Você está na página 1de 33

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIVATES

PRÓ-REITORIA DE ENSINO
CENTRO DE ENSINO PROFISSIONAL
CURSO TÉCNICO EM VENDAS

CONTABILIDADE GERENCIAL
SEMESTRE B / 2009

RODRIGO M. CÉSAR
APRESENTAÇÃO DA DISCIPLINA:

O objetivo desta disciplina é desenvolver o conteúdo “Contabilidade” em


linguagem acessível aos não-contadores, apresentando o que é contabilidade, seu
objeto de estudo e importância, de maneira que se possa entender e praticar a
Contabilidade Gerencial.

A Contabilidade Gerencial, como o próprio nome sugere, está relacionada à


gerência dos dados e das informações fornecidas pelos relatórios contábeis. O
gerenciamento é a ação envolvendo o processo administrativo, que visa saber o que
fazer com a informação recebida.

O foco desta disciplina será voltado à administração do Patrimônio das


empresas, não à legislação Fiscal, Tributária..

EMENTA:

Contabilidade
Conceito / Finalidade / Usuários
Obrigatoriedade da escrituração contábil
Importância da Contabilidade

Elementos que compõem o patrimônio


Conceito de patrimônio
Equação básica do patrimônio
Plano de Contas

Principais Demonstrações Contábeis


Balanço Patrimonial
Demonstração do Resultado do Exercício

Escrituração contábil
Método das partidas dobradas (débito e créditos)
Fatos e atos administrativos
Os regimes de contabilização – Caixa e Competência
Princípios Fundamentais da Contabilidade

Impostos Incidentes sobre Vendas e Serviços


ICMS – Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços
PIS – Programa de Integração Social
COFINS – Contribuição para a Seguridade Social
SIMPLES
ISSQN – Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza
Custos
Conceitos básicos
Classificação de custos
Diferença entre custo e despesa

Custo da Mercadoria Vendida


Custo líquido da aquisição
Custo da Venda

Análise de Balanços
Introdução / finalidade
Análise Horizontal
Análise Vertical
Análise do Capital de Giro
Análise da Rentabilidade
Análise da Rotatividade
Análise do Endividamento
Análise da Liquidez

Estoques
Os critérios de avaliação nas empresas comerciais
(PEPS/UEPS/Custo Médio Ponderado)
METODOLOGIA (incluindo atividades discentes)

A disciplina será ministrada de forma teórica e prática, com aulas expositivas e


dissertativas, envolvendo a participação do aluno através das seguintes atividades:

- serão apresentados os conceitos básicos através de aulas expositivas;

- desenvolvimento de exercícios práticos, individuais e em grupo, contemplando o


desempenho nas competências e o aprendizado do conteúdo

AVALIAÇÃO

Considerando a avaliação como um processo contínuo, estará apoiada na observação


do desempenho do aluno, bem como o seu envolvimento nas atividades propostas
(trabalhos/exercícios em grupo, testes individuais e ou em grupo).
CONTABILIDADE
Origem da Contabilidade

A Contabilidade surgiu da necessidade que as pessoas tinham de controlar


aquilo que possuíam, gastavam ou deviam. Sempre procurando encontrar uma
maneira simples de aumentar suas posses. Logo com as primeiras administrações,
surge a necessidade de controle, que seria totalmente impossível sem a aplicação dos
registros.

Sua História é tão antiga quanto a história da própria civilização. Ela surgiu
4.000 anos a .C, mas antes disto, o homem primitivo, ao inventariar o número de
instrumentos de caça e pesca disponíveis, ao contar seus rebanhos, já estava
praticando uma forma rudimentar de Contabilidade.

O primeiro grande impulso das Ciências Contábeis através da história se


verificou entre os séculos XIV e XVI, haja vista o florescimento das artes e da
economia, sobretudo na Itália. Neste período houve aumento extraordinário das
transações comerciais em razão, principalmente, das grandes descobertas; o que fez
com que os empreendedores da época necessitassem de meios para medir, avaliar e
controlar seus negócios.

O grande marco da Ciência Contábil, foi o surgimento da primeira literatura


contábil, produzida pelo Frei Luca Pacioli, publicado em Veneza em 1494, que
descreveu em sua obra o método das partidas dobradas (utilizado na mensuração da
evolução patrimonial, por meio de débitos e créditos). A contabilidade expandiu sua
utilização para instituições como a Igreja e o Estado e foi um importante instrumento no
desenvolvimento do capitalismo. As informações e técnicas ficavam restritas aos donos
do empreendimento, pois os livros contábeis eram considerados sigilosos.

O surgimento de gigantescas corporações, o desenvolvimento do mercado de


capitais e o fortalecimento da sociedade anônima como forma de sociedade comercial,
fizeram com que a Contabilidade passasse a ser considerada um importante
instrumento para a sociedade.

Hoje, podemos afirmar que a Contabilidade é um importante e indispensável


instrumento, não somente para as empresas, mas para a sociedade como um todo.
Conceito:

- A contabilidade é a ciência que estuda e controla o patrimônio das entidades,


através do registro, das demonstrações expositivas, da interpretação dos fatos
nele ocorridos, com a finalidade de oferecer informações sobre sua composição e
variação, bem como sobre o resultado econômico decorrente da gestão da riqueza
patrimonial.

- Contabilidade é a ciência concebida (criada) para coletar, mensurar, resumir


e interpretar dados e fenômenos que afetam as situações patrimoniais, financeiras e
econômicas de qualquer entidade.

Diagrama:

USUÁRIOS DA CONTABILIDADE

Quem utiliza a Contabilidade?

Os usuários da Contabilidade são as pessoas que se interessam pela situação


da empresa e buscam na Contabilidade as suas respostas. Além dos gerentes
(administradores), que desejam saber como se comporta o desenvolvimento das
atividades da empresa, retorno do capital investido, gastos realizados, otimização das
decisões futuras, os acionistas, que desejam saber se ela está dando lucro ou
prejuízo, se os controles internos estão funcionando, temos:

Os investidores: quando querem investir seu dinheiro em empresas que


estejam dando lucro. As empresas com Sociedade Anônima, que possuem quotas de
participação, ou seja ações, e são obrigadas a publicar em jornais seus demonstrativos
contábeis, para que os sócios e “interessados” possam analisar a empresa verificando
se é rentável.

Os fornecedores: grandes empresas analisam se possíveis clientes possuem


condições de pagar suas contas e compras (principalmente a prazo) que venham a
fazer. Pelo Balanço Patrimonial, é possível fazê-lo.

Os bancos: que para emprestar dinheiro aos seus clientes, analisam


financeiramente a empresa para assegurar-se que terão condições de pagar as dívidas
contraídas e empréstimos já concedidos, através de análise de endividamento. Muito
comum também em projetos como PROGER, Programas de desenvolvimento da
empresa (BRDE, BNDES, etc).

O governo: que quer saber quanto de impostos foi gerado aos cofres públicos.
Através da tributação e arrecadação de impostos, taxas e contribuições, além da
formulação de diretrizes da política econômica e das atividades do Judiciário e de
agências reguladoras.

Outros: próprios empregados, pelo sindicato, querem saber como está a


empresa (capacidade de pagamento dos salários, perspectivas de crescimento da
empresa, participação nos lucros). Concorrentes, analisam como está sua rival.
USUÁRIOS DA CONTABILIDADE:

Obrigatoriedade da Escrituração Contábil

O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema de


contabilidade e levantar anualmente o Balanço Patrimonial e o do resultado econômico:

- código civil brasileiro – art. 1179;

- por necessidade gerencial;

- outras razões (lei das falências, perícias contábeis, dissidências societárias).

Contabilidade Comercial e sua aplicação:

Contabilidade Comercial, é um ramo da Contabilidade que permite


controlar a movimentação do Patrimônio das empresas comerciais.

Sabemos que existem vários tipos de empresas, diferindo umas das outras em
função da atividade característica que cada uma desenvolve. Assim, existem empresas
industriais, transportadoras, financeiras, agrícolas, comerciais, etc.
Para cada empresa existe um ramo da Contabilidade. Assim, para a empresa
comercial aplica-se a Contabilidade Comercial, à empresa industrial, a Contabilidade
Industrial, e assim por diante.

Então, podemos dizer que existem várias Contabilidades?

Não! A Contabilidade é uma só, com seus princípios fundamentais. O que existe
são ramificações da Contabilidade, criadas de forma a permitir a cada empresa a
aplicação adequada dos princípios contábeis, segundo suas características próprias.

O campo de aplicação da Contabilidade Comercial abrange, evidentemente,


todas as empresas comerciais.

Empresa Comercial é aquela cujo principal objetivo é aproximar o produtor do


consumidor. Assim, sua atividade principal pode ser resumida nas operações de
compra e venda de mercadorias.

CAMPO DE ATUAÇÃO DA CONTABILIDADE

Assim como existem diferentes tipos de decisões econômicas, a Contabilidade


também se estrutura para fornecer diferentes tipos de informações. A atuação
segmentada da Contabilidade Gerencial, da Contabilidade Financeira e da
Contabilidade Fiscal retrata este processo que fornece, no conjunto, as informações
mais utilizadas no mundo dos negócios.

As principais diferenças são:

- Contabilidade Gerencial: ou INTERNA, abrange as informações a serem


fornecidas aos gestores da entidade, isto é, às pessoas internas à organização
responsáveis por dirigir e controlar suas operações. Estas informações são utilizadas
para traçar metas, avaliar o desempenho dos setores da empresa, bem como de seus
funcionários, decidindo sobre a produção de novos produtos ou não, além de todos os
tipos de decisões gerenciais.

- Contabilidade Financeira: ou EXTERNA, refere-se a recursos financeiros,


obrigações e atividades da entidade legal. Sua informação é destinada, a priori, ao
público externo à entidade, e busca orientar investidores e credores ao decidirem onde
alocar seus recursos. Tais decisões são importantes para a sociedade, uma vez que
serão determinadas quais empresas irão ou não receber recursos para seu
crescimento. Muitas outras pessoas utilizam essas informações, tais como os
executivos e empregados da empresa, os acionistas, os fornecedores e outros
externos à empresa.

- Contabilidade Fiscal: ou TRIBUTÁRIA, representa um setor de especialização


da Contabilidade. Objetiva fornecer informações ao órgão tributante, o Governo,
principalmente à Secretaria da Receita Federal (SRF). O planejamento tributário
significa a antecipação dos “efeitos dos impostos” nas transações e na estruturação
das operações, de modo que se minimize a carga tributária, licitamente. Vale ressaltar
que a declaração do Imposto de Renda é baseada na informação proveniente da
Contabilidade Financeira.

Cabe citar que a Contabilidade de Custos está localizada em uma área


intermediária entre a Contabilidade Financeira e a Contabilidade Geral, pois serve às
duas.

A Contabilidade Financeira utiliza as informações geradas pela Contabilidade de


custos para avaliar os estoques, necessário para apurar o Balanço Patrimonial,
mensurar o custo dos produtos vendidos, necessário para apurar o resultado do
período.

Já a Contabilidade Gerencial utiliza as informações providas pela Contabilidade


de Custos para identificar que preço deve ser cobrado para cobrir o custo do produto,
as despesas operacionais, e ainda remunerar, adequadamente, o capital investido.

Assim, pode-se afirmar que a Contabilidade está inserida em três amplos


campos de atuação, orientados pelas necessidades de seus usuários:

Contabilidade Contabilidade
CARACTERÍSTICAS Contabilidade Fiscal
Gerencial Financeira
Adoção e elaboração Facultativa Obrigatória Obrigatória
Utilizada para Relações internas Relações externas Relações tributárias
Vínculo à legislação Não está condicionada Condicionada às Condicionada às
às disposições legais disposições legais disposições legais e
tributárias
Vínculo aos Princípios Não precisa acompanhar Deve acompanhar todos Não precisa, mas
Contábeis os Princípios Contábeis normalmente
acompanha. Embora o
Fisco tenha o poder de
determinar tratamento
diferente ou criar
exceções
Contabilidade Contabilidade
CARACTERÍSTICAS Contabilidade Fiscal
Gerencial Financeira
Produto principal Relatórios para Demonstrações Contábeis Relatórios específicos
planejamento e controle exigidos por lei
Visão da empresa Interesse nas partes Empresa como um todo Empresa como um todo
A informação é Rápida (aproximações) Precisa (objetiva) Precisa (objetiva)
A informação busca Utilidade Objetividade e essência Objetividade e
econômica das transações legalidade

Reflexões:

- De forma resumida, quais as principais diferenças entre a Contabilidade


Gerencial, a Contabilidade Societária e a Contabilidade Fiscal?

As principais diferenças dizem respeito aos usuários, à finalidade/objetivo de


cada usuário e à padronização/normatização.

- Qual delas deve ser julgada de maior utilidade? Por quê?

Não existe enfoque nem informação mais importante ou menos importante. A


rigor, tudo depende do usuário e de suas necessidades de informações.
O mundo sem Contabilidade

Para que possamos compreender um pouco como seria o mundo sem a


existência da Contabilidade, podemos fazer um exercício com nossas finanças
pessoais:

O que você faz com seu salário?

Quando paga suas contas, decide comprar algum bem (uma casa, um carro,
uma roupa) ou investir o seu dinheiro em ações e fundos, por exemplo, assumir uma
dívida ou pegar um empréstimo, você precisa saber se pode fazê-lo. É necessário
efetuar um orçamento, registrar e controlar gastos pessoais, além de, ao final do ano,
fazer a declaração de Imposto de Renda. Estes eventos, que afetam a sua vida, tem
relação com a Contabilidade.

Cada vez mais pessoas aprendem a lidar com suas finanças pessoais, sendo
isso, inclusive, assunto tratado em algumas escolas de ensino fundamental.

Um dos problemas mais comuns é a mistura das finanças pessoais com as de


seu negócio, criando situações que muitas vezes parecem “sem saída”.

Exemplo:

Vamos pegar o exemplo de Mariana, 35 anos, mãe duas filhas, de 11 e 9 anos.

Quando se separou do marido, há cinco anos, teve dificuldade de sustentar a


família. Por sugestão de suas amigas, começou a comprar e vender bijuterias.

Hoje, bem estruturada, mesmo com uma receita não garantida, a pequena
empresa tem lhe rendido, mensalmente, cerca de R$ 4.000,00. Sua falta de
organização financeira, entretanto, fez com que assumisse muitas dívidas.

Não sabendo o que fazer para sentir-se mais segura quanto às medidas a tomar
para equilibrar suas finanças pessoais, solicitou a ajuda de um consultor financeiro.

Para iniciar sua análise, este solicitou que Mariana relacionasse seus bens,
direitos e dívidas, naquele exato momento.
Mariana, não sabendo muito bem como fazer esta relação, começou a anotar
tudo, depois ordenou de forma decrescente, começando a lista com os itens de maior
valor:

Estoque de Produtos R$ 60.000,00; Celular R$ 234,00;


Fornecedores R$ 50.000,00; Curso de Inglês/Teclado R$ 216,00;
Contas a Receber de Clientes R$ 40.000,00; Academia de Ginástica R$ 200,00;
Empréstimos de Familiares R$ 35.000,00; Vestuário R$ 150,00;
Carro R$ 23.000,00; Lazer R$ 150,00;
Cheques pré-datados R$ 15.000,00; Padaria/Restaurante R$ 130,00;
Financ. do Cartão de Crédito R$ 14.800,00; Transporte Escolar R$ 120,00;
Cheque Especial R$ 12.500,00; TV a Cabo R$ 90,00;
Financiamento do Carro R$ 11.460,00; Condomínio R$ 80,00;
Móveis R$ 5.000,00; Revistas/Livros R$ 73,00;
Receita média R$ 4.000,00; IPVA/Licenciamento R$ 69,00;
Computador e Impressora R$ 3.500,00; Cabeleireiro/Manicure R$ 65,00;
Desp. c/ Bijuterias para Revenda R$ 800,00; Internet R$ 60,00;
Pensão das filhas (ex-marido) R$ 800,00 Telefone Fixo R$ 59,00;
Financiamento (carro) R$ 565,00; IPTU R$ 50,00;
Poupança R$ 420,00; Farmácia R$ 45,00;
Seguro Carro/Gasolina R$ 403,00; Presentes R$ 40,00;
Aluguel R$ 400,00; Juros do Cheque Especial e Cartão de Crédito
Plano de Saúde R$ 335,00; R$ 38,00;
Escola das Filhas R$ 320,00; Anuidades dos Cartões de Crédito (parcela
mensal) R$ 34,00;
Imposto de Renda a Pagar R$ 300,00;
Seguro de Vida (parcela mensal) R$ 23,00.
Supermercado R$ 300,00;
Rendimento da Poupança R$ 5,00;
Empregada R$ 270,00;

O consultor então auxiliou Mariana, relacionando realmente apenas seus bens,


direitos e dívidas, conforme orientação inicial. As despesas mensais serão
relacionadas separadamente.
Relacione apenas os Bens e Direitos:
Bens e Direitos Valor em R$

Total

Dívidas Valor em R$

Total

Resultado
Relacione apenas as receitas e despesas (mensais):
Entradas (RECEITAS) Valor em R$

Total

Saídas (DESPESAS) Valor em R$

Total das Despesas

Resultado Mensal
Surgiu então a seguinte relação:
Bens e Direitos (ATIVO) Valor em R$
Móveis 5.000,00
Computador e Impressora 3.500,00
Carro 23.000,00
Poupança 420,00
Estoque de Produtos 60.000,00
Contas a Receber de Clientes 40.000,00
Total do Ativo 131.920,00

Dívidas (PASSIVO) Valor em R$


Empréstimos de Familiares 35.000,00
Cheque Especial 12.500,00
Financiamento do Cartão de Crédito 14.800,00
Financiamento do Carro 11.460,00
Imposto de Renda a Pagar 300,00
Fornecedores 50.000,00
Cheques pré-datados 15.000,00
Total do Passivo 139.060,00

Patrimônio Líquido -7.140,00

Fizeram, então, seu orçamento mensal, apurando quanto ganham, quais suas
despesas e qual a situação no final de cada mês. Ficaram muito assustados, uma vez
que seu patrimônio líquido (bens e direitos – dívidas) era negativo (R$ 7.140,00), ou
seja, o valor total de suas dívidas (passivos = R$ 139.060,00), era superior ao de seus
bens e direitos (ativos = R$ 131.920,00).

ORÇAMENTO:
Entradas (RECEITAS) Valor em R$
Renda Líquida, em média 4.000,00
Rendimento da Poupança 5,00
Pensão das duas filhas 800,00
Total das Receitas 4.805,00
Saídas (DESPESAS) Valor em R$
Aluguel 400,00
Condomínio 80,00
IPTU 50,00
Supermercado 300,00
IPVA/Licenciamento 69,00
Seguro Carro/Gasolina 403,00
TV a Cabo 90,00
Plano de Saúde 335,00
Revistas/Livros 73,00
Juros do Cheque Especial e Cartão de Crédito 38,00
Despesas com Bijuterias para Revenda 800,00
Telefone Fixo 59,00
Cabeleireiro/Manicure 65,00
Celular 234,00
Vestuário 150,00
Anuidades dos Cartões de Crédito (parcela mensal) 34,00
Curso de Inglês/Teclado 216,00
Lazer 150,00
Padaria/Restaurante 130,00
Academia de Ginástica 200,00
Empregada 270,00
Seguro de Vida (parcela mensal) 23,00
Internet 60,00
Farmácia 45,00
Financiamento – carro 565,00
Escola das Filhas 320,00
Transporte Escolar 120,00
Presentes 40,00
Total das Despesas 5.319,00

Déficit Mensal -514,00

Procedendo a análise, com auxílio de seu consultor financeiro, Mariana


descobriu que está gastando mensalmente mais do que ganha, ou seja, sua despesa
mensal (R$ 5.319,00) era superior à sua receita mensal (R$ 4.805,00) havendo um
acréscimo mensal de cerca de R$ 514,00 (alguns itens têm valor variável) no valor de
sua dívida. E o pior é que sua renda mensal com vendas não é garantida. No
momento, acha que precisa comprar uma casa própria. Para tal, precisa replanejar
seus gastos. O que você sugeriria?

Este simples exemplo demonstra que a Contabilidade, através do registro dos


dados e da demostração de forma adequada, permite a interpretação dos dados, o
que é fundamental para a tomada de decisão.

“Uma empresa sem uma boa contabilidade,


é um barco em alto mar, sem bússola”

“Empresa sem contabilidade é uma entidade sem memória,


sem identidade, sem condições de planejamento
de seu crescimento”

Contabilidade – definição e objetivo

Como vimos, a Contabilidade é o instrumento que fornece o máximo de


informações úteis para a tomada de decisões dentro e fora da empresa.

A Contabilidade não deve ser feita visando basicamente as exigências do


governo (legislação), mas, o que é muito mais importante, auxiliar as pessoas a
tomarem decisões. Infelizmente quase 100% das empresas, principalmente micro-
empresas, só buscam atender o fisco, não utilizando a Contabilidade de forma
gerencial em seus negócios. Na verdade, há serviços contábeis com ênfase exagerada
na parte burocrática: guias, folhas de pagamento, impostos, etc. Assim, nem sempre o
usuário da Contabilidade é atendido conforme suas principais necessidades decisórias,
nesse caso, ela dá a falsa impressão de serviços de “despachante”.

Todas as movimentações que podem ser medidas “monetariamente” são


registradas pela contabilidade. A partir dessas movimentações, esses dados são
resumidos em relatórios, que podem sempre estar a disposição do empresário, ou do
administrador, para conhecer a situação da empresa.

Segundo a estrutura conceitual básica da Contabilidade, a Contabilidade é,


objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus
usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de
produtividade no que tange à entidade objeto da contabilização.
A capacidade informativa da Contabilidade e a estruturação do sistema contábil
são viabilizadas por meio da elaboração de um “bom” Plano de Contas, que ordena
todas as contas utilizadas pela empresa por natureza e que viabiliza a definição das
áreas da empresa em que são incorridos os gastos. Além disso, um “bom” Plano de
Contas deve, ainda, permitir seu aprimoramento e a criação de novas contas e
detalhamentos (subcontas), de acordo com a necessidade da empresa, sem prejuízo
de toda a sua estrutura.

A importância da contabilidade:

A Contabilidade proporciona resposta a três perguntas críticas:

- Qual o desempenho da empresa em dado período?

- Qual é a posição da empresa neste momento?

- Onde estão aplicados seus recursos e como foram obtidos?

Desta forma, a grande finalidade da Contabilidade é assegurar o controle do


patrimônio e fornecer informações sobre sua composição e as variações patrimoniais,
bem como sobre o resultado das atividades econômicas desenvolvidas pelas entidades
BALANÇO PATRIMONIAL (Estrutura)

Exercício findo em 31-dez-x1


ATIVO 31-12-X 31-12-X1 PASSIVO 31-12-X 31-12-X1
CIRCULANTE CIRCULANTE
Disponibilidades Fornecedores
Caixa Contas a pagar
Bancos Financiamentos a pagar
Aplicações de liquidez imediata Dividas a pagar
Energia elétrica a pagar
Direitos Realizáveis Telefones a pagar
Prêmios de seguros a
Clientes pagar
(-) Créditos de liquidez duvidosa Obrigações trabalhistas
(-) Duplicatas descontadas Salários a pagar
Estoques Obrigações fiscais
Animais p/ abate Impostos a pagar
Adiantamento a fornecedores Obrigações sociais
Adiantamentos para viagem Encargos sociais a pagar
Adiantamentos de
Contas a receber clientes
Impostos a recuperar
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO
Despesas do Exercício Seguinte Fornecedores – LP
Prêmios de seguros pagos Financiamentos a pagar –
antecipadamente LP
Assinaturas pagas antecipadamente
RESULTADO DE EXERCÍCIOS
Aluguéis pagos antecipadamente FUTUROS
Aluguéis recebidos
antecipadamente
Realizável a Longo Prazo
Depósitos judiciais PATRIMÔNIO LÍQUIDO
Empréstimos compulsórios Capital social
Empréstimos a sócios (-) Capital a integralizar
Reservas de capital
PERMANENTE Reservas de reavaliação
Investimentos Reservas de lucros
Lucros/prejuízos
Participações em outras empresas acumulados
Imóveis para renda
Obras de arte
(-) Depreciações acumuladas

Imobilizado
Prédios
Terrenos
Móveis e utensílios
Instalações
Maquinas e equipamentos
Equipamentos de Informática
Veículos
Marcas e patentes
Animais de tração
Animais de reprodução
(-) Depreciações acumuladas
(-) Amortizações acumuladas
Diferido
Despesas pré-operacionais
Pesquisa e desenvolvimento de produtos
Benfeitorias em prédios de terceiros
(-) Amortizações acumuladas

TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO


DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO

31-12-X 31-12-X1
FATURAMENTO BRUTO
IPI s/faturamento
RECEITA BRUTA DE VENDAS
Receita de vendas de mercadorias
Receita de vendas de serviços
(-) DEDUÇÕES DE VENDAS
Impostos sobre vendas
Devoluções de vendas
Descontos incondicionais
RECEITA LÍQUIDA DE VENDAS
Custo das mercadorias vendidas
LUCRO BRUTO
Despesas com vendas
Despesas administrativas
Despesas financeiras
Receitas financeiras
Outras despesas ou receitas operacionais
RESULTADO OPERACIONAL
Receitas não operacionais
Ganhos de capital
Despesas não operacionais
Perdas de capital
RESULTADO ANTES DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL E IMPOSTO DE RENDA
Contribuiçao social
Provisão para imposto de renda
RESULTADO ANTES DAS PARTICIPAÇÕES
Debêntures
Empregados
Administradores
LUCRO OU PREJUÍZO LÍQUIDO DO EXERCÍCIO
LUCRO OU PREJUÍZO POR AÇÃO

Receitas de vendas/serviços
(-) Deduções da Receita Bruta
= Receita Líquida
(-) Custo da Mercadoria
= Lucro Bruto
(-) Despesas Operacionais
= Resultado Operacional
(-) Resultado não operacional
= Resultado antes das provisões tributárias
(-)Provisão para IRPJ/Contrib.Social
(-) Participações e Contribuições
= Lucro/Prejuízo do Exercício
MODELO DE PLANO DE CONTAS
1 ATIVO

1.1 CIRCULANTE
1.1.1 DISPONÍVEL
1.1.1.1 CAIXA
1.1.1.2 BANCOS
1.1.1.3 APLICAÇÕES
1.1.2 CRÉDITOS
1.1.2.1 CLIENTES
1.1.2.2 IMPOSTOS A RECUPERAR
1.1.2.3 ADIANTAMENTOS
1.1.2.4 CHEQUES A RECEBER
1.1.2.5 ESTOQUES
1.1.3 DESPESAS ANTECIPADAS
1.1.3.1 PRÊMIOS DE SEGUROS A VENCER
1.2 REALIZAVEL A LONGO PRAZO
1.2.1 CREDITOS CONTROLADAS/COLIGADAS
1.2.2 DEPÓSITOS JUDICIAIS
1.2.3 EMPRÉSTIMO COMPULSÓRIO
1.3 PERMANENTE
1.3.1 INVESTIMENTOS
1.3.1.1 PARTICIPAÇÕES SOCIETÁRIAS
1.3.1.2 TERRENOS
1.3.2 IMOBILIZADO
1.3.2.1 MÓVEIS E UTENSÍLIOS
1.3.3.2 (-) DEPRECIAÇÕES ACUMULADAS
1.3.3.3 VEÍCULOS
1.3.3.4 (-) DEPRECIAÇÕES ACUMULADAS
1.3.3 DIFERIDO
1.3.3.1 GASTOS PRÉ-OPERACIONAIS
1.3.3.2 (-) AMORTIZAÇÕES ACUMULADAS

2 PASSIVO

2.1 CIRCULANTE
2.1.1 FORNECEDORES
2.1.2 OBRIGAÇÕES TRABALHISTAS
2.1.3 OBRIGAÇÕES FISCAIS
2.1.4 OBRIGAÇÕES SOCIAIS
2.1.5 ADIANTAMENTO DE CLIENTES
2.1.6 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
2.1.7 PROVISÕES TRABALHISTAS
2.2 PASSIVO EXIGIVEL LONGO PRAZO
2.2.1 EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS
2.2.2 OBRIGAÇÕES FISCAIS
2.2.3 OBRIGAÇÕES SOCIAIS
2.2.4 DIRETORES C/CREDORA
2.3 RESULTADOS DE EXERCÍCIOS FUTUROS
2.3.1 RECEITAS DE EXERC. FUTUROS
2.3.2 (-) CUSTOS E DESP. EXERC.FUTUROS

2.4 PATRIMÔNIO LÍQUIDO


2.4.1 CAPITAL SOCIAL
2.4.2 RESERVAS DE CAPITAL
2.4.3 RESERVAS DE REAVALIAÇÃO
2.4.4 RESERVAS DE LUCROS
2.4.5 LUCROS/PREJUÍZOS ACUMULADOS

DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO


3 LUCRO (PREJUÍZO) DO EXERCÍCIO
3.1 RESULTADO ANTES DAS PROVISÕES TRIBUTÁRIAS
3.1.1 RESULTADO OPERACIONAL
3.1.1.1 LUCRO BRUTO
3.1.1.1.1 RECEITA LÍQUIDA
3.1.1.1.1.1 RECEITA OPERACIONAL BRUTA
3.1.1.1.1.1.1 Receitas de comercialização
3.1.1.1.1.1.2 Receita de vendas de serviços
3.1.1.1.1.2 DEDUÇÕES DA RECEITA BRUTA
3.1.1.1.1.2.1 Vendas canceladas (devoluções)
3.1.1.1.1.2.2 Abatimentos e descontos (incondicionais)
3.1.1.1.1.2.3 Impostos sobre vendas
3.1.1.1.1.2.3.1 ICMS
3.1.1.1.1.2.3.2 PIS
3.1.1.1.1.2.3.3 Cofins
3.1.1.1.1.2.3.4 ISSQN
3.1.1.1.2 CUSTO DAS MERCADORIAS/PRODUTOS/SERVIÇOS
3.1.1.1.2.1 Custo das mercadorias vendidas
3.1.1.1.2.2 Custos dos produtos vendidos
3.1.1.1.2.3 Custo dos Serviços Prestados
3.1.1.2 DESPESAS OPERACIONAIS
3.1.1.2.1 Despesas com Vendas
3.1.1.2.2 Despesas administrativas
3.1.1.2.3 Despesas financeiras
3.1.1.2.4 (-) Receitas Financeiras
3.1.2 RESULTADO NÃO OPERACIONAL
3.1.2.1 Resultado de Participações Societárias
3.1.2.2 Receitas não operacionais
3.1.2.3 Despesas não operacionais
3.2 (-) PROVISÃO PARA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL
3.3 (-) PROVISÃO PARA O IMPOSTO DE RENDA
3.4 PARTICIPAÇÕES E CONTRIBUIÇÕES
CONCEITOS FUNDAMENTAIS

Patrimônio

O termo patrimônio significa, a princípio, o conjunto de bens pertencentes a


uma pessoa ou empresa. Compõe-se também de valores a receber (ou dinheiro a
receber). Por isso, em Contabilidade esses valores a receber são denominados direitos
a receber ou, simplesmente, direitos.

Relacionando-se, todavia, apenas bens e direitos, não se pode identificar a


verdadeira situação de uma pessoa ou empresa. É necessário evidenciar as
obrigações (dívidas) referentes aos bens e direitos. Por exemplo, se você disser que
tem como patrimônio um apartamento ou casa e não fizer referência à dívida com o
banco financiador (em caso de ter sido adquirido através de financiamento), sua
informação é incompleta e pouco esclarecedora.

Em Contabilidade, portanto, a palavra patrimônio tem sentido amplo: por um lado


significa o conjunto de bens e direitos pertencentes a uma pessoa ou empresa; por
outro lado inclui as obrigações a serem pagas.
Patrimônio é o conjunto de Bens, Direitos e Obrigações de
uma empresa.

PATRIMÔNIO DE UMA PESSOA OU EMPRESA


Bens e Obrigações (a serem pagas)
Direitos (a Receber)

Bens

Entendem-se por bens as coisas úteis, que podem ser avaliados


economicamente, capazes de satisfazer às necessidades das pessoas e das
empresas.

- Bens tangíveis:

Se elas têm forma física, são palpáveis, denominam-se bens tangíveis: veículos,
imóveis, estoques de mercadorias, dinheiro, móveis e utensílios (móveis de escritório),
ferramentas, etc.

BENS
numerários: dinheiro;
de venda: mercadorias em estoque;
fixos ou imobilizados (representam os bens duráveis, com vida útil
superior a 1 ano): imóveis, veículos, máquinas, instalações,
equipamentos, móveis e utensílios, etc.;
de renda: não destinados aos objetivos da empresa (imóveis destinados à
renda ou aluguel);
de consumo (não duráveis ou que são gastos ou consumidos no
processo produtivo), depois de consumidos representam despesas:
combustíveis e lubrificantes, material de escritório, material de limpeza,
etc.

- Bens intangíveis:

Os bens incorpóreos, isto é, abstratos, não palpáveis (imateriais, não


constituídos de matéria), denominam-se bens intangíveis. Normalmente, as marcas
que constituem um bem significativo para as empresas (Coca-cola, Cica) e as patentes
de invenção (documento pelo qual o Estado garante a uma pessoa ou empresa o
direito exclusivo de explorar uma invenção) são exemplos de bens intangíveis.
CARACTERÍSTICAS
não possuem existência física, porém representam uma aplicação de
capital indispensável aos objetivos da empresa, e cujo valor reside em
direitos de propriedade que são legalmente conferidos aos seus
possuidores, como os direitos sobre marcas, patentes, direitos autorais,
ponto comercial, fundo de comércio, ações ou quotas de capital de outras
empresas, etc.

O Código Civil brasileiro distingue os bens em:

- bens móveis: são aqueles que podem ser removidos por si próprios ou por
outras pessoas: animais, máquinas, equipamentos, estoques de mercadorias, etc

- bens imóveis: são aqueles vinculados ao solo, que não podem ser retirados
sem destruição ou danos: edifícios, construções, árvores, etc.;

Exemplo:

BENS R$
Edifícios 180.000,00
Móveis e utensílios 90.000,00
Veículos 110.000,00
Máquinas 400.000,00
Terrenos 900.000,00
Marcas e patentes 150.000,00
Total 1.830.000,00

Classificação:

BENS R$ Tangíveis Intangíveis Móveis Imóveis

Edifícios 180.000,00

Móveis e utensílios 90.000,00

Veículos 110.000,00

Máquinas 400.000,00

Terrenos 900.000,00

Marcas e patentes 150.000,00

Total 1.830.000,00 0,00 0,00 0,00 0,00


Classificação:

BENS R$ Tangíveis Intangíveis Móveis Imóveis

Edifícios 180.000,00 180.000,00 180.000,00

Móveis e utensílios 90.000,00 90.000,00 90.000,00

Veículos 110.000,00 110.000,00 110.000,00

Máquinas 400.000,00 400.000,00 400.000,00

Terrenos 900.000,00 900.000,00 900.000,00

Marcas e patentes 150.000,00 150.000,00 150.000,00

Total 1.830.000,00 1.680.000,00 150.000,00 750.000,00 1.080.000,00

Direitos

Em Contabilidade se entende por Direito ou Direito a Receber o poder de exigir


alguma coisa. Desta forma, são todos os valores que uma empresa ou indivíduo tem a
receber de terceiros e que se encontram em poder de terceiros, ou seja, podemos
chamar de créditos a receber de terceiros.

Em nosso dia-a-dia, podemos exemplificar alguns direitos que temos (como


trabalhadores), que após um mês de trabalho, se o pagamento estabelecido seja
mensal, temos o direito a receber nosso salário. Assim, “salários a receber” passa a ser
um direito. Da mesma forma, podemos exemplificar um depósito de determinada
quantia no banco, temos o direito de sacar esse depósito a qualquer momento.

Em relação à empresa, o direito a receber mais comum é caracterizado pelas


vendas a prazo. Quando se vende mercadorias a outras empresas e o pagamento não
é efetuado no ato, mas no futuro, a empresa vendedora emite uma duplicata como
documento comprobatório. Neste caso, esse direito denomina-se duplicatas a receber.

Ex.: clientes (duplicatas a receber), aluguéis a receber, bancos conta


movimento, notas promissórias a receber, impostos a recuperar, etc.

DIREITOS R$

Bancos c/ Movimento (depósitos) 4.000,00

Duplicatas a Receber 3.250,00

Títulos a Receber (notas promissórias) 2.300,00

Aluguéis a Receber 1.500,00

Total 11.050,00
Obrigações

São dívidas com outras pessoas ou entidades. Em Contabilidade tais dívidas


são denominadas “obrigações exigíveis”, isto é, compromissos que serão reclamados,
exigidos: pagamento na data do vencimento.

Em caso de um empréstimo bancário, você fica devendo ao banco (empréstimo


a pagar). Se a dívida não for liquidada na data do vencimento, conforme combinado, o
banco “exigirá” o pagamento.

Uma obrigação exigível bastante comum nas empresas é a compra de


mercadorias a prazo (exatamente o contrário de duplicatas a receber). Ao comprar a
prazo, a empresa fica devendo para o fornecedor da mercadoria, por essa razão, essa
dívida é conhecida como “fornecedores”, embora também possa ser denominada
“duplicatas a pagar”.

Outras obrigações exigíveis são:

- com os funcionários, salários a pagar;

- com o governo, impostos a pagar;

- com as financeiras, financiamentos;

- com a Previdência Social e FGTS, encargos sociais a pagar;

- com o locador do prédio, aluguéis a pagar;

- outras contas, como luz, água, combustíveis, etc. Todas denominadas “a


pagar”.

OBRIGAÇÕES R$

Fornecedores (dívidas de mercadorias) 5.000,00

Empréstimos bancários 8.500,00

Salários a pagar 3.400,00

Encargos sociais a pagar (FGTS, INSS) 1.200,00

Impostos a pagar 2.900,00

Contas a pagar (diversos) 1.800,00

Total 22.800,00
Representação gráfica do Patrimônio:

BENS + DIREITOS (ATIVO) OBRIGAÇÕES EXIGÍVEIS (PASSIVO)


Bens Obrigações
Dinheiro Empréstimos a Pagar
Mercadoria em Estoques Salários a Pagar
Veículos Fornecedores (Dpl. a Pagar)
Imóveis Impostos a Pagar
Máquinas Encargos Sociais a Pagar
Ferramentas Aluguéis a Pagar
Móveis e Utensílios Promissórias a Pagar
Marcas e Patentes Contas a Pagar

Direitos
Depósitos em Bancos
Duplicatas a Receber
Títulos a Receber
Aluguéis a Receber
Ações

Nesta representação, coloca-se lado a lado, esquerdo Bens e Direitos (ATIVO)


e no lado direito, Obrigações Exigíveis (PASSIVO). Isto ocorre, porém, por mera
convenção. Psicologicamente, parece mais interessante colocar primeiro aquilo que é
positivo (bens + direitos) para em seguida, apresentar aquilo que é negativo
(obrigações). Na Inglaterra, por exemplo, colocam-se primeiramente as obrigações e
depois os bens e direitos.

Patrimônio Líquido

Ao passar em frente a uma empresa imponente, com enorme letreiro luminoso,


jardins grandes, pode-se imaginar “como é grande o patrimônio desta empresa”. Há
possibilidade, no entanto, de essa pessoa estar errada, pois patrimônio envolve
também as obrigações. A empresa poderá estar a um passo da falência ou totalmente
endividada, embora os números do seu patrimônio sejam elevados. Este exemplo
serve para evidenciar que patrimônio por si só não mede a efetiva riqueza de uma
empresa.

Outro exemplo que podemos ter ocorre no nosso dia-a-dia, com pessoas que
conhecemos ou mesmo conosco, que podemos ter um apartamento grande ou casa
ampla, um carro novo na garagem e outros bens, que esse elevado patrimônio todo
não significa necessariamente grandes posses. Pode ser que por trás desse patrimônio
existam muitas prestações junto a uma entidade bancária ou outro orgão financiador,
resultando talvez numa dívida consideravelmente grande. Riqueza, portanto, não se
mede somente pelo patrimônio.

É necessário conhecer a “riqueza líquida” da pessoa ou empresa. Somam-se os


bens e os direitos e, desse total, subtraem-se as obrigações. O resultado é a riqueza
líquida, ou seja, a parte que sobra do patrimônio para a pessoa ou empresa. Ela é
denominada patrimônio líquido ou situação líquida.

Equação Patrimonial:

Patrimônio Líquido = Bens + Direitos (-) Obrigações

O Patrimônio Líquido, portanto, é a medida da verdadeira riqueza. Observe-se


que há situações em que o Patrimônio é grande, mas as obrigações superam os bens
e direitos. Nesse caso, o patrimônio líquido é negativo, isto é, não há riqueza, a
situação financeira pode ser péssima.

Vejamos um exemplo de empresa com grande patrimônio:

Bens: R$ 65.000,00
Direitos: R$ 25.000,00
Obrigações: R$ 88.000,00

Observamos que a riqueza líquida, pelo tamanho da empresa, pode ser


insignificante:

PL = B + D – O
PL = 65.000 + 25.000 – 88.000 PL = 2.000

Outro exemplo, de empresa com menor patrimônio:

Bens: R$ 18.300,00
Direitos: R$ 28.000,00
Obrigações: R$ 45.000,00
PL = 18.300 + 28.000 – 45.000 PL = 1.300
Representação gráfica do Patrimônio:

BENS + DIREITOS (ATIVO) OBRIGAÇÕES EXIGÍVEIS (PASSIVO)


Bens R$ 18.300,00 Obrigações R$ 45.000,00
Dinheiro R$ 1.200,00 Empréstimos a Pagar R$ 12.500,00
Mercadoria em Estoques R$ 4.000,00 Salários a Pagar R$ 3.500,00
Veículos R$ 9.100,00 Fornecedores (Dpl. a Pagar) R$ 18.000,00
Máquinas 1200 Impostos a Pagar R$ 3.700,00
Ferramentas 1500 Encargos Sociais a Pagar R$ 2.800,00
Móveis e Utensílios 1300 Aluguéis a Pagar R$ 1.800,00
Promissórias a Pagar R$ 2.000,00
Água R$ 120,00
Luz R$ 300,00
Telefone R$ 280,00
Direitos R$ 28.000,00

Depósitos em Bancos R$ 6.300,00 Patrimônio Líquido R$ 1.300,00


Duplicatas a Receber 21700

TOTAL DO ATIVO R$ 46.300,00 TOTAL DO PASSIVO R$ 46.300,00

- ESCRITURAÇÃO

Como a Contabilidade faz o controle do Patrimônio das empresas?

Para que o controle do Patrimônio seja eficaz, a Contabilidade precisa registrar


todos os fatos que ocorram na empresa. Esse registro é feito através da escrituração.

Em que consiste a escrituração?

A Escrituração, uma das técnicas utilizadas pela Contabilidade,


consiste em registrar nos livros próprios (Diários, Razão, Caixa e Contas-
correntes) todos os fatos que provocam modificações no Patrimônio da
empresa.

A escrituração começa pelo livro Diário, onde os fatos são registrados de forma
mercantil, através do lançamento, obedecendo a uma disposição técnica em ordem
cronológica.

Para registrar os fatos através dos lançamentos, a Contabilidade utiliza as


contas.
- CONTAS

O que é conta?

Conta é o nome técnico dado aos componentes patrimoniais (Bens,


Direitos, Obrigações e Patrimônio Líquido) e aos elementos de resultado
(Despesas e Receitas).

É através das contas que a Contabilidade consegue desempenhar seu papel.


Todos os acontecimentos que ocorrem na empresa, responsáveis pela sua gestão, tais
como compras, vendas, pagamentos e recebimentos, são registrados nos livros
próprios através das contas.

- CLASSIFICAÇÃO DAS CONTAS

As contas podem ser classificadas em dois grupos:

a) Contas Patrimoniais: são as que representam os elementos que compõem o


patrimônio. Dividem-se em dois grandes grupos: Ativo e Passivo.

Exemplo:

Contas Patrimoniais

ATIVO PASSIVO

Bens Obrigações
Caixa Fornecedores
Bancos Financiamentos a pagar
Veículos Dividas a pagar

Direitos Patrimônio Líquido


Duplicatas a Receber Capital Social

b) Contas de Resultado: dividem-se em Contas de Despesas e Contas de


Receitas.

Despesas: caracterizam-se pelo consumo de Bens e pela utilização de serviços.


Exemplos: água e esgoto, energia elétrica, material de limpeza, salários.

Receitas: decorrem da venda de Bens ou da prestação de serviços.

Exemplos: venda de mercadorias, receitas de serviços