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CURSO ON-LINE - PROFESSOR: DEUSVALDO CARVALHO 

ALTERAÇÕES NA LRF – LC 131/2009

Prezado amigo estudante!

Desejo-lhe sucesso e sorte na conquista de seus objetivos!

Que tenha sempre uma mente ILUMINADA, especialmente aos


“meus” alunos dos cursos para o MPU no Ponto.

No nosso encontro de hoje discorro sobre as recentes alterações


inseridas na LRF.

Reflexão!
Nunca deixe que lhe digam
Que não vale a pena realizar seu sonho
Acredite em seus sonhos e os torne realidade
Não dê atenção aos que subjugam seus planos
Enfrente as adversidades ou você nunca vai ser alguém.
Deusvaldo Carvalho – LRF Doutrina e Jurisprudência, Ed. Campus, série provas e concursos.

Bom estudo!

Atenção! Alteração da LRF pela LC 131/2009:

Em 2009 foi aprovada a Lei Complementar nº 131, que altera o art.


48 da Lei de Responsabilidade Fiscal – LRF e acrescenta novas regras
de gestão fiscal.

As alterações aprovadas referem-se a:


a) Transparência dos atos públicos;
b) Acesso de informações às pessoas físicas e jurídicas das despesas
realizadas e receitas arrecadadas;
c) Obrigatoriedade de criação de sistema integrado de administração
financeira e controle a ser utilizado no âmbito de cada Ente da Federação;
d) A possibilidade de qualquer cidadão, partido político, associação ou
sindicato constituir-se em parte legítima para denunciar ao respectivo
Tribunal de Contas e ao órgão competente do Ministério Público o
descumprimento das prescrições estabelecidas na LC 131;
e) Prazos para o cumprimento das determinações dispostas nos incisos II e
III do parágrafo único do art. 48 e do art. 48-A;
f) Sanção administrativa/fiscal, na qual veda transferências voluntárias da
União e de Estados/DF para Municípios que descumprirem os prazos
previstos na própria LC 131/09.

Veremos o que ocorreu, passo a passo.

O art. 48 da LRF e seu parágrafo único estabelecem:


“São instrumentos de transparência da gestão fiscal, aos quais será dada
ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público: os
planos, orçamentos e leis de diretrizes orçamentárias; as prestações de

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contas e o respectivo parecer prévio; o Relatório Resumido da Execução


Orçamentária e o Relatório de Gestão Fiscal; e as versões simplificadas
desses documentos”.

“Parágrafo único. A transparência será assegurada também mediante


incentivo à participação popular e realização de audiências públicas,
durante os processos de elaboração e de discussão dos planos, lei de
diretrizes orçamentárias e orçamentos”.

Quanto a esse art. 48, o que foi modificado?

Observe no quadro abaixo as modificações:


Redação anterior – LC Redação atual – LC 131/09
101/00
Art. 48. ... Art. 48. ....
Parágrafo único. A Parágrafo único. A transparência será
transparência será assegurada assegurada também mediante:
também mediante incentivo à
participação popular e realização I – incentivo à participação popular e
de audiências públicas, durante realização de audiências públicas,
os processos de elaboração e de durante os processos de elaboração e
discussão dos planos, lei de discussão dos planos, lei de diretrizes
diretrizes orçamentárias e orçamentárias e orçamentos;
orçamentos.
II – liberação ao pleno conhecimento e
acompanhamento da sociedade, em
tempo real, de informações
pormenorizadas sobre a execução
orçamentária e financeira, em meios
eletrônicos de acesso público;

III – adoção de sistema integrado de


administração financeira e controle, que
atenda a padrão mínimo de qualidade
estabelecido pelo Poder Executivo da
União e ao disposto no art. 48-A.
Pode-se observar que as alterações ocorreram da seguinte forma:

1. O parágrafo único foi dividido em incisos: I, II e III, sendo que o


inciso I permaneceu com a mesma redação anterior;

2. Os incisos II e III foram acrescentados para incluir novos


instrumentos de transparência da gestão fiscal.

Assim, com as alterações introduzidas pela LC nº 131/2009, atualmente o


caput do art. 48 e seu parágrafo único estabelecem que a transparência na
gestão fiscal será assegurada pelos Entes da Federação através dos
seguintes instrumentos:
1. Ampla divulgação, inclusive em meios eletrônicos de acesso público dos
planos, orçamentos e das leis de diretrizes orçamentárias;

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2. As prestações de contas e o respectivo parecer prévio;


3. O Relatório Resumido da Execução Orçamentária - RREO;
4. O Relatório de Gestão Fiscal – RGF;
5. As versões simplificadas dos RREO e dos RGF;
6. Incentivo à participação popular e realização de audiências públicas,
durante os processos de elaboração e discussão dos planos, lei de diretrizes
orçamentárias e orçamentos;
7. Liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade, em
tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução
orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso público
(acrescentado);
8. Adoção de sistema integrado de administração financeira e controle, que
atenda a padrão mínimo de qualidade estabelecido pelo Poder Executivo da
União e ao disposto no art. 48-A (acrescentado).

Quanto a adoção de sistema integrado de administração


financeira e controle a ser utilizado no âmbito de cada Ente da
Federação, em 27 de maio de 2010 foi aprovado pelo Presidente da
República, o Decreto nº 7.185, regulamentando acerca do padrão
mínimo de qualidade do sistema citado.

O referido Decreto prevê no seu art. 2º que o sistema integrado de


administração financeira e controle utilizado no âmbito de cada ente
da Federação, com a denominação de SISTEMA, deverá permitir a
liberação em tempo real das informações pormenorizadas sobre a
execução orçamentária e financeira das unidades gestoras, referentes
à receita e à despesa, com a abertura mínima estabelecida no próprio
Decreto, bem como o registro contábil tempestivo dos atos e fatos
que afetam ou possam afetar o patrimônio da entidade.

Âmbito de abrangência do SISTEMA:

Deve integrar o SISTEMA todas as entidades da administração direta,


as autarquias, as fundações, os fundos e as empresas estatais
dependentes, sem prejuízo da autonomia do ordenador de despesa
para a gestão dos créditos e recursos autorizados na forma da
legislação vigente e em conformidade com os limites de empenho e o
cronograma de desembolso estabelecido.

Padrão mínimo de qualidade das informações do SISTEMA:

Sem prejuízo da exigência de características adicionais no âmbito de


cada Ente da Federação, o SISTEMA deve possuir os seguintes
requisitos tecnológicos do padrão mínimo de qualidade:
a) Disponibilizar ao cidadão informações de todos os Poderes e órgãos do

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ente da Federação de modo consolidado;


b) Permitir o armazenamento, a importação e a exportação de dados;
c) Possuir mecanismos que possibilitem a integridade, confiabilidade e
disponibilidade da informação registrada e exportada.

Portanto, o referido SISTEMA deverá permitir a integração em meio


eletrônico que possibilite amplo acesso público, assegurando à
sociedade o acesso às informações sobre a execução orçamentária e
financeira, conforme preconizado na LRF e na LC 131/09.

Foi acrescentado o art. 48-A com a seguinte redação:


Art. 48-A. Para os fins a que se refere o inciso II do parágrafo único do
art. 48, os entes da Federação disponibilizarão a qualquer pessoa física ou
jurídica o acesso a informações referentes a:
I – quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades gestoras no
decorrer da execução da despesa, no momento de sua realização, com a
disponibilização mínima dos dados referentes ao número do
correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço prestado, à
pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e, quando for o caso, ao
procedimento licitatório realizado;
II – quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a receita das
unidades gestoras, inclusive referente a recursos extraordinários.

Em realidade, o inciso II do parágrafo único do art. 48 estabelece que


a transparência na gestão fiscal será assegurada também mediante a
liberação ao pleno conhecimento e acompanhamento da sociedade,
em tempo real, de informações pormenorizadas sobre a execução
orçamentária e financeira, em meios eletrônicos de acesso
público;

Portanto, a LC 131/2009 estabelece em seu art. 48-A que para os


fins a que se refere o inciso II acima citado, os entes da Federação
disponibilizarão a qualquer pessoa física ou jurídica o acesso a
informações referentes a:
I – quanto à despesa: todos os atos praticados pelas unidades
gestoras no decorrer da execução da despesa, no momento de sua
realização, com a disponibilização mínima dos dados referentes ao
número do correspondente processo, ao bem fornecido ou ao serviço
prestado, à pessoa física ou jurídica beneficiária do pagamento e,
quando for o caso, ao procedimento licitatório realizado;
II – quanto à receita: o lançamento e o recebimento de toda a
receita das unidades gestoras, inclusive referente a recursos
extraordinários.

Acrescetu-se o art. 43-A no qual estabelece que qualquer cidadão,


partido político, associação ou sindicato é parte legítima para
denunciar ao respectivo Tribunal de Contas e ao órgão competente

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do Ministério Público o descumprimento das prescrições estabelecidas


na LRF e na Lei Complementar 131/09.

O art. 73-B regulamentou os prazos para o cumprimento das


determinações dispostas nos incisos II e III do parágrafo único do
art. 48 e do art. 48-A, conforme segue:
I – 1 (um) ano para a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
com mais de 100.000 (cem mil) habitantes;
II – 2 (dois) anos para os Municípios que tenham entre 50.000 (cinqüenta
mil) e 100.000 (cem mil) habitantes;
III – 4 (quatro) anos para os Municípios que tenham até 50.000
(cinqüenta mil) habitantes.

Os prazos acima serão contados a partir de 28 de maio, data de


publicação da LC 131/2009.

No art. 73-C previu-se que o não atendimento, até o encerramento


dos prazos previstos no art. 73-B, das determinações contidas nos
incisos II e III do parágrafo único do art. 48 e no art. 48-A sujeita o
ente a sanção prevista no inciso I do § 3o do art. 23 da LRF, qual
seja, o recebimento de transferências voluntárias.

Portanto, o descumprimento dos prazos acima impede que os Entes


Federados (Estados/Distrito Federal e Municípios) recebam
transferências voluntárias da União e de Estados/DF para Municípios.

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