Texto Base 2

Filosofia: Do pensamento mítico religioso ao pensamento político

O homem pode ser identificado e caracterizado como um animal que pensa e cria explicações. Criando – as, cria pensamentos. Nesta criação estão presentes a base mitológica (pensamento por figuras e explicações metafísicas) e a base racional (pensamento por conceitos). Os mitos cumpriam uma função social moralizante de tal forma que essas narrativas ocupavam o imaginário dos cidadãos da polis grega direcionando suas condutas. Nesse mundo mítico nada é natural, ao contrário, tudo é sagrado e independe da vontade do ser, já que todo o seu destino é previamente traçado pelos deuses, e deles depende. Cabe, portanto, a esse estado de sacralização determinar quais ritos, leis e princípios normativos todos devem acatar, se quiserem estar em conformidade com a vontade dos deuses. O mito é, assim, determinista e trágico, absolutamente pessimista, uma vez que os indivíduos não têm controle sobre seu próprio destino: a determinação deste, cabe aos deuses. Foi nessa ordem de ideias que o mito foi o primeiro modelo de construção da realidade, na Antiga Grécia. Ele teve como função além de explicar a própria realidade, acomodar, tranquilizar, apaziguar o indivíduo diante de um mundo tão Eros e Psique: assustador. Eros, também conhecido como Cupido, é o deus grego do amor. O que mais chama a Essas narrativas possuíam um fundo moral, o alerta atenção na mitologia de Eros talvez seja a para os desígnios dos deuses, que não devem ser contrariados estória de sua paixão por Psique, uma mortal, apesar de alguns atos heroicos. Contudo, uma nova tão linda, que teria despertado a ira de aristocracia se formava e a vida na pólis cada vez mais é Afrodite, que vinha perdendo a devoção que os mortais lhe tinham para a bela mortal. Afrodite direcionada pela política, e aos poucos a moral estabelecida enviou, então, seu filho Eros para fazer com que Psique se apaixonasse pelo homem mais pelas narrativas míticas foi sendo substituídas pela ética e feio e vil que existisse. Mas Eros acabou se pelos valores da cidadania grega. O cidadão grego cada vez apaixonando por Psique, e os dois acabaram se casando, sem que, porém, Psique pudesse mais participativo não considerava a ideia de não controlar a ver o rosto do marido, pois ela pensava que própria vida. Na vida pública da “polis”, os homens livres esse casamento era um castigo dos deuses. Psique acabou por quebrar as regras impostas manifestavam suas posições escolhendo entre iguais o e viu o rosto de Eros que, enfurecido, direcionamento das decisões e das ações da cidade-estado. abandonou-a. Mas seu amor por Eros era tão intenso que a bela Psique findou por procurar O nascimento da filosofia pode ser entendido como o surgimento de uma nova ordem do pensamento, complementar Afrodite para pedir-lhe que intercedesse por ela, ajudando-lhe a encontrar Eros. Afrodite ao mito, que era a forma de pensar dos gregos. Uma visão de impôs-lhe, então, uma série de tarefas que deveriam ser cumpridas para que Psique mundo que se formou de um conjunto de narrativas contadas pudesse voltar a ver seu amado Eros. Depois de geração a geração por séculos e que transmitiam aos jovens de receber a ajuda de vários seres, Psique conseguiu cumprir todas as tarefas, e Zeus a experiência dos anciãos. ratificou o seu casamento com Eros, a pedido Os mitos apresentavam uma religião politeísta, sem deste. Essa união resultou ainda no doutrina revelada, sem teoria escrita, isto é, um sistema nascimento de seu filho Voluptas (Prazer).

religioso, sem corpo sacerdotal e sem livro sagrado, apenas concentrado na tradição oral. Ao aliar crenças, religião, trabalho, poesia, os mitos traduziam o modo que o grego encontrava para expressar sua integração ao cosmo e à vida coletiva. Os gregos a partir do século V a.C. viveram uma experiência social que modificou a cotidianidade grega: a vivência do espaço público e da cidadania. A cidade constituía-se da união de seus membros para os quais tudo era comum. A reflexão filosófica acerca da ‘política’ contribui para nossa educação enquanto cidadãos e nos fornece uma base para o exercício da cidadania. Aristóteles (384-322 a.C.), é tido como o mais erudito e sábio dos filósofos gregos. Em seu livro Política, Aristóteles intentou reaproximar o exercício da política ao exercício da ética, na busca de restaurar a moral política grega, conspurcada pela sofística, ainda em voga naquele momento. Para Aristóteles, o grande objetivo da vida do homem era ser feliz; para isso, deveria desenvolver suas aptidões. A natureza, tal qual era, não permitia que um homem isolado se desenvolvesse plenamente. Por essa razão, os homens se uniam (sociedade) para a realização de um bem maior e mais importante: a constituição e manutenção da polis. Esse fenômeno, segundo Aristóteles, acontecia naturalmente, e o homem seria assim, naturalmente um "animal da cidade" (em grego, polis), ou seja, o homem seria, por natureza, “um animal político”, escreveu Aristóteles.

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful