem certo, devem ser descartadas e trocadas por algo que funcione.

A Energia

Se nós vamos conversar sobre o direcionamento da energia, você deve In uma ccrla consciência do que é a energia. A palavra energia traz imagens de linhas e saídas de poder, ou mais pessoalmente seu metabolismo, mas existe energia invisível por Iodos os lados. Essa energia é parte de nós e de nosso meio ambiente, assim como é a energia que nós direcionamos quando fazemos qualquer trabalho mágicko. Existem muitas formas de energia. A maior parte das que conhecemos se encaixa em uma série, um espectro de frequências que podem ser detectadas por meios científicos. A mais comum é o espectro de luz visível, o arco-íris, mas existem muitas formas de energia invisível acima e abaixo da luz física, como as ondas de rádio e televisão e a radiação. Essas energias são todas parte do espectro eletromagnético. Nós também temos ciência de uma infinidade de energias que são vibrações físicas, ou sons. Embora cientistas concordem sobre as características e variações dessas energias quantificáveis, metafísicos conhecem uma outra variedade imensa de energias.

Atualmente, a maioria de nossas “evidências” de energias espirituais vem de explicações pessoais e não objetivas, de dados científicos. Todo indivíduo descreve a experiência de uma forma única, e por isso às vezes lemos opiniões divergentes sobre as energias espirituais. Diferentes tradições espirituais chamam essas forças por nomes diferentes, e cada nome tem uma conotação cultural específica. Vamos começar com a energia pessoal. A energia pessoal é a energia em nosso interior e emana de nosso próprio ser. É a energia de seu corpo e de todos os seus sistemas, e ela inclui coisas como o metabolismo, o calor do corpo e os impulsos nervosos. É também a energia de seus sistemas não- físicos, seus corpos e chacras de energia. Nós iremos nos aprofundar ainda mais na anatomia do corpo de energia mais tarde, mas, por agora, entenda que você tem um componente não-físico em seu corpo, em seu espírito, por assim dizer. A interação do seu corpo com o seu espírito eria um campo de energia ao redor do seu corpo. Praticantes modernos eltnmnm isso de aura. A energia fluindo para esses sistemas de energia, como o sangue fluindo através do seu corpo físico, é chamada de ki, ou chi, nas tradições européias. Ela pode ser absorvida do ambiente e processada pelo corpo. Nós reabastecemos nosso estoque de energia pessoal vital durante o sono, embora algumas pessoas sejam naturalmente mais cheias de energia do que outras. Ki e chi podem também se referir a outras formas de energia que discutiremos. Kundalini, uma palavra das tradições hindus, é unia outra forma de energia pessoal, mas mais especificamente se refere à energia encontrada na base da espinha, que pode se movimentar espinha acima, ativando os centros espirituais conhecidos como chacras. Para as bruxas, as energias mais importantes para se conectar são aquelas abaixo de nossos pés, as energias da terra. Essa é a energia do planeta e da Deusa, a conscientização do mundo que nos sustenta. Ela é chamada de mana ou shakti kundalini. A maioria sente essa energia como sendo feminina. A energia da terra não é somente a energia dentro do planeta, mas também a

energia ao redor do planeta, como o campo magnético e as redes de energia, chamadas de linhas ley (de energia) ou linhas de grade da Terra. Locais sagrados, como Giza no Egito e Stonehenge, na Inglaterra, são famosos por serem lugares no sistema de redes da Terra Mãe. Pense nessas redes como meridianos de acupuntura em nossos corpos. Eles deixam energias invisíveis fluírem para promover a saúde e a vida. Acima da Terra está a energia do céu. Energia cósmica é também uma descrição apropriada para essa energia, porque ela engloba a energia do Sol e das estrelas, na verdade a energia de todo o Universo, caindo sobre a Torra. Como muitas tradições pagãs associam a Terra à mãe e à Deusa, o réu é geralmente ligado às divindades masculinas. Os deuses do céu são proeminentes em muitas mitologias como figuras paternas, protetoras e provedoras. Nas tradições hindus, a força da vida invisível transmitida na respiração, absorvida por nós dos alimentos e da água que consumimos e da respiração que inspiramos, é chamada de prana. E interessante como essa energia hindu chamada de prana é semelhante foneticamente ao nome havaiano da força da vida, mana. Prana, mana, ki e chi, junto com uma porção de outros nomes, como orgone, od, força ódica, pneuma, numen, telesma e ruach, descrevem uma energia de vida básica encontrada em todas as coisas. A energia divina é uma categoria que engloba todas as energias não incluídas na polaridade masculina/feminina ou acima/abaixo. Existem muitos outros tipos de energias e seres espirituais, com muitos sabores e descrições diferentes. As bruxas trabalham com a energia divina através do ritual do círculo da magia, criando o que é tradieionalmente chamado de "amor perfeito e confiança perfeita”. Em outras palavras, pura energia divina, o que nós poderíamos chamar de amor incondicional, é usada para a criação de um espaço sagrado para nossos rituais. Essa energia trata de amor e conhecimento, além de todas as polaridades, e ainda assim englobando todas elas.

EXERCÍCIO 2

Sentindo a Energia

O propósito deste exercício é o de sentir fisicamente um pouco da energia espiritual que você pessoalmente pode gerar. Muitos alunos acham isso bastante simples com apenas um pouco de prática, mas outros têm dificuldade porque não sabem o que procurar. Eu sinto essa energia como uma repulsão magnética muito fraca e muito sutil. Se você pegasse dois pólos positivos de um ímã e tentasse juntá-los, teria alguma dificuldade. Os campos de energia apresentam resistência. Pegue esse sentimento e espere algo menos dramático ou concreto, e você poderá sentir a resistência apresentada entre os campos de suas mãos. Elas não são exatamente cargas opostas, e por isso não apresentam o mesmo tipo de resistência que dois imas. Ímãs são da mesma forma que eu descreveria o sentimento. Já que isso é individual e subjetivo, outros poderão senti-lo como uma mudança de temperatura. Você poderá também sentir uma leve picada ou uma sensação de “alfinetes e agulhas”, como se suas mãos estivessem “adormecidas". Outros

sentem uma pressão ou até mesmo uma textura. Todos sentem de unia forma diferente. Quando sentir isso, você será capaz de manipular essa energia com sua vontade c intenção. Esse é um bloco de construção fundamental para a magia e para o desenvolvimento psíquico.

1. Suspenda suas mãos a uma distância de aproximadamente um melro, com

as palmas voltadas uma para a outra. Feche seus olhos se sentir vontade. Você está ciente de quaisquer novas informações que receber de suas mãos, mas não estará julgando a experiência ou tentando criá-la. Permita que tudo aconteça naturalmente.

2. Junte suas mãos, vagarosamente. Perceba a sensação. Note quaisquer

sentimentos que venham em ondas ou camadas. Esses são os níveis de sua aura, do seu corpo de energia. Algumas camadas oferecem mais “resistência” do que outras. Tente repetir isso várias vezes, com os olhos fechados e depois abertos. Se você tiver dificuldade, comece novamente, mas inicie o processo após esfregar suas mãos com força, como se estivesse tentando aquecê-las. Isso irá aumentar a sensibilidade de suas mãos.

3. Quando terminar, limpe suas mãos esfregando uma na outra como se estivesse tirando o excesso de água após lavá-las. Isso irá remover outras energias que você possa ter adquirido durante o percurso. Termine todos estes exercícios de energia com essa mesma noção de estar lavando-as.

EXERCÍCIO 3

Bola de Energia

1. Comece da mesma forma que fez no exercício 2, mas quando suas mãos

estiverem a uma distância de aproximadamente quinze centímetros, imagine que você está segurando uma bola de energia. A princípio essa bola é como uma tigela vazia, uma concha, mas você a está enchendo com energia entre suas mãos.

2. Conforme respira, imagine que você está soprando energia, exalando-a de

sua boca, e também “exalando-a” de suas mãos. Essa energia ajuda você a encher a bola. Sinta-a enchendo. Tenha a intenção de fazer a bola se tomar cada vez mais espessa e sólida. Inicialmente isso vai lhe dar a sensação de que está brincando de faz-de-conta, mas essa brincadeira é a forma com a qual a energia responde aos seus pensamentos. Ao agir como se a energia estivesse mudando, fará com que ela mude.

3. Assim que tiver uma bola “sólida” de energia flutuando entre suas mãos,

você poderá literalmente brincar com ela. Você poderá diminuir seu tamanho e

torná-la mais densa ou esticá-la eomo se fosse um puxa-puxa. Descubra quanto a energia pode ser mutável, respondendo â sua intenção e aos seus comandos.

4. Quando terminar, junte sua mãos e imagine que você está absorvendo a

energia. Em seguida, limpe suas mãos para se livrar do excesso.

Mais tarde, quando voc aprendei a trabalhar melhor com a energia, será capaz de retirar mais energia de seu ambiente, e não necessariamente sua própria energia pessoal, para criar as bolas de energia. Elas poderão então ser “carregadas” com uma intenção, como, por exemplo, de cura, e ser transmitida para outras pessoas, animais, plantas e lugares para fazer sua magia. Você não estará limitado quanto às bolas de energia, mas será capaz de desenvolver qualquer formato e tamanho que imaginar. Eu gosto de tecei - “redes” de energia de proteção ao meu redor e ao redor de minha casa. Agora que você tem uma sensação do poder de sua própria energia pessoal, se tiver um parceiro nesse trabalho, ou um amigo ou membro de sua famíi ia disposto, poderá descobrir como sua energia interage com outros.

EXERCÍCIO 4

Sentindo a Aura

1. Como no exercício 2, sensibilize suas mãos esfregando-as, mas em vez de

colocar as palmas voltadas uma para a outra, coloque seus braços de forma

que as palmas fiquem voltadas para fora, como se estivesse sinalizando para alguém parar.

2. Fique em pé em uma extremidade da sala enquanto seu parceiro fica na

outra extremidade. Feche seus olhos e lentamente caminhe em direção ao seu parceiro, o qual deverá guiá-lo caso você saia do caminho correto. Da mesma

forma que você podia sentir a energia entre suas palmas, você está procurando um sentimento semelhante quando alcançar o limite do campo de energia de seu parceiro.

3. Mantenha seus olhos fechados, mas observe os vários níveis de energia

que sente. Caminhe para trás e para a frente para explorar mais as sensações.

4. Repita o exercício, dessa vez com os olhos abertos. Pare onde você sentir

a primeira camada de resistência. Faça com que seu parceiro erga suas mãos bem para a frente, estendidas. Geralmente o perímetro da aura é o comprimento de uma mão além do alcance de um braço da pessoa. Eu descobri que isso pode variar de acordo com os limites e emoções atuais da pessoa, ela pode ser maior ou menor, mas no geral tem o comprimento de um braço. Onde você sentiu a aura? A maioria sente-a próxima a esse perímetro, embora você possa também sentir outras “camadas” mais próximas ao corpo. Inverta os papéis e tente a experiência novamente.

EXERCÍCIO 5

Atraindo e Repelindo Energia

Da mesma forma que sua bola de energia foi um exercício de controle, com essa próxima experiência você irá aprender como sua energia pode afetar e

influenciar outras pessoas de formas bastante sutis. Novamente, irá precisar de um parceiro.

1. Fiquem em pé um de frente para o outro, a somente alguns centímetros de

distância. O parceiro receptivo deve ficar com os olhos fechados. Certifique-se

de que essa pessoa esteja com o corpo ereto e de que não esteja escorada em nenhuma estrutura.

2. Você então irá tentar usar sua força de vontade, respiração e intenção para

“empurrar” sua energia pessoal para alcançar e influenciar seu parceiro. Use

um movimento concentrado no espaço ao seu redor para juntar sua energia pessoal enquanto você inala o ar. Use movimentos como se estivesse empurrando algo enquanto suavemente exala o ar, enviando a energia em direção a seu parceiro.

3. Observe seu parceiro. Se houver uma terceira pessoa na sala, esta poderá

observar a ação com mais atenção do que as duas pessoas envolvidas no exercício. Geralmente o parceiro receptivo transmite uma impressão de estar levemente se inclinando para trás, mesmo se ele ou ela não sentir isso conscientemente.

4. Inverta o processo juntando a energia entre vocês dois e puxe a energia

para a frente com suas intenções. Aspire o ar e balance seus braços em direção a seu corpo enquanto traz a energia para mais perto de você. Você poderá observar seu parceiro pendendo um pouco para a frente. Repita esses passos várias vezes até se sentir à vontade com eles. Depois pergunte ao seu parceiro, ainda com os olhos fechados, o que ele ou ela está sentindo.

Exercício 6

Caminhando pela Terra

Este exercício expande sua experiência além do reino da energia pessoal e para dentro dos sentimentos da energia da Terra. Nossos ancestrais dormiam no clnio e trocavam energia com a Terra todos os dias. A maioria das pessoas raramente toca a Terra hoje em dia, com a ubiqüidade dos sapatos e dos pisos nos chãos. Caminhar pela Terra, junto com outros exercícios neste livro, nos ajuda a voltar a um equilíbrio com o campo de energia da Terra. Esse é apenas um processo meditativo de caminhada ao ar livre. Comece em um ambiente natural, como um lugar com grama, em um campo ou parque, na praia, ou em

alguma floresta, e não no concreto ou asfalto. Se você se sentir confortável o suficiente para fazer isso descalço, será muito melhor, mas com a prática você será capaz de sentir essa experiência através de seus sapatos. Caminhe vagarosamente e meditando. Preste atenção na Terra abaixo de seus pés. Sinta sua energia pessoal, o campo áureo ao seu redor, tocando a lena, onde sua energia se mistura com ela. Enquanto respira, imagine que você não está apenas respirando através de sua boca, mas respirando através de seus pés. Minha professora de ioga me diz que um homem sábio respira através das solas de seus pés. Eu acredito que isso se aplique ao bruxo sábio também. Imagine-se recebendo força de vida, energia da Terra, através de seus pés enquanto caminha. Essa energia o toma mais sólido e centrado. Ela sustenta e protege seu metabolismo e nível de energia, trazendo saúde e alegria para o momento. Por agora, não se preocupe em fazei- nada especial enquanto exala

o ar. Respire normalmente. O excesso de energia será liberado naturalmente

em suas atividades diárias. Nós liberamos energia o tempo todo. Concentre-se na ligação que faz com a Terra. Quando estiver fazendo essas caminhadas, procure um lugar calmo que possa também servir como um local de meditação para exercícios futuros. Quando sentir que está satisfeito com essa experiência, caminhe e respire normalmente e volte para suas atividades do dia-a-dia. Se você se sentir energizado demais, carregado demais, fique de joelhos, colocando as palmas de suas mãos no chão. Imagine o excesso de energia fluindo pelas palmas de suas mãos e até saindo de sua cabeça. Você estará liberando somente o excesso de energia na Terra, sentindo-se mais tranquilo. Enquanto libera essa energia, você pode trazer a intenção pedindo para que essa energia seja usada para curar o planeta. Esse é um método básico de estabelecer-se caso não esteja liberando energia em excesso. Existem outras maneiras para fazer isso. Se você não for capaz de se apoiar no chão, pode imaginar a energia Unindo por suas mãos e pés no chão. Você pode abraçar uma árvore. Imagine uma árvore recebendo a energia em excesso para sua própria cura, e podendo transmiti-la para suas raízes. Você pode até mesmo se imaginar inino uma árvore e deixar que a energia seja drenada para suas próprias "raízes”. Quando se sentir mais à vontade com a energia da "Terra, você poderá incluir

a respiração por cima de sua cabeça, para se conectar a energia do céu. Tente

somente a energia do céu para ler uma sensação pina uma vibração específica. Depois experimente ambas as energias, a da Terra e a do céu, juntas. Estabeleça-se exatamenle da forma que acabei de descrever se sentir que precisa trazer-se de volta para uma percepção normal. A energia do céu pode tomá-lo mais volúvel, aberto e consciente do que a energia da Terra, por isso tome bastante cuidado. Simples meditações com caminhadas podem ser tão poderosas e positivas quanto qualquer outro exercício neste livro. Não as subestime.

A maior lição a ser aprendida sobre trabalhar com essas energias é que todas as energias e poderes são fundamentalmente neutros, o que significa que não são bons nem maus. Às vezes podemos absorver energias de um lugar ou de uma pessoa e sentir que é uma energia “ruim”, porém é apenas uma energia que está sendo usada para uma intenção não tão boa. A intenção governa tudo. Eletricidade é eletricidade; ela pode ser usada para acender uma

lâmpada, uma máquina que sustenta uma vida ou uma cadeira elétrica. A

energia em si não pode ser julgada por seu uso, portanto as pessoas que usam

a energia devem assumir responsabilidades. As energias, pessoal, da Terra, do céu e divina, podem ser usadas para curar ou para ferir, dependendo da intenção por trás da ação.

Níveis de Consciência

Enquanto estava praticando todos os exercícios anteriores, você pro - vavelmente percebeu que se sentiu um pouco diferente. Suas percepções estavam diferentes porque você estava usando outros sentidos, outras parles

de sua consciência. Trocar a consciência é o segredo da magia. Se a magia trata de alinharmos nossas três mentes, nossas mentes consciente e psíquica com a divina, você precisa de um método fácil para rapidamente alinhar essas três energias separadamente. Quanto mais autoconsciente você se tornar, mais as três mentes entram em alinhamento, mas por agora nós precisamos de técnicas que ajudem esse processo. Ao voluntariamente estar mudando seu estado de consciência, você não perde consciência ou identidade. Você ainda pode manter sua intenção, mas essa mudança traz uma maior conscientização de sua própria energia, habilidades e poder. Os gregos antigos chamavam esse estado de maior conscientização de gnosis. A gnosis literalmente significa “conhecimento” e se refere ao conhecimento místico e divino disponível para aqueles que entram nesse estado. Revelações pessoais e experiências psíquicas acontecem durante a gnosis.

O cérebro de todo mundo funciona por meio de ondas de atividade. Esses

padrões de ondas, medidos em ciclos por segundo, ou hertz, contêm i aiaelerislieas bastante específicas. Indivíduos podem expressar habilidades diferentes em cada um desses níveis, mas qualquer pessoa pode fisicamente nitrar nesses níveis. Nós fazemos isso o tempo lodo. O segredo está em fazermos isso de forma voluntária. Normalmente o cérebro funciona no nível beta, nossa consciência que desperta naturalmente. É geralmente nesse momento que estamos acordados

e alertas, trabalhando e interagindo com as pessoas. Essa freqüência elétrica de ritmo é normalmente de treze a dezesseis ciclos por segundo.

O nível ao qual a maioria das pessoas no mundo mágicko se refere quando

fala sobre meditação, magia e feitiços é o alfa. O estado alfa está logo abaixo do beta. O alfa é descrito como relaxado, e ainda assim consciente, mas eu imagino que você esteja mais familiarizado com o alfa quando provavelmente não está tão consciente. Quando você sonha acordado ou de alguma forma “sai da zona” do nível beta consciente, entrou no alfa, que é medido de oito a treze ciclos por segundo. Se for capaz de entrar nesse estado propositadamente, poderá continuar consciente. A vantagem de alfa é um maior contato com sua mente psíquica. Um aprendizado acelerado e um aumento de memória acontecem nesse nível. A intuição e as habilidades psíquicas são acessadas. Pense no estado alfa como um estado meditativo.

Você pode meditar nesse nível e ir ainda mais profundamente para dentro de

sua experiência interior, ou pode entrar em um estado alfa mais elevado, ou o que eu chamo de consciência ritual, permanecendo calmo, relaxado e consciente, e ainda assim ser capaz de caminhar, acender velas, falar e coisas assim. As pessoas freqüentemente se preocupam em entrar em alfa porque às vezes a sensação não é muito diferente do estado bela, especialmente depois de você se acostumar com ela. Alunos normal- mente se preocupam quando não conseguem de forma nenhuma atingir o estado alfa, mas todos nós passamos por ele quando vamos dormir todas as noites. Ondas teta do cérebro levam você para um estado mais profundo de meditação. Você pode chamar isso de um estado de transe. Nesse nível, você

é capaz de prestar mais atenção à realidade interior e fazer uma liga- çao mais forte com o divino. Você também entra nesse estado durante o sono. Teta é medido entre quatro e nove hertz.

O nível mais baixo do cérebro que funciona é a onda delta. Delta é o estado

de sono profundo, transe profundo e coma. O cérebro trabalha em quatro ou menos ciclos por segundo. Aqueles que adquirem sistemas mais avançados e condicionados através do treinamento, como iogues e outros místicos, podem

levar o corpo para esse nível enquanto mantêm a mente consciente. Existem vários estados acima do normal nível beta que são interessantes. O primeiro deles é o beta alto, variando entre dezesseis e trinta lierl/,. Esse é um estado extremo de alerta, o que é chamado de “condições de campo de batalha”. Quando você está em um estado mais consciente de percepção devido a situações de vida ou morte, medo ou alto nível de adrenalina. você está em beta alto. Acima do beta alto as ondas do cérebro bloqueiam em um complexo k, medido de 30 a 35 hertz. E SSA é a experien cia da inspiração divina, em que as coisas se loruum datas poi um bieve momento. O complexo

K é também chamado de "a experiência heureca".

O beta super alto está acima de todos os outros, na variação de 35 a 150

hertz. Experiências espirituais expansivas e de certa forma incontroláveis acontecem aqui, aumentando a consciência. Experiências extremas de deixar o corpo, ascendências kundalini e ativação dos chacras principais acontecem nesse nível. Observe como tanto a diminuição quanto a elevação das ondas do cnvbro podem levá-lo para experiências místicas. Nessa prática estaremos nos especializando em técnicas para baixar o nível de ondas cerebrais e mmientar sua consciência, mas a espiritualidade pode ser encontrada em muitos lugares diferentes. Enquanto você tem uma experiência espiritual, suas ondas cerebrais podem saltar, mas você permanece em estado de calma. E também importante lembrar que essas medidas de ondas cerebrais são médias. Diferentes partes do cérebro podem ser associadas com diferentes ondas

cerebrais, portanto você não está necessariamente em nenhum estado com cem por cento de seu cérebro. O cérebro é um órgão misterioso que nós ainda conhecemos de forma limitada, mas parece que essas ondas cerebrais guardam um segredo, como o guardião de um portal, para nossas experiências místicas.

Mudança de Consciência

A mudança voluntária de um estado de mente para outro não é tão diíícil como parece, mas é necessário termos prática e treinamento. As ircnicas tomam um entre dois caminhos. Elas podem ser inibitórias, diminuindo o ritmo do corpo e suavemente entrando em um estado alterado, ou exibitórias, elevando energia e a consciência do corpo pelo estímulo para pmvocar um estado alterado. Nenhuma delas é melhor do que a outra; elas seguem caminhos dife- icnlcs

cm direção ao mesmo lugar. Conforme você pratica, uma abordagem ou

técnica específica pode servir melhor a sua personalidade ou tradição, mas é

bom estar bem familiarizado com as múltiplas técnicas. Gerald Gardner ensinou oito formas de aumentar o poder e entrar em estado de gnosis na magia. O uso de práticas orientais provavelmente in- lluenciou

sua tradição de bruxaria por ele ter trabalhado no Oriente por mmlos anos

como um servidor público. As bruxas modernas usam uma veisao modificada

deste Caminho de Oito Vias.

Meditação (inibitório) - A principal técnica inibitória é a meditação. A meditação é limpar sua mente e entrar em um estado relaxado. Formas orientais de meditação centram-se em limpar totalmente a mente e se tornar um só com o momento. Geralmente um cântico (mantra), gesto com as mãos (mudra) ou postura (asana) são usados em várias combinações para ajudar o praticante a permanecer concentrado. Às vezes um foco visual ou um símbolo especial, chamado yantra ou mandala, é usado. Formas ocidentais de meditação tendem a ser mais orientadas para o trabalho e ligadas com os poderes da visualização criativa, mas os praticantes normalmente usam variações da técnica oriental, como orações e afirmações, no lugar de mantras.

Controle da Respiração (geralmente inibitório) Respiração regulada

é chamada de pranayama no Oriente. Ela relaxa e diminui os sistemas do corpo concentrando-se no movimento da respiração. A respiração está

relacionada ao elemento do ar e o ar está ligado à mente. Ao acalmar a respiração, você tranqüiliza a mente. Alguns tipos de respiração podem excitar

o corpo e construir energia, enquanto outros podem resfriar e relaxar. O

trabalho da respiração é geralmente usado em conjunto com a meditação. Alguns praticantes contam suas respirações para manter a claridade e a concentração.

Isolamento (inibitório) Tradições aborígines têm um rito de passagem

em que um indivíduo passa algum tempo em isolamento em um topo de

montanha, caverna ou floresta para induzir uma experiência mística, como uma

busca de visão nativa americana. Algumas ordens religiosas impõem o

isolamento e o silêncio a seus membros para facilitar a contemplação. Jejuar é geral mente incorporado no processo, diretamente alterando a química do cérebro por meio da falta de comida. Use esse método com cuidado e orientação.

Intoxicação (depende da substância) A intoxicação é o uso dc vários materiais naturais para induzir um estado alterado, incluindo vinho, alucinógenos, misturas de ervas e incenso. A dificuldade com a intoxicação é a moderação. Apenas um pouco dc materiais pode abrir uma passagem, mas o uso excessivo pode fazer você perder o controle. Embora tenhamos um histó- rico de usar essas substâncias de forma recreacional, as tradições espirituais as usam com muito cuidado e reverência, fornecendo treinamento e conhecimento para funcionar sob essas influências. Com a possível exceção do incenso, humildemente sugiro guardarmos este caminho para um momento em que você tiver mais orientação e treinamento.

Som (depende da música) Cantar, entoar cantigas, inslru inenlos, tambores e outras percussões podem conduzi-lo a um estado alterado conforme se deixa levar pelo som e pela balida. Algumas pessoas se sentem mais inspiradas com a música suave, Outras irão preferir sons mais excitantes, como baterias tribais.

Movimento do Corpo (exibitório) Os movimentos induzem a uma visão alterada da realidade e podem incluir exercícios, danças, asana (postura iogue do corpo), balançar, tremer, girar, movimentos com as mãos e mudras. Muitas sociedades tribais e covens usam grandes danças circulares como parte de seus rituais. A ioga e as artes marciais também induzem a estados de transe através de formas com o corpo. Os movimentos não necessariamente têm que ser graciosos para serem eficazes. Os xamãs teutônicos, aqueles dos povos alemães e nórdicos, praticavam algo chamado de magia Seith, basicamente usando o frio para tremer e balançar, entrando em um estado mágicko através desses movimentos. No passado, alguns usavam ataduras para diminuir o fluxo de sangue e entrar em um estado alterado induzido. Eu pessoalmente não recomendo as ataduras, embora tenha experimentado uma meditação maravilhosa em um ritual que suavemente amarrava pedaços de tecido ao redor dos centros de energia no corpo. Nenhum sangue foi contraído, mas a leve pressão ajudou a induzir uma meditação profunda.

Sexo (exibitório) O caminho mais excitante para a gnosis, muito literalmente, é usar a energia sexual. A masturbação e a relação sexual são ótimas formas de despertar muita energia e entrar em uma consciência alterada. Antes de a sexualidade passar a sofrer tabus das religiões dominantes, o sexo era uma parte muito mais integral da magia, e todos os atos de amor eram considerados de adoração à Deusa. A maior desvantagem dessa técnica é que, se você estiver entrando em um estado alterado para realizar um ato de magia, será muito fácil se perder em seu próprio estado de

prazer ou de seu parceiro ou parceira. Sexo ritual entre um casal em mútuo acordo no contexto das cerimônias Wiccan é chamado de o Grande Rito, recriando a união divina entre a Deusa e o Deus, mas é mais freqüentemente desempenhado simbolicamente, usando-se ferramentas rituais como a lâmina e o cálice, em vez do ato físico.

Dor(exibitório) Esse método inclui flagelos (açoites rituais leves), piercings, marcas com fogo e tatuagens. Essas práticas sao uma parte de rituais de iniciação e ritos de passagem por lodo o mundo. A dor é meu método menos preferido de altera- çao da consciência, embora dcíinitivamcnte altere sua consciência a partir de um estado do despertar normal. Os flagelos são uma prática comum nas bruxarias antigas e modernas, embora a maioria tente evitá-los. Um flagelo é um chicote feito de muitas cordas, parecidas com azorragues. Bruxas modernas não tentam partir a pele,mas tirar sangue naquela área pura induzir a um estado de transe. Embora isso possa parecer detestável, os flagelos são usados em tradições místicas há séculos. Um outro aspecto da dor é a prática dos piercings, tatuagens e marcas a logo. Esses atos marcam ritos de passagem e possivelmente até mesmo iniciações. Muitos envolvidos nessas indústrias contemporâneas são uma parte de, ou influenciados por, culturas pagãs e tribais e vêem as conotações espirituais desses atos. O Caminho Óctuplo oferece muitas estradas para uma consciência mais profunda, e algumas podem ser mais apropriadas a você do que outras, lisle livro se concentra em aplicar as técnicas mais inibitórias, porque em minha própria experiência descobri que elas são mais fáceis de serem ensinadas e reproduzidas. Você precisa de muito pouco no caminho das ferramentas ou de locais. Assim que dominar os processos básicos de forma segura, poderá explorar as outras técnicas.

NOVAS TAREFAS

Exercícios 2 ao 6 Complete um registro de suas experiências cm seu Livro das Sombras. Continue com o exercício 6, Caminhar pela Terra, com a freqüência que preferir.

TAREFAS CONTÍNUAS

Diário Escreva três páginas todos os dias.

Dicas

Esteja consciente de sua mente psíquica, manifestada como sua própria voz interior e senso de intuição. Esteja aberto para ela. ('onvide-a para fazer parte de sua vida. Espere por ela. Entenda que você é psíquico. Psíquico significa “ouvir a voz de sua alma”. Nós todos podemos fazer isso. Peça conselhos à sua voz intuitiva e psíquica, desde perguntas importantes até dúvidas bobas sem grandes conseqüências, como por exemplo, “Quem é no telefone?” quando ele tocar. Ouça-a. Siga-a. Registre suas experiências. Quanto mais você fizer isso e se sentir seguro de que sua voz psíquica está certa, mais forte ela irá ficar.

Lição 2

Meditação

A meditação é um dos caminhos mais poderosos para a gnosis porque leva a muitas outras habilidades. Grande parte do caminho das bruxas cai sobre o leque da meditação. Algumas pessoas fazem essas aulas que ofereço não por causa de algum interesse na religião pagã, mas para aprender a meditar e a se desenvolver fisicamente. A ciência moderna está agora provando os benefícios da meditação para o controle do estresse e para a saúde em geral. Aprender a aquietar sua mente e se abrir para sua intuição ê o primeiro passo para desafios maiores. Não deixe a simplicidade enganá- lo. Apenas porque algo é básico não significa que é sempre fácil ou que não precisa ser praticado. Para comandar com eficácia as habilidades aprendidas neste capítulo, você deve praticá-las regularmente. O primeiro passo para a prática de uma meditação bem-sucedida é criar um espaço para ela de duas maneiras. A primeira é o espaço externo, um lugar em sua casa para meditar. Ao escolher um lugar físico em seu ambiente, você cria um espaço dentro de si para essa mudança. Uma ajuda a criar a outra. Para criar um espaço físico para a meditação, sugiro a construção de um altar. Pste é uma ferramenta básica na prática da bruxaria. Um altar é apenas um local dc trabalho para suas ferramentas. Conforme você avança por esse caminho, ferramentas específicas de rituais são colocadas sobre o aliar, mas nesse ponto você estará criando um altar de meditações. As ferramentas que você precisa são aquelas que fazem lembrar dc seu caminho. Seu altar pode ser um móvel designado somente para esse uso, ou um local sobre seu criado mudo, escrivaninha ou estante, escolha um lugar para o seu altar que você possa ver quando estiver meditando, eu comecei com uma prateleira que tirava em frente ao meu sofá, onde eu me sentava para meditar. Se você puder usar uma sala somente para as práticas magickas, será ótimo, mas a maior parte de nós não tem esse espaço, por esse motivo essa sala normalmente acaba servindo como uma sala mágicka e para um outro propósito: escritório, gabinete de estudo ou leitura, sala de estar ou quarto.

Escolha um espaço confortável, no qual você possa demarcar seu próprio território, nem que seja apenas um canto dessa sala. Sobre o altar, coloque quaisquer itens que façam você se sentir bem, incluindo qualquer bugiganga mágicka que você tenha colecionado ao longo de sua caminhada até aqui, como velas, incensos, estatuetas, cristais, penas, pedras, cartas de tarô e galhos de árvores. Use qualquer coisa que simbolize a magia para você. Organize-as de uma forma que pareça estar intuitivamente correta para você e mude essa arrumação sempre que achar que deve. Deixe que esse altar lhe sirva como um foco de atenção. Toda vez que você entrar nesse quarto ou sala e olhar para o altar, irá se lembrar de sua prática de meditação. Você não precisa dessas ferramentas ou de um altar para meditar; a meditação em si é uma prática interna. Essas ferramentas físicas podem a judá -lo a desenvolver uma prática regular e servir como um lembrete. Ao construir uma prática em um lugar regular em horários determinados, você desenvolve bons hábitos de meditação. Se não puder montar um altar, não deixe que isso

o impeça de meditar. Marque seus horários de meditação com uma cerimônia simples, um processo de “sintonia” para delinear esse horário como diferente de seus compromissos normais, de sua vida diária. Comece acendendo uma vela sobre seu altar. Use uma vela branca até que você aprenda o significado das outras cores. Se gosta de incenso, acenda um. Certas substâncias ajudam a criar um espaço sagrado para a meditação e seu ritual. Elas fazem isso quando “aumentam a vibração” ou energia espiritual de um ambiente. A maioria delas é também conhecida como sendo substâncias de proteção por essa razão. O olíbano e a mirra são os preferidos das bruxas em meu covcn. Você irá rapidamente associar essas essências a seu trabalho mágicko e meditativo. Em seguida faça uma simples intenção para preparar o local. Sua intenção pode ser feita da seguinte maneira:

"Peço em nome da Deusa e do Deus que eu possa receber a melhor orientação nesta meditação”. Ou:

"Peço à Deusa e ao Deus que me protejam e guiem nessa meditação

Essas declarações são como uma programação dc você mesmo e de seu espaço com a experiência que deseja ter nesse momento. Intenções de pioteçao, orientação, cura ou experiências que buscam coisas boas para voce são as melhores. Deixe claro para seus pedidos “de coisas boas" que a experiência e guiada pelo divino, para seu eu superior, e não para seu próprio ego.

Agora sente-se confortavelmente diante do seu altar. Sua postura é importante. Não contraia nenhum de seus músculos. Tudo deve estar con- fortável e relaxado. Use roupas largas. Algumas pessoas usam roupas es-

peciais para meditação. Isso pode ajudar você a tirar sua mente da vida diária

e deixar se entregar à prática da meditação, mas não é necessário. Você pode

se sentar em uma posição com as pernas cruzadas, o que as pessoas chamam de “estilo indiano”, ou, se você for mais flexível, uma posição lótus ou meio-

lótus com seus pés sobre suas coxas. A posição lótus não necessariamente faz

sua meditação ser melhor ou pior. Use uma almofada para ficar mais confortável e se apoiar. Se ficar de pernas cruzadas for desconfortável, sente- se em uma cadeira de costas retas com seus pés estendidos e nivelados sobre

o chão e suas palmas em seu colo ou descansando em suas coxas. Essa

posição é às vezes chamada de estilo de meditação egípcio porque muitas estátuas egípcias são encontradas nessa posição. Você não quer cruzar seus braços e, a menos que esteja sentado na posição indiana ou lótus, deverá evitar cruzar também suas pernas. Isso tende a interromper o fluxo de energia no corpo, e eu percebi que as pessoas que fazem isso têm mais dificuldade. Suas mãos podem estar em seu colo, descansando em suas coxas, ou com uma mão dentro da outra com as pontas de seus polegares unidas. Tradicionalmente, mulheres colocam a mão direita dentro da esquerda, e os homens a esquerda dentro da direita. Você poderá também assentar seus pulsos sobre os joelhos, com as palmas voltadas para cima, segurando os polegares e os indicadores juntos. Minha aluna Alixaendreia pressiona as pontas de seus dedos suavemente, na forma de uma barraca, polegar com polegar, indicador com indicador, etc., com um espaço entre as palmas para suas meditações mais poderosas. Cada dctlo está relacionado a um dos cinco elementos, e ela estimula essas energias com essa posição de sua mão. Ela descobriu isso de forma intuitiva, mas é uma mudra oriental. Faça o que for confortável para você. Você pode drilar-se com as costas esticadas, se essa for uma posição confortável, mas cuidado para não cair no sono. Se perceber que está pegando no sono enquanto medita, passe para uma posição ereta. Posições eretas com a espinha reta ajudam a fluir e a focar a energia.

Entrando em Estados Alterados

O relaxamento é o primeiro passo na meditação, e é geralmente esquecido. Ao preparar seu corpo para meditar, você facilita a transição ao partir de sua realidade externa para sua realidade interna. As vezes tudo o que o corpo precisa é da permissão da mente para relaxar. Por meio do iclaxamenlo, os mundos mágickos se abrem para você.

A respiração é um componente importante do relaxamento. A técnica basica da

meditação é observar a tespnação. Respirar é uma das formas de mudar sua consciência Respirações profundas e relaxadas baixam as ondas cerebrais de beta para estados mais baixos de meditação. O controle da respiração, especialmente por meio de exercícios de contagem, leva a pessoa u um estado meditativo de forma bastante rápida. Apenas permita que a respiração se desenvolva naturalmente e não faça nada que lhe seja desconfortável.

Relaxamento Total

1. Assuma sua posição de meditação.

2. Relaxe seu corpo. Cuidado com sua cabeça, da parte de cima até seu

pescoço. Respire profundamente, expire e relaxe todos os músculos em sua

cabeça e pescoço. Relaxe sua mandíbula. Relaxe os músculos de seu rosto. Relaxe seus olhos e sua testa. Sinta toda a tensão se esvair.

3. Respire profundamente, expire e relaxe seus ombros e braços, lodo o

comprimento de seus braços, passando por cotovelos, pulsos, mãos e pontas dos dedos. Ondas de relaxamento liberam toda a tensão e o estresse.

4. Respire profundamente e, conforme solta o ar, libere toda a tensão de seu

peito e pulmões, da parte superior de suas costas, descendo de sua espinha até a parte inferior de suas costas, abdômen, cintura e quadril. Sinta-os

completamente relaxados enquanto toda a tensão sai de você.

5. Respire profundamente, expire e solte toda a tensão de suas pernas,

começando por suas coxas e descendo até seus joelhos. Relaxe os músculos

de suas canelas e da barriga das pernas, descendo até os calcanhares, pés e dedos dos pés. Toda a tensão vai aos poucos deixando seu corpo. 6. Respire profundamente e relaxe. Desfrute essa sensação. Sinta seu corpo enquanto respira. Você ainda sente qualquer lugar com lensáo ou dor? Se a resposta for positiva, imagine que, enquanto você respira, sua respiração magicamente chega até essa parle de. seu corpo c acaba com essa tensão ao mesmo tempo em que você expira.

7. Relaxe sua mente. Todos os pensamentos, preocupações ou in quietações

do dia começam a sumir e a sair por sua respiraçíto enquanto você expira. Não

deixe que essas coisas o importunem mais. Relaxe seu corpo mental por completo.

8. Relaxe seu coração. Libere todos os sentimentos, emoções e lembranças

indesejáveis enquanto expira. Abra seu coração para o amor da Deusa e do Deus.

9. Relaxe sua alma. Enquanto respira, sinta o pulso e o ritmo da vida que

passa por você e que sabe que está presente em todas as coisas. Siga sua luz interior buscando orientação e proteção. Agora adicione um foco visual em sua prática meditativa. Da mesma forma que se concentrou em sua respiração, voltar sua atenção para um objeto é um foco para entrar em um estado alterado. Esse exato processo ajuda a relaxar o corpo e a aprofundar a respiração. Isso aumenta seus poderes de concentração e esvazia muitos dos ruídos intrínsecos em sua mente. Uma das primeiras meditações que aprendi foi concentrar-me na chama de uma vela branca sobre o altar. É um exercício simples, mas algo a que ainda recorro

quando preciso entrar em contato com minhas raízes. Você provavelmente voltará a esse exercício mesmo depois de ter avançado em suas outras habilidades.

Meditação com Velas

1. Comece acendendo uma vela branca sobre seu altar caso isso não seja

uma prática regular. Diminua as luzes. Sente-se em um estado meditativo.

Faça o exercício 7: Relaxamento Total.

2. Dirija seu olhar para a vela acesa. Não fixe seu olhar intencionalmente, mas

olhe para ela com seus olhos abertos. Deixe que seu foco abrande-se.

3. Deixe que a imagem da vela encha seus pensamentos. Centralize-se

somente na vela e não desvie seu olhar.

4. Não desvie seus olhos. Se eles estiverem cansados, feche-os, mas

visualize a vela em sua mente. Se a visualização for difícil, alterne entre abrir seus olhos e contemplar a vela, e em seguida feche seus olhos e recrie a figura em sua mente. Isso irá ajudá- lo a desenvolver suas habilidades de visualização. Não se preocupe se tiver dificuldade para manter uma imagem.

Apenas mantenha a idéia da vela em sua mente. O relaxamento com o foco é mais importante do que a habilidade visual nesse momento.

5. Faça essa meditação primeiramcnlc por alguns minutos e aumente os

intervalos. Quando terminar, feche seus olhos, descanse e relaxe.

Você pode substituir qualquer objeto pela vela, recriando-a na tela de sua mente. A visualização interior é um outro meio para o estado meditativo, e muitas pessoas afirmam que esse é o mais poderoso, porque o talento é emprestado para muitas outras práticas mágickas. Você aprende como fazer para sentir e experimentar sua própria energia e a energia de um parceiro cm exercícios anteriores. Você tem uma certa compreensão dessa força invisível. Porém, nossa mente consciente tem dificuldade para processar essa energia, ou até mesmo para entendê-la. E por essa razão que nos comunicamos com as mentes psíquica e divina. A mente psíquica pode processar energia psíquica, mas tem dificuldade para traduzir a experiência lazcndo com que a mente consciente possa compreendê-la. Nosso eu psíquico tem que usar um código que o eu consciente possa entender. Esse código é o simbolismo. Símbolos podem substituir conceitos e energia. Símbolos pessoais são mensagens particulares de seu próprio inconsciente, cie seu próprio eu psíquico, para seu eu consciente, que acontecem da mesma forma quando sonhamos. Símbolos gerais ou universais, caindo sobre os reinos dos arquétipos, são a forma com a qual o inconsciente coletivo fala com a humanidade. A visualização é o processo de usar esses símbolos. A maioria das pessoas os vê em seus sonhos. Outros sentidos podem estar envolvidos, mas os sonhos principalmente têm um componente visual. Da mesma forma, o método mais fácil de conseguir uma direção ou comando para a mente psíquica é usar um símbolo visual. Praticantes de magia sempre estudam os símbolos, desde símbolos nas pedras e alfabetos antigos até a interpretação de sonhos e buscas visuais. Os símbolos de nossa mitologia coletiva c pessoal são as formas de direcionar o poder. Aqueles que entendem os símbolos e que são capazes de projetá-los pela intenção, vontade, rituais e, sim, visualização, se deparam com um poder que nós todos possuímos, mas somente poucos utilizam. A visualização é um método bastante eficaz e rápido de alterar sua consciência. A vantagem desse método é que seus “músculos psíquicos” sao

ativados e “aquecidos” a partir desse processo, e eles irão trabalhar com maior eficácia em meditações mais profundas.

Exercício 9

Contagem Regressiva para um Estado Meditativo

1. Assuma sua posição meditativa. Você pode fazer o exercício 7:

Relaxamento Total e o exercício 8: Meditação com Velas, se preferir. O relaxamento e o foco antes de qualquer exercício são excelentes, mas essa

contagem regressiva pode também ser usada separadamente para atingir rapidamente um estado meditativo

2. Visualize uma tela gigante diante de você, como um quadro negro ou uma

tela de cinema. Essa é a tela de sua mente, ou o que é chamado de o olho da

sua mente. Sempre que você visualizar ou se recordar de qualquer coisa, ou se lembrar do rosto de uma pessoa ou de qualquer outra coisa, irá projetá-la nessa tela. Você sempre a teve, mas agora é que vamos dar uma certa aten- ção a ela. Qualquer coisa que você deseje irá aparecer na tela.

3. Na tela de sua mente, visualize uma série de números, contando

regressivamente de doze a um. Com cada número, você entra em um estado meditativo mais profundo. Os números podem ser de qualquer cor que você

escolher, desenhados como se você os estivesse escrevendo, ou poderão aparecer já escritos.

Agora visualize o 12, veja o número 12 em sua tela, 12,

11.

veja o número 11 em sua tela, 11,

10.

veja o número 10 em sua tela, 10,

9.

veja o número 9 em sua tela, 9,

8.

veja o número 8 em sua tela, 8,

7, veja o número 7 em sua tela, 7, 6, veja o número 6 em sua tela, 6,

5, veja o número 5 em sua tela, 5,

4. veja o número 4 em sua tela, 4,

3, veja o número 3 em sua tela, 3, 2, veja o número 2 em sua tela, 2, 1, veja o número 1 em sua tela, 1.

4. Você está em seu estado meditativo. Tudo o que você faz em seu estado

meditativo é para o seu bem supremo, não prejudicando ninguém. Você está agora contando de forma regressiva para um estado meditativo mais profundo, mais centrado. Conte de Irás para a frente de treze a um, mas não visualize os números dessa vez. Deixe os números aos poucos serem contados: 13,12, 11, 10,9,8,7,6,5,4,3,2 e 1. Você está agora em seu estado meditativo mais profundo, em seu campo mental mágicko, em total controle de suas habilidades mágickas.

5. A partir daqui, você pode continuar com os outros exercícios e experiências, ou meditar nesse nível por alguns instantes e elevar se, contando tle um a treze e em seguida de um a doze. Sua vemenle comece a sacudir seus dedos das nulos e dos pés e vagarosamente mexa se para trazer sua consciência de volta para o físico. 6. Pegue ambas as mãos e erga-as acima de sua cabeça, palmas voltadas para a parte de cima de sua cabeça. Aos poucos, desça suas mãos por sua cabeça, passando por sua testa, seu rosto, sua garganta, seu peito, seu abdômen e depois até sua virilha, e “jogue” suas palmas fazendo com que elas se voltem ao contrário de seu corpo. Isso lhe causará desobstrução e equilíbrio, liberando todas as energias prejudiciais ou indesejáveis que você possa ter adquirido durante as experiências mágickas. Diga a si mesmo:

“Eu trago até mim desobstrução e equilíbrio. Estou em equilíbrio comigo mesmo. Estou em equilíbrio com o Universo. Libero tudo aquilo que não me serve”.

7. Descanse por uns instantes ou quanto achar necessário, até se sentir novamente estabelecido e em harmonia com a terra. Esse exercício eficazmente leva você a um estado meditativo. Mesmo que você tenha dificuldade para visualizar os números, mantenha o conceito deles, se não pela visualização, em sua mente até que ele se fortaleça. Na primeira parte da meditação, contamos usando os números doze e treze. bruxas seguem os ciclos naturais, especialmente aqueles do Sol e da Lua. O calendário solar é baseado em doze divisões, como os doze signos do Zodíaco, e o ano lunar está baseado nas treze Luas. O Sol está associado ao pensamento mais masculino, linear e lógico, portanto, durante a contagem ativa e solar até doze, você estará ativamente visualizando e controlando o que você vê na tela de sua mente. A Lua está ligada ao intuitivo, às energias femininas, à emoção e ao mistério. Durante a contagem lunar até treze, tente visualizar ou controlar o nada. Apenas siga o fluxo dos números e permita que eles aconteçam. Físi- eos e bruxos geralmente se baseiam em sentimentos e na intuição em vez de na visualização concreta e mensagens diretas. Fazer as duas contagens nos eoloca em equilíbrio com as energias masculinas e femininas em nosso interior. Ambas são necessárias para fazermos mágicka. No final dessa contagem regressiva, balance suas mãos descendo de sua cabeça e passando pela parte da frente, eixos verticais de seu corpo, a linha dos chacras. Os chacras são centros de energia espiritual no corpo. Nos eslamos primeiramente trabalhando com o terceiro olho, ou o chacra da li ente, na lesta entre e acima dos dois olhos físicos. Esse ponto controla seu senlido do “ver” psíquico, a visualização, e o que muitos chamam de imaginação. Durante a visualização, esse chacra está mais ativo. Na verdade, diiranle muitas prálicas mágickas, seus centros de energia sao ativados, eoitio se estivéssemos mudando as marchas de um carro em movimento de ponto morto para a primeira. Eles estão sempre ligados, mas em estados diferentes de atividade, dependendo do que você está fazendo, A desobstrução e o equilíbrio fazeem esses centros voltarem para um nível normal de energia para preparar você para centrar sua energia novamente no inundo físico. Isso também o ajuda a se livrar de quaisquer energias prejudiciais e indesejáveis

que possa ter encontrado em suas práticas mágickas, fazendo você voltar para um estado de claridade e equilíbrio. Conforme prosseguimos com futuros exercícios e meditações, volte no exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado Meditativo, para lelornar ao seu ambiente mágicko. Se não estiver confortável com uma contagem regressiva visual, poderá usar as técnicas dos exercícios 7 e 8 para iniciar sua meditação. Algumas pessoas modificam a contagem regressiva para atender a suas próprias necessidades. Você pode imaginar um conjunto de doze passos por onde caminha, talvez em uma escada espiraI. Isso traz não somente o sentido da visão, mas também o sentimento de movimento. Sempre que você terminar suas meditações e exercícios, finalize com os últimos passos do exercício 9, incluindo a contagem, a desobstrução e o equilíbrio, e voltando para seu estabelecimento normal quando necessário. Eles ajudam a preparar seus sentidos para voltar à realidade física. A contagem é uma parte muito importante do processo. Não deixe de fazê-la apenas porque se sente consciente do mundo físico antes de iniciá-la. Existem muitas meditações e exercícios designados a ajudar você a acessar essas habilidades psíquicas e a melhorar sua capacidade de criar e manter imagens visuais. O exercício seguinte começa com uma série de formatos básicos.

EXERCÍCIO 10

Visualização Básica

1. Comece com o exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado

Meditativo, para acessar seu ambiente mágicko.

2. Mais uma vez, chame a tela de sua mente. Imagine que ela é como um

quadro onde você pode controlar todos os desenhos. Você pode usar qualquer

cor para desenhar esse conjunto de formas. Você poderá achar útil se tentar fisicamente erguer sua mão e “desenhar” as formas no ar à sua frente com seu dedo.

3. Desenhe um triângulo na tela de sua mente. Mantenha a imagem por

alguns momentos. Em seguida a apague, como se tivesse apagando giz. Mais

uma vez, poderá fisicamente mover sua mão com um movimento de quem está apagando algo.

4. Desenhe um retângulo na tela de sua mente. Mantenha a imagem por

alguns instantes. Em seguida, apague-a.

5. Desenhe um círculo na tela de sua mente. Mantenha a imagem por alguns

instantes. Em seguida, apague-a.

6. Desenhe variações de um triângulo, de um retângulo e de um círculo. Se

estiver confortável com essas três formas, então passe liara outros formatos mais complexos, como diamante, paralelogramo, pentágono, hexágono e octógono.

7. Se você se sentir confiante com essas duas formas bidimensionais, tente

trabalhar com formas tridimensionais, começando com o cubo, a caixa e a pirâmide. Mais tarde, tente formas tridimensionais mais complexas, como os sólidos platônicos, como por exemplo um tetraedro, um octaedro, um

dodecaedro ou um icosaedro. Não se sinta intimidado por eles. Deixe que eles apareçam na tela de sua mente e mantenha as imagens da melhor forma que puder. 8. Apague todas as formas da tela de sua mente e limpe-a. Em seguida, peça pela energia e imagem de uma laranja para aparecer na tela de sua mente. Veja a laranja diante de você, como se um verdadeiro pedaço da fruta estivesse pendurado em uma árvore invisível. Observe a cor e a variação da cor. Ela está lotai mente madura? 9. Observe a textura da easca da laranja, as curvas e as ondula çoes. Estenda suas mãos físicas e finja que está colhendo a fruta. A laranja está agora em sua mão. Qual e a sensação? Você consegue sentir o molhado da casca. Você consegue sentir o molhado do suco em suas mãos? Você consegue provar seu sabor? Use lodos os seus sentidos. 10. Experimente essa sensação por completo. Em seguida, magicamente visualize-se colocando tudo de volta, de forma perfeita e sem nenhuma rachadura. Pendure-a novamente na árvore na tela de sua mente. 11. Agradeça à laranja e limpe a imagem, apagando-a. 12. Volte para o estado de consciência normal, contando, trazendo para si desobstrução e equilíbrio, e faça todos os movimentos de retomo necessários. Se praticar essa meditação com freqüência, poderá pular a fase dos Im matos, se preferir, e começar com a laranja. Troque-a. Use qualquer bula de que goste, ou substitua por outros objetos, como um ovo, uma lolha ou um cristal. Embora você pense que está visualizando um objeto, estará fazendo mais do que isso. É como brincar de faz-de-conta, mas você nao estará brincando, está realmente se conectando à energia de uma laranja a ixirtir de algum lugar no espaço e no tempo. A laranja não era física, mas era real. Você estava alcançando-a e sua mente criou uma pequena simulação da laranja diante de você, por isso conseguiu observá-la. Se ten- lai esse exercício 20 vezes, provavelmente terá 20 laranjas diferentes, a menos que tenha a intenção de pegar a mesma fruta todas as vezes. Pequenas manchas e detalhes que você possa não pensar em incluir durante seu pioeesso de invenção poderão acontecer naturalmente.

Afirmações

Afirmações são declarações benéficas que fazemos para nós mesmos, cm voz alta ou em silêncio, para reprogramar nossos níveis profundos de consciência. Você sabe que a magia exige um alinhamento da mente conseienle com as mentes psíquicas e divina. Um dos métodos de alcançar

esse alinhamento é a meditação, acalmando o ruído interior para chegar a uma harmonia. A partir desse alinhamento, a magia flui. Quando as pessoas começam a meditar, muitos se enchem de um senso de realização, enquanto outros ficam cheios de incerteza quanto às coisas estarem ou não Imuionando

do verdade. Essa incerteza pode acompanhar a descrença, a duvida e o medo.

A raiz dessas frustrações e receios é encontrada no subconsciente, uma

conexão com sua mente psíquica.

Humanos são como computadores cheios de memória e ilimitados, capazes de literalmente realizarem tudo a que se predispuserem. Nós somente somos limitados por nossa programação, as direções, instruções e imagens que contemos. Como indivíduos, nos programamos, mas usamos modelos e programas de nossa família, nossos amigos e da sociedade. Infelizmente, no momento presente não vivemos no mundo mais confiante e otimista, e nossa autoprogramação pode refletir isso. Todos os pensamentos e idéias se tornam parte de nosso programa geral. Se pensarmos que somos imprestáveis, indesejáveis ou não-amados, nossa auto-estima cai. Sentirmo- nos confiantes e bem em relação a nós mesmos é imprescindível quando estamos usando nossas habilidades mágickas. Se nosso programa nos impede de nos sentirmos ligados ao espírito, nossas habilidades são bem diminuídas. Quando tentamos nos conectar a elas, os blocos vêm à tona. Quando sentimentos difíceis surgem nas meditações, em qualquer nível, estamos tentando ultrapassar esses bloqueios. Tirar os blocos usando a experiência é importante, mas existe uma outra maneira de lidar com esse problema: a reprogramação direta e consciente. Porque todo pensamento que você tem se torna uma parte de sua nova reprogramação, conscientemente tenha novos e úteis pensamentos para substituir a velha programação pela nova. As afirmações são a nova programação. A idéia da programação interior não substitui o livre-arbítrio ou a escolha consciente. Nós escolhemos e criamos nossa própria programação. A maioria de nós aceita uma parte de programação que não foi feita por nós mesmos. Agora é chegado o momento de reassumir o controle e a responsabilidade. Afirmações diárias são uma grande forma de rapidamente reprogramarmos o subconsciente e ganharmos maior acesso ao nosso poder pessoal. lilas podem ser feitas na meditação, para profundamente as implantarmos cm nossas consciências. Elas também podem ser feitas em um estado bela regular com bastante resultado. Aqui estão algumas amostras de afirmações que têm ajudado a mim e aos meus alunos. Esse conjunto é ótimo para ser usado de início para construir auto-estima e um sentido de conexão com seu próprio espírito. Eu me amo. Eu amo todas as outras pessoas. Eu sou infinitamente amado( a). Eu me perdoo. Eu perdoo todas as outras pessoas. Eu sou caminhando no amor da Deusa, do Deus e do Grande Espírito. Tudo o que faço é para o bem de todos os envolvidos, não prejudicando ninguém. Eu sou aberto(a) para minha melhor orientação. Para aqueles que têm programado blocos para sua própria prosperidade, usar essas afirmações pode ajudar a abrir o caminho puta grandes bençaos. Eu sou bem-sucedido e talentoso(a). Eu sou próspero. Eu tenho todo o dinheiro e recursos de que preciso. Eu sou sempre no lugar certo, no momento certo, fazendo a coisa certa. Eu sinto prazer em tudo o que faço.

Este terceiro conjunto de afirmações é para abrir e despertar habilidades psíquicas. Todos os meus sentidos estão ficando mais fortes a cada dia. Eu sou, deforma segura, abrindo e aumentando todas as minhas habilidades psíquicas. Eu sou vendo psiquicamente. Eu sou ouvindo psiquicamente. Eu sou conhecendo psiquicamente. Eu sou viajando psiquicamente. Eu sou psíquico(a). Este último conjunto cria a saúde pessoal e prepara você para assumir um papel ativo como um curandeiro. A cura é uma das habilidades mais elevadas aprendidas na bruxaria. Eu sou completamente saudável em todos os níveis. Eu sou em equilíbrio e harmonia. Eu libero tudo aquilo que não serve para meu bem supremo. Eu sou, deforma segura, desenvolvendo minhas habilidades de cura.

Muitas dessas afirmações estão na forma de declarações do tipo “Eu sou”. A frase “Eu sou” é muito poderosa porque liga a afirmação à qualidade mais elevada de seu ser, do seu eu maior e divino. A frase vem de uma frase do Antigo Testamento, quando o Divino, assumindo a forma de um arbusto em chamas, diz: “Eu sou o que eu sou”. Você não tem que ser judeu ou cristão para usar o poder dessas simples palavras. Na tradição kundali- ni-ioga, um mantra popular é “Saudável eu sou. Feliz eu sou. Sagrado eu sou”. No método de Controle da Mente Silva, eles usam “Todos os dias, de iodas as formas, eu estou melhorando cada vez mais”. As afirmações de “Eu sou” existem também na forma do que você quer criar, em vez de aquilo que não quer. Uma afirmação de saúde é “Eu sou saudável” e não “Eu não estou doente”. Nesta última você está se concentrando na palavra doente, e pode estar criando mais doença, embora isso náo seja a intenção de sua declaração. As afirmações são geralmente ditas um certo número de vezes. Conjuntos de três são populares, não somente pata as Deusas Triplas pagãs, mas para as mentes consciente, psíquica e divina. Fazer afirmações em conjuntos de três, nove, 33, 99 E 108 são extreamente eficazes. Outros preferem conjuntos de quatro, por causa dos quatro elementos. Os elementos correspondem aos nossos corpos físico, emocional, mental e espiritual. Use o que lhe servir de forma mais coerente. De certa forma, afirmações são uma forma de magia. Uma vez, quando estava muito doente para meditar ou realizar um ritual, fiz a seguinte afirmação “Eu sou completamente saudável em todos os níveis” 33 vezes no chuveiro, preparando-me para ir ao médico. Eu estava com uma gripe muito forte. Quando terminei de me enxugar, me senti totalmente bem. Eu náo estava mais congestionado nem com a sensação de tontura. Ainda assim fui ao médico, e ele disse que eu deveria ter procurado por ele um pouco antes, porque parecia que meu corpo já tinha se livrado do problema. Ele presumiu que eu vinha sofrendo havia mais de uma semana com a gripe pelo progresso que eu apresentava, e não há apenas dois dias. Esse foi meu sucesso mais imediato com as afirmações. Agora, se é possível fazer isso e curar o físico, pense quão

poderosamente funcionam as afirmações em sua programação mental mais sutil. Não se sinta desconfortável ao fazer as afirmações. Quando você começar com elas, existe uma tendência de se sentir um tanto estranho e tolo. Permita- se sentir assim logo esse sentimento irá desaparecer. Depois volte para as afirmações, não importando quanto elas possam parecer bobas. Isso é parte de sua programação. Você está tentando dissolver sentimentos de autoconsciência para que possa se sentir livre para fazer tudo o que quiser, sempre que quiser, sem se sentir constrangido. Assim que começar a ver quanto elas são poderosas, rapidamente supera o constrangimento. O poder das afirmações tem me feito repensar muitas letras de músicas que eu canto repetidas vezes, assim como usar expressões como “Ele é um chato intrometido”. Suas palavras literalmente criam sua realidade.

EXERCÍCIO 11

Afirmações

1. Escolha pelo menos cinco afirmações das listas anteriores, ou crie as suas

próprias. Concentre-se nas qualidades que você gostaria de atrair. Decore-as

da melhor forma que conseguir, para que possa recitá-las em uma meditação. ('omece pelo exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado Meditativo, para entrarem seu ambiente mágicko. 3. Assim que estiverem seu nível meditativo, recite eaila afirma çáo pelo menos três vezes.

4. Anote como se sente quando estiver recitando cada uma das afirmações.

Você poderá não sentir nada de início, mas está sutilmente mudando sua programação interior. Você poderá ver coisas, ou pensar em pessoas e lugares de seu passado. Deixe as idéias fluírem para dentro e para fora. Não se prenda a elas, mas permaneça ciente delas. Elas podem lhe dar idéias sobre quais questões precisam de atenção.

5. Volte para uma consciência normal, contando, trazendo para si desobstrução e equilíbrio, e faça todos os movimentos necessários para se sentir de volta.

Magia Instantânea

A magia instantânea é a prática de colocar sua vontade em movimento muito rapidamente, usando o poder de visualização e de se prender a um estado

meditativo leve usando um disparador. Existem muitos nomes para ela: o poder da visuabzação criativa, projeção (porque você está projetando sua vontade para que seja manifestada no futuro) ou mágicka casual. E uma forma de magia sem o uso de meditação profunda, ritual ou de outras ferramentas, e muitas pessoas a descartam por esse motivo, achando que “ninguém” pode realizá-la e portanto não se trata de uma magia “real”, porém eu discordo. Sim, qualquer pessoa pode fazer magia se tomar essa decisão, e as recompensas da magia instantânea não são de forma nenhuma pequenas. Esses atos aparentemente insignificantes nos ajudam a reavaliar a maneira com que criamos nossa própria realidade de momento em momento. Esses feitiços instantâneos nunca deixam de me surpreender. Quando iniciamos a prática da magia, fica fácil associarmos o sucesso à coincidência, até mesmo enquanto você aprende metafisicamente que não existem coincidências reais. Ainda assim, esse é um fato duro de ser engolido quando a maioria de nós ouve exatamente o contrário no decorrer da vida. Se você c capaz de integrar esse talento em sua vida diária, seus resultados se aven- turam além do reino da coincidência e chegam a se tornar atos surpreen- dentemente verdadeiros. Você então aprende a esperar a surpresa e a viver a vida mágicka. A magia instantânea é projetar sua vontade adiante por meio da visualização e da intenção específica para criar uma oportunidade, dando forma a tudo aquilo que parece se tratar de coincidência. Você faz isso ao ciilrar em um estado leve de alfa, um nível meditativo em que você é ainda capaz ile falar, caminhar, dirigir e continuar com seus afazeres diários. A sensação é semelhante â de deixar sua mente vagar por alguns instantes, mas na realidade ela não está sem foco. Na verdade, está realmente concentrada, mas apenas por alguns minutos, Nesses poucos instantes, você declara em voz alta ou silenciosamente o que quer que aconteça, ou visualiza o que está pensando, Você nem sequer precisa fechar seus olhos. Imagine essa sensação por um instante Você atinge seu ambiente mágicko aos poucos por meio da intenção. Ao programar seu disparador, é capaz de alcançar esse estado, não importando quão estressante seja uma situação. Existem vários momentos na vida em que precisamos de acesso para nossas habilidades mágickas e de meditação, mas as circunstâncias não nos permitem termos o tempo necessário, o local e a calma que estamos acostumados a ter. O disparador nos ajuda. Ele é como um comando pós-auto-hipnótico que diz: “Quando eu fizer um movimento específico, entrarei em um estado leve de transe”. Os disparadores podem ser movimentos com as mãos, gestos, palavras ou imagens que, quando realizados, nos ajudam a alcançar nossa mente mágicka. Embora você possa escolher qualquer disparador de que goste, sugiro um simples movimento com as mãos. Originalmente aprendi com Laurie ('abot a cruzar meu primeiro e segundo dedos para ativar meu gatilho. Ela me ensinou isso como a base de nossa expressão “Eu irei cruzar meus dedos”, quando queremos que algo aconteça. Jogos de crianças associam dedos cruzados com mentiras, e essa raiz provavelmente também vem da bruxaria, quando o trabalho era associado ao mal. Fiquei surpreso quando descobri que essa posição é na verdade um mudra no misticismo hindu. O autor Gurunam (Joseph Michael Levry) diz: “Se você precisa de um favor, ou tem um desejo, como por exemplo um aumento de salário, tudo o que precisa fazer enquanto

pede por ele é cruzar os dedos do meio e o indicador

equilibra sua energia, e assim momentaneamente aumenta seu campo magnético para que seu desejo seja realizado.” Outros mudras que são posições com as mãos em potencial para o seu disparador incluem colocar o polegar e o dedo indicador juntos, colocar o polegar c o dedo do meio juntos, ou até mesmo colocar o polegar com ambos os dedos indicador e do meio. Tente usá-los na meditação e veja qual deles lhe parece mais confor- lável. A razão pela qual sugiro simples movimentos com as mãos é porque gestos grandiosos e espalhafatosos chamam a atenção, e você vai querer fazer isso quando estiver dirigindo e enquanto conversa com alguém e não ler que necessariamente explicar o que você está fazendo. No mito celta, chupar o polegar é um disparador para a inspiração e a sabedoria, embora eu sugira fazer esse gesto em público. Alguns usam uma palavra especifica como seu disparador para o estado de transe e uma palavra para lei minar o transe. Use aquilo que lhe for mais confortável. Você não tem que necessariamente vocalizar a palavra para torná-la mais eficaz. Uma vez programado seu disparador, você poderá usá lo para muitos efeitos difercnlcs em sua vida diária. Aqui estão algumas das ideias mais tradicionais usadas por bruxas. Eu combino a visualização com a intenção. Às vezes peço à Deusa e ao Deus por minha intenção, silenciosamente em minha mente, e peço que ela seja “correta e para o bem de todos os envolvidos”.

Esse procedimento

Aprendizado Acelerado

Mantenha seu disparador quando estiver lendo um livro, estudando para uma prova ou ouvindo uma palestra. O ensinamento irá penetrar em você mais profundamente e será muito mais absorvido. Quando você precisar se lembrar das informações, use seu disparador novamente. Algumas pessoas podem recriar as páginas decoradas na tela de sua mente e “copiar” as respostas.

Afirmações

Use seu disparador quando fizer suas afirmações e não tiver tempo para entrar em um estado meditativo.

Comunicação com Animais

Você pode projetar seus pensamentos para animais e receber impressões deles da mesma forma. Tente “falar” com animais de estimação e veja como eles se comportam. Essa comunicação não é limitada aos animais, mas também se estende para as consciências das plantas e até mesmo dos minerais.

Mexendo no Tempo

Acredite ou não, o tempo, ou nossa percepção e movimento dele, não é tão imutável quanto você pensa. Da próxima vez que você estiver atrasado e não tiver tempo suficiente para chegar até seu destino, use seu disparador e imagine-se chegando lá exatamente na hora certa. Eu fiz isso muitas vezes para chegar ao trabalho pontualmente quando estava atrasadíssimo. Há uma piada que diz que existe o tempo “real” e o tempo pagão padrão, que corre cerca de meia hora atrasado. Não precisa ser assim, se você usar a magia instantânea.

Controle do Corpo

Nós temos uma habilidade ainda maior para controlar nossos sistemas corpóreos do que usamos atualmente. A medicina está estudando essa fronteira por meio de algo chamado controle biofeedback (eletrocarga da vida), porém bruxas e xamãs já o conhecem há bastante tempo. Da próxima vez, que estiver passando frio, use seu disparador e imagine-se aquecido ou náo incomodado pela temperatura, Eu já fiz esse teste em manhãs frias da Nova Inglaterra enquanto esperava pelo ônibus, e fico bastante satisfeito por ter aprendido esta habilidade.

Mensagem Telefônica Cósmica

A mensagem telefônica cósmica é uma forma rápida de dizer que você está deixando uma mensagem psíquica pedindo que alguém telefone para você. Isso é particularmente útil quando a pessoa está em algum lugar fora de alcance. Use seu disparador e pense na pessoa que deseja contatar. Deixe um recado, da mesma forma que você faria com uma secretária eletrônica, pedindo para ele ou ela telefonar para você. Geralmente você acaba encontrando essa pessoa dentro de três dias, dizendo: “Eu não sei por que, mas estive pensando em você”.

Sistema de Aviso Prévio

Manter seu disparador com a intenção de cautela em momentos de perigo pode mantê-lo alerta e preparado para qualquer coisa. Embora eu mio esteja querendo quebrar leis de excesso de limite de velocidade, uso a magia instantânea para me avisar de radares policiais.

Orientação

Conforme você continua com esses treinamentos e explora o mundo dos guias espíritas, pode usar seu disparador para instantaneamente estabelecer uma conexão com um guia ou orientador mais elevado e fazer suas perguntas.

Cura

As pessoas têm uma habilidade inacreditável de se autocurar e de curar outras pessoas. Você pode usar seu disparador e visualizar-se na outra pessoa melhorando o estado de saúde, aos poucos sentindo-se mais saudável e vibrante. Outras técnicas serão estudadas adiante, e seu disparador pode ajudá-lo a acessá-las instantaneamente.

Despertador Interno

Nós todos temos um relógio biológico. Nossos corpos sabem que horas sáo pelos ciclos do dia, e se estivermos em sintonia com eles nós também podemos saber a hora. Minha aluna Heather não usa relógio. Ela dispara seu gatilho c pergunta ao Espírito que horas são, e recebe uma resposta da hora exala. Eu uso meu disparador antes de dormir e visualizo um relógio com a hora em que preciso acordar. Digo a mim mesmo e ao meu corpo que uei acordar sentindo-me bem nessa hora que predeterminei. Embora adore doi niir um pouco além do necessário, levanto-me sentindo-me muito bem quando faço isso. Esse processo também pode ser usado como parle de uma meditação matinal, para aqueles que sofrem de insônia. Quando você acorda, prepare seu alarme interno para a hora que planeja ir dormir. e o sono virá com muito mais facilidade.

Memória

O uso de seu disparador melhora a memória. Ele pode ser usado quando conhecer pessoas novas, para se lembrar dos nomes dessas pessoas. Quando se apresentar para alguém, pense no nome enquanto o pronuncia, assim irá se lembrar do nome em um próximo encontro por ter gravado o som em um nível mais profundo.

Vagas de Estacionamento

Meu truque favorito da magia instantânea é a visualização de uma vaga para estacionar meu carro próximo à porta do lugar a onde estou indo cerca de quinze minutos antes de chegar lá. Quase sempre acho uma vaga. Não escolha um lugar específico, mas um local aproximado. Quando eu estava estudando em uma cidade universitária e trabalhando em uma área urbana central, estacionar era sempre uma dificuldade, mas esse pouco de magia provou ser de grande valia. Meu amigo Rich usa seu disparador quando está dirigindo em estradas congestionadas, para visualizar um espaço seguro abrindo-se quando ele muda de faixas. Você pode até mesmo usar a magia instantânea para conseguir desatolar seu carro da lama ou da neve.

Proteção

Entre em seu estado meditativo brando quando estiver se sentindo inseguro e peça à Deusa e ao Deus para protegê-lo de todo o mal. Isso ativa seu escudo pessoal de proteção. Invoque seus espíritos protetores. Você não precisa conhecê-los para pedir que eles intervenham a seu favor. Você irá aprender técnicas mais específicas de proteção e como fazer para conhecer espíritos conforme progride por essas lições.

Redução da Ansiedade

Se você tem uma tendência de ficar ansioso quando está sob pressão, ou de se estressar com facilidade, use seu disparador e diga a seu corpo e sua mente para se acalmarem. Use-o para qualquer situação de apresentação, palestras em público, reunião com pessoas, visita a familiares e entrevistas de emprego. Use seu disparador caso se sinta nervoso no trânsito ou quando precisar se acalmar após um longo dia de trabalho e não conseguir meditar de forma apropriada.

Consertos

Assim como nossa intenção pode curar o corpo, muito estranhamente pode também consertar sistemas inorgânicos. Tenho usado meu disparador para visualizar carros de reboque, computadores e equipamentos de escritório funcionando. Até mesmo uso minha intenção quando estou usando a internet. Conheço uma eurandeira de cristais que usa com sucesso os cristais em seu carro, portanto a visualização em maquinas não é nada forçada. Geralmente mente essa magia é uma medida provisória, mas pode ser mais permanen- te. Em um emprego, eu era administrador de sistemas de computadores, não por

causa de meu conhecimento e minhas habilidades com computadores, mas por causa de minha habilidade de experimentar e fazer magia. Acho que fui capaz de manter o sistema funcionando com pura força de vontade, e depois que deixei o emprego ouvi de meus colegas de trabalho que o sistema linha tido problemas e demorou um bom tempo para ser consertado.

Semáforos

Um outro uso popular do disparador é fazer os semáforos ficarem verdes, mas isso pode ser perigoso. E se você mudar o circuito que faz sua luz verde sem mudar as outras cores para o vermelho? É muito mais indicado que você comece sua jornada e visualize todas as luzes ficando verdes, fazendo você atingir seu destino na hora certa, do que tentar “forçar” cada conjunto de luzes a ficar verde quando se aproxima.

Vitória

Alguns acham que isso é trapacear, enquanto outros pensam nisso como o uso de todos os recursos à sua disposição, portanto deixo o julgamento a seu critério. Sua magia instantânea pode manifestar seu sucesso cm competições, esportes e jogos de sorte. Ela é bastante eficaz em jogos com dados. Eu não necessariamente considero isso uma trapaça, porque Iodos estão projetando sua vontade no jogo. Conheço muitas pessoas que não são bruxos que praticam a arte da magia instantânea conscientemente. Já que eles não acreditam em mágicka, chamam isso de sorte.

Magia do Tempo

Quando estiver em situações de tempo difícil ou de perigo, especialmente enquanto estiver dirigindo, use seu disparador para projetar uma cslrada limpa e segura por onde irá passar. Você não precisa estar limitado por esses exemplos. Da mesma forma que descobri truques especiais para atenderem a meu estilo de vida e minhas necessidades, você irá expandir sua magia instantânea para novas áreas. A coisa mais importante para se observar sobre todos esses atos é qnao mundanos eles são. Não estou descartando o uso da magia simples; apenas estou enfatizando que os atos simples da vida podem ser infundidos com a magia. Sua realidade diária é um veículo para viver uma vida mágicka. Muitas pessoas cpie seguem um caminho espiritual resguardam o uso de seus poderes para um momento específico quando estão “sendo” espirituais, geralmente uma vez por semana em um serviço. Não pense que a magia é designada para apenas alguns momentos especiais durante a sema na quando se sentar e estiver se preparando para realizá-la. As bruxas tecem os fios da magia, da família, do lar e do mundo todos juntos pontue todos são parte da rede da vida. Lntegrar sua magia, e

mais ainda seu ponto de vista mágicko, para dentro de sua vida diária é um passo muito importante. Embora tecnicamente esses simples feitiços devam funcionar para você, independentemente de seu caminho ou tradição, se você se encontrar de verdade em um caminho espiritual, sugiro que agradeça aos poderes divinos à Deusa, ao Deus e ao Grande Espírito, por todos os dons, até mesmo aqueles que não são despertados. Se um ato de magia instantânea não acontece da forma que queria, provavelmente existe uma razão para isso. Talvez se atrasar para o trabalho mesmo que esteja tentando mexer no tempo pode ter evitado que você se envolvesse em um acidente. Dar graças é uma lição importante para qualquer caminho, porque a gratidão abre um mundo completamente novo de bênçãos. Agora que você tem uma idéia do que a magia instantânea é capaz de fazer, tente essa meditação para programar seu próprio disparador. Esse exercício deve ser repetido várias vezes para engrenar o programa para todos os níveis de consciência.

EXERCÍCIO 12

Programando seu Disparador

1. Primeiro decida qual posição do disparador lhe é mais confortável. Sugiro

que mantenha os dois primeiros dedos e o polegar juntos ou cruze os dedos

indicador e do meio. 2. Comece pelo exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado Meditativo, para alcançar seu ambiente mágicko.

3. Assim que alcançar seu nível meditativo, fisicamente realize seu disparador

com uma ou ambas as mãos. Gosto de programar ambas as mãos para que eu possa ter uma escolha quando for usá-las, dependendo das circunstâncias. Se uso as duas mãos na hora de um disparo, sinto-me indo um pouco mais

profundamente.

4. Diga a si mesmo: “Eu programo isso como sendo meu disparador dc magia

instantânea. Com esse disparador poderei instantaneamente acessar um estado meditativo leve e todas as minhas hábil idades mágickas, para o bem de todos, não prejudicando ninguém”. Faça essa declaração três vezes.

5. Quando terminar, retorne para a consciência normal, contando, trazendo

para si desobstrução e equilíbrio. Eslabclcça-se e volte para seu estado

normal.

Quando estiver segurando essa posição do disparo, entrará em um ambiente mágicko leve. Quando precisar sair desse estado, libere seu disparador. O processo é bastante simples.

BUSCANDO UM LUGAR DE PODER

Um dos dogmas mais importantes nas tradições de bruxaria é o aspecto sagrado e de poder do mundo natural. Criar um espaço para a meditação em sua realidade interior construindo um altar ou um templo e então manter uma prática é um passo importante. Uma outra pedra fundamental no processo é encontrar um lugar na natureza que seja especial e sagrado para você, se possível. Esse lugar não precisa ser no meio da floresta, mas algum lugar que lhe seja acessível, para servir como um outro lugar de meditação onde você possa se comunicar com as forças da natureza como um caminho para chegar a você mesmo. Uma parte de sua magia fluirá com maior facilidade quando estiver fora da segurança de seu lar porque você estará se comunicando com todas as formas de energia. Isso pode ser em um parque, uma trilha em um bosque ou floresta, uma praia, próximo a um riacho, um lago ou algum lugar distante do caminho comum onde você se sente seguro, confortável e relaxado. Você poderá encontrar esse lugar enquanto continua a fazer suas caminhadas pela terra do exercício 6. Use seu bom senso na hora de escolher uma área. Se você não é uma pessoa acostumada a acampamentos ou longas caminhadas, não escolha um local que se adentre demais em uma I loresta, que fique longe de obter ajuda, no caso de se perder. Se você mora em um ambiente urbano e não consegue achar um lugar adequado em um parque, não se preocupe, mas da próxima vez que sair da cidade e for para o interior, tente praticar sua meditação lá. Faça ou encontre um templo nesse lugar, mesmo que ele seja temporário. Você não precisa colocar velas ou incenso em seu templo a menos que queira fazê-lo, mas tente sentar-se próximo a uma pedra ou árvore especial que possa ajudá-lo a estabelecer essa conexão. Experiências psíquicas espontâneas acontecem quando você se aventura pela natureza, em busca de um lugar de poder.

NOVAS TAREFAS

Exercícios 7 ao 12 Complete e registre suas experiências em seu Livro das Sombras. Incorpore-as em uma rotina regular pelo menos três vezes por semana, se não for possível que sejam diarias. Períodos de meditação no início da manhã ou no final da noite são geralmente os melhores, mas não medite deitado ua cama, ou sempre irá associar a meditação com o sono. Sente se. Faça o exercício 12: Programando seu Disparador, pelo menos três vezes. Pratique a meditação da laranja com frequência , usando todos os seus sentidos. Use a magia instantânea em sua vida díária.

TAREFAS CONTÍNUAS

Diário Escreva três páginas por dia. Honre e reconheça sua intuição. Continue a fazer perguntas.

DICAS

Prepare seu espaço e inspire seu humor para a meditação. Se preferir, use alguma música suave e repetitiva ou talvez uma fonte de água. Desenvolva seu narrador interior. Ouça sua voz interna, que poderá agir de forma crítica e cética, e dê a ela algo para fazer. Treine-a para ser sua orientadora e não para distrair você. Silenciosamente diga a si mesmo para relaxar seu corpo e sua mente. Silenciosamente instrua-se por meio de cada passo das meditações, como se alguém estivesse ali para ajudá-lo. Se conseguir a crítica interna, agradeça à voz por compartilhar de sua experiência, mas gentilmente peça que ela se acalme e se concentre na tarefa em si. Esse guia interior irá ajudar você a tomar-se seu melhor mestre. Sempre certifique-se de fazer sua contagem para baixo e de volta para cima. Sempre restabeleça sua desobstrução e seu equilíbrio no final. Sempre verifique se precisa de mais fundamentos após a meditação. Não se apresse. Relaxe e use bem seu tempo. Você pode passar um bom período com o relaxamento e a respiração antes de partir para os exercícios específicos. Deixe seu corpo e sua mente lhe dizerem quando você está pronto, e então inicie a contagem. Não existe nenhum ato de “chegar lá” real. Algumas sessões parecem mais profundas do que outras, mas muitos alunos têm uma expectativa de se sentirem mais “abaixo”, como se estivessem em um show de hipnose. Existem muitos níveis de meditação, e todos eles são valiosos. Você pode ainda estar em um estado meditativo e ter sua mente vagando. O estado alfa é muito parecido com o sonhar acordado, e quando sonhamos acordados nossas mentes vagueiam. Quando perceber isso, traga de volta seus pensamentos para a experiência que está vivendo. Não sinta que está fracassando porque sua mente está vagando. As vezes você é distraído por ruídos externos. Isso acontece com todo mundo. Você está aprendendo a trazer mais loco e direção para seu período de meditação, mas isso exige muita prática. Bruxas são pessoas que caminham por entre mundos e devem ler consciência de ambos, mas, conforme pratica, você começará a lançar seus sentidos para dentro do mundo interior por maiores períodos. Não se repreenda quando a meditação não alcançar suas expectativas. Faça sua concentração voltar e dê o melhor de si. Você não deve pegar no sono quando estiver meditando. Se isso acontecer, reavalie seus padrões de sono e alimentares, assim como seus hábitos de trabalho. Cuide do seu corpo físico.

Algumas pessoas meditam melhor nas primeiras horas da manhã. Outras, como eu, meditam melhor no final do dia, antes de dormir. Experimente descobrir qual horário, se é que existe um, é melhor para você.

Lição 3

A Magia da Ciência

Há algum tempo, a ciência e o espírito eram uma disciplina única, mas as duas se separaram na cultura ocidental e não se misturaram novamente antes do século XX. Este século é visto como uma época em que o oculto e o paranormal começaram a se espalhar, mas as ciências, muito estranhamente, têm nos levado de volta ao místico por meio de algumas teorias interessantes e do advento de um novo paradigma que chega no limite do espiritual, e não do mecânico. As linhas de muitas disciplinas diferentes nos levam à visão do Universo como um sistema holístico. Uma das primeiras foi a teoria um tanto controversa da física quântica. A base da física quântica começou em vários estágios no início de 1900, e ela é atribuída ao trabalho de seis homens: Niels Bohr, Paul Dirac, Albert Einstein, Werner Heisenberg, Max Planck e Erwin Schrõdinger. Ori- ginalmente as teorias não eram uma tentativa de criar uma nova disciplina ou paradigma científico, mas de explicar resultados intrigantes de experimentos que não correspondiam às regras normalmente aceitas pela física. Embora um quanta se refira a uma carga de energia, a menor quantidade distinta de energia que pode ser medida, a teoria quântica não trabalha exclusivamente com o mundo micro, mas com o Universo todo. O an- ligo paradigma científico descrevia o Universo em termos de divisões dis- lintas, c em particular dois grupos separados, partículas e ondas. As partículas linham uma posição e as ondas tinham um momento. Os blocos de construção de toda a matéria e energia eram feitos em formas de partículas ou de ondas. Acreditava-se que tudo era separado e distinto; que toda parte ocupasse seu próprio lugar e espaço, ligada somente por forças observáveis. A física clássica é muito rígida e previsível, coisas acontecem devido a uma cansa e eleito observáveis. As condições podem ser mantidas e controladas em experimentos para repetirem o processo com os mesmos resultados. ,

Entretanto, os resultados de muitos novos experimentos com partículas subatômicas não se encaixavam nesse modelo clássico. Alguns resultados eram “não-locais”, ocorrendo sem uma causa observável. Quanto mais alguém se aprofundava no mundo micro, e dividia as partículas da matéria em unidades cada vez menores, menos elas se comportavam como unidades individuais. A distinção entre as partículas e as ondas ficava cada vez mais imprecisa. Às vezes, uma unidade como um elétron agia como uma partícula. Nós pensamos em um elétron como uma bola de energia com uma carga negativa, circundando o núcleo de um átomo, como um planeta orbitando o Sol. Em outros experimentos, um elétron exibia as caracterís- I ieas de uma onda. Dependia do experimento. Na verdade, especula-se que essas energias somente tenham uma forma de partícula quando estamos olhando para elas. É o mesmo que dizer que o Universo muda quando damos nossas costas para ele, mas então concordam com nossas expectativas quando o observamos. Nós nunca podemos saber a posição (partícula) e o momento (onda) de um quanta ao mesmo tempo. Observar um muda o outro. Na realidade, eles podem não possuir ambos os atributos ao mesmo tempo. Esse é o centro do Princípio da Incerteza de Heisenberg. De repente as partículas da matéria, que achávamos serem sólidas e confiáveis, tomaram-se obscuras e difíceis de serem descritas. Certas energias, como os raios X, sempre foram consideradas formas de ondas, mas, sob determinadas condições, elas exibiam propriedades de uma partícula. De repente tudo o que conhecíamos a respeito da física era colocado em dúvida.

Cientistas descobriram o poder do observador. De alguma forma a interação do observador, antes considerada independente do experimento, linha se tomado crucial para como as experiências eram conduzidas, e os resultados eram sutilmente influenciados. O comportamento do fenômeno mudava, dependendo de quem estava observando-o e que pensamentos, sentimentos e expectativas o observador tinha. Condições controladas não eram mais “controladas”. Aos poucos, os cientistas começaram a chegar à conclusão de que os “pedaços” de um experimento não eram isolados, mas sim parte de um grande todo, indo além do experimento e incluindo o observador e muito possivelmente todo o Universo. Conduzindo-nos para uma direção semelhante, mas a partir de um percurso complelamente diferente, estava o neurocirurgião Karl Pribram e seu trabalho com cérebro, memórias c visão, que ele iniciou na década de 1940. Até então, os cientistas acreditavam que lembranças específicas estavam localizadas em regiões específicas do cérebro. Por meio da pesquisa com animais e pessoas com determinadas porções de seu cétchio removi das. ele descobriu, junto com seu mentor Karl Lashley, que os indivíduos não sofriam perda de memória específica, chegando à conclusão de que as lembranças não eram mantidas em áreas específicas, mas em áreas não localizadas, por todo o cérebro. O mecanismo que permite ao cérebro realizar uma proeza era desconhecido para ele até que descobriu o modelo do holograma.

O Holograma

O holograma representa um papel importante na compreensão desses novos

avanços científicos, portanto vamos discuti-lo em detalhes. Um holograma é uma escultura de luz tridimensional. É uma imagem gravada, como uma fotografia, mas uma fotografia é plana, com somente duas dimensões. O holograma é tridimensional. Você pode olhar para ele de qualquer ângulo, e parecerá real, com profundidade e textura. Se você tenta tocá-lo, percebe que

não é sólido, mas uma construção de luz.

O holograma é criado por uma forma especial de luz, um raio de luz agrupada

chamado de laser. Um raio laser é dividido por meio do uso de um aparelho

chamado de separador de raios. Um raio é solto do objeto para ser registrado.

O segundo é direcionado com espelhos até que colide com a luz refletida da

primeira. Esses dois raios criam um padrão de interferência, dois padrões que

se sobrepõem.

Quaisquer duas ondas podem criar um padrão de interferência, mas as do raio laser são especiais. Para entender um padrão de interferência, pense em

um pequeno lago. Quando você derruba uma pedra no lago, ela cria movimentos circulares que aumentam movendo-se para fora. Quando você derruba duas ou mais pedras, os anéis se cruzam uns com os outros, criando um padrão de interferência. O padrão de interferência resultante dos lasers é registrado em um lilme especial, chamado de prato holográfico. O padrão em si não se parece em nada com o objeto. Ao inspecionarmos de perto, ele parece algo semelhante às ondas no lago. Mas quando você faz um laser brilhar através do filme holográfico, ele cria uma imagem de luz tridimensional, um holograma, do objeto.

A propriedade mais interessante do holograma é o padrão. Cada pedaço do

filme contém todas as informações do padrão. Se você rasga o lilme holográfico em dois pedaços, um direciona uma luz para um dos pedaços, você

terá toda a imagem, apenas em tamanho menor. Você pode dividir o filme quantas vezes quiser, até alcançar os limites da tecnologia, mas teoricamente

o padrão pode continuar a ser reduzido e ainda assim eonter a imagem. () filme irá deteriorar a imagem em um certo ponto. Os pontos principais a serem lembrados em relação aos hologramas sao que

o padrão criado a partir de dois raios de energia pode armazenar mformnçocs tridimensionais, e que o armazenamento não c local, o qnc significa que cada pedaço do padtão contem Iodas as informações ucccssá nas para renhir a imagem.

O modelo do cérebro holográfico, no qual cada parte contém o todo, dá-nos

uma resposta interessante sobre como o cérebro recebe informações, guarda lembranças e cria nosso ponto de vista. Já que nossas lembranças sao registradas holograficamente, o dano cerebral não necessariamente remove lembranças específicas ou funções. O cérebro pode nos “enganar” ta/.eiido-nos pensar que nossos processos internos são externos. Nós cortamos nossa mão

e sentimos a dor em nossa mão, mas a dor na verdade é causada devido a uma reação química no cérebro. A sensação de “membros fantasmas” para pessoas que não têm mais certas partes do corpo poderia simplesmente ser uma memória holográfica desses membros, como regislrados no padrão de interferências de nosso cérebro. A lembrança aci- dcnlalmente volta à tona, trazendo uma sensação muito real, mas não tem base na realidade física. Indo mais além na conclusão lógica, Pribram abriu uma porta para um mundo totalmente novo, onde nossa realidade externa percebida está na verdade acontecendo intemamente. O mundo pode não ser tão sólido quanto pensamos, mas percebido pelo cérebro em termos holográficos. O mundo somente se toma conhecido enquanto entra em nossos sentidos, mas na realidade o mundo é um padrão de interferências.

Campos de Consciência

Em 1952, na ilha isolada de Koshima, cientistas estavam observando o comportamento de macacos japoneses (Macaca fuscata) dando a eles batatas doces jogadas na areia. Eles gostavam das batatas, mas não gostavam da areia que ficava grudada nelas. Uma macaca resolveu o dilema lavando a batata, e subseqüentemente ensinou sua mãe e seus amigos a fazerem o mesmo. Logo a lavagem das batatas se tomou uma tendência cultural e muitos aprenderam a lavá-las. De 1952 a 1958, todos os novos macacos jovens praticavam a lavagem, enquanto alguns dos mais velhos mantinham a velha prática de comê-las sem lavar. Naquele outono, os cientistas observaram algo muito estranho. Assim que uma determinada massa critica atingiu Koshima, e lodos os macacos da espécie Macaca fuscata naquela ilha começaram a lavar suas balatas, macacos de outras ilhas, separados pela água, também começaram a lavar suas balatas. A esses macacos não tinha sido ensinada essa habilidade, mas de alguma fornia sabiam lazé la. Nenhuma informação foi transferida em nenhum nível registrado. A prática foi adquirida pela consciência geral dos macacos. Embora não tenha sido um experimento controlado, isso nos leva à postulação de que uma espécie está relacionada pór certos campos invisíveis de consciência. Quando um pequeno número da espécie, em compara- çno á população toda, aprende uma nova informação ou uma forma de vida, ela permanece como seu conhecimento individual. Quando uma massa crítica daqueles que detêm o conhecimento é alcançada nesse caso especula-se algo em tomo de cem as informações se tomam parte da consciência da raça, disponível para todos. A história dos macacos japoneses é contada por Lyall Watson no livro Lifetide, porém outros experimentos foram desde então conduzidos, com animais e até mesmo pessoas. A teoria dos cem macacos sustenta o conceito dos campos mnrfogenéticos, cujo proponente principal é Rupert Sheldrake. Sheldrake, um pioneiro nas ciências biológicas, baseou-se no trabalho de Hans Spcmann, Alexander Gurwitsch e Paul Weiss. Na década de 1920, cada um deles

independentemente propôs que essa morfogênese, a existência da forma, é organizada por campos de energia. Sheldrake desenvolveu suas teorias do campo mórfico, influenciado pela espiritualidade hindu, Sufismo e < iocthc. Essa teoria propõe que cada espécie cria um campo com baixa energia, mas

com grandes quantidades de informações, agindo como uma memória coletiva cumulativa para aquele tipo de organismo. Os campos mortiços incluem informações dos níveis genético, de comportamento, social, cultural e mental. Isso certamente inclui as informações transferidas por meio da teoria dos cem macacos e vai muito além dela. Esses campos não podem ser vistos ou medidos, e movem-se pelo espaço e pelo tempo, mas influenciam dii ciamente

o desenvolvimento de uma espécie, construída a partir da vida de iodos os

seres dessa espécie. Esses campos são não-locais também. Fisicamente, agem como uma influência geométrica, um modelo ou projeto de desenvolvimento. O DNA age como um ressonador, ou antena, para atrair a influência do campo. Cada DNA da espécie “se sintoniza” com o campo da espécie específica. Nós podemos nos sintonizar às informações dos campos mórficos, nao somente para o desenvolvimento físico, mas para quaisquer informações em nossa espécie. Nossos cérebros e lembranças armazenam as informações do campo quando necessário. Embora tenhamos uma identidade individual, características e conhecimento, nós também compartilhamos da liquc/a da identidade, características e conhecimento de nossa espécie. No front espiritual, os campos mórficos podem estar indicando o caminho da consciência além do físico, e podemos especular sobre a existência dos seres nao físicos, fantasmas, anjos, deusas e lugares como o paraíso ou o submundo como parte desses campos de informações não-físicas. A consciência coletiva de C.G. Jung poderia ser um aspeco desses campos de energia estudados pela ciência.

O UNIVERSO HOLOGRÁFICO

A última peça do quebra-cabeças foi expressa pelo físico quântico David Bohm. Nosso pesquisador do cérebro, Pribram, na verdade descobriu o trabalho de Bohm aconselhado por seu próprio filho, também físico. Bohm

começou a estudar a física quântica na década de 1930 e ficou fascinado com

o aspecto interligado entre as partículas subatômicas, embora muitos outros

cientistas tivessem dado ao fato pouco reconhecimento. Por meio de suas experiências, ensinamentos, escritas e pesquisas, ele acabou ficando insatisfeito com as teorias da mecânica quântica e buscou maior compreensão. Após diversas experiências, incluindo intercâmbios com Albert Einstein, que também estava infeliz com a direção da física quântica, ele chegou à conclusão de que o Universo se comportava como um vasto e complexo holograma. Em seu estudo dos graus da ordem, ele passou a se concentrar no fato de que sob

nossa realidade física, o que ele chamava de ordem (desdobrada) explicada,

estava o mundo secreto da realidade verdadeira, a ordem (envolta) implicada.

A ordem implicada é como o filme holográfico, um padrão de interferências.

Quando a luz certa é refletida por ele, a ordem implicada cria a ordem explicada, com a qual estamos acostumados. Nossa percepção de objetos, e do mundo todo, é causada por inúmeros envoltos e desdobramentos entre as duas ordens. Bohm publicou essas teorias no início dos anos 70 e mais tarde de forma mais compreensível em 1980 no livro Wholeness and the Implicate Order. Embora muitas pessoas do mundo científico concordem com seus achados, a teoria do Universo holográfico permanece controversa. As implicações filosóficas do Universo holográfico são vastas. Nossa realidade confortável é uma ilusão criada por padrões de energia interagindo com nossos sentidos, nossa consciência. Místicos do Oriente sempre chamaram o mundo de o maya, que significa “ilusão”. Nosso estado de separação é uma ilusão, nosso estado de unificação, a verdade. O holograma,

cm que todos os fragmentos contêm o todo, parece ser o modelo ideal para

essa visão a das bruxas do Universo. Campos de energia não-locais,

cstendendo-sc pelo espaço e pelo tempo, influenciam-nos o tempo todo.

Os nossos cérebros ou, mais importante, nossas mentes se comportam como

Universos cm miniatura, se um sentido de tamanho pode ser aplicado. Nada •• eompletamenle individual ou isolado, existindo em um vácuo. Todas as coisas eslao ligadas. O observador c o observado. Nós, c o mundo todo, somos lodos construções do luzes, hologramas, acreditando que somos sólidos porque

estamos no holograma do Universo. Mas na verdade somos cticigin. A matei ia,

o tempo e o espaço são formas de energia. Para a bruxa, para o místico, isso não é nenhuma surpresa, embora as

palavras e os símbolos seja novos. O princípio fundamental da espirituaIidade

é a relação entre todas as coisas. Até mesmo quando criamos novos modelos

c paradigmas para substituir a física quântica, hologramas e campos mõrficos, eles dão continuidade à tendência geral da integridade. A pesquisa moderna sobre as frações, padrões infinitamente complexos que exibem padrões

repetidos sob um aspecto de ampliação ainda maior, e da leoria do superfio, a teoria que expande o Universo além das três dimensões do espaço, seguem os passos da descrição de um vasto e complexo, ainda assim inteiro, Universo. Mitos antigos freqüentemente falam de uma deusa tecelã, tecendo o Universo e dando forma a ele. Talvez ela teça com os "superfios”. Essas teorias, incluindo a teoria científica, explicam o que sabemos cm nossos espíritos.

O modelo mais primitivo do holograma, dois sistemas criando um terceiro, um

padrão de interferência, é a imagem do Vesica Pisces. O Vesica Pisces são duas circunferências sobrepondo-se para criar a forma de um “olho” ou de um “peixe”, normalmente desenhado sozinho como um símbolo cristão popular. Na geometria sagrada, o estudo espiritual da forma e seu papel na criação, o

Vesica Pisces é chamado de o Olho de Deus e através dele todas as coisas

são criadas. As duas forças, ou polaridades, como iremos aprender mais tarde,

podem ser vistas como qualquer outra coisa: preto/branco, claro/escuro, criação/destruição ou caos/ ordem. Muitos diriam bem/mal, mas os bruxos e bruxas vêem a Deusa e o Deus como os dois padrões da criação. O amor dos dois dá origem ao terceiro padrão, ou realidade. Nossa realidade é o “olho” do Vesica Pisces.

Talvez os antigos entendessem o holograma muito melhor do que nós pu- déssemos acreditar, e nós estamos apenas redescobrindo a sabedoria espi- ritual que nós tínhamos deixado de lado por não compreendermos.

TAREFAS CONTÍNUAS

Diário Escreva três páginas por dia. Honre e reconheça sua intuição. Continue a fazer perguntas. Pratique a meditação da laranja. Use a magia instantânea em sua vida diária.

Lição 4

A Ciência da Magia

Você não precisa entender como um carro funciona para dirigir, e não precisa estudar teoria da magia para fazer um feitiço, mas a teoria da magia é uma ciência que pode ser estudada. Conheço muitas pessoas que abriram um livro, fizeram um feitiço e tiveram grande sucesso com ele, mas não fazem idéia de como funcionou. A teoria da magia permite que alunos sérios de bruxaria encontrem um modelo inteligente e sofisticado do Universo que trabalha com o uso de habilidades normalmente descartadas pela sociedade atual. Realizar um ritual ou recitar um feitiço pode parecer uma bobagem na primeira vez, porém compreender as razões por trás do ritual ou do cântico podem lhe trazer credibilidade. Sem isso, uma parte de nossa mente estará sempre duvidando de nossas ações mágickas. Muitas superstições antigas têm como base a metafísica, mas se você não entender essa base, elas continuam a ser superstições. Apesar da opinião popular, a bruxaria não é uma superstição. Os praticantes desse trabalho têm razões muito específicas para fazer o que fazem. Uma bruxa educada entende como a magia real funciona no mundo moderno e pode discuti-la de maneira inte- bgente mesmo com alguém que possa não necessariamente acreditar nela. Desde o despertar da civilização, temos visto filósofos fazendo as perguntas mais complexas, buscando compreender tudo. Conforme as culturas se desenvolviam, esses filósofos assumiam disciplinas específicas e hoje fazem perguntas relacionadas à ciência, à filosofia, à psicologia, à arte e à religião. Até bem recentemente, os limites entre a idéia, a ciência e o misticismo não eram tão precisos. O estudioso grego Pitágoras era bastante versado em muitas áreas, inclusive o oculto, a geometria, a medicina e a poesia. Nós costumamos conhecer Pitágoras por sua contribuição à geometria e à matemática, mas seu

conhecimento e ensinamentos englobam muito mais do que apenas a

matemálica. Até mesmo alguns cientistas notáveis, como Newton, famoso por codificar as leis da gravidade, eram esotéricos, estudando o místico da mesma forma que estudavam o físico. Muitos cientistas se baseavam naquilo que hoje

é considerado tradições ocultas. Por exemplo, a alquimia deu origem à ciência

da química, e a astrologia gerou a astronomia. Entre- laulo, pelo fato de vivermos em uma cultura que tende a elevar o racional, o lógico e o científico colocando-os acima do místico, descartamos segmentos do trabalho de muitos estudiosos, mantendo somente as porções relevantes a nós nessa época.

Bem, se esses indivíduos eram tão inteligentes e deram tantas contribuições para nossa cultura moderna, por que presumimos que o material que não entendemos ou com que concordamos é algo tolo? Não seria possível existir algum mérito em seus estudos esotéricos também? Esses estudiosos buscaram compreender a natureza do Universo e como a humanidade interage com ele. Nas culturas antigas, o uso da magia, encantos

e habilidades psíquicas não era apenas muito bem documentado, mas aceito

como fato. Estudiosos, que geralmente eram praticantes dessas artes, desejavam entender intelectualmente a evidência que estava bem diante de seus olhos, para conhecer intimamente como o desejo e a intenção interagiam com certas forças, por meio de símbolos, encantos, cânticos ou ingredientes que efetivavam uma mudança. Como resultado dessa busca, que acontecia em muitos lugares do mundo, durante muito tempo, várias teorias e leis foram estabelecidas. Não se tratam de leis no sentido de morais de uma sociedade, mas são semelhantes às leis das ciências físicas. Como exemplo, a gravidade existia antes mesmo de qualquer pessoa usar o termo “Lei da Gravidade”. As leis mágickas são iguais. Elas suo declarações baseadas nas observações que funcionam e existem, quer prestemos atenção a elas, quer ou não. Essas leis são algumas das melhores explicações que temos para o fenômeno de magia, feitiços e poderes psíquicos. Já que a comunidade mágicka moderna não é tão unida quanto a comunidade científica, não existe um acordo geral sobre o que exatamente sao essas "leis”, embora aqueles que decidem estudar a teoria da magia se deparem com vários textos com as mesmas idéias básicas descritas em diversidade de formas. Pelo falo de a Igreja Católica ter considerado muitos desses textos

como heresias, eles eram frequentemente escritos repletos de simbolismo, e eram difíceis de ser decifrados a menos que você conhecesse o sistema dos símbolos. Dependendo de qual tradição e cultura de magia estude, poderá preferir uma forma ou outra. Estudiosos da magia modeina têm de senvolvido seus próprios lermos, construindo os fundamentos do passado, para explicarem melhor o processo da magia. A magia não é uma disciplina antiga e antiquada, mas uma árvore que cresce com bases fortes, fazendo creser juntos seus ramos dos mundos antigos e modernos.

Os Princípios Herméticos

Tenho lido muitas variações diferentes acerca da filosofia hermética, mas a versão à qual me refiro é a que me foi primeiramente apresentada, em um livro chamado The Kybalion. The Kybalion foi escrito anonimamente por “três

iniciados” e publicado em 1912, mas o trabalho nesse livro é atribuído a Hermes Trismegisto, ou Hermes “três vezes grande”. Quem Hermes é, ou foi, não é normalmente um fato de comum acordo. Muitos o reconhecem como um grande mestre e professor da sabedoria espiritual, datado do Egito e da Grécia antigos. Alguns acreditam que ele era um deus que veio até a humanidade para ensinar as artes arcanas da alquimia, magia e filosofia. Seu nome, Hermes Trismegisto, refere-se ao deus grego Hermes, conhecido como Mercúrio para os romanos. Hermes era o mensageiro dos deuses, que viajava livremente entre os mundos em muitas formas, como o xamã viaja para

os reinos superior e inferior. Ele é famoso por sua mente rápida e intuitiva, e recebeu o crédito de ter dado à humanidade a escrita, os instrumentos musicais e o comércio.

O deus egípcio Thoth é associado a Hermes. Thoth é conhecido como o

escriba dos deuses e é uma das divindades egípcias mais antigas e mais poderosas. Enquanto Hermes mantinha uma imagem de jovialidade, Thoth era mais o mágicko arquétipo, e às vezes aparecia como um homem com a cabeça do pássaro íbis ou de um gorila. De alguma maneira, ele agia para os deuses faraós egípcios, como Rá, Osíris e Hórus, como Merlim fazia para o rei Artur, como conselheiro e mentor do monarca. Talvez os gregos estivessem se referindo a dois deuses diferentes, usando Hermes para se referir ao deus mensageiro grego e usando Hermes Trismegisto para se referir ao deus sábio egípcio importado, na esperança de evitar confusões. Ninguém sabe se Hermes Trismegisto era literalmente um humano ou simplesmente um mito que se desenvolveu ao redor desses ensinamen- los. A lenda nos diz que sua sabedoria foi originalmente escrita em placas dc esmeralda. De qualquer maneira, a origem exata não importa tanto quanto os ensinamentos propriamente ditos. Os textos herméticos passaram por muitas traduções e, como a Bíblia, algumas pessoas discutem sobre a quantidade de escritas “verdadeiras” que permaneceram e o que foi semeado com pensamentos, idéias, cultura e interpretações dos tradutores. Grande parle da magia dos rituais ocidentais, especialmente aquelas tradições de ninais mágickos voltadas para a Golden Dawn, é considerada tradição her- méliea, baseada em parte nas escritas de Hermes Trismegisto. A palavra hermético literalmente significa “selado”, assim como na palavra médica. Nesse caso, ela pode significai' “selada”, ou “conhecimento secreto”. Visto que imiilos magos de rituais influenciaram o desenvolvimento da Wicca moderna, o estudo desses trabalhos escritos e dos conceitos é uma parte impoiíiinle da educação de um bruxo. Os sete princípios que aprendi com meus professores e o livro The Kybalion foram peças-chave para minha compreensão da magia. Grande parle dos lextos herméticos é cercada por simbolismos e difícil de ser entendida, assim o livro The Kybalion não é fácil para o leitor atual, mas é mais fácil do que alguns

outros trabalhos atribuídos a Hermes. Assim que consegui entender as idéias por trás de cada princípio hermético, descobri que cada um deles tinha uma

aplicação prática para minha bruxaria. Neste capítulo, incluí um exercício ou meditação para ajudá-lo a entender melhor cada um dos princípios herméticos.

A magia hermética pode mais precisamente ser chamada de alquimia

hermética, e Hermes Trismegisto foi considerado um alquimista mestre. Esso tipo de alquimia não lida com a transformação de metais não-preciosos em ouro, mas com a transformação do praticante a partir da consciência

materialista em instruções douradas. Esses princípios nos dão uma estrutura para compreendermos como nós criamos nossas próprias mudanças, ou a transformação do eu. Essa é a arte da magia mais elevada, em qualquer tradição. Ao aceitarmos nosso próprio poder, e responsabilidade paia com esse poder, entendemos que somos seres espirituais vivendo em um mundo material, todos interdependentes uns dos outros. Quanto mais você compreende cada princípio separadamente, começará a formar um quadro maior do Universo, o que não significa diferente do quadro maior da física quântica e da teoria holográfica discutida na ultima lição. Suficientemente surpreendente, a ciência moderna e a filoso- lia antiga estão basicamente dizendo a mesma coisa.

O Princípio do Mentalismo

O Princípio do Mentalismo afirma que tudo no Universo é uma “criação do

TODO”. O TODO é uma forma sem gênero e não-panteística de se referir ao divino, podendo chamá-lo de Deus, Deusa, a Fonte, Tao, Vibração Principal, Primeira Causa, Mãe/Pai/Deus ou o Grande Espírito. Essa loi ça é também conhecida como a mente divina.

O Princípio do Mentalismo nos diz que somos todos pensamentos da mente

divina, existindo dentro da mente divina. As fronteiras da criação são formadas

pela mente divina, e tudo na criação é permeado pela mente divina. Tudo é composto pela mesma coisa a mente divina. Nós parecemos ser separados, mas na verdade somos somente um. Na tradição hindu, essa separação é chamada de o maya, ou ilusão do mundo. Práticas espirituais são usadas para vermos além da ilusão chegando à verdade. No trabalho The living Gita, Sri Swami Satchidananda usa este lindo exemplo: “A água parece ser uma onda. Mas é água também, portanto ela é uma ilusão. Nós devemos discriminar:

‘Sim, eu a vejo como uma onda. Porque ela sobe, eu a chamo assim, onda; mas é a mesma água que sobe’. Isso é a discriminação — ver a mesma essência por trás de todos os nomes e formas”.

Imagine sua própria mente, por um instante, como não apenas uma consciência dentro de sua cabeça, como os ocidentais costumam visualizá- la, mas como um lugar. Se esse lugar é sua mente, você pode povoá-lo com personagens, pode mudá-lo ou até mesmo destruí-lo. Todas essas coisas podem ter detalhes, profundidade e características. Tudo é individual, mas, ainda assim, parte de um todo maior, sua mente. Embora fundamentalmente você esteja no comando, essas imagens têm uma medida de livre-arbítrio. Enquanto você sonha e sonha acordado, suas criações freqüentemente fazem coisas inesperadas. Os pensamentos, os sentimentos e as intenções que você tem controlam essa fuga da mente, embora as “características” possam tomar caminhos interessantes.

Agora pegue esse modelo e expanda-o para todo o Universo, toda a criação. Lembre-se de que tanto o cérebro (ou mente) como o Universo são descritos como um holograma. Eles têm muita coisa em comum. Nosso Universo, em todos os níveis, é a mente do ser criativo divino. Tudo nele é um pensamento que o divino criou, assim como você faz com seus sonhos acordados e visualizações. Da mesma forma que você cria, a mente divina cria, mostrando-nos que a natureza do Universo é muito mental. Assim, o Universo, e tudo nele, responde a pensamentos porque ele é composto pelos pensamentos do divino. Se o divino nos criou e todas as outras coisas como um pensamento, e nós somos capazes de criar nossos próprios pensamentos, então eles, também, são divinos e cheios de poder. O Universo e tudo o que existe nele irá responder aos nossos pensamentos. Pensamentos investidos com energia se tomam realidade. Isso é mágicka. A criação é uma habilidade e poder que compartilhamos porque somos parte do divino. Nós somos todos criadores em escalas diferentes. Quando nos decidimos criar juntos, em parceria, existe a magia e o poder verdadeiros. Um dos ingredientes necessários da magia é uma intenção clara, c o que é uma intenção clara se não um pensamento claro? Aprender a projetar seus pensamentos para o mundo é o primeiro passo para realizar a magia. Aqui estão alguns exercícios para lhe mostrar como podem ser poderosos seus pensamentos e como outros objetos e pessoas, que são somente pensamentos na mente divina, como você, facilmente respondem à energia mental.

EXERCÍCIO13

Projeção Mental

Escolha um objeto inanimado para “receber” sua mente enquanto você o

projeta. Itens comuns incluem jóias, moedas ou cristais. Descobri que objetos naturais são mais fáceis para trabalhar do que plásticos e sintéticos. Objetos feitos de um só material são geralmente melhores para o início, em vez de combinações de substâncias. O objeto não precisa ter nenhum significado especial.

1. Segure o objeto em sua mão e comece com o exercício 9: Contagem

Regressiva para um Estado Meditativo, para alcançar seu ambiente mágicko.

2. Segure o objeto com as duas mãos e sinta-o. Ele é pesado? Leve? Tome consciência do objeto em suas mãos.

3. Mesmo com seus olhos pesados, esteja ciente de seus pensamentos e

percepções. Nós temos a tendência de confundir nossa mente com nosso cérebro e “pensar” que tudo está em nossa cabeça, embora nossa mente esteja por todo o nosso corpo. Mas sinta sua percepção em sua cabeça, atrás de seus olhos, e sinta seu sentido de consciência lentamente descendo pela parte de trás de sua cabeça e de seu pescoço. Foque sua atenção nesses lugares e deixe a sensação descer para seus ombros. Toda a sua cons- ciôncia

está em seus ombros e descendo para seus braços, como se sua mente estivesse viajando por eles.

4. Continue o movimento pelos braços abaixo e em seguida para suas mãos e

dedos. Sua mente continua a se mover, passando de seu corpo agora para o

objeto que você está segurando nas mãos.

Sinta sua mente entrar no objeto e fundir-se com ele. Sua mente é agora parte do objeto. Seus pensamentos são agora parte do objeto.

5. Observe suas novas percepções. O que você está experimentando? O que

vê? O que sente? O que ouve? Que cheiro está sentindo? Que gosto sente? Consegue sentir a energia desse objeto? Você consegue detectar alguma informação vinda dele? Tenha a intenção de se fundir com ele. 6. Quando a experiência terminar, sinta sua mente viajai para a direção oposta, saindo do objeto e voltando para suas mãos. Sinta a percorrer seus braços e ombros, voltando para sua cabeça e para Irás de seus olhos.

7. Volte para sua consciência normal, contando e trazendo para si desobstrução e equilíbrio, Estabeleça-se e descanse quanto precisar

Após fazer esse exercício, muitos de meus alunos que não têm nenhum conhecimento científico conseguem descrever com precisão formas moleculares. Outros têm uma experiência muito surreal e, quando entram no

objeto, recebem imagens de um livro de histórias com informações simbólicas

e fantasiosas a estrutura interna do objeto é um castelo, uma floresta ou

montanha. Muitos não têm um experiência visual, mas sentem vibrações, ouvem ruídos e experimentam lampejos intuitivos fortes. Assim que começar a se sentir confortável com esse exercício, ex- panda-o. Tente muitas substâncias e materiais diferentes. Se continuar nesse caminho e conseguir juntar ferramentas de rituais, irá consagrá-las com sua intenção.

Aprender a se conectar com um objeto mentalmente é uma grande vantagem para quando estiver consagrando seus itens. Se tiver quaisquer itens em seu altar de meditação, conecte-se com eles. Depois, na tela de sua mente, invoque objetos que você não possui fisicamente, mas com os quais deseja se conectar mentalmente. No exercício 10, você trouxe para sua tela uma laranja. Achava que se tratava de um exercício simples de visualização, mas, na verdade, é muito mais fácil co- nectar-se à energia de uma laranja em algum lugar do Universo do que criar sua própria laranja. Você estava na verdade se conectando à energia da laranja, em algum lugar no espaço e no tempo. Se tentou fazer esse exercício mais de uma vez, pôde notar como ele muda. Mantenha a fruta na tela de sua mente, mas, em vez de observá-la visualmente, projete sua mente em direção

a ela como fez no exercício anterior. Tente essa variação diversas vezes, cada

vez invocando um objeto diferente. Tente frutas, verduras, cristais e metais.

Toque uma parede em sua casa e projete-se na parede, no material de construção e no espaço isolado entre os dois.

A última variação desse exercício é tentar usar materiais vivos com células. Você já experimentou frutas e verduras, que pode fazer física ou não fisicamente. Agora tente uma planta, uma planta viva. Observe como o tecido vivo pode trazer uma sensação diferente comparado aos outros materiais que

já usou. Por último, tente com um animal de estimação. Se não tem um animal

de estimação, ou um animal que vá ficar próximo a você tempo suficiente para tentar esse exercício, invoque um animal para sua tela por meio de sua intenção. Observe como o tecido animal é diferente do tecido da planta. Contudo, são formas de pensamento, respondendo aos seus pensamentos. Nós todos somos pensamentos na mente divina. Tenho um último exercício para demonstrar o poder dos pensamentos: a quebra de nuvens. A quebra de nuvens adquiriu um fama ruim como sendo uma bobagem da Nova Era ou o poder da auto-ilusão, mas para muitas pessoas esse simples e poderoso exercício abre a porta para um mundo inteiro de desenvolvimento psíquico e espiritual. Quando meu aluno Tom me apresentou o exeictcio pela primeira vez, olhei para ele com um aspecto um tanto estranho pm nunca ter ouvido falai naquilo antes, mas ele me disse como nos conduziria num caminho espiritual. Depois de experimentá-lo, pude entender por quê. Se você não acha que seus pen- samentos afetam o mundo, é melhor reconsiderar. A quebra de nuvens é exatamente o que parece ser, quebrar ou separar nuvens com o poder de sua mente. Nos tempos modernos, o fenômeno ê associado ao Dr. William Reich e seu estudo da energia organa. O organo é como o bom doutor se refere ao que os místicos chamam de prana ou chi, a energia sutil que flui para dentro e ao redor de todas as coisas, movimen- lando-se da energia pessoal para a energia do céu ou da Terra e voltando para o pessoal logo em seguida. A quebra de nuvens é na verdade uma técnica ensinada em muitas tradições orientais e nativas. Encontre uma visão clara do céu em um dia moderadamente nublado. Acione seu disparador de energia instantânea. Declare a intenção de que isso seja “correto e para o bem de todos, não causando mal a ninguém”. Escolha uma nuvem de tamanho razoável e individual. Concentre sua aten- çao no centro da nuvem. Junte toda sua atenção voltando-a para sua intenção de dividir a nuvem. Imagine-se projetando seus pensamentos em direção à nuvem para parti-la. Visualize-a sendo quebrada. Em sua mente, peça que ela se quebre. Seja paciente. Dentro de alguns minutos, a nuvem devera sc partir. Você poderá não conseguir fazê-la desaparecer por completo, mas "desmembrar” um pedaço dela. Esse talento melhora com a prática, mas nem sempre funciona. Às vezes é melhor para a nuvem não ser partida para o hem maior das condições de tempo local. A quebra de nuvens na verdade limpa a mente. O elemento do ar é a energia cia mente e do corpo mental. Ao trabalhar as nuvens com seus pensamentos, você está liberando seus sentimentos, pensamentos e programas que deixam sua mente “nublada”.

O Princípio da Correspondência

O Princípio da Correspondência afirma: “Como acima, também abaixo; eomo abaixo, também acima”. Essa declaração aparentemente simples contém alguns dos dogmas mais importantes da bruxaria e da magia. O lodo contém a

parte, e a parte contém o todo. Ao estudarmos os padrões do mundo conhecido, podemos aplicar esse conhecimento e essa sabedoria nos mundos desconhecidos. Os princípios da geometria usados em objetos pequenos em uma sala de aula podem ser usados para medir as vastas e, quase impossíveis de serem medidas, distâncias entre os planetas e o Cosmos. As simples verdades e padrões encontrados no mundo físico podem também ser encontrados nos reinos espirituais. Ciclos e padrões se repetem infinitamente, da maior escala a menor. Pense na estrutura do sistema solar. Há um grande corpo, o Sol, ao centro. Orbitando ao redor desse centro existem várias partículas menores, os planetas, alinhados em intervalos regulares. Agora pense em uma escala menor, no átomo. O átomo tem um núcleo em seu centro. Cirulando o núcleo estão partículas menores, elétrons, espaçados em intervalos regulares. O átomo e o Sistema Solar são quase mapas um do outro. Tudo contém um mapa do Cosmos, refletindo os padrões da criação na menor escala, o que é chamado de microcosmo, e na escala maior, ma- crocosmo. O nosso modelo holográfico do Universo está basicamente dizendo a mesma coisa. Uma parte do holograma contém todas as informações e pode ser usada para recriar o todo. Uma célula humana, uma pequena parte de um ser humano, contém todo o DNA necessário para recriar lodo o corpo. Cada partícula de areia contém um mundo. Toda a galáxia é como um átomo, um bloco de construção para uma estrutura maior que não podemos ver naquele momento. A analogia entre o cérebro e o Universo, ambos trabalhando hologra- lieamente, é o exemplo mais notável de padrões se repetindo a partir do pequeno ao grande. O estudo das frações, a repetição dos padrões criados a partir de equações matemáticas, é um outro exemplo de correspondência, formatos fracionados não são apenas vistos em gráficos gerados por com- puladores, mas por toda a natureza na forma de flocos de neve e costas litorâneas. O Princípio da Correspondência é também importante para as bruxas porque nos permite compilar listas de correspondências para usar na magia. limbora o holograma nos diga que tudo contém todo o resto, o modelo inteiro cm uma única parte isolada, a magia nos diz que certas relações específicas têm diferentes tipos de poder. Bruxas usam sua compreensão dessas correspondências para criar rituais, feitiços e poções. O holograma e leito de luz, e essa luz pode ser partida, dividida no espectro de cores pelo uso dc um prisma. As energias do Universo holográfico podem também ser divididas. A energia que existe dentro das substâncias individuais, cores, planetas, elementos, dias da semana e ferramentas de rituais correspondem a energias específicas do Universo. Quando queremos enfatizar uma energia particular para a magia, utilizamos itens que correspondem a essa energia. Muitos sistemas diferentes existem para dividir e subdividir as energias do Universo. Como de costume, nenhum sistema é correto; eles são Iodos diferentes visões da mesma coisa, e a maioria trabalha junto em algum nível. Você alguma vez percebeu como algumas cores despertam certos sentimentos? O vermelho pode deixá-lo bravo. O verde é mais vivo e vital, e ainda assim feliz. O azul o acalma. Existe uma psicologia de cor porque cada cor corresponde a certos sentientos, intenções e energias.

O mesmo pode ser aplicado para as notas musicais, mas nós não prestamos

a mesma atenção nos tons individuais nessa sociedade como o fazemos pai a as cores específicas. Na verdade, a música pode ser um dos mc- llioies exemplos do princípio da Correspondência cm açao.

A música é dividida em conjuntos de notas que se lepelcm. Cada conjunto de

notas é uma escala. A escala mais familiar é feita de sete notas e cantada em canções infantis como Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, e então o Dó se repete. As notas em si são indicadas pelas letras C, D, E, F, G, A, B e C. Essa série de sete notas se repete várias vezes. Uma pessoa pode cantar o C baixo e uma outra o C mais agudo. É a mesma nota, repetida em uma variação diferente. Isso é chamado de uma oitava. O Princípio da Correspondência é como essas oitavas, padrões repetitivos em variações diferentes. Pelo fato de uma energia que pode ser ouvida ter uma vibração mais baixa do que a energia de luz visível, a escala de sete notas é como uma oitava mais baixa para o espectro de sete cores. Talvez outras energias que não podem ser vistas, como por

exemplo aquelas do espectro eletromagnético, sejam “oitavas” daquelas que podemos ver e ouvir.

A cor e o som são uma forma de construir um sistema de correspondências.

Algumas pessoas constroem sistemas de correspondências baseados nos quatro elementos: terra, ar, fogo e água. As propriedades do fogo são energia, paixão, luxúria e proteção. Se você quisesse fazer um ritual de proteção envolvendo o fogo, poderia usar as cores vermelho e laranja, uma espada, rosas vermelhas ou um rubi. Todos eles correspondem ao fogo. Outros constroem um sistema a partir da Astrologia. O mesmo feitiço provavelmente se basearia no planeta Marte, um planeta de fogo, nomeado em homenagem ao deus da guerra. A energia de Marte é boa para proteção e agressão. Sua cor é também o vermelho. Muitas das correspondências do fogo se combinam com Marte. Todos os sistemas trabalham assim. Um sistema de correspondências usado na arte com as ervas é chamado de

Doutrina de Assinaturas. Embora creditado a Paracelso e aludido no século II d.C. nas escritas de Galen, a idéia básica é encontrada em todo o mundo. Visto que a bruxaria é baseada em uma tradição de curandeiros e herbanários, a doutrina é bastante apropriada aqui. O herbanário procura correspondências de formato, cor, textura e estações crescentes tanto para o corpo humano como para os elementos. As energias do mundo das plantas, desconhecidas antigamente, podem ser aplicadas ao mundo humano para as curas. Uma pulmonária tem folhas em forma de pulmões e é usada para enfermidades respiratórias. As raízes de uma chancela de Salomão parecem-se com tendões e são usadas para comprimir ou soltar tendões e ligamentos. Frutos de pilriteiros são vermelhos, que é a cor associada ao coração e ao sangue, e o pilriteiro é usado para o coração. A cor amarela (icterícia) é um sinal de disfunção do fígado. O dente-de-leão tem flores amarelas, e é usado para curar o fígado. Ao ouvir a linguagem da correspondência, você poderá desvendar muitos segredos nos mundos desconhecidos.

EXERCÍCIO 14

Correspondências

1. Comece pelo exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado Medilativo para alcançar seu ambiente mágicko.

2. Visualize um ovo em sua imaginação. Pode ser qualquer tipo

de ovo animal, Assim como um exercício da laranja, examine o ovo.

Pegue-o e veja-se segurando o ovo, sentindo sua textura, temperatura e muitos outros detalhes que vêem à sua mente. Não o abra quebrando-o.

3. Assim como no exercício 13: Projeção Mental, projete sua mente até o ovo.

Sinta-se penetrando no ovo. Primeiro você passa pela casca externa dura e

entra nele. Observe a clara, a camada entre o centro e a casca. Sinta-a.

Navegue por ela. Vá em direção ao centro. Entre na terceira seção, a gema. Sinta a gema, o centro, o meio do ovo.

4. Se esse ovo estiver trazendo vida, existirá ao menos uma célula viva no

centro. Projete-se até essa célula. Veja a célula diante de você enquanto caminha até ela. Penetre a membrana, a parede da célula, e entre nela. Sinta o

líquido da célula enquanto se dirige para o núcleo. Entre no núcleo e observe a hélice dupla, o DNA espiral da célula.

5. Veja que as moléculas de DNA são feitas de blocos menores chamados de

átomos. Projete sua consciência para esse nível e sinta o átomo ali diante de você. No limite desse único átomo está a nuvem de elétrons, a zona energética

de elétrons circundando o centro. Caminhe pelas diferentes órbitas, camadas de elétrons, para entrar no núcleo. Observe o átomo de dentro para fora. Olhe para todas as partes e níveis diferentes dele.

6. Veja que esse átomo é como todos os outros. Ele é semelhante a Iodos os

átomos no planeta, até mesmo aos átomos no centro da Terra. Imagine que você está olhando para um átomo no centro da Terra e expanda sua consciência para fora. Projete-se para fora. Observe o centro liquefeito do planeta e, enquanto sai do centro, você entra no que é chamado de manto,

uma camada grossa de pedra liquefeita que flutua ao redor do centro. Aumente sua consciência por meio do manto. Entre na crosta da Terra, uma camada mais fina de pedra e solo. Sobre o topo da erosla, existem rios, oceanos, ventos, pessoas e até mesmo ondas de energia, tudo se movimentando sobre o planeta.

7. Aumente sua visão para além da Terra. Observe a Lua orbitando ao redor

da Terra. Veja a Terra orbitando ao redor do Sol. Observe o movimenlo do Sol

no braço espiral da galáxia. Uoeonheça as semelhanças, Iodas as correspondências, em Iodos os níveis de criação, e entenda que existe um padrão para essa criação. Veja que você está ligado a algo maior, um todo maior, o padrão da vida.

8. Quando a experiência terminar, sinta sua consciência lentamente voltar para seu corpo físico, de volta à Terra.

9. Retorne

para

a

consciência

normal,

contando,

e

trazendo

para

si

desobstrução e equilíbrio. Estabeleça-se e descanse o quanto for necessário.

O Princípio da Vibração

O Princípio da Vibração afirma: “Nada descansa; tudo se move; tudo vibra”. Tudo está sempre se movendo, vibrando, o tempo todo. Até mesmo quando algo parece estar imóvel, não está. Os filósofos herméticos descobriram isso há milhares de anos, mas a ciência apenas recentemente entendeu isso. Antes da descoberta dos átomos, a matéria física parecia ser estacionária, imóvel. Com exceção dos seres vivos com movimento celular, a matéria inanimada parecia ser estática. Assim que o átomo foi descoberto, entendemos que a matéria sólida tem pequenos maços de espaço vazio, onde pequenas partículas constantemente giravam ao redor de uma partícula central. Essas pequenas partículas, elétrons, estão sempre se mexendo, sempre girando, sempre vibrando. Até mesmo quando algo estava “totalmente imóvel”, essas pequenas partículas estavam se mexendo. Como os filósofos sabiam disso sem saber da existência dos átomos? O poder do Princípio da Vibração vem não somente da compreensão de que

a

matéria física está sempre vibrando, mas de que tudo está vibrando, inclusive

o

não-físico. Na verdade, as diferenças entre matéria, energia c espírito são

vibrações diferentes. A matéria é uma vibração sólida mais densa do que a energia. A energia que pode ser fisicamente registrada por máquinas é considerada uma vibração mais densa do que o espírito. As ciências físicas tendem a reconhecer somente as vibrações físicas, mas como estamos aprendendo com a física quântica, nós somos mais do que apenas nossa vibração física. Nós também contemos energia e vibrações espirituais. Entender como elas funcionam e como controlá-las é uma parte importante da bruxaria. Você alguma vez conheceu alguém de quem só de olhar não gostou, ou já foi a algum lugar que o fez sentir-se incomodado? Nós costumamos dizer que sentimos “más vibrações”, achando que essas palavras são uma figura de linguagem, mas elas são verdadeiras. Você está literalmente adquirindo a energia, a vibração, transmitida por uma pessoa ou lugar. Ao saber disso, você pode conscientemente eliminar as “más vibrações” mudando a energia de uma situação. Seus pensamentos, emoções e intenções carregam uma vibração e, ao mudarmos conscientemente essa vibração, podemos causar um efeito profundo em nossa realidade. Vibrações parecidas costumam ressoar e se juntar. Isso acontece porque você pode ser atraído por certas pessoas ou lugares em sua vida. Da mesma forma, você atrai as coisas que ressoam com

as vibrações que você envia. Se você exala vibrações ligadas à felicidade, saúde e prosperidade, atrai essas coisas. Se vibra raiva, doença ou infelicidade, atrai acontecimentos e pessoas com essas vibrações. Místicos de muitas tradições falam a respeito das vibrações e de como elevar sua vibração para um nível mais espiritual como uma parte do caminho do místico. O uso de incenso é bom para aumentar a vibração de um ritual ou de um templo. O reino da cura por vibrações usando intenção, energia e as

vibrações de uma substância natural como essências de uma flor e cristais está rapidamente se tomando uma parte da medicina alternativa. Esse próximo exercício o ajudará a conscientemente controlar sua vibração. Você não precisa fazer isso de forma científica. Não precisa conhecer nada técnico como a freqüência ou o comprimento da onda de vibração. Não existem elementos visuais nessa meditação. Você apenas precisará conhecer sua intenção. Com o que pretende vibrar? Pense em uma qualidade que deseja possuir ou pense em suas afirmações. Afirmações sao formas de mudar sua vibração. Você já fez esse trabalho sem se con- rcnl rar no aspecto vibracional. Pense em uma energia com a qual deseja se conectar. Alguns exemplos incluem saúde total, prosperidade, amor incondicional, inspiração ou a Mãe Terra, a Deusa, o Deus, um lugar, planeta, cor ou qualquer um dos quatro elementos. Escolha um que fale com você. Esse será seu mantra para sua afirmação vibracional.

Exercício 15

Afirmações Vibracionais

1. Comece pelo exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado

Meditativo, para alcançar seu ambiente mágicko. 2. Diga a si mesmo: “Eu desejo vibrar em harmonia com

e preencha sua

energia ou qualidade. Repita esse mantra nove vezes, c em seguida relaxe e sinta. Observe a mudança que acontece em sua energia, sua vibração. 3. Se não sentir nada, repita a afirmação novamente por nove vezes e sinta. Continue com esse processo e observe as alterações que ocorrem. Se não

sentir muita coisa após várias tentativas, pode já ter alcançado a qualidade vibracional em você. Tente uma nutra afirmação relacionada a um assunto ou área com a qual eslá lutando.

4. Volte para sua consciência normal, contando e trazendo para si

desobstrução e equilíbrio. Estabeleça-se e descanse o quanto achar necessário.

Você poderá observar durante esse exercício, ou em qualquer momento em que esteja exercitando suas habilidades mágickas através da meditação ou de rituais, que existe um leve ruído ou zumbido. Não é um som constante, e eu não o ouço todas as vezes que faço mágicka, mas posso ouvi-lo com frequência, especialmente quando estou no meio de um grupo. Eu o tenho ouvido durante minha vida toda em pontos diferentes. Costumava pensar que estava ficando surdo, porque ouvia música com som muito alto e toquei em uma banda de rock, mas poucos de meus amigos músicos ouviam o ruído. Quando comecei a participar de reuniões pagãs, percebi que outras pessoas ouviam o mesmo zumbido. Meus amigos e eu supúnhamos que se tratava de

algum tipo de energia da Terra que estávamos ouvindo. Somente depois de

começar a dar aulas é que fui perceber que o som era mais perceptível quando eu estava em grupos, e nós somente o ouvíamos quando estávamos fazendo exercícios mágickos. Verdadeiramente acredito hoje que estamos “ouvindo” essas vibrações espirituais, como se estivéssemos vendo algo pelo canto dos olhos. Nas tradições hindus, esse é o som do Om, o som da criação. Ouvi-lo pode ser como um som do despertar espiritual. A altura do som fica mais intensa com o tempo e com o desenvolvimento espiritual. Para mim, esse som

é o Princípio da Vibração em ação. Não tente ouvi-lo caso você ainda não

consiga de forma natural. Esse não é o ponto principal dos exercícios. Mas se você ouvir algo, não se sinta alarmado. Você está ouvindo a vibração.

O Princípio da Polaridade

A partir do livro The Kybalion, o aluno hermético ouve dizer: “Tudo é duplo; tudo tem dois pólos; tudo tem seu par de opostos”. A compreensão da polaridade, ou pares de opostos, é muito importante na magia e na bruxaria, em específico, porque as bruxas desejam encontrar a harmonia entre os extremos. Tudo pode ser dividido em dois pólos, mas o segredo do Princípio da

Polaridade é entender que os pólos não são tudo, mas uma variação de respostas recai por entre os pólos. Qualquer descrição de dois opostos nunca é absoluta. Ela é uma descrição relativa que deve ser comparada a outra coisa.

O que é duro? É difícil descrever a menos que usemos um exemplo, ou se o

compararmos com algo mole. Usando o par de opostos, duro e mole, como você descreveria uma pena? A maioria das pessoas diria que ela é mole. Então descreva um pedaço de giz. Comparado à pena, ele é duro. Comparado ao aço, o giz é mole. Duro e mole não são absolutos, mas graus relativos em uma escala maior. Nós podemos mudar todas as nossas percepções de polaridades usando a mesma ginástica mental. Assim como a intenção em nossa mente muda, a energia vigente muda em nossa vida. Cada polaridade contém a essência do oposto, como a figura do Yin-Yang. Uma visão infeliz na Lei da Polaridade é a de aglomerar todas as pontas de vários espectros diferentes. Por exemplo, nós temos a tendência de equacionar as palavras luz, dia, positivo, bem e masculino. Por outro lado, nós equacionamos as palavras escuro, noite, negativo, mal efemini- H«» (figura 12). Embora algumas dessas palavras tenham associações óbvias, como escuro e noite, elas não são palavras sinônimas. Estou convencido de que essa mudança na consciência ocorreu em nossa cultura em um esforço de simplificar as complexas nuances do mundo natural, especial- mente enquanto as religiões organizadas dominavam a Europa. Sou totalmente a favor da simplicidade, mas não quando ela equaciona o escuro com o mal. Eu adoro o escuro. Muitas deusas da escuridão são amáveis e sagradas para mim, e de forma alguma relacionadas ao mal. É muito mqis fácil dar a um grupo de pessoas que você tenta controlar somente duas escolhas, tudo preto ou tudo branco, conosco ou contra nós, em vez de dar a ele uma variação de possibilidades para encontrar o que é certo e bom para o indivíduo. Nós

devemos perceber que existem muitos raios na roda da polaridade c aglomerá- los não irá fazer nenhum bem para as bruxas. Os olhos da bruxa não reconhecem somente o preto e o branco, nem tampouco as tonalidades de cinza que entremeiam essas duas cores, mas o espectro todo do cores encontradas entre o escuro e o claro. A precisão na palavra e no pensamento é essencial na magia. Observe como a palavra negativo é usada para significar um atributo “ruim”, enquanto positivo é usado para referir a algo “bom” ou “desejado”. Nós todos geralmente aceitamos essas definições, mas elas não são precisas em um sentido específico. Se você está estudando a espiritualidade, a arte e a ciência da bruxaria, deve prestar atenção em todas as definições. O positivo se refere à carga elétrica positiva, enquanto negativo se refere à carga elétrica negativa. Alguém no mundo científico decidiu que um certo tipo de carga era negativa e deu esse nome a ela. Usar as palavras positivo e negativo com o significado de “bom” e “ruim”, respectivamente, traz problemas futuros em sua caminhada, embora isso seja algo muito comum. Íons são partículas eletricamente carregadas encontradas no meio ambiente. Quando você vai para algum lugar com água agitadaum oceano, uma cascata ou até mesmo um banho ou fonte em algum lugar fechado eslá recebendo íons que o fazem sentir-se bem. Eletricamente, eles são carregados negativamente, contudo proporcionam saúde e relaxamento. Você pode se sentir preguiçoso ou doente quando passa muito tempo próximo a equipamentos elétricos, principalmente monitores de computador, televisões e fornos de microondas. Isso acontece porque você está absorvendo um oulro tipo de íon que proporciona esses sentimentos, íons positivos, Quando você tem a intenção de banir toda a “energia negativa”, esta se livrando de tons negativos? Quando lenta atrair toda a “energia positiva" para sua vida. está chamando tons positivos, também? Embora não seja essa sua intenção. suas palavras o traem. Se está tentando se livrar de todo o mal, diga que está banindo todo o mal, não apenas o negativo. Seus pensamentos e palavras são poderosos e devem ser precisos. A partir de nossa discussão acerca da polaridade e os atributos posi- livos/negativos, chegamos ao conceito do equilíbrio. Esse equilíbrio é um ponto fundamental na tradição Cabot de bruxaria que aprendi. Algo só é "bom” para você, o que outros chamam de “positivo”, porque isso o ajuda :i manter um equilíbrio saudável. Se a mesma substância o faz perder o equilíbrio, deixa de ser “positiva”. Se você toma um remédio uma vez por dia para tratar uma condição específica, pode chamar isso de um efeito "positivo”. Se decide que essas coisas “positivas” são somente boas para você e decide tomar um frasco inteiro desse remédio de uma só vez, está transformando uma substância “positiva” em “negativa”, ficando doente como resultado. Mais uma vez, não existem absolutos. Quase qualquer substância ou energia pode ser útil ou prejudicial, dependendo da situação e de suas necessidades específicas. No livro Iniciação, de Elizabeth B. Jenkins, o padre-professor andino Jiian Nunez dei Prado revela que “dentro do mundo das energias vivas não existem energias positivas ou negativas. Existem apenas graduações de energias vivas mais sutis e refinadas, e energias que são mais densas ou pesadas “Lembre-se de que ‘pesado’ não é ‘ruim’. Além disso, o que é uma energia pesada para você pode ser uma energia refinada para uma unira pessoa.” A energia existe em escalas graduadas, não absolutas.

Uma das polaridades mais importantes na bruxaria é a polaridade da Terra e do céu. A Terra é base, material, física e emocional, e é associada à energia da Deusa. A energia do céu é considerada mais intelectual, lógica e ainda assim criativa, mental, expressiva e elétrica, e é associada à energia do I )eus. Encontrar um equilíbrio entre as duas energias é importante. Este próximo exercício ajuda a equilibrar todas as polaridades em você, ajudando a perceber que pares de opostos dentro de você são graus diferentes em unta escala. Ao aceitar essa escala, você tem a habilidade de aos poucos mover traços e energias de que não gosta para uma outra parte da escala, transformando-se. Essa é a verdadeira arte da magia hermética, da alquimia ocidental:

transformar a mente, as emoções e o espírito.

EXERCÍCIO 16

A Polaridade da Terra e do Céu

1. Comece pelo exercício 9: Contagem Regressiva para um Estado

Meditativo, para alcançar seu ambiente mágicko. Se você tem um atributo pessoal específico que deseja transformar, pense nele e mantenha essa intenção por alguns instantes,

2. Visualize ura raio de luz estendendo se por sua espinha, fazendo com que

você se sinta estabelecido na Terra como as raízes de uma árvore ou um balão preso. O raio de luz é vazio como um canudo, e você faz a energia subir e descer por ele. O raio liga você até o centro da Terra. Conforme inspira, mantenha sua intenção de trazer a energia da Terra, como se estivesse sugando- a pelo canudo. Em sua mente, peça à Mãe Terra para enviar sua

energia até você. Com cada inspiração do ar, a energia sobe pelo raio de luz.

3. Sinta a energia subir do raio de luz. Alguns a visualizam na cor verde,

marrom, preta ou azul. Ela pode se movimentar rápida ou lentamente. Sinta-a

alcançar a base de sua espinha e fluir para cima, através de seu corpo. Sinta a energia da Terra se mover por sua barriga e em seguida para seu peito. Sinta-a energizando seu corpo. Sinta-a fluindo no seu pescoço e indo para sua cabeça,