Você está na página 1de 21

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Capítulo 151 Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Capitulo 151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III

151.1 Introdução

Quando queremos a máxima precipitação, o máximo vento, o máximo pico de vazão, etc,

usamos:

  • 1- Distribuição de Gumbel dos valores extremos (Brasil, Canadá)

    • 2- Distribuição Log-Pearson Tipo III ( Estados Unidos) No Brasil e Canadá é muito usada a distribuição de Gumbel quando queremos a máxima precipitação, a máxima enchente, etc. Nos Estados Unidos o uso mais frequente é a Distribuição Log-Pearson Tipo III que é recomendada por vários órgãos públicos. Citando um pouco de história, a primeira pessoa que começou os estudos dos valores dos extremos foi L. von Bortkiewicz em 1922. Curiosamente para nós brasileiros, Gumbel, 1958 que é o livro clássico de estatística dos extremos, cita no primeiro capítulo do seu livro, a Tese na Universidade de São Paulo, o brasileiro Rui Aguiar da Silva Leme que em1954 fez uma exposição sistemática do tratamento da assíntota da distribuição dos valores dos extremos e sua aplicação a problemas de engenharia, especialmente para a segurança das estruturas. O dr. Rui foi meu professor de estatística e economia na Escola Politécnica da USP e ele chegou a ser Presidente do Banco Central. Escreveu também um livro de Estatística. Outra curiosidade, é que Gumbel é alemão de nascimento (Munique) e seu nome completo é Emil Julius Gumbel.

151.2 Noções de estatística

Vamos mostrar algumas noções de estatística algumas equações do momento: média,

desvio padrão e desvio padrão.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Média X É a soma dos dados dividido pelo número deles.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Em Excel: X= MEDIA (A1:A50)

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Desvio padrão S É a raiz quadrada da soma dos quadrados das diferenças da media dividido por n-1.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Em Excel: S= DESVPAD (A1:A50)

Coeficiente de variação Cv

É o quociente entre o desvio padrão e a média.

Cv= S/ X

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Distribuição normal

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Figura 151.1- Curva normal

Skewness (g) Dá uma idéia se a curva normal está distorcida para a direita ou para a esquerda. O Skewness mede a simetria da curva e quando g=0 temos simetria perfeita, isto é, a curva normal.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Em Excel: SKEW= DISTORÇÃO (A1:A50)

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Figura 151.2- A esquerda temos skewness positivo e a direita skewness negativo

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

151.3 Distribuição de Gumbel

A distribuição de Gumbel foi introduzida em 1941 e é chamada de Distribuição de Gumbel ou simplesmente Gumbel. O objetivo é achar a máxima enchente de um rio, a máxima precipitação, o máximo vento, etc. Tenho usado a distribuição de Gumbel em regiões onde não existe uma equação de chuva intensa, mas existe muitos dados de precipitação diária através de pluviômetros. Com os dados das precipitações diárias usamos a distribuição de Gumbel para vários períodos de retorno e depois usamos as relações entre as precipitações, transformando as chuvas de um dia para 24h. Depois usamos a relação de precipitações para chuvas de 24h para chuvas de 1h e assim por diante. Isto está

no meu livro Cálculos Hidrológicos e Hidráulicos para obras municipais no capítulo de Chuvas Intensas. Uma vez em um congresso de Biodiversidade e Recursos Hídricos conversei com um engenheiro peruano que morava no interior do Peru e que sua cidade não tinha equação de chuva, mas tinha somente as precipitações diárias de mais de 30 anos. Dei o meu livro já citado de presente para o mesmo para servir de modelo nos cálculos. Você não obtém a equação chuva intensa, mas uma tabela para diversos períodos de retornos e diversos tempos de duração da chuva desde 24h até 5min que serve para uso em cálculo precisando as vezes de uma pequena interpolação linear. Primeiramente vamos mostrar a distribuição de Gumbel conforme Righeto, 1998 que é a mais usada no Brasil e de fácil aplicação, existindo inclusive programas em Excel, bastando entrar com os dados das precipitações diárias. Temos muito utilizado a distribuição de Gumbel conforme Righeto, 1998.

151.4 Distribuição de Gumbel conforme Righeto

Vamos explicar a Distribuição de Gumbel usando um exemplo da cidade de Guarulhos usando dados do Posto Bonsucesso com dados de 58 anos conforme Tabela (151.1) para Tr=25anos. Righeto usa os mesmos critérios de Ven Te Chow, 1988 e da ASCE, 1996.

Tabela 151.1- Precipitações máximas diárias anuais do Posto Bonsucesso em Guarulhos

Posto pluviométrico de Bonsucesso Guarulhos

 

Ano

Precipitação máxima diária anual (mm)

Ano

Precipitação máxima diária anual (mm)

1940

47

1981

59,2

1941

70,3

1982

112,5

1942

85,2

1983

85,6

1943

64

1984

56,5

1944

87,4

1985

44,4

1945

88,3

1986

93,2

1946

76,2

1987

107

1947

96

1988

88,2

1948

60,41

1989

76,5

1949

135,6

1990

85,1

1950

80,6

1991

76,3

1951

118,4

1992

146,2

1952

54,6

1993

39,9

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

1953

70,8

 
  • 1994 51,5

1954

57,1

 
  • 1995 67,2

1955

45,5

 
  • 1996 71,9

1956

74,6

 
  • 1997 57,9

1957

67,9

média

75,08 mm

1958

57,2

desvio padrão

23,29 mm

1959

59,5

   

1960

83,9

   

1961

59,2

   

1962

97,6

   

1963

59,8

   

1964

52,5

   

1965

66,5

   

1966

60,6

   

1967

68,5

   

1968

90

   

1969

43

   

1970

57,6

   

1971

68,9

   

1972

43,4

   

1973

68,4

   

1974

53,7

   

1975

87,1

   

1976

69,5

   

1977

118

   

1978

117,9

   

1979

80,2

   

1980

92,8

   

Para analisar as maiores precipitações para fins de projeto hidráulicos, é usada a distribuição de Gumbel, conforme Righeto, 1998 página 190.

= 6 0,5

. S /

= (0,577 . )

sendo S = desvio padrão = 23,29mm e = média = 75,08mm achamos os parâmetros e .

= 18

=64,69

Na distribuição de Gumbel, conforme Righeto, 1998 página 219 temos:

P( 1 dia; T) -

  • --------------------- =

- ln ( ln ( 1 / F (P(dia; T))))

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

sendo F ( P(dia ;T)) = 1 (1 / T )

T= período de retorno e ln= logaritmo neperiano. Como exemplo, para período de retorno T= 25 anos F (P( 1dia ; 25)) = 1 (1 / 25) = 1-0,04 =0,96 P( 1 dia; 25) -

  • --------------------- =

- ln ( ln ( 1 / 0,96)) =3,1985

P( 1 dia; 25) 64,69 ------------------------------ =

18

3,1985

P( 1 dia; 25) 64,69

= 3,1985 . 18 = 57,57

P( 1 dia; 25) 64,69

= 57,57 + 64,69 =122,26mm

Para isto façamos a Tabela 152.2 onde acharemos os valores de P (dia; T) para um período de retorno de 2, 5 , 10, 15, 20, 25, 50 e 100 anos.

Tabela 151.2-Cálculo das precipitações máximas de 1 dia em milímetros, para vários períodos de retorno usando a distribuição de Gumbel

Variáveis

 

Valores obtidos usando a distribuição de Gumbel

 

β

18,00

18,00

18,00

18,00

18,00

18,00

18,00

18,00

α

64,7

64,7

64,7

64,7

64,7

64,7

64,7

64,7

Período de retorno T

2

5

10

15

20

25

50

100

F(1dia;T)

0,50

0,80

0,90

0,93

0,95

0,96

0,98

0,99

P( 1dia;T) (mm)

71,30

91,70

105,21

112,8

118,16

122,26

134,93

147,50

3

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

151.5 Distribuição de Gumbel conforme Subramanya, 2008

Vamos fazer uma aplicação prática de Gumbel.

Sendo:

XT= Xm + K . σ

XT= valor extremo para um determinado período de retorno Xm= valor médio da amostra

σ = desvio padrão da amostra

K= fator de frequência determinado por:

Sendo:

K= fator de frequência

K= (yT yn) / Sn

yT= - ( Ln (Ln (T/ (T-1))))

T= período de retorno (anos) yn= média reduzida fornecida pela Tabela (151.3) em função do tamanho da amostra N Nota 1: quando n > yn= 0,577 N= tamanho da amostra. Sn= desvio padrão reduzido fornecido pela Tabela (151.4) em função do tamanho da amostra. Nota 2: quando n > Sn= 1,2825

Tabela 151.3- Valores da média reduzida yn para o método de Gumbel em função do tamanho da amostra N

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Fonte: Subramanya, 2008

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Tabela 151.4- Valores do desvio padrão reduzido Sn para o método de Gumbel em função do tamanho da amostra N

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Fonte: Subramanya, 2008

Exemplo 151.1

Usando

os

dados de

N=58 anos de precipitações máximas de Guarulhos, achar a precipitação máxima par Tr=100anos usando o Método de Gumbel conforme apresentação de Subramanya, 2008.

Periodo de retorno desejado: Tr=T= 100 anos Média da amostra: Xm= 75,08mm

Desvio padrão da amostra: σ= 23,29mm

Cálculo de yT yT= - ( Ln (Ln (T/ (T-1)))) yT= - ( Ln (Ln (100/ (100-1)))) = 4,60 Cálculo de K

K= (yT yn) / Sn

Conforme Tabela (151.3) vamos achar o valor de yn entrando com N=58 que é o tamanho da amostra. Então achamos yn= 0,5515

Conforme

Tabela (151.4) vamos

achar o valor

Sn entrando com

N=58

que

é

o

tamanho da amostra. Então achamos Sn= 1,1721

K= (yT yn) / Sn

K= (4,60 0,5515) / 1,1721 = 3,45

Portanto, conforme Gumbel o valor máximo da precipitação diaria em Guarulhos é:

XT= Xm + K . σ Média da amostra: Xm= 75,08mm

Desvio padrão da amostra: σ= 23,29mm

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

XT= 75,08 + 3,45x 23,29= 155,53mm

Portanto, a precipitação máxima diaria para Tr=100anos é 155,53mm. Verifique que o valor obtido foi de 155,53mm que é maior que o obtido usando Righeto, 2008 que foi de 147,50mm. O motivo é que Subramanya, 2008 considera a amostra e não o valor infinito da amostra.

151.6 Limite de confiança Subramanya, 2008 estima de uma maneira bem simples o limite de confiança. O limite de confiança da amostra xT será:

x1= xT + f(c) . Se x2= xT f(c) . Se

O valor f(c) é obtido na Tabela (151.5) conforme a escolha da probabilidade de confiança desejada. O valor de Se é obtido da seguinte maneira:

Sendo:

Se= erro provável

σ= desvio padrão da amostra

N= número de amostras b= fornecido pela equação:

Se = b. σ / N 0,5

b= ( 1+1,3K + 1,1K 2 ) 0,5

O valor de K é o mesmo obitdo anteriormente: K= (yT yn) / Sn

Tabela 151.5- Valores de f(c) em função da confiança da probabilidade escolhida

c em %

50

68

80

90

95

99

f (c)

0,674

1,00

1,282

1,645

1,96

2,58

Fonte: Subramanya, 2008

Exemplo 151.2

Para o exemplo anterior calcular o intervalo de confiança para 95% de probabilidade a precipitação máxima diaria para Guarulhos.

XT= 155,53mm (já calculado) K= 3,45 ( já calculado)

b= ( 1+1,3K + 1,1K 2 ) 0,5 b= ( 1+1,3x3,45 + 1,1x3,45 2 ) 0,5 b= 4,31

Se = b. σ / N 0,5 Se = 4,31x3,45 / 58 0,5

Se=13,19

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Escolhida a probabilidade de 95% entrando na Tabela (151.5) achamos f (c)= 1,96.

x1= xT + f(c) . Se x2= xT f(c) . Se x1= 155,53 + 1,96x 13,19= 181,39

x2= 155,53 1,96x 13,19= 129,67

Portanto, o intervalo de confiança com 95% de probabilidade é que a o valor máximo para Tr=100anos esteja entre 129,67mm e 181,39mm. Informamos que achamos 155,53mm.

Exemplo 151.2- Extraído e adaptado de Subramanya, 2008.

Usando o método de Gumbel achar as vazões máximas em um rio para diversos períodos

de retorno: 2anos, 10 anos, 25 anos, 50anos, 100 anos, 200 anos, 500 anos e 1000 anos, bem como o intervalo de confiança cujos dados estão na Tabela (151.6). Dados:

Tabela 151.6- Dados de vazão observada máxima por ano

 

Vazão

Ano

observada

(m3/s)

1

7826

2

6900

3

6771

4

6599

5

5060

6

5050

7

4903

8

4798

9

4652

10

4593

11

4366

12

4290

13

4175

14

4124

15

3873

16

3757

17

3700

18

3521

19

3496

20

3380

21

3320

22

2988

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

23

2947

24

2947

25

2709

26

2399

27

1971

   

N=

27

Media=

4263,52

Desvio

1433,25

padrão=

Tabela 151.7- Cálculos

 

T=

 

2

 

10

 

25

 

50

 

100

 

200

 

500

 

1000

 
 

yt=

 

0,37

 

2,25

 

3,20

 

3,90

 

4,60

 

5,30

 

6,21

6,91

Tabela yn=

0,53320

0,53320

0,53320

 

0,53320

 

0,53320

0,53320

0,53320

0,53320

Tabela Sn=

1,10040

1,10040

1,10040

1,10040

1,10040

1,10040

 

1,10040

1,10040

 

K=

 

-0,15

 

1,56

 

2,42

 

3,06

 

3,70

 

4,33

5,16

 

5,79

xt=

4046
4046
6500
6500
7735
7735
8651
8651
 
9561
9561
 
10467
10467
 
11662
11662
 
12566
12566
   

Intervalo de confiança

 

Para 95% f©

 

1,96

 

1,96

 

1,96

 

1,96

 

1,96

 

1,96

 

1,96

 

1,96

b=

0,91

2,39

3,26

3,91

4,56

5,22

6,08

6,74

Se=

251,04

 

658,96

 

898,13

 

1078,53

 

1258,89

1439,40

 

1678,33

1859,32

 

x1=

 

4538

 

7792

 

9495

 

10765

 

12028

   

13288

 

14952

   

16210

 

x2=

3554

5209

5975

 

6537

   

7093

     

7646

     

8373

   

8921

Observar na Figura (151.3) que colocamos todos os periodos de retorno e as vazões de pico para os mesmos e que se encontram em uma reta conforme observado por Subramanya, 2008.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Figura 151.3- Vazões em função do periodo do retorno em papel com abcissa com logaritmos

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

151.7 Distribuição LogPearson Tipo III

No Brasil usamos para os extremos a distribuição de Gumbel, mas os americanos

usam geralmente a distribuição Log-Pearson Tipo III que muitas vezes é denominada simplesmente de LP3I. Para isto vamos usar logaritmo na base 10. z= log x

Trabalharemos com a função z e teremos a média zm e o desvio padrão σz.

Sendo:

ZT= Zm + Kz . σz

ZT= média dos logaritmos Zm= valor médio dos logartimos Kz= obtido pela Tabela (151.8) em função de Tr e de Cs (skew). A distorção (skewness) pode ser positiva ou negativa. σz = desvio padrão dos logaritmos

Depois que calculamos usamos o antilogaritmo, ou seja, a definição de logaritmo na base 10 é:

Log b= a 10 a =b

A única diferença está no coeficiente skew Cs que deve ser determinado e depois entrado em uma tabela para achar o coeficiente Kz em função do período de retorno T e do coeficiente de skew Cs.

O valor do coeficiente de Skew Cs é determinado por:

Cs= [ N .(z zm) 3 ]/ [ (N-1) (N-2) σz 3 ]

Sendo:

Cs= coeficiente de skew (distorção) N= tamanho da amostra z= valores obtidos z= log x zm= média dos valores z obtidos Quando o skew é positivo significa que a distorção é para a esquerda e quando negativo a distorção é para a direita já mostrado na Figura (151.2). Subramanya, 2008 salienta que quando Cs=0 a distribuição Log-Pearson Tipo III se reduz a uma distribuição log-normal.

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Tabela 151.8- Valores de Kz em funçao de Tr e de Cs (skew)

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio
Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio

Fonte: Subramanya, 2008

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Exemplo 151.3

Os dados são os mesmos de Guarulhos só que esta vez iremos usar a distribuição Log-

Pearson III.

Tabela 151.9- Cálculos de z e (z-zm) 3 usando Log-Pearson Tipo III

 

Precipitação

   

máxima

z=log x

Ano

diária anual

(mm)

 

(z-z m ) 3

 
  • 1940 1,672098

47

 

-0,00626

 
  • 1941 1,846955

70,3

 

-8,3E-07

 

85,2

  • 1942 1,93044

 

0,000407

 
  • 1943 1,80618

64

 

-0,00013

 
  • 1944 1,941511

87,4

 

0,000618

 
  • 1945 1,945961

88,3

 

0,00072

 
  • 1946 1,881955

76,2

 

1,68E-05

 
  • 1947 1,982271

96

 

0,001996

 
  • 1948 1,781109

60,41

 

-0,00043

 

135,6

  • 1949 2,13226

 

0,021003

 
  • 1950 1,906335

80,6

 

0,000125

 
  • 1951 2,073352

118,4

 

0,010218

 
  • 1952 1,737193

54,6

 

-0,00169

 
  • 1953 1,850033

70,8

 

-2,5E-07

 
  • 1954 1,756636

57,1

 

-0,00099

 
  • 1955 1,658011

45,5

 

-0,0078

 
  • 1956 1,872739

74,6

 

4,4E-06

 
  • 1957 1,83187

67,9

 

-1,5E-05

 
  • 1958 1,757396

57,2

 

-0,00097

 
  • 1959 1,774517

59,5

 

-0,00055

 
  • 1960 1,923762

83,9

 

0,000306

 

59,2

  • 1961 1,772322

 

-0,00059

 
  • 1962 1,98945

97,6

 

0,002358

 

59,8

  • 1963 1,776701

 

-0,00051

 

52,5

  • 1964 1,720159

 

-0,00253

 
  • 1965 1,822822

66,5

 

-3,8E-05

 
  • 1966 1,782473

60,6

 

-0,0004

 

68,5

  • 1967 1,835691

 

-8,8E-06

 
  • 1968 1,954243

90

 

0,000938

 
  • 1969 1,633468

43

 

-0,01107

 

57,6

  • 1970 1,760422

 

-0,00088

 
  • 1971 1,838219

68,9

 

-6E-06

 
  • 1972 1,63749

43,4

 

-0,01048

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

 
  • 1973 -9,7E-06

68,4

1,835056

 
 

53,7

  • 1974 -0,00202

1,729974

 
 
  • 1975 0,000586

87,1

1,940018

 
 

69,5

  • 1976 1,841985

 

-3E-06

 
  • 1977 0,010012

118

2,071882

 
 
  • 1978 0,009961

117,9

2,071514

 
 
  • 1979 0,000109

80,2

1,904174

 
 
  • 1980 0,001375

92,8

1,967548

 
 

59,2

  • 1981 -0,00059

1,772322

 
 

112,5

  • 1982 0,007392

2,051153

 
 

85,6

  • 1983 0,000441

1,932474

 
 

56,5

  • 1984 -0,00113

1,752048

 
 
  • 1985 -0,00913

44,4

1,647383

 
 
  • 1986 0,001445

93,2

1,969416

 
 
  • 1987 0,005181

107

2,029384

 
 
  • 1988 0,000708

88,2

1,945469

 
 

76,5

  • 1989 2,04E-05

1,883661

 
 

85,1

  • 1990 0,000398

1,92993

 
 
  • 1991 1,79E-05

76,3

1,882525

 
 
  • 1992 0,029388

146,2

2,164947

 
 
  • 1993 -0,01666

39,9

1,600973

 
 

51,5

  • 1994 -0,00302

1,711807

 
 
  • 1995 -2,4E-05

67,2

1,827369

 
 
  • 1996 5,32E-11

71,9

1,856729

 
 

57,9

  • 1997 -0,00082

1,762679

 
   

Soma=

0,026991

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Tabela 151.10- Cálculos usando Log-Pearson Tipo III

Media= z m =

   

1,86

Desvio padrão=σ z

 

0,13

 

Subramanya

 

T=Tr=

   

100

 

Cs=

 

0,23

 

Kz=

 

2,50

 

xt=

 

2,18

antilog= 10 2,18 =

 

150,98

 

Intervalo de confiança

 

Para 95%

f(c)=

 

1,96

 

b=

 

3,34

 

Se=

 

0,06

x

1 =

 

2,29

x

2 =

 

2,07

antlog=

 

194,83

antlog=

 

116,99

Usando a

definição de logaritmo achamos o valor para Tr=100anos de

150,98mm para precipitação máxima de um dia.

O intervalo de confiança para 95% de probabilidade estará entre 116,99mm e

194,83mm;

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Exemplo 15 1.4

Calcular a vazão máxima de um rio para Tr=100 anos usando LogPearson Tipo III

Tabela 151.11- Calculo usando LogPearson Tipo III

       

Ano

Vazao

z=log x

(z-Zm)^3

   
  • 1 3,89354

  • 7826 0,02349186

   
  • 2 3,838849

  • 6900 0,01244022

   
  • 3 3,830653

  • 6771 0,01116622

   
  • 4 3,819478

  • 6599 0,00957376

   
  • 5 3,704151

  • 5060 0,00091296

   
  • 6 3,703291

  • 5050 0,00088892

   
  • 7 3,690462

  • 4903 0,00057846

   
  • 8 3,68106

  • 4798 0,00040391

   
  • 9 3,66764

  • 4652 0,00022144

   
  • 10 3,662096

  • 4593 0,00016598

   
  • 11 3,640084

  • 4366 3,5753E-05

   
  • 12 3,632457

  • 4290 1,6227E-05

   
  • 13 3,620656

  • 4175 2,4693E-06

   
  • 14 3,615319

  • 4124 5,4703E-07

   
  • 15 3,588047

  • 3873 -6,96E-06

   
  • 16 3,574841

  • 3757 -3,37E-05

   
  • 17 3,568202

  • 3700 -5,904E-05

   
  • 18 3,546666

  • 3521 -0,0002212

   
  • 19 3,543571

  • 3496 -0,0002569

   
  • 20 3,528917

  • 3380 -0,0004786

   
  • 21 3,521138

  • 3320 -0,0006361

   
  • 22 3,475381

  • 2988 -0,0022874

   
  • 23 3,46938

  • 2947 -0,0026144

   
  • 24 3,46938

  • 2947 -0,0026144

   
  • 25 3,432809

  • 2709 -0,0052982

   
  • 26 3,38003

  • 2399 -0,0117141

   
  • 27 3,294687

  • 1971 -0,030504

     

0,00317381

   

N=

27

   

Media=

3,61

   

Desvio

0,14

padrão=

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

Tabela 151.12- Calculo usando LogPearson Tipo III

N=

 

27

Media=

 

3,61

Desvio padrão=

 

0,14

 

Subramya

Tr=

 

100

Cs=

 

0,05

   
   

Kz=

 

2,36

xt=

 

3,94

antlog=

 

8798

 

Intervalo de

 

confiança

Para 95% f©=

 

1,96

b=

 

3,20

Se=

 

0,09

x1=

 

4,12

x2=

 

3,77

antlog=

 

13074

 

antlog=

 

5920

 

A vazão máxima de pico conforme LogPearson Tipo III é 8.798 m 3 /s e com 95% de confiança o intervalo varia de 5.920 m 3 /s a 13.074 m 3 /s.

151.8 Comentários

Tabela 151.13- Comparação Gumbel e LogPearson Tipo III

Distribuição

Màxima

Intervalo de confiança com 95% de probabilidade

Gumbel

9.561m 3 /s

  • 7.093 a 12.028

LogPerson Tipo III

8.798 m 3 /s

  • 5.920 a 13.094

     

Usando dados metereológicos de chuvas diárias de Guarulhos durante 58 anos obtivemos os valores das precipitações máximas diárias que estão na Tabela (151.11).

Tabela 151.14- Sumário para precipitação máxima diária para Tr=100anos com dados de 58 anos em Guarulhos

Modelo usado

Precipitação máxima diária

Gumbel (Righeto, Chow, ASCE)

147,50mm

 

155,53mm

Gumbel (Subramanya) Log-Pearson Tipo III

150,98mm

Curso de Manejo de águas pluviais Capitulo151- Distribuição de Gumbel e Log-Pearson Tipo III Engenheiro Plínio Tomaz 25 de junho de 2016 pliniotomaz@uol.com.br

151.9 Bibliografia e livros consultados

-ASCE (AMERICAN SOCIETY OF CIVIL ENGINEERS). Hydrology handbook, 2a ed.1996, ISBN 0-7844-0138-1, 784 páginas. -BEIRLANT, JAN et all. Statistics of extremes. Theory and applications. USA, 2005. Editora John Wiley &Sons, ISBN 10: 0-471-97647-4 (H/B) -CHOW, VEN TE. Applied hydrology, Mcgraw-hill, 1988, 572 páginas. ISBN 07-100174-3. -GUMBEL, E. J. Statistics of extremes. USA, 1958, Editora LPBM, ISBN 978-1-62654-987- 6, 375 páginas. -PONCE, VICTOR MIGUEL. Engineering hydrology. Prentice-Hall, 1989,, ISBN 0-13- 315466-1, 640 páginas. -RIGHETTO, ANTONIO MAROZZI. Hidrologia e Recursos Hídricos. 1 a ed. São Carlos:

Escola de Engenharia de São Carlos-USP, 1998, 819 páginas. -SUBRAMANYA, K. Engineering hydrology. 3ª ed. Tata McGraw-Hil, New Delhi, 2008, ISB 978-0-07-015146-8, 434 páginas.

-SUBRAMANYA, K. Engineering Hydrology. 4ª ed. New Delhi, McGraw Hill, 2013, ISBN (13) 978-9-38-328653-9 com 534 páginas.

-TOMAZ, PLINIO. Cálculos hidrológicos e hidráulicos. Navegar, 2ª ed. 2011, 592 páginas. -TUCCI, CARLOS E. M. Hidrologia. ABRH, 1993, 943 páginas. -WANIELISTA, MARTIN et al. Hydrology. 2ª ed. John /Wiley & Son, 1977, ISBN 0-471- 07259-1, 566 páginas.