Você está na página 1de 10
a (Clings de ISBNoT2 54-0506 tte cal cousins, OE weurcmeesTo tua atoarac sIcOLoCICA [Siempre — Anténio Manuel Fonseca O Envelhecimento uma abordagem psicolégica 22 eigio UNIVERSIDADE CATOLICA EDITORA : a Indice Abertura 7 Introdusio (© estudo do envelhecimento: enquadramento historico 11 Primeira Parte Idade, envelhecimento e velhice 21 1. nogio de idade e 0 idadismo 22 2. A meicidade:o fim da dade adulta ‘€0 principio da velhice? 33, 43. Os idosos,a velhice eo envelhecimento 49 3.1 Componentes do envelhecimento 55 3.1 Padkies de envelhecimento 69 3.3 Asidades da velhice: “das boas noticias da 38 idade aos dlemas da 4#idade” 76 6 Segunda Parte Dimensdes psicoligicas do processo de envehecimento 1A competéncia 1.1 O modelo ecolbgico de competéncia 1.2 A competéncia de vida didria 2. A cognigio 21 Envelhecimento e decinio cognitivo: uma discuss em aberto 2.2 Actvidade cognitiva e ciclo de vide ‘em busca da sabedria 3.A personalidade 4. A satide 4.1 Satide e envelhecimento 4.2 Trajectirias de satide na idade adulta e velhice 43 O sentido de coeréncia e a satide dos idosos 5. A satisfagao de vida 6.0 bem-estarpscolégica 6.1 O bem-estar psicoldgico © 0 processo de envelhecimento 6.2 Uma visio ecoldgica do bem-estar ricolgico na velhice ‘Conclusio Bibliografia 85 86 88 2 7 98 107 5 15 15 BL 13+ uL 149 116 185 193, Abertura ‘O estudo dos processos de envelhecimento gana, neste inicio do século vinte e um, um relevo e uma prioridade indiscutives. De facto, se pensarmos na pertinéncia que os temas rela- tivos @ idade adulta, a velhice e ao envelhecimento tém vindo a adquirir nos itimos anos, em grande medida devido a evolugio socio-demogréfica a que se assiste no mundo ccidental,revela-se urgente estudar e conhever mais acerca do periodo coincidente com a segunda metade da vida ‘humana, Em Portugal, nomeadamente, entre 1960 e 2001, 0 fené- meno do envelhecimento demogritico traduziu-se por um aumento de 140% da populacio idosa (com 65 ¢ mais anos). AA proporcio da populago idosa, que representava 8,0% do total da populacio em 1960, mais do que duplicou em qua- tro décadas, passando para 16,4% em 2001, enquanto 0 {Indice de envelhecimento (relagio entre a populagio idosa e populagio jovem) registou um aumento brutal - de 27,3 em 1960 para 102,2 em 2001 -, ou seja, existem hoje em 8 | Otmahecmente Portugal mais velhos do que criangas (INE, 2002) Finalmente, segundo estimativas do Conselho da Europa, a populagio portuguesa ter menos um milhdo de pessoas em 2050 e estard ainda mais envelhecida, com 2,5 idosos com 65 ‘ou mais anos para cada jovem com menos de 15 anos. Face a este panorama, semelhante na generalidade dos pafses que apresentam uma matric cvilizacional idéntica & ‘nossa, aumento e a expansio dos problemas relativos 20 cenvelhecimento introduziram a necessidade de se compreen- der melhor uma fase da existéncia que também faz parte do ciclo da vida humana mas cujo estudo foi, durante largos anos, negligenciado em favor de outras fases (infincia, ado- lescéncia..),tradicionalmente consideradas como “mais ricas” sob 0 ponto de vista psicoligco e desenvolvimental Em termas nacionais,trata-se, infelizmente, de uma ten- déncia ainda presente no campo das ciéncias comportamen- tis, esidindo nesta lacuna um dos motivos que sustentam @ originaldade desta publicagio. O seu principal objectivo €, pois, proporcionar una visio compreensiva do processo de envelhecimento e das mudangas que af decorrem, reconhe- cendo que no processo de envelhecimento cruzam-se forgas origindrias quer do individuo, quer dos contextos em que @ pessoa se encontrainserida, quer da interacgho entre ambos. A abordagem psicoldgica que faremos ao processo de envelhecimento teré como referéncia basica um paradigma contextudlista, por meio do qual o envelhecimento é enca- rado como parte do desenvolvimento e € visto como 0 “resultado” da interaccdo dindmica, que se estabelece e que |» patente a0 longo de todo o cilo de vida, entre um indiv duo intencionalmente activo ¢ uma série de contextos de existéncia que se encontram em permanente transformagio. ‘Optamas, assim, por prvilegiar uma vio onde se enfatiza a complementaridade entre dois sistemas, um bio-psicol6gico intrinseco ao set humano -, e outro socio-econdmico- politico ~ reportado ao ambiente onde os contextos se inse rem. Tomaremas o envelhecimento como um processo que ‘comporta ganos e perdas, para cuja adaptagSo concorrem varidveis de natureza intrinseca e extrinseca a0 individuo, sem enfatizar a predomindncia de qualquer varivel sobre as restantes (Fonseca, 2005). ‘rata-se,finalmente, de um quadro de referéncia com- posto pot modelos que sublinham a importincia da acgdo individual eintencional;€ a0 fazer escolhas eso gir em con- soniincia com elas que o individuo controla a sua vida na medida do possivel, mantém-se comprometido com 0 ‘undo que 0 rodeia e, a0 mesmo tempo, assegura um nivel de funcionamento psicoldgico que garante a manutengio da sua identidade e o mantém na rota de um envelhecimento ‘bem sucedido. | Introdugio O estudo do envelhecimento: ‘enquadramento histérico "Numa obra dedicada &aplicagao da psiclogia do desen- volvimento & idade adulta e & vethice, Vandenplas-Holper (1998) interroga-se: Seré que o desenvolvimento da pessoa humana termina no fim da adolescéncia? Seré que as mudangas que se produzem na pessoa adulta ¢ na pessoa ‘dosa nao tém qualquer significado sob o ponto de vista deservolvimental? Ou sera que os investigadores na dren da psicologiacentram predominantemente 0s seus trabalhos na infincia e na adolescéncia, por se tratarem de perfodos da vida onde as mudangasligadas 3 idade so mais espectacula- res e por se rlativamente fil recrutar, através das escola os partcipantes nos respectivos estudos? 'Na verdade, a presenca da psicologia no campo da teoria da investigagio telativas ao envelhecimento tem uma his- réria recente, sobretudo quando comparada com a aplicagéo da ciéncia psicol6gica aos perfodos da infincia e da adoles- ceéncia. Isto no significa, cbviamente, que a evolucao da psi cologia como disciplina auténoma ndo tenka proporcionado, desde cedo, o surgimento de contsibutos por forma quer a cestudar ferémenos como a estabilidade versus mudanca da 12 | ofwenecinents personalidade ao longo da vida, quer para compreender quais 10s factorespsicol6yicos inerentes ao avango da idade. Neste sentido, valeré a pena, ainda que de forma muito sumsa, registar 0 contributo de alguns percursores nesta mati Em 1922, com 78 anos de idade e no culminar da sua carrera, Stanley Hall publicou livo Senescence: The Second Half of Life, revelando af a sua curiosidade acerca daquilo que se passava na segunda metade da vida do ser humano e encarando o envelhecimento a partir do cruzamento dos saberescientficos da época, em campos tio diversos como a ‘edicina, a anatomia ow a filosoia. Uma década mais tarde com uma reflexao fundada na psicanalise, Jung (1933) defende a existéncia de uma evolugéo permanente da perso- nalidade por meio de movimentos de transformagio e de continuidade, havendo aspectos que tenderiam a modifica -se 20 passo que outros (como os valores étcos) se mostra- riam mais estveis. Ainda nos anos 30, Charlotte Bublet empreendeu, em Viena, um amplo estudo comparativo de histérias biogdficas, dele fazendo deriva a teoria segundo a qual osindivduos procuram, ao longo da sua vide, coneret- zat determinados objectivos do foro pessoal. Para Buhler (1935), a existéncia humana decorreria 20 longo de cinco «stédios, correspondendo o cltimo deles ~ a velhice ~ a fase «em que o individuo faz um balango da vida pasada e experi- ‘menta sentimentos de reaizaglo ou de fracasso, consoante tenha ou ndo atingido os fins a que se propusera. Entretanto, na transgGo dos anos "30 para 0s anos "40, deu-se inicio ao que viia a sero estudo mais longo alguma | 3 ver realizado sobre desenvolvimento humano na idade adulta, o Esudlo de Harvard sobre Desenvolvimento na Vida ‘Aduika (‘Harvard Study of Adult Development’) (Vaillant, 2002). Na sua forma inicial,o Estudo de Harvand abrangia: () uma amostra de 268 estudantes da Universidade de Harvard, socialmentefavorecides,nascidos a volta de 1920, {) uma amostra de 456 homens residences na mesma regio e nascidos na mesma época, mas de origem social modesta © exercendo diversas profssdes, (i) uma amostra de 90 mulheres de classe méia dotadas sob 0 ponto de vista inte- lectual,nascidas & volta de 1910. Ao longo das décadas seguints (de dois em dois anos em alguns casos, de cinco em cinco noutos) estes diferentes grupos de individuos foram sendo objecto de estudo sstemstco relativamente a aspec- tos como saide, personalidade, relagbes sociais, trabalho, espiritualidade, ete, permitindo estas sucessivas avaliagSes ‘constatar a ocorréncia de alteragdesinternas decorentes da maturagéo e aferir o impacto que os acontecimentos do século vine foram provocando nas suas vidas. ‘Ainda hoje, os individuos que permanecem vivos e con- tactiveis continuam a ser alvo de estudos regulares quanto a varidveis de natureza médica e psicol6gica, o que permite ‘obter uma imagem tinica da evolucio longitudinal a que as suas vides estiveram sujeta, das diferencas entre elas conso- ante os grupos de origem, ber como das formas diverss por meio das quais, no decorter do tempo, cada individu fi con- ferindo sentido & sua vida: “em cada dade, contamos a histé- ria da nossa vida de maneia diferente”? (Vaillant, 2002:11). 14 | oeveine ‘A segunda metade do século vinte assste & expansio defintiva da produglo teérica e empitica dedicadas a0 estudo sstemético dos factorespsicol6gicos implicados no envelhecimento. Com efeito, nos anos 50 e 60, indmeros autores de variadas proveniéncias conceptuais (Baltes, Birren, Erikson, Havighurst, Neugarten, Schaie, entre ‘outros)realcaram a necessdade de se olhar para 0 perfodo correspondente & segunda metade da idade adulta e & velhice sob um ponto de vista dinmico, relacionado com tapas de desenvolvimento anteriores mas suicientemente independente elas para merecer um olharatento ¢ circuns- tanciado em termos das alteragées fiscas, cognitivas, sociais e psicoldgicas, que se produzem no seu decurso: Ycentenas de investigagGes empiricas permitiram documenta o facto de ‘que 0s individuos transformam-se ao longo da vida adulea no apenas quanto & sua aparéncia fisica, mas também rela- tivamente a outros aspectos: vida social, interesses,prorida- des, rlagdes com outros, qualidadesintrinsecas. A condigSo adulta deixa de estar associada ao resultado emergente da sucessio de estos desenvolvimentais verfcada durante a infincia e a idade adulta passa a ser reconhecida, em si mesma, como um periodo caracterizado pela ocorréncia de madancas sisteméticas, activas sigificativas” (Wortley & Amatea, 1982:476). ‘A compreensio da vida psicoldgica durante a idade adulta e a velhice deixa de estar, pos, puramente depen dente do que sucedera na infincia e adolescéncia. Esta alte- ragio de enfoque fez com que aos estudos que habicual- [is ‘mente estavam centrados em fenémenos mentais como @ percepgio, meméria,inteligéncia e personalidade, fossem sendo progressivamente acrescentados estudos sobre as alte- rages verificadas no funcionamento individual (quer a nivel psicol6gico, quer a nivel social), io necessariamente relacionados com a idade mas antes com situagées de tran- siglo e consequente adaptaglo. Este novo olhar suscitou, igualmente, a emergéncia de estudos sobre varives psicos- sociais com especial relevdncia no processo de envelheci- mento, por exemplo, estudando como as imagens sociais da velhice e os acontecimentos de vida com ela relaciona- dos influenciam quer o envelhecimento individual, quer @ identidade da pessoa idosa (Birren & Schroots, 1996, 2001). ‘A necessidade de obtengio de mais conhecimentos acerca dos idosos, do processo de envelhecimento, de como cle se encaixa na historia de vida de cada individuo ¢ das suas consequéncias sobre a condigio de vida quotiiana, ganhou uma nova pertinéncia a partir do fim da I Guerra Mundial, indusida por um fendmeno extraordinariamente importante: o aumento significativo da espera de vida € 0 correspondente envelhecimento da populagio (Biren & Schroots, 2001:20).? Na verdade, (independentemente da idade minima estabelecida para o inicio da velhice: os 60, 65, 70 anos...) 0 incremento da populago idosa nas dltimas décadas foi de tal modo significativo que, tanto em iGmeros absolutos como em ntimeros relativos,sofreu mesmo uma rmuleplicagio por dois ao longo do século vinte, com part- 18] Oberter ence cular destaque nos pases desenvolvidos do mundo ocidental (Ferninder-Balleseros, 2000). Este feriéimeno de natureza demogréfica, decotrente do facto de as pessoas pasarem a viver mais tempo e que repre- senta um sinal de éxito de uma cultura de base cientifica e tectolGgica, foi acompenhado por um interesse crescente das cignciassocaise humanas em conhecer melhor os pro- cessos de envelhecimento, passando um nvimero cada vez maior de investigadores @ ocupar-se do estudo de tais pro- «ess, com um duplo abjectiv: ~na dptica do seu melhor conhecimento “para deixar claro que as pessoas idosas pertencem a espécie humana, nfo so seres especiais nem craturas de outro planeta” (Neugarten, in American Psychologist Editor, 1994555); ~na Optica das possiblidades de intervengio nesses Processos “com 0 objectivo nfo s6 que o ser humano viva mais tempo, mas igualmente que viva melhor” (Feméndez Ballesteros, 2000331). A importincia dos idosos como um grupo espectico, dotado de uma cada vez maior relevinciaestatstica ¢ soca, acerca do qual era absolutamente necessro saber mais, or- ginou inclusive a aparecimento de uma disciplina nova, a ‘rontologia ~ definida por Schroos (1996) como o estudo simultaneo e multidisciplinar do processo de envelheci- mento, davelhie edo dso - cuja consoldagio deu-se nos Estados Unidos da América, primeiro com o aparecimento ja da Sociedade de Gerontologia (em 1945) ¢ depois (em 1946) com o lancamento da primeira grande publicaglo peisica da rea, o Journal of Gerontology. Mais tarde fi criada, no seio da American Prychological Association (APA), uma divisdo intculada “Maturity and Old Age” (esignagdo que viria a ser alterada para “Adult Development and Aging"), 0 que rapidamente conduciu @ realzago de encontros cien- tificos especializados a0 aparecimento de publicagdes directamente orientadas para a anlise de probleméticasliga- das quer & psiologia do desenvolvimento na idade adulta © velhice, quer as dimensées psicoligicas do envelhecimento (Cavanaugh, 1997; Birren & Schroots, 2001) Juntamente com Neugarten, Birren (1995, 1996) foi um dos primeiros invesigadores a proceder ao estudo sistem tico das mudangas de comportamento relacionadas com a ‘dade, remontando as suas pesquisa iniciais aos anos 60. No essencial, Birren defendia entio que, ao avango da ‘dade, correspondia um progressivo abrandamento da actividade do sistema nervoso e de toda a acco humana dele dependent, residindo nesse fendmeno universal a caracteristicafunda- mental do processo de envelhecimento. Mais tarde, Baltes (1987) viréa propor un modelo pscoldgico de envelhect- mento baseado numa articulagio entre mecanismos de selecgio, optimizacio e compensacao, aplicével a todo 0 ciclo de vida mas particulatmente sensivel na segunda rmetade da vida humana. Se Biren afrmara a inevitabilidade de um “abrandamento do comportamento” frto de altera- «Ges corporis e de restrigdes neurolégicas, Baltes e colabo- 18 | 0 Eoveinecinento radores abriam a possbilidade de se ultrapassar (ou pelo ‘menos redusit) o impacto de tas alteragies erestrig6es, pelo recurso a estratépias adaptativas diversfcadas que tende- ‘iam a faciitar um envelhecimento bem sucedido. ‘As abordagens conceptuais geradas no quadro de um paradigma contextualsta abriram defiitivamente as portas da Psicologia 20 estudo do envelhecimento, ndo sutpreen- dendo que a partir da década de 80 0 crescimento de publi cagées, congresos¢ investigages neste dominio tena sido exponencial, prevendo-se que se prolongue e intensifique ao longo deste século, acompanhando o aumento da populagéo ‘dosa e 0 proprio alargamento da longevidade (hi cada ver mais estudos feitos com pessoas cuja idade ultrapassa os 90 anos... (Bengtson, Rice & Johnson, 1996). A afrmagio pro- stessiva dos idosos como grupo populacional espectico cul- rinou j, no final do século vint, com a reaizagio do “Ano Internacional dos Idosos” organizado pela Nagies Unidas, 0 que constituiu para muitos paises (Portugal incuido) um marco de viragem no tratamento desta problemstica, sobre- tudo sob ponto de vista sociale politico. No campo da Psicologia, porém, a produgao nacional de investigagSes e de reflextes conceptuais sobre a complexi- dade dos fenémenos relativos ao envelhecimento continua ainda muito limitada. O interesse pela tematica que a publi- cagio de um miimero especial da revista Psicologia dedicado 0 assunto,em 1988 (VoL.6, n2 2), fara supo, no teve con- tinuidade mos anos seguintes, sendo necessrio esperar quase vinte anos até que a revista Pycholgica (x 42, 2006) vol- jo tasse a dedicar um novo nimerotemético ao assunto, iti lado precisamente “envelhecimentos’. Por consttufrem motivo de excep¢o, so de realgar, pois os trabalhos de Pal (1996, 1997) sobre o envelhecimento em meios urbanos, de Lima (1999) sobre a personalidad, de Novo (2003) sobre 0 bbem-estarpsicol6gico e de Fonseca (2005b; 2006) sobre 0 procesio de “transicfo-adaptagio” a reforma. A. criagio recente da Unidade de Investigacdo e Fomnagio em Adultos ¢ Idosos (UNIFAI) constitu também uma ocasio privilegiada para o aprofundamento da investigaio sobre questes psi- colpicas ligadas a0 envelhecimento e 20 desenvolvimento Fhumano na idade adulta e velhice, de que é exemplo a publi cacio da obra colectiva Envelhecer em Portugal (Pail & Fonseca, 2005). ‘Ao incremento de estudos e publicagées sobre o envel- hecimento cortesponde, finalmente, uma demonstragio absoluta da “utlidade prica” da investigacio psicoldgica nesta tea, tormando visivel a convicgdo do interesse no apenas estritamentecientifico mas igualmente socio-pottco da pesquisa neste dominio, famecendo dados para a formu lado de politicas que possam responder aos problemas es necessidades das pessoas idosas (Schaie & Hofer, 2001) ‘A enotine expansio da pesquisa desenvolvimental no dom nio do envelhecimento, quet em termos de reas de investi- ago, quer em termos de abordagens metodoligics,faz-se acompanhar actualmente por um cuidado especial em ress- tir ao “estudo laboratorial” das vargveisimplicadas no pro cesso de envelhecimento ¢ insstir na criagio de uma nova 20 | 0 tnemacnene agenda de investigagio psicol6gica neste dominio, conce- dendo uma maior atengio as histrias de vida e aos percur- sos individuais de envelhecimento (Daatland, 2003; Schroots, 2003). Nao sendo esta uma preocupagdo intira- mente nova, ela coloca no centro das atencoes, porém, 0 interes e a necessidade de se proveder a uma abordagem ideogréfica sempre que se pretenda obter uma compreensao aprofundada das mudangas produsidas ao nivel intra-inlvi- dual no decurso da idade adulta e da velhice.